Últimas indefectivações

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Troféus, egos e erros

"O futebol é, na sua essência, um jogo colectivo. Donde, o conjunto dos 11 jogadores deve ser superior à sua simples adição.
Acontece que o fascínio das individualidades é um factor diferenciador num desporto em que a monotonia das tácticas, o medo de perder, a exaltação de destruir o jogo mais do que o primado de o construir, a ronha premiada e outros factores o vêm tornando um jogo de uma platitude por vezes abominável e afugentadora de público. Por isso se glorifica um jogador que arrisca, que se liberta da prisão táctica, que entusiasma com a imprevisibilidade, a arte e a inteligência.
É nesse enquadramento que se podem compreender os múltiplos troféus consagrados aos melhores, seja a nível mundial, continental, nacional ou clubista. Ainda que em demasia e, sobretudo, hipervalorizados nos media e nas análises. O que leva, a meu ver, a perscrutar nos melhores uma ansiedade indisfarçável de egos. Depois há as sempre subjectivas (para não dizer parciais) escolhas, espicaçadas por guerras entre os favoritos de que o duelo Ronaldo/Messi já cansa na sua lógica pré patológica.
Desde 2011, há o prémio da UEFA para o melhor atleta da época. Creio que dos 3 escolhidos não haverá dúvidas sobre o vencedor, Cristiano Ronaldo. O que já me parece estranhíssima é a escolha dos parceiros do pódio: Griezmann só porque jogou bem no Euro 2016? Bale, excelente jogador, porque levou Gales à semi-final?
Cai-se sempre nos mesmos erros. Parece que a memória só retém a parte final das épocas. Suárez foi o melhor marcador do... ano e final quase sempre de lado guarda-redes (Buffon, p ex.), defesas e médios."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (CLXXXIX)

Rogério 'Pipi'... ainda entre nós...
Um dos símbolos vivos do Benfica

Trinta minutos de vendaval em Turim

"Dois golos de Eusébio marcaram a vitória do Benfica frente ao Torino no dia 6 de Maio de 1964. Recordou-se Superga, e a vitória sorriu mais uma vez aos portugueses.

Esta crónica não é uma crónica: é uma errata. Ou uma reparação, se preferirem. Disse há dias na BTV que Benfica e Torino não se haviam reencontrado após o terrível acidente de Superga, que dizimou «Il Grande Torino», uma das grandes equipas de futebol de todos os tempos.
Pois, agora venho desmentir-me. E com provas, como num tribunal.
Para isso andamos, por exemplo, até Maio de 1964.
Num serviço especial para o «Diário de Lisboa», podia ler-se: «O Benfica esmagou, positivamente, o Torino, marcando quatro golos na primeira meia hora do jogo que ambos disputaram - pois o resto do tempo passou-se com a equipa portuguesa a demonstrar como não se deixa o adversário marcar golos, mas sem forçar o andamento. Nessa primeira meia hora em que o resultado final de 4-1 ficou decidido, o Benfica mostrou superioridade individual e global, especialmente pela velocidade dos lances e pela coesão de toda a equipa».
Assim foi.
Para a história, eis os protagonistas:
TORINO - Vieri (Reginate); Scesi (Paletti) e Buzzachera; Cela, Fossati e Ferrini; Germanno, Pvia, Hitchens, Peiró e Grippa;
BENFICA - Costa Pereira; Cavém e Cruz; Neto, Germano e Coluna; Augusto Silva, José Augusto, Eusébio, Torres e Simões.
A vitória do Benfica foi clara e límpida como a água primordial das fontes.

