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terça-feira, 30 de julho de 2019

Exemplo veio dos emigrantes

"Vieira partiu na frente, ao anunciar o novo lema do seu clube: ganhar pelo Benfica e nunca contra ninguém. Deve dar para todos perceberem...

A menos de uma semana da Supertaça, que assinala a abertura oficial da nova temporada futebolística, destaco a feliz oportunidade de um trabalho jornalístico assinado pelos enviados-especiais de A Bola aos Estados Unidos da América, Paulo Alves e Sérgio Miguel Santos, para acompanharem a participação do Benfica na International Champions Cup, que conta uma história bonita, em que os nossos emigrantes impediram que a estátua de Eusébio fosse depositada numa lixeira.
Em traços gerais, uma réplica mandada construir pelo mesmo emigrante Vítor Baptista, que ofereceu a que está no Estádio da Luz, foi inicialmente colocada no Gillette Stadium, onde se realizou o jogo de anteontem com o Milan, mas teve de ser transferida para o Estádio Lusitano, em Ludlow, pequena localidade próxima, sede do Pioneers, clube de forte influência portuguesa na região, para escapar à morte certa devido à edificação de uma zona comercial.
Os nossos compatriotas, como escreve Paulo Alves, assumiram a responsabilidade pela operação de salvamento da peça já muito mal tratada.
Dedicaram-se de corpo e alma à sua recuperação, um trabalho que implicou prolongado, minucioso e generoso empenho para perseveração da imagem de um símbolo nacional. Demorou um ano, mas a obra ficou concluída e a estátua de Eusébio continua a poder ser vista e admirada por quem vive ou por quem tiver a curiosidade de passar por Ludlow, com 20 mil habitantes, no interior do estado de Massachusetts.
Foi uma tentativa gratificante, até para memória futura. Em tempo de ódios e rancores, os portugueses da América revelaram um sólido espírito de comunhão que deve fazer corar de vergonha os dirigentes vaidosos, os intermediários sem escrúpulos ou os especialistas em comunicação reles, todos eles agarrados ao futebol por sentirem que o pasto é fértil para engordarem interesses e negócios. Porque, ao contrário do que anda por aí a dizer uma senhora, a culpa não é do futebol, mas de quem nele se alberga com más intenções, e gente dessa infiltra-se na política, onde tudo começa, como em todas as áreas da sociedade que cheirem a corrupção e lucro.

Três emigrantes, um do Benfica e dois do Sporting, em representação de muitos outros, julgo poder dizer-se, colocaram o orgulho de serem portugueses acima dos penáltis, dos árbitros e de todas as futilidades que caracterizam as discussões de café sobre um jogo fantástico e com uma força aglutinadora sem comparação em qualquer outro desporto ou actividade social.
Enquanto cidadão cumpridor das suas obrigações, que há décadas acompanha o futebol no que ele tem de bom e de mau e que dispensa a voz protectora dos salvadores da pátria, curvo-me perante a disponibilidade, a coragem e a solidariedade de quem deu um sublime exemplo daquilo que deve ser a verdadeira e pura competição: uma história de encantar contada por Alcino Pereira, adepto do Benfica, e Frederico Grelha e João Bernardo, adeptos do Sporting.

A lição chega de longe dada por gente humilde e que tem do País e do seu futebol uma visão crítica e azeda, mas também sincera e justa. Para quem vive fora, a imagem de Portugal sobrepõe-se às questiúnculas clubistas que por cá assumem relevância excessiva e até doentia.
A população emigrante, seja em que continente for, preza a rivalidade saudável e todos acorrem quando é preciso dar apoio a outros emblemas, sem olhar a cores, porque acima de tudo está o bom nome do País. Na minha experiência profissional de décadas tive o prazer de testemunhar incontáveis situações que traduzem esse admirável sentido de entreajuda.
Lamenta-se, porém, que do lado de dentro de insista em olhar para o fenómeno de uma forma desajustada a uma sociedade moderna. Não é assim, Manuel Fernandes? Começar já a falar de árbitros e de arbitragem a propósito de nada só será entendido pelos maldispostos congénitos. Com tal mentalidade, é difícil as coisas mudarem. Porque de equilíbrio emocional, como refere, precisam mais alguns presidentes do que os árbitros, devendo exigir-se-lhes tento na língua e que se preocupem apenas com o que se passa na casa de cada qual.
Mais uma vez, Luís Filipe Vieira partiu na frente, ao anunciar o novo lema do seu clube: «Ganhar pelo Benfica, vencer pelo Benfica, festejar pelo Benfica e nunca contra ninguém». Deve dar para todos perceberem, os que quiserem, pelo menos."

Fernando Guerra, in A Bola

Adiantamentos e atrasos de vida

"O Benfica teve Beja como porta de entrada em Portugal. Já tinha sucedido, antes, com o Sporting, também em voo vindo dos Estados Unidos. Desta vez, o avião adiantou 40 minutos, coisa que está longe de ser uma raridade em voos intercontinentais, mas o que seria um tempo ganho tornou-se tempo perdido, uma incómoda espera, dentro do avião. Os serviços de estrangeiros e fronteiras vieram, entretanto, a público com um comunicado, explicando que a culpa não era dos serviços, até porque a chegada estava prevista para as 7 e 40 e os seus homens pegaram ao serviço às 7 em ponto e ainda viram as derradeiras manobras do avião a arrumar-se na pista.
Espera-se que a culpa, desta vez, não venha a recair num qualquer pobre adjunto de secretário de estado, como sucedeu nas golas inflamáveis. Aliás, o problema nem foi grave; terá sido, apenas, incómodo. Talvez não seja necessário alguém ter de pedir a demissão, sacrificado como um cordeiro de Deus. Porém, vale a pena lembrar que ainda há poucos meses havia em Portugal uma discussão política sobre para que serviria, afinal, um aeroporto em Beja. Havia, na altura, quem defendesse a importância de uma alternativa a um sobrelotado aeroporto de Lisboa, sobretudo, para voos charters. Ora o futebol tem muito força. Uma chegada, em festa, do Benfica ou do Sporting, certamente iria ajudar à tese de que o aeroporto de Beja não só deve continuar a existir, como deve ser mais utilizado. Infelizmente, uma chegada, das raras que acontecem, com falhas favorecerá a tese de que quanto mais depressa afastarem as avezinhas do Montijo, melhor. Ainda por cima fica perto do Seixal e de Alcochete..."

Vítor Serpa, in A Bola

Mais um treino...

Benfica 6 - 0 Cova da Piedade

Mais um jogo-treino, desta vez no Seixal... e aparentemente com a integração de alguns jogadores que estavam a treinar à parte (Willock... seria interessante perceber se o Kalaica também terá sido utilizado!), além do Vinicíus...

