Últimas indefectivações

domingo, 17 de março de 2019

Mais uma...!!!

Sporting B 0 - 3 Benfica
Evy, Geyse, Cristo


Nova vitória em Alcochete (à porta fechada!!!), desta vez num jogo um pouco 'menos fácil', porque o Sporting 'baixou' 6 jogadores do plantel principal, para evitarem nova goleada!!!

PS: Parabéns à Rochele Nunes, pelo Bronze, na categoria de +78 Kg., no Grand Slan de Ecaterimburgo, de Judo.
Com a Telma a 'voltar' ao normal, e com a Barbara e a Rochele, podemos vir a ter muitas alegrias no futuro próximo!!! Recordo que este é o 2.º Bronze do ano da Rochele, depois do 3.º lugar conquistado em Telavive.

As Águias ep. 28 - Belém, Dínamo e pré-Moreirense

Futebol, música e arte

"Hoje, em Moreira de Cónegos, o Benfica tem 'outra final'. Com o colinho dos seus adeptos, tem de ultrapassar a equipa surpresa da Liga

1. Escrevo olhar a Ria de Aveiro. O sol começa a desaparecer a uma brisa, bem marítima, arrefece este final de tarde em que, uma vez mais, aqueci a alma com uma outra vista ao Museu Vista Alegre. Local onde há magia e criação, devoção e ambição, coração e arte. E com uma empresa bem portuguesa, a Visabeira, a mostrar, também com o seu acolhedor Montebelo Vista Alegre, a sua capacidade de gestão e a sua ousadia na inovação e a garantir que em 2024 - data em que se comemoram os duzentos anos de uma «grande fábrica de loiça, porcelana, vidraria e processos químicos» - a festa seja linda, rija e merecida. E recordo, sentindo a brisa que já nos arrefece, os três fantásticos golos de Cristiano Ronaldo ao Atl. Madrid, a vitória suada do Benfica face ao Dínamo Zagreb - com dois golos do outro mundo de Ferro e Grimaldo! - e a convocatória emotiva, mas bem justa, de Dyego Sousa, Diogo Jota e João Félix para os primeiros difíceis confrontos de Portugal na luta pela defesa do seu titulo europeu! E quer a Sérvia quer a Ucrânia são, à partida, os adversários mais temidos nesta caminhada que terá uma interrupção em Junho para a disputa, que desejamos vitoriosa, da final four da Liga das Nações. E, aqui, com este sol que se apaga e estas porcelanas que nos encantam, são bem verdadeiras as palavras de Vítor Hugo: «É triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve»! Vale a pena olhar e ouvir para a fonte de Quinta da Vista Alegre, limpar os olhos com esta água cristalina e subir um pouco e agarrar a história de Portugal dos últimos 200 anos, olhando, maravilhados, para os pratos e as terrinas, os copos e as peças especiais, as jarras e as canecas, os bules e asa floreiras, as chávenas e os tinteiros, as garrafas e os pires que enchem, entusiasmado-nos, este museu cada vez mais procurado e cada vez mais visitado. E, tal como acontece no fantástico concerto de André Rieu no Altice Arena, - a não perder, aviso! - sabemos bem com Miguel de Cervantes no seu Don Quixote que «onde há música não pode haver coisa má»!

2. E música entusiasmante, clássica e moderna, proporcionou-nos uma vez mais esta semana Cristiano Ronaldo. Levou a Juventus aos quartos de final da Liga dos Campeões, esmagando um convencido Atl. Madrid, e vai defrontar uma das equipas surpresa desta edição da Liga dos Campeões, o Ajax. Que goleou o Real Madrid e determinou uma mini revolução - para já! - com o regresso de Zidane, já vitorioso, ao comando técnico de uma equipa destroçada. Mas o que os quartos de final das duas competições europeias evidenciam é o claro domínio inglês (seis clubes em dezasseis) o que significa que o futebol inglês é claramente contra o brexit. Se ouvimos falar, numa incerteza permanente, na saída do Reino Unido da Europa, constatamos, ao invés, que o futebol inglês quer conquistar este ano a Europa. E salta à vista o desaparecimento de clubes franceses e russos e, no que respeita a estes últimos, com bons indícios lusitanos no que respeita ao ranking da UEFA. E, depois, a Espanha também mostra a sua força (com três clubes em dezasseis) e os futebóis italiano e português evidenciam a sua relevância com dois clubes em dezasseis. E sobram em verdadeira resistência o Eintracht Frankfurt como representante do dito forte futebol alemão. e a surpresa checa do Slavia Praga. Que deitou para fora da Europa um dos clubes mais titulados do futebol europeu nas últimas épocas, o Sevilha. O que vemos são, entre outros, grandes confrontos como o Futebol Clube do Porto - Liverpool ou o Manchester United - Barcelona. Ou o Nápoles - Arsenal e o Benfica de Bruno Lage face ao Eintracht Frankfurt liderado pelo austríaco Adi Hutter. E esta equipa alemã ainda não perdeu nesta Liga Europa... Oito vitórias e dois empates em dez jogos! Convém, de verdade, olhar para os números. Mas nada que impeça a forte crença na equipa de Bruno Lage, na sua clara e lúcida liderança e no regresso confiante ao Seixal dos quatro jogadores convocados por Fernando Santos para o arranque da fase de grupos do Europeu de 2020! Sendo o Benfica, a par do Wolverhampton de Nuno Espírito Santo, o clube mais representado na lista dos vinte e cinco escolhidos por Fernando Santos para este tempo de selecção. E depois deste tempo teremos as grandes finais. Na Liga interna e nas ligas europeias. Na Taça de Portugal e, também, nos mecanismos de condicionamento, que se multiplicarão, fora dos relvados. E eles já aí estão. Mas, regressando ao concerto extraordinário de André Rieu - não percam! - e acompanhando Beethoven direi que «milhares de pessoas cultivam a música, poucas porém têm a revelação desta arte». Como da pintura ou da porcelana. Da nossa Vista Alegre! Como da forma única e do talento singular de Cristiano Ronaldo!

3. O Sporting jogou na sexta, o Futebol Clube do Porto ontem e hoje em Moreira de Cónegos o Benfica tem outra final. Hoje o Benfica, com o colinho dos seus adeptos, tem de ultrapassar a equipa surpresa desta edição da Liga NOS. Hoje o Benfica, depois do empate que doeu na passada segunda-feira, sabe que os três pontos são fundamentais para a assumida e ambicionada reconquista. Sabemos bem que cada jogo é uma final. Mas, tal como frente ao Dínamo Zagreb, estamos certos que este concreto Benfica tudo fará para alcançar a vitória e fazer-nos acreditar que a reconquista é um sonho possível. E sabendo todos que o calendário exige acrescidas cautelas e que a gestão do esforço determinará opções necessárias. Como no ensinou o extraordinário Fernando Pessoa «reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem»! E hoje ao meio da tarde em Moreira de Cónegos combinaremos crença com necessidade sabendo bem que a necessidade é terna. E é esta ternura que sabe bem ao futebol. Ao futebol que nos entusiasma no arranque de cada jogo, em particular das competições europeias. Os hinos das Ligas aquecem as almas e entusiasmam-nos. Como cada vez que escutamos o hino do nosso clube ou o hino de Portugal! E, assim, combinamos futebol, música e arte! E como nos ensina Goethe «só a arte permite a realização de tudo o que na realidade a vida recusa ao homem»!"

