Últimas indefectivações
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
Helton Leite, concorrência para Odysseas
"Chega do Boavista a concorrência para o grego Odysseas.
Depois de duas temporadas extraordinárias, o gigante Helton Leite chega com fortes possibilidades de assumir desde logo o lugar na baliza do Benfica.
Ágil e veloz entre os postes, a muralha brasileira parece tapar toda a baliza."
SL Benfica | Os 5 emprestados que poderão voltar do exílio
"Como diria a gíria popular portuguesa, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Ora bem, com a chegada de Jorge Jesus para o comando técnico das águias, o técnico português terá uma palavra a dizer sobre a situação dos jogadores do SL Benfica que se encontram emprestados na temporada 2019/20.
Muitos são os jogadores que estão contratualmente ligados aos encarnados, mas que representam e actuam noutras equipas. Estes jogadores estão prontos para regressar ao SL Benfica para provarem a Jorge Jesus que merecem um lugar no plantel encarnado, no entanto, existe a grande probabilidade de nenhum se conseguir afirmar na turma de “JJ”.
Uns serão novamente emprestados, outros serão vendidos a título definitivo, enquanto outros até poderão ser relegados para a equipa secundária do Sport Lisboa e Benfica. Vejamos, assim, quais são aqueles que serão dignos de voltar a envergar o manto sagrado.
1.
Diogo Gonçalves – Gonçalves é um extremo que também pode alinhar a defesa direito e demonstrou, ao serviço do FC Famalicão que pode ter um lugar no plantel que Jorge Jesus está a construir para o Sport Lisboa e Benfica.
O jovem de 23 anos esteve em destaque no Famalicão ao apontar sete golos em 34 jogos e vê assim uma oportunidade de regressar ao SL Benfica, este que é o “seu” clube desde os 11 anos de idade.
A sua polivalência é um dos seus pontos fortes (capaz de alinhar em todo o corredor direito) e é um jogador com excelente margem de progressão. Assim, ainda que não seja para ser um titular indiscutível, pode ser um jogador que pode vir a ajudar as águias a atacar a reconquista do campeonato na próxima temporada.
Nota: Diogo Gonçalves renovou contrato este domingo até 2025.
2.
Cristián Lema – Lema chegou a Lisboa para representar o Benfica na temporada de 2018/19, mas nunca teve a sua oportunidade, tendo representado o Benfica apenas por duas ocasiões.
Transferiu-se do Belgrano com o rótulo de central goleador, mas em Portugal nunca conseguiu provar o seu talento tendo sido emprestado ao Peñarol e ao Newell’s Old Boys. Nestes últimos disputou 22 jogos e marcou cinco golos.
Numa altura em que o eixo defensivo das águias está bastante desfalcado (Ferro não tem correspondido e Jardel vai tendo cada vez mais problemas físicos), esta poderá ser a oportunidade que o central de 30 anos tem estado à espera.
Resta saber de que forma Jorge Jesus vai abordar a questão dos centrais e se haverá uma vaga à espreita para Cristián Lema.
3.
Ljubomir Fejsa – Fejsa chegou ao SL Benfica na temporada de 2013/14 pela mão do técnico Jorge Jesus, técnico esse que está de regresso ao clube da Luz e que poderá voltar a contar com o internacional sérvio.
Actualmente com 31 anos e com grande concorrência para a sua posição no relvado, Fejsa não será das prioridades nem um dos indiscutíveis, mas poderá voltar a ter um papel no plantel encarnado, onde já revelou ser um líder no balneário.
Esteve emprestado ao Alavés, da liga espanhola, onde realizou 13 jogos e ajudou a equipa do país vizinho a garantir a manutenção para a próxima época.
4.
Filip Krovinovic – Aqui está um jogador cheio de classe! Krovinovic tem um talento absurdo e não fosse a lesão grave sofrida (rotura de ligamentos cruzados) na temporada 2017/18, creio que seria um jogador que tivesse lugar de caras no plantel encarnado.
Nesta temporada o croata mostrou que a qualidade continua lá e que merece uma oportunidade para ser opção válida para Jorge Jesus. Krovinovic esteve emprestado ao West Bromwich Albion e apontou três golos e quatro assistências em 43 jogos disputados pela equipa recém-promovida ao principal escalão do futebol inglês.
Krovinovic não é um jogador de estatísticas, mas sim um daqueles que joga e faz jogar, que declama poesia com as chuteiras e poderá ter a oportunidade de voltar e escrever novos poemas sobre o relvado da Luz.
5.
Facundo Ferreyra – Facundo Ferreyra chegou ao SL Benfica proveniente do Shakhtar Donetsk e vinha rotulado de avançado com veia goleadora. Todavia, Ferreyra não correspondeu, de todo, às expectativas que lhe eram depositadas e acabou por ser emprestado ao Espanyol de Barcelona.
Em Espanha também não foi tão feliz como havia sido na Ucrânia, tendo marcado nove golos em 36 jogos distribuídos por duas temporadas ao serviço do clube catalão. Ainda assim, Facundo Ferreyra pode ser uma opção válida para o ataque encarnado, principalmente se Haris Seferovic acabar por sair do clube.
Ferreyra é um daqueles jogadores em que todos sabem que a qualidade está lá, mas que não tem conseguido exibir o seu melhor futebol."
Cadomblé do Vata (últimas...)
"1. O SLB dá hoje o pontapé de saída na temporada de 2020/21... para a maioria dos jogadores, o SLB dá hoje o pontapé de saída de 2020.
2. A boa notícia do fim de semana é a confirmação da contratação de um vencedor da Copa América pelo Brasil que jogava no Grémio onde conquistou a Copa Libertadores da América ... a má noticia do fim de semana é que o último vencedor da Copa América pelo Brasil que fomos buscar ao Grémio onde conquistou a Copa Libertadores da América, chamava-se Paulo Nunes.
3. Gilberto foi apresentado sábado e JJ disse que ele vai discutir a titularidade com André Almeida... o Tomás Tavares hoje nem deve ter programado o despertador para ir treinar.
4. Na sexta feira a UEFA anunciou que o FCP continuava com restrições na inscrição de jogadores; no sábado o O Jogo informou que os portistas se tinham livrado de castigo do organismo europeu... andam há tanto tempo na lista de incumpridores do Fair Play Financeiro que para eles "restrições na inscrição de jogadores" já não são defeito, são feitio.
5. Poucos dias antes de começar a treinar no Benfica Campus, o Atlético de Madrid teve 2 casos de coronavirus no plantel... a menos que seja proibida a entrada dos espanhóis nas nossas instalações, o SL Benfica está mais perto de garantir o Covid-19 do que o Cavani-9."
Rui Pinto e o Estado de delito
"O sistema judicial comprovou o seu efectivo colapso. Quarenta e seis anos depois do fim do Estado Novo, recuperou o bufo como parte do processo.
Numa sociedade devem existir regras de funcionamento individual e comunitário aplicáveis a todos por igual, num quadro de direitos, liberdades e garantias. Para a observância das regras, além de um impulso cívico individual da participação na vida em sociedade, conta a existência de instituições que supostamente asseguram o cumprimento da aplicação e cominam a aplicação de sanções a quem não as cumpre, nos termos da lei.
Supõe-se que Portugal seja um Estado de direito democrático, em que todos são iguais perante a lei e o sistema judicial zela pela aplicação das regras pelos cidadãos e pela comunidade em geral. O sistema funciona mal, desde logo porque há um desfasamento entre o ritmo da justiça nas suas diversas dimensões e as dinâmicas dos indivíduos e das comunidades, por regra dentro da legalidade, mas não sempre – aliás, tal como o próprio funcionamento dos diversos órgãos e titulares da função judicial. Tal como na sociedade, há de tudo, e até os que se julgam acima da lei ou se permitem interpretações lesivas do Estado de direito.
O caso Rui Pinto é o paradigma de uma justiça incompetente, preguiçosa e em desvio para a consagração da máxima de que “os fins justificam todos os meios”, até mesmo condescender com o “criminoso” para superar as incapacidades de investigação. É público haver escutas telefónicas que são realizadas à margem da lei, sem a cobertura de um juiz, é notório haver processos judiciais em que a produção da prova ou o cumprimento das regras processuais são tão inconsistentes que deviam fazer corar de vergonha os intervenientes ou, diariamente, violações do segredo de justiça com fugas para a imprensa para a obtenção de determinados propósitos. O sistema está de tal forma deslaçado que a sociedade assiste, impávida e serena, a uma guerra mediática e judicial entre dois juízes, com trincheiras mediáticas de apoio a duas perspectivas diferentes de ver a justiça: uma, em que os fins justificam os meios, que agrada a determinada imprensa sensacionalista; a outra, em que as garantias previstas na lei são observadas. Neste bailado judicial e no branqueamento das acções criminosas de Rui Pinto à luz do Estado de direito democrático, há uma capitulação do Estado. O Estado declara-se incapaz de avaliar o cumprimento das normas que criou e valida o recurso a todos os meios, legais e ilegais, para obter determinados fins. É o Estado português, como os outros Estados-membros da União Europeia ou da comunidade internacional, que permite a existência de alçapões de fuga às obrigações fiscais e financeiras nacionais – apesar de em muitos casos, como é o da Holanda, depois se arvorarem em moralistas. Em vez de alterarem a legislação, para os habilitar a uma fiscalização mais consequente da realidade, recorrem a criminosos para obter o resultado do vasculho ilegal.
