Últimas indefectivações

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Coisas que não vão mudar

"O Mundial começou de acordo com as previsões: vitória do Brasil, balanço de Neymar, resultado melhor do que a exibição e arbitragem discutível. Nada disto é novo. Há uma matriz nas competições internacionais, e factor-casa, não apenas pelo apoio de proximidade, mas também porque muito do sucesso da competição depende da permanência do país anfitrião até o mais tarde possível. A excepção foi o último campeonato, na África do Sul, mas apenas porque a respectiva selecção não cumpria os mínimos.
A FIFA fez questão em mostrar-nos na transmissão televisiva como funciona a sua tecnologia do golo electrónico e o árbitro fez os primeiros risquinhos de gelo na relva. Porém, no momento de marcar o penálti sacramental, por uma faltinha de nada, o bom do Japonês não conseguiu disfarçar o ar comprometido. O futebol evolui, mas há coisas que nunca vão mudar."


PS: Para os optimistas, este Mundial começou da melhor maneira!!! Com tantos erros descarados de arbitragem, desta vez, o International Board e a FIFA, vão ter alguma vergonha na cara, e não vão mais emperrar a utilização do video, para reduzir, o impacto da 'incompetência' dos árbitros!!!
Pessoalmente, acho que só se a Inglaterra for prejudicada, existirá esperança!!! Recordo que a tecnologia da linha de golo, ganhou impulso, após o Mundial de 2010, quando num jogo da Inglaterra, o árbitro não viu a bola dentro da baliza!!!
Quem define potenciais alterações às regras, e aos procedimentos no Futebol, não é a FIFA, é o International Board, e apesar de alterações recentes na sua composição, este órgão continua dominado pelos Britânicos...

Mais do que os sucessivos 'casos', aquilo que me choca mais, é a total despreocupação com a credibilização dos resultados desportivos no Futebol. A preocupação da FIFA é garantir a satisfação dos patrocinadores, o resto são 'peanuts'!!! Se o 'povão' a nível global, não acredita que os jogos são decididos dentro das quatro linhas, isso é completamente secundário para a FIFA e afins...!!! Para quem gosta verdadeiramente do Jogo, isto é tudo revoltante. Independentemente, se quem beneficia dos 'erros', é a FIFA, ou as Máfias das Apostas, um ou outro País (ou Clube), ou até, se os erros são somente a soma da incompetência das equipas de arbitragem... ou até o limite cientifico, da percepção humana!!!

Aquilo que se passou hoje no México-Camarões foi escandaloso, e por uma sorte danada, o vencedor, acabou por ser a equipa, que foi roubada!!! Se o primeiro golo mal anulado, é desculpável, o segundo golo mal anulado é absurdo: fora-de-jogo num canto...!!! E ainda houve um penálti não assinalado a favor do México nos últimos minutos da 1.ª parte... Tudo isto teria sido evitado, se houvesse a possibilidade de recorrer a um video-árbitro como já acontece em vários desportos.
Não resolveria tudo, mas iria reduzir, em muito, o número de decisões erradas.
Por exemplo, usando o critério usado na NFL, o penalty de ontem cavado pelo Fred, mesmo com recurso ao vídeo-arbitro, seria assinalado!!! As imagens do video, só podem alterar uma decisão do árbitro, quando a prova vídeo é indiscutível... e ontem, isso não aconteceu!!! Mas se nesse lance, o vídeo podia não ajudar... tanto na cotovelada do Neymar, como no penalty do Dani Alves sobre o Olic, o video-árbitro, iria seguramente, alertar o árbitro de campo para o erro...
E hoje, no Holanda-Espanha, mais um golo irregular (3-1)... por sorte (mais uma vez) sem influência no resultado!!!
Resumindo: 2 dias, 3 jogos, 3 jogos com decisões erradas em lances de golo!!! E ainda falta o Chile-Austrália..!!!

A pergunta que fica é simples: a quem interessa que as coisas se mantenham assim?!!! E já agora, por quanto tempo, a FIFA e afins, acha que vai continuar a ter audiências recordes, com os patrocinadores a ganharem milhões, se as Roubalheiras descaradas se manterem?!!! Acham que 'truncar' as repetições televisivas, é suficiente?!!!

Vendas de uns são alegrias de outros

"Os adversários do Benfica sabem que o caminho mais fácil para o sucesso é o destruir a equipa do Benfica. É mais fácil para o FC Porto e Sporting chegar ao topo por ver o Benfica mais fraco, que reconstruir uma equipa em altura de 'vacas magras'.
Por isso, este ano, as alegrias dos adeptos em pré-época são as vendas dos rivais, não as especiais aquisições que se possam conseguir. Quem vender mais fica pior, e parece que todos terão que vender a julgar pela situação económica geral. Será pois uma pré-época muito centrada nos cifrões.
Com a venda de William Carvalho rejubilam benfiquistas e portistas, com a venda de Jackson e Mangala será a alegria de verdes e encarnados, com a saída de Enzo e Gaitán teremos azuis e verdes em delírio.
Vantagem mesmo é ser altura de Mundial, e por isso o foco não estar apenas no interminável suplício do defeso. Não tenho nenhuma expectativa sobre o desempenho da nossa Selecção.
O grupo é difícil, a fasquia é demasiada para as nossas reais possibilidades. Desejo que tentem tudo, sem esperar nada. Gostava que fizessem bons jogos, que espreitassem os oitavos-de-final, porque depois disso a ambição soa a delírio. Oxalá me engane, pelos jogadores, pelo Paulo Bento e por Portugal.
No rol das favoritas colocava Argentina, Holanda e Brasil. No elenco das surpresas Bélgica e França, cheira-me ainda que Inglaterra e Espanha ficam muito aquém dos voos das apostas. E no fim há sempre a Alemanha e a Itália que geralmente só se notam quando as outras todas já lá não estão.
Gostei do jogo com a Irlanda, jogámos bem, mas não haverá Mundial adversários tão débeis. Começaram trinta dias de puro apreço pelo jogo. Cada miúdo a trocar cromos, à porta da escola, é uma visita ao meu imaginário de felicidade e isso mostra como é eterna a magia deste desporto."

