Últimas indefectivações

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Foi apenas um fantasma vermelho de passagem


"No próximo dia 26, o Benfica vai a Glasgow jogar em Ibrox. Só por uma vez lá esteve, no dia 28 de Setembro de 1965, perdendo um particular por 3-1. Quarenta e oito horas mais tarde, estava no Luxemburgo e golear o Dudelange por 8-0 para a Taça dos Campeões Europeus.

O Benfica recebeu o Rangers para a terceira jornada da fase de grupos da Liga Europa, e será caso para dizer, lançando mão ao jargão popular, que se viu da cor dos gatos para sair do jogo com um resultado mais ou menos positivo: 3-3. No próximo dia 26, será a vez de visitar Ibrox, um dos estádios mais fascinantes do mundo, situado nas margens do Clyde e cuja primeira versão data de 1899, o que faz dele igualmente peça digna do museu.
Todos os que já lá estiveram conhecem o ambiente esfuziante que os adeptos do Rangers lhe emprestam desde que saíram do Kinning Park, o local de disputadas antes de Ibrox. Hoje está reduzido a uma capacidade de pouco ou mais de 50 mil espectadores - e o mal que se infiltrou entre nós de forma velhaca fá-lo-á estar mais silencioso do que nunca quando os encarnados lá jogarem -, mas já foi um gigante capaz de albergar, num Rangers - Celtic, o exagero de 118567 pagantes - calcule-se quantas pessoas estiveram nessa tarde de 2 de Janeiro de 1939 se contabilizarmos convidados e borlistas. É evidente que não são números que assustem benfiquistas que viram, na velha Luz, apertarem-se como sardinhas em lata, multidões que ultrapassavam os 120 mil. Mas, seja como for, dispus-me aqui a falar de Ibrox e, já agora, da única vez que o Benfica lá jogou, em 1965, num encontro particular.
Em 1965, todo o mundo, dos Estados Unidos à Austrália, passando pelo Irão e pelo Iraque, queria ver o famoso Benfica. Duas Taças dos Campeões Europeus conquistadas e mais duas finais perdidas tinham colado aos lábios dos amantes desse jogo que os ingleses tratam por association nomes como os de Eusébio e Coluna, Germano e José Augusto, Torres e Simões. Pois, todos eles estiveram em Glasgow no dia 28 de Setembro. Ou, melhor, não estiveram, mas já lá vou.

Um entrave
A expectativa era muita. A despeito de se tratar de um amigável e estar um tempo de alfinetes, mais de 45 mil pessoas correram para os seus lugares na expectativa de verem aquela que era considerada, quase unanimemente, a melhor equipa da Europa. Infelizmente para os adeptos escoceses, o Benfica faltou à chamada. Isto é, esteve mutos e muitos furos abaixo do seu real valor. E, no entanto, lá estavam, vestindo as mágicas camisolas vermelhas, berrantes, os nomes que apaixonavam os maiores amantes do futebol.u
Quando José Augusto, aos 26 minutos, abriu a contagem, todos ainda se convenceram de que o Benfica iria partir para um daqueles atropelamentos mais próprios de um comboio do que de um grupo de apenas onze homens. Nada disso. Mas o golo do meu querido amigo Zé foi lindo: ameaçou e avançou, fez que ia mas não ia, os defesas recuando, recuando, e com a baliza na mira saiu um pontapé colocado e indefensável para o pobre Richie. Edward Kerry, um jornalista escocês que esteve presente nesse jogo de Ibrox, tratou de escrever. 'Acabado um período inicial de dez minutos fulgurantes, nos quais o Benfica demonstrou aquele futebol fluído, agradável e fácil que a todos nós encanta, o Rangers começou a assentar o seu jogo de luta constante no meio-campo e passes longos para os dois pontas-de-lança, McLean e Johnson, e engasgou a máquina portuguesa'.
William Handerson, um rapazinho de apenas 21 anos, natural de Baillieston, um subúrbio industrial de Glasgow, começou a dar água pela barba a Coluna, surgindo consecutivamente nas costas do capitão do Benfica e diminuindo-lhe o habitual raio de acção. A atenção de Coluna passou a ser mais defensiva que ofensiva, e isso mexeu duramente com o colectivo português.
O jogo fora para intervalo com 1-1 (golo de McLean aos 43 minutos), e a verdade é que, apesar do domínio escocês e das escassas investidas do Benfica, com Eusébio e Simões (seria substituído por Yaúca) quase sempre incapazes de desequilibrarem a defesa contrária, matéria em que eram autênticos mestres, deixando Torres à mercê dos poderosos centrais do Rangers, dava a sensação de que iria terminar assim. Diziam os latinos: 'audax fortuna juvat', que é como quem sentencia - a sorte protege os audazes. Mais audazes, os escoceses fazem golos tardios, ambos por Forrest, aos 83 e aos 89 minutos. O público delirou. A surpresa caía sobre Ibrox como uma nuvem escura. Coluna veio a público explicar a derrota: 'O Benfica jogou abaixo das suas possibilidades, mas foi evidente o cerco que fizeram a Eusébio, nem sempre de forma muito correcta. No entanto, quero dizer que perdemos contra uma equipa que jogou com todo o afinco e que mostrou jogadores de qualidade como Handerson, Forrest e McLean, para citar os principais'. Forrest, encontrava outra resposta: 'O Benfica é uma equipa terrível. Tanto defende como ataca no espaço mais curto de tempo possível. Acho que o facto de terem um jogo para a Taça dos Campeões aí a chegar pesou na exibição deles'.
Dois dias depois, em Ech-sur-Alzette, no Luxemburgo, o Benfica iniciava o seu percurso na maior prova da Europa com uma goleada de 8-0 sobre o Stade Dudelange. Talvez tenha valido a pena a poupança."

