Últimas indefectivações

sábado, 12 de novembro de 2016

Vitória no Fundão

Fundão 1 - 2 Benfica

Entrámos praticamente a perder, com um auto-golo, mas não perdemos a calma... Não foi um grande jogo, mas acabámos por merecer a reviravolta... O início da 2.ª parte foi a nossa melhor fase.
Após o 1-2, soubemos congelar o jogo, e defendemos bem o 5x4.

O MVP da partida, como não podia deixar de ser, foi o guarda-redes do Fundão!!!

Bom regresso do Chaguinha.... Bebé novamente bem. Patias merecia o golo...

Uma nota para as lesões, desta vez 'faltou' o Elisandro, o Chaguinha e o Bruno não parecem estar a 100%... o Jefferson ainda não recuperou! Espero que não 'copiem' os maus exemplos do Futebol!!!

Vitória em Tomar

Sp. Tomar 4 - 9 Benfica

Talvez, o jogo mais 'descansado' da época!!! Entrámos muito bem, chegámos rapidamente aos 0-4 (antes de começar a rotação...) e nunca demos hipóteses!

Praticamente no último minuto sofremos 2 golos, e isso deu uma imagem errada ao marcador... Desta vez, tivemos melhor na defesa. Aliás dois dos golos do Tomar, foram dois 'chouriços'!!!

PS: Nota para a vitória da nossa equipa feminina de Hóquei em França, na 1.ª mão, da 1.ª eliminatória da Liga Europeia: Merignac 0 - 5 Benfica (Marlene(2), Vieira, Abreu, Rita)

Vitória em Ponte de Sor

Eléctrico 62 - 85 Benfica
10-13, 15-18, 15-23, 22-31

Em crescendo, fomos melhorando com os minutos...

Na Terça-feira temos jogo decisivo na Luz, para a Europe Cup. Para conseguir a qualificação, o Benfica tem que ganhar... ao Chalon. A equipa mais forte do grupo!

Vitória em Matosinhos

Leixões 0 - 3 Benfica
17-25, 17-25, 18-25


Vitória esperada... Amanhã, temos jogo tradicionalmente difícil em Espinho com o Sporting local...

24 horas na Academia do Benfica: dormir com as estrelas do Seixal

"O SAPO24 foi ao Caixa Futebol Campus. Leu 90 páginas de boas vindas, comeu, treinou no 360s, andou por corredores e foi à escola. Falou com jogadores, técnicos, scouting, nutricionista e apoio escolar. Registou 200 refeições servidas por dia, com direito a gelado em dias de jogo e 16 toneladas de roupa lavadas por mês. Ficou a saber que, em 2015-16, os olheiros percorreram 206 mil quilómetros e que foram escritos 5443 relatórios de jogadores e 128 foram contratados. 65 vivem no Seixal e 18 estão em famílias de acolhimento. E o Renato Sanches é a bandeira que querem copiar.
À hora combinada, 7h30, chegámos ao Caixa Futebol Campus do Seixal, Centro de Estágio do Sport Lisboa e Benfica. Os seguranças tinham o nome registado. Entrámos. Visto de fora parece uma espécie de prisão de Alcatraz. Lá dentro, nove campos de futebol espalhados por 19 hectares. Os artistas vestidos de encarnado pisam os tapetes onde são gastos 700 kg de fertilizante por mês. O verde é a cor dominante. Há árvores e jardins, muito terreno livre, o que nem sempre acontece noutras academias em que muito dos espaços disponíveis são desenhados a regra e esquadro para as 4 linhas.
Quem chega de novo recebe no e-mail (nomedojogador@benfica.pt) 90 páginas de um regulamento interno de funcionamento. Está lá tudo. Multas e comportamentos, código de conduta e horários. Para ler e ser avaliado através de um teste.
É hora do pequeno-almoço, uma das refeições obrigatórias. “Há pão, queijo e fiambre, cereais mais saudáveis, batidos, fruta, leite, compotas, manteiga de amendoim e ovos mexidos três vezes por semana”, discrimina Diana Granja, nutricionista. Espécie de mãezinha que “obriga” os miúdos a comerem sopa e legumes, não ficou nada contente com a presença ali de uma máquina de doces. “Vamos substitui-la”, afastando o fruto proibido de olhares e paladares. “Há alturas em que podem comer um chupa-chupa, mas ter aqui à mão não era bom”, ri. Mas nem tudo é mau: em dias de jogos levam um “miminho” em forma de “gelado”.
Dos 65 miúdos que vivem no Seixal, a que se juntam 18 alojados em famílias de acolhimento, uns vão para a escola, outros calçam as chuteiras e transportam a bola debaixo do braço a caminho dos treinos.
O autocarro, 61 lugares, está à porta do Centro de Estágio. Destino: Escola José Afonso, escolhida pelo Gabinete de Apoio Socio-Escolar. Miúdos de todas as idades entram, um a um, pausada e ordeiramente. Ouvem música nos headphones, teclam nos telemóveis, vestem camisolas do Benfica e calçam ténis. O condutor tem a lista de presenças. À entrada um pedido sui generis: “assina aí o meu nome”, escutou-se.
Na bomba combustível da Repsol, entram três jogadores...perdão...alunos. A escola está a uns breves minutos de distância. Francisco Morais, 15 anos, veio de Guimarães e cumpre a segunda época no Seixal. Central, estuda Design de Computadores, mas assume que o futuro passa pelos pés. Sandro Cruz, lateral esquerdo, 15 anos, três de Benfica, veio de Braga “em busca do sonho”. Está no 9º ano. Tocou. Entraram.

