Últimas indefectivações

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A bolha

"Quando cada vez mais investidores compram títulos de dívida pública a juros negativos de um estado soberano com rating negativo como, por exemplo, Portugal (preferem pagar para terem o dinheiro seguro) ninguém pode ficar surpreendido com os valores que, de ano para ano, são alocados à compra de passes de futebolistas. Quando se pensa que foram batidos todos os recordes, eis que surge mais uma contratação que nos deixa de queixo caído. Ou talvez já não.
Por muito boas intenções que tenha o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, em querer um tecto salarial ou mesmo limitar valores de transferências, está e estará de mãos e pés atados. Primeiro, porque a UEFA é cada vez mais refém dos interesses da ECA (Associação de Clubes Europeus, sigla em inglês) que, a mando de alemães, espanhóis, italianos e franceses conseguiram impor as suas regras para fazer da Liga dos Campeões uma prova cada vez mais vocacionada para os clubes ricos; segundo, porque muitos desses clubes tornaram-se propriedade de pessoas ou entidades que representam fundos que, entre outros investimentos, compram dívida soberanas. Compram países, portanto. Falamos da tal pequena percentagem que manda no mundo. Um mundo agora mais globalizado. O futebol é, pois, apenas mais um veículo para movimentar dinheiro e os ricos conseguirão sempre contornar o fair play financeiro. basta aumentar as receitas num falso contrato de publicidade para equilibrar as contas e não apresentar prejuízo.
Não vale a pena aos presidentes de clubes portugueses vangloriarem-se com grandes vendas que tenham feito. Este é um tempo de vacas gordas. Como disse José Mourinho, paga-se cada vez mais quantias elevadas por jogadores banais. Entre os €14 milhões que custou Ronaldo ao Man. United e os €180 milhões que poderão ser pagos por Mbappé ter-se-ão passado 14 anos. E não, o mundo não está 13 vezes mais rico. A bolha é que é cada vez maior."

Fernando Urbano, in A Bola

O ano de todos os empréstimos

"A disparidade vigente na Liga portuguesa potencia muito o fenómeno dos empréstimos, acentuando o fosso entre uns e os outros. Embora a limitação do número de emprestados e a impossibilidade de defrontarem a casa-mãe constituam medidas correctas (mesmo assim, dois em vez de três cedidos como máximo seria mais adequado...), verifica-se-á, quando chegar a altura, no início de Setembro, de fazer contas finais, uma distorção significativa, com consequências na integridade da competição. Valerá então a pena explicar aos adeptos quem está inibido de defrontar quem, quantos jogadores estão, especialmente nos três grandes, sob empréstimo noutros emblemas e qual o verdadeiro número de futebolistas profissionais sob contrato de cada clube...

PS1 - Não correu bem o dia de ontem ao Sporting. E a derrota frente ao Vitória de Guimarães terá sido até o menor dos males, porque os jogos de preparação não passam disso mesmo, mesmo aqueles que não correm bem. Porém, os sinais vindos da Champions não foram os mais animadores e cresce a possibilidade dos leões não serem cabeças de série no play-off, factor que aumenta bastante o risco numa eliminatória com especial relevância para a época sportinguista.

PS2 - Vítor Pereira foi nomeado presidente dos árbitros na Grécia. Mais um caso em que santos à porta não fazem milagres. Especialmente quando se procura andar de espinha direita e sem preocupação de fazer amigos. Por cá, serviu, na derradeira fase, de bode expiatório para insucessos alheios. Ficam os gregos a ganhar porque acabaram de garantir o concurso de alguém que nunca foi um yes man."

