Últimas indefectivações

terça-feira, 17 de novembro de 2015

CÊ-Ó-ELI!

"O Benfica vai regressar em breve à Azinhaga do Alfinetes para defrontar um dos mais castiços clubes de Lisboa. Pelo que vem a propósito recordar dois confrontos de 1946, um deles com Rogério Lantres de Carvalho a receber uma homenagem dos que não o esquecem em sua casa.

Era assim que se gritava nas bancadas do Engenheiro Carlos Salema, à Azinhaga dos Alfinetes...
Muitas vezes já se encontraram Benfica e Oriental para as mais diversas competições - Campeonato de Portugal, Taça de Portugal, Campeonato de Lisboa -, mas nenhuma para a Taça da Liga, o que se compreende, a competição é nova e carece ainda de uma afirmação completa, embora tão profundamente marcada pelas vitórias 'encarnadas' que não é fácil perceber-lhe outras cores.
Então, vai daí fiquei com a folha em branco na frente, à espera de teclar no QWERT meio sem saber que confronto entre vizinhos da mesma cidade e de bairros tão populares iria trazer até estas páginas que são mais vossas do que minhas.
Vários se perfilavam. Um da época de 1974/75, para a Taça, vitória gorda do Benfica por 8-0; um 9-0 para o Campeonato na época de 1950/51; certo empate renhido em Marvila (0-0) para o Campeonato de 1953/54???
Mas, enfim, Lisboa é Lisboa, fui deitar o olho a um encontro para o Campeonato de Lisboa, nos idos de 1946, tinha o CÊ-Ó-ELI acabado de nascer da fusão entre Chelas, Fósforos e Marvilense, pelo que a curiosidade gritou mais alto e até me lembrei do velho Carlos Pinhão que tinha uma ternura muito particular pelo clube da Azinhaga dos Alfinetes e acabou por ter uma rua com o seu nome exactamente nos caminhos que vão das Olaias para Oriente.
Depois, tal como as conversas e as ginjas, fui de um jogo a outro, isto é ao da primeira volta e ao da segunda.
Mas calma na enfileiração das letras. Um de cada vez.
No dia 6 de Outubro, o Clube Oriental de Lisboa apresenta-se no Campo Grande tendo como base o esqueleto da equipa do «engolidos» Fósforos, conhecida pela forma enérgica com que se batia em todos os minutos do jogo. Mas era uma energia falha de gana, acentuava quem lá esteve e viu como um meio-campo lento se deixava dominar e como Rogério «Pipi» e Julinho exploravam as falhas de um defesa desatento. França era o centro da tempestade. E, se ao golo de Rogério logo aos três minutos, ainda respondeu Isidro com o empate, Julinho(2) e Vítor Baptista, acabado de chegar da Sanjoanense, trataram de levar para o intervalo uma vantagem tranquila.
No segundo tempo, os golos vieram em catadupa - 8-1. Sublinho as palavras de Manuel Mota: «Sob o ponto de vista técnico, o Oriental continua a firmar escasso poder realizador. Os avançados, quando em posição de remate, perdem a calma e apontam mal. Recorde-se como Moura, sem ninguém nas balizas do Benfica, perdeu uma oportunidade. O remate saiu a metros de um poste, para fora, simbolizando bem a ineficácia dos 'orientais'...»

Em Novembro Rogério regressou a casa
Não foi um campeonato brilhante para o Benfica, segundo classificado atrás do Sporting com dois pontos menos que os rivais do Lumiar. E também não o foi para o Oriental, no quinto e penúltimo lugar, apenas à frente da CUF.
No dia 10 de Novembro, o Benfica visitou Marvila. O Oriental ganhara, entretanto, fama de equipa resistente capaz de bater até o Belenenses, proeza que não era de deitar fora. Portanto, cautelas!
E, rapidamente, cautelas para que te quero. Com mais de meia-hora para o apito final, a vantagem dos encarnados sobre os cor-de-vinho era escandaloso: 5-1.
Francisco Ferreira, era imperial. Arsénio, Julinho, Rogério e Vítor Baptista imparáveis.
Do lado oriental, um desacerto bem mais similar ao que fora exibido no Campo Grande, na primeira volta, do que a fiabilidade das últimas exibições. Os repórteres presentes no Carlos Salema eram de opiniões claras e concatenadas: «A linha atacante do Benfica manobrou os sectores atrasados do adversário com desenvoltura, progredindo rapidamente no terreno e variando o modo de fazer a ofensiva: tão depressa o jogo era desenvolvido em passes curtos como em longos, num sistema que se opunha à intercepção».
Mas, de repente, o jogo abana. Sobre os 60 minutos, Leitão faz 2-5 e, sete minutos depois, de «penalty», Bettencourt reduz para 3-5.
A diferença encolhe significativamente. Mas de pouco serve. A alma dos jogadores do Oriental, clube de um velho bairro de gente operária, é enorme. O seu estilo improvisado e valente e pormenores de entendimento colectivo.
A dez minutos do fim, o golpe fatal numa esperança que não deixara de ser ténue como as fitas de nevoeiro que sobrevoam o Tejo: Rogério, também na conversão de uma grande penalidade, faz o 6-3 para o Benfica.
É ele que encerra a resistência marvilense e recebe das mãos dos adversários uma camisola que entra para a história do futebol em Portugal: é grená com o escudo do Marvilense encimado pela águia do Fósforos e com a bola do Chelas. Ninguém se esquece que Rogério foi o primeiro jogador da zona oriental de Lisboa a jogar pela Selecção Nacional.
É a oferta simbólica de um breve regresso a casa."