O sonho de Hitchens
Aos 15 minutos, num lance escorreito entre José Augusto e Simões, que assinalaram exibições primorosas, Eusébio fez o 1-0 para o Benfica. 2-0 foi de Ferreini na própria baliza. Em seguida, sobre o minuto 25, um remate potente de Eusébio obrigou Vieri a rechaçar a bola para a frente, onde estava a cabeça certeira de Torres. O inglês Hitchens reduziu antes de Eusébio, num livre directo de formidável violência, fazer a resultado final.
À meia hora estava tudo resolvido.
Na sua prosa, o jornalista Aldo Terruzzi declarava: «O balanço geral do encontro pode dar-se em poucas palavras: o Benfica foi rei e senhor enquanto quis, dominando completamente as operações com jogadores que fizeram o que quiseram, com relevo para os três avançados - José Augusto, Eusébio e Simões - e para Germano e Cavém; por seu lado, o Torino foi um grupo que tentou na primeira parte articular um sistema defensivo reforçado, sem poder com a força do ataque benfiquista, e que na segunda parte reforçou o sistema ofensivo sem conseguir romper a defesa do Benfica. E é isto.»
Nada como as palavras de testemunhas que a tudo assistiram.
O treinador do Torino era o famoso Nerio Rocco, que seria uma das figuras gradas do Milan. Também ele reconhecia a superioridade encarnada: «O Benfica é uma grande equipa e veio demonstrar-nos que ainda não está concluído o trabalho de reestruturação da nossa turma. Gostei especialmente de José Augusto, Simões e Eusébio, no ataque, e de Cavém, na defesa».
Já Lajos Czeizler, o técnico das águias, dizia: «O abalo inicial actuou como um safanão: toda a equipa italiana tremeu e sentiu os efeitos demolidores dos golos portugueses. Na segunda parte vieram ao de cima os efeitos de um campeonato duro e longo e de três jogos de arrasar em oito dias - Zurique, Bruxelas e Turim. Seria necessária uma constituição de ferro para que a equipa não se ressentisse. Ora, ferro, em futebol, não tem utilização...».
Hitchens, o inglês do Torino, sonhava: «Belo ataque, o do Benfica, em que todos os elementos têm craveira muito igual, embora Torres me parecesse doente ou cansado. Gostava de jogar entre Eusébio e José Augusto! Que regalo deve ser...»
Um sonho que não ia para lá das fronteiras do sonho. Nem todos podiam jogar entre Eusébio e José Augusto. Só os privilegiados, filhos dilectos dos deuses do futebol.
Benfica e Torino voltavam a encontrar-se. Com nova vitória do Benfica que já era enorme perante um Torino que já não era «Il Grande».
Reposta a verdade. Pouso a caneta descansado."

Afonso de Melo, in O Benfica

"É uma águia, mas é macho!"

"Todos os benfiquistas conhecem a majestosa águia que coroa a porta principal do Estádio. Mas será que lhe conhecem o sexo?

Há mais de trinta anos que a fachada principal do Estádio da Luz é encimada pela imponente escultura de uma águia em cobre e ferro. Concebida pelo escultor Domingos Soares Branco e produzida nas oficinas da Edimetal, a Águia de Metal foi colocada na fachada do antigo Estádio em Setembro de 1985, por ocasião do fecho do terceiro anel, e transporta em 2003 para o novo Estádio.
Para os operários da metalo-mecânica, o desafio 'foi um bom-bom'. Habituados ao trabalho complementar à construção civil, foi com enorme entusiasmo que encararam o projecto de construção da Águia: 'Nunca tínhamos feito uma escultura','foi uma variante interessantíssima', afirmaram alguns dos envolvidos.
Durante os três meses que durou a construção - um tempo recorde tendo em conta a sua envergadura -, escultor e operários dedicaram-se afincadamente a esta obra. Nenhum pormenor foi descurado. Observaram e registaram as águias do Jardim Zoológico de Lisboa, adquiriram um compêndio sobre essas aves de rapina e até a incidência do vento na fachada do Estádio foi calculada. A Águia do Benfica tinha de ser perfeita.
Na maioria benfiquistas acérrimos, foi com orgulho que canalizaram toda a sua energia na construção da Águia. Ainda hoje, é contagiante o entusiasmo com que falam deste projecto e são inúmeras as histórias e peripécias que contam. Porém, há uma especialmente curiosa: a história da águia macho.
Diz quem assistiu que 'um belo dia, já estava no Estádio', um dos funcionários da Edimetal, 'o Zé Pereira, um individuo doido pelo Benfica', lembrou-se: 'E se tornássemos a Águia macho?', Com o intuito de conferir maior virilidade à escultura, lá foram 'ver o tamanho daquilo que tínhamos de lhe acrescentar'. Soares Branco 'achou muita graça' e afirmou: 'Com certeza, faça-se!' Fez-se. E nós verificamos. 'Tem uns enormes testículos pretos!'.
No dia 13 de Julho de 2016, a Águia de Metal foi retirada do cimo da fachada para uma intervenção de conservação levada a cabo pelo Departamento de Reserva, Conservação e Restauro em parceira com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Até meados de Agosto, pode vê-la de perto em frente à porta 1-2-3 do Estádio."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

O 'tetra' não é conversa, é objectivo

"O processo revolucionário em curso operado por Vieira não sei quando acabará, mas acredito que vai passar por uma final da Champions e do que dela resultar...

