Últimas indefectivações

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Olho por olho, dente por dente! Vamos a isto, Benfica?

"1. Sou - como sabe quem me conhece - um conciliador e um pacificador, mas não gosto que julguem que esses princípios se confundem - no meu carácter - com indiferença e abdicação.
2. Não sou dos que prefiro ... "a paz mais injusta à mais justa das guerras", especialmente quando os nossos inimigos - não confundir com adversários, porque esses jogam connosco e contra nós com as mesmas regras, sem batota, sem corromper quem decide ou sem recorrer a "suplementos vitamínicos" que deturpam a verdade desportiva - nos provocam, em cada declaração, em cada afirmação, em cada entrevista, em cada "graçola"...
3. Temos de nos convencer e convencer os que não fazem parte do grupo da batota - felizmente a maioria - que o deixar andar, que qualquer tentativa de conciliação com corruptos, que a busca de "pontes de entendimento" com quem não cumpre as regras é ... incompreensível, inadmissível e inaceitável!
4. Não alinho nem subscrevo a tese do ignorar pacificamente a violência verbal, ética e moral (pelo menos) de que somos alvo, do fazer de conta que nada se passa quando nos provocam de forma gratuita, quando nos tentam subjugar, de tudo ser permitido aos outros, quando - a nós - tudo nos é criticado...
5. Deixei, também, de acreditar em arrependidos que se zangam com os anteriores "donos" ... para nos enganarem mais facilmente.
6. No Benfica, sempre disse o que queria - como no caso da defesa, durante anos, da solução da exploração dos direitos televisivos pela Benfica TV - porque nunca encontrei, no clube, um espaço que não fosse de liberdade e de defesa das ideias de cada um, no respeito pelos superiores interesse do Benfica, e não deste ou daquele dirigente!
7. Teremos, então, de interiorizar que o medo e qualquer tentativa de conciliação em inferioridade (como sinónimo de submissão) apenas nos enfraquecerá, como teremos de nos convencer que os outros só entendem uma linguagem: a do "olho por olho, dente por dente".
8. Que isto não seja entendido como defesa ou apologia de uma conflitualidade gratuita, mas apenas a afirmação de quem entende que chegou a hora de percebermos que a nossa grandeza - que não deve ser confundida com sobranceria - tem de ser o ponto de partida para não permitirmos que a nossa universalidade possa ser ultrapassada pela parolice bacoca de quem usa e abusa de uma esperteza saloia básica, que a nossa nobreza de carácter e o respeito pelas regras possa ser atropelado pelos que querem ganhar a todo o custo, mesmo que apenas o possam conseguir corrompendo quem ... decide, seja o que for e onde for!
9. Se acreditamos na afirmação de que "se queres a paz, prepara-te para a guerra", então a cada ataque teremos que responder de forma a que percebam que estamos dispostos a tudo fazer para continuarmos a ser os melhores e os maiores, ... por estarmos determinados a impedir que os batoteiros continuem a ganhar com a violação das regras e com o favorecimento dos que deviam ser os principais guardiões da verdade desportiva!
10. Conflitualidade? Não! Guerra? Nunca! Apenas determinação na defesa do que, sendo de todos - a verdade e a honestidade - alguns teimam em pôr de lado, porque só assim conseguem ganhar.
11. Todos do mesmo lado.... mesmo que pensemos de formas diferentes!
"OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE"!
VAMOS A ISTO, BENFICA?"

E uma luz negra iluminou Paris

"É altura do regresso a uma cidade onde Eusébio foi sempre feliz. Em 1961 o Mundo aprende finalmente a soletrar o seu nome. Estava lá o Santos, de Pelé. E também este Anderlecht de reencontros...

PARIS, cidade da luz, onde o Benfica soube quase sempre ser feliz e onde Eusébio viveu alguns dos monumentos mais brilhantes da sua tão brilhante vida de jogador de Futebol.
Lembrem-se: foi em Paris, no Parque dos Príncipes, que Eusébio nasceu para o grande Futebol, o Futebol do Mundo.
Estávamos em 1961: Junho de 1961. O Benfica é Campeão da Europa, acabara de vencer o Barcelona, por 3-2, ainda sem Eusébio.
Mas em Paris, no famoso Torneio Internacional de Paris, no qual participaram também o Racing de Paris, o Anderlecht e o Santos de Pelé, o Benfica já tem Eusébio. E Eusébio está pronto para abraçar o seu destino.
O próprio Eusébio recordou, uma vez, em conversa comigo: «Paris seria, se jogasse, o local do meu grande exame. Se jogasse, claro! Senti que o meu futuro se decidiria ali. E não me enganei. Contra o Anderlecht, joguei no luar do Coluna, que adoecera com anginas. Foi complicadíssimo! O Anderlecht era uma gande equipa em formação: veloz, combativa, com força. Uma surpresa para nós, que contávamos com facilidades. Eu estava cheio de nervos, não joguei muito bem, mas ganhámos, 3-2, e marquei um golo.»
A minha memória já não é o que era. Já não dá para desenhar aqui, com letras certas, tudo o que se passou. Permita-me o leitor, que tanta paciência costuma ter comigo nestas páginas, que recorra à cábula de um livro meu, «Viagem em Redor do Planeta Eusébio». Sobre Eusébio tenho lá tudo o que sei, ou quase.
Permissão dada, vamos a isto!
No outro jogo, o Santos vencera do Racing de Paris. Final luso-brasileiro, portanto. Eusébio e Pelé, frente a frente pela primeira vez.
Estávamos no dia 15 de Junho.

Um Eusébio inesquecível...
ANTES do jogo frente ao Anderlecht, Béla Guttmann chamou Eusébio: «Eusébio, você vai jogar hoje. Tenha calma. Faça tudo como de costume...»
E Eusébio fez golo e tudo...
Dois dias depois, a Final. O Benfica entra em campo com a linha avançada de Berna: Coluna, Santana, José Augusto, Águas e Cavém. Eusébio fica no banco. Terá de esperar pelo seu momento. E que momento!
O Santos entra em campo com a linha avançada que soa como uma letra de samba: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Aos 20 anos, Pelé está no auge do seu jovem esplendor. Derrama-o em campo: ao intervalo, já os brasileiros vencem, por 4-0, com golos de Lima, Coutinho, Pepe e Pelé. O público do Parque dos Príncipes delira com a gala da melhor equipa do Mundo.
E Eusébio, perguntarão vocês? Calma! Calma! Está quase!
Deu-se, então, um daqueles episódios extraordinários que faz do Futebol um passo fértil para lendas.
Exaustos por um final de época alucinante, os jogadores do Benfica parecem desistentes. Logo no início do segundo tempo, Pepe marca o quinto golo. A hecatombe é, tudo leva a crer, inevitável.
Eusébio entrara para o lugar de Santana. Ergue-se no centro de uma equipa em destroços com o vigor de um Deus antiquíssimo: é Hércules e os seus doze trabalhos!
Eusébio: ninguém mais esqueceria este nome.
Durante meia hora foi verdadeiramente avassalador. Absoluto: é capaz de ser esta a palavra certa. Ao minuto 63 marca o seu primeiro golo; no minuto seguinte, inventa um «penalty» que José Augusto desperdiça; três minutos depois reduz para 2-5.
O Parque dos Príncipes entra em delírio. De dentes cerrados, absorto na bola, no jogo, nos movimentos próprios e alheios, Eusébio é maior do que Pelé, rouba-lhe o protagonismo, força-o a um papel secundário, subalterno. Milhares de pessoas, encantadas, enfeitiçadas, gritam o seu nome. Ele não as ouve. A sua obra está ainda incompleta. O seu esforço é monstruoso: por si só, reconstrói um conjunto em seu redor, carrega-o consigo no trilho de uma recuperação espectacular. A luta pode ser desigual, mas ele ignora-o. É um vendaval de músculos, tendões, ossos e cartilagens que desaba sobre um opositor entontecido. O seu entusiasmo desperta a rebeldia dos companheiros. O Benfica domina, agora, os acontecimentos. Eusébio marca mais um golo, faltam dez minutos para o final do jogo, há quem acredite ainda no impossível. Dez minutos não chegam. Pelé é Pelé e teima em recordá-lo àqueles que, por momentos, o esqueceram: faz o 6-3 final.
Dia 15 de Junho de 1961: o Benfica-Santos ficará riscado a giz na lousa dos acontecimentos inesquecíveis.
«Eu respeitava-os, mas não lhes tinha medo», disse Eusébio, mais tarde: «Eram bons, eram fantásticos, mas também eram homens como nós. Alem disso, entrei com a equipa a perder por 0-4. Deu-me uma certa tranquilidade: vendo bem, não poderia fazer muito pior nem estragar o conjunto. E estava alegre por ir defrontar o Pelé, o mestre do Futebol. Contaram-me que o público gritava o meu nome. Não dei por nada. Estava entretido com a bola. Acho que Paris me deu sorte».
Uma luz negra e inesquecível tinha iluminado Paris!"