Afonso de Melo, in O Benfica

Putin dobra a cerviz


"1. A sentença aplicada a todo o atletismo russo pela prática indiscriminada de doping de estado, com as consequências daí advenientes para a sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, dão-nos ideia da difusão e sofisticação deste flagelo. Por uma vez, até Vladimir Putin teve que dobrar a cerviz. Do mesmo modo que a revelação de que a realização do Campeonato do Mundo de Futebol em 2006 foi objecto de vários subornos - já depois de se saber que também as próximas edições da prova (na Rússia em 2018 e no Catar em 2022) o haviam sido - mostra até que ponto a corrupção impera na modalidade. Ou seja, doping e corrupção, que no fundo são a mesma coisa, andam e sempre andaram de mãos dadas. Não se pense, porém, que o fenómeno se reduz às altas esferas e não atinge em igual medida os patamares inferiores, tanto profissionais como amadores. O andaço é global e abrange, em maior ou menor grau, todos os desportos, sem excepção.
2. Só depois de muitos anos e ao fim de uma carreira modesta é que Jorge Jesus entrou na galeria dos bons treinadores. Ao contrário, por exemplo, de Marco Silva que ainda com os dentes de leite já dizia a olho nu ao que vinha. Para ser campeão foi necessário chegar ao Benfica onde tinha à sua disposição um plantel de luxo. Se esta época vier a repetir a proeza com o Sporting, o que duvido, então sim a sua cotação dará um salto. Sempre, naturalmente, ao nível caseiro porque no campo internacional o reconhecimento de que goza é muito pouco. Nenhum grande clube inglês, italiano ou espanhol o contrataria e muito menos lhe pagaria o salário que aufere em Alvalade. Ponha os olhos em Paulo Sousa, treinador da Fiorentina, que poderia ser seu filho e já é um nome respeitado na Liga dos Campeões. Só a prosápia de Jesus, que sabe de antemão que nunca treinará na Europa dos grandes, é que o leva a dizer que se estivesse à frente de uma dessas equipas de maiores recursos seria campeão europeu logo na sua temporada de estreia. Enfim..."


Manuel Martins de Sá, in A Bola

Sentimento de um ocidental

"Muitos já terão visto o momento do França-Alemanha em que uma das bombas explode à porta do Stade de France. Evra, que conduz a bola, no seu meio campo, faz um ar de espanto, que se transforma numa expressão de um certo desdém, para logo depois atrasar a bola. O jogo prossegue e a França acaba por sair vitoriosa. Hoje, o resultado não importa, o que não quer dizer que o jogo não tenha sido relevante. Pelo contrário.
Tendo em conta o que se sabia estar a acontecer, pode ter sido tentador interromper a partida ou até cancelar os jogos de selecções no dia seguinte. Teria sido um erro. Se houve uma intenção clara nos atentados foi impedir que desfrutemos em conjunto do prazer de ver um jogo de futebol num estádio, de assistir a um concerto de rock numa sala irrespirável ou que nos juntemos, homens e mulheres, a beber uns copos.
É um daqueles casos em que a vida pode aprender como desporto. No futebol, o melhor que uma equipa pode fazer se quiser ajudar o adversário é adaptar o seu sistema de jogo. Com o terrorismo não é diferente: não há pior sinal do que ceder a quem se rege pelo culto bárbaro da morte.
Podemos, como o Evra, por momentos atrasar a bola; só que, logo depois, com a mesma expressão do francês, resta-nos voltar a atacar e impor a superioridade do nosso modelo de jogo: encher estádios, beber álcool e gostar de rock' n roll. Prazeres que o fanatismo religioso veda a alguns; mas que fazem parte do culto da alegria, um dos alicerces da nossa civilização."

Pura irracionalidade

"O Mundo está de luto. Os trágicos acontecimentos vividos na passada sexta-feira em Paris causaram em todo o Mundo dor, tristeza e revolta. Decorria o encontro particular entre as selecções da França e da Alemanha quando se ouviram explosões nas imediações do Stade de France. Os ataques terroristas voltaram a causar o pânico na capital francesa depois dos ocorridos no início do ano na redacção_do jornal 'Charlie Hebdo'. Desta vez, o atentado terrorista verificou-se em vários pontos da cidade, de forma concertada, e o número de vítimas mortais já supera a centena. A irmã do internacional francês Antoine Griezmann estava no Bataclan, a sala de espectáculos onde ocorreu a maior parte da tragédia e, felizmente, saiu ilesa desse verdadeiro filme de terror. A mesma sorte não teve a prima de Lass Diarra, outro internacional gaulês que estava em campo neste França-Alemanha de má memória.
Um dos bombistas tentou mesmo entrar no estádio e, não fosse agarrado pelos seguranças, estaríamos perante um cenário bem mais negro. O número de vítimas seria bem maior e, com o jogo a ser transmitido para milhões de pessoas, o impacto televisivo da tragédia teria um efeito devastador.
Não foi a primeira vez que o terrorismo e o desporto se cruzaram. Basta lembrarmos os ataques nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Depois de sequestrados, 11 atletas da equipa israelita acabaram por perder a vida. Em 2012, em Port-Said, no Egito, mais uma tragédia, 74 mortos, quase mil feridos. Mais recentemente. em 2013, um atentado durante a Maratona de Boston, a mais famosa à escala global, resultou na morte de três pessoas e 264 feridos.
Neste contexto, o desporto, o futebol, deve reagir, assumindo e promovendo os seus valores junto dos mais jovens, junto da comunidade. O desporto deve reforçar a sua dimensão social, promovendo espaços de tolerância e afectos educar, formando a personalidade humana. O desporto deve ser factor de inclusão, de integração, promotor da interculturalidade. Os dirigentes, jogadores, treinadores, árbitros, a família do futebol, devem nesta hora de incerteza para a Europa e o Mundo dar um sinal maior. Um sinal de esperança."

