Últimas indefectivações

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Tribuna de Honra - 'meia' 18.ª jornada...

Responsabilidades...

""Chegou a altura do Governo assumir as suas responsabilidades" disse Pedro Proença à saída da reunião no Ministério da Administração Pública, onde discutiu os recentes episódios de violência no futebol, deixando-me na delicada posição de concordar com ele. Chegou a hora da Tutela banir dos estádios os indivíduos violentos que sucessivos governos foram trazendo para o futebol. A indústria do pontapé na bola não pode coexistir com aqueles bárbaros que diversos primeiros ministros utilizaram como tropa de choque e garantia da sua continuidade no poder. É necessário erradicar do desporto rei nacional os criminosos que o Estado alberga em espaços cedidos nos estádios. O futebol e os seus dirigentes estão fartos dos matarruanos que sucessivos Ministros e Secretários de Estado utilizaram para perturbar assembleias gerais ou invadir centros de treino. As administrações dos clubes que, mal grado o dinheiro que jorra todos os dias nas contas bancárias das SAD's, andam nisto por carolice, não podem ver o seu honroso trabalho ser colocado em causa por gente selvagem a quem os diferentes ministérios cedem bilhetes para a bola, à borla ou em condições extremamente vantajosas.
Ontem o Presidente da Liga Portuguesa de Futebol colocou o dedo na ferida, em defesa do comum adepto, que em grande parte dos jogos fora entra 30 minutos após o pontapé inicial, devido ao meritório trabalho de alguns comandos regionais de polícia e stewards acólitos, que não respeitando as desportivistas instruções do clube visitado, prejudicam o natural fluir de espectadores para a bancada visitante. Não posso deixar de exaltar a forma como o antigo árbitro internacional, mostrou a quem governa este país, que os dirigentes de clubes portugueses têm demasiados problemas económico-socias sobre os quais se debruçar, para andarem a perder tempo com actos bandalhos que cavalgam as palavras de ódio clubístico do Dr. António Costa.. Se o Governo não assume as suas responsabilidades, temo que os dirigentes desportivos tenham que se demitir todos."

Oportunismo...!!!

"90 dias, 13 semanas, quase 3 meses depois, Vítor Oliveira é castigado e falha hoje a deslocação do Gil Vicente ao Dragão. É só mais uma curiosidade deste Campeonato e deste Conselho de Disciplina.
Vítor Oliveira foi expulso a 30 de Outubro de 2019, após o Famalicão – Gil Vicente. Entretanto, o Gil Vicente realizou mais 11 jogos (!) e o castigo “calhou” precisamente na deslocação ao Dragão. “Ele há coisas.”"

100%

"1/3, ou 6/18, como quiserem. Vasco Santos é VAR nos jogos do #portoaocolo a cada 3 jogos.
O árbitro da AF Porto vai hoje, mais uma vez, representar o clube do coração como VAR e fazer quase 700km para desempenhar o seu papel.
Porquê? É fácil. Quem não se lembra do penalty marcado a favor do #portoaocolo no Portimonense SC - FC Porto? Ou da ajuda dada a Artur Soares Dias no “Poker de Cónegos”? E daquela “Estorilada” em 2017/2018?
Tudo isto é Vasco Santos. Tudo isto é #portoaocolo."

[FR] Chalana 1985, le droitier du Dniepr

O jogo, a bola e o record de Kobe Bryant

"Capas de jornais anti-desportivos.

A minha relação com o basquetebol é semelhante à que tenho com os marshmallows. Sei que é popular nos Estados Unidos, mas não vejo razão para ficar acordado até tarde a consumir tal coisa. Não acompanho a NBA e a única versão do desporto que pratiquei foi a de arremessar papelinhos para o caixote do lixo da sala de aula. Modalidade na qual, aliás, apresentava um desempenho abaixo da média da turma. É até possível que não saiba bem as regras.
De certo que milhares e milhares de portugueses terão sido mais afectados do que eu pela notícia da morte de Kobe Bryant. Conhecia o seu nome, sabia que estava associado aos Lakers, que acaba por ser a equipa que as pessoas que nunca veem NBA conhecem, e que realmente era muito bom - porque as pessoas me diziam que era muito bom - e não porque alguma vez eu tenha dito “eish, que grande jogada de basquetebol do senhor Kobe”. Para terem noção do quanto eu estava fora, assim que soube do acidente fatal, fui pesquisar à Wikipédia para saber se Kobe ainda estava no activo ou não. Não estava. Deveria saber isso.
Em suma, não quero fingir, para granjear simpatia, que uma mediática morte de uma das figuras mais importantes de um desporto que de modo algum acompanho me deixou em lágrimas. Uma morte daquelas causa no mínimo consternação a quem está emocionalmente desligado do desporto em causa, mas é natural que os que cresceram com Kobe estejam devastados e que tenham a necessidade de prestar homenagem. Essas homenagens vão gerar curiosidade - e possivelmente levar a que ignorantes do basquete como eu saibam um pouco mais do legado do Kobe.
Penso que é isto que os jornais desportivos portugueses não perceberam, quando concluíram que a manchete de segunda-feira não podia ser o desaparecimento de uma indelével lenda do desporto, quando tinha ocorrido uma inaudita vitória do primeiro classificado do campeonato português na casa do décimo sexto classificado do campeonato português. Os jornais desportivos de Espanha - no estilo dos quais, aliás, os portugueses se inspiram - descartaram o facto desse país se ter tornado campeã europeia de andebol, para fazer capas icónicas sobre a morte de Kobe.
É verdade que o basquetebol não é um desporto popular em Portugal, mas aos jornais desportivos deveria caber incutir alguma cultura desportiva - e não só lucrar da falta dela. Uma capa com Kobe Bryant não ia destruir as vendas dos três jornais desportivos. Afinal, o dia de amanhã traz-nos sempre um “tribunal unânime”, um “Sérgio reúne com SAD”, um “Bruno preso por detalhes”, um “conheça a sereia que enfeitiçou jogador x”. O que afecta a relevância destes jornais desportivos é não quererem saber de desporto."