Afonso de Melo, in O Benfica

domingo, 8 de setembro de 2013

Na raça...

Modicus 2 - 3 Benfica

O sorteio determinou que o Benfica jogasse a 1.ª jornada na Luz, mas a pedido do Modicus (não sei porquê), o Benfica aceitou trocar o jogo... Estava com algum receio, esta é uma das deslocações mais difíceis de todo o Campeonato, além disso o Benfica ainda está a construir uma equipa quase toda nova. Também é com recordar que o Modicus com os problemas financeiros de várias equipas do Norte, tem-se reforçado bem... Mas felizmente tivemos um final feliz. E assim com o grau de dificuldade mais alto, logo neste primeiro jogo, deu para tirar mais ilações... confirmando as grandes contratações, que são o Alan Brandi e o Ricardo Fernandes... hoje, até o Pablito teve melhor. O Serginho também confirmou o seu talento, mas voltou a demonstrar que ainda arrisca em zonas proibidas. E ainda faltou o Henmi e o Gonçalo.
O Benfica pegou no jogo, e atacou muito... rematou muito, e falhou muitos golos, fazendo do Sandro (guarda-redes adversário) o melhor em campo. O Modicus apostou tudo nos rápidos contra-ataques, e o Benfica até os 'ajudou' com alguns passes disparatados (inclusive por parte do Marcão), notando-se aqui alguma falta de entrosamento dos nossos jogadores, principalmente na saída organizada para o meio-campo adversário. Numa jogada de laboratório chegámos à vantagem... mas pouco depois, permitimos o empate: só uma equipa de arbitragem comprometida não marcava, o claro jogo faltoso do jogador do Modicus, no lance do golo do empate!!! Na 2.ª parte marcámos dois golos de rajada, após duas jogadas onde a classe e a raça, do Joel e do Brandi, foram notórias. O Modicus conseguiu reduzir - com um grande golo, mal defendido pelo Coelho -, e com a vantagem mínima já se sabia que os últimos minutos, íamos sofrer muito... faltou alguma calma para 'matarmos' o jogo, e tivemos hipóteses. Mas lá nos safámos com várias defesas do Marcão, uma delas gigante!!!
Deve ter sido uma coincidência, mas tanto no Andebol como no Futsal, levámos com alguns dos árbitros, que mais nos têm prejudicado nos últimos anos, nas respectivas modalidades!!! Logo na 1.ª jornada!!! Hoje, conseguiram não marcar uma única falta a favor do Benfica na 1.ª parte!!! A dualidade de critérios nos contactos foi 'consistente', dentro da roubalheira esperada!!! Nas bancadas, Lourenço Pinto, o tal amiguinho dos árbitros, o tal das homenagens aos corruptos, o tal do juiz amigo que queria bilhetes para a Champions, marcou presença... não sei se estes senhores se quiseram candidatar à Fruta ou ao Café, mas que tiveram uma arbitragem digna dos melhores Corruptos, isso ninguém poderá negar...!!!
Uma palavra para todos os Benfiquistas que marcaram presença, que não se cansaram de apoiar a equipa... terminando o jogo a cantar o Ser Benfiquista!!!


PS: Uma nota para a nossa equipa de Iniciados B (Futebol) que em Itália, num Torneio, onde participaram equipas como o Barça, Juventus, Valencia, Inter... entre outros, o vencedor foi: o Benfica!!! Recordo que esta geração, venceu na Páscoa o Torneio da Pontinha.

sábado, 7 de setembro de 2013

Vitória na estreia...

Benfica 42 - 27 Fafe

Já se sabia, que o regresso aos jogos oficiais nos Pavilhões da Luz, ia ser fácil, e o jogo confirmou. Não deu para tirar muitas ilações, mas deu para ver algumas soluções novas, principalmente na defesa...

A época vai ser complicada, não existe espaço para 'brancas', o ano passado tivemos duas, e foram fatais. Com os Corruptos 'distraídos' na Champions, pode ser que percam um pouco da concentração (tenho a certeza que o calendário se irá acomodar a todas as vontades dos Corruptos, não será por aí...!!!), mas isso só é importante, se nós aproveitarmos... Creio que o Campeonato será mais equilibrado, com os Lagartos mais fortes, e mesmo o Águas Santas e o ABC se reforçaram bem...
PS1: No Hóquei em Patins, hoje foi o sorteio da Champions, e finalmente alguma fortuna, num sorteio para o Benfica!!! Vamos defrontar o Vendrell (Esp) - nosso adversário na Taça Continental (Supertaça Europeia), o Quévert (Fra), e o Diessbach (Sui). E mesmo o cruzamento nos oitavos-de-final, será com o grupo onde o Reus e a Oliveirense são os favoritos!!! Tenho a certeza que as nossas comunidades de emigrantes na França e Suíça vão apreciar a visita do Benfica. A qualificação está facilitada, Franceses e Suíços são acessíveis, mas o Vendrell não venceu a Taça Cers por acaso, apesar do historial do clube não se comparar a outras equipas Espanholas, não podemos desvalorizar um adversário que seguramente nos vai dar muito trabalho.
Hoje, também foi realizada a final do Europeu de Sub-17, com Portugal a vencer a final, com 4 jovens Benfiquistas a tornarem-se Campeões Europeus.

PS2: Hoje, também foi dia para a apresentação da equipa feminina de Futsal do Benfica. O ano passado vencemos muitos títulos ao nível regional, mas na última competição da época a nível nacional, as coisas não correram bem... As esperanças estão renovadas, e para começar, mais uma obra de arte da nossa Rita Martins, não é a primeira vez que a Rita faz coisas deste género. O Ricardinho deve estar roído de inveja!!! Ou não...!!! 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Botas

"1. Há os que as usam e os que as lambem, sejam as ditas envernizadas ou não. Suponhamos que um daqueles plumitivos que ganha (e bem) a vida na defesa cerrada de uma mentalidade corrupta e tacanha, dentro da qual a esperteza e a inteligência se resumem a enganar o próximo e não ser apanhado (ou a ser absolvido por juízes infames), tendo como prémio gerir um canal de televisão no qual se anunciam serviços de prostitutas e prostitutos resolve dizer, do alto da sua bacoca sapiência, que o Porto é hoje o clube que empunha a bandeira portuguesa além-fronteiras. Como negá-lo se, na recente visita a Málaga, pudemos ver, nas ruas, orgulhosos cartazes que diziam na sua simplicidade: «Porto - clube da fruta!»?

