Últimas indefectivações

sábado, 26 de novembro de 2016

Vitória na Suíça

Diessbach 3 - 4 Benfica

O mais importante eram os 3 pontos, mas esperava-se mais... Ainda por cima desperdiçamos 3 penalty's e 1 Livre Directo!!!

Na Suíça, num pavilhão Vermelho sofreu-se até ao fim... É verdade que até existem alguns jogadores experientes do outro lado (o nosso ex- guarda-redes Carlos Silva por exemplo...), mas temos que admitir que esta época, temos tido demasiado jogos 'apertados', sofremos demasiados golos e estamos com uma eficácia nas bolas paradas, ridícula...!!!

No outro jogo do grupo, houve mini-surpresa: Vic 2 - 2 Lodi. Empate, agradável para o nosso lado...

Mais um susto !!!

Benfica 3 - 2 Pinheirense

Mais um jogo que acabou com o coração nas mãos, num jogo esquisito, onde durante praticamente durante todo o jogo, a história, foram as oportunidades desperdiçadas pelo Benfica...
Com as bombas do Fernando a desbloquearem as redes... e com o Cecílio a 10 minutos do fim, a fazer o 3-0, com classe... Ainda pensei que íamos ter finalmente um jogo 'descansado', engano meu, já que num momento de desconcentração, permitimos o 3-2 num instante!!!!
Até final voltámos a controlar e a desperdiçar (com um contra-ataque do adversário, com o Bebe a safar...!!!)... e até quando o Pinheirense arriscou o 5x4 foi o Benfica, a desperdiçar de forma incrível!!!

O Elisandro e o Jefferson continuam de fora (o Ré regressou após castigo) e agora o Franklin juntou-se aos lesionados!!!

Quase na centena !!!

Benfica 99 - 65 Sampaense
24-19, 28-16, 28-15, 19-15

Jogo descansado (que até começou mal!!!), contra a equipa mais frágil da Liga... Deu inclusive para descansar o Carlos Morais (o Hollis só fez 7 minutos).
Festival de Triplos, com o Barroso a encestar 8 !!!

Temos agora alguma folga no calendário, mas a partir de dia 14 de Dezembro, recomeça a Europe Cup!

O juízo e o comer

"Farão lindamente Benfica e Porto em não se verem já no papel de apurados para os oitavos-de final da Liga dos Campeões. É questão de ter juízo. O juízo que, por exemplo, faltou ao Benfica naquela meia-hora final, mais pateta do que patética, de Istambul. E haverá sempre a Liga Europa, é verdade, se falharem as decisões com o Nápoles e com o Leicester. O responsável máximo pelas finanças do Benfica disse esta semana que 'nem os clubes portugueses ligam à Liga Europa' mas fez mal em dizê-lo quando há reais probabilidades de ser esse o seu destino. Por sua vez, o treinador do Sporting disse que vê o Sporting com 'condições para fazer uma Liga Europa muito bonita' mas fez mal em dizê-lo porque o Sporting, ao contrário do Benfica e do Porto, para se qualificar para a Liga Europa ainda tem pela frente aquele pormenorzinho do jogo em Varsóvia.
O Porto vive uma crise de concretização. Tem dificuldades em marcar golos que não chega para pôr em causa o talento dos seus jovens avançados portugueses nem o acerto da construção da equipa. Já os goleadores do Porto que andam emprestados estão fartos de marcar golos. Aboubakar marcou ao Benfica em Istambul e Marega marcou ao Sporting em Guimarães. É caso para se dizer que o Porto está a trabalhar muito bem por fora.
Como castigo por não terem sabido resolver as suas questões a tempo em grupos sem papões, Benfica e Porto têm de começar a olhar para a hipótese da Liga Europa com estima e consideração. Não é o fim do Mundo ainda que a Liga dos Campeões seja, de facto, outra louça. Em função do que os três grandes portugueses viveram até aqui na Europa será ao Sporting que a Liga dos Campeões faz mais falta. Por causa do dinheiro? Não. Por causa do 'comer' com Florentino Pérez? Muito menos. Por causa dos comunicados? Sim, absolutamente.
Não houve dia de jogo importante do Sporting nesta fase de grupos que não tivesse a ofuscá-lo a pertinente concorrência de alocuções presidenciais. Na véspera do desafio com o Dortmund em Alvalade houve ocasião para vincar, em conferência de imprensa, que 'o Sporting não é da Segunda Circular, é do Campo Grande', na tarde do jogo de Dortmund foi oportuno classificar a oposição interna como 'híbridos telecomandados a partir de Carnide' e a poucas horas deste último jogo com o Real Madrid houve o anúncio da recomposição do capital social da SAD. Até parece de propósito."

