Últimas indefectivações

sábado, 1 de agosto de 2015

Cenários com água atrás

"O Sporting esteve na África do Sul e o seu presidente aproveitou para falar aos jornalistas com os pés bem fincados no Cabo da Boa Esperança. Não é todos os dias que se tem à disposição uma paisagem mítica e com aquela água toda atrás. Não é, no entanto, a primeira vez que um presidente do Sporting escolhe uma maravilha da Natureza de reputação internacional como pano de fundo para uma alocução. HÁ cinco anos, José Eduardo Bettencourt aproveitou uma visita ao Canadá para, mesmo à beirinha das Cataratas do Niágara, fazer a mesma coisa. E merece sempre ser ouvido quem se dispõe a falar de pés fincados à beira de qualquer panorama de belezas e de riscos excepcionais. No Niágara, por exemplo, com aquela água toda a cair atrás dele à razão de 2 mil metros cúbicos por segundo, Bettencourt não só sobreviveu a perigos bem maiores do que os do Cabo da Boa Esperança, como ainda se fez razoavelmente ouvir por cima da tremenda barulheira das torrentes.
o próximo cenário em linha para a história do futebol português não mete água. E, se meter, é coisa pouca. Trata-se do monumento escolhido por Jorge Mendes para os festejos do seu matrimónio. Nem mais nem menos do que os jardins de Serralves, na cidade do Porto, em território nacional ainda que pertíssimo de Madrid, o que sempre é da maior conveniência como tão bem se explicou Iker Casillas. Desejo as maiores felicidades ao super-agente.
EM primeiro lugar, porque não é todos os dias que uma pessoa pode desejar felicidades a um super-agente, o que nos remete para a literatura de espionagem do tempo da guerra fria. Em segundo lugar, porque quanto mais feliz estiver o super-agente mais depressa se acabam os bailes, a insensatez das pirâmides de camarão, as conversas intermináveis sempre à volta dos mesmos assuntos os confetti a esvoaçar ao sabor da fumarada dos charutos, as solicitações dos amigos para só mais uma fotografia. Quanto mais depressa se acabar tudo isto, melhor.
ESTE casamento de Jorge Mendes a uma semana do início da temporada oficial, já deu cabo de uma família, e logo a minha, a família benfiquista que desespera por ver entrar em acção com reforços atrás de reforços este noivo que, de tão afadigado com os preparativos da festa, não tem tido tempo para olhar para assuntos de muito maior importância. Até ao dia 9 de Agosto vamo-nos entretendo com estas coisitas, está bem?"

Leonor Pinhão, in Record

Análise ao Benfica de Rui Vitória

"Lima e Jonas foram criados pelo seu criador como dois parceiros, cheios de cumplicidades. Jonas sozinho é e será apenas uma metade...

Rui Vitória pode ter um problema muito sério para resolver se o presidente Luís Filipe Vieira não o ajudar a resolver. Ou seja: num quadro, pouco provável, de não haver alterações significativas de jogadores no plantel do Benfica, o que implicaria a continuidade forçada e talvez, até, pouco esforçada de Gaitán, o treinador do Benfica parece optar por uma mudança de sistema de jogo, usando apenas um ponta de lança, um jogador em apoio e dois médios de natureza mais defensiva. Os entendidos da táctica chamam-lhe o 4x2x3x1.
À partida, em futebol, não há sistemas melhores do que outros. Tudo depende das características dos jogadores. O que acontece é que este Benfica estava formatado por Jorge Jesus num 4x4x2 que já vinha de há muito tempo e, por isso, deixou marcas profundas aos jogadores. Isso implicava que os dois homens da frente - Lima e Jonas - fossem criados pelo seu criador à imagem e semelhança de dois avançados que se completam no estilo, na movimentação em jogo, no conhecimento dos espaços que um e outro pisam. Ora, quando sai um desses jogadores, não sai apenas um avançado, mas um parceiro, e um parceiro é algo que implica hábito, familiaridade, cumplicidade, no fundo, coisas que não se substituem com facilidade e, sobretudo, no imediato.
Acresce que Jonas é, claramente, um avançado de parceria e não um número nove. É um avançado, mas não é um ponta de lança. É um jogador que gosta de jogar e não apenas de chutar. Jonas sozinho na frente é e será sempre uma metade incompleta.
Pode dizer-se que não tem forçosamente de estar sozinho. Poderá ter Pizzi, Talisca, até mesmo Gaitán nas costas. Não é o mesmo que ter Lima a seu lado ou à sua frente, abrindo espaços, levando com ele centrais em marcação.
O PROBLEMA LATERAL
Não será esse, porém, o único problema de Rui Vitória neste Benfica. A saída de Maxi soma-se, de forma perigosa, à ausência de Salvio, o que abre todo o flanco direito de ataque do Benfica a uma nova e desconhecida aventura.
Tal como acontecia na frente de ataque, também os flancos são, hoje em dia, espaços de parcerias. O lateral direito tem de ser um parceiro do ala direito. Assim acontecia com Maxi e com Salvio. É aliás curioso ver que Maxi ainda está perdido na ala direita do FC Porto. Não sabe se deve avançar ou recuar, não sabe se deve entrar pela área ou pela linha. É um jogador estranho numa equipa ainda estranha. Só o tempo resolverá.
O mesmo sucede no Benfica, com a agravante do Benfica não ter, para já, um defesa direito (e esquerdo também não) capaz de esticar o jogo de ataque da sua equipa. O que se torna dramático, sobretudo num sistema que prevê dois médios mais defensivos e por isso com maior e mais efetiva capacidade para fazer a compensação dos laterais que sobem até aos limites do campo.
A QUESTÃO DE GAITÁN
Falemos por fim do terceiro problema sério de Rui Vitória: Gaitán. O mais provável é Gaitán sair. Se isso acontecer, é difícil pensar que tudo se resolverá, apenas, com a prata da casa, mas também é verdade que, libertando dinheiro, o Benfica pode tomar decisões numa lógica de prioridades e essa deverá passar pelo(s) ponta(s) de lança e pelo lateral... ou laterais.
Mas pode dar-se o caso do mercado ficar, de repente, bloqueado e isso impedir a saída de Gaitán. Pode ficar-se com a ideia de que seria bom para Rui Vitória. Não sei se seria. A História do futebol moderno está cheia de casos problemáticos de jogadores que ficam contrariados e deixam de valer o que antes valiam."

