Últimas indefectivações

domingo, 14 de julho de 2019

Sobre os maravilhosos negócios infinitos

"Sobre o maluco mercado de negócios e transferências

- Falemos de quê?
- Do valor das coisas.
- Quanto vale uma coisa?
- Vale o que Vossa Excelência queira pagar, parece-me.
- Sim?
- A não ser que um determinado Estado e governo, que tem as armas e as leis, já se sabe...
- ... assim são as democracias...
- ... a não ser que o Estado, dizia eu, excelência, determine um valor para as coisas. Um valor exacto, um valor por decreto.
- Pois.
- Porém, no mercado dos produtos livres, sim, algo vale o que o comprador estiver disposto a pagar.
- É assim nas artes, e nas muitas variantes de muitas artes.
- Isso mesmo.
- O mais importante é o seguinte, excelência: não há um valor absoluto. Um copo de água no deserto e um copo de água numa cidade europeia num dia normal, por exemplo. A diferença pode ser abissal. Podes não pagar nada por um copo de água, ser gratuito, ou então custar-te uma fortuna.
- Variação entre zero e muito.
- Isso mesmo.
- E Marx?
- Também.
- Valor do uso, valor da troca.
- Eu diria ainda, Excelência. Há um valor pessoal, subjectivo. E isso não é nada de desprezar. Por exemplo, este objecto foi oferecido pelo meu avô e por isso, para mim, vale uma fortuna. Pois sim, mas levo esta bela cruz que o meu avô me ofereceu a um contabilista dos metais e ele diz-me: isto não vale nada!
- Parvalhão!
- Exactamente, parvalhão! Besta quadrada! Etc.
- Mas o facto é que este objectivo é feito de um material pobre, o metal mais comum do mundo. Não lhe dou dez euros por isso, diz o parvalhão.
- Vossa Excelência pode dar um soco tremendo no rosto exacto do senhor contabilista dos metais, mas talvez não adiante.
- Não.
- O seu avô não era avô dele e isso altera tudo.
- Pois. O sujeito é claramente o neto errado.
- Podemos, por isso, Excelência, lembrar o valor afectivo das coisas. Um valor que tem a ver com experiências que passámos com um objecto, por exemplo, e quem nos ofereceu, etc., etc.
- Sim, isso mesmo.
- E esse valor afectivo, tremendo, interior, quando nos viramos para fora, vale exactamente...
- ... zero.
- Um redondo zero.
- Zerinho, zerinho.
- Mas a questão mais importante, excelência, parece-me, além da afectividade, é o contexto.
- Exactamente. A arte do negócio é esta: se queres vender um copo de água, vais para perto de quem tem sede e para o deserto, claro.
- A questão é esta, Excelência: o bom negociante cria, se necessário, desertos artificiais.
- Desertos artificiais?
- Isso mesmo.
- Como assim?
- O bom negociante é um prestidigitador, um mágico dos bons.
- Sim?
- Ele faz com que olhemos para um lado enquanto o essencial está a acontecer exactamente no lado oposto.
- Um político?
- Ah, mais ou menos, mais ou menos. Pertencem à mesma especialidade.
- E a acção desses negociantes mágicos é...?
- Criar desertos artificiais, sim. Uma espécie de miragens negativas.
- O mágico negociante diz: veja, Excelência excelentíssima que quer comprar, veja, lá no fundo: o deserto!
- E o comprador lá diz, com um ar extasiado: pois, pois, o deserto, lá no fundo. É enorme. E seco. Estou a vê-lo!
- Enorme e seco, repete o negociante.
- E depois, de súbito: Vai precisar de água. Eu vendo-a. É cara, é certo, mas não há alternativa.
- E o comprador não tem olhos?
- Tem, claro. Mas todos temos olhos e vemos a linha do horizonte que não existe, vemos o sol a mexer-se à nossa volta e ele não se mexe nem um bocadinho, vemos uma vara dobrada dentro de água e ela esta direitinha.
- Chega. Entendo, Excelência.
- A arte é esta; o efeito óptico inverso: vender uma vara torta como se estivesse direita.
- Pois, isso mesmo, Excelência, isso mesmo."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

Do Félix ao Jonas

"Ao ver o João Félix chegar ao Atlético de Madrid eu não vi o João Félix chegar ao Atlético de Madrid, vi o futuro a chegar ao Atlético de Madrid. Vi o que vi e pensei no Cruyff, no Cruyff a dizer (filosófico):
- Se, numa equipa de futebol se escolher o melhor jogador para cada posição, não se terá a melhor, ter-se-ão apenas 11 bons jogadores em cada posição.
Sim, é o que eu julgo: tendo o Atlético de Madrid escolhido o João Félix pode não ter escolhido o melhor jogador para a posição que João Félix vai ter (aquela que o Griezmann tinha - eu não) mas não tenho dúvidas: seja em que posição for, João Félix vai fazer com que o Atlético de Madrid seja uma equipa melhor (e isso tem a ver, claro, com o que Futre afiançou que ele tem: o talento e o carácter...)
Vi o que vi e pensei no Valdano, no Valdano a dizer (filosófico):
- No futebol ganha-se fazendo bem o que é preciso fazer para se ganhar e não se perde fazendo bem o que é preciso fazer para não se perder.
Sim, é o que eu julgo: com João Félix, Simeone pode ter uma boa forma alquímica para fazer o que precisa de fazer para o Atlético de Madrid não perder o que sonha ganhar mas sobretudo para fazer melhor o que precisa de fazer para ganhar o que não pode perder (e isso tem a ver também com o que João Félix mostrou do coração que tem na cabeça que lhe vai até aos pés:
- Ronaldo é Ronaldo, o melhor do mundo e eu sou eu mesmo e só quero fazer a minha história...)
Ok, admito que possa haver quem me aponte exagero no olhar atirado ao futuro do João Félix. (Ou pelo menos a precipitar-me). Não concordo mas percebo - porque o futebol ser mesmo assim. E por ser mesmo assim é que eu acho que exagero maior é fazer-se o que se fez do adeus ao jogo do Eusébio - aliás do Jonas (porque o Jonas é indiscutivelmente craque mas não foi o que se quis fazer crer que ele foi - nem na história do futebol, nem na história do Benfica - no frenesim mediático dos últimos dias...)"

António Simões, in A Bola

PS: A azia que cada golo que o Jonas provocou, 'cheira-se' a milhas!!!

O regulamento da FIFA

"A FIFA aprovou alterações ao seu Regulamento Disciplinar, as quais contêm algumas soluções importantes e inovadoras face ao quadro vigente. As principais mudanças dizem respeito à luta contra a manipulação de medidas disciplinares severas, que transparecem uma política de tolerância zero ao racismo e à discriminação. Outras alterações relevantes incluem medidas relativas ao apoio judiciário. A FIFA fornecerá, a pedido do interessado, a isenção de pagamento de custas do processo, disponibilização de um advogado pro bono e o pagamento de custos de viagem e acomodação de testemunhas e especialistas, incluindo os custos de viagem e acomodação de qualquer advogado pro bono seleccionado.
No âmbito da defesa da transparência e dos direitos fundamentais das partes, são incluídas alterações relevantes. O Regulamento da FIFA prevê a realização de audiências públicas em certos tipos de processos disciplinares (dopagem e manipulação de resultados). Na mesma linha, um site da FIFA (legal.fifa.com) será lançado no último trimestre de 2019, contendo as principais decisões de proferidas pelos órgãos jurisdicionais da FIFA e de outros órgãos de recurso.
De modo a reduzir o número de processos disciplinares, o Regulamento, de forma inovadora, consagra a possibilidade de, em certos casos, ser proposta uma sanção com base nos indícios e documentos existentes antes do início do processo disciplinar. A parte interessada pode rejeitar a sanção proposta e solicitar o início de um processo disciplinar.
O texto a explicar todas as mudanças, bem como a versão final do Regulamento, estão publicados e disponíveis para consulta no site da FIFA."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Condolências por Renato Silva

"O Sport Lisboa e Benfica endereça as mais sentidas condolências à família e amigos de Renato Silva, antigo atleta do Clube que faleceu, este domingo, quando participava numa prova de BTT, em Águeda.
Faria 38 anos em Agosto e vestiu a camisola de várias equipas de atletismo, tendo competido pelo SL Benfica nos 800 metros, numa carreira que durou duas décadas.
Renato Silva abandonou mesmo o Atletismo em 2013, tendo sido o Benfica o último emblema que representou."

Benfica After 90: Preseason: Académica 0 - 8 Benfica

Benfica After 90 - Preseason: Benfica 1 - 2 Anderlecht

O Cantinho do Olivier - ep. 7

Quem 'matou' a mudança? Suspeito 18 - A resistência à real... (Parte 1)

