Últimas indefectivações

sábado, 25 de abril de 2015

Estamos vivos...

Benfica 3 - 0 Fonte do Bastardo
(1 - 1)
25-23, 25-22, 25-17

Para o Benfica este jogo era praticamente decisivo, uma derrota seria praticamente dizer adeus ao título. Talvez por isso assisti ao 1.º Set extremamente nervoso!!! O 2.º Set não foi muito diferente, o equilíbrio foi a nota dominante, só no 3.º Set senti que a vitória já não nos ia fugir...

As duas equipas são muito semelhantes. Acho que o Benfica tem mais profundidade no banco, caso algum jogador não esteja a 100%, temos melhores alternativas. Agora nos jogadores que fazem a rotação normal, só o João Simões me parece um pouquinho inferior (e o Honoré um pouquinho superior aos seus adversários directos), de resto é tudo muito equilibrado...
Gostei também da vitória, porque desta vez não foi preciso recorrer ao Plano B: Gaspar na Zona 4, e Ché a Oposto, algo que até agora tinha acontecido nas nossas últimas vitórias contra a Fonte!!!

O 3.º jogo será fundamental para o Benfica. Já sabemos que temos que ganhar um jogo na Praia da Vitória, e entre vencer o 3.º jogo, ou deixar tudo para uma suposta Negra, creio que será mais 'fácil' vencer o 3.º jogo!!!
Estou confiante, até porque pareceu-me hoje, que a nossa equipa, já se esqueceu psicologicamente e fisicamente da Final da Challenge!!! Não é fácil fazer a descompressão das emoções dos jogos com os Servios, e também recuperar as mazelas físicas... e focar toda a concentração na Final do Campeonato. Creio que a derrota a semana passada, deveu-se essencialmente a isso...

120

Benfica 120 - 76 Oliveirense
(1 - 0)
31-20, 36-16, 24-21, 29-19

Muitos pontos, com todos os jogadores a marcarem, e a contribuírem com minutos...  e boa atitude da equipa, que para chegar às Finais com ritmo competitivo, vai ter que jogar estas partidas mais acessíveis, com uma atitude de jogo grande!!!
Estivemos bem, em quase todas as áreas do jogo, mas destaco: os 63% nos Triplos; e os 10 pontos do Diogo Gameiro...
Amanhã, às 15h, mesmo antes do Futebol, temos novo jogo...

PS: Realizou-se hoje, no sintético da Luz, o I.º Convívio Carlos Nobre (antiga Glória do Rugby do Benfica). A nossa secção de Rugby é especial... tem vida própria, mas vive com algumas dificuldades. Agora que se está a comemorar os 90 anos de Rugby no Clube, e com o regresso dos treinos para a cidade de Lisboa, espero um crescimento sustentado da secção, com o regresso à I.ª Divisão como objectivo.

Xistra, is back !!!

Freamunde 2 - 0 Benfica B

É público o apoio do Cota do Bigode ao Freamunde, não sei se por isso, mas o Xistra gostou do pau de Freamunde!!!
Falando um pouco mais a sério: jogo decidido, nos primeiros minutos, com uma meia-Xistralhada, e uma Xistralhada das Grandes!!!
No 1.º golo o Varela não devia ser tão passarinho, mas ele está dentro da pequena área e é tocado. Em Portugal marca-se sempre falta...
No 2.º golo, não existe qualquer penalty, é uma simulação descarada, e mesmo se fosse penalty, nunca seria Vermelho directo, já que os defesas do Benfica ficavam com a posse de bola.

Depois deste início desastroso, o único elogio que posso fazer, é que houve vários momentos do jogo, onde parecia que era o Benfica que estava a jogar com mais um, tal o domínio da posse de bola. Mas faltavam os últimos 15 metros... O Freamunde mesmo em superioridade estacionou o autocarro, e contra-atacou sempre com muito perigo...
Um jogo com muito vento, e muita chuva, que foi decidido pelo árbitro logo nos primeiros minutos...

Varela; Semedo, Lindelof, Valente, Rebocho; Dawidowicz (Sarkic, 71'), Teixeira; N. Santos (Sanches, 39'), Carvalho, Gonçalves (M. Santos, 5'); Guedes.

Iniciados - 3.ª jornada - Fase Final

Miguel Nóbrega
Sporting 2 - 3 Benfica

Todas as vitórias sobre o nosso rival são saborosas, mas quando são obtidas, com justiça, já nos descontos, ainda sabem melhor...
Esta equipa tem qualidade, falta alguma consistência ao nosso sector mais recuado, mas ainda são putos...!!! O toque de bola do Dantas, é realmente muito diferente de todos os outros jogadores, é pena aquele 'tamanho', vamos ver como é que vai ser o crescimento do rapaz.

Depois do empate na 1.ª jornada, estamos na frente, e vamos ter dois jogos no Seixal na 2.ª volta. Na próxima jornada vamos ao Olival, não sendo decisivo, uma vitória seria um passo de gigante...