Alcoolismo académico

"Uma reportagem televisiva sobre excesso de bebidas alcoólicas mostrou uma competição de caloiros sob tutoria (?!)de veteranos universitários. Deveriam entrar em locais de venda de bebidas para as ingerir, somando pontos. Quanto maior a graduação alcoólica mais pontos obteriam. Ganharia a equipa mais pontuada, isto é, mais alcoolizada!!!
Professor universitário há 40 anos, conhecendo a evolução das atitudes estudantis, seguidor da imprensa, não me surpreendeu a insanidade da prova. O que me chocou foi o ar assertivo da jovem veterana travestida de líder que se julga importante, ao explicar o que se passava como algo perfeitamente normal e adequado. Alguma centelha de (má) consciência haveria nos que se esconderam das câmaras por detrás das capas do traje académico, ali muito mal honrado. Este caminho para o estado alterado de consciência, via bebedeira, visava a socialização dos recém-chegados à Universidade! Não é preciso ser Doutor, nem Mestre, nem Licenciado para saber que constitui agressão à saúde...
Se os organizadores socializassem discutindo livros, temas sérios, procurando elevar a cultura, talvez descobrissem que o passatempo que promovem não está ao nível de quem aspira a ser elite por via do conhecimento que é suposto adquirirem pela via académica. Reconheço que há grande quantidade de estudantes muito acima daquele estádio cultural. Receio que a colocação dos alunos em função das médias, tendo virtudes, tende a hierarquizar o tipo de cidadãos que chegam às diversas faculdades. As que exigem médias superiores tenderão a receber cidadãos mais preocupados com o conhecimento e valorização, relegando as acessíveis a médias mais baixas para o risco de acolher quem mais dificilmente será elite cultural de referência.
Assim, talvez os primeiros emigrem para paragens onde a sua preparação seja mais valorizada e os segundos se quedem, acabando por gerir o País.É a lógica da nossa História."

Sidónio Serpa, in A Bola

Uma peregrinação a Coimbra para ver a bola

"Era a primeira final entre o Benfica e o FC Porto e Júlio Barbosa, que não a podia perder por nada, fez-se à estrada a pé...

Disputava-se, a 28 de Junho de 1931, a final do 10.º Campeonato de Portugal, que marcava o primeiro embate entre o Benfica e o FC Porto no derradeiro jogo de uma prova nacional. Foi uma final marcada por estreias: pela primeira vez era disputada no Campo do Amado, em Coimbra, e, com grande surpresa, o jogador benfiquista João Correia estreava-se na equipa de Honra.
Um desafio que nenhum benfiquista poderia de perder, terá pensado Júlio Pinto Barbosa, engraxador e grande benfiquista. Não tendo rendimentos para comprar uma viagem de comboio de Lisboa a Coimbra, decidiu fazer o percurso a pé. Estudou o itinerário e partiu de Lisboa, a 23 de Junho, 'munido dos seus utensílios de engraxador para ir ganhando o pão e a pousada de cada dia'. Chegou a Coimbra a 27 de Junho e já a cidade universitária vivia um ambiente de grande agitação.
No dia seguinte, chegaram ainda mais pessoas e mal se conseguia andar na baixa da cidade. 'Além dos comboios especiais que conduziam muita gente, a todo o momento, dum lado para outro, chegavam automóveis transportando desportistas. Viam-se bandeiras azuis e vermelhas por toda a parte. E por toda a parte se ouvia gritar: Viva o Benfica! Viva o FC Porto!'
Marcaram presença mais de 6 mil espectadores, entre eles Júlio Barbosa, que teve a alegria de ver o seu clube sagrar-se bicampeão de Portugal, feito inédito até então, ao derrotar o FC Porto por 3-0.
A equipa do Benfica, ao ter conhecimento da sua peregrinação e 'rendidos por tão extrema devoção (...) trouxeram o heróico Júlio Pinto Barbosa para Lisboa, de comboio'. Foi caso para dizer que 'Coimbra tem mais encanto na hora da despedida'!
Na chegada a Lisboa, em véspera de São Pedro, o Benfica teve uma recepção apoteótica. Até altas horas, ainda 'os adeptos davam largas à sua alegria. Uma marcha (...) entoava em estrilho, a seguinte quadra: Olha o balão, Olha o arraial! Viva o Benfica - Campeão de Portugal!'
O troféu conquistado pode ser visto na área 5. A 'Taça' do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Paris: o que vai mudar daqui em diante

"A evidência dos acontecimentos obriga a que estejamos dispostos a aceitar viver numa sociedade cada vez mais securitária

Os eventos desportivos têm sido, ciclicamente, visados em atos de terrorismo. Em 1972, o ataque dos palestinianos do Setembro Negro à aldeia olímpica de Munique fez onze mortos entre a comitiva israelita; uma bomba, colocada por um fundamentalista norte-americano de direita, no parque olímpico de Atlanta, provocou dois mortos durante os Jogos de 1996; em 2002, a ETA fez deflagrar um carro-bomba nas imediações do Santiago Bernabéu, antes de um Real Madrid-Barcelona e dois anos mais tarde o estádio merengue teve de ser evacuado, por ameaça de bomba, durante um Real Madrid-Real Sociedad; o Grand National, a mais prestigiada corrida de cavalos inglesa, foi abandonada em 1997 depois de o IRA ter feito duas ameaças de bomba; em 2008, uma maratona no Sri Lanka foi alvo de um bombista suicida dos Tigres Tâmil, que se fez explodir, matando doze pessoas; o Lisboa-Dakar de 2008 foi cancelado na sequência de ameaças da Al Qaeda; e a maratona de Boston de 2013 ficou marcada pela detonação de dois engenhos explosivos, obra de extremistas islâmicos, causando três mortos.

O que mudou com Paris 2015
No atentado da última sexta-feira em Paris, a eleição de um evento desportivo como alvo não representou, pois, uma novidade; o que foi novo foi a tentativa dos bombistas entrarem no estádio e aí, com uma audiência televisiva de centenas de milhões, levarem a cabo a sua ação. Este é um patamar nunca antes atingido e que merece cuidada atenção. Qual foi a diferença entre o Stade de France e o Bataclan? A segurança. Enquanto que os terroristas entraram sem problema na sala de espectáculos da Avenida Voltaire, as bancadas do estádio de Saint Denis foram-lhes vedadas pela acção da segurança. A menos de um ano do Campeonato da Europa de futebol, que terá a França como sede, são, pois, absolutamente legítimos, os receios quanto à segurança do evento. Não sendo opção que os franceses abdiquem da organização do evento - isso seria capitular perante o terror - e sendo previsível que em Junho do próximo ano a guerra ao Estado Islâmico tenha conhecido uma significativa escalada, aquilo que todos teremos de aprender a conviver é com uma nova realidade securitária. Provavelmente o preço que temos de pagar para a defesa dos nossos valores.

