Últimas indefectivações

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Deslizando sobre patins vermelhos

"A Taça dos Campeões Europeus de Hóquei em Patins (da qual o Benfica é titular) é quase um feudo espanhol - 42 vitórias contra cinco portuguesas e uma italiana. Ainda assim, a história das 'águias' é brilhante, com seis presenças na Final.

EM 1973 já o Benfica tinha estado presente por duas vezes na Final da Taça dos Campeões Europeus de Hóquei em Patins. Convém dizer que esta competição viu a sua primeira edição ser disputada na época de 1965/66. Por seu lado, o Campeonato Nacional disputou-se pela primeira vez em 1938/39, e o primeiro campeão foi o Sporting. Porque vou encher esta página com factos, números e datas (a vossa paciência que me perdoe), há que ser bem explicativo. Já começámos pela Taça dos Campeões, ideia base desta crónica, mas para já assentemos arraiais no Campeonato Nacional. O Benfica conquistou o seu primeiro título em 1950/51. E o segundo logo a seguir: 1951/52. Daí para cá somou mais 19 vitórias num total de 21. É de estalo!, diria o João da Ega. Pois é. Mas voltemos aos primórdios.
Se o primeiro campeão nacional foi o Sporting, precisaram de esperar os leões até à época de 1973/74 para serem campeões outra vez. Pouco depois venceram a Taça dos Campeões, tornando-se no primeiro clube português a consegui-lo, mas já lá iremos. Nesses tempos primevos, o grande dominador do Hóquei em Patins neste jardim à beira mal plantado era o Paço de Arcos, muito graças ao estilo único dos primos Correia, o Jesus Correia (que foi um dos Cinco Violinos) e o Correia dos Santos. Aliás, Correia dos Santos jogou nos dois Paços de Arcos: no Paços de Arcos Hóquei Clube e no Clube Desportivo Paço de Arcos, depois da fusão de ambos em 1945. Ou seja, até 1950/51, época do tal primeiro título 'encarnado', o Paço de Arcos tinha somado seis campeonatos (cinco de enfiada), cabendo os outros ao Sporting (1), Hóquei de Sintra (2) e Futebol Benfica (2). Tempos em que a Linha mandava no Hóquei.
Depois veio o Benfica: o Sport Lisboa. E a realidade mudou.

Como areia por entre dedos
NOS dias que correm, o Benfica acumula os títulos de Campeão Europeu (Taça dos Campeões), Campeão Continental (Supertaça Europeia) e Campeão Intercontinental (Taça Intercontinental). Falhou o título nacional para melhor ser impossível.
Foram  precisos muitos anos para que o Benfica conquistasse a Taça dos Campeões Europeus que teimou em fugir-lhe por entre os dedos como areia por uma, outra e outra vez. Aliás, e para que conste e aqui fique registado com selo de garantia, o Benfica foi a primeira equipa portuguesa a chegar à Final de tal competição, em 1969, perdendo com o Reus (1-7; 3-0), Reus esse que cometeu a proeza de vencer seis Taças dos Campeões consecutivas, sucedendo ao Voltregá (primeiro vencedor, batendo o Hóquei Clube de Monza) e sendo depois destronado pelo Barcelona em 1973, ano em que o Benfica voltou a ser finalista, precisamente contra o Barcelona como é mais do que óbvio (3-2; 7-7). O Benfica começava a cumular derrotas na Final da maior prova internacional, tal como o Hóquei português que, na época seguinte, viu o Desportivo de Lourenço Marques ser batido pelo Barcelona (5-8; 4-5). Já íamos na décima primeira edição da competição e os clubes espanhóis somavam onze vitórias. Lá está, era de estalo!
Finalmente veio o Sporting. Primeira Final, primeira vitória, sobre o Vilanova (6-0; 6-3) - os leões só voltariam a jogar mais uma final, em 1988/89, frente ao Noia (4-7; 1-3).
Já o Benfica somou mais finais e mais derrotas. Em 1979/80, de novo contra o Barcelona (2-5; 3-6); em 1992-93, frente ao Igualada (1-4; 3-8); em 1994-95, outra vez perante o Igualada /3-4; 1-3). Cinco finais, cinco momentos tristes. A sexta Final do Benfica seria a Final feliz. No Porto, já com o novo sistema de disputa da prova («Final Four», meias-finais e Final a um só jogo, fundido-se as equipas da Taça dos Campeões com as da Taça das Taças), batendo primeiro o Barcelona e sem seguida o FC Porto.
Ah! Era a vingança perante a história.
Uma história que, conclua-se, foi sempre madrasta para com os clubes portugueses na Taça dos Campeões Europeus. Veja-se: vamos na 49.ª edição (e o Benfica defende o título) e só há cinco vitórias lusitanas (Sporting - 1976/77; FC Porto - 1985/86 e 1989/90; Óquei de Barcelos - 1990/91; Benfica - 2012/13). Quanto a finais perdidas, além das do Benfica, da do Sporting de Lourenço Marques e da do Sporting, às quais já fizemos referência, sobram as do FC Porto (1984/85, contra o Barcelona; 1986/87, contra o Liceo da Corunha; 1996/97, de novo contra o Barcelona; 1989/90, frente ao Igualada; 1990/00, perante o Barcelona; 2003/04 e 2004/05, ambas frente ao Barcelona; 2005/06, frente ao Follonica e 2012/13 frente ao Benfica: nove finais na situação de derrotado - é de estalo!), e do Óquei de Barcelos (1993/94, contra o Igualada e 2001/02 frente ao Barcelona). Isto é, só quatro equipas portuguesas foram campeãs da Europa, só cinco equipas portuguesas chegaram à Final da prova. Os espanhóis somam seis vencedores (Voltregá, Sentmenat e Vic), mas somam 42 títulos contra os tais nossos cinco. Sobra uma vitória italiana, a histórica de 2006 contra o FC Porto, e nove equipas italianas que atingiram a Final mas perderam (Novara, Monza, Triestina, Giovinazzo, Amatori Lodi, Roller Monza, Seregno, Amatori Vercelli e Bassano). O único país a fugir à ditadura destes três grandes foi a Bélgica: o Sundays Vanstahl conseguiu o feito extraordinário de atingir a Final na época de 1977/78 - foi inevitavelmente batido pelo Barcelona, por 3-8 e 1-5.
Não ficam por aqui as aventuras europeias do Benfica. Há presenças brilhantes na Taça CERS, no Torneio de Montreux e até na extinta Taça das Taças.
Histórias que ficam para a próxima que a prosa vai longa..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Lixívia 11

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica......26 (-5) = 31
Sporting.....26 (-1) = 27
Corruptos...24 (+5) = 19
Braga.........15 (+2) = 13

Quando nem os árbitros conseguem 'salvar' os Corruptos da derrota, é porque a incompetência é realmente muito grande!!!
Agora reparem bem na Tabela lá em cima. Seriam 12 pontos de vantagem em relação aos Corruptos!!!

