Últimas indefectivações

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Contra factos...

"O Diário de Notícias publicou, no fim-de-semana passado, um artigo sobre a contagem de títulos nacionais de futebol. Para tal recorreu a historiadores que, como seria de esperar, desmentiram a tese revisionista, nascida no Lumiar, que procura simultaneamente sonegar as quatro primeiras edições do Campeonato Nacional, então denominado Campeonato da Liga (Benfica 3; FC Porto 1), e fazer do Campeonato de Portugal a prova precedente do Campeonato Nacional (Sporting 4; FC Porto 4; Benfica 3; Outros 6). No mesmo artigo é referido o silêncio da FPF relativamente ao assunto, escusando-se a esclarecer a situação.
Esta atitude é incompreensível, mas darei uma ajuda, recorrendo ao relatório da própria Federação Portuguesa de Futebol publicando em 1938: 'Por virtude da reforma a que se procedeu no Estatuto e Regulamentos da Federação, os Campeonatos das Ligas e de Portugal passaram a designar-se, respectivamente, Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal'.
Talvez avisados de que, passados quase 80 anos, haveria do futebol português, os redactores do relatório da FPF acerca do ano de 1938 repetiram, por outras palavras, o que escreveram no parágrafo anterior: 'O campeonato da 1.ª Liga passou a ser Campeonato Nacional 1.ª Divisão'.
Será esta prova documental suficiente para encerrar o assunto? Infelizmente, creio que não e nem sequer tentarei perceber as razões, pois não sou psiquiatra nem sequer investigador de métodos de manipulação de massas...

P.S. José Gomes fez uma bela exibição em Santos, só se lamentando a grande penalidade desperdiçada. Um dia há-de marcar, a alcunha 'Zé Golo' não surgiu por acaso."

João Tomaz, in O Benfica

Só coisas boas

"Um fim de semana de paragem no campeonato nacional de futebol pode ser uma coisa muito aborrecida. Principalmente para quem só pensa em futebol. Não é o meu caso. É certo que o SL Benfica jogou um particular no Brasil com o Santos FC, mas essa foi apenas mais uma prova do imenso prestígio do maior clube português. O homenageado foi Léo, mas poderiam ter sido Eusébio e Pelé. Ou simplesmente a arte do futebol. Foi bonito. Tão bonito como nenhum dos nossos jogadores se ter lesionado nessa partida nem nos encontros da selecção nacional.
Então, como eu dizia, sábado e domingo sem campeonato pode ser um problema se não tivermos um gosto eclético. Tendo uma paixão pelo clube e pelas muitas modalidades que o SL Benfica apresenta, tudo fica mais simples. Peguemos, por exemplo, no futsal. É uma das modalidades mais queridas dos portugueses, tem milhares de adeptos e dá azo a grande espectáculos nos pavilhões. Foi o que se passou no fim de semana passado, com a disputa nas duas Supertaças nacionais, em masculinos e femininos. Em ambos os casos, vitória do SL Benfica pela diferença mínima frente aos campeões em título. E num dels, perante um adversário ao nível do Glorioso, com um historial de peso na modalidade, um clube que apostou forte em grandes profissionais e que vive o desporto também como um viveiro de formação de seres humanos e atletas. Parabéns ao FC Vermoim pela excelente campanha no futsal feminino. Da partida masculina, o destaque vai inteirinho para o brasileiro Elisandro, que se estreou da melhor forma com a camisola vermelha: três golos e uma taça para o Museu Benfica - Cosme Damião. Limpinho!"