Um desafio que ninguém poderá ganhar sozinho
«O risco que havia aumentou, mas vamos tomar as medidas necessárias para que o Euro/16 seja realizado nas melhores condições...»
Jaques Lambert, Presidente do Euro 2016
O presidente do comité organizador do Euro-2016 sabe que tem em mãos uma tarefa gigantesca - garantir a segurança - que só poderá levar a cabo com sucesso com o envolvimento de todos. Nada será fácil durante o Campeonato da Europa, tudo e todos terão de ser controlados e, mesmo assim, os riscos vão existir. É o mundo em estado de guerra, proclamado por Hollande.

ÀS
Cristiano Ronaldo
«Não posso ficar indiferente ao horror dos atentados de Paris. Os meus pensamentos estão com as vítimas e respectivas famílias», disse o capitão da Selecção Nacional, chegando-se à frente, como o mais influente desportista do mundo nas redes sociais. Uma tomada de posição adulta, que mostra que a vida não é só futebol.

ÀS
Zlatan Ibrahimovic
«É triste, é trágico. Estas coisas não devem acontecer. Todos os meus pensamentos estão com as pessoas que morreram e com os familiares. Tentei estar concentrado no jogo de hoje, mas foi muito difícil», afirmou o internacional Sueco e estrela maior do PSG. Também não faltou à chamada da responsabilidade.

ÀS
Rafael Nadal
«Estou devastado pelo que aconteceu em Paris e não quero deixar de transmitir todo o meu carinho e apoio à França e aos parisienses». Nove vezes vencedor de Roland Garros (de 2005 para cá só não ganhou em 2009), o tenista de Manacor não faltou à chamada e enviou a palavra solidária que se impunha, a quem tanto o acarinhou.

O mundo fez luto com azul, branco e vermelho
Os atentados de Paris relegam para segundo plano a restante actualidade (quem diria que passaríamos o fim de semana sem que se comentasse a viagem de Cavaco e Silva à Madeira?). O LÉquipe fez uma manchete exemplar, dramárica, como se justificava, mas ao mesmo tempo sóbria e digna.
Sexta-Feira 13
Algumas imagens do Stade de France, na última sexta-feira, que me irão acompanhar: a dúvida dos jogadores perante as explosões, seriam petardos ou algo mais?; espectadores e jogadores reunidos no relvado no final do França-Alemanha; adeptos gauleses num túnel, saindo do estádio, entoando A Marselhesa. O futebol, cada vez com maior visibilidade na sociedade mediatizada do século XXI, esteve no olho do furacão e haverá, por certo, um antes e um depois relativamente aos atentados de Paris, para quem demanda os estádios."

José Manuel Delgado, in A Bola

domingo, 15 de novembro de 2015

Provas dos nove

"Pelo andar da carruagem, a presente época do futebol profissional promete ser muito animada em matérias do foro disciplinar desportivo. Não faltam situações merecedoras de averiguação e prognosticam-se processos e mais processos. Pelo ambiente de conflitualidade permanente que se pressente e se traduz nas tribunas da 'comunicação', é verosímil um elevado grau de 'intensidade' na consulta de relatórios e boletins dos jogos, fornecimento de documentos, realização de inquirições e acareações, assim como demais provas habilitadas a contribuírem para a 'descoberta da verdade material' e os possíveis enquadramentos jusdisciplinares. A animação andará pelos gabinetes da Comissão de Instrução e Inquéritos da LPFP (que não dá apenas 'pareceres não vinculativos' no seio da justiça desportiva...), da Secção Profissional do Conselho de Disciplina da FPF e, em sede de recurso, do novel Tribunal Arbitral do Desporto (em sede de arbitragem necessária 'per saltum', isto é, sem intervenção do Conselho de Justiça).
Tudo começa na instauração dos processos e nos 'meios de prova' que se neles se depositam e produzem para demonstrar a 'realidade dos factos'. Nos processos disciplinares desportivos rege um princípio de liberdade de produção e utilização de todos os meios de prova em Direito permitidos (declarativa, documental pura ou por reprodução mecânica, testemunhal, pericial, inspectiva, assim como a obtenção da transcrição documental, em sede judicial e migrada legitimamente para os processos desportivos, de meios de 'obtenção de prova', como os exames, revistas, buscas, apreensões, escutas telefónicas ou sistemas de videovigilância). Porém, a prova 'desportiva' no futebol profissional tem uma ou outra particularidade. Entre elas, avulta a presunção de veracidade dos factos constantes das declarações e relatórios dos árbitros e dos delegados da LPFP no exercício das suas funções, o que significa que estes agentes são titulares de um valor probatório 'reforçado' perante outros meios de prova. Bem como avulta novamente a faculdade legal de se aceder às imagens gravadas pelos sistemas de videovigilância instalados e legalizados nos estádios (e obrigatoriamente guardadas durante três meses) para apuramento de qualquer infracção disciplinar - algo que tinha sido inexplicavelmente limitado em 2009 apenas aos ilícitos de violência dos adeptos.
Com toda ou alguma dessa prova se decidirá esta 'gritaria'. Absolvendo ou condenando, como é próprio quando os órgãos próprios actuam e decidam. Como é dever."

Alterações às leis do jogo?

