Últimas indefectivações

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sobre os bons artistas e os artistas assim-assim

"Foi uma única temporada de Ronaldo no Sporting que conferiu à questão com Eusébio dimensão clubista festejada em Alvalade no momento em que o CR7 pulverizou a marca do antigo jogador

CRISTIANO RONALDO galopa para se consagrar como o melhor marcador de todo o sempre da selecção nacional. Na sexta-feira passada, com um soberbo hat-trick na Irlanda do Norte e com uma exibição notável de autoridade e de querer, Cristiano Ronaldo ultrapassou Eusébio no top dos goleadores de quinas ao peito e está agora a 4 golos de igualar o registo de Pauleta.
Pauleta e Cristiano Ronaldo têm sobre Eusébio uma vantagem importante nestas contas dos golos. Pertencem a uma geração que teve e tem o mérito de ser qualificar sistematicamente para as fases finais dos grandes eventos internacionais. A geração de Eusébio, pelo contrário, habituou-se a falhar todos esses compromissos, excepção feita à fase Mundial de 1966 que foi a glória do moçambicano do Benfica dando origem a uma lenda a nível global que ainda hoje perdura.
No mano-a-mano entre Cristiano Ronaldo e Eusébio esta realidade salta à vista. O fabuloso madeirense precisou de 106 jogos para fazer 43 golos e ao fenomenal moçambicano bastaram 64 jogos para fazer 41 golos. Quer Eusébio quer Pauleta mostraram grande fair-play e simpatia face a este último sucesso de Cristiano Ronaldo. Nem uma ponta de azedume nem qualquer tipo de desconsideração pelo feito notável do jogador do Real Madrid.
Ambos não perderam tempo a dar os parabéns a Cristiano Ronaldo. Eusébio confessou-se «muito satisfeito» por ter sido ultrapassado pelo madeirense e apenas lamentou ter perdido uma aposta. «Apostei que o Cristiano marcava 2 golos aos irlandeses e acabou por marcar 3», disse. Já Pauleta, a próxima vítima do temível goleador em actividade, espera com entusiasmo pelos próximos golos de Cristiano Ronaldo na selecção. «Agora é comigo», disse o açoriano.
Gente boa, esta do futebol. Refiro-me aos artistas.
O despique Cristiano Ronaldo-Pedro Pauleta não vai ter, no entanto, à sua volta a carga simbólica do já extinto despique. Cristiano Ronaldo-Eusébio por uma razão bem simples de explicar. Hoje retirado, Pauleta, tal como Cristiano Ronaldo, fez quase toda a sua carreira no estrangeiro mas, ao contrário do actual jogador do Real Madrid, nunca em Portugal jogou por nenhum dos considerados grandes.
O açoriano nunca jogou na I Liga portuguesa, já o madeirense apenas cumpriu uma época na I Liga portuguesa. Pauleta jogou em 1995/96 pelo Estoril-Praia, mas na II liga, seguindo logo para Salamanca e Ronaldo fez apenas uma época como sénior no Sporting, a de 2002/2003, seguindo logo para Manchester.
Foi esta única temporada de Cristiano Ronaldo no Sporting A que conferiu à questão com Eusébio, no que diz respeito a golos ao serviço da equipa nacional, uma dimensão clubística intensamente festejada em Alvalade no momento em que o CR7 pulverizou a marca do antigo jogador do Benfica.
Será tanta exaltação? Consideremos que sim se contarmos com os anos de formação do jovem portento nas escolas de futebol do Sporting, onde chegou depois de ter sido a maior relevação de todos os tempos do futebol madeirense com a camisola do Nacional.
Ao contrário de Eusébio que, por ser um rei sabe que não há nada de mais natural neste mundo do que a sucessão, há benfiquistas a quem magoou a festa dos sportinguistas por Cristiano Ronaldo, apresentado como símbolo do Sporting, ter ultrapassado Eusébio, apresentado como símbolo do Benfica, em matéria de golos ao serviço das quinas.
Francamente, não compreendo como se deixam enredar nessa falsa questão. Tudo é comparável, é certo, podemos comprar os golos do moçambicano com os golos do madeirense, os seus estilos de jogo, as respectivas capacidades atléticas e artísticas e até e até os tempos que jogaram e viveram e vivem.
Mas em termos de emblemas, em termos de derby, é incomparável a temporada solitária em que Cristiano Ronaldo representou o Sporting com a carreira de uma vida de Eusébio ao serviço do Benfica onde ganhou tudo o que havia para ganhar em Portugal e na Europa.
Por tudo isto, desejo muito que quando Cristiano Ronaldo ultrapassar Pauleta e chegar à posição número 1 da tabela em causa, não fiquem tristes nem acabrunhados os adeptos do Estoril-Praia, emblema que Pauleta defendeu durante uma única temporada antes de emigrar com o sucesso que todos reconhecemos.
É que não faz sentido.


BRUNO CORTEZ, o lateral-esquerdo que chegou ao Benfica emprestado pelo São Paulo, foi quase sempre titular na pré-temporada e foi sempre titular nos primeiros jogos a sérios desta nova época. Não agradou à torcida, esse é um facto.
Aparentemente também não terá agradado à equipa técnica. No espaço de 24 horas, na semana passada, ficou Cortez a saber que o seu nome não constava da lista dos inscritos para a Liga dos Campeões e, pior ainda, ficou a saber que o Benfica contratou um novo defesa-esquerdo chamado Siqueira, brasileiro, com provas dadas no Granada.
Desejam muito os benfiquistas que Siqueira seja o “tal”. Isto é, o lateral-esquerdo de raiz que o Benfica não tem desde que Leo se zangou com Quique Flores e regressou ao seu Santos.
A não-inscrição de Bruno Cortez na UEFA deu algum brado, o que se compreende. Enganos, enfim, toda a gente tem, mas os enganos do Benfica para aquela posição começam já a ser lendários, para não dizer anedóticos, com o devido respeito por Emerson e pelo próprio Cortez.
Por estas razões, a contratação de Siqueira foi bem recebida pelos adeptos. O noticiado interesse do Real Madrid pelo jogador também deu um forte ânimo aos benfiquistas. Esta coisa de ganhar um jogador em despique com o Real Madrid faz sempre bem à auto-estima, que é uma coisa que na Luz anda muito por baixo desde o último mês de Maio.
No entanto, mais surpreendente do que a exclusão de Cortez da lista para a Liga dos Campeões, terá sido a exclusão de Kelvin da lista de portistas para a mesma competição. Deve estar banzado Kelvin, o mesmo Kelvin que deu o título ao FC Porto e obrigou Jorge Jesus a ajoelhar-se no Dragão foi preterido por Paulo Fonseca. E não há qualquer espécie de razão para duvidar de que Fonseca sabe o que está a fazer.
Do lado do Sporting a situação foi mais preocupante. Nenhum jogador foi inscrito na UEFA. Nem Montero, a estrela deste arranque de temporada em Alvalade.

NO sábado, o Benfica recebe o Paços de Ferreira, a equipa-sensação da última temporada e que na actual continua a ser sensação mas por motivos diferentes. O Paços de Ferreira de Costinha ainda não fez 1 ponto nesta Liga. Ao cabo de três jornadas soma três derrotas o que o torna um adversário incómodo e perigoso. No play-off de acesso à Liga dos Campeões, dois jogos feitos e outras duas derrotas ainda que contra o poderoso Zenit de São Petersburgo, que é de outro campeonato.
Não se pode perder sempre, não é? E o Paços de Ferreira, neste capítulo, está a exagerar. Cinco jogos oficiais, cinco derrotas é muita infelicidade.
Para o jogo com o Paços, Jorge Jesus não pode contar com Sílvio, Sálvio, Gaitán e Sulejmani. Este último foi albarroado no Sérvia-Croácia por um adversário de nome Simunic e ficou de tal forma em mau estado que nem conseguiu regressar a Lisboa com os seus compatriotas, companheiros de selecção e de Benfica, tendo ficado mais uns dias a desinchar do hematoma em Belgrado.
A boa notícia é que se provou que Sulejmani é rijo. perante a dimensão da entrada de Simunic, podia-se prever que o extremo sérvio tinha acabado naquele momento a sua carreira de futebolista profissional. Dizem que não. E que até já poderá jogar com o Anderlecht na próxima terça-feira.
A outra boa notícia é que a Sérvia foi eliminada do Mundial de 2014 pelo que os nossos jogadores sérvios podem concentrar-se à vontade nos objectivos benfiquistas para a temporada de 2013/14. Porquê? Porque tão cedo não vão ter outra montra. E no futebol moderno ao mais alto nível, a montra é tudo."

Leonor Pinhão, in A Bola

A verdade e o verdadeiro

"Recuso entrar na comparação para ter de concluir quem foi melhor, se Eusébio ou Cristiano Ronaldo. Só a distância (temporal) a que a história obriga nos mostrará quem chegou mais alto. O maior elogio a fazer já ao CR7 é o de nos deixar na dúvida sobre se o trono ainda é do King, questão que tantos julgavam nunca se colocar. São épocas diferentes, tempos tácticos diversos, preparação distinta, bolas, equipamentos e relvados incomparáveis, alterações de lei, equipas de clube e selecções como antes não havia. Nuns casos a evolução favorece um, noutros o outro.
Claro que a memória colectiva favorece os jogadores mais recentes, Lionel Messi face a Diego Maradona, Zinedine Zidane a Michel Platini, Cristiano Ronaldo a Eusébio. Filmados melhor, de vários ângulos e vistos a fazer magia em semanas consecutivas, ganham facilmente vantagem nas nossas análises. Terá Johan Cruijff sido melhor do que Di Stéfano? Muitos juram que não, mas na televisão parece, que é mais agradável rever a laranja mecânica a cores do que ir buscar os vídeos que o tempo fez mais pretos do que brancos do tempo do hispano-argentino. Há uma injustiça, essa objetiva, cometida com Eusébio, que foi também um erro do jornalismo desportivo, acabando por ter de ser o próprio a lembrar, no que espero não origine um dispensável atrito com Ronaldo.
Como não basta dizer que a economia está a crescer sem comparar com anos anteriores, ou que agora se vendem mais carros do que no ano passado quando não se vendia nada, também não chega dizer que Ronaldo tem mais dois golos do que Eusébio na selecção. É obrigatório referir também que o CR7 fez mais 42 jogos do que Eusébio. Nem é uma questão de respeito por Eusébio apenas, mas de respeito pela verdade, que é o primeiro dever de um jornalista. E aprendi cedo que neste ofício das notícias não basta contar os factos com verdade, deve procurar-se a verdade dos factos.
Quem foi melhor, quem é melhor hoje, Ronaldo outra vez no debate, frente a Messi? A cada um sua verdade, mas com uma premissa indiscutível: Portugal tem actualmente, e já vai para dez anos, um jogador estratosférico. Vi todos os grandes jogadores dos últimos 40 anos, Luís Figo, Rui Costa, João Pinto, ainda Paulo Futre e Fernando Chalana. Português, não vi nenhum como Cristiano Ronaldo, este, o verdadeiro. E estrangeiros só dois ou três, incluindo Zidane. E o outro Ronaldo, o primeiro."