José Manuel Delgado, in A Bola

Neymar

"Tudo leva a crer que Neymar está a caminho do PSG. Neymar quer ser o 10 e não estar na sombra de ninguém. Messi é a sua sombra e de todos que passaram por Barcelona. Alexis Sánchez foi vítima do seu protagonismo, como em tempos idos, Ibrahimovic e tantos outros.
Se jogar no PSG é a estrela principal de um orquestra de grandes jogadores que o ano passado fizeram ver que poderiam ser campeões europeus.
Sendo vedeta principal mais fácil será ganhar a Bola de Ouro. Neymar, em 2015, foi Bola de Bronze atrás de Ronaldo e Messi. No PSG passará a ser o jogador mais bem pago do Mundo - 30 milhões de euros por época, batendo o record da transferência mais cara do Mundo 222 milhões de euros (valor da cláusula de rescisão). Actualmente recebe 15 milhões de euros , no PSG irá ganhar o dobro. O dinheiro compra quase tudo, Neymar pode ir para o PSG sem que os dirigentes do clube francês tenham que negociar com os dirigentes do clube espanhol.
O dinheiro, a fama, o estrelato são ingredientes que Neymar e o seu pai não descuram. Neymar tem 25 anos e está na altura de dar o salto e da sua afirmação em toda a plenitude. Ainda tem uma grande base de progressão.
Neymar no PSG, a sua adaptação será fácil, pois vai encontrar amigos brasileiros e da selecção: Maxell, Thiago Silva, Lucas Moura, Marquinhos e Dani Alves.
No PSG, Neymar pode jogar solto e com mais liberdade de movimentos, como o faz na selecção do Brasil. Em Barcelona tem que jogar essencialmente pela esquerda, Suárez pelo centro e Messi por onde entende. Passa a marcar os livres, em que não fica nada atrás de Messi. Diria que a vinda de Neymar para o PSG será a sua libertação e a sua afirmação total.
O pai de Neymar que é também seu agente tem um papel crucial na sua transferência para o PSG. A sua influência no filho é determinante.
Neymar impõe algumas condições: exigiu à direcção do PSG alguns colegas brasileiros para jogarem ao seu lado; pediu Coutinho e Alex Sánchez expressamente; quer estar seguro que pagam a cláusula de rescisão e garantias do cumprimento do fair-play financeiro, de modo, a não haver sanções desportivas com exclusão de todas as competições europeias a partir da temporada 2018-2019. 
Neymar tudo leva a crer está de malas aviadas para Paris.

Nota: Ibrahimovic no seu melhor! O Manchester United impõe condições para renovar em Janeiro tendo em conta a recuperação do seu joelho. Ibrahimovic não está pelos ajustes, também, impõe condições para ficar: depende da campanha do Manchester na Liga dos Campeões e na Premier League. Uma figura dentro e fora do campo."

Alta Fidelidade... que dupla !!!

Alvorada... pré-temporada

Benfiquismo (DXLII)

Sem bigode...!!!

Lanças... em Inglês...

NetPress... Emirates Cup...

Os 'tours' (o cá da bola e o de França sobre rodas)


"Não me desagradam estas previsões pessimistas quanto ao Benfica. Temo-nos dado bem com estas 'bolas de cristal'.


O intróito
Eu, benfiquista, me envaideço. Um fim-de-semana em cheio no atletismo, judo e, sobretudo, no triatlo, onde a equipa encarnada se sagrou campeão europeia. Assim, fica bem claro qual é o clube, em Portugal (e na Europa?), com o máximo título europeu em mais desportos colectivos, a saber: futebol, hóquei em patins, atletismo (estrada), futsal e, agora, triatlo. Cinco modalidades de um clube que faz do ecletismo um dos seus baluartes institucionais e iconográficos. Sou benfiquista e isso me envaidece!

Os três 'grandes'
1. Confesso que só vejo os jogos de preparação do Benfica. Não vejo os jogos do Sporting e do Porto, não necessariamente por alergia ou indiferença. É que estes jogos de aquecimento, sejam do Benfica, ou de outros clubes, são, em regra, partidas enfadonhas, com segundas partes reduzidas a substituições por atacado e sem o sal e pimenta fundamental no futebol que é a importância do jogo ou da competição. Parafraseando o que, na semana passada, Rogério Alves, escreveu em A Bola, também prefiro uma qualquer supertaça da Eslováquia ou Letónia, onde está em causa um troféu, a jogos de preparação, amigáveis ou particulares (estas três qualificações nem sempre são coincidentes, sobretudo o carácter amigável...).
Ainda o defeso é uma criança, mas começam a ficar minimamente visíveis os pontos fortes e fracos dos três tradicionais e sempiternos favoritos ao título de campeão.
O Benfica está a contar dinheiro que jorra na sua tesouraria, ainda que de passagem para os bancos credores, e, de 'repente' (entre aspas, porque é o que parece, não necessariamente o que é) lembrou-se que sem Ederson, Lindelof e Nélson Semedo, o sector defensivo ficaria debilitado. Repito o que aqui escrevi a semana passada. Não consigo entender a saída de Ederson com um encaixe excelente para a... conta-corrente da Gestifute. Que mal seria mais um aninho no Benfica? O rapaz é novo, tinha muito tempo para voar para outros impérios de novos-ricos, e, seguramente daqui a um ano, haveria a mesma possibilidade de concretizar um excelente negócio. A estória dos guarda-redes do Benfica afigura-se complexa. Há um velho, Júlio César, notável, naturalmente, na fase descendente. Há, um novo, o promissor B. Varela, que todavia, não dá ainda garantias para ser titular. Falta o de meia-idade, ainda misterioso entre alguns nomes que têm vindo à estampa, sabendo-se que a pressa não é boa conselheira. Devo dizer, todavia, que aplaudo a não concretização da transferência de André Moreira do Atlético de Madrid, pois o moço, até agora, ainda nem sequer vestiu o equipamento para fazer uma partidinha...
Seferovic não engana. É mesmo um excelente atacante, o que permitirá a transferência de Jiménez ou Mitroglou. Na defesa, à direita, há o sempre generoso André Almeida, nem como Buta e Pedro Pereira. Todos longe, porém, do virtuosismo de Nélson. E que tal pensar em Salvio para este posto?
Última nota: a época ainda não começou, mas já 5 jogadores têm estado no estaleiro, tal como o ano passado. Coincidência? Azar? E a nova equipa médica? Será precisa alguma bruxa ortopédico-muscular?

