Últimas indefectivações

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Exibição de gala... e assobios

"Como me confidenciava um amigo no fim do Benfica-Nacional, houve um certo regresso ao tempo dos nossos pais e avós nesse último jogo. Jogar bem, ganhar de forma clara e ouvir assobios porque se quer mais, é o Benfica mais fabuloso da década de sessenta de volta. O meu avô sempre me contou que quando demos 5-1 ao Real Madrid os adeptos saíram a cometar que se falhou um golo fácil e deviam ter sido seis... Devemos agradecer a Jesus o regresso do melhor Benfica, até os adeptos já estão ao nível dos melhores tempos.
O verdadeiro benfiquista não justifica derrotas, nem explica desaires, pelo contrário, a especialidade é mostrar moderação e até enfado pelas vitórias repetidas. O peso da camisola é isto mesmo, há colinho dos adeptos, mas também há exigência, por vezes muito além do racional, até porque no Benfica, e na imensa paixão que o move, o racional é muitas vezes marginal.
Contra a Académica espero uma vitória clara, uma exibição de gala e uma assobiadela pela forma escandalosa como o Lima vai falhar o quarto golo... Assim, ficará tudo em sintonia. A equipa com a história do clube e os resultados em linha com os adeptos.
O jogo com a Académica tem o perigo de não ser perigoso. Por não ser teoricamente um dos desafios mais difíceis, poderá levar a algum relaxamento, o que seria fatal. A Académica de Coimbra tem feito uma sucessão de jogos incrível, sempre sem perder, recuperou imenso nos últimos oito jogos e tem já uma posição tranquila na classificação.
Acresce também que foi a única equipa além do FC Porto a vencer o Benfica de Jorge Jesus, em seis anos, no Estádio da Luz, para o campeonato. Há portanto riscos estatísticos a ter em conta. Faltam sete jogos (oito com a final da Taça da Liga) e teremos de os vencer à Benfica."

Sílvio Cervan, in A Bola

Empate injusto...

Benfica 2 - 2 Chaves

Um dos melhores jogos que assisti da II Liga. Não só pela exibição da nossa equipa, mas também pela forma como o Chaves jogou...
A 1.ª parte não correu bem ao Benfica, tivemos muitas dificuldades nas transições defensivas, o nosso meio-campo defensivo foi demasiado macio, e os nossos defesas 'levaram' com os centrocampistas adversários, sem marcação, pela frente várias vezes... E como o Chaves tem bons jogadores, a passar, e avançados rápidos e objectivos, os sustos foram vários. Mesmo assim, tivemos muita posse de bola e algumas oportunidades... Acabámos por sofrer o 1.º golo de canto (exactamente igual ao golo sofrido em Olhão!!!), e pouco depois, o 2.º num livre directo (grande golo...), que por acaso, nasceu numa falta não assinalada a favor do Benfica (algo comum durante toda a partida)!!!
Ainda conseguimos reagir no 1.º tempo, também de bola parada, com os nossos Centrais a 'combinarem' para o golo!!!
No 2.º tempo, o Chaves foi menos perigoso no contra-ataque, acertámos as marcações, tivemos muita posse de bola, rematámos muito, mas faltou claramente presença na área... O Sarkic devia ter entrado muito mais cedo. Quando marcámos o golo do empate (grande jogada), já merecíamos estar a ganhar...
Com 2-2, o jogo ficou um pouco mais dividido, mas estivemos muito mais próximos do 3.º golo do que o Chaves. Talvez o cansaço em alguns jogadores, justifique a falta de cabeça fria da definição de algumas jogadas.
Já nos descontos, Paulo Baptista quis ser protagonistas: inventou um penalty contra o Benfica, que o Bruno Varela defendeu...
Aliás a arbitragem foi vergonhosa, durante toda a partida... Perdi a conta aos amarelos perdoados aos Flavienses (alguns 'esquecidos' em leis da vantagem, que não deram em nada!!!). E depois aquele triste espectáculo de andar atrás do Lindelof para o amarelar no lance do penalty!!! Este é daqueles apitadores que nunca devia apitar jogos do Benfica, pois o seu suposto Benfiquismo obriga-o a demonstrar em todos os lances que não beneficia o Benfica!!! Num jogo tão fácil de dirigir, errar tantas vezes, não pode ser incompetência... Este é outro, que o dia da reforma já vem tarde!!!
O grande aperitivo para o jogo, foi a estreia do Mukhtar. Marcou um golo, mas jogou completamente fora de posição. Nota-se bom toque de bola e quase sempre boas decisões. Tentou jogar simples (algo típico da escola Alemã, em contraste com a escola Portuguesa), mas não é ponta-de-lança...
Gostei do Teixeira e do Andrade (não compreendi a substituição)... Hoje nada saia bem ao Nuno Santos, o Semedo voltou a fazer um bom jogo, mas no final decidiu mal no lance do penalty: acho que sofreu falta (não assinalada), mas não se pode pôr a jeito daquela maneira (depois, não fez penalty). Boa entrada em jogo do João Carvalho, creio que temos aqui potencial para um grande '8', se evoluir defensivamente, tem visão, e controle de bola para isso...

