Últimas indefectivações

quinta-feira, 7 de maio de 2015

São estas pequenas coisas que têm vindo a notar-se

"Seja quem foi o árbitro, terá de suportar a campanha australiana da Brigada do Toque de Midas, vulgo Apito Dourado. Mas esse não é o nosso campeonato. O Penafiel é que é.

DIAS agitados estes.
Aconteceu de tudo na semana passada. Só faltou mesmo alguém telefonar da Austrália jurando à imprensa livre e à polícia de costumes que o árbitro nomeado para o jogo do Benfica com o Gil Vicente se ia apresentar em casa do presidente do Benfica para tomar chá, comer bolinhos e receber conselhos matrimoniais na véspera do jogo.
Foi um frenesim a anteceder o jogo de Barcelos. Que inusitado labor e concerto das forças da reacção. 
Mas forças da reacção a quê, se futebol não é política?
Da reacção ao possível – apenas isto, possível – bi-campeonato do Benfica.
E pela crispação mais do que latente perante essa mera hipótese, um eventual e singelo bi-campeonato parece capaz de fazer cair o alegado regime de décadas como um baralho de cartas.
E concorre nesse desmoronar o seu séquito natural de gratos, reconhecidos, penhorados, prestáveis, vigilantes, obsequiosos e, agora, preocupados agentes desportivos e agentes não-desportivos.
Acontece assim com todos os regimes. Um regime, por mais fantasioso que seja, não é uma entidade abstracta. Um regime é feito de gente bem instalada. E de todo um reportório.
De outra maneira como explicar que, na semana passada, do outro lado do mundo não houve dia que não telefonassem ao treinador do Gil Vicente a alertá-lo para a grande desonestidade de que ia ser vítima deste lado do mundo?
Pobre árbitro que saiu de Barcelos inteiro e com a honra salva graças à solidariedade da equipa do Benfica que, correndo o tempo todo, nem lhe deu tempo nem ocasião para ser a figura do jogo, como era pretendido, tão pretendido.
É verdade, no entanto, que o árbitro, que não nasceu para herói, decidiu todos os lances minimamente duvidosos em desfavor do Benfica não vá ser-lhe vetada a entrada na Austrália se, porventura, algum dia quiser ou precisar de lá ir.
Cinco a zero foi o resultado de Barcelos. Uma goleada, um ultraje para quem, à falta de imaginação, sonha recorrentemente em fazer de João Capela o próximo Pedro Proença. É o velho reportório, já bastante estafado, a ver se pega.
Se o Benfica jogasse sempre assim como jogou em Barcelos e ganhasse todos os seus jogos por cinco a zero de bola corrida, punha-se de vez termo às calúnias sobre os amigalhaços dos árbitros sempre disponíveis para nos oferecer campeonatos a troco de conselhos matrimoniais prestados em domicílio como tem sido público e notório nas últimas três décadas.

JORGE JESUS lançou Sulejmani em Barcelos em detrimento de Ola John e o sérvio não lhe deu motivos para arrependimento. Antes pelo contrário. Com Sulejmani há mais futebol. É o que se pretende.

O Sporting de Braga qualificou-se para a final da Taça de Portugal. Terá por adversário o Sporting. O presidente do Braga ficou muito feliz o que se compreende. Chegar ao Jamor é uma festa e no caso do Braga é uma festa merecida.
O Sporting de Braga fez um bonito percurso e com muito mérito. Teve até artes para eliminar o Benfica, no Estádio da Luz, ainda numa fase precoce da bela competição.
A cidade de Braga virá a Lisboa acompanhar e apoiar a sua equipa de futebol no jogo de decisão da Taça de Portugal. António Salvador prevê que 12 mil adeptos bracarenses se desloquem ao Jamor de modo a que o Arsenal do Minho não se sinta desacompanhado num dos desafios mais importantes do seu longo historial. Não se sentirá certamente desacompanhado o Sporting de Braga em Lisboa.
No entanto, o presidente do Braga, por via da compreensível exaltação, excedeu-se: «Se o Sporting diz que tem 3 milhões de adeptos nós vamos ter 6 milhões de adeptos a apoiar-nos», disse Salvador mal terminou o jogo da segunda-mão da meia-final em Vila do Conde.
António Salvador fez mal ao meter o Benfica ao barulho. E fez mal à sua própria equipa. O Sporting de Braga para ganhar a Taça de Portugal só precisa de si próprio.
O Vitória de Guimarães, por exemplo, que é o grande rival do Sporting de Braga, ainda há dois anos ganhou a final da Taça de Portugal ao Benfica dispondo apenas do apoio de 3 milhões de adeptos do Sporting.
Ao contrário do que pensa António Salvador, o Sporting de Braga para ganhar a Taça de Portugal não precisa para nada do apoio de 6 milhões de adeptos do Benfica.
Muitos milhões, num caso destes, só atrapalham.

O Benfica é que não se atrapalhou com a relva em Barcelos. Não era um simples tapete verde. Toda aquela erva, a retalho, dava para replantar dois ou três relvados à vontade.
Contra todas as expectativas, o único inconveniente prestado pela Natureza selvagem ao jogo foi o de se ficar sem saber se Jonas deixou a bola tocar no chão ou se rematou sem a deixar pousar no momento em que fez de forma soberba o segundo golo do Benfica dando o melhor destino a um cruzamento perfeito de Gaitán
E aí, sim. A culpa foi, efectivamente, da relva que não deixou ver.
Estava muito crescida. Mas não atrapalhou porque o Benfica também já está muito crescido. São estas pequenas coisas que se têm vindo a notar.