Vítor Serpa, in A Bola

Vitória sobre o Vitória !!!


Benfica B 3 - 2 Setúbal



Último jogo da pré-época, com mais uma vitória, desta vez sobre uma equipa da I Liga!!! Recordo que a nossa equipa B, é composta por vários Juniores, e muitos seniores de 1.º ano...!!!

Momentos...

Momentos antes do último encontro...Moments ahead of the last match...#ICC2015

Posted by Sport Lisboa e Benfica on Sexta-feira, 31 de Julho de 2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A ansiedade é grande

"A venda de Lima destapa ainda mais a necessidade de reforçar o ataque encarnado. Se com Lima havia muitos que clamavam por mais uma solução ofensiva, sem Lima, com a saída de Derley que nunca foi uma verdadeira solução, fica notória essa necessidade. No entanto, a idade do jogador, os valores envolvidos, tornaram o negócio numa inevitabilidade que ninguém pode criticar. Por muito que nos custe, foi um acto de boa gestão, quer financeira, quer de grupo. O Benfica trata bem os profissionais que tratam bem o Benfica. Gosto assim, mesmo que agora haja (e eu tenho) uma grande ansiedade para ver quem chega, e a qualidade que tráz.
Curiosamente, gostei menos do jogo que ganhamos nesta pré-época, e gostei mais do que perdemos com o NY Red Bulls. Se exceptuar o resultado, este, foi o encontro onde houve mais posse, mais fio de jogo, jogadas mais ligadas e só dois deslizes de pré-época ditaram sorte madrasta. Excelente a exibição de Lisandro López nesse jogo, para mim o melhor em campo. Esperamos continuar a melhorar até dia 9, onde disputamos uma espécie de final do Guadiana, mas de forma oficial.
Vai ser um campeonato interessante e equilibrado e quem conseguir melhores retoques até dia 31 de Agosto, poderá ter vantagem. Até ao fim não se saberá quem sai e quem entra, os clubes e seus treinadores resolvem equações onde não têm todos os dados. É matematicamente uma impossibilidade. Jornais, rádios e televisões desdobram programas diários para acompanhar as movimentações, as supostas movimentações e as presumíveis movimentações. Aguardo pela realidade, para não me incomodar com o ruído.
E domingo lá terei que me deitar outra vez tarde para ver a Eusébio Cup. Até a feijões e fora de horas é um bom programa ver o Benfica."

Sílvio Cervan, in A Bola

Contas aos pontos-UEFA

"O V. Guimarães esteve a perder por 2-0 na Áustria e marcou um golo que enche de esperança os conquistadores, de olhos postos na segunda mão; o Belenenses esteve a ganhar por 2-0 ao Gotemburgo e deixou que os suecos reduzissem para 2-1, ensombrando o optimismo azul na passagem à fase seguinte da Liga Europa. Tudo em aberto, esperança lusitana em doses apreciáveis, mas sempre, como pano de fundo, as contas aos pontos-UEFA a deixarem uma angústia razoável em quem procura ver para além da espuma...
A última época, em termos de pontos europeus, foi francamente má para os portugueses. Se a época que agora começa for no mesmo sentido - e daí que as prestações de Belenenses, V. Guimarães, nesta fase, sejam relevantes - o que acontecerá em breve é a redução da quota das equipas nacionais na Champions, que passará de 2+1 para 1+1.
Quer isto dizer que, se nos mantivermos no plano inclinado de 2014/15, daqui a pouco só o campeão nacional terá acesso directo à Liga dos Campeões, disputando, o segundo classificado, a pré-eliminatória. Ou seja, dos três grandes, habituais primeiros classificados na Liga portuguesa, só um terá a garantia do acesso aos milhões da Champions; o segundo vai penar na incerteza do play-off, e o terceiro vai contar trocos para a Liga Europa. Este elemento traz para a discussão a importância da Liga nacional. Não se trata, a partir de agora, de ser primeiro só pelo título, mas sim de, ao consegui-lo, cavar um fosso grande para o segundo e uma distância tremenda para o terceiro. É por isso que todas as acções, dentro e fora do campo, são cada vez mais importantes e todas as alianças, mesmo as mais improváveis, acabam por ter cabimento..."

José Manuel Delgado, in A Bola

A renumeração...

"A 28 de Maio de 1977 dava entrada, nos serviços administrativos do SLB, um pedido de inscrição de Sócio. Ao novo associado Benfiquista, eu, nascido na noite anterior, foi-me atribuído o número 58626. Se fosse esta semana, teria um número superior a 285000...
A evolução da dimensão da nossa massa associativa, com destaque para os últimos dez anos, foi notável, nomeadamente se tivermos em conta que, hoje em dia, apesar dos muitos benefícios oferecidos, é 'menos' vantajoso ser Sócio do que foi no passado, em que as quotas em dia permitiam a entrada gratuita em todos os jogos do Campeonato Nacional realizados no estádio da Luz, à excepção de dois, os chamados 'dias de Clube', entendidos como uma contribuição complementar dos sócios para o equilíbrio das contas do Clube. De dois passaram a três, a cinco, a todos...
Da 'minha' primeira renumeração (1981), não guardo qualquer recordação. Passei a ser o sócio 29209 (!). Na seguinte, em 1986, surpreendido por receber novo cartão com um número diferente, tornei-me no 21996. Segui-se a de 1993, esta já aguardava com grande ansiedade e curiosidade por conhecer o novo número, em que, aos 16 anos, passei a ser o 16968. Cinco anos depois, vaidoso, era o 13263. E em 2005, orgulhoso, mas ciente que, com 28 anos de sócio, cada número a menos é, quase de certeza absoluta, um Benfiquista que já não está entre nós, tornei-me no 9478.
Aos 38 anos de vida e de associado do SLB, apesar da curiosidade, já não aguardo ansioso pelo novo número nem o receberei com grande satisfação. No entanto, sentirei sempre gratidão por todos os Benfiquistas que só a morte os impediu de continuarem a pertencer ao nosso querido Clube."