Ricardo Santos, in O Benfica

O nome é Gomes

"Para quem siga com atenção o futebol jovem do Benfica, não é certamente novidade o surgimento de José Gomes, aos 17 anos, no nosso plantel principal, com minutos e protagonismo.
Não sendo eu um observador muito regular dos jogos da formação, nem mesmo assim me escapou aquele miúdo, com movimentos felinos e fato pela baliza, que terei visto pela primeira vez aos seus 14 anos. Logo me impressionou. Desde então, a cada jogo que via das suas equipas (sub-15, Sub-17 ou Sub-19), rapidamente o procurava, seguindo todos os seus pormenores, arrancadas, movimentações, desmarcações e golos. Não era preciso ser especialista para perceber tratar-se de um talento raro. De um possível fora-de-série. Mais do que Renato Sanches, mais do que Bernardo Silva, foi José Gomes o jovem da 'cantera' do Seixal que mais cedo me saltou à vista. Talvez por ser ponta-de-lança - sendo essa a minha espécie predilecta no mundo do futebol.
Beneficiando das lesões de Jonas e Jiménez, chegou agora à equipa principal. Mas isso para ele não pode ser um ponto de chegada. É, sim, o ponto de partida.
Com a sua idade,e com todo um trabalho que ainda tem pela frente, dentro de uma década tanto poderá estar no Real Madrid como no Real Massamá. A diferença é muito ténue, e não faltam exemplos para o comprovar. O caminho é estreito, e qualquer desvio será fatal.
Depende dele, do seu trabalho, da sua humildade, do seu empenho em cada treino, dos cuidados a ter fora do campo, da sua vontade de aprender mais e mais, de melhorar todos os detalhes. Cada dia conta. Talento não lhe falta. Enquadramento também não.
A bola é tua, Zé."

Luís Fialho, in O Benfica

Quantas estradas deve um homem...

"O futebol sempre teve o condão de despertar paixões, levando a que a emoção se sobreponha à razão. Mas para tudo há um tempo e um modo. E há ma medida certa que, se ultrapassada, torna o belo em feio, o puro em impuro. A verdade é que, na interdependência da vida em sociedade, «ninguém é livre. Até os pássaros estão presos ao céu».
Ontem, Luís Filipe Vieira, um líder que em muitas ocasiões se guia pela frase «se você precisa de alguém para confiar, confie em você mesmo» apresentou a equipa que vai acompanhá-lo no próximo mandato à frente do Benfica. Ao longo dos últimos 13 anos, Vieira conseguiu levar à prática a ideia de que «a melhor coisa que você pode fazer por uma pessoa é inspirá-la», criando a vaga de fundo que devolveu o clube fundado por Cosme Damião ao topo do desporto nacional.
Desde que é presidente, Luís Filipe Vieira foi capaz de aceitar que «a felicidade não está na estrada que leva a algum lugar. A felicidade é a própria estrada», e foi por isso que se empenhou com insuperável militância na transformação do emblema encarnado, que recebeu ainda ferido pela terra queimada de Vale e Azevedo.
Quando chegou, o líder benfiquista podia pensar que «quando não se tem nada, não há nada a perder». Hoje, as coisas são diferentes. O Benfica é tricampeão, tem o Seixal em laboração de qualidade e joga, em todas as modalidades, para o título. Por isso precisa de procurar as melhores respostas para os novos desafios. E estas, provavelmente «estão a soprar no vento...»

PS - A negro, excertos da obra poética de Bob Dylan, novo Prémio Nobel da Literatura."

José Manuel Delgado, in A Bola

Permitam-me discordar

"Há tempos cruzei-me com uma história curiosa de um cronista brasileiro. Dizia ele que, numa conversa corrente, um amigo lhe dava conta detalhadamente de um crime qualquer.
«O mundo está cada vez mais violento», sentenciava.
O cronista discordava.
«Já leste sobre as crueldades da Idade Média? Já estiveste em Auschwitz? O mundo nunca foi tão pouco violento como agora. O homem é que nunca esteve tão bem informado.»
No fundo, caríssimos, é isto: depende tudo da perspectiva. Para quem não esteve numa Gulag e só viveu neste nosso tempo, é fácil pensar que isto agora está muito mau.
Mesmo que já tenha estado bem pior.
Ora vem esta conversa a propósito do futebol português e de uma perspectiva optimista.
O sucesso do último verão, com títulos europeus e finais de competições internacionais, encheu o peito do futebol nacional de orgulho: os protagonistas do jogo estão cada vez mais empertigados e altivos, quase, quase deixando escapar uma certa arrogânciazinha.
Tornou-se banal ouvir treinadores, dirigentes e até comentadores puxar dos galões para perguntar em que actividade é que Portugal tem um sucesso semelhante? Ou para dizer que só no futebol é que o nosso país consegue estar entre os melhores do mundo.
Nesta altura peço licença para dizer: permitam-me discordar.
Mas antes disso deixem-me só contar outra história. Tenho um amigo francês que vem a Portugal com regularidade. Gosta de futebol, é adepto do PSG, pensa mudar-se para cá e recusa ter um clube português porque só consegue gostar do Paris, como lhe chama.
É no fundo um tipo como nós.
No início do último verão veio a Lisboa com outros amigos franceses. Como sempre a conversa foi parar ao futebol e ele sentiu-se na obrigação de avisar os compatriotas.
«Há algo que têm de saber: em Portugal o futebol é a coisa mais importante do mundo.»
Nessa altura dei comigo a pensar que sim, que aquele francês não andava longe da verdade. Damos uma importância ao jogo que provavelmente não damos a mais coisa nenhuma e gostamos de citar pelo menos duas vezes ao dia o inglês Bill Shankly: que o futebol não era uma questão de vida ou de morte, é mais importante do que isso.
Não seguimos, certamente, mais nenhum fenómeno com tanta atenção, não nos irritamos tanto com mais coisa nenhuma, nem nos desgastamos assim com mais nada. Também nada nos tira do sério com tanta facilidade como o futebol: para o bem ou para o mal.
Quantas vezes não condicionamos a nossa vida porque dá este jogo ou aquele programa?
Para nós o futebol é realmente o elemento mais importante do mundo. E é, nesse sentido, injusto compará-lo com qualquer outra coisa.
Quando alguém perguntar em que outra actividade o país tem tanto sucesso internacional, o melhor é responder que faz sentido que seja assim: é no fundo um nexo de causalidade. Afinal de contas, a que outra actividade o país dedica tanto tempo, entusiasmo e carinho?
Por isso, lá está, permitam-me discordar: essa perspectiva está distorcida. Porque a nenhuma outra actividade Portugal dedica tanto de si."