O próximo jogo do Gil Vicente é com o Porto no Estádio do Dragão. Se o treinador do Gil Vicente passar a semana a falar ao telefone para os antípodas não vai ter tempo para preparar convenientemente a sua equipa para tão alto desafio.
- Alô! Alô Barcelos! Aqui Austrália!
- Alô Austrália! Aqui Barcelos! Aqui Mota! Quem fala?
- Aqui Austrália, Mota! Aqui Australopetegui!
E o tempo todo nisto.

MAXI PEREIRA marcou dois golos em Barcelos. Que pena não ter marcado mais um. Faria um hat-trick para abrilhantar a enormíssima folha de serviços prestados ao Benfica desde que chegou à Luz já lá vão uns bons anos.
Não seria, no entanto, um hat-trick puro. Para ser puro, segundo os cânones, o hat-trick exige que os três golos sejam obtidos de rajada pelo mesmo autor sem haver outros golos com outros autores pelo meio.
Na verdade, pouco importam estes preciosismos quando se trata do uruguaio. Com golos ou sem golos, puro e de rajada são os seus atributos. Já para não falar dos lançamentos da linha lateral.
Dizem-nos que está de partida o nosso inesquecível Maximiliano Pereira. Que pena, que grande pena.

O Boavista de Petit assegurou a permanência na primeira divisão no fim-de-semana passado quando ficaram a faltar três jornadas para o fim da prova. É obra. Com Petit tudo é possível. Aliás, sempre foi. Bem nos lembramos. Obrigada. Parabéns.

NO sábado vem aí o Penafiel, uma equipa séria que luta para não descer. Para vencer o Penafiel o Benfica tem de ser mais uma vez a equipa séria que luta para ser campeã. De outra maneira, tudo se complicará.
O Penafiel, por mais modesta que seja a sua classificação, merece o maior respeito. Seja quem for o árbitro, e já se sabe quem é, vai ter de suportar a campanha australiana da Brigada do Toque de Midas, vulgo Apito Dourado.
Mas esse não é o nosso campeonato. O Penafiel é que é do nosso campeonato.
Carrega, Sport Lisboa e Benfica!"

Leonor Pinhão, in A Bola

As ligas na Europa

"Em vários canais de televisão, temos a oportunidade de ver jogos de outros campeonatos europeus. Transmitidos em jeito de overdose, pelo que importa ser selectivo quando o nosso tempo escasseia.
Continuo a eleger o campeonato inglês como o mais espectacular e aquele que representa, mais puramente, a ideia do football association. Não apenas entre os tradicionais candidatos ao título, como também na larga maioria dos encontros, onde há sempre emoção, todos os minutos contam por igual, e os espectadores enchem os estádios e vibram intensamente. Onde verdadeiramente futebol e festa se juntam mais deliciosamente.
Em segundo lugar, situo o campeonato alemão que, sendo aparentemente menos espectacular, é homogéneo, com estádios cheios, e traduz um futebol compacto, mais físico mas também mais organizado e programado. Se, na Inglaterra, há lugar à emoção da espontaneidade, na Bundesliga, há lugar à disciplina da racionalidade.
Em terceiro lugar, ponho a liga espanhola, verdadeiramente espectacular entre os eternos rivais Barcelona e R. Madrid e bom entre mais duas ou três equipas. Mas, fora estas, muito desnivelado. Por isso, não hesito preferindo, por exemplo, um qualquer Southamptom-Everton ou um Leverkusen-Hamburgo a um Celta-Málaga.
Por fim, o italiano. Cinzentão, chato, quase burocrático, sobretudo agora que a Juventus domina como quer, e Milan e Inter andam quase pelas ruas da amargura.
Quanto a ligas mais modestas, acho interessante o tom leve e descontraído das ligas holandesas e belgas. Já a grega é um pastelão, mais recordado pelos recorrentes incidentes nos estádios helénicos do que pelos jogos."

Bagão Félix, in A Bola

Colo até ao fim !!!

A pressa foi inimiga da pressão

"Os dois primeiros responderam bem às dificuldades que tinham pela frente. O Benfica, elogiado pela solidez defensiva, continua com apetite voraz no ataque.