"“200.000 Milhões podem ir pelo Ralo” – era o título da primeira página, do maior jornal desportivo do mundo, que o Detective Colombo estava a ler. O F.C. os Galácticos tinham protagonizado a maior transferência de todos os tempos, ao pagar 200.000 Milhões, por Peter Taylor, o jovem de 22 anos, poucos meses antes. Peter era um jogador com uma estrutura física fantástica para jogar e uma técnica ímpar, para não falar de uma persistência notável. Oriundo de uma família humilde, tinha vivido uma infância dura, com o Pai a perder o negócio, a separação dos Pais, os seus 3 irmãos e tinha encontrado no Futebol uma “tábua de salvação”. Por isso, possuía o desejo inabalável de chegar ao topo e, com isso, proporcionar uma vida melhor, à sua família e a si.
Cedo deixou a casa dos pais, para integrar uma Academia de Futebol e testemunhou várias situações marcantes. O elogio aos que marcavam golos e o ignorar ou a critica aos que “ficavam em branco”, levaram-no a acreditar que o seu valor resultava do que conseguia. Por isso, conseguir ganhar significava ter valor e perder que não se tinha valor. A ideia de que “muitos desejam, mas poucos alcançam” acompanhada das muitas desistências a que assistiu, no seu percurso de formação, reforçavam a crença de que “persistir é vencer e desistir é perder”.
Os frequentes comentários a ele e aos seus colegas, na Academia, que eram baixos ou não tinham a velocidade necessária, a força mental exigida, (…), acabou por “ajudar” outros tantos a desistirem dos seus “sonhos”, levou-o a reagir impulsivamente a todas as críticas.
O porte físico, a sua apuradíssima técnica e a sua persistência, pareciam ter feito dele o jogador perfeito e levou o F.C. os Galácticos a investir 200.000 Milhões, na sua transferência, mas pareciam não estar a dar certo. Todos estavam insatisfeitos, ele inclusive, mas também os colegas de equipa, o treinador, a direcção, os adeptos e até a imprensa. Necessitava de se adaptar a uma nova cidade, a um novo clube, a uma nova equipa, a um novo sistema de jogo, mas a sua teimosia, em persistir com a repetição do que o tinha ajudado a chegar ali, mas que agora não estava a produzir os mesmos resultados, estava a comprometer tudo. Corria-se o risco da sua transferência se tornar no maior “flop” da história do Futebol. Tudo isto era do domínio público. A situação estava insustentável. 
Nisto, tocou o telemóvel. No visor, apareceu o nome do famoso Treinador Brad Wooden e o Detective Colombo atendeu e disse – “sim, como está Treinador Wooden?”. “Olá viva Detective Colombo. Espero que esteja tudo bem consigo?” – devolveu o Treinador Wooden. “Sim, está! Em que posso ajudar?” – disse o Detective Colombo. “Detective” – começou por dizer o Treinador Wooden – “estou com uma situação difícil, que está a comprometer a melhoria da equipa e, depois da nossa última conversa, pensei em falar consigo. Está disponível?”. “Com certeza” – respondeu o Detective Colombo. Umas horas mais tarde, já no gabinete do Treinador Wooden, o Detective Colombo perguntou – “o que se passa Treinador Wooden?”. “Estou com uma situação em mãos muito desafiante” – começou o Treinador Wooden e continuou – “o nosso “craque” tem um talento do tamanho do mundo, mas também tem coisas para melhorar. Contudo, dada a sua inflexibilidade e incapacidade para aprender, mudar e melhorar, não estou a conseguir que melhore e gostava de saber se há alguma coisa que esteja a fazer ou possa fazer, para ajudá-lo a melhorar.”
O Treinador Wooden referia-se à superestrela de Futebol, Peter Taylor. “Treinador Wooden gosta de jogadores que: se riem, quando perdem; não se esforçam ou desistem perante as dificuldades; ou estão dependentes dos outros para agirem?” – perguntou o Detective Colombo. “Não, prefiro jogadores que detestam perder, que persistem perante as dificuldades e que tomem a iniciativa, lutem pelas coisas” – respondeu o Treinador Wooden.
“O que faz quando os jogadores: estão a rir-se, no balneário, depois de uma derrota; perdem a bola e desistem da sua imediata recuperação; ou ainda, quando reagem ao adversário?” – perguntou o Detective Colombo e, de imediato, o Treinador Wooden respondeu – “dou-lhes um ralhete, daqueles que não se esquecem”. O Detective Colombo fez uma pequena pausa e colocou outra questão – “e o que faz quando os jogadores ganham, não dão nenhum lance por perdido, desafiam as probabilidades, mesmo estando a perder, ou quando fazem o que lhes pede, agindo proativamente?”. “Elogio-os, reconheço-os e recompenso-os” – respondeu o Treinador Wooden.
Treinador Wooden é normal fazer o que faz, repreender o que não quer ver e elogiar o que deseja ver. Há muitos pais, professores, treinadores e gestores que fazem o mesmo, mas o que é que os jogadores estão realmente a aprender, nestes casos?” – perguntou o Detective Colombo. “A evitar a derrota a todo o custo, se querem estar satisfeitos, no final dos jogos; que é preciso manter o compromisso, persistir e “ripostar”, para virar os resultados desfavoráveis; e que lutem pelo que querem” – devolveu o Treinador Wooden. “Ou seja” – começava a resumir o Detective Colombo – “os jogadores acabam por acreditar que perder é mau, que quem desiste perde e que têm de lutar para dar a volta às situações desfavoráveis e, embora tudo isto possa ser considerado positivo, quer ir um pouco mais além, ao fundo da questão?”.
“A realidade é que o Peter Taylor representa um investimento de 200.000 Milhões, a forma como está a jogar não está a funcionar e necessitam, todos, de adaptação. Porém, há resistências a esta realidade, a de ter de mudar, que estão a comprometer tudo. Concorda Treinador Wooden?” – perguntou o Detective Colombo. “Em absoluto” – respondeu o Treinador Wooden. “Há três coisas que isoladamente podem estar a contribuir para isso, para a resistência à mudança, mas cujo efeito combinado é multiplicador” – estava a dizer o Detective Colombo, quando foi interrompido pelo Treinador Wooden que perguntou – “quais são?”.
“Primeiro, a aversão à perda. A situação familiar o Peter, que na sua infância, viu o Pai a perder o negócio e os pais a perderem a relação, assistiu aos colegas e a ele a serem criticados quando perdiam um jogo, quando perdiam um passe ou falhavam um penalty, levaram-no a associar a perda a situações desconfortáveis e, por isso, a evitar quaisquer perdas potenciais a todo o custo” – começou por dizer o Detective Colombo. “Percebo, a realidade de mudar exige que se perca: o conforto na cidade onde o Peter vivia; a cultura do Clube onde jogava; o ambiente da equipa anterior; e a posição e o sistema de jogo, e como, há uma aversão à perda aprendida. O Peter resiste à realidade de mudar, porque isso significa perder o que está habituado a fazer, consequentemente não se adapta e, por isso, não “vinga” – começou por dizer o Treinador Wooden e, a seguir, perguntou – “qual é a segunda situação?”.
Nisto, o telemóvel do Detective Colombo toca e ele diz - “Treinador Wooden, podemos fazer uma pequena pausa, para atender esta chamada?”. “Claro Detective Colombo” – respondeu o Treinador Wooden. Depois de desligar, o Detective Colombo disse que havia uma situação urgente, na esquadra, que tinha de se ausentar e perguntou se podiam continuar a conversa mais tarde. O Treinador Wooden estava curioso e ansioso por saber quais eram as outras duas situações que poderiam estar a comprometer a mudança, a adaptação do Peter Taylor."

Rápidas de Coimbra

"Num teste de dificuldade nula porque perante uma equipa que pareceu estar sempre à beira do abismo, ora porque sem qualquer pormenor nos princípios defensivos, ora porque com bola ainda terá de perceber que não compensa oferecer várias situações de golo iminente ao adversário para se chegar 2 ou 3 vezes ao meio campo ofensivo, a análise incidirá apenas nas impressões ao lado individual.
Ferro. Com o jogo tão fácil, emergiu ainda mais a capacidade do central do Benfica em posse. Se já era uma marca do seu jogo, vai agora parecendo cada vez mais aprimorada. Em jogos de grande caudal ofensivo, são os seus primeiros passes e decisões que começam a desenhar as jogadas mais adiante. É um jogador diferenciado naquela posição, no momento ofensivo.
Nuno Tavares. No trabalho para o DN (aqui) e no post “Fábrica de Talentos” no Patreon (aqui) já me tinha referido ao potencial do lateral esquerdo do Benfica. Fisicamente é um monstro, capaz de fazer consecutivamente todo o corredor. Contra a “briosa” esteve novamente muito participativo, demonstrando que no seu primeiro ano de futebol sénior já está preparado para ser alternativa ao espanhol Grimaldo.
Gabriel. O regresso do “quarterback”. Foram as suas primeiras variações longas que começaram a desmontar a organização da Académica. Agressivo e forte nos duelos no momento da recuperação, e capaz de transformar as situações ofensivas perante muitos contra poucos pela forma como circula a bola. Volta a ser um dos destaques com Bruno Lage.
Chiquinho. Pequenos pormenores em espaços curtos que não enganam. O médio português tem qualidade para jogar dentro do bloco adversário, e com coordenação com os colegas, será determinante quer no processo de criação quer a finalizar. É um candidato ao onze e a uma época de nível elevado.
Raul De Tomás. Três quatro pormenores técnicos, quer na recepção quer na finalização que deixaram antever uma qualidade muitíssimo elevada. Um milésimo de segundo ou trinta centímetros de espaço e o Espanhol parece preparado para aproveitar. Do que se vai conhecendo, um upgrade gigantesco ao perdulário Suíço, que ainda assim somou mais de duas dezenas de golos na temporada passada.
Cervi e Caio Lucas. Vida mais difícil para ambos os alas. Problemas de decisão, que se acentuam pela forma como o modelo de Lage pede aos seus alas para jogarem em espaços curtos. A agressividade defensiva do Argentino não será suficiente para ser opção na nova época, e o brasileiro ainda bem longe de demonstrar o porquê de poder ser opção.
Tudo bastante prematuro, porém. Quer nas competências de uns, quer na incompetência de outros."

A média de 1.3 travadinhas por jogo (dados Goalpoint) de Florentino e a Taça Hospital da Luz que tanto diz a Fejsa

"Svilar
Uma defesa de belo efeito e zero patacoadas? Objectivamente, foi uma das melhores exibições de Svilar desde que chegou ao Benfica, mas compreende-se que César Peixoto tenha recusado abordar o tema na flash interview. Veja-se o que aconteceu a José Mourinho desde que elogiou o miúdo.

João Ferreira
Antes do jogo de hoje, achava que este miúdo só viajaria para os EUA se entrasse no porão à socapa. Boa surpresa. Fez por merecer um lugar em económica.

Rúben Dias
Noite de pouco trabalho defensivo e muito planeamento de todos os posts de Instagram que vai publicar quando estiver na Califórnia.

Jardel
Apesar da titularidade, Jardel sabe que a próxima época será provavelmente passada no banco e nos bastidores de mais um título nacional, a educar os jovens e até os graúdos. Podia começar por seguir a sugestão do treinador e prender os imbecis que se portaram mal na bancada.

Grimaldo
Das duas uma: ou a condição física de Grimaldo melhorou muito nos últimos dias ou afinal não há propostas decentes de gigantes europeus. Seja o que for resultou.

Samaris
Esqueçam os criativos de FC Porto e Sporting. Esses vão levar pau e serão aniquilados sem grande dificuldade. O grande adversário de Samaris neste campeonato é Florentino, mas por enquanto o grego parece levar vantagem. Bem a defender, mais recursos a atacar.

Gabriel
Agora que percebemos que a sua condição física e disponibilidade mental estão já em níveis invejáveis, é melhor guardá-lo no banco, não vá o homem lesionar-se outra vez.

Rafa
Bons olhos o vejam, meu caro amigo e decisor de eleição revelado na época passada.

Caio Lucas
13 de Julho e já me começa a irritar. Não sei se isto vai acabar bem.

Chiquinho
13 de Julho e já me parece titular. De resto, há muito que o futebol português precisa de um ídolo chamado Chiquinho. Posso estar a exagerar, mas daqui a 2 horas ninguém se vai lembrar disto. 

Raul de Tomás
Como se não bastassem as movimentações inteligentes e o pragmatismo na cara do guarda-redes, dá-se o caso de RDT soar muito melhor do que HS. RDT parece uma nova tecnologia utilizada para vencer o Mundial de Ralis ou uma corrida às 4 da manhã na Ponte Vasco da Gama. HS (Haris Seferovic) é literalmente o nome de uma marca de champôs.

Florentino
Perante um adversário macio, manteve a média de 1.3 travadinhas por jogo (dados Goalpoint). 

Vlachodimos
Os leitores mais fiéis sabem que às vezes me esqueço de escrever sobre um jogador ou simplesmente me esqueço de o colocar no email enviado para a redacção. Quero que saibam que não foi esse o caso.