PS: O guarda-redes do Sporting, no 1.º golo do Benfica, quis imitar o Patrício em Belém. É bom ver que os exemplos dos mais velhos são seguidos...!!!

Silva; Pinheiro, Álvaro, Loureiro, Koné; Nóbrega, Fonseca; Dantas (Serrano, 35'), Baptista, Ferreira; Campos (Matos, 74').

Juniores - 10.ª jornada - Fase Final

Corruptos 3 - 0 Benfica

Derrota anunciada, muitas alterações na equipa, dois Juvenis no onze inicial: Fábio Duarte e José Gomes... Os erros foram cometidos nas primeiras jornadas...

Duarte; Santos, Dias, Lima, Amaral; Rodrigues (David, 81'), Guga; Buta, Alfa (Oliveira, 85'), Gomes (Sekidika, 67'); Silva.

Assim foi o Benfica - FC Porto de amanhã

"Como jornalista, tenho simpatia por uma crítica que os treinadores nos dirigem: é fácil analisar o jogo quando acabou! E é mesmo. Tentando dar resposta ao problema, aproveito para fazer já a crónica de amanhã.

O Porto entrou com a defesa subida, queixo levantado, segurando a bola, rematando mesmo que sem perigo. Era para marcar presença, ter peso, mostrar que ali na Luz estava um Porto luminoso, exposto, e não escondido nas sombras de Munique. O Benfica não precisava de ser assim, admita-se. Tinha a vantagem de três pontos. Sem se esconder, não se exibiria. Por isso Jesus pareceu dar instruções para que os laterais subissem menos e se preocupassem em vigiar Brahimi e sobretudo Quaresma. Danilo e Alex Sandro fizeram o mesmo a Gaitán e Salvio. Mas nem tudo foi anulação. A criatividade, como a natureza, encontra caminhos. Daí o primeiro golo, por Jackson, com Óliver assistindo o colombiano pelo meio, aos 30. Um golo parecido com o que marcou a Neur no Dragão. O Porto iluminou-se. A Luz não. Os fantasmas mudaram de campo. Na cabine Jesus não deve ter mudado muita coisa, porém, Jesus só tem certezas. O que mudou foi o comportamento dalguns jogadores. Samaris parecia outro. No avanço final do Benfica, à procura do empate, foi ele o motor. O golo aos 76, assentou-lhe. Jonas cabeceou ao poste, fugindo a Maicon, e na recarga à entrada da área Samaris chutou decidido: 1-1. O Benfica não resolveu a liga. O Porto também não lha tirou. Entre os fantasmas portistas de Munique e os fantasmas do Benfiquistas das mortes na praia, que viesse o Diabo e escolhesse. O Diabo veio mas nada escolheu, deixou tudo na mesma. O Diabo gosta de gente assustada até ao fim."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Paz à sua alma

"O Porto não se pode queixar de nada. Não se pode queixar da arbitragem, que não lhe causou qualquer problema relevante. Não se pode queixar do Bayern, que se limitou a jogar friamente. Não se pode queixar da pressão, já que o 3-1 lhe dava o mínimo de espaço de manobra. Quando as tropas estão mal colocadas, os soldados estão condenados. O Porto só se pode queixar de Lopetegui. Já podia antes. Mas as escolhas que fez para a defesa, que toda a gente percebeu serem absurdas no primeiro minuto, sublinharam mais uma vez por que não é Lopetegui o treinador que o Porto precisa e merece.
Não há Liga dos Campeões 'espectacular' quando se sai dela a levar 6-1. Um jogo que se perde a levar uma tareia deste calibre é um jogo que seria melhor não ter sequer existido. Não há recepção eufórica no aeroporto, que exibe um clubismo muito pouco exigente, que possa esconder o incómodo. E ele só não foi mais vocal porque vem aí o embate com o Benfica e nenhum portista quer ser responsável por criar instabilidade. Mas está tudo apenas à espera de domingo à noite. Depois da Luz, a cabeça do treinador deverá estar a prémio. Se vencer, pode ser que ganhe umas semanas de dúvida. Mas é muito difícil que o próximo jogo em Lisboa compense uma humilhação internacional desta envergadura, que desvaloriza a imagem do clube. A não ser que esteja a contar dar uma cabazada de semelhante dimensão na Luz e vencer o campeonato, não me parece que haja muito mais a fazer com Lopetegui. Se Pinto da Costa, que lhe deu um voto de confiança antes do massacre, não for, como às vezes é, demasiado teimoso para aceitar que errou na escolha, chegou ao fim a aventura portuguesa de Julen Lopetegui.
Paz à sua alma."