2. A campanha eleitoral para a autarquia do Porto tem-se revelado interessantíssima: de um lado um merceeiro que ganhou protagonismo ao recusar-se a ouvir Escutas vergonhosas que implicavam o seu clube de coração numa fraude de dimensões grotescas, revelando-se assim um defensor público da trafulhice e da desonestidade; do outro, um viajante compulsivo que surgiu aos olhos do povo com os filhos atrás justificando pobremente porque usava o dinheiro dos contribuintes para obsequiar a família com viagens à Disneylândia em vez de estar ao serviço da Assembleia Prostituinte. O futuro da cidade promete...

3. Por falar em Assembleia Prostituinte: não tenho notícias da habitual palhaçada dedicada anualmente ao Madaleno. Fartaram-se de lamber botas à hora das refeições?

4. Desta vez não houve o penálti da ordem. Só um ligeiro empurrãozinho. E chega! Já só faltam 27 jornadas..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (Corruptos + Maxi)

"O dia de fecho do mercado de Verão veio mesmo a calhar ao FC Porto que, para além de despachar dois ou três jogadores, serviu para distrair os que estiveram atentos aos jogos do fim-de-semana e viram o irmão do antigo árbitro, Paulo Costa, beneficiar os seus conterrâneos com um golo irregular por falta do marcador, Jackson, sobre o defesa adversário garantindo os três pontos que se afiguravam difíceis! Foi mais um desfecho previsível.
No início de cada época a conversa é sempre a mesma. Enquanto os outros se esfarrapam para garantir vitórias, aos portistas basta uma arbitragem das tradicionais para pôr o barco em andamento e esperar que os outros se afundem. Daqui a algum tempo já ninguém se lembrará de como foram as primeiras jornadas e os mesmos serão sempre beneficiados.
Com isto, à terceira jornada os dos costume já levam dois de avanço sobre os segundos e cinco sobre o Benfica!
Há outro assunto que me preocupa e que é repisado sucessivamente com o objectivo bem claro de fazer mal ao jogador e ao SLB. Falo de Maxi Pereira. Um profissional extraordinário, de uma entrega notável, mas que tem sido alvo de algumas brutalidades (aqui sim) devido ao seu jeito de jogar futebol. A este jogador os benfiquistas sabem bem como perdoar alguns erros. Porque às vezes a máquina não suporta tudo. Mas não admitimos que outros criem o mito «de mau» à volta de um futebolista que joga leal. O que se tem verificado com esta campanha miserável lançada já há algum tempo pelos aguiares do comentário banal, é que os adversários aproveitam-se da má fama de Maxi e sempre que o defrontam a tendência é no mínimo toque exagerarem na fita, rebolando-se no chão, tentando ludibriar o árbitro para a mostragem de cartões.
Esta campanha tem dado alguns frutos. Mas Maxi é forte. Rapidamente recuperá a sua forma normal e vai ter como sempre o apoio de todos os benfiquistas que se revêm naquela raça, naquela vontade férrea de ganhar!
Os benfiquistas não podem deixar-se embalar com estas teorias que têm apenas o objectivo de enfraquecer o Glorioso!"

João Diogo, in O Benfica

Como se faz um internacional

"Em 14 de Setembro de 2006, noticiava o jornal "Público",em texto assinado por Adelino Gomes, que, no processo Apito Dourado, o árbitro Hugo Miguel era um daqueles sobre os quais recaiam indícios de corrupção. Segundo a notícia, na época 2002/2003, arbitrou o jogo Porto B/Gondomar e «os investigadores da PJ apuraram que o árbitro e a respectiva equipa fora 'premiados' com objectos em ouro. A situação acabou depois por ser arquivada, porque a má qualidade de som da fita gravada impedia que as incidências do jogo pudessem ser analisadas pela equipa de peritos.» Acerca desse mesmo jogo, há uma escuta em que Pinto de Sousa garante a Pinto da Costa que Hugo Miguel não prejudicaria o FCP.
A 25 de Fevereiro de 2012, Hugo Miguel foi o árbitro de um célebre Académica-Benfica. Segundo o observador desse jogo, José Ferreira, o árbitro sonegou ao Benfica duas grandes penalidades, tendo ficado com a nota de 2,1. No entanto, voz atenta e influente aconselhou o árbitro a reclamar do relatório. Hugo Miguel assim o fez e a nota subiu o suficiente para poder chegar a árbitro internacional.
Na última jornada da época passada, Hugo Miguel foi o escolhido para apitar o jogo do FCP com o Paços de Ferreira. Com o resultado a zeros, com um título nacional a jogar-se em 90 minutos, Hugo Miguel conseguiu ver num tropeção de James em si próprio, a aproximadamente um metro da área, uma grande penalidade a favor do FCP, com consequente expulsão do futebolista do Paços.
Na terceira jornada do actual Campeonato, na deslocação do Benfica a Alvalade, Hugo Miguel sonegou uma grande penalidade a favor do Benfica e permitiu que o golo do Sporting fosse precedido de um claro fora de jogo.
Olhando para este percurso, e como está provado que no Futebol português não há corrupção, resta-me concluir que é necessária uma grande dose de incompetência para que um árbitro seja premiado com o estatuto de internacional."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Empate no 'derby' foi mau resultado

"O empate em Alvalade foi um mau resultado para o Benfica e excelente para o Sporting. Disse antes do jogo e reitero agora. Havia razões para a euforia leonina que se via nas bancadas no fim do jogo, por terem empatado com o Benfica. São equipas com objectivos diferentes, de valor diferente e com obrigações diferentes. Não está em causa o respeito ao Sporting, clube com uma história invulgar, está em causa o valor desta equipa de Alvalade que está a léguas do valor do plantel do Benfica.
O resultado tem no árbitro um factor decisivo, golo leonino fora de jogo e penalty claro sobre Cardozo, mas se nos abstrairmos disso (e é difícil), em jogo jogado o resultado é justo. O Benfica teve sorte madrasta nas lesões, mas as entradas de Rúben Amorim e Markovic até melhoraram a equipa.
No meu direito de treinador de bancada, talvez Djuricic ligasse mais a equipa que Cardozo, mas estou a tentar ganhar o euromilhões depois de saber os números. O Benfica esgotou a margem de erro com este empate. É uma treta e um lugar-comum dizer que ainda falta muito porque muito preocupante é ter 5 pontos de desvantagem do Porto.
Excelente compra do lateral Siqueira. Este ano o Benfica comprou bem e muito bem. Markovic é um prodígio, um jogador que encanta e não deverá haver grande margem para erros nesta análise. Sabem que o meu pessimismo não me deixa margem para muitas euforias, mas este jogador é talvez o melhor miúdo que vi jogar na Luz desde há muitos anos. Se não apanhar Bruno Alves pela frente, julgo que será um jogador fabuloso (Rodrigo nunca mais foi o mesmo desde S. Petersburgo).
Salvio é a pior notícia da noite de Alvalade, a melhor será a que nenhum conselho de arbitragem sério nomeará mais Hugo Miguel para jogos de candidatos ao título."

Sílvio Cervan, in A Bola

Não satisfez...

"1. O empate em Alvalade não nos satisfez. A nossa equipa não está ainda ao nível da que na época passada nos encantou... até nos fatídicos três ou quatro jogos finais. No entanto, bem poderíamos ter ganho o jogo. Mesmo com menos posse de bola, menos cantos, menos remates, menos tudo quanto o treinador do Sporting contabilizou, foi o Benfica a equipa que criou mais (e melhores) oportunidades de golo, foi o Benfica o mais prejudicado de pela arbitragem (golo precedido de fora de jogo, penálti sobre Cardozo não assinalado), foi o Benfica a equipa que mais azar teve com as lesões (duas deles ainda na 1.ª parte), impedido Jorge Jesus de fazer a gestão que mais conviria à equipa.
Mas deu empate, estamos atrasados na classificação, teremos que correr atrás do prejuízo. No ano do último título também empatámos em Alvalade...