O desporto, o 'soft power' e a mediatização

"O conceito de “soft power” foi inventado nos EUA e foi colocado em prática antes da conceptualização teórica de Joseph Nye, no início dos anos 1990. Neste sentido, não é estranho que este país se tenha dotado de uma diplomacia desportiva. Um bom exemplo da diplomacia desportiva é o Qatar. Investiu na organização de competições internacionais no seu território, no desenvolvimento do desporto internamente (academias, centros desportivos, campeonatos profissionais, infraestruturas), na sponsorização de múltiplas competições ou entidades desportivas, na compra de direitos televisivos de competições estrangeiras, etc. A diplomacia desportiva é concebida, conceptualizada, animada e dirigida pelo poder central e a família reinante. Os investimentos desportivos respondem a interesses racionais a longo prazo: necessidade de diversificação económica, modernização do país, mas igualmente político, ou seja, procura de reconhecimento internacional, a fim de consolidar o lugar do país no tabuleiro de xadrez mundial.
Os meios de comunicação social e a globalização fizeram do desporto um elemento poderoso. A televisão criou um estádio, cujas capacidades de acolhimento são ilimitadas. Num mundo onde a informação é cada vez mais expandida, a proeza desportiva tornou-se a forma mais eficaz para suscitar popularidade e atractividade. As vitórias desportivas são uma forma de continuar a guerra por outros meios. Nem todas as práticas desportivas servem para o espectáculo. O futebol moderno, criado em Inglaterra no século XIX, tornou-se um desporto universal que conquistou o mundo. O desporto não pode viver e se desenvolver sem dinheiro e sem mediatização. Na realidade, a televisão (mas não só) impõe novas hierarquias, tanto ao nível da disciplina praticada, como dos atletas."

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Um Mercúrio negro voando na Luz



"Eusébio faria anos neste dia 25 de Janeiro. Recordá-lo é a obrigação de todos os que o conheceram o puderam vê-lo jogar no seu estilo que não tem imitação. Como daquela vez em que marcou quatro golos ao seu bom amigo Vítor Damas

Dia 25 de Janeiro. Dia de Eusébio. Ele que nasceu no dia 15 de Janeiro de 1942. Há tantas formas de recordar Eusébio, e nenhuma delas faz justiça a Eusébio. Talvez ou seja suspeito de o dizer e de o escrever: tive a felicidade de o ter como amigo. E a ausência dos amigos dói-nos para sempre.
De repente, da memória, sai um encontro entre dois velhos companheiros de muitas conversas: Eusébio e Damas. Com ambos reparti momentos de tanta cumplicidade. Dois adversários; dois homens por inteiro.
Estádio da Luz: o Benfica venceu o Sporting por 4-1.
Era Outubro de 1972. Eusébio e o esplendor dos golos.
Mais de 70 mil pessoas nas bancadas. A festa vermelha em flor.
Uns atacavam; outros defendiam.
Simões e Toni e Jaime Graça em movimentos bruscos, incontroláveis. Manaca e Laranjeira e Carlos Pereira aflitos, desesperados.
Laranjeira perseguia Eusébio, e Eusébio voava como um Mercúrio negro, de asas nos pés.
O Sporting tinha um treinador inglês, Ronnie Allen. Sempre foram bem-vistos, os treinadores ingleses em Alvalade. O Benfica tinha outro inglês, Jimmy Hagan. Poucos foram como Hagan, Jimmy Hagan.
Damas, o solitário Damas. Entregue aos demónios que vestiam de encarnado. Demónios à solta; demónios terríveis; demónios esfomeados.
E Eusébio? Como falar sobre Eusébio? Bastos que o diga. Apanhou-o por segundos, fugindo isolado para o que seria o primeiro golo. O aviso estava dado. De pouco serviu.