Salvio
O nosso novo lateral direito brilhou na fase do jogo que mestres como Johann Cruyff, Arrigo Sacchi e Carlos Azenha denominaram "bater em mortos". O argentino não se deixou amaciar e foi fazendo piscinas no flanco direito, para choque dos adeptos da casa, que viram Salvio desfigurar sem misericórdia os corpos inertes dos jogadores da sua equipa.

Nuno Tavares
Então vá, Grimaldo, felicidades.

Conti
É uma pena ter o passaporte caducado, logo agora que bisou pela primeira vez ao serviço do Benfica.

Ferro
Perguntei ao meu amigo Balvenie 17 anos Doublewood o que achou da exibição do Ferro e nem ele soube dizer algo que vos interessasse ler. Não foi isso que me prometeram na Garrafeira Nacional. 

Pizzi
Entrou para o espaço até então ocupado por Caio Lucas e pareceu o próximo Bola de Ouro - por comparação.

Cervi
Bruno Lage sabe ler os adeptos benfiquistas e talvez por isso tenha desfeito desde já uma das maiores dúvidas deste plantel. Afinal Tiago Dantas consegue ser ligeiramente mais alto do que o Cervi.

Jota
Calma que isto vai.

Seferovic
Sef? Sefvc? Sfrvc? Svc? Sfc? Srvc? Hsfvc? #$%@-se! Não se aproveita uma sigla com o nome deste gajo.

Fejsa
A Taça Hospital da Luz terá um significado especial para Fejsa, que conhece aqueles corredores melhor do que muitos funcionários da 2045. Agora que a sua despedida do Benfica se aproxima, era de pensar numa festa como deve ser: ele e alguns veteranos deste plantel, algures nos EUA, que se lixe a Champions Cup ou lá o que é aquilo, uma carraspana à antiga, cocaína, o Jardel deixava o futebol e era deixado junto à fronteira com o México com o salário de Junho e uma amiga, entretanto a caravana tem dois lhamas que se juntaram sem que alguém soubesse explicar, descobrimos que o Rafa tatuou uma águia na cara, e o Tiago Dantas é descoberto a dormir dentro de uma Samsonite Weekender.

Taarabt
Talvez merecesse outro tipo de estreia a marcar na equipa principal, ele e nós, que fizemos as contas e percebemos que os golos de Taarabt ao serviço do Benfica custaram alguns 4 milhões cada um. Gaste-se ou não, a verdade é que o marroquino continua a ser um dos mais esclarecidos em campo. 

Tiago Dantas
Este menino vai dar-nos muitas alegrias. Ainda agora se estreou e já renovou contrato. Mais um talento singular saído do Seixal, e o primeiro em que o valor fixado para a cláusula de rescisão - 88 milhões - coincide com a altura do jogador em centímetros."

Cadomblé do Vata

"1. "Isto tem que acabar. Temos de começar a prender esta gente"... se não precisássemos tanto dele a treinador, eu queria o Lage como Presidente do Benfica.
2. 8-0... contra o Nacional tinha sabor a empate.
3. Primeira goleada da época, garantiu a conquista do Troféu Hospital da Luz... pensava que bastava ter Ebuehi, Sálvio e Fejsa, para garantir a vitória na competição.
4. Cada vez gosto mais de ver Ferro jogar... será que os pais dele.se importam que eu o adopte?
5. A Académica conta com. Zé Castro, Fernando Alexandre e Hugo Almeida... parecia que estávamos a defrontar a Caderneta Panini 06/07."

Académica Coimbra OAF - SL Benfica

"Uns primeiros 10 minutos não muito bons, onde a Académica criou mais perigo, mas a partir daí só deu Benfica. Soubemos forçar e explorar os erros da linha defensiva da Académica. 0-8. Resultado pesado, mas que demonstra bem a diferença de qualidade dos plantéis. Umas notas sobre o jogo.
1. RDT. Marcou os primeiros dois golos pelo Benfica. Beneficiou bastante dos erros da Académica. No primeiro golo é um passe fantástico do Gabriel e um falhanço de Yuri Matias que deixa o RDT finalizar sem oposição no coração da área. O seu segundo é uma oferta do guarda-redes depois do central lhe ter passado a bola para o pior pé. Não vai ter abébias destas sempre. Mas entretanto vai ganhando confiança. Algo que falhou com Ferreyra no ano passado, por exemplo.
2. Rafa. Bom jogo do Rafa. Marcou um golo após um belo cruzamento de Grimaldo. Parece que vai dar continuidade à excelente época do ano passado.
3. Grimaldo. Ao contrário do jogo com o Anderlecht, este jogou já não exigiu tanto defensivamente. E Grimaldo aproveitou isso para atacar mais. Esteve em vários dos bons momentos da primeira parte..
4. Gabriel e Samaris. Estão nos dois primeiros golos. Samaris inicia a jogada do primeiro. Gabriel assiste no segundo. Defensivamente não entraram muito bem, mas depois dos 10 minutos melhoraram bastante com uma excelente pressão e reacção à perda da bola.
5. Caio Lucas. Bons pormenores. Hoje teve oportunidade de marcar, mas a bola não entrou. No entanto, criou as suas oportunidades. Pode ser um jogador interessante.
6. Mile Svilar. Acho que fez a melhor defesa que o vi fazer com a camisola do Benfica.
7. João Ferreira. Não arriscou muito, mas também não comprometeu. A(s) próxima(s) (2) temporadas vão ser importantes para ele. Pode dar um jogador acima da média.
8. German Conti. Marcou 2 golos, ambos de cabeça. Ele na Argentina marcou 4 golos nas últimas duas temporadas do Cólon. Hoje a oposição também facilitou um pouco, mas estes momentos são importantes para ganhar confiança.
9. Nuno Tavares. Belo jogo do Nuno Tavares. Muito interventivo no jogo ofensivo do Benfica. Grimaldo que se aplique.
10. Pizzi. Tal como Rafa, Gabriel e Samaris, parece que não foi de férias. Fez um golo e três assistências.
11. Haris Seferovic. Podem não gostar dele, mas ele finaliza muito bem. Está perfeitamente encaixado com a equipa, o que neste momento parece-me ser uma vantagem. Marcou um golo e tem mais uma ou duas boas oportunidades.
12. Jota. Jogou na posição que era do João Félix e gostei. Teve vários momentos bons no jogo. Tem, por exemplo, um entendimento muito bom com o Seferovic que culminou no 5° golo. Tem outro momento, no 6° golo, que puxa o central da Académica para fora da posição, abrindo espaço para o Pizzi colocar a bola em Seferovic que só teve que finalizar. Começo a ficar vendido a esta ideia de Jota jogar atrás do avançado.
13. Chiquinho. Gostei mais do jogo com o Anderlecht, mas este também foi bom.
14. Adel Taraabt. Eis o primeiro golo. Grande pressão a aproveitar o passe fraco do guarda-redes para o médio da Académica e depois foi só perguntar para onde ele a queria.
Acho que as coisas vão mudar agora. O nível de dificuldade vai subir bastante. Vai haver algumas dispensas - vamos ver quem está no avião amanhã para os EUA. Não conheço as pré-épocas de Bruno Lage, mas parece-me que os testes acabaram hoje. Na ICC vamos fazer um trabalho mais específico do 11. O Benfica volta a jogar daqui a uma semana, contra o Chivas."

O Bom, o Mau, o Herói e o Vilão do Académica-Benfica

"O Benfica começou encostado às cordas pela Académica e acabou a golear 8-0. Ao segundo encontro de preparação, já mostra que tem um plantel profundo e algumas dinâmicas perto da afinação final. (...)

O Bom
Uma das primeiras características que Bruno Lage injectou à equipa do Benfica quando chegou ao banco a meio da temporada passada foi a objectividade. Ou pelo menos, uma maior objectividade. E num jogo como o deste sábado, a objectividade foi importante e aquilo que o Benfica fez melhor, numa altura em que o processo ainda não está afinado - mas também já não anda longe disso.
A uma entrada forte e surpreendente da Académica, o Benfica respondeu com uma leitura quase perfeita de jogo: era preciso jogar nas costas da defesa e era preciso passes de ruptura. E chegados à baliza da Académica, era preciso objectividade. Ela chegou com o golo de Rafa aos 23’, numa jogada simples e gizada por três dos artífices do título: lateralização de Samaris para Grimaldo, cruzamento do espanhol e Rafa na área a aparecer para finalizar. A partir daí, o jogo virou completamente para os encarnados, até ao 8-0 final, um resultado duro para uma Académica que mostrou fundamentos bem trabalhados.
E por isso é justo também colocar aqui os primeiros 10 minutos da Académica, que com um futebol preocupado com a construção, com o ataque apoiado e trocas de bola rápidas, conseguiu num ápice criar cinco, seis lances de perigo. Nos primeiros momentos do jogo, o Benfica mal tocou na bola e não foi por demérito: foi por qualidade da equipa agora treinada por César Peixoto.
A goleada que se seguiu mostra que o Benfica até pode ter perdido Jonas e João Félix mas continua a ter um plantel profundo e com vários elementos que parecem apenas estar a recomeçar aquilo que colocaram em pausa com o final da época passada. Olhe-se para Seferovic e para Pizzi que, mal entraram na 2.ª parte, jogaram tão coordenados como se não viessem de várias semanas de paragem. 
A defesa do Benfica também merece loas, pelo posicionamento quase perfeito na 2.ª parte: nunca deixou que as jogadas de construção da Académica, que tentou sempre ser fiel à sua ideia de jogo, chegassem sequer à área.

O Mau
A ideia nestes textos é falar de futebol, mas é impossível não deixar aqui o que aconteceu no final da 1.ª parte no Estádio Cidade de Coimbra. Num encontro de preparação, com a época ainda mal arrancada, temos de levar um jogo interrompido por desacatos nas bancadas. Foi, seguramente, o pior deste jogo - é sempre condenável ver violência num encontro, mas num jogo de pré-época já roça o idiota.
De resto, num jogo que acaba 8-0, é difícil encontrar pontos negativos num Benfica que até arrancou para a goleada depois de mudar toda a equipa ao intervalo. Talvez Bruno Lage precise de analisar o que se passou nos primeiros 10 minutos, em que a Académica manietou o Benfica, roubando-lhe a posse de bola. Raul de Tomas bisou em Coimbra e mostrou que é mais que um marcador de golos Raul de Tomas bisou em Coimbra e mostrou que é mais que um marcador de golos.

O Herói
Num troféu em que, entre caras novas e jogadores da casa, muitos jogadores dos encarnados se evidenciaram, a boa notícia para os adeptos do Benfica será o bis do reforço Raul de Tomas, ainda na 1.ª parte. O primeiro golo aos 24’, a receber bem um cruzamento de Gabriel e a finalizar com tranquilidade, e o segundo já perto do intervalo, felino a aproveitar um erro do guarda-redes da Académica.
Mas a exibição do espanhol não foi só feita de golos: nos 45 minutos em que esteve em campo, já participou com facilidade no processo atacante, sem problemas em recuar para vir buscar jogo ou dar a bola aos colegas. Boas indicações do avançado formado no Real Madrid.
Boa injecção de confiança também para Germán Conti, o central argentino que marcou por duas vezes de cabeça na 2.ª parte. Falta agora é provar que é opção para onde interessa realmente, o eixo da defesa, pois claro.