O curioso é que o mesmo Estado que resiste a que existam listas públicas de devedores às Finanças e à Segurança Social é o que condescende com um pirata informático na obtenção de informações obtidas de forma ilegal sobre fluxos financeiros. O mesmo Estado que não consegue cruzar dados entre diversas dimensões da vida individual e comunitária, por exemplo nas obrigações fiscais, com a Segurança Social e com outras entidades do Estado, permite que um indivíduo arvorado em justiceiro possa, de forma ilegal, proceder aos vasculhos e cruzamentos informáticos que lhe aprazem, de acordo com os seus critérios e opções próprias – vasculho o Benfica e o Sporting, preservo o FC Porto.
O sistema judicial comprovou o seu efectivo colapso. Quarenta e seis anos depois do fim do Estado Novo, recuperou o bufo como parte do processo. Não foi preciso o Chega ou André Ventura; o sistema judicial consagrou o “bufo informático”, resgatou um dos pilares do funcionamento do Estado de Salazar, agora com laivos de modernidade do vale-tudo. Agora como antes, dizem ser em nome da verdade. Agora como antes, isto é filho do arbítrio, do desmando e dos fins que fundam todos os meios. Não será de estranhar que se assista à comoção eufórica da libertação do criminoso por parte do universo do FC Porto ou de advogados internacionais que, noutros planos, são defensores de Platini na acusação de corrupção na atribuição do Mundial 2022 ao Catar e do Euro de França de 2016. Afinal, isto sempre esteve e está tudo ligado.
A questão central é se devemos permitir que se consagre uma sociedade de vale-tudo, sem regras do conhecimento de todos, em que os fins justificam todos os meios. Se queremos ser condescendentes com o ciberterrorismo, que é assumido na acção por diversos Estados ou que é assumido em diversos impulsos de boicote ao funcionamento da sociedade, como aconteceu há pouco tempo com ataques ao Serviço Nacional de Saúde e tantas outras entidades. É que a diferença entre isso e o voyeurismo das vizinhas ou dos invejosos é inexistente. Com que legitimidade, depois de branquear Rui Pinto, se poderá impedir que o funcionário bancário deite um olho na conta daquela figura pública ou do vizinho do 2.o esquerdo, sobre o qual recai alguma suspeita pessoal que importa investigar? Que o funcionário do fisco aceda à situação fiscal do primo que teima em impedir as partilhas ou que a funcionária da Segurança Social aceda à base de dados para tirar a limpo se cumpre as obrigações face aos sinais exteriores de qualidade de vida da cabeleireira do bairro?
Rui Pinto transforma o Estado de direito democrático num Estado de delito, em que os fins justificam todos os meios. Se é para ser assim, consagre-se a devassa, a ausência de direitos, liberdades e garantias. Já que se levam aos poucos os pilares do Estado de direito, muitos por incompetência, preguiça ou desfasamento do sistema judicial, levem o resto.
Por mim, não ao vale-tudo. Se as regras não servem, alterem-se as regras, não se idolatrizem os criminosos só porque são mais eficazes a verificar as eventuais falhas do Estado de direito.
Notas finais:
- E os jornalistas avençados do BES? O ridículo não mata em Portugal, mas tria em muitos pontos do mundo. Pedro Santos Guerreiro, jornalista ex-director do Expresso, exultou com a libertação de Rui Pinto. Não exultou nos últimos quatro anos com a libertação dos nomes dos jornalistas avençados pelo saco azul do GES; pode ser que seja para a semana. Isso sim, era sanitário para o jornalismo.
- O lamentável exercício do PCP na Festa do Avante! A Festa do Avante! tem protecção constitucional, tem cobertura dos poderes do Estado e está acima da lei em matéria fiscal. A menos que enunciar uma lotação de mais de 100 mil pessoas e sustentar a provocação perante as restantes limitações seja mais uma forma de gerar descontentamento social perante a injustiça e o arbítrio."
Jorge Jesus: uma águia diferente
"“Não sou treinador de nenhum clube – sou treinador de futebol!”, proclamou o “Mister” Jorge Jesus, no passado dia 4, segunda-feira, na conferência de imprensa, após a sua tomada de posse como treinador de futebol do S.L.Benfica. Não poderia ter começado melhor Jorge Jesus, no seu retorno à “nação benfiquista”. Na pós-modernidade, que vivemos, um treinador de futebol tem de ser, de facto, um “trabalhador do conhecimento”, ou seja, tem de conhecer o que vai e deve ensinar; e ainda um “pedagogo” e um líder, quero eu dizer: que sabe como ensinar, que sabe instaurar e promover valores, que mostra amor pelo que faz e que procura, numa síntese prática-teoria, a informação que fundamenta o seu conhecimento. No que ao líder diz respeito, ele deve tornar-se numa expressão prática e constante das motivações de um grupo que persegue, com denodo (e ética) a vitória No Brasil, que eu julgo conhecer, o Jorge Jesus encontrou um modo original de sentir as coisas e a vida, num país onde o sentimento e a ternura tudo resolvem com cordialidade e com esperança. No Brasil, há uma paixão inédita nas relações entre as pessoas, que vem dessa combustão íntima das lenhas dos mais diversos continentes (principalmente a África e a Europa) e onde, portanto, o amor e o ódio se expressam, ora numa alegria medular, incomparável, ora numa explosão de palavras e gestos arcaicos, carrancudos, dramáticos. No entanto, a índole do brasileiro não é pessimista e até na maior desgraça encontra espaço para uma simples anedota ou uma sementeira de esperança. A desconforme grandeza do Brasil (o maior país da América do Sul) não se mede só nos quilómetros andados, mas pela força obstinada e confiante das qualidades do seu povo. No entanto, posso fazer afoitamente esta afirmação: o Jorge Jesus, no futebol do Flamengo, parecia mais brasileiro do que os brasileiros, dando alegria a quem a perdera, pelos triunfos inolvidáveis, há muito arredios do universo “flamenguista”. O “Mister” Jorge Jesus levou ao Brasil um futebol novo, sem a ideologia da impotência – e venceu! O mesmo futebol que vai oferecer ao Benfica (que é, todo ele, a saudade de um paraíso perdido) – para vencer também!