Sílvio Cervan, in A Bola

Bambochata - 2014

"1. Aquele dia em que se suja, emporcalha, enlameia, deslustra - escolham o verbo que bem entenderem, estejam à vontade! - a dita Casa da Democracia, voltou a repetir-se tristemente.

2. Houve tempo em que se justificava a bambochata com a comemoração dos títulos lado a lado com os «deputados portistas» (designação que deve definir os representantes da nação eleitos pelo FC Porto). Como em 2014 não houve títulos, comemorou-se certamente a banal pouco vergonha.

3. Anos a fio de trampolinices, de escutas pornográficas, de processos em tribunal por motivos escabrosos, não fizeram com que os senhores que habitam essa Assembleia Prostituinte ganhassem um pingo de vergonha e um risco de bom-senso.

4. Comandados por uma generala que parece roçar a bajoulice, os «deputados portistas» lá se refocilaram a meias com o seu adorado Madaleno, sem que saibamos ao certo se o repasto foi pago por eles ou pelo tão delapidado erário público. O Parlamento serve realmente para tudo. Este Parlamento de Parlapatões.

P.S. - Ao futebol só faltavam mesmo deliberações sobre fezes e correspondentes factores das mesmas. Pena o discurso arrepiante de tão ordinário não ter sido proferido na Assembleia Prostituinte em dia de bambochata: era tiro e queda. Queda para a porcaria."

Afonso de Melo, in O Benfica

Modalidades

"1. Não foi tão bom como sonhámos, mas, agora que a época das modalidades está a chegar ao fim, é possível fazer um balanço bastante positivo. Reportando-se apenas às principais - e aos Campeonatos de topo -, Voleibol e Basquetebol confirmaram a sua grande superioridade a nível nacional e o Atletismo fez novamente o pleno (ganhou todos os títulos nacionais masculinos que havia para ganhar) e ainda foi vice-Campeão Europeu em corta-mato e pista.
Ao Hóquei em Patins faltou muito pouco para o título mas este domingo goleou um FC Porto que não sabe perder na final da Taça de Portugal.
Futsal e, principalmente, Andebol desiludiram, sendo, no entanto, de salientar que a inesperada eliminação da equipa de futsal frente ao Fundão deu para realçar algo que passava despercebido: o Benfica esteve em todas as anteriores finais do 'play-off' da modalidade. Esperamos lá voltar em 2015.
Não me canso de salientar: enquanto o Sporting está a alto nível, lutando pelos títulos, apenas no Andebol, Futsal e Atletismo e o FC Porto no Andebol e Hóquei, o Benfica está nas seis principais modalidades. Quando não ganha, está lá perto...

2. O presidente do Sporting parece que 'descarrilou' mesmo. Nas últimas semanas, mostrou-se. Primeiro, teve que reconhecer que o telefonema que não deixava bem visto Luís Filipe Vieira nunca existiu. Era escusado ter lançado a confusão e durante bastante tempo ter-se dela aproveitado. Não lhe ficou nada bem...
Depois, teve aquela saída muito mal cheirosa, a propósito da Liga de Clubes, perfeitamente descabida. Agora, lança 'bocas' sem sentido à esquerda e à direita e chega ao cúmulo de falar numa aliança SLB-FCP de vários anos, quando quem andou aliado com Pinto da Costa foi o seu clube, com a honrosa excepção de Dias da Cunha. E, afinal, qual a sua solução para a Liga de Clubes? Enfim, depois de um primeiro ano em que excedeu as expectativas, deu-se finalmente a conhecer. Nem quero imaginar quando os resultados do Futebol não forem aqueles com que sonha...

3. Vem aí o Mundial e, a propósito, acho perfeitamente descabido o equipamento alternativo, sem qualquer das cores nacionais. Para quando uma regulamentação oficial dos equipamentos das selecções de todas as modalidades? E, a propósito: porquê o equipamento alternativo (bem bonito mas sem as cores do clube) na vitoriosa final da Taça de Hóquei?"