Um vídeo de Chalana como fonte de inspiração
De regresso ao Seixal há treinos a decorrer. Os sub-19 jogaram na véspera na UEFA Youth League. Uns recuperam do esforço, outros “dão o litro”. José Henriques, antigo guarda-redes imortalizado como “Zé Gato”, sentado num carro eléctrico, fala de Ederson, que viu naqueles relvados e hoje é titular da baliza das águias.
É team manager, cargo que ele e outras velhas glórias ganharam no Seixal. Por lá andam Nené e Chalana. Este último tem direito a um vídeo motivacional para ser visto por quem entra pela primeira vez no Seixal. “As fintas, no Benfica, na selecção e no Bordéus servem de inspiração”, esclarece Filipe Alves, responsável pela visita às instalações do Caixa Futebol Campus.
10 elementos da estrutura acompanham e analisam o treino. Pertencem à Benfica LAB. Há câmaras de filmar colocadas estrategicamente. Tudo é monitorizado e será devidamente informatizado, tratado e guardado.

5, 4, 3, 2, 1... bola a 120km/h dominada em jogada de laboratório
O simulador de treino 360S é palco de uma experiência única. Sentimo-nos como um rato de laboratório a pisar relva sintética. Inaugurado em 2014, há luzes LED, cores florescentes, um centro de terreno, quatro balizas, quatro canhões em cada um dos lados do quadrado e bolas a saírem projectadas de 20 km/h a 120 km/h.
Pouco espaço para agir, pouco tempo para pensar e executar. É pura ficção científica transformada em realidade. “O 360s procura, em certa medida, recriar algumas das questões técnicas, tácticas, físicas e exigências da tomada de decisão dos jogadores em campo”, explica Nuno Maurício, responsável da Benfica LAB.
Os exercícios são controlados por tablet. Tudo programado às diversas posições. Da teoria à pratica fizemos o gosto ao pé. 5, 4, 3, 2, 1... ouve-se. Sai bola disparada do canhão. Controlada. Passámos. Apoio frontal, jogo em profundidade, temos que optar. O jogador “faz de conta”, que veste de azul, receciona. Mais uma bola projectada, mais uma recepção. Hora do remate. Falhámos o golo.
A nossa avaliação ficou registada para conhecimento interno duma estrutura composta por 24 pessoas que engloba fisiologia, nutrição e observação. Neste último, uma revelação. “No estádio temos um sistema de traking, só nosso, que permite, para além, dos nossos dados físicos e estratégicos, ler o adversário. Nos jogos fora de casa temos outras ferramentas...”, anuncia. “Quase um SIS no bom sentido”, sorri.

10332 relatórios de jogos, 2683 jogadores referenciados e 128 contratados
Carácter. Personalidade. Podemos ver 20 jogos...não é fácil ver logo, mas dita a experiência, quando falamos com os pais, identificamos padrões de comportamento, conseguimos detetar talento”. Pedro Ferreira, responsável pelo Scouting e Observação, fala do ABC deste trabalho feito em casa e a nível nacional por 54 colaboradores remunerados e 118 não remunerados. “O vídeo vale pouco. Perder, ou antes, ganhar o tempo a ver jogos, vale muito mais”, continua.
No flashback da época passada saem números. Os observadores percorreram 206 mil quilómetros. Foram escritos “10332 relatórios de jogos observados, 1170 de torneios, 5443 de avaliação de jogadores” de que resultaram “2683 jogadores referenciados”, dos quais “1460 vieram a treinos de captação” e “509 estiveram presentes em treinos integrados”, discrimina. No final, tudo espremido, 128 jogadores contratados. “Já perdemos uns, ganhámos outros”, assume. São as regras de um jogo que “obriga a fazer mais quilómetros, a observar, filtrar e escolher cada vez mais os melhores”.

José Saramago escrito nas paredes
Às 13h15, nova correria à entrada do Centro de Estágio. No refeitório geral convivem as 10 equipas da formação. As presenças são controladas “por três monitores que aqui vivem, que estão todos os dias da semana a toda a hora”, explica Filipe Alves. Faltas sem justificação “dão multa de 20 euros”. O trabalho não se esgota na vigilância. “Acompanham os miúdos em tudo o que é necessário. Estão no refeitório enquanto comem, durante a noite se algum deles tem febre, dores de cabeça ou medo”, acrescenta Catarina Santos, directora do Apoio Socio-Escolar.
Nas paredes há frases. Destaca-se uma: “No Benfica, a vitória tem algo negativo: nunca é definitiva” escrita por José Saramago. Convive com outras que não levam selo de Prémio Nobel, mas antes chancela presidencial de Luís Filipe Vieira.
A sã convivência que hoje existe entre formação e plantel principal, que tem um espaço reservado para o pequeno-almoço, é alimentada ao almoço ou jantar. É aqui que entra a sopa e os legumes já referidos e “dois pratos de peixe e de carne”, diz a nutricionista que trata da balança dos futuros craques. “Fazemos avaliações periódicas de peso, altura, massa gorda e intervimos individualmente”. 