Sublime!
Trinta anos já haviam passado desde que Dona Elisa trouxera Eusébio ao mundo, no bairro da Mafalala, em Lourenço Marques.
E Eusébio corria como um garoto debaixo das palmeiras.
A defesa dos leões rachada em pedaços. Por cada frincha que se abria, Eusébio entrava como uma rajada de vento. Toca de cabeça uma bola metida na sua frente, domina-a junto à relva, desliza para lá de Damas, fica com a baliza na sua frente, faz o golo e saiu para festejar no seu jeito felino de pantera.
Pouco depois, noutro gesto magnífico, chuta com força para o ângulo inferior que Damas não atinge. Firme, ergue os braços. Fica durante segundos socando o ar com ambos os punhos. A tarde é dele. Tão completamente dele.
Enquanto decorre o intervalo, as pessoas desesperam. Querem continuar a ver a vertigem avassaladora de Eusébio. Sentem-no num momento extraordinário, percebem que ainda há muito para acontecer sobre a relva da Luz.
Parece que a história se repete. Dois golos seguem-se aos dois golos. Dois golos de Eusébio. Quatro golos de Eusébio.
Yazalde perdia-se entre Humberto Coelho, Malta da Silva e Messias. Mas consegue o golo. Um golo que cala gritos, mas não cala a confiança.
Os minutos decorrem. Há quem comece a pensar que Eusébio se cansou. Que tolice! Salta de súbito, finta Carlos Pereira, foge a Manaca, deixa Laranjeira aos papéis. Aí vai Eusébio! Quem pára Eusébio!? Ninguém! Ninguém! Bem podem tentar agarrá-lo pela camisola, bem podem procurar morder-lhe as canelas como cães dominados pela raiva, pela fúria. O homem é etéreo. Mistura-se com a brisa da tarde e vai e vai e vai, a bola acompanhando a sua fuga sublime, dispondo-se ao seu remate violento e colocado. Golo! Golo! Golo! Terceiro golo de Eusébio!
Mas falta-lhe ainda o golpe derradeiro. Num penálti primoroso, mete a bola lá no alto da baliza do seu amigo Vítor Damas, todo vestido de negro, uma espécie de luto triste.
Levantam-se os homens que rodeiam o recinto. As palmas multiplicam-se em mais e mais palmas. Eusébio no centro da Luz.
Às vezes, perguntou-me: como continuar a recordar Eusébio? De que forma fazer-lhe justiça nestes dias em que voltaria a fazer anos? A resposta é dada pela memória. E Eusébio recorda-se a si próprio. Em toda a sua grandeza."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma segunda parte de sonho

"Quando parecia que o Benfica iria prolongar a má fase, em 45 minutos os 'encarnados' alcançaram uma vitória esplêndida

A volatilidade no futebol aplica-se a uma velocidade extrema e tem a duração de um fósforo. A intensidade com que os adeptos vivem as vitórias é a mesma com que criticam jogadores, treinadores e presidentes, nas derrotas. A paixão com que se vive este desporto é exacerbada. Em 90 minutos, transita-se do choro à alegria e o seu inverso também. Este será, talvez, o seu maior encanto.
O Benfica, no final da 4.ª jornada do Campeonato Nacional 1944/45, liderava a competição com quatro vitórias, 13 golos marcados e apenas 2 sofridos. A forma equilibrada como a equipa se apresentava merecia elogios por parte dos média: 'o Benfica merece o primeiro lugar. O bloco defensivo dos «encarnados» fez uma partida brilhante, quer propositadamente «a defender» quer na maneira como soube encaminhar a equipa no ataque, imprimindo-lhe o tom prático'.
Tudo foi posto em causa após dois jogos, em que os benfiquistas empataram um e perderam outro. O comentário à derrota era o resumo das duas últimas semanas: 'o Benfica sucumbiu. (...) Onde está o team português que sabia rematar às redes?' Na 7.ª jornada, o Clube deslocou-se a Setúbal para defrontar o Vitória e a prestação da primeira parte parecia dar razão à crítica. Os 'encarnados' era uma miragem dos quatro primeiras jornadas. Foram para o intervalo a perder, a defesa, antes sólida, consentiu três golos e o ataque, antigamente letal, enviou 'três bolas à trave' e apontou apenas um golo. O desacerto persistia.
No segundo tempo, foi diferente! O Benfica entrou em campo confiante de que conseguiria alterar o rumo da partida. As trocas de Moreira com Jordão, assumindo a posição de médio-centro, e a de Rogério com Brito, para interior-esquerdo, surtiram efeito, 'foram senhores absolutos do terreno, lançaram-se no ataque, destroçando a defesa setubalense com rapidez de acção'. Em dez minutos os benfiquistas empataram o jogo, com dois golos de Espírito Santo. A vantagem por 4-3 seria alcançada através de mais um golo do 'Pérola Negra'. Júlio que tinha marcado o primeiro golo dos benfiquistas, Arsénio, Rogério e Brito, com um tento cada, fixariam o resultado em 8-3, para gáudio dos adeptos. Os 'encarnados' passaram no inferno ao céu, com a sua perseverança a ser enaltecida: 'há poucos clubes em Portugal, talvez nenhum, com um espírito tão combativo e capaz de dar a volta, mesmo quando tudo parece indicar que ela não se dará', conseguiram 'transformar a derrota que se esboçava na vitória confortável que se veio a obter'. Impulsionados por esta reviravolta, o Clube conquistou o Campeonato Nacional, com três pontos de vantagem sobre o 2.º classificado. Saiba mais sobre este título na área 6 - Campeões Sempre do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Tóquio 2020

