Últimas indefectivações

sábado, 3 de junho de 2017

...está, nos nossos stick's !!!

Corruptos 9 - 7 Benfica

Uma nota positiva do resultado de hoje: só dependemos de nós, faltam dois jogos, e ganhando os dois, somos Tricampeões... fácil!!!

O jogo foi equilibrado, o Benfica não conseguiu esconder as debilidades defensivas, que a falta de 'rotação' tornam evidentes (o Vieirinha e o lesionado Tiago Rafael fazem muita falta), quando tudo parecia que íamos ter um final dramático o artista do costume, apitador Pinto, não quis 'sustos' e facilitou a vitória dos Corruptos... mas conseguimos segurar a vantagem no confronto directo!!!

Na próxima semana, o jogo na Luz com a Oliveirense vai ser uma autêntica final... espero que as 'queixas' do Nicolia não sejam graves!!!

Derrota nos penalty's...

Braga 3 (2) - (1) 3 Benfica

Resultado muito injusto, num jogo onde o Benfica esteve sempre em desvantagem e foi sempre a melhor equipa na quadra!!!

As contas são fáceis, temos que ganhar os dois jogos na Luz, de preferência com mais eficácia no remate...

Pizzi, bem mais do que só um médio

"É um facto que o segredo para o histórico tetracampeonato do Benfica teve como base a força do colectivo, bem expresso na forma como Rui Vitória soube gerir um grupo massacrado por lesões e também (sempre importante) os egos de um balneário recheado de jogadores de qualidade, alguns deles forçados a ficarem mais tempo no banco - ou na bancada - do que no relvado. Costuma dizer-se nas alturas de euforia provocada pelas celebrações que todos, sem excepção, são importantes. Pode ser verdade. Mas há, é inegável, uns mais importantes do que outros.
No Benfica houve em 2016/17 um futebolista que se destacou dos demais. Não será, é certo idolatrado como Jonas, Mitroglou, Nélson Semedo, Lindelof ou Ederson, mas Pizzi foi, talvez, o jogador chave do tetra. Os números são impressionantes: 52 jogos, 13 golos e assistências em catadupa. Mas no caso do médio transmontano que o Benfica contratou ao Atl. Madrid - não foi barato, é verdade, mas tem valido cada cêntimo - não nos devemos cingir à estatística. Porque no sistema táctico dos encarnados é ele, porventura, o jogador a quem mais se exige: que defenda, que comece as jogadas de ataque, que chegue à área para concluir lances por si iniciados e, caso a bola seja entretanto perdida, que volte à posição inicial para começar tudo outra vez.
Sim, neste Benfica, Pizzi era muito mais do que só mais um. E por isso Rui Vitória nunca dele prescindiu. A brutal temporada que fez irá levá-lo, quase de certeza (e de forma justíssima), à Taça das Confederações. Na entrevista que A Bola hoje publica o médio diz que ganhar não cansa a esquecer o cansaço."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Rui Vitória, 2004

"Olha e ouço Rui Vitória e fico a pensar. Eu, que cheguei a considerá-lo demasiado low profile, fico a pensar Fui procurar compreender onde falhei por nunca ter antecipado em Rui Vitória mais do que a normalidade e, assim, dei por mim a pesquisar nos arquivos de A Bola a minha primeira conversa com ele - na verdade a única, ignorando as coisinhas de conferências de imprensa. Em algum momento da análise eu teria de ter errado.
Era 19 de Janeiro de 2004, perto da estátua do Campino, em Vila Franca de Xira. Rui Vitória tinha 33 anos (eu tinha 24), estava há anos e meio a treinar o Vilafranquense depois de 8 anos como jogador do clube. Ia jogar a casa do FC Porto dois dias depois, para a Taça. «É também professor de Educação Física na Escola Secundária Gago Coutinho, em Alverca, pelo que vai faltar às aulas para se deslocar ao Porto», escrevi. «Temos tudo contra nós, mas durante uma hora e meia só uma equipa do Mundo poderá ganhar ao FC Porto, nós, o Vilafranquense», disse ele. Não ganhou. Levou 4. Rui Vitória, então, lidava com problemas diferentes dos que tem hoje: «O avançado Mário Tomás, 20 anos, conhecido por Marinho, o melhor marcador da equipa de Vila Franca, não irá defrontar os azuis e brancos uma vez que está em semana de campo no Regimento de Infantaria n.º 8, em Elvas». O treinador desvalorizou a ausência, mesmo concordando que Marinho faria falta. Foi fotografado de braços cruzados ou mãos nos bolsos, incomodado com a exposição.
Tentei descobrir naquele encontro de Janeiro de 2004 indicações de que aquele Rui Vitória seria o Rui Vitória que é hoje, o que é recebido por vários jornalistas para entrevistas à hora do jantar em canais nacionais de televisão, contudo nada topei. Nada do que escrevi pressagiava aquilo em que ele se tornou. Parece exactamente a mesma pessoa. E se calhar foi exactamente por isso que lhe aconteceu tudo."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Para quem interessa mesmo o futebol

"O Benfica receberá, em direitos televisivos, cerca de cem vezes mais do que o Nacional, mas menos de metade do último classificado inglês...

