Últimas indefectivações

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

O outro lado de ser “esperança” (olímpica)

"Acordar as cinco e trinta da manhã, iniciar o primeiro treino do dia, pelas seis horas, que durará, possivelmente, até às oito; apanhar transportes (muitas vezes os encarregados de educação que acompanham toda esta rotina, fazendo um sem número de malabarismos com a sua vida profissional, naturalmente penalizada, para poderem estar presentes no quotidiano dos seus filhos) e iniciar a escola pelas oito e trinta. Estar atento(a) nas aulas... é necessário, imprescindível mesmo se se pretende manter um desempenho elevado na escola e ter uma colaboração mais favorável dos professores (que, por vezes, confundem cansaço com desmotivação...) – o tempo é pouco para estudar, há que treinar na maior parte do tempo livre.
São agora 16h, há que correr para ir para a fisioterapia, a preparação física, o nutricionista ou o psicólogo – uma hora que tem que ser gerida ao segundo pois há que lanchar enquanto se faz os trabalhos de casa ou estuda para os três testes da semana, antes do segundo treino do dia.
17h30, tempo de arrancar para o treino, transportes... trânsito, uma enorme ansiedade e frustração porque não se quer chegar atrasado, uma discussão aqui e ali com a mãe ou o pai – afinal, o “terreno” seguro onde se pode “explodir” quando o cansaço de um dia que já leva 10h começa a surgir.
18h30... esperam-nos uma piscina, uma trave olímpica, um court de ténis, o tartan de uma pista ou, simplesmente o alcatrão de uma estrada durante as próximas duas a três horas de treino. Espera-os também um(a) treinador(a) que, muitas vezes, exerce a sua actividade com a mesma paixão, mas também a mesma complexidade em articular esta carreira com a actividade profissional (muitas vezes, dar aulas durante todo o dia numa escola).
21h30 ou 22h, chega-se a casa, janta-se num ápice, aproveita-se ao segundo aquela meia-hora providencial que vai permitir terminar aquele trabalho de casa. São 23h ou 23h30 – tem que se dormir, pelo menos oito horas para repor a energia e regenerar celularmente, tem que se dormir... mas há dor física, fadiga, cansaço ou hiper activação que nem sempre permite adormecer logo ou com qualidade. Mas, tem que se dormir, porque amanhã, e depois de amanhã, e daqui a dois e três dias – afinal, quase todos os dias – esta rotina repete-se.
Uma rotina que muitos jovens, seus treinadores e suas famílias escolhem e abraçam quando o sonho é representar Portugal ao mais alto nível.

Esperanças Olímpicas Paris 2024
Nos passados dias 18 e 19 de Janeiro, o Comité Olímpico de Portugal organizou, em parceria com a FADEUP, aquele que viria a ser o segundo encontro nacional de Esperanças Olímpicas.
O evento em si, entre muitos propósitos que não caberá aqui explorar, acaba por ser um momento de comemoração e partilha de conhecimento, onde os valores máximos do desporto, expressos nos valores olímpicos (a saber: Excelência, Amizade e Respeito), acabam por ser motivo de agregação entre todos os participantes, como se de uma única “tribo” se tratasse – uma “tribo” que vê espelhado o seu DNA na paixão pela capacitação através da prática desportiva (física, mas também psico-emocional e humana) e pela possibilidade de representar Portugal.
Uma “tribo” que, este ano, se viu representada por quase 100 atletas e 60 treinadores, os quais, na sua grande maioria, poder-se-á rever no relato do quotidiano anteriormente apresentado.

A Lei do Retorno
Da Biologia, à Física, passando pela Psicologia ou até por algumas filosofias de nova vaga, esta é certamente uma expressão que todos já ouvimos em alguma fase da nossa existência.
A sua introdução, nesta reflexão não tem, contudo, o significado comunmente utilizado. 
Naturalmente que é do conhecimento comum que as competências adquiridas experencialmente (como é o caso do desporto ou das artes performativas, por exemplo) são passíveis de serem transferidas entre os diferentes contextos de realização, pelo que, um jovem que se aplique e se dedique inteiramente à sua pratica desportiva, se devidamente enquadrado pelos adultos (que se desejam responsáveis) à sua volta, angariará necessariamente excelentes competências de Vida, que potenciarão a sua capacidade em concretizar a vida que deseja, a longo prazo – e, aqui podemos, em boa verdade, observar algum “espelho” desta “lei do retorno”, uma vez que o seu investimento presente poderá trazer retorno a longo prazo.
Creio, contudo, que seria um passo interessante passar deste tipo de “wishful thinking”, que acaba por nos desresponsabilizar do processo, para um posicionamento conscientemente mais responsável, no sentido de serem garantidas condições diferentes a quem escolhe dedicar-se a representar Portugal, contribuindo decisivamente para a sua reputação internacional (que beneficiará, em muito, o próprio país em diferentes segmentos económicos, mas que não cabe aqui explorar).

Os “Bons” Serão Recompensados No Fim
Não é bem assim. A sociedade em geral reconhece “valor” a quem traz uma “medalha” para casa; as “selfies”, tiram-se com os medalhados e, as marcas, também gostam de “pódios” e muito pouco de, em anonimato, ajudar a gerar as condições necessárias para que os atletas (e seus treinadores) possam reunir as condições necessárias para verem o seu esforço traduzir-se na melhoria das suas marcas.
Se perguntarmos a quem quer que seja qual o TOP 10 de uma dada modalidade em Portugal, dificilmente serão identificados mais do que 5 porque, de facto, toda a indústria se mobiliza à volta dos resultados, retirando qualquer possibilidade de visibilidade a quem “não aparece na foto”.
A dedicação, entrega e capacidade de sacrifício que estes jovens evidenciam, enquadradas num contexto de top performance, debatendo-se muitas vezes com a ausência das melhores condições, a incompreensão de professores ou até fenómenos de bullying entre os pares (maioritariamente em contexto académico), deveriam, por si só, ser merecedoras da atenção dos media e da indústria que alavanca o desporto em si.
Até porque, os 100 jovens que connosco estiveram são apenas uma expressão do potencial que os nossos jovens têm, potencial esse multiplicado certamente se devidamente enquadrado numa cultura verdadeiramente ancorada na promoção de competência e não de resultados a curto prazo. 
Curiosamente, há 20 anos atrás tive a oportunidade de participar num projecto, dirigido ao desporto jovem, só possível porque uma empresa nórdica (com tradição na modalidade e já com um histórico de apoio à mesma no seu país de origem) se associou ao mesmo.
Nos 20 anos que se seguiram, não voltei a ver qualquer tipo de iniciativa desta dimensão, muito menos por empresas portuguesas.
Fica o repto: para quando uma cultura que aposte em parcerias de crescimento e não numa “cultura de medalhite e selfies”? Uma cultura que reforce o esforço e empenho e não o resultado, muitas vezes, esporádico e pontual?
Que mensagem queremos, de facto, passar às gerações que nos sucedem?"