Há uma semana, dei opinião sobre este Benfica que se prepara para continuar vitorioso na temporada desportiva que teve a sua cerimónia de abertura na noite do último domingo, em Aveiro. Escrevi sobre o que penso, e houve quem tivesse reagido, prenúncio do excessivo calor que deverá caracterizar o campeonato que vai jogar-se fora das quatro linhas, à semelhança do que passou. Destaquei o que considero serem os vários ses, ou dúvidas à espera de esclarecimentos, ou medidas que reclamam decisões. Cenário normal em cada mudança de época, quando há necessidade de integrar os que chegam, substituir os que partem e, no fundamental, descobrir mais e melhores de soluções para o grupo.
Coisas simples, cuja pertinência o jogo com o Braga confirmou, ao mostrar, por exemplo, que Nélson Semedo, na direita, está emprenhadíssimo em recuperar o lugar e Grimaldo é o presente/futuro, na lateral esquerda. Além de se manter a interrogação sobre a dupla titular de centrais, porque a concorrência é forte e a qualidade é muita. São as chamadas boas dores de cabeça que qualquer treinador gostaria de ter. Rui Vitória, ao ser olhado como um felizardo, vê a sua responsabilidade aumentada pelo facto de não estar limitado nas escolhas. O que só valoriza a equipa.

Não sou particular admirador do esquema táctico que o Benfica utilizou na época transacta, de aí a minha curiosidade sobre o que nos reserva a que se iniciou anteontem. Expliquem-me os misters com quem falo que teve de ser assim antes, ou tem de ser assim agora, por força das circunstâncias, emergindo essas circunstâncias das características de peças importantes na estrutura, as quais rendem menos dentro de determinado esquema e ficam mais confortáveis se for aplicado outro. É tarefa que cabe ao treinador, complexa e ingrata, por estar prisioneira dos resultados, desenhar o modelo que, segundo ele, lhe indica a direcção do sucesso. Porque o processo revolucionário em curso operado por Vieira não sei como e quando acabará, mas acredito que vai passar por uma final da Liga dos Campeões e do que dela resultar...
Como não possuo conhecimentos suficientemente profundos para ler a sina dos candidatos a estrelas da bola, limito-me a reflectir sobre o que vejo, ou a dar palpites envergonhados e de nulo significado, como qualquer adepto. No caso, espero para ver como irá funcionar o meio-campo dos encarnados, sendo certo que, depois de Peseiro ter corrigido a sua organização, reposicionando os meios de combate ao jogo exterior do Benfica, conseguiu o controlo no eixo central, com Rui Vitória a demorar uma eternidade a responder. Pareceu-me a mim, pareceu a Vítor Serpa, que o referiu na sua crónica e pareceu também a Henrique Calisto na peça que assinou em A BOLA: «Nesse período (segunda parte), o Benfica sentiu dificuldades na construção e posse de bola, precisam de mais tempo e trabalho, em particular no corredor central».
Com Fejsa, mais disponível do ponto de vista físico, a funcionar como guarda costas eficiente e dedicado do 'selvagem' Renato Sanches, Rui Vitória descobriu a chave que lhe permitiu abrir a porta do título 35, mas... pés na terra, contenção na euforia e sabedoria na avaliação dos jovens, a caminho do tetra, depois da Supertaça. É este o ensinamento que Luís Filipe Vieira não se tem cansado de espalhar por entre a nação benfiquista: não há triunfos por antecipação. O plantel de hoje é já fruto da sua política de investmento nas áreas de formação, no Seixal e em outros mercados, mas encontrar um Renato todos os anos, talvez só ao alcance dos deuses...

José Peseiro é bom treinador e tem de se convencer que o é. Não precisa, por isso, se de justificar/lamentar em cada derrota que lhe bate à porta, como se fosse o causador de todos os males. Dizer que quem não viu o jogo ficou com ideia errada do que se passou em Aveiro é normal, e faz sentido. Dizer que é muito difícil aceitar o resultado, igualmente. Dizer que a derrota do Braga foi tremendamente injusta fere os limites do razoável. Quem marca três golos e não sofre nenhum não merece ganhar? Ou séra que o Benfica terá alguma inabilidade de Rafa Silva para introduzir a bola na rede de Júlio César? Jonas é diferente: se não marca à primeira, marca à segunda.
O problema de Peseiro não é de falta de competência. É de falta de jeito para promover a sua imagem e desfazer de uma vez por todas a ideia do pé frio ou do quase."