Houve mais culpados...

"1. O último número do nosso Jornal trazia uma desenvolvida notícia de nova acusação contra Vale e Azevedo, que terá lesado o Clube em mais 1,3 milhões de euros. Infelizmente, nada que espante. O que me espanta (e lamento) é que tenha havido - em especial na Direcção e no Conselho Fiscal da altura - quem tinha obrigação de estar atento e nada fez para evitar estas (e outras) tristes situações. Tanto mais que, bem cedo, houve na Direcção quem saísse por não tolerar o que se passava e todo o Conselho Fiscal se demitiu ao fim de poucos meses de mandato, pois o presidente fugia a mostrar as contas. Quem lá ficou e quem para lá foi estava 'avisado' e nada fez. E o grande prejudicado foi o Benfica.

2. Terminou o período de transferências, este ano sem que possamos lamentar perdas de última hora. Do mal, o menos. Embora não tarde muito que não tenhamos que voltar a ler e a ouvir mais nomes de jogadores que podem entrar ou sair na 'janela de Janeiro', outra infeliz ideia. Nunca gostei de muitas entradas e saídas de jogadores. Tive a sorte de ver sucessivas equipas do Benfica com a mesma estrutura-base ano após ano, aqui e ali reforçadas cirurgicamente. Daí que não me entusiasmem os reforços que vão chegando e cujos nomes só começo a decorar quando se iniciam os jogos a sério e eles entram na equipa. Este último 'defeso' foi farto em novidades. Só espero é que, agora que as coisas estabilizaram, a equipa se reencontre e que o esforço financeiro realizado pelo Clube seja devidamente recompensado... com vitórias.

3. Muitos daqueles que, agora, nos jornais, louvam a 'limpeza' que o presidente do Sporting tem estado a fazer são os mesmos que há dois anos teciam largos elogios à dupla Luís Duque/Carlos Freitas pelos reforços que iam conseguindo. Agora, soube-se que o dirigente da SAD ganhava uma fortuna e foi 'corrido' com uma indemnização milionária, depois de ter gasto o que havia e não havia - e até mais do que o então anunciado - na compra de jogadores, alguns dos quais a 'custo zero'."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Ainda a Selecção Nacional

"No jogo com a Irlanda do Norte, dos 14 portugueses que alinharam só 2 jogam no nosso país: Rui Patrício e o suplente Rúben Amorim. No entanto, verifica-se que todos têm origem (directa ou indirecta) nos três principais clubes de Portugal. Do Sporting: Rui Patrício, Cristiano Ronaldo, Nani, João Moutinho, Miguel Veloso. Do Porto: Pepe, Bruno Alves, Raul Meireles, Vieirinha e Hélder Postiga. Do Benfica: João Pereira, Fábio Coentrão, Nelson Oliveira e Rúben Amorim.
Significativamente curioso é que, ao mesmo tempo que neste jogo houve um único benfiquista que jogou uns míseros 4 minutos nos descontos (R. Amorim), pela selecção da Sérvia (à mesma hora) jogaram 5 encarnados: Matic, Feja, Markovic, Sulejmani e Djuricic, o que me tentou a fazer algum zapping entre o ser português e o ser benfiquista...
Se não estou enganado, foi a primeira vez que a selecção nacional jogou sem um único atleta do Porto, que, assim, passou a fazer companhia ao que já acontecera ao Benfica. Ao invés, os dois clubes já jogaram sem qualquer atleta português.
Outra recorrente regra no seleccionador nacional, é a circunstância de um jogador ter de se mudar para um dos grandes (ou Braga) para ter a hinra de ser ou poder vir a ser internacional. Grande época de Josué no Paços de Ferreira, sem ser chamado, mas bastaram uns minutos no FCP para chegar à internacional. O mesmo com Licá antes no Estoril e o Vítor, agora no Sporting, que não perca a esperança. Para já não falar no Fábio Coentrão antes do SLB. Não há wild cards fora dos 4 principais clubes, a não ser que emigrem. É a globalização, dizem os entendidos."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Basta recordar o barulho que foi feito, quando a Selecção jogou sem um único jogador do Benfica, e comparar com o silêncio total, que agora foi feito com a ausência de jogadores dos Corruptos (no '11' + suplentes utilizados), num jogo da Selecção para compreender como os avençados jornaleiros estão todos presos com rédea curta!!!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

É por aqui...

"Admito uma transferência até Junho do próximo ano"

"Domingos Soares de Oliveira - Administrador financeiro do Benfica
Reafirma a inexistência de irregulariedades na transferência de Roberto e que o caso Cardozo está resolvido, elogia Rui Costa e rejeita a obrigatoriedade de saídas do plantel em Janeiro

Administrador financeiro de um grupo cujo 'volume de negócios anual é de 140 milhões de euros', Soares de Oliveira está confiante.
- No Verão passado, quando Javi Garcia e Witsel  saíram, disse que não estava obrigado a vender em Janeiro. Após saídas pouco significativas é obrigatório transferir em Janeiro?
- Não é obrigatório. Os problemas de tesouraria e os critérios de fair-play financeiro condicionam os clubes, mas encaramos o futuro com confiança no primeiro caso, pois sabemos onde é possível criar mais dinheiro; no segundo este ano temos bom 'apport' pelas novas receitas televisivas. Admito que, até final do exercício, ou seja, até Junho do próximo ano, haja mais uma transferência.
- Quais são os critérios para as contratações? Este ano chegaram seis centrais e indefinições...
- A política desportiva é debatida e aprovada em conselho de administração, não seria normal que fosse explicada e não é a minha área. Dois comentários de sentido comum: os três centrais contratados visam não a titularidade imediata, mas acautelar o futuro. Quando Javi Garcia e Witsel saíram, toda a gente acusou o Benfica de não se ter preparado. Este ano fizemos isso em quantidade e qualidade no devido tempo.
- Rejeita a ideia que o Benfica esteja a pagar altas comissões?
- O negócio do futebol tem uma característica: não se contrata sem agentes, a tal ponto que os próprios mecanismos de regulação obrigam a explicar qual o agente envolvido. Comissões cobradas pelos agentes, sendo elevadas, são as standard entre todos os clubes. A nossa política não é orientada nesse sentido, muito pouca gente aqui tem relação directa com empresários. O plantel deste ano tem o dedo de Rui Costa, o mais experiente no futebol dentro da administração. Não tenho dúvidas sobre a qualidade do seu trabalho que garante o presente e o futuro...
- Isso leva-me a outra pergunta: há mais de dois anos disse que Rui Costa é das pessoas que mais percebe de futebol em Portugal. Se o Benfica tem essa pessoa e Jorge Jesus, a chamam o mestre da táctica, porque razão só foi campeão em 2009/10?
- Isso levava à inventariação do que foram os campeonatos desde essa altura, o que correu menos bem: factores internos, pois ninguém chega a casa e diz todos os dias que fez o trabalho isento de erros, mais importante do que bater com a cabeça na parede por causa deles é aprender e melhorar; erros alheios de que não queremos fazer publicidade, mas não esquecemos.
- A época passada ensinou alguma coisa ao Benfica?
- Todas servem para isso, se assim não fosse não se notava a evolução competitiva do Benfica. Quando cheguei em 2004, recordo qual era a equipa e ambição que tínhamos na UEFA. Hoje temos o clube no primeiro pote da Champions, uma final europeia, o técnico um dos melhores da Europa, interesse que o clube suscita pelos projectos.. Ninguém ficou satisfeito com os resultados da época passada, mas tenho a certeza que se sentir mais frustração em quem estava directamente envolvido na obtenção do resultado. Perder nas compensações não significa impreparação. E temos o exemplo da recente Supertaça Europeia - não é por Mourinho sofrer um golo perto do fim e perder nos penalties que vamos dizer que estava errado. Há que separar (e o presidente fê-lo na entrevista ao longo do processo) a reacção do momento do reconhecimento do trabalho feito. Se o conselho de administração entendesse que o ciclo chegara ao fim tomaria decisão, mas entende que este ciclo ainda está para durar e podemos fazer nova época com resultados melhores. A decisão é racional e não está ligada a coisas que já ouvi como a relação privilegiada entre presidente e treinador.
- O caso Cardozo ficou resolvido?
- Tenho o privilégio de conhecer a situação do ponto de vista interno, tanto o que se passou como as últimas semanas. No Benfica é assunto fechado, bem resolvido e não é indiferente a maturidade das pessoas...
- Era preciso demorar três meses? Não deveria ter sido após a final da Taça?
- Poderia ter sido feita alguma coisa diferente na final da Taça, mas não tenho tendência para carpir mágoas por causa de uma coisa qualquer que se passou há três meses.
- Admite as dúvidas da CMVM em relação ao Roberto?
- Admito que devem ser esclarecidas, como fez o presidente na Benfica TV e à CMVM.
- Nada houve de irregular?
- Nada, demos todos os documentos e explicações à CMVM e, desde a reunião não tivemos mais contactos sobre o assunto.
- Markovic custou 10 milhões de euros, num negócio que tem sido associado à participação de fundos ou direito de preferência do Chelsea. Foi assim?
- Não. Os termos são os que foram comunicados à CMVM.
- Assinou contratos da Benfica TV para a América do Sul e vai fazê-lo para o Médio Oriente: é assim que pode explicar-se a saída de Luís Fariña para o Banyas?
- O tema não é independente... Para a Benfica TV há 12 países que justificam aposta como canal disponível no espectro de outros canais num certo operador: Angola e Moçambique, Brasil, EUA e Canadá e alguns países europeus com benfiquistas residentes que falam português e entendem o canal. Nos restantes o que fazemos é disponibilizar os 15 jogos - assim foi para toda a América do Sul e o jogo com o Gil Vicente foi visto em 36 países. Nos últimos dois/três anos tivemos iniciativas no Médio Oriente. Não havendo reacção comercial directa existe a vertente desportiva. O empréstimo de um jogador é um exemplo, o Médio Oriente é um dos alvos, foi uma oportunidade. Fariña era desejado pelo Benfica, e o Banyas manifestou interesse...
- E Luís Filipe Vieira diz que 40% da transferência foi paga...
- Se disse é porque é verdade.
- Vai aproveitar a final da Champions na Luz em 2014 para resolver a questão no 'naming'?
- Gostaria de ter já o contrato assinado, houve uma quantidade razoável de propostas entregues, mas não acordo por razões económicas. A final da Champions não é válida, pois a UEFA , quando faz o evento, neutraliza o estádio do ponto de vista das marcas - no Euro 2004 até a marca dos elevadores estava tapada com fitinha preta...
- A pergunta era se vai aproveitar a final como rampa de lançamento para resolver o assunto?
- Queremos aproveitar para manter o Estádio na vanguarda. A UEFA quer acautelar vários aspectos e, depois da final, o estádio vai ser melhor. Será uma ocasião para bater à porta de potenciais parceiros e nunca deixamos de o fazer.
- A estratégia de financiamento prevê operações além do quarto empréstimo obrigacionista?
- O assunto nem foi tratado em termos internos, sendo certo que a aprovação em assembleia geral para contrair divida apontou para um máximo de 80 milhões, só fizemos 45, logo há margem para mais 35 milhões.
- A SAD quer accionistas de referência?
- Não temos procurado.
- E admite a saída da Bolsa?
- Poderia acontecer, mas a supervisão da CMVM tem mais vantagem do que inconvenientes. Não só em termos práticos por certos mecanismos de financiamento, mas a maior é de obrigação de rigor na prestação de contas. Podemos não gostar de questões da CMVM, mas a disciplina criada ao longo do tempo implica que não basta ser sério, e sérios somos, mas é preciso parecer. 