Superação

"Existem imagens que valem mais do que mil palavras. Imagens que falam por si sobre a entrega, a dedicação, a ambição e espírito de equipa quando se trabalha para uma vitória. João Vítor Oliveira voou literalmente para a vitória. O momento do seu mergulho sobre a linha da meta que garantiu o triunfo dos 110 metros barreiras ficará para sempre na memória de quem assistiu. Um momento icónico e único que importa dar a conhecer e registar e que expressa bem o que é a mística do Benfica. A garra, a luta e o poder de superação num momento mágico de luta entre dois atletas que tudo deram em prol das suas equipas.
A vencedores e vencidos, o mesmo respeito quando se defende desta maneira as suas camisolas.
Foi um dos momentos fortes deste fim de semana, em que a equipa masculina de atletismo do Sport Lisboa e Benfica conquistou o 9.º título consecutivo no Campeonato Nacional de Clubes. Aquilo que, à primeira vista, poderia parecer (para alguns adeptos da modalidade) um resultado fácil, não o foi porque também há muita competitividade entre os adversários. Foi mais um triunfo que se justifica pela estratégia e organização, espírito de grupo, elevada atitude competitiva e forte aposta na qualidade da prata da casa.
O segundo lugar da equipa feminina merece também o reconhecimento de todos, num grupo em que perto de 80% das atletas são provenientes da formação e em que Marta Pen foi a referência.
Há um extenso lote de atletas habilitados para representar o Clube (um grande plantel, se preferir) e todos se sagraram campeões nacionais. Destaque, ainda assim, para aqueles que constituíram este ano a equipa efectiva em pista, garantindo novamente ao SL Benfica a presença na Taça dos Clubes Campeões Europeus do próximo ano.
Para eles um justo reconhecimento e o reafirmar de uma estratégia em que a principal aposta passa pela formação, ficando o registo de uma equipa com média de idades a rondar os 24 anos e em que perto de 60% tem caminho feito nos escalões jovens do Benfica.
É este, também, o sucesso do ecletismo. Um sentimento comum de competir e de sentir, com ambição, mas respeito por todos. À Benfica! Uma mística especial que, também no Atletismo, há muito é vivenciada numa modalidade que veste de águia ao peito há 112 anos.
Apesar do bom nível competitivo da prova e da melhoria substancial que se tem notado, por exemplo, na divulgação dos resultados, com actualização quase imediata na página da Federação Portuguesa de Atletismo, nota final para a necessidade de rever e melhorar alguns aspectos. Estes campeonatos, até pelo nível dos atletas em pista, merecem mais promoção e atracção do público para assistir ao vivo. São os próprios atletas mais habituados à elite internacional a alertar: em provas deste nível, exige-se naturalmente maior rigor técnico no registo de marcas e no ajuizamento.
Uma aposta ainda mais forte na formação de juízes, não apenas no aspecto técnico, levará a uma maior credibilização da modalidade e do espectáculo que esta é capaz de proporcionar. Neste como noutros desportos, não pode haver decisões por estatuto ou cor de camisola: ou é nulo ou não é nulo, ou é linha ou não é linha, ou se marcha ou se corre...
Sendo certo que os responsáveis desta Federação têm feito um esforço no desenvolvimento da modalidade — sempre uma das mais carismáticas dos Jogos Olímpicos —, sem nunca esquecer o trabalho e o investimento que é feito pelos clubes, espera-se também que seja reequacionada, por exemplo, a opção deste ano, por uma sessão nocturna que levou a primeira jornada de uma primeira divisão a terminar bem perto das 23h00."

As cabecinhas pensadoras do Seixal

"Uma surpreendente jogada de reposição de bola entre Vlachodimos e Ruben Dias no último jogo do Benfica frente ao Milan gerou uma discussão global nos últimos dias e deu enormes créditos aos laboratórios encarnados, apesar do resultado aparentemente pífio da iniciativa.
As cabecinhas pensadoras do Seixal tiveram boa intenção: toque do guarda-redes, devolução de cabeça pelo defesa e rápida reposição à mão para um lateral em corrida de contra-ataque, ultrapassando pela surpresa a primeira barreira do adversário.
Fica por saber, por enquanto, se o Benfica procura ressuscitar as reposições de bola longas, a que deixara de recorrer desde a saída de Ederson e que também caiu em desuso na generalidade das grandes equipas mundiais, devido à baixa percentagem de sucesso: apenas 30 a 35 por cento dos pontapés de baliza compridos não terminam em posse do adversário. Como, de resto, aconteceu com esta experiência, com Grimaldo a perder a bola e a não conseguir dar sequência ao lançamento do guarda-redes.
Assim, o resultado prático deste movimento, tendo jogadores com qualidade técnica para o executar em segurança tão perto da baliza, será completamente diferente, subvertendo a intenção do Benfica. A devolução ao guarda-redes dentro da grande área vai proporcionar-lhe cerca de 20 segundos de passividade, entre o agarrar, deixar-se cair, levantar-se, passear na área e finalmente repor a bola, sendo propício à “queima” de tempo nas fases finais dos jogos...
Ou seja: o que parecia um inteligente movimento de ataque terá muito mais aplicação como movimento defensivo e de anti-jogo.
Foi por isto, aliás, que muitos acharam imediatamente que se tratava de um lance à margem da lei e que o próprio árbitro americano terá advertido para não se repetir naquele jogo. E que, muito provavelmente, na próxima revisão, o International Board acabará por ilegalizá-lo com uma norma excepcional."

Da América à América com América pelo meio...

"A presença do Benfica no Troféu Charles Miller de 1955 foi marcante na expressão do nome do Clube no Brasil. Seis equipas jogando todas contra todas. Não deu para ganhar, mas foi um jogo dos encarnados, no Maracanã, que atraiu maior números de espectadores: mais de 100 mil!

O Benfica está na América, do Norte, e eu aproveito para ir a um dia em que o Benfica estava na América, do Sul, para jogar contra o América, do Rio. Rio de Janeiro, como está bem de ver.
Ora, isto passou-se em Julho de 1955. Dia 3 de Julho.
Eram aqueles tempos nos quais as digressões do Benfica começaram a tornar-se famosas. Dias e dias e dias a fio longe de Portugal, Férias, para que vos quero. Mas o nome da águia era grande e ia sendo chamado um pouco de toda a parte.
Agora anda o Benfica pelos Estados Unidos.
Então, andava o Benfica pelo Brasil.
O América venceu, no Maracanã, os encarnados por 4-2. Um calor daqueles, sufocantes, próprio de ananases como dizia o divino Eça.
Uma sede incomensurável: os jogadores portugueses sempre a correrem para o banco à procura das garrafas de água, prestes a caírem para o lado de desidratação.
Mas, vamos lá ver: nada de desculpas batatas. Otto Glória, o treinador, conhecia bem o ambiente em que jogava. Reconheça-se, em primeiro lugar, mérito ao adversário, que ganhou bem segunda rezam as crónicas.
Depois, pela ordem natural estabelecida, fala-se dos méritos benfiquistas. Que os houve. Costumo dizer que a história dos grandes clubes está também ela, assente em grandes derrotas. E pode sair-se de campo orgulhoso após uma derrota. Como foi o caso.
Até ao ponto mais alto da coragem
A primeira parte do encontro foi equilibrada e terminou equilibrada: 1-1. Alarcon marcou para o América, Caiado empatou para o Benfica, as coisas decorriam para cá e para lá, golpe e contra-golpe, o publico parecia feliz.
Um periódico brasileiro trouxe à estampa: 'O Benfica foi, durante muito tempo, à força de coração e de aprego à luta, de enorme abnegação, uma verdadeira ameaça para o prestígio do futebol de Santa Cruz. Não surpreende, pois, que os americanos, neste momento a melhor equipa do Rio de Janeiro, hajam redobrado de vontade, pondo em equação, no relvado do Maracanã, toda a sua classe de futebol artístico e prestigioso'.
Ora, portanto, o Benfica punha estes americanos, do sul, americanos-brasileiros, em sentido.
Leónidas fez o 2-1. O Benfica respondeu de imediato e empatou. A meia hora do fim, tudo muito tem-te-não-caias.
Ainda por cima, tal como acontece agora na América (do Norte); disputavam ambas as equipas um torneio bem alargado, Querem ver? Corinthians, América (RJ), Flamengo, Palmeiras, Peñarol e Benfica. Jogando todos contra todos. Chamaram-lhe Troféu Charles Miller.
O Benfica tinha perdido (0-1) com o Flamengo, na jornada inicial. Depois 2-0 ao Peñarol e 2-1 ao Palmeiras.
É altura de o América arrancar um esforço final. Os benfiquistas estão demasiado cansados para responderem. Coluna, que se exibira de forma extraordinária nos confrontos anteriores, estava estranhamente apático. Tal como Costa Pereira, que facilitou muito nos dois golos finais do América.
Depois, nova derrota, frente ao Corinthians. Um quarto lugar final atrás de Corinthians, América e Flamengo.
E um registo para a história de um torneio que ficou guardado para sempre na memória dos brasileiros: foi precisamente o América - Benfica o jogo que chamou mais gente às bancadas. 87.689 pagantes estiveram no Maracãna para uma assistência total de mais de 100 mil pessoas.
É assim, com passadas gigantescas como esta, que se afirmam os nomes incontornáveis do futebol do mundo. Às vezes, mesmo à custa de derrotas...
O Benfica saía do Maracãna de peito enfunado. Sob os aplausos estralejantes de um público encantado."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma muralha chamada Bento

