Últimas indefectivações

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Arbitragem e o subsídio de refeição

"1. Confesso que o que mais espécie me faz nesta pantominice da profissionalização dos árbitros que lhes serão atribuídos subsídios de refeição.
A questão pode ser de somenos, mas não é. Se pensarmos que na sua grande maioria os árbitros portugueses (e não só,) têm direito a refeições pagas nas marisqueiras de Matosinhos, e cafézinho oferecido numa tal casa da Madalena sempre em frente, há que dizer que não se justifica de forma alguma a atribuição de tal subsídio.
Sob o risco de mais uma vez a classe da arbitragem ser considerada uma classe de privilégio.
2. Certa vez, Paulo Bento disse que profissionalizar estes árbitros que temos era profissionalizar a incompetência.
Estaria quase de acordo, mas tenho dificuldade em qualificar malfeitorias de incompetência. Ou melhor: estes árbitros demonstram em determinados jogos uma notável competência, beneficiando sempre o clube do Sistema (ou do regime corrupto) e nunca cometendo erros que possam prejudicar o clube do Sistema. Sabendo todos nós que o clube do Sistema é o Porto, parece-me de elementar justiça que seja o Madaleno a pagar do seu bolso os futuros profissionais. Afinal, eles já trabalham para ele."

Afonso de Melo, in O Benfica

Temos craque

 " "Cavaleiro da Esperança'. É o título de um livro. Um livro de Jorge Amado. Verdade que o grande escritor brasileiro o escreveu com o fito de homenagear um conhecido e reputado activista político. Verdade também que "Cavaleiro da Esperança' diz na perfeição (e na lícita presunção) do jovem benfiquista Ivan Cavaleiro, que acaba de fazer o primeiro jogo na principal turma vermelha. Ivan Cavaleiro não é só esperança. Até tem nome de Campeão. Enquanto Ivan remete para a ideia de combatente, Cavaleiro sugere ascensão galopante. Será assim, não será? Os indícios são promissores, são promitentes. A exigente plateia da Luz acolheu o menino com a pendência do aperto extremoso.
O actual plantel está recheado de grandes executantes, muitos dos quais experimentados nas mais rigorosas andanças. E que tal este recente toque juvenil de entusiasmo? Uma equipa que ainda não atingiu, reconheça-se, o melhor plano exibicional, só tem a ganhar com o empréstimo dessa graciosidade moça dum jogador com as características de Ivan Cavaleiro.
O Benfica ganha a dobrar. Confirma um valor seguro e com ampla margem de crescimento, acrescenta matéria substantiva à sua faculdade na área da Formação. A plena afirmativa de Ivan Cavaleiro é um desafio que vai ser acompanhado por sensibilidade apurada. Mais Benfica, melhor Benfica, Benfica rejuvenescido, Benfica de maior portugalidade passa muito, no imediato, por Ivan Cavaleiro. O jogador, sem deslumbramento traiçoeiro, com apoio genuíno, pode virar coqueluche, até porque tem a pinta inconfundível de craque."

João Malheiro, in O Benfica

Triste, um...

1. Depois das selecções, novo ciclo complicado. Frente ao Olympiakos, para a Liga dos Campeões, apenas um motivo para satisfação: a surpreendente resposta que o relvado deu à monumental chuvada que caiu - em poucos minutos, logo que a chuva amainou, a água desapareceu. Nunca havia visto algo semelhante. Por sinal, foi nessa adaptação ao charco em que o relvado se transformou a dada altura que a nossa equipa esteve melhor. De resto...
Domingo, frente ao Nacional, começámos bem, marcámos um belo golo. Abrimos a 2.ª com novo golo e fizemos um jogo seguro até final, 'esperando' pelo adversário mais atrás e chegando mesmo a desperdiçar oportunidades. Foi uma vitória segura. Outros motivos para satisfação: a estreia do jovem Ivan Cavaleiro e o facto de termos jogado com três jogadores portugueses. É pouco mas, nos tempos que correm... Preocupante foi a lesão muscular de mais um jogador. Embora quase todas elas tenham vitimado jogadores que este ano ingressaram no Clube. Este tipo de lesões não se previnem de um momento para o outro...

2. Na última Assembleia Geral do Clube, um associado criticou a Direcção por não ter reduzido o valor das quotas como, afirmou havia prometido. Acontece que a Direcção prometera - e cumpriu - diminuir o custo dos Red Pass, nunca falou das quotas.
Nem podia falar. É que estas mantêm o valor actual (12 euros) desde Janeiro de 2002, há quase 12 anos! Se o preço das quotas acompanhasse a inflação do país, estaria agora nos 15,60 euros! Na prática, elas estão 30 por cento mais baratas! E ainda permitem bons descontos nos combustíveis e em mais uma enorme quantidade de produtos e lojas. Todos os benfiquistas deveriam ser sócios.