"No âmbito do Benfica Olímpico, como em todo o Clube, trabalho e ambição andam de mão dada. Tóquio 2020 começou logo após a cerimónia de encerramento no Rio de Janeiro. Ficaram aspectos positivos a relevar nos Jogos de 2016, mas, para a história, a única medalha lusa veio na bagagem de Telma Monteiro, exemplo particular de crença e mística benfiquista.
Há muito que o Sport Lisboa e Benfica investe forte no olimpismo e na potenciação de atletas na alta competição. É também por isso que caminha lado a lado, há longos anos, com a melhor judoca portuguesa de sempre, que já mostrou, por diversas vezes, capacidade de reinvenção e resiliência. Clube e atleta continuarão a partilhar emoções nestes Jogos Olímpicos.
Os portugueses chegaram ao Japão no século XVI, ultrapassando ventos e marés. A abordagem desportiva terá de ser, agora, igualmente focada na superação. De mês para mês, subirá de tom o tema olímpico em Portugal, possivelmente a exigirem-se medalhas à representação nacional. Só porque sim.
No Benfica estamos convictos que os nossos lá estarão a dar o máximo, cada qual à medida do potencial que possui. Valorizaremos aqueles que chegarem à glória e não esqueceremos quem dê tudo e, ainda assim, alcance "apenas" um quarto lugar ou uma meia-final. Quem se apurar merecerá ser equiparado a campeão, porque o processo de apuramento e obtenção de mínimos nunca foi tão exigente – no atletismo isto tem sido bem evidente.
São mais de três dezenas os atletas enquadrados neste ciclo do Benfica Olímpico: 18 no atletismo, cinco na canoagem, cinco no judo, quatro no triatlo, três na natação e um no taekwondo. Mas só seis têm já o bilhete garantido para Tóquio: Pedro Pichardo (triplo salto), Diana Durães (nadadora, 1500 m L), Fernando Pimenta (canoísta, K1 1000 m), Teresa Portela (K1 200 m), João Ribeiro e Messias Baptista (K4 1000 m).
Será muito difícil para alguns, mas ainda há tempo para sonhar. Nos próximos meses, os restantes investirão todos os esforços para alcançarem o apuramento. No judo, por exemplo, "bastará" evitar lesões, manter o nível competitivo e cimentar posições no ranking mundial.
Faltam pouco mais de seis meses para a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2020. Entre 24 de Julho e 9 de Agosto, Tóquio será a autêntica capital do desporto mundial, mas a chama acende-se já no dia 12 de Março, na mítica Olímpia, na Grécia. Uma semana depois, a tocha aterra em solo japonês, com passagem simbólica em várias cidades associadas a catástrofes naturais, com Fukushima a marcar a história recente, e aos bombardeamentos de Hiroshima e Nagazaki, na II Guerra Mundial.
A organização planeia uns Jogos que destacam a resiliência e a capacidade de reconstrução do povo nipónico, e no Sport Lisboa e Benfica habituámo-nos, há muito, a lutar por objectivos desportivos ambiciosos. A apontar alto, a trabalhar duro, a conquistar com suor, glória e gratidão. Algumas das modalidades representam isso mesmo – resiliência, nunca desistir. Os nossos atletas hão de estar em Tóquio com total foco e empenho, muita raça, muito querer e muita ambição. Perspectiva-se uma das edições mais difíceis de sempre, no entanto, a beleza e o espectáculo do olimpismo manter-se-ão como marcas intactas."

Gabriel anda a jogar com chuteiras antigas. Porquê? Apetece-lhe

"Gigantes como a Nike, Adidas e Puma estão a tentar negociar com o médio do Benfica, que está sem contrato de patrocínio porque gosta de jogar com as chuteiras que lhe apetece e ter a liberdade de escolher modelos "que sonhou ter" em miúdo, confessa à Tribuna Expresso. Gabriel tem jogado com botas que saíram no mercado há quase 10 anos, algo nada comum no futebol, onde os jogadores assinam acordos e jogam com os modelos, as cores e as últimas novidades que as marcas lhes enviam

Gabriel deambula pelo centro do campo em Alvalade, ei-lo como habitualmente, um volumoso conglomerado de músculos com arcaboiço para aguentar encostos, cargas e tentativas de desarme, um médio canhoto que cola a bola ao pé e, mesmo que às vezes deva à rapidez de execução, pisa, desvia, passa pela relva e corta-a para a levantar no ar e ser o pêndulo que voos controlados lhe dá.
No Sporting-Benfica, o brasileiro tem os pés amarelos, como antes já os tivera contra o Aves, o que pasmará ninguém porque não é de agora a apetência das marcas para o lado mais extravagante do mosaico de cores. Mas, no dérbi, Gabriel tinha calçado um par de Nike Total 90 II, modelo de chuteiras saído para o mercado em 2010 e uma anormalidade em 2020.
É incomum que hoje um titular de um clube grande, apoiado por milhões de adeptos, com todos os jogos televisionados, logo, visto por milhões, e que se mostrou na Liga dos Campeões, não tenha calçado o que uma marca quer - quase sempre o modelo mais moderno, na cor mais recente.
Gabriel, porém, não se importa. Está sem contrato e feliz da vida porque, em miúdo, ele e o irmão não tinham condições de ter as chuteiras e as bolas que queriam, mas, não impedidos de terem preferências, fixaram modelos. Um dia, queira a sorte e a vida, iriam tê-los. “Hoje que não tenho contrato com nenhuma marca, estou realizando o sonho que naquela época não era possível, então estou sempre a procura desses modelos antigos”, contou o jogador à Tribuna Expresso.
Estando sem contrato, dá-se ao luxo do desprendimento. Vai escolhendo as que tem na cabeça desde moleque, experimenta, descobre se gosta e testa-lhes o conforto. Antes de arranjar forma de ter o tal modelo da Nike, calçou umas Adidas Adipure, de 2009. “Ele usa a que vai bem, a que gosta mais e, às vezes, até brincamos com ele, dizendo que não é sensato. As que gosta mais hoje são as Mizuno”, explicou Nilson Santos, da Art Sports, agência que representa Gabriel.
O jus à palavra fez-se contra o Paços de Ferreira, este domingo. Gabriel calçou umas botas Mizuno, marca japonesa com muito menos pegada em futebolistas que jogam na Europa, um mercado que é dominado por Nike, Adidas e Puma, as três principais marcas que calçam os pés dos jogadores. "Temos algumas coisas muito bem encaminhadas com essas três marcas, mas o Gabriel ainda não decidiu. As propostas são muito boas, mas ele não quer. Por enquanto, vem forçando que quer Mizuno. Enquanto não escolhe, vai experimentando", explica a assessoria do brasileiro.
Para disfarçar, também já pintou de preto um modelo de chuteiras antigo, prática a que os jogadores recorrem quando estão em vias de assinar com outra marca, ou em negociações com várias ao mesmo tempo, sem querer denunciar preferências.