Primeira jornada do pós-clássico, a 31.ª encerrava a curiosidade de perceber como Benfica e FC Porto iriam reagir ao nulo com que saíram do Estádio da Luz e que tão diferentemente serviu as ambições com que tinham entrado no estádio benfiquista. Comum aos dois rivais havia, nesta última ronda, a pressão a que ambos estavam sujeitos, ainda que com contornos distintos - as águias jogavam um dia antes dos dragões e num campo onde nas últimas cinco deslocações tinham coleccionado mais empates do que vitórias. Além disso, e do polémico triunfo da primeira volta sobre o Gil Vicente e da nomeação do mesmo árbitro, o Benfica deparava-se ainda com o fantasma das deslocações ao norte do país, onde sofreu as três derrotas do campeonato (Braga, Paços de Ferreira e Vila do Conde).
Falando de fantasmas, também o FC Porto tinha um bem grande para exterminar, daqueles que, tal como o do rival, os treinadores se esforçam por fazer crer que só interessam a jornalistas e adeptos, mas que também são comentados entre as quatro paredes dos balneários. É que além de jogarem no dia seguinte ao líder, com a necessidade absoluta de não cederem qualquer palmo de terreno, os dragões contabilizavam dez jogos consecutivos sem triunfos a sul do Mondego!
Os resultados dos dois jogos e o destino dos três pontos dirão que ambos se saíram bem, mantendo o "statu quo" na corrida ao título, ainda que a aproximação à meta favoreça quem pedala na frente. A capacidade de resposta à pressão a que estavam sujeitos, qual escalada de armamento num conflito bélico, permite até fazer um paralelismo com o que sucede na liga do país vizinho, onde Barcelona e Real Madrid se empurram um ao outro e já levam uns incríveis 105 golos marcados cada. Os cardíacos que me desculpem, mas os espectadores saem a ganhar...
Onde se diferencia - e muito - esta dupla que dá mostras de não desarmar na corrida ao título é no caminho percorrido. O FC Porto só chegou ao 2-0 em Setúbal no primeiro minuto dos descontos; o Benfica, pelo contrário, voltou a mostrar uma tendência que se acentuou na segunda volta do campeonato, uma espécie de medicina preventiva contra o nervosismo que se possa instalar na equipa à medida que o objectivo do bicampeonato cresce no horizonte: procurar (e conseguir) o tento da tranquilidade com sofreguidão. As palavras e as estatísticas têm elogiado a consistência defensiva da formação de Jorge Jesus, mas a verdade é que esta foi a sétima vez em oito jogos na segunda volta em que marcou três ou mais golos e que o da tranquilidade surgiu menos de dez minutos após o primeiro. Sucedera com Académica, Nacional, Arouca, Estoril, Moreirense e Boavista, praticamente o dobro das vezes da primeira volta.
Se nos clássicos estiveram mais comedidas, nos restantes jogos as águias apostam cada vez mais nesta espécie de vacina anti-stress, que é uma autêntica subversão do conhecido provérbio chinês."

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Indiscutível

Benfica 3 - 0 Fonte do Bastardo
(2-2)
25-17, 25-18, 25-18

Depois de assistir a este jogo, não é fácil compreender as derrotas do Benfica nos Açores!!! Independentemente a exibição menos conseguida dos jogadores da Fonte esta noite, o Benfica em condições normais é melhor, como foi provado hoje.
O único factor aceitável que pode ter uma influência negativa no jogo do Benfica, é o forte serviço de alguns jogadores adversários, em todos os outros aspectos do jogo, somos melhores... 
Apesar de não termos vencido, para o Campeonato, a Fonte nos Açores, no jogo da Challenge Cup, não demos hipóteses... portanto não acredito nessa treta dos bloqueios psicológicos!!!

Agora, é esperar que no próximo Sábado - pelas 19h, na Praia da Vitória -, o Benfica consiga o Tri-campeonato merecido...

O ponto que remete tudo para a "negra"
O ponto que remete tudo para a "negra"!#SLBenfica vence a Fonte do Bastardo (3-0) e empata a final! Jogo 5 joga-se nos Açores, sábado. #Voleibol #UmaCamisolaVáriasEmoções
Posted by Sport Lisboa e Benfica on Quarta-feira, 6 de Maio de 2015

Lopetegui à capela, já!

"Lopetegui tinha razão. Capela teve uma influência decisiva em Barcelos. Sem ele, o Benfica não marcaria cinco golos, ao esforçado Gil Vicente.
Lopetegui não sabe falar bem português, mas sabe soletrar sem sotaque CA-PE-LA. Claro que tem dificuldades em dizer Martins, Calheiros, Guímaro e outros incomuns nomes.
Lopetegui é um estudioso da história do Benfica. Pena que não se tenha especializado em algumas partes douradas da história do clube que treina.
Lopetegui lê, de fio a pavio, todos os jornais. Tanto assim é que debitou, com grandiloquência, sobre uma entrevista que J. Jesus deu ao semanário Sol. E, logo aí, inferiu, visionariamente, uma qualquer ligação ao árbitro João Capela. Curioso é que Jesus deu a entrevista na 2.ª-feira, ainda nem sequer se sabia quem seria o árbitro.
Lopetegui dispensa assessores de comunicação, tal a sua competência nesta área. Quem sabe até se não acabará como assessor de um qualquer treinador.
Lopetegui não terá apreciado o desportivismo dos seus jogadores no jogo da Luz. Percebe-se a razão: queria ter o monopólio do fair play evidenciado nos quase-ósculos no aparelho auditivo de Jesus e no forte amplexo com que o envolveu.
Lopetegui deveria ler a objectiva resenha das suas próprias afirmações ao longo deste campeonato que Miguel Cardoso Pereira trouxe à estampa na edição de A BOLA do passado sábado e intitulada 'Diz Lopetegui:'. Ali se constata que o homem é de uma coerência infinita.
Lopetegui deve, por tudo isto e muito mais, ir confessar-se a uma Capela. Se possível, onde o prior assistente diga impecavelmente o seu nome."

Bagão Félix, in A Bola

Péssimo...

Marítimo B 2 - 0 Benfica B

Não é fácil jogar neste campo, o relvado é curto, a bola salta que se farta... mas isso já era sabido antes da partida. Já o ano passado, tivemos muitas dificuldades no Funchal, ainda por cima o Marítimo B está desesperadamente à procura de pontos para não ser despromovido... Sabendo tudo isto, é estranho o Benfica B ter feito uma das piores exibições da temporada... claramente sem atitude!!! Creio que fizemos um remate à baliza... contra uma equipa que vai provavelmente descer de divisão!!!

Varela; Semedo, Nunes, Valente, Rebocho; Dawidowicz, Sanches (Santos), Carvalho; Elbio (Sarkic), Gonçalves (Andrade); Guedes. 