Um mês de Benfica Play

"O Benfica Play está quase a completar um mês de vida e é com enorme satisfação que temos constatado o impacto muito positivo gerado pelos conteúdos disponibilizados na nova plataforma de comunicação do Sport Lisboa e Benfica.
Inserido na política de aproximação aos benfiquistas, mas também considerado uma ferramenta essencial noutros dois eixos estratégicos de desenvolvimento do Clube, a internacionalização e o digital, o Benfica Play apresenta, diariamente, conteúdos diferenciados em torno da actividade do Clube e, principalmente, dos seus protagonistas.
Entre muitos outros conteúdos exclusivos, tivemos oportunidade de conhecer os bastidores do primeiro treino do ano da nossa equipa principal de futebol, a decoração do balneário em Alvalade e o grito dos jogadores antes do jogo com o Sporting, a preparação dos equipamentos e os momentos no túnel de acesso ao relvado em Paços de Ferreira ou as rotinas dos nossos basquetebolistas antes dos jogos, aproveitando a participação na Taça Hugo dos Santos.
Ficámos também a conhecer um pouco mais João Félix, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva na série "Seixal não falha", nomeadamente o seu percurso no Benfica e o seu benfiquismo. Assim como André Almeida, um dos "Protagonistas" em destaque, além de, por exemplo, Pedro Henriques, o nosso magnífico guarda-redes de hóquei em patins, igualmente talentoso na guitarra portuguesa, ou Telma Monteiro, a melhor judoca portuguesa de sempre, na série "Só há um Benfica".
"Benfica no mundo", "Fun(ny)", "Momento do jogo", "Honrar a história", "MVP", "Matchday" e "Só nós sentimos assim", são, para já, as restantes séries.
À semelhança das visitas guiadas ao Benfica Campus, no Seixal, aproveitada já por cerca de 1500 sócios (e muitos mais aguardam a sua vez), a orientação-chave do Benfica Play passa por dar a conhecer o Clube mais aprofundadamente aos benfiquistas.
E assim ficaremos a conhecer, ao longo do próximo mês, como é Odysseas fora do campo – a família e o amor pelos gatos; a vida e obra de Bruno Lage – quem é o homem que está por detrás do treinador; as histórias contadas por Ederson, Nélson Semedo e João Cancelo em "Seixal não falha"; e o percurso de Chiquinho desde Santo Tirso até ao Estádio da Luz, além de muitos outros conteúdos exclusivos apresentados diariamente.
Recordamos que poderá aceder a todos os conteúdos no site benficaplay.pt por apenas 1,99€ por mês (10,99€ por semestre, 19,99€ por ano) para sócios, ou 2,99€ (mês), 16,50€ (semestre) ou 29,99€ (ano) se ainda não for sócio do Sport Lisboa e Benfica.

P.S.: A Bola faz hoje 75 anos. Uma efeméride que indiscutivelmente importa assinalar. A sua história e o seu percurso estão intimamente ligados a todos os clubes sem excepção. O seu reconhecido contributo para a promoção do desporto nacional, para o prestígio do jornalismo e para o reforço da identidade do País em toda a nossa diáspora muito deve orgulhar todos os seus profissionais que, ao longo destas já longas décadas, diariamente concretizam o sonho dos seus fundadores, Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo. Pela sua forte identidade, pela memória e pelo futuro, parabéns!"

A fé, foi-se!!!

Benfica Podcast #351 - Furniture Movers

Robin Koch: O central ideal?

"O central alemão Robin Koch tem sido apontado ao Sport Lisboa e Benfica. O jogador do SC Freiburg tem um valor de mercado de 18 milhões de euros e o negócio poderá concretizar-se à volta desse valor, podendo o jogador ainda chegar à Luz neste defeso ou só mesmo no verão.
Olhando para o plantel do Benfica, o setor central da defesa não parece um dos mais necessitados. No entanto, este interesse no central de 23 anos incide sobretudo em três pontos: a possível inaptidão (considerada, hipoteticamente, pelos responsáveis encarnados) de Jardel, precaver uma eventual saída de Rúben Dias no mercado de verão e trazer mais concorrência a Ferro.
Nos últimos jogos, Ferro tem somado exibições menos bem conseguidas. Contudo, no plantel do Benfica não existe alternativa válida ao central português. Jardel parece já não ter a capacidade física de outrora e Morato está ainda numa fase de crescimento e maturação táctica, necessitando ainda de mais tempo de jogo na equipa B e nos sub-23.
Robin Koch surgiria como uma grande alternativa a Ferro, sendo um jogador do mesmo nível ou até superior ao central português.
O camisola 25 da equipa alemã tem uma elevadíssima capacidade de posicionamento e de controlo da profundidade. Apesar da sua grande envergadura (1,90m de altura), Koch dispõe de alguma velocidade e aceleração, o que lhe permite acompanhar as desmarcações de avançados rápidos e fazer as dobras aos seus laterais com qualidade. Robin Koch realiza 1,5 interceções e cerca de um desarme por jogo.
A forma errada e algo imatura como aborda alguns lances (à semelhança de Ferro) faz com que cometa ainda alguns erros graves, como foi possível observar no jogo frente à Argentina, a sua primeira internacionalização. No entanto, a tomada de decisão e a abordagem aos lances é algo que só se adquire com tempo de jogo, e a evolução do jogador tem sido assinalável.
Ofensivamente, o central internacional pela Alemanha não é tão forte, mas demonstra ter alguma qualidade na construção. A busca do espaço interior está sempre presente na sua mente, sendo Koch perfeitamente capaz de realizar passes verticais e entre linhas com excelente qualidade. O passe longo é uma das áreas fortes do jogador, muito fruto da sua boa visão de jogo.
Em termos estatísticos, Koch completa 85% dos passes totais, 75% para o meio campo adversário e 65% dos passes longos. Os números não são brilhantes, mas são números muito interessantes, sobretudo tendo em conta a qualidade do jogador no momento defensivo e na transição defensiva. A sua altura é uma grande mais valia para a equipa nas bolas paradas ofensivas e defensivas e nos cruzamentos para a sua área.
No SC Freiburg, ao serviço de Christian Streich, Robin Koch alinha normalmente como central do meio num esquema de três centrais. Mesmo nos jogos que tem ao serviço da seleção alemã, alinhou na mesma posição. Seria interessante perceber como é que o jogador se iria adaptar a jogar novamente apenas em dupla, uma posição que não ocupa desde 2016 (ao serviço do FC Kaiserslautern). No entanto, tendo em conta a capacidade posicional e a percepção defensiva do jogador, não creio que fosse um problema para o jovem alemão.
O SC Freiburg está a realizar uma época bastante interessante, o que pode aumentar a atenção e o interesse sobre o jogador. Robin Koch é internacional sub-21 alemão e já representou a equipa A da mannschaft por duas ocasiões. Estas internacionalizações aumentaram bastante o valor do jogador, o que pode dificultar o negócio para os encarnados. O desejo do alemão parece ser mudar-se para Lisboa, mas resta saber se o interesse do SL Benfica é sério e se os encarnados estão dispostos a desembolsar perto de 15 milhões por um defesa central, números que há uns anos seriam quase proibitivos.
Seria uma boa contratação e uma grande declaração de intenções por parte dos encarnados, sobretudo no que diz respeito às ambições europeias do clube."