Benfiquismo (CCXCIX)

Novinho em folha...!!!

Somos a melhor equipa do grupo

"O Benfica ganhou por 6-0 ao Marítimo, numa boa exibição, e fez por merecer a presença no sorteio de ontem, no qual nos saiu o Real (Massamá) que já foi por duas vezes tomba-gigantes nesta edição da prova. Não há razão de queixa da sorte e não vejo que possamos passar à condição de isentos no próximo sorteio como aquela já ocupada pelo FC Porto no sorteio de ontem. Resta vencer e seguir rumo ao Jamor, sem justificação nem desculpas.
A jornada europeia teve o condão de irritar o mais pacato benfiquista. A ganhar 3-0, a sexta melhor equipa da Europa tem de segurar o resultado contra uma mediana equipa turca. Em absoluto, o resultado de empate como mais de dois golos até nem era mau, pois garante desde já vantagem directa sobre os turcos em caso de empate final, a basta estes não ganharem em Kiev e estamos já apurados (facto que julgo poder acontecer). Mas depois de estar a vencer por três golos não podíamos ter deixado escapar a qualificação (e poder descansar contra o Nápoles) pois prescindíamos todos de um apuramento com tanta emoção. Assim, no dia 6 de Dezembro, teremos de vencer o Nápoles, vencer o grupo e mostrar o óbvio: somos a melhor equipa deste grupo. Já nos aconteceu de tudo nesta qualificação, ainda assim estamos em posição privilegiada de apuramento, sem grandes matemáticas nem dependência de terceiros.
Neste momento, já somos mesmo a única equipa portuguesa que ainda não perdeu objectivos esta época. Os títulos já disputados vencemos, os que faltam disputar queremos vencer. No Benfica não há tempo para lamentos, desculpas ou justificações, estamos em todas as frentes, e na frente em todas elas.
Domingo teremos que encarar o Moreirense como mais uma etapa do objectivo maior que é ser tetracampeão, e deixar as tretas para os que são ex-campeões."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O terceiro anel

"Muito dele se tem falado – como se de uma entidade mítica se tratasse. E com razão. Contrariando o critério holístico, ele era parte que parecia ser mais que o todo, parecendo mero apêndice, ele era o essencial – de lá pendia, como um relâmpago, o veredicto que os jogadores acatavam como o julgamento decisivo de suas actuações. Naquela sua altaneira assimetria, e apesar da sua condição de obra inacabada, o terceiro anel era-o antes de o ser – como a pescada: era anel antes de descrever e completar o círculo que a essa sua condição convinha. E que só, anos mais tarde, veio a concretizar-se.
Ele elevava-se acima da linha de uma certa mediania geométrica para, neste seu empertigamento, lançar aos ventos a ousadia de um sonho grande de um homem só – que quase sempre se é só na grandeza. Como o foi Fernando Martins. Mas a força mítica desse pedaço-alma de um estádio que só como da Luz mítico se poderá considerar, vem-lhe da sua dimensão anunciadora de um voo altivo – como o da águia. O terceiro anel é muito mais do que uma ousada obra de engenharia, ou, mais prosaicamente, de construção civil - ele é o símbolo-casa de uma grande família. Nele e por ele, numa espécie de previvenciação ritualizada de uma grandeza, assim profetizada, os benfiquistas se instalavam no lugar-aconchego do sonho que lhes inebriava a alma.
O terceiro anel era um território quente, um lugar com alma: lá habitava o sonho que congregava, em convívio familiar, os que nesse sonho de um destino de grandeza se irmanavam. Era simplesmente um lugar. Onde todos, em exemplar convívio transgeracional, se instalavam desde cedo e, enquanto trincavam os tremoços comprados na Ti Josefa do Calhariz, iam debulhando prognósticos gordos para o desfecho do jogo a seguir. E não faltava sequer o farnel da Tia Guida, viúva de um dos heróis, creio que do Arsénio, farnel do qual todos eram maternalmente intimados a partilhar.. Enfim, um arraial, uma festa!
Dir-se-ia que, naquele seu jeito ínvio, meio torto de ser incompleto, o terceiro anel nos completava e, se algum modo, se locupletava na abundância de um sonho atrevido e insubmisso – ele era também o espaço habitado pela cortante régua da exigência e da responsabilidade. Habitava-o uma notória, e notável, - apesar da singeleza de seus habitantes – aura tribunícia. Era para este espaço mitificado, sem medida que em rigor o delimitasse, qual instância última, que os jogadores, todos de mão dada, faziam, antes de cada jogo, a sua vénia reverencial – como se de lá esperassem a bênção e louvor para a sua actuação.
O terceiro anel era a face humana, telúrica, popular do Estádio da Luz, que assim se chama não apenas por estar enquadrado no espaço geográfico do bairro que leva o mesmo nome, mas por ser de luz a história que encarna e o destino que anuncia. O terceiro anel, assim inacabado e assomando acima da linha média da restante construção, insinuava-se como o olhar indómito para lá da linha do horizonte – ele representava muito mais enquanto inacabado do que passou a representar quando se procedeu à sua conclusão.
Inacabado, ele era insatisfação, ele era ambição, insubmissão, rasgo – ele era projecto. Uma vez acabado, ficou rematado, concluído, gerando a sensação redonda de que tudo estava conseguido – que a obra terminara. O famoso fecho do terceiro anel cujo mérito é inatacável, talvez tenha trazido associado o efeito colateral de uma certa oclusão do sonho grande que o originara. É preciso, se calhar, reavivar o papel instigador do mítico terceiro anel – ainda por acabar, galhardamente insinuado e insinuante. Urge que convertamos os estádios de futebol em lugares - porque estão cada vez mais convertidos em “não-lugares” (na terminologia feliz de Marc Augé): as pessoas passam por lá, mas não os habitam, como nos aeroportos ou nos shoppings.
É preciso reimplantar nos estádios espaços inventados de humanidade. E, no caso do Sport Lisboa e Benfica, urge superar o contentamento supino com uma glória mínima e ter a ousadia de aspirar à glória máxima: demandar resolutamente o céu, em vez de se contentar com o limbo! A águia voa só! Mas não é só voar o que ela faz – ela caça com uma precisão e eficácia, únicas no reino animal. Porquê? Por uma razão: vê de longe!"