"No final da Taça de Portugal 1982/83, o guardião 'encarnado' foi a estrela da partida

Na antevisão de um grande jogo, as principais previsões prendem-se com quem serão os autores dos golos, e por quanto se irá ganhar. Este é um dos muitos casos que evidencia a diferença de tratamento entre os jogadores de campo e o guarda-redes, tantas vezes esquecido. É o futebolista que acompanha a partida de longe, sozinho, 'também chamado de portero, guarda-metas, arqueiro, guardião ou goalkeeper, mas poderia muito bem ser chamado de mártir, vítima, saco de pancadas, eterno penitente ou favorito das bofetadas. Dizem que onde ele pisa, nunca mais cresce a relva. (...) Carrega nas costas o número um. Primeiro a receber? Primeiro a pagar. O guarda-redes tem sempre a culpa. E, se não tem paga do mesmo jeito'.
Contudo, há jogadores que ocupam essa posição e ainda assim se tornam, verdadeiras lendas. Manuel Bento faz parte dessa lista restrita. Tinha qualidades exímias, que faziam com que fosse um dos melhores na sua posição. Com excelentes reflexos, enorme coragem e uma elasticidade soberba, transmitia segurança não só aos companheiros de equipa como aos adeptos benfiquistas. Na final da Taça de Portugal 1082/83, demonstrou todas essas qualidades, assinalando uma exibição memorável.
Num jogo envolto em polémica, em que o outro finalista, o FC Porto, insistiu que o encontro se realizasse no seu estádio, levando a que a partida fosse disputada apenas em Agosto, o Benfica, a jogar em casa do rival, não ficou condicionado pelo ambiente. Aos 20 minutos, Carlos Manuel inaugurou o marcador com um potente remate. O resultado permaneceria assim até final do encontro. A vantagem foi dada pelo médio, mas a vitória foi garantida por Bento: 'saltou a muralha da entrega, da renúncia, do conformismo. O seu exemplo, defendendo tudo o que era tratável mais o que poderia ser fatal, impulsionou os colegas'. A imprensa foi unânime a classificar o guarda-redes 'não só a figura mais saliente do Benfica, como a maior figura do jogo. O seu nome ficará indelevelmente ligado a mais esta «Taça» conquistada pelo grande clube da Luz (...) Agilidade felina. Garras de tigre. Impressionante a sua confiança a sair dos postes e a dominar os lances'. Ainda mais admirável era manter intactas estas características aos 34 anos. Bento jogaria mais nove épocas de 'águia ao peito'.
Saiba mais sobre este fenomenal guarda-redes na área 23 - Inesquecíveis do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Logo ali, por detrás da capela...

"Aquilo que o Bera-Bera mais inveja no Recreio é que pode ter tido Eusébio mas nunca teve um Pelé, e branco como o nosso

Alma é Águeda. Foi o Manuel Alegre que lhe chamou assim e fez muito bem. Alma pode vir aí pendurada num qualquer singular, mas não há nada de mais colectivo. Sobretudo para quem é de Águeda, do sangue e da infância. Para quem é da alma. Eu, por exemplo, sou de Águeda há mais de trezentos anos. E só o sangue consegue explicá-lo.
Logo no início do segundo capítulo o Zamora já tinha defendido um penálti e o Neca Pereira mandou um biqueiro de cerca de trinta metros: «A bola, diziam, porque, como se sabe, eu não vi, bateu na barra e transpôs a linha de golo. Isto era o que dizia toda a gente menos o meu pai. Ná, a bola não entrou». Mas que houve confusão, houve. «Durante muito tempo, em Alma, não se discutiu senão a pancadaria no comício e a invasão do campo de São Cristóvão a poucos minutos do fim do jogo entre o Beira-Rio e o Vista Alegre». O Vista Alegre até podia ser o Vista Alegre. O Beira-Rio era o Recreio. O campo de São Cristóvão era o campo de São Sebastião, como está bem de ver. Como está bem de ver para quem é de Águeda, claro! Ou de Alma, como é o caso. Por isso a gente sabe que o Zamora também não era o Zamora: era o Salamanca.
O Beira-Rio não era o Águeda porque, para nós, em Águeda, nunca houve o Águeda. Houve sempre o Recreio. O Recreio das camisolas grenás e dos calções azuis que um dia chegou à I Divisão e recebeu o Benfica com o campo cortado e as pessoas sentadas no pelado, junto às laterais, com guardas-republicanos a cavalo, sobre as linhas de cal, como se fossem guarda-costas dos fiscais. A malta gritava: «Tira o cavalo da frente! Deixa-me ver a bola!». E muitos não sabiam se se estavam mesmo a referir ao cavalo se estavam a chamar besta ao guarda republicano que já tinha as orelhas a arder tanto como as do árbitro que era o Carlos Valente e do qual fui amigo.
Mas isto foi no Redolho, ou no Sardão, se quiserem, não no São Sebastião que, entretanto, já servia para que lhe nascesse em cima o mamarracho da Câmara Municipal, estragando a Venda Nova que sempre foi antiga até que, na altura de ser antiga, como agora, passou a ser nova com tanto prédio mal enjorcado a nascer esquina sim esquina não.
O campo de São Sebastião era do meu bisavô Afonso, o Grande Afonso, aquele que tinha sempre a porta de casa aberta para quem fosse de Águeda, ou de Alma, e gostava de repetir que Águeda era terra de gente de bem, que «Águeda era o Mundo», mas Águeda foi mudando, a alma também, ficou uma Alma com pouca alma, uma Alma que sobrevive ainda dentro de alguns que têm Águeda nas veias, acima e abaixo na corrente da infância que, mais cedo ou mais tarde, vai parar ao coração.
Há dois dias, o Rui Mónica, que é agora o presidente do Recreio, cujo pai também lá jogou - era o Rui Rodrigues, não o Rui Rodrigues, mas o nosso Rui Rodrigues - disse-me para ir a Águeda, ver a apresentação da equipa, um Recreio de Águeda-Beira-Mar, que calhou hoje mesmo, sábado, e é aquele jogo que todos os aguedenses gostam de ganhar porque o Beira-Mar, para nós, será sempre o Bera-Bera, assim um clube armado ao fino, que já andava na II Divisão quando o Águeda foçava nas Distritais. O problema é que o Bera-Bera nunca teve jogadores tão históricos como o Fanfas, o Pinto Gaião, o Febras, o Benga ou o Lelé que, assim, todos juntos, podiam dar um romance do Machado de Assis. Mas daquilo que o Bera-Bera mais inveja no Recreio é não ter tido Pelé.
Toda a gente sabe que, lá no Mário Duarte, que era, por sua vez, tio-avô do Manuel Alegre - afinal Aveiro e Águeda não ficam assim tão longe - e foi guarda-redes e fundador do Belenenses, jogou o Eusébio, o Eusébio autêntico, o meu querido Eusébio com o qual dividi tantas e tantas conversas que dariam um livro e acabaram por dar dois, mas pouca a gente sabe, fora de Águeda, que no Recreio jogou o Pelé, aliás o Carlos Eduardo, por extenso Pelé. Vendo bem, o Pelé também não era Pelé, era Edson Arantes do Nascimento, e o nosso Pelé, o de Águeda, além do divino atrevimento de se chamar Pelé ainda tinha o descaramento esplêndido de não ser crioulo como o moço de Três Corações, mas tão branco como qualquer natural de Ois da Ribeira, de Assequins, da Mourisca ou da Alagoa.
Por isso, hoje, quando entrarem no campo que fugiu, depois de 1974, de junto da capela de São Cristóvão, que é a capela de São Sebastião, para passar para a beira-rio, não longe das desaparecidas piscinas do Sport Algés e Águeda, os jogadores do Bera-Bera sabem que, mesmo ganhando, sairão sempre derrotados. Porque o Recreio é o clube de Alma. E o Manel nunca nos deixará esquecer.
- Equipa de merda - disse.
Eu não gostei.
- Podem não jogar nada, mas são os nossos.
- Tens razão. Não jogam nada, mas são os nossos."