3. Após a derrota do FC Porto com o Zenit e a propósito da expulsão de Herrera, com dois amarelos, no início do jogo, dizia-me uma vizinha: 'no nosso Campeonato nenhum árbitro teria a coragem de o expulsar'. Concordei e, no dia seguinte, tinha a confirmação no DN. Nas últimas cinco épocas, o Porto teve 12 jogadores expulsos nas competições europeias e 10 na Liga. os jogos nacionais (147) foram mais do triplo dos europeus (45). Ou seja: o FC Porto tem, em média, um jogador com cartão vermelho em cada quatro jogos europeus, ou quase (3,75) mas só tem um jogador expulso em cada 15 jogos do Campeonato português (14,7). Porque será?"

Arons de Carvalho, in O Benfica

domingo, 3 de novembro de 2013

Centena, e mais alguma coisa!!!

Benfica 109 - 75 Lusitânia
31-23, 26-8, 22-21, 30-23

Vitória esperada, com mais um excelente jogo do Jobey Thomas, com destaque para a longa distância... a entrada dos miúdos da formação é um bom sinal... Mesmo assim, acho que sofremos demasiados pontos!!!

Difícil

Benfica 4 - 1 Belenenses

Resultado enganador, vitória complicada. O Benfica voltou a jogar abaixo do esperado, mas após a derrota em Braga, e nas vésperas do jogo com os Lagartos, a vitória era o mais importante.
Na soma das oportunidades claras, provavelmente tivemos mais do que o Belenenses, mas mesmo assim, permitimos demasiados ataques perigosos aos de Belém... muitos deles após perdas de bola infantis, na nossa zona recuada.
O jogo entrou nos últimos minutos com uma magra vantagem de 2-1 para nós, o resolveu não apostar no 5x4, e numa boa jogada colectiva o Coelho marcou o terceiro, matando a partida... com o Benfica tapado por faltas desde muito cedo na 2.ª parte, arriscámos em demasia, ao deixar levar a decisão da partida para os últimos minutos...

Vamos ter que jogar melhor para a semana, se quisermos vencer. A equipa nas últimas jornadas baixou de rendimento, o que é estranho. Esta semana muitos jogadores tiveram ao serviço da Selecção - o que não é bom... -, e nota-se que o Gonçalo e o Ricardo Fernandes, ainda não têm o ritmo normal de competição após as lesões... Hoje, detectei outro possível problema: a rotação exagerada dos jogadores. Pessoalmente creio que jogadores como o Brandi, e o Henmi têm que jogar mais minutos. Na preparação dos jogos, pode-se efectuar uma escala para as substituições, mas durante o jogo tem que se fazer a leitura, na hora, e decidir a favor de quem está mais inspirado.

Uma nota para o ambiente. Depois de ontem à noite com o Hóquei o Pavilhão ter praticamente enchido, hoje, num simples jogo do Campeonato, tivemos uma excelente casa, muito bem composta... acho mesmo que hoje, o público merecia uma melhor exibição da equipa.

Derrota na Serra

Sp. Covilhã 2 - 0 Benfica B

Não segui o jogo atentamente, mas deu para ver que sentimos bastantes dificuldades. O Hélder fez várias alterações, alguns jogadores pouco utilizados foram titulares, como: o Rudi, o Bruno Gaspar, o João Teixeira, o F. Markovic... ainda tivemos no banco o Clésio, e o Semedo (que depois de um excelente início de época tem andado desaparecido!!!), e talvez por isso, a equipa não conseguiu impor-se no jogo, como tem sido habitual... mesmo assim, sofrer dois golos nos últimos 10 minutos, deixa sempre um sabor a frustração. A ausência do Linfelof foi por castigo, as outras não sei: Cancelo, Rúben Pinto, Gianni...!!!
Uma curiosidade: 80% das vezes que olhei para a televisão, e o Benfica tinha a posse de bola, poucos segundos depois, lá estava o Bernardo a levar porrada... constantemente, não tenho as estatística, mas o número de faltas sobre o Bernardo deve ter sido absurdo, e a estatística só reflecte as que foram marcadas!!!

"Apito Oculto"