João Tomaz, in O Benfica

O amarelo

"Concluído o Tour de France, aí está a Volta a Portugal. Na ausência de futebol a sério, são as bicicletas que ocupam o seu lugar.
Paisagem, aventura, esforço, cores, dramas, mitos, povo, heróis e alguns vilões, fazem do ciclismo um espectáculo maravilhoso. Parece feito de encomenda para a televisão, proporcionando longas horas de transmissão directa, conduzindo o espectador por montanhas e vales, como se ele próprio estivesse de viagem. Doping? Existe em todo o desporto profissional, e esta é certamente a modalidade mais controlada. 
Enquanto amante de ciclismo, e enquanto benfiquista, não posso deixar de me associar aos muitos que sonham com o regresso do clube às estradas, mesmo sabendo quão difícil seria materializar tal sonho no imediato.
O ciclismo não vende bilhetes. Vive da publicidade, e custa dinheiro (500 mil euros/ano, para uma equipa ganhadora a nível nacional). As empresas interessadas em investir pretendem um nível de visibilidade que a marca Benfica – se a elas associada – ofuscaria. A nossa última incursão neste mundo não correu nada bem. 
Creio, porém, que o Benfica carrega esta dívida para com a sua história. Ostenta uma roda no emblema, e deve grande parte da sua popularidade a nomes como José Maria Nicolau, que levavam as camisolas vermelhas até aos locais mais recônditos do país, quando nem sequer existia campeonato de futebol.
Falta pouca coisa para que o nosso Benfica seja integralmente devolvido àquilo que foi no passado. O regresso ao ciclismo poderia ser um desafio para um dos próximos mandatos de Luís Filipe Vieira. Seria a cereja no topo do bolo."

Luís Fialho, in O Benfica

Proença e a Liga

"Pedro Proença foi eleito presidente da Liga Portuguesa de Futebol e tomou posse nesta última quinta-feira. O Benfica - e Luís Filipe Vieira - mantiveram-se ao lado do presidente Luís Duque, tal como tinha acontecido aquando da sua original eleição.
Teremos agido bem?
Deve notar-se que nunca esteve em causa, nem para o Benfica nem para os seus dirigentes, as propostas de Proença no sentido do reforço da participação dos clubes e da credibilização da I e II Liga Portuguesa de Futebol. Estava em causa, isso sim, a coerência na gestão desportiva.
Quando Duque foi eleito, a Liga estava praticamente falida, os patrocínios distantes e os principais dirigentes dos clubes completamente de costas voltadas. Para não falar, claro, da conhecida turbulenta relação com a arbitragem...
Em apenas alguns meses, o ex-presidente colocou as finanças em ordem, conseguiu renovar a credibilidade da Liga e atraiu um conjunto importante e inovador de patrocinadores (por exemplo, o patrocínio da NOS para os próximos três anos) fundamentais para a estabilização do organismo e o seu funcionamento.
Fora essas, essencialmente, as razões de Luís Filipe Vieira em todo este processo. Não estava em causa Proença, Duque, Pinto da Costa ou Bruno de Carvalho: estava em causa a coerência no Futebol.
Que orgulho devemos sentir em ter ao leme do nosso clube um presidente assim: honra os compromissos assumidos e projecta as decisões do clube muito para além das mesquinhas disputas do momento. Devemo-lhe muito em prol da unidade no Futebol português. Posto isto, e como diria Luís Filipe Vieira, toda a sorte do mundo à nova Direcção da Liga."

André Ventura, in O Benfica

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Tenho saudades duma transição rápida

"Os golos vão aparecer. O que parece ter desaparecido é o Benfica das transições rápidas para dar lugar a um Benfica onde ninguém foge, não se vá desmanchar o bloco.

PEDRO PROENÇA é o novo presidente da Liga de Clubes.
E depois, qual é o problema?
Nenhum.
O antigo árbitro terá certamente uma agenda recheada de ideias modernas para o futebol português e, que se saiba, não se propôs no seu programa eleitoral a decretar a impossibilidade prática e teórica de o Benfica vir a conquistar o campeonato pelo terceiro ano consecutivo.
E, como se sabe, esta é a eventualidade que mais enerva o Sporting e o Porto, subscritores maiorais da candidatura de Pedro Proença.
É, no entanto, natural que Porto e Sporting tenham uma grande fezada em Proença que, nos últimos anos, foi quem lhes garantiu as maiores alegrias. Por via directa no caso do Porto e por via indirecta no caso do‪ #‎NotSportingLisbon‬.
Mas não passa disso. É apenas fé, não daquela fé que move montanhas mas da que se compraz em si mesma amesquinhando até o perfil de idoneidade do novo presidente da Liga de Clubes.
A verdade é que a notícia do regresso ao activo de Pedro Proença causou alarme nos nossos areópagos.
- Valha-nos Deus que o campeão voltou! – lamentaram-se muitos benfiquistas.
Enquanto isto, uma onda de euforia inundava as casas dos rivais com a certeza abusiva de que Pedro Proença nunca lhes falhará.
- O campeão voltou! O campeão voltou! – exultaram, cheios de certezas, portistas e sportinguistas. Penso que estão todos enganados nas suas suposições.
O campeão ainda não voltou. Continua mais uns dias pelas Américas. O campeão voltará a 9 de Agosto para a decisão da Supertaça. Só a partir daí é que se pode começar a falar a sério. Até lá valem todas as cantigas, incluindo as nossas.