O Mundo De Quem Calça O Quê
Os anos passam e o dinheiro, cada vez mais, é o cerne que divide a questão no futebol. Os ganhadores e os perdedores descobrem-se entre quem o tem e quem não o tem, o fosso vai-se cavando com clubes, presidentes, empresários, direitos televisivos e marcas a digladiarem-se em lutas por zeros que ficam à direita de um número - e que cobrem os pés dos jogadores.
Não há chuteira que, factualmente, torne alguém melhor ou pior jogador. Há marcas a vender um modelo para o futebolista rápido, outro para o que chuta com força ou um feito especialmente para os pés de médios passadores de bola. Tendo um modelo desenhado especialmente para Lionel Messi, a Adidas faz crer que jogaremos como ele. O mesmo faz a Nike com Cristiano Ronaldo.
Ambos têm contratos vitalícios, valem dezenas de milhões de euros, mas são o topo de uma pirâmide obesa na base, porque lá está a maioria dos futebolistas profissionais. Nem todos recebem, em casa, pares do modelo de chuteiras na cor mais recente e são pagos, por uma marca, para os usarem em jogo, quando há câmaras de televisão a gravar e incontáveis pessoas a assistir.
Quando António Xavier subiu à equipa principal do Marítimo, na sua estreia na primeira liga, sempre gostara de chuteiras Nike e já as calçava, mas o empresário recebeu uma proposta da marca. “Tive a possibilidade de assinar um contrato de dois anos. Escolhes um modelo preferencial, depois, sempre que sai um novo, enviam-te pares. Além disso, tinha um plafond de 5 mil euros anuais para gastar em produtos Nike, à escolha”, explicou o português à Tribuna Expresso.
Fosse entrevistado ou falasse em público, “pediam que tivesse sempre um produto” da marca. Era obrigado a comparecer a eventos da Nike, caso o representante da marca assim o entendesse. “E personalizavam o nome só. O tipo de chuteiras moldadas ao pé acredito que só as grandes referências das marcas é que têm”, suspeitou, dando o exemplo de Ronaldo, “que joga com um tipo de piton misto”.
Xavier joga no Tondela, vai na sexta época seguida de primeira divisão e não mais teve um contrato de patrocínio. Continua a jogar com o mesmo modelo Mercurial, da Nike, mas compra as próprias chuteiras. Se, há coisa de 15 ou 20 anos, jogasse em Benfica, FC Porto ou Sporting, talvez isso lhe bastasse para receber fornadas de botas e equipamento da marca que patrocinasse o clube, prática que se foi tornando menos comum.
Algures entre 2002 e 2006, enquanto Ricardo Rocha lá jogou, os jogadores do Benfica tinham direito a chuteiras da Adidas que, coincidência, eram as predilectas (modelo Predator) do antigo defesa central. “Não me sentia bem com mais nenhuma. O Benfica era patrocinado e tinha direito a chuteiras, mas, depois, tive a felicidade de conseguir um contrato de patrocínio, o que para mim foi um sonho”, lembrou.
O contrato de Ricardo Rocha durou “quatro ou cinco anos”. A fidelidade à Adidas manteve-se, continuou a usá-la “com muito gosto”, porque “não conseguia colocar outras” nos pés ou “não [se] sentia bem”. A sensação nos pés, garante, é o mais valorizado por quem joga - “acima de tudo, o jogador vai para o modelo que lhe dá mais conforto, em que se sente melhor e lhe dá mais confiança”.
É, em parte, por isso que Gabriel já jogou com chuteiras de três marcas diferentes só em 2020. O brasileiro está a averiguar quais prefere e, mesmo que nos digam que as conversas apontam para um acordo com a marca que patrocina o Benfica, o brasileiro vai aproveitando uma raridade, procurando modelos antigos e “cumprindo um sonho” até ficar com os pés comprometidos."

Infalível ou à medida?

"A margem de erro do fora-de-jogo analisado pelo VAR pode atingir os 38.8cm e não é sequer um algoritmo eficaz.
"The technology used in trying to determine when a ball was passed and when a run was made is actually not advanced enough - with a margin for error that could be as big as 38.8cm" 
Em caso de dúvida evidente, beneficia-se o ataque. Tendo em conta os supostos 4cm, a colocação da linha sobre a chuteira do jogador do P. Ferreira e o frame ter a bola já a sair do pé do jogador do SL Benfica, deveria ter-se tido em conta a margem de erro do sistema e beneficiado o atacante.
Mas na Liga #Portoaocolo nada disto é relevante quando se trata de prejudicar o SL Benfica."