Mas… onde está a novidade do futebol do Jorge Jesus? Trabalhei, sob as suas ordens, por generosidade sua e do Sr. Luís Filipe Vieira, no departamento de futebol do Benfica; sou um amigo que com ele dialoga, frequentemente; estudo, com o rigor possível, o impacto da epistemologia e da filosofia, no “fenómeno desportivo” – julgo, portanto, poder tentar um desenho (simples tenteio, nada mais) da sua personalidade. Não se mostra sujeito a tropismos partidários, nem a messianismos políticos. Acredita nos valores da solidariedade, da liberdade e da justiça, que intensamente vive e que frontalmente defende, em romântica e generosa oratória. Com religioso respeito, evoca os seus Pais e convive com os idosos. Minha Mulher e eu, que já visionamos os 88 anos de vida, podemos testemunhar o culto, em que ele se compraz, de ternura e devoção pelas pessoas de mais idade . Pelas frinchas dos excessos de expressão, se entrevê a alma do Jorge Jesus: um homem bom, naturalmente fraterno e justo. O retrato psicológico e moral é magro em pormenores, mas vou centrar-me no Jorge Jesus, treinador de futebol. Michael Massing observa: “Em todo o mundo universitário, as velhas (e novas) áreas das Humanidades estão a diminuir os cursos, reduzir o investimento e a assistir à crescente perda de alunos – e de influência. As novas coqueluches são o mundo digital, as tecnologias e os seus cruzamentos com a economia e a engenharia”. Para Michael Massing, no entanto, as Humanidades estão longe de ser inúteis, em termos materiais – pelo contrário, são verdadeiros “dínamos da economia”. Por exemplo, a indústria das artes e do entretenimento é em grande parte uma criação de pessoas que estudaram Literatura, História, Filosofia e Línguas” (in revista LER, Lisboa, Outono de 2019, p. 71). Ora, para mim, o Desporto integra uma ciência hermenêutico-humana e em muito contribui ao PIB (Produto Interno Bruto) dos vários países. Atingem os 456 milhões de euros o contributo do nosso futebol profissional ao PIB dos portugueses, segundo o Anuário do Futebol Profissional Português. E bem mais seria, aqui, de enumerar…
“A redescoberta do tempo nas ciências do mundo físico-químico testemunha, por si só, que a história da ciência não é uma calma acumulação de dados que se incorporam num avanço simples e unânime. A história das ciências é uma história de conflitos, de escolhas, de apostas, de redefinições inesperadas. Talvez o exemplo mais dramático desta história marcada pelas surpresas e pelas transformações de sentido seja a história da concepção do universo temporal, que vivemos hoje” (Ilya Prigogine e Isabelle Stengers, A Nova Aliança, Gradiva, Lisboa, 1986, pp. 6/7). Já no fim deste livro incontornável pode ler-se: “A descoberta da complexidade é, acima de tudo, um desafio (…). Mas esta complexidade que descobrimos é igualmente portadora de esperança, esperança de uma nova identidade da ciência, esperança que evoca o título deste livro, A Nova Aliança. Com este título afirmámos que, para além das falsas classificações, dos interditos, das condições culturais, políticas e económicas, as ciências não têm por direito, como limite, senão a criatividade” (p. 440). Ora, nas ciências humanas, agimos segundo motivos e motivos que dêem sentido à vida. O homem é um ser permanentemente em busca de sentido – e o sentido, no Desporto, é a competição cingida à transcendência, rumo à vitória… sobre os adversários e sobre nós mesmos! Na alta competição, tudo é um apelo à transcendência (ou superação), na competição, no treino, na vida íntima e na vida social – em todo o lado, em todas as situações, o “homem do futebol” está em jogo. No futebol, há cada vez mais meios técnicos que parecem assegurar o caminho da vitória. E morais? É que, sem humildade, sem esperança, sem força de vontade, sem espírito de sacrifício, sem disciplina, sem solidariedade, sem o q.b. de inteligência, sem respeito pelos outros (colegas e adversários) e por si mesmo – nada de grande, edificante acontece na prática desportiva. Tudo isto o J.J. exige aos seus jogadores. Porque não há jogos, há pessoas que jogam, preparar um profissional de futebol é, acima do mais, preparar um homem que joga futebol!
E uma preparação física científica? O Dr. Mário Monteiro, licenciado em Desporto e muitos anos de trabalho com Jorge Jesus, é o seu adjunto habitual (e eu digo mesmo: ideal) neste sector. Hugo Assman (Reencantar a Educação, Vozes, Petrópolis, 1998, p. 150) classifica de “falaciosa” toda a teoria da mente, da inteligência ou do ser humano global, que não se integre numa filosofia do corpo. Na pessoa do Dr. Mário Monteiro, saúdo todos os treinadores-adjuntos que acompanham Jorge Jesus, profissionais que não deixam de prestar tributo, sempre que podem, à capacidade ilimitada de trabalho e à acção inteligente e perseverante do seu chefe. Alma incapaz de sofrer inveja, coração inábil para sentir rancor, vou distinguir, nele, algumas qualidades que explicam o treinador invulgar que o Jorge Jesus é: diferente porque, num mundo incerto, descontínuo, competitivo e crítico, chega a Lisboa, depois de uma estada apoteótica no Brasil, perfeitamente calmo, seguro dos seus princípios e dos seus métodos e afirmando, sem receio: “Vamos reunir um leque de jogadores, para fazermos uma grande equipa. E não vamos jogar o dobro, vamos jogar o triplo”. E insistiu ainda, na cerimónia da tomada de posse, como treinador do S.L.Benfica: “Vim para ganhar (…). Vamos arrasar”.
De facto, o que mais me impressiona, em Jorge Jesus, é a sua imunidade á insegurança, à incerteza, típicas do homem do nosso tempo. De facto, na racionalidade hodierna, sem excluir os “agentes do desporto”, as crenças, as acções, as decisões, as teorias, as regras, os métodos, os valores procuram, com mais volúpia, o ensejo de acerbamente criticar do que as oportunidades de realizar, de corajosamente decidir. Jorge Jesus é o contrário de tudo isto. A teoria platónica do saber parece ser o paradigma mais apreciado. Ele, ao invés, é um prático, que sabe muito de futebol e sabe esta regra fundamental: no futebol não precisamos de muitas coisas, precisamos uns dos outros, quero eu dizer: precisamos de quem saiba jogar futebol e de liderança técnica e moral. Recordo, a propósito, o Zinedine Zidane, após um jogo Sevilha-Real Madrid, na época de 2016/2017: “Gestionar personas es más importante que la táctica”. Tenho a certeza que o treinador Jorge Jesus saberá encarnar as aspirações e os anseios do Benfica de hoje, dando-lhes expressão e realização plena. Não tenho dúvidas, a este respeito, No reino das águias, ele será uma águia diferente… "
domingo, 9 de agosto de 2020
Cadomblé do Vata (caro?)
""9 milhões por ano para Edinson Cavani com 33 anos era caríssimo, um absurdo"
Caríssimo e absurdo é isto: Jhonder Cádiz, Ebuehi, Caio Lucas, Candeias, João Amaral, Patrick Vieira, Lema, Conti, Alfa Semedo, Ferreyra, Castillo, Matos Milos, Fariña, Hermes, Rakip, Filipe Augusto, Pedro Pereira, Diego Lopes, Arango, Alan Benitez, Francisco Vera, Cellis, Oscar Benitez, Jonathan Rodriguez, Cesar, Luis Felipe, Muhktar, Bebé, Derley, Benito, Steven Vitória, Mitrovic, Cortez, Funes Mori, Michel, Luisinho, Emerson, Capdevilla, Djaló, Carole, José Luis Fernandez, Filipe Menezes, Shaffer, Patric, Eder Luís em 10 anos... entre outros que nem recordo.."
Semanada...
"1. Entrevista de Jorge Jesus. Plantel com 25 jogadores mais três guarda-redes. Plantel só ficará fechado a partir da segunda/terceira semana da pré-época. Seis/sete novos reforços além de Pedrinho e Helton Leite. Dois deles serão Everton e Gilberto. Ficam a falta quatro/cinco. Imagino que sejam dois centrais, um segundo avançado e um ponta de lança. Estou curioso para imaginar que posição pode ser o quinto. Provavelmente alguém para a posição de um jogador que vai ser vendido. Além daqueles que parece já estar de saída como Cervi, Seferovic, Jardel e Tomás Tavares ou André Almeida. Pizzi deverá voltar a jogar no meio. Diogo Gonçalves vai ser um dos jogadores que vai fazer a pré-época - acho quase impossível ter um lugar nos 25. Nada de muito inesperado aqui. Espero, mais uma vez, que no lote de 25 jogadores de campo haja espaço para Jota, Gonçalo Ramos e Tiago Dantas, no mínimo.
2. As Novas Camisolas. Os equipamentos da próxima temporada já estão aí. Não foram nada consensuais e é facilmente perceptível porquê. Eu já tinha avisado que vinham aí grandes mudanças. Sinceramente até achei que ficassem piores do que estão. Até gosto daquele vermelho mais vivo, apesar de não ser um grande fã da camisola em si. Continuo a achar que o Benfica não deveria renovar com a Adidas no final da próxima temporada, mas consigo perceber o porquê dos equipamentos serem assim. O negócio da Adidas é vender camisolas e como tal, convém que elas não sejam sempre iguais. Há dois anos a grande mudança foi as três riscas na parte lateral do equipamento em vez de nos ombros. Este ano é um equipamento vermelho, preto e dourado, sem o tradicional branco. Os mais conservadores ficam desiludidos. O que importa para a Adidas é se vendem equipamentos ou não. Pessoalmente, continuo a achar que a Puma está um passo à frente da Adidas neste campo. Os designs da Puma exploram uma história. Este ano, o equipamento do AC Milan, por exemplo, tem um padrão que é igual ao chão do Duomo da cidade. O equipamento procura explorar a relação do clube com a cidade e o produto final é brutal. Nós somos um clube de um país e cidade com uma história riquíssima, mas nunca temos equipamentos a tentar explorá-la-
3. Financiar este Mercado. O entusiasmo com os possíveis reforços do Benfica é evidente e pelos nomes que vão saindo, é mais do que justificado. Everton Soares, Edinson Cavani, Luca Waldschmidt ou Malang Sarr são tudo nomes de craques. No entanto, acho importante recordar, que este ainda é o mesmo clube que pagou quase 80 milhões de empréstimos obrigacionistas e que não tinha muito mais em caixa. A situação do Benfica financeira não é má, mas também não é óptima para contratar tanto craque. Como tal, eu pelo menos vou começando a habituar-me à ideia de que alguém estará de saída para financiar este mercado. Se calhar mais do que uma pessoa. Nomes como Carlos Vinícius, Rúben Dias e Florentino Luís têm mercado.
