Últimas indefectivações

sábado, 15 de outubro de 2016

Taça Continental, fica na Luz...

Benfica 9 (4) - (5) 2 Barcelos
(3-1)

Basta observar a forma como os jogadores festejaram o triunfo, logo após o apito final, para perceber que esta vitória, valeu mais do que a Taça em disputa! O mau início de época, acabou por ficar reconhecido pelos próprios jogadores, que sabiam que hoje, era necessário começar a 'dar a volta'...

Foi de longe o nosso melhor jogo da época... ainda por cima, sem sofrer golos de 'bola parada' e a marcar golos de 'bola parada' (o inverso do que vinha a acontecer...)!
Além dos golos marcados, estivemos muito melhor a defender, o Trabal foi importante nas 'bolas paradas' (e foram várias), mas em 'jogo jogado' até teve 'pouco' trabalho!!!

O destaque individual tem que ir para o João Rodrigues... arrisco, afirmando que após a lesão prolongada da época anterior, este foi o melhor jogo do João ao serviço do Benfica! O Nicolia não marcou, mas fez 3 assistências... e o mal-amado Tiago Rafael além do golo, ainda fez 2 assistências!

Agora a dúvida que fica no ar é a seguinte: será a equipa capaz de manter este nível de intensidade em todos os jogos?!!! Até porque hoje, apesar de todas as coisas positivas, notou-se alguns 'problemas' na rotação... Aquele jogo totalmente aberto, a meio da segunda parte, quando o Benfica tinha toda a vantagem em 'congelar' o jogo, foi perigoso...!!!

Mais um 'caneco' para o Museu Cosme Damião... Mais um título Europeu (Supertaça Europeia) a 3.ª Taça Continental...

Vitória no Luxemburgo...

Kaerjeng 30 (26) - (31) 33 Benfica
(12-14)

Resultado parecido com a 1.ª mão na Luz, num jogo onde começamos muito bem, nunca tivemos em desvantagem... só permitimos o empate no início da 2.ª parte... e sinceramente, nunca senti a eliminatória em perigo!!!

Nota de destaque para a inspiração ofensiva do Moreno, tem marcado muitos golos ultimamente, parece que tem trabalhado a finalização...; o Terzic continua a melhorar; o Capdeville aproveitando a lesão do Mitrevski fez toda a 2.ª parte na baliza (recordo que é ainda júnior); o André Lima (outro júnior) também tem aproveitado bem os minutos...
Nota negativa, para a total desinspiração ofensiva do Vidrago... todos têm direito a dias maus!!!

Estamos na 3.ª ronda, a última antes da Fase de Grupos, onde vão aparecer alguns 'tubarões' indesejáveis... vamos esperar por um sorteio agradável!!!

Vitória... finalmente!!!

Corruptos 74 - 76 Benfica
15-20, 24-23, 23-15, 12-18

Ganhámos, justamente, mas não é esta vitória que vai resolver todos os problemas que esta equipa tem demonstrado!
Hoje, defendemos melhor, tivemos um jogador muitíssimo inspirado ofensivamente: Hollis... e na parte final, apesar de um erro infantil do Carlos Morais, logo a seguir o Tinsley foi 'amigo' e retribuiu o erro (dois lances livres falhados, após falta 'duvidosa')!!! Além disso a eficácia Triplista dos Corruptos, baixou bastante em relação ao jogo da Supertaça...

Já tinha afirmado que temos melhor plantel esta época... por exemplo o Carlos Morais, voltando a não fazer um grande jogo, acabou por ser o nosso melhor ressaltador... Hoje, também houve mais rotação da nossa equipa, com o Lonkovic a 'ganhar' mais minutos (merecidamente)... Pessoalmente, continuo a achar que o Nuno Oliveira tem que jogar nestes jogos!