O tema foi abordado de forma exaustiva na última Quinta da Bola, n'A Bola TV, e julgo que vale a pena regressar a ele. Trata-se de uma questão crucial para o futebol português e que se prende com o financiamento dos clubes profissionais nesta pré-história nacional de livre e desregulada concorrência, de ausência de normas capazes de equilibrar minimamente a competição, de defender o espectáculo, de criar mais interesse, mais público, mais espectadores e tornar, enfim, sustentável o negócio do futebol e oferecer-lhe outra perspectiva cultural.
Percebemos que a realidade inglesa nada tem a ver com a realidade portuguesa. Mas para termos uma ideia comparativa entre o paradigma de uma grande organização profissional de futebol que é a liga inglesa e a realidade de uma organização que é apenas a soma avulsa das mais egoístas vontades dos seus principais clubes, como é o caso da Liga portuguesa, vale a pena fazer notar que o Benfica, campeão nacional pela quarta vez consecutiva, maior clube português em associados e adeptos e mais gerador de audiências no futebol português, receberá, na próxima época desportiva, qualquer coisa como 40 milhões de euros em direitos televisivos. Sendo que este valor representa menos de metade dos direitos televisivos que o Sunderland último classificado da Premier League e que disputará na próxima época a divisão secundária irá receber.
E dirão justamente os leitores mais atentos: mas a dimensão do futebol inglês, que vai distribuir este ano pelos seus clubes profissionais, mais de 2 mil milhões de euros não se pode comprar com o futebol português. Verdade. Mas o que mais impressiona na natureza e na filosofia de negócio do futebol em Inglaterra, para além da dimensão única dos valores, é a maneira como eles são distribuídos. Cinquenta por cento do bolo total é dividido por todos de igual maneira. Depois 25 por cento é repartido consoante as audiências que cada clube gera e os outros 25 por cento dependem da classificação. Parece justo, parece óbvio e parece ser determinante para o necessário equilíbrio competitivo.
De facto, a relação da diferença total de valor de direitos televisivos entre o que recebeu o primeiro classificado, o Chelsea, e o último, nesta época o Sunderland, é apenas de 1,6. A diferença, em Portugal, entre o campeão, Benfica, e o último classificado, o Nacional, que desceu de divisão, passa a ser de 40 milhões para menos de 400 mil euros. Estamos a falar de cem vezes!
Obviamente que a rica e até esplendorosa realidade inglesa não é exportável para a pobre realidade portuguesa, mas podem e devem ser exportáveis os princípios: «Tudo pelo futebol, nada contra o futebol», sabendo-se que o futebol não é apenas o jogo.
O jogo, aliás, é o que mais tem de estimável o futebol português. Mérito indiscutível dos seus principais protagonistas. Além disso, a capacidade de gestão em alguns clubes, por onde passa a boa estratégia da formação de jogadores e de pesquisa de novos talentos.
O resto é a indigência. Do universo disciplinar, que procura apenas copiar os vícios da justiça civil e se cobre de ridículo em cada processo, à impunidade de uma agressividade selvagem de dirigentes e de claques, passando por uma cultura generalizada de desrespeito pelo adversário e pelo espectador, preferindo o benefício de quem fica em casa a ver o jogo na televisão, o que sugere, aliás, uma dramática capitulação dos interesses do futebol aos interesses de outras poderosas entidades que ganham dinheiro com o futebol.
Como mudar isto? Não acredito na autoregulação do sector, mas acredito na mudança pela urgência da necessidade. Em breve.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Passando por cima do 'exagero' dos 400 mil euros que o Nacional supostamente recebeu (recebeu de facto, mais alguma coisa...), eu, em teoria até concordo com a centralização dos direitos televisivos, mas em condições muito especiais...
- Primeiro, em Inglaterra não existe um Clube que de facto seja responsável por 50% das receitas da Liga... Em Inglaterra todos os Clubes, mesmo, os mais pequenos, têm vida 'própria', e impacto regional...
- Em Inglaterra não existem Clubes, com médias de vendas de bilhetes, na casa das centenas... e que só chegam aos milhares, quando lá vão os 'grandes'!!!
A dimensão do Tugão, daria para uma Liga, com 12 no máximo 14 Clubes, então aí, podia-se discutir a Centralização... sendo que na pior das hipóteses, o Benfica nunca poderia abdicar que 50% do 'bolo' fosse distribuído consoante a 'dimensão' (audiências) de cada Clube, o que de facto daria ao Benfica, no mínimo 25% do 'bolo' total... além das outras variáveis!

Benfiquismo (CDLXXXVIII)

Limpinho...!!!

Uma Semana do Melhor... Vício de Vencer !!!

Jogo Limpo... Profecias !!!

Meninos da casa...!!!

Tudo é pouco no Benfica

"A final da Taça de Portugal não foi o melhor jogo da época, mas foi um grande espectáculo. O Benfica mereceu ganhar, julgo ser indiscutível para todos os adeptos, quaisquer que sejam as suas cores. A FPF lançou o jogo com critérios de muito nível e desportivismo. Rui Vitória e Pedro Martins mostraram antes, durante e depois de jogo que o futebol é um lugar frequentável, e não a selvajaria em que alguns chafurdam. Excelentes os adeptos de ambas as equipas, numa lição de amor aos seus emblemas, mas também num exemplo de civismo e respeito mútuos. A bola do jogo chegou em grande estilo, vinha num drone diferente do de Moreira de Cónegos, e com ela um dilúvio dispensável para os milhares de adeptos. A segunda parte da final decidiu a taça, acabou a época e com as dúvidas sobre quem a dominou. Supertaça. Campeonato e Taça foi um triplete de luxo para uma época magnífica.
Esta semana fica ainda pontuada pelas serenas e elucidativas entrevistas de Rui Vitória à BTV e à SIC. Explicou opções, confidenciou dificuldades, e projectou o futuro com um rigor e uma exigência próprias de quem não ganhou nada e quer ganhar tudo. Deliciosa a forma como apontou à próxima Supertaça, como se não tivesse acabado de obsequiar os adeptos com uma barrigada de títulos. Gostei muito do princípio subjacente de que tudo é pouco quando se treina o Benfica.
Agora são os dois meses de puro entretenimento com a Disneylândia das transferências, com uns a fazer de Patinhas outros de Plutos e alguns de Patetas. Veremos quantos dos rumores são fundamentados, com a vantagem (que não é pequena),de ter rumo, de ter treinador e de ter títulos. Enquanto alguns sonham que o próximo ano será diferente, nós temos a certeza de que o iniciamos a lutar com o Vitória por mais conquistas. Está muito angustiante e dolorosa a tarefa do nosso rival. Saibamos ser humildes e competentes."

Sílvio Cervan, in A Bola

Seferovic

É oficial, o Suíço Haris Seferovic é jogador do Benfica.
Estatisticamente, para um ponta-de-lança, internacional pelo seu país, os números não entusiasmam... mas eu tenho expectativas elevadas.
É um avançado possante que sabe 'tabelar', e tem jogado em Ligas bastante competitivas, com intensidades de jogo superiores à nossa... tem tudo para ser útil ao Benfica. No nosso 'modelo' de dois avançados, com o nosso caudal ofensivo, tem tudo para fazer 'mossa'!!!
O Mitro em Inglaterra estava com 'números' baixos... o próprio Jonas em Espanha não se 'destacava' especialmente... A forma de jogar do Benfica, e o Tugão são um 'ambiente' diferente, principalmente para os Pontas-de-lança... Nestas ocasiões recordo-me sempre do Brian Deane!!! Outra curiosidade: tivemos um grande ponta-de-lança, que quando veio para o Benfica, jogava na Suíça: Magnusson!!!!