Os erros e os méritos de Sérgio Conceição

"Se há característica que é uma raridade nos adeptos de futebol é a ponderação. Num clube grande, ganha contornos fatalistas a máxima de que um treinador está sempre à distância de duas ou três derrotas da demissão.
Ainda assim, não deixou de causar espanto a forma como Sérgio Conceição colocou o seu lugar à disposição após a segunda derrota numa semana frente ao Sp. Braga – perdendo a Taça da Liga depois de comprometer o campeonato.
Divisões internas não se resolvem em público. No entanto, evocando-as, há que ser explícito. Uma mensagem dúbia deixa margem às mais diversas interpretações.
Há críticas, naturalmente.
A equipa do FC Porto joga muitas vezes de forma previsível, assente na dimensão física dos jogadores e no ataque à profundidade, num futebol de combate cujo exemplo máximo é Marega. Mesmo quando chega com facilidade ao último terço, revela carências na definição. Mostra também dificuldades em lidar com as transições ofensivas dos adversários, tornando-se evidente o vazio deixado por um central veloz e implacável no desarme, capaz de cobrir amplos espaços, como era Éder Militão. Sacrifica o seu jogador mais criativo (Corona) ao lugar de lateral-direito, apesar de em época e meia ter contratado quatro jogadores para a posição sem que nenhum se aproximasse minimamente do rendimento de Ricardo Pereira. Para lá disso, mais recentemente, a equipa parece voltar a apostar num meio-campo a diesel, sobretudo quando junta a Danilo, limitado fisicamente, Sérgio Oliveira.
Estes e outros erros poderão ser apontados (ou não, consoante as opiniões) a Sérgio Conceição, tal como outros – da posse de bola estéril à incapacidade de chegar a zonas de finalização – o foram a Nuno Espírito Santo, Lopetegui ou Paulo Fonseca.
Em todo o caso, mesmo deixando já de parte as duas épocas anteriores (cuja análise foi feita aqui), noutro prato da balança têm também de pesar os méritos inequívocos do treinador.
O FC Porto terminou a primeira volta com 41 pontos, em linha com o que o Benfica alcançou nos três últimos campeonatos que conquistou: 40 em 2015/16, 42 em 2016/17 e 39 em 2018/19.
Em termos de impacto negativo nos resultados, tanto desportivos e financeiros, o grande desaire aconteceu em Agosto, na pré-eliminatória da Liga dos Campeões frente ao Krasnodar. Uma derrota com um rombo potencial de 80 milhões de euros abala qualquer estrutura e marca de forma profunda, no mínimo, o resto da temporada.
Quanto ao resto, o FC Porto encaminha-se para pela segunda época consecutiva estar nas finais das duas taças nacionais – embora não seja de menorizar a forma como as tem perdido.
Posto isto, o grande problema para Sérgio Conceição é que o Benfica de Bruno Lage está a fazer um campeonato absolutamente anormal (51 pontos, 48 no fim da primeira volta), tendo perdido apenas um jogo, precisamente para os dragões. E o ainda maior problema para o FC Porto é o de não ter as mesmas armas do que o Benfica, que, por exemplo, pode permitir-se a contratar a meio da época um médio ao Borussia Dortmund por 20 milhões de euros.
Um dos grandes méritos de Conceição é o de ter recuperado a identidade de equipa ultracompetitiva. Um grupo onde exigência e compromisso não faltam e que se mostra capaz de disputar diversas frentes, mesmo depois da saída de meia equipa titular, como aconteceu no início da época.
Outro dos méritos de Conceição é a inequívoca identificação com o ADN do clube, algo sublinhado pelo próprio presidente Pinto da Costa com a recente comparação a José Maria Pedroto.
Mesmo o adepto mais crítico valoriza como Sérgio Conceição coloca os interesses do FC Porto acima da preservação de uma boa imagem ou lhe descortina uma preocupação indisfarçável com os próximos passos da sua carreira, ao contrário do que era perceptível em quem lhe antecedeu.
Aliás, em Conceição mesmo alguns dos excessos são enquadrados como a encarnação de um lema escrito nas paredes do Olival, qualquer coisa como «Adoramos os que detestam perder».
É também por isso que uma eventual rotura, sobretudo no momento actual, deixaria ambas as partes a perder.
Num momento em que não dispõe das mesmas armas do que o grande rival, o FC Porto não pode dar-se ao luxo de prescindir de competitividade e identidade.
No fundo, com um futebol umas vezes mais avassalador, outras mais claudicante, essa garantia Sérgio Conceição sempre deu."

Barroso, sobre Kobe...