Fernando Guerra, in A Bola

O André Horta

"O João Gonçalves, um dos maiores benfiquistas que conheço (e sei de uns quantos), tem contado no seu blog 'Red Pass', uma ida a Oliveira de Azeméis para ir ver o hóquei. Uma viagem como dezenas de outras. Não fora entre os camaradas de viagem de carro ir um jovem jogador do Vitória, que alimentava sonhos desmesurados de benfiquismo. A viagem foi no ano passado e, então, poucos acreditariam que, meses depois, o André Horta estivesse de águia ao peito, a titular na posição que era do Renato.
O André Horta é o paradigma do jogador-adepto, mas dentro dessa categoria, está um nível acima. É o jogador-adepto de pavilhão: o lugar onde se encontram aqueles para quem o clube não se cinge ao futebol.
Há quem sonhe com uma equipa do Benfica que é uma selecção de adeptos. Pelo contrário, quero um Benfica formado pelos melhores, independentemente da preferência clubística ou nacionalidade. Como adepto, imagino que seja também esse o desejo do André Horta. Vencer: em todos os campos e em todos os pavilhões, com os melhores a vestirem a camisola do Glorioso.
Mas quero também que o clube forme jogadores que possam sonhar com um lugar na primeira equipa. Um Benfica em que um miúdo como o Horta, que vi numa foto como apanha-bolas, há perto de uma década, saiba que um dia pode mesmo jogar na Luz. É essa a grande diferença do Benfica de hoje. Um clube que se habituou a ganhar (9 títulos nos últimos 12 disputados) e que, ao contrário do passado recente, deu ao Renato, ao Guedes e ao Horta as oportunidades que o Bernardo Silva não teve."

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Telma de bronze - um belo exemplo

"Dezasseis anos depois do jugo português ter conseguido, com Nuno Delgado, a sua primeira medalha olímpica, nova medalha de bronze, agora para Telma Monteiro, nos seus quartos Jogos Olímpicos.
Não assisti à estreia de Telma, em Atenas, mas vi-a, depois em Pequim e em Londres e sei como a judoca portuguesa perseguia uma medalha olímpica, depois de já ter conquistado os mais diversos títulos mundiais e europeus. Doze anos depois da sua estreia, a consagração no Rio.
Telma merece-a. Pela persistência e pelo exemplo de lutadora. É uma atleta de excelência, ambiciosa, firme. Teve condições especiais de preparação, depois de ter sido sujeita, apenas há seis meses, a uma intervenção cirúrgica. Em muito pouco tempo teve de recuperar a forma e a condição física necessárias para defrontar as melhores do mundo, naquele que é o torneio mais importante, o torneio olímpico. Este terceiro lugar é, pois, uma proeza assinalável. Tanto mais que se trata de uma modalidade de primeira grandeza no universo olímpico, a par com o atletismo, a ginástica e a natação.
Haverá sempre quem diga que  nos Jogos Olímpicos todas as modalidades são iguais e todas as medalhas são igualmente importantes. Não é bem verdade. Claro que todas as medalhas, sobretudo para um pequeno e pobre país como Portugal, são de fulcral importância, como resultado desportivo e como motivação de uma cultura desportiva mais aberta. Porém, quem conhece a realidade dos Jogos sabe que nem todas as modalidades são de primeira grandeza. O judo é uma das maiores. Uma medalha no judo te, de facto, um valor universal."

Vítor Serpa, in A Bola

Estandarte de valores

"São os seus sétimos Jogos Olímpicos. Nenhum outro português lá competiu mais de cinco vezes. Em prancha à vela foi uma vez campeão do Mundo e duas vice-campeão, cinco vezes campeão da Europa e uma vice-campeão, para além de uma medalha de bronze num mundial e outra num europeu. João Rodrigues tem palmarés raro a nível nacional e internacional. Só isso justificaria ser Porta-Estandarte de Portugal nos Jogos do Rio, os últimos em que diz participar como atleta.
Mas Rodrigues é muito mais! É modelo do que julgo ser o Espírito Olímpico. Tem superior sentido ético que o fez descer lugares em competições. Profundamente empenhado no alto rendimento, tem vida para além do desporto. É engenheiro pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, cujo curso terminou no ano em que foi campeão mundial e participou nos seus segundos Jogos, em Atlanta, onde alcançou classificação de diploma. É um homem culto que observa criticamente o mundo, lê, reflecte e escreve. Publicou dois livros onde descreve e elabora a experiência de vida que retira do desporto, e tive a honra de o ter como co-autor num capítulo de livro científico sobre psicologia do desporto publicado nos EUA. Com hábitos de vida simples, tem por ventura no windsurf a maior luxo onde investe os proveitos na optimização das condições que lhe permitem superar-se. Para ele o desporto é uma forma de evoluir como pessoa, mas também de contribuir para uma sociedade melhor.
João Rodrigues sabe que, aos 44 anos, num desporto fisicamente exigente como o seu, está longe da forma que lhe deu títulos de relevância internacional. Preferiu adequar formas de treino e expectativas de resultados para viver mais uma experiência olímpica e poder representar Portugal no Rio. Preocupa-se em ser modelo. Não apenas de campeão, mas de cidadão pleno que vive realmente os valores olímpicos. Porque não é o desporto que ensina as virtudes, mas sim os que o praticam com elevação e sentido universal. Não haveria melhor escolha para Porta-Estandarte!"