A má notícia, poderá ser mesmo a potencial saída de um dos nossos três avançados (Jiménez, Mitro, ou mesmo o Jonas). Se por acaso ficarmos com os 4... ficamos muito fortes!

2016/17 para recordar

"Antes de cada final, em particular da Taça de Portugal, é costume dizer-se que o seu desfecho é imprevisível por se tratar de um jogo em que tudo se decide no final da temporada e num palco especial. Ora, o Benfica, também neste capítulo pela positiva, teima em contrariar os lugares comuns.
Em 40 finais disputadas, ganhou a competição 29 vezes. Ou seja, praticamente três em cada quatro finais disputadas sorriram a nosso favor. Uma taxa de sucesso de 72,5% que simultaneamente nos enche de orgulho e acarreta a responsabilidade, que não enjeitamos, de estarmos à altura dos nossos pergaminhos, o que, ao invés de nos atemorizar, antes nos motiva cada vez e mais para novas conquistas.
É assim o Sport Lisboa e Benfica que idealizamos, sempre a tentar fazer história, nunca virando a cara à luta.
Outro facto interessante que ressalta neste momento é o somatório dos títulos e troféus conquistados nas últimas quatro temporadas. Em 16 possíveis, 11 foram ganhos pelo Benfica, constituindo-se como um sinal inequívoco da hegemonia benfiquista no futebol português. E o que mais me entusiasma é saber que, no que depender dos benfiquistas, a ambição de mais triunfos nunca se esgotará.
E por falar em benfiquistas, é justo realçar a média de assistências verificada esta época no Estádio da Luz em jogos a contar para o Campeonato Nacional (55952), tão só a nona melhor do ano do futebol europeu. Mas é possível melhorá-la, e sobretudo, crescer nas restantes competições. A nossa presença no estádio é, não duvidemos, um alicerce importante das nossas conquistas, não só pelas receitas granjeadas pela SAD, mas também pelo apoio prestado à equipa.
Que venha 2017/18!"

João Tomaz, in O Benfica

Olha a cabeça

"No início da época que agora terminou, falei-vos de uma viagem de táxi que tive pelas ruas de Lisboa. O condutor era um idoso sportinguista, com quase tantos quilómetros de azia quantos os já percorridos pelo seu velho Mercedes. Ambos os motores já tinham dado a volta. Dizia-me ele com ar arrogante, depois de ter perdido mais um campeonato, que o SL Benfica nunca mais iria vencer o que quer que fosse. Ri-me e deixei-o falar, a destilar ódio. Passados uns meses, cá estamos, com mais três troféus no Museu - campeonato, taça e supertaça - e ele, nada. Nem uma coisita para festejar no futebol.
Aliás, nem o aniversário do seu clube vai poder celebrar no dia certo. Ele e tantos outros devem ter passado a tarde de domingo a rezar por chuva e por uma vitória do nosso adversário na final do Jamor. É o normal entre adeptos de clubes que não chegam às fases decisivas. Optam sempre por torcer contra o SL Benfica, já que a favor das suas equipas não o podem fazer. Esses são os grandes perdedores do passado fim de semana e de toda a época.
Os adeptos do Vitória Sport Clube não perderam, são autênticos vencedores. A forma como se apresentaram no Jamor, como apoiaram a sua equipa, como respeitaram o adversário e como se mantiveram nos seus lugares até ao fim da festa é um chapadão de luva branca em quem não sabe perder. E muito menos ganhar.
Caro taxista com dor de cotovelo, espero apanhá-lo novamente neste verão numa qualquer corrida por Lisboa. É que tenho a certeza que o seu discurso - e o de todos os anti-Benfica - tem servido de talismã para as nossas conquistas.
Por favor, nunca acabem."

Ricardo Santos, in O Benfica

Dobrada com molho

"Não há festa como esta!
A Final da Taça de Portugal é, de facto, um jogo com características únicas, numa envolvente muito peculiar, e quem lá vai quer voltar outra vez.
Um grande espectáculo, dentro do relvado, nas bancadas, no exterior do estádio, e uma saborosa vitória do Benfica, fizeram do último domingo um dia inesquecível para quem teve o privilégio de o viver por dentro.
Nesta edição, a chuva também fez questão de aparecer no Jamor. Muitos litros de água, muita roupa ensopada, e algumas constipações depois, podemos dizer que até isso contribuiu para reforçar o misticismo da ocasião, fazendo recordar tempos em que o futebol era mesmo um desporto de Inverno.
Há que dizer que o Vitória de Guimarães, e em particular os seus adeptos, também contribuíram para enriquecer a festa. Trata-se um clube especial, com um mar de paixão a rodeá-lo, que representa muito bem uma das mais belas e interessantes cidades do nosso país. É de clubes assim que o futebol português precisa.
Este Benfica é, porém, demasiado forte para se deixar impressionar. E depois de uma primeira parte acinzentada, regressou do intervalo disposto a resolver depressa a questão. Dois excelentes golos foram suficientes para garantir a Taça – a 29.ª, se as contarmos com bom senso. O ponto de honra vimaranense deu justiça final ao resultado.
Consumou-se pois a “dobradinha” ou o “triplete” (juntando a Supertaça), o que fez desta uma temporada extraordinária, em que, uma vez mais, fomos triunfadores em toda a linha.
2016-17 já está fechado e arquivado no palmarés.
Venha 2017-18! Venham mais conquistas! Venha o “Penta”!"