O Capela tudo fez para reabilitar a sua carreira, mas nem assim... Penalty por marcar logo no primeiro minuto contra os Corruptos, falta de Josué (que se levasse amarelo aqui, provavelmente seria expulso mais tarde!!!), penalty inventado a favor dos Corruptos, perto do final da partida... minutos antes já o Licá se tinha atirado para a piscina, Capela nada marcou, mas não conseguiu resistir ao segundo protesto em poucos minutos (falando verdade, neste lance, nem houve protestos...!!!).
Agora o Capela pode ficar descansado, porque não lhe vai acontecer o mesmo que aconteceu ao Bruno Paixão, após a penúltima derrota dos Corruptos: até hoje, quase 2 anos depois, nunca mais apitou um jogo dos Corruptos!!! O Capela vai ter outra oportunidade de reabilitação, nos tempos mais próximos, tenho a certeza....
A recepção aos Corruptos no seu próprio antro também foi notícia. Quem tem um pouquinho de memória sabe perfeitamente, que uma recepção daquelas só é possível com ordens superiores!!! A ordem deve ter sido mais ou menos assim: 'Apertem lá um bocadinho com os gajos...!!!' E tanto os macacos, como os seus colegas da PSP deram 'espaço' aos pontapés e murros no autocarro... a única coisa que correu mal, foi a tocha, que fez ricochete e 'queimou' um dos 'funcionários' dos Corruptos (a.k.a. PSP)!!! Mas tenho a certeza que tudo se resolverá tranquilamente...

Em Vila do Conde, o Paixão fez uma arbitragem relativamente normal. Relativamente porque não houve grande casos, e como nós já conhecemos a peça, os exageros disciplinares, já nem chateiam... como por exemplo no amarelo ao Gaitán!!!
As Lagartas, induzidas em erro pela SportTV - surpresa...!!! - fartaram-se de gemer, por causa da falta que dá o 2.º golo do Benfica. A falta sobre o Nico é clara... acho que o Paixão não deu a lei da vantagem, não sei se o Matic foi tocado, antes de escorregar, mas no pior dos cenários, marcou a 'falta' errada, praticamente no mesmo sitio!!!
Ainda houve um possível penalty na área do Rio Ave: a bola na Mão do Tarantini acho que foi casual, mas na mesma jogada, o Rodriguez empurra claramente com as duas mãos o Matic... mas nós sabemos como é que este tipo de empurrões são ignorados a maior parte das vezes.
Achei graça ao Bin Espírito Santo Laden, no final da partida, falar das variáveis!!! Insinuando que a barreira do Rio Ave estava demasiado afastada da bola... quando no grafismo da SportTV se viu claramente, que a distância estava correcta. Mas quando se está habituado nos jogos contra o Benfica, em não sofreu livres frontais (o Cardozo é perigoso... e agora o Lima!!!), e nas poucas vezes que beneficiamos de um livre, a barreira costuma ficar a 8 metros, quando se está habituado a isto tudo, levar com um árbitro, que marca o livre, depois mete a barreira nos 9,15m, e ainda por cima a bola entra, é preciso ter mesmo galo!!!

Em Alvalade, além da vantagem física da equipa que está fora da Europa, não se passou nada de especial!!!
Mas se quisermos ser rigorosos, o ataque que dá o pontapé de canto, de onde nasce o 1.º golo do Sporting, nasce de uma falta do William. E o vermelho directo ao Filipe Anunciação é exagerado...

O Braga se calhar já nem devia fazer parte desta tabela, mas vamos ver como decorre o jogo da próxima jornada, contra os amigos Corruptos!!! Este jogo com o Olhanense parece que foi tranquilo... como curiosidade só mesmo a não expulsão de nenhum jogador do Braga, tendo em conta o próximo adversário!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
2.ª-Gil Vicente(c), V(2-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-2), (-2 pontos)
4.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-1), Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Guimarães(f), V(0-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
6.ª-Belenense(c), E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, (2-0), (-2 pontos)
7.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Nacional(c), V(2-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
9.ª-Académica(f), V(0-3), Hugo Pacheco, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Paixão, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Arouca(c), V(4-1), Rui Costa, Nada a assinalar
2.ª-Académica(f), V(0-4), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Benfica(c), E(1-1), Hugo Miguel, Beneficiados, (0-2), (+1 pontos)
4.ª-Olhanense(f), V(0-2), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
5.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Xistra, Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
6.ª-Braga(f), V(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Setúbal(c), V(4-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Corruptos(f), D(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Marítimo(c), V(3-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10.ª-Guimarães(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
11.ª-Paços de Ferreira(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Setúbal(f), V(1-3), João Capela, Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Marítimo(c), V(3-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
4.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Hugo Pacheco, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
5.ª-Estoril(f), E(2-2), Rui Silva, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Guimarães(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Arouca(f), V(1-3), Vasco Santos, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Sporting(c), V(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Belenenses(f), E(1-1), Miguel Mota, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
10.ª-Nacional(c), E(1-1), Xistra, Nada a assinalar
11.ª-Académica(f), D(1-0), Capela, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado

Braga
1.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Bruno Paixão, Nada a assinalar
2.ª-Belenenses(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Gil Vicente(f), D(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Estoril(c), V(3-2), Capela, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Arouca(f), V(0-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
6.ª-Sporting(c), D(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Nacional(f), D(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
8.ª-Académica(c), D(0-1), Benquerença, Beneficiados, Sem influência no resultado
9.ª-Rio Ave(c), D(0-1), Jorge Tavares, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(f), D(0-1), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
11.ª-Olhanense(c), V(4-1), Soares Dias, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:

Parabéns, João Fonseca. Não é para todos esta coragem!