Benfiquismo (CCXLIX)

Um Alverca 0 - 2 Benfica
... para a Taça de Portugal,
em 1985

Eu vou votar em Luís Filipe Vieira

"Sou do Benfica e isso me envaidece. Por isso, vou continuar a querer que o Benfica ganhe sempre e que os nossos rivais percam...

Eu vou votar em Luís Filipe Vieira. Porque nunca, quis concorrer contra ele, ... nunca, sequer, anunciei essa disponibilidade, em tempo algum, ... nunca concorri contra ele, ... e - a não ser que queira que o Benfica jogue de azul ou verde... ou coisa parecida - nunca concorrerei contra ele.
Ele vai continuar Presidente do Benfica, como o é há 13 anos, e eu vou continuar sócio do Benfica, como sou desde que nasci, em 23 de Agosto de 1958, ... há 58 anos.
Como fui até 3 de Julho de 2009, vendo todos os jogos em casa e muitos fora...
Não consigo estar sem ser!
Empenhado e a dar a cara!
Sem medo de dar o peito às bolas, porque como ouvi dizer, ... «se não tens coragem, não adianta ter vontade!»
Há quem consiga estar por estar!
Eu não!
Como não consigo ser como outros, ... eternos defensores de convicções alheias.
Sei da especulação que por ái vai andar, como medito em tudo o que leio (achei tanta graça a um artigo de um tal Redmoon, no 'Novo Geração Benfica')!
Mas, como quem andou na política 30 anos (embora nunca a tenha frequentado, enquanto fui Vice Presidente do Benfica, não me aproveitando, por isso, dessa visibilidade para outros fins), tenho sempre presente uma grande verdade:
«Saber estar a romper a tempo, correr os riscos de adesão e da renúncia, eis a política que vale a pena» (Francisco Sá Carneiro).
E, recorrendo - mais uma vez - ao conforto de outra citação, ainda e também de Francisco Sá Carneiro, nunca me importei de pode dizer:
«Nunca estive tão sozinho e nunca tive tanta certeza de ter razão».
O que nem sequer é o caso, ... e a vida dá tantas voltas...
Sei que nos Dragões Diário, no Comunicação SCP, nas casas de alguns comentadores e até em casas onde era pressuposto isso não acontecer, pelo cartão de sócio que exibem (o que é diferente de ser...), se abrirão garrafas de champanhe.
Mas, porque sou do Benfica, ... e isso me envaidece, ... vou continuar a querer que o Benfica ganhe e eles - os meus e nossos rivais e adversários de sempre - percam.
Mais, se poddível, do que quando por lá andava.
Começando, já, pela concretização do Rumo ao 36!
Porque, nós, os sócios, queremos, e o Presidente, que vai continuar, merece!
Podendo contar comigo para as lutas que valem a pena!
Sem ter lugares, porque só quem não tem convicções precisa de lugares por se bater por aquilo em que acredita!
Como lhe disse, na terça feira passada, numa conversa a sós, que não vou esquecer (e que acabou com um abraço a um grande amigo que, passados estes sete anos, deixo, na Presidência do Sport Lisboa e Benfica)!
O tempo tudo resolve!
E hei-de comemorar o terceiro título de Campeão Europeu do Benfica, daqui a poucos anos, com outro grande abraço, no estádio onde isso se concretizar, a Luís Filipe Vieira!
Ou, porque e como diria Mário Wilson... «O valor ais alto que se levanta chama-se Benfica»."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Dos campeonatos

