Últimas indefectivações

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Os golpes assassinos dos paxás...

Roquete; Armando Martins, José Martins, Vítor Silva, Jorge Vieira, Carlos Alves e Tamanqueiro
César de Matos, Augusto Silva, Pepe e Waldemar Mota


"Agora que o ano mais brilhante da selecção nacional chegou ao fim, é altura de recordar a primeira grande aventura lusitana em competições internacionais - os Jogos Olímpicos de 1928. O benfiquista Vítor Silva foi o melhor marcador de Portugal.

1928: um dos primeiros anos de graça da selecção nacional, agora que chegamos ao fim do seu ano mais brilhante. Jogos Olímpicos, torneio de futebol. Reparem: só em 1930 tivemos o primeiro campeonato do mundo. Os Jogos era, por isso, o campeonato do mundo da altura.
Por sorteio, coube a Portugal defrontar o Chile no jogo inaugural do torneio, que se seguiu à competição de hóquei em campo que ocupara o Estádio Olímpico de Amesterdão até aí. Para o dia 27 de Maio estavam marcados dois encontros preliminares de acesso aos oitavos-de-final: o Portugal-Chile e o Espanha-Estónia. O abandono da Estónia deixou portugueses e chilenos sozinhos no «palco», concedendo-lhe risco pouco simpático de um deles ser condenado a regressar a casa logo no primeiro dia.
E as coisas não podiam ter começado de pior forma para o conjunto das quinas, já que, logo aos 3 minutos, Carbonell, com um remate fortíssimo e muito provavelmente indefensável, fazia o primeiro golo chileno. Não foi preciso esperar muito pelo segundo: 11 minutos apenas para que Subiabre ampliasse a vantagem. Queixam-se os portugueses de «off-side» mas o árbitro egípcio Mohammed faz orelhas moucas aos protestos.
O Chile é, agora uma selecção entusiasmada e confiante e provoca situações de perigo com frequência. Portugal tenta rebelar-se contra o estado das coisas, mas a lesão de Armando Martins obriga o conjunto a estar em campo longos minutos com dez jogadores - regressaria ao terreno mas nitidamente inferiorizado. Aos 38 minutos, um centro do «leão» José Manuel Martins encontra o benfiquista Vítor Silva bem colocado. O golo traz consigo o fervilhar de uma esperança arrefecida. Os portugueses atrevem-se no ataque e são premiados pela audácia. Aos 40 minutos é a vez de César de Matos colocar a bola milimetricamente nos pés de Pepe: o empate que Portugal leva para o intervalo engrandece-lhe a alma para o segundo tempo. A energia lusitana é, a partir daí, avassaladora. Pepe, de cabeça, e Waldemar Mota, na conclusão de uma jogada individual na qual se livra de quadro adversários, selam a reviravolta e o resultado final.
Era a primeira vitória portuguesa conquistada fora do país e a presença garantida nos oitavos-de-final onde nos caberia defrontar a Jugoslávia.

«Tarde primaveril, tarde azul, tarde portuguesa que os nossos jogadores trouxeram na bagagem juntamente com a nossa bandeira...», escrevia entusiasmado António Ferro, o enviado-especial do Diário de Notícias.


Desilusão africana
Os oitavos-de-final ficaram marcados pelo vincar dos favoritismos. Num dos grupos de equipas definidos pelo sorteio, o Uruguai afastava a Holanda (2-0), a Alemanha eliminava a Suíça (4-0), a Espanha goleava o México (7-1) e a Itália desembaraçava-se da França (4-3). Do «lado português», a Bélgica batia o Luxemburgo (5-3), o Egipto esmagava a Turquia (7-1) e a Argentina infligia aos Estados Unidos um resultado de 11-2 tornando-se na grande coqueluche da competição.
A Portugal coube defrontar uma das mais fracas selecções em liça, a da Jugoslávia, que vinha coleccionando algumas goleadas homéricas nos seus anteriores confrontos internacionais. Mas as facilidades esperadas tornaram-se num tormento não previsto.
Com um empate (1-1) no primeiro tempo, golos do benfiquista Vítor Silva e de Bonacic, portugueses e jugoslavos disputam uma segunda parte renhidíssima marcada por uma expulsão de parte a parte que fez Waldemar Mota sair do campo lavado em lágrimas. A um minuto do final, Augusto Silva decide-se por uma arrancada enérgica e solitária que o conduz em direcção ao golo, ultrapassado vários adversários. Os portões dos quartos-de-final abrem-se às escâncaras e já há quem sonhe com uma presença na final.
O opositor que se segue é o Egipto que vem de uma vitória grandemente moralizadora. As notícias vindas de Amesterdão falam de uma «equipa de paxás com um ataque velocíssimo no qual pontifical quatro negros». Não se exagera no optimismo e com razão.
Um vento de derrota parece soprar do mar do Norte nesse final de tarde do dia 4 de Agosto. Os ataques de Portugal são constantemente repelidos pela defesa africana e, em rápidos contra-golpes, os «paxás» fazem dois golos, um ainda na primeira parte, por intermédio de Moktar, o outro aos 3 minutos do segundo tempo, por Riad. Talvez a alma lusitana que levara a equipa a virar o resultado contra o Chile e a bater a Jugoslávia no minuto derradeiro seja capaz de mais um feito digno de elogios. Mas, se existe a vontade, não a acompanha a arte nem a força. Os portugueses esgotam-se na procura da sorte mas desperdiçam oportunidades. Waldemar reclama golo, mas o árbitro italiano Mauro nega que a bola tenha ultrapassado a linha por completo. Os minutos escoam-se e a derrota ganha forma definitiva que o golo de Vítor Silva não é capaz de atenuar. A maneira como o Egipto sai dos Jogos, batido pela Argentina nas meias-finais (6-0) e pela Itália no jogo para a Medalha de Bronze (11-3), torna a desilusão portuguesa mais amarga. A humilhação da vizinha Espanha nos quartos-de-final frente aos italianos (7-1) não serve de consolo.
Em Lisboa, a equipa é recebida com honras de vencedora: um cortejo de automéveis acompanha jogadores e técnicos desde a Estação de Entrecampos, onde o «sud-express» parou a especial pedido da Associação de Futebol de Lisboa, pela Av. da República, Av. da Liberdade, Rossio e Rua do Ouro até ao edifício da Câmara Municipal onde nova multidão os esperava."