2. As jogadas foram rápidas, as faltas só terão sido perceptíveis via TV, dizem os jornais, defendendo os árbitros. Mas, na dúvida, os árbitros umas vezes assinalam, outras não. Prejudicando o Benfica, não assinalaram um fora-de-jogo que deu golo e uma falta que daria penálti. Beneficiando o FC Porto não viram um empurrão que precedeu o golo decisivo. E assim se vai decidindo um Campeonato...

3. Primeiro jogo em casa (frente ao Gil Vicente), primeira multa por comportamento incorrecto (petardos) dos No Name Boys. Foi pequena (1148 euros) mas vai crescer à medida que haja reincidências. É algo de premeditado, o que é grave. E só terá solução quando a polícia intervier a sério. É lamentável que uma claque (ou alguns dos seus elementos, com a conivência dos outros) que tanto (e tão bem) apoia equipa, mantenha esta 'guerra' que só prejudica o Clube.
Até quando?

4. Onyewu, jogador do Sporting estava a contas com um processo disciplinar movido pelo clube. Dias depois, jogador e clube chegam a acordo com vista à rescisão do contrato (não se sabe em que termos) e o Sporting divulgou um comunicado agradecendo a sua 'excelente temporada na época de 2011/12' e 'o seu profissionalismo'. Há aqui algo que não bate certo..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Alegria é solução

"O arranque do Benfica, ao cabo das três primeiras jornadas da Liga, afigura-se sofrível e também susceptível de provocar alguma apreensão. Com um elenco praticamente inalterado, até beneficiário de reforços, esperava-se mais no dealbar da temporada. Há razões de natureza técnico-táctica? Há, decerto. Há razões de queixa dos desempenhos arbitrais? Há, decerto. Ainda assim, fica a convicção de que o principal problema é mesmo de natureza emocional.
A forma traumática como terminou a última época e a derrota no Funchal na abertura do novo ano como que condicionam o rendimento do colectivo, ao passo que acentuam traços depressivos em franjas significativas da gigantesca legião adepta.
Alegria, não pode faltar alegria ao Benfica. Jogar alegre é jogar melhor. Jogar amargurado é jogar deficitariamente. Nada está perdido, mas impõe-se recuperar a alegria de jogar, afinal um elemento distintivo da turma vermelha nos últimos anos, capaz de a catapultar aos patamares cimeiros, quer a nível doméstico, quer no contexto internacional. A alegria não se dá, conquista-se. O Benfica tem de forma imperativa que a (re)conquistar. Alegria no campo e em redor dele. Alegria nos processos, alegria nas consequências. Este Benfica depende muito da alegria. Os aficionados suspiram por alegria. O Benfica, no seu todo, carece de um choque psicológico. Esconjurando fantasmas e seus medos, retomando alegria e seus arremedos."

João Malheiro, in O Benfica

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Será Markovic o sucessor de Vata?

"Vata foi um jogador que o Benfica foi buscar ao Varzim no final da década de 80 e que jogando só aos bocadinhos conseguiu ganhar uma Bola de Prata.

A equipa mais gamada - para utilizar uma expressão consagradamente popular e de significado vago - nas três primeiras jornadas do campeonato é o Benfica e este título, que ninguém quer, assenta-lhe como uma luva.
Embrenhados no caso Cardozo, que se iniciou em finais de Maio e que só acaba quando o Paraguaio marcar um golo e correr para Jorge Jesus - se não correr para Jorge Jesus é porque o caso, afinal, não está encerrado -, os Benfiquistas , independentemente das suas responsabilidades, entenderam como apenas corriqueiras as decisões de Jorge Sousa, no Funchal, na jornada 1 e as decisões de Hugo Miguel, em Alvalade, na jornada 3.
Somos assim. Um bando de frouxos, no qual me incluo. O facto de a equipa ainda não ter jogado nada de especial desmotiva, em nome da vergonha, qualquer tipo de conversas ou de lamentos sobre questões da arbitragem.
Joguem à bola! - é o que os adeptos exigem neste arranque porque não lhes entra na cabeça que os mesmos jogadores que tão bem se comportaram em campo até Maio tenham desaparecido de jogar, de lutar e de ser felizes como o foram por quase toda a temporada de 2012/2013, mais precisamente até à data do jogo com o Estoril.
E como jogar à bola tem-se visto pouco, vai de isentar os malandros dos árbitros nestas três primeiras jornadas do campeonato. Uns snobs, eis o que somos, uns grandes snobs. E isto em futebol não tem cabimento a não ser que se esteja em Inglaterra, o país do fair play. Mas como estamos em Portugal, o país da verdade desportiva, há que chorar, gritar, ameaçar e fazer, sobretudo, muito barulho quando em três jornadas, feitas as contas, o resultado podia ter sido outro na Madeira e outro em Alvalade se os árbitros fizessem por cumprir as leis do jogo.
Estamos assim a 5 pontos do FC Porto e Agosto ainda nem tinha terminado. Se pensarmos que há dois anos o Benfica perdeu um campeonato em que chegou a ter 5 pontos de avanço em Fevereiro e que no ano passado perdeu um campeonato em que chegou a ter 4 pontos de avanço em Abril, estes 5 pontos de atraso em Agosto pesam já umas quantas toneladas.
É o que parece, não vale a pena aborrecermo-nos com minudências.
Analisar, dissecar, criminalizar o golo solitário com que o FC Porto conseguiu vencer o Paços de Ferreira já perto do fim do jogo é um exercício vão.
Certamente que o empurrão descarado de Jackson Martínez nas costas do defensor pacense antes de cabecear para o golo, tal como a mochila feita a Cardozo por Maurício em Alvalade, tal como a posição ex-irregular de que nasce o golo do Sporting constam do novo livro de interpretação das regras que Pedro Proença foi explicar, há duas semanas, aos jogadores do Benfica no Seixal.
Comparadas com o caso Cardozo e com o mau futebol que a equipa vem praticado, estas questões são encaradas como menores em nome da decência.
E, sempre em nome da decência, já é larga a desvantagem do Benfica para os líderes.
Vamos lá então à recuperação!
E a recuperação também tem os seus quês. Tomemos o exemplo de Markovic, de todas as caras novas aquela que já conseguiu cair no goto dos adeptos e da crítica. Trata-se de um jovem sérvio, tem apenas 19 anos, que tem vindo a ser utilizado na parte final dos jogos e que, por sorte ou por saber, tem ajudado com golos a dar a volta a resultados menos bons, como aconteceu com o Gil Vicente e com o Sporting.
Será Markovic o novo Vata? Para os mais novos, que não sabem, Vata foi um jogador que o Benfica foi buscar ao Varzim no final da década de 80 e que jogando só anos bocadinhos, raramente foi titular, conseguiu ganhar uma Bola de Prata, troféu que consagra o melhor marcador do campeonato.
Francamente, parece-me que Markovic tem sobre Vata vantagens e argumentos que o colocam num outro patamar. O tempo o dirá. Mas com 5 pontos de atraso à terceira jornada e tendo em conta o historial desta equipa quando se viu com 5 e com 4 pontos de avanço, não fará grande mal ao mundo dar uma alegriazinha à malta pondo o sérvio em acção pelo menos uma parte inteira do jogo.
Vão ver como não se arrependem.

JOÃO MOUTINHO fez, finalmente, a sua estreia da I Liga Francesa e foi o homem do jogo. E logo em Marselha, contra o Olympique, um adversário poderoso, com ambições. O Mónaco viu-se perder mais dos pés de Moutinho saíram os lances que permitiram a reviravolta e asseguraram o triunfo da multimilionária equipa do Principado.
Rui Barros, por ter feito uma bonita carreira no Mónaco, foi logo consultado pela imprensa francesa para opinar sobre a valia do seu compatriota. Disse-lhe que Moutinho é um jogador excepcional que «sabe fazer tudo». Ao ponto de achar um desperdício ver Moutinho numa equipa que não tem um nome à altura do talento algarvio.
Acreditei que ainda verei João Moutinho num grande europeu. Esta aventura monegasca é apenas um interlúdio com benefícios fiscais no percurso de um jogador excepcional.