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Clássico contra a história

"Benfica e FC Porto lutam pelo título nacional de futebol (o de hóquei já está bem entregue). Curiosamente, houve uma recepção calorosa aos azuis e brancos no aeroporto, depois da maior derrota da sua história europeia. Mesmo entre os adeptos portistas, poucos são os que não acreditam que o FC Porto será campeão esta época. O Benfica tem três pontos de vantagem, o jogo é no Estádio da Luz, o estádio cheio de apoio encarnado, o FC Porto vem de uma copioso derrota, o Benfica tem jogado muito bem no seu estádio; quais são então os motivos desta certeza azul e branca? Nos últimos vinte anos sempre que Benfica e FC Porto lutaram pelo título o campeão foi o FC Porto. Aconteceu sempre alguma coisa, houve sempre algo que fez com que assim fosse. Vejamos os títulos do Benfica: o Benfica foi campeão com 6-3 de Alvalade mas lutava com o Sporting; o Benfica foi campeão com a cabeça de Luisão frente ao Sporting, no ao de Trapattoni mas lutava com os de Alvalade; o Benfica foi campeão no primeiro ano de Jorge Jesus mas em luta com o Sporting de Braga; e, mesmo no ano passado, em que havia uma superioridade total, a luta foi essencialmente com o Sporting. Nunca em luta directa com o FC Porto deixaram de acontecer coisas.
Os adeptos de azul e branco, quando não confiam na equipa, confiam na estrutura. Os adeptos do Benfica, mesmo quando confiam na equipa, desconfiam das estruturas. O jogo de domingo é também um jogo contra a história e a forma como ela se vem escrevendo há vinte anos. Veremos o que acontece domingo, porque num jogo de futebol tudo poderá acontecer. Eu espero o meu Benfica a jogar bem, como sabe. Tanto mais quando dois terços dos resultados servem ao Benfica para o único objectivo de ser campeão. E ser bicampeão era justo e merecido neste ano de tantas adversidades."

Sílvio Cervan, in A Bola

Amigos para sempre...

Patético!

"Mais do que recordar o que aconteceu em Munique recordemos o que se disse.

Ricardo Quaresma teve a frase da noite em Munique, quando lhe foi perguntado o que é que tinha acontecido com a equipa do FC Porto: «Aconteceu muita coisa, que o treinador vai explicar». A cara de Quaresma, primeiro no relvado, depois quando já falava ao microfone do flash interview, parecia dizer muito. Quaresma é daqueles jogadores incapazes de disfarçar se o momento em que está é de desalento ou é de alta confiança. Como se viu.
No campo, a dada altura daquele vendaval do Bayern, o rosto de Quaresma parecia, no fundo, igual ao de qualquer adepto portista; era o rosto de quem não queria acreditar no que lhe estava a acontecer.
Apesar de ter dito o que disse no final do jogo, julgo que Ricardo Quaresma estaria tão farto de saber como eu que o treinador do FC Porto não iria verdadeiramente explicar coisa alguma. Como não explicou. Pelo menos cá fora.
Mas podia o treinador do FC Porto não ter explicado nada e, apesar disso, ter tido, pelo menos, a elegância de assumir em nome do grupo a responsabilidade do que tinha acabado de acontecer à equipa. Tinha-lhe ficado bem.
Não fez uma coisa nem outra, como sabemos. E ainda teve a lata, a vergonhosa lata, de atirar à cara dos jornalistas que por muito que estes quisessem o contrário, como disse Lopetegui, a equipa do FC Porto se levantaria deste pesadíssimo insucesso.
«Por muito que queiram  contrário, não se preocupem que nos levantaremos», disse Lopetegui para a plateia de jornalistas, certamente incrédulos, que o ouviram na sala de imprensa do Arena de Munique, onde o FC Porto tinha acabado de sofrer a mais pesada derrota europeia dos últimos 30 anos, uma das mais pesadas da história do futebol português - que, como se sabe, já inclui pesadas goleadas sofridas por Benfica e Sporting -, insuficiente, apesar disso, para levar Lopetegui a pedir desculpa aos adeptos pela horrível exibição portista da primeira parte e pela humilhante goleada final.

Lopetegui mostrou-se, aliás, tão insensível às consequência de tão pesada derrota e tão péssima imagem dada pela equipa que teve ainda a lata de falar em diferença «apenas» de três golos na eliminatória, e também a lata de dar importância à exibição portista na segunda parte, de forma intelectualmente muito desonesta, quando nenhum discurso poderia ignorar o peso, ao intervalo, dos impressionantes 5-0 que o Bayern já então tinha de vantagem!!!
Pois Lopetegui, naquele seu inestimável jeito de assumir o impagável complexo de superioridade que alguns de fora gostam de revelar sobre os portugueses, é ainda um daqueles treinadores que deve julgar - tão absurdamente - que falar nas conferências de imprensa é falar para os jornalistas e não para os adeptos e amantes do futebol. O treinador espanhol deve julgar que não pode nem deve ser questionado.

A frase de Quaresma foi, pois, a frase da noite. Aconteceu na verdade muita coisa à equipa e a única coisa que não aconteceu foi ouvirmos uma boa explicação de Lopetegui.
Em Munique, o FC Porto pode ter sido humilhado.
Mas Lopetegui foi patético!