"Há um mês atrás, estava eu no estádio do Restelo, para começar o meu trabalho de reportagem no Belenenses-Porto.
Há um mês, este mesmo jogo terminou empatado a 1 golo.
Há um mês, no final da partida, e cumprindo o meu papel de repórter, dirigi-me a um dos capitães do FC Porto, Hélton, e pedi-lhe um comentário ao jogo.
Há um mês, disse eu: "Hélton, não foi uma noite feliz para o FC Porto".
Há um mês, Hélton respondia assim: "Não, infelizmente não conseguimos os nossos 3 pontos, mas..."
Há um mês, a resposta não teve final porque uma pessoa responsável, não permitiu que outra com a mesma responsabilidade explicasse aos seus adeptos e ouvintes da Renascença, porque tinha sido uma noite infeliz. 
Há um mês, isso aconteceu porque essa pessoa agiu de forma agressiva, arrogante e autoritária, impedindo um repórter de fazer o seu trabalho e "silenciando" a todo o custo um dos capitães do FC Porto.
Há um mês, fui "agarrado" por algo que já vivi vezes demais no jornalismo e em particular na minha área, o desporto.
Há um mês, e por causa deste episódio, fui, aos 45 anos de idade e aos 23, quase 24 de profissão, e pela 1ª vez dentro de um estádio (e fora dele) identificado, juntamente com os restantes colegas das outras rádios, pela PSP.
Há um mês, ninguém sabia quem tinha mandado identificar.
Há um mês, percebi quem tinha dito o que não disse e que depois passou a dizer.
Há um mês, mais uma vez, constatei que, felizmente, há raros delegados da Liga que só ouvem, mas que não vêm.
Há um mês, lembrei-me de tantos e bons amigos que fiz e que são delegados da Liga. Lembrei-me há poucos dias que alguns cada vez vejo menos nos campos de futebol, gostava de saber porquê. Tenho a certeza que alguns deles é porque para além de ouvirem bem, também vêm com clareza e justiça.
Há um mês, voltei a lembrar a colegas de profissão que "jornalista não é notícia". Apesar disso e por interesse de alguém eles escreveram o que lhes disseram. Uns melhores que outros, mas também isso não é notícia, para já.
Há um mês tive e tenho até hoje a solidariedade do meu chefe e da minha empresa.
Há um mês que o mundo não pára e há uns dias que a Liga me pediu para falar do assunto, mas que por não ter instalações em Lisboa, eu teria que me deslocar ao Porto.
Há um mês que tomei uma decisão, depois de ter sido "ameaçado" e por respeito a mim e aos meus não me desviarei dela. Contudo, assumirei sempre o que prometi fazer, desde que cumpridos os "mínimos olímpicos" do respeito.
Há um mês que num flashback pela minha vida, lembrei a mim próprio que não sou perfeito, nem eu nem ninguém e que por isso mesmo devo perdoar os outros, quando eu próprio já o fui tantas vezes.
Há um mês que disse que o faria desde que me fosse demonstrado respeito.
Há um mês que me anda atravessado o obrigado que devo a todos aqueles que me ligaram, enviaram sms, postaram no face ou por mail manifestaram a sua solidariedade. OBRIGADO!
Há um mês que ando engasgado com o obrigado para com aqueles que nunca disseram nada, fosse por medo, respeito ao outro lado, devoção ou sei lá mais o quê. Agora sei quem são e por isso, OBRIGADO! 
Há mês que me lembrei da paixão pela profissão e do respeito que tenho e que ganhei por quase a generalidade daqueles com que me tenho cruzado na minha vida profissional.
Há uns dias que parei e pensei "AGORA A FRIO" não fui eu que errei e as coisas começam pelo princípio e não pelo meio, muito menos pelo fim. Tudo o resto é um CIRCO.
João Fonseca, Jornalista RR."

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O Costa do Marfim

"1. Houve, in illo tempore, o Costa do Castelo que valeu saudáveis gargalhadas. Depois surgiu o Costa do Marfim, incapaz de explicar conversas gravadas e encomendas estranhas vindas de África. E também houve o Costa de África, que tratava o criado por Bijagós. Hoje em dia o Bijagós do Costa do Marfim, nos intervalos de mentir em tribunal e de oferecer cargas de porrada a jornalistas, entretêm-se a fazer relatórios médicos. Martelados como é hábito na casa. Eu sou daqueles que deseja sempre saúde aos seus inimigos. Mesmo quando, mais do que saúde, o que lhe falta é carácter.

2. Algum génio bizantino resolveu levar para o Estádio da Luz umas amostras de bandas filarmónicas ligadas a colunas gigantes de forma a que cada vez que o povo começasse a gritar «Portugal! Portugal!» pudesse abafar as vozes com modinhas e fadinhos tão pacóvios como a inteligência de tal iluminária. Para ser igual à Festa do Pau, lá da minha vizinha Assequins, só faltou um bacalhau pendurado no lato do pau de sebo à espera do valente que por ele trepasse a justificar a iguaria. Há gente que gosta de barulho. Sinal que dentro das suas cabeças confusas nunca se ouviu o som suave do silêncio.

3. O barulho também faz eco contínuo no cérebro daquele jovem que ainda não se decidiu se quer ser jogador, treinador, presidente ou roupeiro do seu clube. Por isso grita. E cada grito é mais alto do que o anterior. Grita tanto que já nem se ouve a si próprio. No dia que parar para se ouvir, achar-se-á ridículo. Tal como nós o acharmos."