Arons de Carvalho, in O Benfica

Benfica palavra mágica

"Todos os dias, alguns jornais vendem grande parte do plantel do Benfica, ao mesmo tempo que colocam no Clube Campeão paletes de supostos reforços. Isto é assim todos os anos e as alegadas notícias não conseguem esconder uma realidade: para vender papel de jornal há uma palavra mágica e essa palavra é Benfica.
Há de tudo em tais textos publicados: jornais a quererem vender papel; empresários a quererem valorizar a mercadoria; jogadores e clubes a quererem dar nas vistas; intriguistas a quererem arranjar matéria-prima para especulações. Até há notícias verdadeiras, embora o saldo seja o descrédito da credibilidade dos jornais.
Devo dizer porém, que este ano, pela minha parte, encaro com serenidade a vaga de supostas vendas e alegadas compras. Porque sabendo que é inevitável que saiam jogadores do valioso plantel do Benfica, alguns dos quais será doloroso ver partir, sei também que o Benfica tem uma direcção e um treinador que têm dado mostras de grande competência em valorizar os atletas que crescem no Clube, que cá ficam ou que chegam.
E assim vai acontecer este ano, digo eu, com a esperança que esta seja já uma época a caminho do tal Benfica made in Benfica.

Observação: o presidente do Sporting, aproveitando um estádio e um jogo da Selecção Portuguesa, achou por bem envenenar a união que deve reinar entre os atletas representantes do País inventando uma aliança entre Benfica e FCP para bipolarizar o futebol em Portugal. Depois de ter pretendido sanear da Bandeira Nacional a cor do sangue dos heróis da Pátria, o fala-barato não podia ter dado maior prova de falta de senso. O presidente do Sporting cada vez se parece mais com uma figura criada por Raul Solnado e que se caracteriza apenas por ter a mania de dizer coisas."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Os nomes do sucesso

"Mesmo com um Mundial à porta, não há benfiquista que não guarde o doce sabor de uma temporada histórica, coroada com a conquista de três troféus, e abrilhantada pela presença numa final europeia.
Se no calor da euforia nem sempre é possível avaliar com precisão todos os aspectos que pesaram em tão triunfante caminhada, agora, a frio, com algum distanciamento a ajudar, torna-se mais fácil identificar as razões, os momentos, e, também, os heróis, de uma saga inesquecível.
É preciso dizer que estamos perante, não uma, mas duas temporadas absolutamente excepcionais da nossa equipa de futebol. Terminaram de forma distinta, é certo, mas se a sorte ou o azar podem ditar o destino final de qualquer jogo (com um penálti falhado, um remate fortuito, ou um golo nos descontos), só a competência e o trabalho rigoroso permitem manter, durante meses, um elevado nível competitivo - capaz de pôr os adeptos a sonhar com este mundo e com o outro.
Foi essa ideia que levou o Presidente Luís Filipe Vieira – de forma tão lúcida quanto corajosa - a decidir manter uma equipa técnica sob contestação, e foi aí que a história do sucesso começou a ser escrita.
Houve, porém, um segundo momento, a partir do qual a equipa se uniu, e acreditou que tudo lhe era possível. Inspirada por Eusébio, a vitória sobre o FC Porto, no final da primeira volta, virou os pratos da balança definitivamente a nosso favor. Se a manutenção de Jesus criou condições objectivas para vencer, aquela semana de Janeiro deu a união e a crença que sempre acompanham os campeões.
Luís Filipe Vieira, num primeiro plano de análise, e Jorge Jesus, logo atrás, foram pois os obreiros deste sucesso. Mas há que distinguir também aqueles que, em campo, interpretaram tão bem a mística benfiquista, e concretizaram em títulos os anseios de milhões de portugueses. Enzo Perez e Gaitán foram, no meu ponto de vista, os jogadores que mais brilharam durante estes meses. Um a equilibrar, outro a desequilibrar, foram eles as estrelas do Benfica 2013-14."

Luís Fialho, in O Benfica

O que os faz correr

"Sabemo-lo, porque ninguém se preocupou em escondê-lo, que a Liga de Clubes foi esvaziada de poderes. Tudo, a seu tempo e de forma obscenamente às claras, foi passado para o feudo da Federação Portuguesa de Futebol. Mesmo em termos disciplinares, a Liga ficou com uma pífia Comissão de Instruções e Inquéritos assente numa alínea a) que lhe garante o poder de “instaurar processos disciplinares ou de inquérito, por iniciativa própria ou na sequência de participação”. Uma alínea que serve apenas para que a FPF dela escarneça, fazendo publicamente tábua-rasa dos inquéritos dela emanados. Ou seja, a Liga foi esvaziada, mas não ficou vazia.
Nas últimas semanas foi ver como muitos (tantos e tão fracos) se juntaram, separaram, conluiaram, traíram, conspiraram e envergonharam o futebol numa ânsia de cadeiras e microfones (como diria o poeta Jorge de Sena). Afinal, parece que naquele osso bem rapado da Liga sobra ainda um belo naco de carne que vale tanto como todo o resto de carne que a FPF já de lá comeu. Os chacais prepararam-se para filar o naco que respeita aos direitos televisivos do futebol português. E foi em torno destes direitos que tantos jogaram xadrez, escolhendo equipas para jogar num tabuleiro há muito dominado pela oligarquia que atirou o futebol português para isto, esta coisa em forma de interesses privados que se aproveita da coisa pública. A luta em torno dos direitos televisivos é a luta em torno do dinheiro e do poder. Manter os direitos televisivos como um feudo privado dos mesmos que durante anos influenciaram campeonatos, escolheram presidentes da Federação e selecionadores é ajudar a perpetuar um poder bafiento e ultrapassado.
Garantir que os direitos televisivos ficam fora da alçada desta gente é a única esperança de que o futebol português possa voltar a ser algo de digno."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Invasões bárbaras