4. Emirates. A Emirates renovou contrato com o AC Milan em plena crise de covid-19 na semana passada. O que pode indicar que a empresa do Dubai deverá continuar a investir no mercado de Futebol e que poderá estar interessada em renovar contrato com o Benfica algures no próximo verão. O contrato com a Emirates acaba no final da próxima época.
5. Sergi Aragonès. O Avançado espanhol depois de tantas reviravoltas foi esta semana apresentado. Temos mais um jogador para elevar a qualidade do grupo. Tem uma boa meia distância, é um jogador muito competitivo e ideal para o sistema de 1-3 que Alejandro tem vindo a pôr em prática no Benfica. Resta saber se o plantel vai ter 12 jogadores (só podem ser convocados 10 por jogo) ou se Jordi Adroher estará de saída. Ao que consta, tem uma proposta do Liceo da Corunha.
6. Demond Carter. Na mesma semana que o clube oficializou a saída de Micah Downs, para mim o melhor jogador da última década do Basquetebol do Benfica, oficializamos a contratação do base Demond Carter. Tem 33 anos. Na última época jogou no segundo classificado da Liga Polaca, que é melhor do que a nossa, com médias de jogo de 14.8 pontos e 6.2 assistências. Tem passagens por boas Ligas Europeias como a ABA e a LNB Pro A. Parece ser um bom reforço. Além Carter, o Benfica já oficializou a contratação do extremo Scottie Lindsey e a renovação do poste Eric Coleman. Tem sido noticiado a contratação do base Caleb Walker, ficando a faltar a contratação de mais um poste para o plantel ficar fechado."
“Uma vez fomos almoçar ao Barbas e bebemos demais. No treino da tarde alguns começaram a cambalear e o Toni mandou todos para o balneário”
"Aos 55 anos, César Brito ainda recorda com orgulho os dois golos que marcou ao FC Porto e que deram o título ao Benfica e lhe valeram a fama. O percurso de vida e de jogador começou na Covilhã, para onde regressou assim que pendurou as chuteiras. Nesta entrevista fala também dos filhos que morreram e da amizade que ganhou a um açoriano goleador
É beirão, nasceu em Barco, Covilhã. Fale-nos um pouco das suas origens.
Sou de uma família de oito irmãos. Tenho cinco irmãos mais velhos e duas irmãs mais novas. Uma família numerosa, como deve compreender, com muitas dificuldades no início, o meu pai teve de emigrar, esteve em França. Não foi fácil, mas nunca passámos fome. Sabe que na província temos hortas, animais, temos muita coisa para poder sobreviver.
Ficou sempre cá com os seus irmãos e a sua mãe, enquanto o seu pai esteve emigrado?
Sim, o meu pai vinha no verão, nas férias. Os meus irmãos mais velhos trabalhavam nas obras e eu depois quando tive idade também tive que ir trabalhar. Deixámos a escola mais cedo precisamente por isso, porque tínhamos de trabalhar, tínhamos de ajudar em casa.
Quando deixou a escola?
A escola era até à sexta classe, eu fiz a quarta e a quinta. A sexta já não a acabei.
Começou a trabalhar com quantos anos?
Com 12, 13 anos. Tinha de ajudar em casa também, assim como os meus irmãos. Comecei nas obras a acartar baldes de massa e a dar serventia aos artistas.
O que sonhava ser nessa altura?
Futebolista. Como deve calcular, era o que eu mais gostava. Eu fugia à escola e não ligava muito à escola por causa do futebol. Queria era jogar futebol.
Já torcia pelo Benfica?
Sim. Lá em casa só tenho um irmão que é sportinguista e o meu pai também era sportinguista. Todos os outros, até as minhas irmãs, era tudo benfiquista.
Quem eram os seus ídolos?
Para mim quem marcava mais golos era melhor. Na altura era o Nené, que não sujava os calções, nem a roupa, era um jogador muito elegante e fazia muitos golos. Nunca vi jogar o Eusébio. Era o Chalana e outros craques que tinha o Benfica.
Com quantos anos começou a jogar num clube?
Tinha 12 anos e comecei nos iniciados no Fundão. ADF do Fundão. Estive lá um ano e depois fiz juvenil no Sport Clube de Barco, na minha terra, e não estive nos juniores. Comecei a jogar seniores com 16, perto de 17 anos, foi preciso uma autorização dos meus pais para poder representar o Barco no distrital e foi assim que tudo começou.
Quando joga no campeonato distrital pelo Sport Clube de Barco já ganha dinheiro com o futebol?
Não, aquilo era a nossa terra, era por amor à camisola, não havia dinheiros, éramos amadores, não havia nada.
No ano seguinte passa para o SC Covilhã?
Não, fiz um ano no distrital e depois subimos à III divisão, fiz um ano na III divisão, comecei a fazer uns golos, a fazer umas coisas engraçadas e depois da III divisão é que fui para o Sporting da Covilhã. Com 18 anos.
Lembra-se quando começou a ganhar dinheiro com o futebol?
Lembro, foi no Sporting da Covilhã e fui ganhar 35 contos [175€]. Eu mais o meu irmão Inácio e o Quim Brito. O Inácio Brito e o Quim Brito, eram os meus irmãos.
O que fez ao primeiro dinheiro que ganhou com o futebol?
Já não me recordo. Naquela altura todo o dinheiro era importante para a casa e para as nossas coisinhas.
Como é que vai parar ao Benfica? Não havia empresário na altura pois não?
Não, não havia empresários. Eu tive dois anos muito bons no Covilhã. No primeiro não subimos, mas no segundo subimos à I Divisão. Tínhamos uma equipa muita boa, com o Rui Barros, emprestado do FC Porto, e conseguimos subir. Eu fui o melhor marcador nesse ano, fiz uns golinhos, umas coisas boas, e pronto, depois surgiu o Benfica.
Quem é que lhe vai bater à porta?
Lembro-me que o presidente do Sporting Clube da Covilhã, o senhor Álvaro Ramos, me disse: "Ó César, queres ir para o Benfica?"; "Para o Benfica?! Ó presidente, está a brincar...?" [risos] "Não, a sério, isto é sério". Bem, aquilo parecia...
Um sonho?
Quando se está numa II Divisão, a gente nunca pensa num grande, a gente sonha sempre em jogar na I Divisão, mas num clube modesto, mais pequeno. Mas a verdade é que surge o Benfica.
Disse logo que sim?
Quem é que dizia que não?
[risos]. Claro que sim.
Como é que foi ir a Lisboa? Foi sozinho?
Não, fui com o presidente do Sporting Clube da Covilhã, fomos ao hotel Altis conversar com o senhor Fernando Martins, na altura o presidente do Benfica, e com o Júlio Borges, que era o braço direito dele. Conversámos, acertámos e foi assim.
Mas quando vai viver para a capital, vai sozinho?
Eu casei com 20 anos, no ano em que fui para o Benfica. Quer dizer, casei ainda estava no Sporting da Covilhã.
Como, quando e onde conheceu a sua mulher?
A Paula também é do Barco, conhecemo-nos muito novos, com 13, 14 anos, e casámos. Eu tinha 20 e ela 18 anos.
Como é que foi a adaptação à grande cidade e a um clube como o Benfica?
Não foi fácil, eu não tinha carta de condução, tentei arranjar uma casa mais próxima do estádio da Luz. Nos primeiros tempos tinha uma casa alugada na Pontinha e fazia aquilo em 15, 20 minutos a pé. Fiz esse caminho muitas vezes, a pé, mas depois conheci lá no plantel os irmãos Bastos Lopes, que viviam em Odivelas, e eles davam-me boleia.
Ainda se recorda quando entrou pela primeira vez no balneário do Benfica? As pernas tremeram-lhe?
Claro que sim. Você já viu, eu aqui de uma aldeia pequenina, uma aldeia pacata, depois num meio tão grande como é Lisboa e um grande clube como é o Benfica... A gente vê aqueles jogadores pela televisão e de repente está na presença deles... Não é fácil. As pernas tremiam-me quando entrei naquele balneário, com aqueles craques. Mas aquilo é dois, três dias, depois aquela gente, como grandes que são a todos os níveis, como jogadores e seres humanos, põem logo a gente à vontade e a adaptação é fácil quando encontramos com essa gente tão fabulosa.
Quando chega o treinador era o John Mortimore. Entendia o que ele queria? Notou muita diferença do Sporting da Covilhã para o Benfica?
É claro que sim. É tudo completamente diferente, os métodos de trabalho, tudo, visões que não têm nada a ver.
Recorda-se de ter pensado se iria aguentar, se era demais para si?