Afonso de Melo, in O Benfica

Unidade Benfiquista

"Quanto vale um ponto de vantagem na Liga? Pouco, muito pouco. Ou talvez muito, mesmo muito, se recordarmos o desfecho do último Campeonato. O Benfica, a par do Sporting, morde, agora, os calcanhares ao FC Porto. Um ponto? O que vale? Muito ou pouco?
Valha o que valha, importa recordar que estamos ainda com um terço de competição. Como joga o FC Porto? Mal, muito mal. E tem beneficiado de preciosas ajudas da arbitragem, caso assim não fosse estaria distante da liderança. E o Benfica? Não tem sido persuasivo, pelo menos de forma continuada, mas percebe-se que o clima emocional é mais favorável, que o conjunto está mais próximo da rentabilidade que patenteou na última época, excepção feita ao fatídico mês de Maio. O Sporting? Está voluntarioso, demonstra carácter e ambição, conquanto sabe-se que não dispõe dos mesmos recursos dos seus principais oponentes.
O que se exige aos benfiquistas nesta fase da prova? Apoio incondicional. O horizonte próximo contempla desafios de alguma envergadura, só que muito susceptíveis de se saldarem em triunfos importantes. A recepção ao FC Porto, na última ronda desta primeira volta, afigura-se decisória. Não é de enjeitar que o Benfica receba o seu antagonista na liderança ou a um passo da sua consumação.
O momento é de unidade. Está tudo em aberto e os últimos indicadores são preciosos, fazem recrudescer o clima de entusiasmo. Vamos todos dar um pouco mais à equipa? Não será que a dívida dos jogadores pode ser saldada, atraindo também eles os apaniguados vermelhos? A combinação, a cumplicidade adeptos/equipa é mesmo decisiva. O Benfica justifica, o resultado só pode ser o sucesso."

João Malheiro, in O Benfica

Sofrida...

"1. Vitória sofrida mas bem importante, a do passado sábado, frente ao SC Braga, com uma formação que se mostrou muito acima dos pontos que vem amealhando no Campeonato. A nossa equipa lutou muito (honra lhe seja feita) embora não estivesse nada inspirada. Mas vieram os três pontos, que era o mais importante, e, com o empate do FC Porto, a diferença para liderança, que estava em cinco pontos, já está reduzida a um só. Temos Campeonato! Promete ser disputado ponto a ponto e, por isso, todas as vitórias são importantes.

2. Cardozo não jogou e muita falta fez. Ele conseguiu calar todos quantos o assobiavam e não gostavam da sua forma de jogar. E seria curioso, agora, ler tudo quanto se escreveu a seguir à Final da Taça de Portugal. Que Jesus perderia o balneário se Cardozo voltasse, que seria um péssimo exemplo para todos os outros jogadores, que por muito menos outros jogadores foram afastados, etc., etc. Afinal, Cardozo até tem estado a fazer a sua melhor época de sempre, a correr mais, a lutar mais, até a marcar mais golos. Espero bem que recupere depressa da sua lesão. Faz muita falta à equipa, tal como Sálvio (e Rúben Amorim) - em termos de lesões (e estas traumáticas, não musculares) a época está a ser bem infeliz.

3. Espero que os ecos da arbitragem do Benfica-Sporting para a Taça de Portugal se tenham extinguido. Esquecendo o que se passou no Sporting-Benfica para o Campeonato (e até os sucessivos golos em fora-de-jogo de Montero), o Sporting fez uma das suas habituais campanhas contra as arbitragens. Já cansa...

4. Há dias, dei comigo a recordar o que se disse e escreveu aquando da operação a que Salazar foi sujeito, na sequência da sua célebre queda da cadeira, em 1968. No primeiro dia, jornais e rádios anunciavam que havia sido operado e que a intervenção havia corrido bem. Depois, dia após dia, que as melhoras eram evidentes. Uma semana depois, o seu médico pessoal anunciava (e os jornais faziam grandes parangonas): 'Devolvo Salazar definitivamente curado à Nação'. Duas semanas depois, era Marcelo Caetano o novo Presidente do Conselho, como então se chamava ao primeiro-ministro...
(Qualquer relação com um facto actual é pura coincidência...)"

Arons de Carvalho, in O Benfica

Vermelhos

"Quem como eu, por dever de ofício, leia todos os jornais todos os dias, terá eventualmente reparado que nos últimos tempos se intensificaram na Imprensa, para designar o Benfica, as expressões 'os encarnados' ou a 'equipa encarnada'. E o mais curioso é que tais expressões até já contagiaram algumas publicações, impressas ou na Internet, afectas ou próximas do Benfica ou Benfiquistas. Os pequenos vícios, como os grandes, apanham-se por involuntário contágio.
Vermelho e encarnado são sinónimos por terem significado aproximado. Em rigor não querem dizer exactamente a mesma coisa. O vermelho é a cor do sangue vivo, o encarnado é a origem, a cor do sangue, que dá à carne a cor encarnado.
Ora, o 'encarnado', para designar o Benfica, em função da cor das camisolas, surgiu como uma imposição ideológica e uma carga censória. O Clube, os dirigentes, atletas e adeptos Benfiquistas eram os 'vermelhos' até que a Censura e a manipulação salazarista, nos pós-guerra mundial de 1939-1945, proibiram a referência 'vermelho' para designar o Benfica, impondo a expressão 'encarnado'. Do mesmo modo que proibiu o hino original e oficial do Clube, 'Avante, Avante pelo Benfica' que, no vazio criado, ceio pouco a pouco sendo substituído pelo belíssima canção 'Ser Benfiquista' interpretada por Luís Piçarra. Houve nestes casos uma manifesta intenção de escamotear a matriz popular do Benfica que o distinguia, e distingue, dos clubes de barões de Alvalade e de lordes da Foz.
Nos tempos difíceis que vivemos, o Benfica é uma imensa família de gente do povo que neste grande Clube procura, em colectivo, uma força solidária que transmita o amparo de algum calor humano. Os vermelhos nunca estão sozinhos perante a tormenta. Como dizia o hino original dos Vermelhos,
'Todos por um, eis a divisa'."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Setenta e um anos, pouco tempo.