QUEM também é excepcional, ninguém duvida, é Gareth Bale, o jovem galês que o Real Madrid acaba de comprar ao Tottenham por 91 milhões de euros. Não me vou demorar em considerações sobre a obscenidade da verba em causa. Garantem-me os mercantilistas que só a venda de camisolas com o nome de Bale estampado nas costas ajuda bem a amortizar o investimento. Será?
Gareth Bale é um jogador do outro mundo e, assim sendo, é natural que tenha ido parar ao Real Madrid. E, convém que se diga, é também excepcionalmente esperto. Aterrou em Chamartín e não perdeu tempo: «Cristiano Ronaldo é o chefe, é o melhor do mundo», disse ao melhor estilo da fleuma e da diplomacia britânica.
O galês sabe quem vai encontrar no balneário do Santiago Bernabéu. Cristiano Ronaldo, que tem um futebol parecido com o seu, vive lá e carrega consigo a fama e o proveito de ser o melhor do mundo, à frente de Messi, ou o segundo melhor do mundo, atrás de Messi.
Se esta discussão tem servido para animar e, por vezes, enfurecer, os fãs de um e de outro, Bale colocou-se incondicionalmente ao lado do seu próximo colega de equipa.
O português deve ter gostado. Já os castelhanos da plantilla podem ter achado menos graça a esta profissão de fé de Bale logo à chegada. É lá entre eles.
Excepcionalmente esperto teria sido Neymar se tivesse dito a mesma coisa assim que aterrou em Nou Camp. 'Messi é o chefe, é o melhor do mundo'. Mas não disse, o que também se compreende e aceita. Um é brasileiro e o outro é galês, vêm de culturas diferentes embora não custe a adivinhar que, em breve, será entre eles a discussão sobre quem é o melhor do mundo.
Voto em Bale, por antecipação.

MORREU Pal Csernai, o treinador húngaro que substituiu Eriksson quando o sueco partiu para Roma no fim da temporada de 1983/1984. Não seria fácil para nenhum treinador ocupar o lugar de Eriksson, afável e correctíssimo com toda a gente. Csernai primou pelo oposto. Intratável e incorrectíssimo.
Num ano com Csernai o Benfica ganharia apenas uma Taça de Portugal, numa final com o FC Porto, o que foi considerado pouco à época. Não deixou grandes amigos na Luz. Era o género de treinador que não tinha problemas em apontar a dedo os jogadores que, segundo ele, não cumpriam.
Numa célebre e infeliz eliminação europeia com o Estrela Vermelha de Belgrado, Csernai não foi de modas e acusou Álvaro Magalhães, o nosso brioso defesa-esquerdo, de ser «o pai da derrota».
Por falar em defesa-esquerdo, tudo indica que com a chegada de Siqueira dá-se por resolvido um problema que já dura há alguns anos. Será desta?"

Leonor Pinhão, in A Bola

UEFA, geografia e política

"Há semanas reparei que um clube do Cazaquistão - um país asiático - quase atingia a fase de grupos da Liga dos Campeões.
No tempo da União Soviética bem se poderia afirmar que o Europa do futebol ia até aos confins da Ásia. Desmembrada a URSS, filiaram-se na UEFA a Arménia, o Azerbaijão e a Geórgia que estão na chamada e discutida Eurásia. Mas, desde 2002, também a asiática selecção cazaque foi incluída! Não foi a primeira nem a única. Basta recordar a Turquia só europeia em permilagem, bem como Israel desde 1991.
Na geografia uefeira há desde as selecções desejadas em qualquer sorteio (Malta, Liechtenstein, São Marino, Andorra) até às selecções que não correspondem a países. A situação mais antiga é a do Reino Unido que fornece quatro equipas: Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales. E que este ano tem a quinta, Gibraltar, já admitida como membro de pleno direito, o que contribui para acirrar o diferendo entre Espanha e Grã-Bretanha. Outro caso curioso é o das Ilhas Féroe, território com autonomia ligado à Dinamarca e 48.000 habitantes... Já a Gronelândia com o mesmo estatuto (e 57.000 habitantes) não está na UEFA, ainda que aí a geografia nos diga que já pertence ao continente norte-americano.
Há Estados europeus que não estão na UEFA: o Vaticano por óbvias razões e o Mónaco que joga em França... E o Kosovo por enquanto. Chipre representa apenas parte da ilha (exclui a auto-denominada Rep. Turca de Chipre do Norte).
Ainda há os candidatos a candidatos, como a Catalunha, treinada por J. Cruyff, que lá vai fazendo uns joguitos amigavelmente provocatórios.
UEFA, geografia e política: para todos os gostos!"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Pal Csernai

"UM TREINADOR... INESQUECÍVEL!
Pal Csernei, apesar de ter 'apenas' vencido a Taça de Portugal de 1985, deixou forte marca no Benfica. Possuía o condão de não deixar ninguém indiferente. Para o bem e para o mal.

PAL CSERNAI morreu, aos 80 anos, no princípio desta semana. Deixou uma marca especial no futebol português...
Não foi fácil, para o Benfica, a época de 1984/85. O clube vinha de duas temporadas quase perfeitas com Sven-Goran Eriksson (dois Campeonatos, uma Taça, uma Taça Ibérica, final da Taça UEFA e quartos-de-final da Taça dos Campeões) e logo que o treinador sueco decidiu fazer marcha atrás na renovação de contrato com que se tinha comprometido com Fernando Martins e aceitou a oferta milionária da Roma, ficou escrito que o processo de sucessão seria complicado.
Toni, então adjunto de Eriksson, seria a escolha lógica, que garantiria a continuidade do trabalho. Fernando Martins, contudo, entendeu que era demasiado cedo para que Toni assumisse o comando da nau e partiu em busca de um técnico «disciplinador e estrangeiro». A escolha do recentemente falecido líder encarnado recaiu em Tomislav Ivic, que brilhara na Croácia ao serviço do Hajduk de Split, de onde se mudara, com enorme sucesso, para Anderlecht e Ajax. Foi contudo curto o reinado de Ivic na Luz. Após menos de um mês de pré-época, alegadamente por causa de uma divergência de divisas, Benfica e Tomislav Ivic separam-se. A duas semanas do início do Campeonato, a possibilidade de Toni ficar como treinador principal voltou a colocar-se. Mas Fernando Martins manteve-se fiel ao perfil que tinha traçado e preferiu um «disciplinador estrangeiro». Foi assim que surgiu na Luz o húngaro Pal Csernai, 52 anos.

O HÚNGARO 'ALEMÃO'
PAL CSERNAI jogou no Csepel SC de Budapeste e em 1955 foi duas vezes internacional pela Hungria, à altura provavelmente a melhor selecção do Mundo. Em 1956, na sequência da invasão soviética da Hungria, Csernai fez parte do contingente de desportistas que conseguiu escapar para a Alemanha Ocidental, onde passou a viver. Na RFA jogou no Kalsruher e no Stuttgarter Kickers, fazendo ainda uma época no campeão suíço La Chaux de Fonds. Em 1965 arrumou as botas e a partir de 1968 iniciou a carreira de treinador, no Wacker 04 de Berlin. Entre 1978 e 1983 Pal Csernai treinou o Bayern de Munique, onde foi várias vezes campeão. Ainda hoje, na Alemanha, é recordada a marcação mista das suas equipas, baptizada como «Sistema Pal».
Antes de rumar à Luz, Csernai ainda teve uma passagem pelo PAOK de Salónica, Grécia.
Em Portugal venceu a Taça de Portugal (3-1 ao FC Porto de Artur Jorge) e nos anos seguintes o futebol levou-o ao Borussia Dortmund, Eintracht de Frankfurt, Hertha de Berlin, Fenerbaçe e Young Boys. Em 1993/94 aventurou-se e foi seleccionador da Coreia do Norte, à altura governada por Kim Il Sung. Terminou a carreia de treinador num clube húngaro, o Matav Sopron.