O empate sabe a pouco, apesar da boa replica merecíamos a vitória. Falhámos a aproximação ao 1.º lugar, mas também não ficámos fora da luta...

Varela; Semedo, Lystcov (Carvalho), Valente, Rebocho; Lindelof, Teixeira; Andrade (Sanches), Santos; Guedes, Mukhtar (Sarkic, 90').

PS: Uma palavra para o Guzzo, que fez um bom jogo... deposito grandes esperanças nele. Espero que não seja sacrificado pelo penalty falhado naquelas circunstâncias.

O "fura-greves" (para quem não sabe, o Olarápio não 'assinou' a ameaça de greve anunciada pelos seus colegas...) !!!

Sete Finais

"Número bíblico, número mítico, número da perfeição, sete são os dias da semana, sete são também os jogos que nos separam da conquista do Bi-Campeonato.
Podem até ser menos (dependendo dos resultados que entretanto se forem verificado). Podem ser apenas cinco, se os vencermos todos. Mas para isso, há que olhar para cada um como se fosse o último. Como se fosse uma final. Amanhã é dia grande. É dia de final. Temos pela frente a Académica - equipa que começou mal a temporada, mas tem crescido manifestamente nas últimas semanas. Vai colocar-nos dificuldades.
Com talento, com alma, com garra Benfiquista, e com apoio incessante nas bancadas (nos momentos mais exuberantes, mas também naqueles em que é necessário arrefecer o jogo, ou conter o ímpeto de adversários que querem igualmente os pontos), vamos certamente vencer, e dar mais um importante passo rumo ao título.
Estes fantásticos jogadores merecem tudo. Este treinador resgatou a competitividade do nosso Futebol para níveis que só num passado já longínquo encontram paralelo. Este presidente pegou nos escombros de anos malditos, e ergueu o colosso que temos hoje à nossa frente, devolvendo-nos o orgulho, e devolvendo-nos a esperança. Temos, em campo, no banco, e na tribuna, os intérpretes perfeitos da nossa grandeza. Cabe-nos a nós, sócios e adeptos, cumprir a nossa parte.
Amanhã seremos muitos. Além de sermos mais, temos também de ser melhores. Temos de estar ao nível da importância do momento. os benfiquistas sabem bem como o fazer. Como levar os seus à Glória. Unidos, em torno de um ideal.
Todos por um. Todos pelo título. Força Benfica!"