Afonso de Melo, in O Benfica

O desequilibrador das segundas partes


"Panchito reencontrou a paixão de jogar no Benfica e retribuiu com momentos de pura magia

Para um seguidor de hóquei em patins, falar-se de talento é recordar Panchito Velásquez. Exímio patinador, o argentino aliava à velocidade uma qualidade técnica apurada, que lhe permitia tirar os adversários do caminho com enorme facilidade. Em rinque, era ele e um pavilhão completamente lotado, pois mesmo os adeptos das equipas rivais deslocavam-se aos recintos para o ver jogar. Fruto do seu virtuosismo, ganhou a alcunha de 'Maradona do hóquei'.
Representou o Benfica durante quatro épocas, após ter estado afastado da modalidade ao longo de uma temporada, em conflito com o detentor do seu passe, o Barcelona. De 'águia ao peito' reencontrou a alegria de jogar, condessando: 'vestia a camisola e arrepiava-se, sentia pele de galinha'.
Tornou-se benfiquista e revelava esse sentimento dentro de campo, sendo o principal impulsionador da equipa nos momentos-chave. Dirigentes e colegas 'depositavam a confiança num homem a viver um dos melhores períodos da sua carreira, considerado por muitos o melhor jogador do Mundo'.
A 24 de Março de 2001, o Benfica recebeu o FC Porto, na última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, considerando 'o jogo do ano'. A partida era determinante para o futuro de ambos na competição. Os 'encarnados' necessitavam de uma vitória para selarem o apuramento para a final four, enquanto que para os portistas bastava o empate.
No Pavilhão da Luz cheio, os 'encarnados' contaram 'com um impressionante apoio dos fervorosos adeptos'. Após uma primeira parte equilibrada, Panchito realizou um segundo tempo estupendo. Com uma prestação magistral, 'encheu o rinque de jogadas fabulosas', coroada com um golo de antologia, 'em que ultrapassou tudo e todos'. Os benfiquistas venceram por 7-4, mas o placard até podia ser mais desnivelado, tal foi a forma como se superiorizaram, e 'só não aconteceu porque os postes da baliza portista devolveram a bola por cinco vezes'.
Duas semanas depois, o argentino voltou a ser protagonista! Na final da Taça de Portugal, frente ao Óquei de Barcelos, as equipas foram para intervalo empatadas a uma bola. Na segunda parte, Panchito apenas precisou de dois minutos para bisar na partida, arrancando para uma exibição à dimensão do seu talento. Desequilibrou o encontro 'através dos seus constantes golpes de génio, brilhou intensamente e empurrou a equipa para a vitória'. O Benfica ganhou por 4-2 e arrecadou, dessa forma, o troféu.
Saiba mais sobre esta conquista na área 3 - Orgulho Eclético do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Fundação Benfica