Jogadores ao poder é batalha a travar

"Em Portugal, jogador que termina a sua carreira profissional e deseja continuar ligado ao futebol tem de ser treinador. É o que fazem, uns por se sentirem capazes de enfrentar esse desafio, outros por não descortinarem soluções alternativas, e, no entanto, elas existem. O exemplo do Bayern representa o sonho dos sonhos, um caso excepcional em que algumas das suas grandes figuras passaram a preencher altos cargos na gestão e a terem papel determinante na estratégia de crescimento do clube bávaro, como Franz Beckenbauer, que chegou à presidência do conselho de administração, e Karl-Heinz Rummenigge, que lhe sucedeu. Por cá, Rui Costa é o que mais se lhes aproxima, com lugar na SAD do Benfica.
Li em A BOLA que o Barcelona talvez enverede pelo modelo alemão, havendo a expectativa de, em futuro próximo, o 'poder' ser reclamado por referências da sua geração de ouro, conforme foi anunciado por Xavi Hernández, considerando-se os jogadores motivados e preparados para ficarem ao leme da enorme nau catalã.
A eleição de Michel Platini para a presidência da UEFA foi o primeiro grande sinal de mudança, a seguir a uma experiência que o entusiasmou pouco como seleccionador francês. Mostrou ao mundo que o papel de um (ex) futebolista não se esgota no relvado. Estende-se além dele, de aí que se aplauda a decisão do FC Porto em recorrer ao bibota de ouro Fernando Gomes para intervir na área de observação, confiando na sua intuição na descoberta de jovens talentos.
No futebol português, dado a luxos, como escreve João Bonzinho, director de informação de A BOLA TV, a propósito do ostracizado Toni, aceitar que antigos jogadores tomem conta de um clube... talvez daqui a uma eternidade, mas é batalha que a classe tem de travar."

Fernando Guerra, in A Bola

Bola de Ouro para Bob Dylan

" «Eu gosto dos fãs mas não sinto que tenha obrigação de ser um exemplo para eles; não da mesma forma que um jogador de basebol ou de futebol americano. Não tenho de ser desportista, alguém com um comportamento que os outros devem seguir.»
Bob Dylan

Não acho bem bem mal o Nobel da literatura para Bob Dylan. Acho só óptimo tema de conversa, partindo dos argumentos básicos: é um letrista e não um escritor vs é um poeta. Eu acho que consigo manter ambas opiniões e passar a tarde a discutir comigo.
O que é verdadeiramente gracioso neste prémio é que ninguém perdeu por Dylan ter vencido. Não é a Bola de Ouro da FIFA, com a qual há um vencedor e pelo menos um derrotado, o segundo. O Nobel nasce dum mundo inteiro de alternativas. Quando anunciam o da literatura, aposto que todos os grandes escritores do planeta estão a dormir, a noite ou a sesta, sem quererem saber (o próprio Dylan, arrisco, também estaria a dormir...).
Assim, tentar classificar alguém capaz de vencer prémios musicais (Grammy), cinematográficos (Óscar), jornalísticos (Pullitzer) e literários (Nobel) é do mais difícil que pode haver, mas tentar desclassificá-lo, dizer que não merece este ou aquele, é ainda mais.
Fui procurar e parece que Dylan só escreveu uma música sobre desporto: Catfish, que o autor queria publicar no Desire,de 1976, mas acabou nas The Bootleg Series, de 1991, uma compilação de raridades, gravações perdidas, coisas por mostrar. A Catfish era sobre James Catfish Hunter, um jogador de basebol dos Yankees que se celebrizou nos anos 60 por se ter tornado o primeiro free agent multimilionário. A canção, essa, não era assim tão impressionante. Talvez por isso Dylan nunca ganhou nada que se veja no desporto. Lamentavelmente."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Bob Dylan e Diego Maradona