O Vilão
O Benfica aproveitou muitos erros individuais e defensivos da Académica para construir um resultado volumoso e, por isso, vilões só mesmo aqueles que não aproveitaram para se elevar. Nesse aspecto, e depois das boas impressões deixadas no encontro com o Anderlecht, a exibição de Chiquinho não foi exactamente de encher o olho. O jogador português foi titular, mas passou algo despercebido. Terá também tido o azar de ter jogado no período de menor fulgor do Benfica, a 1.ª parte.
Caio Lucas, que também só jogou na 1.ª parte, teve bola e esteve em jogo, mas continua a exagerar nas acções individuais: aquela última finta que sempre tenta talvez não seja necessária..."

O melhor 11 da formação do Benfica em 2018/2019

"O Sport Lisboa e Benfica possui uma formação de topo, sendo que nesta última temporada, o clube sagrou-se bicampeão nacional de juvenis. Entre os juvenis e os sub-23, houve vários jogadores que se destacaram e irei fazer aqui um onze de jogadores do Benfica entre as equipas de juvenis e de sub-23 que se destacaram na última temporada.

Guarda-redes:
Celton Biai Estando no Benfica desde 2010, foi júnior de segundo ano na última temporada, tendo sido o guarda-redes mais vezes titular na equipa de sub-23, o melhor guarda-redes da Fase Regular da Liga Revelação, jogando pelos juniores na Youth League e na Fase Final do campeonato. Apesar da baixa estatura (1,84m), possui uma grande presença entre os postes, sendo dotado de grandes reflexos e de uma apurada elasticidade, tendo também habilidade a jogar com os pés. Fez 15 jogos pelos sub-23 e 19 pelos juniores (13 no campeonato e seis na Youth League).

Defesa-direito:
Tomás Tavares Tendo sido júnior de primeiro ano na última temporada, foi sobretudo aposta na equipa de sub-23. Podendo jogar também a lateral-esquerdo e a extremo, Tomás Tavares é um jogador com grande propensão ofensiva e qualidade técnica, sabendo combinar com os colegas no seu flanco. Fez 11 jogos pelos juniores (um golo), 19 pelos sub-23 e dois pela equipa B.

Defesa-central:
Tomás AraújoFoi o capitão da equipa de juvenis do Benfica e da selecção nacional de sub-17 que disputou o Europeu da categoria em Maio, sendo titularíssimo em ambas as equipas. Tomás Araújo tem perfil de líder e também se destaca pela sua qualidade no passe longo. Realizou 29 jogos pela equipa de juvenis (seis golos) e um pelos juniores.

Defesa-central:
Miguel Nóbrega Sendo júnior de segundo ano, foi titular indiscutível na equipa de sub-23 na última temporada, onde disputou 33 jogos e marcou quatro golos, tendo ainda jogado três jogos pela equipa B. Miguel Nóbrega é um central com qualidade técnica e visão de jogo, que sabe sair a jogar.

Lateral-esquerdo:
Nuno Tavares Alternou entre juniores, sub-23 e equipa B, sempre com exibições de qualidade. Nuno Tavares é uma locomotiva no flanco esquerdo com qualidade técnica para se desenvencilhar dos adversários, sendo dono de um cruzamento muito preciso. Realizou 23 jogos pelos juniores, oito pelos sub-23 e 13 pela equipa B.

Médio-defensivo:
Ilija Vukotic Está no Benfica há apenas dois anos. O médio montenegrino é um jogador muito completo, sendo dono de uma grande estampa física (1,91m) e de uma apurada qualidade técnica, que lhe permite subir no terreno com a bola coladinha ao pé. Fez 29 jogos pelos sub-23 (dois golos), a que se juntam mais sete pela equipa B.

Médio-centro:
Ronaldo Camará Este menino é um caso de estudo. Recrutado ao Sporting CP aos 12 anos, no Benfica tem jogado sempre dois escalões acima do seu. Aos 13 anos era uma das principais figuras da equipa de iniciados de 15/16 que foi campeã nacional só com vitórias. Nesta temporada, com idade de juvenil de primeiro ano, jogou 31 jogos pelos juniores (seis golos), seis pelos juvenis (um golo) e três pelos sub-23. Ronaldo é um médio muito habilidoso no controlo de bola e agressivo ao portador da bola. Também é dono de uma meia-distância temível.

Médio-ofensivo:
Gonçalo RamosMédio goleador, é um jogador com qualidade técnica, disponibilidade física, sabendo ocupar os espaços e aparecer em zonas de finalização. Pode também jogar em zonas mais adiantadas no terreno como falso nove. Marcou 20 golos em 35 jogos pelos juniores, fez três jogos pelos sub-23 e mais seis pela equipa B.

Extremo-direito:
Úmaro Embaló O extremo que já esteve em vias de se transferir para o RB Leipzig é uma das maiores pérolas da formação do SL Benfica. O extremo canhoto já jogava nos juniores com idade de juvenil, sendo que nesta época também jogou nos sub-23 e se estreou pela equipa B. Entre as três equipas, realizou 35 jogos e marcou 13 golos.

Extremo-esquerdo:
Tiago GouveiaContratado ao Sporting CP em 2016, Tiago Gouveia não é dos jogadores mais falados no Seixal. No entanto, como júnior de primeiro ano, foi dos jogadores em maior destaque na primeira edição da Liga Revelação, onde marcou seis golos em 19 jogos, fazendo ainda mais 10 jogos e três golos pela equipa de juniores. Tiago Gouveia é um jogador bastante desequilibrador e que dá profundidade ao jogo, sabendo explorar o espaço nas costas da defesa e usar o físico para segurar a bola. 

Ponta-de-lança:
Henrique AraújoNão havia muito por onde escolher aqui, visto que foi o único ponta-de-lança que sobressaiu entre os juvenis e os sub-23. Contratado no ano passado ao CS Marítimo, Henrique Araújo rapidamente se afirmou como o goleador da equipa de juvenis, terminando a época com números estrondosos: 37 golos em 33 jogos. E, incrivelmente, ficou de fora do Europeu de sub-17."

Benfiquismo (MCCXXXI)

Feira Popular...!!!

sábado, 13 de julho de 2019

Vermelhão: treino com goleada...

Académica 0 - 8 Benfica


Treino bem conseguido, desta vez, já com alguns movimentos colectivos interessantes, principalmente no processo de integração dos novos jogadores.

A Académica, é um dos favoritos à 'subida', tem um plantel com muita experiência de I Liga. E como se sabe a diferença entre as melhores equipas da II Liga, e as equipas que lutam pela manutenção na I Liga, é pouca... O único 'factor' diferente, foi mesmo a postura da Académica na fase de construção, tentando 'jogar à bola'!!! Algo que muitas equipas não fazem, usando a técnica do 'autocarro' e pontapé para a frente!!!
Nos primeiros minutos, tivemos alguma dificuldade nas marcações a meio-campo, demos demasiado espaço... mas rectificámos! E os golos foram aparecendo... por nosso mérito,  alguns por demérito do adversário!

Aliás, um dos potenciais 'problemas' desta época, será a eficácia: tanto o Jonas como o Félix, eram jogadores que falhavam poucos golos... O Seferovic por exemplo, tem dias... Esta questão é fundamental, porque até podemos produzir muito caudal ofensivo, mas se as bolas não entrarem...!!!

Hoje fiquei um pouco mais 'descansado', porque comprovei que o RdT pode mesmo fazer dupla com o Seferovic, tem pés, movimentações e inteligência para isso...

RdT: dois golos, e excelentes indicações. Boas recepções, bons movimentos, tanto nas costas da defesa (algo que eu já estava à espera), mas também boas movimentações entre-linhas, com boa qualidade de passe de primeira... Com melhor entrosamento, será letal... Os golos foram 'fáceis', mas a forma como rematou à baliza (mesmo sem oposição) indica que é mesmo ponta-de-lança!
Chiquinho: jogo algo ingrato, porque a Académica 'fechou' o jogo interior, e deu muito espaço nas Alas... O Chiquinho, tem um primeiro toque muito bom, mas faltou recepção/virar para a baliza com a bola controlada, algo que ele é muito bom...
Caio: apareceu na direita, algo que ele não está habituado, mas voltou a demonstrar melhorias. O facto do Lage estar claramente a 'puxar' por ele, prova que o Lage vê no Caio, aquilo que todos os que tiveram 'olhos de bola' vêem: qualidade técnica, velocidade e força... também bem nas desmarcações. Precisa de 'minutos', para perceber que tem que decidir bem e depressa... a intensidade de jogo no Benfica, é completamente diferente àquilo que ele estava habituado...
João Ferreira: Muito bem... O João ainda é Júnior, só está a ter 'minutos' devido às lesões dos dois Laterais Direitos do plantel, mas tem demonstrado qualidade. Tecnicamente não me surpreende, tenho acompanhado a carreira do João na Formação do Benfica, e para mim é claramente o Lateral mais promissor, mas nestes dois jogos, além da qualidade técnica, demonstrou também que é um jogador inteligente... Vai provavelmente fazer a temporada na equipa B, mas...
Nuno Tavares: Os adeptos gostam das cavalgadas, e com cruzamentos destes, conquista imediatamente o coração dos Benfiquistas!!! Como já disse anteriormente, a minha dúvida é nos duelos individuais defensivos, de resto está preparado...
Conti: depois de uma época 'azarada', está com 'ganas'... Se o Rúben e o Ferro partem à frente, o Conti pode facilmente ser a 3.ª opção! Com toda o respeito pelo Jardel...
Taarabt: 'regresso' do Marroquino, ao meio-campo, na posição do Gabriel... Creio que vai ser mesmo aqui, que o Taarabt será utilizado, porque precisa de 'espaço' para fazer os passes que o diferenciam... Sendo que poderá também, ser o melhor jogador para substituir o Pizzi na direita...
Jota: está a 'dar' tudo para ganhar o 'lugar' no plantel...
Florentino: o menino só tem 19 anos! É verdade que tem cometido alguns erros, com a bola nos pés... é verdade que quando começou a jogar, não os fazia... Mas também é verdade que agora os adversários já o conhecem e sabem das dificuldades que ele tem quando recebe a bola no 'meio' de costas para o adversário!
'Excelente' arbitragem, é para nos habituarmos aos foras-de-jogo mal assinalados ao nosso ataque, às reposições de jogo ao contrário, sempre em nosso prejuízo, às faltinhas absurdas na nossa pressão alta... Enfim... Mais uma nomeação, com mensagens sublimares: este senhor meteu um processo na justiça contra o Benfica!

Agora, 3 jogos de elevada dificuldade... onde vamos dar 90 minutos aos nossos principais jogadores. Recordo que ainda não jogámos com o suposto 11 titular, em simultâneo no campo!