FOI-SE embora o Lima. Tem 32 anos e chegou a sua hora de fazer um contrato das arábias. Já fez, está feito. Tenho mais pena de não o ter visto chegar ao Benfica mais cedo do que chegou do que de o ver partir já em idade de merecer, como merece, uma reforma dourada onde quer que seja.
O brasileiro saiu do Benfica como um senhor. Vai-nos fazer falta, certamente.
Em três anos de Benfica, Lima marcou 70 golos, muitos deles extraordinariamente importantes. Foi um excelente avançado mas não só. Foi também um magnífico médio e um não menos empolgante defesa. Lima jogava no campo todo exibindo uma generosidade para com os colegas e uma capacidade de luta face ao adversário que desde cedo cativaram o público e a crítica, sempre tão exigentes.
Com a saída de Lima fica desfeita a dupla que tão bem trabalhou para o último título nacional do Benfica. Lima e Jonas ou vice-versa, como preferirem. Ambos marcaram uma catrefada de golos.
Os adeptos são e serão sempre saudosistas de quem lhes deu alegrias até ao fim. E por isso o nome de Lima será reverenciado na Luz por muitos anos.
Nós, os adeptos, podemo-nos dar ao luxo de ter saudades de um antigo jogador porque não nos faz mossa. Já os jogadores não se podem dar ao luxo de ter saudades dos colegas de equipa que não estão mais lá e que lhes fazem falta.
Por exemplo, nos dois últimos jogos do Benfica nas Américas foram confrangedoras de ver as saudades que Jonas sentiu de Lima em campo. E isso é que já é um grande, um enorme desperdício.

O primeiro golo da época para Cristiano Ronaldo surgiu no jogo particular com o Manchester City. Foi numa bola em chapéu que o guarda-redes ainda tentou safar sobre a linha de golo mas sem êxito. Visto e revisto o lance não deixou dúvidas. A bola entrou na baliza e o árbitro esteve bem ao apontar para o centro do terreno.
No entanto, se o árbitro do jogo fosse o treinador do Real Madrid não teria, certamente, validado o golo de acordo com a opinião expressa de Cristiano Ronaldo, tão altamente expressa que se ouviu em todo o mundo.
- Estás sempre a roubar os portugueses!
Rafa Benítez e Cristiano Ronaldo, temos caso. Ainda não começou a sério a temporada e o Real Madrid já nos promete um número de egos só ao alcance das grandes multinacionais do entretenimento.

NESTA última semana o Benfica on tour fez três jogos e averbou três-não-vitórias.
Empatou dois jogos a zero e perdeu um jogo por 2-1. Marcou, portanto, 1 golo em 270 minutos, jogou uma vez em inferioridade numérica porque o Luisão foi expulso (embora não tenha mandado o árbitro ao chão) e uma outra vez em superioridade numérica (porque um mexicano qualquer foi-se ao Samaris com ganas de matador).
O Benfica foi ainda visitar a cidade de Nova Iorque e foi também visitado por um pugilista de fama planetária que tirou fotografias coma rapaziada toda e que teve a bondade de nem sequer perguntar pelo Maxi Pereira que era o seu jogador preferido do nosso plantel.
No capítulo das prestações individuais há a registar que Jonas falhou uma grande penalidade no jogo com o Club América, que Ederson defendeu uma grande penalidade da série de desempate com o mesmo adversário e que Samaris parece ser o único jogador do Benfica que se diverte com este novo estilo de jogo onde goza de uma liberdade com que jamais sonhou na época passada.
O próximo jogo do Benfica on tour será na madrugada da próxima segunda-feira e o adversário é o Monterrey, que vai jogar em casa. É bem provável que o Benfica termine esta pré-temporada averbando mais uma não-vitória. E não é drama nenhum.
Excepção feita ao jogo com os mexicanos do Club América – porventura um dos jogos mais maçadores do Benfica dos últimos e largos tempos -, a equipa construiu alguns momentos agradáveis com a Fiorentina e com os New York Red Bulls e por comparação com o que os seus rivais internos, Porto e Sporting, têm produzido nesta fase, não lhes ficou atrás no capítulo da episódica qualidade de jogo ao alcance no precoce mês de Julho.
Marcar golos é que tem sido mais difícil como se viu nos jogos com italianos e com mexicanos. Mas os golos, mais cedo ou mais tarde, vão aparecer. O que parece ter desaparecido de vez é o Benfica das transições rápidas para dar lugar a um Benfica de um futebol apoiado, tão apoiado que não permite que ninguém fuja com a bola em velocidade não se vá desmanchar o bloco.
Tenho saudades de uma transição rápida, confesso.
Tal como aconteceu em 2014 por esta altura, também em 2015 o Benfica não vai ser o campeão da pré-temporada. E esta é, francamente, a melhor notícia deste Verão.
Se já o título de campeão de inverno às vezes dá galo, imagine-se só tudo o que pode correr mal ao longo de uma temporada inteira a um campeão da pré-temporada…

PS – Em Fevereiro de 2000, o Rui Santos, que era então o chefe-de-redacção de A Bola, convidou-me para escrever uma página de opinião semanalmente neste jornal. Tendo eu deixado de ser jornalista em 1998, o que me libertava dos deveres de imparcialidade e de contenção decorrentes da profissão, aceitei com muito gosto o convite e durante os 15 anos que se seguiram A Bola deu-me carta-branca para não ser isenta nem contida e para abusar da anarquia que me é tão querida. Depois de Rui Santos, neste meu período de 'vigência' enquanto colunista, A Bola teve outros chefes-de-redacção como João Bonzinho e António Magalhães. O diretor, Vítor Serpa, nunca mudou. O que também nunca mudou foi a liberdade de opinião que sempre me foi conferida e que muito apreciei. Quinze anos foram muitas quintas-feiras e chega hoje ao fim a minha colaboração com A Bola. Gostei muito. A todos, obrigada. E adeus."