"1. As leis do jogo são o verdadeiro ADN de qualquer modalidade ou disciplina desportiva, aquilo que diferencia o futebol do râguebi, a canoagem do remo ou o ténis do basquetebol. No futebol, ao contrário do que se possa pensar, quem manda no jogo não é a respectiva federação internacional (a FIFA) mas antes uma entidade - que agora, pois nem sempre foi assim, conta com a representação da FIFA -, o IFAB, muito ligado à propriedade britânica do futebol.
2. Sucede que essas leis do jogo não são imunes a outras regras que comandam a nossa vida, para o bem e para o mal, neste caso as estatais. A Copa do Brasil já nos tinha oferecido uma decisão judicial que tornou bem efectiva a pausa nos jogos em que as temperaturas pudessem atingir valores bem elevados. Em nome, claro está, da saúde dos trabalhadores.
3. Um novo exemplo chega-nos agora dos EUA. Por via de um acordo alcançado em tribunal, a federação americana de futebol (USSF), adoptou todo um plano de segurança para a prática do futebol por crianças, tendo como foco principal as lesões na cabeça.
4. Assim, a partir de 1 de Janeiro, os miúdos com 10 ou menos anos de idade estão proibidos de jogar com a cabeça. Limitação existirá, para os golpes de cabeça, para miúdos entre os 11 e 13 anos. E para permitir atenção imediata na detecção de lesões, os jogadores que sofram lesão significativa na cabeça, podem ser substituídos, sendo a substituição reversível (e de novo disponível), no caso de a gravidade não se confirmar.
5. As leis do jogo não são assim, bem se vê, resistentes às normas jurídicas públicas e ao lado do IFAB há que contar ainda com outros valores - que tais leis protegem - como seja, no caso, a saúde das crianças que jogam futebol."

José Manuel Meirim, in A Bola

sábado, 14 de novembro de 2015

Vitória com um percalço pelo meio...

Benfica 3 - 1 Sp. Caldas
25-20, 25-27, 25-16, 25-19

Quando este Benfica perde um Set em Portugal, é porque algo de estranho se passou!!! Isto até é bom sinal: é sinal que as expectativas estão altas... e esta equipa merece expectativas altas!!!
Mas hoje perdemos um Set por culpa própria. Já no 1.º Set ganhámos, mas não jogámos bem... no 2.º Set após o segundo tempo técnico, perdemos a concentração, e já não fomos a tempo de recuperar...
Com a entrada do Gelinski, do Oliveira, do Ché e do Roberto a equipa melhorou, e os últimos dois Set's foram muito bons...

Susto...

Lusitânia 67 - 69 Benfica
8-10, 22-29, 21-15, 16-15

Não sei se foi o cansaço das viagens (Bélgica-Lisboa-Angra), ou das ausências do Cook e do Gentry, ou de uma simples desvalorização da partida, mas não jogámos bem, e tivemos muito perto de apanhar uma grande desilusão... Recordo que devido ao desequilíbrio da Liga, a margem de erro, para manter o 1.º lugar, que dará a vantagem para o Play-off, é muito curta... muito mesmo, portanto é melhor não facilitar.
Acabámos por perder a luta dos ressaltos (37/34), o Lusitânia acabou com 50% (30 pontos) nos Triplos, além disso ainda tivemos o habitual numero alto, de Turnovers por parte do Benfica...
Aparentemente a lesão do Cook é ligeira, e estará disponível na Quarta, para as competições Europeias.

Últimos minutos fatais...

Sporting 31 - 29 Benfica
(17-14)

Segunda derrota da época, num jogo equilibrado, que podia ter caído para qualquer uma das equipas, mas uma 'branca' do Benfica, depois do 25-26 a nosso favor, custou-nos caro. Já no 1.º tempo tínhamos tido uma situação parecida, após o 10-10...
Perder nunca é bom, mas num Campeonato que vai ser decidido em Play-off, neste momento o mais importante é a evolução da equipa, e num jogo contra uma equipa teoricamente mais forte, que fez um fortíssimo investimento, ao contrário da aposta mais ponderada do Benfica (10 jogadores formados no Benfica na ficha de jogo), e ainda sem o Tiago e o Ronny, creio que estas duas derrotas fora de casa, contra os adversários mais fortes - nesta 1.ª volta -, não são preocupantes... Agora, temos que melhorar a eficácia ofensiva...
Hoje, voltámos a ter dificuldades a jogar em superioridade numérica e voltámos a falhar golos fáceis aos 6 metros... algo que tem sido recorrente.
O nosso melhor guarda-redes é o Figueira, mas as suas qualidades são demasiado conhecidas pelos nossos adversários internos, talvez por isso o Mitrevski tenha jogado tanto tempo, e até esteve bem nos 7 metros...

Arrasadores !!!

Benfica 13 - 1 Candelária

Foi uma primeira parte verdadeira diabólica, 11-1, primeiro com o João a marcar quatro e depois a dupla catalã a fazer o resto!!! Muita velocidade, excelentes golos, contra um adversário frágil, com poucas opções, mas com alguns jogadores experientes...
No 2.º tempo deu para descansar, o 2-0 acabou por saber a pouco!!! Agora, é claro o crescimento desta equipa desde o início da época, estamos no bom caminho...

O pugilista de perna curta

"Na opinião do presidente do Arouca o presidente do Sporting é “um homem sem palavra”. A expressão vale-se de um doce eufemismo que o decoro consente e que, melhor ainda, obsta ao prolongamento da conversa noutras instâncias. O grande público desconhece a natureza da situação que gerou este desabafo. E o presidente do Sporting não se deu, até este momento, ao trabalho de contrapor à acusação implícita que lhe foi dirigida a sua lapidar saída para estas ocasiões que é um “fartei-me de rir” que já vai fazendo História. Todos estaremos de acordo no que importa ao nosso futebol. É que seja um lugar bem frequentado. Há indícios optimistas neste capítulo.
O presidente do Arouca, por exemplo, recorre a figuras de estilo do século XIX para evitar o insulto. Melhor esteve ainda o presidente do Benfica quando, no ano passado, vendo-se acusado publicamente pelo presidente do Sporting de lhe ter confidenciado num telefonema que “os melhores reforços são os árbitros” respondeu delicadamente com um “é feio dizer mas Bruno de Carvalho mentiu”. Que expoente de boas maneiras este reconhecimento do que é feio dizer, note-se. Quanto ao presidente do Sporting, posto no seu lugar e logo num assunto tão capitoso que, imagine-se, metia árbitros e tudo, respondeu como lhe manda a virtude. “Fartei-me de rir, não houve telefonema nenhum, estava a ironizar.” Estava apenas na pandega.
No último mês de Outubro, logo depois de ter insinuado que o Benfica aliciava árbitros, o presidente do Sporting voltou à cartilha para anunciar que muito se ia rir com a resposta do presidente do Benfica. Mas desta vez a resposta não chegou. O silêncio do presidente do Benfica foi então celebrado como uma derrota do rival, uma assunção de culpa que o conduziria à II Divisão, no mínimo.
Tudo faz crer que a situação agora se alterou já que o espalhafato do mês passado foi reduzido pelos visados – os árbitros – à sua realíssima essência. E, assim sendo, o silêncio do presidente do Benfica já não é visto como sintoma de derrota mas sim de perversa “estratégia” intelectual. Como naquele velho filme do Chaplin-pugilista de perna curta, escondendo-se sempre atrás do árbitro na tentativa vã de derrubar o adversário maior do que ele, o presidente do Sporting vai continuar a ironizar até onde puder e, provavelmente, a arrecadar aos três pontos de cada vez."