"A pandemia não é igual para todos, em particular as suas consequências económicas e sociais, acentuando desigualdades e expondo crescentemente os mais necessitados.
O Estado tem reforçado os apoios e implementado medidas que visam diminuir o impacto, a vários níveis, da pandemia, enquanto as instituições de solidariedade tentam alargar o raio de ação, bem como o universo de beneficiários, tentando ultrapassar constrangimentos e desafios que se avolumam, incluindo no modo como se implementam os projetos.
É neste contexto que a Fundação Benfica procura manter ininterrupta a sua atividade e, simultaneamente, contribuir para minorar adversidades emergentes da crise pandémica, criando para este efeito o projeto "Juntos cuidamos de Si".
Logo numa primeira fase, houve a doação ao SNS que permitiu a aquisição de milhares de máscaras, fatos, termómetros e dois ventiladores. Colaborou ainda com a GNR na entrega de 3000 kits alimentares para idosos em contexto de fragilidade social e isolamento e procedeu à oferta de mais de cinco toneladas de alimentos às pessoas em situação de sem-abrigo. Mais recentemente, numa parceria com a empresa Active Capital, foram doadas 25 000 máscaras a escolas e 10 000 viseiras a hospitais.
Igualmente relevante é a capacidade demonstrada para assegurar a continuidade dos projetos implementados e dos quais beneficiam milhares de pessoas. São onze as iniciativas a decorrer presentemente.
O projeto "Para ti Se não faltares", de capacitação e combate ao absentismo e abandono escolar, abrange, no presente ano letivo, 480 crianças em dez escolas de Paranhos, Ponte de Sor/Montargil e Lisboa.
O "Community Champions League", presente em 12 freguesias de Lisboa, visa o fortalecimento dos laços comunitários e a promoção da cidadania ativa em pessoas de diferentes origens, incidindo em 150 jovens e respetivas comunidades envolvidas.
O "Hat-trick: Treinar, Jogar e Vencer" destina-se a 75 jovens de 15 a 21 anos da Escola Profissional Gustave Eiffel. É um projeto de intervenção e inclusão, com foco no desenvolvimento de competências pessoais e sociais, e assente nos princípios do projeto "Para ti Se não faltares" e da prática desportiva de Futebol de rua.
O "Benfica Faz Bem", que consiste em proporcionar um conjunto de experiências e interações com atletas e símbolos do Sport Lisboa e Benfica a diferentes grupos que de alguma forma se encontram em contexto de fragilidade social ou de saúde, continua mesmo em contexto de pandemia, destacando-se o recurso às videochamadas com elementos do plantel da nossa equipa de futebol profissional.
O "KidFun – Educação para valores", implementado desde 2014 em itinerância (150 escolas de 18 distritos e 50 concelhos) e que abrangeu 20 000 a 25 000 crianças do 1.º ciclo, teve de ser reformulado nesta fase para eliminar o risco de propagação do novo coronavírus, nomeadamente através da transição para formato online, com adaptação em curso dos conteúdos. As atividades têm início previsto em dezembro, com as inscrições a decorrerem até final do ano.
O combate ao racismo e outras formas de discriminação é feito através do projeto "Show Racism the Red Card". Foram envolvidas 400 crianças, outras 800 têm a participação pendente face à pandemia e serão envolvidas ainda 2400, de forma mais pontual em ações de sensibilização.
Os projetos "Walking Football" (envelhecimento ativo) e "Futebol Adaptado" (desporto inclusivo) têm os treinos e eventos suspensos, o que não significa que estejam parados, com trabalhos preparatórios a decorrerem conforme as necessidades, em particular o reinício dos treinos do futebol adaptado na próxima quinzena.
"Welcome through football" trata-se de um projeto europeu em colaboração com a EFDN e outros clubes membros com o objetivo de promover a inclusão social e a empregabilidade junto de refugiados. O Protocolo já foi estabelecido com o Alto Comissariado para as Migrações, o início das atividades será em dezembro e terá mais de 30 participantes.
Há ainda o projeto "Faz da tua escola um viveiro", em parceria com a Lousitânea - Liga de Amigos da Serra da Lousã, para educação ambiental e apoio específico à reflorestação das zonas afetadas pelos incêndios de 2017, com uma metodologia participativa envolvendo alunos, professores e famílias das Escolas Básicas do 1.º Ciclo.
E, finalmente, o "Benfica Contigo | Assistência Humanitária", através do qual se concebem e implementam estratégias e ações de colaboração em torno de determinadas causas e respostas muito específicas a desenvolver. Enquadram-se, em particular, neste projeto, as causas relacionadas com as catástrofes ambientais que cada vez mais impactam de forma extremamente significativa o nosso planeta.
A Fundação Benfica é um dos ativos mais importantes do Sport Lisboa e Benfica, tornando-se, desde cedo e pelo impacto muito positivo na vida de milhares de pessoas, absolutamente imprescindível."

E a culpa é do denunciante!!!


"Frederico Varandas: «Tenho na minha lista dois juízes-conselheiros do Supremo, um procurador da República, um juiz-desembargador. Acha que estas pessoas não vão fazer braço-de-ferro na justiça pelo Sporting?»
Paulo Silva acusou o Sporting de lhe pedir para corromper jogadores.
Sporting é ilibado e o Paulo Silva é acusado de corrupção.
Afinal o Paulo Silva corrompia em nome de quem? Andava a corromper jogadores por iniciativa própria e só por diversão?
Está tudo dito. Escutas e mensagens de whatsapp a comprarem árbitros e jogadores. Não passa nada. Siga a marinha!"

Benfica FM #134 - Mudanças táticas à vista?

Tino, o recuperador


"Quando no final se escrever a história da época 2020/2021, e muito dependendo do caminho do SL Benfica, poderá tornar-se obrigatório incluir o capítulo Florentino.
A melhor opção para a posição de médio defensivo do Benfica, jogador de enorme qualidade no desarme e capacidade para comer muitos metros, garantindo com isso o fecho do espaço defensivo, e segurança e equilíbrio numérico em momento de Transição Defensiva, seguiu para a Liga Francesa e deixou o Benfica orfão de um médio capaz de ter um grande impacto defensivo. João Tralhão, chegou a compará-lo a Casemiro.
Simplicidade com bola – que não sendo propriamente alguém com grande capacidade para servir os colegas em espaços mais adiantados, tem a virtude de decidir e entregar rápido, ao contrário por exemplo de Gabriel, primeira opção encarnada na posição – e qualidade incrível sem ela.
Florentino regressou a Portugal para ajudar a apurar a selecção de sub21 para um Europeu onde por certo estará presente e para se valorizar."