2. O Sporting parece-me mais forte do que antes, ainda que só saibamos quem entrou e não quem vai sair e muita haja por saber as mais de 10 (!) aquisições já feitas. Mais forte, sobretudo no plantel total, que não necessariamente no onze inicial. Doumbia poderá ser um excelente reforço (mas Podence é mais virtuoso) e Bas Dost dá garantias. Já na defesa, acho que poderá ficar menos bem. O pré-reformado Mathieu e o leão Coentrão têm um percurso de excelência, é certo, mas resta a incógnita de um época de mais de 50 jogos. A propósito de Fábio Coentrão, registo para memória futura as suas tão prestimosas declarações sobre a vinculação eterna ao Benfica e o seu amor vitalício ao Sporting (Oh, Fábio, não havia necessidade...). Jorge Jesus continua com os traumas dos laterais. Já assim era no Benfica, sobretudo à esquerda. Agora, no SCP, insiste no problema à direita, com importação de refugo externo.
Mais do que futebol, o que agora e após o fim da suspensão do presidente leonino anima a malta é o pedagógico e prestimoso bate-papo com Octávio Machado, entretanto terceira escolha para director do futebol. Reparará Bruno de Carvalho que essa inconfidência é mais danosa para ele e seu clube do que para Octávio?

3. O Porto, em regime de austeridade imposta, pode surpreender. Se mantiver alguns dos jogadores-chave, e tendo-se reforçado com alguns regressos de valor, como Aboubakar (na minha opinião melhor que André Silva) e Ricardo Pereira, antevejo uma equipa sólida e estável a começar no sector defensivo. Já considerando todo o plantel, essencial para uma época longa em várias competições, poderá haver alguma debilidade, podendo vir a ser o calcanhar de Aquiles dos dragões. E, não questionando a determinação e competência de Sérgio Conceição, há algum risco de descarrilamento do comboio, dependendo do início de época e do maior ou menor controle de um temperamento impulsivo e errático do técnico.

4. Quem é o favorito dos favoritos? Pelo que já tenho lido e ouvido de especialistas da praça, o Benfica não o será... O costume, aliás, nestes últimos anos, em particular desde que Rui Vitória treina o clube. Pelo contrário, as expectativas quanto ao Sporting são sempre exponenciadas, tendo presente a secção de compras e as maravilhas que dela advêm. Não me desagradam estas previsões pessimistas quanto ao Benfica. Temo-nos dado bem com estas bolas de cristal. O tetra é disso a prova, e o netra dos outros também.

O Tour de França
Acabou a 104.ª edição da Volta a França em ciclismo. Acompanhei como sempre com prazer La Grande Boucle, através de notáveis transmissões televisivas, que nos ofereceram com uma beleza quase inexcedível, não apenas o colorido e longo pelotão, como também o pavé, a paisagem envolvente, as terras por onde passa, o património cultural e os ex-libris dos percursos.
Há sinais de que foram superadas, ainda que não esquecidas, as sequelas das batotas e do doping endémico. A prevenção e o maior investimento no jogo do rato e do gato contra a dopagem dão um certo ar de alívio nesta nova fase do Tour.
Venceu e bem pela quarta vez (terceira consecutiva) o britânico-queniano Chris Froome, repetidamente assobiado pelos gauleses. Assistimos ao crepúsculo de Alberto Contador, também um notável campeão. E novos valores emergem como Landa, Aru e Herbert. Pena que, no contra-relógio decisivo, a televisão francesa tenha sido tão chauvinista que secundarizou o camisola amarela para se centrar no francês, então segundo classificado. Percebo a ânsia de ver um gaulês ganhar o Tour, o que já não acontece há 32 anos (B. Hinault, 1985), mas não havia necessidade...