“Antes do jogo com o FCP pus no Face: ‘ótimo dia para dois golos’. O mister fez-me apagar o post, eu fiz o bis. A minha confiança é anormal”

"Há quatro anos, Hugo Vieira viu o primeiro amor da sua vida, Edina Carvalho, perder a batalha contra o cancro e diz ter percebido que o importante é ajudar os outros e viver o presente. Andou por Espanha, Japão e agora Turquia mas foi na Sérvia que encontrou o amor por uma sérvia que lhe deu uma nova razão de viver: a filha Bianca. Confessa que era um miúdo traquina, muito convicto das suas ideias, que queria ser adulto depressa. O avançado de 31 anos que já tem uma agência de viagens e uma empresa no ramo imobiliário, revela pormenores da sua vida, afirma que sempre que diz que vai marcar golo, marca, e conclui que o futebol português está pior do que quando saiu para o estrangeiro

Nasceu em Barcelos. O que faziam profissionalmente os seus pais?
O meu pai era operário têxtil e a minha mãe trabalhava num armazém de revenda de decoração.

Tem irmãos?
Tenho duas irmãs mais novas, a Patrícia e a Letícia.

Cresceu onde?
Cresci numa casa, que é a casa dos meus pais, em Galegos de São Martinho.

Tinha alguém na família ligado ao futebol? Quando começa o amor pela bola?
Curiosamente, não. Bem, tenho tios que jogavam mas nunca foram profissionais. A minha mãe diz que eu comecei quando ainda estava na barriga dela, estava sempre a pontapear (risos). A minha avó diz que quando não tinha bolas chutava as pedras e rompia as sapatilhas todas. Sempre tive uma paixão muito especial pela bola.

Qual era o clube preferido lá de casa?
Benfica, a minha família sempre torceu pelo Benfica. Honestamente, eu abstraí-me um bocadinho se calhar por causa da profissão..

Quem eram os seus ídolos?
O Ronaldo o “Fenómeno” e o Ronaldinho Gaúcho. Estes dois eram os melhores de sempre para mim.

Gostava da escola?
Gostava da escola, não gostava das aulas (risos). Mas quando me aplicava tirava quatros e cincos.

Era um miúdo calmo ou fazia muita asneira?
Era muito traquina. Era eu que aprontava tudo na escola, que metia coisinhas nas portas para as portas não abrirem e não termos aula, metia lagartixas na sala para não ter aula ( risos).

Quando era pequeno o que é que dizia que queria ser quando crescesse?
Sempre jogador de futebol. Mas a minha mãe dizia que eu queria fazer casas. Não sei se era arquitecto, trolha, não sei (risos). Curiosamente hoje tenho uma empresa de construção e remodelação. Curiosidades do destino.

O seu primeiro clube é o Santa Maria. Como é que lá vai parar?
Eu tinha muito jeito para a bola desde pequenino. E um senhor viu-me a jogar na escola, no recreio e ficou impressionado. Foram falar com os meus pais, a pedir para eu ir para lá para o Santa Maria. Com seis anos já jogava com os miúdos de 10. Não havia escolinhas na altura. Não era como agora, se fosse agora, meu Deus, aos seis anos tinha ido para o Manchester ou para o Real Madrid (risos). Eu de facto tinha muito jeito quando era mais novo. Era mesmo um fora de série até aos meus 14, 15 anos.

Já como avançado?
Comecei à baliza, queria ser guarda-redes, mas os treinadores não me deixavam porque, primeiro era muito baixinho, e depois porque pegava na bola, fintava toda a gente e marcava golo.

Lembra-se qual foi o primeiro dinheiro que ganhou no futebol e com que idade?
Foi com 15 anos, quando comecei a jogar nos seniores. Tinha um salário de 75 euros.

Havia alguma coisa que quisesse muito comprar ou que tenha juntado dinheiro para comprar?
Não, com 75 euros não dá para juntar nada (risos). Esse salário geralmente gastava eu, porque era muito baixo. Mas eu trabalhava e jogava futebol.

Trabalhava? E continuava também na escola?
Eu fugi da escola aos 15 anos. Ia com a mochila todos os dias, a minha mãe pensava que eu ia para a escola, eu escondia a mochila e ia trabalhar.

Onde?
Numa estamparia. Os meus pais só descobriram uns três ou quatro meses depois. Ligaram da escola a dizer que eu tinha muitas faltas, que não ia às aulas.
O que é que aconteceu nessa altura?
Levei uma carga de porrada logo para começar (risos). Depois queriam meter-me outra vez na escola. Mas eu sempre fui um miúdo com ideias muito vincadas e disse que queria dinheiro para as minhas coisas, queria ser um adulto. Lá aceitaram, mas ficaram bastante decepcionados. Hoje, percebo que foi um erro gigantesco, tenho uma filha e ponho-me no lugar deles, foi muito mau da minha parte. Agora ganhei juízo, voltei a estudar, tirei o 12.º ano, estudei durante estes anos. Na altura fugi quando estava no 8.º ano.

Quando começa a jogar pelos seniores?
Estava no segundo ano de juvenil, tinha 15 anos. Estreei-me nos últimos jogos da época.

Estava muito nervoso?
Não, sempre fui muito relaxado. Sempre tive uma personalidade muito vincada, para mim nunca existiu, nem vai existir, pressão. Desde jovem que digo que pressão é tu teres que pôr comida na mesa para os teus filhos e não teres dinheiro. Pressão é estares numa cama de hospital e dependeres de um médico para sobreviveres, isso sim, é pressão. Agora jogar futebol é um privilégio, é para desfrutar, não é para nos deixar nervosos. Nunca fiquei nervoso antes de um jogo. Há jogos, sim, que dá um friozinho na barriga, que é normal, mas é mais a ansiedade, do querer que comece rápido para resolver as coisas, isso sim. Agora pressão, nunca tive pressão, nem nunca fiquei nervoso antes de um jogo, nada.

2005/06 é a sua primeira época no plantel sénior em definitivo?
Exactamente. No primeiro ano de júnior comecei já com a equipa de seniores, era o goleador da equipa. Tinha 16 anos a fazer 17.

Depois é emprestado ao Bordéus. Como é que isso acontece?
Tinha 17 anos, o treinador era o Ricardo Gomes e o falecido Manuel Barbosa era o meu empresário. Alguém lhe falou de mim quando era jogador no Santa Maria, que era júnior, mas já jogava nos seniores, ele veio ver um jogo e como fazia muitos golos, notava-se que estava um ou dois degraus acima dos outros e ainda tinha muito para evoluir. O Manuel Barbosa veio ver-me, falou comigo e ligou ao Ricardo Gomes, que trabalhava com ele já há muito tempo, e o Ricardo disse também gostava muito das minhas características, que era muito novo e que era bom negócio. Então, fui lá, treinei, eles gostaram de mim e fiquei lá.

Foi sozinho?
Fui, fui sozinho. Foi muito duro.

O que custou mais?
A distância, as saudades. Na altura, a minha irmã era muito pequenina, tinha cinco ou seis anos, ligava a chorar para eu voltar. Eu era muito ligado à minha irmã mais nova - às duas -, mas a mais nova, por ser mais pequenina, era eu quem a protegia, ainda hoje é assim. Eu também sou muito ligado à minha mãe, sempre fui o filhinho da mamã e foi muito complicado. Passados dois meses e meio, três meses pedi para vir embora porque não conseguia lá estar.

Ficou a viver onde em Bordéus?
No centro de estágio, dormia e comia lá, tinha lá tudo.

Como é que foi com a língua? Sabia francês?
Não, muito pouco e também foi uma grande dificuldade na altura, mas serviu-me para o futuro. Havia um ou outro jogador que falava espanhol. Eu era muito tímido na altura. Foi tudo muito complicado e por isso é que pedi para voltar.

O futebol era muito diferente do que estava habituado?
Era. Muito físico, os treinos eram muito duros. Eu estava habituado a treinar à noite e a trabalhar o dia todo, e passei a ter treinos bi-diários. Foi uma diferença relativamente grande.
Quando regressa, acabam por emprestá-lo ao Estoril. Foi para Lisboa também sozinho?
Sim. Mas aí já foi mais fácil. As saudades mantinham-se, mas já estava em Portugal, eles iam visitar-me de vez em quando, fiz algumas amizades que até hoje mantenho.

Como fazia com as refeições? Comia sempre fora?
Comecei a aprender a cozinhar, tive de me desenrascar (risos). Ligava à minha mãe, ela dizia-me passo a passo, eu fazia as coisas e gostava mais por a comida ser feita por mim.

Nos tempos livres o que fazia, jogava PlayStation?
Foi nessa altura que comprei a minha primeira PlayStation, quando estava no Estoril.

Quais foram os primeiros amigos que fez nessa altura?
O André Cunha, ainda jogamos juntos durante muitos anos. Nos tempos livres jogávamos PlayStation. O Eduardo, o Pedro Caravana, o Nelson Oliveira.

É nessa altura que começam as primeiras saídas à noite?
É (risos). Em Lisboa foi um bocadinho a descoberta.

Costumava ir para onde?
Para as Docas e para algumas discotecas que hoje já não existem.

Alguma vez teve problemas por causa das noitadas?
Nunca.Também nunca fui de sair muito. No Estoril era mais, mas também não joguei muito porque depois o treinador, o Tulipa, chateou-se com o empresário.

Que tal era o Tulipa como treinador?
Eu não joguei nem um minuto, foi complicado. Eu era um miúdo de 18 anos, ele não me pôs a jogar por causa do empresário, disse-me ele. Eu era um miúdo, não sabia nada, mas sempre treinei bem, tanto que faltavam cinco jornadas para acabar e ele em frente ao plantel todo disse: “Quero agradecer a um grande profissional, apesar de muito jovem, o Hugo, que sempre se treinou bem. Nós não podemos descer, nem subir, por isso vou dar-lhe a oportunidade que merece. Espero que compreendam”. Mas depois não me convocou nos quatro jogos seguintes e, no último jogo, convocou-me para jogar com o Fátima e deixou-me em a 19º, ou seja tive zero minutos. Pelo menos não dizia nada.

Voltou para o Santa Maria?
Sim. Tinha alguns clubes interessados, mas tinha um contrato profissional com o Santa Maria, tinha sido emprestado por eles ao Estoril. Porque o objetivo era eu ir para o Bordéus no ano seguinte, mas como não joguei, eles depois acharam que era melhor não ir e voltei para o Santa Maria. Foi ai que tudo começou. Fiz a época, ganhámos a Taça, subimos de divisão, marquei 48 golos. Ainda hoje é o recorde de golos daqui de todas as associações.

Quando volta ao Santa Maria, volta a casa dos seus pais ou já tem uma casa sua?
Nesse ano ainda voltei a casa dos meus pais, no ano seguinte é que fui viver sozinho.
Quando foi para o Gil Vicente.
Sim.

