"EM 1955, PORTUGAL VOLTOU A ESTAR REPRESENTADO
NO TORNEIO DE WIMBLEDON COM
O TENISTA ENCARNADO CARLOS FIGUEIRA
O ténis do Benfica conheceu
a hegemonia na dé cada
de 1950, depois de alguns
anos de instabilidade.
A revitalização da modalidade
veio pela mão de Francisco Viveiros Pinto, presidente da secção,
que trouxe ao Benfica grandes
vultos da raquete, como David
Cohen, Azevedo Gomes, Lima
Mayer e o madeirense José Carlos
Figueira da Silva (1929-2021).
Proativo, dono de uma vivacidade que lhe transcendia o físico,
Carlos Figueira chegara do Funchal em 1949, com 20 anos, e logo
integrou a equipa encarnada. Em
1950, sagrar-se-ia campeão na -
cional de 2.ª categoria, em singulares e pares. No ano seguinte,
ainda na 2.ª categoria, alinhou
pela equipa principal no Campeonato Nacional de Equipas,
conquistando o primeiro de mais
de uma dezena de títulos da
1.ª categoria, divididos em equipas, singulares e pares mistos.
Em junho de 1955, um mês
antes de se sagrar bicampeão
nacional, Carlos Figueira entrou
na história do ténis português
pela sua participação no Torneio
de Wimbledon, o mais antigo e
um dos mais prestigiados torneios de ténis do mundo. Foi o
primeiro português a ter entrada
direta na competição.
As dificuldades foram sentidas logo de início, pois a deslocação acarretava custos impossíveis para as entidades desportivas, inclusive a Federação Portuguesa de Ténis. Valeu o apoio do
presidente da Mesa da Assembleia Geral dessa instituição,
Rodrigo de Castro Pereira, que
pagou do seu bolso a viagem de
barco, e também dos seus amigos Viveiros Pinto e Gabriel Farra
cujos contactos em Londres lhe
facilitaram a estadia.
Depois de vários dias em viagem de barco e comboio, Carlos
Figueira calçou as suas sapatilhas, pegou numa das quatro
raquetas que levou consigo e alinhou pela primeira vez num
campo de relva, frente ao americano Wayne van Voorhees, a quem
conseguiu ganhar dois jogos (0-6,
1-6, 1-6). As dificuldades que
Figueira sentira na “Meca do
ténis” expressaram-se no resultado. O campo de relva, inexistente
em Portugal, não ajudou, promovendo um “andamento do jogo
muito mais rápido, com a bola a
saltar no sentido do comprimento
e muito pouco em altura”, impedindo o carácter de jogo do tenista
português, que privilegiava a defesa e aproveitava “as deixas para os
contra-ataques”.
O feito de Carlos Figueira foi
hercúleo, dada a tão fraca aposta
na modalidade num país onde
a validade do desporto despertava timidamente. Para o tenista,
o reconhecimento não foi imediato. O jornal A Bola foi o único
que relatou a sua prestação em
Inglaterra e só décadas mais
tarde sobreveio a recordação da
sua ida, quando outros portugueses alinharam. Aí, teve evidenciado o seu valor e papel na promoção do ténis português.
Descubra outras figuras
de grande craveira internacional do ténis do Benfica
na área 4 – Momentos
Únicos, do Museu Benfica – Cosme Damião."
Pedro S. Amorim, in O Benfica

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