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Paciência... épica !!!

Benfica 2 - 0 Lokomitiv Kharkiv

Antes de começar a partida sabíamos que tínhamos que vencer por 2-0, o 1-0 podia não chegar, ficávamos a depender de terceiros (por acaso com o empate do Slov até podia ter chegado!!!).
Os Ucranianos do Lokomotiv, reconheceram a nossa superioridade e optaram por uma estratégia de zero risco!
O Benfica foi sempre superior, as estatísticas confirmam, o resumo das oportunidades mostra claramente o nosso maior caudal ofensivo, mas nós sabíamos que não podíamos sofrer golos, sabíamos que eles iam jogar no nosso erro, e que iam dar muito pouco espaço (mesmo nos contra-ataques o Lokomotiv deixava sempre dois jogadores lá atrás)... Por tudo isto, o jogo acabou por ser jogado com muitos nervos, com poucos espaços, e com receio mutuo.... Com os Ucranianos a defenderem com todos os jogadores nos últimos 10 metros durante grande parte do jogo!!!
Quando conseguíamos ultrapassar a barreira do Lokomotiv aparecia o guarda-redes ou os postes, o jogo parecia bloqueado, até que o Fernando, após uma excelente simulação enganou os Ucranianos, e mandou um bico lá para dentro!!!
O jogo mudou, faltava 6.30m o Benfica arriscou um pouquinho mais... Numa jogada deixámos o Chaguinha a Fixo, com o Pivot adversário, que com o corpo facilmente ultrapassou o nosso jogador, isolou-se, mas rematou ao lado. Após este raro desperdício, comecei a acreditar mais...!!!
Só arriscámos o 5x4 a cerca de 1.30m do fim. Estávamos naquela situação onde o 1-0 podia ou chegar!!! Durante esse 1.30 nunca arriscámos, nunca rematámos, trocámos a bola, via-se que tínhamos uma jogada planeada (calcanhar para um remate do Patias ou do Fernando de longe...), mas o Lokomotiv estava preparado...
Até que já em desespero, a bola vai para o Brandi, que numa daquelas situações, onde o Alan estica a perna, e vence a dividida com o adversário (algo bastante comum nele... muito raro num avançado!!!), tenta assistir o Patias, a bola é desviada e vai ter com o Fábio, que consegue fazer o mais difícil, pois com a baliza toda aberta, meteu a bola rasteira, por baixo do corpo de um defesa, e por entre as pernas do guarda-redes, mesmo ao meio da baliza...!!! Tudo isto, a 2 segundos da eliminação!!!
Festa, muita festa... em Brastilava, e em todo o Mundo Benfiquista, por mais este triunfo épico, deste Benfica, que continua a dar-nos vitórias, com muita raça, crer e ambição... e nem o facto de hoje ser Sexta-feira, 13 nos parou!!!
Estamos na Final-Four - Inter(Esp), Ugra(Rus), Pescara(Ita) -, não somos favoritos, mas tenho a certeza que vamos lutar até ao fim!
Cometemos muitos erros no jogo com o Slov-Matic, temos alguns jogadores a recuperar de lesões, ainda longe da forma ideal... o caso mais evidente é o Chaguinha, que é talvez o nosso principal desequilibrador. Mas continuamos a demonstrar um enorme pragmatismo e eficiência... em todas as competições. Com muito coração na forma como nos entregamos aos jogos, mas com muita cabeça na forma como trabalhamos os jogos, antes e durante... sem ataques malucos, e sem defesas cheias de buracos...
Parabéns a toda a secção. Mereciam uma Final-Four em Lisboa, mas como o ano passado os Lagartos envergonharam o País, mais uma vez no Pavilhão Atlântico, este ano a Final deve ser noutro local... provavelmente em Espanha, com o Inter a apostar forte na vitória...

Joel Rocha destaca trabalho diário dos Jogadores

Publicado por Zona técnica - Futsal em Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Festa no Balneário do SL Benfica

Publicado por Zona técnica - Futsal em Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Imaginem...

"A vitória sobre o Boavista deu ao Benfica 15 dias de sossego para preparar os jogos que podem definir a época. O jogo da Taça de Portugal contra o Sporting, a jornada europeia e a deslocação a Braga (este o jogo mais importante) ditam muito do que será a temporada 2015/2016 do Benfica.
O Benfica tem tido prejuízo sucessivo nas arbitragens desde o início do campeonato. Se os nossos rivais tivessem metade destes erros a penalizá-los caía o Carmo e a Trindade. Sem erros de arbitragem, o Benfica, mesmo a jogar menos bem, já liderava o campeonato. Foi o jogo contra o Arouca, foi o jogo do Dragão, e falo também em jogos que ganhámos, o golo fora de jogo do Moreirense só não foi dramático porque Jonas resolveu. Têm sido sistemáticos os erros para um só lado. Imaginem que o penalty não marcado do Arouca-Sporting... tinha beneficiado o Benfica em vez dos leões? E o golo/penalty fora de jogo no Sporting-Estoril? E o lançamento dentro de campo ao minuto 95 que dá o golo ao Sporting contra o Tondela? O que se escrevia se fosse o Benfica? Este ano, se queremos ganhar, teremos que ser muito melhores que os adversários. Prejudicar o Benfica e beneficiar os rivais virou moda e prova de coragem arbitral.
As modalidades do Benfica estão globalmente muito bem, mas discordo completamente desta moda, de quase todas terem play-off a decidir o título. O campeonato deixa de ser uma prova de regularidade e transforma-se numa mini Taça de Portugal a eliminar, em quase todos os casos. Só o basquetebol, por inspiração americana, tem fundadas raízes para este modelo competitivo. Discordo desta cedência a ditaduras das televisões que querem finais empolgantes e incertos em detrimento da verdade desportiva de um campeonato. Há em alguns casos até a possibilidade de fazer contratações apenas para essas fases decisivas da prova. Parabéns à federação de hóquei que mantém o modelo correcto e justo."