Sidónio Serpa, in A Bola

Inferno ou paraíso

"1. Um estudo do Sindicato Mundial de Futebolistas Profissionais (FIFPro) concluiu que os jogadores estão, no mínimo, três vezes mais expostos à depressão do que a média da população. Entre os inúmeros factores de risco que contribuem para esse estado psicopatológico estão no topo da lista: os litígios surdos com o treinador, fruto de um sentimento de frustração e revolta pela exclusão da equipa titular ou escassa utilização; a incompetência do staff médico e/ou as deficientes estruturas de reabilitação, que prolongam a inactividade competitiva e os impelem depois a não meter o pé, como se diz na gíria; o descontentamento provocado pela desigualdade salarial, por vezes chocante; a pressão interna e mediática a que permanentemente são submetidos; o intenso desgaste físico sem pausas para recuperação...
Em suma, um inferno de vida que os ordenados milionários, os carros de luxo e as beldades que os rodeiam não compensam. Discorde-se ou não, esta foi a conclusão.

2. Segundo a Lei de Murphy (piloto-aviador da Força Aérea dos EUA), «quando uma coisa pode correr mal, isso acontecerá sempre no pior momento possível». Desmontemos agora o puzzle, após um jejum sem fim, a equipa do FC Porto atravessa a fase mais negra dos últimos 40 anos, enquanto a clube vive numa penúria deprimente face a um passado recente. Decisões equívocas, negócios desastrosos e gestão ruinosa levaram a este descalabro, cuja consequência mais imediata é a queda a pique da cotação do plantel. Com este pano de fundo, esperava-se que o sorteio do play-off para o acesso à Champions lhe reservasse um adversário acessível e não o osso mais difícil de roer com o qual dificilmente não ficará engasgado: os italianos da AS Roma. Se querem um exemplo perfeito da Lei de Murphy, ele aqui está."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Benfiquismo (CLXXXVIII)

Estas fotos não são do arquivo,
foram tiradas ontem,
mas tenho a certeza que vão passar a ser do arquivo!
Depois do Nélson, depois da Vanessa,
(o Di Maria por acaso ganhou a medalha de Ouro Olímpica,
 quando tinha contrato com o Benfica, mas não tem o mesmo impacto...)
a partir de agora também a Telma, entra num 'clube', muito exclusivo...!!!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Bronze Olímpico, que devia valer Ouro !!!

Finalmente uma medalha Olímpica para uma das melhores atletas Portuguesas de sempre!!! Depois de 11 medalhas em Europeus e 5 em Mundiais, para além das medalhas em Taças do Mundo, além nos Campeonatos de Juniores e sub-23... Telma Monteiro, merecia, merecia muito entrar neste pequeno grupo de portugueses com medalhas Olímpicas... ainda por cima nestas circunstâncias: uma lesão muito grave a poucos meses dos Jogos, com operação ao joelho pelo meio, praticamente sem competir antes dos Jogos...

Por incrível que pareça, esta medalha de Bronze acaba por saber a pouco, porque a Telma hoje, merecia estar a lutar pelo Ouro! Não fosse, uma arbitragem inacreditável nos Quartos-de-final!
A adversária Mongol, fez 'anti-jogo' permanente durante os quase 5 minutos do combate, evitando constantemente as 'pegas', à chapada e ao empurrão, sempre sem pegas... e depois fazia supostos ataques, tipo 'atropelamento', sem ter a pega, claramente ataques-falsos, que deviam ter sido punidos, mas não foram... e ironia das ironias, no Golden  Point, a Telma leva um 'amarelo' por não atacar, quando o único verdadeiro ataque do combate, foi mesmo feito pela Telma, todos os outros supostos ataques da Mongol não deviam ser considerados!

A restante caminhada até foi relativamente fácil, a Telma ficou isenta da 1.ª ronda, nos Oitavos contra a Judoca da Nova-Zelândia dominou completamente o combate, só faltou o Ippon que esteve 'quase' várias vezes... depois a derrota nos Quartos! Na repescagem com a Pavia, foi sem espinhas... e no combate pelo Bronze, ganhou vantagem cedo, e soube controlar sempre a adversária Romena... Diga-se que nestes dois últimos combates a Telma beneficiou de algum cansaço das adversárias, que nos combates anteriores fizeram autênticas maratonas!!!