Fernando Seara, in A Bola

Ordem, desordem, concentração e surpresa

"Por vezes o mais surpreendente é não haver surpresas. É preciso adormecer antes o adversário, e durante muito tempo

Dois perigos
1. Paul Valéry escreveu que «dois perigos ameaças constantemente o mundo: a ordem e desordem». Esses dois perigos ameaçam também, uma equipa. Sem ordem e hábitos de treino nada feito. Mas o problema da ordem é que se torna, claro, previsível. Ordem e disciplina, portanto, não bastam.
Podemos então pensar, em alternativa, numa ordem com surpresas. Tornar a estratégia de uma equipa previsível até ao momento em que, subitamente, aparece a surpresa decisiva.
Porém, podemos dizer que há uma dose máxima de surpresa recomendada. Se o treinador planeia uma surpresa a cada cinco minutos talvez a surpresa deixe de ser surpresa. É preciso adormecer antes o adversário, e durante muito tempo.
O filósofo Wittgenstein dizia precisamente o seguinte:
«Se disseres a alguém que quando chegar a cada vai ter uma surpresa, se ele chegar a casa e não tiver uma surpresa, vai ficar surpreendido».
E sim, no jogo funciona da mesma maneira: por vezes o mais surpreendente é não haver surpresa. Só assim, por exemplo, será possível vencer um adversário que se preparou para muitos imprevistos.
Se alguém se prepara apenas para o imprevisível será vencido pelo previsível, eis uma regra básica de bom senso.

Dois modos opostos de ser o melhor
2. Há dois modos de vencer bem distintos. Dois exemplos, materializados em dois jogadores, mais uma vez, nesta semana, foram essenciais.
Messi, a desordem colocada em cheio no centro do adversário. A surpresa: no meio do que se compreende aparece o movimento que ninguém espera.
E Ronaldo, não tanto a surpresa, mas sim: a ordem mais eficaz, mais potente do que todos as outras. Salta previsivelmente mais alto, chega previsivelmente mais cedo.

Concentração
3. Eu estava concentradíssimo em ir o mais alto e o mais para a frente possível. Esta é uma frase ouvida enquanto esperava pelo metro. Por vezes, agradeço os atrasos constantes dos transportes públicos.
Ver um atleta concentrado, antes de um penálti ou de um salto em altura, é assistir a um momento de anulação completa do exterior. Não há tempo antes nem depois. Quem está concentrado num gesto não tem futuro, nem memória; não há tempo nem espaço em redor. O que há é apenas corpo e tarefa.
Concentração significa etimologicamente: com um centro. Estar concentrado é ter um único centro. E por isso é sempre divertido escutar alguém dizer que está concentrado em três ou quatro projectos. É assim, no mínimo que nascem os torcicolos, físicos e mentais.
É como pensar num atleta que queira ao mesmo tempo, no mesmo movimento, saltar em altura e em comprimento. A coisa não vai correr bem.

Jogador-lupa
4. A potência da concentração bem evidente na lupa que concentra os raios do sol num pequeno espaço, atirando o calor para uma folha de papel. Aquilo que espalhado nada faz, quando concentrado queima.
O que é um atleta de alta competição? Isto: em cada lance de jogo concentra toda a energia na decisão da situação. Jogador-lupa, jogador concentrado, em oposição ao jogador-janela - este distrai-se com tudo o que acontece (está sempre a olhar para o lado de fora).

Dietas
5. A loucura das dietas. Sem x, sem y, sem z. Trata-se de tirar o prato do prato, como quem diz soberanamente: por que razão os vivos, além de estarem vivos, ainda querem prazeres gustativos?
As restrições alimentares são uma invenção claramente do campo da maldade.
O actor americano Joe E. Lewis é bem claro em relação a isto:
«Iniciei uma dieta, abstive-me de beber, comi o mínimo - e em quinze dias, perdi duas semanas».
Uma tomada de posição."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

Eventos desportivos de grande dimensão

"Como é sabido, Portugal tem sido palco de grandes eventos desportivos, sendo que este ano, já em Junho, o nosso país irá acolher a fase final da UEFA Nations League, onde a Selecção Nacional irá estar presente.
A realização de um evento desportivo de grande dimensão implica a coordenação de várias entidades e, muitas vezes, a introdução de regimes legais especiais ou de execução em determinadas matérias, exigências feitas, não raramente, pelos próprios organizadores das respectivas competições.
Assim, foi aprovada em reunião de Conselho de Ministros do dia 7 de Março uma proposta de lei que estabelece o regime fiscal das entidades organizadoras das finais das competições UEFA Nations League 2019 e UEFA Super Cup 2020, que se realizam em Portugal.
Diz o comunicado do Conselho de Ministros: «Uma das condições da UEFA para a escolha do país responsável pela realização deste tipo de competições é a definição, a nível nacional, de um regime fiscal especial aplicável aos rendimentos das entidades não residentes associadas a estas finais, designadamente às entidades organizadoras, às associações dos países e aos clubes desportivos, aos respectivos jogadores e às equipas técnicas participantes. O regime fiscal proposto é um tudo idêntico ao que foi aplicado aos rendimentos auferidos no âmbito do Euro-2004, bem como nas finais das competições UEFA Champions League e UEFA Women's Champions League em 2014. A fase final da UEFA Nations League 2019 terá lugar entre 5 e 9 de Junho no Estádio do Dragão, no Porto, e no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, estando a final da UEFA Super Cup 2020 agendada para dia 12 de Agosto no Estádio do Dragão».

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

O desporto é necessário

"O desporto é mais necessário do que nunca. Os progressos da ciência e da técnica, o desenvolvimento da máquina, da divisão do trabalho, a concentração urbana e as condições de alojamento, o aumento dos tempos de lazer e a melhoria dos níveis de vida transformaram a existência dos indivíduos. A civilização tecnicista fez nascer nele a necessidade crescente de movimento, da necessidade de uma actividade física compensadora, de um jogo e fonte de descontração e de distracção.
Nesta perspectiva, o desporto surge como uma espécie de refúgio seguro, permitindo preservar a integridade física e moral do Homem, face a certas ameaças do mundo moderno. Ele é o antídoto da uniformização imposta pelas estruturas sociais actuais e a passividade nascida das novas formas de trabalho e de lazer.
O desporto tornou-se um dos temas principais da imprensa escrita, falada, e da televisão, e o espectáculo desportivo explica, em grande parte, o interesse que tem uma actividade como um fato social. O desenvolvimento das actividades desportivas não é desprezível.
A actividade desportiva não tem o mesmo significado para todos. Cada indivíduo carrega consigo o seu temperamento, as suas possibilidades, as suas exigências pessoais. Ele dá um conteúdo original ao desporto e isso traduz-se: nas intenções, pela vontade de ultrapassar os seus limites; e na intensidade, por uma preparação, uma participação nas lutas desportivas e um esforço que varia segundo cada um. Trata-se, bem entendido, de envolvimentos na disciplina escolhida e no desejo de progredir.
O bem-estar e os perigos não são idênticos para todos. O desporto de alto rendimento distingue-se do desporto de massas. Para a sua elite, e para aqueles que se esforçam por o ser, a actividade desportiva exige um compromisso de todo o ser, uma disciplina a cada momento. Ele ocupa os pensamentos e orienta a maior parte das acções. O desporto favoriza as qualidades naturais e permite a afirmação da personalidade, ele revela o seu próprio valor. Ele é factor de promoção, pelo que a sua essência é a procura da performance, do resultado, uma vontade de se ultrapassar levada ao extremo. Para as massas, esta vontade existe, mas ela não é atingida pela mesma permanência, porque o atleta “amador” é submetido a obrigações que preenchem o essencial da sua vida. Apenas consagra à sua prática desportiva de eleição uma parte, mais ou menos grande, do seu tempo de lazer. O desporto para si é, antes de mais, um jogo, uma distracção, cuja a qualidade excepcional é indissoluvelmente ligada ao seu carácter de luta e de competição, a que poderemos chamar de “princípio de predação”. A vitória para o praticante é efémera. A vida quotidiana deixa pouco espaço para as preocupações desportivas.
O desporto não é aceite por todos unanimemente. Existe uma separação entre a intenção e a prática. De forma lapidar, “fala-se muito, e pratica-se pouco”. Os portugueses que o digam. Se as precauções necessárias foram tomadas contra os excessos possíveis, o desporto pode contribuir para o progresso humano.
O desporto cria situações variadas, fazendo jogar alguns opostos. Ele reflecte uma realidade quotidiana e contraditória. Ele revela a oposição e os limites de cada um. Ele faz surgir com brilho, e com drama, os valores mais elementares, isto é, os mais profundos. Ele promove, a aqueles que não recusaram o esforço, o conhecimento de si mesmo e dos outros. Ele pode ajudar o homem e a mulher na luta se conhecerem e se compreenderem. Em suma, ele é um incontável elemento de cultura."