"Geniais as personagens de um e a autenticidade do outro

Apanhar conversas a meio pode criar situações embaraçosas. Ontem terá acontecido a mais gente ligar o rádio e ouvir um fórum sobre Bob Dylan, mudar de estação e estar a passar uma música dele. O pensamento torna-se fatalista e brejeiro: mais um que pendurou as botas sem festa de homenagem. A seguir fica-se mentalmente envergonhado porque o que está a acontecer é, mesmo e só, a festa de homenagem. Dylan ganhar o Prémio Nobel da Literatura é uma surpresa, mas ao longo do dia vai-se sabendo mais coisas. Quem percebe desses assuntos nunca se surpreende e explica: o nome já havia sido cogitado outras vezes para tal honraria.
Foi igualmente notícia o lançamento de mais uma autobiografia de Maradona. Por momentos, fazia sentido na cabeça a rebeldia misturada em letra de forma, as histórias é que não, excepção feita à genialidade de ambos.
Dylan tem uma obra multifacetada, um percurso incoerente e de negação, mas as palavras cantadas e escritas foram sempre guiadas pelo brilhantismo. Esse foi o escritor, o poeta a quem a Academia sueca atribuiu o Nobel. O cidadão que em 2004 plasmou numa biografia ser dono de armas e querer "pegar fogo" aos hippies não conta; contabilizam-se as personagens criadas ao longo da vida e os hinos cantados. Foi Dylan quem escreveu: "O mundo era absurdo... eu tinha poucas coisas em comum com uma geração que não conhecia e da qual se supunha que era um dos porta-vozes."
Do homem do pontapé na bola, com passado tortuoso e penitências várias, leu-se: "Quando morrer quero voltar a nascer e ser futebolista. E quero voltar a ser Diego Armando Maradona. Sou um jogador que deu alegrias às pessoas e isso chega-me e sobra." A nova biografia começa assim: "Fala-vos Diego Armando Maradona, o tipo que marcou dois golos à Inglaterra e um dos poucos argentinos que sabe quanto pesa a Taça de campeão do mundo..."
Um Nobel para Diego, que nunca quis deixar de ser Maradona."

Benfiquismo (CCL)

Início da caminhada Europeia de 82/83
1-0, na Luz; e vitória por 2-1 em Sevilha...
...que terminou com o amargo Anderlecht!!!

Susto na Taça...

1.º Dezembro 1 - 2 Benfica


Muito complicado, muito parecido com o jogo com o Vianense na época anterior, na mesma eliminatória da Taça de Portugal!!!

Nestes jogos existe sempre a expectativa de goleada, mas a realidade é diferente: o Benfica vem de 10 dias, com o plantel repartido com as Selecções; depois dá-se minutos a jogadores menos utilizados, que têm falta de ritmo...; e depois ainda existe a ultra-motivação do outro lado... Tudo isto misturado, dá quase sempre em jogos equilibrados!
O Benfica entrou a tentar dominar, e foi isso que aconteceu, mesmo que tivesse criado poucas oportunidades, pois faltou 'peso' na área... Com os minutos a passar, a confiança no adversário aumenta, a nossa capacidade de recuperar a bola alta diminui, e os contra-ataques vão-se tornando mais perigosos... Mesmo assim o Ederson raramente foi chamado a intervir.
Marcámos no arranque do 2.º tempo, numa excelente jogada do Danilo... mas pouco depois, num erro do Celis, o árbitro marca penalty contra o Benfica (por acaso o Ederson toca na bola... o contacto é posterior... Já agora, com as novas regras, neste tipo de lances, onde o defesa 'tenta' jogar a bola, nunca pode ser Vermelho!!!).

A partir daqui, o jogo ficou ainda mais perigoso... A falta de entrosamento era notória, e nem a entrada de alguns dos habituais titulares parecia 'resolver' a partida!
Até que, mais uma vez, no último dos descontos, o Luisão marca... e o jogo acaba!


Uma nota para a quantidade industrial de porrada que o Benfica levou!!! O Malheiro é um dos afilhados do 'desdentado'... hoje, passou a jogo a avisar os jogadores o 1.º Dezembro, que para a próxima levavam Amarelo... Houve jogadores que receberam 3 avisos!!!
O positivo deste jogo, foram os minutos do Danilo e do Zivkovic... acredito que vão acabar a época, como titulares.
O negativo continua a ser a atitude do Carrillo... Em relação ao Celis, quando foi anunciada a sua contratação, vi alguns minutos dum jogo na Copa América, e fiquei assustado... mas podia, ter sido um jogo mau! Infelizmente, está a confirmar que não é jogador para o Benfica... e não é por falta de atitude!!! Neste momento, o Pêpê (Pedro Rodrigues), já me dá melhores garantias do que o Celis... e até o Gilson!!!.