"Em disputa estava a Taça das caraíbas - e por estranho capricho decerto se colocou no regulamento:
- Jogo ganho no prolongamento através do golo de ouro deve ser qualificado como vitória por 2-0, independentemente do resultado com que ele fechar...
Barbados tinha de vencer Granada por pelo menos dois golos, de outro modo finalista seria Granada. Estava a ganhar por 2-0 - e, aos 87 minutos, Granada reduziu para 2-1. Presumindo que, em três minutos, mais fácil do que ir em busca do 3-1 seria procurar o golo de ouro no prolongamento  - um jogador de Barbados fez, o golo na própria baliza que pôs o placard em 2-2. Claro, logo se percebeu também - que ainda havia outra hipótese. Que se Granada fizesse autogolo - perdendo por 3-2, não lhe escaparia a final de pronto. O que aconteceu, pois? Dois emocionantes minutos em que os 11 jogadores de Barbados se puseram dentro da baliza de Granada a evitarem, em afã, que um granadino pusesse, sorrateiro ou não, a bola na sua própria baliza. Conseguiram-no - e, no prolongamento, também conseguiram o golo de ouro que levou Barbados à final - e, na final, à conquista da Taça.
O caso virou exemplo de como a «esperteza criativa» (sem que o carácter importe...) pode dar a volta à realidade - no futebol ou na vida. Ao ouvir Bruno de Carvalho afirmar que o Sporting não foi 18 vezes campeão nacional, foi 22 (esses quatro seriam os Campeonatos de Portugal de 1922/23, 33/34, 35/36 e 37/38) alguém me diz que é mais uma forma muito dele de «esperteza criativa» - e eu acho que não, que é um absurdo. Ou, então pior: o topete de quem não sabe (ou não quer saber...) que o Campeonato de Portugal (que nunca se fez em poule, sempre se fez a eliminar...) passou em 1938/39 a Taça de Portugal - ano em que o Campeonato da I Liga, mudando-se-lhe a denominação, passou a Campeonato Nacional da I Divisão (andando, depois, por outras denominadas, sem nunca deixar de ser o que é: o campeonato, o único que dá campeões...).

António Simões, in A Bola

Ética e exemplariedade

"Há muito desporto para além do futebol. E deveria haver sempre mais ética para além dos resultados. Se em muitas modalidades tem  havido uma assinalável e irrepreensível atitude de atletas e dirigentes, o futebol tem potenciado, por excesso, balbúrdia e violência verbal. Programas televisivos há que têm contribuído para esta degradante evolução, numa guerra de audiências onde vence a vozearia, a má-educação, a insinuação e a transformação de um qualquer jogo numa guerra.
Promover o sentido ético do futebol não rende, num tempo em que a turba quer contenda e sangue. Atenção, porém: está-se no limiar de consequências imprevisíveis, seguramente com a culpa a morrer solteira.
Sobre ética, há, todavia, uma boa notícia que merece ser enfatizada. Há dias, o Instituto Português do Desporto e Juventude, através do Dr. José Carlos Lima, coordenador do Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED), recebeu em Viena o Prémio Fair-Play SPIRIT Award 2016, atribuído pelo European Fair Play Movement (que representa 42 países).
Foi uma atribuição muito honrosa e responsabilizadora de um trabalho persistente, pedagógico, solidário, estimulante e de despertar de consciência. Já aqui falei, há tempos, na feliz ideia do cartão branco, inédito na Europa. Sei que o PNED vai também avançar com a bandeira da ética como certificação dos clubes sobre boas práticas a nível do fairplay.
Muito mais haveria a dizer sobre o significado deste reconhecimento exemplar. E bom será que o PNED não seja apenas notícia de brevíssimos rodapés ou mesmo não notícia. Consulte-se o sítio www. pned.pt e, talvez, o leitor tenha uma boa e edificante surpresa."