Benfiquismo (MXXXI)

À janela...!!!

Dyego Sousa abre a porta a Gabriel

"Cristiano Ronaldo fez o que fez na terça-feira em Turim e a mãe de Cristiano Ronaldo não lhe quis ficar atrás e, na quinta-feira, destroçou também ela muita gente ao vestir-se de vermelho e branco para desejar as felicidades ao Benfica através do Instagram. Os benfiquistas adoraram. Aliás, o namoro entre Dolores Aveiro e os fãs do maior clube português já vem do último dérbi em Alvalade. No fim do jogo, estabelecido o resultado de 4-2 favorável aos visitantes, a mãe de Cristiano Ronaldo respondeu com acenos e um gingar bem-disposto a um cântico que lhe foi dedicado."A Dolores é do Benfica! A Dolores é do Benfica", entoaram os benfiquistas em Alvalade e o momento, que só pode ser entendido com um acto de gentileza mútua, como o quase-hat-trick de João Félix nessa noite. 
Quase-hat-trick porque o número 79 do Benfica marcou dois golos, tendo um sido invalidado pelo VAR, e ainda teve ocasião flagrantíssima para fazer o terceiro num lance anterior à sua substituição. Nesta sua mais recente incursão pelo universo encarnado, teve a mãe do carrasco do Atlético de Madrid (e do presidente do Real Madrid) o cuidado de especificar que não é benfiquista, o que não a impediu de fazer votos de uma "óptima" quinta-feira para a equipa de Bruno Lage. Os votos de Dolores Aveiro não terão contribuído para os três golos sem resposta com que o Benfica despachou o Dínamo de Zagreb ao cabo de 120 minutos de futebol, mas lá que caíram muito bem entre os benfiquistas, caíram. Não há, actualmente, pessoa-não-benfiquista mais apreciada pelos benfiquista do que a mãe de Cristiano Ronaldo. E não será só pelos piores motivos.
O "hacker" de Budapeste soube que vai ser extraditado para Portugal, onde lhe será muito mais fácil estabelecer-se como comentador desportivo "indoor" e João Félix foi convocado para a Selecção A, o seu destino natural. Fernando Santos convocou também Dyego Sousa para os trabalhos. O jogador do Braga tem estatuto de luso-brasileiro e a sua chamada não fere nenhum princípio. A presença de Dyego Sousa no grupo que vai abordar a fase de qualificação para o Europeu de 2020 faz prever que, por um destes dias, seja também chamado por Fernando Santos um outro luso-brasileiro do futebol português, o benfiquista Gabriel. E será pelos melhores motivos.
O sorteio dos quartos-de-final da Liga Europa não foi bom para o Benfica. O Eintracht de Frankfurt é uma complicação a caminho e, em caso de apuramento da equipa da Luz, o favoritíssimo Chelsea seria uma grande, uma enorme complicação. também não teve nada de bom para o Benfica o empate consentido ao Belenenses. Tal como na Liga Europa, também no campeonato nacional tem o Benfica de se esforçar imenso para chegar onde quer. Que se comece já a esforçar amanhã em Moreira de Cónegos."

Sabe quem é? Sem medo de Zamora - Alberto Augusto

"Marcou primeiro golo da selecção, foi primeiro português contratado no Brasil; Benfica emprestou-o, não mais o viu

1. Tendo nascido por Benfica, o jeito para o futebol descobriu-se-lhe no Recreios da Amadora. No Benfica entrou pelas quartas categorias. Aos 19 anos já estava na primeira equipa. Para o Benfica também fora Artur, o irmão - e nessa época de 1917/1918 ambos foram campeões de Lisboa. Decisiva foi vitória por 2-1 com o Sporting - nesse jogo em que ele envolvendo-se em picardia com Boaventura dos Santos foram ambos expulsos (no dérbi nunca tal sucedera).
2. No ano seguinte, o Benfica só não conquistou o primeiro tetra da sua história devido a derrota como Setúbal marcada por lance insólito: Artur, o irmão a quem, como ele, tratavam por Batatinha, marcou penálti - só fez, porém, o golo na recarga e Raul Barros desconhecendo as regras, anulou-o. Ante escaramuça, insistiu na ideia de que a recarga era ilegal - e mantendo o golo anulado, quando o convenceram enfim do erro, mentiu no relatório, escrevendo lá que não o validara por Artur ter tocado com a mão na bola, o que ninguém viu.
3. Quando Cândido de Oliveira fundou o Casa Pia AC, do Benfica debandaram também António Pinho, Clemente Guerra e José António de Almeida - e Artur, o irmão mudou-se para o FC Porto, dizendo-se que se tornara «profissional clandestino», recebendo 1000 escudos ao ano (que equivaleriam nos dias de hoje a menos de 3000 euros). Também o quiseram levar, acabou por ficar no Benfica.
4. Dizia-se que a paixão com que jogava o punha, por vezes, a ferver em pouca água - e ao chegar-se a 1921, no jogo que decidiu o título de Lisboa, em que o Casa Pia ganhou ao Benfica por 2-0, agrediu Jorge Vieira, a estrela do Sporting, que estava a arbitra-lo - e com Vieira incapaz foi John Armour quem apitou os últimos 45 minutos.
5. Quando Augusto Sabbo fez a primeira selecção de Portugal para jogo contra Espanha, convocou-o a ele e ao irmão. Ao saber-se da lista, o Porto entrou em polvorosa, achando que não era equipa de Portugal, era equipa da AF Lisboa (e que Artur só lá estava por ser lisboeta). Quando, no Campo do Atl. Madrid, o árbitro assinalou penálti, Artur, que, quer no Benfica, quer no FC Porto, o fazia, tentou esquivar-se a marcá-lo - por ver na baliza Zamora. Outros, entreolharam-se, displicentes - e ele, ousado, lançou, um clamor: «Deixem que eu bato...»
6. Esse seu remate, na tarde de 18 de Dezembro de 1921, pô-lo ainda mais na história: atirando Zamora para um lado e a bola para o outro - fez o primeiro golo que a selecção de Portugal marcou. Não havia, então, jogador tão versátil como ele, capaz de fazer, em brilho qualquer função no meio campo ou no ataque. (Aliás, não só: indo o Benfica à Catalunha, faltando-lhe guarda-redes, fora ele para a baliza - e as crónicas falaram de si como tendo mostrado «a mestria dos melhores guardiões»).
7. Naquele tempo era normal, clubes pedirem emprestados jogadores para digressões especiais. Foi o que o V. Setúbal fez à partida para o Brasil. Tão fulgurante foi que o América o desafiou a ficar pelo Brasil. Começou por dizer não - mas, quando, a caminho do barco, para o regresso, lhe apareceram com um cheque em branco para ele preencher - disse sim.
8. Quase dois anos andou pelo Brasil (fez, emprestado também, torneios pelo Santos) - e ao voltar, algures por 1925, não regressou ao Benfica: foi para o SC Braga que estava, então, a criar (de forma ainda mais clandestina do que o FC Porto fizera com o irmão) equipa profissional. Jogador-treinador, saltou para o Salgueiros - e em Maio de 1928 esteve, destacado, numa das vitórias mais memoráveis do clube: em Maio de 28 eliminou o FC Porto do Campeonato de Portugal.
9. Ao SC Braga voltou, por Braga espalhou furor fugaz equipa que se chamava Comercial de Braga - e, em 1935 contratou-o o V. Guimarães. Ainda fez por lá o que fizera em quase todos os outros sítios: atletismo. Futebol deixou de jogar à beira dos 40 anos - e passando a treinador apenas não tardou a mostrar também o seu fulgor, sobretudo ao levar o Vitória à final da Taça de Portugal de 1941/1942 (eliminando o Sporting de Peyroteo - e perdendo-a para o Belenenses). E, meses depois, no Campo do Benlheval, por o seu Vitória ter batido por 5-1 o Benfica (de Janos Biri) que, nessa época voltou a ser campeão."