Benfica: como se explica uma meia-hora desastrosa?

"Uma águia de duas cabeças em Istambul. Um olhar ainda para um FC Porto que teima em não encontrar-se.

O bom que o Benfica fez em Istambul foi apagado por uma última meia-hora desastrosa.
Rui Vitória irá certamente procurar (e encontrar) as respostas à pergunta que todos fazem desde o apito final do encontro de quarta-feira: como foi possível deixar-se empatar depois de estar a vencer por 3-0?
Foi uma águia de duas faces, ou melhor, de duas cabeças aquela que defrontou o campeão turco.
Os encarnados entraram na segunda parte da mesma forma que na primeira, e criaram oportunidades para dilatar a vantagem. Haverá então várias questões, e não apenas uma.
Terá havido deslumbramento com o atual momento da equipa e com as facilidades aparentes que o encontro apresentava?
Por que o Benfica manteve a aposta na vertigem e num jogo mais partido, quando podia ter baixado ritmos e optado por controlar mais o jogo e, com isso, também o resultado?
Não terá ainda Rui Vitória convidado o Besiktas ao ataque com as substituições?
Abdicar da agressividade de Gonçalo Guedes (e da relativa frescura de Cervi) e forçar a entrada de um Rafa a precisar de minutos, com o lado direito exposto à quebra de Salvio, e onde Tosun começou a fazer miséria, beneficiando também da companhia de Quaresma mais perto do fim, poderá ter sido também decisivo na recuperação turca.
O treinador certamente irá aprender algo deste jogo, tal como os jogadores.
Uma conclusão é evidente: o Benfica não pode deixar-se empatar depois de ter chegado a uma vantagem de 3-0, exatamente como não podia ter acontecido com o Sporting em Guimarães, se estendermos a comparação à Liga. Por muito mérito que tenham os adversários (e tiveram-no) há que saber controlar o jogo.
No que diz respeito ao FC Porto, está aqui por novo empate frente ao FC Copenhaga. É verdade que não perdeu, e mantém-se a depender apenas de si para garantir o apuramento na segunda posição, mas chegar à última jornada neste grupo sem ainda ter feito a festa e, sobretudo, com dois pontos em seis possíveis frente aos dinamarqueses é medíocre.
Claudio Ranieri, o treinador do Leicester, resume tudo numa frase: «Vencedores do grupo, como é possível?»
Pois.
A primeira parte voltou a ser dececionante e, apesar de uma outra oportunidade desperdiçada, também a segunda sabe a pouco.
Ganhar agora garante os oitavos, ou o Dragão ficará a depender do que o FC Copenhaga fizer. A margem de erro, num grupo extremamente acessível, é zero.
Comparando com o Benfica, o emblema da Luz está em situação semelhante. Compete num grupo acessível, e o apuramento, a ser concretizado, chegará no limite.
Não ganhar um jogo ao Besiktas - apesar das condicionantes nos lesionados, sobretudo no jogo da Luz - também parece fraca prestação. A única diferença é que ainda pode chegar ao primeiro lugar, e que terá mostrado, aqui e ali, um pouco mais de intensidade e futebol jogado do que os grandes rivais."

