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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

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No Princípio Era a Bola: José Mourinho não vai fazer milagres que acabem com problemas antigos do Benfica

Mata Mata - Lage saiu, Mourinho voltou e a nova confirmação no “À Presidência”

É caso para se dizer…”Por uma unha se ganha…por uma unha se perde!!!” Tudo feito, tudo corrompido a favor de Sapos e Andrades!


Lembram-se?!

A ilusão da dor!

Mais do mesmo!

Mourinho e a luz ao fundo do túnel


"Benfica precisa de José Mourinho combativo, desafiador, cru, irritante, provocador e especial. Benfica precisa de um abanão forte. Não vai lá com falinhas mansas

Quando Rui Costa apresentou José Mourinho terão sido poucos aqueles que discordaram de que o treinador seria o remédio de que a equipa precisava para o momento. Também houve, é preciso reconhecer, quem discordasse, mas até pela reação adulta dos restantes candidatos às eleições de 25 de outubro depressa se instalou a perceção de que se tratou de escolha certa. Essa ideia só poderá ter sido reforçada, na generalidade, depois das primeiras conferências de Imprensa e da vitória na Vila das Aves.
Mas, seja com Mourinho ou outro treinador qualquer, nesta voragem pelo imediato tudo mudou com o empate do Benfica, na Luz, com o Rio Ave.
A realidade é, como sabemos e muitas vezes ignoramos, consciente ou inconscientemente, sempre mais complexa. Não é que o futebol, como anunciou o treinador Renato Gaúcho quando anunciou a demissão do Fluminense, ontem de madrugada, esteja a acabar, para jogadores e treinadores, sob o efeito ruim das redes sociais, que amplificam os elogios quando se ganha e as críticas quando se perde. Mas, por essa circunstância, também muito mudou.
Não apenas no futebol, a política é também um bom exemplo. Tudo se tornou ainda mais epidérmico, não há paciência ou tolerância para nada que fuja das bolhas em que vivemos e nas quais nos sentimos confortáveis.
É, pois, num contexto de más exibições e piores resultados, agravado pelo contexto das eleições, sob um manto de escuridão, que muitos, no Benfica, corroídos por dúvidas e incertezas, interpretaram o regresso de Mourinho à Luz como um sinal de esperança, uma luz ao fundo do túnel.
Mourinho voltou ao futebol português com pezinhos de lã, mais maduro, conciliador, generoso nos elogios, prudente nas críticas, argumentativo nas explicações, como uma espécie de senador, como os italianos, que bem conhece, gostam de dizer.
Bem diferente daquele Mourinho que saiu de Portugal, ainda na Primavera de uma carreira já com títulos com que alguns só podem sonhar, com sangue na guelra. Lembro-me, como se fosse hoje, da reação dos jornalistas e operadores de câmara na cerimónia de apresentação como treinador do Chelsea, que tive a felicidade de acompanhar, em Stamford Bridge, em 2004 — não sabiam bem o que estava a acontecer, nem o que iria acontecer, ficaram a saber que ali estava alguém especial.
E o Benfica precisa, mais do que nunca, dessa aura, de Mourinho combativo, desafiador, provocador, cru, irritante e arrogante. O Benfica precisa de um abanão forte que ninguém melhor que Mourinho pode dar, por conhecer bem as idiossincrasias do clube e do futebol português e por nelas saber navegar.
Que chame, em bom português, os bois pelos nomes. Que aponte o dedo aos jogadores ou a quem quer que seja. Sócios e adeptos precisam, neste momento e mais que nunca, de um líder. E Mourinho disso não se pode demitir.
O Benfica e os adeptos e sócios do Benfica, órfãos de felicidade nos últimos anos, precisam de Mourinho especial, sob o risco de a luz de esperança ao fundo do túnel mais não ser que a luz de um comboio a aproximar-se a alta velocidade."

Sudakov precisa de amigos


"Internacional ucraniano é peça única no plantel agora orientado por José Mourinho e mesmo a ajuda de Lukebakio pode ser curta para um Benfica sem identidade vincada

Foi com José Mourinho que o Benfica empatou com o Rio Ave, mas no banco podia perfeitamente estar Bruno Lage, ou mesmo Roger Schmidt, que as dificuldades não são novas. Rui Costa contratou o melhor treinador português de sempre, não um milagreiro, ainda para mais se falamos de ataque posicional. Será preciso tempo para ver o dedo de Mourinho, mas o problema maior não está nos dias disponíveis para treinar, antes no perfil dos jogadores para jogar.
É indiscutível que o Benfica tem opções mais do que suficientes para jogar melhor e atacar o título, mas continua também evidente que o plantel tem carência de jogadores que assumam influência clara na definição. Desde logo na definição da identidade da equipa, que deveria estar alinhada com a identidade do clube.
Sudakov e Lukebakio, contratados nos últimos dias do mercado de transferências, podem combater esta limitação crónica, como mostraram na construção do golo frente ao Rio Ave, mas ainda assim parece curto, ainda para mais se tivermos em conta o registo intermitente de Schjelderup e Prestianni.
O Benfica tem apenas um jogador verdadeiramente capaz de receber a bola dentro de blocos defensivos recuados e compactos: é precisamente o internacional ucraniano contratado ao Shakhtar Donetsk. Mesmo Lukebakio, cuja estreia gerou o mesmo entusiasmo que geraria água fresca no deserto, é um jogador que desequilibra por fora. Ajuda, claro, ao dar a verticalidade que também escasseia, mas não deixa de ser essencial, nestes contextos, conseguir minar a estratégia do adversário por dentro. Pavlidis e Ivanovic não são avançados de ligação, muito menos com espaços reduzidos; Ríos nunca foi médio de inventar espaços, antes de aproveitá-los.
Aursnes, esse sim, tem capacidade para pensar o jogo do Benfica, mas anda destacado para outras missões, como quase sempre. No próximo jogo até pode ser chamado a compensar a ausência do castigado Enzo Barrenechea, mas talvez valha a pena começar a questionar a titularidade de Ríos, que tem estado ainda mais discreto do que o argentino.
É bem possível que José Mourinho encontre forma de contornar esta limitação, com tempo, mas talvez seja importante alguém levantar o tapete à procura de uma identidade aparentemente perdida. Definir como deve o Benfica jogar, para depois escolher quem deve estar no Benfica a treinar e quem deve estar no Benfica a jogar."