Benfica TV
Dirigente indica que o número de assinantes está a chegar aos 190 mil.
-Quanto custa a Benfica TV?
- A Benfica TV tem um gasto na casa dos 8,5 a nove milhões de euros/ano, incluindo conteúdos internacionais, cerca de 70 pessoas, as amortizações dos meios técnicos (novos cenários, estúdio virtual, novo grafismo, transmissões em HD). A Benfica TV não comprou direitos dos jogos em casa, mas actua em nome da Benfica SAD. O modelo faz com que a Benfica TV recupere custos e toda a receita gerada de forma adicional pertence à SAD.
- Quantos assinantes tem?
- Estamos a chegar aos 190 mil.
- Qual é a meta definida?
- Os números estão acima das projecções. A taxa de penetração é bastante distinta nos diversos operadores, não divulgo números, mas é óbvio que naqueles que já tinham Benfica TV houve maior facilidade de crescimento rápido. Mas não é despiciente  bem pelo contrário, aquilo que Vodafone e sobretudo Zon conseguiram, não tendo Benfica TV na altura em que o projecto arrancou.
- O que investiu na Premier League foi compensado?
- Foi. Todos os operadores tinham estudos. No que fizemos, identificámos conteúdos que suscitavam mais interesses. Quando perguntámos por conteúdos internacionais para aumento significativo, isso não existia. Passados dois meses, conheço adeptos que não são do Benfica, mas subscreveram porque juntam Premier League e Brasileirão e não têm mentalidade extremada, aceitando o resto do conteúdo internacional. A ideia de que haveria mais clientes com Premier League está na base da decisão estratégia de ter dois canais com conteúdos diferenciados - esta é a parte mais inovadora quando recebo pedidos de explicação a cadeias inglesas, alemãs, etc. Juntámos algo que ninguém tinha: canal de clube com projecto comercial de transmissões televisivas. Há cerca de 30 a 35 clubes com canais próprios de âmbito limitado: conteúdo de arquivo, debate, escalões de formação e, com excepção do Barcelona, nenhum com abrangência do Benfica nos desportos. Nós temos mais de 30 modalidades, Fundação e Casas do Benfica, não podemos deixar de manter conteúdos do clube. Quem não é benfiquista e quer ver outros conteúdos tem o direito a não ver futsal e ver Chelsea ou Manchester United.
- O Benfica recebeu quatro milhões da Zon, outro tanto da Meo e dois milhões da Zap?
- Não são esses os números. Aprendemos a maximizar receitas que estavam consignadas à PPTV não só de direitos de transmissão. Existem quatro fontes de receitas: uma é tudo o que pode ser obtido em termos nacionais no plano das assinaturas, incluindo contratos de distribuição; segunda é o que vem do plano internacional; publicidade do próprio canal e quarta a publicidade de primeira linha que está no Estádio e levantou celeuma entre Liga e Olivedesportos. Nestas quatro componentes, o que fomos buscar a nível internacional, publicidade do canal e de primeira linha é praticamente equivalente àquilo que a Olivedesportos nos pagava por ano. Antes de falar sobre os subscritores, logo no arranque já existia um valor significativo (o contrato anterior tivera um cash advance na fase inicial, mas digamos que os valores são próximos). Convidámos todos os parceiros em Portugal a aderir à distribuição da Benfica TV, aderiu quem quis, a fusão da Optimus não estava decidida e entendeu que não deveria aderir. Outra componente é o valor angariado por cada subscritor, distribuído pelo operador e nós em função do modelo progressivo, compensando os distribuidores que consigam maior número de assinantes. Estas rubricas permitem ultrapassar o valor sugerido na última proposta pela PPTV, mas ainda há um longo caminho. O projecto tem visão de médio e longo prazo: primeiro três anos com muitos dos direitos internacionais; depois, daqui a cinco anos, terminam os contratos dos outros clubes e, nessa altura, outras coisas podem acontecer, inclusive centralização de directos.
- Falou na publicidade à Cabovisão nos jogos: é preciso assembleia de clubes para alterar o regulamento que não parece ser suficientemente elucidativo?
- Há alguma indefinição, mas com boa vontade resolve-se. O que me pareceu foi que, a certa altura, isto foi utilizado como mecanismo de guerra entre Liga e PPTV com ameaças, transformando clubes (que fazem viver o futebol, não a Olivedesportos ou a Liga, não podem ser ameaçados entre duas entidades neste processo) em arma de arremesso no assunto. A situação dos clubes é difícil, pois vivem a contar tostões. Quando o actual detentor dos direitos de transmissão televisiva os ameaça com incumprimento, no fundo está a utilizar 80% da sua receita como arma de arremesso.
- Carlos Pereira, presidente do Marítimo, admitiu um dia ceder à Benfica TV os seus direitos televisivos. Como analisa estas declarações?
- Não gosto de comentar palavras de outros dirigentes, mas, se hoje dirigisse um clube que não o Benfica, aquilo que procuraria era maximizar receita associada aos direitos televisivos, porque essa é a principal fonte de receita dos clubes.
- Ficaram com os direitos TV do Farense e admitiram avançar para os da Liga Zon Sagres - não há ameaça à integridade das competições com essa atitude?
- Não demonstrámos até à data especial interesse pelos primodivisionários, porque esses clubes têm contratos com a PPTV até 2017/18. É provável que a própria PPTV proponha a renovação dos contratos com a devida antecedência para garantir que outras entidades não se aproximam com propostas. O Farense ainda não tinha contrato com a PPTV, entendemos que o Algarve (e Faro em particular) tem interesse para justificar o nosso investimento (canais pagos dependem de assinaturas e não tanto de publicidade e outros aspectos), é uma grande cidade e justificava a aposta. Salvaguarda da verdade desportiva: os nossos jornalistas têm o mesmo grau de exigência no rigor que os dos outros canais, sujeitos a mesmos códigos de conduta e supervisionados pelas mesmas entidades, parece-me falacioso que se questione e engraçado que venha dos nossos adversários a colocar em causa a capacidade para a transmissão ou relatos...
- A minha pergunta não era essa. Não existe aí interferência comercial entre parceiros da mesma competição?
- Isso partiria do princípio que um canal de TV tenha capacidade para interferir... 
- Primeiro deveríamos ter questionado se a Sport TV teria capacidade para influenciar. Por haver relação comercial entre clubes nas transferências pode haver alguma questão que afecte a verdade desportiva? 
- Relações comerciais entre clubes vão continuar a existir, mesmo concorrentes entre si, fazendo-se distinção entre os dois campos.
- Os resultados e exibições do início da época colocam em risco as metas?
- Não diria isso. Toda a actividade comercial do Benfica depende muito do sucesso ou insucesso no relvado: mais camarotes, cativos, nível de quotização, predisposição para contratos de patrocínio e Benfica TV não foge a isso: não compromete, mas não alavanca tão rapidamente como se desejaria.
- Qual é o modelo de partilha de receitas com os operadores?
- É variável com diversos escalões e termina num escalão máximo: desde que haja centenas de milhares de subscritores é repartido 50-50. O começo é com a Benfica TV mais compensada e vai evoluindo.
- Como avalia a entrada da PT na Sport TV?
- Opinámos na Autoridade da Concorrência sobre isso, colocando-se a questão se a Benfica TV é concorrente da Sport TV...
- E é?
- Não à data de hoje. Com os direitos dos outros clubes na PPTV que vende à Sport TV esses conteúdos e havendo accionista comum não me passa pela cabeça que possa abrir concurso sobre o assunto. Não me parece que tenhamos capacidade de ser concorrente da Sport TV. Tivemos muitos contactos internacionais e o mercado português é apetecível - a Sport TV teria mais de 600 mil subscritores, pagando em média quase 30 euros, algo que garante uma receita interessante e poderia ser objecto de concorrência, mas se há contratos assinados por cinco anos, ninguém vai querer só um clube.
- Gostava de participar na entrada da PT na Sport TV?
- Se gostávamos de entrar no capital da Sport TV? Nunca pensámos nisso... A Sport TV não tem resultados positivos, mas, se pensarmos em toda a cadeia de valor, desde que se compram os direitos até à sua revenda, é um negócio muito interessante e rentável. Do ponto de vista estritamente financeiro claro que gostaríamos de integrar um processo desses. Só que houve manifestações dos benfiquistas não contra a Sport TV, mas perante determinada linha com a qual não queriam pactuar. É impossível pensar no assunto quando os adeptos não gostam dessa linha.
- A centralização de direitos TV é defendida pela Liga e pela FPF. Existe contradição com a Benfica TV?
- A centralização não é em si um problema, deve ser encarada como possível solução. Não tenho dúvidas de que a abordagem conjunta da Liga no seu todo cria mais valor do que se cada clube procurasse as suas soluções. O modelo centralizado podia conduzir a resultados mais interessantes para a indústria do futebol em Portugal. Mas isto implica reconhecer várias coisas: que o Benfica deve ter a dimensão de maior clube reconhecida de forma adequada, sendo uma questão de procurar modelos da distribuição de receitas por essa Europa fora. Os números com subscrições da Benfica TV são a demonstração prática do que vale o Benfica...
- Isso significa que a Benfica TV será usada num modelo centralizado para fazer prevalecer direitos?
- Não usada no seu todo, mas sem esquecer os números da Benfica TV em termos de receitas. A centralização só vale a pena se os direitos centralizados forem colocados a concurso, envolvendo Sport TV e outros concorrentes. Veja-se em Inglaterra: a Sky tinha uma determinada posição, a British Telecom concorreu e as receitas aumentaram este ano 60%, ou seja, o modelo tem de ser aberto; se for uma solução mitigada não chegaremos a lado algum.