"Vem aí o inferno. Não são os jogos do Mundial, de que gosto. E talvez até venha a gostar mais este ano. Estou optimista. A equipa portuguesa pode não ser jovem, mas é uma equipa. Com atletas habituados a jogar entre si. O inferno também não é a barrigada de jogos. Essa agradeço. O inferno são muitos dos nossos queridos concidadãos que, sentados em frente ao televisor, fazem uma pausa nas suas vidas e descobrem que existe futebol.
De que lado é a nossa baliza? Por que é que não foi golo? O que é isso do fora-de-jogo? Não gostam de futebol. O que gostam mesmo é da nossa Selecção. Os Mundiais e os Europeus estão para quem gosta de futebol como o fim de semana está para o automobilista experiente, com a estrada cheia de gente a fazer asneiras a 40 Km/hora. É uma espécie de Dias da Música, do CCB. De repente a arte abre-se, generosa, à ignorância. Não estou a dizer que é mau. É excelente. Mas ouvir Schubert acompanhado pelo choro insistente de uma criança pode tornar-se desagradável.
É o que acontece por estes dias, quando a minha mãe, tentando concentrar-se em movimentos de várias pessoas num relvado, para ela absolutamente indecifráveis, me pergunta pela terceira vez: os nossos estão de encarnado, não é?
É durante os Mundiais e os Europeus que descobrimos que, ao contrário do que pensamos no resto do ano, há uma metade do país que não liga peva a futebol. De repente, eles saem todos da toca. Espantados, percebemos que, quando vimos um dérbi e sofremos, eles estavam a fazer outra coisa qualquer. Talvez a pôr fotos do Cristiano Ronaldo no Facebook. São estas pessoas que eu quando digo que a minha selecção é o Sporting me fazem em esgar semelhante ao de Cavaco antes de desfalecer. Não percebem por que sofro. Este é o mês em que o Sporting não joga.
Não me tomem por fanático. Sou solidário com todos os benfiquistas e portistas que vivem no mesmo sentimento de orfandade. As suas selecções estão paradas. Espalhadas por várias equipas nacionais. Para entreter estes bárbaros que não percebem que a unidade natural do futebol é o clube. É neles, com jogos semanais durante um ano inteiro, que um conjunto de jogadores se transforma numa equipa e produz equações perfeitas. As selecções são uma espécie de salada de frutas. Pode ser agradável, mas os sabores perdem-se."

Telma Monteiro e Célio Dias gravemente prejudicados

"O Sport Lisboa e Benfica vem por este meio esclarecer por que motivos os atletas Telma Monteiro e Célio Dias não competirão no Grand Prix de Budapeste, que tem lugar nos dias 21 e 22 de Junho, prova de apuramento olímpico para os Jogos Rio de Janeiro 2016.
A judoca, Telma Monteiro, contactou esta semana o director técnico, Rui Vieira, a perguntar pelo plano de voo desta deslocação, não obtendo esclarecimento sobre o mesmo visto que este "não estava na federação". Mais nenhuma informação foi dada.
Apenas na quinta-feira, dia 12 de Junho, Rui Vieira informou os treinadores dos atletas do Sport Lisboa e Benfica que estes não iriam competir em Budapeste porque a inscrição não fora aceite. Quando questionado quanto aos motivos, o dirigente apenas respondeu que não é "responsável pelos serviços administrativos e vão ser apuradas responsabilidades".
Algo que parece tão simples e com uma abordagem "descomprometida" por parte da Federação Portuguesa de Judo implicará a alteração de um rigoroso plano competitivo dos atletas; terá de ser escolhida outra prova para competir pelo apuramento para os próximos Jogos Olímpicos e, no mesmo sentido, alterar a data prevista para um estágio no Japão tendo em vista a preparação para o Campeonato do Mundo que se realiza no final de Agosto, com os respectivos custos extra da nova prova - que poderá ser o Grand Prix da Mongólia ou o Grand Slam de Moscovo - bem acima do orçamento para o Grand Prix de Budapeste. 
Na verdade, diga-se objectivamente: a inscrição de aletas com o currículo e o estatuto de elite de Telma Monteiro e Célio Dias, entre outros, foi feita fora do prazo.
O Sport Lisboa e Benfica manifesta total apoio aos seus judocas pelo prejuízo que estes sentem perante uma situação inédita na modalidade. Tudo porque os serviços administrativos da FP Judo demonstram total falta de capacidade para assumir processos burocráticos que, com este tipo de falhas, podem influenciar negativamente a carreira de atletas de elite que representam Portugal ao mais alto nível.
O facto de poder o apuramento olímpico ser garantido noutra competição não invalida o acto irresponsável da federação, organismo que, em primeira instância, devia ter como prioridade dar todas as condições para que a participação dos atletas estivesse garantida, segundo o calendário de competições previsto.
Em correspondência burocrática trocada com os atletas, o director técnico admite que "Por falha administrativa interna (envio fora do prazo limite das inscrições), a Federação Internacional de Judo não aceitou a inscrição da nossa comitiva no Grand Prix de Budapeste. Obviamente que o planeamento já acordado vai ser prejudicado. Qualquer das formas devemos tentar encontrar a melhor solução para este constrangimento..."
Além de evidentes deficiências de organização numa modalidade que tem trazido ao País prestígio e notoriedade internacional pelo empenho e dedicação de atletas e técnicos, torna-se essencial referir que o facto de Telma Monteiro e Célio Dias não cumprirem o plano de competições atempadamente traçado e aceite prejudicará as suas ambições no ranking mundial, uma vez que muito provavelmente os seus adversários ganharão vantagem em Budapeste. E com melhores posições no ranking terão estes, na mesma medida, mais facilidade em sorteios futuros.
No fundo, é toda uma época que pode ficar em causa. E porquê? Porque um organismo de "Utilidade Pública" não consegue garantir serviços mínimos no apoio administrativo a atletas com o desempenho desportivo de Telma Monteiro, quatro vezes campeã da Europa e três vezes vice-campeã do Mundo, e Célio Dias, uma das grandes promessas do Judo português com legítimas ambições de atingir as medalhas no Rio-2016."