"Se Rui Pedro Soares, actual homem-forte do Belenenses, antigo menino de ouro de José Sócrates na PT, fosse eleito presidente da Liga de Clubes, teríamos todas as condições para se desencadear uma tempestade perfeita. Na mesma pessoa cruzam-se fortes laços ao "Apito Dourado" e à "Face Oculta", dois processos que deixam corado de vergonha qualquer sentido de justiça que ainda exista em Portugal.
Se a Liga de Clubes não está de boa saúde com um desmedido presidente, sempre em luta contra moinhos de vento ou televisões por cabo, pior ainda ficaria com um regresso à ética do major Valentim Loureiro, mas servida por muito menos habilidade e nenhum sentido de medida. De autor desconhecido, aqui fica uma imagem bem apropriada para o que escrevo: "Se por acaso vir um cágado em cima de uma árvore, não pense que foi ele que subiu - alguém o lá pôs". Rui Pedro Soares é um destes cágados que chega do nada e, sem qualquer currículo relevante, aparece no cimo das árvores pela mão de alguém. Assim foi durante o pesadelo do socratismo. Assim parece voltar a ser neste mundo do futebol indígena que sempre parece negar um futuro melhor.
Rui Pedro Soares sempre foi próximo de Joaquim Oliveira. Quem visse a sua postura face à figura de Joaquim Oliveira, facilmente o passaria por um seu empregado devoto. Se Rui Pedro Soares chegasse a presidente da Liga, seria o longo braço de Oliveira regressado ao centro das decisões do futebol profissional. Fortaleceria o poder de Oliveira contra o Benfica ou contra qualquer clube que se pretenda libertar do actual abraço de jibóia que estrangula as finanças dos clubes por via de uma péssima redistribuição das receitas televisivas.
Rui Pedro Soares não é um homem de projectos ou convicções. O menino de ouro de Sócrates limita-se a ter ambições. E a escolher a mão certa para chegar ao cimo da árvore. De qualquer árvore. Das patacas. Que nos líderes dos clubes, mesmo os mais próximos do FC Porto, ainda haja uma ponta de bom senso e que os homens de bem, que os há no futebol, encontrem uma solução que não empurre a Liga para uma terrífica era de "Apito Oculto". "

sábado, 2 de novembro de 2013

Título Europeu

Benfica 5 (5) - (3) 0 Vendrell

Foi o regresso às grandes noites Europeias do Hóquei, aos Pavilhões da Luz. De todas as modalidades de Pavilhão, o Hóquei é claramente aquela que está mais perto do coração dos Benfiquistas - sem desvalorizar nenhuma das outras -, é um facto histórico. Os últimos anos, de total gatunagem no Hóquei nacional têm afastado os Benfiquistas da modalidade, mas hoje, provou-se a força que o Hóquei tem no universo Benfica.
Não sou lírico, não peço que os Pavilhões estejam sempre assim, mas pelo menos 'metade' da amostra de esta noite, e o ambiente nas nossas modalidades seria outro... e ficaríamos mais perto de vencer todas as competições, porque os jogadores, sentem estes ambientes.

O Benfica era favorito a este título, a vitória em Espanha (3-5) confirmou a nossa superioridade, só um acidente, nos roubaria o Caneco... O Venderell sabia disso, e portanto veio defender em quadrado, tentou perder por poucos... Mas quando se tem jogadores da qualidade do Carlitos (não está muito longe do nível artístico do Panchito) inspirados, tudo fica mais fácil... Uma nota para o Coy que hoje voltou a desbloquear o 0-0... E tal como em Barcelos voltámos a não sofrer golos, espero que seja a imagem de marca da temporada, com o Pedro Nunes a treinar é isso que espero.

Mais uma Taça para o Museu, a 2.ª Taça Continental (Supertaça Europeia), esta mais saborosa já que foi conquistada dentro do ringue, e não por falta de comparência do adversário... Só falta a Taça Intercontinental, que vamos poder vencer em Torres Novas, no próximo dia 16, com o Sport Recife como adversário, onde se espera mais uma festa Gloriosa.

Invencíveis

Vilacondense 0 - 3 Benfica
20-25, 14-25, 13-15

Vitória tranquila... no próximo jogo - Sábado -, vamos testar a nossa invencibilidade na Terceira, onde vamos defrontar a Fonte Bastardo, o nosso adversário mais complicado do Campeonato, e o mais que provável adversário na Final (só um acidente muito grave nos afastará desse objectivo)... esta época, na Supertaça, vencemos, apesar de não ter um carácter decisivo, é muito importante marcar 'território'!!!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Evolução...

Académica 0 - 3 Benfica

Quem estava à espera que o Benfica iria sair de uma fase de más exibições, e alguns maus resultados, com exibições deslumbrantes, se calhar continua desiludido... mas quem estava à espera que o Benfica, mesmo continuando a jogar com uma nota artística baixa, conseguisse no mínimo, salvar o resultado e os respectivos pontos, deve estar neste momento, satisfeito.

O jogo em geral foi fraco, sem grande interesse. Diga-se que a Académica pouco fez - principalmente na 1.ª parte -, para que o resultado fosse outro, a vitória do Benfica é justa... mas como é óbvio, nós Benfiquistas, queremos sempre mais. E não nos podemos esquecer das desilusões que temos tido em Coimbra recentemente. A diferença, além da arbitragem - Xistra e Hugo Miguel -, esteve no aproveitamento à frente da baliza, hoje ao contrário de tantos outros jogos, fomos eficazes suficientes... E, muito importante, voltámos a não sofrer golos, pela segunda vez consecutiva, creio ser a primeira vez que isso acontece esta época...

A história vai recordar, essencialmente o golo do Markovic - o do Tacuara também deveria merecer elogios -, mas pessoalmente este jogo confirmou duas situações: o Enzo é nosso melhor jogador, e motor da equipa - aquela mudança para a direita nos primeiros jogos foi mesmo suicida!!!; e o Cardozo continua a facturar - o Jesus avisou que quando o Óscar marcasse o primeiro, os outros viriam atrás!!!