Luís Fialho, in O Benfica

#LVF19títulos

"A justíssima conquista da 26.ª Taça de Portugal é a confirmação da hegemonia do Sport Lisboa e Benfica no futebol nacional. Os números não enganam - nas últimas oito épocas o Maior Clube Português conquistou 15 títulos. E, desses 15 títulos, cinco são Campeonatos Nacionais. Se juntarmos as duas finais europeias, a conclusão é óbvia - os resultados não acontecerem por acaso. Chegámos aonde chegámos fruto do trabalho de uma vastíssima equipa liderada pelo presidente, Luís Filipe Vieira, que conquistou o 19.ª título no futebol profissional.
Foi ele quem em 2009 traçou a rota que nos levou aos sucessos desportivos. Manda a verdade dizer que esta supremacia podia ser maior não fora os dois Campeonatos que perdemos por um triz em 2011/12 e em 1012/13. E foi em Junho de 2013, após perdermos três competições (Liga, Liga Europa e Taça de Portugal), que o presidente tomou as medidas certas para voltarmos aos triunfos. Luís Filipe Vieira identificou onde estavam os problemas, detectou os erros e fez as alterações devidas. E a verdade é que os resultados voltaram a aparecer.
Contrariamente ao que é habitual, não foram avançadas as estafadas desculpas sobre as arbitragens. Aplicação extrema para conseguir os triunfos e abnegação continua, nunca desanimando perante as dificuldades, tudo fazendo para transformar os problemas em êxitos para o clube foram duas medidas adoptadas.
Mas houve uma outra medida que o presidente aprimorou e que deu frutos de imediato - respeito pelos adversários. No Jamor, no passado domingo, assistiu-se a isso mesmo.
Apesar de ser já o presidente mais titulado do Clube, Luís Filipe Vieira ambiciona vencer mais. É esta a Mística do Glorioso!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Benfica

"Os últimos 4 anos têm sido fantásticos com o Benfica. Não há palavras para descrever o avolumar de sensações que as conquistas recentes provocam nos adeptos e na minha pessoa. Tem sido uma senda constante, e felizmente permanente, que tem permitido toda essa felicidade. Quer se queira, quer não se queira, é necessário ter uma capacidade enorme de encaixe para navegar no mar das crispações emergentes das desigualdades e dos apertos constantes. É indiscutivelmente verdade que, se não os consegues vencer, deves aliar-te a eles.
É preciso muita sapiência e, principalmente, paciência para lidar com as arguras actuais da vivência humana. Por isso, estás de parabéns. Acima de tudo, porque tiveste a visão e a capacidade de encaixar todos os remates que te fizeram, muitos com bolas de ferro, outros com manteiga escorregadia. Mas sempre soubeste erguer alto o teu nome e, acima de tudo, a tua capacidade de resiliência.
Parabéns."

Pragal Colaço, in O Benfica

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Vantagem...

Corruptos 70 - 73 Benfica
(0-1)
19-13, 16-19, 22-22, 13-19

Jogo nivelado por baixo, típico destes momentos... muita ansiedade, mas no final, venceu o Benfica! Aliás, como tem sido habitual, esta época, nos confrontos directos!

'Regresso' do Hollis a um nível aceitável, é fé nos Triplos (com destaque para o Barroso)! Também gostei do Barber no jogo interior (a zona onde os Corruptos podem ter alguma vantagem...)! Os minutos que o Oliveira tem ganho nos últimos tempos, também têm sido importantes, nem que seja para desestabilizar a defesa adversária!

Apesar desta excelente arranque, nada está decidido... O factor casa, é 'subjectivo', como se viu hoje, é importante manter a concentração no máximo...

«Foi uma ano de superação»


"- Tetracampeonato e Taça de Portugal conquistados. Apesar das lesões que sofreu e de não ter jogado tanto como noutros anos, foi a melhor época no Benfica?
- A melhor época penso que não, porque esta lesão também atrapalhou um pouco em relação ao número de jogos. Creio que a minha segunda temporada foi brilhante. Joguei praticamente todos os jogos e foi um ano em que me senti muito bem fisicamente, sem lesões. Este ano foi de superação para mim, pelos momentos que passei, pelas lesões que tive, graves e complicadas. A superação marcou esta época para mim, mas foi importante porque recuperei e pude contribuir de alguma forma ao longo da temporada.

- O que é que tem a dizer aos que afirmam que o Benfica não foi um justo campeão? Os rivais, por exemplo, queixaram-se várias vezes ao longo da temporada de que o Benfica era favorecido pela arbitragem...
- Não tenho de dar resposta a ninguém. Se analisarmos toda a temporada, o Benfica, desde o início, esteve sempre em primeiro. Tivemos sempre esta liderança e acabámos por conquistar três títulos. A nossa campanha foi indiscutível e fizemos um trabalho bem feito. Nos últimos anos, o Benfica tem mostrado a sua força e o trabalho bem feito tem dado resultado. Estamos felizes pelos objectivos que estão a ser cumpridos.

- Como é que a equipa conseguiu superar os problemas que foram surgindo, principalmente com as lesões? A união entre os jogadores foi importante?
- Foi, principalmente, pela estrutura do clube. Tudo o que está lá para um jogador é de um nível muito elevado. Isto dá tranquilidade a quem passa por estes períodos complicados. Em todos estes processos por que um jogador passa quando está lesionado, há profissionais de altíssimo nível. Falo da estrutura, da equipa médica, fisioterapeutas, recuperação, nutrição e fisiologistas. Ficamos chateados por ter lesões, mas é natural que numa época com muitos jogos isso aconteça. Mas a estrutura dá-nos tranquilidade, pois sabemos que na hora certa vamos voltar bem, até melhor.

- Pode dizer-se que o jogo do título foi mesmo o de Vila do Conde, com o Rio Ave?
- É complicado falar num jogo apenas, sendo que o campeonato tem 34 jornadas. Houve vários momentos em que mostrámos que estávamos fortes para ser campeões e o jogo no campo do Rio Ave foi um deles. É lógico que quanto mais perto do final, mais a tensão aumenta e os pontos ficam difíceis de conquistar. Houve vários jogos em que o Benfica mostrou poder e que seria possível conquistar o tetracampeonato.

- Em Moreira de Cónegos houve outra situação polémica: foi acusado por Diego Ivo de ter afirmado que o Moreirense devia descer de divisão. Como é que responde a esta acusação?
- Aquilo foi uma falta de respeito dos jogadores do Moreirense. Fiquei um pouco chateado com a forma como o jogo acabou e eles fizeram algumas coisas fora das regras do jogo. Quando acabou falei com ele para que não voltasse a fazer aquelas coisas.

- Houve alguns jogos nos quais pareceu mais nervoso. Sentiu-se provocado pelos adversários?
- É normal, mais ainda com o campeonato a aproximar-se do fim. Aí, a tensão aumenta e as provocações existem. Cabe-me ter um pouco mais de tranquilidade para não entrar nesse jogo e para não me prejudicar e à equipa. Consegui não prejudicar a equipa, basta ter mais tranquilidade nestes momentos que fazem parte do futebol.