“Não bater com as chuteiras na parede”, lê-se num aviso
Se Saramago pode inspirar, a frase “não bater com as chuteiras na parede”, avisa quem entra na área reservada à formação. Incumpridores pagam multa. O cumprimento entre todos, miúdos e hierarquias, é obrigatório. Todos os dias, a qualquer hora. Nuno Gomes passa e faz hat-trick de apertos de mãos. Há salas de treinadores e de psicólogos. Na sala de musculação, fisiologistas acompanham a recuperação de lesões. Na sala de lazer, as mesas dos matrecos identificam os rivais Porto e Sporting. O Snooker tem pano vermelho. Pelas cinco rouparias passam 16 toneladas de roupa por mês.
Na sala de estudo, dois professores ajudam. Até ao 9º ano “é obrigatório durante 45 minutos”. Más notas dão direito a mais tempo de estudo, alerta Catarina Santos. “Fazemos questão que a escola corra bem. Estar aqui pode iludir e nós puxamos para outra realidade”, sustenta a responsável do departamento que trata de tudo o que não diz respeito ao futebol. “As visões (e ilusões) dos jogadores têm muito a ver com a visão dos pais. Na parte do futebol, gostariam de intervir mais e são travados. Na parte escolar, às vezes gostaria que interviessem mais... felizmente vão tendo mais noção que os filhos podem não chegar lá e é importante que invistam na escola”.
Aos 17 anos, Diogo Pinto, sub18, tem dois anos de Seixal. Veio de Leiria, onde jogou um ano, depois de ter estado em Alcochete (Sporting) desde os 13, idade com que saiu da casa dos pais. É médio interior. Quer “chegar lá”. Paralelamente, dá importantes passos na escola. Estuda à noite por causa dos treinos. Está no 12º ano e com as portas abertas para o Curso de Relações Internacionais, no qual quer matricular-se.
A família é o seu suporte. Fala “duas a três vezes por dia” com os pais. As origens (Tomar) estão tatuadas no corpo com a Ordem dos Templários. “É uma forma de estar próximo da família”, atira. E este ano tem a companhia do irmão (13 anos).
Arrumadinho define-se como “normal”, uma normalidade que espera ter no olhar de quem, na escola, o vê como alguém que joga no Benfica. Com três mil seguidores no Instagram, gosta de Playstation e de fazer o “treino invisível, a descansar”. Tal como outros craques made in Seixal namora com uma geração de raparigas born in Seixal. “É um must namorarem com jogadores do Benfica”, graceja Filipe Alves.

O filho do Sérgio Conceição, o guarda-redes campeão do mundo de Pentatlo, o primo do Renato e o guineense que treinou e ficou
O dia aproxima-se do seu fim. Caminhamos ao lado do cicerone Filipe Alves. Aponta para o hotel e para os campos. Fala do alargamento da infraestrutura (mais 30 quartos) e da eventual “anexação” do campo do Seixal FC. Mas há mais. Na cabeça de Luís Filipe Vieira pode estar um Campus à americana, desvenda. “Ter uma escola dentro da academia, controlar tudo dentro de portas, afastar o problema dos horários escolares. Temos miúdos que acabam os treinos as 21h00 e vão para Évora e Nazaré”.
A actividade não dá tréguas. Dois ingleses correm. Fazem parte de uma escola que está no Centro de Estágios do Benfica. É normal ter gente de fora a estagiar. “Estamos sempre cheios, no inverno, Páscoa e no verão com o Elite Training Camps”, sublinha. “É um programa exigente que dá a atletas do mundo inteiro as vivências exactamente iguais aos nossos, passando pelo 360s e acompanhamento do gabinete de nutrição. “No ano passado tivemos 204 jogadores de 44 países. Pagam por uma semana 1300 euros, é uma fonte de receita”, garante. E é também uma chance para alguns.
Foi através desta via que Umaro Embaló, guineense que joga na selecção portuguesa, entrou para o Seixal. Treina ao lado de um dos filhos do Sérgio Conceição, que se faz ouvir a todo o instante. Fala com o guarda-redes João Valido, campeão do mundo e europeu de Pentatlo Moderno (ao serviço do Setúbal), com o primo de Renato Sanches, com o colega bósnio e com outro filho de mãe portuguesa e pai americano.
João Santos, Director Técnico da Formação, é orientador dos técnicos da formação: 35 técnicos, adjuntos, fisiologistas, treinadores de guarda-redes e analistas. Fala sobre futebol. E do que se faz no Seixal. “Procuramos não formatar o jogador. Aproveitamos o talento natural e adaptamos ao modelo. Afinamos parafusos e folgas”, resume.
Admite que copia e é copiado. Mas nada é “robotizado”, avisa. Há criatividade e liberdade dada dentro de parâmetros definidos. “Cada vez mais é a qualidade individual que é determinante. A tomada decisão faz a diferença entre o grande jogador e o assim-assim”, sustenta.
Tudo é discutido em reuniões. Há várias. E depois há uma reunião mensal, numa espécie de “Conselho Geral no qual estão treinadores, todos, Rui Vitória incluído, LAB e o presidente, formação, pupilos, toda a gente”, explica.

23h00: hora para dormir com as estrelas
O Centro de Estágio do Benfica celebrou 10 anos no passado dia 22 de Setembro. Inconformismo é o lema do ano. “Não podemos estar satisfeitos com aquilo que fazemos, há aspectos a melhorar...outros inovar...”, sustenta o Director Técnico da Formação. Renato Sanches é “o exemplo do que é possível fazer”.
É noite escura. Os treinos vão chegando ao fim. Os jantares são servidos. Há quem regresse da escola e quem siga a vida para fora do Caixa Futebol Campus. Há menos movimento. Quem lá vive, recolhe aos quartos. Diogo Pinto e o irmão conversam.
23h00. Luzes apagadas. Hora de recolher e dormir. Um clarão provocado por telemóveis e tablets invade os lençóis. Últimas mensagens nas redes sociais, vídeos e músicas. Adormecemos. Não chorámos durante a noite. Algo que por vezes acontece. “No ano passado, um não estava preparado, regressou a casa e este ano está de volta”, exemplifica Filipe Alves.
São 07h00. Hora de despertar. Dormimos com as estrelas do Seixal. Chegou ao fim a estadia. Pequeno-almoço servido, idas para a escola e idas para treinos. Uns saem, outros entram. Tudo se repete, como no início do artigo. Nós, regressámos a casa."