Espero que o regresso de lesão do Markovic seja duradouro!!!

Hoje, voltámos a ver no final a tripla Matic/Enzo/Amorim. Será a aposta para Atenas?!!!

Mais uma terapia antidepressiva

"O Benfica venceu com naturalidade o Nacional da Madeira num jogo que sem ser brilhante, foi de facto suficiente para cumprir os objectivos essenciais.
Sempre à volta do Benfica, ou há euforia ou há depressão. Agora a nova razão da euforia é Ivan Cavaleiro. O miúdo tem talento, mas vive num clima de exagero que o prejudica. Mesmo quando faz uma asneira tem o público a bater palmas, estão reunidos os ingredientes para mais exemplos de fogo de artifício pouco duradouro. Havia que deixar crescer com calma, esperar que ganhe a maturidade, e depois teremos um jogador de primeira na equipa do Benfica. Jorge Jesus saberá dar-lhe as oportunidades, na conta e razão certas, em vez de querermos fazer um astro à pressa. Os mesmos adeptos que lhe batem palmas hoje, estarão para o insultar amanhã.
Elogio para aquele que tem sido um dos nossos melhores jogadores do Benfica, muito esquecido pela crítica, André Almeida. Melhor em campo com o Olympiakos, e excelente na hora que jogou contra o Nacional. Brilhante à direita e muito bom na esquerda.
Hoje em  Coimbra teremos uma etapa da nossa terapia antidepressiva. Vou repetir argumentos, o jogo de Coimbra é mais importante que o de Atenas. Temos que ganhar em Coimbra. O segundo lugar que ocupamos é péssimo. A tabela classificativa, para o Benfica, só tem um lugar que não é péssimo.
Este episódio Blatter/Ronaldo mostra muito de quem e como se dirige o futebol. O protagonismo tonto e senil não tem noção do ridículo,  proporções e dos modos. Cristiano Ronaldo respondeu com um hat trick nos 7-3 ao Sevilha.
Gostei duma resposta com bom futebol, à ébria dança do dirigente exótico que escolhe países/desertos com mais de 40.º de temperatura para realizar Campeonatos do Mundo. Messi não merecia isto, porque é um jogador fantástico."

Sílvio Cervan, in A Bola

As coisas relativas

"Grupos organizados promovem violência gratuita, planeada e anunciada. Utilizam o futebol para dar azo a violência extremada e actos criminosos perpetrados em público com direito a visibilidade mediática. 
A recorrência destes crimes é cada vez maior. Uns publicam livros a vangloriarem-se dos crimes, dão entrevistas e transforma-se em personagens periféricas ao desporto com influência directa nos resultados desportivos. Outros são conhecidos nos “bas-fond” como elementos ligados directamente à criminalidade organizada e em larga escala. Alguns servem de guarda pretoriana a dirigentes desportivos que fazem da corrupção uma bandeira. Comum a todos é sensação de completa impunidade de que gozam. Comum a todos é o aproveitamento que fazem da desculpabilização pública que se segue à violência. Tudo é desculpado na relativização da violência. Relativiza-se a morte de um adepto num estádio; relativiza-se o apedrejamento selvático do autocarro de um clube à entrada de um estádio; relativiza-se a tentativa de homicídio de um presidente de um clube com o apedrejamento do carro em plena auto-estrada; relativiza-se o fogo posto na bancada de um estádio; relativiza-se o arremesso de bolas de golfe aos autocarros dos clubes e aos futebolistas no relvado; relativizam-se as agressões públicas a jornalistas que retiram as queixas por falta de proteção… Tudo isto se relativiza desde que se relativizou a violência encomendada de um tristemente famoso Abel em tempos idos.
Tudo isto se relativiza com o mesmo à vontade com que se relativiza a corrupção desportiva e as provas escutadas da mesma. Tudo isto se relativiza ao ponto de hoje em dia conceitos como “estado de direito”, “democracia” e “valores civilizacionais” serem umas coisitas relativas e pouco significantes perante o valor absoluto e inquestionável do regabofe assumido com fina ironia no futebol português."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

E Pinto da Costa fez as pazes com o Youtube

"O presidente do FC Porto disse que todos os dias revê o golo do Kelvin e que há dias em que vê seis vezes. Ainda bem. Graças ao golo do Kelvin o presidente do FC Porto fez as pazes com o Youtube.