Luís Fialho, in O Benfica

Falemos de assobios

"Três golos marcados, 11 oportunidades flagrantes desperdiçadas, inúmeras triangulações, qual compêndio de geometria que já o damos por garantido de tão usado que é na era Jorge Jesus, acerto defensivo, velocidade sobre a bola e na circulação da mesma, empenho inexcedível e 32 lances individuais de grande classe, em que se incluíram - e sei porque os contei enquanto revi a partida na BTV - 12 toques de calcanhar bem sucedidos (8 de Gaitán), 3 'cabritos' e fintas 'por baixo' das pernas, enfim, uma das melhores exibições num Campeonato por nós liderado, acabaram por ficar manchados por alguns assobios que, pior que entristecerem a esmagadora dos Benfiquistas, em nada ajudam a equipa a vencer.
Não estou habilitado a versar sobre teoria da acústica e desconheço se existem estudos que sustentem o que afirmarei de seguida, embora julgue ter razão: o som, em tom de assobio, quando gerado por um Benfiquista durante um jogo e propagado pela atmosfera em direcção à nossa equipa, é simplesmente parvo. Felizmente, o antídoto para este género de ruído é sobejamente conhecido, gritado convicta e apaixonadamente, revela-se infalível: BEN-FI-CA! Foi desta forma, tão simples quanto bela, que se silenciou os assobiadores.
E porque acredito que, em Maio próximo, festejaremos o '34', valerá aos assobiadores de serviço, seja no Estádio ou fora dele - pois também os há - que o acesso de Benfiquistas ao Marquês de Pombal e às principais rotundas de todas as cidades e vilas portuguesas careça de vistoria dos actos por si praticados ao longo da temporada. Os festejos são de todos, o apoio incessante e a crítica construtiva é de quem é capaz."

João Tomaz, in O Benfica

Sabão azul e branco

"Dele se diz que tira todas as nódoas que pode ser usado nas mãos, no corpo, no cabelo e até na roupa. É um daqueles produtos que nos habituámos a ver nas casas portuguesas muito antes de haver prateleiras de supermercado cheias de gel de banho, champôs, amaciadores e sais de banho de todas as marcas, odores, cores e feitios. O que eu não sabia - mas já desconfiava há uns 30 anos - é que este produto básico de higiene também andava a ser usado para limpar nódoas do Futebol.
Ora vejamos: Benfica-Nacional, 27.ª jornada, 3 a 1. O campeão nacional faz uma das melhores exibições da época, praticamente sem falhas, golos para ver uma e outra vez, quase 50 mil nas bancadas, líder isolado há 23 jogos consecutivos. Os programas de televisão e os jornais desportivos - e não só - salientam o quê
Os assobios de uma pequena parte das bancadas aquando do golo do Nacional e as críticas de Jorge Jesus aos adeptos. Perdem-se horas de antena e páginas inteiras a discutir a reacção do público e do treinador. Sobre a beleza do Futebol e a supremacia vermelha, menos, muito menos. Num jornal desportivo, um dia depois do jogo, o seguinte título: 'Benfica falha décimo jogo caseiro sem sofrer golos' e, no texto, destaque para o excelente golo de Tiago 'Gastroenterite' Rodrigues, emprestado pelo FC Porto ao Nacional.
Ai, ai, tanto desespero que para aí vai. O que vale é que o algodão não engana e nem mesmo o sabão azul e branco consegue o enorme milagre de fazer desaparecer uma nódoa tão pestilenta e gordurosa. Podem parar de esfregar, isso não sai. A solução é deitar fora."

Ricardo Santos, in O Benfica

Eleições na FIFA

"Vêm aí eleições na FIFA e, desta vez, temos um nome português na corrida. Um nome que vale a pena apoiar, não apenas pelo facto de falar a língua de Camões, mas por estar fortemente comprometido com um objectivo que tem, desde há muito, de estar em cima da mesa na mais alta instância do Futebol: o combate à corrupção e ao favorecimento dos países ricos.
Joseph Blatter tem atrás de si um legado de corrupção e favorecimento que impressionaria qualquer amante do Desporto e do fair-play. Desde propostas de campanha que nunca entraram em vigor - provavelmente nunca seriam para entrar - logo que criticadas por alguns apoiantes mais endinheirados até à muito duvidosa decisão de levar o Campeonato do Mundo ao Qatar em 2022, Blatter não tem contribuído para a construção de uma imagem isenta e imparcial da organização maior do Futebol mundial. Para além de que - como sabemos - não tem sido a melhor das atitudes para com o Futebol português. Quanto a este ponto, não me refiro apenas a decisões próprias da FIFA em que países pequenos e médios são sistematicamente prejudicados em função dos colossos financeiros. Estou mesmo a apontar a atitude simples como a ridicularização de jogadores como Cristiano Ronaldo ou a palpites extremamente imparciais sobre quem deveria recair a escolha de melhor jogador ou melhor treinador do Mundo.
Por tudo isto - e muito mais! - é importante que o lugar cimeiro da FIFA seja ocupado não apenas por uma cara conhecida dos adeptos e dos praticantes, mas por alguém que ame verdadeiramente o Futebol. E que já tenha dado provas - pelos seus feitos e também pelas suas origens - de que a todos tratará igual. Porque o Futebol é o desporto do povo. Do Mundo. De todos nós."