Pelo respeito, pela tolerância, pela ética, pelo Desporto na sua essência

"Melhorar as condições dos espectáculos desportivos deve ser um desígnio de todos, mas é assumidamente um objectivo desta nova Autoridade, num esforço contínuo e conjunto.

Assinalou-se no passado dia 22 de Julho, em Viseu, a cerimónia de inauguração das instalações da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD). Esta efeméride marca o culminar de um primeiro estádio de desenvolvimento de um novo serviço central da administração directa do Estado, criado de raiz, depois de meses de intenso trabalho de diagnóstico, planeamento, recrutamento e selecção de recursos humanos, aprovisionamento de bens e serviços, organização de metodologias de trabalho, enfim, todo um trabalho essencial à criação das fundações sólidas que qualquer obra necessita.
A presença de tantas personalidades da área do desporto, a par de várias entidades dos domínios público e privado, foi um claro sinal de união e de compreensão dos riscos em torno de uma temática que teima em estar na ordem do dia. Foi também demonstradora da importância de uma missão que, juntos, temos pela frente, da urgência em agir perante uma realidade que se torna mais densa e complexa, que se entranha, que se apodera de algo de inestimável valor social, educacional e formativo como o Desporto. Falamos, como perceberão, dos fenómenos de violência, racismo, xenofobia e outras formas de intolerância em espectáculos desportivos de natureza profissional ou amadora, mas também de fenómenos criminais mais organizados, que se infiltram e legitimam a sua base de poder em torno das manifestações desportivas.
A instalação da sede desta nova Autoridade fora da grande área metropolitana de Lisboa, justificando-se por objectivos de descentralização administrativa, encontra na vibrante cidade de Viseu (e na excelente capacidade de acolher das gentes beirãs) um adequado contexto e ecossistema para desenvolver a sua acção. A aquisição de ferramentas tecnológicas de automatização de processos, de colaboração e de comunicação em rede, essenciais nos dias de hoje, facilmente mitigam a distância da capital, ao mesmo tempo que nos permitem evitar elevados custos patrimoniais associados ao seu mercado imobiliário.
Hoje, com as traves mestras erigidas e com as suas próprias instalações, a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto tem condições para dar os seus primeiros passos de forma sustentada, demonstrando paulatinamente a mais valia que pode representar, pretendendo assumir-se como uma entidade:
1. Especializada e credível, orientada por princípios de imparcialidade e isenção;
2. Dotada de espírito de missão na protecção do desporto e dos valores que lhe são inerentes;
3. Consequente e célere na sua acção sancionatória em ilícitos contraordenacionais;
4. Potenciadora de uma estratégia coordenada de exclusão dos comportamentos de risco dos recintos desportivos;
5. Força motriz de uma permanente ação de diagnóstico e adequação do modelo nacional aos desígnios da nova Convenção Europeia (a Convenção de Saint-Denis).
A APCVD terá de pautar a sua intervenção por duas vertentes distintas. A primeira constituir-se-á como uma ação construtiva e profilática, trabalhando em parceria com os demais parceiros no sentido de promover a capacitação e partilha de boas práticas, visando elevar os padrões globais dos três pilares defendidos na Convenção de Saint-Denis: a) proteção; b) segurança; c) hospitalidade e qualidade dos serviços.
A segunda vertente baseia-se especificamente no desenvolvimento de uma estratégia de exclusão de comportamentos de risco, o que passará pela aplicação de medidas de interdição de acesso a recintos desportivos. Estas medidas de interdição, um reconhecido fator de sucesso do modelo inglês de prevenção da violência nos espectáculos desportivos (as denominadas banning orders), podem ser aplicadas pela APCVD no âmbito dos processos contraordenacionais (em ilícitos de mera ordenação social), mas também pelos Tribunais, no âmbito de processos judiciais (ilícitos criminais) e, finalmente, pelos próprios organizadores e promotores desportivos, no âmbito disciplinar.
Importa ter em conta, contudo, que esta nova autoridade não deverá ser vista como uma panaceia, um antibiótico isolado cujo sucesso da toma se manifesta nos dias seguintes, mas antes como parte de um conjunto de intervenientes e de medidas necessárias para alterar o contexto actual.
Dependeremos da capacidade de desenvolver um trabalho de cooperação, de fortalecimento de parcerias, da promoção de uma intervenção múltipla, concertada e capacitadora dos diversos intervenientes: autoridades judiciárias e órgãos de polícia criminal, forças de segurança, autoridades de protecção civil e emergência, organizadores e promotores das competições (federações, ligas e clubes), dirigentes e demais agentes desportivos, órgãos de comunicação social, adeptos do desporto. 
Melhorar as condições dos espectáculos desportivos nas áreas da protecção, da segurança, da hospitalidade e qualidade dos serviços deve ser um desígnio de todos, mas é assumidamente um objectivo desta nova Autoridade, num esforço contínuo e conjunto.
Em contraciclo com o escrutínio imediatista de alguns públicos, a Autoridade necessitará de espaço e de tempo de afirmação. Em regra, mudanças sólidas e consequentes, sobre realidades complexas, não são visíveis de um dia para o outro. Não deveremos, ainda assim, menosprezar o poder transformador de plantar uma semente.
A propósito da celebração de mais uma edição do “Dia Internacional Nélson Mandela”, no passado dia 18 de Julho, data do seu aniversário, julgamos relevante relembrar um excerto do discurso de Mandela na cerimónia de atribuição dos prémios Laureus, no ano 2000, que nos estimula a reflectir sobre a dimensão mais alargada do desporto, tantas vezes esquecida:
“O Desporto tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar. Tem o poder de unir as pessoas de uma forma que poucas outras coisas podem fazer. Fala aos jovens numa linguagem que eles entendem. O desporto pode criar esperança onde outrora só havia desespero. É mais poderoso do que os governos na destruição de barreiras raciais. O desporto ri na cara de todos os tipos de discriminação.”
Quase 20 anos depois, estas declarações continuam a manter vivo o carácter do seu autor. 
Independentemente da sua condição profissional, amadora ou até escolar, é esta a verdadeira essência e identidade do Desporto. É assim que o devemos preservar, não o deixando servir de veículo de promoção de ódios e de outros sentimentos nocivos que corroem o tecido social, a capacidade de cooperar e coexistir pacificamente em comunidade, com tolerância e respeito pelo próximo. 
Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, “pelo respeito, pela tolerância, pela ética, pelo Desporto na sua essência”.
Vamos trabalhar juntos?"