Jardel... e o penteado!!!

Sem tréguas XXV

Mitos: colinho!
Recupero esta crónica, após vários anos (!!!) de interrupção, para destacar a importância, dos Mitos mentirosos, que se fabricam em Portugal, por gente desonesta, e que outros ingenuamente, se deixam levar.
O José António Saraiva, diz que é adepto do Belenenses, e que acompanha o Benfica mais de perto por causa do filho!!! Além disso, é amigo pessoal do Jorge Jesus. Algumas das suas crónicas no Record, têm sido 'destruídas' pelos Benfiquistas, tal o absurdo delas... Pessoalmente acho, que até é um dos poucos cronistas semanais, que não sofre da doença do anti-Benfiquismo primário, apesar de não lhe reconhecer muitos conhecimentos futebolísticos. Não é um jornalista desportivo, portanto também não é obrigado a perceber muito do fenómeno. É um espectador, como qualquer um de nós...
Na crónica desta semana, fala essencialmente da importância do Samaris e do Pizzi, no Benfica deste ano. E até faz um analise bem ponderada sobre o assunto. Mas, no início do texto, não resistiu à tentação, e na onda do 'colinho', afirma que o Benfica no início de época, manteve-se à frente do Campeonato devido aos erros de arbitragem!!! Fê-lo sem justificar a afirmação, como se fosse um dado adquirido por todos!!! São este tipo de referências, que ajudam a criar os Mitos falsos...

Vou fazer um pouco apanhado de como surgiu esta época o Mito:
Os primeiros casos aconteceram logo na 2.ª jornada. O Benfica vai ao sintético do Bessa, e ganha, num jogo feio, onde Marco Ferreira, fez um arbitragem vergonhosa, permitindo jogo violento do Boavista, entre outras xico-espertizes, como por exemplo não assinalar faltas a favor do Benfica perto da área do Boavista... ao intervalo o Jesus acabou mesmo expulso, por protestos... ficou ainda um penalty por marcar sobre o Jara.
Com 0-1 para o Benfica, nos últimos minutos, já com o jogo parado, a bola entra na baliza do Benfica: o fiscal-de-linha marca bem, fora-de-jogo ao ataque do Boavista. O jogador em posição irregular empurra mesmo o Jardel, impedindo o corte do nosso Central. Na transmissão da SportTV, nos programas de rescaldo, e principalmente nos programas com Paineleiros, é repetido milhares de vezes, que foi anulado um golo limpo ao Boavista. O facto das imagens provarem exactamente o contrário, não interessa, os porcos não se calam, repetem, repetem e repetem, que o Benfica foi beneficiado... E em alguns casos, como acontece com o Porco do plagiador do Guedes, durante vários meses, foi repetindo a história do Benfica ter sido beneficiado no Bessa.
Na mesma jornada, em Paços de Ferreira, nos últimos minutos, Martins Indi atropela um adversário dentro da área. Penalty que fica por marcar contra os Corruptos, a poucos minutos do fim, num jogo que acabou com um 0-1 para os Corruptos. A SportTV não mostra qualquer repetição. Nos ditos programas e nos pasquins, o lance é completamente ignorado. Só na blogosfera Benfiquista, o lance é mostrado...
Conclusão: o Benfica foi prejudicado, mas nas televisões e nos pasquins 'fica' com a fama de ter sido beneficiado; os Corruptos são escandalosamente beneficiados, e o assunto é escondido!!!

É assim que funciona a máquina de propaganda Corrupta em Portugal. Isto voltou a acontecer na 5.ª jornada, e em muitas outras... Dando assim origem à expressão do Colinho.
Alguns ingenuamente perguntam: mas estas mentiras, não tem implicação nos resultados?! Falso. Como por exemplo se tentou fazer na última jornada: a história do Colinho, foi usada para pressionar o árbitro do Gil Vicente-Benfica. Só a gigantesca diferença de qualidade entre as duas equipas, e a excelente atitude colectiva de todos os jogadores do Benfica em campo, impediu que o árbitro tivesse influência no resultado (aquela jogada onde o Yazalde jogou a bola com os braços 2 vezes, na sequência de um livre, que não existiu, é um bom exemplo).

E por isso é que me irrita, a passividade da maioria dos Benfiquistas que têm acesso às televisões, rádios e pasquins. Podemos até não gostar do tom, que o Pedro Guerra tinha na CMTV, mas quando o Benfica permite, sem réplica, a difusão destes Mitos, os 'idiotas úteis' como o José António Saraiva (e muitos outros...), semanas e meses mais tarde, acabam por repetir os argumentos falsos dos mentirosos, e as patranhas começam a parecer verdades absolutas... até porque meses depois, já ninguém se lembra dos pormenores.

Não podemos ficar calados... nem nas Tv's, nem nos pasquins, nem na Net, nem nas conversas de café...