O treinador enquanto atleta de alta performance

"O contexto desportivo tem sido, ao longo dos últimos anos, um verdadeiro “berçário” de líderes de alto nível.
Scolari, Mourinho, Guardiola, Simeone, entre tantos outros (e para todos os gostos!) têm feito as delícias de todos os interessados nos processos de liderança.
De tal forma que as obras biográficas que resultam do nível de êxito que atingem acabam por suscitar a curiosidade de quem se dirige às livrarias, para poder aceder a todos os segredos sobre o processo de liderança que exercem.
Diego Simeone chegou mesmo a tornar-se num case study na Universidade de Harvard, sendo a sua metodologia fortemente recomendada a pequenas e médias empresas que pretendam afirmar-se no mercado das empresas de um segmento superior.
Mas o que distingue estes homens dos demais?
Para além da sua elevadíssima expertise em processos de jogo, o que, possivelmente, não os diferenciaria de muitos outros que, com este mesmo domínio, acabam por não ter sucesso a níveis tão elevados, são efetivamente exímios quer no que respeita a processos de auto-regulação energética (psico-emocional), quer no que refere a processos de regulação dos níveis de ativação do grupo que comandam.
Conhecedores, genuinamente, do funcionamento humano em contextos de performance (logo, conscientes do que potencia ou dificulta o seu próprio desempenho no exercício da sua função de liderança), diagnosticam como ninguém as necessidades que a sua equipa tem, no que respeita a manterem, de forma consistente, os níveis de desafio e intensidade necessários a um desempenho de excelência ao longo de 90 minutos.
Curiosamente, há uns anos, um treinador de alto rendimento (no caso, de outra modalidade), chamou-me e solicitou ajuda no que respeita à identificação dos critérios que ele próprio ia utilizando quando recrutava um atleta para a sua equipa. Sabia que o fazia bem, mas por trás do que considerava "faro", sabia que estariam alguns critérios que não conseguia identificar racionalmente...
A isto poderíamos chamar "conhecimento inconsciente". Por outras palavras, ao longo dos anos, este profissional aprendeu a identificar os indicadores certos... sem saber que ia criando uma ferramenta exímia de avaliação de competências.
Frequentemente, a Psicologia do Desporto/Performance, dedica o seu tempo a fazer isto mesmo: estudar os casos de sucesso ao pormenor, por forma a conseguir identificar denominadores comuns, no que respeita às competências e comportamentos que, elicitadas(os) de uma dada forma, acabam por ser um bom indicador de sucesso.
Neste enquadramento, aquilo que os estudos nos têm apontado é que estas pessoas, para além de um domínio elevado no que respeita a conhecimento técnico-táctico (que transportam para a criação de processos de jogo muito eficientes), e de naturais competências de comunicação, acabam por partilhar com os atletas um conjunto de competências essenciais à manifestação de uma performance, consistentemente, de alto nível.
Falamos de competências como gestão de stress e ansiedade, resistência à frustração, elevada motivação intrínseca, capacidade de manter a atenção de forma sustentada a todos os aspetos do jogo (concentração), entre muitas outras.
Contudo, o que os caracteriza, muito frequentemente, é a sua capacidade se se mostrarem "envolvidos e envolventes" ou, por outras palavras, através do seu próprio compromisso com a missão do grupo, acabarem por contaminar a generalidade dos atletas, que se dedicam a seguir o que estes líderes determinam. São, genericamente, sujeitos com níveis elevados de inteligência emocional (QE).
Tal como o estudo aprofundado dos fatores de sucesso dos atletas, acabou por resultar numa enorme evolução da capacidade de intervenção da Psicologia que, através do conhecimento adquirido acerca das competências diferenciadoras, desenvolveu processos de treino e métodos eficazes para, de forma sistematizada, poder replicar e potenciar a existência destas mesmas competências em grupos de atletas mais alargados, acredito que este também será o caminho, no que respeita ao estudo dos treinadores de sucesso.
Tal como no domínio dos atletas, o desenvolvimento aprofundado das competências de performance de um treinador elevarão, de forma inequívoca, o seu rendimento e, por esta razão, acredito que muito rapidamente será mais frequentemente do domínio publico (porque alguns casos já vão sendo conhecidos, como por exemplo, a parceria Scolari-Regina Brandão), as parcerias que se vão estabelecendo entre treinadores e psicólogos.
Curiosamente, há muitos anos a esta parte, num clinic de basquetebol profissional, o próprio Prof. Jorge Araújo referia que, nos clubes em que estava, se não havia recursos económicos para a contratação de 2 psicólogos (um para si e outro para a equipa), então, o psicólogo ficaria sempre a trabalhar com ele.
Então, se trabalham com atletas de alta performance, com quem a Psicologia já vai desenvolvendo algum trabalho, talvez já esteja na hora que os próprios treinadores exijam para si próprios a introdução de "ferramentas" que elevem o seu próprio padrão de desempenho!"