André Ventura, in O Benfica

Responsabilidade dos árbitros

"Há uma ameaça, por parte dos árbitros, de boicote às últimas cinco jornadas da I Liga. Dizem os juízes de campo que está em falta um pagamento correspondente a publicidade de que seriam veículo. Sucede que não há registo, na Liga de Clubes, desta obrigação, tão-pouco os árbitros, hoje em dia, ostentam qualquer publicidade específica.
Perante este cenário, a Liga admire até vir a pagar, caso lhe seja feita prova, por escrito, do compromisso invocado pelos árbitros; mas não vai abrir os cordões à bolsa só porque os árbitros se lembraram agora, coincidindo com a fase mais quente de competição, de reivindicar.
O que este caso mostra,  e esta é uma constatação grave, é que não há, por parte dos árbitros, um compromisso sério com as provas de que fazem a parte. De forma como colocaram a questão, os árbitros mostram que não querem saber dos clubes, jogadores, treinadores e demais intervenientes, directos e indirectos, que vivem do futebol, nem dos adeptos, cuja paixão é o motor de toda a indústria.
E quando se fala dos árbitros, fala-se de uma classe cuja profissionalização acarreta novas responsabilidades. Os vencimentos que auferem, em muitos casos cerca de 14 ordenados mínimos mensais (sete mil euros), não são compatíveis com acções que coloquem a competição em risco; por uma questão de solidariedade com os restantes intervenientes no futebol; e por uma questão de dignificação da sua novel profissão. Se os árbitros entendem que têm direito a algo, devem lutar por isso. Não devem é ameaçar colocar tudo o mais em causa. Têm mais direitos. Devem ter mais responsabilidade."

José Manuel Delgado, in A Bola

A verdade da mentira

"Quando uma peça jornalística tem de ser ancorada num título que invoca “a verdade sobre…”, é meio caminho para desconfiarmos da história.
Na sua edição de hoje, o jornal O Jogo publica o que diz ser a história da contratação do jogador do Nacional da Madeira Marçal, adiantando que a mesma foi fechada com a visita do assessor jurídico da SAD do SL Benfica ao hotel onde estava concentrada a equipa madeirense.
A história é falsa, de mau gosto, e o título revela-se manifestamente desajustado. A peça não merece o título. Uma “cacha” escrita por alguém que estava fora de Jogo!"

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Não tivemos estofo de campeão. Nós, o público.

"Expresso a minha solidariedade para com a greve dos árbitros desde que as autoridades competentes não se lembrem de ir repescar o já aposentado Pedro Proença para dirigir o próximo Benfica-FC Porto como só ele sabe.