Bagão Félix, in A Bola

Lanças...

Rubén Dias...

André Horta...

Grimaldo vs. Salvio

Nem sépia torna bonito o futebol do Facebook

"Diz-se que a vida das pessoas é muito melhor no Facebook do que fora dele. Se assim for, é precisamente o contrário do futebol.
O futebol do Facebook é mil vezes pior do que o futebol a sério. Não se safa nem com filtro sépia. Ninguém que goste do futebol a sério dá um gosto ao futebol do Facebook. Quanto muito, escolhe aquele bonequinho com a boca aberta. Seja de espanto ou de horror.
Se as pessoas, muitas vezes, maquilham no Facebook os problemas da vida lá fora, o futebol cá de fora deveria maquilhar no terreno os problemas do futebol do Facebook. Mas nem sempre consegue. 
Ainda recentemente passaram-se horas em horário nobre a discutir o que vinha numa página desta rede social. E o tudo inclui a mensagem, a forma, os critérios que podem levar a mesma a excluí-la, o potencial interesse dos autores e acabando no autor em si, que, como se sabe, nunca saiu do campo da suposição.
Da minha parte, peço desculpa, mas o futebol do Facebook pouco (ou nenhum) interesse me desperta.
Na verdade, não peço desculpa. E explico porquê.
Não me lembro de uma jogada de génio do futebol no Facebook. De um corte limpo. De uma saída a jogar perfeita. De um remate ao ângulo. De uma defesa impossível que afinal não o é.
Não me parece que haja um único miúdo na rua que, antes de começar a jogar e enquanto coloca as pedras que fazem de baliza, diga que quer ser aquele senhor que escreveu aquele comunicado brilhante com farpas certeiras no rival ou o outro que respondeu à letra ao roubo descarado de que está a ser alvo. Normalmente querem ser Jonas, Adrien ou André Silva.
O futebol do Facebook nunca me arrancou um arrepio. Uma emoção, sequer. É um monte de letras, escritas a ódio, seja qual for a cor da caneta.
É por isso que não compreendo como o rescaldo pareça despertar ainda mais interesse do que o futebol a sério. Como não entendo que um senhor de gravata possa ser o maior destaque desportivo num jornal. Ou como não entendo que o adepto que cresceu a idolatrar os artistas da relva perca agora tempo com os da secretaria. E já sabem que artista é das palavras portuguesas com duplo sentido, não é?
Juntar 22 jogadores num relvado começa a aparentar ser apenas um pormenor no bolo em que se transformou o futebol português. Um pretexto para que políticos da bola, expressão que acabo de cunhar, tenham espaço para medir intenções, históricos, perspectivas, ângulos de visão, comunicados, número de adeptos, malas, vouchers, apitos. O que for.
Desde que não seja futebol a sério.
Porque no futebol do Facebook há espaço para tudo menos para a estreia do Gelson na selecção, para os hat-tricks do Diogo Jota e do André Silva ou para o crescimento de Grimaldo. É outro futebol. Outro desporto.
Há coisas que nem o golo do Eder consegue mudar."

Guardiola, partidário radical da nossa causa

"O processo está em andamento, imparável. O mundo junta-se a esta causa, as Chuteiras Pretas sacodem a poeira, são engraxadas e voltam a brilhar.
Não há coincidências. Depois de dois números desta rubrica, Pep Guardiola percebeu que não está sozinho. Idealista, sonhador, quiçá o derradeiro moicano do futebol romantizado, o espanhol terá lido o espaço Chuteiras Petras e ganho coragem para tomar uma decisão drástica. E definitiva.
A partir de agora, sentenciou Pep, nenhum jogador das camadas jovens do Manchester City está autorizado a calçar botas coloridas.
O mantra imposto pelo mais fiel seguidor de Johan Cruijff é simples e encontra eco neste cantinho do Maisfutebol: na busca pela excelência desportiva, os jovens executantes devem concentrar-se no futebol e banir todos os adereços potencialmente desviantes.
A notícia foi publicada pelo Manchester Evening News, jornal de forte influência na região, e acolhida com agrado de forma unânime. Para onde Pep vai, vão também as suas ideias. De jogo, naturalmente, mas não só.
Guardiola tem o condão de acreditar no que defende. E de passar com clareza as suas mensagens ao grupo que comanda. Isso é particularmente evidente nesta transição de Munique para Manchester.
Em poucas semanas, o treinador espanhol tinha absoluto controlo sobre o comportamento da equipa. Um ventríloquo, um mestre na arte de manusear marionetas. O que Pep decide, a equipa faz.
Ser um bom treinador é isto. Acreditar num código, levar o plantel a agarrar essas ideias e a partir daí manuseá-lo com arte e rigor. Se nesse código estiver previsto um futebol atraente, ainda melhor.
E, sim, é muito mais difícil trabalhar uma equipa para ser forte na posse de bola, no passe curto, na movimentação constante, do que organizar 11 homens competentes no processo defensivo e nas saídas rápidas para o ataque. Isso até uma boa equipa dos distritais consegue ensaiar em dois treinos semanais.
Pep Guardiola, o melhor treinador do mundo, gosta de Chuteiras Pretas e percebe tudo o que isso significa dentro do complexo laboratório que é um clube profissional de futebol.
É infalível? Felizmente, a modalidade não contempla essa palavra.