- Que importância teve Rui Vitória nestes últimos dois anos?
- Quando chegou do V. Guimarães, tínhamos expectativa muito grande por ser um treinador que queria muito vencer aqui e ter a oportunidade de gerir uma equipa como o Benfica. Lembro-me do discurso dele no primeiro dia como se fosse hoje. Disse-nos isto: 'A maior parte dos que estão aqui já foram campeões e eu não fui.Quero muito ser campeão e pegar já este gosto de vencer.' Ele tem feito isso a cada dia, a cada temporada. É um treinador que conhece muito o futebol, tem muitos conhecimentos, estuda muito os adversários e faz um trabalho diário muito interessante. Estamos todos satisfeitos e felizes por estarmos a trabalhar com um pessoa como ele que chegou a um grande para mostrar trabalho e valor. Torcemos para que continue a ter sucesso no Benfica durante muitos anos.

«Presidente tem de vender para diminuir a dívida»
- Nélson Semedo, Grimaldo e Lindelöf são jovens com muito mercado. Seria benéfico para eles continuarem mais uma época?
- Se dependesse de mim dizia-lhes para ficarem, pois são jogadores de qualidade, já têm o ADN do Benfica e já conquistaram coisas importantes com o clube. Mas sabemos que o factor financeiro pesa muito em relação aos outros países. O clube precisa de vender, é uma política do presidente também para diminuir a dívida. Até já falou isso connosco em conversas diárias que temos sobre esse objectivo dele, que passa por vender jogadores que saem da formação. De certeza que estão todos prontos. Lindelöf, Nélson Semedo, Ederson, Grimaldo… São muitos os jogadores do plantel que têm dado respostas muito boas, e, sem dúvida nenhuma, os grandes clubes europeus não deixam passar estas oportunidades. É natural que isso aconteça, porque o Benfica também precisa de fazer estas vendas. 

- Ederson está de saída para o Manchester City. Surpreendido pela qualidade demonstrada? E acha que tem potencial para ser o futuro guarda-redes do Brasil?
- O Ederson chamou a minha atenção quando ainda estava no Rio Ave, num jogo que fizemos em Vila do Conde na minha primeira temporada aqui. A qualidade do jogo com os pés, a tranquilidade na saída de bola... Enfim, quem sou eu para falar das características de um guarda-redes, mas percebi logo que era diferente. Tem crescido muito no Benfica. Mostrou tranquilidade e uma maturidade impressionante para um jogador desta idade. Substituiu o Júlio César, um jogador consagrado, quando ele sofreu uma lesão complicada. Assumiu o lugar, assumiu bem e torcemos pela felicidade dele. Vai para um clube que tem um treinador cujo estilo é muito parecido com o estilo dele de jogo. O Ederson é um guarda-redes, mas é muito técnico com as mãos e com os pés. Está em boas mãos e vamos torcer pelo sucesso dele. Falando na selecção, creio que, se mantiver o nível no Manchester City, é um dos favoritos para ser o titular do Brasil.

- Júlio César viveu uma temporada diferente, não jogando tanto. Como acompanharam esta época dele?
- O Júlio é um jogador consagrado, que ganhou tudo. Esteve muitos anos em Itália e a representar a selecção brasileira. Todos conhecem a carreira dele. Aqui no Benfica teve um período muito bom logo no início, no primeiro ano. Depois teve uma lesão complicada que o deixou fora quatro ou cinco meses, e foi aí que o Ederson assumiu o papel de titular, com Rui Vitória a mantê-lo esta época. Mas o papel do Júlio foi ainda mais importante, pois participou muito no crescimento do Ederson, ajudou muito o menino, dando-lhe muita tranquilidade. Pela qualidade do Júlio podia ser uma sombra ou dar-lhe muita pressão, mas esteve sempre disposto a ajudar o Ederson. Teve um papel importante, também pela experiência e pela qualidade que tem. Não jogou muitos jogos, mas foi muito importante fora do relvado por tudo o que nos passou."

- Qual foi o momento mais complicado durante a recuperação do pé direito? Os seus colegas tentaram sempre apoiá-lo...
- Foram todos importantes, desde a família, aos meus companheiros e até ao staff do Benfica. É complicado, porque tinha feito dois anos maravilhosos e no terceiro ano comecei a temporada com uma lesão grave. Depois ainda tive um problema na cervical e isso foi adiando o meu regresso. Mas tive tranquilidade, paciência e trabalhei muito. Também foi uma aprendizagem para mim e o mais importante foi ter voltado bem. Contribuí de alguma forma, juntamente com os meus colegas, e terminar a época a vencer estes títulos deixou-me muito feliz. Agradeço a todos no Benfica e aos meus familiares porque, apesar do período difícil, a forma como isto terminou deixou-me muito feliz.  
- Temeu que a paragem viesse a ser mais demorada? Houve uma altura que já se treinava no relvado, mas com cuidados…
- Fiquei preocupado, porque a lesão que tive no tornozelo foi muito grave. Foi a pior que já tive. Já me lesionei nos ligamentos cruzados, e até parei seis meses, mas não se compara com esta no tornozelo. Foi uma infecção e o departamento médico, com o doutor António Martins, teve de agir muito depressa. Foi uma coisa muito grave e poderia prejudicar-me no futuro. Foram três ou quatro meses parado e não esperava. Na primeira lesão, depois de duas ou três semanas, já estava disponível. E até joguei contra o Nacional. Mas, com a infecção, fui muito prejudicado e fiquei mesmo muito preocupado. Mas, com tranquilidade, com a ajuda do doutor António Martins e do Bento Leitão, fui recebendo todas as indicações. Nas primeiras semanas foi muito à base de antibióticos, e só depois iniciámos a fisioterapia.

- O departamento médico foi colocado em xeque, com a sua situação e com o grande número de lesões...
- Essas críticas foram muito injustas. As pessoas ‘pegaram’ muito forte com o departamento. Fiquei muito triste e foi por isso que, depois de voltar da lesão, citei muitas vezes o departamento médico. Foram fundamentais, deixaram-me tranquilo em relação às graves lesões.

- Foi importante o apoio da Susana Torres, que também já tinha ajudado Éder, na fase final da época?
- Conhecemo-nos melhor agora, mas é algo mais pessoal e só posso dizer que estou feliz.