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Carlos Nicolía

Interrompo o defeso das modalidades, para rejubilar com a confirmação da contratação de um dos melhores Hóquistas do Mundo da actualidade!!! Para mim, repartia com o Espanhol Bargalló o título de melhor do Mundo, mas a partir de agora, é de longe o 'melhor´!!!
Havia algumas dúvidas, se seria possível, convencer o Nicolía a vir para Lisboa, mas tudo acabou por correr bem...
Não exagero, quando digo que desde do Panchito não tínhamos um talento destes, e provavelmente na nossa História sobre patins, artistas destes, só Livramento, e o Panchito...
Deixo aqui alguns vídeos, inclusive a nossa derrota com o Valdagno na Final 8, de 2012!!!
Com o regresso do Tiago Rafael, o plantel do Hóquei ficou fechado. Só saiu o Coy, e entraram estes dois jogadores. Ficamos claramente com um plantel mais forte. Apesar de continuarmos a não ter no plantel um jogador com as características do Luís Viana, um goleador nato...!!! Tanto o Nicolía como o Tiago são especialistas nas bolas paradas, portanto espero que finalmente o 'trauma' termine!!!
Agora é preciso ser inteligente na gestão dos jovens talentos que temos... os regulamentos de transferências do Hóquei são diferentes de outras modalidades, mas alguns têm que ser 'emprestados' a equipas da 1.ª Divisão!!!

PS: Aproveito para fazer um balanço das movimentações no mercado nas outras modalidades, principalmente o Voleibol, que também já tem o plantel fechado!!! Saíram o Coelho, o Perini, e o Marcel, e entraram o Ivo Casas, e regressou o André Lopes e o Vinhedo. O Marcel Gil só foi contratado devido à lesão do Zelão, assim acaba por ser normal a sua não continuação... em relação aos nossos Liberos, compreende-se a troca de dois jogadores com valor idêntico, mas com o Ivo ainda com muitos anos pela frente de alta competição... O regresso do Vinhedo acaba por ser uma surpresa agradável...
A grande novidade, é mesmo a ida às competições Europeias!!! Vamos disputar a Challenge Cup, e o sorteio já se realizou... o nosso primeiro adversário é o CV Andorra. Os jogos só se vão disputar em Novembro, e em Andorra vamos ter seguramente muitos Benfiquistas.
No Andebol, a revolução está a 'meio': saíram os dirigentes, que deviam sair; foi contratado um treinador Espanhol (não creio que o Rito fosse o culpado!!!); já saíram alguns jogadores, mas falta saber quais serão as contratações, e vão ser muitos, pelo menos 4 !!!
No Basket, a grande dúvida neste momento é a continuação do Doliboa... muito sinceramente, da parte do Benfica não deve haver dúvidas, o Seth tem que continuar (se ele assim o desejar...)!!! A renovação do contrato com o Jobey Thomas foi uma excelente notícia, ao 'nível' do Nicolía!!! No Basket também existe a possibilidade de regressar à Europa, vamos ver...
No Futsal, só foi confirmado a saída do treinador, que foi a decisão correcta, agora vamos ver como será a construção do plantel: o Marcão saíu, fala-se do guarda-redes da Selecção Espanhola, e o Ré está quse confirmado (espero que seja o goleador que a equipa precisa), mas vamos ver...

O nosso Mundial, será assim...


Vou pela comiseração e descarto o resto

"Que Paulo Fonseca faça temporada de tal modo excelente com os castores que depois seja, de novo, contratado pelos dragões - é o anseio dos adeptos mauzinhos dos rivais directos do FC Porto.