Afonso de Melo, in O Benfica

Folclore e repasto

"Depois do Festival do Jardim Zoológico, houve repasto e confraternização em honra dos Pescadores do Tejo

O dia 7 de Julho de 1957 amanheceu soalheiro. Era domingo, dia de Festival do Benfica no Jardim Zoológico. Desde cedo milhares de benfiquistas deixaram o 'tentador travesseiro' e rumaram ao Parque das Laranjeiras.
Organizado pelas secções de Moto-Automobilismo e Cicloturismo do Sport Lisboa e Benfica, o quinto festival do Clube no Jardim Zoológico contou com um programa variado, pensado para entreter miúdos e graúdos durante todo o dia.
De manhã houve provas de perícia entre os 'bairros da bicharada'. À tarde, a animação foi em torno do rinque de patinagem. Aí, tiveram lugar o desafio de hóquei em bicicleta - que animou bastante o público 'com o «desequilíbrio» de alguns jogadores que na mira de melhor sticarem a bola se esqueciam que andavam apoiados em duas rodas que não eram as dos patins...' - apresentações de ginástica e de patinagem artística, corridas de automóveis para crianças, provas negativas e 'o habitual «numero» de parelha de palhaços José & Ermilita' - que proporcionou 'momentos de expansiva e contagiante alegria' às centenas de crianças presentes.
A terminar, a actuação do Rancho Folclórico dos Pescadores do Tejo e da 'sua secção infantil composta por oito pares de encantadoras crianças'. Vindos de Benfica do Ribatejo, apresentaram no Zoo 'números do mais puro folclore', todos eles 'calorosamente aplaudidos'. 'A tarde ia já adiantada', 'e foi por entre os mais efusivos aplausos que o Rancho de Benfica do Ribatejo deu a volta de despedida e também de agradecimento pela forma como foram recebidos e aplaudidos'.
À noite, e depois de marcarem ainda presença no '«cantinho» do Benfica, na Feira Popular', os elementos do Rancho foram honrados com um momento de repasto e confraternização, num 'restaurante de feição típica' da capital. A Adega da Tia Matilde foi o local escolhido para o jantar, oferecido pela secção do Moto-Automobilismo, onde tomaram igualmente parte dirigentes do Clube, representantes do Jardim Zoológico e da imprensa. Entre os convidados, Roland Oliveira registou o momento. As fotografias viriam a ser publicadas, dias depois, no jornal O Benfica.
Pode ver esta e outras fotografias na exposição Roland Oliveira, em exibição na Rua Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Benfiquismo (CCCXXIX)

1911

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Os ases de 2016

"ÁS
Fernando Gomes
Ser presidente da FPF no ano em que Portugal se sagrou campeão da Europa já seria razão para estar neste quadro de honra. Porém, o ano de 2016 teve muito mais para Fernando Gomes. Foi a inauguração da Cidade do Futebol, tantas vezes prometida mas só finalizada na sua gerência, foi o título europeu de sub-17, foi ainda a final dos sub-21, mais a presença nos Jogos Olímpicos e, last but not least, o apuramento da equipa feminina para o principal certame da UEFA. A tudo isto deve somar-se uma crescente influência de Portugal nos círculos de poder no futebol europeu. Absolutamente notável!

ÁS
Fernando Santos
O seleccionador nacional é um homem de Fé e a Fé, sabe-se, move montanhas. Quando muitos duvidaram, ele acreditou; quando quase todos vacilaram, ele manteve-se firme; e foi capaz de entrar na cabeça dos jogadores lusitanos, fazendo-os acreditar que era possível chegar onde nenhum outro português tinha estado, no topo do mundo. Foi com esta fibra que se cavaram os alicerces do triunfo da turma das quinas em França. Foi com uma convicção profunda no que esteva a fazer que se escreveu a maravilhosa página de 10 de Julho da história contemporânea de Portugal. Fernando Santos, o homem do leme.