Samaris e Pizzi

"O Benfica começou o campeonato a não jogar nada - e só por felicidade (e um ou outro erro de arbitragem) não se atrasou irremediavelmente do FC Porto.
Na altura, escrevi neste espaço que, enquanto Jesus não encontrasse um n.º 6 a sério, a equipa não estabilizaria. E depois da saída de Enzo Pérez, esse problema também se colocou para o n.º 8.
Recordo que na posição 6 foram experimentados vários jogadores (André Almeida, Rúben Amorim, Samaris e até Talisca, enquanto se esperava pela recuperação de Fejsa). E, para a posição 8, Talisca assumiu-se como o mais forte candidato.
Confesso que cheguei a falar deste tema com o próprio Jorge Jesus, que tinha dois casos bicudos para resolver.
Ora bem: com muito esforço de Samaris e do treinador, o grego fixou-se como proprietário da decisiva posição 6, sobretudo depois da exibição que fez no Dragão. Mas o n.º 8 ficou por preencher, pois Talisca não mostrava características para a função (e qual será afinal o seu lugar?).
Até que se deu o milagre: da penumbra saiu o esquecido Pizzi, pelo qual já ninguém dava nada. E, tal como sucedera com Enzo, passou de extremo-direito vulgar a um excelente centro-campista.
Samaris joga à grega: é duro de roer, dá o corpo ao manifesto e procura jogar simples. Pizzi, sendo português, parece influenciado pelo nome com ressonâncias argentinas: tem boa técnica, transposta bem a bola e é senhor de uma óptima visão de jogo, isolando companheiros com alguma facilidade. Nos seus pés o jogo flui.
Com Samaris o Benfica ganhou robustez a defender, com Pizzi ganhou asas a atacar. São duas peças fundamentais nesta equipa quase campeã."

Agarrem-no senão Jesus vai

"Jorge Jesus deve estar muito agradecido a Luís Filipe Vieira por esta nova boa época do Benfica; Luís Filipe Vieira deve estar muito agradecido a Jorge Jesus por esta nova boa época do Benfica; o treinador porque recebeu das mãos do seu presidente um excelente grupo de jogadores que lhe possibilitou construir uma equipa competente e ganhadora, enquanto Luís Filipe Vieira, mais uma vez, viu Jorge Jesus oferecer-lhe um trabalho sério e profissional, embora pago com bom dinheiro. Resultado prático desta identificação bem-sucedida: o Benfica corre imparável para a renovação do título nacional, que, a acontecer, será o primeiro bis de um treinador português na Luz, o que tem contribuído para o reforço da confiança e do orgulho dos seus adeptos.
Não resta, pois, qualquer dúvida de que esta saudável conexão entre os dois homens-fortes do Benfica está a dar os devidos frutos, aliás, como se confirma pelos títulos de campeão nacional já garantidos, afinal o que é importante - dois a caminho de três, o que não deixa de ser um bom indicador. Deste modo, faz todo o sentido que Luís Filipe Vieira convide Jorge Jesus a renovar o contrato - custa a perceber por que ainda não o fez - embora se compreendam bem as hesitações do treinador que, de peito cheio, não quer ver a sua folha salarial drasticamente reduzida ou limitar as suas ambições ao trabalho com uma forte componente da formação, situação para a qual não parece estar vocacionado.
Por esta altura fica a dúvida sobre se Jorge Jesus quer dar o passo no desconhecido, trocando o conforto da Liga portuguesa onde está claramente em vantagem sobre os concorrentes, ou se prefere dar continuidade ao ciclo vitorioso do Benfica, visando o tricampeonato e sucessivas conquistas, mas agora com muito mais atenção à Liga dos Campeões, uma competição que está atravessada na garganta do presidente. Jorge Jesus, que começará a próxima época com 61 anos, saberá conjugar a ambição que tanto apregoa com a coragem de um desafio que será sempre complicado fora de portas, atendendo às suas conhecidas limitações? É esta a chave da equação e só lhe compete, a ele, tomar a melhor decisão. Agarrem-no... porque senão ele vai mesmo!"

Guedes, acelera...!!!

Juniores - 12.ª jornada - Fase Final

Benfica 3 - 1 Leiria

Entrada forte, para depois controlar... com uma equipa com bastantes alterações.

Duarte; Santos, Lima, Ferro, Yuri; Rodrigues (Kevin, 62'), Guga, Alfa; Buta, Witi (Berto, 68'); Silva (Sekidika, 88').

terça-feira, 5 de maio de 2015

O rapaz que usava um nome pesado demais

"Em três épocas no Benfica não cumpriu o destino marcado pelo pai: arriscou-se a ser campeão mas nunca o foi. Mário Wilson (filho) tinha pés de veludo e um jeito discreto no Futebol e na vida.

Há nomes que pesam - e muito. No Benfica são vários e um deles é o de Mário Wilson.
O Mário Wilson original nunca jogou pelo Benfica: ou melhor, jogar jogou e ainda joga, mas noutras funções.
Esse é Mário Wilson, vindo do Desportivo de Lourenço Marques em 1949 para jogar no Sporting e substituir Fernando Peyroteo. Depois foi para Coimbra e deixou de ser avançado-centro para ser defesa-central. Envelheceu de idade e sabedoria. Tornou-se no «Velho Capitão».
Quando chegou à Luz pela primeira vez, disse: «Qualquer um no Benfica arrisca-se a ser campeão».
Arriscou-se e foi campeão. Muito menos vezes do que merecia, mas também nunca ficou muito tempo. Foi e veio. Mas o seu estilo não partirá nunca. Nem o nome. Esse nome que pesa.
Em 1977, outro Mário Wilson chegou ao Benfica - Mário Valdez Wilson. O Mário Wilson filho. O pai tinha partido para o Porto, para o Boavista, regressaria em 1979.
E encontrar-se-iam os dois na Luz: pai e filho. O primeiro, inesquecível: o segundo esquecido.

Mário Wilson filho veio do Atlético mas, tal como o pai, já tinha vestido a camisola da Académica. Nesse Atlético, que desceria para a II Divisão, jogou com Paris e Norton de Matos, que viriam a ser internacionais, e Baltazar e Coelho e Cardoso e com o meu bom amigo Franque, pois claro!
Tinha pés de veludo. E merecia elogios da crítica, mesmo da mais exigente.