Joãozinho

Toni no Aquecimento

Recomendações dos atletas

"Esta semana realizaram-se duas reuniões com o objectivo de analisar a prestação da Missão Portuguesa nos últimos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Uma reuniu os atletas e a Comissão de Atletas Olímpicos (CAO), outra entre treinadores e o Comité Olímpico de Portugal (COI).
A reunião entre atletas e CAO contou com a presença de 43 atletas olímpicos. No final da reunião foram anunciadas várias conclusões. Duas delas não podem deixar de nos chamar a atenção:
1) Maior transparência das federações na gestão das verbas de apoio à preparação desportiva.
2) Necessidade de uma definição clara do país do propósito do Projecto Olímpico e do Alto Rendimento.
Os atletas recomendam que deve haver uma maior transparência das federações na gestão das verbas de apoio à preparação desportiva. A questão é qual a origem desta conclusão/recomendação. Não há transparência? Os montantes destinados à preparação não são canalizados para a preparação? Não se concretizando a origem desta conclusão e deixando tão grave dúvida no ar, descredibiliza-se o trabalho de todos em prejuízo do incumprimentos de alguns. Seria avisado identificar e responsabilizar, não ficando pela recomendação, sob pena de haver conivência com a falta de transparência!
Recomenda-se também ser necessária a definição clara do país do propósito do Projecto Olímpico e do Alto Rendimento. Ora, a sinalização desta necessidade partir dos atletas é um óptimo sinal. Eles que teoricamente até poderiam ser os beneficiados de um sistema de alto rendimento que não privilegie a excelência e que permite financiamento alargado a atletas sem o crivo da análise técnico desportivo rigorosa.
Não nos devemos ficar só pelas recomendações e conclusões. Chegou o momento das acções, monitorizações e avaliações."

Mário Santos, in A Bola

Benfiquismo (CCLXXXIV)

Família Benfiquista...

Um ponto ganho ou dois perdidos?

"Está por provar se o Benfica ganhou um ponto no Dragão ou perdeu dois. A depressão colectiva em que mergulharam os azuis e brancos tem mais a ver com uma ambição deslocada da realidade que com o jogo em si. Se fosse como querem fazer querer os adeptos portistas - e não é - a sua situação ainda era pior que a que anunciam.
Se o pior Benfica, na mais modesta exibição da época, sem seis titulares (Jonas, Rafa, Fejsa, Jardel, Grimaldo, Luisão) empata com o deslumbrante FC Porto, então quando viesse quem falta, e o Benfica jogasse melhor, a diferença seria abissal.
O problema maior é que o FC Porto só empatou porque o Ederson teve um deslize, a realidade é que este «super Porto» teve uma bola na trave, não teve mais posse de bola que o Benfica, nem teve mais cantos que o Benfica. Ainda assim, um Benfica muito limitado pelas lesões, que fez uma exibição pálida, chegou para manter os cinco pontos de vantagem sobre o rival. A depressão azul e branca tem a ver com o Benfica não ser olhado como um adversário mas ser vivido como um complexo. Gostava de estar contente com o empate, mas tenho receio ter perdido dois pontos na luta pelo título, num campo que venha a ser fácil para outros rivais (oxalá me engane).
Ver o desespero dos adeptos azuis e brancos no fim do jogo, alguns que conheço e estimo, é perceber que a angustia não foram os últimos três anos sem ganhar mas talvez perceber a inversão da situação que existirá (ou não) nos próximos dez.
A este propósito um elogio que não consigo conter: que grande jogador é André Silva, um avançado do melhor que Portugal viu nos últimos 30 anos, só ele é mesmo de outra galáxia neste universo azul e branco.
Quanto ao Benfica resta-nos constatar que o Marítimo (para a Taça de Portugal) e Moreirense vão ser bem mais difíceis, e Rui Vitória sabe que não podemos continuar a perder pontos porque só temos cinco pontos de vantagem."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

É preciso cortar o mal pela raiz

"Há muitos anos que me habituei a admirar a eficácia das nossas forças de segurança. Por vezes, a opinião pública quer resultados imediatos para investigações complexas e reivindica celeridade. Mas, no fim, é como a polícia montada do Canadá, que apanha sempre o seu homem, seja Palito, Piloto ou... o ladrão da FPF.
Vem este introito a propósito da vandalização de duas carrinhas do Pedrouços e do relvado sintético do Grijó, clubes que disputam a Divisão de Elite da AF Porto. Não me passa pela cabeça que as forças policiais não venham a colocar (quanto mais cedo melhor), atrás das grades, os vândalos que destruíram propriedade alheia, tentando atemorizar quem entendem ter-se colocado no seu caminho. Por esse lado, de eficiência policial, estou descansado. Porém, há outro lado, alegadamente desta equação, que me deixa muito mais preocupado. O Pedrouços e o Grijó fazem parte do conjunto de clubes que se recusam defrontar o Canelas, na Divisão de Elite da AF Porto, por sucessivos casos de violência dentro (e fora) das quatro linhas. E não é que, da AF Porto, que tutela desportiva e disciplinarmente a competição, nem uma palavra, apenas um silêncio ensurdecedor que, se persistir, assumirá foros de cumplicidade? Ou será que a AF Porto não tem nada a dizer sobre esta matéria, quando a integridade da competição e os princípios do desporto estão em xeque?
Creio que, se da AF Porto não emanar nenhuma posição sobre este caso, não restará à FPF outra solução que não seja entrar em campo. Porque há coisas que não podem ser permitidas (nem que seja por omissão), sob pena de ficarmos reféns do hooliganismo."