ÁS
Cristiano Ronaldo
Foi o ano mais profícuo da sua carreira: liderou o Real Madrid na conquista da Champions (aquela segunda mão com o Wolfsburg entrou para o livro de ouro dos merengues) e na vitória no Mundial de Clubes (apontou um hat trick na final, proeza só antes conseguida por Pelé, no Estádio da Luz, frente ao Benfica, em 11/10/63), carregou Portugal às costas até à final de Paris, conquistou o prémio de melhor jogador da Europa, atribuído pela UEFA, arrecadou a Bola de Ouro da France Football e está a duas semanas de receber o The Best da FIFA. Uff!

ÁS
Éder
Há momentos que marcam uma vida e Éder teve o seu, naquela noite de verão, em Paris, quando ao minuto 109 da final do Campeonato da Europa, desceu sobre ele o espírito de Eusébio e disparou para o fundo da baliza à guarda de Hugo Lloris. Patinho feio lusitano, incompreendido por muitos, Éder cumpriu a promessa que fez a Fernando Santos instantes antes de pisar o relvado do Stade de France: «Mister, olhe que vou marcar um golo!» Só que não foi um golo apenas, foi o passaporte para o olimpo, onde estão aqueles que por suas obras valorosas da lei da morte se foram libertando.

ÁS
Rui Patrício
Inestimável, o contributo que deu à Selecção Nacional no Europeu de França, provando ser um dos melhores guarda-redes da actualidade. A defesa que fez na final, aos 9 minutos, a uma cabeçada com o selo de golo de Griezmann, vai ser imortalizada em bronze em Leiria, concelho de que é natural, entrou na lenda do futebol português e fê-lo ascender ao patamar de monstros sagrados como João Azevedo, Calos Gomes, Vítor Damas, Manuel Bento e Vítor Baía. E que dizer do penalty parado, em Marselha, ao polaco Blaszczykowski, que colocou Portugal na rota da meia-final de Lyon? Soberbo!

ÁS
Luís Filipe Vieira
É preciso recuar quatro décadas, até Borges Coutinho, para encontrar um presidente do tri no Benfica, proeza que Luís Filipe Vieira igualou em 2016, ficando em aberto a possibilidade de vir a ser, em 2017, o primeiro tetra da história encarnada. Por isto e também pela segurança com que tem sabido conduzir os destinos benfiquistas, criando condições para que a visão estratégica made in Seixal possa vingar, Luís Filipe Vieira foi uma das estrelas do ano. A concretizar-se a transferência de Lindelof para o Man. United por mais de 40 milhões de euros, estará encontrada a cereja no topo de bolo.

ÁS
Rui Vitória
Muitos pensaram que ao aceitar ser treinador do Benfica recebera um presente envenenado. Mantendo-se fiel a um estilo educado e sóbrio, que privilegia o colectivo em detrimento do show off, Rui Vitória foi capaz de suportar o embate inicial dos mind games de Alvalade e ajudou a fazer de 2016 um ano de felicidade para a nação benfiquista. Sem queixumes, sem recriminações, com um discurso por vezes pouco apelativo para os media, é certo, mas sempre pragmático, Vitória levou água ao seu moinho. E ainda conseguiu a inédita proeza de duas classificações consecutivas para os oitavos de final da Champions.

ÁS
Renato Sanches
Em Outubro de 2015 ainda andava a jogar pelos juniores do Benfica na Youth League. Depois, passou pelo ano de 2016 como um furacão. Começou por agarrar a titularidade na equipa de Rui Vitória, tornando-se, em meia dúzia de jogos, numa pedra basilar da estrutura encarnada. Os atributos que revelou levaram-no à Selecção Nacional e a montra da Champions colocou os clubes mais ricos da Europa de olho nele. No Euro-2016, o contributo que deu a Portugal foi significativo e o golo que marcou à Polónia mostrou ao mundo que tinha acabado de nascer uma estrela. O futuro é dele.

ÁS
Paulo Fonseca
Assim se prova que, quando se tem valor, por vezes vale a pena dar um passo atrás para a seguir das dois em frente. Depois do fiasco que foi a sua passagem pelo Dragão, Paulo Fonseca recuperou energias em Paços de Ferreira e foi a Braga fazer o que nenhum treinador conseguia desde 1966: vencer a Taça de Portugal. Com esse título no currículo, o técnico português partiu para uma aventura ucraniana, que está a ser bem-sucedida. Passou pela fase de grupos da Liga Europa com pedalada de Liga dos Campeões e na Liga da Ucrânia é líder destacadíssimo. Um grande 2016!