«Voltar à selecção é o meu objectivo»
- A selecção do Brasil continua a ser um objectivo? Para o Mundial’2018?
- É o meu objectivo. Sei que é difícil estar lá, ainda mais agora com o Tite. Mesmo entre nós, jogadores que estão na Europa, comentamos uma única frase: ‘O Brasil voltou.’ Hoje, o Brasil é candidato a ser campeão na Rússia. Tite acertou, é um treinador com grande conhecimento. Mas a selecção é o meu objectivo, apesar de haver poucos jogos de qualificação até lá. Como o Brasil já está apurado, pode ser que ele faça alguns testes, mas também não vai mudar muito. Não deixa, porém, de ser um objectivo meu e, enquanto houver esperança, vou trabalhar para voltar. Fazendo uma época muito boa no Benfica, as hipóteses são boas porque estou num clube fantástico.

- Acredita que a Selecção portuguesa tem uma palavra a dizer na Taça das Confederações?
- Torci muito por Portugal no Europeu! Como se fosse português! Depois da fase de grupos, então, foi demais! Hoje, vejo Portugal como favorito, assim como a Alemanha, Brasil e mais uma ou duas selecções. Portugal está com um lote muito bom de jogadores, ganhou confiança com esta conquista do Euro’2016 e isso é importante para dar seguimento na Taça das Confederações e, depois, no Mundial’2018.

«Nuno disse-me que a decisão era da direcção»
- A época também ficou marcada pelos duelos com o FC Porto, e a verdade é que, na Luz, aconteceu aquele choque com Nuno Espírito Santo, que deu origem a alguma polémica pela sua saída ter coincidido com a entrada dele no Valência. Falou com o Nuno quando ele chegou ao clube espanhol?
- Sim, tive um contacto muito rápido com ele. Quando me apresentei no Valência já sabia que não ia ficar no plantel. Quando cheguei, o Nuno já era o treinador. Chamou-me ao gabinete dele para me dizer que era uma decisão da direcção mas que ia treinar normalmente até ficar com o futuro decidido. Foi mais uma conversa nesse sentido e eu acabei pro ficar mais duas ou três semanas. Até porque me apresentei depois dos outros jogadores que iam ficar no plantel. Essa decisão já tinha sido tomada durante as minhas férias no Brasil e, por isso, estivemos juntos durante pouco tempo. Depois ele seguiu a vida dele no Valência e eu segui a minha aqui. Foi muito bom ter vindo para o Benfica.

- E no Estádio da Luz, teve oportunidade de falar com ele depois daquele choque?
- Acho que é normal estas coisas acontecer no futebol. Sabia que isso ia ter uma repercussão muito grande até pelo facto de muitos pensarem que foi por ele que não fiquei no Valência. Não teve nada a ver. Já sabia que iam falar muito disto, mas estou tranquilo. Faz parte do futebol. Falei com ele depois do jogo. Estava próximo do túnel, o Nuno chamou-me e disse-me: 'Jonas, posso dar-te a mão?' Eu disse que sim, apertámos a mão e cada um foi para o seu balneário.

«Diminuir os erros é importante»
- O video-árbitro estreou-se oficialmente nesta final da Taça de Portugal. É a favor destas tecnologias? O que é que sentiu, em particular naqueles momentos em que o árbitro conversava com os seus assistentes do vídeo-árbitro?
- É diferente, é diferente... Mas, se analisarmos, assim é mais justo. Todos têm falado muito nisto, mas é importante que não se perca muito tempo no jogo. Na final da Taça de Portugal houve até um lance em que o árbitro ficou ali à espera para perceber se marcaria penálti a nosso favor ou não, ou se tinha sido um lance normal. Depois tivemos a oportunidade de ver pela televisão e foi mesmo um lance normal, em que a bola bate na mão do jogador do V. Guimarães sem intenção. Aí segue o jogo. Creio que será mais justo e diminuir os erros é importante para todas as equipas.

«João Félix tem tudo para mostrar potencial»
- A equipa tem perdido jogadores influentes, como Renato Sanches e Gaitán, mas, mesmo assim, manteve a qualidade e conquistou títulos. Qual foi o segredo?
- O planeamento que o Benfica tem feito nos últimos anos. A primeira figura é a do presidente, que tem mudado a história do clube. Há uns anos, o clube não ganhava tantos títulos em relação aos rivais e, agora, voltou o Benfica que todos conhecem. Esse planeamento tem dado certo e, independentemente dos jogadores que têm saído, já há ali sombras, no plantel e também na formação. Hoje há muitos jogadores na formação que têm tudo para dar certo e para serem como Renato Sanches, Nélson Semedo ou Ederson. O Benfica tem trabalhado muito nisso e tem ganho títulos na formação, também. Com o planeamento em relação a essas perdas importantes, não temos sentido muito e a verdade é que antes de eles saírem já se trabalha os jogadores que vão substitui-los.

- E quem é a sua sombra no Benfica?
- É difícil falar, mas hoje temos um jogador que, pelo pouco que já treinou connosco... Mas, por favor, não quero que coloquem pressão no menino! Falo do João Félix, que é um jogador que tem tudo para mostrar o seu potencial aos adeptos do Benfica, não apenas em Portugal mas também na Europa. É um menino que tem enorme qualidade, frieza e potencial muito grande com a bola nos pés. Torcemos para que ele e outros jogadores tenham sucesso no Benfica.

- O José Gomes também já trabalhou com o plantel principal esta época. Vê nele potencial para ser o futuro titular do Benfica e de Portugal?
- O Zé é um menino querido por todos nós. Joga numa posição diferente em relação ao Félix, que vem mais de trás. O Zé é aquele ponta-de-lança que está próximo da área. Remata muito bem e tem tranquilidade e frieza, que são características muito importantes para uma avançado. Tem uma força física... A idade ajuda, mas ele é muito forte fisicamente. Tem as características de um jogador moderno e penso que tem tudo para estar integrado no grupo a ajudar-nos em pouco tempo.

«Seferovic vai ajudar-nos bastante»
- E está preparado para o concorrência de Seferovic na próxima temporada?
- Fiquei a saber há pouco tempo que o Benfica contratou esse jogador, mas penso que vai ajudar-nos bastante. É internacional estava a jogar numa liga competitiva como é a alemã. É importante termos grandes jogadores connosco para somarmos e para continuarmos o nosso caminho para conquistar títulos.