"Jornal semanário oficial do Sport Lisboa e Benfica, quando foi criado, foi para sempre. Porque para para todo o tempo, para sempre, é o nosso Glorioso Clube. Diante da eternidade, portanto, os setenta e um anos do nosso Jornal O BENFICA que este número celebramos, são realmente pouco tempo.
Quantos são, em Portugal inteiro e por esse mundo de Cristo e os grandes Clubes mesmo dos maiores de todos os tempo, que podem orgulhar-se de dispor de um órgão oficial de imprensa como este? Poucos. Raros são. E muito menos serão, certamente, aqueles que semanalmente se apresentam aos dedicados leitores-cultores-e-donos do Clube, com esta regularidade constante?
E deste muito poucos, quantos podem ser elogiados como nós, por informar com este registo tão singular que é precisamente este e nunca poderá vir a ser outro, de noticiar e comentar, entrevistar e reportar, com a Verdade sempre de mãos dadas com a paixão pelo rigor, com o permanente drive da 'primeira mão', com o empenho competente de 'não falhar uma' e de estar sempre 'em todas'.
Tantas vezes correndo por foro, porque os meios nem sempre são os devidos nem os mais aconselháveis, aqui, nesta Redacção, nunca ninguém precisou de nos vir cá falar ao ouvido para fazermos exactamente o que temos de fazer. Sem descanso. Sempre pelo Benfica. Pela defesa do Benfica e pela afirmação do Benfica. Sempre pelo Benfica, ainda achamos sempre, que ainda é sempre pouco para tão grande mister. E para um tão grande orgulho naquilo que nos move e naquilo que sempre temos para fazer. Mas sabe deus...
Nem sempre nos chegam as páginas que temos para tudo o que precisamos de dizer. Em defesa do Benfica e em defesa do Jornal. Muitas vezes não nos chegam as palavras; ou não nos basta o espaço. Mas cá vamos, sempre dando o exemplo de que não é com fastios que se cumprem os desígnios da Informação Benfiquista. Não é com desmazelos, nem com incompetência que se diz o que temos para escrever. Não é sentados nas cadeiras que se conseguem as grandes imagens, as notícias palpitantes, ou as vibrantes reportagens. Não é com prosápias, com ilusões, ou arrogância.
Procuramos observar os nosso desígnios e cumprir a nossa missão com profissionalismos dedicado, competente e experto daqueles que a cada semana vemos no coração, no esforço e no desempenho dos nossos melhores atletas, técnicos e dirigentes. Sobretudo olhamos para esses, embora tendo presente que o Desporto por vezes, também se cumpre no insucesso. Mas são os nossos heróis que tomamos sempre como referência e como exemplo. Dos outros, apenas registaremos os empates e as derrotas.
E é com este sentido que, mesmo assim, ainda continuaremos a achar neste septuagésimo segundo ano de vida que hoje se inicia, que tudo é pouco tempo e que as páginas são sempre poucas."

José Nuno Martins, in O Benfica

domingo, 1 de dezembro de 2013

Na liderança, sozinhos ou mal acompanhados, não faz mal...!!!

Rio Ave 1 - 3 Benfica

Não foi um jogo deslumbrante, mas dentro de todos os condicionalismos, mais 3 pontos, muito saborosos.
Além da desvalorização de todos os adversários do Benfica, outra estratégia dos Anti's é desvalorizar as ausências no Benfica: estamos a jogar sem o nosso melhor marcador (Cardozo), estamos a jogar sem o nosso maior desequilibrador ofensivo - que também tem um papel importante no equilíbrio defensivo do nosso meio-campo -, provavelmente o nosso jogador mais valioso (Salvio), estamos a jogar sem o jogador que melhor equilibra a equipa (Amorim), hoje ainda tivemos 3 laterais esquerdos lesionados!!! Por acaso, o golo sofrido, até foi da responsabilidade do jogador adaptado a defesa esquerdo!!! São poucas as equipas que ultrapassariam todas estas ausências, com vitórias...

O Rio Ave em casa, tem tido muitas dificuldades, mas isso só acontece porque os Vila-condenses são obrigados a 'pegar' no jogo... a especialidade do Rio Ave - tal como a grande maioria das equipas portuguesas -, é jogar em contra-ataque, no erro do adversário, fechadinhos lá atrás, e com saídas rápidas. Tal como tentaram hoje, contra o Benfica. Portanto todos os títulos no pré-jogo sobre esta estatística, só serviram para tentar desvalorizar uma potencial vitória do Benfica, ou enfatizar um potencial desaire do Benfica...

Na 1.ª parte houve poucas oportunidades. O Artur foi quase um espectador, mas o Benfica no ataque teve muitas dificuldades, não havia espaço nas costas dos centrais, e no meio-campo as sucessivas faltas, emperravam o ritmo do jogo. Nestas circunstâncias, os golos ou aparecem de bola parada, ou num erro defensivo, foi o que aconteceu... O Ederson ficou mal na foto - mas no intervalo do jogo, vi um bocadinho do Juventus-Udinese e o Buffon cometeu um erro igualzinho, mas ainda foi a tempo de recuperar e fez uma enorme defesa!!! -, mas o Rodrigo não desistiu da jogada e 'cheirou' o golo...
Ao intervalo estava desconfiado, o Benfica tem demonstrado uma enorme incompetência a gerir resultados... e mais uma vez confirmámos isso mesmo. Mas por outro lado, temos demonstrado saber reagir muito bem a golos sofridos, e desta vez, voltámos a provar isso mesmo!!! E ainda por cima, deu para o Lima, desbloquear a série negativa... e que golo: à Cardozo!!! O Lima com dois golos e uma assistência, acaba por ser o homem do jogo...
A expulsão do Vila-condense acabou com o jogo. Marcámos mais um, e podíamos ter marcado mais...
Apesar do triunfo, continuo a não gostar da deslocação do Enzo para a direita.

A liderança (sozinhos ou acompanhados) é importante, mais não decisiva. Mais importante que os desaires dos outros, o importante é vencer os nossos jogos, e recuperar os jogadores lesionados. Depois de todo o rebuliço interno, depois de maus resultados, depois de más exibições, o Benfica lidera. Nada está ganho, mas também nada está perdido, como muitos previram para estar altura!!!

Cosme desiludido !!!

Benfica B 3 - 1 Corruptos B

Se ontem nem o Capela conseguiu dar a vitória aos Corruptos, hoje, nem o Cosme conseguiu dar os 3 pontos aos Corruptos B !!! A novidade é mesmo, a ineficácia dos apitadores!!!

O jogo começou repartido, o Benfica mais rápido e mais objectivo, e os Corruptos a tentarem ter posse de bola, quebrando o ritmo inicial do Benfica. Em Portugal, este tipo de jogo, pouco objectivo, e com muitos passes laterais é muito elogiado, serve muitas vezes para mascarar outro tipo de xico-expertices...
Quando já todos tínhamos visto que os critérios de faltas a meio-campo, e o critério dos amarelos, iria ser totalmente diferente, ao primeiro mergulho dentro da área do Benfica: penalty para os Corruptos!!! Nada de novo... sorte teve o Steven em não expulso!!! Felizmente o Tozé mandou a bola para o Alfeite!!!
O Benfica respondeu com uma boa ao travessão... e a fechar a 1.ª parte, num canto, muito bem marcado pelo Urreta, o Steven inaugurou o marcador.
O início do 2.º tempo não podia ser melhor, novamente num canto do Urreta, Lolo faz o 2.º golo. A partir daqui o Benfica soube gerir bem a vantagem... e num ataque rápido o Hélder Costa em velocidade, fez o 3.º.
Já depois de ter ficado um penalty por marcar a favor do Benfica, os Corruptos marcaram um golo...