Benfiquismo (MCDXXVI)

Só de penalty!!!

Lixívia 18


Tabela Anti-Lixívia
Benfica..... 51 (0) = 51
Corruptos. 44 (+13) = 31
Sporting.. 32 (+8) = 24

Eles não desistem, mais uma jornada, mais três roubos... nada de novo!!!

Em Paços, o Chalina bem tentou:
- o golo anulado ao Pizzi, foi mais um exercício de como escolher o frame, que coloca o jogador do Benfica em fora-de-jogo por 4 centímetros!!! Por isso, tivemos quase 4 minutos à espera da decisão!!! E as imagens só apareceram na PorkosTV quase 10 minutos depois do lance!!!
- o penalty sobre o Rúben é absurdo: o puxão inicial até é perdoável... agora, o pontapé que o Rúben leva na perna, pelo 'segundo' defesa do Paços é mais que óbvio!!!
- o lance com o Weigl é um mergulho nojento... mesmo assim, o Weigl arriscou...
- em Inglaterra 'terra' do critério largo, as entradas duras passam impunes muita vezes, mas as faltas cínicas normalmente dão quase sempre Amarelo, o Paços fartou-se de 'cortar' contra-ataques do Benfica impunemente...

Ontem, em Alvalade, tecnicamente o Rui Costa e o André Narciso no VAR até tiveram inesperadamente bem!!! Os dois golos anulados ao Sporting, foram bem decididos... Mas, disciplinarmente, foi mais um fartote de impunidade Lagarta, com destaque para o Doumbia que antes do intervalo devia ter ido para a Rua..!!!
A jogar com 10, o Sporting nunca teria ganho este jogo... mesmo contra um Marítimo bem fraquinho!

Hoje, no suposto jogo do Dragay (num jogo a sério não existem vencedores antecipados!), com o aspirante Rui Oliveira e com o Vasco '100%' Santos no VAR, tivemos o resultado esperado:
- aos 15 minutos o Sérgio Oliveira tinha que ir para a RUA... Situação igual à do Gabriel o ano passado no Dragay... e mais tarde é ele que marca o 2.º golo dos Corruptos! E o jogador do Gil que levou o Amarelo neste lance, acabou expulso mais tarde!!!
- o Alex Telles fez pelo menos 4 faltas para Amarelo...dava pelo menos dois Vermelhos por acumulação!!!
ADENDA: Esqueci-me de realçar a rapidez com que o VAR decidiu o 1.º golo dos Corruptos: enquanto qualquer golo do Benfica, tem quase sempre 4 minutos para ser validado, quando existe dúvidas nos golos Corruptos, 1 minuto é suficiente...!!! A diferença é que no golos do Benfica andam à procura de uma 'linha' que invalide o golo, nos Corruptos, o primeiro frame que valide o golo, está imediatamente 'correcto'!!!

Anexos (I):
Benfica
1.ª-Paços de Ferreira(c), V(5-0), M. Oliveira (L. Ferreira), Prejudicados, (6-0), Sem influência
2.ª-B SAD(f), V(0-2), Veríssimo (Xistra), Prejudicados, (0-4), Sem influência
3.ª-Corruptos(c), D(0-2), Sousa (Almeida), Prejudicados, Impossível contabilizar
4.ª-Braga(f), V(0-4), Almeida (Rui Costa), Prejudicados, Beneficiados, (1-4), Sem influência
5.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Pinheiro (L. Ferreira), Nada a assinalar
6.ª-Moreirense(f), V(1-2), Soares Dias (Mota), Nada a assinalar
7.ª-Setúbal(c), V(1-0), Martins (Esteves), (2-0), Prejudicados, Sem influência
8.ª-Tondela(f), V(0-1), Hugo (Nobre), Nada a assinalar
9.ª-Portimonense(c), V(4-0), Mota (V. Ferreira), Nada a assinalar
10ª-Rio Ave(c), V(2-0), Xistra (Esteves), Prejudicados, Sem influência
11.ª-Santa Clara(f), V(1-2), Soares Dias (R. Oliveira), Prejudicados, (1-3), Sem influência
12.ª-Marítimo(c), V(4-0), Veríssimo (L. Ferreira), Nada a assinalar
13.ª-Boavista(f), V(1-4), Sousa (Malheiro), Prejudicados, (1-5), Sem influência
14.ª-Famalicão(c), V(4-0), Rui Costa (Narciso), Nada a assinalar
15.ª-Guimarães(f), V(0-1), Almeida (Rui Costa), Nada a assinalar
16.ª-Aves(c), V(2-1), Xistra (Nobre), Prejudicados, (3-1), Sem influência
17.ª-Sporting(f), V(0-2), Hugo (Sousa), Prejudicados, Sem influência
18.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), M. Oliveira (Esteves), (0-3), Prejudicados, Sem influência

Sporting
1.ª-Marítimo(f), E(1-1), Martins (Hugo), Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
2.ª-Braga(c), V(2-1), Godinho (Nobre), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Portimonense(f), V(1-3), Xistra (V. Santos), Beneficiados, (2-3), Impossível contabilizar
4.ª-Rio Ave(c), D(2-3), Pinheiro (Narciso), Beneficiados, Prejudicados, (3-5), Sem influência
5.ª-Boavista(f), E(1-1), Sousa (V. Ferreira), Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
6.ª-Famalicão(c), D(1-2), Hugo (Nobre), Nada assinalar
7.ª-Aves(f), V(0-1), Xistra (Nobre), Nada a assinalar
8.ª-Guimarães(c), V(3-1), Soares Dias (Narciso), Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-2), Rui Costa (Xistra), Beneficiados, Impossível contabilizar
10.ª-Tondela(f), D(1-0), Veríssimo (Mota), Nada a assinalar
11.ª-Belenenses(c), V(2-0), M. Oliveira (L. Ferreira), Nada a assinalar
12.ª-Gil Vicente(f), D(3-1), Hugo (Esteves), Beneficiados, Sem influência
13.ª-Moreirense(c), V(1-0), Soares Dias (V. Santos), Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
14.ª-Santa Clara(f), V(0-4), Mota (Nobre), Beneficiados, (1-4), Sem influência
15.ª-Corruptos(c), D(1-2), Sousa (Xistra), Prejudicados, (1-1), (-1 ponto)
16.ª-Setúbal(f), V(1-3), Martins (M. Oliveira), Prejudicados, (1-4), Sem influência
17.ª-Benfica(c), D(0-2), Hugo (Sousa), Beneficiados, Sem influência
18.ª-Marítimo(c), V(1-0), Rui Costa (Narciso), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)