OUVI, como tanta gente, as palavras autorizadas de Joseph Blatter pronunciadas na Oxford Union Society, entre gente fina, portanto, sobre a grande questão que divide o planeta do futebol: quem é o melhor jogador do mundo dos tempos presentes, Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo?
Vi também, como tanta gente, o momento de humor do presidente da FIFA, imitando primeiro Messi a dançar e a jogar e, depois, Cristiano Ronaldo a marchar e a jogar.
A imitação do português é um extraordinário momento de espectáculo em qualquer palco do mundo. Da Broadway até ao defunto Parque Mayer, de um qualquer esconso de stand-up em Xangai até aos mil teatros e teatrinhos de Avenida Corrientes, em Buenos Aires, o público, rendido à fidelidade dos retratos, aplaudiria Sepp Blatter de pé por todo o mundo.
Interpretei as palavras de Blatter e a representação física de Blatter como uma demonstração inequívoca de que prefere o português ao argentino, enquanto personalidade. E que, por mais que tente, não se consegue decidir entre os dois, enquanto jogadores. Foi, por isso, com espanto que acabei por constatar que estou completamente isolada nesta opinião.
O momento histriónico de Joseph Blatter foi entendido, de uma maneira geral e muita gritada, como um insulto a Ronaldo e como a declaração de preferência declaradíssima pelo argentino.
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol insurgiu-se. O presidente do Real Madrid exigiu um pedido de desculpas formais ao presidente da FIFA. As estações de televisão passaram e repassaram aquele minuto do suíço em Oxford e a conclusão foi sempre a mesma: Blatter fez pouco de Ronaldo e prefere Messi.
Continuo na minha. Blatter chamou a Messi «um bom rapaz» que é aquilo que, normalmente, se chama a qualquer desenxabido eficiente, sem ponta de graça mas com bom coração.
E pela representação que fez de Ronaldo, um G.I. Joe a ferver em adrenalina e sentido de missão, pareceu-me, francamente, que o presidente da FIFA nos quis dizer que preferia mil vezes sair uma noite com Cristiano Ronaldo do que tomar um pequeno-almoço com Lionel Messi.
E quem, no seu perfeito juízo, não o preferiria?
Toda a gente entendeu de modo diferente o que, para mim, não serve para colocar em causa a qualidade do stand-up de Joseph Blatter. É o que acontece por vezes em muitas salas de espectáculos. O texto é fácil, o público é que é deseducado. Então quando mete futebol, a deseducação é geral.
A boa notícia é que se tivermos o imenso azar de não nos qualificarmos para o Mundial do próximo verão, já temos mais uma desculpa: como se já não nos bastasse o malandro do Platini a manusear o sorteio para nos calhar a Suécia, ainda tivemos o palhaço do Blatter a achincalhar o nosso melhor jogador e capitão da Selecção Nacional. É com estas coisas que a malta se consola.
Espero que Cristiano Ronaldo, o artista, não seja como a malta toda. E como os artistas, regra geral, se compreendem, acredito que o artista português percebeu perfeitamente a mensagem que lhe foi dirigida pelo artista suíço. E, como gosto muito de show business, espero ver brevemente Cristiano Ronaldo festejar um golo imitando a imitação que dele fez Blatter.
Só para calar as más-línguas.
Devo dizer ainda, e sempre em defesa de Joseph Blatter, que concordei com ele também quando, na mesma ocasião, em Oxford, afirmou com grande clareza que Zlatan Ibraihmovic está perfeitamente ao nível quer de Messi quer de Ronaldo. É também essa a minha opinião.

TENHO visto muitos benfiquistas zangados - ah, aquelas coisas das rivalidades... - por no Museu do FC Porto existir um recanto todo dedicado ao golo do Kelvin, o golo que deu o título ao dono do museu na temporada passada.
Estão zangados pelo recanto em si - Espaço K, chama-se - e estão zangados porque o lance do golo é exibido ininterruptamente em ecrã gigante, desde que o feliz proscrito brasileiro pegou na bola até no momento em que Jorge Jesus se ajoelhou.
Basicamente é isto. Uma homenagem à grandeza do Benfica.
Vejam lá se no Museu do FC Porto existe algum recanto especial para aquele campeonato triunfalmente ganho ao Sporting com a mão do Ronny? Não. Claro está que não.

O Museu do FC Porto foi oficialmente inaugurado a 28 de Setembro mas só abriu portas ao público a 26 de Outubro festejando logo o seu 12.º aniversário. É muito mais antigo do que o Museu do Benfica.
Na cerimónia de abertura ao público, no fim de semana passado, o presidente do FC Porto disse que todos os dias revê o golo do Kelvin e que há dias em que o vê seis vezes.
Ainda bem.
Graças ao golo do Kelvin o presidente do FC Porto fez as pazes com o Youtube.

TAMBÉM gostei das pazes feitas entre Jorge Jesus e Manuel Machado, como ficou evidente no fim do último jogo no Estádio da Luz. Os dois treinadores cumprimentaram-se com grande cordialidade. E mais do que isso, trocaram sorrisos e palmadinhas. Isso mesmo, misters! Já cansava o vosso desamor que não enobreceu nenhum dos dois.
Para nós, benfiquistas, é um descanso. Agora quando já podemos usufruir tranquilamente do discurso de Manuel Machado sem termos que embirrar com ele, por solidariedade com o nosso treinador. O inverso pensarão, certamente, os adeptos do Nacional. No fundo, o que todos queremos é sossego e boa disposição.