Foram eles que o contactaram?
Sim, porque não tinha como não se falar de mim aqui na cidade, porque de facto fiz algo incrível. O Santa Maria fez um campeonato incrível: havia um Famalicão muito forte, a investir muito dinheiro, e nós, com uma equipa de miúdos, a ganhar muito pouco, fomos campeões e ganhamos a Taça. Fizemos a dobradinha que não é fácil. O estádio estava sempre com muita gente para a divisão que era. E é claro que as pessoas de Barcelos falavam, vinham ver os jogos e não tinha como o Gil Vicente não me contratar.

Esteve lá três épocas.
Sim. Na altura tinha muitos clubes, alguns até da 1.ª Liga que vinham ver os meus jogos, alguns treinadores que me ligaram e tudo, só que o Santa Maria só me deixava ir para o Gil Vicente.

Quando vai para o Gil Vicente ,quem é o treinador?
O Rui Quinta. As coisas estavam a correr-me muito bem, estávamos nos lugares cimeiros, só que lesionei-me, fiz uma lombalgia. Começámos a não ganhar e o treinador foi mandado embora. Veio o Paulo Alves.

Com que opinião ficou dele?
Bom treinador. Subimos de divisão, no primeiro ano fomos à final da Taça, as coisas correrem muito bem tanto para mim, como para toda a equipa - e consequentemente para o treinador.

Entretanto é contratado pelo Benfica. Ainda tinha o Manuel Barbosa como empresário?
Não, não. No primeiro do Gil Vicente já foi o Carlos Gonçalves.

Trocou porquê?
Porque, curiosamente, no ano em que voltei para o Santa Maria, tinha 18 anos e o Manuel Barbosa queria que assinasse um protocolo irrevogável, como se fosse propriedade dele. E isso não é válido, como é óbvio, e consegui rescindir e prometi que nunca mais assinava por nenhum empresário.Não assinei com o Carlos, expliquei-lhe, e quem o conhece sabe que é como eu: a palavra vale muito mais do que um contrato assinado. Não é por acaso que já lá vão 13 anos a trabalhar com ele.

Então o Benfica mostrou interesse...
...Sim, o presidente Luís Filipe Vieira falou com o Carlos, mostrou o interesse que tinha por mim, assim como vários clubes o fizeram, e chegámos a um acordo.

Que outros clubes?
Isso são coisas que ficam connosco.

Algum dos outros grandes?
Sim.

A opção pelo Benfica foi por ser o clube do coração ou porque era o melhor contrato?
Foi uma escolha com o coração e não com a cabeça, porque qualquer das outras opções talvez fossem mais fáceis para mim. Mas na altura foi um sonho, um sonho da minha família que sempre foi benfiquista, por isso fui para lá.

Mas não chegou a jogar.
Oficialmente, não.

Chegou a ser recebido pelo Jorge Jesus?
Sim, ao início fui muito bem recebido por toda a gente: fomos para a Suíça, para a França e as pessoas gostavam muito de mim, vinham falar comigo. Mas também foi opção minha; pedi para ser emprestado, porque o treinador disse que queria que ficasse no plantel, mas que não ia ter muitas oportunidades de jogar. Se calhar, não reagi da melhor maneira e disse que se fosse para ser assim, não queria ficar, queria jogar, porque para evoluir tinha de jogar. Se calhar foi o meu erro, mas pedi para sair. Costumo dizer que nunca me arrependo de nada.
Quem escolhe o Sporting de Gijón?
Foi o Benfica, eu tinha outras propostas mas o Benfica disse que só me deixava sair se fosse para lá. 

Foi sozinho?
Fui com a minha ex-esposa, a Edina.

Já estava casado com ela? Quando é que a conhece?
Quase. Eu conheci-a no meu primeiro ano no Gil Vicente.

O que ela fazia quando a conheceu?
Era professora de educação física. Já nos conhecíamos de vista, vivíamos relativamente perto e às vezes a gente cruzava-se, mas conhecia-a quando fui dar autógrafos à escola onde ela era professora. 

Entre dar a sessão de autógrafos até viver juntos quanto tempo se passou?
Mais ou menos dois anos. Começámos a viver juntos quando eu fui para Lisboa, para o Benfica, ela veio comigo e concorreu para dar aulas em Lisboa.

Mas o Hugo esteve pouco tempo no Benfica.
Sim, dois meses. Depois fomos para Espanha e ela optou por abandonar e vir comigo para Espanha. Não sabíamos que iria ser tão pouco tempo.

Quanto tempo ficaram em Espanha?
Ela ficou duas, três semanas, porque foi-lhe diagnosticado um sarcoma. Ela estava com dores no peito e nas costas, desde Lisboa, mas pensávamos que era ansiedade, por não sabermos para onde é que eu ia jogar. Só que continuou e, não sei porquê, até hoje não consigo perceber porquê, mas agarrei no carro numa sexta-feira e vim de Gijón para cá. Não disse nada a ninguém e quando cheguei na sexta-feira à noite, ela foi fazer exames e no sábado de manhã tivemos o resultado.

Nessa altura tinham noção da gravidade?
Não, nada.

O que decidem fazer? O Hugo voltava e ela ficava cá?
Não, como deve compreender, fiquei sem chão, sem tecto, sem nada. Liguei ao meu empresário que ligou para o clube e explicou. O clube disse para eu ficar o tempo que fosse preciso, que essas eram as verdadeiras prioridades. Para ficar o tempo que precisasse para estar com ela e apoiá-la. Foi um gesto incrível da parte deles.

Ficou cá quanto tempo?
Setembro e Outubro. Voltei para lá em Novembro, mas era muito complicado. Tinha um dia livre e vinha cá. Eram cinco, seis horas a conduzir. Costumo dizer que se não morri num acidente de automóvel nessa fase, nunca mais vai acontecer porque vinha cansado e nem me lembro das viagens. Vinha o mais rápido possível, às vezes com neve na montanha as estradas ficam muito perigosas, e eu vinha sem correntes, no meio da neve, o carro vinha a deslizar muitas vezes. Foram dois meses em que eu queria ficar, só que ela não queria, não queria que eu parasse a minha vida por ela. Ela fazia anos a 19 de Outubro, nesse dia tive treino de manhã e depois vim cá. Ela estava internada no IPO, fui lá ter com ela, levar-lhe uma prenda e um ramo de rosas. e voltei. Fiz a viagem no mesmo dia porque tinha um jogo no fim de semana para a Taça do Rei e foi o meu melhor jogo no Gijón. 

Acabou por só fazer quatro jogos.
Sim. Porque eu fui em Novembro, entrei em dois ou três jogos, não estava bem fisicamente como é óbvio, sem treinar, dormir era o que calhasse. E era um jogador muito caro para o clube na altura, eles foram incríveis nisso, portaram-se muito bem comigo, ao contrário de outros clubes.
Quando acaba a época volta ao Benfica?
Depois disse que não conseguia mais estar lá e vim para o Gil Vicente, em Dezembro.

Vem para o Gil Vicente na época 2012/ 2013. Depois vai para o SC Braga.
No final dessa época. As coisas correram muito bem, apesar de não ter vida. Muitas vezes dormia no hospital, estava lá o dia todo, vinha dormir a casa e treinava de manhã, mas apesar disso as coisas correram incrivelmente bem. Marquei uns oito golos, qualquer coisa assim, e no ano seguinte fui para o Braga.

Foi o SC Braga que o procurou?
Sim. Era o Jesualdo Ferreira que lá estava.

O que achou dele?
É muito bom treinador, muito boa pessoa. É uma pena eu não ter vida para profissional nesse tempo. Ainda por cima cheguei muito tarde, porque o Benfica não me queria deixar sair, meteu alguns entraves e só chegaram a acordo no final de Agosto. Fui, estava sem treinar, comecei a treinar, fiz um jogo na equipa B e depois joguei sempre na equipa principal, só fui jogar na B para ganhar ritmo. Comecei a entrar aos poucos, só que não tinha vida, não dava.

A Edina esteve muito tempo internada?
Nessa fase estava três semanas em casa e ia uma para a quimioterapia. Na semana em que ficava lá, eu às vezes dormia lá, por isso não dava para ter vida de jogador de futebol profissional. Às vezes, jogava à quarta e ao domingo e eles queriam que nós fizéssemos banhos de gelo, só que eu não podia ficar doente - quem tem familiares nessa situação sabe muito bem disso, não podes ficar constipado porque as defesas deles ficam muito em baixo. Por isso eu tinha muito cuidado e banhos de gelo, por exemplo, não podia fazer, era muito complicado. As pessoas pensavam que eu fazia isso por mal, mas não era por mal, era para a proteger.

Entretanto é emprestado ao Gil Vicente.
Sim, expliquei que não podia fazer certas coisas e acabei por jogar com os juniores porque não tinham jogadores para a frente. Pedi para voltar para o Gil Vicente porque me entendiam melhor e estive seis meses no Gil Vicente.

Como é que surge o Torpedo de Moscovo, da Rússia, no meio disso?
Ligaram para o meu empresário. Nessa altura a Edina também estava bem e, por curiosidade, Moscovo era a cidade dos sonhos dela. Por isso a proposta era algo que nos agradava muito aos dois. 

Foram os dois para Moscovo?
Não. Eu fui no princípio de Setembro e estava previsto ela ir no final de Setembro porque ainda tinha umas consultas no IPO. Só que entretanto ela sentiu-se mal, foi fazer uns exames e o sarcoma tinha voltado.

Foi para a Rússia sozinho?
Sim, foi complicado.Tinha tradutor, mas só para algumas entrevistas. Eu cheguei numa quinta-feira, na sexta-feira treinei, no sábado tínhamos jogo, eu entrei 20 minutos e fiz golo, contra o Spartak, uma equipa grande de lá. As coisas começaram logo muito bem e claro que isso ajuda muito. As pessoas trataram-me muito bem, só tenho a dizer coisas boas da Rússia, da Sérvia e do Japão, pessoas incríveis.
Continuou com essa vida de andar cá e lá?
Sim, depois foi complicado porque em Dezembro o campeonato parou e eu fiquei cá no mês de dezembro. Fizemos os convites de casamento e oferecemos a toda a gente. Eu voltei a Moscovo no dia 13 de Janeiro e ninguém percebeu muito bem o que aconteceu porque ela estava relativamente bem, e de um dia para o outro, as coisas não ficaram tão bem.

Ela faleceu...
...No dia 25 de Janeiro. Foi muito rápido.

Ficou destroçado, como se pode ver pelo seu Instagram.
É muito complicado expressar por palavras.

A que se agarrou para seguir em frente?
Agarrei-me às coisas que ela gostava que eu fizesse. Foi mais ou menos nessa base e não acredito que seja só coincidência, foi a partir daí que comecei a ser o jogador. Em vez de ser mais um, comecei a ser o jogador em todo o lado por onde passei. As coisas correram-me de facto incrivelmente bem, comecei a marcar em média 20 ou mais golos por época.

Tinha 24 anos, levou alguém consigo para o ajudar no regresso à Rússia?
Não. Os meus amigos e a minha família foram incríveis comigo, sempre me ajudaram muito, mas a verdade é que eu tive que passar por isto sozinho. Fui sozinho, fiquei lá sozinho.