ÁS
Telma Monteiro
O simples facto de ter trazido para Portugal a única medalha da delegação olímpica aos Jogos do Rio de Janeiro era suficiente para a judoca do Benfica entrar neste quadro de honra de 2016. Porém, se pensarmos que Telma Monteiro, seis meses antes dos Jogos Olímpicos, estava numa cama de hospital a recuperar de uma cirurgia delicada ao joelho, a proeza da atleta portuguesa ganha ainda uma dimensão maior. Foi, como disse, «na raça», que se impôs na Arena Carioca 2 e logrou um bronze para Portugal, que celebrou com um sentido «eu estou aqui!» Telma, antes quebrar que torcer, é um exemplo que deve inspirar os novos praticantes..,"

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (CCCXXVIII)

O 1.º equipamento alternativo do Benfica!!!

Equipamento emprestado pelo SC Império,
já que os convidados Checos, do Sparta de Praga,
usavam as mesmas cores que o Benfica!

29 de Outubro de 1911

domingo, 25 de dezembro de 2016

A nossa crise chamou-se Jonas

"Facto notável, este de o Benfica ter chegado ao fim de Dezembro vivo para todas as competições nacionais e internacionais que se dispôs a abordar com a seriedade que o seu nome, história e ambição lhe recomendam. E não foi nada fácil ultrapassar a tormentosa série de circunstâncias que, por períodos mais ou menos longos, afastou dos trabalhos da sua equipa de futebol jogadores justamente considerados fulcrais para o êxito.
Agora que a temporada se aproxima do seu meio e perante resultados que garantem uma Consoada pacífica, é caso para se dizer que todos os jogadores do Benfica se tornaram fulcrais, mesmo os menos estimados como tal pela crítica sempre exigente e também pelos adeptos frequentemente impiedosos nos seus rankings e afectos. Um dos méritos maiores de Rui Vitória no conturbado arranque hospitalar de 2016/17 foi o de explicar bem cedo a toda a gente interessada que, ao contrário do que seria de supor, cada lesão - e que rodopio de lesões! - seria encarada como "uma oportunidade e não como um drama".
O treinador não falhou na sua previsão e os jogadores chamados a cobrir as ausências nunca falharam no que lhes foi exigido e não foi pouco. Talvez este primado da confiança somado a um percurso muito positivo da equipa expliquem a indiferença com que um caloroso vizinho da bancada recebeu na última quarta-feira a notícia de que, ao contrário do que tinha sucedido no jogo com o Estoril, seria Mitroglou o titular contra o Rio Ave, ficando Raúl Jiménez no banco a descansar.. "Tanto faz", disse, acabando a sorver o seu cafezinho antes de se dirigir tranquilamente para o seu lugar.
Na verdade, não "tanto faz" porque se trata de modelos diferentes de jogo, mas se nos lembrarmos de que o Benfica mal começou a época e já tinha os seus três avançados - o grego, o mexicano e Jonas - na enfermaria e de que, com estas baixas, não se atrasou em nenhuma das corridas, talvez se justifique a gritante falta de "drama" que nos sossega a cada contrariedade.
Por tudo isto, o regresso de Jonas, o mais fulcral de todos os fulcrais, foi recebido com alegria esfusiante pelos pelos adeptos. Embora não se tenha notado muito, disfarçada que foi pelo empenho geral, o Benfica resistiu categoricamente à crise de meses provocada pela ausência do seu melhor jogador sem que a dita crise molestasse minimamente as ambições da casa.
Um feliz Natal!"

Três cartas presidenciais ao Pai Natal

"(...)
- A Carta de Bruno de Carvalho, publicada no seu Facebook
«Meu NADA querido Pai Natal:
É absolutamente lamentável essa tua falta de isenção. Não tens outra coisa para vestires e outro barrete para meteres na cabeça? Eu prefira que a tua sectária obsessão pelo vermelho ainda fosse de origem marxista-leninista, mas parece-me que é mesmo por seres traficante de influências do Benfica. Bem sei que andas a distribuir kits de almoços do Benfica pelos árbitros de futebol e já fui informado de que viram disfarçado de Barbas na claque do No Names.
Assim, a única coisa que eu te posso pedir neste Natal é que de demitas. Que honres a quadra natalícia de homens pacíficos, tolerantes, generosos como eu.
Fica sabendo que nesta mesma data vou enviar uma carta a Deus, onde irei exigir a tua irrevogável demissão e que, mesmo demitido, nunca mais te aproximes de crianças para as influenciares a serem do Benfica. Também irei Pedir a Deus que as tuas renas sejam doadas ao Jardim Zoológica e que ainda nesta quadra de Natal sejam gentilmente domiciliadas na encantadora jaula dos leões.
Sem respeito algum, este teu inquebrantável opositor»
Bruno de Carvalho, sobrinho neto do almirante sem medo
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Paz aos árbitros em nome do futuro

