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quinta-feira, 25 de setembro de 2025
Quando se fala de treinadores
"Quando se fala de treinadores, é comum pensar nos grandes nomes que enchem estádios e conquistam títulos. No entanto, a relevância social dos treinadores ultrapassa o futebol profissional: estende-se desde a formação até à elite internacional.
Nos escalões jovens, os treinadores são muitas vezes a primeira figura de liderança fora do ambiente familiar e escolar, transmitindo valores fundamentais como disciplina, respeito, cooperação, e capacidade de superação. Mais do que ensinar a chutar uma bola, ensinam a lidar com vitórias e derrotas, a trabalhar em equipa e a sonhar. Cada treino e cada jogo tornam-se lições de vida, moldando não apenas futuros jogadores, mas sobretudo cidadãos responsáveis.
No futebol amador, os treinadores desempenham um papel essencial na coesão social. Abrem portas a jovens de diferentes origens sociais, promovendo igualdade de oportunidades, integração e sentido de pertença. Muitos rapazes e raparigas encontram no futebol não só um desporto, mas um caminho de amizade, segurança e esperança, afastando-os de caminhos de risco. O treinador é, assim, um mediador social e um exemplo de proximidade.
Ao mais alto nível, os treinadores não só orientam equipas, são modelos de liderança, estratégia e superação, são também gestores de pessoas, capazes de lidar com pressões mediáticas e de manter grupos unidos em ambientes competitivos.
No contexto do futebol português - marcado por orçamentos limitados, grande pressão mediática e exigência de resultados imediatos - os treinadores são obrigados a ser criativos, resilientes e estrategicamente versáteis. São qualidades que não passam despercebidas a clubes estrangeiros, que procuram nos técnicos portugueses uma forma de maximizar os seus recursos com inteligência e eficácia.
Mas, se no estrangeiro os nossos treinadores são cada vez mais valorizados, dentro de portas nem sempre recebem o reconhecimento que merecem. A critica fácil, a exigência desmedida e a constante instabilidade de projetos desportivos, levam a que muitos técnicos portugueses enfrentem carreiras instáveis, com despedimentos prematuros e falta de condições para implementar ideias de forma sustentada.
É necessário pois, um olhar mais justo e ponderado sobre o papel dos treinadores em Portugal. São eles os responsáveis por moldar talentos, por criar identidades de jogo, por desenvolver estruturas competitivas, mesmo em contextos difíceis. Sem bons treinadores, não há bom futebol. E Portugal tem, felizmente, muitos, que em contexto internacional são EMBAIXADORES DE PORTUGAL.
Os treinadores portugueses espalhados pelo mundo (400), são mais do que técnicos de futebol: são embaixadores culturais. Levam consigo a língua, os valores e a criatividade de um país pequeno, mas que ensina o mundo a pensar o jogo de forma inovadora. São símbolos de competência, trabalho e conhecimento.
Valorizar os treinadores nacionais é valorizar o futuro do futebol português. É reconhecer que, por trás de cada vitória, de cada jogador em ascensão e de cada clube que se supera, há sempre uma mente que planeia, decide e lidera. E isso merece respeito e orgulho."
Justiça desportiva mais célere
"A justiça desportiva, especialmente na vertente disciplinar, enfrenta o desafio constante de equilibrar a celeridade decisória com a preservação das garantias de defesa. Em Portugal, o funcionamento eficaz desta área é essencial para assegurar a estabilidade das competições e a segurança jurídica para clubes e agentes desportivos. No entanto, é evidente que os modelos atuais necessitam de reformas estruturais que permitam uma resposta mais rápida e eficiente às infrações desportivas, sem comprometer os princípios da justiça.
Neste campo, temos dois jogadores decisivos: por um lado, o Tribunal Arbitral do Desporto e, por outro, os órgãos de justiça federativa. Centremo-nos nestes últimos e no seu funcionamento.
No plano federativo, o processo disciplinar sumário deve ser visto como o procedimento de eleição para a resolução da maioria dos casos. Este modelo, reformado recentemente para incluir garantias fundamentais como a audiência prévia do arguido, é visto como a solução mais eficiente para responder à maior parte das infrações disciplinares, reservando os processos mais densos e formalizados para infrações muito graves. Por outro lado, os efeitos dos recursos e os prazos procedimentais devem ser igualmente revistos, de modo a favorecer a eficácia das decisões proferidas.
A justiça desportiva, enquanto suporte da credibilidade nas competições, tem de acompanhar as exigências contemporâneas e atender às expectativas de celeridade, mas também reforçar a transparência e a justiça nas decisões disciplinares. A FPF está empenhada em que esta intenção se materialize com a maior brevidade possível."
O dedinho de Lukebakio não chegou para acabar com o trauma nos minutos finais no Benfica
"As águias perderam pontos (1-1) no primeiro jogo de Mourinho em casa. Frente ao Rio Ave, os encarnados entraram mal, melhoraram com a entrada do agitador belga e marcaram por Sudakov aos 86', mas, em tempo de descontos, um golaço de André Luiz gerou nova desilusão na Luz
A aura não evita que o adversário marque nos descontos. A fama não impede a arte de André Luiz. O hype não faz revoluções.
A I Liga é mais interessante com José Mourinho. É mais divertido acompanhar o Benfica com José Mourinho. Mas, por muito que as horas de diretos nos tirem a noção do tempo, nem uma semana passou. O setubalense, entre jogos e viagens, poucas horas de treinos tem. Não há milagres.