Leonor Pinhão, in A Bola

PS: O fim das crónicas da Leonor n'A Bola, é uma terrível notícia para os Benfiquistas. São tão poucos os Benfiquistas com tempo de antena, nos principais órgãos de comunicação social desportiva, que a 'ausência' da Leonor vai-se sentir... pelo humor, pela independência, pelo politicamente incorrecto, pela coragem de chamar os nomes pelos bois, pela memória, e pelas várias lições de Benfiquismo, mesmo quando isso implicava criticar comportamentos ou palavras de adeptos, jogadores, treinadores ou dirigentes do Benfica...
Espero que a Leonor continue a publicar a sua opinião noutro local... e porque não, na BTV e no Jornal O Benfica?!

Bilal Ould-Chikh

Finalmente apresentado. Já falava à Benfica, mas o Benfica decidiu esperar pelo 18.º aniversário do jovem Holandês, para oficializar a contratação...
Vi-o no recente Europeu de sub-19 na Grécia. Demonstrou excelente qualidade técnica ofensivamente, tanto a driblar como no passe, mas também mostrou pouca vontade em defender...
Não me pareceu-me pronto para a equipa principal, apesar de já ter minutos e golos na Liga Holandesa...

Empate

Benfica B 2 - 2 WAC Casablanca

Regresso ao Seixal, após o estágio em Inglaterra, contra um adversário mais complicado, e mesmo assim os putos, não estiveram mal... Entrámos a perder, demos a volta, e permitimos o empate.

Perguntas e respostas

"A nova época promete. Em competitividade, em acordos e desacordos, em convicções e suspeições. Há muitas perguntas para as quais, só com o tempo, poderemos ter respostas (ou não). Algumas com importância, outras por mera curiosidade. Pela minha parte, adianto o 'meu onze':
1. Que surpresas nos revelam as últimas horas do dia 31 de Agosto (no ano passado, para o Benfica a maior - Jonas - até foi depois)?
2. Agora que Rui Vitória já não treina o Vitória, irá concretizar-se o sonho da tróica benfiquista: Vitória, Vitória (Rui), Vitória (águia)?
3. Conseguirá Rui Vitória olhar de frente os penalties, como não fazia com o Vitória de Guimarães?
4. Quantos cartões amarelos e vermelhos vai ter o até há pouco tempo considerado, no FCP, rei dos sarrafeiros, Maxi?
5. Em que especiais circunstâncias vão os portistas apresentar o seu equipamento alternativo cor de cacau com leite?
6. Será que Lopetegui vai fazer as pazes com Jesus e que este vai soletrar bem o nome do basco, agora que não há Benfica pelo meio?
7. Quando irá Bruno Paixão arbitrar o FC Porto (o último foi em Barcelos, em Janeiro de... 2012)?
8. Quando acontecerá um cartão vermelho para Casillas de modo a, finalmente, haver pretexto para Helton voltar ao seu lugar?
9. Vai o presidente do Sporting sentar-se menos vezes no banco do que na época passada?
10. Passarão as pastilhas elásticas de Jesus de sabor a morango para fragrância de puro mentol?
11. Quantos pontos poderá ter o Boavista a menos em casa, agora que foi substituído, no Bessa, o relvado sintético por relvado natural?"

Bagão Félix, in A Bola

Querido Agosto

"A pouco mais de duas semanas do arranque do futebol de primeira linha em Portugal, nenhum dos grandes tem particulares razões para estar optimista. O Benfica, nas Américas, continua sem vitórias e acumula sobretudo dúvidas; o Sporting mostrou fragilidades defensivas que devem preocupar Jorge Jesus, especialmente porque os adversários estavam longe de ser de primeira linha; o FC Porto, apesar do forte investimento, também somou exibições e resultados tristonhos quando o nível de dificuldade subiu.
Estamos em finais de Julho e, por esta altura, ninguém tem razões para se rir das desgraças do vizinho. Mas a experiência, sobretudo dos últimos anos, diz-nos que não devemos levar muito a sério os resultados de verão. Porque são treinos, em que cada treinador aproveita para testar novas soluções e variantes, e, acima de tudo, porque teremos o mercado aberto por mais um mês.
Há um ano, as goleadas sofridas na Emirates Cup fizeram soar os alarmes na Luz: chegaram Júlio César, Samaris e Jonas, três elementos fundamentais no sucesso que viria a acontecer depois. Por isso, é de esperar que também o jogo da Supertaça, com toda a carga emocional que tem em cima, ajude a definir o posicionamento de Benfica e Sporting para as três semanas que sobram de mercado. E mesmo o FC Porto terá ali uma indicação da real valia dos dois grandes adversários que lhe permitirá balizar as suas próprias necessidades competitivas.
A procissão ainda vai no adro. Por isso, fazer contas à força e ao valor de uma equipa neste momento é um exercício tão desnecessário como perigoso. Os jogos já disputados, em breve não serão mais do que uma memória vaga. Vamos entrar no mês mais importante do futebol europeu: o querido, ou maldito, mês de Agosto."