António Simões, in A Bola

Amanhã temos a Final da Taça de Portugal

Benfica 3 - 0 Ac. São Mamede
25-23, 25-19, 25-17

Entrámos em campo após a vitória do Fonte do Bastardo frente aos Lagartos, e não facilitámos...

Amanhã, na Final, a recente 'fácil' vitória sobre a Fonte não quer dizer nada... o contexto de uma Final é sempre diferente. Vamos a eles...!!!

PS1: Parabéns ao Rui Bragança pela Prata no Open da Bélgica de Taekwondo...

PS2: Foi 'só' um 5.ª lugar, mas é o melhor resultado da Telma Monteiro, após lesão... no Grand Slam de Ecaterimburgo. Todos esperamos que seja um regresso à 'normalidade' da nossa veterana Campeã!

Esclarecedor...

Benfica 10 - 1 Modicus

O Modicus é só o 3.º classificado deste campeonato!!! Não foi um 10-1 a uma equipa do fundo da tabela...!!!

Finalmente... vitória e boa exibição!

Benfica B 2 - 1 Penafiel


Uma das melhores exibições dos últimos tempos... Perdi a conta aos golos desperdiçados! Jogámos de facto muito bem, com o Taarbat a dar uma qualidade acima da média...!!!
Ironicamente, chegámos ao golo num 'duplo' frango... o Penafiel empatou sem merecer, e o Sapo deu justiça ao resultado!

Gostaria de ver o Taarbat, após a paragem das Selecções, no plantel principal...

Em mais um jogo, onde o apitadeiro tentou tudo para dificultar a vida ao Benfica... Várias decisões completamente surreais!!!

Foram só alguns minutos, mas o regresso do David Tavares tem que ser realçado, após quase 8 meses!!!

Vitória em Alverca!!!

Benfica 4 - 3 Barcelos

Vitória importante, que garante praticamente o 4.º lugar, num jogo que terminou 'apertado' porque os apitadeiros assim o decidiram!
Estamos ainda longe do nosso potencial, mas estamos a jogar melhor...

Eliminação em Braga...

ABC 23 - 18 Benfica
(9-9)

Inexplicável: depois da vitória contra o Sporting, dois jogos horríveis, o empate 'inconsequente' com o Belenenses, e agora uma eliminação da Taça de Portugal, uma competição onde tínhamos tudo para ganhar...!!!

O futebol inglês em sentido contrário

"O futebol português não terá mais margem de crescimento enquanto o principal objectivo dos grandes clubes for o de destruir a concorrência

O mundo tem vindo a observar, com espanto, as imagens de um parlamento inglês onde parece acontecer, dia após dia, um baile de baratas tontas. Os deputados ingleses andam a tratar da saída, já pouco limpa, da União Europeia. Chamaram-lhe Brexit, num tempo de eufórica arrogância, agora pedem, com a humildade possível, um adiamento da data de saída, não se percebendo bem o que possa mudar nos próximos meses, a menos que confiem, coisa que não é de todo disparatada, na insolvência moral dos negociadores europeus, que os leve a mudar, mais uma vez, de convicções e, sobretudo, de consciência.
Enfim, o mundo não estava habituado a ter, dos políticos ingleses, a imagem de incoerência e de desorientação que tantas vezes foram apontadas como lamentáveis características desses povos pobres do sul de Europa, que, de tanto sol e praias, acabaram por queimar as ideias e sensatez.
Hoje em dia, os políticos ingleses parecem-se cada vez mais com os actores daquela antiga e fantástica série do Yes Minister e não raros são os que têm curiosas semelhanças com o Mr. Bean.
Mas - perguntará o leitor - que propósito terá a questão do Brexit e da salganhada política em que a Inglaterra se meteu, numa crónica supostamente desportiva?
E eu respondo: é que o futebol inglês tem caminhado em sentido contrário ao da política inglesa.
Também no futebol os ingleses foram arrogantes e aparentavam uma atitude detestavelmente superior. Porque tinham inventado o jogo, porque não tinham nada a aprender com os bárbaros do continente, porque os seus treinadores exportavam pelo mundo inteiro aquele futebol directo de todos a correr atrás da bola, como se não houvesse amanhã.
Mas o futebol inglês mudou. Primeiro, mudou pela vontade e determinação politica de acabar com a violência e derrotar o flagelo do hoologanismo; depois, pela louvável inteligência de montar uma esplêndida máquina de negócio; por fim, criando um novo e apaixonante futebol, abrindo as portas dos clubes ingleses aos melhores jogadores do mundo e aos melhores treinadores da Europa, que, por sinal, também são os melhores treinadores do mundo. O resultado, está à vista de todos. Quatro clubes ingleses (Manchester City, Manchester United, Tottenham e Liverpool) nos quartos de final da Champions, e ainda mais dois clubes ingleses (Arsenal e Chelsea) nos quartos da Liga Europa.
Ora, se há situações em que o futebol dá exemplos, este é um deles. O exemplo vem, pois, de Inglaterra, onde o futebol atingiu um superior patamar de organização, de planeamento e, o mais importante, de rigor e qualidade. Virtudes em que, obviamente, a política inglesa mostra, hoje em dia, manifestamente carente.
Poder-se-á dizer que o futebol em Inglaterra são é, apenas, um exemplo de sucesso para a Grã Bretanha. É verdade. Bem poderia ser um exemplo, também, para Portugal, onde as virtudes são, todas elas, singulares. Portugal é excelente na qualidade dos seus treinadores, dos seus jogadores e até já foi excelente na qualidade dos seus árbitros, embora, hoje, já não o seja. Dir-me-ão que falta a qualidade dos dirigentes. É uma meia verdade. Aos dirigentes do futebol português, em geral, nem sequer falta qualidade, o que falta, e muito, é cultura. Cultura desportiva e não só. São capazes de desenvolver modelos criativos e competentes nos seus clubes, mas são totalmente incapazes de entender que o futebol precisa de um modelo organizado e proporcional, que promova o crescimento colectivo, algo que se torna totalmente impossível quando o modelo assenta na destruição da concorrência.