Guardiola mudou apenas um jogador do jogo do Porto para o jogo em Munique. Poupou e defendeu o brasileiro Dante (queimado no Dragão) e trocou-o por Badstuber. E não precisou de Robben, Ribéry, Shweinsteiger ou Alaba para desfazer um FC Porto no qual fizeram realmente falta - como estava na cara - os laterais Danilo e Alex Sandro. O que Guardiola tem feito no Bayern mostra bem a capacidade que tem como treinador e é bem capaz realmente de ser, no momento, o melhor treinador do mundo.
E o que o Bayern fez ao FC Porto foi também mostrar como o percurso do FC Porto na Liga dos Campeões tinha sido, até agora, muito acessível, frente a um BATE Borisov muitíssimo frágil, um Atlético de Bilbau em declínio, um Shakthar condicionado e naturalmente afectado pelos conflitos armados em Donetsk e, depois, um Basileia que por muito generoso e determinado que seja vem... do campeonato suíço.
Não se pode querer tapar o sol com uma peneira. Não tapa nada!

Sensivelmente um ano depois de ter impedido Jorge Jesus de conquistar a Liga Europa, em Turim, a equipa do Sevilha foi agora dar cabo da cabeça a outro treinador português, atirando para fora da prova um André Villas Boas incapaz de dar sucesso europeu a um plantel realmente de luxo, com estrelas da grandeza (futebolística e financeira) de Hulk, Witsel, Garay, Danny, Criscito, Lombaerts, Javi Garcia, Ansaldi, Tymoshchuk, Fayzulin, Kerzhakov ou Rondón.
Não eram obviamente as equipas portuguesas que tinham obrigação de dar cartas na Europa (como alguns pateticamente querem fazer crer) mas no caso desta época era até curiosamente de dois treinadores portugueses que muito se esperava. Primeiro, de José Mourinho, e agora de Villas Boas, qualquer deles com equipas francamente recheadas de estrelas.
Este ano, na Europa, falharam objectivamente os dois!

PS: Patetices à parte, também julgo que o FC Porto que vai aparecer, domingo, na Luz não terá nada a ver com o FC Porto de Munique. O FC Porto, em Portugal, é sempre muito forte. Sempre. O Benfica que se cuide!"

João Bonzinho, in A Bola

Nós e eles

"E pronto, está aí o jogo que pode decidir o título de campeão desta época. É no domingo, às cinco da tarde no maior Estádio de Portugal.
De um lado, o Campeão em título, mais pontos, mais golos marcados, mais vitórias. Do outro, o segundo classificado, menos três pontos, menos duas vitórias, menos golos sofridos. De vermelho vão jogar os profissionais que têm dado mais espectáculo, os que mais golearam as outras equipas e aqueles que têm estado há mais tempo no topo da tabela. De azul e branco jogam os outros, aqueles que foram contratados a peso de ouro e que foram aposta para evitar a todo o custo a conquista do Bicampeonato por parte do SL Benfica e o consequente declínio de uma estrutura apodrecida.
Nos bancos, a autenticidade de Jorge Jesus, o trabalho valioso de seis anos, o Futebol como uma festa de ataque e de golos. No outro lado, o moço de recados de um presidente caduco, um treinador mediano escondido numa torre no meio de um relvado e que encontra na arbitragem a desculpa para as suas falhas profissionais.
Na tribuna, dois dirigentes com estilos muito próprios. A jogar em casa, um líder que pôs as contas em dia, que colocou o Clube no século XXI e que se afasta das polémicas. A jogar fora, um conselheiro sentimental e agente de viagens de árbitros, fomentador de guerras norte-sul, à espera de sucessor.
Nas bancadas, o vermelho de quem puxa pela sua equipa, de quem canta o seu fervor clubístico. De azul, as vozes do ódio, o ataque anti-benfiquista constante de quem ainda não resolveu os seus problemas. Freud explica.
Duas realidades, dois estilos, duas formas de estar e de ser. Entre a Luz e as trevas, fiquemos sempre do lado bom da Força."

Ricardo Santos, in O Benfica

Na Luz estaremos!

"Não podia ser outra a mensagem desta semana, quando se aproxima aquele que será, provavelmente, o mais importante jogo da temporada.
Ainda qu confortavelmente a três pontos de distância - e com uma vitória por dois golos na primeira fase, aquando da deslocação ao Dragão - este é um jogo para ganhar. A dimensão psicológica e motivacional não é, aqui, inferior à importância dos números na tabela classificativa.
Vencer o FC Porto será não apenas definir, de vez, o bicampeonato, como colocar uma pedra sólida e duradoura sobre a questão de quem praticou melhor Futebol ao longo deste último ano. E, sobre essa questão, eu não tenho dúvidas na supremacia Benfiquista!
A um FC Porto assente numa forte ofensiva desenrolada nos pés de Brahimi e Jackson, o Benfica tem contraposto com a magia de Gaitán e a fúria concretizadora de Jonas. Aos toques pontuais e muito localizados da eficácia de Quaresma, o Benfica tem muito superiormente apresentado a persistência de Maxi e o talento de Talisca. Face a uma defesa 'azul e branca' que deixa fortes dúvidas aos especialistas, os 'encarnados' apresentam um verdadeiro muro intransponível comandado pelo experiente Luisão, cujos feitos estão já nos anais da história do nosso Clube. Não se trata, sublinho de novo, de vencer apenas para resolver o Campeonato. Vamos demonstrar, no domingo, que o nosso é o melhor Futebol. A magia encantadora. A eficácia da táctica construtiva de Jorge Jesus frente a um Lopetegui de rotativismos e instabilidade.
Lá estaremos todos na Luz. O dia D deste Campeonato. O dia em que vamos renovar o nosso orgulho de pertencer ao melhor e ao maior Clube do mundo."