«Custos com o pessoal são para manter nos limites da UEFA»
'Valor médio é de 50% dos proveitos operacionais e limite de 70% desses proveitos', diz.
- Os custos com pessoal vão ficar como estão? E mantém a ideia de ter resultados operacionais positivos nas contas anuais?
- Não posso falar sobre as contas anuais antes da sua publicação e aprovação pelo Benfica. Temos mantido o custos com o pessoal nos limites que a UEFA define - valor médio de 50% dos proveitos operacionais e limite de 70% desses proveitos. Não vejo grande dificuldade em manter. É natural que o investimento seja cada vez mais dirigido à actividade principal que é o futebol. À medida que resolvemos infra-estruturas (centro de formação, museu, estádio, Benfica TV), o peso da componente salarial pode ser maior, mas teremos cuidado para manter nos 'thresholds' da UEFA.
- Manchester e Dortmund são mais vistos como negócio - o que é preciso o Benfica fazer para que as acções sejam encaradas nesses termos?
- O Benfica está mais próximo dos dois grandes clubes espanhóis que pertencem aos sócios do que aos modelos ingleses com donos ou alemães com sistema misto. Mais do que a questão accionista - o Manchester já esteve em bolsa, saiu, está em Nova Iorque, tentou Singapura -, coloca-se o modelo de sustentação e os dos clubes portugueses não podem ser os dos cinco grandes mercados. Estamos entre a realidade nacional - dificuldades de sobrevivência, patrocinadores não investem face à crise, e direitos TV são o que são, todos devemos deveríamos baixar o investimento e custos, com politica mais conservadora - e a internacional com clubes que vêem volumes de negócio a aumentar todos os anos. O adepto espera que tenhamos capacidade de actuar dos dois lados e, o ano passado batemos russos, alemães, turcos e franceses, etc. Não fazemos omeletes em ovos, mas ficamos muito acima da realidade do País. O modelo de sustentação baseia-se e gerar receitas de forma diferente. Fundamental  - e o Sporting deu excelentes exemplos -, é formar bem para apetrechar a equipa e criar riqueza para exportar; comprar bem para preparar jogadores na Europa e vender; temos exemplos nos grandes e no Braga do encontro de alternativas. Tem riscos, pois a componente de custos é sempre mais elevada do que a de receitas operacionais."

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Olho por olho, dente por dente! Vamos a isto, Benfica?

"1. Sou - como sabe quem me conhece - um conciliador e um pacificador, mas não gosto que julguem que esses princípios se confundem - no meu carácter - com indiferença e abdicação.
2. Não sou dos que prefiro ... "a paz mais injusta à mais justa das guerras", especialmente quando os nossos inimigos - não confundir com adversários, porque esses jogam connosco e contra nós com as mesmas regras, sem batota, sem corromper quem decide ou sem recorrer a "suplementos vitamínicos" que deturpam a verdade desportiva - nos provocam, em cada declaração, em cada afirmação, em cada entrevista, em cada "graçola"...
3. Temos de nos convencer e convencer os que não fazem parte do grupo da batota - felizmente a maioria - que o deixar andar, que qualquer tentativa de conciliação com corruptos, que a busca de "pontes de entendimento" com quem não cumpre as regras é ... incompreensível, inadmissível e inaceitável!
4. Não alinho nem subscrevo a tese do ignorar pacificamente a violência verbal, ética e moral (pelo menos) de que somos alvo, do fazer de conta que nada se passa quando nos provocam de forma gratuita, quando nos tentam subjugar, de tudo ser permitido aos outros, quando - a nós - tudo nos é criticado...
5. Deixei, também, de acreditar em arrependidos que se zangam com os anteriores "donos" ... para nos enganarem mais facilmente.
6. No Benfica, sempre disse o que queria - como no caso da defesa, durante anos, da solução da exploração dos direitos televisivos pela Benfica TV - porque nunca encontrei, no clube, um espaço que não fosse de liberdade e de defesa das ideias de cada um, no respeito pelos superiores interesse do Benfica, e não deste ou daquele dirigente!
7. Teremos, então, de interiorizar que o medo e qualquer tentativa de conciliação em inferioridade (como sinónimo de submissão) apenas nos enfraquecerá, como teremos de nos convencer que os outros só entendem uma linguagem: a do "olho por olho, dente por dente".
8. Que isto não seja entendido como defesa ou apologia de uma conflitualidade gratuita, mas apenas a afirmação de quem entende que chegou a hora de percebermos que a nossa grandeza - que não deve ser confundida com sobranceria - tem de ser o ponto de partida para não permitirmos que a nossa universalidade possa ser ultrapassada pela parolice bacoca de quem usa e abusa de uma esperteza saloia básica, que a nossa nobreza de carácter e o respeito pelas regras possa ser atropelado pelos que querem ganhar a todo o custo, mesmo que apenas o possam conseguir corrompendo quem ... decide, seja o que for e onde for!
9. Se acreditamos na afirmação de que "se queres a paz, prepara-te para a guerra", então a cada ataque teremos que responder de forma a que percebam que estamos dispostos a tudo fazer para continuarmos a ser os melhores e os maiores, ... por estarmos determinados a impedir que os batoteiros continuem a ganhar com a violação das regras e com o favorecimento dos que deviam ser os principais guardiões da verdade desportiva!
10. Conflitualidade? Não! Guerra? Nunca! Apenas determinação na defesa do que, sendo de todos - a verdade e a honestidade - alguns teimam em pôr de lado, porque só assim conseguem ganhar.
11. Todos do mesmo lado.... mesmo que pensemos de formas diferentes!
"OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE"!
VAMOS A ISTO, BENFICA?"

E uma luz negra iluminou Paris

"É altura do regresso a uma cidade onde Eusébio foi sempre feliz. Em 1961 o Mundo aprende finalmente a soletrar o seu nome. Estava lá o Santos, de Pelé. E também este Anderlecht de reencontros...

PARIS, cidade da luz, onde o Benfica soube quase sempre ser feliz e onde Eusébio viveu alguns dos monumentos mais brilhantes da sua tão brilhante vida de jogador de Futebol.
Lembrem-se: foi em Paris, no Parque dos Príncipes, que Eusébio nasceu para o grande Futebol, o Futebol do Mundo.
Estávamos em 1961: Junho de 1961. O Benfica é Campeão da Europa, acabara de vencer o Barcelona, por 3-2, ainda sem Eusébio.
Mas em Paris, no famoso Torneio Internacional de Paris, no qual participaram também o Racing de Paris, o Anderlecht e o Santos de Pelé, o Benfica já tem Eusébio. E Eusébio está pronto para abraçar o seu destino.
O próprio Eusébio recordou, uma vez, em conversa comigo: «Paris seria, se jogasse, o local do meu grande exame. Se jogasse, claro! Senti que o meu futuro se decidiria ali. E não me enganei. Contra o Anderlecht, joguei no luar do Coluna, que adoecera com anginas. Foi complicadíssimo! O Anderlecht era uma gande equipa em formação: veloz, combativa, com força. Uma surpresa para nós, que contávamos com facilidades. Eu estava cheio de nervos, não joguei muito bem, mas ganhámos, 3-2, e marquei um golo.»
A minha memória já não é o que era. Já não dá para desenhar aqui, com letras certas, tudo o que se passou. Permita-me o leitor, que tanta paciência costuma ter comigo nestas páginas, que recorra à cábula de um livro meu, «Viagem em Redor do Planeta Eusébio». Sobre Eusébio tenho lá tudo o que sei, ou quase.
Permissão dada, vamos a isto!
No outro jogo, o Santos vencera do Racing de Paris. Final luso-brasileiro, portanto. Eusébio e Pelé, frente a frente pela primeira vez.
Estávamos no dia 15 de Junho.