RETALHOS DA VIDA DE CSERNAI NO BENFICA
Há episódios que ilustram bem a complexidade da personalidade de Csernai. Difícil no trato por vezes desconcertante, irrepetível...

ÁGUIA DE BRONZE
DEZ de Junho de 1985. Terminada a final da Taça de Portugal (Benfica, 3 - FC Porto, 1) e cumprido o ritual da volta de honra ao relvado do Estádio Nacional, a festa encarnada prosseguiu na cabina onde o presidente Fernando Martins comunicou aos jogadores duas circunstâncias: a primeira, o valor do prémio de jogo; a segunda, o almoço que teria lugar, no dia seguinte, no Hotel Altis, para despedida do treinador Pal Csernai. E reforçou, sabedor do clima tenso que tinha marcado a época: «Atenção, isto não é um convite, é uma convocatória.» No dia seguinte apenas dois jogadores - os que tinham tido problemas mais graves com Csernai - faltaram ao almoço. Fim de temporada, férias à porta, Taça ganha, o ambiente manteve-se distendido e até mesmo as palavras de simpatia trocadas no fim entre presidente, treinador e jogadores prenunciavam, pelo menos, um final pacífico para o consulado de Pal Csernai.
Na hora dos discursos, Fernando Martins ofereceu a Csernai uma águia em bronze, que o técnico húngaro agradeceu.
Porém, à saída do hotel, com o ar mais descontraído do mundo, Pal Csernai ofereceu o símbolo benfiquista ao atónito porteiro e lá foi à vida dele, de mãos a abanar...

MACEDO DE CAVALEIROS
NAS duas épocas anteriores, com Eriksson, foi instituído um sistema de multas que penalizava os atrasos. O treinador sueco marcava uma hora - para a saída do hotel, refeições ou treinos - e cada minuto de atraso tinha uma penalização pecuniária, que revertia para uma caixa de que Sheu Han era fiel depositário. O dinheiro destinava-se a intervenções de ordem social e o que sobrava «pagava» o jantar de fim de época no Faroleiro, no Guincho. Com Pal Csernai este hábito foi alterado e o técnico húngaro, apesar da fama de disciplinador, não dava muita importância a pequenos atrasos, pedindo ao prevaricador, em tom de brincadeira «eine flasche wein» («uma garrafa de vinho»)
A 6 de Janeiro de 1985 o Benfica deslocou-se a Macedo de Cavaleiros para uma eliminatória da Taça de Portugal e a cada elemento da comitiva foi oferecida uma caixa com três garrafas de Vale Padrinhos. O técnico húngaro, que não era propriamente abstémio, torceu o nariz a que fosse oferecido álcool aos jogadores e o ambiente ficou de cortar à faca. Nessa noite a comitiva do Benfica (que a meio da semana jogaria na Póvoa de Varzim) pernoitou em Macedo de Cavaleiros e os jogadores combinaram deixar, pela calada da noite, todas as caixas de vinho à porta do quarto de Pal Csernai, em sinal de desagrado. No dia seguinte, ao pequeno almoço, o treinador encarnado mantinha-se imperturbável, como se nada tivesse acontecido. Foi o roupeiro (agora diz-se técnico de equipamentos...) José Luís que desvendou o mistério: pela manhã, Pal Csernai, vendo o estendal de caixas de vinho à sua porta, chamou-o e pediu-lhe que arrumasse as caixas no porta-bagagens do autocarro. Isso aconteceu a uma segunda-feira, a equipa viajou para a Póvoa onde jogou na quarta-feira, regressando a Lisboa nessa noite. E, chegado à Luz, que fez Csernai? Pediu a José Luís que pusesse as caixas no seu carro e, feliz, zarpou com 48 garrafas de Vale Padrinhos. Sem nunca dar parte de fraco...

A TÁCTICA
OS resultados desportivos do Benfica baixaram em 1984/85 (43 pontos e terceiro lugar) relativamente a 1983/84 (53 pontos e campeão) e 1982/83 (51 pontos e campeão). A meio da época os jogadores juntaram-se e nomearam uma comissão que foi reunir-se com o presidente Fernando Martins, no Estádio da Luz, na busca de uma solução que evitasse o descalabro. Fernando Martins não podia ter sido mais claro no que disse a essa delegação: «Aconteça o que acontecer, o treinador não sai. No Benfica respeitam-se os contratos e quem não acreditar nisso lembre-se que eu mantive Lajos Baroti até ao fim e quem o contratou foi a Direcção anterior, de Ferreira Queimado. Por isso, falem entre vocês, mudem a táctica, façam o que acharem melhor dentro do campo, mas o treinador não sai.»

SEM NOMES
UM dos mais graves incidentes da época 1984/85 no Benfica aconteceu durante um treino vespertino, no Estádio da Luz. Deixemos os nomes dos protagonistas de lado. Bastará dizer que nunca disputa de bola absolutamente casual entre os jogadores «A» e «B», o «A», que tinha vindo de uma lesão grave, ficou no chão a queixar-se (tinha acabado de fracturar o perónio). Csernai que estava a cerca de 30 metros do lance aproximou-se, apercebeu-se do que «A» tinha ficado maltratado e explodiu contra «B» (que realmente nad fizera senão disputar a bola...) gritando, em alemão, «assassino» e «psicopata». O jogador «B» percebeu o que Csernai lhe chamava, sentiu a injustiça, perdeu a cabeça e foi directo ao treinador que também não estava com aspecto de quem se ficasse. Valeu a intervenção rápida do jogador «C«, depois ajudado pelos restantes companheiros, que impediu que chegassem a vias de facto.

LEITÃO DA BAIRRADA
TONI já se referiu em público a este episódio, daí que seja possível não omitir nomes. Trata-se de um caso de estudo relativamente à personalidade complexa de Pal Csernai, que pode ser catalogada, no mínimo, de desconcertante. Sejamos claros. Csernai tinha passado muitos anos na Alemanha e não tinha paciência para segundas opiniões e não valorizou - como Eriksson - a ajuda de Toni. Costumava aconselhar-se, quando muito, com dois elementos do plantel que lhe mereciam maior confiança...
Ora a vida de Toni com Csernai não foi fácil (para colocar as coisas de forma suave...) até ao dia em que veio à conversa o leitão da Bairrada, que o húngaro nunca provara. Toni, sempre coração grande, disse que era da zona, conhecia quem assava o bicho na perfeição e prometeu trazer uma iguaria daquelas a Csernai. Dito e feito. Um leitão e espumante da Bairrada viajaram para Lisboa, Csernai convidou Toni para se juntar a ele e à namorada no repasto e a partir daí tudo mudou. O agreste Pal Csernai passou a tratar Toni de forma absolutamente diferente e o então técnico adjunto dos encarnados, perante esta situação, não se cansava de repetir: «Ai se eu soubesse antes...»