Ao contrário de algumas parangonas e optimismos excessivos, para mim Portugal tinha altas probabilidades de ganhar 2 medalhas nestes Jogos Olímpicos: a Telma e o Rui Bragança no Taekwondo! Existe potencial numa ou noutra situação (Canoagem...), mas serão sempre surpresas...
Sendo assim, a Telma hoje não desiludiu... E mesmo após aquela situação nos Quartos-de-final, não perdeu a cabeça e mostrou mentalidade de Campeã!!!!
Num país, onde existe uma mentalidade pouco competitiva reinante, onde mais de 90% dos atletas portugueses que vão aos Jogos, nas provas ao cronometro fazem tempos piores; nas modalidades com ranking's mundiais, somos constantemente derrotados por adversários com pior ranking... etc... etc... etc... Atletas como a Telma devem ser usados como exemplo para todos... talvez um dia o fado mude e a superação dos nossos atletas nos grandes momentos passe a ser a norma e não a excepção!!!


O primeiro Benfiquista a entrar em acção no dia de hoje foi o Nuno Saraiva no Judo. Que teve realmente muito azar no sorteio, já que calhou-lhe um Húngaro muito forte e experiente (vice-campeão Olímpico), que controlou todo o combate no tapete, com o Nuno a ter muitas dificuldades em entrar na luta... acabou por defender-se bem, mas o jovem não mostrou capacidade para atacar... Vai ter outras oportunidades no futuro...

A meio da tarde o Tiago Apolónia disputou o seu primeiro encontro de Ténis de Mesa, e perdeu! E perdeu mal, porque tinha potencial para vencer, porque tem um ranking muito melhor, e é melhor jogador... Mas esteve muito mal...
O português com verdadeiras hipóteses de chegar longe é o Marco Freitas, o Tiago dificilmente chegaria às rondas finais, assim pode 'descansar' para a competição por equipas, onde os jogadores portugueses nos últimos grandes campeonatos se têm superado!!!

PS: Inacreditável a não transmissão em directo do jogo do Marco Freitas na RTP! Continua-se a 'brincar' com o erário público!

Benfiquismo (CLXXXVI)

A nossa grande Águia, que mora na Porta 1, está a ser limpa, mas antes desta, existiu outra na velhinha Catedral...!!!

Vermelhão: 6.ª Supertaça

Benfica 3 - 0 Braga


Já está... não foi sempre bonito, mas a 6.ª Supertaça Cândido de Oliveira, já tem lugar garantido no Museu Cosme Damião!!!
Entrada demolidora do Benfica na partida, marcámos um, e podíamos e devíamos ter marcado mais!!!
Na segunda metade do 1.º tempo, baixámos a velocidade e as linhas, e o Braga aproximou-se da nossa baliza...
Voltámos a entrar mal no 2.º tempo, a equipa estava naquele típico 'limbo' entre defender a vantagem mínima ou procurar o 2.º golo... com alguns erros defensivos difíceis de dirigir pelo meio, mas a nossa baliza estava protegida...!!! Mas diga-se que o Jonas também falhou alguns golos que normalmente não falha...!!!
Até que o Pistolas voltou a acertar, após grande jogada com o Pizzi...
Com 2-0, a partida ficou decidida... O 3.º foi um bónus!!!
Jovens em grande destaque: Cervi, Horta, Semedo, Grimaldo... e um Pizzi que é capaz do 8 e do 80, e que hoje foi decisivo!
Ganhámos, é verdade, afinal é o que mais interessa... mas fazendo uma análise à exibição, temos que corrigir muitas situações! A Supertaça nunca salvará uma época do Benfica, mas como ficou provado o ano passado (inversamente), esta vitória vai dar ânimo para o primeiro terço da época... O facto do jogo ter sido jogado com muita intensidade (anormal intensidade para esta altura da época...), até ajuda a fazer analises mais profundas ao nosso potencial...
Depois de uma pré-época bem planeada, que acabou por ser 'sabotada' por uma onda de lesões traumáticas, mesmo antes do primeiro jogo oficial... o Benfica acrescenta mais um troféu ao nosso palmarés!
Sou obrigado a escrever um paragrafo sobre o Capela: mais uma arbitragem inacreditável contra o Benfica (mas vai continuar a 'fama' que é benfiquista!!!!). Durante os 90 minutos, teve um critério completamente oposto para os contactos das duas equipas... e não é porque os jogadores do Braga são artistas na arte do mergulho para a piscina, o homem em cada segundo do jogo tentou demonstrar que não beneficia o Benfica... Amarelos perdoados ao Braga em dose industrial, amarelo absurdo ao Grimaldo, vários foras-de-jogo não assinalas ao Braga... e um penalty por marcar a favor do Benfica!!! E digo mais, após o início forte do Benfica, o critério do Capela foi essencial para o Benfica ter recuado as linhas e começar a defender mais a trás...
Espero que a vitória não faça 'relaxar' a direcção do Benfica, é preciso ter cuidado nas 'vendas' e estar atento às nossas debilidades... Com o regresso do Ederson e do Jardel, a equipa na minha opinião vai ficar muito mais equilibrada...!!!

domingo, 7 de agosto de 2016

Benfiquismo (CLXXXV)

Valeu a última Supertaça...!!!