SL Benfica ‘B’ | Jogadores com futuro, equipa sem ele


"Depois do início auspicioso de temporada protagonizado pela equipa B do SL Benfica – com Gonçalo Ramos a assumir papel de destaque, o que o levou a um papel de obsoletismo na equipa principal -, a turma secundária das águias segue numa série de seis partidas a perder.
É verdade que todas elas foram pela margem mínima, mas não é menos verdade – se as verdades podem ser quantificadas e comensuradas – que esse facto não interessa rigorosamente nada. Foram 18(!) pontos perdidos em 18 possíveis na última meia-dúzia de encontros referentes à Segunda Liga. 
São míseros seis pontos (em oito jornadas) os que soma o conjunto de Renato Paiva (no momento da escrita, ainda é correto fazer referência ao SL Benfica B desta forma, veremos daqui a umas semanas). Os mesmos que o Varzim SC, que carrega a lanterna vermelha por uma questão de diferencial de golos. No entanto, a equipa poveira tem menos uma derrota (e mais uma partida).
O SL Benfica ‘B’ é, de resto, a equipa com mais derrotas na corrente edição da Segunda Liga – a par da outra “B” do campeonato, o FC Porto B (que tem mais um jogo realizado). Metastizam-se, então, pelas redes sociais fora e pelos vários fóruns e polos conversacionais do mundo digital, questões e opiniões centradas no intuito primordial das equipas “B”.
“Interessa é formar os ‘miúdos’ para a equipa A”, argumentam alguns; “Todas as equipas do SL Benfica têm que jogar para ganhar, não é para aprender”, atiram alguns outros. Os apologistas do equilíbrio, como eu, defendem e apelam a uma mistura das duas vertentes: formar e ganhar.
Nada que não se possa cobrar a um clube que conotou às suas equipas de formação o mote, popularizado sob a forma de uma hashtag, “Formar a ganhar”. Pede-se, assim, que se cumpra o mote. Até porque, na realidade (apropriando-me da expressão característica de Fernando Santos), as duas vertentes não apenas devem convergir e coincidir, como coincidem.
Dois motivos soerguem-se, elevando-se em relação a outros de menor relevância. Primeiro, o SL Benfica B tem que interiorizar a mentalidade de “Formar a Ganhar” por ser a equipa A o principal destino – ou o destino pretendido – dos jovens da formação que por lá pululam.
O argumento utilizado para escudar das críticas os maus resultados em catadupa da equipa B encarnada parece querer dissociar a formação da ambição/objetivo de vencer. Essa dissociação não existe numa equipa B de um clube da dimensão do Sport Lisboa e Benfica. É obrigatório “formar a ganhar” quando se está a formar atletas que se pretende virem a representar uma equipa que joga para ganhar. 
Aprende-se muito com as derrotas, é certo. Todavia, não pode nunca acontecer que um jovem formando do SL Benfica se conforme com as derrotas e não se pode libertar o SL Benfica B da pressão – que deve existir, por ser positiva – de lutar para vencer toda e qualquer partida em que participa.
Os jovens jogadores das águias “B” não estão – em suposição – a ser trabalhados para transportarem consigo para a equipa A uma cultura de derrota. Antes pelo contrário. Exige-se, assim, que nunca se dissocie a formação da ambição.
O segundo motivo prende-se com a visão a médio/longo prazo do projeto que deve sustentar a existência e a evolução do SL Benfica B. A curto prazo pode até – ainda que não deva acontecer – parecer inócuo o facto da equipa secundária do clube da Luz somar algumas derrotas consecutivas. Pode até parecer inofensivo o cenário de descida de divisão.
Pode tudo isto parecer, sobretudo aos olhos de quem defende que não é importante ganhar, mas sim formar, mas não é. Não é inócuo perder, não é inofensivo descer de divisão. Os danos provocados pelas derrotas e, acima de tudo, por uma eventual descida de escalão seriam inquantificáveis, nocivos e duradouros – se não mesmo irreversíveis. 
 É preciso ganhar para continuar a formar com qualidade, porque só vencendo pode o SL Benfica B continuar na Segunda Liga. E a Segunda Liga é, de entre os possíveis, o melhor ambiente de crescimento para os vários jovens com futuro que procuram crescer na “B” encarnada.
A Segunda Liga, com todos os seus traços positivos e negativos e apesar de não se equivaler a muitas outras “Segundas Ligas”, é e vai continuar a ser “o” sítio para estar para as equipas B. Assim, não se trata de uma escolha que o SL Benfica tem que fazer.
Não há que escolher entre formar e ganhar. Há que lutar todos os dias para que “Formar a Ganhar” seja mais do que um slogan catita. Para ter jovens com futuro, é preciso ter uma equipa B com futuro. No momento da escrita (para registo futuro: 14 de novembro de 2020, 14:35), a do SL Benfica não o tem."