KB24, Mamba Forever

"O que faz um atleta ser especial? É o talento? É o trabalho? É a atitude? É o ego?
Sou Laker desde pequeno. O basket sempre foi uma das minhas paixões e os óculos de Kareem Abdul-Jabbar e os passes fabulosos de Earvin “Magic” Johnson moldaram horas e horas a jogar basket nos intervalos da escola, na rua com amigos.
Kobe Bryant foi o último dos grandes heróis dos Lakers, que trouxe anéis de campeão, junto a Shaq O’Neal e depois ao meu mui adorado Pau Gasol.
O que não havia para admirar em Kobe? Não só os seus recordes, os seus maravilhosos 81 pontos contra os Raptors em 2006, que irão perdurar por muito tempo, mas também o seu carácter e força condutora, serão lembrados.
Kobe era um líder. Foi-o, do estilo da liderança que aprecio. A do exemplo. Kobe tinha um saber enciclopédico sobre os seus oponentes, era obstinado nos treinos, preciosista com os seus colegas, exigente com os outros, mas, principalmente, consigo mesmo. Bem para lá do seu período áureo – e do da sua (nossa) equipa, ainda carregava as decisões, os buzzers, ainda puxava, ainda carregava o peso de uma forma abnegada. Era amor à sua camisola, ao seu clube e à sua História, mas era também a sabedoria de liderar pelo exemplo, de saber que, superando-se, ajudaria a que os seus companheiros de equipa fizessem o mesmo.
Kobe é uma lenda por direito próprio, pela fé em si mesmo e pela saudável arrogância positiva de encarar ídolos – como Jordan em 1998 – de frente, sem se julgar pior ou temer perder. No entanto, nunca se desculpou nos outros, não lateralizava problemas. Deixava que o rigor, foco e disciplina o levassem para a frente.
The Black Mamba será lembrado – como já seria para sempre – não pelo seu trágico acidente, mas pelos seus 5 anéis de campeão, por se ter sempre tentado superar, mesmo perante lesões complicadas, e ter ido a lutar até ao fim da carreira, olhos nos oponentes e no cesto.
Obrigado Kobe, pela referência que foste e serás para mim e para toda a Laker Nation. O teu sorriso franco, o teu humor desconcertante, a capacidade de liderança, de superação, até mesmo o teu gosto por outros desportos, a tua dignidade e o teu respeito pelos colegas – que eles souberam retribuir – vão fazer sempre parte do meu coração de adepto.
A vida levou-te cedo demais, como a muitas lendas, mas a tua obra é eterna.
Mamba Forever."

Desporto: da euforia ao conflito... da paixão à agressão!...

"Como temos vindo a constatar, o Desporto e as actividades que dele fazem parte, de forma categoricamente evolutiva, tem tido um forte impacto na sociedade, despertando paixões, suscitando críticas, inspirando artistas, tudo isto justificado pelo maior impacto social transmitido pelos media, envolvendo directa e indirectamente toda a sociedade, quer pelo valor da sua prática, quer na condição de adeptos e profissionais pelos serviços prestados. Daí que qualquer jogo, em especial no âmbito do Futebol e especialmente quando se apresenta como um fenómeno de consumo como expressão de alta popularidade, gera forte impacto nos hábitos e atitudes de um povo, podendo mesmo constituir-se como um laboratório de análise social.
De facto, o Futebol neste contexto assume-se como um fenómeno de grande complexidade, servindo de espaço de união ou dispersão, alicerçando de forma abrangente toda uma sociedade sem fronteiras, onde a sua linguagem universal se documenta e exalta.
Como tenho vindo a referir nesta oportunidade comunicativa, perante a dinâmica que o jogo faz incidir e da importância excessiva atribuída tanto às vitórias como às derrotas, pode desempenhar um papel projectivo e coletor de frustrações dos adeptos quando perdem e exaltação desmedida daqueles que simplesmente ganham, abrindo espaço para ondas de violência como feridas abertas, prontas a latejar como rastilho para o conflituoso uso de maneiras que não se desejavam.
A dinâmica imprimida pela conquista da posse da bola, a inquietude revelada nos lances falhados, a má interpretação pelo julgamento do jogo, a confirmação dum mau julgamento via informação prestada pelas novas tecnologias, a conquista do resultado positivo como única garantia para premiar o sucesso, associado a demais causas, tais como: deficiente formação educativa, acompanhada duma degradante iliteracia desportiva; impreparação cívica e humana dos intervenientes; natureza do recinto desportivo; obscuridade, ruído, álcool e outras drogas; rivalidade e racismo; historial qualificativo de violência claques inseridas por grupos ultras e hooliganismo, etc … apresentam-se como índice de causalidade mais evocativo para a violência.
Por vezes o estado de alma, como eco libertador da consciência de quem joga ou assiste, dirige ou treina, julga ou comenta, pode gerar festa e tragédia, esperança e medo, dúvida e razão e da euforia ao conflito, como da paixão à agressão, vai a distância dum tempo favorável para a criação de situações conflituosas, dando lugar à euforia e à cólera perante as fases mais relevantes: marcação ou não de penalty, o golo marcado ou invalidado, a falta inexistente e o estádio transforma-se numa labareda de opiniões com efeitos por vezes dramáticos.
Cria-se à volta e por dentro do espaço de jogo um ambiente propício ao conflito, dado que proliferam escondidos nas próprias sombras, um contingente de inadaptados e marginalizados, que sempre estão dispostos a reincidir as regras do bom senso, incitando ao conflito, tendo ali uma boa oportunidade de provocar o tumulto. São como bestas humanas que se infiltram na multidão, estendendo tapetes de sangue por onde passam, cobrindo de luto a essência pacífica e emuladora que sempre o belo jogo deve promover.
Agressões de forma continuada a árbitros por parte de jogadores e adeptos, absurdas incongruências de ira e raiva portadoras de graves conflitos corporais entre assistentes, discussões acesas em alguns programas de comunicação social que nos entra pela casa dentro documentadas por imagens que enganam e disfarçam com a falta de vergonha como são expostas, o Futebol, este belo jogo, também sugado pelo trânsito das palavras e das ideias, demente entre as pessoas que espreitam o conflito, dele se alimentam e se revisitam no espelho da própria ignorância … eis a loucura de trato misturada por uma linguagem rasca entre alguns figurões, prisioneiros pelas malhas da animalidade, grosseria e bestialidade.
É urgente e necessário tomar mediadas severamente punitivas para quem não é capaz de viver de forma social e pedagógica o compromisso do Fair – Play, que implica o respeito pelas regras, a garantia de cumprimento de um conjunto de deveres, obrigações e comportamentos, um modo de pensar e actuar, perante uma filosofia de vida que enriquece de forma exemplar a identidade individual ou colectiva, pelas manifestações de orgulho cooperante e participativo.
Verificamos que a tutela quase sempre de forma não tão eficaz como o deveria, tendo em conta os últimos acontecimentos das “labaredas de infortúnio” em chama ardente entre público transformado em heróis por habitar em zonas de tanta insegurança, tem vindo a reunir com os responsáveis para tomar medidas punitivas de urgente responsabilidade a fim de se assumir uma adequada e exemplar correcção.
Já o referi e volto a insistir, quanto a mim e a título de exemplo, dever-se-ia exigir um maior reforço de segurança, a identificação e imediata punição do agressor, ( dada a facilidade de identificação pelas câmaras de vídeo colocadas em pontos estratégicos dos estádios e ou pavilhões), eliminando-lhe o acesso ao recinto do jogo, (deslocando-se para o efeito à esquadra ou comando policial, possibilitando-lhe a audição em relato ou visualização do mesmo), formação e educação cívica e desportiva e trabalho comunitário congruente até à irradicação absoluta, podendo e devendo fazer constar na comunicação social os arautos da desgraça e a possibilidade de analisar o estado de resposta ao arrependimento.
Creio que deste modo, estariam criadas as condições para deixarmo-nos envolver por este belo sentimento de amor ao Desporto em geral e ao Futebol em particular, transferindo-o para um jogo fantástico, apelando a raros e únicos momentos de inspiração em movimento, onde a harmonia do gesto, insubordinado umas vezes, inspirador e ousado noutras, mas sempre emocionalmente excitante, nos vai facultando, transformando o jogo num encontro de cultura, vida e …festa!..."