QUANDO o assunto é hooliganismo, já devem calcular que a minha equipa preferida é só uma: a da polícia.
Há uma década, quando morreu um adepto do Sporting naquela triste final da Taça do Jamor, juntei sem hesitar o meu nome a um abaixo-assinado pedindo à direcção do Benfica, à época presidida por Manuel Damásio, por rever drasticamente o apoio prestado às claques.
E ainda há bem pouco tempo lamentei aqui que um adepto do meu clube tivesse despejado um singelo prato pela cabeça abaixo de um ex-atleta especialmente embirrante de um clube rival.
Na tarde de domingo, a equipa da polícia identificou 94 pessoas do grupo de negro vestido que provocou desacatos à porta do Estádio do Dragão. O que se passou no Porto não foi «um arrufo» como ouvi dizer logo no momento.
Disseram os jornais, nos dias seguintes, que este movimento nasceu em Inglaterra na década de 70 e que foi erradicado na década de 90. Em Portugal está a chegar. Dizem também os jornais que os três grandes clubes portugueses têm as suas falanges de casuals, embora aqui o verbo ter não faça qualquer espécie de sentido porque ninguém acredita que um clube, grande ou pequeno, queira ter uma coisa destas.
Temo que os 94 identificados pela PSP do Porto voltem a poder entrar em estádios de futebol, sozinhos ou em grupo, com a maior das naturalidades. É uma aberração quando as famílias, cautelosas, prudentes, deixam de ir à bola porque se recusam a partilhar bancadas com hooligans que nunca deixam de ir à bola.

FOI o Benfica menos desengraçado da época que se apresentou no domingo e venceu, tranquilamente, o Nacional. Matic, por exemplo, reapareceu a espaços depois de uma longa, longa ausência. O próprio jogo é amanhã com a Académica, em Coimbra. Veremos se as melhoras aparentes de domingo passado foram só aparentes, ou não."

Leonor Pinhão, in A Bola

Hoje, 31 de Outubro

"Hoje apetecia-me reflectir sobre o que vai mal. E pensar no que podemos e devemos fazer para melhorar. E procurar a essência para além do cansaço das circunstâncias. E assinalar os interesses e manobrismos que pervertem valores e princípios inalienáveis. E desmistificar a iconografia do (aparente ou efémero) sucesso que sacrifica a ética incondicional. E falar do que vai bem e vai mal no meu Benfica, sem que isso seja malquisto por quem não suporta a crítica. E recomendar prudência a sensatez a Blatter. E, estando a escrever, arrasar o famigerado Acordo Ortográfico que me consome consoante as consoantes. Mas hoje, 31 de Outubro, é o Dia Mundial da Poupança. Por isso, fico por aqui. Até para poupar os eventuais leitores. Em vez de palavras consumidas, o silêncio do espaço que resta nesta crónica. Melhor dito, os silêncios. Da alegria, do desgosto, da concordância, da discordância, da liberdade, da eloquência, da serenidade, do desespero, da esperança, da convicção, da ignorância, da verdade, da coragem, do medo. Da vida e do desporto."

Bagão Félix, in A Bola

Um presidente para a História

"Comemorámos, na passada semana, o décimo aniversário do nosso belo Estádio.
À sua construção não pode deixar de estar associado o nome de Luís Filipe Vieira - que dias depois tomou posse como presidente do Benfica, transformando-o de alto a baixo, e erguendo-o até a um grau compatível com o seu gloriosos passado. Terão faltado apenas mais um ou dois campeonatos de Futebol para que Vieira fosse hoje unanimemente considerado o melhor presidente de sempre deste Clube. Faltou, por exemplo, que em Maio passado um remate de um tipo de crista tivesse embatido no poste, em vez de entrar na baliza de Artur. Faltou que, na temporada anterior, um fiscal-de-linha pouco atento tivesse visto um fora-de-jogo de Maicon, no lance que decidiu o título.
Em suma, faltou sorte numas ocasiões, e verdade desportiva noutras, para alcançarmos os títulos que o trabalho realizado tanto justificava. São contingências, às quais não podemos também subtrair o facto de, ao longo desta década, termos enfrentado o mais forte rival de toda a nossa história. Em dez anos, o FC Porto conquistou três taças europeias, e nos últimos cem jogos do Campeonato registou apenas uma derrota. Tem sido um opositor feroz, que, além de uma inegável capacidade desportiva, numa hesitou em utilizar meios ilícitos para conseguir o que queria. É contra ele que nos temos batido, e, ainda assim, equilibrando os pratos de uma balança que em 2003 apresentava um claríssimo défice.
Campeonatos à parte, seria fastidioso enunciar toda a obra de Luís Filipe Vieira. Do Estádio ao Centro de Estágio, da Benfica TV ao Museu, dos títulos nacionais e europeus nas modalidades ao 6.º lugar no ranking da UEFA, do investimento na Formação ao incremento do número de sócios. Mas aquilo que, enquanto benfiquista, mais lhe agradeço, é ter-nos permitido voltar a acreditar no futuro. Em 2003, vencer era uma utopia. Hoje, ganhar ou perder depende de pequenos detalhes, e a nossa memória tem de ser suficientemente ampla para reconhecer a diferença."