Ultrapasssados

"Afinal, Jorge Jesus não se julga dono da verdade e é capaz de aprender. Apesar de, nos seis anos que passou no Benfica, não ter tido a capacidade de perceber o contexto em que estava inserido, insistindo em desprezar as orientações estratégicas do clube consubstanciadas no desejo de aproveitamento do trabalho desenvolvido no Seixal, hoje, 17 meses volvidos da sua chegada a Alvalade, demonstra claramente que entende os traços identitários do clube que o contratou. Sabemo-lo porque, numa entrevista ao jornal espanhol Marca, respondendo a uma questão sobre a importância dos jogadores do Sporting na selecção nacional, afirmou, num 'portunhol' ridículo, que Fernando Santos, no Europeu, 'tirou o melhor de cada um dos jogadores do Sporting, porque do Benfica nem um'. Ou seja, perfeitamente identificado com os valores leoninos, reclamou, para o seu clube, dois títulos vãos - a relevância de atletas sportinguistas num título da selecção e, sem que lhe tenham perguntado, a irrelevância de atletas benfiquistas para o mesmo. À Sporting, portanto, esqueceu-se de referir um dos artífices da conquista portuguesa, André Gomes, por si menosprezado e, por isso, desterrado em Valência. Também Eliseu, titular em duas partidas em França. Renato Sanches, tão-só o autor do golo de Portugal nos quartos-de-final frente à Polónia e considerado o melhor jogador jovem do torneio.
E por falar em desonestidade intelectual, ou talvez senilidade, o protagonista do 'apito dourado' reclama agora por melhores arbitragens. É preciso muita lata, mesmo para um dragão sem fogo (nem sequer cuspo ou vapor), para evocar o que quer que seja neste domínio..."

João Tomaz, in O Benfica

Já para o castigo

"Quando eu era miúdo e andava na Escola Primária  hoje, Ensino Básico - quem fazia asneira ficava de castigo. Se alguém respondia mal à professora, ia para a fila da frente. Quem batia num colega, perdia o recreio. Mas isso era com a minha professora, a D. Fernanda, porque com outros educadores a coisa não era assim tão pacífica. Entre uma bofetada bem dada, uma reguada aplicada ao centímetro ou um bilhetinho para os pais, tudo era possível, independentemente de quem era o prevaricador. Fosse o melhor ou o pior aluno, o filho do médico ou do torneiro mecânico. E não havia hipótese de recurso quando se era apanhado em flagrante.
É o oposto do nosso mundo do futebol. Neste universo paralelo, há quem passe os dias a insultar e a dar indicações para outros insultarem. Há quem atice matilhas contra adeptos adversários e até quem, trinta anos de corrupção depois, chore pelos cantos por uma grande penalidade não assinalada. Há de tudo neste circo, mas só alguns são castigados e suspensos. No caso de Luís Filipe Vieira então, condenado sem provas e segundo critérios bastante dúbios.
Os dois pesos e duas medidas das autoridades que mandam no futebol português são difíceis de entender para os adeptos que não usam palas nos olhos. Isto é tudo muito simples. Se o presidente do meu clube cuspir em cima de alguém, não hesitarei em condená-lo e aguardar pelo merecido castigo. Não vou fazer fumaça para enganar a verdade. Se o presidente do meu clube insultar outro dirigente desportivo ou criticar - justa ou injustamente - um árbitro incompetente, terei de aceitar as consequências. Mas quero que isso aconteça com todos os que fizeram o mesmo. Isso não se passa agora. E é uma vergonha."