De Janeiro até ao final da época como é que conseguiu arranjar um ponto de equilíbrio?
Não consegui. Vivia o hoje, a partir daí comecei a viver o hoje, porque nós não valemos nada, a verdade é esta. Nós temos o “agora” para viver, amanhã não sei o que é e o que pode acontecer.

O que mudou na sua vida?
Não sou a melhor pessoa para falar disso, mas comecei a ajudar toda a gente que podia e a viver o hoje. Porque é a realidade, nós não valemos nada. Nós temos o agora para viver e mais nada, estamos bem, dá-nos uma diarreia daqui a 10 minutos e vamos para o caraças, essa é a realidade. As coisas que o dinheiro não compra na verdade são o que realmente importam. O amor pelo próximo, fazer o bem. Eu costumo fazer isso e dizer isso a toda a gente que me rodeia, vamos fazer o bem porque é a única coisa que fica. Nós nascemos sem nada e não vamos levar nada. O dinheiro é tão importante porquê? Para quê? Claro que é importante e dá-nos coisas muito boas, mas aquilo que realmente é bom e tem valor, são as coisas que o dinheiro não pode comprar.

Houve alguma coisa que o tenha chocado mais nos dias que passou no IPO do Porto?
Ao início foi muito complicado, porque eu via pessoas a morrer à minha frente todas as semanas. Não quero estar a exagerar, mas todas as semanas alguém morria ali ao nosso lado e eram essas coisas que nos faziam pensar. Porquê? O que é que andamos aqui a fazer?

Apesar disso tudo consegue um contrato para o Estrela Vermelha, da Sérvia, logo a seguir.
Comecei a ficar em forma, as coisas correram me bem nos últimos cinco, seis jogos, apesar de não me pagarem o salário porque estavam com dificuldades. Depois desceram três ou quatro divisões por causa disso. Entretanto, num jogo contra o Lokomotiv, fiz um jogo muito bom, o treinador deles viu-me, ligou e queria levar-me para o Estrela Vermelha porque ele foi para lá. Chegámos a acordo e fui para lá.

Muito diferente a Sérvia da Rússia?
Tem duas equipas muito fortes, o Estrela Vermelha e o Partizan. Mas o futebol tem muita qualidade e não é por acaso que todos os anos vêm 20, 30, 40 jogadores sérvios para as Ligas mais fortes.

Como foi a adaptação? Foi mais fácil?
Foi muito fácil. Belgrado é uma cidade incrível e depois assinei por um clube fantástico. Não tenho adjectivos para descrever aqueles adeptos e aquele clube. Porque foi realmente incrível jogar lá. 

Esteve lá duas épocas.
Sim, dois anos.
Tem alguma história engraçada de lá que possa contar?
Tenho algumas. Marcar um golo num dérbi lá é algo incrível e os amigos diziam: “se marcares um golo, as pessoas vão começar a idolatrar-te de uma forma que não vais perceber”. E eu: “Ah é? E se eu marcar dois, o que é que vai acontecer?” (risos). “Dois, és maluco, já estamos em segundo, se ganhamos e passamos para primeiro, nunca mais podes sair de casa. Marcar dois golos, tu não estás a perceber...”. E no dérbi eu marquei dois golos incríveis.

E?
Isto foi à quinta ou sexta jornada. E a verdade é que tinha montes de gente em minha casa à minha espera. Não sei como é que eles sabiam onde é que eu vivia, mas tive de andar com seguranças durante algum tempo, apesar de nunca ter tido nenhum problema. Até os adeptos do Partizan me respeitam de uma forma incrível. Têm videos no youtube em que os vemos a atirar petardos e objectos para os meus colegas e, quando sou eu a sair, alguns aplaudem e não atiram nada. Também fui o único jogador na história deles a pedir desculpa, no dérbi, ao adversário, porque no meu primeiro golo fui festejar para a bancada que normalmente era a nossa, mas naquele jogo era deles e eu não me apercebi. Começaram a chover cadeiras, a insultar-me, o que é normal, mas depois eu pedi desculpas e foi um respeito muito grande quer de uma parte, quer da outra. Foi bonito, são essas coisas que ficam do futebol.

O que fazia nos seus tempos livres?
O mesmo de sempre, ficava por casa, ia almoçar fora, jogava PlayStation, nada de especial. 


É lá que conhece a sua actual mulher e mãe da sua filha.
Exactamente.

Como é que se conheceram e o que ela faz ou fazia profissionalmente?
Ela estudava na universidade de direito e trabalhava lá. A família dela é toda de direito. A irmã é juíza, o pai é advogado e a mãe era directora do hospital da cidade dela . A prima dela é uma jornalista muito conhecida lá, com quem eu me dava muito bem. Eles lá chamam irmãos aos primos e primas e conhecia-a assim, através da prima jornalista. Num jogo levo uma pancada quando vou cabecear, fiquei meio tonto, não estava muito bem e essa amiga jornalista foi lá a casa levar-me fruta e a Nina estava no carro, não queria entrar. Então fui lá fora e convidei-a a entrar. Ela entrou um bocadinho e foi aí que nos conhecemos. Depois fomos falando. Isto foi em Junho do ano seguinte.

Já casaram?
Ainda não. Começámos a namorar, mas eu queria muito ter um filho e falei com ela sobre isso. Ela ao início não queria, chamou-me maluco, mas depois eu lá a convenci (risos) e as coisas andaram rápido e bem. Eu precisava de uma princesa, neste caso, para me dar outra vontade de viver, outros objectivos.

É nesse ano ainda que vai para o Japão?
Fui para o Japão no ano seguinte, em 2016/2017. Fiz seis meses e em Dezembro e fui para o Yokohama Marinos do Japão.

Como é que surge?
Ligaram para o clube a mostrar muito interesse por mim e compraram-me ao Estrela Vermelha, apesar de eles não me quererem vender. Só que eu só tinha contrato até Junho e não queria renovar. Não era não querer renovar, mas precisava ganhar dinheiro e era um contrato muito vantajoso tanto para mim como para eles. E eles venderam-me por um milhão e fui para o Japão.

Nessa altura a Nina já estava grávida?
Sim. Mas só começamos a viver juntos quando fomos para o Japão. A Bianca nasceu a 29 de Março. 

Como é que foi chegar a um país tão diferente, com uma língua completamente diferente?
Ao início não foi fácil porque o Japão, para quem não conhece, é muito complicado. A língua, os japoneses ao início são um bocado estranhos, são um bocadinho frios, tens de conquistar a confiança deles, tens de mostrar que és boa pessoa. Mas depois são incríveis e é o país que hoje elegemos como o melhor do mundo.

A sua filha nasceu lá?
Nasceu.

Assistiu ao parto?
Sim, foi a sorte da Nina, se não não sei como é que ia ser.

Porquê?
Porque custou-lhe muito. Para já eles têm muitas regras nessas coisas. Por exemplo: não dão epidural, não dão remédio nenhum para as dores, tem que ser mesmo ao natural, por causa da cultura deles. E foi muito complicado, ela esteve 30 horas em trabalho de parto.

Quando a Bianca nasceu o que sentiu e a quem ligou primeiro?
Ah, é a melhor sensação do mundo. É um misto de emoções. Liguei logo à minha mãe.

Para si era indiferente o sexo?
Gostava muito de ter um menino, mas eu quero é que venha com saúde que é a única coisa que importa. E estou muito feliz por ter sido uma menina. A Bianca é uma menina muito especial. Quem a conhece sabe muito bem disso, é uma princesa muito especial. Toda a gente que passa por ela na rua, fica apaixonado (risos). É loirinha, de olhos azuis, muito simpática para toda a gente, não estranha ninguém. Só conhecendo mesmo, é muito querida. Mas eu quero mais filhos.

A sua mulher, depois de 30 horas de parto, está disposta a isso? Há outra solução?
Se eu quero muito, acho que não há outra opção porque, como disse há pouco, sou uma pessoa de ideias muito vincadas (risos). Mas sim, vamos ter mais filhos com certeza, se Deus quiser.
Voltemos ao futebol. O que achou do futebol no Japão?
Muita gente confunde o Japão com a China. A diferença é grande e isso dá para ver nas selecções, tem um campeonato muito forte, com sete ou oito equipas a lutar pelo título, com orçamentos muito grandes.

O Hugo adaptou-se logo ao futebol deles?
Curiosamente sim, as coisas correram muito bem desde o início. Comecei no banco, mas entrei e fiz uma assistência no primeiro jogo, marquei no segundo. As coisas correram muito bem, não foi por acaso que há dois anos marquei mais de 40 golos.

Tornou-se num ídolo lá.
Sim. Aliás dá para ver nos vídeos da minha despedida. No jogo da despedida, uma hora e tal depois do jogo acabar, eles chamaram-me porque tinham adeptos que não se iam embora sem se despedirem de mim. Pensei: está bem vou lá e estão meia dúzia de pessoas. Mas quando saio e vejo mais de 20 mil pessoas a gritar o meu nome, a chorar e a pedir para não ir embora... foi sem dúvida uma das mais bonitas histórias que vivi no futebol e das mais emocionantes. Emocionei-me muito, eles também, até hoje ao falar disso me emociono porque estares tão longe da tua casa e sentires-te tão querido, com tantas bandeiras do teu país. Crianças, adultos, idosos a chorar e a pedir para eu ficar... Foi sem dúvida algo que me marcou muito.

Não tem nenhuma história de lá que possa partilhar?
Tive uma história muito curiosa em Bangkok, na Tailândia. Fomos para lá estagiar. Tínhamos um dia livre e fomos passear. Só que para os japoneses as regras são fundamentais. Nós tínhamos de estar às sete horas para jantar e se não estás, estás tramado. Fui com um colega para o centro de Bangkok, eram mais ou menos 25 a 30 minutos de carro e fomos tranquilos. Às cinco da tarde íamos voltar para o hotel, para podermos descansar um bocadinho antes do jantar. Entrámos no táxi e perguntámos quanto tempo é que demorávamos e ele disse-nos três horas por causa do trânsito. “Hã? Estamos desgraçados. O que é que vamos fazer à nossa vida”. Então alugámos um táxi mota e lá fomos, sem capacete, pelo meio do trânsito de loucos de Bangkok e demorámos só uma hora e cinquenta. Chegamos mesmo em cima da hora (risos).

A equipa não deu por nada?
Não, não. Só passados seis meses é que souberam. É que nós temos no contrato que não podemos andar de mota. Mas foi a única solução que tivemos para não chegar atrasados. Se não, meu Deus (risos).

Do que gostou mais e menos do Japão?
O que gostei mais foi da cultura deles, como tratar o próximo, como respeitar o próximo. Quem conhece o Japão sabe que é de longe o melhor país do mundo. O que menos gostei foi da distância, é de facto muito longe. Mas de certeza que vou lá voltar.