Corruptos
1.ª-Gil Vicente(f), D(2-1), Almeida (Xistra), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(4-0), Mota (V. Santos), Nada a assinalar
3.ª-Benfica(f), V(0-2), Sousa (Almeida), Beneficiados, Impossível contabilizar
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Xistra (Nobre), Beneficiados, Prejudicados, (4-2), Impossível contabilizar
5.ª-Portimonense(f), V(2-3), Rui Costa (V. Santos), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
6.ª-Santa Clara(c), V(2-0), Godinho (Rui Oliveira), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
7.ª-Rio Ave(f), V(0-1), Almeida (Sousa), Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Famalicão(c), V(3-0), Veríssimo (L. Ferreira), Nada a assinalar
9.ª-Marítimo(f), E(1-1), Sousa (Almeida), Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
10.ª-Aves(c), V(1-0), Malheiro (Rui Costa), Nada a assinalar
11.ª-Boavista(f), V(0-1), Almeida (V. Santos), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
12.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Martins (Nobre), Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(f), E(1-1), Pinheiro (L. Ferreira), Nada a assinalar
14.ª-Tondela(c), V(3-0), M. Oliveira (V. Santos), Beneficiados, (3-1), Sem influência
15.ª-Sporting(f), V(1-2), Sousa (Xistra), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
16.ª-Moreirense(f), V(2-4), Soares Dias (V. Santos), Beneficiados, (3-2), (+3 pontos)
17.ª-Braga(c), D(1-2), Xistra (Martins), Beneficiados, Sem influência
18.ª-Gil Vicente(c), V(2-1), R. Oliveira (V. Santos), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)

Anexos (II):
Árbitros:
Benfica
Soares Dias - 2
Veríssimo - 2
Sousa - 2
Almeida - 2
Xistra - 2
Hugo - 2
M. Oliveira - 2
Pinheiro - 1
Martins - 1
Mota - 1
Rui Costa - 1

Sporting
Hugo - 3
Xistra - 2
Soares Dias - 2
Sousa - 2
Martins - 2
Rui Costa - 2
Godinho - 1
Pinheiro - 1
Veríssimo - 1
M. Oliveira -1
Mota - 1

Corruptos
Almeida - 3
Sousa - 3
Xistra - 2
Mota - 1
Rui Costa - 1
Godinho - 1
Verissimo - 1
Malheiro - 1
Martins - 1
Pinheiro - 1
M. Oliveira - 1
Soares Dias - 1
R. Oliveira - 1

VAR's:
Benfica
L. Ferreira - 3
Esteves - 3
Rui Costa - 2
Nobre - 2
Xistra - 1
Almeida - 1
Mota - 1
V. Ferreira - 1
R. Oliveira - 1
Malheiro - 1
Narciso - 1
Sousa - 1

Sporting
Nobre - 4
Narciso - 3
V. Santos - 2
Xistra - 2
Hugo - 1
V. Ferreira - 1
Mota - 1
L. Ferreira - 1
Esteves - 1
M. Oliveira - 1
Sousa - 1

Corruptos
V. Santos - 6
Almeida - 2
Nobre - 2
L. Ferreira - 2
Xistra - 2
V. Santos - 1
Rui Oliveira - 1
Sousa - 1
Rui Costa - 1
Martins - 1

Jogos Fora de Casa (árbitros + VAR's)
Benfica
Soares Dias - 2 + 0 = 2
Almeida - 2 + 0 = 2
Hugo - 2 + 0 = 2
Rui Costa - 0 + 2 = 2
Veríssimo - 1 + 0 = 1
M. Oliveira - 1 + 0 = 1
Xistra - 0 + 1 = 1
Mota - 0 + 1 = 1
Nobre - 0 + 1 = 1
R. Oliveira - 0 + 1 = 1
Sousa - 0 + 1 = 1
Esteves - 0 + 1 = 1

Sporting
Xistra - 2 + 1 = 3
Martins - 2 + 0 = 2
Hugo - 1 + 1 = 2
Mota - 1 + 1 = 2
Nobre - 0 + 2 = 2
Sousa - 1 + 0 = 1
Soares Dias - 1 + 0 = 1
Veríssimo - 1 + 0 = 1
V. Santos - 0 + 1 = 1
V. Ferreira - 0 + 1 = 1
Esteves - 0 + 1 = 1
M. Oliveira - 0 + 1 = 1

Corruptos
Almeida - 3 + 2 = 5
Sousa - 3 + 1 = 4
V. Santos - 0 + 3 = 3
Xistra - 0 + 2 = 2
Rui Costa - 1 + 0 = 1
Pinheiro - 1 + 0 = 1
Soares Dias - 1 + 0 = 1
L. Ferreira - 0 + 1 = 1

Totais (árbitros + VAR's):
Benfica
Almeida - 2 + 1 = 3
Xistra - 2 + 1 = 3
Sousa - 2 + 1 = 3
Rui Costa - 1 + 2 = 3
L. Ferreira - 0 + 3 = 3
Esteves - 0 + 3 = 3
Soares Dias - 2 + 0 = 2
Veríssimo - 2 + 0 = 2
Hugo - 2 + 0 = 2
M. Oliveira - 2 + 0 = 2
Mota - 1 + 1 = 2
Nobre - 0 + 2 = 2
Pinheiro - 1 + 0 = 1
Martins - 1 + 0 = 1
V. Ferreira - 0 + 1 = 1
R. Oliveira - 0 + 1 = 1
Malheiro - 0 + 1 = 1
Narciso - 0 + 1 = 1

Sporting
Hugo - 3 + 1 = 4
Xistra - 2 + 2 = 4
Nobre - 0 + 4 = 4
Sousa - 2 + 1 = 3
Narciso - 0 + 3 = 3
Soares Dias - 2 + 0 = 2
Martins - 2 + 0 = 2
Rui Costa - 2 + 0 = 2
Mota - 1 + 1 = 2
M. Oliveira - 1 + 1 = 2
Godinho - 1 + 0 = 1
Pinheiro - 1 + 0 = 1
Veríssimo - 1 + 0 = 1
V. Santos - 0 + 1 = 1
V. Ferreira - 0 + 1 = 1
L. Ferreira - 0 + 1 = 1
Esteves - 0 + 1 = 1