O Mundial começa amanhã. A selecção portuguesa tem estreia marcada na próxima segunda-feira. Quando tudo acabar (o mais tarde possível para os portugueses, é o que se deseja) se fará o balanço. Quem brilhou, quem desiludiu, quem surpreendeu, quem deitou tudo a ganhar, quem deitou tudo a perder, enfim, essas coisas…
Para já, e no que diz respeito à nossa selecção (que é o que nos interessa) é possível fazer o balanço dos jogos de preparação pré-Mundial contra gregos, mexicanos e irlandeses. Resumidamente: foi em crescendo.
E de tal modo em crescendo que até quem há, entre os pessimistas, os que lamentam a goleada imposta à República da Irlanda porque, temem, pode induzir não só a selecção mas também a nação num estado pernicioso de euforia.
Discordo, respeitosamente. É bom ganhar. E marcar golos, muitos golos, é melhor ainda.
Nestes três jogos destacaram-se três jogadores. Poderão não vir a ser as figuras do nosso Mundial mas foram, certamente, as figuras do nosso pré-Mundial. A saber: o guarda-redes Eduardo (garantindo o triunfo sobre o México), Fábio Coentrão (a defesa-esquerdo, a médio esquerdo, autor de golo e meio contra a República da Irlanda) e Hugo Almeida (assinando dois golos no único jogo em que foi titular).
Cristiano Ronaldo deu bons sinais de saúde contra os irlandeses mas o melhor do mundo só jogou uma hora em Newark e nem pisou a relva no Jamor e em Boston. Por isso mesmo pode-se dizer, e com toda a propriedade, que nestes três jogos de preparação a selecção portuguesa foi Fábio Coentrão e mais dez. E não foi nada mal.
Para a semana já é a sério. Boa sorte!

O momento Quim Barreiros do presidente eleito do Sporting terá afastado do último congresso leonino alguns nomes de peso do universo do clube, como Marçal Grilo. O antigo ministro, de acordo com a imprensa, ficou «desagradado com as polémicas declarações» e solicitou que o seu nome «fosse retirado da comissão de honra» do evento. Está no seu direito. Trata-se de alguém que foi, precisamente, ministro da Educação.
De um modo geral e sintomático, detectou-se nos dias que se seguiram ao momento Quim Barreiros do presidente do Sporting a quase total cobertura do referido momento por um manto de silêncio da imprensa, dos opinadores, etc…, quando, e houvesse vontade para tal, haveria ali matéria para um sem número acutilâncias analíticas. Quer pela importância do tema propriamente dito (as eleições na Liga), quer pelo inusitado das imagens gráficas.
A verdade é que não houve vontade de mexer no assunto. A meu ver, bem. Logo surgiram, dos mais diversos quadrantes, tentativas de explicação para o fenómeno. Porque se trata de um fenómeno sempre que um presidente de um clube de futebol produz afirmações contundentes e não encontra por parte da comunicação social apetite para fazer render o peixe.
Há quem justifique essa pouca valia emprestada pelos jornais ao momento Quim Barreiros do presidente do Sporting como um acto de cobardia (em função do ataque ao Benfica e ao FC Porto) ou como um acto de puritanismo (em função das metáforas) ou como um acto de hipocrisia (em função da humanidade que as todos assiste) ou como, muito simplesmente, um acto de comiseração (em função do respeito devido ao Sporting).
Eu vou pela comiseração e descarto o resto. Era só isto.

A arte plena do humor quando toca a futebol é, nas mais das vezes, uma grande impossibilidade porque o futebol exige tanto aos seus adeptos em termos de devoção e de monomania que se torna uma tarefa hercúlea fazê-los rir quando o foco extravasa o limitadíssimo território do chamado amor-próprio.
De uma maneira geral, que julgo ser uma característica muito enraizada no nosso povo, domina uma liberdade ruidosa e sem freio para nos rirmos dos males dos outros enquanto, no polo oposto, o dos nossos males, a regra é o silêncio e a censura e, pior ainda, vigora uma intolerância abaixo de zero para o encaixe de qualquer boa graça que seja do contra aos nossos afectos, interesses e egos.
Vivo desde sempre com a ideia, porventura romântica, de que rir é desobedecer ao mais alto nível. E, tratando-se de futebol, desobedecer a si próprio e aos ditames do humor-de-Estado não é para todos. É só para alguns que, por essa mesma razão, se distinguem dos demais.
Como são os casos de Ricardo Araújo Pereira, que toda a gente conhece, e de Joana Marques, que se vai dando a conhecer com bravura. Nenhum deles é banal no modo de trabalhar o humor porque, constantemente, se colocam em causa a si próprios e aos seus amores. E fazem isso com uma graça imensa. 
Na semana passada, Ricardo Araújo Pereira levou Jorge Jesus, o próprio, a protagonizar a seu lado um brevíssimo sketch em Melhor Do Que Falecer, o momento de humor com assinatura de autor que se segue diariamente ao jornal da noite da TVI. Quem não viu não sabe o que perdeu.
Dentro daquele sentido de humor pobrezinho, apanágio de qualquer dispensador de etiquetas, as graças recorrentes quando se trata de Jesus, visam o uso do português, gramatical e semântico, do treinador do Benfica.
Ora Ricardo Araújo Pereira, adepto do Benfica 24 horas por dia, pegou no assunto pelo lado contrário. Sentou Jesus a seu lado, um Jesus professoral a corrigir o português do comediante, a acusá-lo de gritar demais com os jogadores da play-station num curto desfilar de temas-anti-Jesus transformados em temas-pró-Jesus interpretados pelo próprio. Foi brilhante. E que bom foi ver que o treinador do Benfica também sabe brincar com as suas peculiaridades.
Joana Marques, adepta do FC Porto, trabalha o seu humor nas manhãs da Antena 3 e no Canal Q das Produções Fictícias onde, todas as noites de segunda-feira, assina um comentário futebolístico no decorrer da emissão de Inferno, o serviço diário de notícias do dito canal.
Joana Marques é, também ela, uma desobediente sempre capaz de nos surpreender porque, assumindo como Ricardo Araújo Pereira o seu fervor clubista, desfaz a cartilha do humor expectável, do humor-de-Estado, com um atrevimento e um esplendor dignos de nota.
Quando, há coisa de semanas, Paulo Bento divulgou os seus convocados para o Mundial, vi Joana Marques, no seu espaço de intervenção no Inferno, a protestar energicamente contra a exclusão do «melhor jogador do mundo» da lista do seleccionador nacional.
- Mas o Cristiano Ronaldo foi convocado – retorquiu-lhe Pedro Vieira, o pivot.
- Refiro-me ao Licá – rematou a jovem humorista com o ar mais sério deste mundo.
Benditas sejam, portanto, as pessoas que nos fazem rir.