Um Eusébio inesquecível...
ANTES do jogo frente ao Anderlecht, Béla Guttmann chamou Eusébio: «Eusébio, você vai jogar hoje. Tenha calma. Faça tudo como de costume...»
E Eusébio fez golo e tudo...
Dois dias depois, a Final. O Benfica entra em campo com a linha avançada de Berna: Coluna, Santana, José Augusto, Águas e Cavém. Eusébio fica no banco. Terá de esperar pelo seu momento. E que momento!
O Santos entra em campo com a linha avançada que soa como uma letra de samba: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Aos 20 anos, Pelé está no auge do seu jovem esplendor. Derrama-o em campo: ao intervalo, já os brasileiros vencem, por 4-0, com golos de Lima, Coutinho, Pepe e Pelé. O público do Parque dos Príncipes delira com a gala da melhor equipa do Mundo.
E Eusébio, perguntarão vocês? Calma! Calma! Está quase!
Deu-se, então, um daqueles episódios extraordinários que faz do Futebol um passo fértil para lendas.
Exaustos por um final de época alucinante, os jogadores do Benfica parecem desistentes. Logo no início do segundo tempo, Pepe marca o quinto golo. A hecatombe é, tudo leva a crer, inevitável.
Eusébio entrara para o lugar de Santana. Ergue-se no centro de uma equipa em destroços com o vigor de um Deus antiquíssimo: é Hércules e os seus doze trabalhos!
Eusébio: ninguém mais esqueceria este nome.
Durante meia hora foi verdadeiramente avassalador. Absoluto: é capaz de ser esta a palavra certa. Ao minuto 63 marca o seu primeiro golo; no minuto seguinte, inventa um «penalty» que José Augusto desperdiça; três minutos depois reduz para 2-5.
O Parque dos Príncipes entra em delírio. De dentes cerrados, absorto na bola, no jogo, nos movimentos próprios e alheios, Eusébio é maior do que Pelé, rouba-lhe o protagonismo, força-o a um papel secundário, subalterno. Milhares de pessoas, encantadas, enfeitiçadas, gritam o seu nome. Ele não as ouve. A sua obra está ainda incompleta. O seu esforço é monstruoso: por si só, reconstrói um conjunto em seu redor, carrega-o consigo no trilho de uma recuperação espectacular. A luta pode ser desigual, mas ele ignora-o. É um vendaval de músculos, tendões, ossos e cartilagens que desaba sobre um opositor entontecido. O seu entusiasmo desperta a rebeldia dos companheiros. O Benfica domina, agora, os acontecimentos. Eusébio marca mais um golo, faltam dez minutos para o final do jogo, há quem acredite ainda no impossível. Dez minutos não chegam. Pelé é Pelé e teima em recordá-lo àqueles que, por momentos, o esqueceram: faz o 6-3 final.
Dia 15 de Junho de 1961: o Benfica-Santos ficará riscado a giz na lousa dos acontecimentos inesquecíveis.
«Eu respeitava-os, mas não lhes tinha medo», disse Eusébio, mais tarde: «Eram bons, eram fantásticos, mas também eram homens como nós. Alem disso, entrei com a equipa a perder por 0-4. Deu-me uma certa tranquilidade: vendo bem, não poderia fazer muito pior nem estragar o conjunto. E estava alegre por ir defrontar o Pelé, o mestre do Futebol. Contaram-me que o público gritava o meu nome. Não dei por nada. Estava entretido com a bola. Acho que Paris me deu sorte».
Uma luz negra e inesquecível tinha iluminado Paris!"

Afonso de Melo, in O Benfica

domingo, 8 de setembro de 2013

Na raça...

Modicus 2 - 3 Benfica

O sorteio determinou que o Benfica jogasse a 1.ª jornada na Luz, mas a pedido do Modicus (não sei porquê), o Benfica aceitou trocar o jogo... Estava com algum receio, esta é uma das deslocações mais difíceis de todo o Campeonato, além disso o Benfica ainda está a construir uma equipa quase toda nova. Também é com recordar que o Modicus com os problemas financeiros de várias equipas do Norte, tem-se reforçado bem... Mas felizmente tivemos um final feliz. E assim com o grau de dificuldade mais alto, logo neste primeiro jogo, deu para tirar mais ilações... confirmando as grandes contratações, que são o Alan Brandi e o Ricardo Fernandes... hoje, até o Pablito teve melhor. O Serginho também confirmou o seu talento, mas voltou a demonstrar que ainda arrisca em zonas proibidas. E ainda faltou o Henmi e o Gonçalo.
O Benfica pegou no jogo, e atacou muito... rematou muito, e falhou muitos golos, fazendo do Sandro (guarda-redes adversário) o melhor em campo. O Modicus apostou tudo nos rápidos contra-ataques, e o Benfica até os 'ajudou' com alguns passes disparatados (inclusive por parte do Marcão), notando-se aqui alguma falta de entrosamento dos nossos jogadores, principalmente na saída organizada para o meio-campo adversário. Numa jogada de laboratório chegámos à vantagem... mas pouco depois, permitimos o empate: só uma equipa de arbitragem comprometida não marcava, o claro jogo faltoso do jogador do Modicus, no lance do golo do empate!!! Na 2.ª parte marcámos dois golos de rajada, após duas jogadas onde a classe e a raça, do Joel e do Brandi, foram notórias. O Modicus conseguiu reduzir - com um grande golo, mal defendido pelo Coelho -, e com a vantagem mínima já se sabia que os últimos minutos, íamos sofrer muito... faltou alguma calma para 'matarmos' o jogo, e tivemos hipóteses. Mas lá nos safámos com várias defesas do Marcão, uma delas gigante!!!
Deve ter sido uma coincidência, mas tanto no Andebol como no Futsal, levámos com alguns dos árbitros, que mais nos têm prejudicado nos últimos anos, nas respectivas modalidades!!! Logo na 1.ª jornada!!! Hoje, conseguiram não marcar uma única falta a favor do Benfica na 1.ª parte!!! A dualidade de critérios nos contactos foi 'consistente', dentro da roubalheira esperada!!! Nas bancadas, Lourenço Pinto, o tal amiguinho dos árbitros, o tal das homenagens aos corruptos, o tal do juiz amigo que queria bilhetes para a Champions, marcou presença... não sei se estes senhores se quiseram candidatar à Fruta ou ao Café, mas que tiveram uma arbitragem digna dos melhores Corruptos, isso ninguém poderá negar...!!!
Uma palavra para todos os Benfiquistas que marcaram presença, que não se cansaram de apoiar a equipa... terminando o jogo a cantar o Ser Benfiquista!!!


PS: Uma nota para a nossa equipa de Iniciados B (Futebol) que em Itália, num Torneio, onde participaram equipas como o Barça, Juventus, Valencia, Inter... entre outros, o vencedor foi: o Benfica!!! Recordo que esta geração, venceu na Páscoa o Torneio da Pontinha.

sábado, 7 de setembro de 2013

Vitória na estreia...

Benfica 42 - 27 Fafe

Já se sabia, que o regresso aos jogos oficiais nos Pavilhões da Luz, ia ser fácil, e o jogo confirmou. Não deu para tirar muitas ilações, mas deu para ver algumas soluções novas, principalmente na defesa...

A época vai ser complicada, não existe espaço para 'brancas', o ano passado tivemos duas, e foram fatais. Com os Corruptos 'distraídos' na Champions, pode ser que percam um pouco da concentração (tenho a certeza que o calendário se irá acomodar a todas as vontades dos Corruptos, não será por aí...!!!), mas isso só é importante, se nós aproveitarmos... Creio que o Campeonato será mais equilibrado, com os Lagartos mais fortes, e mesmo o Águas Santas e o ABC se reforçaram bem...
PS1: No Hóquei em Patins, hoje foi o sorteio da Champions, e finalmente alguma fortuna, num sorteio para o Benfica!!! Vamos defrontar o Vendrell (Esp) - nosso adversário na Taça Continental (Supertaça Europeia), o Quévert (Fra), e o Diessbach (Sui). E mesmo o cruzamento nos oitavos-de-final, será com o grupo onde o Reus e a Oliveirense são os favoritos!!! Tenho a certeza que as nossas comunidades de emigrantes na França e Suíça vão apreciar a visita do Benfica. A qualificação está facilitada, Franceses e Suíços são acessíveis, mas o Vendrell não venceu a Taça Cers por acaso, apesar do historial do clube não se comparar a outras equipas Espanholas, não podemos desvalorizar um adversário que seguramente nos vai dar muito trabalho.
Hoje, também foi realizada a final do Europeu de Sub-17, com Portugal a vencer a final, com 4 jovens Benfiquistas a tornarem-se Campeões Europeus.

PS2: Hoje, também foi dia para a apresentação da equipa feminina de Futsal do Benfica. O ano passado vencemos muitos títulos ao nível regional, mas na última competição da época a nível nacional, as coisas não correram bem... As esperanças estão renovadas, e para começar, mais uma obra de arte da nossa Rita Martins, não é a primeira vez que a Rita faz coisas deste género. O Ricardinho deve estar roído de inveja!!! Ou não...!!! 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Botas

"1. Há os que as usam e os que as lambem, sejam as ditas envernizadas ou não. Suponhamos que um daqueles plumitivos que ganha (e bem) a vida na defesa cerrada de uma mentalidade corrupta e tacanha, dentro da qual a esperteza e a inteligência se resumem a enganar o próximo e não ser apanhado (ou a ser absolvido por juízes infames), tendo como prémio gerir um canal de televisão no qual se anunciam serviços de prostitutas e prostitutos resolve dizer, do alto da sua bacoca sapiência, que o Porto é hoje o clube que empunha a bandeira portuguesa além-fronteiras. Como negá-lo se, na recente visita a Málaga, pudemos ver, nas ruas, orgulhosos cartazes que diziam na sua simplicidade: «Porto - clube da fruta!»?

2. A campanha eleitoral para a autarquia do Porto tem-se revelado interessantíssima: de um lado um merceeiro que ganhou protagonismo ao recusar-se a ouvir Escutas vergonhosas que implicavam o seu clube de coração numa fraude de dimensões grotescas, revelando-se assim um defensor público da trafulhice e da desonestidade; do outro, um viajante compulsivo que surgiu aos olhos do povo com os filhos atrás justificando pobremente porque usava o dinheiro dos contribuintes para obsequiar a família com viagens à Disneylândia em vez de estar ao serviço da Assembleia Prostituinte. O futuro da cidade promete...

3. Por falar em Assembleia Prostituinte: não tenho notícias da habitual palhaçada dedicada anualmente ao Madaleno. Fartaram-se de lamber botas à hora das refeições?