Houve alguma comida ou alguma coisa que tenha sido muito estranha para si? Ou alguma coisa de que tenha gostado mais?
Eu não sou a melhor pessoa a quem perguntar isso, porque como a minha mãe diz, eu tenho uma boca santa. Como tudo, não tenho qualquer tipo de problema com a alimentação, seja aqui, no Japão, na China, qualquer lado. Gosto de tudo.

Algum hábito deles que tenha achado mais complicado ou pelo contrário, houve algum que tivesse adoptado?
Eu apaixonei-me pelo Japão. Gosto muito da maneira deles serem, o que eles faziam, do agradecer por tudo, baixar a cabeça, dobrado, eu fazia isso tudo e adoro.

A sua mulher, a Nina, adaptou-se bem ou custou-lhe?
Ao início custou-lhe bastante, ainda por cima com a Bianca era complicado. Só que depois, quando somos pais, começamos a pensar mais nos nossos filhos do que em nós. Ela quer muito voltar para lá, apesar de termos saído de lá há pouco tempo. Também estou muito bem na Turquia, têm-me tratado muito bem, apesar de me ter lesionado.

Foi para a Turquia em Janeiro deste ano.
Sim. Assinei no dia 28.

Porque é que foi para a Turquia, era um contrato melhor?
Não, tinha contratos muito mais altos no Japão, só que a minha mãe teve um problema grave de saúde e eu optei por vir para mais perto. Graças a Deus está resolvido e ela está bem. Teve um cancro no estômago. Voltei ao IPO.

Como é que foi voltar ao IPO?
Só fiz isso por ela, por ser ela, porque foi um “deja vú”, foi muito difícil. Mas já passou.

Passar do Japão para a Turquia...
...É do 8 ao 80. São muito desorganizados, quando te dizem uma coisa se calhar não é bem assim. No Japão, o que eles dizem é como num contrato. São muito organizados. Quando dizem às três a entrevista, às duas e cinquenta e nove está tudo pronto e tens que estar já pronto e não começam antes, deixam o relógio bater as três e aí é que começa mesmo. Adoro isso.

Foram os três para a Turquia?
Elas infelizmente ainda não tiveram a oportunidade de ir porque eu fui, cheguei a acordo, assinei, fui treinar e lesionei-me. Fiz uma ruptura de ligamentos no joelho esquerdo. Ou seja, eu fui para a Turquia e elas foram para a Sérvia, para passar lá uma semana ou duas com a família da Nina, e depois vinham ter comigo à Turquia, mas nem deu tempo. Eu lesionei-me e voltamos todos a Portugal, fiquei cá a recuperar.

Vai continuar na Turquia?
Sim. Vou ficar mais uns tempos aqui, porque ainda estou com quatro meses de recuperação. Diziam que seriam nove meses de recuperação, mas eu vou voltar com quatro meses e meio, nada mau.

A Nina e a Bianca vão consigo?
Vão. Há pouco falou-nos dos seus negócios.

Como e quando surgem?
Temos de preparar o futuro e eu investi no ramo imobiliário, criei uma empresa de construção e remodelação, HV Building, e tenho também uma agência de viagens, a Best Trip.

Está a gostar de ser empresário?
Muito. É uma responsabilidade muito grande e anda aí muita gente a mentir em coisas tão sérias. Porque a maioria das pessoas só pode ter uma casa na vida e é uma grande responsabilidade dar a casa de sonhos ao cliente. Felizmente, as pessoas têm confiado muito em mim e eu tento retribuir da melhor forma. Já fizemos umas remodelações importantes, e neste momento estou a construir do zero 10 vivendas. Quatro em Barcelos e seis na Póvoa.
O futuro depois de pendurar as botas vai passar por aí, longe do futebol?
Não sei. Não penso muito nisso. Quero estar ligado ao futebol sempre, mas claro que vou ter os meus negócios, já tenho.

Vê-se como treinador, como empresário?
Mais como empresário ou como presidente de algum clube. Vamos ver.

Alguma vez foi chamado à Selecção?
À Selecção A, nunca.

Ainda tem esperança de lá ir?
Não tenho esperança, porque isso é algo que não posso controlar. Se dependesse de mim ou se não fosse como é, eu já tinha lá ido há muito. Só que eu apareci no futebol sozinho, sempre conquistei tudo sozinho e toda a gente sabe que eu já merecia ter ido há muito tempo.

Por que razão não foi, tem ideia?
Não sei. Ganhei tudo o que tinha para ganhar, prémios colectivos e individuais, especialmente no ano da Sérvia, quando se falava que tínhamos uma crise muito grande de avançados e não me chamaram. Mas, pronto. Sinceramente não estou preocupado com isso. Estou preocupado é com aquilo que posso controlar que é jogar bem e marcar mais de 20 golos este ano, como tem sido nos últimos cinco anos e é isso que vou fazer com toda a certeza.

É crente?
Sim, sou muito. Acredito muito que existe algo para lá desta vida.

Tem superstições?
Sim, às vezes. Não é bem superstição, é ajudar o próximo por exemplo. Acho que isso me trás sorte, pelo menos faz-me sentir muito bem, que é o que importa.

Com certeza que ficou com muitas recordações da Edina. Houve alguma coisa dela que fizesse questão de ficar para si?
Não. Fiquei com as memórias e com alguns objectos pessoais. Normalmente beijo a tatuagem que tenho no braço e que representa as nossas mãos e as alianças. Fiz depois dela falecer.

De todos, qual foi o melhor treinador que teve e o pior?
O melhor foi o Rui Quinta. Está muito à frente dos outros, é muito forte a ver o jogo, os erros tácticos, os jogadores. É de longe o melhor treinador que apanhei. Do que gostei menos foi o último treinador que tive no Japão porque vê-se bem que nunca jogou à bola. Tínhamos em média uma hora de treino e três de palestra, por isso dá para ver que nunca jogou à bola. Não é por acaso que ninguém gostava dele. Também foi um dos motivos pelos quais saí. Quero jogar à bola, mas também quero ter um mínimo de tempo para a minha família e não tenho de estar fechado numa sala durante três horas a ouvir alguém falar coisas que não são verdade. Enfim, treinadores, é muito complicado também. 

Qual o seu clube de sonho onde gostava de ter jogado ou ainda vir a jogar?
Não tenho assim nenhum clube de sonho. Claro que gostava do Real Madrid, mas agora está difícil porque já tenho 31 anos. Mas a Premier League para mim é o melhor campeonato do mundo.

Vai acompanhando o futebol português?
Sim, tento acompanhar e deixa-me muito triste ver a qualidade de ano para ano a regredir. Custa-me muito ver um campeonato com tão pouca qualidade. Não é tão pouca qualidade, tem qualidade, mas se formos a ver as estrelas do meu tempo e as de hoje, não tem comparação possível. Mas, pronto, é um bom campeonato para te mostrares e para ires para outros campeonatos, apesar de depois não jogares tanto e não seres tão visto.

Acha que piorou assim tanto?
Sim, piorou muito e não é por acaso que até a Rússia nos passou e agora até o Porto vai ter de jogar a pré-eliminatória para entrar na Liga dos Campeões. Acho que só não vê quem não quer: ou mudamos isto e começamos a encarar como um desporto e não como um negócio, ou então isto vai piorar cada vez mais.

Isso acontece um bocado por todo o mundo, o ser um negócio. Porque é que acha que está pior em Portugal?
Não é em todo o mundo. É um negócio sim, só que na Premier League só joga quem tem qualidade e não quem convém jogar e não há tantos problemas com o VAR.

Considera que o VAR não veio ajudar?
Só veio confirmar, constatar factos. Coincidência ou não, os grandes é que são os mais favorecidos e só eles é que ouvimos a falar dos árbitros. Isso só acontece em Portugal. Em Inglaterra, isso não acontece, em Espanha também não, no Japão também não, mas na Turquia isso também acontece (risos). É só em países, lá está, em que o futebol é mais um negócio do que um desporto.

No futuro está a pensar viver em Portugal?
Ando um bocadinho pelo mundo, mas o meu cantinho vai ser sempre em Portugal. É aqui que me sinto em casa. 

Para si quem é o melhor jogador de todos os tempos até hoje?
Ronaldinho Gaúcho.

Continua a ser, mais do que Messi e Ronaldo?
Sim. Para mim vai ser sempre o melhor. Claro que o Cristiano é incrível, é o melhor português, mas do mundo para mim é o Ronaldinho. Ele fazia aquilo que ninguém faz, nem nunca ninguém vai fazer. Era algo inacreditável.

Qual é a sua maior qualidade? A sua mais valia enquanto jogador?
A minha personalidade. Hoje tenho o que tenho e sou o que sou pela mentalidade forte. Existem milhares de pessoas com mais qualidades do que eu, só que a cabeça é que manda, a cabeça é que faz toda a diferença.

Conte-nos mais uma história para terminar.
Sempre que digo que vou marcar um golo, eu marco, é incrível (risos). No meu ano de estreia no Gil Vicente, contra o Benfica, o João Coutinho, que tinha ido jogar para o Chaves, ligou-me e eu disse-lhe: “podes ter a certeza absoluta de que vou marcar golo”. Parece que ele apostou lá no balneário do Chaves: “aposto com quem quiser que o Hugo vai marcar golo”. E eles: “o quê? O Gil acabou de subir, o Benfica vai cilindrá-los”. Na altura a equipa era o Salvio, o Cardozo, o Aimar, o Gaitan, o Saviola, o Matic, Witsel, era só essa equipa. Ele insistiu: “está bem, quem quiser apostar, eu aposto. Nem que percam 10-1, o Hugo disse que vai marcar, por isso vai marcar com toda a certeza.” E curiosamente fiz o golo, fiz o 2-1, depois acabámos por empatar 2- 2 e fazer uma grande surpresa. E ele ganhou as apostas (risos). Lembrei-me de outra.

Força.
Eu sou um jogador com uma confiança fora do normal. Tenho histórias de quando era miúdo, em que a humildade e eu não nos dávamos muito bem. O Paulo Alves contou esta noutro dia. Estávamos na II liga e no dia em que joguei contra o Porto do André Villas Boas, que tinha o Hulk, o Falcão, etc., para a Taça da Liga, de manhã meti no Facebook : “ótimo dia para marcar dois golos”. Quando chego lá para almoçar, antes do jogo, o mister disse-me: “puseste isto no Facebook. Apaga isso, és maluco, vais jogar contra o Porto.” Eu lá apaguei. Empatámos 2-2, foi o único título que o Porto não ganhou porque empatou connosco e eu marquei os dois golos (risos). Ele ainda hoje fala disso. E outra coisa: ele dava a equipa, e eu nos primeiros tempos com ele não jogava muito, ia para o banco. Ele dava a equipa, ia ter com ele: “então mister hoje não é para ganhar? Não quer ganhar?”; e ele: “o quê? Claro que que quero ganhar. Porque é que dizes isso?”. “Então, não vou jogar, meteu-me no banco” (risos). Os meus companheiros riam e gozavam comigo. Eles gozavam antes e eu gozava depois do jogo, quando dizia que marcava e marcava."