Corruptos
V. Santos - 0 + 6 = 6
Almeida - 3 + 2 = 5
Sousa - 3 + 1 = 4
Xistra - 2 + 1 = 3
Rui Costa - 1 + 2 = 3
Martins - 1 + 1 = 2
Rui Oliveira - 1 + 1 = 2
Nobre - 0 + 2 = 2
L. Ferreira - 0 + 2 = 2
Mota - 1 + 0 = 1
Godinho - 1 + 0 = 1
Veríssimo - 1 + 0 = 1
Malheiro - 1 + 0 = 1
Pinheiro - 1 + 0 = 1
M. Oliveira - 1 + 0 = 1
Soares Dias - 1 + 0 = 1

Jornadas Anteriores:
Jornada 1
Jornada 2
Jornada 3
Jornada 4
Jornada 5
Jornada 6
Jornada 7
Jornada 8
Jornada 9
Jornada 10
Jornada 11
Jornada 12
Jornada 13
Jornada 14
Jornada 15
Jornada 16
Jornada 17

Épocas anteriores:
2018-2019

Tribuna de Honra - 'meia' 18.ª jornada...

Responsabilidades...

""Chegou a altura do Governo assumir as suas responsabilidades" disse Pedro Proença à saída da reunião no Ministério da Administração Pública, onde discutiu os recentes episódios de violência no futebol, deixando-me na delicada posição de concordar com ele. Chegou a hora da Tutela banir dos estádios os indivíduos violentos que sucessivos governos foram trazendo para o futebol. A indústria do pontapé na bola não pode coexistir com aqueles bárbaros que diversos primeiros ministros utilizaram como tropa de choque e garantia da sua continuidade no poder. É necessário erradicar do desporto rei nacional os criminosos que o Estado alberga em espaços cedidos nos estádios. O futebol e os seus dirigentes estão fartos dos matarruanos que sucessivos Ministros e Secretários de Estado utilizaram para perturbar assembleias gerais ou invadir centros de treino. As administrações dos clubes que, mal grado o dinheiro que jorra todos os dias nas contas bancárias das SAD's, andam nisto por carolice, não podem ver o seu honroso trabalho ser colocado em causa por gente selvagem a quem os diferentes ministérios cedem bilhetes para a bola, à borla ou em condições extremamente vantajosas.
Ontem o Presidente da Liga Portuguesa de Futebol colocou o dedo na ferida, em defesa do comum adepto, que em grande parte dos jogos fora entra 30 minutos após o pontapé inicial, devido ao meritório trabalho de alguns comandos regionais de polícia e stewards acólitos, que não respeitando as desportivistas instruções do clube visitado, prejudicam o natural fluir de espectadores para a bancada visitante. Não posso deixar de exaltar a forma como o antigo árbitro internacional, mostrou a quem governa este país, que os dirigentes de clubes portugueses têm demasiados problemas económico-socias sobre os quais se debruçar, para andarem a perder tempo com actos bandalhos que cavalgam as palavras de ódio clubístico do Dr. António Costa.. Se o Governo não assume as suas responsabilidades, temo que os dirigentes desportivos tenham que se demitir todos."

Oportunismo...!!!

"90 dias, 13 semanas, quase 3 meses depois, Vítor Oliveira é castigado e falha hoje a deslocação do Gil Vicente ao Dragão. É só mais uma curiosidade deste Campeonato e deste Conselho de Disciplina.
Vítor Oliveira foi expulso a 30 de Outubro de 2019, após o Famalicão – Gil Vicente. Entretanto, o Gil Vicente realizou mais 11 jogos (!) e o castigo “calhou” precisamente na deslocação ao Dragão. “Ele há coisas.”"

100%

"1/3, ou 6/18, como quiserem. Vasco Santos é VAR nos jogos do #portoaocolo a cada 3 jogos.
O árbitro da AF Porto vai hoje, mais uma vez, representar o clube do coração como VAR e fazer quase 700km para desempenhar o seu papel.
Porquê? É fácil. Quem não se lembra do penalty marcado a favor do #portoaocolo no Portimonense SC - FC Porto? Ou da ajuda dada a Artur Soares Dias no “Poker de Cónegos”? E daquela “Estorilada” em 2017/2018?
Tudo isto é Vasco Santos. Tudo isto é #portoaocolo."

[FR] Chalana 1985, le droitier du Dniepr

O jogo, a bola e o record de Kobe Bryant

"Capas de jornais anti-desportivos.

A minha relação com o basquetebol é semelhante à que tenho com os marshmallows. Sei que é popular nos Estados Unidos, mas não vejo razão para ficar acordado até tarde a consumir tal coisa. Não acompanho a NBA e a única versão do desporto que pratiquei foi a de arremessar papelinhos para o caixote do lixo da sala de aula. Modalidade na qual, aliás, apresentava um desempenho abaixo da média da turma. É até possível que não saiba bem as regras.
De certo que milhares e milhares de portugueses terão sido mais afectados do que eu pela notícia da morte de Kobe Bryant. Conhecia o seu nome, sabia que estava associado aos Lakers, que acaba por ser a equipa que as pessoas que nunca veem NBA conhecem, e que realmente era muito bom - porque as pessoas me diziam que era muito bom - e não porque alguma vez eu tenha dito “eish, que grande jogada de basquetebol do senhor Kobe”. Para terem noção do quanto eu estava fora, assim que soube do acidente fatal, fui pesquisar à Wikipédia para saber se Kobe ainda estava no activo ou não. Não estava. Deveria saber isso.
Em suma, não quero fingir, para granjear simpatia, que uma mediática morte de uma das figuras mais importantes de um desporto que de modo algum acompanho me deixou em lágrimas. Uma morte daquelas causa no mínimo consternação a quem está emocionalmente desligado do desporto em causa, mas é natural que os que cresceram com Kobe estejam devastados e que tenham a necessidade de prestar homenagem. Essas homenagens vão gerar curiosidade - e possivelmente levar a que ignorantes do basquete como eu saibam um pouco mais do legado do Kobe.
Penso que é isto que os jornais desportivos portugueses não perceberam, quando concluíram que a manchete de segunda-feira não podia ser o desaparecimento de uma indelével lenda do desporto, quando tinha ocorrido uma inaudita vitória do primeiro classificado do campeonato português na casa do décimo sexto classificado do campeonato português. Os jornais desportivos de Espanha - no estilo dos quais, aliás, os portugueses se inspiram - descartaram o facto desse país se ter tornado campeã europeia de andebol, para fazer capas icónicas sobre a morte de Kobe.
É verdade que o basquetebol não é um desporto popular em Portugal, mas aos jornais desportivos deveria caber incutir alguma cultura desportiva - e não só lucrar da falta dela. Uma capa com Kobe Bryant não ia destruir as vendas dos três jornais desportivos. Afinal, o dia de amanhã traz-nos sempre um “tribunal unânime”, um “Sérgio reúne com SAD”, um “Bruno preso por detalhes”, um “conheça a sereia que enfeitiçou jogador x”. O que afecta a relevância destes jornais desportivos é não quererem saber de desporto."