Na próxima Quarta-feira temos um jogo muito importante em Kiev, para mim é mesmo decisivo! E mesmo que alguns dos lesionados recuperem até Quarta (Jardel, Horta, Rafa, Samaris, Jiménez...), vão chegar obviamente com pouco ritmo, devido às longas paragens... Mais um quebra-cabeças para o Rui Vitória resolver!!!

O meu Benfica

"O Benfica vai a eleições e eu apoio e integro a Direcção presidida por Luís Filipe Vieira pelo quarto mandato consecutivo (dos cinco do presidente). Mas o meu apoio não é só pelo que foi feito e conquistado: estádio, pavilhões, piscinas, centro do Seixal, títulos no futebol de novo de acordo com o nosso palmarés e pergaminhos, títulos nas modalidades com um ecletismo vencedor que é real, não é panfletário.
Este fim de semana, quando via a final de futsal, dei comigo a pensar que o troféu em si não tinha valor transcendente, mas a presença numa Supertaça significa que se foi das duas melhores equipas na modalidade na última época. Pois bem, este início de época disputámos a Supertaça de futebol, basquetebol, voleibol, futsal, hóquei em patins e andebol. Percebem do que estou a falar? No topo em tudo e em todas. A ganhar em todas as modalidades. Como nunca ninguém conseguiu nem se aproximou. Era disto que eu tinha saudades e só por isto vale a pena continuar. Porque quando subiu a bandeira portuguesa ao mastro olímpico com Vanessa, o Nelson ou Telma era também de um projecto de apoio olímpico que vestia de vermelho e branco. Sei que não vamos ganhar sempre, nem vamos ganhar tudo, mas sei também que, hoje, vamos sempre lutar por vencer tudo, e por isso estamos muito perto de vencer muitas vezes. Esta obsessão da vitória, moldada por critérios de excelência, é o meu Benfica, o Benfica que me foi legado pelo meu avô e pelo meu pai,e aquele que alimenta o meu sonho dia a dia, só por ele vale a pena. Todos os dias o balanço me favorece - o que dou ao Benfica é muito menos do que o que o Benfica me dá a mim, a nós, a todos os benfiquistas que o sentimos assim, com esta limitada paixão.
Li que o Rui Cunha saiu do Benfica, mas é uma inverdade, o Rui Cunha é parte integrante e vitalícia do Benfica, e é com ele que vamos festejar juntos todos os muitos títulos de todas as modalidades, por muitos e bons anos.
Quero ganhar, mas é logo ao 1.º de Dezembro."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória contra os Carneiros !!!

Derby County 0 - 2 Benfica B
Joãozinho, Heri


Terceira participação da Premier League International Cup, iniciada com uma vitória convincente...!


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Contra factos...

"O Diário de Notícias publicou, no fim-de-semana passado, um artigo sobre a contagem de títulos nacionais de futebol. Para tal recorreu a historiadores que, como seria de esperar, desmentiram a tese revisionista, nascida no Lumiar, que procura simultaneamente sonegar as quatro primeiras edições do Campeonato Nacional, então denominado Campeonato da Liga (Benfica 3; FC Porto 1), e fazer do Campeonato de Portugal a prova precedente do Campeonato Nacional (Sporting 4; FC Porto 4; Benfica 3; Outros 6). No mesmo artigo é referido o silêncio da FPF relativamente ao assunto, escusando-se a esclarecer a situação.
Esta atitude é incompreensível, mas darei uma ajuda, recorrendo ao relatório da própria Federação Portuguesa de Futebol publicando em 1938: 'Por virtude da reforma a que se procedeu no Estatuto e Regulamentos da Federação, os Campeonatos das Ligas e de Portugal passaram a designar-se, respectivamente, Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal'.
Talvez avisados de que, passados quase 80 anos, haveria do futebol português, os redactores do relatório da FPF acerca do ano de 1938 repetiram, por outras palavras, o que escreveram no parágrafo anterior: 'O campeonato da 1.ª Liga passou a ser Campeonato Nacional 1.ª Divisão'.
Será esta prova documental suficiente para encerrar o assunto? Infelizmente, creio que não e nem sequer tentarei perceber as razões, pois não sou psiquiatra nem sequer investigador de métodos de manipulação de massas...