André Ventura, in O Benfica

Glorioso Hóquei em Patins

"Esta semana o destaque vai, naturalmente, para a conquista do Campeonato Nacional de Hóquei em Patins após a vitória por 5-1 frente ao FC Porto. O Benfica teve, ao longo da temporada, a equipa que melhor Hóquei praticou e a mais consistente. Merece ser campeão, à semelhança da época passada, em que, não fosse a arbitragem 'infeliz' em Valongo, teria terminado no primeiro lugar.
Cumpre-se ainda realçar uma declaração de José Trindade, o presidente da secção, à BTV: 'É o nosso 22.º título, poderia ser o 23.º se houvesse uma contagem diferente(...)'. De facto é, a meu ver, incompreensível a interpretação que a Federação Portuguesa de Patinagem faz da competição 'Taça de Portugal' disputada nas épocas 1962/63 (vitória do Benfica) e 1963/64 (Malhangalene). Apesar da designação, a prova foi disputada nos moldes dos Campeonatos Nacionais das temporadas anterior e seguinte às indicadas (nas quais, de acordo com FPP, não houve Campeonato Nacional). Acresce que a Taça de Portugal, tal como é organizada no presente, teve início em 1975/76.
Penso que este é um caso evidente de deturpação da história do Hóquei em Patins português, desrespeitando-se a memória dos dirigentes, treinadores e atletas dos clubes campeões nacionais nesses anos.
Jonas continua imparável, tornando-se na figura central do percurso vitorioso da nossa equipa de futebol, e Luisão alcançou a extraordinária marca de Coluna, totalizando agora 328 jogos a envergar a braçadeira de capitão, ficando a uma partida de se tornar o recordista. Acredito que, domingo, sob a liderança destes grandes jogadores, daremos um passo de gigante rumo à conquista do ambicionado Bicampeonato."

João Tomaz, in O Benfica

Vencer, vencer

"Não andaria longe da verdade se afirmasse que temos, esta temporada, uma das melhores equipas de Hóquei em Patins da história do Benfica. A vitória por 5-1 sobre o FC Porto (a acrescer ao triunfo por 3-7 no Dragão) traduziu essa clara superioridade, consumando um título há muito anunciado. 23 vitórias e 1 empate, em 24 jornadas, são outro dos cartões de visita dos nossos fantásticos hoquistas. Estou em crer que a Taça de Portugal também não fugirá, concretizando a desejada 'dobradinha' - algo que não acontece desde 1995.
No domingo é a vez do Futebol. Entende-se que Jorge Jesus queira retirar pressão dos ombros dos jogadores, mas, com ou sem retórica, o jogo é mesmo decisivo. E se o vencermos, nem o mais laureado matemático me fará duvidar do título.
Em casa, a nossa equipa tem demonstrado forte predominância sobre os adversários, e um qualidade de jogo digna de campeão. Esta partida terá, provavelmente, características diferentes, apelando menos à nota artística, e mais à generosidade dos jogadores na disputa de cada lance. Será um desafio à coragem. Um repto à alma Benfiquista.
O Inferno da Luz também está convocado, sobretudo para os momentos em que a equipa mais necessitar de apoio. É importante percebermos que os jogos têm noventa minutos, e passam por fases distintas. Num ou noutro período, os nossos jogadores poderão precisar de sentir que estamos com eles, e que estamos unidos em torno de um objectivo comum.
Há que mostrar, também nas bancadas, que o adversário não nos amedronta, e fica demasiado pequeno perante o grito da nossa fé. O grito que nos conduzirá à glória."

Luís Fialho, in O Benfica

Desmentidos

Não deixa de ser curioso que na véspera do jogo que pode ser decisivo (para os Corruptos), apareçam várias pseudo-novelas em volta de jogadores do Benfica. A nova forma de criar polémica, é através de declarações nas redes sociais, supostamente feitas por jogadores do Benfica. Esta semana foram dois: Eliseu e Ola John...
O extraordinário, é que os pasquins imediatamente publicam as supostas frases, sem verificarem se as contas são verdadeiras!!!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Destino...

Remédio para tudo

"O Benfica, nascido numa farmácia e fundado por um homem cujo nome evoca os dois santos maiores da medicina (São Cosme e São Damião), não pode ser remédio para tudo. 