"Ainda deve estar para nascer o dirigente que se penitencia pelo fraco investimento no plantel ou, como é hábito e costume, por ter-se substituído aos técnicos na escolha de jogadores. Também está por conhecer o treinador que confessa ter estudado mal o adversário ou falhado na estratégia e na táctica. É por isso que os árbitros são instrumentos valiosos, sem os quais muitos entendidos na matéria teriam de rever procedimentos. São valiosos pela sua função zeladora da correcta aplicação das leis de jogo e também pela cobertura que dão a dirigentes ineptos e a treinadores presunçosos, os quais descobriram neles a tábua de salvação de incompetências ou o vazadouro de desatinos que pretendem esconder do escrutínio público.
Em vez de se destacar o interesse da Liga com cinco intervenientes no grupo da frente separados por oito pontos, que a coloca na primeira linha dos campeonatos mais discutidos da Europa, ou em vez de se valorizar as coisas boas do futebol português, que são muitas, e de se aplaudir os passos firmes que têm sido dados por uma Federação de referência a nível mundial, como é o caso da FPF, continua a desperdiçar-se tempo em discussões inúteis ou em conversas de conteúdo vazio. Há quem prefira mil vezes agarrar-se ao passado em vez de abraçar o futuro. É o medo do desconhecido: manter tudo como está.
De  aí os lamentos que cansam: um presidente sentir-se prejudicado em quinze penalties, um por jornada, ou um treinador ter apontado o dedo acusador a Jorge Sousa, culpando-o pelo atraso pontual para o líder, tendo-se esquecido, porém, que perdeu pontos com Rio Ave,Vitória de Guimarães Tondela, Nacional e SC Braga. Paz aos árbitros, sem eles há treinadores e dirigentes que teriam de mudar de vida..."

Fernando Guerra, in A Bola

Benfiquismo (CCCXXVII)

A primeira vénia na Catedral...!!!
No regresso,
após a digressão ao Japão,
1970

sábado, 24 de dezembro de 2016

Feliz Natal


O coro dos infelizes

"Não gostei do final de jogo com o Estoril. Aqueles últimos 20 minutos deixara,-me perto de um enfarte. Bem sei que, ao contrário do coro da choradeira, o Benfica precisa de ter quatro penalties por jogo para ver assinalado um, mas não havia necessidade de sofrer tanto. Já contra o Rio Ave a história foi diferente. Primeiro, os de Vila de Conde são das equipas que melhor jogam em Portugal; depois, o jogo pareceu bem mais controlado. Mais uma vez, penalty por assinalar. Faz bem o Benfica em não entrar no ridículo coro dos infelizes, mesmo sendo a equipa mais prejudicada do campeonato. Temos que jogar sempre mais e melhor, até porque vamos continuar a ter sucessivos erros a penalizar-nos.
Com a derrota frente ao SC Braga, ainda há muitos analistas que pensam que o Sporting tem uma palavra a dizer na luta pelo título nacional. O pior é que a maioria dos sportinguistas acha que a palavra é «adeus». Não sei se é assim, mas sei que a grandeza do Sporting, neste momento, é apenas os seus adeptos (e a sua história), que sofrem e apoiam sem limites e recebem de troca uma comédia circense de gosto duvidoso. Era importante para o Benfica que a luta no campeonato fosse a três ou quatro, caso contrário fica o Benfica a lutar apenas contra o ódio ao Benfica, que agrega várias sensibilidades e torna mais difícil a nossa vida.
Chegamos ao Natal em todas as frentes, e na frente em todas elas. Até na Taça de Portugal, ao receber o Leixões, temos o único jogo grande da prova, pois mais nenhum coloca dois vencedores da prova frente a frente. Porque queremos ganhar títulos em campo, porque não buscamos títulos de secretaria para dar títulos de jornais, venha o Paços de Ferreira na Taça da Liga, prova que ainda só ganhámos sete em nove edições.
Este ano o Natal é vermelho e é muito bonito. Um Santo Natal a todos os leitores da A Bola!"

Sílvio Cervan, in A Bola

Lixívia 15

Tabela Anti-Lixívia
Benfica.......... 38 (-5) = 43
Corruptos..... 34 (+1) = 33
Sporting........ 30 (+4) = 26


A coacção está 'quase' a resultar... a competência dos jogadores e dos treinadores do Benfica, são neste momento o único entrave à concretização da estratégia premeditada de coacção sobre as arbitragens!!!
Dentro das quatro linhas a 'ladroagem' está ao nível dos anos 90... a manipulação começa com a Realização da PorkosTV... e continua logo a seguir nos supostos 'debates' televisivos, cheios de avençados... e termina, com 'higiene' nos pasquins do dia seguinte!!!

Uma das piores e mais declaradas parciais arbitragens que me lembro na Luz, dos últimos tempos!!! Foi assim que Rui Costa se apresentou na Luz...
- o  penalty sobre o Guedes no início da partida, é das coisas mais absurdas que vi num campo de futebol!!! E sim, o jogador do Rio Ave, acidentalmente toca na bola, mas atropela totalmente o Guedes... é penalty em qualquer parte do Mundo!!!
- para mim, no início do 2.º tempo existe outro penalty sobre o Guedes. Villas-Boas faz claramente uma obstrução, dá um passe lateral, desinteressa-se pela bola, e o contacto é em cima da linha da grande área, portanto dentro da área...
- ao minuto 57, Luisão é completamente empurrado (creio que no único livre lateral a nossa favor...!!!). O Guedes do Rio Ave, empurra com o braço esquerdo nas costas do Luisão, e agarra com o braço direito, à volta da cintura do nosso Capitão... O contacto é indesmentível, e começa antes da bola partir e só termina quando o Luisão está no chão...