- Hermes chegou em Janeiro numa perspectiva de futuro. Pelo que já conhece dele, vê-o com capacidades para, no futuro, poder ser titular no Benfica?
- É um jogador muito intenso, tem um cruzamento muito interessante e pega muito bem na bola. Mostrou isso no Grémio. É muito rápido, tem uma grande força física e explora muito bem essas características. Aos poucos tem-se adaptado, porque as diferenças são muito grandes, principalmente ao nível da táctica. Aqui é muito diferente do Brasil e, aos poucos, ele vai aprendendo. Em pouco tempo vai jogar com mais frequência e vai dar bons resultados à equipa.

«É difícil deixar o Benfica nos próximos dois anos»
- Confirmou ter recebido propostas da China. Por que motivo recusou?
- Na verdade temos recebido algumas sondagens e propostas de clubes da China, mas a minha felicidade aqui resume tudo. Quando cheguei ao Benfica queria muito ficar bastante tempo no clube e marcar o meu nome na história, ganhando prémios colectivos e individuais, e isso tenho conseguido. A felicidade não tem preço. Sou muito grato ao clube, amo este país e estou muito adaptado. A minha família pensa muito no bem-estar e como seria na China, onde a cultura é totalmente diferente. A minha felicidade, hoje, é aqui.

- Se voltarem a colocar-lhe uma oferta milionária em cima da mesa coloca essa hipótese?
- Penso cumprir o contrato, que renovei por dois anos. Chegaria ao fim com 35 anos. Mas, no futebol não podemos dar as coisas como garantidas. Só sairia se aparecesse alguma coisa importante para o clube e para mim. É muito difícil deixar o Benfica nos próximos dois anos.

- Qual é o seu papel junto dos mais jovens?
- Procuro passar experiência nos momentos mais delicados da época, falando com eles dentro e fora de campo.

«Já conheço todos os atalhos da Luz»
- Soma 85 golos em 111 jogos pelo Benfica, mais do que em outro clube onde jogou. O que encontrou de especial na Luz?
- Encontrei tudo aqui! Temos tudo, não apenas os jogadores, mas também as famílias. A minha mulher e a minha filha ficam doidas por ir ao Estádio da Luz. E dentro de campo encontrei pessoas fantásticas. Sempre penso que teria de conhecer este clube, porque nunca imaginei viver o que tenho vivido aqui. Trabalha-se muito uma palavra que está sempre comigo: humildade. Isso fez com que eu tivesse uma ligação muito forte com o Benfica, pois vejo no clube características que levo para a minha vida. Características implementadas pelo presidente. Isso ajudou-me bastante e, em campo, os meus companheiros também ajudam e isso deixa a bola fácil para os golos. São números que me deixam muito contente e arrisco dizer que nunca tinha vivido isto na minha carreira.

- De todos os golos que marcou esta época, apenas um foi fora, tirando a Supertaça. Encontra alguma explicação?
- É como já disse, o Estádio da Luz é especial, diferente. É lógico que também tenho o objectivo de marcar golos também fora, mas não sei, já conheço todos os atalhos da Luz... O ambiente, os adeptos, que são sempre 50 ou 60 mil, mexem muito comigo.

- Como explica o entendimento que teve com Mitroglou nas duas últimas épocas?
- Sempre gostei de jogar com jogadores que ficam mais próximos da área e que me permitem vir mais de trás. O Mitroglou tem essas características, tal como o Raúl Jiménez, que até é mais móvel. O Mitroglou fica mais próximo do golo e é um belíssimo jogador, com enorme tranquilidade para rematar com o pé esquerdo, cabeça, pé direito. É muito forte no um contra um.

«Todos esperavam mais do Sporting»
- Depois da luta pelo título na última temporada, mesmo até à última jornada, esperava mais do Sporting?
- Acho que todos esperavam mais, até pelo que o Sporting fez na última temporada. Houve saídas de alguns jogadores importantes mas, em contrapartida, contrataram outros. Penso que o Sporting não teve a regularidade que devia para ser campeão e foi por isso que acabou por ter dificuldades para lutar até ao final.

- O FC Porto teve várias oportunidades para se isolar no campeonato. Alguma vez sentiu as coisas tremidas?
- Não, tremida não. Nunca estivemos preocupados, em momento algum, com a possibilidade de perder a liderança ou até o campeonato. Sabemos que houve momentos da época em que poderíamos ter perdido a liderança e ter períodos de maior pressão, mas estivemos sempre focados no nosso trabalho. Era disso que dependíamos e dava-nos tranquilidade e confiança para continuarmos até ao final. Mesmo se perdêssemos a liderança, porque só dependíamos de nós. O principal jogo em que poderíamos ter perdido o primeiro lugar foi antes do clássico, sendo que, depois, jogaríamos esse clássico em casa com o apoio dos nossos adeptos. Tudo poderia mudar de uma jornada para a outra, mas só dependíamos de nós.

- Ao contrário da última época, o Benfica não perdeu nenhum clássico. Isso também foi determinante para a conquista do título, até pela confiança?
- Falou-se muito disso, dos clássicos. No ano passado vencemos apenas um, que foi o principal, pois deu-nos o título. Este ano vencemos, empatámos e acabámos por ser campeões. Não são os clássicos que decidem o campeonato, mas sim a regularidade. O Benfica tem feito isso nos últimos anos e é por isso que tem sobressaído em relação aos rivais.

«Farei tudo para preservar a minha família»
- Preservou sempre a imagem da família. Por protecção?
- Sempre fiz isso. Às vezes uso as redes sociais porque sabemos que hoje em dia faz parte do trabalho. Mas sou muito discreto. Fora de campo, gosto de aparecer o mínimo possível. Gosto de aparecer é dentro de campo. Gosto muito de preservar a minha família e tudo o que puder fazer, farei. É algo meu.

- A sua mulher e as suas filhas já estão adaptadas a Portugal?
- Amam Portugal! Agora, quando vou de férias, a minha filha já diz: ‘Vamos voltar para Portugal!’ Estão muito felizes aqui. Em Espanha também gostávamos muito, mas a minha mulher ficava muito sozinha lá. Aqui, não. Já tem amizades com mulheres de outros jogadores, como a Brenda, mulher do Luisão, a Susana, do Júlio César, ou a Gabriela, do Jardel. E mesmo fora deste meio já têm mais amizades.

- Fora do futebol, é a sua mulher o seu maior apoio?
- Sem dúvida! Ela é que comanda tudo aqui em casa, faz tudo de maneira a que, quando chego dos treinos, esteja tudo pronto para o descanso e para a recuperação. Ou para o passeio, se for o caso.