O Benfica reforçou os B's com o Steven, o Mitrovic e o Cavaleiro (já é A !!!), e ainda com o Urreta... mas ficámos sem o André Gomes, e sem o Funes Mori ultimamente muito utilizados... No lado dos Corruptos, jogaram sem o Carlos Eduardo e o Herrera, mas mesmo assim sobraram muitas outras 'estrelas': Kléber, Kelvin, Reyes, Ricardo...
Destacar o facto do Benfica ter conseguido chegar ao fim do jogo com 11 jogadores!!! Pois quebrámos um série de 4 jogos, 4 expulsões!!! Lindelof, Rudi, Hélder Costa e o Bernardo que hoje fez falta...

Carraça não larga o osso

"Não sei o que se passa com quem...passa pelo cargo de presidente do Sindicato dos Jogadores mas a verdade é que é um cargo que garante bom futuro.
José Couceiro, por exemplo, continua por aí embora ainda use blazer com cotoveleiras.
António Carraça chegou a diretor desportivo do Benfica e não foi nada fácil tirá-lo de lá.
Couceiro é de novo treinador do V. Setúbal mas muitos queriam-no na presidência da Liga.
Carraça saiu do Benfica mas continua com um pé lá dentro, apenas à espera que Jorge Jesus receba guia de marcha (o que não está nada fácil).
Hoje, no Record, António Carraça conta a sua versão da história. Fala de Jesus como um psiquiatra fala de alguém que foi lobotomizado, fala de bruxos e curandeiros e fala ainda de um tal "engenheiro" brasileiro que continua na Luz a "motivar" os atletas e o treinador. Ou seja, lava a *** da cueca.
É assombroso que Carvalho da Silva não tenha podido, após muito anos de sindicalismo, ascender à presidência da República e que Torres Couto se tenha perdido nos meandros da política. Eram potencialmente tipos com muito mais futuro.
Mas o futebol é diferente do mundo sindical. Por aqui medram estes personagens que se equilibram eternamente e que apregoam projetos modernos de ciência feita. Tudo tretas e balelas. Saber de futebol é muito mais do que isso. Saber de futebol é ter "feeling", é ter nascido com o dom, é predestinação e talento, argúcia e esperteza, risco e coragem...
Não é para todos.
Repare-se em Pinto da Costa. O homem nasceu para isto. É um jogador de xadrez adaptado ao jogo das 17 leis: quando faz uma jogada, já está a preparar o que vai fazer 20 jogadas depois.
Acreditar nos Carraças e nos Couceiros é a mesma coisa que acreditar que um computador pode substituir um árbitro ou que é possível fazer uma boa cabidela com frango de aviário. Ou acreditar que a vaca que ri pasta nos Açores.
Mas vamos todos ver em breve que os "Carraças" deste futebol vão continuar por aqui. Não acontece só no futebol. O mundo das empresas também está enfestado de profissionais que passam toda uma carreira com bons vencimentos e desviando-se de todos os pingos de chuva, ora graças ao encosto dos amigos, ora porque o sistema necessita também destes fautores de inércia, que dão muito jeito quando é preciso ter uma plateia de néscios que aplaude a nossa incompetência.
No fundo, o parasitismo é em si um mérito.
Também não é para todos."

Voo suspenso

"Rodrigo, ao cair do pano, arrancou o primeiro triunfo da história do Benfica em Bruxelas. Cavani, em Paris, tirou o tapete ao Olympiacos. Da conjugação destes dois factos ficou em suspenso o voo das águias na Liga dos Campeões, para uma última jornada em que a equipa portuguesa parte em desvantagem em relação à grega. Pode parecer pouco, mas se nos recordarmos que meia dúzia de minutos antes o clube da Luz "já estava" na Liga Europa, o mínimo que se pode dizer é que vingou o mal menor. Resta saber se este balão de oxigénio ainda vai servir para alguma coisa.
O dado primordial a reter é que o Benfica acabou por cumprir o único objectivo que lhe restava : ganhar ao Anderlecht, fazer o que toda a concorrência fizera em Bruxelas. A grande diferença é que enquanto PSG e Olympiacos passearam na Bélgica, os encarnados passaram por vários momentos de aflição, boa parte deles - quase todos - mais por responsabilidade própria do que pela capacidade belga.
Jesus voltou a integrar Fejsa, numa solução que encerra alguns prós mas vários contras. O médio cumpre a sua tarefa, é certo, mas não se pode esperar que saia do seu raio de acção. Ou seja, com Matic à frente e Enzo atirado para a direita, foram inúmeras as ocasiões em que o vazio na zona central do terreno se tornou uma evidência, algo que o Anderlecht agradeceu. Depois, tentar que Lima e Markovic, conjugados, sejam capazes de colmatar a ausência de Cardozo é, porventura, pedir demais.
Repare-se que, durante toda a primeira parte, o Benfica aproveitou (honra lhe seja feita) a única verdadeira oportunidade para concretizar, obra de Enzo e Matic num lance de bola parada. Quando já estava a perder, acrescente-se. Houve, claramente, um défice de ligação entre o meio campo e o ataque.
A segunda metade começou praticamente com o fantástico trabalho de Gaitan, que Mbemba "transformaria" no 2-1 para o Benfica. Pensou-se, agora sim, com o resultado virado, aí está a oportunidade de ouro das águias para explorarem uma eventual subida dos belgas que, certamente, não iriam abdicar tão cedo. Certa uma coisa, errada a outra. O Anderlecht quis mesmo responder, mas o Benfica não aproveitou devidamente os espaços. Pelo contrário, instalou-se a ideia de que a vantagem era gerível, um pouco a aplicação do conceito "antes-um-pássaro-na-mão", pelo que os encarnados deixaram correr o jogo durante uns largos 20 minutos sem que nada de palpável se visse.
Jorge Jesus terá percebido que aquele comportamento tinha riscos. Troca Gaitan por Sulejmani, mas já não foi a tempo de impedir que Bruno aproveitasse um falhanço coletivo da defensiva encarnada. É o problema de querer controlar o jogo "à distância" : só corre bem se não se cometer uma falha que seja. Como se isto não bastasse, o Olympiacos empatara em Paris e o cenário era o pior possível, pois com os dois empates a história encerraria já esta noite.
Logo a seguir a Luisão falhar um golo "feito" e a Mitrovic responder na mesma moeda, com o jogo a ameaçar partir a qualquer altura, Jesus manda Rodrigo para o relvado. No momento da decisão, na última hipótese do encontro, naquela em que não se podia hesitar, Rodrigo colocou o ponto final e ditou o vencedor. Com direito a bónus em Paris. Jesus pôde, finalmente, respirar fundo.
A questão, agora, é o que fazer com o adiamento da possível qualificação para a última jornada. Em boa verdade, não há muito que pensar. O Benfica terá sempre de fazer melhor resultado frente ao PSG do que o Olympiacos perante o Anderlecht. Que é uma outra forma de dizer que, mesmo que os portugueses sejam fantásticos na Luz, estão sempre dependentes dos gregos serem péssimos em Atenas. No fundo, vai dar ao mesmo : os duelos com o Olympiacos é que foram a chave."