José Manuel Delgado, in A Bola

Nuvens negras

"Trump, Erdogan, Putin, Kim Jong-un, Le Pen, Lukashenko, Al-Assad, Maduro, Castro, Mugabe. Dez nomes, dez mensageiros de ódio, de divisão, de intolerância e que ocupam (ou podem estar perto de ocupar, caso de Marine Le Pen) cadeiras poderosas, demasiado e perigosamente poderosas.
O mundo vive, de facto, dias loucos, difíceis de entender. Por esta altura, ainda procuramos perceber como é possível que um homem que passou toda uma campanha a vender mensagens sexistas e racistas conseguiu chegar à presidência de uma das maiores potências do mundo - militarmente, continua a ser a maior; economicamente, mantém papel dominante; e social e culturalmente é ainda muito influente.
Num ápice, uma imensa maioria de não-americanos (e de americanos também) invadiu as redes sociais apontando o dedo à «estupidez» da América branca, pouco ligando ao facto de muitos milhares de homens e mulheres muçulmanas, hispânicas e negras terem votado em... Trump. Sim, é difícil entender como é possível alguém assim chegar por via democrática ao poder. Mas há explicações - como houve, em 1933, quando Hitler, depois de muitas eleições perdidas, conseguiu, enfim, vencer e chegar ao topo (o resto da história, infelizmente, é conhecida por todos... Ou será que já esquecemos?). Entre os principais motivos está o facto de uma fatia grande da população dos EUA (a par do que se vai vendo pela Europa) estar cansada do establishment que figuras como Clinton representam e que ajudaram a conduzir a situação financeira precária de muitas famílias de classe média (uma vez mais, a par do que sucede também na Europa).
No meio da tempestade, há porém raios de luz que tudo fazem na busca de iluminar-nos um pouco. Um bom exemplo (curioso, até) pode ser encontrado no primeiro evento desportivo internacional duma equipa norte-americana após a eleição de Trump: precisamente um duelo EUA - México, de qualificação para o Mundial-2018, já hoje, no Ohio..."

João Pimpim, in A Bola

As últimas Lanças...

O Homem que treina e ensina

"São muitas as definições de um treinador. A de Cruyff soa perfeita do ponto de vista ideológico, orientada pela independência dos resultados: "Só há duas espécies: os que treinam e os que ensinam." César Menotti dá uma achega, acreditando que o talento do líder se mede pelo progresso dos seus jogadores: "Se um futebolista tem sempre as mesmas virtudes e os mesmos defeitos, é porque não tem um bom treinador." Rui Vitória corresponde às duas definições, na qualidade de gestor e pedagogo de altíssima qualidade, que não choca com a realidade, adapta-se a ela; não luta por mudar as regras instituídas, trabalha para melhorar o que tem; não se propõe fazer revoluções, aperfeiçoa a orientação vigente.
Em apenas 16 meses, RV confirmou ser o treinador certo para a nova etapa na vida benfiquista. Integrou-se na máquina, imprimiu uma dinâmica, escolheu um estilo, definiu elos de ligação entre os vários sectores, defendeu princípios e indicou o caminho. Nas suas escolhas estão implícitas opções estéticas, um espírito de trabalho saudável e o respeito sagrado pela história do clube. Para tanto precisou de aproveitar as estrelas que já tinha e conduzir jovens com talento, mas sem experiência, ao patamar de excelência que reclamam; de lhes incutir uma atitude ofensiva e pugnar por um comportamento elegante, estimulando atitude congregadora e generosa capaz de levar a bola para o outro lado do campo, de preferência às redes adversárias.
O grande futebol constrói-se com sentimento e tradição. Todo o seu enlevo histórico e social é património de uma entidade colectiva alicerçada nos adeptos. RV tem mobilizado essas emoções profundas e misteriosas com resultados à altura mas também com ética irrepreensível. E tem-no feito com a imensa grandeza de um discurso aglutinador; com domínio perfeito da matéria e na acção focada apenas no laboratório que ampara o dia-a-dia do treino. Seguro de si próprio, recusa adornar a lenda que está a construir com caprichos, desplantes, provocações, insinuações maldosas, polémicas estéreis ou qualquer outra grosseria. Simplesmente assume o papel que lhe cabe como responsável de uma grande equipa e nunca se lamenta do que corre mal. É incrível como o Benfica lidera a Liga com 5 pontos de vantagem ao fim de 10 jornadas, depois de quase todos os jogadores do plantel terem passado pelo estaleiro.
No decorrer da época já teve os dois pontas-de-lança na enfermaria (Mitroglou e Jiménez); praticamente não contou com Jonas e Jardel; perdeu logo Rafa para várias semanas; abordou o clássico sem Fejsa e Grimaldo, e ainda ficou sem Luisão ao fim de um quarto de hora do jogo. Metáfora de toda a vigência de RV na Luz, o Benfica soube encontrar no Dragão argumentos para evitar a derrota ao soar do gongo. Não é legítimo exigir agora ao treinador encarnado que se automutile porque teve sorte, porque não agrediu quando teve azar; que agradeça aos deuses o milagre do empate e reconheça a dádiva divina diminuindo os méritos da sua equipa. Há um ano, perdeu com o FC Porto, naquele mesmo palco, com um golo de André André aos 86 minutos, e saiu derrotado, na Luz, de um jogo em que podia até ter goleado. O futebol é fértil nestas situações extremas.
RV é o timoneiro de nau a caminho da terra prometida, que tem passado pelas tormentas do alto-mar com a serenidade de quem se convenceu, transmitindo essa confiança à tripulação, de que nada nem ninguém pode impedir a expedição de chegar a porto seguro. Se vai ou não navegar até ao destino, é impossível sabê-lo nesta altura. Mas que estão todos convictos de que tal vai suceder, sente-se em cada palavra. Para acentuar a ideia de que sim, é possível lá chegar, até já saem íntegros e felizes de clássicos em que foram amplamente inferiores com um golo marcado aos 90’+2.