Recordo. Mas aquilo passa tão depressa e quando encontramos gente como encontrei naquela altura, craques com uma simpatia, uma humildade... Posso falar de tanta gente, o Eusébio por exemplo, o Chalana, o Nené, o Diamantino, Carlos Manuel, gente que nos põe tão à vontade que é uma coisa brutal.
Gostou do John Mortimore?
O John Mortimore era o típico treinador inglês. Foi sem dúvida um grande treinador. Eu acho que nesse ano ganhámos a Taça de Portugal. Aliás, sou campeão no primeiro ano, mas quer dizer, jogo uns minutinhos. Lembro-me que entrei uns minutinhos só para ser campeão.
Entretanto fica dois anos no Benfica e depois é emprestado ao Portimonense.
Faço um ano no Benfica, sou campeão e depois sou emprestado ao Portimonense.
Quem é que lhe disse que ia ser emprestado? Foi o César que pediu?
Você já viu quem é que jogava no Benfica na minha posição? O Maniche, o Nené, o Rui Águas... E depois tinha um jogador que jogava em todo o lado, o Diamantino, jogava na direita, na esquerda, era ponta de lança, jogava nos lugares todos. Quando algum dos melhores se lesionava o Diamantino é que aparecia. E na altura falaram comigo: "Ó César, tens de rodar, vais adquirir um bocadinho de experiência". A verdade é que foi bom, o Portimonense também era uma equipa de que sempre me falaram bem.
Vai viver para o Algarve com a sua mulher?
Sim, fomos para o Algarve, estive lá um ano e era para regressar no ano seguinte, só que no verão tive um acidente de viação… Foi muito complicado, vinha de férias, tive o acidente, perdi uma filha.
Era bebé ainda.
A minha filha nasceu quando estava no Benfica, depois fui para o Portimonense e no final da época, nas férias, eu vinha passar férias à nossa terra e tivemos um acidente muito grave em Pombal. Isto para lhe dizer que no ano seguinte, eu era para regressar ao Benfica só que, como tive o acidente em Julho, estive parado meia época, depois quando cheguei ao Benfica o Toni falou comigo e disse que para fazer a melhor recuperação era no Portimonense e acabei por ir fazer mais meia época ao Portimonense.
Quem apanhou no Portimonense como treinador, foi só o Cajuda?
O Manuel Cajuda, mas primeiro foi um brasileiro, o Paulo Roberto, que um dia bateu num jogador, deu-lhe com uma cadeira na cachola. Depois esse treinador saiu e apareceu o Manuel Cajuda, um grande treinador. O Manuel é fantástico, é uma pessoa simples, humilde, é um ser humano fantástico mesmo. E depois o José Torres na parte final. Também um ser humano fantástico. A gente convivia muito com ele, íamos muitas vezes ao hotel da Torralta, almoçar juntos.
E selecção?
Depois de ter tido o acidente fiquei meia época parado, a outra voltei ao Portimonense porque o Toni disse-me para ir fazer a recuperação. É engraçado que essa meia época corre-me tão bem no Portimonense que vou à selebção nacional, a jogar pelo Portimonense.
É a primeira vez que é chamado?
Sou e recordo-me tão bem. Porque o Rui Águas lesionou-se, era Juca o seleccionador e chamou-me. Foi também uma coisa brutal, ir à selecção pela primeira vez. É uma sensação única mesmo.
Sente-se uma responsabilidade maior do que num clube?
Inicialmente sim, há uma responsabilidade ainda maior. A responsabilidade é idêntica, mas com o país é diferente. É um peso maior. Na seleção fiz dois golos, um à Holanda num jogo amigável e outro na Antas, à Finlândia, em 1991, na qualificação para o Europeu.
Depois dessa meia época no Portimonense regressa ao Benfica, já com Eriksson como treinador.
Exactamente. O Eriksson revolucionou o futebol português, os métodos de trabalho... Não tinha nada a ver. A nível de aquecimentos, de treino, fazíamos tudo com bola. Com os outros treinadores era correr, correr com outros jogadores às costas, subir bancadas, com pesos. Com o Eriksson não, com ele era sempre com bola. O aquecimento, os meiinhos eram todos com bola e era assim que os jogadores gostavam de fazer. E as ideias do Eriksson na altura eram sempre novidade, o que agradava mais a todos os jogadores.
É campeão em 1990/91, com o Eriksson, e marca dois golos decisivos nas Antas. Naquele mítico jogo em que tiveram de se vestir no corredor. Recorde-nos lá esse dia.
Quando entrámos no balneário era um cheiro insuportável. Há quem diga que era bagaço, outros que era sulfato. Era um ardor nos olhos. Aquilo foi uma coisa horrível, abrimos uns chuveiros, mas era impossível estar ali. E então tivemos de nos ir equipar nos corredores que davam acesso aos balneários. E a revolta foi tanta que nos deu uma força extra e o Benfica fez um jogo espectacular. Recordo o Rui Águas, que fez um jogão, eu de vez em quando ainda vejo esse resumo. Toda a equipa com um vontade enorme, provocado pelo que aconteceu e não só, porque queríamos ser campeões. Recordo que comecei a aquecer muito cedo, ainda no início da segunda parte, estive a aquecer muito tempo, levei com muitas moedas de 50 escudos, aquelas moedas grandes. Da bancada mandavam-me com as moedas para a zona onde estava a fazer o aquecimento e ainda apanhei algumas, punha no bolso do fato de treino. Ainda juntei umas quantas moedas [risos]. Depois entrei aqueles 10 minutos e fui feliz.
Disse uma vez que era utilizado como uma espécie de arma secreta.
Sim, sim. Porque realmente as coisas funcionavam assim e criou-se ali um hábito. Era mesmo isso, eles tiravam proveito de mim a entrar. Porque em muitos jogos, quando eu entrava, aconteciam coisa boas.
Não o chateava não ser titular?
Claro que chateava, toda a gente gostava de jogar e não é fácil lidar com estas situações, mas eu nunca queria grandes problemas.
Não questionou o Eriksson?
Não, porque eu não era muito de falar. Achava que às vezes teria de jogar mais mas não vinha manifestar-me porque, olhe, porque eu achava que assim já era bom e pronto.
Três anos de Eriksson e depois há uma época que já é com o Toni e com o Ivic, mas joga pouco. O que é que aconteceu?
Tive uma lesão grave, fui operado à perna e estive quase praticamente uma época sem jogar. Foi uma ruptura na coxa. Foi o tendão que partiu e tiveram que abrir a perna, foi complicado e acho que foi nesse ano.
Toni e Ivic eram muito diferentes um do outro?
Cada um tinha a sua maneira de trabalhar. O Toni é de facto um grande treinador e era muito amigo dos jogadores. Ele treinou jogadores que foram colegas dele e se calhar, não sei... Eu não queria muito entrar por aí, porque eu sempre me dei muito bem com o Toni, ele sempre foi amigo, mas se calhar eu às vezes podia ter jogado mais.
Entretanto chegam o Futre e o João Vieira Pinto. Nessa altura pensou que o seu lugar podia estar mais em risco?
Claro que sim. No Benfica apareciam sempre grandes jogadores naquelas posições e não era fácil jogar naquele Benfica. Eu apanhei e joguei com os melhores dos melhores jogadores portugueses. Joguei com Futre, com João Pinto, com Rui Águas, com Rui Costa, portanto não era muito fácil jogar naquele Benfica.
Mas na época seguinte faz mais jogos, com o Toni, e é campeão, em 1993/94. Lembra-se desse ano?
Lembro, é naquele ano em que o João Pinto faz os três golos em Alvalade, do 6-3. Recordo-me bem desse jogo, eu estava no banco e levei um amarelo a festejar um golo [risos]. Saltei do banco para dentro do campo. E também sou do ano em que levámos 7-1 em Alvalade, também entrei na segunda parte. Estive nos bons e nos maus momentos.
Depois no ano a seguir vem o Artur Jorge, uma figura completamente diferente…
Eu nem gostava muito de falar sobre o Artur Jorge porque de facto.. .Olhe, se calhar passávamos à frente.
Fez parte do grupo que queria sair?
Eu saio no ano a seguir.
Para o Belenenses.
Exactamente. O Artur Jorge não tinha nada a ver com aquele Benfica, nadinha. Não quer dizer que ele não seja bom treinador, mas naquele ano foi a pior aposta dos responsáveis do Benfica.
Como é que se dá a ida para o Belenenses?
Eu acabava o contrato que tinha com o Benfica, já tinha 30 anos e havia a possibilidade de ir para alguns clubes. Na altura estava o João Alves no Belenenses. Ele falou comigo, estava interessado e eu pensei: porque não tentar um aninho ali no Belenenses? E foi muito bom. Joguei muitas vezes e fui o melhor marcador do clube naquele ano, as coisas correram muito bem.