Sílvio Cervan, in A Bola

Agora a sério

"Anda meio mundo a discutir a introdução das novas tecnologias no futebol e outro meio a tentar perceber o que se discute.

Não falta, nos tempos que vão correndo, quem levante a voz em defesa das novas tecnologias no futebol. Parece, porém, falar-se muito mas concretizar-se pouco. Hoje, é o presidente do Sporting que dá a ideia de ser o porta-estandarte dessa bandeira; mas não há muito tempo, também o presidente do Benfica chegou a juntar a sua voz na Assembleia da República na luta pela introdução das novas tecnologias no futebol a bem da verdade desportiva.
O assunto vem merecendo ampla discussão, e ainda bem, porque é preciso muito cuidado a tocar uma modalidade desportiva com mais de cem anos e um jogo tão apaixonante em todo o mundo. O que não se tem visto é uma discussão tão esclarecedora como seria desejável tendo em conta exactamente a importância do jogo e das emoções que ele produz.
Sim, parece cada vez mais consensual a ideia de que é indispensável fazer alguma coisa no jogo de futebol para procurar que ele traduza no fim um resultado sobretudo mais verdadeiro. Nesse sentido, a inclusão de sensores de baliza que determinem sem qualquer espécie de dúvida se a bola ultrapassou totalmente ou não a linha de golo parece-me, a mim e julgo que a todos, uma decisão absolutamente inquestionável.
Não será admissível, na verdade, que possa depender do olho de um qualquer árbitro (o de campo, o de linha ou o auxiliar) as decisão de validar ou não um golo, sendo o golo o objectivo final do jogo e, portanto, o seu factor primordial. É muito difícil tolerar que um clube gaste milhões de euros numa equipa e possa vê-la sujeitar-se à anulação de um golo marcado de forma clara e limpa num qualquer jogo de futebol, ainda mais, evidentemente, num jogo da importância financeira e desportiva como tem qualquer jogo das competições continentais ou mundiais de clubes ou selecções.
Simplificando, já é tempo de validar ou não um golo com a certeza absoluta porque há na realidade meios que o permitem. O golo é a essência do futebol; não pode nem deve suscitar dúvidas!

Bem diferentes me parecem, porém, os ângulos da discussão sobre a já famosa necessidade de se recorrer ao videoárbitro, por se falar muito sobre o assunto mas continua a perceber-se pouco o que se ouve. Na teoria, é simples mas na prática, a questão não deixa de ser relativamente complexa. Imaginemos que nas mais importantes competições cada jogo passaria a dispor de um videoárbitro. E quem ele pode recorrer?, apenas o árbitro ou também os treinadores de cada uma das equipas? E se os treinadores também puderem, poderão recorrer quantas vezes? Entre duas e quatro vezes por jogo? E o árbitro também? Decide-se se o podem fazer duas, três ou quatro vezes por partida e está resolvido o problema? Será assim? E em que circunstâncias pode recorrer-se ao videoárbitro? Só em lances dentro da grande área? Que possam traduzir-se em castigos máximos? E só se o jogo parar? E se o jogo não parar?, poderá um treinador (ou um árbitro) ter, por exemplo, o poder de cortar um contra-ataque de um adversário para analisar um lance duvidoso? E se não tiver razão? Já penalizou a equipa contrária, será que passa igualmente a ser também penalizado? Em que medida? Mas será que deve o árbitro ter recurso ilimitado ao videoárbitro? Em qualquer circunstância? Parando o jogo sempre que o quiser? E vai o futebol continuar a ser futebol?

ainda uma outra questão - porventura a mais complexa de todas - que parecem querer ignorar todos os que têm vindo a defender de forma mais firme o já vulgarizado tema das novas tecnologias no futebol: a questão da interpretação.
Que sirva de exemplo o lance que no último domingo se verificou no jogo Arouca-Sporting, quando o brasileiro da equipa da casa, Adilson, se envolveu num choque com o brasileiro da equipa leonina Naldo, na grande área sportinguista.
Ponto de ordem à mesa: não houve, na minha opinião, razão para grande penalidade.
Como sempre em lances de natureza semelhante na grande área de uma das três equipas grandes ou do adversário que defrontam, o choque de Adilson em Naldo suscitou ampla controvérsia e também dividiu as opiniões. Ou seja, muitos olhos a verem e nenhuma decisão consensual. Para ti é grande penalidade mas para mim não é!

Nesse lance, o jogo parou porque a bola acabou por sair, se não estou em erro, pela linha de fundo, e portanto podemos imaginar com relativa facilidade que o árbitro recorreria ao videoárbitro; ou só o árbitro ou também os treinadores.
A que conclusão chegariam?
Como se decidiria?
O lance seria visionado colegialmente mas acabaria decidido apenas pelo árbitro?
E se o árbitro continuasse a decidir mal?
Esclareço a minha opinião sobre o lance referido: na televisão, admito realmente que fique a ideia de que Naldo, de forma esperta, usa o corpo, já em queda após escorregar, para tentar impedir que o adversário possa jogar a bola.
Mas ninguém pode afirmar tal intenção.
Além disso, nada nas regras do futebol impede que Naldo mergulhe naquele lance para tentar desviar a bola de cabeça, antecipando-se assim ao adversário que, vindo na direção oposta e com os olhos apenas na bola, não vê o opositor, choca e cai.
O problema é que se uns viram no lance razão para grande penalidade, outros tantos consideraram correta a decisão do árbitro de nenhuma falta assinalar.
Mesmo como videoárbitro... lá ficaríamos todos na mesma.