Joel Campbell cada vez melhor
Joel Campbell não se afirmou logo no Sporting de Jorge Jesus. Não se pode dizer, também, que tenha caído no goto dos adeptos, razão pela qual precisou de contar mais com o seu talento do que propriamente com a condescendência alheia. O costa-riquenho trocou o banco do Arsenal pelo que pensava ser um lugar no onze leonino. Está a jogar cada vez mais e melhor. Em 6 presenças na Liga marcou 3 golos.

Óliver explodiu com o Benfica
Óliver ainda não tinha confirmado a exaltação que marcou a primeira passagem pelo FC Porto. O jogo com coeficiente de dificuldade mais elevado serviu para o jovem espanhol se libertar e explanar todos os recursos técnicos do reportório. Foi deslumbrante frente ao Benfica e a ele deve o FC Porto muito do excelente futebol que exibiu no clássico. Com ele a grande nível, o dragão é muito mais forte.

Duas expulsões inexplicáveis
Marega perdeu a cabeça e, sem razão aparente, agrediu um adversário com uma estalada; Boateng marcou um golo e, indiferente ao cartão amarelo que vira cinco minutos antes, tirou a camisola nos festejos para anunciar que chegara a sua hora. Podemos teorizar à volta das motivações que levaram os dois jogadores a fazerem-se expulsar de um modo tão infantil. Mas nenhuma teria uma base futebolística."

Amor eterno

"Já passou quase uma semana desde o Clássico no campo das Antas e há coisa que não me sai da cabeça - o ódio eterno. Foi esse o mote que antecedeu o jogo entre o Tricampeão nacional e o terceiro classificado da época passada. Do líder do grupo de apoio até à página de rede social do neto do ainda presidente, passando por uma grande fatia dos adeptos da colectividade da cidade do Porto, todos juraram ódio eterno ao SL Benfica.
É isso que os motiva, foi isso que os fez estar acordados na madrugada anterior à partida rebentando petardos à porta do hotel onde pernoitou o Glorioso. É isso que comunicam todos os dias, há mais de 30 anos. Como se alguém deste lado perdesse tempo a pensar neles.
Parece-me que é esse o grande problema destes antis. E de outros, que nem vale a pena mencionar. Preocupam-se tento, mas tanto, com o SL Benfica, que se esquecem de resolver os problemas que têm em casa. Empréstimos bancários, comissões a empresários, relatórios e contas duvidosos, contratações falhadas, vidas pessoais expostas na praça pública, desastres desportivos, utopias para cegos verem, esquecem tudo. Só vêem vermelho à frente.
É assim que vão continuar, a ver vermelho à frente. Para já com cinco pontos de distância, espero que com mais nas próximas jornadas. Jogo a jogo, a pensar apenas no Benfica, como fazem os outros. No SL Benfica não há tempo para ódio. Só concentração no amor. Um amor eterno que não se explica, mas que se põe em prática todos os dias."

Ricardo Santos, in O Benfica

Estrelinha


"Do jogo parece sobrar a 'estrelinha'. Qual estrelinha? A que nos fez tricampeões? A que nos mantém invencíveis há 21 deslocações consecutivas no campeonato? A que nos deu o melhor ataque, a melhor defesa e cinco pontos de avanço à entrada para o clássico? A que lesionou Jonas, Jardel e Rafa e afastou ainda Fejsa e Grimaldo a escassos dias do jogo? Ou a que obrigou Rui Vitória a substituir Luisão ao quarto de hora da partida? É preciso ter lata!
Estrelinha foi termos Lisandro teoricamente o quarto central na hierarquia dos centrais, a entrar a frio e a fazer uma bela exibição coroada com o tento do empate. Estrelinha foi termos, em Rui Vitória, a capacidade para, mesmo com tantos lesionados, mexer na equipa e mudar o rumo da partida. Estrelinha foi termos Benfiquistas na bancada que nunca deixaram de apoiar os nossos jogadores... Já para não referir a estrelinha que foi a actuação de Nuno Espírito Santo no banco, apesar dos rabiscos que ilustram o 'jogador à Porto', qual pintura rupestre. Sem apitos dourados, cafés com leite e quinhentinhos, resta-lhes o anti-benfiquismo primário e não há desenhos abstractos que lhes valham.

Mas não julgue o leitor que sou injusto nas minhas apreciações artísticas, pois houve jogadores que assimilaram bem o conceito de 'jogador à Porto' transmitido pelo seu treinador. Refiro-me concretamente a Otávio, o sabujo que cuspiu no Ederson, e a Filipe, o central especialista em auto-golos que num momento de êxtase após derrubar André Horta com a complacência de Artur Soares Dias, puxou pelo público portista como se tivesse acabado de marcar um golo. Aquela impetuosidade toda deve ter sido do vermelho de camisola do André..."