Benfiquismo (MCDXXV)

Contra um Pana repleto de Galácticos!!!

Benfica FM #98 - Paços...

Derrota na Amoreira...

Estoril 1 - 0 Benfica B


Não ajuda sofrer um golo aos dois minutos...! Fomos tentando dar a volta, mas o golo escapou...
Noto para a falta de opções ofensivas no banco, com as lesões do Umaro e do Csoboth, estamos limitados.

PS: Esta manhã a partida da Liga Revelação Famalicão - Benfica, foi adiado.

O efeito Rafa

"Rafa oferece à equipa mais velocidade no último terço do relvado e melhor finalização

Convincente
1. Vitória convincente da melhor e mais forte equipa. Não foi, tecnicamente, um grande jogo, muito por culpa do relvado muito irregular, que prejudicou as duas equipas e o espectáculo. Com um golo e uma assistência (e muito mais que ofereceu ao jogo do Benfica), Rafa foi o homem do jogo.

Oportunidades
2. P. Ferreira conseguiu equilibrar o jogo nos primeiros dez minutos. O Benfica criou, nesse minuto, duas oportunidades de golo, por Grimaldo e Carlos Vinícius, e passou a ser a equipa mais forte, mais segura e com capacidade de criar ocasiões de inaugurar o marcador. Ricardo Ribeiro evitou, com grandes defesas, golos de Pizzi (21) e Ferro (26), Benfica chegou mesmo a atirar a bola para o fundo da baliza, mas o lance foi anulado por fora de jogo de Pizzi (39). O volume de oportunidades traduzia-se no golo de Rafa: excelente movimento de desmarcação, pormenor técnico ao tirar o defesa da frente antes de atirar para a baliza. Apesar de alguma passividade da defesa do P. Ferreira, deve sublinhar-se o mérito da acção.

Mudança
3. A entrada de Rafa no lugar de Chiquinho ofereceu ao Benfica mais velocidade no último terço do campo e outra capacidade de finalização. Os encarnados foram muito fortes nas transições ofensivas. O P. Ferreira procurou pressionar, subiu a linha defensiva e correu riscos. Quando o Benfica recuperou a bola, foi sempre muito perigoso em transições muito rápidas ou em bolas a explorar as costas dos defesas. No corredor direito, o entendimento entre Rafa e Pizzi foi perfeito. Mas também no corredor central a velocidade de Rafa criou muitas dificuldades aos adversários.

Tranquilidade
4. O golo de Carlos Vinícius no início da segunda parte (47) não matou o jogo porque o P. Ferreira nunca desistiu, acreditou sempre que poderia discutir o resultado se marcasse um golo, mas a vantagem deu mais tranquilidade ao Benfica. Bruno Lage também identificou o perigo e o crescimento do P. Ferreira. Quando substitui Pizzi por Taarabt (76) protegeu-se dos riscos que estava a correr. E a verdade é que, apesar de o P. Ferreira ter jogado mais no meio-campo do Benfica nos últimos minutos do jogo, a organização defensiva dos encarnados não deu hipótese e foi resolvendo sem problemas as iniciativas da equipa da casa. O P. Ferreira bateu-se bem, nunca desistiu, mostrou um bom colectivo, do qual é justo realçar Ricardo Ribeiro, cujas intervenções impediram mais golos do Benfica."

Vítor Pontes, in A Bola