A primeira hora de jogo do Benfica com o Nacional foi de altíssima categoria. Depois, com o resultado já em 3-0, e sendo impossível manter aquele padrão de excelência, lá veio a descontracção e com a descontracção reinante veio, naturalmente, o golo do Nacional.
E com o golo do Nacional vieram as manifestações de desagrado do público da Luz num momento posterior em que o adversário recuperou uma bola e voltou a aproximar-se da baliza de Júlio César.
A situação nem sequer era de perigo extremo mas memórias recentes de jogos em que o Benfica não soube segurar vantagens adquiridas provocaram um ataque de nervos no público que praticamente enchia o Estádio da Luz.
No entanto, o que Jorge Jesus ouviu e não gostou não foram assobios. Foram suspiros de aflição. São coisas muito diferentes ainda que ambas desagradáveis.
A verdade é que das bancadas saíram em catadupa «ais!» que deveriam ter sido diplomaticamente abafados em cada peito benfiquista a bem da tranquilidade e do sucesso da equipa, que é o nosso sucesso também. Mas aos suspiros não houve maneira de os conter, aconteceu mesmo.
O treinador viria a lamentar publicamente a atitude do público e dou-lhe inteira razão.
Não tivemos estofo de campeão. Nós, o público. Não custa reconhecer esta evidência.
Na penúltima jornada, a da visita a Vila do Conde, aconteceu precisamente o oposto. Do lado de dentro, o Benfica não teve estofo de campeão porque se iludiu fatalmente com aparentes facilidades enquanto o público afecto, ao comparecer em massa no Estádio dos Arcos apoiando do primeiro ao último minuto, deu uma cabal demonstração do que é ter estofo de campeão do lado de fora.
Voltemos ao incidente de domingo passado. Julgo ter sido a primeira vez nesta época que se ouviram na Luz manifestações de desagrado.
Nem quando a equipa foi prematuramente eliminada da Taça de Portugal pelo Sporting de Braga houve quem protestasse de modo a se fazer escutar. E, com mais classe ainda, se comportou o público da Luz quando a equipa se viu derrotada contundentemente pelo Zénite de São Petersburgo e recebeu, à despedida, uma calorosa ovação pelo empenho real demonstrado em campo jogando em inferioridade numérica grande parte do encontro.
O que aconteceu no domingo depois do golo do Nacional foi, portanto, uma raridade. O que também não custa reconhecer.
Foi a primeira vez que nesta temporada o público falhou à equipa. A equipa, em contrapartida, já nos falhou mais uma ou duas vezes.
O ideal era dar por encerrada a contabilidade dos falhanços mútuos de 2014/2015. Fiquemo-nos todos, equipa e adeptos, por aqui.
Falhando pouco, já falhámos todos demais.
Carrega Benfica!

O Benfica já conhece o nome do seu adversário na final da edição corrente da Taça da Liga. Trata-se do Marítimo que conquistou esse direito na quinta-feira passada.
O semi-finalista vencido foi o Porto que, ano após ano, lá se continua a ver livre da dita Taça da Liga. E com os preciosismos que a proeza exige.
Sim, porque já constitui proeza, porque mania não deve ser, em oito edições da prova não se contar uma que sorrisse ao Porto.

A relação de Jonas com o Benfica, ou vice-versa, é de igual para igual em aspectos do ponto de vista prático. Ambos são enormes.
O Benfica é um clube enorme e Jonas é um jogador enorme. Juntos ficam ambos muito bem. Uma beleza. 
Do ponto de vista exclusivamente sentimental também só pode existir grande reciprocidade entre Jonas e o Benfica. Gostam um do outro. E ambos lamentam ter-se conhecido só agora.
Que pena não ter chegado um ou dois aninhos mais cedo ao Benfica, pensará Jonas quando não está ocupado a marcar golos. E também nisso estamos com ele, totalmente de acordo. Que pena o Jonas não ter vindo mais cedo para o Benfica. Que desperdício.

NO capítulo das expectativas, contra o pessimismo de uns e contra o optimismo de outros, Carlos Xistra foi tudo menos um árbitro condicionado no Estádio dos Barreiros, na quinta-feira à noite, e no Estádio da Luz, no sábado à tarde.
No Benfica-Nacional, enganou-se por uma vez transformando um pontapé-de-canto num livre indirecto (ou vice-versa) e terá sido somítico no tempo de desconto. Concedeu apenas 3 minutos. Tivesse concedido 4 minutos e teria recebido nota máxima.
O mesmo árbitro, diga-se, já tinha estado em excelente plano no Marítimo-Porto.
Para o treinador do Porto, no entanto, Carlos Xistra falhou estrondosamente ao assinalar a grande penalidade que permitiu ao Marítimo chegar ao empate.
É uma desculpa como outra qualquer. E nem sequer é o momento mais criativo de Lopetegui na sua saga contra os árbitros portugueses.
Em primeiro lugar, porque não falou em latim.
Em segundo lugar, porque já lhe é difícil ultrapassar-se a si próprio depois de ter acusado os tocadores de bombos da claque do Nacional de serem responsáveis pelos 2 pontos perdidos na anterior viagem à Madeira.
E em terceiro lugar, porque não falou em latim em primeiro lugar.