PEÇAS SOLTAS
ALGUNS elementos soltos podem ajudar a compreende melhor Pal Csernai. por exemplo, praguejava em húngaro e alemão, indiscriminadamente. Para evitar que Wando se agarrasse demasiado à bola incentivava, nos treinos o defesa-direito Carlos Pereira (que não se fazia rogado...), actual presidente da AG da Liga de Clubes, a «ir às pernas» do extremo-esquerdo brasileiro. Não ligava à pronúncia: para ele Eusébio, segundo técnico adjunto era Yusseff e Humberto Coelho, que ainda fez o início dessa época, era Roberto. Pedro Magro, ex-médico das selecções nacionais, era à altura um jovem estudante de Medicina que tinha feito a formação na Escola Alemã. Aceitou ser intérprete de Csernai e se quiser vai a tempo de escrever um best seller.
Um dia, um dos mais cotados jogadores do plantel, que tinha uma boa relação com Csernai, não gostou de ser repreendido num exercício e em português vernáculo, de fazer corar Gil Vicente, disse a Pal Csernai o que pensava do assunto. Pedro Magro traduziu que o aludido jogador não estava muito satisfeito. Mas o craque queria mesmo que a tradução fosse fidedigna, ao que Pedro Magro, sempre diplomata, suplicava: «Ó sr... não me faça isso, eu não posso traduzir isso.»
Muitos treinos do Benfica eram no campo 3, o relvado que não era nem o principal nem o da pista de atletismo. E eram sempre à porta aberta. Se, quando as coisas tinham corrido mal no fim de semana (muitas vezes o famoso «grupo da árvore») aproveitavam o trajecto entre o campo 3 e a cabina, que ficava no estádio principal, para protestar com Csernai, este ia direito a eles e pedia-lhes satisfações. Invariavelmente calavam-se. Era assim Pal Csernai..."

José Manuel Delgado, in A Bola

National Geographic: Monkey's !!!

Nem no Jardim Zoológico podemos encontrar espécimes tão raros... apesar de todos os esforços para extinguir estes Animais, eles resistem, estoicamente!!!


Eu até compreendo a estratégia de aproximação do Benfica à nova Direcção Lagarta. Existem de facto objectivos 'mais altos'... mas, tudo tem um limite.
Em condições normais, a Direcção do Sporting, que até tem recebido vários elogios por muitos Benfiquistas, já devia ter publicamente repudiado estes acontecimentos, e pedido desculpas aos agredidos, por sua livre e espontânea iniciativa... Não acontecendo este cenário a Direcção do Benfica, em privado, devia ter exigido o tal pedido de desculpa... Não acontecendo, o Benfica deveria tomar uma posição pública.
Recordo que estamos a falar de uma Direcção (Lagartos) que à pouco tempo se apresentou publicamente em sintonia com as Claques!!! Numa conferência de imprensa.
Varrer o lixo para baixo do tapete, neste caso, não resulta. Para evitar futuros comportamentos idênticos, tanto pelos mesmos Animais, ou como retaliação, pedagogicamente, deveria existir uma fortissíma reacção dos Clubes e da imprensa condenando, identificando, e expondo os ditos Animais, publicamente, qualquer outra atitude acaba por ser cúmplice, e instigadora de futuras agressões...
Até porque, mantendo a consistência com aquilo que se passa dentro do campo, e nos gabinetes, a (des)comunicação social desportiva, resolveu branquear estes acontecimentos (se fosse na Luz, nem quero imaginar a quantidade de minutos que as TV's dariam a este caso!!!), só porque se trata dos adeptos do tal clube 'diferente'!!! Os mesmos adeptos que ainda por cima nos últimos anos tem repetido, convictamente, comportamentos similares...
Só um jornal deu espaço a esta noticia, e mesmo assim foi uma caixa pequena - que eu destaquei na Lixívia -, se não fosse este acéfalo que além de filmar tudo, orgulhosamente colocou no YouTube o assunto tinha morrido!!! Será que o Cinéfilo ainda vai receber um prémio Stromp?!!!

PS: Já agora, não vi nenhuma carga policial !!! Será que a Polícia de Intervenção, só actua na Luz, quando os adeptos do Benfica, confraternizam - só Benfiquistas... - entre as Bilheteiras e a Estátua do Eusébio?!!!

Voz inconfundível...

Orçamentos

"Há dias, li no Jornal i uma apresentação das equipas da nossa Liga com nota dos orçamentos anuais dedicados à temporada.
A fazer fé na fonte citada, os 16 clubes estimam gastar 197 M (milhões) de euros. O Porto lidera, folgadamente, com uma projecção de 90 M! Com dois dígitos, só mais 3 clubes: o Benfica com 40 M, o Sporting com 20 M e o Braga com 13 M.
Todos os outros 12 clubes somados têm um orçamento de 34 M, desde os 4 do Marítimo e Rio Ave aos 1,1 do Setúbal. O terceiro classificado da época passada, o P. Ferreira, fica-se pelos 3 M.
O Porto, só por si, representa 45,7% do total e entre 30 a 90 vezes os orçamentos de cada um dos não designados grandes. Por sua vez, Benfica, Sporting e Braga terão ao seu dispor (em conjunto) 81% do que é referido só para o Porto.
Considerando a totalidade dos pontos possíveis na Liga (90 pontos), cada ponto conquistado pelo Porto representa 1 milhão de euros e do Benfica quase 0,5 milhão. Ou de outro modo, uma vitória num jogo amortiza 3 milhões para o Porto e perto de 1,5 milhões para o Benfica. Ou seja, tanto ou mais do que a maioria dos orçamentos dos clubes para toda a época... Há equipas cujo orçamento é inferior ao custo salarial de um jogador dos principais clubes.
Cada um que tire as suas ilações. Entre poderio económico e desportivo. Entre orçamentos e passivos. Entre fantasia e precipício. Entre grandes vendas e estranhos défices. Entre dimensão, modelo e sustentabilidade da Liga. Entre estruturas paralelas e mínimas. Entre orçamentos e números de jogadores. Entre turnovers e empresários. Etc. ... "

Bagão Félix, in A Bola

Um bom Benfica

"O Benfica conseguiu no sábado um óptimo resultado. Não o digo por ironia, mas tendo em atenção que:
1 - O jogo foi no estádio do Sporting, que contou com um público entusiástico a apoiá-lo
2 - O Sporting estava moralizadíssimo e o Benfica nem por isso
3 - O Benfica começou mal o jogo e sofreu o primeiro golo
4 - Antes dos 50 minutos o Benfica tinha três jogadores lesionados (e jogou vários minutos da 1.ª parte com 10 jogadores, devido àquelas lesões).
Acrescente-se que, apesar de tudo isto - e embora o Sporting tenha sido, de facto, a melhor equipa -, pertenceram ao Benfica as melhores oportunidades: Rodrigo rematou de cabeça à trave, Salvio com a baliza aberta atirou para as nuvens, Markovic isolado chutou contra o guarda-redes e Rodrigo falhou escandalosamente a recarga.
Já não falo do offside no golo do Sporting, porque sou contra os offsides milimétricos.
Mas enfim, com todas estas contrariedades, podemos afirmar que os jogadores do Benfica foram uns heróis.
E o jogo ofereceu aos benfiquistas outras alegrias: a confirmação de um pequeno génio chamado Markovic (que pelo estilo - e até fisicamente - me faz lembrar o melhor Aimar), o regresso de Cardozo (um jogador muito difícil de substituir pelas suas características) e o ressurgimento do Rei Artur, com duas defesas que valeram pontos.
Um senão: a equipa não me pareceu bem fisicamente. Depois do empate, quando se podia pensar que ia arrancar para a vitória, quebrou. E Cortez é lentíssimo a arrancar, pelo que qualquer avançado rápido faz dele gato-sapato. Jesus ainda vai ter saudades de Melgarejo."

A caminho de Krasnodar



Independentemente de todo o Circo montado à sua volta, sempre deu tudo, sem queixas, nem amuos... Ironicamente, acabou por se tornar mais competente nas funções defensivas, do que em situações ofensivas, principalmente no passe...
Boa sorte Melga.

Que mais poderá correr mal ?!!!

Disse no final do derby que estava mais preocupado com as lesões, do que com os pontos perdidos... e infelizmente os meus receios tornaram-se realidade.
O Salvio é o nosso principal carregador de jogo ofensivo. Por alguma razão é raramente substituído. Se o ano passado por esta altura estávamos a chorar as saídas do Javi e do Witsel, este ano, sem vender ninguém (titular), temos uma baixa desportiva de valor equivalente, ou superior...!!! Alguém vai ter que assumir a responsabilidade, tal como o Matic fez o ano passado.
Mas como o Campeonato esta semana está parado, neste momento aquilo que desejamos, é uma operação eficaz, e uma recuperação sólida e rápida...