Mas além dos penalty's, todas as decisões foram tortas, todos: lançamentos laterais, cantos, faltas e faltinhas... critério totalmente torto... e ainda os foras-de-jogo!
Aquela entrada perigossisima do Roderick sobre o Jiménez (na mesma jogada o Villas-Boas tentou dar um coice ao Raúl) passou em claro, quando minutos antes marca um falta inexistente do Raúl junto da linha lateral, quando é o defesa que provoca o contacto... aliás as faltas ofensivas marcadas ao Mitro e ao Jiménez foram hilariantes!
Até nas questões disciplinares: inacreditável como foi possível o Wakaso termina o jogo sem um Amarelo... aliás nenhum jogador do  Rio Ave levou cartão.. e se o Pizzi levou um Amarelo por protestos, então os jogadores do Rio Ave que se fartaram de protestar com tudo, principalmente o Rúben Ribeiro, devem ter sido muito educados com as palavras!!!!

Tudo isto tem um impacto na partida muito superior às faltas marcadas e não assinaladas: enquanto os jogadores do Rio Ave, perceberam bem cedo que podiam fazer tudo e não seriam penalizados, os jogadores do Benfica, quando faziam pressão, principalmente em zonas recuadas sabiam que tinham que ter cuidado, senão seriam penalizados com zelo...: comparem a forma como o Filipe Augusto entra sobre o Guedes no penalty, e a forma como o Fejsa recupera a bola sobre o Yazalde na parte final do jogo, onde o jogador do Rio Ave colocou a perna à frente, esperando o contacto do Fejsa, mas o nosso 'bombeiro' desviou-se magistralmente do contacto...!!!


Em Belém tivemos direito a invasão de campo, com volta olímpica de presidente e treinador, depois de se terem safado praticamente no último minuto de mais 2 pontos perdidos... e assim manterem o 4.º lugar!!!
Tiago Martins, deve ter um aproveitamento de 100% com o clube do seu coração... ainda não foi desta que o Sporting perdeu pontos com a nova estrela da arbitragem portuguesa...!!! Por acaso não houve grandes casos, pelo menos que a PorkosTV tenha mostrado... houve uma bola duvidosa na área do Sporting, pareceu um desvio com o braço do Coates, mas não houve repetições...
O penalty que o Judas chorou, não existe. A bola bate no braço, mas não é deliberado... este é daqueles que não deixa dúvidas.
Agora, nas faltas e faltinhas a meio-campo, as regras continuam a ser diferentes para a Lagartada, mas isso não é só com o Tiago Martins, é um problema de todos os apitadores portugueses!!!

Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Nacional(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
4.ª-Arouca(f), V(1-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
5.ª-Braga(c), V(3-1), Sousa, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), V(0-2), Martins, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
7.ª-Feirense(c), V(4-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
8.ª-Belenenses(f), V(0-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Esteves, Nada a assinalar
10.ª-Corruptos(f), E(1-1), Soares Dias, Prejudicados, Impossível contabilizar
11.ª-Moreirense(c), V(3-0), Godinho, Prejudicados, Sem influência no resultado
12.ª-Marítimo(f), D(2-1), Vasco Santos, Prejudicados, (1-4), (-3 pontos)
13.ª-Sporting(c), V(2-1), Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Estoril(f), V(0-1), Paixão, Prejudicados, (0-4), Sem influência no resultado
15.ª-Rio Ave(c), V(2-0), Rui Costa, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Corruptos(c), V(2-1), Martins, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Almeida, Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar
5.ª-Rio Ave(f), D(3-1), Pinheiro, Nada a assinalar
6.ª-Estoril(c), V(4-2), Capela, Beneficiados, (4-3), Sem influência no resultado
7.ª-Guimarães(f), E(3-3), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Tondela(c), E(1-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-1), (+1 ponto)
9.ª-Nacional(f), E(0-0), Vasco Santos, Prejudicados, (0-1), (-2 pontos)
10.ª-Arouca(c), V(3-0), Xistra, Beneficiados, Impossível contablizar
11.ª-Boavista(f), V(0-1), Veríssimo, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
12.ª-Setúbal(c), V(2-0), Rui Costa, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
13.ª-Benfica(f), D(2-1), Sousa, Beneficiados, Sem influência no resultado
14.ª-Braga(c), D(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Sem influência no resultado
15.ª-Belenenses(f), D(0-1), Tiago Martins, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Estoril(c), V(1-0), Luís Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), D(2-1), Martins, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Sousa, Nada a assinalar
5.ª-Tondela(f), E(0-0), Hugo Miguel, Beneficiados, (1-0), (+ 1 ponto)
6.ª-Boavista(c), V(3-1), Almeida, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
7.ª-Nacional(f), V(0-4), Rui Costa, Beneficiados, Sem influência no resultado
8.ª-Arouca(c), V(3-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
9.ª-Setúbal(f), E(0-0), Pinheiro, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(c), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, Impossível de contabilizar
11.ª-Belenenses(f), E(0-0), Oliveira, Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
12.ª-Braga(c), V(1-0), Xistra, Beneficiados, Sem influência no resultado
13.ª-Feirense(f), V(0-4), Luís Ferreira, Beneficiados, Impossível contabilizar
14.ª-Chaves(c), V(2-1), Vasco Santos, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
15.ª-Marítimo(c), V(2-1), Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A força da direcção