Dentro da área
Palco com vista para o mundo
FC Porto e Benfica nos quartos de final de duas provas europeias é uma excelente notícia para o futebol português, que está a recuperar pontos no ranking, em relação aos russos (já com todos os seus representantes afastados). Na Champions, o FC Porto defronta o versátil e poderoso Liverpool; na Liga Europa, o Benfica decide as meias-finais com o Eintracht Frankfurt. Nem as provas, nem os adversários são da mesma dimensão, mas serão quatro jogos num palco com vista para o mundo. E isso é fantástico!
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

sábado, 16 de março de 2019

Temos de escolher as nossas batalhas

"Slavia de Praga, Villarreal, Valencia, Frankfurt, Arsenal, Chelsea e Napoli. É esta a minha ordem para o sorteio de hoje. Acho que temos boas chances contra Slavia e Villarreal. Valencia, Frankfurt e Arsenal seriam eliminatórias equilibradas. E depois Chelsea e Napoli não seríamos favoritos. No entanto, o facto de ainda haver tantas equipas fortes, acho que devia por em perspectiva toda a competição. A verdade é que o Benfica não tem plantel, pelo menos neste momento, para andar a lutar por duas provas.
O Benfica criou o seu 11 base e sempre que é obrigado a deixar peças de fora desse 11 base, a equipa ressente-se. Jonas com bola é um jogador excepcional. Mas a equipa joga com menos qualidade com Jonas em campo do que jogava com Seferovic em campo. Jonas já tem uma certa idade. Não pressiona, não dá profundidade, é capaz de baixar para construir, mas isso depois tira qualidade no ataque. Seferovic é um jogador insubstituível no Benfica. Primeiro porque não há ninguém que jogue como ele. Segundo porque não há uma segunda maneira de jogar tão eficiente como aquela que criámos quando Seferovic estava em campo. É o caso mais grave no Benfica. Mas há mais. Há gaps consideráveis entre Grimaldo, Pizzi, Rafa e os seus substitutos. Enquanto Corchia consegue fazer o papel de Almeida, Ferro consegue fazer o papel de Jardel e Florentino o de Samaris, há quatro jogadores que quando saem a equipa joga menos bem.
É assim em todo o lado. Quando não joga o Ronaldo na Juventus tem que jogar outro que não tem a mesma qualidade. A diferença é que o outro é o Moise Kean que é capaz de fazer diferença num jogo com um adversário mais frágil. E se não fizer, a Juventus tem 18 pontos de vantagem para o Napoli logo não tem mal. No Benfica os outros são Yuri Ribeiro, Krovinovic, Gedson, Zivkovic ou Cervi que não são maus jogadores, mas que neste momento não fazem grande diferença. Não estão enquadrados com a equipa. Yuri Ribeiro está irreconhecível desde do início da época. Cervi é banal. Krovinovic está lento e mastiga muito o jogo. Todos estes jogadores seriam estrelas num Moreirense. Mas neste momento não são. A confiança não está lá. E o problema é que a nossa margem de erro para o Porto é inexistente.
Grimaldo, Pizzi, Rafa e Seferovic não vão fazer 2 jogos por semana até ao fim da temporada. Se fizerem, o mais provável é que se lesionem ou que acabem por deixar de render o mesmo devido ao cansaço. O Benfica perdeu na Croácia e empatou com o Belenenses não só por erros defensivos, mas porque Seferovic não jogou. Na minha opinião o Benfica devia concentrar-se no Campeonato, prova que tem maior probabilidade de ganhar. Na Liga Europa jogam os substitutos. Não temos plantel para mais. Se ao intervalo estivermos a perder, Rafa e Pizzi não podem fazer 120 minutos para ajudar a equipa a passar. Há outras prioridades. Temos que saber escolher as nossas batalhas."

Liverpool e Eintracht: futebol vertical, com direito a queda no abismo

"Vida muito complicada para os sobreviventes portugueses na Europa. Os adversários de FC Porto e Benfica gostam de quebrar linhas e partir velozes em direcção da baliza contrária sempre que podem, oferecendo na vertigem aos adversários verdadeiras quedas no abismo. É impossível passá-los? Isso já é outra conversa, mas o ponto de partida é muito alto

Liverpool. O Liverpool que arrumou logo na primeira mão os oitavos do ano passado, com o 0-5 no Dragão. Uma equipa inglesa com princípios mais consolidados, embora a lutar taco e a taco e sem poder recuperar fôlego na luta com o Manchester City pela Premier League, e a apresentar alguns jogadores abaixo do nível da temporada transacta, em que, por exemplo, Salah parecia definir sempre bem.
Um futebol feito à base de pressão alta e contrapressão na reacção à perda, assumindo aquele ritmo «heavy metal», «non-stop», de transições velozes e jogo vertical de que Jürgen Klopp tanto gosta. Um futebol em que dás tudo ou não dás nada porque estás fora, está de volta ao caminho do FC Porto, desta vez a visitar primeiro Anfield antes de receber no Dragão.
A análise bem que também serve ao Eintracht. Estável num sistema de três defesas, ajudado pelos laterais, em que figura um competente Danny da Costa, e com passes directos para os dois avançados: Luka Jovic – emprestado pelo Benfica, com a tal miserável opção de 7 milhões –, e um Haller de enorme qualidade. Explosivos, dinâmicos e cirúrgicos, com o sérvio à procura de definir no primeiro momento em que puder, e o francês mais disponível para os apoios centrais e combinações. Por vezes, nas costas dos dois da frente, surgem, com espaço, Rebic ou Gacinovic. Desde a esquerda, Kostic promete ainda inúmeros cruzamentos a reclamar finalização.
Com a força dos de Frankfurt a vir também do jogo interior, a equipa de Bruno Lage terá de encontrar as paralelas para progredir no terreno, a exemplo do que aconteceu no triunfo recente frente ao FC Porto.

Ideias Semelhantes, Agressividade e Velocidade Vários Níveis Acima
O mestre e o aprendiz: Jürgen Klopp e Sérgio Conceição. Não consta que o treinador português tenha procurado directamente inspiração no alemão, mas a verdade é que o «gegenpressing» e a verticalidade extrema terão nascido por oposição e antítese ao futebol de posse tecido por Pep Guardiola no Bayern e até em contranatura face ao sucesso da selecção alemã.
Ao mesmo tempo que a ideia florescia no Borussia Dortmund, equipas como RB Leipzig, Bayer Leverkusen, Hoffenheim e Hertha entre outras, desenvolviam filosofias semelhantes. Em Frankfurt, a «Diva Caprichosa» («Die Launische Diva») ia igualmente projectando uma ideia semelhante. É Klopp quem influencia os restantes treinadores germânicos.
Conceição terá bebido de muitos, e se a sua ideia pareceu vingar por Portugal encontrou no Liverpool uma diferença abismal de qualidade nos jogadores e uma maior certeza nos processos, que deram um triunfo retumbante aos britânicos nesse encontro do Dragão. Aprendiz ou não, a verdade é que a ideia tinha um mestre e foi esse mesmo quem sorriu no fim.
Adi Hütter, com um passado de campeão e vencedor da Taça ao serviço do Salzburgo, implantou os mesmos processos em Frankfurt. Foi ajudado pelo «renascimento» do clube, assente na política desportiva alternativa de Fredi Bobic, antigo internacional alemão de ascendência eslovena e croata, capaz de encontrar soluções em mercados paralelos como os países da ex-Jugoslávia e até em Portugal.