Contraluz
- Mão (de qualquer eliminatória)
Mas, afinal, a mão não é falta no futebol? Já os ingleses dizem mais acertadamente leg (perna).
- Equipamento.
O principal do Benfica 17/18 foi considerado pelo jornal britânico The Telegraph o 2.º mais bonito do mundo, a seguir a um Bayern. Esqueçamos o alternativo.
- Interrogação
No futebol feminino, a linguagem de género não chega a certas posições no campo? Por exemplo, Média em vez de Médio e Extrema no lugar de Extremo? Já para não falar na Atacanta!
- Pensamento
«Em futebol, o pior cego é que só vê a bola»
(Nelson Rodrigues, 1921-80, dramaturgo brasileiro)."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Carta aberta ao Benfica

"Caro Benfica, deixa-me começar por te dizer que o sucesso, normalmente, não é eterno como o bigode de Salvador Dalí. É evidente que tens o conforto de quatro anos seguidos a ganhar, mas parece-me que este ano estás a facilitar um pouco perante os teus rivais. Nunca te esqueças que nos dois últimos campeonatos, para me reportar apenas à era Rui Vitória, foste campeão à tangente, o que significa que os teus rivais podem estar à distância de pormenores. Eu sei que no ataque está tudo bem, tens Seferovic para o lugar de Mitrolgou ou Jiménez, se um deles partir, e extremos é coisa que não te falta (mesmo que um deles seja Carrillo...), mas o mesmo não se pode dizer da baliza, da defesa e do meio-campo.
Tens apenas um guarda-redes que dá garantias mas tem 37 anos e tendência para lesões; tens outro problema no lado direito, já que Pedro Pereira parece estar a acusar a responsabilidade, apesar de André Almeida poder tapar o buraco e teres ainda o miúdo Buta; tens um grande ponto de interrogação no eixo defensivo porque Luisão tem 36 anos, Jardel vem de um ano praticamente parado, Lisandro é irregular e Kalaica e Rúben Dias são aprendizes (Linfelod também era, eu sei). E já agora, se venderes Samaris, já por si a anos-luz de Fejsa (as lesões são recorrentes...), ficas sem alternativa para a posição 6 (Filipe Augusto não é 6 nem 8...). Resta saber se, para Pizzi ter descanso, algum dos três terá pedalada: Chrien (boas indicações), Krovinovic ou João Carvalho.
Podes dizer-me que ainda há tempo, é verdade, mas as pré-épocas servem precisamente para preparar e afinar as equipas para o competição. Deixar as coisas para o fim e fazer pré-épocas em competição pode custar-te caro um dia.
O tempo, às vezes, não é mais do que um relógio derretido, daqueles do quadro de Salvador Dalí."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Barcelona-92 e nós tão longe

"Em Espanha celebram-se, por estes dias, os 25 anos dos Jogos Olímpicos de Barcelona. E têm nuestros hermanos boas razões para recordarem não só o evento desportivo que teve lugar em 1992, mas sobretudo as consequências altamente benéficas que tal organização teve no desporto espanhol e não só. Barcelona deu um salto quântico com os Jogos, abriram-se vias, melhorou a mobilidade e surgiram novos bairros, preparando a Cidade Condal para enfrentar as décadas seguintes (Lisboa fez o mesmo com a Expo-98 de boa memória). Mas para o desporto espanhol a ideia de sediar os Jogos esteve muito para além das três semanas de eventos ou dos benefícios para a capital da Catalunha. 
Tendo os Jogos Olímpicos de 1992 por meta, a Espanha criou um plano de desenvolvimento desportivo em todas as modalidades que hoje, um quarto de século volvido, continua a dar frutos, fazendo com que nos sintamos, neste particular, tão perto e cada vez mais longe. Tenho vontade de confessar que sinto inveja do desporto espanhol; mas, para ser preciso, mais do que inveja sinto admiração pelo que fizeram e pela convicção que colocaram na causa.
Em Portugal, quase nada se fez por uma política desportiva séria, vista como um investimento e não como uma despesa. Em 43 anos de democracia não houve um governo, que há um partido que possa dizer que fez uma tentativa honesta na criação de um modelo desportivo global, que apostasse na escola e criasse condições de massificação de onde surgissem, com naturalidade, as elites. De quatro em quatro anos, não é por acaso que passamos quase incógnitos pelos Jogos. É por falta de visão política."