PAULO FONSECA vai regressar a Paços de Ferreira, lugar onde foi muito feliz na temporada de 2012/2013 o que lhe valeu o ingresso no FC Porto em 2013/2014. Onde já não foi tão feliz, como é do domínio público. 
As repetições em futebol acontecem.
Os adeptos do Paços, que muito sofreram na última época, anseiam com toda a legitimidade pela repetição do sucesso de Paulo Fonseca na capital do móvel, se possível com nova qualificação para a disputa do acesso à Liga dos Campeões, situação bem mais agradável do que a de ter de lutar ferozmente até ao último segundo pela permanência na primeira divisão.
E que Paulo Fonseca faça uma temporada de tal modo excelente com os castores que no ano seguinte seja, outra vez, contratado pelos dragões! – é o anseio dos adeptos mauzinhos dos rivais directos do FC Porto. 
Repetição por repetição, pois que seja levada até às últimas consequências.

NA semana passada, Luisão foi condenado por um tribunal alemão a pagar 70 mil euros ao árbitro alemão que atirou ao chão num jogo particular do Benfica, em Dusseldorf, no já distante mês de Agosto de 2012. 
Vejam só como é lenta a justiça alemã. E com evidente prejuízo para o Benfica.
Tivesse o tribunal de Dusseldorf decidido em prazo decente a pena a aplicar ao capitão do Benfica, talvez o árbitro alemão que em Maio de 2014 calhou ao Benfica na final da Liga Europa tivesse entrado em campo com uma disposição, enfim, menos corporativa e menos vingativa."

Leonor Pinhão, in A Bola

Vergonha maior

"«É uma evidência matemática que (...) para se perfazer o número de vinte e quatro clubes a disputa o campeonato da II liga na época desportiva 2014/15 é condição necessária que nenhum clube participante nesta competição na presente época de 2013/14 seja relegado para divisão inferior.»
Comunicado da Liga, 21 de Maio de 2014

O regabofe das eleições da Liga faz correr muita tinta, mas não é o mais ridículo do ano. O mais ridículo, o maior sinal de incompetência (espero eu) dos dirigentes do organismo, está no facto de não ter havido descidas da Liga 2 para o CNS no final da época.
A Liga criou disposições transitórias para prever alargamento caso o Boavista se conseguisse inscrever. Faz sentido. Ou faria. Só que, como já tantas vezes nos habituo (goal avarage na Taça da Liga, por exemplo), fez mal o regulamento.
Para resumir: a directora-executiva da Liga, Andreia Couto, ou não sabe fazer contas e não percebeu que a partir do momento em que ou descia menos um clube da Liga ou subia mais um da Liga 2, via play-off, iria faltar alguém no segundo escalão na próxima época; ou faz tudo de má-fé para tentar disfarçar aquilo que a Federação chumbara no ano anterior.
Federação que é, obviamente, conivente. Aprovou um regulamento que na verdade previa aquilo que não aceitara um ano antes, um campeonato sem descidas - mais uma vez, ou por não saber fazer contas, ou para não levantar ondas.
Seja como for, o comunicado em que se  convida o Atlético a inscrever-se na Liga 2 na próxima época é ridículo. Pinta o caso como se a Liga tivesse sido apanhada de surpresa. Mesmo que Andreia Couto, que o assina juntamente com Mário Figueiredo, não sabia fazer contas, já fora alertada em Dezembro para o que iria acontecer. A Liga, claro, decidiu esperar, para disfarçar a coisa. Só que nos clubes há quem saiba fazer contas. Na Liga 2 já muita gente sabia que não ia haver descidas. Aquela corrida pela manutenção foi uma coisa absolutamente ridícula.
Vai uma aposta?"