PS: Pedrinho (Paços Ferreira), um soldado de botas pretas De duas em duas semanas, este espaço destacará um futebolista profissional que resista ao avanço do mau gosto na escolha das chuteiras. 
Depois de Rafael Assis (D. Chaves), hoje é a vez de elogiar Pedrinho, talentoso médio contratado pelo Paços Ferreira ao Freamunde. Aí está ele, de Chuteiras Pretas na imagem que se segue, descoberto por dois jornalistas do Maisfutebol (Sara Marques e Adérito Esteves) em diferentes estádios da nossa Liga.
Parabéns, Pedrinho!"

Guardiola proíbe internet no Manchester City

"No início desta semana surgiu uma notícia, no mínimo, curiosa, na imprensa internacional. Pep Guardiola, com o intuito de reforçar a comunicação "frente-a-frente" e o espírito de equipa, lançou um conjunto de medidas para promover maior aproximação entre os seus atletas e, para isso, solicitou que em determinadas áreas específicas do clube fosse bloqueado o acesso à internet.
Na realidade, se pararmos um pouco para analisar, a actual população de atletas pertence àquilo que alguns autores (ex: Strauss & Hove, 2000) designam como Geração Milénio. A maioria dos investigadores e demógrafos, identifica esta geração a partir do ano de nascimento de 1980 até 2000 e, por esta razão, uma elevadíssima percentagem dos grandes nomes do desporto, pertencem efectivamente a esta geração.
Sabendo antecipadamente que o desenvolvimento de um atleta não ocorre da mesma forma que um individuo não atleta - muitos autores consideram os atletas mais evoluídos do ponto de vista de competências como resistência à frustração, motivação, capacidade de sacrifício, tomada de decisão, entre outras... Contudo, inversamente menos hábeis em competências sociais ou maturidade emocional - ainda assim, naturalmente que, estando expostos aos mesmos estímulos que outros indivíduos também nascidos dentro desta "geração milénio", acabam por partilhar com eles muitas características.
A propósito deste artigo, iremos debruçar-nos apenas sobre alguns traços desta "geração milénio".
Na realidade, estamos perante uma geração que, comparativamente a todas as outras, mais acesso teve à educação (algo que facilmente se observa quando se anda no terreno, pois enquanto que há mais ou menos 20 anos, e a título de mero exemplo, um atleta no seu último ano de juniores em futebol, se tivesse o 9.º ano de escolaridade seria já um caso de sucesso - hoje em dia, estão muitas vezes a acabar o 12.º ano e a entrar para a Universidade), logo, é mais diferenciada cognitivamente e que, tendo nascido na “era digital”, é claramente mais evoluída em termos tecnológicos, fundamentando, muitas vezes, as suas relações, com recurso a este tipo de ferramentas.
Facebook, Instagram e outros acabam por substituir as histórias que se contam horas a fio numa mesa de café... Messenger, Whatsapp e outros substituem um telefonema ou um encontro pontual para “saber das novidades”.
São, por isso, a geração mais digitalmente conectada mas, curiosamente, também a que se encontra, muitas vezes, emocionalmente menos habilitada e mais isolada.
Ferramentas digitais criam uma “realidade virtual” de que temos muitos “amigos”/conhecidos mas, lentamente (e naturalmente) vão delapidando a nossa confiança em saber estar com o outro e em criar relações de entre-ajuda, cooperação e confiança no outro e, mais grave ainda, vão comprometendo, acima de tudo, a nossa capacidade de Empatizar, atendendo a que as relações se vão estabelecendo com um “espelho” que é um qualquer “ecrã” e não o rosto de uma pessoa.
Ou seja, QI (inteligência cognitiva) a subir e QE (inteligência emocional) a descer!
É que, numa qualquer interação desagradável... o recurso ao “delete” ou ao “unfriend” ou ao “block” resolve o assunto muito mais rapidamente... do que ter que “levar” com um humano que teima em contra-argumentar e só se vai embora quando bem lhe apetecer!
Mas sim, nem tudo é mau e a era digital e as ferramentas em questão Se Bem Utilizadas (e sim, há muitas pessoas que o sabem fazer), podem ser uma fortíssima alavanca de crescimento e diferenciação. O problema reside em que, na maioria das situações, esta não é a realidade e, muito frequentemente, as pessoas acabam por ficar “reféns” da sua “vida digital”.
Mas voltemos ao Guardiola (sim, porque teríamos muito por onde ir, a partir deste tema): afinal, o que pretende este treinador?
É curioso que, num dos relatos acerca deste tema, um dos entrevistados (claramente admirador dos métodos deste treinador) refere-se a uma das estratégias dizendo: “Ele Força-nos a Tomar o Pequeno Almoço e a Almoçar Juntos no clube".
Não, na realidade ele não “força”... da mesma forma que não “pune” ao retirar o acesso à internet em determinadas zonas do centro de estágio.
Na realidade, ele Cria Condições de Treino, para que os Skills que sente que estejam em Défice possam ser trabalhados, elevando-os para um patamar diferente.
O que este treinador faz é, questionando a “ordem natural das coisas” que tem à sua volta, jogar com todos os elementos para fazer o seu grupo melhorar em termos da qualidade das interacções interpessoais e da própria dinâmica de grupo (e, consequentemente, em termos de desempenho!).
É uma realidade: o contexto “lá fora” treina os nossos atletas (ou, já agora, os seus colaboradores... ou, os seus filhos...) num conjunto de skills cognitivos muito importantes. Por isso, fica aqui o seu desafio da semana:
“Aí dentro” (do clube, da empresa, da sua família), o que pode fazer para, à semelhança de Guardiola, potenciar os skills socio-emocionais dos demais?"