Ricardo Santos, in O Benfica

A história como ela é

"A patética ideia do presidente do Sporting de reivindicar mais uns quantos títulos para o seu clube é fantasiosa, e nem mereceria, sequer, estas linhas de texto.
A história foi o que foi. Os factos são conhecidos. Chame-se Campeonato Nacional, Liga, 1ª Liga, 1ª Divisão, Superliga, ou a marca de qualquer patrocinador passado, presente ou futuro, títulos nacionais são títulos nacionais, e contam-se desde 1934-35 - altura em que foi criada a prova que encaixa nas características daquela que, até hoje, determina o campeão nacional. O Benfica venceu 35 vezes, o FC Porto 27, o Sporting 18, o Boavista e o Belenenses uma cada. Não constam da lista Olhanense, Carcavelinhos ou Marítimo. Mas vivemos num país livre, e cada um pode dizer as baboseiras que quiser. Gritem então que têm 22, 44 ou 88… É indiferente. O que conta é a verdade. Ponto final quanto a isto.
Este revisitar da história das competições lusas levanta, porém, uma outra questão, essa sim pertinente. Não entendo o motivo de nunca terem sido agregados os Campeonatos de Portugal às Taças de Portugal, prova que, com todas as evidências, lhes sucedeu no tempo, no formato, e até no desenho do troféu. Face à relação directa com os nossos rivais ficaríamos com menos um troféu? Paciência. Factos são factos, e no próximo mês de Maio podíamos acertar a conta.
Cabe à FPF acabar de vez com este equívoco, o qual abre espaço a confusões desnecessárias, e alimenta devaneios absurdos. Mas também devemos fazer a nossa parte: chegar à final do Jamor, e, ao erguermos a Taça de 2016-17, inscrever um gordo número 29 nos adereços da festividade."

Luís Fialho, in O Benfica

Sócio

Benfiquismo (CCXCVIII)

Mago...

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Só os burros falam de arbitragens (quem terá sido o autor desta frase?)

"O problema é de quem falha tantos golos. E não de quem não lhes dá a 'mãozinha' quase sempre num lance no fim do jogo.

Pedimos desculpa por esta interrupção
1. Em Outubro, com alguma surpresa, o Benfica emitiu um comunicado, no seguimento de uma frase de Luís Filipe Vieira, demarcando-se de algumas posições da crítica aos nossos rivais.
Sei bem dessa dicotomia, porque, também no futebol, como em tudo na vida, há sempre duas linhas muito bem distintas sobre o caminho a percorrer, em cada momento.
Era (ou ainda é?) assim nos partidos maoístas, leninistas, estalinistas e, até trotskistas... com a slinhas vermelha e negra em confronto.
Ou, citando D. João II, porque... «há tempos de usar de coruja e há tempos de voar como falcão».
Numa antecipação das velhas divisões de todas as superpotências, sobre a coexistência dos falcões e de pombos.
Ou, numa versão benfiquista, de águias e de... (escolham o que quiserem).
Em cada momento, há sempre alguém mais propenso para a conciliação porque... dá menos trabalho (entendendo-se por trabalho, também, tudo o que quiserem).
É evidente que no Benfica não é diferente.
Não obstante essa posição assumida, oficialmente, pelo Presidente - e com todo o respeito que me merece cada uma das suas declarações,... no limite, por serem do Presidente do Benfica - sempre achei que esse não seria o caminho a seguir, porque consubstanciaria um enorme erro estratégico.
Nem sequer, é o estilo de Luís Filipe Vieira.
Não é estranho que o Benfica reaja, nem sequer que aponte o que acontece com os outros clubes, para provar, neste caso, a injustiça de que Luís Filipe Vieira está a ser alvo.
O que é estranho e incompreensível é, precisamente, o contrário. Do Benfica esperar-se uma reacção a tudo aquilo que se diz contra o clube. Até porque, quem não se sente não é filho de boa gente.
Sabem todos que defendo a tese do olho por olho, dente por dente. Como sei que há quem defenda o contrário. Essa posição poderá ser cómoda, mas não tem nada a ver com o que é o Benfica! Como, aliás, Luís Filipe Vieira sabe.
E tanto sabe que, logo na primeira oportunidade, corrigiu o tiro e mandou às malvas as pombinhas que lhe segredaram ser outra a melhor postura.
O que demonstra que tem consciência da importância da resposta a um ataque ao clube.
E fê-lo no momento certo! Deixando claro que nunca nos devemos calar perante as arbitrariedades. Respondendo com a linguagem que os outros percebem.
Porque, se assim não fosse, um dia destes corríamos o risco de ganharmos o campeonato do bom comportamento... e os outros... o campeonato.
Ou seja, e parafraseando as palavras que Luís Filipe Vieira não terá dito, mas, por certo, pensou, sempre que estejam e causa os interesses do Benfica, é bom que os nossos adversários saibam que... se «querem guerra vão tê-la».
À Benfica e como as pessoas do Benfica gostam!