ELISEU viu um cartão amarelo no sábado e não pode jogar com a Académica, o próximo adversário do Benfica. Diz-se que na sua posição vai estar André Almeida que fez uma belíssima exibição com o FC Porto no jogo da primeira volta ocupando o lugar ingrato de defesa-esquerdo. Lembram-se?

NO sábado à noite houve muita discussão por esse país fora mas discussão da boa, 100 por cento construtiva.
E, enfim, depois de muita troca de opiniões foi praticamente impossível chegar-se a consenso sobre o que de melhor o Benfica nos acabara de oferecer no jogo com o Nacional.
Havia muitas dúvidas e opiniões contrárias.
Se foi o segundo golo de Jonas ou se foi a exibição de Gaitán ou se foi a chiquelina aplicada por Salvio a um adversário, ou se foi… ou se antes foi…
Pela parte que me toca, apreciei imenso a chiquelina do Sálvio, a exibição do Gaitán e o segundo golo do Jonas mas não consigo dar primazia a nenhum destes momentos artísticos e por uma boa razão, acho eu. 
Porque, na verdade, do que mais gostei no jogo com o Nacional foi do instante, já mais para o fim, em que Maxi Pereira, defendendo a sua zona perante uma investida contrária, foi empurrando o adversário que transportava a bola num ombro-a-ombro tão notável quando legítimo, forçando-o a andar para trás uma dúzia de metros e a regressar ao seu meio campo bastante desmoralizado e sem saber o que fazer.
É assim que se ganham campeonatos.
O que seria dos artistas da bola sem os operários do futebol?

O Benfica-Porto está ameaçado! – foi a manchete de anteontem da imprensa desportiva e não só.
Isto por causa de um movimento reivindicativo dos árbitros portugueses.
Expresso aqui a minha solidariedade com a sua luta. Exigem receber as verbas a que têm direito e que a Liga retém sem lhes dar cavaco nem mostras de arrependimento.
Com o intuito de fazer valer as suas pretensões, os árbitros pediram dispensa de apitar nas últimas cinco jornadas do campeonato. É uma forma de pressão legítima.
E continuo a expressar a minha solidariedade com esta luta desde que, longe vá o agouro, não se lembrem as entidades competentes de resolver o assunto da falta de árbitros repescando árbitros já retirados para dirigir os jogos das últimas cinco jornadas.
Expresso, portanto, a minha solidariedade com a greve dos árbitros desde que não se lembrem de ir repescar o já aposentado Pedro Proença para dirigir o próximo Benfica-Porto como só ele sabe."