O desporto, o 'soft power' e a mediatização

"O conceito de “soft power” foi inventado nos EUA e foi colocado em prática antes da conceptualização teórica de Joseph Nye, no início dos anos 1990. Neste sentido, não é estranho que este país se tenha dotado de uma diplomacia desportiva. Um bom exemplo da diplomacia desportiva é o Qatar. Investiu na organização de competições internacionais no seu território, no desenvolvimento do desporto internamente (academias, centros desportivos, campeonatos profissionais, infraestruturas), na sponsorização de múltiplas competições ou entidades desportivas, na compra de direitos televisivos de competições estrangeiras, etc. A diplomacia desportiva é concebida, conceptualizada, animada e dirigida pelo poder central e a família reinante. Os investimentos desportivos respondem a interesses racionais a longo prazo: necessidade de diversificação económica, modernização do país, mas igualmente político, ou seja, procura de reconhecimento internacional, a fim de consolidar o lugar do país no tabuleiro de xadrez mundial.
Os meios de comunicação social e a globalização fizeram do desporto um elemento poderoso. A televisão criou um estádio, cujas capacidades de acolhimento são ilimitadas. Num mundo onde a informação é cada vez mais expandida, a proeza desportiva tornou-se a forma mais eficaz para suscitar popularidade e atractividade. As vitórias desportivas são uma forma de continuar a guerra por outros meios. Nem todas as práticas desportivas servem para o espectáculo. O futebol moderno, criado em Inglaterra no século XIX, tornou-se um desporto universal que conquistou o mundo. O desporto não pode viver e se desenvolver sem dinheiro e sem mediatização. Na realidade, a televisão (mas não só) impõe novas hierarquias, tanto ao nível da disciplina praticada, como dos atletas."

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Um Mercúrio negro voando na Luz



"Eusébio faria anos neste dia 25 de Janeiro. Recordá-lo é a obrigação de todos os que o conheceram o puderam vê-lo jogar no seu estilo que não tem imitação. Como daquela vez em que marcou quatro golos ao seu bom amigo Vítor Damas

Dia 25 de Janeiro. Dia de Eusébio. Ele que nasceu no dia 15 de Janeiro de 1942. Há tantas formas de recordar Eusébio, e nenhuma delas faz justiça a Eusébio. Talvez ou seja suspeito de o dizer e de o escrever: tive a felicidade de o ter como amigo. E a ausência dos amigos dói-nos para sempre.
De repente, da memória, sai um encontro entre dois velhos companheiros de muitas conversas: Eusébio e Damas. Com ambos reparti momentos de tanta cumplicidade. Dois adversários; dois homens por inteiro.
Estádio da Luz: o Benfica venceu o Sporting por 4-1.
Era Outubro de 1972. Eusébio e o esplendor dos golos.
Mais de 70 mil pessoas nas bancadas. A festa vermelha em flor.
Uns atacavam; outros defendiam.
Simões e Toni e Jaime Graça em movimentos bruscos, incontroláveis. Manaca e Laranjeira e Carlos Pereira aflitos, desesperados.
Laranjeira perseguia Eusébio, e Eusébio voava como um Mercúrio negro, de asas nos pés.
O Sporting tinha um treinador inglês, Ronnie Allen. Sempre foram bem-vistos, os treinadores ingleses em Alvalade. O Benfica tinha outro inglês, Jimmy Hagan. Poucos foram como Hagan, Jimmy Hagan.
Damas, o solitário Damas. Entregue aos demónios que vestiam de encarnado. Demónios à solta; demónios terríveis; demónios esfomeados.
E Eusébio? Como falar sobre Eusébio? Bastos que o diga. Apanhou-o por segundos, fugindo isolado para o que seria o primeiro golo. O aviso estava dado. De pouco serviu.

Sublime!
Trinta anos já haviam passado desde que Dona Elisa trouxera Eusébio ao mundo, no bairro da Mafalala, em Lourenço Marques.
E Eusébio corria como um garoto debaixo das palmeiras.
A defesa dos leões rachada em pedaços. Por cada frincha que se abria, Eusébio entrava como uma rajada de vento. Toca de cabeça uma bola metida na sua frente, domina-a junto à relva, desliza para lá de Damas, fica com a baliza na sua frente, faz o golo e saiu para festejar no seu jeito felino de pantera.
Pouco depois, noutro gesto magnífico, chuta com força para o ângulo inferior que Damas não atinge. Firme, ergue os braços. Fica durante segundos socando o ar com ambos os punhos. A tarde é dele. Tão completamente dele.
Enquanto decorre o intervalo, as pessoas desesperam. Querem continuar a ver a vertigem avassaladora de Eusébio. Sentem-no num momento extraordinário, percebem que ainda há muito para acontecer sobre a relva da Luz.
Parece que a história se repete. Dois golos seguem-se aos dois golos. Dois golos de Eusébio. Quatro golos de Eusébio.
Yazalde perdia-se entre Humberto Coelho, Malta da Silva e Messias. Mas consegue o golo. Um golo que cala gritos, mas não cala a confiança.
Os minutos decorrem. Há quem comece a pensar que Eusébio se cansou. Que tolice! Salta de súbito, finta Carlos Pereira, foge a Manaca, deixa Laranjeira aos papéis. Aí vai Eusébio! Quem pára Eusébio!? Ninguém! Ninguém! Bem podem tentar agarrá-lo pela camisola, bem podem procurar morder-lhe as canelas como cães dominados pela raiva, pela fúria. O homem é etéreo. Mistura-se com a brisa da tarde e vai e vai e vai, a bola acompanhando a sua fuga sublime, dispondo-se ao seu remate violento e colocado. Golo! Golo! Golo! Terceiro golo de Eusébio!
Mas falta-lhe ainda o golpe derradeiro. Num penálti primoroso, mete a bola lá no alto da baliza do seu amigo Vítor Damas, todo vestido de negro, uma espécie de luto triste.
Levantam-se os homens que rodeiam o recinto. As palmas multiplicam-se em mais e mais palmas. Eusébio no centro da Luz.
Às vezes, perguntou-me: como continuar a recordar Eusébio? De que forma fazer-lhe justiça nestes dias em que voltaria a fazer anos? A resposta é dada pela memória. E Eusébio recorda-se a si próprio. Em toda a sua grandeza."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma segunda parte de sonho

"Quando parecia que o Benfica iria prolongar a má fase, em 45 minutos os 'encarnados' alcançaram uma vitória esplêndida