Luís Fialho, in O Benfica

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pintando Nicolau

"(José Maria Nicolau)
Enraizado no imaginário popular, José Maria Nicolau difundiu como poucos o sentimento da 'mística'.

José Maria Nicolau, já de si, era um nome de género redondo. Uma promessa sacrossanta. Nicolau era o dinástico, de perfume czarista, com um ditongo folgado no fim, que puxava por ele em cada estrada de Portugal:
'Vai, Nicolaaaaau!'
Nicolau ia. Como nenhum outro. Viam-no passar os moinhos de vento. As oliveiras e os favais. As casas rústicas. Os aguadeiros e os proprietários abastados. Os sobreiros e as vinhas. Os solares de granito. Os cantoneiros e as pegas. As lavadeiras e as meninas das herdades a cheirar a verbena. Os polícias e os pedintes. Os guardas fiscais e os contrabandistas. Os amantes. Os amoladores e os padres. Os carroceiros. As mulas e as moscas. A canalha, vestindo-lhe a pele, a conduzir pelas veredas um aro ferrugento com uma vara de sabugueiro.
'Vai, Nicolaaaaau!' Nicolau ia.
Como nenhum outro. E, quase sem se dar por isso, foi-se-lhe imperiosamente constelando o peito.

Lenda ou realidade?
O imaginário lusitano espelhava-se nele, que era epopeia a pedal. As costureirinhas disputavam-no, folhetinescas, pespontando-lhe os músculos com olhos-agulha, à Greta Garbo. Os mesmos músculos que era querer. Os mesmos músculos que eram asas e transformavam em nuvem veloz a sua máquina de 14 quilos.
José Maria descansava ao sábado. Nesse dia, sairia à rua com uns sapatos engraxados, talvez os únicos que lhe não conheciam a bicicleta. Nesse dia, teria à mesa, sobre uma toalha quadriculada, vermelha e branca, arroz de tomate e carapaus fritos.
Junto à janela da marquise, forrada a cortinas com rendas de bilros, talvez morasse um canário, de camisola amarela, chamado Ciclista.
No dia seguinte, José Maria arrumava os sapatos e a lata de graxa por mais uns dias. 'Vai, Nicolaaaaau!' Nicolau ia. Como nenhum outro. Correndo nas veias de um Portugal a preto e branco às cavalitas da cor vermelha do ditongo."

Luís Lapão, in Mística

10: o último cromo

"Corria a época 1971/1972. E o investimento decidido na maturidade dos seis anos já vividos era certo e seguro. Cromos.
Não havia semana em que, percorrido o trajecto de casa ao café da freguesia, não depositasse sobre o velho balcão de madeira os poucos tostões mendigados à bondade materna e paterna em troca dos preciosos rebuçados, que, cuidadosamente desembrulhados, revelavam, um após outro, os jogadores principais das equipas em competição no campeonato português de futebol.
A caderneta era então, compreensivelmente, um tesouro que aumentava à medida que cada espaço, antes em branco, era preenchido por um novo jogador, quase sempre só conseguido depois de muitos mais repetidos ou negociado criteriosamente com outros investidores amigos.
Claro está, como sempre sucede com as implacáveis regras do mercado, também eu ia sofrendo as contingências da oferta e procura. E um jogador raro poderia valer uma mão-cheia de outros, rebuçados à parte, evidentemente, degustados, por cautela, logo após a aquisição.
Tamanho empenho justificou, por isso, que o tempo gasto e as despesas feitas fossem tidos por bem empregues. Devo reconhecer, no entanto, uma dolorosa excepção. É que, finda a época desportiva, houve um último cromo que nunca se revelou. E, o que é pior, da minha equipa, e, nessa medida, um dos mais desejados. O número 10 do Benfica. Todos os demais estão lá: 1- José Henrique; 2 - Malta da Silva; 3 - Humberto Coelho; 4 - Rui Rodrigues; 5 - Adolfo; 6 - Jaime Graça; 7 - Nené; 8 - Eusébio; 9 - Artur Jorge; 11 - Simões. Mas o número 10... Esse faltou sempre. E, pergunto-me ainda hoje, qual o rosto que lhe caberia por direito. Vítor Baptista ou Jordão, talvez...
Ainda assim, verdade é que 1971/1972 acabou por se mostrar uma boa época para o Benfica. Feitas as contas, o clube da Luz sagrou-se campeão nacional, venceu a Taça de Portugal, e na Taça dos Campeões Europeus apenas foi eliminado nas meias finais pelo poderoso Ajax. Para o registo da história ficaram também resultados memoráveis, saídos dos embates contra alguns dos principais adversários: 0-3 sobre o Sporting, na 12-ª jornada do campeonato, 6-0 contra o FC Porto, para a Taça de Portugal, e 5-1 contra o Feynoord, no percurso da Taça dos Campeões.
Já quanto à minha velha caderneta, não lhe reconheço menos valor pela ausência de um único cromo. E guardo-a. Guarda-a como um tesouro imenso, capaz de me devolver à memória, de cada vez que a folheio, pedaços de um infância feliz, que o tempo faz passar. Guardo-a também com esperança. Afinal, quem sabe um dia não virei a conseguir aquele último cromo. O cromo do número 10 do Benfica."