Benfiquismo (MCCXLVII)

Golo...

Benfica FM - ICC... e Cabelo do Aimar... e o regresso do Cota !!!

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Ganhar é melhor, mas vale o que vale...

"Em 1980/1981, o Real Madrid perdeu, na pré-época, por 9-1, com o Bayern. No final da temporada jogou a final da Taça dos Campeões...

A propósito dos resultados da pré-época, e daquilo que valem, ou não, tenho sempre presente o Real Madrid de 1980/1981, comandado pelo mago Boskov, onde pontificavam Del Bosque, Camacho, Stielike e um tridente atacante de luxo formado por Juanito, Santillana e Cunningham. Ora, estes senhores, que tinham feito a dobradinha em Espanha na época anterior, jogaram, a 5 de Agosto, com o Bayern, em Munique, e perderam por 9-1. No final do desastre, Boskov teve uma frase célebre: «Prefiro perder um jogo por nove golos do que nove jogos por um».
O jogo seguinte do Real Madrid foi contra o Belenenses, onde eu jogava, em Palma de Maiorca. Os merengues ganharam por 2-1, com um golo de Juanito já depois da hora e, sobretudo, graças a uma arbitragem supercaseira, como era apanágio dos veraniegos.
No final dessa época, o Belenenses salvou-se da despromoção ao vencer, em Portimão, na penúltima jornada do Campeonato e o Real Madrid foi à final da Taça dos Campeões Europeus (perdeu 1-0 com o Liverpool).
Qual o sentido deste longo intróito? Apenas um, o de dizer que o mais importante é sempre como acaba e nunca como começa, no fim é que se fazem as contas, e, que eu saiba, não há troféus, que devam ser levados a sério, para o campeão dos jogos particulares.
Dito tudo isto, e no que concerne aos três grandes do futebol português, candidatos crónicos ao título, percebe-se que o estado de prontidão do Benfica é superior ao do FC Porto e do Sporting. Enquanto os encarnados evoluem na continuidade possível - é imperioso não esquecer que substituir Jonas e Félix requer muito mão de obra - mostrando uma sedimentação de processos muito interessante, os dragões revelam não só lacunas no plantel como algum nervosismo e muita ansiedade. A eliminatória com o Krasnodar é de tremenda responsabilidade e a equipa de Sérgio Conceição precisa de fazer mais do que mostrou até agora para passar, sem sobressaltos, ao play-off da Champions.
Já o Sporting continua mergulha na incerteza por Bruno Fernandes, uma circunstância que deve deixar Marcel Keizer, por umas razões, e Frederico Varandas, por outras, à beira de um ataque de nervos. Como é impossível ter sol na eira e chuva no nabal, ou recebem o dinheiro que faz falta, ou ficam com o jogador, que também faz falta. Um dilema!

Ás
João Félix
Um jogo no palco global e o mundo ficou a seus pés. Mas Félix terá mais a ganhar se acreditar nos que dizem que ainda tem muito a aprender, do que naqueles que passaram da dúvida à adoração. Uma coisa é certa, estamos perante um fenómeno futebolístico e mediático que atirou os 126 milhões para segundo plano.

Ás
Filipe Ramos
Desta vez não deu para trazer o caneco para a Cidade do Futebol, mas a afirmação de Portugal como potência mundial da formação é um dado insofismável, que deve encher-nos de orgulho. Finalistas nos sub-19 pelo terceiro ano consecutivo, há que distribuir felicitações por clubes  e Federação. E pelos jogadores, é claro.

Ás
Bruno Lage
O Benfica parece mais confortável nos confrontos com boas equipas internacionais, e é evidente que há dedo do treinador. Na Luz, há boas soluções (a dobrar) para quase todos as posições, e se Bruno Lage conseguir manter fidelidade à capacidade de não complicar, a época pode ser muito interessante.

O que se aprende com a ascensão de Adel Taarabt?
«Estava à entrada da área, mas foi com um pouco de sorte... Ainda assim, acho que merecemos ganhar»
Adel Taarabt, jogador do Benfica
um ano, quem dava alguma coisa pelo futuro do marroquino Taarabt no Benfica? O mínimo que dele se dizia era que tinha sido um barrete sem nome, culpa da prospecção que viu um cavalo de corrida onde só havia um burro. Mas um homem é ele e a sua circunstância, e a de Taarabt alterou-se com Bruno Lage, que teve o respaldo de Filipe Vieira. Uma lição, sobre futebolistas e enquadramento...

Espanha derrota Portugal e faz a festa
O diário 'Marca' não fez por menos e dedicou a manchete de ontem à vitória dos sub-19 de Espanha sobre Portugal, na final do Europeu. 'Nuestros hermanos' sabem bem que não há um grande futebol sem uma formação de qualidade. Não é por acaso que Portugal, Espanha e França são quem são e estão onde estão.

Colômbia em êxtase
110 anos que ninguém, tão jovem, ganhava o Tour de France, três semanas a pedalar, por monte a vales, numa das competições desportivas mais exigentes do mundo. Ultimamente, criou-se a convicção de que só corredores com traquejo podiam vencer o Grand Boucle. E não é que um colombiano de 22 anos chegou de amarelo aos Campos Elísios, superando em precocidade nomes como Gimondi, Anquetil, Fignon, Hinault e Merckx? A pergunta que se coloca é óbvia: será que vem aí uma era sob o signo de Egan Bernal?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfica fortíssimo no início de época

"Benfica, Sporting e FC Porto preferiam a dificuldade, à facilidade. Para todos eles, adversários difíceis, de qualidade superior, neste período final de preparação para a nova época oficial. Não apenas pelos resultados, o Benfica mostrou ser mais forte. Tão mais forte, que será legítimo questionar se Bruno Lage não exagerou na intensidade Bruno Lage não exagerou na intensidade de jogo, em fase tão precoce.
Claro que não se pode, ou não se deve, sobrevalorizar estas três vitórias consecutivas do Benfica, nos Estados Unidos, mesmo que duas delas tenham sido sobre adversários como a Fiorentina e o Milan. mesmo assim. Mesmo assim, será incontornável dizer-se que a equipa teve, e culpa jogo, períodos de enorme qualidade, apresentou um conjunto muito vasto equipas com grande qualidade e capacitado competitiva e teve, sempre, uma fantástica mentalidade vencedora.
Sporting e FC Porto estiveram, claramente, uns furos abaixo. O Sporting continua a ser uma equipa muito brunodependente, o que, por um lado, pode parecer inevitável dada à equipado capitão do Sporting, mas, por outro lado o Sporting não consiga, como, aliás, se pevê, segurar a sua estrela maior, e obrigue Keizer a uma mudança significativa, que pode levar tempo a resolver. Quanto ao FC Porto, Sérgio Conceição cose os jogadores de que dispõe, mais como uma costureirinha da Sé, do que um treinador de futebol. É o que tem, faz o que pode e a mais não poderá ser obrigado.
Preocupação maior: Krasnodar. Trata-se de um jogo decisivo. Também há, para Benfica e Sporting, uma Supertaça. Importante, sim, mas não tanto."