Benfiquismo (CCXLVIII)

Vale Vermelho...

Adroher on fire !!!

Riba d'Ave 4 - 8 Benfica

Vitória, apesar dos 4 golos sofridos... num jogo muito atípico, onde o Benfica marcou todas as 'bolas paradas', e o nosso adversário falhou 'todas'!!!!!!! Era bom que fosse sempre assim...!!!
O jogo não teve transmissão televisiva, mas a tal questão dos 4 golos sofridos, não me deixa descansado...

Agora concentração na 2.ª mão da Continental com o Barcelos... e apesar do golo de desvantagem, o segredo para a vitória, está na 'defesa'!!!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Normal...

Benfica 85 - 64 Guimarães
23-14, 19-10, 24-22, 19-18

Regresso normal às vitórias...
Este campeonato vai ser muito desequilibrado, talvez a Oliveirense, o CAB, o Galitos ou o Lusitânia, possam fazer uma ou outra surpresa, mas os 'finalistas' estão encontrados!!!

Entrada com goleada...

Benfica 7 - 1 Azeméis

Elisandro a fazer a diferença logo deste início, mas quando o Bebé 'frangou' (agora até tem graça...!!!), o Benfica 'tremeu' um pouco, permitindo alguns ataques perigosos aos adversários... Mas com o 3-1 antes do intervalo, tudo ficou mais calmo...
Mas o jogo ainda não estava 'fechado', só o 4.º golo a meio da segunda parte 'encerrou' a contenda!!!

Ainda existe muito que melhorar, o entrosamento do Elisandro com os jogadores que estiveram no Mundial, ainda não está no patamar ideal... Mas a equipa já joga claramente para o Pivot brasileiro.
Aliás, um dos factores decisivos da época, será a capacidade dos jogadores adaptarem-se à presença do Elisandro em campo; no no banco; temos que variar, com eficácia, entre jogar em 3:1 ou em 4:0...