Se o Benfica, há uma semana, sofria em ataque posicional, é normal que continue a sofrer. E sofreu. Se o Benfica, há uma semana, sofria diversas vezes golos no fim das partidas, fosse contra o Santa Clara, o Qarabag, o Arouca ou o Sporting, é normal que continue a sofrer.
Assim foi. 1-1 com o Rio Ave, duas rondas seguidas a perder pontos em casa, três jogos consecutivos sem ganhar na Luz. Muitas dificuldades até entrar Lukebakio, a outra diferença face ao outro Benfica. O belga agitou e agitou, fez do jogo que não tinha dribles uma sucessão de dribles. Criou o 1-0, autoria de Sudakov, mas havia a magia de André Luiz, saído do banco para o momento de magia que decidiu o resultado final. O Sporting fica a um ponto e o FC Porto a quatro.
A estreia de José Mourinho na nova Luz enquanto treinador do Benfica foi abraçada com fervor pelo público, caloroso a aplaudir o técnico nos minutos que precederam o apito inicial. Antes da entrada em campo, não era preciso possuir dons de adivinhação para saber onde sentar-se-ia o setubalense: bastava olhar para onde estava o batalhão de fotógrafos, que aguardavam como um bando de gaivotas que aguarda pela chegada do peixe graúdo.
Blazer impecável, camisa branca perfeita, pele sem marcas das mais de seis décadas de vida, Mou colocou-se na linha lateral observador, expectante, farejando o ambiente. Do outro lado estava um clube marcante para o seu pai, que orientou os vila-condenses em 106 jogos e os levou ao marcante quinto lugar em 1981/82 e à final da Taça em 1983/84.
O Mourinho expectante durou poucos minutos. Foi o tempo necessário para perceber que o Benfica entrou amorfo no jogo, ritmo baixo e criatividade escassa, com uma circulação emperrada, como um cano pelo qual a água não fluía. Aos 21', após uma boa saída dos visitantes que culminou num remate defendido sem dificuldade por Trubin, a Luz ensaiou tímidos assobios e Mourinho protestou com a sua equipa, reclamações que rapidamente alagar-se-iam, também, à equipa de arbitragem.
Foi uma noite de hiperatividade Mourinhista, andando de um lado para o outro na área técnica, protestando faltas, protestando contra o VAR, protestando contra a equipa técnica, protestando contra a própria equipa, indo buscar bola para reiniciar o jogo rapidamente.
Um lance de Dahl aos 18' resumiu a primeira meia-hora das águias. O sueco recebeu numa posição que poderia levar algum perigo para Miszta, mas atrapalhou-se com a bola, que lhe foi para o meio das pernas, levando o canhoto a andar à procura dela, parecendo uma criança sem grande noção de coordenação a tentar agarrar um brinquedo.
Aos 28', num lance de confusão helénica entre Pavlidis e Vrousai, o Benfica teve a primeira oportunidade de golo da noite, tendo a segunda surgido mesmo antes do intervalo, numa finalização ao lado de Aursnes. Vrousai, grego, é um dos 11 estrangeiros do onze do Rio Ave, que foi a jogo com futebolistas de nove nacionalidades diferentes, com Grécia, Polónia, Inglaterra, Costa Rica, Espanha, Alemanha, Argentina, Chéquia e Cróacia representadas. Do banco saíram, ao longo da partida, dois brasileiros, dois gregos e um húngaro. Nenhum português.
Chegado à Luz sem triunfos, oprojeto C de Marinakis mostrou uma versão melhor do que se tem visto, mais capaz de ligar passes, de afastar a pressão dos encarnados e, durante boa parte do desafio, limitar os ataques dos da casa. Apesar de começar com Clayton, o goleador do campeonato, e André Luiz, agitador-mor, no banco, o Rio Ave soube incomodar o favorito que visitava, ficando a lamentar a má decisão de Aguilera num três contra um após o descanso.
Perante a falta de ideias à frente, foram os de trás a tentar empurrar a equipa. Aos 60', Otamendi batalhou por uma bola e cruzou para António Silva, que atirou para o 1-0. Após longa espera, o raio-X do VAR descobriu uma falta do argentino sobre Vrousai, anulando o golo e entrando o primeiro grande momento de raiva de Mou — sorriso irónico, ar de "agarrem-me que eu vou-me a eles", esbracejar abundante — neste regresso a Portugal
Depois da controvérsia do VAR, Mourinho estreou Lukebakio. O belga, canhoto partindo da direita, deu a energia e vertigem que escasseavam ao Benfica, conferindo o um contra um que um coletivo de pouca presença junto das linhas não possuía. Nos primeiros minutos em Portugal, o ex-Sevilha fez uma boa diagonal que deu em remate para defesa de Miszta, colocou um cruzamento com música para Ríos, assumiu o protagonismo ofensivo. As águias, que não tinham quem arriscasse no drible, passaram a fazer do jogo uma sucessão de tentativas de finta. Bola no debutante e aguardar. Mas o golo não aparecia.
Até que apareceu. Pela fórmula tentada. Lukebakio a galopar pela direita, cruzamento atrasado para Sudakov, golo. Mou ia colocar Henrique Araújo para o assalto final ao golo, mas recuou e fez marcha-atrás, lançando Barreiro para o lugar do criativo ucraniano. Três minutos depois, colocaria mesmo Henrique Araújo.
O culpado? André Luiz. Bola na frente do Rio Ave e o brasileiro à pesca. A equipa de Sotiris tem vivido um pouco disto, jogar nos seus atacantes e ver o que sucede. Desta feita, deu felicidade vila-condense. Ir para dentro, remate em arco, a Luz em trauma, novamente o trauma do fim dos jogos, mais pontos perdidos em casa nos derradeiros minutos."
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