João Tomaz, in O Benfica

Até ao fim

"Há pouco mais de um ano, saíamos do Estádio do Dragão vergados a uma derrota injusta, com um golo sofrido nos últimos minutos, após uma excelente exibição - que de algum modo anunciava o potencial que a equipa viria a demonstrar meses mais tarde.
Ainda no último Campeonato, mas já na segunda volta, na Luz, depois de dominarmos completamente o FC Porto, e de criarmos cerca de uma dezena de ocasiões flagrantes para marcar, acabámos por perder de forma inacreditável por 1-2, num dos “Clássicos” com resultado mais desfasado da realidade a que alguma vez assisti.
Indo mais atrás, ainda hoje é difícil de engolir o trágico minuto 92 que, em 2013, nos custou um Campeonato - com toda a certeza o momento mais cruel que o desporto me proporcionou em 47 anos de vida e de benfiquismo.
Ao contrário das situações acima invocadas, há que reconhecer que desta vez a sorte esteve do nosso lado.
Com um golo nos instantes finais de uma partida que, até então, não nos correra bem, evitámos uma derrota que poderia efectivamente ter acontecido.
Sem subtrair mérito à performance do adversário, há que salientar o facto de os nossos jogadores nunca terem deixado de acreditar que podiam ser felizes. E sublinhar que a forma como Rui Vitória mexeu na equipa se revelou determinante no desfecho do jogo.
Não festejo empates, e era o triunfo que eu queria. Mas, dadas as circunstâncias, o ponto alcançado e os dois subtraídos ao rival acabaram por saber bem, mantendo-nos firmes na caminhada rumo ao grande objectivo da época.
Ficou o aviso. Nada nos será dado gratuitamente, e até Maio ainda teremos muito que sofrer."

Luís Fialho, in O Benfica

Benfiquismo (CCLXXXIII)

Símbolos...

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Os adeptos que a Sport TV não viu (ou... não quis ver, ou... não a deixaram mostrar)

"O principal problema do futebol português é o medo. E quem vai ao Dragão sem medo merece tudo! Carrega, Benfica!

Eles têm saudades dos quinhentinhos
1. Durante anos, numa estratégia de envolvimento e ocupação de lugares, alimentada pela corrupção e aliada à fraca condição de quem se vencia para continuar nos lugares que concediam o estatuto da aparência de poder, tentaram anestesiar o Benfica.
E com a arrogância de quem se julga superior, só porque somava títulos dessa forma (corrupta, viciada e viciosa), pensou estar perante uma onda de vitórias eterna, porque infinita era a subserviência dos protagonistas, a quem uns bilhetinhos ou uns cartões de um qualquer órgão que fava entrada nos jogos serviam para dar continuidade a essa supremacia.
Mas, quanto mais longe iam ficando os tempos dos quinhentinhos mais difícil era manter a supremacia da estrutura, que de máquina tinha apenas a fama, porque o proveito, esse, era repartido entre quem ganhava os títulos e quem recebia... para que eles os ganhassem.

O canto do museu que - qual canto do cisne - virou maldição
2. Mas tudo tem um fim, mesmo que esse fim - um verdadeiro canto do cisne - mereça honras de museu, que passou a ser o umbigo de uma geração gasta, que não percebe que a sua perpetuação no poder, com regras transparentes, apenas serve para destruir, de forma acelerada, o poder que tiveram.

Não querem entender - e, para mim, tanto melhor - que, quem conviveu com as malhas e com a lama da corrupção, não sobrevive onde os títulos não se compram!
Como não se apercebem, hoje, da ineficácia, quer das ameaças, quer das pseudo graças do passado, mesmo que veiculadas por plataformas digitais. Porque, se antes essas mesmas ameaças ou graças produziam efeito junto dos que eles conseguiam comprar com os tais bilhetinhos (dessem eles entrada em jogos, em cabarés ou fizessem aumentar a conta bancária de alguns eleitos), hoje não passam de piadas de velhos, de que os novos se riem, porque não podem chorar.

Ou, então, pior: riem-se porque, se não se riem, desaparecem pelo cano de esgoto das purgas de fim de regime.
Como, aliás, a História - para os que conseguem ler outras coisas que não seja rótulos de garrafas de champanhe ao som de música disco e luzes psicadélicas - nos ensina!
Mas, ainda assim, achando que são eles que continuam a ditar as regras, estão convencidos de que vão voltar a mandar, conseguindo meter medo a alguma gente.
Aos deles, pouco me importa!
Aos nossos, nunca!
Foi esse despertar, de novo, da força do Benfica que quiseram impedir, manietar, condicionar, adia, calar! O que sabem, agora, ser impossível. Porque a nossa força é muito maior do que a inveja deles.