Ser ou não ser preciso

"O filho do presidente do Conselho de Arbitragem tem tanto direito a ser um jogador de futebol federado com têm os filhos das pessoas que nada têm a ver com apitos. Mesmo sabendo que se fosse ao contrário, se o Benfica tivesse contratado no berço o filho do chefe dos árbitros, já o rancho folclórico da vizinhança teria desatado as vozes numa gritaria em prol da verdade desportiva, nada há a condenar nem, muito menos, por onde suspeitar nesta que foi, até ao momento, a contratação mais sonante do Sporting neste mercado de verão.
Teóricos das conspirações descansem, respirem fundo. Não faz sentido que o Sporting tenha dispensado o seu director de relações internacionais porque não é preciso tal como não faz sentido que, o mesmo Sporting tenha contratado o filho do presidente do Conselho de Arbitragem porque é preciso. Nem uma coisa nem outra. Na realidade, o que é preciso é jogar à bola.
Também, garantem agora, é preciso um 'código de conduta' para prevenir os nossos governantes de viajarem à pala do futebol com as inerentes mordomias à pala de empresas e de outras instituições como bancos ou escritórios de advogados que negoceiam com o Estado. Nas últimas três décadas desta triste história, constituíram uma obscenidade as viagens do futebol português com governantes de todos os quadrantes na bagagem. 'É normal', diziam os organizadores aos 'desfasados da realidade' que os questionavam e, dito isto, que era normal, corriam a acender o charuto de mais uma pessoa 'very' importante acabadinha de chegar à porta do aeroporto. De muitos, de tantos aeroportos.
Demorou 30 anos a opinião pública a não entender como 'normal' este tipo de benesses. Registe-se o progresso. Sobre a urgência do anunciado 'código de conduta' para governantes, registe-se a vergonha. O 'código de conduta' que, na base, deveria produzir governantes só lhes chega ao nariz quando os governantes já se apresentam formalmente produzidos. E em funções. É o Mundo ao contrário.
O Benfica vai encontrar-se amanhã com dois adversários temíveis. O primeiro é o Sporting de Braga, uma boa equipa que chega à discussão da Supertaça por mérito próprio visto que venceu o Porto com grande clareza na final da Taça de Portugal. O segundo adversário é o convencimento de que a Supertaça não passa de um pró-forma e de que como aconteceu no ano passado, perdê-la no verão é garantia de uma primavera triunfante. E logo sem André Almeida."

sábado, 6 de agosto de 2016

Empate na estreia...

Benfica B 1 - 1 Cova da Piedade


Exibição agradável, com um resultado injusto. Os jovens estão 1 ano mais velhos, e notou-se algumas melhorias... mas ainda faltou alguma coisinha!!!

É impossível não recordar que o golo do empate do Cova da Piedade nasce de uma falta não assinalada... e no 2.º tempo ficou um penalty claro por marcar a favor do Benfica!!!

Inacreditável as cenas que ocorreram nas bancadas, com membros da Juve Leo 'inflitrados' a ameaçar todos (inclusive os jogadores e adeptos do Cova da Piedade) e a bater em muita gente, inclusive adeptos do Cova da Piedade!!!

Benfiquismo (CLXXXIV)

Salto para o Ouro...