P.S. José Gomes fez uma bela exibição em Santos, só se lamentando a grande penalidade desperdiçada. Um dia há-de marcar, a alcunha 'Zé Golo' não surgiu por acaso."

João Tomaz, in O Benfica

Só coisas boas

"Um fim de semana de paragem no campeonato nacional de futebol pode ser uma coisa muito aborrecida. Principalmente para quem só pensa em futebol. Não é o meu caso. É certo que o SL Benfica jogou um particular no Brasil com o Santos FC, mas essa foi apenas mais uma prova do imenso prestígio do maior clube português. O homenageado foi Léo, mas poderiam ter sido Eusébio e Pelé. Ou simplesmente a arte do futebol. Foi bonito. Tão bonito como nenhum dos nossos jogadores se ter lesionado nessa partida nem nos encontros da selecção nacional.
Então, como eu dizia, sábado e domingo sem campeonato pode ser um problema se não tivermos um gosto eclético. Tendo uma paixão pelo clube e pelas muitas modalidades que o SL Benfica apresenta, tudo fica mais simples. Peguemos, por exemplo, no futsal. É uma das modalidades mais queridas dos portugueses, tem milhares de adeptos e dá azo a grande espectáculos nos pavilhões. Foi o que se passou no fim de semana passado, com a disputa nas duas Supertaças nacionais, em masculinos e femininos. Em ambos os casos, vitória do SL Benfica pela diferença mínima frente aos campeões em título. E num dels, perante um adversário ao nível do Glorioso, com um historial de peso na modalidade, um clube que apostou forte em grandes profissionais e que vive o desporto também como um viveiro de formação de seres humanos e atletas. Parabéns ao FC Vermoim pela excelente campanha no futsal feminino. Da partida masculina, o destaque vai inteirinho para o brasileiro Elisandro, que se estreou da melhor forma com a camisola vermelha: três golos e uma taça para o Museu Benfica - Cosme Damião. Limpinho!"

Ricardo Santos, in O Benfica

O nome é Gomes

"Para quem siga com atenção o futebol jovem do Benfica, não é certamente novidade o surgimento de José Gomes, aos 17 anos, no nosso plantel principal, com minutos e protagonismo.
Não sendo eu um observador muito regular dos jogos da formação, nem mesmo assim me escapou aquele miúdo, com movimentos felinos e fato pela baliza, que terei visto pela primeira vez aos seus 14 anos. Logo me impressionou. Desde então, a cada jogo que via das suas equipas (sub-15, Sub-17 ou Sub-19), rapidamente o procurava, seguindo todos os seus pormenores, arrancadas, movimentações, desmarcações e golos. Não era preciso ser especialista para perceber tratar-se de um talento raro. De um possível fora-de-série. Mais do que Renato Sanches, mais do que Bernardo Silva, foi José Gomes o jovem da 'cantera' do Seixal que mais cedo me saltou à vista. Talvez por ser ponta-de-lança - sendo essa a minha espécie predilecta no mundo do futebol.
Beneficiando das lesões de Jonas e Jiménez, chegou agora à equipa principal. Mas isso para ele não pode ser um ponto de chegada. É, sim, o ponto de partida.
Com a sua idade,e com todo um trabalho que ainda tem pela frente, dentro de uma década tanto poderá estar no Real Madrid como no Real Massamá. A diferença é muito ténue, e não faltam exemplos para o comprovar. O caminho é estreito, e qualquer desvio será fatal.
Depende dele, do seu trabalho, da sua humildade, do seu empenho em cada treino, dos cuidados a ter fora do campo, da sua vontade de aprender mais e mais, de melhorar todos os detalhes. Cada dia conta. Talento não lhe falta. Enquadramento também não.
A bola é tua, Zé."

Luís Fialho, in O Benfica

Quantas estradas deve um homem...