Só os burros falam de arbitragens
2. Nas últimas semanas, foram muitas as queixas apresentadas pelo Porto sobre as arbitragens dos seus jogos Dizem, agora, que «o Conselho de Arbitragem anda a brincar» e que «não há penalties para o Porto». Aliás, o seu presidente acredita mesmo que apenas haverá lugar a marcação de uma grande penalidade a favor deles «se partirem a perna ou arrancarem a cabeça». E, para provarem o  prejuízo, apontam 12 lances.
Três contra o Chaves, para a Taça de Portugal. E, para o campeonato contra o Estoril (vitória por 1-0), contra o Guimarães (ganharam 3-0), contra o Boavista (ganharam por 3-1), contra o Arouca (vitória por 3-0). Ora, se estes não contam, porque os 3 pontos foram conseguidos, o que dizer dos empates com o Tondela e o Setúbal, a zero?
Que o problema é de quem falha tantos golos e não de quem não lhes dá mãozinha quase sempre num lance no fim do jogo.
Como convém, para ficar na memória, pois então!
Resta o empate com o Benfica. Então, jogaram como os melhores do mundo e só conseguiram empatar?
Não, a culpa não é dos árbitros. É da vossa ineficácia e - a tomar a sério o ostracismo a que foi votado - do... Herrera. E querem falar destes três empates porque, sem eles, já estariam em primeiro. E uma equipa à Porto (não sei se com ou sem apito) tem de estar em primeiro, porque, se não estiver, a culpa não é deles.
De todos poder ser, deles é que não!!!
Curiosamente, só não reclamam da existência prejuízos da arbitragem no jogo em que foram mesmo prejudicados: o contra o Sporting, em Alvalade.
Coincidências... ou será que não querem importunar o parceiro da aliança contra o Benfica? O mais engraçado de todo este ruído é que o Porto, no início desta época, afirmou que apenas se falaria em arbitragem quando o Benfica não ganhasse.
Já nem esse poder tem, o senhor, pois dantes, uma premonição sua era uma ordem lá para os lados de Contumil. Afinal, já não há a tese (e a moral) de que ganha quem é melhor?
Ora, as culpas dos árbitros apenas servem para alijar as responsabilidades de quem as tem.
É assim notório que existe uma estratégia de não valorização da sucessiva perca de pontos e de imputação a terceiros das responsabilidades pelos maus resultados.
E, é bom recordar, que no que diz respeito à eliminação pelo Chaves, a verdade é que, em cinco, falharam três penalties, mesmo após o adversário ter falhado o primeiro.
Ao Porto bastava, simplesmente, fazer o que lhe competia. Não se enganem: foram incompetentes - como o têm sido até agora!
O que - a par de outras eliminações - deixa o distrito do Porto sem equipas na próxima eliminatória da Taça de Portugal.
Que saudades devem ter os chitos (ou xitos?) e dos tempos em que uns telefonemas resolviam tanta coisa,... até títulos!!!

A lata dele (ou 'La lata del chico', em espanhol de... Alcochete)
3. Dizem que o principal problema do futebol português é o medo (voltando a parafrasear Ricardo Costa, antigo dirigente da Comissão Disciplinar da Liga, citação que - eu percebo - tanto os incomoda).
Ao medo, acresce, diria eu, um outro problema do futebol português: a memória curta.
Recentemente, no âmbito de um típico puxar de galões a si próprio, ainda que estivesse a ser discutida a importância dos seus actuais jogadores na selecção nacional, foi referido, pelo actual treinador do Sporting, que lá não estava nenhum jogador português do Benfica.
De facto, a memória só pode ser curta.
Porque... Bernardo Silva, André Gomes e João Cancelo foram jogadores do Benfica, como o foram Renato Sanches, Nélson Semedo e Gonçalo Guedes, quando ele era treinador do Benfica e não foram aproveitados por ele... vá lá saber-se porquê.
O que vale é que as entrevistas, agora, são em espanhol... e nós não percebemos nada.
Nem nós nem os espanhóis, para falar verdade (mas que é uma boa tentativa para ir para o Atlético ou para o Valência, lá isso é).