Neves de Sousa, por exemplo, impôs-lhe um ferrete logo no dia da sua estreia 'encarnada', no Estádio da Luz, frente ao Belenenses - vitória 2-0: «De qualquer modo, Wilson não é labutador para a frontaria de combate: num Benfica que tem constante sinal de broca perfurante, terá de refugiar-se no castelo central para ser convenientemente aproveitado em todo o potencial já que é dos poucos desta área que mete a bola a 30 metros, calibrada suavemente(...)».


12 minutos: um golo!
Wilson filho era assim: suave. Como foi suave a sua passagem pelo Benfica.

E foram três épocas por inteiro - hoje, quantos se podem gabar de passar por inteiro três épocas no Benfica?
Mas havia aquela coisa do nome: Mário Wilson. Esperava-se muito de Mário Wilson!
Além disso, já havia no Benfica um par de pés de veludo da mais imponente qualidade: Shéu. E outro par de pés de seda fragueira: Vítor Martins.
E era preciso jogar com pés de veludo e pés de ferro, tantas vezes ao mesmo tempo.
Nesse época o Benfica perde o Campeonato para o FC Porto (embora com os mesmos pontos e sem derrotas). Na época seguinte perde por um ponto para o mesmo FC Porto. John Mortimore é treinador em ambas.
Em 1977/78, Mário Wilson faz 12 jogos divididos entre o Campeonato, a Taça de Portugal e a Taça dos Campeões.
Nesta última é chamado para os dois terríveis confrontos com o fantástico Liverpool de Bob Paisley. Na Luz, perdeu-se na tempestade substituindo Shéu: lembro-me do jogo e da chuva, estive lá, ainda houve a alegria do golo inicial de Nené, mas depois havia Ray Kennedy e Emilyn Hughes e Jimmy Case. E Kenny Dalglish, como é evidente! Equipa maravilhosa, essa! 1-2.
Em Liverpool foi pior: 1-4. Mário Wilson esteve em campo apenas na segunda parte, no lugar de Alberto. Não voltaria a jogar na prova gloriosa dos campeões, mas ainda me lembro de o ver em campo contra o Borússia de Moenchengladbach, para a Taça UEFA.
Mas volta atrás: ao dia 1 de Dezembro de 1977.
O Benfica foi ao Lavradio eliminar a CUF da Taça de Portugal. Uma CUF destruída pelos ventos do 25 de Abril, perdidos que estavam os privilégios dos Melos. 8-0 - golos para toda a gente: Vítor Baptista, Toni, Nené, Bastos Lopes, Pietra e mais Pietra, outra vez Nené e... Mário Wilson.
Só 12 minutos em campo, entrando para o lugar de Toni.
12 minutos e um golo: o único oficial pelo Benfica!
«Parecia um gato à beira do aquário: com o estilo repousado da CUF, até o pai podia ter feito uma perninha...».
O pai regressou à Luz na época 1979/80. Arriscou-se a ser campeão, mas não foi: ficou em terceiro. Arriscou-se a ganhar a Taça de Portugal e ganhou-a: 1-0 ao FC Porto na final.
Quanto ao filho, desapareceu...
Se alguém esperava que o facto de ter o pai no cargo de treinador o iria beneficiar, enganou-se redondamente. O «Velho Capitão» nunca contou com o filho para essa época. A dupla do meio-campo tinha Shéu como inamovível. Depois Pietra, Fonseca, Carlos Manuel, Toni cada vez menos e nunca Mário Valdez Wilson.
Nunca? Não, nunca digas nunca...
Aos 63 minutos do jogo da 19.ª jornada entre Benfica e Beira-Mar, no Estádio da Luz, no dia 23 de Fevereiro de 1980, Mário Wilson filho entra em campo. Sai Toni. Ele ainda não o sabe, mas serão os seus últimos minutos com a camisola da 'águia' vestida.
O Benfica ganha por 5-0. Mário Wilson pouco é tido ou achado nesta vitória tranquila. Cumpre o seu papel de rapaz de pés aveludados e nome pesado demais, discreto como sempre esteve, no futebol e na vida.
Voltará a jogar na Académica, clube no qual se destacou, e depois no Farense.
Em três épocas no Benfica não cumpriu o destino marcado pelo pai: arriscou-se a ser campeão mas nunca foi.
De vez em quando é preciso dizer nunca...
Lembro-me dele. O tempo não apaga todas as memórias... Mesmo as de veludo."

Afonso de Melo, in O Benfica

Diário de bordo da viagem a Cádiz, 1963

"A viagem começa hoje. E é de viagens únicas que se faz a história do Benfica, que se desloca a Cádiz para disputar o Troféu Ramón de Carranza.
Cruz, Rita, Ângelo, José Augusto, Raul Machado, Cavém, Coluna, Humberto Fernandes
Santana, Iaúca, Torres, Eusébio, Serafim, Simões