"O futebol sempre teve o condão de despertar paixões, levando a que a emoção se sobreponha à razão. Mas para tudo há um tempo e um modo. E há ma medida certa que, se ultrapassada, torna o belo em feio, o puro em impuro. A verdade é que, na interdependência da vida em sociedade, «ninguém é livre. Até os pássaros estão presos ao céu».
Ontem, Luís Filipe Vieira, um líder que em muitas ocasiões se guia pela frase «se você precisa de alguém para confiar, confie em você mesmo» apresentou a equipa que vai acompanhá-lo no próximo mandato à frente do Benfica. Ao longo dos últimos 13 anos, Vieira conseguiu levar à prática a ideia de que «a melhor coisa que você pode fazer por uma pessoa é inspirá-la», criando a vaga de fundo que devolveu o clube fundado por Cosme Damião ao topo do desporto nacional.
Desde que é presidente, Luís Filipe Vieira foi capaz de aceitar que «a felicidade não está na estrada que leva a algum lugar. A felicidade é a própria estrada», e foi por isso que se empenhou com insuperável militância na transformação do emblema encarnado, que recebeu ainda ferido pela terra queimada de Vale e Azevedo.
Quando chegou, o líder benfiquista podia pensar que «quando não se tem nada, não há nada a perder». Hoje, as coisas são diferentes. O Benfica é tricampeão, tem o Seixal em laboração de qualidade e joga, em todas as modalidades, para o título. Por isso precisa de procurar as melhores respostas para os novos desafios. E estas, provavelmente «estão a soprar no vento...»

PS - A negro, excertos da obra poética de Bob Dylan, novo Prémio Nobel da Literatura."

José Manuel Delgado, in A Bola

Permitam-me discordar

"Há tempos cruzei-me com uma história curiosa de um cronista brasileiro. Dizia ele que, numa conversa corrente, um amigo lhe dava conta detalhadamente de um crime qualquer.
«O mundo está cada vez mais violento», sentenciava.
O cronista discordava.
«Já leste sobre as crueldades da Idade Média? Já estiveste em Auschwitz? O mundo nunca foi tão pouco violento como agora. O homem é que nunca esteve tão bem informado.»
No fundo, caríssimos, é isto: depende tudo da perspectiva. Para quem não esteve numa Gulag e só viveu neste nosso tempo, é fácil pensar que isto agora está muito mau.
Mesmo que já tenha estado bem pior.
Ora vem esta conversa a propósito do futebol português e de uma perspectiva optimista.
O sucesso do último verão, com títulos europeus e finais de competições internacionais, encheu o peito do futebol nacional de orgulho: os protagonistas do jogo estão cada vez mais empertigados e altivos, quase, quase deixando escapar uma certa arrogânciazinha.
Tornou-se banal ouvir treinadores, dirigentes e até comentadores puxar dos galões para perguntar em que actividade é que Portugal tem um sucesso semelhante? Ou para dizer que só no futebol é que o nosso país consegue estar entre os melhores do mundo.
Nesta altura peço licença para dizer: permitam-me discordar.
Mas antes disso deixem-me só contar outra história. Tenho um amigo francês que vem a Portugal com regularidade. Gosta de futebol, é adepto do PSG, pensa mudar-se para cá e recusa ter um clube português porque só consegue gostar do Paris, como lhe chama.
É no fundo um tipo como nós.
No início do último verão veio a Lisboa com outros amigos franceses. Como sempre a conversa foi parar ao futebol e ele sentiu-se na obrigação de avisar os compatriotas.
«Há algo que têm de saber: em Portugal o futebol é a coisa mais importante do mundo.»
Nessa altura dei comigo a pensar que sim, que aquele francês não andava longe da verdade. Damos uma importância ao jogo que provavelmente não damos a mais coisa nenhuma e gostamos de citar pelo menos duas vezes ao dia o inglês Bill Shankly: que o futebol não era uma questão de vida ou de morte, é mais importante do que isso.
Não seguimos, certamente, mais nenhum fenómeno com tanta atenção, não nos irritamos tanto com mais coisa nenhuma, nem nos desgastamos assim com mais nada. Também nada nos tira do sério com tanta facilidade como o futebol: para o bem ou para o mal.
Quantas vezes não condicionamos a nossa vida porque dá este jogo ou aquele programa?
Para nós o futebol é realmente o elemento mais importante do mundo. E é, nesse sentido, injusto compará-lo com qualquer outra coisa.
Quando alguém perguntar em que outra actividade o país tem tanto sucesso internacional, o melhor é responder que faz sentido que seja assim: é no fundo um nexo de causalidade. Afinal de contas, a que outra actividade o país dedica tanto tempo, entusiasmo e carinho?
Por isso, lá está, permitam-me discordar: essa perspectiva está distorcida. Porque a nenhuma outra actividade Portugal dedica tanto de si."