"Em 2013, a direcção benfiquista entendeu reconduzir Jorge Jesus no cargo e logo surgiram os profetas da desgraça em grande força e maior quantidade. A avaliação, então, foi correcta: Se tudo perdeu numa semana é porque tudo poderia ganhar. Foi o mote para o actual domínio benfiquista, beneficiando da estabilidade oferecida ao seu técnico principal.
Passados dois anos, deu-se início a um novo paradigma, cujas faces mais visíveis passaram pela substituição do treinador e pela aposta em jovens atletas. Os tais profetas da desgraça, incapazes de compreender o contexto em que o Benfica se inseria naquele momento, ressurgiram. Era Jesus ou o caos, como se a 'estrutura' entretanto criada não passasse de um jargão. Ora, nem Jesus, nem caos, antes mais uma época de sucesso nacional e prestígio internacional.
Mas os primeiros passos de Vitória foram titubeantes.
À semelhança de 2013, o resultado dado pela direcção ao treinador permitir ganhar o tempo que se diz não existir num clube com as ambições do Benfica, Renato Sanches transformou a equipa e levou alguns a duvidarem do mérito de Vitória. Agora sem Renato, Jonas, Gaitán e Jardel, nem os restantes lesionados, distam quatro pontos para o Porto (após Estoril) e são 17 os conquistados e mais que o Sporting desde 18 de Dezembro de 2015.
As críticas a Jesus, que temos ouvido e lido ultimamente por parte de sportinguistas com visibilidade na comunicação social, à semelhança daquelas feitas a Marco Silva a partir de determinado momento, parecem encomendadas e, mais do que servir o Sporting, procurarão sobretudo proteger o presidente.
É também nesta diferença que reside o momento actual vivido por ambos os clubes."

João Tomaz, in O Benfica

Que seja um bom Natal

"Na semana passada, a família de funcionários e colaboradores do Sport Lisboa e Benfica juntou-se no Estádio da Luz para o tradicional jantar e festa de Natal. Pelo camarote presidencial e pelo lounge passaram os heróis anónimos que, todos os dias, dão o seu melhor para que o clube seja a empresa de sucesso que todos reconhecemos. Todas as áreas estiveram representadas, desde os serviços administrativos à comunicação, do arquivo ao marketing, do apoio aos sócios à direcção.
É nestes momentos que se vê a força de uma empresa e, neste caso, de um clube que soube tornar-se profissional e estar entre a elite mundial.
A festa de Natal é sempre uma boa oportunidade para conhecer gente nova, rever velhos conhecidos e falar do futuro. Mas não deixa de ser importante também olhar para o passado e ver onde estamos.
No final do século XX tive a sorte de poder fazer parte da equipa de atletismo do SLB. Conheci por dentro a realidade do Clube e as dificuldades com que praticantes e dirigentes se debatiam todos os dias, dos transportes e alojamentos às contas da luz e da água. Quase 20 anos depois, é impressionante ver a força deste Benfica como um todo- Longe vão os tempos das dívidas, das desculpas, do desespero e da falta de planeamento.
O Benfica que esteve representado nesta festa de Natal é profissional sem perder a alma, é eficaz esquecer a sua história. É um exemplo de como se dá a volta por cima sem abdicar de valores.
O jantar também estava bom. Soube a liderança sem rival."

Ricardo Santos, in O Benfica

Vídeo-jogos

"Se a aplicação de vídeo-tecnologias no Mundial de Clubes era um teste para aferir a eficácia das mesmas, há que dizer que tal redundou num absoluto fracasso.
Poderia destacar dois momentos: um árbitro parar o jogo e correr para a linha lateral para confirmar um lance nos ecrãs, e um golo festejado, depois retido na dúvida, e finalmente re-festejado como válido. Eis duas situações caricatas, que mostram, enfim, aquilo que, quem pensasse um pouco no assunto, já há muito tempo havia concluído: esta ideia corta ritmo ao Futebol, retirando-lhe espontaneidade e beleza, dando-lhe pouca coisa em troca.
Há quem argumente com a redução do erro. Há quem apresente exemplos de modalidades como o Râguebi, o Basquetebol ou o Ténis.
Pois quando assisto a uma partida de uma liga estrangeira, a última coisa com que me preocupo é com a arbitragem. Pelo contrário, o que pretendo - e pago para ver - é um espectáculo corrido, sem paragens, nem cortes.
Já nas modalidades referidas, as pausas fazem parte da respectiva identidade. Não é comparável a fluência de um jogo de Futebol a um de Râguebi (com tanto tempo parado como a jogar-se), a um de Basquetebol (com mais tempo parado do que a jogar-se, também por via dos estupidamente excessivos tempos técnicos), ou a um de Ténis (disputado lance a lance). Talvez por isso o Futebol seja mais popular do que qualquer dessas modalidades.
Já chegam as faltas, as substituições e o intervalo. Por mim, enquanto adepto, dispenso mais pausas. Até porque, como se viu na própria final da competição mencionada, nada disto porá fim ao erro, ou às discussões em torno dele."