Histórico Pesado Para os Dragões
Terão os dragões aprendido algo com a goleada sofrida no Dragão? Essa será a dúvida que a ter a resposta positiva poderá equilibrar o embate. Porque o Liverpool não está pior.
A história não traz qualquer conforto à equipa de Sérgio Conceição, já que nunca antes venceu os «Reds». São seis jogos, três derrotas e três empates. O primeiro encontro deu-se nos quartos de final da Taça UEFA de 2000-01. Anfield viu um 2-0, as Antas tiveram de contentar-se com o nulo. Sete anos depois, a fase de grupos da Liga dos Campeões de 2007-08 não correu melhor: 4-1 no terreno dos ingleses, 1-1 no Dragão. A seguir, a época passada, nos oitavos de final os tais 0-5, com Sadio Mané endiabrado à solta, e o nulo ao jeito de cessar-fogo na Velha Albion.
Cinco títulos contra dois. Em 1976-77, o Liverpool bateu em Roma o Borussia Moenchengladbach por 3-1. Na época seguinte, novo título continental, agora com o Club Brugge como vítima, em Wembley (1-0). Idêntico resultado abateu o Real Madrid no Parc des Princes, em Paris, na temporada 1980-81. A Roma caiu em 1983-84 no Olímpico (1-1, 4-2 gp) e o «Milagre de Istambul» trouxe dos balneários um 3-0 favorável ao Milan e um Steve Gerrard de punho cerrado ainda a tempo de assinarem uma recuperação épica (3-3, 3-2 gp). Há ainda 3 Taças UEFA na sala de troféus de Anfield.
Contra isto, os dragões apresentam a Taça dos Campeões de 1987, com os golos mágicos de Madjer e Juary, e a Liga dos Campeões de 2003-04. Em Gelsenkirchen, os remates certeiros de Carlos Alberto, do MVP Deco e de Alenitchev confirmam a superioridade inequívoca do FC Porto sobre o Monaco de Didier Deschamps.

O Eintracht Como Tábua Rasa
Benfica e Eintracht nunca se defrontaram em partidas oficiais. Há apenas registo de dois jogos entre os alemães e o FC Porto, durante a Liga Europa de 2013-14: 2-2 no Dragão, 3-3 na Alemanha.
Se os encarnados tiveram três finais da Liga Europa sem vencer uma única (1983, Anderlecht; 2013, Chelsea; e 2014, Sevilha), o conjunto de Frankfurt tem já uma taça no seu museu. Em 1979-80, ganhou na final aos compatriotas do Borussia Moenchengladbach. E se o emblema da Luz vai já em 10 finais europeias e em 8 perdidas, cinco na principal prova da UEFA, o Eintracht apenas teve mais uma, a da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1959-60, em Glasgow, frente ao Real Madrid (7-3).

Milhões, Milhões e Mais Milhões... A Voar?
O incentivo da ideia de quem chega às meias-finais está perto de vencer o troféu também pode ser financeiro. O saldo portista está praticamente em 80 milhões, sendo que chegar às «meias» vale mais 12. Seria extraordinário para os debilitados cofres do FC Porto, há duas épocas consecutivas em contenção, face ao controlo do «fair-play» financeiro da UEFA. E pode nem ficar por aqui. Eliminar o Liverpool, coloca Barcelona ou Manchester United no caminho dos portistas, que vencendo a competição poderiam acabar com perto de 126 milhões só conquistados esta época.
Também o plano financeiro pode ser importante para a equipa de Lage, embora as diferenças para a Liga dos Campeões continuem grandes. Os encarnados já arrecadaram 52 milhões, grande parte pela participação e resultados na fase de grupos da prova milionária, e podem garantir mais sete se chegarem à final de Baku, no Azerbaijão. O vencedor da Liga Europa terá direito a mais quatro e, no total, podem ser 63. Só que o caminho, como já se viu, é complicadíssimo. Mesmo que ultrapassem o Eintracht, teriam ainda de bater Slavia Praga ou Chelsea nas meias-finais.

Grandes Estrelas no Dragão e na Luz
Van Dijk, o senhor 83,4M, e Alisson, 62,5M, são algumas das figuras de cartaz do Liverpool neste seu regresso ao Dragão. Ambos deram grande estabilidade ao sector defensivo dos «Reds», além do que o central holandês acrescenta ao jogo ofensivo, sobretudo nas bolas paradas. Todos os holofotes apontam ainda para o fantástico tridente no ataque formado por Roberto Firmino, Mohammed Salah e Sadio Mané, com o suíço Shaqiri a entrar na rotação. Contudo, a grande estrela é mesmo o seu treinador. Jürgen Klopp é uma fonte de energia constante, que sabe aproveitar o ambiente e utilizá-lo a seu favor.
Do lado do Eintracht, já se enumeraram alguns nomes. Aquele que mais diz aos benfiquistas é o de Jovic, emprestado com uma opção de compra de 7 milhões, miserável para alguém que só agora foi ultrapassado por Lewandowski na luta pelo título de melhor marcador. Os portistas também pensarão que a venda de Gonçalo Paciência, recentemente regressado à competição, terá sido baixa de mais. 
Ao olharmos para a mobilidade, técnica de finalização e até motivação e arrogância positiva, há que não deixar espaço para comparações: este miúdo Jovic nada tem a ver com aquele que não brilhou na Luz.
Os de Adi Hütter, que eram dos 8 apurados para os «quartos» o clube com pior ranking (77º), atrás inclusive do Slavia de Praga (72º), têm um plantel avaliado em valores semelhantes aos das duas equipas lusas: 261,7M, contra 277M do Benfica e 288M do FC Porto. Já o Liverpool não deixa dúvidas, está avaliado em 950,5M, segundo o site especializado transfermarkt.

Herrera, Pepe e Jonas a Fazer Falta
Dois jogadores portistas sacrificaram-se a si próprios durante a batalha no Dragão com a Roma. Herrera, muito importante na pressão alta portista, e o defesa internacional português viram amarelos que os afastam de Anfield, onde até a sua vasta experiência seria importante perante o ambiente que os restantes vão encontrar.
O mesmo se passa com Jonas, que também viu a cartolina, e falha a recepção ao Eintracht. Para um jogador que marca praticamente sempre que joga não deixa de ser uma péssima notícia para Bruno Lage.

Encaixe no Calendário
Em teoria, não serão os quartos de final de Liga dos Campeões e Liga Europa a poder provocar instabilidade em respectivamente FC Porto e Benfica.
Se olharmos para o calendário dos dragões, vemos que depois de dois embates com o Sporting de Braga, o último a contar para a 2ª mão da meia-final da Taça, recebe o Boavista e vai a seguir a Liverpool. Segue-se visita a Portimão e recepção ao Santa Clara. Mais uma vez, em teoria, o grau maior de dificuldade poderá estar no Algarve, mas já com conhecimento do resultado da primeira partida frente aos «Reds». Já uma eventual qualificação poderia ser diferente de encarar mais à frente, com os jogos das meias-finais entre Vila do Conde e Choupana.
Do lado do Benfica, a mesma ideia. Depois do Sporting para a Taça, segue-se a Feira e a recepção ao Eintracht. Recebe depois o V. Setúbal e vai a Leverkusen. Talvez o Feirense surja com alerta mais elevado, mas também aqui umas eventuais meias-finais seriam mais complicadas de gerir, depois da viagem a Braga e antes da visita a Vila do Conde.

Difíceis, Mas Não Impossíveis de Ultrapassar
Quando chegamos a esta altura, surgem também frases-feitas que procuram dar algum equilíbrio a jogos em teoria desequilibrados.
O histórico é desfavorável. O valor de mercado também, o que quer dizer que há muita qualidade nos adversários hoje sorteados. Haverá até baixas importantes em FC Porto e Benfica na primeira mão. O que é importante é que «só termina quando o árbitro apita». Uma verdade absoluta. Há que acreditar."