Depois dessa época no Belenenses, vai para fora pela primeira vez.
O João Alves vai para o Salamanca e voltou a falar comigo, para saber se eu queria. E porque não jogar no estrangeiro? Também era uma experiência nova e aceitei. Foi das melhores coisas que me aconteceram.
Porquê?
Pela idade que tinha, não tinha ilusões. Jogava muita vez, criámos um grupo de trabalho espectacular, com alguns portugueses que foram daqui, juntou-se o Pauleta, joguei muitas vezes com ele, fazíamos uma dupla espectacular, fazíamos golos. Tive dois anos em Salamanca brutais, lindos.
Foram bem recebidos pelos espanhóis?
Sempre. No início as coisas não foram fáceis porque éramos muitos portugueses, éramos uns sete ou oito. Na altura aquilo corre mal e quem paga é o treinador. Despediram o João Alves. Depois veio outro e acaba por correr bem.
Quem, o Goikoetxea?
Exactamente. Depois da saída do João Alves a gente não perdeu jogo nenhum, em casa e fora, estivemos a 16 pontos de diferença e conseguimos subir à I Divisão, foi uma coisa brutal. Mas também com o jogador que nós tínhamos, o Pauleta, que fazia golos de qualquer maneira, aquilo foi um espectáculo.
Criou uma amizade forte com o Pauleta?
Muito forte. Somos muito amigos, falamos de vez em quando. O Pauleta é outro ser humano daqueles... é do melhor. É uma pessoa muito simples, muito humilde, é das pessoas boas, um ser humano que me honra muito ter como amigo.
E na época seguinte vai para o Mérida.
Aí é que tudo acaba. Apareceu um argentino em Salamanca, o Russo, e... Olhe, eu já regressei a Salamanca, já falei com alguns directores e foi o pior erro que eles cometeram. Porque apareceu esse treinador que quis fazer a equipa toda dele, dispensou alguns jogadores, inclusive eu, que também já tinha alguma idade. Fui contratado pelo Mérida, mas aí já as coisas não correram bem porque eu fui desmotivado. Eu estava feliz a jogar bem no Salamanca, onde era acarinhado, e depois foi um balde de água que não esperava. Tentei, mas já não deu. Também fui sozinho, era o único português que estava ali. Na metade da época a seguir ainda apareceu o Nuno Espírito Santo, que vinha emprestado do FC Porto, aquilo compôs-se um bocadinho, mas já era tarde.
A sua mulher estava consigo?
Sempre.
Voltaram a ter filhos?
Não. Nunca mais tivemos filhos. A minha mulher perdeu dois filhos. Um nasceu morto. Depois tivemos uma miúda que acabámos por perder naquele acidente de que já falámos. Houve ali uns problemas e já não conseguimos. Estamos sem filhos.
Entretanto, deixa Mérida e regressa a Portugal.
Sim, ainda tentei jogar no SC Covilhã, fiz um jogo pelo SC Covilhã ali na Naval, apanhámos uma cabazada 4-1, entrei a meio da 2ª parte, lesionei-me, tive logo uma ruptura muscular e falei com o presidente: "Ó presidente, eu não quero, não quero andar a arrastar-me mais, eu não posso". Compreenderam e acabei já com 33 ou 34 anos.
Já tinha pensado no seu futuro?
Sabe que nessa altura não pensava, mas hoje já estou arrependido de não ter tirado o curso de treinador. Agora com esta idade já não quero, mas na altura podia ter tirado um cursozinho de treinador e também treinava como muitos andam aí a treinar. Hoje tenho pena, mas agora já não vai. Tenho uma vida mais ou menos.
Nessa altura o que resolveu fazer?
Voltei para a minha terra. Tenho algumas coisinhas. Já tive alguns negócios. Tive uma loja de desporto, já tive um restaurante, "O Brito", no Barco, isto é uma aldeia pequenina e não funcionou muito bem. Depois abri uma marisqueira também lá no próprio restaurante, as coisas também não correram bem. E agora tenho uma discoteca, "A Cave", que estava a trabalhar mais ou menos, abríamos aquilo ao fim de semana, mas com isto da pandemia ficou tudo parado. Tenho uma quinta aqui ao pé do Fundão, onde tenho os animais, tenho cães, sou caçador.
O que costuma caçar?
Coelhos, lebres, perdizes, pombos, tordos… De Agosto a Fevereiro é caçar. Mas é tudo para consumo próprio, não vendo uma peça de caça.
É bom caçador?
Já fui melhor, agora também já me está a faltar a vista. A idade não perdoa [risos].
Onde ganhou mais dinheiro?
No Benfica.
Tinha ou tem superstições?
Nunca fui muito disso. Quando entrava em campo benzia-me, mas mais nada.
É então um homem de fé.
Acredito em Deus, sim. Os meus pais obrigavam-nos a ir à missa e à catequese. Sou católico mas não praticante.
Se não tivesse sido jogador de futebol teria sido o quê?
Se calhar tinha emigrado. Nas obras não acredito muito que trabalhasse, mas tinha emigrado, porque aqui as coisas não estão fáceis e sem estudos não se pode fazer muitas coisas.
Qual foi a maior extravagância que fez na vida?
Comprei um Mercedes 320 SL quando saí do Benfica, que custava, fazendo a transformação para euros, cento e tal mil euros. E ainda o tenho, já vai fazer 25 anos. Não o vendo, há de ser um clássico, é lindo. É um carro de garagem.
Há algum outro desporto que goste de praticar ou de seguir?
Sim, adoro ver snooker na televisão. Adoro jogar snooker. Quando estava no Benfica, depois de começar a época, em que treinávamos de manhã, tínhamos as tardes livres, eu ia quase sempre jogar snooker a uma casa na Pontinha. Tinha um taco especial e tudo. Adoro snooker, ainda hoje gosto de jogar mas não há muitas casas com snooker agora. Gostava tanto de snooker que comprei uma mesa para levar para casa. Aliás, estou aqui na quinta a falar consigo e estou com o braço em cima do tampo que mandei fazer para pôr em cima da mesa de snooker. Mas agora não tenho praticado muito.
Qual a maior alegria e a maior frustração que viveu no futebol?
A maior alegria foi sem dúvida o campeonato que ganhámos no Porto em 1991. Dois golos seguidos. A frustração, se puder incluir o acidente de automóvel que tive...
Mais do que frustração acabou por ser um drama pessoal.
Sim, claro. Mas obrigou-me a estar parado meia época numa altura crucial da minha caminhada. Também posso falar dos 7-1 de Alvalade e da final da Taça da Liga dos Campeões em Viena, em que entrei um bocadinho na 2ª parte, mas que perdemos.
E a maior amizade que fez no futebol?
O Pauleta, sem dúvida, o José Carlos, que estava no Benfica também, que é meu compadre, sou padrinho de uma filha dele. O Tó Real, mas há mais, se fosse enumerar todos...
Se pudesse escolher um clube em que gostava de ter jogado, qual escolhia?
Real Madrid ou Barcelona.
Quando olha para o futebol de hoje, acha que o César Brito de há 30 anos conseguia encaixar-se?
Acho que sim. Eu falei no Real Madrid ou Barcelona mas as minhas características como jogador estariam mais de acordo com o futebol inglês, que é mais direto e de ataque.
Qual foi o seu maior adversário?
O Sporting.
Mais o Sporting do que o FC Porto?
Sim, os dérbis eram mais bonitos do que os clássicos, o dérbi era mais paixão, lá em cima era mais assustador.
Havia algum defesa que o irritasse particularmente?
Assim, de repente, jogadores dos quais tínhamos um bocadinho de receio e que eram maus, talvez o Jorge Costa e o Fernando Couto. Mas ambos grandes homens. Eram os mais duros.
E histórias para contar. Não tem pelo menos uma?
No Benfica, depois dos treinos, saíamos juntos muitas vezes, não era só partilhar o balneário, éramos amigos, uma família, e um dia fomos comer ao Barbas umas caldeiradas e uns peixes. E bebemos demais. Só que tínhamos treino à tarde. Era o Toni o treinador. Bebemos demais e à tarde fomos para o treino e no aquecimento ainda disfarçámos porque era correr à volta do campo. Mas depois quando foram exercícios com bola começaram alguns a falhar os passes, a não acertar na bola, a cambalear, e o Toni, como esperto que era, apitou e mandou todos para o balneário [risos]. Foi caso único, nunca mais aconteceu e ele compreendeu.
Gostava de sair à noite?
Não podíamos. Nos dias de folga, quando não éramos convocados ou assim saíamos um bocadinho mais, mas não era muito.
Onde gostava de ir?
Eu não fui muita vez, mas havia ali umas discotecas na 24 julho, junto a umas escadinhas. Era o Plateau e o outro não me lembro do nome, mas era ao lado [Kremlin]. Mas era quando podíamos, muito raramente.