NÃO deixa de ser curioso como uma expressão nascida com intuito destrutivo – o afamado 'colinho' – que começou por ser gritado ao desbarato pelos nossos rivais históricos e histéricos, acabou por se transmutar num maravilhoso floreado metafórico adoptado pelos benfiquistas como signo da união na campanha em curso. Nasceu o 'colinho' para nos ofender mas num instante se esfumou a pretensão. Agora o 'colinho' é de quem o soube transformar, inteligente e perversamente, em incontornável e mais do que merecido auto-elogio.
Muito antes de o departamento de marketing ter respondido oficialmente aos confundidos e direccionados detractores do Benfica com uma campanha a que chamou 'colinho' – pena a referência a Lopetegui, de mau gosto e absolutamente dispensável -, já os benfiquistas anónimos, que não falham em qualquer estádio do país, tinham transformado o 'colo' e o 'colinho', com que nos pretendiam diminuir, em palavras de ordem no mínimo empolgantes.
Na nossa maneira de falar veio, assim, o 'colinho' tomar o lugar significante do antigo 'Terceiro Anel', que era a palavra-símbolo do apoio incondicional dado pelos adeptos à equipa. No futebol também é o povo que faz a língua. Nem sequer é grande novidade. E contra isto não há nada a fazer.
A grande novidade é que, rendidos à semântica triunfante, agora já todos querem ter 'colinho'.
A capa de O Jogo da última segunda-feira foi disso mesmo pragmático exemplo. «Colo até Munique» rezava a manchete em letras bem gordas ilustrada pela fotografia de um rapazinho, equipado de azul e branco, levado ao colo pela mãe até ao Aeroporto de Pedras Rubras para se despedir da equipa que partia para a Alemanha.
São estas transmutações de sentido das palavras que constituem a felicidade das línguas vivas, sempre capazes de se reinventar e de conferir novos e insuspeitos sentidos a palavras suspeitas, ou vice-versa, ao contrário do que acontece com o latim que é uma língua morta.

NO sábado de manhã, na sua edição on-line, o Expresso trazia um título de pôr os cabelos em pé: «Benfica já está a gravar hino de campeão».
- Cambada de idiotas! – foi o que me saiu. Peço desde já desculpa. O insulto, de que logo me arrependi, era todo ele dirigido às alegadas luminárias do meu clube que, pelos vistos, não tinham aprendido nadinha com o que nos acabou por custar o título de 2012/2013 – a fanfarronice.
Perante um título destes, epítome da intolerável fanfarronice, para mais veiculada num semanário de referência, uma pessoa sensata até tem de respirar fundo antes de se abalançar, temendo o pior, a ler a notícia no seu todo. Mas nem me valeu a pena o esforço de respirar fundo porque imediatamente ficou tudo esclarecido.
Na verdade, o texto jornalístico não mencionava em parte alguma que o Benfica estivesse a gravar um «hino de campeão» quando ainda falta tanto para o termo da prova. Nem insinuava, valha a verdade.
Apenas nos contava a notícia do Expresso, e com singeleza, que o Benfica tinha convidado o maestro Nuno Feist para «compor os arranjos musicais de uma versão moderna da canção Ser Benfiquista, hino escrito originalmente por Paulino Gomes Júnior nos anos 50».
O que é uma coisa completamente diferente, como concordarão. Não há aqui indícios de festejos antecipados nem da tal fanfarronice. Peço, portanto, desculpa por ter sido injusta ao chamar impulsivamente idiotas aos responsáveis do meu clube. Não, não são.
E vejam só como um título enganador – «Benfica já está a gravar hino de campeão» – que não tem correspondência com a realidade e que só tem correspondência direta com a idiotice (felizmente, não com a nossa idiotice como se acabou por revelar) pode encimar uma notícia que só tem correspondência directa com uma tocante homenagem musical e familiar prestada pelo Benfica a Paulino Gomes Júnior.
Sendo o maestro Nuno Feist neto de Paulino Gomes Júnior – facto fulcral e ignorado na notícia -, é bem bonito ter-se o Benfica lembrado de encomendar a Feist uma versão contemporânea da canção originalmente composta pelo seu avô para a campanha de recolha de fundos que permitiu a construção do Estádio da Luz.
Coisas nossas, apenas isso.

NO jogo com o Belenenses o Benfica conseguiu matar o fantasma do golo madrugador que lhe roubou os 6 pontos das deslocações a Braga e a Vila do Conde. Isto para quem acredita em fantasmas, obviamente. 
Houve, é certo, muito boa gente preocupada com o golo de Jonas no Restelo logo aos 5 minutos de jogo. Anteviam o adormecimento da equipa e a inerente derrota, não seria a primeira vez. Nem, pior ainda, a segunda.
Não foi isso, no entanto, o que aconteceu. O Benfica, sem jogar bem, esteve sempre vivo no jogo e um segundo golo de Jonas arrumaria a questão a pouco mais de dez minutos do fim.
Ficam agora a faltar cinco jornadas. Se o Benfica ganhar os três jogos que lhe faltam disputar em casa é campeão.
Carrega, Benfica! Carrega mais três vezes…
Eu sei, eu sei que falar é fácil.