José Manuel Delgado, in A Bola

Swindon, Joãozinho... & alguns espectadores especiais

Ricas em fibra

"Podia ser o título de um artigo sobre aconselhamento nutricional mas, de facto, não o é... e, quando penso neste título, a única imagem que me ocorre é o sprint de Diana Silva (e consequente cruzamento para desfecho exímio de Carolina Mendes) e o arranque de Ana Mendes que, curiosamente, colocou o jornalista que relatava o jogo a dizer "é golo, é golo...", antes mesmo de o ser.
Ricas em fibra.
De facto, as atletas da nossa selecção nacional de futebol sénior, a disputar por estes dias aquele que está a ser o primeiro Campeonato da Europa, em competição feminina, conquistaram o seu lugar nesta prova graças à sua fibra e, com ela, conquistaram o seu primeiro golo e a sua primeira vitória, deixando no ar a esperança de uma fase de grupos bem sucedida (com consequente apuramento para fase final).
O desempenho que esta equipa vem tendo, fruto da dedicação e sacrifício de cada uma das atletas, mas também da sua equipa técnica e todo o staff que, com elas, dirige os seus esforço (por certo, já há bastante tempo) para aquela que é a missão da Selecção, tem vindo a mostrar uma admirável coerência e consistência.
A vantagem de quem parte, como Portugal, sem a pressão de se "afirmar campeão", permite, muitas vezes, que equipas "surpresa" venham a reclamar um lugar entre os grandes (recorde-se, o exemplo do Leicester na Premier League, na época 2015/16).
Para isso, torna-se muitas vezes imperativa, a existência de uma noção muito clara de "Equipa" (quase numa lógica de "tribo") e uma centração claríssima nas tarefas que possam conduzir à melhoria de performance jogo-a-jogo - não sendo, desde logo, fácil esta tarefa, mais difícil se torna quando a equipa, de forma involuntária e inconsciente, começa a tomar para si a vontade e expectativa dos adeptos - Vencer.
De facto, uma clara noção das tarefas em campo, aliadas a uma forte comunicação e sentido de cooperação e entreajuda serão, à partida, ingredientes preciosos para que o desempenho se supere a cada acção, a cada jogo - aliás, nada de novo e nada que esta equipa não tenha já evidenciado mas, o desafio que se começa a impor é como manter a atenção neste propósito quando os adeptos e o próprio "coração" pede para "Vencer"...
Uma coisa, por certo, ninguém lhes poderá retirar.
A História já está feita... Portugal deve já, a estas atletas, a sua homenagem por, uma vez mais, terem elevado a imagem do País e da qualidade do Desporto Português.
A partir daqui, mantendo a sua atenção no que verdadeiramente controlam - o seu comportamento, a sua capacidade de entrega - o que é importante mesmo é que saibam viver o resto desta competição como a oportunidade, que transporta em si mesma a mera participação, de aproveitarem cada treino e cada jogo para elevarem, ainda mais, as suas competências (físicas, técnico-tácticas e psico-emocionais) individuais e de equipa.
De facto, e até ao final da prova, a "cor e o rosto" do adversário pouco importa... o que trarão para "casa" (para a nossa e para a delas também), será a fibra com que se debateram a cada duelo, a rapidez com que reagiram a cada "percalço" e a alegria com que comemoraram cada sucesso.
Afinal, e como no caso do exemplo de tantos outros Atletas, um espelho do que nós próprios poderemos imprimir na nossa Vida."

B's vão-se preparando...