A internacionalização do desporto


"Depois da Guerra Mundial de 1939-1945, o fenómeno desportivo prossegue a sua expansão no seio das sociedades industrializadas, assumindo um papel cultural importante. Se o conhecimento do teorema de Pitágoras nos parece puramente livresco, dado que não se percebe a imediata utilidade social, a dos resultados desportivos fazem parte da cultura comum e quotidiana dos cidadãos. Sabiamente orquestrados pelos meios de comunicação social, os supostos valores do desporto moderno reagrupam os povos da terra inteira, dividindo-os, por vezes, artificialmente.
Supor que o desporto é igualitário e apresenta um caráter de justiça, é acreditar que a competitividade e a concorrência têm uma função simbólica. O mito da universalidade do desporto pertence definitivamente aos imaginários e as representações sociais surgem, com força e vigor, quando se trata de relembrar as ambivalências dos valores do desporto.
Durante os “trinta gloriosos” (expressão que designa os 30 anos que se seguiram depois da II Guerra Mundial), os responsáveis políticos dos diferentes governos e organizações supranacionais tentam pensar o desporto para evitar a sua desnaturalização. Face à mundialização do desporto, o Comité Olímpico Internacional (COI) defende os seus projetos e arroga o título de “guardião” (exclusivo) dos valores desportivos. No decurso da segunda metade do século XX, as noções de risco, de excesso e de progresso marcam, cada vez mais, as representações dos povos.
Face a esta crença, os discursos políticos relacionados com o desporto procuram despertar as consciências individuais e coletivas. Parece-nos importante evocar aqui a célebre crítica do sociólogo francês Jean-Marie Brohm (Sociologie politique du sport, Paris, 1976), que definia o desporto como um “positivismo institucionalizado do corpo”. Se a arma económica ou a arma militar são privilegiadas entre os países ricos, industrializados, a arma desportiva encontra-se disponível em todas as Nações. Reivindica-se, assim, o estatuto de Embaixador. A instrumentalização dos heróis desportivos participa nesta lógica de sedução."

Fever Pitch - João & Markus... Alemanha!

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Vício de vencer...!!!

Benfica 3 - 1 Fonte do Bastardo
22-25, 25-15, 25-17, 25-20

Entrada morna, mas sem grandes alaridos, limpámos os outros três Set's!!!

Em todas as frentes


"Tivemos um fim de semana 100% vitorioso no que às modalidades de pavilhão diz respeito, sendo que teremos ainda, hoje, o desafio frente ao Fonte do Bastardo em voleibol.
No andebol alcançámos o décimo triunfo consecutivo desde o início do Campeonato Nacional. Desta feita ante a Sanjoanense, em São João da Madeira, por 21-32. A nossa equipa é líder isolada do Campeonato, tendo disputado mais uma partida que FC Porto e Sporting, também invictos até ao momento.
No basquetebol, a sétima jornada tinha-nos reservado uma viagem a Angra do Heroísmo para defrontar o Lusitânia, que só havia perdido numa ocasião anteriormente. O triunfo, por 69-82, permitiu a ascensão ao terceiro lugar, com cinco vitórias e uma derrota.
Quanto ao futsal, a nossa equipa prossegue na liderança partilhada com o Sporting, fruto do pleno de vitórias conseguido nas oito jornadas disputadas. Os 5-3 infligidos ao Portimonense, que ocupava a terceira posição à entrada da jornada, cimentam o bom início de temporada benfiquista.
E, no hóquei em patins, o triunfo concludente, por 2-8, no reduto do Valongo, que ocupava o terceiro posto da classificação, coloca a nossa equipa na liderança, porém à condição, pois disputou mais um jogo que o seu adversário direto.
Entre as equipas femininas das modalidades de pavilhão, apenas esteve em atividade a de hóquei em patins, que ganhou por 3-15 ao Stuart Massamá, naquela que foi a oitava vitória na Zona Sul do Campeonato Nacional, série que lidera isoladamente após oito jornadas.
Houve também o desafio da nossa equipa feminina de futebol, em que perdemos ante o Sporting, o que não coloca em causa o apuramento para a fase final. E a participação de judocas benfiquistas no Open Africano, Dakar 2020, em que Djamila Silva e Alexandre Silva subiram ao primeiro lugar do pódio nas categorias -52 kg e -60 kg, respetivamente.
Uma nota ainda para o contributo de vários dos nossos futebolistas para as seleções dos seus países. 
Vertonghen foi titular e capitão da Bélgica no triunfo ante Inglaterra a contar para a Liga das Nações (dias antes havia atuado no amigável com a Suíça). Odysseas representou a Grécia no desafio com a Moldávia (vitória por 0-2). Seferovic foi titular no jogo frente a Espanha, que terminou empatado a uma bola (também foi utilizado no amigável com a Bélgica). E Waldschmidt, que entrou nos minutos finais no desafio com a Ucrânia, após ter titular no amigável com a República Checa, tendo sido o autor do golo que deu o triunfo à Alemanha
Na América do Sul, Darwin estreou-se a marcar, em grande estilo, pela seleção do Uruguai em jogos oficiais e contribuiu decisivamente para o triunfo, por 0-3, diante da Colômbia. Everton também foi utilizado na vitória brasileira, por 1-0, ante a Venezuela. Assim como Otamendi, titular pela Argentina frente ao Paraguai.
Os Sub-21 portugueses contaram com vários jogadores ligados ao Benfica, com destaque para Gonçalo Ramos, de apenas 19 anos, que se estreou a marcar neste escalão. O jovem avançado foi utilizado nas partidas com Bielorrússia e Chipre e foi o autor do terceiro golo português frente aos bielorrussos. Nestas partidas foram ainda utilizados Florentino, Gedson e Jota. Pedro Pereira e Tomás Tavares marcaram presença no banco de suplentes na partida com a Bielorrússia."