A UEFA das meias medidas

"Um dos factores que exercem maior fascínio entre os amantes do futebol está relacionado com a incerteza dos resultados, mesmo quando se trata de adversários desequilibrados. Tal deve-se às características do jogo (enorme dificuldade em marcar golos) e à cada vez maior uniformização de metodologias de treino, independentemente da capacidade de investimento de cada clube. A bola preparação física e táctica da generalidade das equipas, num desporto em que é significativamente mais fácil defender do que atacar, a que acresce a discrepância nos objectivos de cada clube, sejam referentes à competição ou à partida em disputa (na maior parte dos casos, a uma das equipas só interessa a vitória enquanto à outra também lhe serve o empate). Por isso, é normal ouvir-se que este é um jogo que se decide nos detalhes, por norma reservados aos grandes jogadores, os quais custam muito dinheiro.
Mas se é indiscutível que a incerteza do resultado, apesar de as estatísticas indicarem o contrário, existe de facto quando uma partida é iniciada, não menos o é que, em provas de regularidade ou mesmo naquelas disputadas por eliminatórias, mas em que o sorteio é condicionado, ganham, na grande maioria dos casos, as equipas favoritas, ou seja, as que mais investem.
A propósito deste tema, Michel Platini, presidente da UEFA, em entrevista publicada na edição de Julho da revista 'World Soccer', manifestou alguma preocupação, revelando que considera necessário proceder-se a alterações no futebol de forma a promover a competitividade nas provas europeias, e nos diversos campeonatos nacionais e, assim, evitar o possível desinteresse dos adeptos. O antigo jogador francês foi mais longe, ao afirmar que o que é verdadeiramente importante é limitar a possibilidade de concentração dos melhores jogadores em meia dúzia de equipas e recorda que Barcelona e Real Madrid têm dividido quase todos os títulos em Espanha na última década, a Juventus é tetracampeã nacional Italiana e Bayern Munique e PSG são tricampeões nacionais Alemão e Francês, respectivamente.
É justo reconhecer que a UEFA tem tentado criar mecanismos de controlo do negócio futebol. A criação do 'fair-play financeiro' em 2010 e a sua aplicação a partir do ano seguinte (a primeira avaliação dos clubes foi realizada em 2014 e o regulamento foi actualizado este ano) obrigaram a que os clubes sejam mais racionais na tomada de decisões, estando impedidos de, no período compreendido entre 2015/16 e 2017/18, apresentarem mais de 30 milhões de euros de prejuízo (o investimento em estádios, centros de treino e a aposta na formação de jovens e no futebol feminino estão excluídos desta avaliação).
Esta medida visa, sobretudo, zelar pela sustentabilidade financeira dos clubes, ao impor a racionalidade sobre a emoção e limitando a capacidade de um único interveniente desvirtuar a competição conforme ocorreu, por exemplo, quando surgiram os primeiros magnatas investidores no futebol europeu que, mais do que oferecerem uma visão estratégica e/ou novos processos de gestão, 'limitaram-se' a injectar dinheiro no apetrechamento dos seus plantéis.
No entanto, e apesar de o 'fair-play financeiro' ser destinado à 'melhoria da saúde financeira global do futebol europeu', esta não é uma medida que resultará numa solução para o problema da falta de competitividade dos vários campeonatos europeus. Houve, inclusivamente, quem, neste âmbito, a criticasse, pois poderia tornar ainda mais difícil aos clubes pequenos aproximarem-se, mesmo que episodicamente, dos maiores clubes. A UEFA refuta este argumento, recordando que essa realidade é anterior à implementação de o 'fair-play', Platini, na entrevista referida anteriormente, defende que o fosso entre clubes aumentou a partir da entrada em vigor da Lei Bosman, e eu acrescento que a evolução da Liga dos Campeões, nomeadamente no que diz respeito à distribuição de prémios, e os contratos de exploração dos direitos televisivos celebrados nos últimos anos em Inglaterra, Alemanha e Espanha (além de casos pontuais em Itália e França) fizeram o resto, tornando numa miragem, aos clubes dos restantes países, a ambição da conquista da principal prova europeia.
Ciente desta problemática, e com a impossibilidade de contrariar o direito de livre circulação de cidadãos dos países comunitários na União Europeia, a UEFA entendeu, há poucos anos, condicionar os clubes na escolha dos jogadores que compõem os seus plantéis, introduzindo a obrigatoriedade de inscrição de, no mínimo, quatro formados no clube e de outros quatro formados localmente (inscritos pelo menos três anos na federação do país entre os 15 e os 21 anos), depreendendo-se que, de acordo com declarações do presidente da UEFA, este requisito seja ampliado num futuro próximo, tendo, inclusive, revelado que pretende discutir o tema com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, numa reunião agendada para Setembro.
Ironicamente, numa demonstração de que, por vezes, a bondade das medidas, ao serem definidas, não encontra paralelo quando as mesmas são aplicadas, já há quem, em Inglaterra, critique esta restrição à inscrição de atletas, por, na sua opinião, resultar numa sobrevalorização dos jogadores formados localmente. É lógico: se a procura aumenta e a oferta se mantém, o preço sobe.
Em Portugal, o Sporting, seja por necessidade ou princípio filosófico, é o clube, entre os 'três grandes', que há mais anos aposta na formação. Dessa política poucos benefícios tem obtido desportivamente, a escassez de títulos é um flagelo para os seus adeptos; financeiramente, a acumulação de maus resultados é evidente. O Benfica, após anos de política 'expansionista', parece agora começar a inverter essa tendência. Anos de investimento em infra-estruturas e departamentos de suporte transformaram o clube no dominador da formação, somando-se, no presente, o que mais proveitos financeiros obtém desta aposta. A julgar pelas intervenções públicas dos seus dirigentes, pretende agora capitalizar esse investimento também no plano desportivo. Pelo contrário, o FC Porto, talvez pela pressão do mau desempenho desportivo recente, insiste em investir fortemente em jogadores feitos e caros, na presunção de que o retorno desportivo seja imediato e correndo o risco de, a médio prazo, ter que lidar com graves problemas financeiros.
No plano teórico, e num cenário em que a UEFA imponha uma restrição mais ampla à inscrição de atletas estrangeiros, Sporting e Benfica estarão melhor preparados que o FC Porto. No entanto, há que considerar que, sempre que há um sector em que coexistem entidades reguladoras e reguladas, as segundas adaptam-se às imposições das primeiras. Provavelmente, os clubes europeus mais ricos passarão a contratar os jogadores estrangeiros mais promissores do escalão sub-17 e, se necessário, a emprestá-los a clubes do seu país, antecipando-se ao problema que a UEFA lhes julga estar a criar. Em boa verdade, esta prática já é comum. A diferença é que passará a ser sistemática, podendo, num cenário pessimista, colocar em causa até o propósito do investimento sério na formação de jogadores nos países menos endinheirados.
Na minha opinião, a única forma que a UEFA tem de alterar este paradigma, caso esteja de facto preocupada com a competitividade e a rotação competitiva nas suas competições e campeonatos nacionais dos países que a integram, passa pela instituição de um tecto salarial às equipas participantes nas competições por si organizadas. E esta nem sequer seria uma solução inovadora. Os seus méritos, salvo as devidas diferenças (ligas fechadas e sistema de 'draft' no recrutamento de jogadores), estão comprovados no desporto americano, em que a rotatividade dos campeões é a norma."