O que aconteceu anteontem ao Porto em Munique é, precisamente, o que me fez suspirar de alívio nas duas últimas temporadas sempre que o Benfica saiu da Liga dos Campeões e se viu relegado para a Liga Europa. 
Não é falta de ambição, é realismo.
As equipas portuguesas de top não têm andamento quando se chega a este patamar da competição europeia mais importante e arriscam-se a ser veementemente maltratadas por poderosíssimos adversários. Já a Liga Europa é uma prova simpática, à nossa medida, como se tem vindo a provar.
Este ano, é verdade, o Benfica nem à Liga Europa chegou, foi uma pena.

O Valência lá voltou a espiar o Benfica, contam-nos os jornais. Agora no Restelo os seus emissários reviram em acção o maior artista do campeonato português, Jonas.
Precisamente o mesmo Jonas a quem o Valência fez a vida negra, impedindo-o de jogar e até de se treinar com os companheiros acabando por o libertar de borla para o Benfica, que muito encarecidamente agradece.
Saberá o Jonas que tem vindo a ser observado pelos detectores de talentos do Valência, por mais que tentem fechar os olhos quando o brasileiro pega na bola? Tudo leva a crer que sim, sabe. Se não sabe, desconfia. E como isso o tem inspirado.
Aproxima-se agora o clássico. E mesmo que o Valência, farto de ver golos do Jonas, não mande ninguém espiar o jogo do Benfica no próximo domingo é da maior conveniência dizer ao jogador, meia hora antes da entrada em campo, que o próprio Peter Lim, munido de binóculos, já está no camarote pronto a observá-lo e, se possível caro Jonas, a interrogar-se sobre o sentido da vida.

NA noite de terça-feira, o Expresso on-line explicava a humilhação sofrida pelo Porto em Munique recorrendo à sobrenaturalidade.
A goleada aconteceu porque «Jesus encarnou em Julen». E foi uma «invenção» feita «à treinador do Benfica» que «deixou o Porto a descoberto» na Alemanha.
Está visto, portanto, de quem foi a culpa do colapso portista. O treinador do Porto por si só não chegava lá. Teve de encarnar no treinador do Benfica, o verdadeiro réu de Munique.
Em resumo: houve que baixar o espírito do Jorge Jesus no espírito Lopetegui para lhe poderem chamar burro à vontade. Ao Lopetegui, naturalmente.
O Benfica, que nasceu numa farmácia e foi fundado por um homem cujo nome evoca os dois Santos maiores da medicina – São Cosme e São Damião -, também não pode ser remédio para tudo em Portugal."

Leonor Pinhão, in A Bola

Benfica, Jonas e comentários

"1. Antecedendo o jogo capital da Liga entre as duas melhores equipas, o jogo que o Benfica venceu no Restelo foi importante para o que espero: o bicampeonato. Nestas alturas não sei fazer prognósticos, apenas formular desejos. Que o Benfica vença. E, se possível, convença.
2. O meu clube tem tido, nos últimos tempos, uma actuação bipolar. Empolgante, com elevada nota artística jogando na Luz. Mais retraído, algo sofredor e com menos concentração jogando fora. A partida com o Belenenses valeu pelo pragmatismo e pelo resultado. No domingo, é necessário mais e melhor.
3. Jonas é, de facto, um belíssimo atleta. Eficaz, inteligente, sóbrio, fazendo do futebol uma coisa simples nos movimentos, passes e posições. Joga para a equipa sem exigir que a equipa jogue para ele. Tem uma leitura integral do que deve ser um jogador moderno: a atacar, a desmarcar, a rematar e até a defender, combinando a individualidade com a totalidade. Além disso, joga sem futilidades, sem adereços parvos ou penteados folclóricos.
4. Vi o jogo pela televisão. E ouvi, incrédulo, alguns comentários do canal que transmitia o jogo em directo e 'pormenores' que, aliás, são habituais nos jogos do Benfica. Dois exemplos: aos 10 minutos Samaris tinha feito duas simples faltas. Comentário sentenciado (ou desejo?): «mais tarde ou mais cedo não escapa ao amarelo que o retira do próximo jogo». E sobre um suposto penalty por invocada falta de Luisão, ouvia-se, em breves minutos, esta montanha russa: 'penalty por assinalar + há dúvidas + o ângulo não é o melhor + talvez tenha tocado na bola + mas não sei + duvidoso'. Em que ficamos?"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Maxi é assunto de Estado

"É o melhor lateral-direito encarnado e um símbolo da águia. O Benfica vai ter de lutar por ele até ao limite das possibilidades. O grande futebol e os grandes clubes também se fazem de jogadores assim.