Hoje é dia 29 de Agosto de 1963, são 6h30 de manhã e os bicampeões europeus encontram-se a tomar o pequeno-almoço no restaurante do Hotel Flórida, antes da partida para Cádiz. A boa disposição vivida é notável na comitiva benfiquista, destacando-se Cruz e Ângelo nas gargalhadas. Fora do torneio fica Costa Pereira, a recuperar de uma intervenção cirúrgica. A saída de Lisboa está programada para as 7 horas da manhã.
Em Aracena, território espanhol, pelas 13 horas, o Sport Lisboa e Benfica faz a sua pausa para o almoço. A meio da tarde, com o calor a fazer-se sentir, a comitiva faz uma paragem de desentorpecimento pela bela cidade de Sevilha, onde os jogadores não passaram despercebidos, havendo sempre espaço para alguns autógrafos. Às 20h30, os atletas chegam ao Hotel Atlântico, onde ficam hospedados, juntamente com a equipa da Fiorentina.
No dia 30 de Agosto, pela manhã, a equipa passeia pela cidade. A recepção foi calorosa e a cidade, para surpresa de todos, está vestida de vermelho e branco. São também muitas as vozes que se levantaram para apoiar a equipa portuguesa. O dia termina com uma festa junto da piscina municipal. E é com agrado que os jogadores e restante comitiva ouvem alguns cantares típicos da Andaluzia.
Hoje é dia 31 de Agosto, e está tudo a postos para o grande jogo, com cerca de 30 mil espectadores para assistir à desforra de Berna de 1961. O comércio da cidade fecha as portas para receber os jogos, com uma receita prevista de 11 milhões de pesetas (5400 contos) para o embate da meia-final entre Benfica e Barcelona. Cádiz, a cidade irrequieta, viria a ser palco de um novo capítulo da história do Benfica.
Nesse dia, a história escreveu-se com a conquista do Troféu Ramón de Carranza. Hoje, a história continua, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Diogo Santos, in O Benfica

Bloqueio psicológico

"Com o aproximar da recta da meta, é natural que qualidade técnica, consistência defensiva e criatividade ofensiva continuem a contar, mas o que faz mesmo a diferença é a capacidade psicológica. Saber lidar com a tremideira que vem com o momento em que o título se começa a vislumbrar de forma nítida no horizonte é, agora, decisivo.
Em Barcelos, para além de uma exibição vistosa, com o futebol massacrante a que o Benfica nos habituou nos jogos em casa, viu-se uma equipa desbloqueada psicologicamente, a transbordar confiança. A atitude intimida os adversários mas serve também para enviar sinais para o competidor directo.
A sensação com que se fica é que, depois de ultrapassado o teste decisivo do confronto directo com o Porto, a equipa libertou-se de um peso psicológico que, por vezes, e na ausência do colinho oferecido pelos adeptos no Estádio da Luz, parecia retirar confiança e tolhia os movimentos atacantes dos comandados por Jorge Jesus.
E, como se verá no final da temporada, num campeonato disputado até ao fim, a dimensão psicológica acabará por se revelar decisiva. E, até ver, também aí o Benfica, leva vantagem. Nos momentos decisivos, o Benfica falhou em Paços de Ferreira, quando devia ter acabado com o campeonato, mas o Porto falhou na Madeira contra o Nacional, quando podia ter aproveitado o deslize do Benfica em Vila do Conde, e revelou-se incapaz de ultrapassar a teia táctica montada por Jesus na Luz - o que aliás explica o descontrolo emocional que Lopetegui tem revelado desde então.
Nas próximas três jornadas, ao Benfica cabe, por isso, continuar a gerir a vantagem pontual, mas, claro está, fá-lo-á alavancado por uma vantagem psicológica que dá um suplemento de confiança e coloca o 'caneco' a uma distância cada vez mais curta."

Os treinadores e a estabilidade

"José Mourinho atribuiu o mérito da liderança do Benfica, no campeonato português, a Luís Filipe Vieira. A justificação é simples, como todas as justificações esclarecedoras: Vieira é o responsável pela estabilidade da equipa técnica do Benfica que, por sua vez, com essa estabilidade e competência conseguiu o milagre da multiplicação dos pontos e estar, neste momento, em excelente posição para a conquista de um título que estaria pré-anunciado para o FC Porto.
É, aliás, por essa mesma razão que Mourinho entende que o FC Porto faria bem manter Lopetegui.
Para aquele que é consensualmente um dos três melhores treinadores do mundo, a estabilidade de uma equipa técnica pode não ser, em si mesma, um bem absoluto, mas é absolutamente necessária para que um treinador consiga desenvolver o seu trabalho e consiga obter os melhores resultados.
Não deixa de ser, no entanto, curioso que Mourinho não seja, por si próprio, um exemplo de estabilidade. Ele sempre anunciou a sua vontade de enfrentar novos desafios. Por isso foi campeão em Portugal, em Espanha, em Itália e em Inglaterra.
Há, a meu ver, uma razão pessoal para que isso também tenha sucedido: Mourinho não quer estar sujeito à ideia de que é o clube que lhe faz, abnegadamente, a cama dos títulos. É humanamente compreensível, sobretudo num homem talentoso e ambicioso.
No caso de Jesus, pode ser diferente. Trata-se, claramente, de um treinador que não só se adaptou como adoptou o clube. Quando a Lopetegui, não se sabe. Começou agora a sua aventura em clubes. O FC Porto, para ele, ainda é uma necessidade óbvia."