Comportamento visual exploratório: um fator decisivo para o sucesso no futebol moderno

"Na sequência de um texto neste blog sobre João Félix, “Descodificar um génio”, propomo-nos a abordar a importância do comportamento visual exploratório como contributo para a elevação do futebolista a um patamar de rendimento superior.
A utilização de informação visual está dependente da combinação do movimento ocular e da rotação da cabeça. Neste sentido, a rotação da cabeça permite a todo o momento expandir o cenário visual e, deste modo, dirigir o foco visual para diferentes áreas do contexto que inicialmente estariam inacessíveis. Por sua vez, isso permite ao jogador explorar o cenário visual de forma mais efectiva no sentido de identificar a informação mais importante para resolver uma dada situação de jogo (ex: oportunidade de explorar o espaço entretanto disponível no corredor oposto mediante variação do centro do jogo).
A evolução do jogo de futebol tem criado desafios cada vez mais exigentes ao jogador dado que o espaço cada vez mais reduzido para “jogar” e o tempo cada vez mais limitado para “decidir”, obrigam a que a inteligência e a criatividade se constituam como elementos diferenciadores no perfil de jogador. Assim, os jogadores que forem capazes de antecipar aquilo que vai acontecer no momento a seguir estarão sempre um passo à frente dos demais pois terão mais tempo para ajustar as suas acções ao momento presente e ao futuro cenário de jogo, aumentando o sucesso das suas acções.
Importa ainda notar que alguns estudos têm demonstrado que os jogadores de nível superior tendem a apresentar uma maior exploração do cenário de jogo (medida através do nº de rotações da cabeça por segundo) e que a eficácia de passe aumenta em paralelo com um aumento da frequência deste comportamento visual exploratório (Jordet, 2013).
Em síntese, ao treinador caberá planear as tarefas de treino no sentido destas estimularem comportamentos visuais exploratórios que dependam de um uso criterioso de: 1) foco visual centrado nas variáveis informacionais de referência (ex: bola “coberta”, bola “descoberta”); 2) rotação da cabeça para expandir campo visual e integrar variáveis informacionais de referência (ex: posição da bola e colega mais próximo da linha defensiva).
Possivelmente muitos dos treinadores já incorporam no seu processo de treino estas preocupações. Parece-nos mesmo assim oportuno colocar este tópico em discussão de forma a que se sublinhe a importância de se criarem espaços de oportunidade para a melhoria do comportamento visual exploratório como base para um maior rendimento a nível individual, grupal ou colectivo.
O sucesso pode estar já “ali”, logo após mais um varrimento do cenário visual que permita identificar a informação crítica para uma tomada de decisão mais eficaz.

"

Pedro Tiago Esteves, in Lateral Esquerdo

A magnífica era da Estratégia – De Lage a Pep

"Ponto prévio. O texto está nos rascunhos há algum tempo. Bem antes de Silas ir pontuar à Luz, num jogo em que mantendo sistema, alterou posicionamento da linha média (mais próximo de um quadrado que linha) e com isso impediu o Benfica de criar de forma sistemática. Quem tudo muda, não está a ser estratégico. Está na verdade a ser o oposto do que deve ser a estratégia. Mudar a matriz táctica é mudar o modelo, mudar a identidade. Não é isso que é a Estratégia que marca uma nova era pela mente dos mais inteligentes.
Há sensivelmente um ano atrás, Bruno Lage partilhou com o Lateral Esquerdo a forma como a equipa técnica do Sheffield de Carlos Carvalhal orientava o seu trabalho semanal (vale muito a pena ver aqui com vídeos de observação de adversário, do modelo e do processo de treino)

A nossa preocupação consiste sistematicamente na evolução do nosso jogo e são as nossas ideias que orientam a planificação ao longo dos dias e das semanas.
Nesse planeamento semanal e, consequentemente diário, a organização dos conteúdos de treino são designados em relação directa com a evolução do nosso jogo e as características do próximo adversário, em função da estratégia eleita e, simultaneamente, estabelecendo uma relação própria entre o esforço e a recuperação.
Em função da informação recolhida da análise de desempenho, e na análise do adversário e, tendo em linha de conta, as considerações estratégicas que possamos eventualmente utilizar, idealizamos os nossos exercícios.

Há três anos atrás, referia-me à grande tendência, que continua crescente no futebol actual, como imperativo para vencer jogos em contextos competitivos equilibrados ou perante adversários mais complicados.

Na actualidade, para se vencer qualquer um dos três grandes, há que conseguir combinar três factores absolutamente decisivos. Bastará a exclusão de um dos, para que as hipóteses de tal suceder se minimizem praticamente a zero.
– Modelo de Jogo. Um modelo bem estruturado. Pensado e que consiga garantir mínimos de qualidade nos posicionamentos em cada momento do jogo;
– Estratégia. Adaptações obrigatórias mesmo mantendo o modelo, em função das características totalmente diferentes do jogo. Diferentes porque perante adversários substancialmente melhor apetrechados;
Os maiores serão naturalmente os jogadores. Sem um modelo de jogo já estruturado e com qualidade, nunca Abel teria tido sucesso. E é absolutamente impossível chegar lá com três dias de trabalho. Portanto, não ignorar que também José Peseiro poderá beber do triunfo.

Mas afinal, estratégia não é mudar tudo e não é opor-se ao modelo? Não. Curioso, como tentaram colar isso ao por cá defendido, quando não houve um único texto que o pudesse sequer dar a entender.
Mas, afinal o que é então a estratégia se não o mudar tudo?
Já vos demos e voltamos a dar exemplos do que é Estratégia:

Por exemplo: Jogo contra o Benfica. Sabemos como funciona a transição defensiva do Benfica quando entra no último terço. No seu posicionamento ofensivo, os laterais já estão próximos dos alas adversários, para que após a perda possam controlá-los, ou acompanhando se eles forem embora para receber na frente, ou apertando se eles quiserem receber no pé, e sabemos que após a perda, o Fejsa vai encostar nas costas do médio mais ofensivo, para que não seja referência para receber.
Então, sabemos que na perda no último terço, vai haver espaço nas costas do Fejsa, porque ele é atraído ao médio ofensivo, e que os laterais só baixarão se os nossos alas dispararem. Estar mais próximo de vencer ou incomodar o Benfica, não é sair com os nossos alas ou médio ofensivo / segundo avançado a pedir no pé, só porque o meu modelo assim o contempla! porque o Grimaldo, o Fejsa e o Almeida vão abafá-los e a bola rapidamente mudará a posse de novo, sem saída para ataque rápido. Mesmo que no meu modelo eu até priorize um primeiro passe para um destes elementos para iniciar condução.
Estratégia, é percebê-lo, e ser criativo para desenhar uma possível forma de chegar às costas do Fejsa. Mas como? Ter por exemplo, na recuperação, o avançado a mostrar-se para receber o primeiro passe. Mas porque sei que um dos centrais do Benfica sairá com ele para matar em falta enquanto está de costas, na recuperação, coloco logo um elemento diferente do que o Fejsa vai apertar, a saltar na frente para receber a bola de frente, proveniente do avançado que se mostrou para o primeiro passe. E ai, se tenho os alas sem comer metros… os laterais deles também não baixam no imediato, e consigo sair com um 2×2 contra os centrais do Benfica, e um deles desposicionado porque veio acompanhar o apoio frontal do meu avançado!
in Lateral Esquerdo (2018)

Estratégia é trocar a pressão em L do avançado (em L, no sentido de primeiro deslocar-se para entre centrais para cortar linha de passe que varie o jogo), por pressão de frente sobre o Mathieu porque sabemos que ele é quem constroi criando mais dificuldades, como fez Luís Castro. Mas, o Vitória perdeu alguma identidade ou deixou de ser modelo porque trocou um movimento na pressão? O Bruno Lage perdeu alguma identidade ou o Benfica trocou de modelo porque no Dragão a rota ofensiva contemplou ir primeiro fora para que os médios centro não recebessem de costas pressionados? Ou quando nas Aves baixou mais os médios para trazer oposição, por saber que o Desportivo defenderia HxH? O Pep Guardiola muda a sua identidade quando coloca mais um homem em equilíbrio quando defronta dois avançados rápidos? ou quando muda de jogo para jogo os posicionamentos e rotas ofensivas?
Quem tentou colar um lado estratégico do jogo a totais alterações de jogo para jogo enganou-se. Quem muda tudo, não está a mudar estratégia. Está a mudar identidade!
Sobre isso, aquando das alterações profundas de Marcel Keizer para dois jogos muito específicos havíamos referido (aqui):

Marcel Keizer trocou por completo a estrutura táctica. Mudou por completo a identidade táctica da sua equipa. E não é necessariamente alterar estrutura que é Estratégia!