1. Sendo uma questão de honra em cada batalha de hora e meia, o futebol é fonte de emoções que a sociedade não pode desprezar - tudo quanto compromete a felicidade do ser humano assume transcendência nem sempre explicável pela razão. Será assim tão estranho, nestes tempos miseráveis de crise, corrupção, desemprego e insensibilidade de quem nos governa como se fôssemos animais que as pessoas se agarrem a uma paixão lúdica e se revejam em personagens comprometidas com o emblema, a bandeira e a história que suporta a paixão comum? Diz Jorge Valdano que o jogo do pontapé na bola mostra o homem autêntico num Mundo que é, cada vez mais, a total consagração da mentira. Talvez por isso, as plateias revelem debilidades na apreciação a quem compensa com suor o que lhe falta em talento.

2. Maxi Pereira é um caso nos nossos dias, porque aglutina paixões e é exemplo para gerações vindouras, correspondendo ao sentir de adeptos fiéis pelas memórias de infância, pela eterna busca de identidade, pela alegria, pelo orgulho, pelo desejo de vingança... Sendo uruguaio, encarnou os alicerces da cultura benfiquista - sabe que está associada a um modo de ser e que a ela correspondem uma sensibilidade, um estilo, ma estética e um compromisso com as raízes. Na gloriosa história da águia não entram só génios de todas as gerações, como Rogério Pipi, Eusébio, Chalana, João Vieira Pinto e Aimar, dela também rezam os porta-estandartes desse valor abstracto que é a mística, cuja origem é atribuída a Francisco Albino, mas de que Ângelo Martins, Veloso, Petit e, fatalmente, Maxi Pereira são exemplos perpétuos.

3. Maxi não é um jogador perfeito mas é um jogador à Benfica, elogio que resiste à tendência de quem prefere enaltecer os seus principais defeitos: comete erros por exageros desfasados da realidade, tanto mais graves quanto está longe da melhor condição física; estabelece eléctrica e permanente comunicação com as bancadas, indiferente aos perigos demagógicos dessa entrega incondicional ao jogo; nem sempre parece entender que as sucessivas descargas energéticas estão proibidas de superar a inteligência, sob risco de a exaltação provocada criar problemas onde devia levar a solução. Ao cabo de quase uma década na Luz, importa reconhecer, porém, que a prestação de Maxi, não sendo imaculada, tem sido suficientemente boa para colocá-lo no lote restrito dos mais marcantes defesas benfiquistas de sempre.

4. É o melhor lateral-direito encarnado, está a fazer uma grande época e, ao contrário do que chegou a suceder a espaços, não tem hoje alternativa credível. Mas os princípios ideológicos que aconselham a renovação do contrato que está no fim excedem a parte desportiva. Confrontado com a necessidade de salvaguardar todos os interesses na ligação futura com um jogador de 30 anos, o Benfica está perante melindroso assunto de Estado, envolvendo fundamentos emocionais, filosóficos e de bem-estar da comunidade. E é essa vertente que condiciona a decisão institucional sobre um símbolo dos nossos tempos, tendo em conta o peso relativo na águia; o espírito que dá personalidade à equipa; a atitude que remete para um passado grandioso; o exemplo que ressuscita o conceito de amor à camisola. O Benfica vai ter de lutar por Maxi até ao limite das possibilidades. O grande futebol e os grandes clubes também se fazem de jogadores assim.

(...)"

O hóquei campeão

"Nesta coluna já escrevi sobre o fascínio que, para mim, tem o hóquei em patins. Do ponto de vista clubista, é o título que considero mais saboroso a seguir ao hegemónico futebol. Do ponto de vista nacional, é onde mais sinto a ideia desportiva de Portugal. Há vários factores que para tal contribuíram: a expressão deste desporto no tempo em que era criança e jovem e que guardo afectuosamente na memória e no coração, o fascínio da rádio e o empolgamento dos relatos no tempo em que não havia desporto televisionado e - sinal de outrora - o sabor do nosso país vencer a Espanha, o rival sempre temido.
Com o tempo, o hóquei que, entretanto incluiu a força e magia argentinas, perdeu protagonismo diante do avassalador futebol. E, paradoxalmente, com a televisão o hóquei perdeu para a concorrência, por ser um desporto tão rápido e com uma bola tão minúscula que, no pequeno ecrã, nem sempre somos capazes de a acompanhar. Ainda hoje me pergunto - talvez por ignorante na matéria - por que razão a bolinha não tem uma cor bem viva e fluorescente.
Escrevo também este texto para saudar a equipa do meu clube, que acaba de se sagrar campeã nacional e passa a deter o maior número de títulos (22). Um pavilhão do Benfica cheio, um jogo empolgante, uma vitória indiscutível e um final de grande desportivismo entre vencedores e vencidos, que é justíssimo salientar. E eu, vendo o jogo, misturando passado e presente (e espero que futuro): Matos, Trabal, Cruzeiro, João Rodrigues, Livramento, Nicolia, Lisboa, Jorge Vicente, Paulo Almeida, Valter Neves, Panchito, Ramalhete, Diogo Rafael, Perdigão e tantos outros..."

Bagão Félix, in A Bola