A TV que não vê
3. No domingo, na cidade do Porto, repetimos a onda vermelha, prova dessa crença renascida, que traz, de novo, com ela, a grandeza do Benfica.
Pois - diremos nós - o normal seria que essa mesma imagem de presença e de força dos adeptos do líder do campeonato fosse exibida na televisão onde passava o jogo, como, aliás, acontece normalmente. Ser, seria... mas não foi!
Incansáveis no apoio à equipa, ao longo de todo o jogo, esses adeptos não tiveram a possibilidade de serem vistos por quem acompanha o jogo pela televisão, porque a Sport TV não mostrou uma única imagem dessa zona do Estádio.
Eu sei que sou suspeito e que me bati para que os jogos do Benfica não passassem lá. Pois durante os 3 anos em que isso aconteceu... fomos campeões, tricampeões nacionais.
Por isso, não podemos nem devemos calar o que (não) vimos neste jogo e que ultrapassa o aceitável.
Já não falo das 18 - sim, 18 -repetições do golo deles e das 5 - sim, apenas 5 - repetições do nosso golo (foi essa a contabilidade a que cheguei).
Mas, como se isso não bastasse, qual a explicação para não terem exibido qualquer imagem dos adeptos? De todos os que lá foram e viram o que viram, mas também dos que lá foram e não puderam entrar (e a quem daqui envio um abraço especial com a certeza que Benfica e Liga farão tudo para que sejam indemnizados por quem teve a responsabilidade de não os ter deixado entrar, primeiro porque levavam cachecóis do Benfica e, depois, porque... não lhes apeteceu).
São estas atitudes - as de impedir adeptos do Benfica de verem jogos como cidadão livres e de fazer de conta que os que puderam entrar não existiram - que abalam a credibilidade do futebol.
E não comentadores ligados a clubes no pleno exercício da sua liberdade de expressão, consagrada legal e constitucionalmente.
E nem sequer se poderá dizer que foi efeito do minuto 92 e do quão atordoados ficaram os pequenos (os que jogavam, os que assistiam e que já cantavam vitória e os que, devendo ser imparciais, ficaram com uma enorme má disposição com o nosso golo).
Ou será que não os deixaram emitir as tais imagens, ameaçando-os se o fizessem?
Ou porque quiseram, ou porque não os deixaram, será sempre uma má imagem profissional que deixam.
Porque ou são tendenciosos ou são cobardes. E desses não queremos, num jornalismo que se quer independente e verdadeiro.
Estão no seu direito ao não suportarem as nossas vitórias. Mas, enquanto lá estiverem ou enquanto não forem convidados para Directores de Comunicação do clube... tenham lá vergonha.
Porque a festa que os adeptos do Benfica fizeram, dentro do Estádio, desde o minuto inicial, e, depois, à saída, deveria merecer honras de prime time.
Mas, para estes arautos da liberdade de imprensa, isso não existiu... Ou, melhor... existiu e foi exibido nas televisões estrangeiras, mas não na Sport TV.
Estão a ver porque defendi o que defendi? Só espero que do novo enquadramento não resulte o regresso do velho sistema!
Percebido?

Os 'andrades' que viram 'canelas'
4. Para não nos comerem por parvos, e para que se diga o que se tem que dizer, bem podem fazer matinas (tão católicos que eles são) de petardos, junto do hotel da equipa, colocar tarjas insultuosas durante o jogo ou cuspir para os nossos jogadores.
Ou brindarem-nos, a cada chegada à Invicta, com mimos como «ides sofrer como cães» e com juras de «ódio eterno»... tipo canelas.
Na verdade... não têm vergonha. Nem quem os deixa passear esse ódio, como bem percebem os clubes da zona, com adeptos tão portistas quanto eles.
Só que há métodos e métodos. E quando os exemplos e os incentivos vêm de cima... só a FPF poderá resolver o assunto. Com coragem (e não como a avestruz).
A não ser que prefiram, neste como em outros casos onde as macaquices abundem, a técnica Sport TV. Não mostrando, pode ser que o povo julgue que não existem.
No fundo, serão duas faces da mesma moeda? Ainda acredito que não.

Um empate aos 92
5. Quanto ao jogo, um empate nunca é uma vitória. Por isso, humildade infinita e alma à Benfica para continuar a olhar para a frente! Sem ter medo de nada, porque - recordo sempre Ricardo Costa, ex-Presidente do Conselho Disciplinar da Liga - o principal problema do futebol português é o medo. E, neste mundo de agressividade e de ódio com que nos mimoseiam, ter medo é o princípio do fim.
E quem vai ao Dragão, sem medo, merece tudo. Carrega, Benfica!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

PS: Mais significativo do que não terem mostrado os adeptos do Benfica, foi não terem mostrado uma  única repetição, de uma jogada com o Cervi, ainda na 1.ª parte, dentro da área dos Corruptos... Depois de 'horas' tentando encontrar algum penalty dentro da área do Benfica (tentativa frustrada, diga-se...), o lance com o Cervi foi 'esquecido'!!!! E o problema maior, é que esta manipulação é feita em todas as jornadas...

Ainda o clássico

"Em mosaico:
1. Espectáculo com uma assistência entusiasta e serena, num bonito estádio, talvez aquele em que os planos televisivos sejam os mais conseguidos;
2. Ao que se sabe, não houve grosseiras e ameaças de pancadaria, nem polícia de intervenção na zona das instalações sanitárias dos balneários;
3. A Sport TV conseguiu realizar toda a transmissão do jogo sem focar uma única vez os espectadores afectos ao Benfica, mesmo quando os seus jogadores agradeciam, no fim, o seu apoio. Não fosse o som deles provindo, pensaria que não havia nenhum encarnado lá. Terá sido por razões de poder haver mouros?
4. No melhor pano caí a nódoa: Ederson com notáveis defesas e um golo algo consentido. Os centrais do Porto e Danilo jogando com categoria, mas batidos por Lisandro no meio deles todos;
5. O Benfica que já vai na 27.ª lesão está época(!), fica em 5 dias sem o grande estabilizador da equipa (Fejsa), o melhor agitador (Grimaldo) e Luisão com toda a sua liderança e experiência. Já para não falar em Jonas, Rafa e Jardel. O Porto jogou sem lesionados e, vindo a propósito, o SCP em alarme com a lesão de um único jogador;
6. Depois da derrota no Dragão na época passada à 5.ª jornada, o Benfia venceu 19 dos 21 jogados fora (apenas empatou com o U. Madeira e agora com os dragões). Nesses 21 jogos marcou 48 golos e sofreu apenas 9;
7. Dois jogadores muito jovens mostraram bem o que valem e valerão: Diogo Jota, provavelmente o melhor jogador em Portugal a fazer jogo vertical sem medo, agora que Renato Sanches joga na Alemanha; e Nelson Semedo, um lateral super veloz e com uma perfuração vertiginosa."

Bagão Félix, in A Bola