Nuno Melo, in Mística

A febre do iogurte

(Tala Simpatia - Iogurte Lisboa)
Os troféus por votos constituem um documento único da popularidade do clube. A Taça Simpatia - Iogurte Lisboa é um ex libris do nosso património.

Na velha Luz, antes do clássico com o FC Porto para o 'Nacional' de 1965/1966 deu-se um histórico rendez-vous. Protagonistas uma senhora taça e um senhor 'capitão'.
A senhora taça trazia vestidas caravelas, cruzes de Cristo e esferas armilares. O senhor 'capitão', acostumado que estava a senhoras taças, nunca vira outra igual.
De fina estampa, como Mona Lisa, a senhora Taça foi desde então despertando a codícia entre quem a visitava. Ir a Belém ver os Jerónimos ou à galaria do clube ver a Taça Simpatia - Iogurte Lisboa passou a ser uma experiência uníssona.
Mas para que tal acontecesse foi primeiro necessário que os portugueses desatassem que nem uns danados a comer iogurte, na expectativa de sublimarem os seus apetites clubísticos. A receita era simples: os consumidores do produto votavam no emblema da sua simpatia e habilitavam-se a garantir 'uma joia da ourivesaria portuguesa para consagração do clube mais querido de Portugal'. Foi assim que a Associação de Futebol de Lisboa, obviamente mais vocacionada para os enredos da bola, se viu dedicada a um verdadeiro romance popular, sob a chancela da já extinta Sociedade de Alimentação Estrela Lisbonense.
Por estranho que pareça, a iniciativa, sem paralelo nos dias de hoje, repercutia uma tradição antiga. Entre 1924 e 1972, a conquista de troféus por votos foi uma constante no palmarés benfiquista, testemunhando de forma única a popularidade do clube e constituindo actualmente um património peculiar da nossa memória.
O legado compõe-se de 81 troféus e, para além da indústria láctea, foram inúmeros os seus promotores, como a imprensa, o teatro e a música, entre outros. Acrescente-se que a senhora Taça Simpatia - Iogurte Lisboa não é caso único de glamour, pois todo o conjunto é rico em estética, design e materialidade.
Caído em desuso, talvez não fosse inoportuno reabilitar o costume, hoje brutalmente facilitado com as redes sociais. Mas garantindo que não se trocassem as senhoras taças, de caravelas vestidas, cruzes de Cristo e esferas armilares, pelas rameiras de pechisbeque que, nos últimos anos - muitas vezes sob encomenda de associações e federações desportivas -, têm vestido a máscara de tesouros.
Carecendo gritantemente do que de mais precioso dava o velho iogurte: vigor e longevidade."

Luís Lapão, in Mística

A nossa Europa

"Na Europa acentua-se o fosso entre meia dúzia de clubes endinheirados ou propriedade de súbitas oligarquias predatórias e os outros que se esforçam por competir, pese embora a desigualdade de meios. Basta olhar para os nossos principais clubes, não obstante todos os desejos, sonhos ou ilusões.
Benfica e Porto só por acumulação de muitas circunstâncias favoráveis poderão almejar vencer a Liga dos Campeões. A sua liga é, de facto, a Liga Europa. E aí a (ingrata) questão que se lhes coloca (e a nós adeptos) é entre um lugar de apuramento na poule da Champions para cobrar um bom pecúlio financeiro ou, não o arrecadando, ter a possibilidade de chegar longe na 2.ª divisão europeia.
Desde que a Taça UEFA virou Liga Europa em 2009/10, Portugal teve 3 finalistas em 8 possíveis (Benfica, Braga e o vencedor Porto) e foi 8 vezes semifinalista (além dos clubes já referidos, o Sporting). É este o palco natural do nosso futebol.
Na Champions das mesmas épocas, o melhor que se conseguiu foi uns quartos-de-final com o Benfica (2012/13) e uns oitavos-de-final com o Porto (2009/10 e 2012/13). Todavia, no ranking (actual) da UEFA, o Benfica ocupa a 6.ª posição e o Porto a 9.ª, ao mesmo tempo que novos colossos de agora ainda não são relevantes nessa lista (p. ex.: PSG é o 20.º, Manchester City o 27.º e Mónaco nem consta dos 453 clubes!).
A democratização clubística no acesso português à Europa é de aplaudir, mas, em regra, segue-se-lhe o reverso da medalha. Sem o Sporting e o Braga, o perigo de retroceder no ranking dos países pode implicar menos e mais difíceis presenças na Champions. Um círculo vicioso."

Bagão Félix, in A Bola

Nico, Nico, Nico...!!!



PS: O título do post é uma tentativa mal feita de homenagear uma famosa música de intervenção... que recorda o assassinato do activista sul-africano Steve Biko!!!