Uma Olímpica tragicomédia

"À primeira vista, a reunião que um grupo de catorze presidentes de Federações Desportivas (G-14), à revelia dos seus órgãos de cúpula, concretamente, o Comité Olímpico de Portugal (COP) e a Confederação do Desporto de Portugal (CDP), teve com o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto no passado dia 19-07-2017, é de louvar na medida em que pode ser vista como um franco desejo de alguns presidentes clarificarem o processo de desenvolvimento do desporto nacional que, de há cerca de catorze anos a esta parte, está completamente pervertido nos seus princípios, valores e objectivos. Contudo, tratando-se de um grupo informal, não posso acreditar que a generalidade dos dirigentes se reveja no comunicado espontâneo surgido na comunicação social na medida que não traduz um conhecimento mínimo acerca daquilo que, em matéria de desenvolvimento do desporto, se passou no País nos últimos trinta anos.
Acredito que no referido grupo existem presidentes genuinamente interessados em explorar as melhores vias para encontrar um novo rumo para o desporto nacional. Mas, também estou convicto que há quem pense que a referida reunião se tratou, tão só, do primeiro ato de uma olímpica tragicomédia destinada a passar uma certidão de óbito à Confederação do Desporto de Portugal (CDP) que, por incrível que possa parecer, tal qual “bode expiatório”, já está, em regime de exclusividade, a ser responsabilizada pelo estado calamitoso em que o desporto nacional se encontra. 
Repare-se que a afirmação de que a referida reunião representou "um cartão amarelo à Confederação do Desporto de Portugal" que, segundo o comunicado, “não defende os interesses dos seus associados com a força com que estes gostariam” deixando o Comité Olímpico completamente de fora da equação só pode ter “água no bico” na medida em que é absolutamente claro que o actual estado de miserabilismo de competências e financeiro em que a generalidade das Federações se encontra nada tem a ver com a CDP, mas tem tudo a ver com o COP.
O início da desorganização do desporto nacional, que colocou as Federações numa situação de profunda carência, teve início em 2004-2005 e não foi por acção da CDP. A generalidade dos presidentes das Federações sabe muito bem que, naqueles anos, foi protagonizado uma espécie de “golpe palaciano” no desporto nacional em que as Federações Desportivas, para além de terem ficado prejudicadas nas suas competências relativas ao alto rendimento, acabaram sem cerca de 25% do normal subsídio estatal destinado, fundamentalmente, à promoção da prática desportiva. Ora, a CDP nada teve a ver com aquela usurpação de competências e de verbas, pelo que, compreende-se mas não se aceita que a comunicação social, angelicamente, tenha embarcado na tese do “cartão amarelo” à CDP.
Se há lugar, não para um “cartão amarelo” mas para um “cartão vermelho” é para repudiar a política da “galinha dos ovos de ouro” que, desde 2004-2005, têm vindo a ser desenvolvida pelas sucessivas Secretarias de Estado tendo como “braço armado” o COP que, voluntariamente, se colocou debaixo do Bloco Central cuja ação política se tem caracterizado por um esquizofrénico desejo de conquistar medalhas olímpicas. O que aconteceu foi que, completamente embriagados com resultados dos Jogos Olímpicos de Atenas (2004), o COP caudilhado por Vicente Moura e o Instituto do Desporto de Portugal encabeçado por José Constantino, debaixo da tutela da Secretaria de Estado do Desporto ocupada por Hermínio Loureiro, protagonizaram um Contrato Programa de Desenvolvimento do Desporto que, ao estilo da estória da “galinha dos ovos de ouro”, desviou para o COP, para fins de preparação olímpica, os recursos financeiros destinados à promoção da prática desportiva das Federações Desportivas. Com tal medida, foi desencadeado um “programa de preparação olímpica” a fim de, tal como os espertos que mataram a “galinha dos ovos de oiro”, se conseguirem, mais rapidamente, um número suficiente de medalhas olímpicas destinado a satisfazer a oligarquia político-partidária do Bloco Central e, ao estilo da Coreia do Norte, “domesticar” as Federações Desportivas e, numa ilusão de olímpica felicidade, embalar os portugueses.
Ao fazê-lo, na sua sofreguidão atávica, mataram a “galinha de ovos de ouro”, quer dizer, o processo de desenvolvimento do desporto que, através da Lei 1/90 (Lei de Bases do Sistema Desportivo), se vinha a consumar desde o tempo em que Roberto Carneiro exerceu as funções de Ministro da Educação. Em consequência, tal como na estória, acabaram, também, por ficar sem os ovos na medida em que, desde então, a participação portuguesa dos Jogos Olímpicos tem vindo a obter resultados cada vez mais medíocres, ao ponto de, no Rio de Janeiro (2016), depois de cerca de oitenta milhões de euros despendidos, o COP regressar dos Jogos com uma única medalha de bronze obtida a ferros por uma atleta excecional, quando tinham sido garantidas aos portugueses seis medalhas olímpicas. Quer dizer, a olímpica política da “galinha dos ovos de ouro” resultou num autêntico descalabro desportivo que hoje custa rios de dinheiro aos contribuintes (veja-se o monstro burocrático-administrativo que está a ser montado no COP) com resultados absolutamente vergonhosos. Perante tal derrocada compreende-se que, passado um ano sobre os Jogos do Rio de Janeiro 2016), os portugueses ainda aguardem pela divulgação pública do tradicional Relatório do Chefe de Missão que, segundo nos dizem, está retido na gaveta da secretária do presidente do COP. Esperamos que José Garcia, o Chefe de Missão aos Jogos Olímpicos do Rio (2016), que foi sujeito a uma “olímpica lei da rolha”, em defesa da sua honra e para memória futura, um dia, tão breve quanto possível, ainda venha a divulgar publicamente o referido relatório a fim de que os portugueses, para além das festas e festarolas divulgadas profusamente na comunicação social, venham a conhecer exactamente e até nas suas tonalidades mais cor-de-rosa, aquilo que se passou no Rio de Janeiro.
Por este cenário, construído ao longo de quase catorze anos de mediocridade e oportunismos e um pindérico culto de personalidade, só por humor é possível aceitar que, agora, alguém venha sequer sugerir que a responsabilidade pela miserável situação em que o Sistema Desportivo se encontra é da CDP. Por isso, afirmar que as preocupações que transmitiram ao Secretário de Estado do Desporto significaram um “cartão amarelo” à CDP não passa de uma ridícula tentativa para encontrar um “bode expiatório”. – Coitadinha da CDP que não faz mal a ninguém. Qualquer pessoa, minimamente envolvida no desporto português, percebe perfeitamente que se está a pretender branquear uma situação cujos responsáveis, para que não surjam dúvidas, estão perfeitamente identificado nos protocolos publicados no Diário da República.