A volatilidade no futebol aplica-se a uma velocidade extrema e tem a duração de um fósforo. A intensidade com que os adeptos vivem as vitórias é a mesma com que criticam jogadores, treinadores e presidentes, nas derrotas. A paixão com que se vive este desporto é exacerbada. Em 90 minutos, transita-se do choro à alegria e o seu inverso também. Este será, talvez, o seu maior encanto.
O Benfica, no final da 4.ª jornada do Campeonato Nacional 1944/45, liderava a competição com quatro vitórias, 13 golos marcados e apenas 2 sofridos. A forma equilibrada como a equipa se apresentava merecia elogios por parte dos média: 'o Benfica merece o primeiro lugar. O bloco defensivo dos «encarnados» fez uma partida brilhante, quer propositadamente «a defender» quer na maneira como soube encaminhar a equipa no ataque, imprimindo-lhe o tom prático'.
Tudo foi posto em causa após dois jogos, em que os benfiquistas empataram um e perderam outro. O comentário à derrota era o resumo das duas últimas semanas: 'o Benfica sucumbiu. (...) Onde está o team português que sabia rematar às redes?' Na 7.ª jornada, o Clube deslocou-se a Setúbal para defrontar o Vitória e a prestação da primeira parte parecia dar razão à crítica. Os 'encarnados' era uma miragem dos quatro primeiras jornadas. Foram para o intervalo a perder, a defesa, antes sólida, consentiu três golos e o ataque, antigamente letal, enviou 'três bolas à trave' e apontou apenas um golo. O desacerto persistia.
No segundo tempo, foi diferente! O Benfica entrou em campo confiante de que conseguiria alterar o rumo da partida. As trocas de Moreira com Jordão, assumindo a posição de médio-centro, e a de Rogério com Brito, para interior-esquerdo, surtiram efeito, 'foram senhores absolutos do terreno, lançaram-se no ataque, destroçando a defesa setubalense com rapidez de acção'. Em dez minutos os benfiquistas empataram o jogo, com dois golos de Espírito Santo. A vantagem por 4-3 seria alcançada através de mais um golo do 'Pérola Negra'. Júlio que tinha marcado o primeiro golo dos benfiquistas, Arsénio, Rogério e Brito, com um tento cada, fixariam o resultado em 8-3, para gáudio dos adeptos. Os 'encarnados' passaram no inferno ao céu, com a sua perseverança a ser enaltecida: 'há poucos clubes em Portugal, talvez nenhum, com um espírito tão combativo e capaz de dar a volta, mesmo quando tudo parece indicar que ela não se dará', conseguiram 'transformar a derrota que se esboçava na vitória confortável que se veio a obter'. Impulsionados por esta reviravolta, o Clube conquistou o Campeonato Nacional, com três pontos de vantagem sobre o 2.º classificado. Saiba mais sobre este título na área 6 - Campeões Sempre do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Tóquio 2020

"No âmbito do Benfica Olímpico, como em todo o Clube, trabalho e ambição andam de mão dada. Tóquio 2020 começou logo após a cerimónia de encerramento no Rio de Janeiro. Ficaram aspectos positivos a relevar nos Jogos de 2016, mas, para a história, a única medalha lusa veio na bagagem de Telma Monteiro, exemplo particular de crença e mística benfiquista.
Há muito que o Sport Lisboa e Benfica investe forte no olimpismo e na potenciação de atletas na alta competição. É também por isso que caminha lado a lado, há longos anos, com a melhor judoca portuguesa de sempre, que já mostrou, por diversas vezes, capacidade de reinvenção e resiliência. Clube e atleta continuarão a partilhar emoções nestes Jogos Olímpicos.
Os portugueses chegaram ao Japão no século XVI, ultrapassando ventos e marés. A abordagem desportiva terá de ser, agora, igualmente focada na superação. De mês para mês, subirá de tom o tema olímpico em Portugal, possivelmente a exigirem-se medalhas à representação nacional. Só porque sim.
No Benfica estamos convictos que os nossos lá estarão a dar o máximo, cada qual à medida do potencial que possui. Valorizaremos aqueles que chegarem à glória e não esqueceremos quem dê tudo e, ainda assim, alcance "apenas" um quarto lugar ou uma meia-final. Quem se apurar merecerá ser equiparado a campeão, porque o processo de apuramento e obtenção de mínimos nunca foi tão exigente – no atletismo isto tem sido bem evidente.
São mais de três dezenas os atletas enquadrados neste ciclo do Benfica Olímpico: 18 no atletismo, cinco na canoagem, cinco no judo, quatro no triatlo, três na natação e um no taekwondo. Mas só seis têm já o bilhete garantido para Tóquio: Pedro Pichardo (triplo salto), Diana Durães (nadadora, 1500 m L), Fernando Pimenta (canoísta, K1 1000 m), Teresa Portela (K1 200 m), João Ribeiro e Messias Baptista (K4 1000 m).
Será muito difícil para alguns, mas ainda há tempo para sonhar. Nos próximos meses, os restantes investirão todos os esforços para alcançarem o apuramento. No judo, por exemplo, "bastará" evitar lesões, manter o nível competitivo e cimentar posições no ranking mundial.
Faltam pouco mais de seis meses para a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2020. Entre 24 de Julho e 9 de Agosto, Tóquio será a autêntica capital do desporto mundial, mas a chama acende-se já no dia 12 de Março, na mítica Olímpia, na Grécia. Uma semana depois, a tocha aterra em solo japonês, com passagem simbólica em várias cidades associadas a catástrofes naturais, com Fukushima a marcar a história recente, e aos bombardeamentos de Hiroshima e Nagazaki, na II Guerra Mundial.
A organização planeia uns Jogos que destacam a resiliência e a capacidade de reconstrução do povo nipónico, e no Sport Lisboa e Benfica habituámo-nos, há muito, a lutar por objectivos desportivos ambiciosos. A apontar alto, a trabalhar duro, a conquistar com suor, glória e gratidão. Algumas das modalidades representam isso mesmo – resiliência, nunca desistir. Os nossos atletas hão de estar em Tóquio com total foco e empenho, muita raça, muito querer e muita ambição. Perspectiva-se uma das edições mais difíceis de sempre, no entanto, a beleza e o espectáculo do olimpismo manter-se-ão como marcas intactas."