Tudo estragado

"Na última jornada, o Benfica ganhou um jogo que mereceu perder, o FC Porto empatou um jogo que mereceu ganhar e o Sporting ganhou um jogo que mereceu empatar. A equipa portista continua a ser uma equipa compacta, que sabe ter a bola e circulá-la, mas tem um problema em relação a épocas passadas: permite aos adversários aproximarem-se mais da sua baliza. Há situações de aflição dentro da área do Porto que antes não se viam.
O problema do Benfica é outro: quando parecia ter encontrado a táctica e o onze ideais, eis que Rúben Amorim e Cardozo se lesionam e tudo muda.
Já é azar! Claro que Jesus podia ter tentado manter o modelo, substituindo apenas Amorim (que de dispensável passou a fundamental) por um médio de características semelhantes. E André Almeida poderia ser um bom substituto: veio também do Belenenses, onde jogava a médio, e foi adaptado no Benfica a lateral. Talvez pudesse voltar a jogar no miolo.
Mas Jesus preferiu fazer uma revolução na equipa: voltou a ter só Matic e Enzo no meio-campo, e meteu quatro jogadores à frente – Markovic, Gaitán, Djuricic e Lima – que se embrulharam uns nos outros e não construíram uma única oportunidade de golo.
Não fosse um momento de inspiração ofensiva de Matic e o Benfica podia ter jogado a noite inteira que não meteria golos. Lima está fora de forma, Gaitán, Djuricic e Markovic não podem jogar todos juntos (é nota artística a mais), Rodrigo acabou para o futebol em S. Petersburgo, Cavaleiro está muito verde. Quando falta Cardozo, não há ninguém para marcar.
Ontem, o Porto confirmou o mau resultado de sábado. Hoje é a vez de o Benfica jogar. Se a equipa recuperar o sistema e a dinâmica que mostrou contra o Olympiacos, a conversa será uma; se se mostrar tão trapalhona como contra o Braga, será outra.
Mas não deixa de ser desesperante que, depois de Jesus ter encontrado o “sistema perfeito”, duas lesões – de Rúben e Cardozo – venham estragar tudo. Penso que, sem tantas lesões, o Benfica estaria bem lançado para ser campeão."

Ganhar em Bruxelas !

"Vitória frente ao Anderlecht garante Liga 2.
O Benfica alcançou, 4ª feira, um triunfo histórico, ao impor-se ao Anderlecht (3-2), naquele que foi o primeiro êxito de sempre de uma equipa portuguesa na capital belga, a contar para as competições da UEFA. Mas se, com este resultado, a Liga Europa está já assegurada, a continuidade na Champions League permanece em dúvida. Caberá à derradeira ronda decidir o assunto. Se Benfica, se Olympiakos.
Nova corrida, nova viagem, que é como quem diz, nova partida, nova equipa. Jesus "ressuscitou" Fejsa, que não actuava há já dois meses, e colocou-o a jogar ao lado de Matic, no corredor central, à frente do quarteto defensivo, enquanto Enzo e Gaitán tratavam dos flancos. Como se não bastasse uma tal inovação, a provocar, por arrasto, maiores mudanças, também André Almeida foi chamado, sobre a hora, para substituir, na lateral-esquerda, Sílvio, que não passou no "aquecimento".
O Anderlecht, que está longe da equipa temível que encantou a Europa - assim justificando a irredutibilidade que até agora manteve (em casa) com portugueses - entrou sem complexos, procurando ganhar vantagem, pois só assim poderia alimentar esperanças de prosseguir a sua aventura europeia. E, perante a inoperância ofensiva do Benfica, com Lima e Markovic sem grandes espaços nem inspiração, foram os belgas que se abalançaram mais no ataque.
Mitrovic foi a sua principal referência, obrigando Artur a algumas intervenções, mas também Bruno e Gillet se salientaram. Seria, porém, o central Mbemba a fazer o golo que a sua equipa tanto perseguira, num lance em que, após um canto, há um fora de jogo posicional de outro elemento que o árbitro entendeu não interferir na acção do guarda-redes.
O Benfica reagiu e não demorou a chegar ao empate, com a equipa da casa, estática, a ver Matic cabecear sem oposição, depois de livre de Enzo. O golo, que já era reflexo da subida de rendimento dos encarnados, lançou ainda mais a equipa para a frente, figurino que se manteve no início da 2ª parte, e que conduziu ao 1-2 (Mbemba, p.b. 52'), um resultado que constituía, então, o corolário de um ascendente indiscutível. 
Aguentar a vantagem passava a ser o desafio seguinte, mas aí o Benfica sentiu dificuldades no teste, tanto mais que o Anderlecht nunca deixou de acreditar na recuperação. De imediato, entrou Acheampong para revitalizar as acções atacantes dos belgas e, um quarto de hora depois, Vargas, enquanto no Benfica o esgotado Gaitán cedeu o lugar a Sulejmani, outro que foi resgatado ao "exílio", pois há largo tempo que não jogava.
As alterações de um lado e de outro deixavam perceber uma maior agressividade ofensiva por parte do Anderlecht e isso terá determinado o 2-2 (Bruno, 77'), numa fase em que os belgas mais carregavam em busca de um melhor resultado. Mas Jesus ainda não tinha esgotado todas as munições. E, com o meio-campo bem preenchido, arriscou então o ataque com a entrada de outro avançado, Rodrigo.
É verdade que a equipa ainda passou por alguns momentos mais delicados, mas a ambição de uns pode ser a salvação de outros. De tanto se "esticar", o Anderlecht foi apanhado em contra-pé. Lima, Sulejmani e Rodrigo na finalização, construíram o 2-3 mesmo ao cair do pano. Desta vez, e contrariando histórias recentes, Jesus teve um final feliz, que ele, em boa verdade, também fez por merecer. E, para além disso, acabou (honni soit...) com a maldição de Bruxelas."

sábado, 30 de novembro de 2013

Vitória em Coimbra...