João Tomaz, in Visão Económica

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Vítor Pereira o 'abate' seguinte

"Novidade e das grandes: os clubes portugueses de futebol profissional decidiram dar o poder na sua Liga a recentíssimo ex-árbitro. Os mais irónicos dirão que assim é superado o eterno, tão arreigado e traumático, problema dos nossos clubes com a arbitragem. Se não se consegue colocar quem queremos como líder do Conselho de Arbitragem - até por irremediável substancial défice de abrangência no conceito de quem queremos...-, escolhe-se o ex-melhor árbitro como presidente da nossa Liga. Pode ser um caminho... Pelo menos, sabe-se que o agora presidente Pedro Proença detesta o presidente Vítor Pereira.
O árbitro Pedro Proença fez estupenda carreira internacional (a melhor de sempre de um português). Muito justificou intensos elogios, os meus inclusive e em momentos de ser mais que duramente criticado. Há um mês, ou pouco mais, a UEFA colocou-o no seu comité de arbitragem (outro intenso aplauso: ali deve estar quem possui firmes experiência e saber na matéria). De repente, ei-lo presidente da lusitana Liga de clubes! E, aqui, assumo a minha desoladora incapacidade: não faço nem leve ideia dos seus súbitos atributos para tal cargo. E campanha eleitoral à pressão, numa semana, sobre tais atributos não esclareceu o comum observador. Desejo que os tenha e muito bons.
Pensar que este categórico triunfo muito se deveu a que a maioria dos clubes não quis repetir afrontamento ao Sporting, reelegendo Luís Duque (há escassas semanas tão elogiado por ter salvo a Liga...), não faz sentido. Porque também face a Proença a falta de consenso na Liga não demorará.
Praticamente ponto assente: acelerada contagem decrescente sobre Vítor Pereira à frente do CA. E esta é a magna questão..."

Santos Neves, in A Bola

«É agora que ele vai explodir!»

"«É este ano que o homem vai explodir!»: assim rezam as crónicas premonitóras e decretam os magos. E acrescentar-se-à: 'aliás, há vários que vão explodir'. 'É o trabalho de muitos anos que, finalmente, está a dar resultados'. Ou seja, explodir.
Entre duas épocas, explodir é a mensagem e a esperança. A sorte e a probabilidade. O preço e a pressa. O retorno e o entorno. Alguns explodem tanto no defeso que esgotam as munições e têm que mudar de ares para tentar explodir com novo oxigénio. Isto acontece sobretudo com os que confundem explosão com estoiro ou rebentamento. Daí a importância do trabalho oportuno dos cartomantes - ora chamados orientadores motivacionais - para gerir, cientificamente, a explosão.
É claro que muitos explodem de tal sorte que desaparecem. E outros, coitados, explodem em jeito de fogo preso. Quero dizer, por causa da compulsiva cláusula de rescisão que os prende entre sucessivas explosões. É, por isso, que não sabem conjugar o verbo explodir, na primeira pessoa do singular do presente do indicativo.
Volto ao fogo inerente à explosão. É que se esta acontece mesmo, é um ver se te avias com o fogo-de-artifício de quem dela beneficia. Acontece até que, para estas explosões, basta mudar a cor do foguetório e os óculos de quem a ele assiste.
Por exemplo, Maxi Pereira vai explodir agora em tons de azul. Só não se sabe qual vai ser o combustível da explosão (bem caro, por sinal). Para já, explodiu em falta de nível e de educação do modo como (não) de dignou agradecer aos benfiquistas a explosão na Luz. E, ao que leio, há clubes onde ainda não há explosões, mas há foguetório, com estampido."