Gabriel anda a jogar com chuteiras antigas. Porquê? Apetece-lhe

"Gigantes como a Nike, Adidas e Puma estão a tentar negociar com o médio do Benfica, que está sem contrato de patrocínio porque gosta de jogar com as chuteiras que lhe apetece e ter a liberdade de escolher modelos "que sonhou ter" em miúdo, confessa à Tribuna Expresso. Gabriel tem jogado com botas que saíram no mercado há quase 10 anos, algo nada comum no futebol, onde os jogadores assinam acordos e jogam com os modelos, as cores e as últimas novidades que as marcas lhes enviam

Gabriel deambula pelo centro do campo em Alvalade, ei-lo como habitualmente, um volumoso conglomerado de músculos com arcaboiço para aguentar encostos, cargas e tentativas de desarme, um médio canhoto que cola a bola ao pé e, mesmo que às vezes deva à rapidez de execução, pisa, desvia, passa pela relva e corta-a para a levantar no ar e ser o pêndulo que voos controlados lhe dá.
No Sporting-Benfica, o brasileiro tem os pés amarelos, como antes já os tivera contra o Aves, o que pasmará ninguém porque não é de agora a apetência das marcas para o lado mais extravagante do mosaico de cores. Mas, no dérbi, Gabriel tinha calçado um par de Nike Total 90 II, modelo de chuteiras saído para o mercado em 2010 e uma anormalidade em 2020.
É incomum que hoje um titular de um clube grande, apoiado por milhões de adeptos, com todos os jogos televisionados, logo, visto por milhões, e que se mostrou na Liga dos Campeões, não tenha calçado o que uma marca quer - quase sempre o modelo mais moderno, na cor mais recente.
Gabriel, porém, não se importa. Está sem contrato e feliz da vida porque, em miúdo, ele e o irmão não tinham condições de ter as chuteiras e as bolas que queriam, mas, não impedidos de terem preferências, fixaram modelos. Um dia, queira a sorte e a vida, iriam tê-los. “Hoje que não tenho contrato com nenhuma marca, estou realizando o sonho que naquela época não era possível, então estou sempre a procura desses modelos antigos”, contou o jogador à Tribuna Expresso.
Estando sem contrato, dá-se ao luxo do desprendimento. Vai escolhendo as que tem na cabeça desde moleque, experimenta, descobre se gosta e testa-lhes o conforto. Antes de arranjar forma de ter o tal modelo da Nike, calçou umas Adidas Adipure, de 2009. “Ele usa a que vai bem, a que gosta mais e, às vezes, até brincamos com ele, dizendo que não é sensato. As que gosta mais hoje são as Mizuno”, explicou Nilson Santos, da Art Sports, agência que representa Gabriel.
O jus à palavra fez-se contra o Paços de Ferreira, este domingo. Gabriel calçou umas botas Mizuno, marca japonesa com muito menos pegada em futebolistas que jogam na Europa, um mercado que é dominado por Nike, Adidas e Puma, as três principais marcas que calçam os pés dos jogadores. "Temos algumas coisas muito bem encaminhadas com essas três marcas, mas o Gabriel ainda não decidiu. As propostas são muito boas, mas ele não quer. Por enquanto, vem forçando que quer Mizuno. Enquanto não escolhe, vai experimentando", explica a assessoria do brasileiro.
Para disfarçar, também já pintou de preto um modelo de chuteiras antigo, prática a que os jogadores recorrem quando estão em vias de assinar com outra marca, ou em negociações com várias ao mesmo tempo, sem querer denunciar preferências.

O Mundo De Quem Calça O Quê
Os anos passam e o dinheiro, cada vez mais, é o cerne que divide a questão no futebol. Os ganhadores e os perdedores descobrem-se entre quem o tem e quem não o tem, o fosso vai-se cavando com clubes, presidentes, empresários, direitos televisivos e marcas a digladiarem-se em lutas por zeros que ficam à direita de um número - e que cobrem os pés dos jogadores.
Não há chuteira que, factualmente, torne alguém melhor ou pior jogador. Há marcas a vender um modelo para o futebolista rápido, outro para o que chuta com força ou um feito especialmente para os pés de médios passadores de bola. Tendo um modelo desenhado especialmente para Lionel Messi, a Adidas faz crer que jogaremos como ele. O mesmo faz a Nike com Cristiano Ronaldo.
Ambos têm contratos vitalícios, valem dezenas de milhões de euros, mas são o topo de uma pirâmide obesa na base, porque lá está a maioria dos futebolistas profissionais. Nem todos recebem, em casa, pares do modelo de chuteiras na cor mais recente e são pagos, por uma marca, para os usarem em jogo, quando há câmaras de televisão a gravar e incontáveis pessoas a assistir.
Quando António Xavier subiu à equipa principal do Marítimo, na sua estreia na primeira liga, sempre gostara de chuteiras Nike e já as calçava, mas o empresário recebeu uma proposta da marca. “Tive a possibilidade de assinar um contrato de dois anos. Escolhes um modelo preferencial, depois, sempre que sai um novo, enviam-te pares. Além disso, tinha um plafond de 5 mil euros anuais para gastar em produtos Nike, à escolha”, explicou o português à Tribuna Expresso.
Fosse entrevistado ou falasse em público, “pediam que tivesse sempre um produto” da marca. Era obrigado a comparecer a eventos da Nike, caso o representante da marca assim o entendesse. “E personalizavam o nome só. O tipo de chuteiras moldadas ao pé acredito que só as grandes referências das marcas é que têm”, suspeitou, dando o exemplo de Ronaldo, “que joga com um tipo de piton misto”.
Xavier joga no Tondela, vai na sexta época seguida de primeira divisão e não mais teve um contrato de patrocínio. Continua a jogar com o mesmo modelo Mercurial, da Nike, mas compra as próprias chuteiras. Se, há coisa de 15 ou 20 anos, jogasse em Benfica, FC Porto ou Sporting, talvez isso lhe bastasse para receber fornadas de botas e equipamento da marca que patrocinasse o clube, prática que se foi tornando menos comum.
Algures entre 2002 e 2006, enquanto Ricardo Rocha lá jogou, os jogadores do Benfica tinham direito a chuteiras da Adidas que, coincidência, eram as predilectas (modelo Predator) do antigo defesa central. “Não me sentia bem com mais nenhuma. O Benfica era patrocinado e tinha direito a chuteiras, mas, depois, tive a felicidade de conseguir um contrato de patrocínio, o que para mim foi um sonho”, lembrou.
O contrato de Ricardo Rocha durou “quatro ou cinco anos”. A fidelidade à Adidas manteve-se, continuou a usá-la “com muito gosto”, porque “não conseguia colocar outras” nos pés ou “não [se] sentia bem”. A sensação nos pés, garante, é o mais valorizado por quem joga - “acima de tudo, o jogador vai para o modelo que lhe dá mais conforto, em que se sente melhor e lhe dá mais confiança”.
É, em parte, por isso que Gabriel já jogou com chuteiras de três marcas diferentes só em 2020. O brasileiro está a averiguar quais prefere e, mesmo que nos digam que as conversas apontam para um acordo com a marca que patrocina o Benfica, o brasileiro vai aproveitando uma raridade, procurando modelos antigos e “cumprindo um sonho” até ficar com os pés comprometidos."