Vítor Serpa, in A Bola

Pontapé de baliza. Odysseas levanta a bola para a cabeça de Rúben, que a devolve para as mãos do guarda-redes. É proibido ou pode fazer-se?

"Vamos lá a mais um esclarecimento?
No pontapé de baliza, a regra mudou: agora a bola não tem que sair da área de penálti: entra em jogo assim que for pontapeada e se mova claramente.
Com base nesta premissa, Vlachodimos, do Benfica, tem protagonizado uma forma inovadora de efectuar este tipo de recomeços: pontapeia a bola "picada" para a cabeça de Rúben Dias, que a devolve de imediato ao seu guardião. Este agarra-a.
Choca? Pode ser, mas para que conste... tudo certo. Tudo correto. Tudo legal.
Esse é um subterfúgio (inteligente mas legal) para explorar eventual lacuna na lei.
Ao ser pontapeada e mexer-se, a bola entrou correctamente em jogo, logo respeitou o que agora dispõe a Lei 16.
Como o lance envolve dois jogadores (no caso, GR e defesa), não se entende haver tentativa de ludibriar outra regra, a que proíbe atrasos deliberados. Isso só acontece quando há um ato de um só jogador.
Exemplo: defesa levanta a bola para a sua cabeça para a atrasar ao seu guarda-redes (ilegal, mesmo que o GR não a agarre).
No jogo de ontem, o árbitro terá pedido ao guardião grego para não voltar a fazer esse tipo de reposição. Errou, embora se perceba a sua confusão.
Até ordem em contrário (do IFAB), essa forma de recomeço é legal."

As 5 melhores contratações do SL Benfica nos últimos 10 anos

"Uma nova temporada está prestes a começar e há várias entradas e saídas no plantel dos encarnados, mas vamos falar das cinco melhores contratações do SL Benfica nos últimos 10 anos.
Ao longo deste tempo, o Glorioso teve vários jogadores de classe mundial e, por isso, nem todos estarão mencionados neste artigo. Nomes como Grimaldo, actualmente no plantel; Ramires, um dos melhores médios na história recente do SL Benfica; Salvio, que se transferiu neste defeso e até Rodrigo Moreno poderiam constar nesta lista de verdadeiros craques.
1. Jonas – É um daqueles casos indiscutíveis no seio do clube encarnado. É a melhor contratação de sempre do SL Benfica. Corria o ano de 2014, quando o Valência dispensava Jonas. Sem clube, viu no SL Benfica uma oportunidade de prosseguir a carreira. E foi aí que o conto de fadas começou. Jonas Pistolas havia chegado a Portugal. Era de pé direito, pé esquerdo, cabeça, simplesmente era golo toda a bola que tivesse a sorte de ser tocada por Jonas. Em partidas oficiais, Jonas disputou 182 jogos, tendo balançado as redes das balizas adversárias por 137 vezes. Fez ainda 35 assistências para golo. Um jogador que chegou ao Benfica a custo zero, mas que nos deu tantas, mas tantas alegrias. Obrigado Jonas!
2. Gaitán – Nico esteve no clube encarnado por seis temporadas. Muitos golos, muitos passes para golo e muita magia. O esquerdino fez a Catedral se levantar vezes sem conta, fez-nos rir e fez-nos chorar, com a sua saída. Transferido do Boca Juniors por 8,40 milhões de euros, o argentino acabou, ao fim de seis temporadas, por ser vendido ao Atlético de Madrid por 25 milhões. Ao serviço do Benfica, realizou 253 jogos, tendo marcado 41 golos e 88 assistências.
3. Ederson – O jovem guarda redes brasileiro conquistou os adeptos benfiquistas com as suas fantásticas defesas, a sua tranquilidade, competência entre os postes e os seus passes precisos. Formou-se no Caixa Futebol Campus, acabando por sair para equipas como Ribeirão e Rio Ave. O Benfica acabou por resgatá-lo dos vila-condenses por um valor absurdamente baixo: 500 mil euros. Hoje, é um dos melhores guarda redes do mundo e atua ao serviço do Manchester City, clube que pagou ao Benfica qualquer coisa como 40 milhões de euros pelo passe do guardião.
4. Axel Witsel – Este jogador belga é, sem qualquer dúvida, das melhores contratações do SL Benfica. Chegou à Luz proveniente do Standard de Liège por 9 milhões de euros. Saiu por 40 milhões após 52 jogos de águia ao peito. Realizou apenas uma época em Portugal, mas a sua qualidade desde cedo lhe abriu mercado por toda a Europa. Um médio capaz tanto defensiva como ofensivamente, um jogador que tinha lugar num colosso europeu. Ainda assim, acabou por se transferir para a Rússia, para o Zenit, a troco de 40 milhões de euros, valor que fez dele a maior transferência da história do clube encarnado na altura. Chegou a Portugal como uma promessa, e cumpriu!
5. Matic – É uma das figuras da década do SL Benfica! Possante fisicamente (os 1.94 cm conferem-lhe vantagem nesse sentido) e com uma capacidade de passe fora do comum. Subia no terreno e era capaz de levar a “equipa para a frente”. Era o Matic no Glorioso. A verdade é que o sérvio brilhou nos relvados da Luz e fez valer os 5 milhões de euros que o Benfica pagou ao Chelsea pelo seu passe. Mais tarde, seria de novo vendido ao Chelsea por 25 milhões de euros."

Sucesso Americano

"A longa digressão da nossa equipa de futebol pelos Estados Unidos da América foi bem-sucedida sob todos os aspectos. Todos os objectivos foram atingidos! Desde logo os desportivos. Apesar de, nesta fase da temporada, os resultados não serem o mais relevante, é ainda assim interessante que o Benfica tenha conseguido o pleno de vitórias, com três. Recorde-se que, nas duas participações anteriores benfiquistas na International Champions Cup, atualmente o mais prestigiado torneio da pré-época futebolística, o Benfica não conseguira qualquer triunfo no tempo regulamentar.
Os resultados obtidos significam, para já, que o Benfica ocupará uma das duas primeiras posições no torneio. A definição do vencedor aguarda pelo desfecho da partida entre Manchester United e AC Milan (agendada para 3 de agosto próximo), na qual os ingleses terão de vencer por uma diferença de quatro golos para superarem o Benfica na edição 2019 da ICC.
A preparação da equipa para a época prestes a iniciar-se, consolidando processos e integrando as caras novas, era o objectivo principal. Bruno Lage demonstrou-se muito satisfeito: “A pré-época foi boa, com registo competitivo muito forte. Tivemos duas semanas muito boas nos Estados Unidos da América. Saímos daqui com menos dúvidas.”
Também nas vertentes institucional, empresarial e comercial foram cumpridos os objectivos delineados. É entendimento geral, entre os membros da vasta comitiva benfiquista, que os contactos estabelecidos e as diversas actividades empreendidas possibilitarão um salto qualitativo na organização e funcionamento, a vários níveis, do clube e contribuíram indelevelmente para a projecção da marca Benfica.
Registe-se, mais em particular, a dinâmica imprimida em torno das Casas do Benfica, as quais, recorde-se, são onze na América do Norte, tendo sido sete as visitadas nesta digressão, incluindo a inauguração da imagem uniformizada de duas delas (San Jose e New Bedford). O destaque recai, naturalmente, nesta última. Luís Filipe Vieira teve a possibilidade de marcar presença e a muito significativa afluência de benfiquistas foi motivadora para os diversos desafios que se colocam ao clube. Viveram-se momentos inesquecíveis, reveladores de que a mística benfiquista perdura e se vive intensamente aquém e além-fronteiras.

P.S.: “Enea” é o prefixo de origem grega (“nono” para os latinistas) que o Benfica pode usar para caracterizar a sua hegemonia no atletismo. Este fim de semana, sagrámo-nos eneacampeões nacionais de Pista. Foi a nona vez consecutiva que ganhámos o Campeonato Nacional, um feito que, nas modalidades consideradas principais, só a nossa equipa feminina de voleibol, as “Marias”, havia conseguido anteriormente (1966/67 a 1974/75). Este título junta-se às conquistas dos títulos nacionais de Futebol, Futsal e Voleibol, cimentando o domínio desportivo benfiquista nas sete modalidades com maior notoriedade no desporto português. Queremos e lutaremos por mais na próxima temporada!"

(...), criador do site ojotajarenovou.com, acredita que Fejsa está prestes a ser vendido às peças a uma sucata turca

"Vlachodimos
A agilidade de Mattia Perin, os reflexos de Cillesen, o posicionamento de Trapp e o jogo de pés de Binya. Pronto, jogas tu, Ody. Não se fala mais nisso.

Nuno Tavares
A mente perversa de Bruno Lage continua a fazer das suas. Mais uma sessão de tortura infligida a Nuno Tavares, que terminou com o jovem de volta à sua posição natural e a aniquilar milaneses. 

Rúben Dias
Depois de conduzir o quarteto defensivo do maior clube português ao título nacional e de garantir mais uma conquista para a seleção do seu país, Rúben Dias prepara-se para conquistar a primeira International Champions Cup. Desengane-se quem acha que o jogador é o denominador comum. É apenas mais uma operação do Benfiquistão, que continua a intervir nos bastidores do futebol mundial. Mais um que vamos pagar para vender, seguramente.

Ferro
Mais uma ficção criada pelos guionistas do Seixal, que desta vez pediram a Ferro para chegar um pouco mais tarde a alguns lances, por forma a apimentar mais um jogo que o Benfica ameaçava dominar.

Grimaldo
Todos os lances em que cometeu erros deixaram no ar a leve suspeita de que Grimaldo fez de propósito para forçar a saída. Não sabemos se o faz porque anseia por um salário melhor num clube menor, se está simplesmente a adquirir ritmo para escavacar o Sporting na Supertaça ou se já percebeu que vem aí o Nuno Tavares.

Fejsa
Supostamente está em vias de ser vendido às peças a uma sucata turca, mas Fejsa mostrou que ainda está aí para as curvas. Desde que não sejam muitas ou muito apertadas. Se puder se uma recta será melhor para todos.

Gabriel
Não consigo precisar o minuto em que Gabriel decidiu virar o jogo com um passe que devia ser patenteado ou tornado património futebolístico da humanidade. É um movimento de anca que mais parece um swing e coloca a bola do outro lado do terreno, encostadinha ao pé de um colega, no tempo de um pestanejar. Merecia repetições várias, câmara fixada no rosto de colegas, adversários, treinadores, ou os muitos benfiquistas no estádio, enfim, o mundo inteiro em suspenso a admirar um simples gesto técnico que faz a pré-época valer a pena.

Pizzi
A verticalidade de Rafa e o maior protagonismo de Taarabt não devem fazer-nos suspirar por uma alternativa a Pizzi na direita. Não, amigos. Devemos, isso sim, agradecer aos deuses por termos mais formas de dinamitar as defesas adversárias.

Rafa
A sua melhor ideia em todo o jogo foi ter guardado os sprints malucos para a 2.ª parte. A tareia aos defesas do Milão foi mais do que merecida. Nota adicional: Rafael Alexandre, se voltares a falhar uma oportunidade como aquela da primeira parte, vais para a equipa sub-23.

Taarabt
O ritmo aparentemente pausado de muitas ações em campo faz-me ver no desempenho de Taarabt aquilo que eu seria capaz de fazer se passasse os próximos 6 meses a treinar às ordens de Bruno Lage. É ridículo, porque eu seria muito melhor do que o Adel, uma espécie de Michael Laudrup com melhores pés e pior feitio. Voltando ao assunto que aqui nos traz, há uma parte do Adel que parece interessada em relaxar, como se o corpo ainda arrastasse consigo os vícios de uma vida passada na noite lisboeta, ou lhe pedisse mais um shot. Isso ou o marroquino está condenado a viver com cadastro. Seja o que for, Taarabt parece capaz de carregar o fardo e, já agora, o piano, embalando o resto da equipa para uma vitória saborosa. Eu até propunha um brinde, mas pode correr mal. 

Seferovic
Mais uma vez Bruno Lage a surpreender um jogador, não com uma repreensão mas com uma lição. Seferovic anda há algum tempo com cara de enjoado, cara de quem não parece ainda convencido com o seu novo colega do ataque, e foi justamente por isso que Lage o plantou lá na frente, muitas vezes longe da bola, até o suíço reconhecer o erro e voltar a participar no carrossel ofensivo. Agora só lhe falta pedir desculpa a RDT, de preferência já no próximo domingo. CAIO Sempre que entra faz estragos. Estou quase rendido. Só falta pôr um sportinguista em férias a chorar e podemos ser amigos.  

Florentino
Quero aproveitar a oportunidade para vos dizer que, depois de pensar no assunto, concluí que fui algo injusto com Florentino no último jogo. Se isso aconteceu, é porque esta não é meramente uma relação adepto-jogador, mas antes um elo paternal que nos liga ao futuro melhor centrocampista mundial. Não é ralhete gratuito. É ânsia de perfeição, rumo à cláusula de rescisão.

Samaris
Poucos minutos na pré-época, mas nada que nos deva preocupar. Samaris conhece esta condição há muito e sabe que o plantel é rico em opções. Além disso vamos vender o Fejsa.

Ebuehi
Diz que está perto de conseguir fazer 90 minutos. Acumulados, sim.

Chiquinho
Em vez da habitual t-shirt a dizer I Love NY NY, comprou uns chocolates no aeroporto e regressou da Big Apple com um lugar no plantel do Benfica. A família compreendeu.

Jota
ojotajarenovou.com

Zivkovic
Coitado. Zivkovic é uma espécie de Perdidos e Achados, mas em vez de esperarmos 10 anos para saber como está a vida dele, vemos 5 minutos por semana. Por favor acabem com esta decadência e vendam-no ao Wolves por 25 milhões + objectivos. Não sei, liguem ao Jorge e vejam com ele."

Cadomblé do Vata

"1. Ponto prévio: sou filho futebolístico do final dos aos 80 / início dos anos 90... jogos contra AC Milan são os meus derbys europeus, com pouca distinção entre jogos oficiais e particulares.
2. Perdemos uma final.da Taça dos Campeões Europeus para o Cesare Madini e outra para o Paolo Maldini... entenderão pois o meu desespero quando entrou o Daniele Maldini.
3. Vlachodimos é um sensivelzão... Lage quer que os jogadores melhorem o seu desempenho através do desconforto da concorrência, mas com o grego vai bastando o desconforto dos rumores da concorrência.
4. Este SL Benfica - AC Milan foi um completo regresso ao passado... relembrou os tempos em que ambos disputavam finais das Taças dos Campeões Europeus e os tempos em que os jogos se disputavam em pelados.
5. Com a vitória garantida pelo golo de Taarabt ficamos em excelente posição para vencer a ICC... entretanto já enviei um email à Lusófona para ver se orientam equivalências de Champions League para este torneio."

Últimas impressões

"A uma semana da Supertaça, Benfica e Sporting vivem em estados de espírito bem diferentes. As águias somaram três vitórias na International Champions Cup e estão a um passo de vencer o prestigiado torneio de verão, ao passo que os leões chegam ao fim da fase de preparação sem nenhum triunfo, embora o empate diante do campeão europeu Liverpool seja um resultado muitíssimo positivo. Com a derrota de ontem diante do Valencia, a equipa de Keizer acaba por replicar aquilo que os outros dois rivais também fizeram e perderam o seu jogo de apresentação. Com uma diferença: ao passo que o Benfica foi derrotado pelo Anderlecht no primeiro teste, somando depois quatro vitórias consecutivas, FC Porto e Sporting acabaram a pré- temporada a perder. O que, de alguma forma, muda a percepção sobre o real valor de cada equipa.
A menos de uma semana do confronto do Algarve, o Benfica parece ter algum favoritismo. Mas Bruno Lage também tem problemas para resolver, quer no flanco direito da defesa quer na forma como funcionará a dupla de ataque. Os bons resultados conseguidos nos Estados Unidos não devem levar os benfiquistas a pensar que está tudo bem – e basta somar as seis bolas nos ferros de Vlachodimos nestas três partidas para se perceber que, em futebol, há uma distância muito curta a separar as vitórias das derrotas."

AC Milan - SL Benfica

"Último jogo da International Champions Cup. Último jogo da pré-época. O Benfica apresentou-se num 4-2-3-1 com Adel Taarabt a fazer de 10, Fejsa no miolo e tudo o resto igual ao último jogo. Voltámos a criar boas oportunidades. Temos 5-6 momentos muito bons. Defensivamente o Milan conseguiu criar-nos problemas como nenhuma equipa até agora criou. Vencemos com um golo de Adel Taarabt e ficamos agora à espera do resultado entre Milan e Manchester United para saber se ganhamos ou não esta prova. Umas notas sobre o jogo.
1. Odysseas Vlachodimos. Se o Odysseas ficasse desmotivado por o Benfica andar à procura de outro guarda-redes, então garantidamente não era guarda-redes para nós. Tem utilizado a pré-época para mostrar que venha quem vier é uma alternativa para Bruno Lage e hoje foi um grande exemplo disso. Fez várias defesas incríveis, saiu bem dos postes e controlou bem a profundidade. Está a lutar por um lugar e a superar-se. Gostei também do pontapé de baliza inovador a fazer lembrar o futebol de praia para sair a jogar à mão. Melhor em campo.
2. Adel Taarabt. Tem sido dos melhores nesta pré-época e com o cansaço de RDT que tem sido noticiado, Bruno Lage hoje deu-lhe este prémio. Joga sempre com passes muito simples mas que desequilibram bastante. Seja para o lado ou num jogo mais vertical, Taarabt consegue sempre decidir bem e fazer de uma jogada banal uma grande jogada. Para mim, está a chegar aquele nível em que a preocupação dos jogadores tem que ser colocar a bola no Taarabt à entrada da área e deixá-lo decidir porque o sair dali vai ser muito bom. Acaba por marcar um golo num remate na sequência de um canto que é desviado por um defesa do Milan.
3. Gabriel. Apareceu muito cansado, o que é normal, visto que provavelmente ainda anda com treinos bidiários nas pernas. Para a Supertaça acredito que já esteja mais recuperado.
4. Rafa. Não esteve mal, mas as coisas simplesmente não lhe saíram tão bem como é normalmente saem. Voltou a ter boas arrancadas, teve até as nossas melhores oportunidades nos pés, mas ou Donnarumma foi segurando o jogo. A melhor de todas foi na sequência de um passe de primeira do Taarabt que o deixa desmarcado na cara do guarda-redes.
5. Fejsa. Para o Lage o estar a meter em jogo é porque o Fejsa conta mais do que inicialmente se poderia pensar e isso muito provavelmente resulta de uma grande pré-época do sérvio. Na prática e no jogo jogado, eu não consigo ver uma grande mais valia naquele que já foi um grande médio defensivo do Benfica. O Fejsa não recupera tantas bolas como já recuperou, entra muitas vezes à queima e ofensivamente a sua contribuição é nula. A equipa ressente-se muito quando tem o Fejsa em campo porque é sempre menos um apoio que temos. Bruno Lage de certeza que tem uma ideia para ele. Por isso é que está a jogar. Eu é que até agora ainda não a consegui ver.
6. Nuno Tavares. A brincadeira de o meter a lateral direito já começa a não ter piada nenhuma. É que ofensivamente nem como apoio serve. Está sempre a travar as jogadas para puxar a bola para o pé esquerdo porque o pé direito é para subir o autocarro e pouco mais. A culpa não é dele e provavelmente Bruno Lage não tem uma solução melhor, mas isto não está a funcionar nada bem e limita muito a nossa construção (e o jogo do Pizzi). Quando passou para a esquerda foi outra coisa completamente diferente. O Grimaldo que se cuide.
7. Ferro e Grimaldo. Foi um jogo muito complicado para os dois. O Castillejo estava a jogar meio a apoio do avançado, meio a médio direito mas entrava sempre nas costas da nossa defesa pelo centro do terreno, permitindo que o Calabria, defesa direito, subisse. Como o Rafa não baixava muito para acompanhar o Calabria, o Grimaldo ficava sempre de olho no lateral e deixava muitas vez o Castillejo para o Ferro. Isto passava-se tudo numa fracção de segundos. Muitas vezes a bola entrava do meio do campo para as costas do Ferro em vez de na ala direita e valeu-nos o Odysseas que fez 2-3 grandes defesas. Na segunda parte a coisa melhorou e conseguiram apanhar o Castillejo várias vezes em fora de jogo, mas estivemos muito expostos ali.
8. Substituições. Depois do golo do Taarabt, Bruno Lage fez a primeiras substituições. Ninguém entrou especialmente bem, mas também ninguém esteve mal. Florentino teve um ou dois bons corte. Chiquinho teve detalhes interessantes. Caio Lucas criou boas oportunidades mas não decidiu muito bem. Zivkovic teve uma boa oportunidade mas não finalizou. Samaris continua a ser um caso estranho para mim. Foi dos melhores jogadores do Benfica na época passada. Sempre a um nível muito alto. Mas agora não tem jogado muito. Não sei se é por não estar a 100% ou outra coisa qualquer. É só estranho. Principalmente porque nos poucos minutos que teve nos EUA, pareceu-me encaixar-se melhor na equipa que o Fejsa.
Tendo em conta a temperatura, o estado do relvado (regado à mangueira durante o intervalo) que estava cheio de areia, o cansaço acumulado dos jogadores, não foi um mau jogo. A equipa tem capacidade para muito mais e noutras condições (jogadores devidamente repousados, outro relvado) acho que o nosso futebol vai fluir de outra maneira. Há aquelas desatenções defensivas que me preocupam um pouco, até porque apesar do Sporting não ter a qualidade do Milan, tem um grande jogador no meio campo que com 3 metros de espaço é capaz de fazer golo de qualquer lado no último terço do campo. Ofensivamente e tendo em conta que o Sporting ainda não teve um jogo que não tenha sofrido dois golos nesta pré-época, acho que pode ser uma Supertaça muito boa. Vamos ver como corre.
Neste momento, já só duas equipas podem ganhar a ICC. Nós e o United. Para sermos nós o United tem que perder, empatar ou ganhar por 1 ou 2 golos contra o AC Milan na última partida. É verdade que não jogámos contra Bayern, Barcelona, Atlético, Juventus ou Tottenham, mas estivemos bem acima da média nesta prova. Agora é dar continuidade.

PS: Que belo equipamento do AC Milan. Fiquei com inveja, Adidas."