4. Desta vez não houve o penálti da ordem. Só um ligeiro empurrãozinho. E chega! Já só faltam 27 jornadas..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (Corruptos + Maxi)

"O dia de fecho do mercado de Verão veio mesmo a calhar ao FC Porto que, para além de despachar dois ou três jogadores, serviu para distrair os que estiveram atentos aos jogos do fim-de-semana e viram o irmão do antigo árbitro, Paulo Costa, beneficiar os seus conterrâneos com um golo irregular por falta do marcador, Jackson, sobre o defesa adversário garantindo os três pontos que se afiguravam difíceis! Foi mais um desfecho previsível.
No início de cada época a conversa é sempre a mesma. Enquanto os outros se esfarrapam para garantir vitórias, aos portistas basta uma arbitragem das tradicionais para pôr o barco em andamento e esperar que os outros se afundem. Daqui a algum tempo já ninguém se lembrará de como foram as primeiras jornadas e os mesmos serão sempre beneficiados.
Com isto, à terceira jornada os dos costume já levam dois de avanço sobre os segundos e cinco sobre o Benfica!
Há outro assunto que me preocupa e que é repisado sucessivamente com o objectivo bem claro de fazer mal ao jogador e ao SLB. Falo de Maxi Pereira. Um profissional extraordinário, de uma entrega notável, mas que tem sido alvo de algumas brutalidades (aqui sim) devido ao seu jeito de jogar futebol. A este jogador os benfiquistas sabem bem como perdoar alguns erros. Porque às vezes a máquina não suporta tudo. Mas não admitimos que outros criem o mito «de mau» à volta de um futebolista que joga leal. O que se tem verificado com esta campanha miserável lançada já há algum tempo pelos aguiares do comentário banal, é que os adversários aproveitam-se da má fama de Maxi e sempre que o defrontam a tendência é no mínimo toque exagerarem na fita, rebolando-se no chão, tentando ludibriar o árbitro para a mostragem de cartões.
Esta campanha tem dado alguns frutos. Mas Maxi é forte. Rapidamente recuperá a sua forma normal e vai ter como sempre o apoio de todos os benfiquistas que se revêm naquela raça, naquela vontade férrea de ganhar!
Os benfiquistas não podem deixar-se embalar com estas teorias que têm apenas o objectivo de enfraquecer o Glorioso!"

João Diogo, in O Benfica

Como se faz um internacional

"Em 14 de Setembro de 2006, noticiava o jornal "Público",em texto assinado por Adelino Gomes, que, no processo Apito Dourado, o árbitro Hugo Miguel era um daqueles sobre os quais recaiam indícios de corrupção. Segundo a notícia, na época 2002/2003, arbitrou o jogo Porto B/Gondomar e «os investigadores da PJ apuraram que o árbitro e a respectiva equipa fora 'premiados' com objectos em ouro. A situação acabou depois por ser arquivada, porque a má qualidade de som da fita gravada impedia que as incidências do jogo pudessem ser analisadas pela equipa de peritos.» Acerca desse mesmo jogo, há uma escuta em que Pinto de Sousa garante a Pinto da Costa que Hugo Miguel não prejudicaria o FCP.
A 25 de Fevereiro de 2012, Hugo Miguel foi o árbitro de um célebre Académica-Benfica. Segundo o observador desse jogo, José Ferreira, o árbitro sonegou ao Benfica duas grandes penalidades, tendo ficado com a nota de 2,1. No entanto, voz atenta e influente aconselhou o árbitro a reclamar do relatório. Hugo Miguel assim o fez e a nota subiu o suficiente para poder chegar a árbitro internacional.
Na última jornada da época passada, Hugo Miguel foi o escolhido para apitar o jogo do FCP com o Paços de Ferreira. Com o resultado a zeros, com um título nacional a jogar-se em 90 minutos, Hugo Miguel conseguiu ver num tropeção de James em si próprio, a aproximadamente um metro da área, uma grande penalidade a favor do FCP, com consequente expulsão do futebolista do Paços.
Na terceira jornada do actual Campeonato, na deslocação do Benfica a Alvalade, Hugo Miguel sonegou uma grande penalidade a favor do Benfica e permitiu que o golo do Sporting fosse precedido de um claro fora de jogo.
Olhando para este percurso, e como está provado que no Futebol português não há corrupção, resta-me concluir que é necessária uma grande dose de incompetência para que um árbitro seja premiado com o estatuto de internacional."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Empate no 'derby' foi mau resultado

"O empate em Alvalade foi um mau resultado para o Benfica e excelente para o Sporting. Disse antes do jogo e reitero agora. Havia razões para a euforia leonina que se via nas bancadas no fim do jogo, por terem empatado com o Benfica. São equipas com objectivos diferentes, de valor diferente e com obrigações diferentes. Não está em causa o respeito ao Sporting, clube com uma história invulgar, está em causa o valor desta equipa de Alvalade que está a léguas do valor do plantel do Benfica.
O resultado tem no árbitro um factor decisivo, golo leonino fora de jogo e penalty claro sobre Cardozo, mas se nos abstrairmos disso (e é difícil), em jogo jogado o resultado é justo. O Benfica teve sorte madrasta nas lesões, mas as entradas de Rúben Amorim e Markovic até melhoraram a equipa.
No meu direito de treinador de bancada, talvez Djuricic ligasse mais a equipa que Cardozo, mas estou a tentar ganhar o euromilhões depois de saber os números. O Benfica esgotou a margem de erro com este empate. É uma treta e um lugar-comum dizer que ainda falta muito porque muito preocupante é ter 5 pontos de desvantagem do Porto.
Excelente compra do lateral Siqueira. Este ano o Benfica comprou bem e muito bem. Markovic é um prodígio, um jogador que encanta e não deverá haver grande margem para erros nesta análise. Sabem que o meu pessimismo não me deixa margem para muitas euforias, mas este jogador é talvez o melhor miúdo que vi jogar na Luz desde há muitos anos. Se não apanhar Bruno Alves pela frente, julgo que será um jogador fabuloso (Rodrigo nunca mais foi o mesmo desde S. Petersburgo).
Salvio é a pior notícia da noite de Alvalade, a melhor será a que nenhum conselho de arbitragem sério nomeará mais Hugo Miguel para jogos de candidatos ao título."

Sílvio Cervan, in A Bola

Não satisfez...

"1. O empate em Alvalade não nos satisfez. A nossa equipa não está ainda ao nível da que na época passada nos encantou... até nos fatídicos três ou quatro jogos finais. No entanto, bem poderíamos ter ganho o jogo. Mesmo com menos posse de bola, menos cantos, menos remates, menos tudo quanto o treinador do Sporting contabilizou, foi o Benfica a equipa que criou mais (e melhores) oportunidades de golo, foi o Benfica o mais prejudicado de pela arbitragem (golo precedido de fora de jogo, penálti sobre Cardozo não assinalado), foi o Benfica a equipa que mais azar teve com as lesões (duas deles ainda na 1.ª parte), impedido Jorge Jesus de fazer a gestão que mais conviria à equipa.
Mas deu empate, estamos atrasados na classificação, teremos que correr atrás do prejuízo. No ano do último título também empatámos em Alvalade...

2. As jogadas foram rápidas, as faltas só terão sido perceptíveis via TV, dizem os jornais, defendendo os árbitros. Mas, na dúvida, os árbitros umas vezes assinalam, outras não. Prejudicando o Benfica, não assinalaram um fora-de-jogo que deu golo e uma falta que daria penálti. Beneficiando o FC Porto não viram um empurrão que precedeu o golo decisivo. E assim se vai decidindo um Campeonato...

3. Primeiro jogo em casa (frente ao Gil Vicente), primeira multa por comportamento incorrecto (petardos) dos No Name Boys. Foi pequena (1148 euros) mas vai crescer à medida que haja reincidências. É algo de premeditado, o que é grave. E só terá solução quando a polícia intervier a sério. É lamentável que uma claque (ou alguns dos seus elementos, com a conivência dos outros) que tanto (e tão bem) apoia equipa, mantenha esta 'guerra' que só prejudica o Clube.
Até quando?

4. Onyewu, jogador do Sporting estava a contas com um processo disciplinar movido pelo clube. Dias depois, jogador e clube chegam a acordo com vista à rescisão do contrato (não se sabe em que termos) e o Sporting divulgou um comunicado agradecendo a sua 'excelente temporada na época de 2011/12' e 'o seu profissionalismo'. Há aqui algo que não bate certo..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Alegria é solução

"O arranque do Benfica, ao cabo das três primeiras jornadas da Liga, afigura-se sofrível e também susceptível de provocar alguma apreensão. Com um elenco praticamente inalterado, até beneficiário de reforços, esperava-se mais no dealbar da temporada. Há razões de natureza técnico-táctica? Há, decerto. Há razões de queixa dos desempenhos arbitrais? Há, decerto. Ainda assim, fica a convicção de que o principal problema é mesmo de natureza emocional.
A forma traumática como terminou a última época e a derrota no Funchal na abertura do novo ano como que condicionam o rendimento do colectivo, ao passo que acentuam traços depressivos em franjas significativas da gigantesca legião adepta.
Alegria, não pode faltar alegria ao Benfica. Jogar alegre é jogar melhor. Jogar amargurado é jogar deficitariamente. Nada está perdido, mas impõe-se recuperar a alegria de jogar, afinal um elemento distintivo da turma vermelha nos últimos anos, capaz de a catapultar aos patamares cimeiros, quer a nível doméstico, quer no contexto internacional. A alegria não se dá, conquista-se. O Benfica tem de forma imperativa que a (re)conquistar. Alegria no campo e em redor dele. Alegria nos processos, alegria nas consequências. Este Benfica depende muito da alegria. Os aficionados suspiram por alegria. O Benfica, no seu todo, carece de um choque psicológico. Esconjurando fantasmas e seus medos, retomando alegria e seus arremedos."

João Malheiro, in O Benfica

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Será Markovic o sucessor de Vata?

"Vata foi um jogador que o Benfica foi buscar ao Varzim no final da década de 80 e que jogando só aos bocadinhos conseguiu ganhar uma Bola de Prata.