Luca & Darwin


"Já aqui forçaram a uma comparação do plantel encarnado (salvo as devidas distâncias) com o do Real de outros tempos – Os Zidanes e os Pávons.
Luca e Darwin estão claramente no lote dos Zidanes. O alemão é refinado tecnicamente, inteligente, veloz e coloca eficiência em todos os seus gestos motores e técnicos. Darwin é um portento físico, e mesmo tendo demasiado erro técnico, encontra maneira de ter sucesso mesmo experimentando caminhos aparentemente mais difíceis. Foi assim que depois de uma má recepção que o obrigou a ir buscar a bola atrás, se virou e fuzilou a baliza da Colômbia de Carlos Queirós. Já Luca marcou o golo da vitória da Alemanha sobre a República Checa.
Avançados que jogam e marcam pela selecção da Alemanha e do Uruguai na Liga NOS. Não será para sempre."

O Passado Também Chuta: Robert Enke


"Recentemente, fez 21 anos que o SL Benfica e o futebol mundial despediram-se de uma das lendas das balizas mundiais: Michel Preud’homme. Tudo indicava que o seu sucessor seria o argentino Carlos Bossio, que substituiu o belga no jogo da sua despedida contra o Bayern Munique. No entanto, um então jovem e desconhecido guarda-redes alemão entrou na luta e superou as expectativas depositadas nele: Robert Enke.
Tinha na época 22 anos e fora contratado ao recém-despromovido Borussia Monchengladbach, tornando-se então no primeiro alemão a vestir a camisola do Benfica. As previsões apontavam que este seria o terceiro guarda-redes da equipa, atrás do argentino Bossio e do português Nuno Santos.
No entanto, o jovem guarda-redes alemão foi contra todas as previsões, assumindo a titularidade da baliza encarnada logo na primeira jornada, num empate a uma bola no reduto do Rio Ave FC.
Numa época em que o Benfica atravessava uma grave crise de identidade e havia poucas referências no plantel, Robert Enke tornou-se num dos jogadores mais consistentes dos encarnados e não demorou muito tempo a conquistar o coração dos adeptos benfiquistas.
Saltou para a ribalta num jogo que ainda hoje está guardado nas minhas memórias, quando numa eliminatória da Taça UEFA contra o PAOK, que seria decidido no desempate por grandes penalidades, o guardião germânico sobressaiu, defendendo três remates da marca dos 11 metros.
Robert Enke tornou-se num dos ídolos dos adeptos encarnados no período mais turbulento da história do Benfica. Não conquistou qualquer título, viveu ao vivo e a cores a pior época da história do clube, trabalhou com quatro treinadores diferentes em três épocas no Benfica e já na recta final da sua última época de águia ao peito, viria a perder espaço para outro jovem promissor guarda-redes: Moreira.
Fora das quatro linhas, Robert Enke era um homem simples e tímido, mas com valores e deveres cívicos e sociais. Robert Enke tinha uma grande paixão pelos cães, tendo participado em campanhas da PETA, e costumava levar cães abandonados para casa para tratar deles e procurar novos donos.
Depois de sair do Benfica, a sua casa em Lisboa serviu como lar para os cães que não tiveram novos donos. Um dos seus projectos para depois de pendurar as luvas era abrir um canil em Portugal.
A doença silenciosa que sofreu abalou fortemente a sua confiança e impediu-o de confirmar o potencial que tinha. Só depois de regressar ao seu país, mais precisamente a Hannover, é que recuperou a confiança e a alegria de jogar, ainda que de forma momentânea.
No entanto, nem mesmo o facto de ter relançado a carreira e tornar-se guarda-redes da selecção alemã o fez superiorizar-se à depressão e, com apenas 32 anos, decidiu colocar um ponto final na própria vida de uma forma trágica e chocante.
A depressão matou um homem na flor da idade. Um homem que para além das qualidades futebolísticas, destacava-se pelas qualidades humanas e por lutar por várias causas sociais. E será por esses valores que será sempre recordado."

É O Que É - Edition Jogos Sem Público


"O tema já tinha surgido em várias conversas e grupos: “Não acham que com público os resultados do Benfica seriam melhores?”. A verdade é que já nos ocorreu a todos como seria a performance do Benfica se jogasse perante público ao invés de jogos à porta fechada, tanto no Estádio da Luz como fora.
Conversas para cá e para lá e surge um “desafio” no Twitter de um ouvinte assíduo dos programas do Benfica Independente. Perguntava-me o @EmanuelGuerro se eu tinha alguma estatística de jogos/pontos conquistados desde que o Benfica joga sem público, um género de ROV – Rácio Onda Vermelha, para medir a força de jogar com os adeptos (deixo isto para os entendidos, pois as minhas capacidades de matemática e estatística não dão para tanto…).
Pois bem peguei no desafio, abri todos os separadores que pude da época passada e desta época e cá vai disto, efeitos de ter demasiado tempo livre.