Tem tatuagens?
Eu não. Lembro-me que quando tinha uns oito ou nove anos havia um maluco na aldeia que achava que sabia fazer tatuagens e ainda me picou com uma agulha e tinta. Detesto e não gosto de ver a ninguém, às mulheres muito menos."
A competição é 'natural'
"A Sociologia tem tido grandes avanços nas últimas décadas, nomeadamente pela ênfase crescente da análise histórica. Isso não significa uma mera aplicação da perspectiva sociológica ao passado, mas, sobretudo, uma forma de contribuir para uma melhor compreensão das instituições sociais do presente. Recuemos então à década de 1990. Numa entrevista dada um pouco antes da sua morte, numa espécie de balanço científico, o conhecido biologista francês Henri Laborit (1914-1995), que dirigiu a revista “Agressologie”, de 1958 a 1983, declarou: “para mim, a competição é obscena. Ela é a origem da infelicidade do homem” (Sport et Vie, Novembro de 1994).
Omnipresente em todos os domínios de actividade (económica, política, religiosa, educativa, desportiva, artística, etc.), a competição é considerada como o comportamento normal das relações humanas. Tornou-se uma espécie de inconsciente social. Como se julga “natural”, e que se aceita como o motor necessário e inelutável da ação, promove a não colocação de questões sobre a sociedade e encerra a possibilidade de se imaginar o que pode significar um mundo sem competição.
Como alertava o sociólogo Émile Durkheim (1958-1917), os seres humanos veem-se a si próprios como indivíduos livres nas opções, mas, na realidade, os seus comportamentos são determinados pelo mundo social. A perspectiva competitiva é inerente ao desporto, mas o imperialismo da competição não é evidente e não é universal. O espírito de competição é determinado por um sistema social. Conscientemente ou não, ao pretender-se que a competição é inata, os desportistas, praticantes e espectadores, culturalizam a natureza. Eles arrogam a competição social para justificar um dado estado cultural.
A competição desportiva é uma injunção social, culturalmente interiorizada pelos seres humanos. No nossa sociedade, homens e mulheres devem se entregar aos “jogos” concorrenciais e sujeitarem-se a uma classificação para beneficiar da gratidão geral. Com a mania do número e do valor associado, a competição impõe-se como modelo dominante de legitimação do sucesso e até como ética de vida. Apesar da sua cruel selecção, e as suas implacáveis consequências, a competição é julgada por muitos como sã e formadora. Nada deve impedir a “corrida” dos melhores e os incessantes confrontos. A máxima “o essencial é participar”, atribuída a Pierre de Coubertin, é uma ilusão. No livro “La Concurrence et la mort” (La Découverte, 1995), o jornalista Philippe Thureau-Dangin”, ex-diretor do “Courrier International” e ex-presidente da “Télérama”, refere que “quando o principal artesão do olimpismo moderno afirma que ‘o essencial é participar’, não se pode ver neste slogan uma consolação para os vencidos. Trata-se de empurrar cada um de nós para entrar no jogo da concorrência (ou da competição desportiva)”. Será, então, que uma sociedade sem competição é irrealista? Para que serve ser mais forte do que o outro? O que nos traz de mais valia bater o recorde do mundo? Uma sociedade que propõe apenas a competição como a única moral de vida é uma sociedade doente."
Gilberto
Não era dos nomes que mais agradaram à nação Benfiquista, quando os rumores começaram a circular, mas é um jogador que encaixa no perfil de Jesus para as Laterais! É verdade que já falhou algumas vezes, mas também já acertou!!! Jesus julga que consegue 'ensinar' jogadores de características ofensivas a defender... Creio que o sucesso desta contratação vai passar por aí...
O Flamengo jogou muitas vezes contra o Fluminense na passagem do actual do treinador do Benfica, pelo Rio, sendo assim acredito que o conhecimento do técnico pelas qualidades do jogador, seja profundo!
Passou por Itália, sem grande sucesso, mas estando a 100% tem velocidade e força para fazer as 'piscinas' que o esquema do Jesus obriga os Laterais...
sábado, 8 de agosto de 2020
Helton Leite
Primeira contratação do defeso (o Pedrinho já tinha sido anunciado oficialmente em Março - ou Fevereiro!).o
Na minha opinião não é guarda-redes para ser titular do Benfica, mas pode ser uma segunda opção válida! Curiosamente, tem características idênticas ao Ody:
Bom entre os postes, mal no controlo da profundidade e nos cruzamentos!
Sendo que para mim, o Ody compensa as hesitações nas saídas, com uma boa percentagens de duelos ganhos, contra jogadores isolados...; em sentido contrário, o Helton parece um bocadinho melhor nos cruzamentos!
Agora dentro dos postes é realmente muito bom... no recente jogo da Luz, onde foi muito criticado, fez uma série de defesas impressionantes...
Haverá alguém que ainda não escreveu sobre a pandemia?
"A pandemia da COVID-19 tem transformado irreversivelmente a forma como vivemos e iremos viver no futuro. E apenas em meio ano! Através dela conseguiram-se, como que por passe de mágica, alterações de vida inimagináveis em períodos de duração duas, três…, dez vezes superiores; para o melhor e para o pior. Alterações inequivocamente para pior, na maioria dos casos, especialmente espelhadas na crise económica, mas sobretudo assustadoras se pensarmos na atordoante limitação das liberdades individuais e na facilidade como prosperaram – e irão prosperar, se não estivermos atentos – estratégias de controlo dos cidadãos, capazes de fazer corar de embaraço o Orwelliano mais empedernido. É claro que, em contrapartida, algumas coisas poderão ter melhorado, assim se consiga enfrentar a crise pela perspectiva da oportunidade e não pela da ameaça, da fatalidade.
Espreite-se porque lado for, o que não há dúvida é que não se fala de outra coisa. Fala e escreve! Haverá alguém que ainda não escreveu sobre a pandemia? Já agora também eu lavro o meu escrito a propósito e, infelizmente, acrescento à cacofonia. Infelizmente, digo, porque bem gostaria de não ter motivo! E o meu motivo é o Desporto, que, tudo indica, vai sair deste processo muito maltratado!
Que a ameaça foi e é real parece não restarem dúvidas. Incertezas haverá, porém, acerca da adequação ou da desproporcionalidade das medidas de contenção adoptadas, da dimensão das respectivas consequências e – agora já mais recentemente – das estratégias de apoio às populações e de incentivo à recuperação económica e social. Aqui, de facto, é que a porca torce o rabo! Confinar, afastar e proteger foram estratégias aparentemente sábias (apesar de às vezes formuladas de forma muito “patarata”, claramente assimétrica ou excessiva). Abrir progressivamente as portas da sociedade, também. Apoiar os sectores produtivos e a economia em geral, por forma a mitigar os efeitos perversos do imobilismo? É claro; não havia alternativa! Mas… e o resto? O resto é um problema aparentemente só dirimível pelo proverbial: “quem não chora, não mama!” Foi assim com a cultura (penso que cabe nisso de cultura a tal coisa do Campo Pequeno), com o futebol (mesmo se agora já se percebe que podiam ter ido mais longe se não fossem tão depressa) e com outros sectores. Mas… e o Desporto? (e não vou aqui discutir se o desporto não é cultura e se o futebol é ou não desporto, ou só espectáculo – cultural, ou não).
Nos dias que correm quase não há pais que abdiquem de uma formação desportiva relevante para os seus filhos. É uma questão cultural, diria mais: civilizacional! (Paradoxalmente, esses mesmos pais, às vezes, parecem não enxergar o papel da Educação Física e do Desporto Escolar, mas essas são contas de outro Rosário). Como fazem para a conseguir? Recorrem sobretudo aos clubes desportivos, que generosamente se substituem ao Estado e fomentam a parca prática desportiva que temos em Portugal. Sim, porque o Estado não foi, até hoje, capaz de traduzir em políticas reais os discursos de ministros e secretários de estado (e de subsecretários de estado e directores-gerais) acerca da importância, do valor social, educativo, higiénico (e etc.) do desporto. O Estado precisa do movimento associativo, dos clubes, das associações e das federações para o fazerem por si! Para cumprir a sua missão constitucionalmente determinada.
E que tem isto que ver com a pandemia?
Se virmos bem… tudo! É que com o recato, o confinamento, a reclusão dos cidadãos, o distanciamento social, as limitações à liberdade de circulação e de acção (a privação efectiva do direito e liberdade de opção constitucionalmente estabelecido a tanger o limiar de uma “nova ordem”) os clubes deixaram de ter participantes activos; deixaram de dispor das receitas provenientes das mensalidades dos praticantes que os sustentam (não, não é o Estado que os sustenta para fazerem o que a Constituição o obriga a ele!); deixaram de poder pagar (miseravelmente) aos seus treinadores e aos seus outros funcionários. Enfim, deixaram de poder subsistir o Estado na promoção do Desporto e dos valores que sabemos que este transporta consigo. Deixaram de poder existir e de, portanto, sustentar o nosso “sistema” desportivo e de promover os nossos atletas, as nossas glórias.