Bagão Félix, in A Bola

A política e o peso do futebol

"As eleições para a Liga levaram PSD e CDS a atrasar por um dia a apresentação do programa eleitoral com que se propõem a ganhar as eleições de 4 de Outubro.
Se fossem necessárias provas da força que o futebol tem na sociedade portuguesa, aqui estaria um belo exemplo. Aliás, se há coisa que os políticos em Portugal sabem é isto mesmo, o que ajuda a explicar em parte algumas promiscuidades financeiras indesejáveis com clubes, mas também alguma impunidade sobre o que estes vão fazendo e permitindo que se faça.
Estava bom de ver que perante uma eleição na Liga, com Luís Duque e Pedro Proença a disputarem o lugar - uma espécie de Benfica vs. Sporting + FC Porto - muitos mudariam de canal ao primeiro vislumbre de política.
Ora, se há coisa em que os políticos são bons é em fazer política - já governar consegue por vezes ser mais complicado - e sendo bons em fazer política, jamais algum correria o risco de deixar as suas ideias eleitorais caírem em saco roto. Se o que têm para dizer deve ser ouvido, discutido e assimilado, é natural que esperem por ocasião sem ruído.
Aplaudo. De pé. Sem ironias. Claro que para ser honesto não posso deixar de constatar, no entanto, que esta decisão foi tomada pelos mesmos homens que em Setembro de 2012 aproveitaram a boleia de um jogo da Selecção frente ao Luxemburgo para anunciarem impopulares medidas de austeridade.
Poderia, se fosse ingénuo, acreditar que a classe política está a melhorar e a corrigir erros passados, mas se fosse pessimista poderia subir o tom da minha preocupação: então os políticos agora assumem que os portugueses já querem saber mais de um Benfica vs. Sporting + FC Porto que da governação do País? Então e se hoje o Sporting contratar Cristiano Ronaldo?"

Nuno Perestrelo, in A Bola

Os miúdos da Luz

"Já dá para medir a temperatura dos três grandes. O FC Porto está a construir uma grande equipa a partir da defesa. Dois excelentes guarda-redes, laterais de qualidade mundial, boa matéria-prima para construir a dupla de centrais. No centro do terreno tem excesso de opções de qualidade. Nas alas, Varela ameaça uma grande época, veloz, colectivo, objectivo. Falta um bom avançado para concorrer com Aboubakar, pois Bueno não mostra dimensão para esse desafio.
No Sporting, a equipa aparece já muito arrumada no terreno. A estabilidade no plantel permite que Jesus vá mexendo sempre com o barco equilibrado. O centro da defesa parece por agora o calcanhar de Aquiles dos leões. No centro, obviamente que William Carvalho fará muita falta, quando os jogos forem a doer.
E certo que os três plantéis ainda sofrerão grandes alterações até final do mês de Agosto. Mas, para já, o Benfica é a maior incógnita.
Vieira terá sido forçado a desinvestir no plantel e essa circunstância levou o líder a apontar o rumo da conciliação entre as vitórias prementes e a rentabilização da formação.
Não será tarefa impossível, se a Rui Vitória forem dadas condições para montar uma equipa ganhadora. Os miúdos da formação só deverão ser lançados num ambiente positivo. O pouco que se vê até agora, no futebol de testes deste Benfica, é uma incipiente movimentação, com momentos de alguma anarquia. A digressão pelas Américas está a consumir tempo precioso que deveria ser gasto no laboratório do Seixal.
PS. - A máxima de Lineker sobre a selecção da Alemanha pode ser aplicada às eleições da Liga. Os candidatos avançam, os clubes votam - os da 1.ª Liga têm direito a dois votos, os da 2.ª só um -, procede-se à contagem dos votos. E, no final, ganha o Joaquim Oliveira."


PS: Esta crónica tem alguma coisa de trágico/cómica!!! Primeiro consegue antever a 'grande equipa a partir da defesa' do FC Corruptos. Aparentemente o jornalista não tem visto os jogos de pré-época...!!!
Mas depois no PS, acaba por se redimir, com algum humor!!! Aliás a única razão para esta crónica, estar neste blog, é mesmo a constatação da máxima do Lineker!!!

Pinto da Costa lá ganhou

"Desde que Paulo Fonseca lhe deu a Supertaça, em Agosto de 2013, Pinto da Costa não mais tinha conseguido vencer. Estava até a habituar-se a perder. Foram dois campeonatos, duas Taças de Portugal e duas Taças da Liga perdidas, mais as Supertaças a que o FC Porto não conseguiu sequer aceder. Na semana passada, Pinto da Costa tirou férias e deixou a defesa do sorteio dos árbitros entregue ao Sporting, o seu novo aliado de ocasião. E somou mais uma derrota, num terreno que antes dominava amplamente, perante a satisfação da Federação, de Fernando Gomes, e do Benfica, de Luís Filipe Vieira. Ontem, o presidente do FC Porto virou a mesa e, finalmente, alcançou uma vitória, com a eleição de Pedro Proença para a presidência da Liga Portugal. Apesar do regozijo do presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, em ver Luís Duque derrotado, esta vitória é muito menos dele do que de Pinto da Costa. Perante a nova ordem legislativa por que o desporto profissional se rege - e cujo alcance tem escapado a muita gente, incluindo o líder sportinguista -, o presidente quis alcançar mais longe. O seu objectivo último é voltar a exercer influência na arbitragem e, à sua maneira, retirou-se da batalha do sorteio, porque a sabia perdida, de tanta ilegalidade que a proposta continha. Onde agora quer chegar é ao topo da pirâmide, e para o atingir tem de derrubar Fernando Gomes, antes um delfim no FC Porto, agora um inimigo figadal.
O que Pedro Proença há de conseguir na liderança da Liga pouco lhe interessa, porque, à partida, o sucesso está garantido. Apoiado na influência do empresário Joaquim Oliveira, o ex-árbitro não fará má figura e as suas boas ideias só não frutificarão devido a algum fenómeno de desconhecida incompetência. Jovem, bem relacionado, de discurso cuidado, Pedro Proença é o adversário ideal para em futuras eleições da FPF poder desalojar Fernando Gomes da presidência. Nesse caso cairia Vítor Pereira e todo o edifício da arbitragem. Isso levará o seu tempo, mas Pinto da Costa mostrou agora que tem paciência para esperar. Depois de tantas vitórias, não foram dois anos a perder que o fizeram desanimar. A partir de ontem, Pedro Proença é o meio para atingir Fernando Gomes."