A equipa mais gamada - para utilizar uma expressão consagradamente popular e de significado vago - nas três primeiras jornadas do campeonato é o Benfica e este título, que ninguém quer, assenta-lhe como uma luva.
Embrenhados no caso Cardozo, que se iniciou em finais de Maio e que só acaba quando o Paraguaio marcar um golo e correr para Jorge Jesus - se não correr para Jorge Jesus é porque o caso, afinal, não está encerrado -, os Benfiquistas , independentemente das suas responsabilidades, entenderam como apenas corriqueiras as decisões de Jorge Sousa, no Funchal, na jornada 1 e as decisões de Hugo Miguel, em Alvalade, na jornada 3.
Somos assim. Um bando de frouxos, no qual me incluo. O facto de a equipa ainda não ter jogado nada de especial desmotiva, em nome da vergonha, qualquer tipo de conversas ou de lamentos sobre questões da arbitragem.
Joguem à bola! - é o que os adeptos exigem neste arranque porque não lhes entra na cabeça que os mesmos jogadores que tão bem se comportaram em campo até Maio tenham desaparecido de jogar, de lutar e de ser felizes como o foram por quase toda a temporada de 2012/2013, mais precisamente até à data do jogo com o Estoril.
E como jogar à bola tem-se visto pouco, vai de isentar os malandros dos árbitros nestas três primeiras jornadas do campeonato. Uns snobs, eis o que somos, uns grandes snobs. E isto em futebol não tem cabimento a não ser que se esteja em Inglaterra, o país do fair play. Mas como estamos em Portugal, o país da verdade desportiva, há que chorar, gritar, ameaçar e fazer, sobretudo, muito barulho quando em três jornadas, feitas as contas, o resultado podia ter sido outro na Madeira e outro em Alvalade se os árbitros fizessem por cumprir as leis do jogo.
Estamos assim a 5 pontos do FC Porto e Agosto ainda nem tinha terminado. Se pensarmos que há dois anos o Benfica perdeu um campeonato em que chegou a ter 5 pontos de avanço em Fevereiro e que no ano passado perdeu um campeonato em que chegou a ter 4 pontos de avanço em Abril, estes 5 pontos de atraso em Agosto pesam já umas quantas toneladas.
É o que parece, não vale a pena aborrecermo-nos com minudências.
Analisar, dissecar, criminalizar o golo solitário com que o FC Porto conseguiu vencer o Paços de Ferreira já perto do fim do jogo é um exercício vão.
Certamente que o empurrão descarado de Jackson Martínez nas costas do defensor pacense antes de cabecear para o golo, tal como a mochila feita a Cardozo por Maurício em Alvalade, tal como a posição ex-irregular de que nasce o golo do Sporting constam do novo livro de interpretação das regras que Pedro Proença foi explicar, há duas semanas, aos jogadores do Benfica no Seixal.
Comparadas com o caso Cardozo e com o mau futebol que a equipa vem praticado, estas questões são encaradas como menores em nome da decência.
E, sempre em nome da decência, já é larga a desvantagem do Benfica para os líderes.
Vamos lá então à recuperação!
E a recuperação também tem os seus quês. Tomemos o exemplo de Markovic, de todas as caras novas aquela que já conseguiu cair no goto dos adeptos e da crítica. Trata-se de um jovem sérvio, tem apenas 19 anos, que tem vindo a ser utilizado na parte final dos jogos e que, por sorte ou por saber, tem ajudado com golos a dar a volta a resultados menos bons, como aconteceu com o Gil Vicente e com o Sporting.
Será Markovic o novo Vata? Para os mais novos, que não sabem, Vata foi um jogador que o Benfica foi buscar ao Varzim no final da década de 80 e que jogando só anos bocadinhos, raramente foi titular, conseguiu ganhar uma Bola de Prata, troféu que consagra o melhor marcador do campeonato.
Francamente, parece-me que Markovic tem sobre Vata vantagens e argumentos que o colocam num outro patamar. O tempo o dirá. Mas com 5 pontos de atraso à terceira jornada e tendo em conta o historial desta equipa quando se viu com 5 e com 4 pontos de avanço, não fará grande mal ao mundo dar uma alegriazinha à malta pondo o sérvio em acção pelo menos uma parte inteira do jogo.
Vão ver como não se arrependem.

JOÃO MOUTINHO fez, finalmente, a sua estreia da I Liga Francesa e foi o homem do jogo. E logo em Marselha, contra o Olympique, um adversário poderoso, com ambições. O Mónaco viu-se perder mais dos pés de Moutinho saíram os lances que permitiram a reviravolta e asseguraram o triunfo da multimilionária equipa do Principado.
Rui Barros, por ter feito uma bonita carreira no Mónaco, foi logo consultado pela imprensa francesa para opinar sobre a valia do seu compatriota. Disse-lhe que Moutinho é um jogador excepcional que «sabe fazer tudo». Ao ponto de achar um desperdício ver Moutinho numa equipa que não tem um nome à altura do talento algarvio.
Acreditei que ainda verei João Moutinho num grande europeu. Esta aventura monegasca é apenas um interlúdio com benefícios fiscais no percurso de um jogador excepcional.

QUEM também é excepcional, ninguém duvida, é Gareth Bale, o jovem galês que o Real Madrid acaba de comprar ao Tottenham por 91 milhões de euros. Não me vou demorar em considerações sobre a obscenidade da verba em causa. Garantem-me os mercantilistas que só a venda de camisolas com o nome de Bale estampado nas costas ajuda bem a amortizar o investimento. Será?
Gareth Bale é um jogador do outro mundo e, assim sendo, é natural que tenha ido parar ao Real Madrid. E, convém que se diga, é também excepcionalmente esperto. Aterrou em Chamartín e não perdeu tempo: «Cristiano Ronaldo é o chefe, é o melhor do mundo», disse ao melhor estilo da fleuma e da diplomacia britânica.
O galês sabe quem vai encontrar no balneário do Santiago Bernabéu. Cristiano Ronaldo, que tem um futebol parecido com o seu, vive lá e carrega consigo a fama e o proveito de ser o melhor do mundo, à frente de Messi, ou o segundo melhor do mundo, atrás de Messi.
Se esta discussão tem servido para animar e, por vezes, enfurecer, os fãs de um e de outro, Bale colocou-se incondicionalmente ao lado do seu próximo colega de equipa.
O português deve ter gostado. Já os castelhanos da plantilla podem ter achado menos graça a esta profissão de fé de Bale logo à chegada. É lá entre eles.
Excepcionalmente esperto teria sido Neymar se tivesse dito a mesma coisa assim que aterrou em Nou Camp. 'Messi é o chefe, é o melhor do mundo'. Mas não disse, o que também se compreende e aceita. Um é brasileiro e o outro é galês, vêm de culturas diferentes embora não custe a adivinhar que, em breve, será entre eles a discussão sobre quem é o melhor do mundo.
Voto em Bale, por antecipação.

MORREU Pal Csernai, o treinador húngaro que substituiu Eriksson quando o sueco partiu para Roma no fim da temporada de 1983/1984. Não seria fácil para nenhum treinador ocupar o lugar de Eriksson, afável e correctíssimo com toda a gente. Csernai primou pelo oposto. Intratável e incorrectíssimo.
Num ano com Csernai o Benfica ganharia apenas uma Taça de Portugal, numa final com o FC Porto, o que foi considerado pouco à época. Não deixou grandes amigos na Luz. Era o género de treinador que não tinha problemas em apontar a dedo os jogadores que, segundo ele, não cumpriam.
Numa célebre e infeliz eliminação europeia com o Estrela Vermelha de Belgrado, Csernai não foi de modas e acusou Álvaro Magalhães, o nosso brioso defesa-esquerdo, de ser «o pai da derrota».
Por falar em defesa-esquerdo, tudo indica que com a chegada de Siqueira dá-se por resolvido um problema que já dura há alguns anos. Será desta?"

Leonor Pinhão, in A Bola

UEFA, geografia e política

"Há semanas reparei que um clube do Cazaquistão - um país asiático - quase atingia a fase de grupos da Liga dos Campeões.
No tempo da União Soviética bem se poderia afirmar que o Europa do futebol ia até aos confins da Ásia. Desmembrada a URSS, filiaram-se na UEFA a Arménia, o Azerbaijão e a Geórgia que estão na chamada e discutida Eurásia. Mas, desde 2002, também a asiática selecção cazaque foi incluída! Não foi a primeira nem a única. Basta recordar a Turquia só europeia em permilagem, bem como Israel desde 1991.
Na geografia uefeira há desde as selecções desejadas em qualquer sorteio (Malta, Liechtenstein, São Marino, Andorra) até às selecções que não correspondem a países. A situação mais antiga é a do Reino Unido que fornece quatro equipas: Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales. E que este ano tem a quinta, Gibraltar, já admitida como membro de pleno direito, o que contribui para acirrar o diferendo entre Espanha e Grã-Bretanha. Outro caso curioso é o das Ilhas Féroe, território com autonomia ligado à Dinamarca e 48.000 habitantes... Já a Gronelândia com o mesmo estatuto (e 57.000 habitantes) não está na UEFA, ainda que aí a geografia nos diga que já pertence ao continente norte-americano.
Há Estados europeus que não estão na UEFA: o Vaticano por óbvias razões e o Mónaco que joga em França... E o Kosovo por enquanto. Chipre representa apenas parte da ilha (exclui a auto-denominada Rep. Turca de Chipre do Norte).
Ainda há os candidatos a candidatos, como a Catalunha, treinada por J. Cruyff, que lá vai fazendo uns joguitos amigavelmente provocatórios.
UEFA, geografia e política: para todos os gostos!"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Pal Csernai

"UM TREINADOR... INESQUECÍVEL!
Pal Csernei, apesar de ter 'apenas' vencido a Taça de Portugal de 1985, deixou forte marca no Benfica. Possuía o condão de não deixar ninguém indiferente. Para o bem e para o mal.

PAL CSERNAI morreu, aos 80 anos, no princípio desta semana. Deixou uma marca especial no futebol português...
Não foi fácil, para o Benfica, a época de 1984/85. O clube vinha de duas temporadas quase perfeitas com Sven-Goran Eriksson (dois Campeonatos, uma Taça, uma Taça Ibérica, final da Taça UEFA e quartos-de-final da Taça dos Campeões) e logo que o treinador sueco decidiu fazer marcha atrás na renovação de contrato com que se tinha comprometido com Fernando Martins e aceitou a oferta milionária da Roma, ficou escrito que o processo de sucessão seria complicado.
Toni, então adjunto de Eriksson, seria a escolha lógica, que garantiria a continuidade do trabalho. Fernando Martins, contudo, entendeu que era demasiado cedo para que Toni assumisse o comando da nau e partiu em busca de um técnico «disciplinador e estrangeiro». A escolha do recentemente falecido líder encarnado recaiu em Tomislav Ivic, que brilhara na Croácia ao serviço do Hajduk de Split, de onde se mudara, com enorme sucesso, para Anderlecht e Ajax. Foi contudo curto o reinado de Ivic na Luz. Após menos de um mês de pré-época, alegadamente por causa de uma divergência de divisas, Benfica e Tomislav Ivic separam-se. A duas semanas do início do Campeonato, a possibilidade de Toni ficar como treinador principal voltou a colocar-se. Mas Fernando Martins manteve-se fiel ao perfil que tinha traçado e preferiu um «disciplinador estrangeiro». Foi assim que surgiu na Luz o húngaro Pal Csernai, 52 anos.