Ora bem, depois de um rápido apanhado, vamos ao que interessa.
Apresento aqui a magnífica Ciência da Magda, ou então não.
O Benfica já fez um total de 21 jogos à porta fechada, 11 em 2019/2020 e 10 em 2020/2021. O primeiro jogo sem público foi o SL Benfica 0x0 CD Tondela no Estádio da Luz a 04 de Junho de 2020, no recomeço da (malfadada) época passada. Destes 21 jogos, contei todos os jogos de todas as competições, e apenas não contabilizei o jogo da Final da Taça com o FC Porto nas estatísticas dos jogos em casa ou fora, porque se realizou em campo neutro, no entanto esses dados estão incluídos nos dados totais.
Em 21 jogos o SL Benfica venceu 11. Exactamente, apenas 11 (imagino que tenham ficado de boca aberta, como eu fiquei). Corresponde a, aproximadamente, 52%. Se dividirmos os jogos em casa e fora, o Benfica realizou na Luz 10 jogos e fora outros 10 (nota para a Final da Taça que não entra nestas contas). Em 10 jogos em casa vencemos 6, corresponde a 60% de vitórias, e fora vencemos 50%, 5 jogos.
A somar às 11 vitórias o Benfica empatou 4 (Tondela, Portimonense, Famalicão e Rangers) e perdeu 6 jogos, 2 jogos em casa (Santa Clara em 19/20 e Braga 20/21), 3 jogos fora (Marítimo em 19/20 e PAOK e Boavista em 20/21) e também a Final da Taça de Portugal contra o FC Porto. Em 2019/2020 o Benfica apenas ganhou 45% dos jogos (5 encontros), por sua vez em 2020/2021 já venceu 60% (6 jogos).
Na maioria dos jogos estavam pontos em disputa. Dos 21 jogos apenas o FC Porto para a Taça de Portugal e o PAOK para a Liga dos Campeões não tiveram pontos.
Em 2019/2020 10 jogos eram pontuáveis, havendo 30 pontos em disputa. Em 30 pontos o Benfica conquistou 18 (60%), 10 pontos em casa - em 15 possíveis, correspondendo a 5 jogos, e 8 pontos conquistados fora, também em 15 pontos possíveis.
Já na corrente época, nas duas competições onde jogamos a pontos (Liga NOS e Europa League) o Benfica fez 9 jogos onde poderia ter conquistado num total 27 pontos. Conquistou 19 pontos, cerca de 70% dos mesmos. Para a Liga NOS havia em disputa 21 pontos, fizemos 15, 9 pontos em casa e 6 pontos fora. Na Europa League em 6 pontos possíveis o Benfica fez 4, 3 fora (Lech Poznan) e 1 em casa (Rangers). De notar que na Europa League o Benfica fez, naturalmente, mais 3 pontos em casa no jogo com o Standard de Liège, mas não esquecer que esse jogo teve público, e pretendo escrever sobre isso amanhã uma vez que fui uma das sortudas a ir ao Estádio da Luz.
Neste período de cinco meses de jogos sem público, também podemos olhar para os golos, tanto marcados como sofridos. No total, em ambas as épocas, marcámos 45 golos o que dá uma média de 2,14 golos por jogo e sofremos 30 (!). Em casa marcámos 20 golos e sofremos 14. Curiosamente o mesmo número de golos marcados (22) e sofridos (14), tanto em casa como fora. Se quiserem aplicar aqui um "critério de desempate" podemos sempre fazer menção à Final da Taça com o FC Porto.
Em 2019/2020 marcámos 20 golos - 10 em casa, 9 fora e 1 na Final da Taça e sofremos 14 - 9 em casa, 6 fora e 2 na Final da Taça.
Já esta época, 2020/2021, o Benfica conta com 25 golos marcados e 16 golos sofridos. Marcou, curiosamente, mais golos fora de portas 13, tendo marcado 12 em casa (não se esqueçam, não estamos a contar o jogo com o St. Liège). Dos golos sofridos, total de 16 que se dividem em 8 golos sofridos em casa e 8 sofridos fora de casa.
Tudo junto e baralhado ainda trago mais umas curiosidades...
- Jogo com mais golos marcados: 2019/2020 - CD Aves 0x4 SL Benfica | 2020/2021
- Famalicão 1x5 SL Benfica, ambos fora.
- Jogo com mais golos sofridos: 2019/2020
- SLBenfica 3x4 CD Santa Clara | 2020/2021
- Boavista 3x0 SL Benfica, SL Benfica 3x3 Rangers e SL Benfica 2x3 SC Braga.
Posto isto já sei o que vai na vossa cabeça...
Um: "Porque estou a ler isto?"
Dois: "E jogos que o Benfica tenha ganho depois de estar a perder? A famosa "remontada", há?"
Nada temam, pensei o mesmo.
Neste conjunto de 21 jogos sem público, apenas 1 vez o Benfica conseguiu dar a volta ao resultado depois de estar a perder. Rio Ave 1x2 SL Benfica, onde sofremos aos 26' e marcámos aos 63' por Seferovic e aos 87' por Weigl.
De resto o Benfica, quando está a perder, só reage após diferença de 2 golos, só não o fez no Bessa nesta época, onde não reagiu com golos.
Para rematar, outra curiosidade:
- Jogos sem sofrer golos: 2019/2020 - Três jogos: Tondela, Vitória SC e CD Aves | 2020/2021
- Três jogos: Moreirense, Rio Ave e B SAD.
- Jogos sem marcar golos: 2019/2020 -Dois jogos: Tondela e Marítimo | 2020/2021 - Um jogo: Boavista.
São números e apenas isso, mas depois de olhar para eles, fico com aquela vontade de ter estado em todos os jogos que o Benfica precisava de mim. Acho que de casa até ao Estádio se perde a força que lhes quero dar, principalmente nos momentos menos bons. Com isto desejo duas coisas:
1 - Que o público possa voltar o quanto antes e em segurança às bancadas.
2 - Se não for possível, que venham mais 21 jogos e que as estatísticas e os números sejam isso mesmo, uma ferramenta mas que possamos ter um registo à Benfica!
Relembro que estes dados são do período em que o Benfica jogou sem público!"

Em tempos de crise pandémica o futebol adapta-se com dor e por amor


"Encontramo-nos perante um tempo, outrora nunca visto, em que o silêncio no estádio se vê interrompido por indicações ocasionais, mais ou menos percetíveis na exigência imposta pela dinâmica operacional dos líderes, no sentido de se encontrar uma melhor solução para a obtenção do êxito. 
Outrora essa imagem coletiva dos adeptos, que gritavam e vibravam com o peso da sua bandeira, numa profunda relação de afetos no apoio participativo, deixa agora no amplo espaço de ninguém, uma imagem despida de cor e marcada pelo luto da distância.
A qualidade competitiva das equipas submetida à maior ou menor disponibilidade da sintomatologia dos casos positivos quer por parte dos jogadores, quer pelas estruturas técnicas que as compõem, obrigando a alterações logísticas e metodológicas muito diferenciadas entre clubes, porque ajustadas á habilitação das condições. técnicas e humanas existentes.
A anotar o facto de que neste momento verificamos várias equipas com jogadores nas respetivas seleções, consequentemente com vários dias de interrupção de rotinas presenciais de treino no seu clube de origem, enquadrados noutros perfis de exigência técnica, tática, competitiva e emocional, supervisionados com distintas equipas técnicas, poderem ver comprometidas algumas respostas comportamentais, nomeadamente ao nível do espírito de coesão de grupo, que nalguns casos o vapor do êxito, propaga e aquece e noutros casos, a marca do fracasso, dissimula e constrange.
A acrescentar temos que refletir nos jogos realizados, bem como os resultados obtidos e a consequente resposta ao rendimento efetuado, que caso tenha sido negativo poderá fragilizar o acórdão de futuros desempenhos e daí um necessário planeamento personalizado na retoma para a competição, ao contrário dum desempenho de sucesso que por norma acumula um estado desafiador e perdura mais no tempo.
Ainda a reter os locais dos jogos realizados, as viagens de longas durações, as alterações climáticas detetadas, a problemática dos fusos horários a ultrapassar, que globalmente conduzem a dessincronização dos ritmos biológicos, gerando manifestações de fadiga, maior dificuldade de concentração, maior irritabilidade ao desgaste, maior perceção de ameaça, diminuição do estado de alerta, etc.
Creio que na retoma de funções aos clubes de origem por mais que se possa envolver na respetiva periodização do treino um conceito fenomenológico adaptativo da densidade, volume ou intensidade da carga, a recuperação dos atletas terá de passar pela validação do estado de satisfação no reingresso, coroado por um estado de autoconfiança, no desejo de elevada motivação para a partilha, revertido no estado de alma, no espírito de equipa e pelo eco de presença daqueles que lhe estão próximos, podendo ser estes argumentos capazes de provocar uma força suplementar aglutinadora para a consecução dos êxitos a obter.
Segundo o Professor Doutor Manuel Sérgio (2008), é na vertente da dimensão humana, apoiada na tese da intencionalidade operante, que nos garante que é a partir do tónus mental e emocional que cada sujeito cria a própria realidade, sendo o contributo de um estado de consciência ancorada num estado de felicidade o que permite transportar a energia autenticada pela segurança no fazer, capazes de produzir relações de elevada estabilidade, vendo -se validadas no sucesso conseguido.
Estamos no confronto com uma “guerra” invadida por uma comunicação desenfreada de valores apressados e de respostas nem sempre explicadas pela luz da razão. Contudo também sabemos que a capacidade humana para se adaptar a novas circunstâncias é especialmente admirável. Somos instrumentos facilitadores do reencontro com as coisas da vida. Nós encorpamos ações que ao se verem repetidas se transformam em hábitos. Assim, nunca como agora, se torna imperioso qualificar hábitos de vida e de treino onde possam imperar o otimismo, o entusiasmo, a confiança, a alegria, a felicidade, gerando um ciclo virtuoso que possa estimular os mecanismos do encontro com o êxito pensado para o sucesso a conseguir.
Uma nota final de solidária estima e afeto à nossa Seleção Nacional. Não obstante ter hipotecado no recente jogo com a França a hipótese de revalidar o título na Liga das Nações, a Seleção Nacional habituou-nos a rasgar com estilete de aço os traços duma exemplar identidade nacional… estou certo que voltará a ecoar bem alto o nome PORTUGAL através de novos êxitos a conseguir!..."