Então, mas o modelo afinal é a base?
Obviamente, nunca em tempo algum foi afirmado o contrário. Se o modelo é mau ou inexistente, não importa sequer ter estratégia. De que vale ir pressionar assim ou assado, se depois os meus defesas nem sabem orientar o corpo para defender? É por isso que as dificuldades de Marcel Keizer em Portugal não passam por ter ou não ter estratégias para os seus jogos. Está tudo relacionado com os maus comportamentos do seu modelo em todos os momentos do jogo.
Então, porque vivermos hoje a era da estratégia, se o modelo é que é a base?
Porque com o emergir do modelo, e com a chegada de todos a este, no equilíbrio surge uma forma diferenciadora de enganar o adversário. É como a correria versus inteligência. Sempre afirmamos que o que discernia qualitativamente os jogadores era a sua inteligência. Mas, com isto não significa que se ganhem jogos sem correr. Não se ganham. Pelo contrário, 11 Bolts ganhariam sempre a 11 Messis com 60 anos. Mas, não se anda a gritar que é a era da correria, pois não?

Pep manterá o essencial: tocar a bola até nos agruparmos; chegar a três quartos do campo através da sucessão de passes; subir bastante a linha defensiva, e ter sempre um homem a mais no meio de campo, seja como for. Mas não espere um sistema tático fixo nem uma equipe titular indiscutível. Isso mudará a cada jogo. E a análise do rival será cada vez mais importante
Domènec Torrent, no “Pep Confidencial” antevia o futuro

Outro aspecto que é importante perceber é o da identidade. Porque se dá a entender que identidade é só o que o Barcelona ou o Ajax jogam? Então o Bury FC da League 2, que estica 10 bolas na frente das 10 vezes que os seus defesas a tocam, não tem identidade? Pois claro que tem. Uma identidade que me faz fugir de ver os seus jogos, mas tem. Quem é a equipa que nos dias de hoje não tem a sua identidade?
Identidade não é só o que eu gosto, e fica a sensação de que as pessoas andam a confundir identidade com estilo.
Num programa de TV, o Rui Malheiro acabou por afirmar o que vem sendo dito há alguns anos aqui, e vale bem a pena ouvir / ler:

Fiel a uma identidade que não se desmonta… agora, para além da identidade há ajustes que fazem parte de uma estratégia. Um treinador que defende uma identidade não deixa de passar horas e horas e horas a ver como o adversário joga e se há necessidade de fazer um ajuste, fazem um ajuste.

E eis a magnífica era da Estratégia. Onde tal como Bruno Lage transmitiu há mais de um ano para o Lateral Esquerdo, o trabalho semanal já contempla o nós e o eles. Ao contrário dos tempos em que o modelo explodiu e era tudo “eu”, “eu” e “eu”.

El dibujo [sistema] no es el estilo
Los neerlandes se exhibieron en el Bernabéu ejecutando los conceptos de su glorioso pasado (la presión alta, el dinamismo de sus atacantes, la excelencia técnica como premisa fundamental para ganarse un puesto en el once, la circulación de balón a ras de suelo incluso en zonas de riesgo y la presencia de futbolistas cuya área de actuación no puede acotarse porque se mueven por todo el campo), pero no es verdad que jugaran con el 4-3-3 de toda la vida.
Axel Torres, sobre as mudanças tácticas de um Ajax diferente tacticamente do de outros anos

E quem altera tudo (base táctica), salvo raras excepções não é porque tem estratégia. É porque não tem modelo! E esses ainda nem à era do modelo chegaram, quanto mais à da estratégia!

Curiosidade: Na Liga NOS, apenas Marcel Keizer desmontou todo um sistema para se adaptar a um adversário. Mais nenhum treinador da Liga trocou em jogo algum o seu sistema de sempre na entrada em campo para se adaptar ao adversário.
E sabia que Pepa, na observação do adversário para preparação estratégica visualiza apenas jogos em que o adversário do seu adversário utiliza a sua estrutura táctica? (Precisamente porque a estratégia não se opõe ao modelo?)

Como em tudo na vida, é nas dificuldades que se cresce, que se procuram soluções para ultrapassar as barreiras. Nos dias de hoje todos têm o seu modelo, e o passo seguinte já está a ser dado pelos mais inteligentes. Estamos na era da estratégia. Na era em que os vídeos correm à velocidade da luz, vencer vai muito para além do modelar, tão típico da década passada. Hoje, o próprio processo de treino tem de ser virado para a competição seguinte, para o jogo que virá. Sobretudo quando se fala em forças de valores equivalentes, mas não apenas, é no perceber os comportamentos chave do adversário, e preparar o seu antídoto durante a semana, que está o passo seguinte. Na análise dos comportamentos e no desmontar dos mesmos. Na estratégia provocar constrangimentos ao adversário, que nos aumentem as possibilidades de vencer.
Lateral Esquerdo, 2017"

Onde Tudo Começa – Lição de Ferro

"«Gastem dinheiro com os defesas, sobretudo com os centrais! (…) Pode parecer paradoxal, uma equipa com um futebol ofensivo, de posse, de muitos golos e tem que investir em defesas? Claro, é onde tudo começa.»
Pep Guardiola

Num dos meus textos mais recentes, referia-me à importância da construção no definir de cada momento ofensivo. Porque é ali que se começa a definir a toada de cada momento ofensivo emerge a importância de ter os melhores atrás para que se criem os desequilíbrios necessários para chegar à baliza adversária, sobretudo em equipas como a de Lage que procuram ser dominadoras. Pode parecer paradoxal, mas é onde tudo começa e são os centrais que mais tempo a bola durante o jogo. 
Quando se começa a construir bem, as possibilidades de chegar à baliza adversária aumentam significativamente. É, portanto, fundamental ter centrais que desequilibrem desde trás. Se há espaço para conduzir, há que conduzir até fixar um adversário e se crie espaço para um colega. Se há possibilidade de colocar o passe vertical e eliminar vários adversários, então que se arrisque porque dar protagonismo aos centrais é acreditar que eles são capazes de fazer mais do que um passe para o lado. Não lhes retirem protagonismo porque mais do que também fazerem parte do jogo, é ali que se começa a definir o sucesso / insucesso do ataque organizado.
Num jogo que estava difícil para o Benfica criar, o golo que deu inicio ao apuramento encarnado para os Quartos da Liga Europa demonstra-nos a importância que um central pode ter no jogo ofensivo da sua equipa. Uma lição de Ferro que, com espaço conduziu até atrair e provocar médios adversários para no timing certo, soltar nas suas costas e permitir o inicio da reviravolta benfiquista na eliminatória.

P.S: Mais um grande jogo de Ferro. Mais do que destruir, o central português tem demonstrado uma capacidade incrível para construir em ataque posicional. Numa altura em que se fala de crise de centrais portugueses, Ferro e Rúben Dias aparecem como os senhores que se seguem.

"

Pirlo, in Lateral Esquerdo