Académica 3 - 6 Benfica

Como vem sido habitual, mais uma entrada em grande estilo, aos 15 minutos já estávamos a vencer por 0-4... É a melhor maneira de retirar qualquer esperança de uma surpresa aos adversários. Antes do intervalo voltámos a marcar, mas desta vez foi na própria baliza!!!
A 2.ª parte, foi mais calma... temos demonstrado alguns problemas em 'partir' para a cabazada, os golos levaram algum tempo a aparecer... 1-6... e foi já nos últimos minutos que a Académica reduziu. Sendo que o 3-6 foi conseguido numa situação de 5x4 (contra), algo que continua a falhar na nossa equipa.

Mais um triunfo claro...

Benfica 9 - 1 Cambra

Vitória fácil, com o 1.º golo a aparecer aos 50 segundos da partida!!! Até ao intervalo, a bola devia ter entrada mais vezes na baliza adversária (3-0), mas como vem sendo habitual na 2.ª parte, com o desgaste, o resultado avolumou-se...!!!
Na próxima jornada vamos a Paço de Arcos, recordo que na pré-época, perdemos na 'linha'...!!!

Acima da centena...

Benfica 112 - 75 Oliveirense
37-18, 20-17, 29-16, 26-24

Entrada demolidora, num festival ofensivo... muitos triplos, com o Jobey Thomas mais uma vez a provar que é mesmo lançador. Deu para dar vários minutos ao Carreira (algo raro esta época), o Mário Fernandes não saiu do banco... e o Ferreirinho também teve a oportunidade de demonstrar que também merece mais minutos.

3 bananas !!!

Marítimo 0 - 3 Benfica
18-25, 20-25, 22-25

Resultado esperado, aliás a existir alguma surpresa foram os parciais relativamente equilibrados!!! Esperava uma maior diferença, afinal o Marítimo esta temporada só conseguiu vencer 2 Set's...!!!

Eliminados

Pick Szeged 31 - 25 Benfica

Depois da derrota por 1 na Luz, o destino parecia estar traçado. A entrada no jogo não podia ter sido pior, vários golos para os adversários, exclusões prematuras... e 6 golos de desvantagem (12-5; 12-6; 13-7; 14-8). Antes do intervalo reduzimos para 4 (14-10), mas a esperança era pouca...
A entrada na 2.ª parte foi magnifica: empatámos a 15 e a 16... o jogo estava bom, a equipa acreditava, a atitude estava a ser excelente, mas a partir do 21-19 para os Húngaros, nunca mais os apanhámos, e por esta altura tivemos em superioridade numérica (algo raríssimo durante o jogo: 6 exclusões nossas, contra 3 do Pick!!!), mas ao contrário dos Húngaros, que quando em superioridade foram mortíferos, nós fomos perdulários... aliás, por mais elogios que o guarda-redes adversário possa levar, alguns falhanços nossos aos 6 metros, deveram-se mais a deslumbramento - facilitismo -, do que a mérito do adversário.

Pelo 2.º ano consecutivo ficamos à porta da qualificação para a fase de grupos da Taça EHF. Mais uma vez, o sorteio foi-nos madrasto, mesmo não sendo cabeças-de-série podia-nos ter calhado, uma equipa mais fraquinha... levámos logo com um dos favoritos à vitória final desta competição (o nosso carrasco o ano passado foi finalista vencido: Nantes). Por outro lado, para o Campeonato - o nosso principal objectivo - a eliminação europeia até pode ter sido boa. Não seria fácil manter um nível interno elevado, com estes jogos europeus pelo meio...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

As palavras alheias

"Sven-Goran Eriksson, um dos treinadores mais conceituados do mundo, apresentou recentemente a sua biografia. De entre várias revelações, sobressai a constatação do óbvio: «Durante os cinco anos que passei fora de Portugal, o futebol lá tinha-se tornado mais sujo, mais corrupto. Havia muitos escândalos e conversas sobre árbitros.» O sueco confirma o que todos conhecem e que em Portugal se tenta lavar pelo silêncio.
Walter Casagrande, ex-futebolista internacional brasileiro, em Abril deste ano, declarou e repetiu que foi dopado no FCP em quatro ocasiões (tendo feito apenas seis jogos para o campeonato nacional). Em Portugal, e como resposta, antigos colegas garantiram que era mentira e Casagrande passou a ser proscrito. Um destes dias, ainda se arrisca a ser apagado das fotografias oficiais do clube.
Alex Fergusson, que está entre os melhores treinadores de sempre, há uns anos, dizia, a propósito do FCP, que «(…) eles compram o campeonato no Tesco (supermercado). Eles ganham todos os anos. Sempre que compram um pacote de leite somam mais três pontos».
Declan Hill, jornalista e investigador de corrupção no futebol à escala global, denuncia no seu livro ‘The Fix’: «Mencionem a qualquer português o nome de Pinto da Costa e verão no seu rosto uma expressão de resignação, parecida com a que os ingleses assumem quando se lhes fala do tempo horrível que faz em Inglaterra. Ele é um fenómeno português, tão desagradável, tão poderoso e, aparentemente, tão natural ao ambiente.»
Leio o que em Portugal se escreve sobre a corrupção no futebol e nada é concretizado, nada é denunciado, tudo é vago e as frases passam a ter um sujeito algures entre o indefinido e o indeterminado. Entre as loas de uns e o silêncio de outros fica um dobre a finados sobre o futebol português."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica