Últimas indefectivações

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Fim de ano, com vitória... e qualificação muito bem encaminhada !!!

Nacional 0 - 1 Benfica

Tendo como objectivo conquistar a nossa 5.ª Taça da Liga, hoje, na Choupana, o mais importante era não perder. Pessoalmente, sabendo que em caso de qualificação para as Meias-finais vamos jogar fora, no Alvalixo ou no Dragay - muito provavelmente... -, tudo isto no super-carregado mês de Fevereiro - com PAOK e Tottenham se tudo correr bem... além dos Quartos-de-final da Taça de Portugal -, nem me 'importava' com uma não qualificação, mas com a vitória desta noite, será quase impossível este cenário não acontecer...!!!
Aos lesionados, por opção, juntámos mais alguns titulares na lista de ausentes - Luisão, Matic, Maxi... -, mesmo assim, mais uma vez sem deslumbrar, vencemos. Com alguma sorte no golo, é verdade, mas sem que o Nacional - recente 'carrasco' dos Corruptos e dos Lagartos, relembro isto, porque tenho a certeza que nas próximas horas e dias vamos ouvir e ler a habitual campanha de desvalorização do nosso adversário...!!! -, a jogar na máxima força, tivesse criado muitos problemas, com excepção a uma boa defesa do Oblak e uma bola no poste, numa jogada onde cometemos vários erros: mau passe do Sulejmani; Siqueira não tem que subir naquele momento do jogo; Fejsa não consegue 'matar' a jogada, fazendo falta; e o Jardel deixou-se antecipar...!!!
Começamos bem, fomos perdendo gás, permitimos alguns 'contra' perigosos. Voltámos a estar por cima, marcámos, e voltámos a recuar. Mesmo assim fechámos a 1.ª parte com 60% de posse de bola. No 2.º tempo optámos por uma postura mais recuada, o Nacional acreditou, aumentou a agressividade, o Xistra recorreu à velha estratégia de estar vários minutos consecutivos sem marcar uma única falta a nosso favor (além da impunidade disciplinar aos Madeirenses...), mas com a entrada do Rúben Amorim, voltámos a ter controle do meio-campo, e depois de uma longa ausência, voltámos a aproximar da baliza adversária, com alguns remates...
A única surpresa da noite terá sido a aposta do Nico atrás do Lima, uma estratégia muitas vezes reclamada pelos adeptos, mas pouco utilizada pelo Jesus. Com o Matic na equipa, o Enzo pode perfeitamente fazer aquele papel, como fez com o PSG na Luz.
Ninguém merece especial referência, dos menos utilizados, apesar do erro na jogada da bola ao poste, gostei do Jardel... O Lima continua inconsequente; o Markovic continua ingénuo!!! O Nico esteve nas suas sete quintas, se fosse ele a decidir era ali que jogava sempre!!! O Sílvio dá-se melhor na esquerda, o Siqueira entrou com a vontade toda, se calhar demasiada, pois parecia um extremo...!!!

Benfica Elite Training Camps 2014

Revolta dos pobres e remediados

"Era uma questão de tempo: a revolta contra o regime de transferências de jogadores de futebol. Depois da coragem de Bosman quanto às indemnizações para possibilitar a mudança de clube, o “sistema” reconstruiu-se à volta do “Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores” da FIFA, repercutido nos regulamentos das federações internacionais. Uma reconstrução baseada no pagamento de “compensações pela formação” dos atletas, por um lado, e na possibilidade irrestrita de clausular o montante das indemnizações pela “rescisão” unilateral, antecipada e sem fundamento dos contratos de trabalho.
Uma reconstrução que fundou a construção de “direitos económicos” e “direitos desportivos” para a transacção dos “passes” dos jogadores, com a concomitante entrada dos “fundos” na partilha económica. Uma reconstrução que potenciou uma oligarquia de clubes ricos, jogadores “galácticos” (ou perto disso) e empresários opulentos, funcionando numa espécie de oligopólio conjunto. Uma reconstrução que compartimentou “mercados” e “campeonatos”, tendo em conta onde se “recruta”, onde se “valoriza” e onde se “vende” com os valores mais elevados e especulativos das cláusulas de rescisão (ou, se quisermos, “de negociação”).
A FIFPRO (a federação internacional que representa os jogadores profissionais) anunciou neste final de ano o início da batalha contra o “sistema” junto da Comissão Europeia, do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e do Tribunal de Justiça da União Europeia: “uma acção legal bem sustentada” contra o modelo vigente. Um modelo que, segundo a FIFPRO, atenta contra os princípios de liberdade de circulação dos trabalhadores; “cria uma espiral de desequilíbrios que só beneficia os clubes mais ricos e os empresários”, evidenciada com a percentagem residual de 2% dos valores de transferências que chega aos clubes mais pequenos; concentra 28% dos 550 milhões de euros movimentados em transferências anuais nos bolsos dos empresários; gerou um fosso entre jogadores pagos como reis e a horda de trabalhadores sem salários pagos, que, por isso, se tornam “vulneráveis para a indústria de manipulação de resultados e ameaçam a credibilidade das competições”; um modelo em que urge, por fim, corrigir os abusos das “cláusulas de rescisão”. A FIFA e a UEFA parecem não querer avançar com uma reforma global, em que se juntariam as disciplinas dos “fundos” e do fair play financeiro. Seria a melhor forma de prevenir uma nova onda de “desregulação” caso a FIFPRO consiga fazer de “novo Bosman”. Pois a precaução valeria mais que a cura. A verificar em 2014."

domingo, 29 de dezembro de 2013

Em frente na Taça...

Benfica 96 - 47 Guifões
25-15, 27-21, 23-3, 21-8

Obrigação cumprida, com uma segunda parte onde 'não deixámos' o adversário marcar... A única nota 'negativa' foi não ter chegado aos 100 pontos!!! Assim estamos nos Quartos-de-final da Taça de Portugal, a competição que nos tem 'escapado', inexplicavelmente, nas últimas épocas!!!!
Ainda bem que este jogo foi adiado, assim deu para 'matar' as saudades, de um joguinho das modalidades nesta quadra...!!!

Mão de Lolo !!!

Atlético 0 - 1 Benfica

Não estamos nada habituados a vencer com um golo ilegal!!! É um fenómeno tão invulgar, que ficamos quase sem palavras!!!
Em directo, não me apercebi de nada, aliás a maior parte dos jogadores do Atlético também não... e mesmo aqueles que viram uma Mão na bola, provavelmente não sabiam se era do Lolo, ou de um defesa do Atlético!!! Mas na repetição a ilegalidade é clara... não sei se o Espanhol, teve intenção, mas foi 'muito bem' disfarçado!!!
Também não deixa de ser curioso, que ainda esta semana ouvi o Pedro Henriques (ex-árbitro, actual comentador...) a elogiar o Hélder Malheiro (e não é o primeiro a fazê-lo...). A nomeá-lo mesmo como o próximo 'Proença'!!! 'Taltento' parece que tem, só falta acertar a 'cor'!!!
Este não foi o único erro do árbitro na partida, mas foi aquele que teve influência directa no resultado: houve cantos ao contrário, lançamentos ao contrário... e muitas faltas para a amarelo, principalmente feitas pelos homens da casa, que ficaram em branco..!!!

O jogo, até foi agradável, na 1.ª parte. O relvado estava em muito mau estado, mas o Benfica jogou bem, com vários remates perigosos à baliza, e com o Varela a ser um espectador... Ao intervalo, em vantagem, o Benfica resolveu controlar o resultado, e isso quer dizer que jogámos mais recuados. O Varela voltou a ter pouco trabalho, não não havia necessidade...
Destaco os 9 jogadores da Formação no 11 inicial: só o Semedo e o Lolo são 'estranhos'!!! A dupla Rúben Pinto, João Teixeira está em muito boa forma, o Dino e o Semedo estão a ganhar ritmo... e estou curioso para ver o Lolo 'encaixado' na equipa principal: o oportunismo, técnica q.b.,  remate espontâneo, e a raça/esperteza castelhana parecem ser uma boa mistura!!!

ADENDA:  A forma como a Benfica TV (e o site do Benfica) tentaram esconder o erro do árbitro, não fica bem, ao Benfica. Este tipo de estratégias são de outros, não são do Benfica. Quem não deve não teme. Um erro de arbitragem, é admissível... décadas de erros, sem para o mesmo lado... não tem comparação!!!

Mulher do Benfica !!!

A nossa Ana Dulce Félix, venceu ontem a São Silvestre de Lisboa, no formato 'guerra dos sexos', com a prova feminina a sair com alguns minutos de avanço!!! Este tipo de competição creio que nasceu no Triatlo, e normalmente são os homens que vencem... Sendo que em Lisboa, com este triunfo, temos 3-2 para as meninas!!!
O Ricardo Ribas, marido da Dulce, ficou em 2.º na prova masculina, atrás da sua esposa (vai levar nos ouvidos de certeza!!!), e o nosso homem do Triatlo, João Pereira, ficou em 3.º!!!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O fado do 31

"1. Há quem lhe chame bazófia. Outros preferem bravata, fanfarronice, farronca, embuste, empáfia, prosápia, ou mesmo charlatanaria ou paparrotice. Por mim é igual. São palavras giras. Geralmente, os autores dessas tais jactâncias, caem no ridículo como se caíssem num pântano de areias movediças. E o ridículo pode não matar, mas cola-se ao corpo como uma mancha de óleo e não há terebentina que a apague.

2. É vê-los, nos pim-pam-puns das televisões e dos jornais: sabem tudo! Arvoram-se em directores-desportivos, em presidentes de clubes, me treinadores e até em médicos. Falta a muitos deles inteligência e alfabetização, mas sobra-lhes uma falsa sapiência que atinge as raias da loucura. Se fossem simplesmente loucos, dava-lhes todo o valor. Mas como não passam de mais actores em peças de teatro miseráveis, mudo de canal ou viro a página.

3. Quem se vangloria sujeita-se a que, em público, o acusem de mentiroso. A decrepitude pode ser encarada com nobreza, porque a idade a todos corrói, ou pode ser vivida de forma grotesca. É uma opção de cada um de nós. Há gente que publica livros e não sabe alinhar uma frase de forma decente, nem de viva voz. Mas, pelos vistos, domina a mentira na sua versão oral e escrita. Versões pelintras de uma opulência mitifica. Ou, bem à portuguesinha, «Olariló Pistaré! O fado do 31!»"

Afonso de Melo, in O Benfica

50 minutos sem rematar à baliza...

"Ontem tive um dia cheio de trabalho, daqueles sem folga para mais nada. No tempo que corre, ter muito trabalho é razão de satisfação e não de protesto. Mas quem gosta de futebol fica com tristeza por perder um boxing day como o de ontem. Em Inglaterra sabem como promover o futebol, ver um Man. United com cinco golos, seguidos de um Arsenal, um Chelsea e terminar com um Man- City-Liverpool é cardápio de luxo. Por cá, bastava sentar no sofá, ligar a Benfica TV e degustar futebol enquanto se acabava com as rabanadas da véspera. Foi o meu sonho de ontem, não realizado. Ontem não me empanturrei de bom futebol.
Em Portugal temos três equipas empatadas na liderança, o que poderia nem ser surpresa, não fora uma delas ser o Sporting. Este Sporting supera as expectativas. Umas análise crítica e séria a este campeonato só tem duas hipóteses, ou dar os parabéns ao Sporting ou criticar Benfica e FC Porto. Em fim de semana de Sporting-FC Porto, deixo um prognóstico, que não um desejo, tudo que não seja ma vitória fácil do FC Porto em Alvalade é para mim surpresa. Gostava que o Benfica jogasse na Madeira com uma equipa para garantir um bom resultado, a Taça da Liga é um título que, como outros, também quero vencer. No ano em Jorge Jesus foi campeão, ganhou a Taça da Liga com vitória esclarecedora. A gestão que desejo no Benfica é ganhar, ganhar, ganhar. Ao contrário daquilo que senti contra o Arouca e Olhanense, contra o V. Setúbal o Benfica não permitiu grandes (nenhumas) oportunidades ao adversário. Mas, realmente, 50 minutos sem rematar à baliza é facto que intriga benfiquistas. Esta pausa pode e deve trazer de volta o nosso bom futebol, a começar já na Taça da Liga. Eu sou daqueles que acreditam num 2014 de vários títulos, e que o fantasma da última época vende jornais mas não intimida a equipa."

Sílvio Cervan, in A Bola

Um ano duro

"Não é fácil escrever sobre 2013. Andámos entre o céu e o inferno, passámos da euforia à depressão, tudo em apenas vinte dias. E ainda não nos recompusemos totalmente.
No dia 6 de Maio estávamos, 23 anos depois, apurados para uma Final europeia, e bastava-nos vencer Estoril, Moreirense e V. Guimarães para, 27 anos depois, voltar a conquistar a 'dobradinha'. Vivíamos, então, às portas de uma das melhores épocas de sempre. No dia 26 de Maio, tínhamos perdido tudo.
Os golpes foram fundos. Sobretudo o desferido por um tal Kelvin, cujo nome ainda me arrepia pronunciar, aos 92 minutos de um jogo cuja memória ainda me custa digerir.
Na hora do balanço, não é justo, não pode ser justo, limitar o ponto de vista estritamente aos troféus que nos fugiram das mãos. Todo o percurso dos quatro primeiros meses do ano foi fantástico, e merece ser relevado.
A chegada a uma Final europeia não é, não pode ser, uma perda - entra para a história, como, por exemplo, a de 1983. A mágoa não tem de trazer indignação, agitação, nem qualquer caça às bruxas. O que não significa que descole facilmente das nossas almas, até porque a nova época ainda não nos deu motivos para esquecer a anterior.
Para lá do Futebol, pode dizer-se, porém, que 2013 foi um ano de sucesso. À cabeça de uma lista de triunfos surge o Hóquei em Patins, com o inédito título europeu, conseguido em circunstâncias particularmente saborosas (de que, infelizmente, devido a um motivo familiar da força maior, não pude desfrutar) -, ao qual se seguiram, já na nova temporada, outras conquistas internacionais. Os campeonatos de Basquetebol e Voleibol também vestiram de vermelho. O Futebol Formação trouxe-nos títulos em duplicado (Juniores e Juvenis) o que não acontecia desde 1989. O impressionante Museu Cosme Damião foi inaugurado. A Benfica TV entrou numa nova fase da sua vida.
2014 está à porta. A serenidade e a união são as melhores chaves para o tornar melhor que 2013. Um desejo? Que a sorte nos devolva aquilo que nos retirou."

Luís Fialho, in O Benfica

Natal (quase) vermelho

"O tempo é de balanço. Balanço de Natal, quase meia temporada cumprida. Natal vermelho? Não. Infelizmente, não. Natal desbotado? Não. Felizmente, não.
O Benfica lidera a Liga portuguesa, ainda que em igualdade pontual com o Sporting e o FC Porto. Certo que os desaires caseiros, duas igualdades inoportunas e de todo imprevistas, macularam uma campanha, que até começou mal, a Madeira, mas já conheceu séries vitoriosas, conferindo fôlego emocional ao universo benfiquista.
Com tudo em aberto, inclusive já cumprida a deslocação ao anfiteatro de Alvalade, não existe nenhuma razão para descrer numa temporada vermelha. O mesmo juízo pode e deve ser feito com valimento para as outras duas competições domésticas. Na Taça de Portugal, Sporting já eliminado na Luz, o trajecto só pode estar aberto na direcção do Jamor, respeitando-se todos os oponentes,ainda que sem qualquer receio. Tal e qual como na Taça da Liga, de resto uma prova com histórico hegemónico do Benfica.
A eliminação da Champions, reconheça-se, foi um percalço assinalável, por mais que o pecúlio pontual (dez pontos averbados) traduza consistência, só que aquele jogo em Atenas (atípico, invulgar, cruel) aniquilou as legítimas ambições ao apuramento. E agora? Liga Europa? Qual o temor de assumir a candidatura à vitória, ademais depois da presença na final no último ano?
Este Natal não é totalmente vermelho, mas o vermelho não desbotou. Mais segurança, mais ambição, mais apoio. Essa bem pode ser a receita para uma época de epílogo vermelho."

João Malheiro, in O Benfica

Ano de azares

"1. Com uma difícil vitória em Setúbal - bem melhor o resultado que a exibição... -, estamos chegados ao final do ano, no que ao Campeonato diz respeito. Ano que não deixa saudades. A par de alguma inaptidão (mais flagrante no Final da Taça e na parte inicial desta época), houve também muito azar naquele terrível mês de Maio. O empate com o Estoril, quando tínhamos o merecido título na mão, foi trágico. Depois, perdemos no Porto nos descontos de tempo. A seguir, fomos os melhores na Final da Liga Europa (grande exibição!) mas perdemos muito imerecidamente. O jogo no Jamor já foi o resultado de todos os azares anteriores.
Se acabámos muito mal, não começamos melhor. Primeiro com a lesão de Sálvio, um dos melhores elementos do plantel. Depois, entre vários outros impedimentos, os de Cardozo (que estava a fazer a sua melhor época de sempre) e de Rúben Amorim (que se revelara fundamental na nova opção táctica) foram determinantes neste começo de Campeonato aos soluços.
Entre azares (nomeadamente em Atenas) e culpas próprias (empate caseiro com os gregos), o Benfica 'conseguiu' ser eliminado da Liga dos Campeões somando nada menos de 10 pontos. Enfim, tudo a correr mal neste ano, durante o qual a Direcção fez uma forte aposta na equipa.
Valeram as modalidades: o Hóquei ganhou o título europeu (e, para mais no rinque do FC Porto) e o Atletismo, Basquetebol e Voleibol sagraram-se Campeões Nacionais.
Claro que queremos sempre ganhar tudo (e só nós o podemos conseguir, pois estamos em todas as principais modalidades) mas, não sendo possível, o balanço foi largamente positivo. E, nesta época, voltamos a estar na luta em todas elas.
Resta, neste bravo balanço, referir o momento alto do ano: a inauguração do nosso excelente Museu Cosme Damião. Nem tudo foi negativo...

2. Bastou um inesperado empate, quando já faziam a festa do Natal, para que presidente do Sporting, Bruno Carvalho, que até aqui surpreendera pela positiva, perdesse as estribeiras e desatasse a enviar críticas e recados para todos os lados, sem o mínimo nexo. Por esta amostra, quando o seu clube começar a perder, vai ser o bom e o bonito..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Natal

"O meu avô Guerra, que era minhoto e Benfiquista, costumava levar-me ao circo pelo Natal, no Coliseu dos Recreios. Mas houve um ano que me levou ao Campo Grande para ver o Benfica. Fomos de eléctrico, dos Restauradores ao Lumiar, e o meu avô disse-me que, se tivéssemos ido mais cedo, teríamos porventura encontrado uma ou outra das estrelas do Benfica que em dias de jogo viajavam para o campo nos amarelos da Carris.
Jogavam pelos nossos, entre outros, Jacinto, Moreira, Francisco Ferreira, Félix, Rogério, Julinho, Arsénio, e eu fiquei maravilhado com o que vi. De tal maneira que até acreditei que era especialmente para mim, que me estreava a ver Futebol a sério, que todos jogaram tão bem e pespegaram com seis golos ao Vitória de Setúbal, que marcou o ponto de honra quando já havia espectadores a sair do recinto.
Como era miúdo, e os adeptos me tapavam a vista para o campo quando se levantavam a festejar a equipa, contei a maior parte dos golos pelos gritos e aplausos.
Naquele tempo não se chamava hat-trick, mas Julinho marcou três, Rogério e Arsénio mais dois e do outro não me lembro.
Depois, como residia fora de Lisboa, passei a ver o Benfica só quando a equipa ia jogar perto de mim, no campo da Amoreira.
Mas agora, no Museu do Benfica, rememorei que aquele velho Campo Grande foi palco de algumas das maiores goleadas do Glorioso: 12-2 ao Porto, em 1943, 7-2 ao Sporting, em 46, 13-1 à Sanjoanense, em 47, ainda hoje recorde das goleadas no campeonato nacional, 9-0 ao Vitória de Setúbal em 1954, na despedida do Campo Grande.
Sei que aquele foi um Natal redondo, com 11 de cada lado, e no fim ganhou o Benfica. Mas não sei se tudo se passou assim mesmo ou se isto foi em grande parte sonho de uma quadra de Natal."

João Paulo Guerra, in O Benfica

O que representa o 'boxing day'

"No dia de Natal, em Los Angeles, defrontaram-se os Lakers e os Heat, duas das mais sonantes marcas do basquetebol profissional norte-americano. No Stapples Center estiveram, a trabalhar, alguns dos desportistas mais bem pagos do planeta, de Pau Gasol e LeBron James, sem um queixume, uma lamúria que fosse por não terem tido o Natal que provavelmente gostariam. Contribuir para o sucesso da indústria do basquetebol é um imperativo e como ninguém quer, não digo matar, mas pelo menos pôr a dieta a galinha dos ovos de ouro, a solução é calçar os ténis e produzir um espectáculo de altíssimo nível para os consumidores que estão naquele dia particularmente disponíveis.
Na Premier League inglesa, ao contrário da NBA, não se jogou a 25 de Dezembro mas jogou-se a 26, no famoso boxing day. E houve grandes jogos, o mais fabuloso dos quais o Manchester City-Liverpool, que foi um verdadeiro banquete natalício de futebol. Estádios cheios, audiências televisivas tremendas (em todo o mundo), ou seja, os consumidores com altíssimo índice de satisfação.
Nos Estados Unidos e em Inglaterra a indústria do desporto é próspera também porque vai à procura da maior disponibilidade, física e financeira, dos adeptos. São, pois, bons modelos para serem seguidos. Por Portugal também.
Não digo que se jogue a 25 ou a 26 de Dezembro, por cá não há essa tradição. Mas dever-se-ia seguir o princípio de jogar quando é mais conveniente para quem vai aos estádios, dar espectáculo no dia e hora onde a disponibilidade de quem paga é maior.
E se esse princípio fosse seguido, a calendarização dos principais provas seria, por certo, muito diferente, bem como o formato das competições. Por isso é que uns têm e outros não..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Bastidores...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Então não são três os tenores?


"Para Pinto da Costa Lisboa já não é Lismá. É Lisóptima. Assim sendo, como é que o presidente do FC Porto pode ter tempo e paciência para responder ao presidente do Sporting?

DEPOIS de ter declarado que tinha vergonha de pertencer ao mundo do futebol, o presidente do Sporting deu os parabéns «aos dois presidentes dos dois clubes» com quem passou a partilhar a liderança do campeonato.
Francamente já não sei bem se Bruno Carvalho deu primeiro os parabéns aos outros dois presidentes e se só depois é que declarou ter vergonha de pertencer ao mundo do futebol ou se, pelo contrário, foi pela ordem inversa que falou.
E, na verdade, tanto faz. Já foi há muito tempo, foi há cinco dias.
Devo dizer que quando escrevo estas linhas ainda só se passaram dois dias sobre as declarações produzidas por Bruno Carvalho logo a seguir ao jogo com o Nacional, em Alvalade. Até este momento, nenhum dos dois presidentes citados pelo presidente do Sporting se deu ao trabalho de lhe responder, com ou sem a ironia do costume, à vontade dos fregueses que têm estilos distintos.
Duvido que o venham a fazer, isto se menosprezo da minha parte por Bruno Carvalho que é presidente de um dos grandes de Portugal e, assim sendo, por inerência de cargo, sempre que fala é obrigatório que seja ouvido com a maior atenção nas sedes dos rivais, o que não parece ter sucedido, pelo menos desta feita.
Pressinto ainda que se alguma vez lhe responderem o farão de modo telegráfico. E sem STOPS, como antigamente.
Se queremos manter vivas as mitologias e o folclore do nosso futebol temos de velar pelo cumprir dos preceitos. E, por isso, considero uma grande falta de educação dos dois presidentes não responderem com a mesma abundância ao outro presidente.
Nós cá temos três grandes, é ponto assente. E estes trios sempre funcionaram muito bem em todas as áreas do espectáculo. Lembram-se dos Três Tenores? Eram três, Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti, certo?
Podiam não cantar sempre todos ao mesmo tempo, havia momentos em que cantava mais um do que os outros mas, entre aqueles três, ninguém ficava sem resposta por muito tempo. E o público adorava.
Esta coisa de deixar Bruno de Carvalho a cantar sozinho não é, portanto, de bom-tom mesmo admitindo, contrariada, que os dois presidentes mudos tenham, muito simplesmente, outras coisas em que pensar e mais com que entreter do que ter de responder a um Rigoletto, que até barítono e não tenor. É desprezo, é classismo? É e sou contra.
Pinto da Costa tem andado atarefado a lançar o seu último livro. Esteve recentemente em Lisboa a fazê-lo e afirmou-se, na ocasião, como «anti-nada» e «de Portugal». Isto quando falava sobre a sua relação com a Capital a propósito da famosa guerra norte-sul que alguns o acusam de ter patrocinado.
Para Pinto da Costa Lisboa já não é Lismá. É Lisóptima.
O importante não é rescrever o nome da cidade, o importante, se entendem, será rescrever a História.
Assim sendo, como é que o presidente do FC Porto pode ter tempo e paciência para responder ao presidente do Sporting se está a começar a ficar francamente preocupado com a sua lenda na posteridade?
No que diz respeito ao presidente do Benfica está ausente do país. Dizem os jornais que Luís Filipe Vieira foi passar o Natal com a família a uma antiga colónia. Nem esteve em Setúbal a ver o jogo da última jornada. A propósito dessa mais do que legítima ausência do presidente, escutei lamentos sinceros de muitos benfiquistas acusando-o de não estar com a equipa em mais uma ocasião.
E lamentos, para quê? Pois se, mesmo nos trópicos, o presidente do Benfica conseguiu sonegar 2 pontinhos ao Sporting enquanto abria uma papaia. É pelo menos esta a opinião do presidente do Sporting. Já o presidente do FC Porto tem uma opinião diferente. Noblesse oblige.

AO Vitória de Setúbal-Benfica assisti sentada à mesa de uma cervejaria numa simpática vila do extremo sul do país. Fazia um frio de rachar lá fora e a rua a principal, tão animada nos meses quentes, apresentava-se desolada. Janelas fechadas em todos os lares, nem uma portada entreaberta que deixasse adivinhar uma luz acesa, nada, só escuridão. Na rua não se via vivalma. É o destino do Inverno dos destinos de Verão.
Na cervejaria estávamos cinco. Eu, sentada, à mesa, como já vos disse. Os demais eram três clientes encostados ao balcão e o patrão, atrás do balcão como lhe competia.
Como normalmente transporto sempre comigo uma esferográfica de pouco valor bastou-me o recurso a um guardanapo de papel, que tinha ali mesmo à mão,para ficar profissionalmente apta a tirar notas. Ou seja, a recolher impressões sobre o jogo, meras gatafunhadas com o propósito de não me vir a esquecer de qualquer coisa de interessante dando-se o caso de acontecer e dando-se também eventualmente o caso de, mais tarde, me apetecer escrever sobre o Vitória de Setúbal-Benfica.
E é esse guardanapo de papel que tenho agora à minha frente quando me preparo para escrever sobre o assunto, tal como previ que viesse a suceder na noite gelada de sexta-feira da semana passada.
A primeira nota reza «1.ª parte» ao alto do guardanapo. E todo esse lado do guardanapo ficou reservado para as ocorrências dos primeiros 45 minutos. Sou metódica, incrivelmente metódica.
A segunda nota, já com o jogo a decorrer, reza «5 chaveiros» e, na verdade, a sua génese nada tem a ver com futebol. Trata-se somente do registo de uma curiosidade. É que, frequentando há tanto tempo aquele local, nunca tinha dado conta de que a sua decoração constava de cinco gigantescos painéis forrados a pano verde onde se alinhavam milhares de porta-chaves, provavelmente oferecidos pelos clientes. Ou isso ou trata-se de um triunfal espólio emoldurado de um coleccionador persistente.
A terceira reza «cachecol» e foi apressadamente redigida já bem perto do intervalo.
Sinto o dever de ter de me explicar. Porque, à primeira vista, uma coisa destas soa de todo inexplicável e até muito pouco profissional. Poderão alguma vez as notas tiradas no decorrer de uma parte inteira de um jogo de futebol resumir-se a supostos criptogramas como «5 chaveiros» e «cachecol»?
Poderão, sim.
A nota «5 chaveiros» explica-se facilmente visto que não me lembro de ter alguma vez passado quarenta e cinco minutos de um jogo de futebol, e era a minha equipa que jogava, a olhar para as paredes em vez de olhar para o aparelho de televisão, tal foi o desapontamento face ao espectáculo proporcionado.
Quanto à nota «cachecol», escrevi-a de jacto no já mencionado guardanapo quando reparei que me tinha esquecido do cachecol no restaurante onde previamente jantara. E, fazendo um frio dos diabos, como comecei por afirmar, seria da maior conveniência passar por lá no fim do jogo a recuperar o abafo. Escrevi «cachecol», portanto, para não esquecer de o ir buscar.
Na segunda parte, tomei mais notas porque aconteceram mais coisas, nada de especialmente extraordinário, é verdade, mas aconteceram. Resumem-se a isto que todos vocês já sabem: o Benfica marcou dois golos e ganhou o jogo. Houve uma nota que gostei de gatafunhar. Cá vai: «bola para um lado guarda-redes para o outro.» Era para não me esquecer do modo como Lima converteu em golo uma grande penalidade.
À saída, com o sobretudo abotoado até cima à falta de cachecol, quando passei diante do balcão ainda ouvi um cliente dizer para outro:
- A única coisa boa foi não termos sofrido golos a ver se o treinador não tira o Oblak.
Benfiquista que se preze preocupa-se com tudo."

Leonor Pinhão, in A Bola

Critérios (de novo)

"Um campeonato de medíocre qualidade está a tornar-se uma competição entusiasmante. Chega-se ao Natal com os três grandes empatados, o que, creio, nunca acontecera antes. Tudo isto com um Benfica muito abaixo da nota artística do ano passado e parecendo, muitas vezes, anestesiado por um qualquer efeito insondável, um Porto lento, sem imaginação e sem robustez que o vinha caracterizando, e um Sporting transfigurado, jovial e coeso como há meses não se pensaria possível, ainda que aquém do exagero mediático habitual nestas coisas do futebol.
Na última jornada, os leões jogaram pouco e empataram com um inteligente Nacional. No fim, o presidente do clube exprimiu a sua revolta contra a arbitragem e, como se tal não bastasse, atirou-se aos seus homólogos do Benfica e do Porto. E se me parece que tem razão para se sentir incomodado pelo golo anulado, não compreendo que não tivesse, igualmente, ido à sala de imprensa falar do penalty marcado fora do campo na semana anterior com o Belenenses ou do jogo com o SLB na 3.ª jornada. «A vergonha de ser do futebol» que referiu não deveria ter sentido único.
Infelizmente, este enviesamento - natural no simples adepto - é regra nos três clubes. O lamentável é sê-lo ao mais alto nível, com todos os efeitos em cascata dentro e fora de portas. Depois não se queixem das sequelas.
Começo a duvidar se haverá árbitros para a 2.ª volta. Proença e Benquerença, pelo Benfica, Capela, Duarte Gomes e agora Mota pelo Sporting, paixão pelo FCP (neste caso com a singularidade de já não encontrar o Porto desde Janeiro de 2012!) são ódios de estimação. Venham estrangeiros insuspeitos!"

Bagão Félix, in A Bola

Cavaleiro...

Exemplar...

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Em Lisboa caiu uma estrela: Monsieur Chayriguès!

"Recordando equipas francesas de visita a Portugal, fica aqui o registo da vinda do Red Star Amical Clube e do seu guarda-redes vedeta que chegou a receber uma oferta de 12 mil francos/mês do Tottenham de Inglaterra.

«Lisboa não sejas francesa
com toda a certeza
não vais ser feliz
Lisboa, que ideia daninha
Vaidosa, alfacinha
Casar com Paris
Lisboa, tens cá namorados
Que dizem, coitados
Com a alma na voz
Lisboa não sejas francesa
Tu és portuguesa
Tu és só para nós»

ASSIM cantava a Amália. Mas, depois de na semana passada ter falado aqui sobre as primeiras visitas de equipas francesas a Lisboa e ao Benfica, esta semana vou carregar na mesma tecla, por mais que custe aos namorados, coitados, que querem Lisboa só para eles.
No dia 24 de Junho de 1913, desembarcava na velhinha capital do Império um clube com tradições em França, o Red Star Amical Clube, antecessor do Red Star, de Paris, fundado a 21 de Fevereiro de 1897, num café parisiense, por Ernst Weber e Jules Rimet, esse mesmo, o que foi o terceiro presidente da FIFA, entre 1921 e 1954, e deu generosamente o seu nome à primeira Taça do Mundo, a Taça Jules Rimet, que agraciou os campeões mundiais desde 1930 no Uruguai a 1970, no México, quando o Brasil, por via das suas três vitórias na competição, levou definitivamente o troféu para casa.
Quem costuma ter a infinita paciência de me ler, já sabe: tudo isto vem hoje a propósito da visita do Paris Saint-Germain ao Estádio da Luz, para este jogo derradeiro da Fase de Grupos da Liga dos Campeões 2013/14. Seja. Prossigamos.
Em 1913, havia o Red Star Amical Club, descendente do tal Red Star Club Français inventado à mesa do café, cuja estrela vermelha do emblema ou foi inspirada na estrela vermelha do Buffalo Bill, figura eminente do Velho Oeste Americano, ou na vontade da madrinha da instituição, uma tal de Miss Jenny, governanta inglesa, que gostou de ver na camisola dos jogadores a imagem da Red Star Line, uma empresa de navegação criada em 1871 pela unificação da International Navigation Company of Philadelphia com a Société Anouyme de Navagation Belgo-Américaine. Seja como for. Aquele que haveria de ser, mais tarde, o Red Star Footall Clube, foi a partir de 1907 o Red Star Amical Club, esse mesmo, o que desembarcou em Lisboa com a aura e a fama de um clube de grande expressão em França e, por isso mesmo, na Europa.
No ano anterior da sua viagem portuguesa, o Red Star pendurava medalhas ao peito vencendo a recém-criada Ligue de Football Association, o equivalente ao título de campeão francês, para atingir em seguida a final do Trophée de France, perdendo para o Étoile des Deux Lacs.

Um parêntesis importantíssimo
ABRA-SE aqui um parêntesis, daqueles que só enriquecem os anais do Futebol: o interesse pela presença dos franceses em Lisboa prendia-se sobretudo com a fama do seu guarda-redes, Pierre Chayriguès. Nascido em Paris em Maio de 1892, Chayriguès é considerado um grande revolucionário na forma de interpretar a função de guarda-redes, à época ainda muito baseada na expectativa. Primeiro no Levallois, com apenas 13 anos, depois no Red Star, o francês encantava multidões com as suas saídas a punhos, com a forma como se atirava aos pés dos adversários e, sobretudo, com os seus extraordinários «plongeons», mergulhos tão espectaculares como arriscados e que lhe valeram uma carreira marcada pelas lesões.
A sua aura era de tal forma grande que se tornou conhecido por toda a Europa e chegou a receber um convite milionário para jogar pelo Tottenham Hotspur pela verba de 12 mil francos/mês nesse preciso ano de 1913 em que se deslocou a Lisboa. Recusou.
No dia 24 de Junho. Chayriguès estava frente a frente com o ataque do Benfica. Era a véspera da partida de oito jogadores 'encarnados' para o Brasil, integrados na deslocação de uma selecção da Associação de Futebol de Lisboa, a primeira ao país-irmão, o que terá retraído alguns deles.
Mas Álvaro Gaspar, por exemplo, não deixou créditos por mãos alheias. Ou pés alheios, neste caso. Chayriguès foi grande. Nada parecia ser capaz de vencer a sua elasticidade, a sua valentia, a sua técnica com as mãos. Por isso, o golo francês foi-se mantendo pelo tempo fora numa ameaça visível e pesada de uma derrota que parecia inevitável. Não foi. A minutos do fim da contenda, Cosme Damião faz o golo do empate do Benfica. A honra estava salva. Mas, Chayriguès, o grande Chayriguès, saía de Lisboa com a sua fama intacta. Já era um estrela antes da chuva de estrelas em que o Futebol se transformou."

Afonso de Melo, in O Benfica