Se o ridículo pagasse imposto não chegavam... oito milhões de euros por ano!!!"


Rui Gomes da Silva, in A Bola

Real !!!

Calhou-nos em sorte o Real SC de Massamá nos Oitavos-de-final da Taça de Portugal.
Equipa que esta época já eliminou o Arouca e o Olhanense da Taça!!!
O jogo provavelmente vai-se disputar em Belém, no final de uma sequência de jogos complicados com o Nápoles e o Sporting...
É bom recordar as enormes dificuldades que tivemos para eliminar o 1.º Dezembro, equipa do mesmo escalão.

A Europa aqui tão perto

"Entre Taças e selecções, lá voltámos à Champions, com os nossos três principais clubes. E a fazer contas quanto ao ranking da UEFA, pois que os resultados nesta época podem conduzir a uma situação pior no futuro.
O FC Porto parece ter tudo para continuar na competição, previsão que logo anteviu com um sorteio invejável. O que aqui surpreende é não ser o primeiro do grupo e não ter ganho até agora a nenhum dos clubes que, com ele, disputam a passagem aos oitavos (Leicester e Copenhaga), já que os belgas vieram apenas fazer número.
Perante o colosso Real Madrid e o quase-colosso Dortmund, o Sporting quase estava condenado a lutar pela Liga Europa (o que,de facto, vai acontecer na Polónia). Perdeu as 4 partidas, mas jogou bem e com personalidade, de tal modo que até festejou as derrotas. Aquilo a que, outrora, se chamava vitórias morais. O clube de Madrid veio jogar a Alvalade em modo hibernar, excepto em esparsos momentos de eficácia. É certo que só com 10,5 jogadores, pois Cristiano Ronaldo não jogou... Agora, irão lutar contra uns pobres polacos que sofrem golos a torto e a direito, mas marcam também sem pedir licença (3 ao Real Madrid e 4 aos alemães, num hino ao espectáculo com 12 golos!).
Por fim, o Benfica. Num grupo equilibrado em que qualquer equipa poderia ter qualquer classificação, os encarnados foram bipolares. 55 minutos de empolgante futebol e 35 minutos de colapso (ainda que com sorte turca) levam o SLB para a habitual última jornada decisiva, no seu estádio. Espero que este jogo seja uma lição a reter nesta Europa em que os jogos se disputam sem tréguas até ao último segundo."

Bagão Félix, in A Bola

O escarro verde, tim-tim por tim-tim !!!

A síndrome de Guimarães

"Benfica teve o peixe no anzol e deixou-o fugir. E ganhar ao Nápoles não é fácil...

O Benfica parece não ter levado a sério o que aconteceu ao Sporting, há quase dois meses, em Guimarães. Ontem, andava a equipa da Luz em alegre passeio em Istambul - podia, até, ter chegado ao 0-4 - quando um golo belíssimo (de PlayStation), marcado por Tosun, mudou o chip a todos os que estavam na Vodafone Arena, adeptos incluídos. O Besiktas descortinou então, ainda com 32 minutos para jogar, uma luzinha ao fundo do túnel, recarregou as baterias da esperança e cresceu no tapete verde, indo à procura de ser feliz. Um penalty desnecessário de Lindelof permitiu o 3-2 a Ricardo Quaresma (pela primeira vez não ganhou ao Benfica um jogo em que tenha marcado) e foi outro ex-portista, Aboubakar, a assinar a igualdade a um minuto do fim. Se, do ponto de vista meramente teórico, empatar em Istambul não seria um mau resultado, vendo como as coisas se passaram só pode ser visto como uma derrota para o tricampeão nacional.
Depois de 30 minutos iniciais em que foi uma tempestade perfeita, o Benfica não teve uma segunda metade de acordo com as necessidades e revisitou-se, em alguma desorganização e no exagerado espaço entre sectores, a pior fase da exibição em Nápoles. Os dois jogos com o Besiktas acabam por determinar a incerteza em que o Benfica chega à derradeira ronda, quando fez o suficiente para ganhar ambas as partidas e empatou-as. Mas as exigências dos tempos modernos não se compadecem de vitórias morais e aquilo que parecia certo - o carimbo no passaporte para os oitavos de final - está agora dependente, na prática de uma vitória em casa sobre o Nápoles, empresa difícil e exigente. O que aconteceu em Istambul deverá servir de lição ao Benfica, no futebol nada está garantido. E na Champions muito menos. Enfim, vamos ver se ninguém se constipou (nas contas de Rui Vitória), com este gigantesco balde de água fria..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Lanças... com um rescaldo difícil!!!