Benfiquismo (CCXLIX)

Um Alverca 0 - 2 Benfica
... para a Taça de Portugal,
em 1985

Eu vou votar em Luís Filipe Vieira

"Sou do Benfica e isso me envaidece. Por isso, vou continuar a querer que o Benfica ganhe sempre e que os nossos rivais percam...

Eu vou votar em Luís Filipe Vieira. Porque nunca, quis concorrer contra ele, ... nunca, sequer, anunciei essa disponibilidade, em tempo algum, ... nunca concorri contra ele, ... e - a não ser que queira que o Benfica jogue de azul ou verde... ou coisa parecida - nunca concorrerei contra ele.
Ele vai continuar Presidente do Benfica, como o é há 13 anos, e eu vou continuar sócio do Benfica, como sou desde que nasci, em 23 de Agosto de 1958, ... há 58 anos.
Como fui até 3 de Julho de 2009, vendo todos os jogos em casa e muitos fora...
Não consigo estar sem ser!
Empenhado e a dar a cara!
Sem medo de dar o peito às bolas, porque como ouvi dizer, ... «se não tens coragem, não adianta ter vontade!»
Há quem consiga estar por estar!
Eu não!
Como não consigo ser como outros, ... eternos defensores de convicções alheias.
Sei da especulação que por ái vai andar, como medito em tudo o que leio (achei tanta graça a um artigo de um tal Redmoon, no 'Novo Geração Benfica')!
Mas, como quem andou na política 30 anos (embora nunca a tenha frequentado, enquanto fui Vice Presidente do Benfica, não me aproveitando, por isso, dessa visibilidade para outros fins), tenho sempre presente uma grande verdade:
«Saber estar a romper a tempo, correr os riscos de adesão e da renúncia, eis a política que vale a pena» (Francisco Sá Carneiro).
E, recorrendo - mais uma vez - ao conforto de outra citação, ainda e também de Francisco Sá Carneiro, nunca me importei de pode dizer:
«Nunca estive tão sozinho e nunca tive tanta certeza de ter razão».
O que nem sequer é o caso, ... e a vida dá tantas voltas...
Sei que nos Dragões Diário, no Comunicação SCP, nas casas de alguns comentadores e até em casas onde era pressuposto isso não acontecer, pelo cartão de sócio que exibem (o que é diferente de ser...), se abrirão garrafas de champanhe.
Mas, porque sou do Benfica, ... e isso me envaidece, ... vou continuar a querer que o Benfica ganhe e eles - os meus e nossos rivais e adversários de sempre - percam.
Mais, se poddível, do que quando por lá andava.
Começando, já, pela concretização do Rumo ao 36!
Porque, nós, os sócios, queremos, e o Presidente, que vai continuar, merece!
Podendo contar comigo para as lutas que valem a pena!
Sem ter lugares, porque só quem não tem convicções precisa de lugares por se bater por aquilo em que acredita!
Como lhe disse, na terça feira passada, numa conversa a sós, que não vou esquecer (e que acabou com um abraço a um grande amigo que, passados estes sete anos, deixo, na Presidência do Sport Lisboa e Benfica)!
O tempo tudo resolve!
E hei-de comemorar o terceiro título de Campeão Europeu do Benfica, daqui a poucos anos, com outro grande abraço, no estádio onde isso se concretizar, a Luís Filipe Vieira!
Ou, porque e como diria Mário Wilson... «O valor ais alto que se levanta chama-se Benfica»."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Dos campeonatos