É do conhecimento público que a CDP, nas suas contradições e incompetências, abundantemente demonstradas também pelos seus anteriores presidentes, para além de servir de trampolim a alguns especialistas da “ginástica política” do desporto nacional, nunca fez muito mais do que organizar a famigerada Gala do Desporto. E nunca fez muito mais sobretudo porque as Federações nunca lhe delegaram efetivamente qualquer poder digno de se ver. Isto é, algumas Federações, ao longo dos anos, nem sequer pagaram as quotas que lhes eram devidas. Todavia, agora, acusam a CDP de não ter feito de “peão de brega”, a fim de, junto da tutela, reivindicar mais dinheiro para as financiar a fim de repor o dinheiro em falta que, desde 2004-2005, lhes foi subtraído para, sem qualquer controlo social, económico e desportivo, despejar no COP que, hoje, num novo-riquismo confrangedor como é qualquer novo-riquismo, funciona em regime de superávite.
Diz o porta-voz do G-14 que existe falta de clarificação de competências, presume-se, entre o COP e a CDP. Todavia, também a este respeito, os presidentes das Federações não se podem deixar tomar por anjinhos. Do ponto de vista teórico, considerando as prerrogativas conferidas pelo Estado Português ao COP, claramente expressas na lei, só por ingenuidade se pode fazer tal afirmação. E, do ponto de vista prático basta comparar os financiamentos que cada uma das organizações recebe do Estado para se perceber que os mais de 16 milhões de euros que o COP recebe por Ciclo Olímpico, por meio de contrato-programa estabelecido com a tutela, não permitem afirmar que exista “falta de clarificação” das respectivas competências. Se não existe “clarificação de competências” é da parte do COP relativamente às Federações Desportivas porque, bem vistas as coisas, o COP, desde 2004-2005, à revelia da Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, do Regime Jurídico das Federações Desportivas e da Carta Olímpica, está a exercer atabalhoadamente competências das próprias Federações. Portanto, é a esta “clarificação de competências” que os presidentes das Federações Desportivas devem, de imediato, dedicar a sua atenção se, realmente, desejarem recuperar o controlo global sobre as suas modalidades desportivas a fim de, efectivamente, promoverem o desenvolvimento das suas modalidades e começarem a salvar os resultados dos próximos Ciclos Olímpicos.
A última coisa que se pode admitir é que, ao cabo de quase catorze anos a impor um modelo falhado, se venha agora remeter a responsabilidade pelo estado calamitoso do Sistema Desportivo para cima da CDP que, na sua insignificância institucional, ao longo dos últimos anos, a única coisa que, verdadeiramente, realizou, com brilho e proficiência, foi a Gala do Desporto. E com algum mérito como alertava o presidente de uma das Federações Desportivas com quem trocámos opiniões. Porque, a CDP ao organizar a Gala do Desporto ainda é uma das poucas entidades que, uma vez por ano, dá visibilidade e protagonismo a desportos e a desportistas que, de outra maneira, nunca teriam a oportunidade de aparecer sob as luzes da ribalta.
Pretender encontrar um “bode expiatório” para os desastrosos resultados produzidos pelo Sistema Desportivo, acusando a CDP por “não defender os interesses dos seus associados com a força com que estes gostariam” e, veladamente, sugerir a sua extinção, revela, para além de uma intenção absolutamente ilegítima, uma visão completamente alienada dos últimos quase catorze anos do desporto nacional. Acresce que demonstra ausência de espírito olímpico que, até no confronto de ideias, obriga a que a competição seja, obrigatoriamente, justa, nobre e leal. Ora, recuso-me a acreditar que a generalidade dos presidentes das Federações Desportivas alinhe nesta posição. E mesmo com um “garrote ao pescoço”, uma vez que os recursos que lhes foram subtraídos passaram a ser distribuídos pelo COP.
Qualquer discussão sobre a situação em que se encontra o desporto nacional passa, antes de tudo, pela identificação das suas causas e não pelo ataque às suas consequências. Que interessa resolver as consequências se as causas continuam a produzir insuportáveis efeitos reversos. Apresentar a CDP como o “bode expiatório” da falência técnico-administrativa e financeira em que as Federações se encontram, parece-nos ser um enorme equívoco porque, para além a descartar responsabilidades de terceiros, se limita a atacar uma consequência ridícula do estuporado Sistema Desportivo sem que exista uma ideia minimamente fundamentada e estruturada sobre as verdadeiras causas dos problemas.
Portanto, a situação da CDP é uma questão importante a tratar pelas Federações Desportivas, no momento certo, no local próprio, com as pessoas responsáveis e de forma nobre e leal, no quadro de um projecto de reorganização do Sistema Desportivo nacional. A última coisa que pode acontecer é, por via da irresponsável extinção da CDP, transformar tal necessidade num processo de concentração de poder no COP que não tem qualquer legitimidade democrática, antes pelo contrário, para exercer responsabilidades no âmbito do desporto nacional para além daquelas que lhe são atribuídas na Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto que, fundamentalmente, são as seguintes: representar e defender as propriedades olímpicas em Portugal; promover os princípios e os valores do Olimpismo; organizar a Missão portuguesa aos Jogos Olímpicos.
Há muito que defendo que é necessário desencadear um espaço de debate contínuo, sério, aberto, livre e democrático sobre aquilo que se deseja para o desporto nacional. Agora, alguns presidentes de Federações, em defesa das suas prerrogativas abusivamente usurpadas em 2004-2005, eventualmente, iniciaram tal processo. Tal acontecimento é de louvar. Todavia, é necessário que sejam capazes de abrir a reflexão à sociedade e a todos os agentes que, quer directa, quer indirectamente, interagem no Sistema Desportivo.
Entretanto, perante a disponibilidade dos presidentes das Federações Desportivas, o Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues, através da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto e do Instituto do Desporto e Juventude, devia assumir a iniciativa política a fim de desencadear um projecto sério, aberto, participado, livre e democrático que comece a equacionar os problemas que se colocam ao desenvolvimento do desporto nacional que vão da disciplina de Educação Física (desportiva) ao Alto Rendimento, passando pela promoção nacional da prática desportiva. Deste modo, iniciaria a construção da Nova Agenda para o Desporto anunciada no Programa de XXI Governo. Infelizmente, não acredito que tal possa vir a acontecer."