- Tem um irmão advogado e outro farmacêutico. Quando é que decidiu ser futebolista?
- Na verdade fiz dois anos de farmácia, mas sempre joguei. Depois houve um momento em que tive de optar: futebol ou estudo. Quando fazia uns testes num clube, não ficava porque nunca conseguia ficar longe dos meus pais. Desisti do futebol e iniciei o curso de farmácia. E porquê? Porque nem eu sabia o que queria! Mas pensei que ser advogado implicava muita leitura e, naquela altura, já não gostava muito de ler (risos). Advogado estava arrumado! Mas o meu irmão tinha aberto uma farmácia e comecei a ajudá-lo, a entregar medicamentos. Apanhei o gosto e comecei o curso, mas também vi que não era a minha onda e tinha o sonho de ser jogador. Até que o meu pai, quando tinha 20 anos, ligou para um treinador para ver se podia fazer uns testes. Achávamos difícil, mas comecei no Guarani o meu sonho e foi incrível. Não imaginava tornar-me jogador aos 20 anos. Ainda hoje mantenho contacto com este treinador, sou-lhe muito grato.

Soltas
- Quem é o mais animado do plantel?
- São muitos... Mas hoje diria o Eliseu!

- Quem é o mais sério?
- Temos os meninos... Cervi, Kalaica e Jovic brincam connosco, mas com os mais velhos eles ficam mais na deles.

- Quem é o mais vaidoso?
- São tantos! Pizzi, Samaris, Carrillo, Salvio... Gostam de ser cuidar!

- Quem é o DJ de serviço que escolhe as músicas no balneário?
- Nos últimos tempos era o Samaris, mas até estava a ser criticado porque algumas músicas dele não eram muito boas, principalmente naqueles momentos importantes. Estou a brincar! O Samaris é o nosso DJ e tem-se dado bem.

Águias numa palavra
- Benfica
- O principal clube da minha carreira.

- Rui Vitória
- Um grandíssimo treinador.

- Luís Filipe Vieira
- Mudou, nos últimos anos, a história do Benfica.

- Luisão
- Capitão, liderança, conhecimento e humildade.

- Adeptos
- Incríveis a apoiar sempre a equipa. Fora também mas, para mim, jogar na Luz é algo maravilhoso. Jogar perante 50 ou 60 mil adeptos, que é a média, é gratificante.

- Família
- A minha base. Os meus pais, os meus irmãos, a minha mulher e a minha filha. Somos todos muito unidos e são a base de tudo para mim.

- Golos
- O grande momento no futebol.

- Jonas
- Pessoa alegre, simples, humilde e que procura sempre fazer o melhor para as pessoas que estão à volta."

Entrevista de Filipe Pedras e Pedro Ponte, a Jonas, in Record

Os retalhos de Ederson

"Um brasileiro chega a Portugal aos 16 anos.

Um brasileiro chega a Portugal aos 16 anos. Troca o São Paulo pela formação do Benfica, mostra serviço na baliza, mas não o bastante, pois é cedido ao Grupo Desportivo Ribeirão, equipa minhota do terceiro escalão, que mais tarde desistirá das competições.
Mas é lá que Ederson Santana de Moraes dá nas vistas, já com 18 anos, e vai para o Rio Ave, onde fica três épocas, em crescendo, até voltar ao Benfica nos braços do superagente Jorge Mendes. Ganha espaço na primeira temporada, brilha na segunda e, após ajudar a ganhar quase tudo neste futebol à beira-mar plantado, é transferido por 40 milhões de euros para o Manchester City, com estatuto de segundo guarda-redes mais caro de sempre.
Sendo exemplo de mérito e de evolução, Ederson é também símbolo do futebol moderno. A comunicação do Benfica à CMVM indica que metade da mais-valia do negócio reverte para "terceiros", sem ficar explícito de quanto é a mais-valia e qual é a distribuição entre Rio Ave e Mendes.
Indiferente aos retalhos dos ‘direitos desportivos’, com migalhas para o São Paulo e para a massa falida do Ribeirão, resta a Ederson dedicar-se ao melhor do futebol: jogá-lo bem."

Há quem pense nos jogadores

"Só um ex-jogador para pensar nos jogadores. Rui Costa, apesar de vestir agora o fato de dirigente, não esqueceu as necessidades dos futebolistas de elite e por isso lançou um alerta que, infelizmente, deverá resvalar na indiferença de quem olha para os profissionais apenas como um meio para atingir o fim desejado: ganhar muito dinheiro. Disse o administrador da SAD benfiquista que esta Taça das Confederações não faz qualquer sentido na forma em que está organizada porque implica, em princípio, a impossibilidade dos jogadores terem férias normais durante três anos.
Vejamos: os jogadores que foram ao Europeu, há um ano, tiveram quase todos (houve honrosas excepções) pouco mais de duas semanas de descanso entre a final do evento e o regresso ao trabalho. Vários (a maioria) desses mesmos futebolistas vão passar este ano pelo mesmo, pois os últimos desafios da prova ocorrem quando as equipas (quase todas) já estão a preparar a temporada 2017/18. Significa que os treinadores vão pedir o habitual encurtamento do período de férias. E se Portugal chegar ao Mundial'2018, dentro de doze meses a história repete-se.
Ora, os futebolistas de elite estão quase todos sujeitos a épocas em que têm de fazer perto de 60 jogos (entre clubes e selecções). No final, em vez de descansarem 30 dias, muitos não gozam sequer 20. Bem me podem dizer que eles ganham muito e que só vão trabalhar cerca de 15 anos. Mas isso não alterá o ponto decisivo: sem o devido descanso, o rendimento deles não irá ser o esperado. Basta ver como se arrastam pelos relvados, basta analisar o aumento de lesões. Um exemplo simples, o de Portugal. Vejam os problemas físicos que ao longo deste ano sofreram Pepe, Raphael Guerreiro, João Moutinho, Adrien, Rafa, Nani ou Ronaldo. E por outro lado, o que me dizem dos desempenhos de André Gomes, William, Renato Sanches, João Mário ou Éder? Pois é, 'meia' Selecção andou a 'sofrer'. Vamos ver se para o ano não será mais do mesmo...
Quem contornou bem esta questão foi Low. O seleccionador alemão deixou de fora da Taça das Confederações a sua constelação de estrelas. Para as ter no 'ponto' dentro de um ano, no Mundial."