O legado de Moniz Pereira

"Parece que neste Agosto, com excepção dos pokémons, nada tem mais procura que os centrais do Benfica. Segunda-feira sai o Lisandro, na terça-feira sai o Luisão, na quarta-feira sai o Jardel, na quinta-feira sai o Lindelof- Hoje, que é sexta-feira, espero que não tenha saído nenhum. O último jogo contra o Lyon foi um jogo-treino pouco amigável. Os franceses, que ainda não devem ter digerido o Euro, desataram ao pontapé e ao murro (literalmente). Entre várias vítimas de mazelas, foi André Almeida, que nem havia sido convocado para os 23 de Fernando Santos, aquele que pagou maior factura com várias fracturas. Agora é a sério. Embora a Supertaça não tenha histórico de grande prestígio, é oficial, e, por isso, em Aveiro estará um Benfica para ganhar. Era suposto que o adversário fosse treinado por este treinador, mas o emblema fosse outro, mas o Jamor ditou assim e assim será. O treinador adversário não é surpresa e espero que Benfica continue a rimar com títulos e não permita surpresas no domingo.
Na semana em que começam os Jogos Olímpicos fomos deixados por uma figura ímpar, Mário Moniz Pereira. Grande sportinguista, português de excepção, foi mais que um bom treinador, foi alguém que ensinou a minha geração que é possível vencer, ser melhor e triunfar. Foi alguém que mostrou que o caminho para lá chegar é o esforço, do trabalho e do sacrifício. Num desporto cheio de truques e artimanhas, num ano olímpico marcado pelo doping e a batotice, fica o legado (talvez fora de moda) de quem sempre escolheu o caminho certo para chegar mais rápido, mais alto e mais forte...
Pela expressão de alguns atletas, a aldeia olímpica parece uma favela. Pela análise de agência anti-dopagem, teria tanta droga como a Rocinha quando chegasse a delegação russa de atletismo. Esperemos que sejam uns jogos com verdade desportiva e que não envergonhem Coubertain."

Sílvio Cervan, in A Bola

Acção

"Após vários jogos de preparação, recheados de testes e de experiências, com distintos, mas pouco relevantes resultados, eis-nos chegados ao futebol a sério.
No domingo, em Aveiro, o Tri-Campeão apresenta-se forte e para ganhar.
A Supertaça Cândido de Oliveira tem sido uma competição maldita para as nossas cores, sendo a única prova futebolística nacional em que não somos a força dominante: em 37 edições apenas conquistámos 5 troféus, somando 18 derrotas nas 34 partidas disputadas. É altura de atenuar estes números, e começar a inverter a situação.
Durante alguns anos, talvez não tenhamos levado a Supertaça suficientemente a sério, enquanto outros acumulavam triunfos. A prova entretanto credibilizou-se, e estabilizou o seu lugar no calendário desportivo – sobretudo a partir do momento em que passou a ser disputada a uma só mão, e na abertura das temporadas. Não sendo a nossa maior prioridade, é o primeiro dos 5 objectivos para 2016-17.
O adversário que teremos pela frente surge muito motivado. Nunca venceu a prova. Quererá, igualmente, começar bem uma época para a qual parte com grandes aspirações. Numa final, não há favoritismos. E só com muita humildade, a mesma que nos levou ao Tri, conseguiremos erguer o troféu. O apoio dos benfiquistas é imprescindível. Com ele, vamos certamente entrar na temporada com o pé direito, e com mais uma taça nas mãos.

PS: Há Homens cuja respeitabilidade e relevo transcendem, em muito, os clubes que representam. O Professor Moniz Pereira era um deles. Fica a gratidão por tudo o que fez pelo desporto, e pela forma elevada como nele sempre soube estar."

Luís Fialho, in O Benfica

Os complexados

"Anthony Vizzacaro nada tem que ver com o Benfica ou com Portugal, mas tornou-se num protagonista fortuito do sucesso da selecção lusa no Europeu pelo gesto ternurento, captado em vídeo, de uma criança portuguesa que, ao vê-lo destroçado pela derrota da equipa francesa, o procurou confortar abraçando-o comoventemente.
No âmbito de uma acção de markting empreendida pelo Turismo de Portugal, o francês visitou Lisboa, como o Estádio da Luz e o Museu Benfica - Cosme Damião e fazerem parte do itinerário. Sendo um adepto de futebol, a opção foi óbvia.
Afinal, trata-se do melhor estádio português - o único capaz de albergar uma final da Liga dos Campeões - e do melhor museu de deporto no país, premiado diversas vezes.

Quase nem seria notícia, não fosse o 'Dragões Diário', um órgão oficial de comunicação do FC Porto, ter acusado o toque, revelando a inveja e a pequenez de quem persiste em ligar mal com a grandeza do Benfica. Felizmente!
É que, apesar do sucesso desportivo portista nas últimas décadas, tão inegável quanto duvidosos foram os métodos para atingi-lo, o clube portuense foi incapaz de se transformar num clube nacional, muito por força da adopção de um discurso regionalista que, se teve o condão de arregimentar parte das gentes dos subúrbios da cidade do Porto, se revelou, pelo contrário, contraproducente no resto do país.

O curioso é que nem eles, nem os outros, que só diferem na cor e direcção das listas das camisolas, são incapazes de compreender que os sucessivos ataques, directos, indirectos ou escamoteados, ao Benfica, pouca ou nada nos incomodam e, por revelarem um gritante complexo de inferioridade, até nos divertem..."

João Tomaz, in O Benfica