Alvorada... com Manteiga(s)!

Benfiquismo (DXLI)

1966

105x68... Grau de dificuldade a aumentar...

terça-feira, 25 de julho de 2017

Por terras Inglesas...

Os valores do mercado

"Continua animado e em alta o mercado de verão no futebol europeu. O Mónaco lidera o ranking dos vendedores (Benfica em terceiro), enquanto que o Manchester City, que acaba de gastar 150 milhões de euros em laterais (Walker, Danilo e Mendy), é o big spender da saison. Mais tarde, quando chegar o tempo de saldos, pode ser que os clubes nacionais façam alguma gracinha, à imagem de que o Benfica fez há três anos quando, já em Setembro, foi buscar Jonas que estava com estatuto de desempregado.
Mas, como é fixado o preço dos direitos desportivos dos jogadores, haverá critérios minimamente objectivos nesta vertigem que é a feira do futebol? Ao que parece, as contas finais têm muito a ver com a envolvência do negócio, há clubes que são conhecidos por vender caro e outros que não olham a despesas. E, é claro, é preciso contar com quem faz a intermediação, há empresários com prestígio suficiente para aproximar vontades desavindas, muitas vezes com a perspectiva subjacente de negócios futuros. É nesta nebulosa, em que o preço-base varia ao sabor das corrrentes, que temos de nos procurar orientar, acreditando apenas no que, por cá, é comunicado à CMVM. E mesmo assim nunca se sabe se determinados negócios não são inflacionados ou deflacionados para fazer correcções noutros negócios, passados ou futuros. O que é certo é que nunca se gastou tanto como na presente temporada e com os modelos vigentes os ricos estão cada vez mais ricos e países como Portugal, essencialmente formadores, podem sonhar, é certo, com a conquista do Europeu de selecções mas ficam arredados do sonho de vencer a Liga dos Campeões."

José Manuel Delgado, in A Bola