Em resumo, sim às novas tecnologias no futebol mas não se discuta no ar como fazê-lo. Já se pensou criar um grupo de trabalho para discutir o assunto a fundo - envolvendo árbitros, treinadores, jogadores, jornalistas, dirigentes... - e produzir um documento, contribuindo para um debate sério e não para a gritaria do costume? Pensemos nisso!"

João Bonzinho, in A Bola

PS: Quando um profissional da comunicação social desportiva, vem discutir a intencionalidade de um derrube - quando a única infracção no Futebol que obriga a uma avaliação da intencionalidade, são os lances de Mão na Bola -, estamos esclarecidos sobre a qualidade do dito profissional...!

Ontem, Arouca foi uma lição...

Por vezes, observando o desolador aspecto de muitas bancadas vazias, em jogos da Liga portuguesa, interrogamo-nos sobre a verdadeira dimensão do vínculo existente entre o futebol e os adeptos. Normalmente, atribui-se ao concurso de diversos factores - fraca qualidade do espectáculo, preços demasiados altos e horários impróprios - a ausência de público, deixando-se, ainda, a porta entreaberta para a possibilidade do entusiasmo pelo jogo estar a perder fôlego. No meio destas dúvidas, porém, surgem exemplos que devolvem a esperança e apontam caminhos. Ontem, em Arouca, com a RTP a transmitir em canal aberto, 3800 espectadores, maioritariamente jovens, assistiram ao Portugal-Albânia em sub-21 (e mais seriam se a UEFA não impedisse a utilização amovíveis) um número superior aos 3000 (jogo dado pela Sport TV) que presenciaram, há escassos dias, no mesmo palco, o Arouca-Sporting. Através deste exemplo, creio não ser abusivo colocar de lado a tese de que há um menor interesse pelo futebol. A vontade de ir ao estádio permanece intacta, o desejo de fazer a festa ao vivo sobrepõe-se à opção televisiva. Se a este factor juntarmos uma política de preços mais de acordo com o país real e uma lógica de horários que não seja dissuasora, haverá forma de inverter o caminho de desertificação das bancadas em que estamos enredados. Infelizmente, muitos clubes ainda não perceberam que não há bem mais precioso do que ter espectadores nos estádios. É essa a mola real do desenvolvimento. A FPF continua, neste particular, a dar lições. E às vezes até fica a sensação de que anda a pregar no deserto."

José Manuel Delgado, in A Bola

Os batoteiros

"No final de 2014, a Agência Mundial Anti dopagem (AMA) criou uma Comissão Independente para investigar os factos denunciados no documentário do canal de televisão alemã ARD intitulado 'Os segredos do Doping. Como a Rússia faz os seus vencedores'. No documentário denunciam-se alegadas práticas organizadas de doping, corrupção para viciar o processo de recolha e gestão de resultados dos exames antidoping envolvendo atletas. técnicos, treinadores, médicos, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF), o laboratório sedeado em Moscovo e a Agência Antidoping da Rússia.
O relatório, apenas agora tornado público, é demolidor. Acusa a Rússia de criar um esquema de doping sem precedentes para conquistar medalhas, com o envolvimento de médicos, atletas, treinadores e dirigentes ao mais alto nível, excluindo do sistema quem a ele se opusesse. Alerta ainda a Comissão de que a Rússia não é o único país, nem o atletismo o único desporto, a ser atingido pelo problema do doping organizado.
A independência e rigor dos órgãos que tutelam a estrutura desportiva é fundamental, não confundido a sua função com a do adepto, não aceitando fechar os olhos a troco de dinheiro, status político ou glória efémera. Valorizar os atletas limpos deve ser uma prioridade inequívoca e total, punindo exemplarmente quem viola as regras. Todo e qualquer agente que contribua para a viciação do resultado tem de ser sancionado, em prol da verdade desportiva e dos valores ínsitos no desporto.
Há quem entenda que banir atletas, treinadores, dirigentes ou organismos envolvidos nestes esquemas organizados e sistematizados é radical! O que pensarão os atletas que os viram subir ao pódio no seu lugar graças à batota? E os apaixonados adeptos que respiram a competição?"

Mário Santos, in A Bola

Olé!

"«Com 14 milhões de adeptos em todo o mundo, 120 jogadores, um estádio com 65 mil lugares e 500 mil subscritores do seu canal de televisão, parece lógico que a tecnologia faça parte da estratégia de negócio do Benfica». É assim que começa a peça jornalística publicada pelo jornal diário espanhol El Mundo no passado dia 4 de Novembro. O destaque ao bicampeão nacional português foi dado por este ser, como diz o título da notícia, 'o primeiro clube hiperconectado: estádio, plantel e adeptos'.
É assim a grandeza do SL Benfica que muitos em Portugal continuam a não querer mostrar e que outros procuram todas as semanas denegrir. E é esta a nossa grande diferença.
Enquanto um treinador de nome difícil de pronunciar 'planta' notícias contra o SL Benfica num jornal desportivo espanhol de pouco alcance, graças aos favores de um seu amigo jornalista, o Glorioso é dado como exemplo num dos jornais mais reputados de Espanha. E sem que ninguém do clube faça alguma coisa para isso. Acontece graças ao trabalho e ao facto de o Benfica estar hoje na crista da onda tecnológica em relação à comunicação e ao futebol. A parceria com o gigante chinês Huawei para melhorar a ligação wifi no Estádio da Luz é apenas uma das muitas medidas que provam o avanço e a diferença do SLB em relação aos outros, aos que apenas invejam, criticam e nada fazem. Podíamos falar do sucesso financeiro do projecto BTV ou do avançado sistema de treinos 360s, mas nem é preciso. Quem acompanha a realidade do Benfica sabe do que se fala. E se não aplaude, é porque não quer ver. Sim, a equipa de Futebol não está ainda na posição da tabela que todos queremos, mas isso é temporário. Já quanto à posição do Clube na elite dos mais avançados tecnologicamente, essa é definitiva. É mais um título que ninguém nos tira."

Ricardo Santos, in O Benfica