O Comité Olímpico de Portugal, o Comité Paralímpico de Portugal e a Confederação do Desporto, pelo menos, têm insistido repetidamente com o Governo na necessidade de se implementarem medidas efectivas de apoio ao Desporto – à essência do Desporto –, enquanto estamos em tempo; enquanto temos Desporto, mesmo se pequenino e espartilhado, mas seguramente sofrido. Respostas: quase nenhumas!"
João Paulo Vilas Boas, in Tribuna Expresso
O grito do Benfica
"Jorge Jesus foi elegante com quem está e ambicioso com quem terá de chegar
Jorge Jesus foi apresentado numa cerimónia simples e de grande categoria. Em vez de adeptos aos gritos sentiu-se o grito do Benfica. As 10 taças conquistadas pelo Benfica sob orientação de Jorge Jesus deram o mote para um Benfica a «jogar o triplo» e a «arrasar». Hegemonia em Portugal e prestígio na Europa. Simples e perceptível. Jorge Jesus foi elegante com quem está e ambicioso com quem terá de chegar. Aqueles troféus são apenas o princípio daquilo que será património conjunto de Jorge Jesus e Benfica. A diferença desta apresentação para outras do mesmo género é que, nesta, adeptos e adversários já perceberam que vai mesmo ser assim.
A Taça de Portugal foi espelho de uma época para recordar. Ao contrário de outros benfiquistas, julgo serem inteiramente justificados os festejos de dirigentes e adeptos azuis e brancos. Primeiro porque a última dobradinha tinha quase 10 anos e depois porque vencer o Benfica numa final da Taça de Portugal tinha 62 anos. Talvez só a vitória do Aves possa se comparado ao feito de sábado.
Nesta contabilidade de títulos, de valor sempre relativo, temos de ter atenção com o que realmente nos preocupou e é comparável. O Benfica perdeu este ano o 38.º título e o Real Madrid aproximou-se com 34 vitórias.
Há que iniciar um ciclo longo de vitórias até para manter os merengues à distância.
Jorge Jesus nada ganhou na passada segunda-feira, mas deixou a impressão de que com uma boa equipa vai ganhar muito coisa. Dia 10 voltamos aos treinos e dia 15 de Setembro voltamos à competição. A primeira jornada da Liga dia 12 de Setembro ou uma Supertaça não adiada teriam ajudado a equipa portuguesa que vai à pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Percebo pouco de sorte ou azar, mas se eu sugerisse algo era já o primeiro jogo com o Étoile Carouge, com a maioria dos jogadores contratados à disponibilidade do treinador. Regra geral, prenuncia época de grandes feitos.
Que maravilha um período de defeso de oito dias. Neste Benfica não há espaços para mais nada que não seja futuro de vitórias. Este autocarro de jogadores apontados ao Benfica, ainda que em grande parte corresponda à verdade, dá apenas para se ter a noção da matéria-prima das nossas futuras conquistas. No Benfica festejam-se títulos não se festejam contratações."
Sílvio Cervan, in O Benfica
Vislumbrar o futuro
"Não me importaria que a apresentação de Jorge Jesus tivesse ocorrido logo após o desaire na final da Taça de Portugal. Jogámos mal e não soubemos aproveitar a justa superioridade numérica. O nosso adversário jogou mal, e fomos piores. E ainda podemos reclamar da sorte, naquele lance em que Jota acertou no poste já no tempo adicional. Em suma, a final espelhou a época desastrada e inesperada da nossa equipa. Poderíamos e deveríamos ter feito melhor.
Agora, com o regresso de Jorge Jesus, abrem-se novas perspectivas, logo prometidas e reiteradas na apresentação. Estou convicto de que, com o mesmo plantel sob o comando do nosso novo treinador, teríamos apresentado melhores níveis exibicionais e conseguindo melhores resultados. E ainda mais convicto estou de que se verificará um salto qualitativo no plantel com Jorge Jesus. Alguns jogadores, inseridos numa nova dinâmica, serão mais competitivos. Outros desenvolverão as suas capacidades e renderão de acordo com o seu potencial. E chegarão atletas cuja competência será indiscutível. Foi ao que Jorge Jesus nos habituou no passado, não espero menos agora.
Ganharemos tudo? Provavelmente não, embora seja esse o objectivo. Teremos, no entanto, a garantia de que seremos mais competitivos e de que não dependeremos do súbito surgimento de um jogador que faça a diferença. O Benfica voltará a ser forte no futebol, aproveitando plenamente os muitos e excelentes recursos que hoje coloca à disposição de quem lidera a equipa. Não professo amanhãs que cantam, mas a música será outra certamente! Com Jorge Jesus estaremos sempre mais próximos de títulos. Não se trata de crença, mas antes da constatação da sua inegável competência. Boa sorte!"
João Tomaz, in O Benfica
Está na hora!
"Faltam poucos dias para iniciar a época 20/21 e para podermos finalmente deitar para trás a desilusão da temporada anterior. Deitar para trás não é esquecer, atenção. Porque é com os erros que crescemos, e convém lembrá-los para que não se repitam. Tiradas as ilações, aprendidas as lições, vamos seguir em frente. E com expectativas elevadas.
Motivação, qualidade, conquistas, união - tudo foi apresentado como paradigma de um novo ciclo no futebol masculino. A isso junta-se a chegada de um homem que conhece a casa, sabe da poda e já ganhou pelo clube. União parece-me a palavra certa a reter, em especial num clube que é tão representativo da sociedade portuguesa. Cada sócio, adepto e simpatizante tem direito à sua opinião e pode ou não gostar do regresso do treinador, concordar ou não com as decisões do presidente. É legítimo, mas nunca se pode esquecer o bem maior: o SL Benfica.
Não preciso de promessas de títulos. Sei bem o que tem sido feito de bom no clube, e os últimos anos têm-no provado. As conquistas tornaram-se cada vez mais habituais, no futebol e nas restantes modalidades. O Glorioso que conhecemos hoje tem todas as condições para ganhar. Sim, também gostaria que fosse sempre, todos os anos, todas as competições, mas isso não é possível. Por isso, o que peço para a temporada que vai começar na próxima semana é garra, coragem, 'tomates' - perdoem-me a expressão. Só isso. O resto já temos: qualidade, inteligência, profissionalismo, infraestruturas, tecnologia, conhecimentos.
Precisamos de uma dose suplementar de ambição e de coragem, de incentivo e de dedicação para continuarmos a ser os melhores. Os títulos vêm por arrasto, fruto de entrega e do trabalho. Está na hora de voltarmos a ser felizes."
Ricardo Santos, in O Benfica
O Cavani já assinou?
"Já só consigo pensar na próxima época. Por um motivo, muito simples: não tenho vontade rigorosamente nenhuma de manter presentes as lembranças da temporada que acabou de terminar.
Confesso que até dou por mim a olhar para as capas dos jornais e a sentir que voltei a ser criança, apesar de ter completado 26 anos no dia 5 de Agosto. Gostei mais de festejar os 25, quando o Rafa, o Pizzi e o resto da malta me brindaram com aqueles 5-0 ao Sporting na Supertaça. Desta vez recebi apenas umas sapatilhas da minha namorada, o que está muito longe daquele recital no Estádio do Algarve.
Estou convencido de que, quando esta crónica chegar às mãos do leitor, é possível que Edinson Cavani já tenha assinado pelo Benfica. Ou então pelo Barcelona ou pela Juventus. De repente, um jogador que tem lugar no onze titular de qualquer clube no mundo pode reforçar o Benfica, e eu nem sei bem como reagir. Primeiro, ignorei. Depois, comecei a ficar acordado até às 3 da madrugada porque o entusiasmo não me deixa esperar até à manhã seguinte. Falta saber se o próximo passo será chorar de desilusão tal como aconteceu quando a contratação de John Dhal Tomasson falhou, ou chorar de emoção tal como aconteceu quando a contratação de Pablo Aimar foi oficializada.
Ainda não vi os especialistas abordarem esta questão, mas no meu entender é fundamental o Cavano jogar com o pé direito. Assim, temos a garantia de que o JJ não o vai adaptar a defesa esquerdo.
Todo este alarido é um sinal de que, conforme o próprio Jorge Jesus já garantiu, o Benfica vai atacar o mercado. Em 2019 assegurámos o Jhonder Cádiz, em 2020 estamos a tentar o Cavani. Não me parece um mau começo."
Pedro Soares, in O Benfica
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