A opção mais directa será uma troca com o Sulemani, que pelo que vi rende mais na direita, do que na esquerda, é um daqueles que joga melhor no flanco com o 'pé trocado', tal como acontece com Ola John na esquerda!!! Mas como o rendimento do ex-Ajax ainda não convenceu - um ano lesionado, e outro na equipa B, fazem mossa!!! -, a opção poderá ser outra:
- O Markovic, que joga bem em qualquer lado... Julgo que a posição ideal para o jovem sérvio, é a de 2.º ponta-de-lança - o tal 9,5 !!! -, lugar ocupado pelo Lima na época anterior, mas poderá fazer a direita ou a esquerda, em esquemas muito ofensivos... O problema será em jogos mais apertados: Champions, jogos fora...!!!
- O Enzo poderá regressar à direita, mas como se viu na Madeira, isso poderá resultar mal... Em teoria, com o Maxi a fazer de 'extremo', e o Enzo com tendência para vir para o meio, tinha tudo para resultar, mas tenho dúvidas...
- O Amorim, num esquema mais defensivo, também poderá fazer o lugar... aliás já o fez no passado, e até seria um bom complemento às subidas malucas do Maxi.
- O Ola John na minha opinião é a pior solução, porque simplesmente nunca me convenceu jogando na direita.
- O Djuricic seria a adaptação menos lógica, é verdade. Mas já se viu que o muito talentoso sérvio, vai ter muitas dificuldades em entrar no esquema do Jesus, porque o Djuricic é claramente um '10' e não um '9,5' como o Jesus afirmou... e nós sabemos por experiência, que este tipo de jogadores, neste esquema, têm a vida dificultada: o melhor ano do Aimar foi a '8', com o Ramirez a fazer de falso extremo-direito a cobrir as costas defensivas do Aimar... Assim, como o Djuricic até tem alguma velocidade, tacticamente parece-me disciplinado, e tem bom drible, gostaria de o ver - nem que seja só uma vez... para tirar as dúvidas -, num dos flancos...



PS: Não deixa de ser engraçado ler os blog's do costume, jurarem a pés juntos que este é o melhor plantel do Benfica dos últimos anos. Tudo para comprometer em caso de insucesso o Jesus. Curiosamente, sem dar por isso, estão a elogiar o Vieira (e o Rui Costa), pela construção do plantel!!! Coisa que nunca lhes passou pela cabeça fazer - a avaliação é sempre subjectiva, até creio que este poderá ser o plantel com maior profundidade dos últimos anos, mas ainda não sei se será o melhor '11'...!!! -, mas ainda mais curioso, é como ao mesmo tempo que tentam montar esta armadilha óbvia, são obrigados a desvalorizar por completo as arbitragens das primeiras jornadas, e até esta lesão do Salvio...
Podem-me perguntar: esta lesão vai ter impacto na época do Benfica? Respondo: depende, a nível Europeu sem dúvida, poderá ser a diferença entre a qualificação para os Oitavos-de-final da Champions, a despromoção para a Euroliga, ou mesmo o 4.º lugar, sim é uma possibilidade... a nível interno, esta lesão terá um impacto nulo, pois em Portugal os Campeonatos não são ganhos nem por jogadores, nem por treinadores.. são ganhos por chulos, proxenetas, brochistas e afins... mascarados de dirigentes e de árbitros!!!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Dizem que o céu estava azul claro...

"No dia 6 de Agosto de 1945, «Little Boy» caiu sobre Hiroshima. Outro rapazinho pensou que tinha caído o céu. Chamava-se Shintaro Yokoshi, tornou-se português e do Benfica.

HIROSHIMA é a maior cidade da região de Chugoku, na ilha de Honshu, a maior do Japão. A história de Hiroshima é velha e carregada de simbolismo. Fundada em 1589, viveu guerra após guerra, desde a batalha de Sekighara à implementação da Sanyo Railway, em 1894, durante a primeira guerra sino-japonesa, do profundo desenvolvimento industrial levado a cabo no decorrer da guerra russo-japonesa à importância d sua localização estratégia na I Grande Guerra, sendo local de aprisionamento de mais de 500 prisioneiros de guerra alemães.
Mas, no dia 6 de Agosto de 1945, às 8h 15m da manhã, Hiroshima tornou-se sinónimo de morte.
Dizem que estava um céu azul claro sobre a cidade. Ouvia-se ao longe o matraquear dos motores do B-29 pilotado pelo coronel americano Paul Tibbets. O avião chamava-se Enola Gay. Hoje, este nome soa mais facilmente aos ouvidos de cada um por via da música dos Orchestral Manoeuvres in the Dark. Na altura era simplesmente o nome da mãe do piloto: Enola Gay Tibbets. No ventre de Enola Gay viajou «Little Boy» a primeira bomba atómica lançada sobre um pedaço da humanidade. Robert Serber, aluno de Robert Oppenheimer, o «pai da bomba», foi o responsável pelo nome carinhoso dado ao engenho macabro. A sua imaginação era feita de sons agradáveis: apelidou a bomba que caiu, pouco tempo depois em Nagasaki, de «Fat Man».
A destruição de «Little Boy» foi horrenda: a violência da fissão nuclear do urânio-235 condenou à morte imediata cerca de 80 mil pessoas, destruindo 69% dos edifícios da cidade. Até final do ano, o número de mortos subiu aos 140 mil. A população de Hiroshima era de aproximadamente 340 mil habitantes.

Quando saiu o sol
NO meio dos escombros sobreviveu Shintaro Yokoshi: tinha nove anos.
Yokoshi veio para Portugal há mais de 50 anos. A sua vida é profundamente ligada ao Benfica. Ainda há pouco tempo descreveu ao «Correio da Manhã» como assistiu ao infernal acontecimento de Hiroshima. Às 8h 15m da manhã no dia 6 de Agosto de 1945 estava na escola. Pouco depois passeava-se por entre corpos carbonizados de crianças da sua idade e de adultos que tinham feito até aí parte da sua vida. O rapazinho Yokoshi precisou de uma memória infinita para nunca mais esquecer os estragos que outro «Rapazinho», o que viajava dentro do Enola Gay viria a provocar na sua existência.
Aos 22 anos chegou a Portugal e já tinha sido nadador Olímpico. Ficou. Pelas suas mãos passaram os grandes nadadores portugueses dos últimos 40 anos, um deles seu filho, Alexandre Yokoshi, atleta do Benfica, 27 vezes campeão nacional sénior (100 e 200 metros bruços e estafetas) e finalista Olímpico nos jogos de Los Angeles, em 1984, nos 200m bruços. Foi por influência do mestre Yokoshi que Alexandre Yokoshi chegou ao Benfica. Nessa altura, Shintaro Yokoshi era treinador de natação no Benfica, como o viria a ser igualmente na Selecção Nacional. Aliás, também Ana Cristina Yokoshi, filha de Shintaro e irmã de Alexandre, foi atleta e campeã pelo Benfica. Muitos anos depois da maldita bomba.
Nessa entrevista ao «Correio da Manhã», datada de Agosto de 2003, Shintaro Yokoshi contava: «Estava na escola e estava sentado junto à janela. De repente vi uma luz muito forte, muito clara, muito mais forte do que a do dia. Ouvi um grande estrondo, parecia a explosão de uma bomba mesmo perto do meu corpo. Olhei na direcção de onde tinha vindo a explosão e vi uma enorme bola de fogo. Era criança, julguei que tinha caído o sol... E depois veio um vento muito forte que destruiu todas as janelas da escola.»
Passaram-se quase setenta anos. Shintaro Yokoshi encontrou uma nova vida em Lisboa e no Benfica. A memória, essa, nunca prescreve..."

Afonso de Melo, in O Benfica