Luís Fialho, in O Benfica

A espada de Guimarães

"Havia um leão que se alimentava em abundância. Tanto comeu e comeu e voltou a comer, que acabou por se prostar no chão e, como qualquer animal, adormeceu.
O problema é que um macaco maldoso achou que o leão estava mesmo a jeito de ser chateado. Bem dito, bem feito, chateou-o tanto, que o leão se levantou combalido e começou a correr trôpego atrás do macaco.
No entanto, este sentou-se num banco de jardim a ler o jornal. O leão, atónito, perguntou-lhe se tinha visto algum macaco. O macaco baixou o jornal e perguntou ao aflito Leão se queria referir-se ao Macaco que estava a chatear o Leão.
A resposta do Leão não poderia ter sido mais lapidar:
- O quê, isso já vem no jornal?
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

Reflexão de Natal

"Na Alemanha, a canoagem é uma modalidade de grande sucesso no alto rendimento. Nos Jogos Olímpicos Rio-2016, o país conquistou 42 medalhas, sendo 17 de ouro, 10 de prata e 15 de bronze. A canoagem contribuiu com quatro ouros, duas pratas e um bronze. Em termos práticos, em apenas uma edição dos Jogos, a canoagem alemã conquistou tantas medalhas de ouro como Portugal em 100 anos de participações. Significativo.
Face ao excelente resultado, seria expectável que a canoagem alemã recebesse choruda prenda de Natal para o ciclo olímpico Tóquio-2020. Isso não aconteceu. Como consequência da reforma da organização desportiva e do financiamento ao alto rendimento, viu mesmo serem apertadas as regras financeiras com restrições orçamentais.
Parte dessa reestruturação da ciência e prática desportiva de rendimento e optimização de procedimentos para o apoio científico, nomeadamente toda a parte de investigação, inovação, desenvolvimento e tecnologia, conhecimento e gestão de ciência. Também se privilegia a optimização da transferência de conhecimento, nomeadamente através de uma melhor aplicação do conhecimento científico nas áreas de investigação e da inovação no treino e competição. Aposta-se na intensa cooperação com universidades, faculdades e outros parceiros da ciência e da indústria, a fim de alcançar pela investigação e inovação melhores resultados. Garante-se ainda um reforço da competência em todas as áreas da ciência, especialmente na pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. E a criação de uma plataforma de conhecimento digital central para melhorar os canais de comunicação e informação.
Sem entrar em detalhes, a verdade é que um país que ganha 42 medalhas numa só edição dos Jogos Olímpicos entende, ainda assim, implementar uma reestruturação da organização da prática desportiva competitiva e do financiamento ao alto rendimento. Pode não funcionar, mas vai tentar melhorar. E por cá?"

Mário Santos, in A Bola

Memórias seletivas

"O Belenenses-Sporting acabou com um golo ao photo-finish e foi parar ao ainda quente dérbi da Luz

O Sporting marcou no suspiro final da partida no Restelo e, no banco, os sentimentos misturaram-se como se tivessem sido enfiados numa centrifugadora. A alegria confundiu-se com o alívio, a exaltação com o regozijo, porque outro resultado que não a vitória poderia ter consequências complicadas para os decisores de Alvalade, tanto dirigentes como técnicos. Bruno de Carvalho, já esquecido de ter anunciado candidatura própria após uma derrota do Sporting, criticou os putativos opositores manifestados após a desfeita em casa com o Braga e chamou-lhes abutres. Jorge Jesus serenou a claque esta semana e conseguiu crédito, mas não seria fácil adivinhar-lhe a validade face a mais pontos perdidos.
O futebol é assim, alterna momentos de glória com outros de preocupação extrema, grandes golos com falhanços incríveis, defesas monumentais e frangos, decisões boas e erradas, memórias convenientes e esquecimentos adequados. Na flash interview, Jorge Jesus afirmou que a crise do Sporting chama-se Jorge Sousa e disso não vai esquecer-se, porque poderia ter saído da Luz com um ponto de avanço e ficou com cinco de atraso (pelo meio perdeu em casa com o Braga e reconheceu que a equipa jogou mal). Outros não esquecerão, ainda menos depois do ocorrido ontem ao minuto 90+3, que Bas Dost deveria ter continuado em campo na Luz e saiu. Os erros acontecem. Uns têm é uma repercussão maior do que outros e é normal que assim seja. Convém que assim seja."

Benfiquismo (CCCXXVI)

Alguns podem-te não apreciar,
mas aqui serás sempre bem-vindo!

Aquecimento... natalício!!!