Hugo Vasconcelos, in A Bola

Géneros

"De acordo com o Dicionário Terminológico em vigor, «nos nomes, o valor de género corresponde, tipicamente, a uma distinção de sexo, excepto no caso dos nomes epicenos (como 'sapo' ou 'corvo'), sobrecomuns (como 'vítima' ou cônjuge') e comuns de dois (como 'estudante' ou 'jornalista')». Uma classificação sofisticada com variantes ao que, nos meus tempos de escola, era, tão-só, o masculino e o feminino.
Vem isto a propósito do género dos clubes. Que é masculino para a esmagadora maioria. Será por os clubes de futebol serem de origem e tradição macha? Ou por seguirem, obedientemente, o masculino da palavra clube?
Mas há excepções, como a (Associação) Académica e até hesitações como os clubes que são «União». Dizemos o União da Madeira ou de Tomar, mas hesitamos entre a União de Leiria e o União de Leiria. Utilizando a nova terminologia, tratar-se-á  de um nome comum de dois?
E se não vislumbra excepções nos clubes ingleses, alemães ou franceses, há muitos clubes femininos, claro está, na bela Itália: a Roma, a Lazio, a Fiorentina, a Udinese, a Sampdoria (que são Associazione Calcio, Calcio Societá ou Unione Calcio). Além da Juventus que, apesar de jovial nome, é conhecido por La Vecchia Signora.
Em Espanha há a Real Sociedad e no Brasil a excepção é lusitana: a Portuguesa de Desportos.
Estranho é o Estrela e os Vitórias serem masculinos apesar de a estrela e a vitória serem femininas. É como a moral e o moral. A primeira é fundamental, o segundo - que significa ânimo - é necessário, mesmo que às vezes o ouçamos, erradamente, no feminino! Que ambos os géneros estejam com Portugal no Brasil."

Bagão Félix, in A Bola

Triplete por dentro...!!!

Pico da Malveira !!!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

F de futebol

"Momento I: passo pelos canais noticiosos. O primeiro que vejo acompanha freneticamente um autocarro com entusiasmo. Continuo o zapping. O terceiro relata, com emoção, a marcha de um autocarro, suponho que o mesmo. O quarto canal faz tal e qual, entrecortado por uma exegese da viagem. Desliguei a televisão. Queria escolher, mas nenhum canal me deu essa possibilidade.
Momento II: passo pelos canais noticiosos. Deparei com uma conferência de um jogador. Uma conversa feita de nada. Minutos a fio que nem o Presidente da República tem. Mudei de canal, mas era o mesmo. Canal seguinte: ainda a mesmíssima oca excitação. Mudo quase instintivamente de canal, mas lá permanecia o rapaz da bola. Desliguei a televisão. Queria escolher, mas nenhum canal me deu essa possibilidade.
Momento III: passo pelos canais noticiosos. No primeiro, vi imagens de uns rapazes a fingir que treinavam com um locutor empolgado a dizer banalidades. Mudei, mas a cantiga era a mesma. Voltei a mudar e ouve-se a 326.ª lição anatómica de um tendão rotuliano. Desliguei a televisão. Queria escolher, mas nenhum canal me deu essa possibilidade.
Dizem que é assim por causa do esplendor das audiências que exige uma overdose nauseante e circense à volta do Mundial. A acefalia assentou praça. A televisão pública (para a qual pagamos a taxa audiovisual) no seu canal informativo vai «ter cerca de 8 a 10 horas diárias com o antes e depois dos jogos» como disse um dos seus responsáveis. Nunca o F do futebol foi tão alienante.
Declaração de interesses: gosto muito do meu País. E de futebol... jogado."

Bagão Félix, in A Bola

Tacadas certas...

Excelente fim-de-semana para o Bilhar do Benfica: Campeões Nacionais Masculinos de Snooker; Taça de Portugal de Snooker Masculino; fazendo a dobradinha!!!
Mas os títulos não ficaram por aqui: Taça de Portugal de Pool, Masculinos e Femininos...!!!

E assim, lentamente, se vai matando a paixão pelo Jogo...!!!

Enzo, o lúcido

"A história do Benfica está cheia de jogadores insubstituíveis. De cada vez que se fala da saída de um jogador decisivo, logo surge o espectro do desmantelamento da equipa. Nem é preciso recuar muito tempo, basta recordar o que se disse quando, em Janeiro, Matic foi vendido - 'a equipa ia ficar defensivamente desequilibrada'; 'não existiam substitutos à altura', e por aí fora. Sabemos bem o que aconteceu: a equipa (re)equilibrou-se, deixou de sofrer golos e vencemos tudo o que havia para vencer em Portugal.
Agora que é quase certo que Enzo Pérez nos vai abandonar, a questão volta a colocar-se.
Devo a este propósito fazer uma confissão: quero muito acreditar nas qualidades do departamento de scouting, na capacidade de Rui Costa para identificar craques em potência e na forma como Jorge Jesus melhora os jogadores que treina.
Mas, por agora, vivo de facto uma angústia: como é que vamos manter o sistema actual, só com dois médios, sem um 8 como o Enzo?
Não sei. O sistema de jogo do Benfica exige da posição 8 mais do que de qualquer outra. Com Jesus, o 8 tem de ser forte a marcar, compensar as subidas dos extremos e ainda pautar o ritmo do jogo. Com lucidez táctica, foi o que Enzo fez invariavelmente. Agressividade a ocupar de decidir sempre bem - umas vezes temporizando para sofrer falta, outras saindo a jogar e ainda outras com passes em profundidade.
Quando for preciso ver vídeos de como se joga a 8, bastará ver um 'best of' de Enzo. Mas há também o lado emocional. Num mês de Maio que não esqueceremos, Enzo sofreu como nós e no seu rosto vi estampada uma angústia absoluta. Sei bem que, depois, foi dos primeiros a levantar a cabeça e que, em cada bola disputada, colocou toda a raiva acumulada na temporada passada.
Estou certo que tudo vai correr pelo melhor e que um destes jogadores que nem do YouTube consta vai revelar-se um craque estratosférico. Até lá, sofro com o vazio anunciado da camisola 35 e e agradeço-te, Enzo, por teres sido um benfiquista como nós."