"Em disputa estava a Taça das caraíbas - e por estranho capricho decerto se colocou no regulamento:
- Jogo ganho no prolongamento através do golo de ouro deve ser qualificado como vitória por 2-0, independentemente do resultado com que ele fechar...
Barbados tinha de vencer Granada por pelo menos dois golos, de outro modo finalista seria Granada. Estava a ganhar por 2-0 - e, aos 87 minutos, Granada reduziu para 2-1. Presumindo que, em três minutos, mais fácil do que ir em busca do 3-1 seria procurar o golo de ouro no prolongamento  - um jogador de Barbados fez, o golo na própria baliza que pôs o placard em 2-2. Claro, logo se percebeu também - que ainda havia outra hipótese. Que se Granada fizesse autogolo - perdendo por 3-2, não lhe escaparia a final de pronto. O que aconteceu, pois? Dois emocionantes minutos em que os 11 jogadores de Barbados se puseram dentro da baliza de Granada a evitarem, em afã, que um granadino pusesse, sorrateiro ou não, a bola na sua própria baliza. Conseguiram-no - e, no prolongamento, também conseguiram o golo de ouro que levou Barbados à final - e, na final, à conquista da Taça.
O caso virou exemplo de como a «esperteza criativa» (sem que o carácter importe...) pode dar a volta à realidade - no futebol ou na vida. Ao ouvir Bruno de Carvalho afirmar que o Sporting não foi 18 vezes campeão nacional, foi 22 (esses quatro seriam os Campeonatos de Portugal de 1922/23, 33/34, 35/36 e 37/38) alguém me diz que é mais uma forma muito dele de «esperteza criativa» - e eu acho que não, que é um absurdo. Ou, então pior: o topete de quem não sabe (ou não quer saber...) que o Campeonato de Portugal (que nunca se fez em poule, sempre se fez a eliminar...) passou em 1938/39 a Taça de Portugal - ano em que o Campeonato da I Liga, mudando-se-lhe a denominação, passou a Campeonato Nacional da I Divisão (andando, depois, por outras denominadas, sem nunca deixar de ser o que é: o campeonato, o único que dá campeões...).

António Simões, in A Bola

Ética e exemplariedade

"Há muito desporto para além do futebol. E deveria haver sempre mais ética para além dos resultados. Se em muitas modalidades tem  havido uma assinalável e irrepreensível atitude de atletas e dirigentes, o futebol tem potenciado, por excesso, balbúrdia e violência verbal. Programas televisivos há que têm contribuído para esta degradante evolução, numa guerra de audiências onde vence a vozearia, a má-educação, a insinuação e a transformação de um qualquer jogo numa guerra.
Promover o sentido ético do futebol não rende, num tempo em que a turba quer contenda e sangue. Atenção, porém: está-se no limiar de consequências imprevisíveis, seguramente com a culpa a morrer solteira.
Sobre ética, há, todavia, uma boa notícia que merece ser enfatizada. Há dias, o Instituto Português do Desporto e Juventude, através do Dr. José Carlos Lima, coordenador do Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED), recebeu em Viena o Prémio Fair-Play SPIRIT Award 2016, atribuído pelo European Fair Play Movement (que representa 42 países).
Foi uma atribuição muito honrosa e responsabilizadora de um trabalho persistente, pedagógico, solidário, estimulante e de despertar de consciência. Já aqui falei, há tempos, na feliz ideia do cartão branco, inédito na Europa. Sei que o PNED vai também avançar com a bandeira da ética como certificação dos clubes sobre boas práticas a nível do fairplay.
Muito mais haveria a dizer sobre o significado deste reconhecimento exemplar. E bom será que o PNED não seja apenas notícia de brevíssimos rodapés ou mesmo não notícia. Consulte-se o sítio www. pned.pt e, talvez, o leitor tenha uma boa e edificante surpresa."

Bagão Félix, in A Bola

Lanças...