O HÚNGARO 'ALEMÃO'
PAL CSERNAI jogou no Csepel SC de Budapeste e em 1955 foi duas vezes internacional pela Hungria, à altura provavelmente a melhor selecção do Mundo. Em 1956, na sequência da invasão soviética da Hungria, Csernai fez parte do contingente de desportistas que conseguiu escapar para a Alemanha Ocidental, onde passou a viver. Na RFA jogou no Kalsruher e no Stuttgarter Kickers, fazendo ainda uma época no campeão suíço La Chaux de Fonds. Em 1965 arrumou as botas e a partir de 1968 iniciou a carreira de treinador, no Wacker 04 de Berlin. Entre 1978 e 1983 Pal Csernai treinou o Bayern de Munique, onde foi várias vezes campeão. Ainda hoje, na Alemanha, é recordada a marcação mista das suas equipas, baptizada como «Sistema Pal».
Antes de rumar à Luz, Csernai ainda teve uma passagem pelo PAOK de Salónica, Grécia.
Em Portugal venceu a Taça de Portugal (3-1 ao FC Porto de Artur Jorge) e nos anos seguintes o futebol levou-o ao Borussia Dortmund, Eintracht de Frankfurt, Hertha de Berlin, Fenerbaçe e Young Boys. Em 1993/94 aventurou-se e foi seleccionador da Coreia do Norte, à altura governada por Kim Il Sung. Terminou a carreia de treinador num clube húngaro, o Matav Sopron.

RETALHOS DA VIDA DE CSERNAI NO BENFICA
Há episódios que ilustram bem a complexidade da personalidade de Csernai. Difícil no trato por vezes desconcertante, irrepetível...

ÁGUIA DE BRONZE
DEZ de Junho de 1985. Terminada a final da Taça de Portugal (Benfica, 3 - FC Porto, 1) e cumprido o ritual da volta de honra ao relvado do Estádio Nacional, a festa encarnada prosseguiu na cabina onde o presidente Fernando Martins comunicou aos jogadores duas circunstâncias: a primeira, o valor do prémio de jogo; a segunda, o almoço que teria lugar, no dia seguinte, no Hotel Altis, para despedida do treinador Pal Csernai. E reforçou, sabedor do clima tenso que tinha marcado a época: «Atenção, isto não é um convite, é uma convocatória.» No dia seguinte apenas dois jogadores - os que tinham tido problemas mais graves com Csernai - faltaram ao almoço. Fim de temporada, férias à porta, Taça ganha, o ambiente manteve-se distendido e até mesmo as palavras de simpatia trocadas no fim entre presidente, treinador e jogadores prenunciavam, pelo menos, um final pacífico para o consulado de Pal Csernai.
Na hora dos discursos, Fernando Martins ofereceu a Csernai uma águia em bronze, que o técnico húngaro agradeceu.
Porém, à saída do hotel, com o ar mais descontraído do mundo, Pal Csernai ofereceu o símbolo benfiquista ao atónito porteiro e lá foi à vida dele, de mãos a abanar...

MACEDO DE CAVALEIROS
NAS duas épocas anteriores, com Eriksson, foi instituído um sistema de multas que penalizava os atrasos. O treinador sueco marcava uma hora - para a saída do hotel, refeições ou treinos - e cada minuto de atraso tinha uma penalização pecuniária, que revertia para uma caixa de que Sheu Han era fiel depositário. O dinheiro destinava-se a intervenções de ordem social e o que sobrava «pagava» o jantar de fim de época no Faroleiro, no Guincho. Com Pal Csernai este hábito foi alterado e o técnico húngaro, apesar da fama de disciplinador, não dava muita importância a pequenos atrasos, pedindo ao prevaricador, em tom de brincadeira «eine flasche wein» («uma garrafa de vinho»)
A 6 de Janeiro de 1985 o Benfica deslocou-se a Macedo de Cavaleiros para uma eliminatória da Taça de Portugal e a cada elemento da comitiva foi oferecida uma caixa com três garrafas de Vale Padrinhos. O técnico húngaro, que não era propriamente abstémio, torceu o nariz a que fosse oferecido álcool aos jogadores e o ambiente ficou de cortar à faca. Nessa noite a comitiva do Benfica (que a meio da semana jogaria na Póvoa de Varzim) pernoitou em Macedo de Cavaleiros e os jogadores combinaram deixar, pela calada da noite, todas as caixas de vinho à porta do quarto de Pal Csernai, em sinal de desagrado. No dia seguinte, ao pequeno almoço, o treinador encarnado mantinha-se imperturbável, como se nada tivesse acontecido. Foi o roupeiro (agora diz-se técnico de equipamentos...) José Luís que desvendou o mistério: pela manhã, Pal Csernai, vendo o estendal de caixas de vinho à sua porta, chamou-o e pediu-lhe que arrumasse as caixas no porta-bagagens do autocarro. Isso aconteceu a uma segunda-feira, a equipa viajou para a Póvoa onde jogou na quarta-feira, regressando a Lisboa nessa noite. E, chegado à Luz, que fez Csernai? Pediu a José Luís que pusesse as caixas no seu carro e, feliz, zarpou com 48 garrafas de Vale Padrinhos. Sem nunca dar parte de fraco...

A TÁCTICA
OS resultados desportivos do Benfica baixaram em 1984/85 (43 pontos e terceiro lugar) relativamente a 1983/84 (53 pontos e campeão) e 1982/83 (51 pontos e campeão). A meio da época os jogadores juntaram-se e nomearam uma comissão que foi reunir-se com o presidente Fernando Martins, no Estádio da Luz, na busca de uma solução que evitasse o descalabro. Fernando Martins não podia ter sido mais claro no que disse a essa delegação: «Aconteça o que acontecer, o treinador não sai. No Benfica respeitam-se os contratos e quem não acreditar nisso lembre-se que eu mantive Lajos Baroti até ao fim e quem o contratou foi a Direcção anterior, de Ferreira Queimado. Por isso, falem entre vocês, mudem a táctica, façam o que acharem melhor dentro do campo, mas o treinador não sai.»

SEM NOMES
UM dos mais graves incidentes da época 1984/85 no Benfica aconteceu durante um treino vespertino, no Estádio da Luz. Deixemos os nomes dos protagonistas de lado. Bastará dizer que nunca disputa de bola absolutamente casual entre os jogadores «A» e «B», o «A», que tinha vindo de uma lesão grave, ficou no chão a queixar-se (tinha acabado de fracturar o perónio). Csernai que estava a cerca de 30 metros do lance aproximou-se, apercebeu-se do que «A» tinha ficado maltratado e explodiu contra «B» (que realmente nad fizera senão disputar a bola...) gritando, em alemão, «assassino» e «psicopata». O jogador «B» percebeu o que Csernai lhe chamava, sentiu a injustiça, perdeu a cabeça e foi directo ao treinador que também não estava com aspecto de quem se ficasse. Valeu a intervenção rápida do jogador «C«, depois ajudado pelos restantes companheiros, que impediu que chegassem a vias de facto.

LEITÃO DA BAIRRADA
TONI já se referiu em público a este episódio, daí que seja possível não omitir nomes. Trata-se de um caso de estudo relativamente à personalidade complexa de Pal Csernai, que pode ser catalogada, no mínimo, de desconcertante. Sejamos claros. Csernai tinha passado muitos anos na Alemanha e não tinha paciência para segundas opiniões e não valorizou - como Eriksson - a ajuda de Toni. Costumava aconselhar-se, quando muito, com dois elementos do plantel que lhe mereciam maior confiança...
Ora a vida de Toni com Csernai não foi fácil (para colocar as coisas de forma suave...) até ao dia em que veio à conversa o leitão da Bairrada, que o húngaro nunca provara. Toni, sempre coração grande, disse que era da zona, conhecia quem assava o bicho na perfeição e prometeu trazer uma iguaria daquelas a Csernai. Dito e feito. Um leitão e espumante da Bairrada viajaram para Lisboa, Csernai convidou Toni para se juntar a ele e à namorada no repasto e a partir daí tudo mudou. O agreste Pal Csernai passou a tratar Toni de forma absolutamente diferente e o então técnico adjunto dos encarnados, perante esta situação, não se cansava de repetir: «Ai se eu soubesse antes...»

PEÇAS SOLTAS
ALGUNS elementos soltos podem ajudar a compreende melhor Pal Csernai. por exemplo, praguejava em húngaro e alemão, indiscriminadamente. Para evitar que Wando se agarrasse demasiado à bola incentivava, nos treinos o defesa-direito Carlos Pereira (que não se fazia rogado...), actual presidente da AG da Liga de Clubes, a «ir às pernas» do extremo-esquerdo brasileiro. Não ligava à pronúncia: para ele Eusébio, segundo técnico adjunto era Yusseff e Humberto Coelho, que ainda fez o início dessa época, era Roberto. Pedro Magro, ex-médico das selecções nacionais, era à altura um jovem estudante de Medicina que tinha feito a formação na Escola Alemã. Aceitou ser intérprete de Csernai e se quiser vai a tempo de escrever um best seller.
Um dia, um dos mais cotados jogadores do plantel, que tinha uma boa relação com Csernai, não gostou de ser repreendido num exercício e em português vernáculo, de fazer corar Gil Vicente, disse a Pal Csernai o que pensava do assunto. Pedro Magro traduziu que o aludido jogador não estava muito satisfeito. Mas o craque queria mesmo que a tradução fosse fidedigna, ao que Pedro Magro, sempre diplomata, suplicava: «Ó sr... não me faça isso, eu não posso traduzir isso.»
Muitos treinos do Benfica eram no campo 3, o relvado que não era nem o principal nem o da pista de atletismo. E eram sempre à porta aberta. Se, quando as coisas tinham corrido mal no fim de semana (muitas vezes o famoso «grupo da árvore») aproveitavam o trajecto entre o campo 3 e a cabina, que ficava no estádio principal, para protestar com Csernai, este ia direito a eles e pedia-lhes satisfações. Invariavelmente calavam-se. Era assim Pal Csernai..."

José Manuel Delgado, in A Bola