Vítor Serpa, in A Bola

Dos treinadores

"No futebol, há a ideia (do Valdano) de que o treinador é um pobre coitado que em cada jogo que entra tem de pôr o seu cargo (ou melhor: a sua cabeça) nas mãos dos jogadores (ou melhor: nos seus pés) - mas em José Mourinho não. Ande ele por onde andar, de um súbito instante para o outro se percebe que ele não está condenado a viver na dependência (às vezes ingrata, às vezes perversa) desse karma - são os jogadores que vivem dependentes de si (da sua argúcia, do seu destino) para ganhar o que com outro treinador qualquer talvez nunca ganhassem na vida.
Domingo à tarde, fiquei com essa ideia ainda mais inabalável ao ver o Chelsea sair campeão de Stamford Bridge. (E com uma outra ideia ainda mais inabalável fiquei a de que as vitórias do «futebol chato de Mourinho» só chateiam os chatos que se chateiam por José Mourinho ser mais muito esperto do que eles - os adversários dele, todos juntos).
Que no futebol há campeonatos que são ganhos pelos treinadores também vi, sábado à tarde, ao ver o Benfica sair campeão de Barcelos (não, eu não acredito em milagres). E sim, quem ganhou (já) este campeonato não foi o Benfica (nem sequer o «colinho»...) - foi o Jorge Jesus, sobretudo por ter sido o que foi: um alquimista capaz de transformar cassiterites em ouro, compensando, assim, o que em situação normal lhe teria deixado o sonho num destroço: o FC Porto ter um plantel muito melhor, muito mais rico (ou seja: foi esperto como Mourinho é.)
PS: Pois, também há campeonatos que são os treinadores que os perdem - e não digo o nome do último exemplo para não me enganar (acrescentando-lhe um F - e arriscando, também eu, um puñetazo). Mas, sim: digo que me espantou que aquele FC Porto que jogava como uma fera feliz, levava os seus desejos de superioridade para além do limite de todas as forças, não se detinha perante nada, não tinha medo de nada - e por isso é que ganhava como ganhava, fosse quem fosse o treinador - se tenha perdido em combate como se perder..."

António Simões, in A Bola

PS: Ainda ontem falava dos Mitos. Aqui está um exemplo, de como se constrói o Mito dos invenciveis, que antigamente lutavam com todas as suas forças, e que assim ganhavam quase sempre... Até parece que a Fruta, as Agências de Viagem, os Calheiros, os Guimaros... os Donatos, os carecas, os Pintos... até parece que nada disto, 'aconteceu', de facto!!!

Flopetegui

"Sim, eu sei pronunciar e escrever do treinador do FC Porto, mas assenta-lhe muito melhor assim: Flopetegui. É isso que ele é, um flop. Chegou a Portugal como uma lufada de ar fresco e, afinal, é apenas uma brisa bafienta à semelhança de outros Bobis e Tarecos que rastejaram pelo Futebol português nas últimas três décadas.
Em termos técnicos, é um nulo: perdeu em casa com o líder do Campeonato e, na segunda volta, fez um remate à baliza do SL Benfica quando precisava de ganhar por três a zero para sonhar com o título. Já para não falar na eliminação da Taça de Portugal (em casa) com o Sporting CP, uma humilhação pouco habitual. Na Europa, ficou invicto contra 'super-potências' como o Bate Borisov, Basileia ou Atlético de Bilbau e ao primeiro obstáculo sério mostrou de que fibra é feito. A sua equipa marcou três golos ridículos ao Bayern (três falhas de 'Apanhados' da defesa alemã) e andou uma semana a inchar o balão com toques de superioridade. Em Munique levou um correctivo que tão depressa não irá esquecer, mas - ainda não contente - apontou as baterias para o SL Benfica. Disse o espanhol (ou será basco?) que iriam mostrar o que valiam no Estádio da Luz. E mostrou, mas foi preciso esperar pelo final do encontro. No momento em que, à semelhança do que se passa nos mais importantes campeonatos de todo o mundo, os treinadores se devem cumprimentar, Flopetegui dirigiu-se a Jorge Jesus para o insultar e provocar. É disso que ele é feito, veste com todo o mérito a camisola da equipa que dirige. Desejo-lhe muitos anos de azia à frente dessa agremiação, sempre ao lado do presidente que tanto venera e a gastar milhões atrás de milhões para ficar em segundo."

Ricardo Santos, in O Benfica

Todos os nomes

"Chame-se Lotopegui, Lobategui ou Lopatego, o basco que treina o FC Porto tem o condão de não agradar a ninguém - consenso que, diga-se, não é fácil de estabelecer num Futebol português extremamente polarizado e polemizado.
Não agrada aos desportistas em geral, pois trouxe com ele uma postura de antipatia e petulância que o povo português bem dispensava. Não agrada aos adversários, pois a sua retórica provocadora tem sido uma constante. Não agrada aos jornalistas, com os quais é altivo e mal-educado. Não agrada aos árbitros, dos quais se queixa jornada após jornada, sem razões objectivas para tal. Não agradará, sequer, aos adeptos do seu clube, pois com o plantel mais caro da história do país arrisca-se a não vencer um único troféu, tendo sido eliminado da Taça de Portugal, em casa, pelo Sporting; da Taça da Liga pelo Marítimo; humilhado na Liga dos Campeões pelo Bayern de Munique; estando agora dependente de terceiros, a quatro jornadas do fim, na única competição que lhe resta.
Discurso oficial à parte, quem o contratou ter-se-á também já arrependido. Se outros não acertam no seu nome, ele raramente acerta nos nomes dos jogadores que coloca a jogar, e raramente acerta no que diz. Há pessoas assim.
Enquanto Benfiquista, desejo vê-lo no clube rival por mais alguns anos (com ele no banco, não há Jacksons, Danilos, Casemiros, ou Oliveres que lhe valham).
Enquanto português, parece-me que temos por cá dezenas de treinadores mais competentes e sabedores do que ele.
Resta saber se este aparente erro de casting significa, ou não, o canto do cisne de tão incensada 'estrutura' portista.!"

Luís Fialho, in O Benfica