Leonor Pinhão, in A Bola

A regra dos golos fora de casa

"Arsène Wenger pôs em causa a manutenção do critério de apuramento nas eliminatórias a duas mãos, em caso de igualdade de pontos e golos. Não terá sido o momento mais oportuno porque o seu Arsenal havia sido eliminado (1-3 e 2-0), mas o certo é que tal regra tem sido contestada e foi até qualificada numa reunião de treinadores na UEFA, em 2014, como desnecessária, injusta e contraproducente.
A vantagem de se marcarem mais golos fora de casa nasceu num futebol diferente do de hoje. Equipas mais retraídas, espectáculo menos intenso, anti-jogo mais presente. E erradicou formas de desempate estúpidas do tipo moeda ao ar, como aconteceu no Benfica-Celtic em 1969, ou de um novo jogo em terceiro país.
Agora jogar em casa ou fora não assume a mesma clivagem, com as equipas mais libertas dessa tradicional desvantagem. Por vezes até pode ter o efeito contrário. Por exemplo, uma equipa que vence por 1-0 vai jogar com a cabeça mais concentrada em não sofrer do que propriamente em marcar.
Há mesmo situações anedóticas. Em 2002/03, o Inter e o Milan jogaram as duas mãos das meias-finais no mesmo estádio (S. Siro). Na primeira, empataram 0-0, na segunda 1-1. Como o 2.º jogo foi em casa do Milan, este ficou apurado e até acabou por vencer a final por... penalties!
Qual deveria ser então a alternativa? Na minha opinião, simplesmente pontapés da marca de grande penalidade, suprimindo o prolongamento que jamais poderá evitar um de dois desequilíbrios: ou a vantagem de quem joga em casa (se os golos valerem o mesmo) ou a vantagem de que joga fora (se os seus golos valerem mais em caso de empate)."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Desta vez discordo do consócio. Prefiro os golos fora, do que os penalties, a decidirem as eliminatórias. O caso Milanista, é uma aberração... são poucas as equipas a partilharem os mesmos Estádios (Roma/Lazio...), e inclusivamente em Milão, neste momento, já existem projectos para novos (e independentes) Estádios!!!
O ideal, seria um 3.º jogo, como aconteceu com o Ajax-Benfica (1-3, 3-1 e 3-0; curiosamente com o Benfica a ganhar em Amesterdão e o Ajax a ganhar em Lisboa!!!) de 1968/69, com o terceiro jogo a ser disputado em Paris, mas hoje em dia, com os calendários sobrecarregados, isso é impossível...

Colinho! Sempre o Colinho!

Gonçalo Guedes

Depois de uma rocambolesca novela, com um pseudo-empresário (Corrupto, coincidência!!!), a meter-se no meio, tentando por todos os meios afastar o Gonçalo Guedes do Benfica (e tentou o mesmo, com outros jogadores jovens do Benfica...), finalmente conseguimos assinar um contrato de longo duração (2021), com uma cláusula alta (60 milhões), com o nosso jovem talento...

Agora, o Gonçalo tem-se que concentrar em trabalhar, e esperar pela oportunidade. Sendo que nesta fase da sua carreira, é importante definir a melhor posição para o Guedes: não me parece que o futuro do Gonçalo seja a extremo, parece-me que o Gonçalo é claramente um 2.º ponta de lança...

Acreditar

Novi Sad 3 - 1 Benfica
25-19, 25-23, 22-25, 25-22

É fácil, Domingo temos que vencer, por 3-0 ou 3-1 e forçar o golden set.
Até não começamos mal, chegámos aos 4-7, mas depois permitimos uma série de 5 pontos aos Sérvios, que curiosamente começou com um erro da equipa de arbitragem!!! Os Sérvios ganharam confiança, e nunca conseguimos rectificar... Tivemos mal no bloco (e quando conseguíamos bloquear, a bola era reflectida milimetricamente para fora... várias vezes), o Perini, desta vez, esteve mal nas decisões... E os Sérvios praticamente não cometeram erros. Principalmente no serviço, onde são muito fortes. O aproveitamento deles no serviço no final da partida, foi quase perfeito...
No 2.º Set voltámos a ficar em desvantagem, o caminho parecia repetir-se, mas com a entrada do Vinhedo, a equipa melhorou bastante. Começamos a apostar essencialmente nos nossos pontos mais fortes no ataque: Gaspar e Centrais... Mas infelizmente, a desvantagem já era grande, e não conseguimos dar a volta... Com vários 'chouriços' a caírem sempre para o lado do Novi Sad!!!
No 3.º Set não cometemos erros, estivemos bem no serviço, e a vitória até pareceu natural... Mesmo com muitas decisões completamente absurdas da equipa de arbitragem, comandada pela senhora Polaca!!! Foi preciso esperar pelo 3.º Set para serem assinaladas faltas na rede ou infracções aos Sérvios!!!
Quando parecia que estávamos a caminho do essencial 2.º Set, voltámos a cometer erros próprios: no 4.º Set oferecemos, gratuitamente, vários serviços aos adversários... Foi claramente um Set, onde não foi o Novi Sad que venceu, fomos nós que perdemos.

Acredito na reviravolta na Luz. Os Sérvios dificilmente vão jogar melhor: serviços muito fortes, rematam muito alto, bloco alto, distribuidor muito bom...; alguma falta de mobilidade, tanto na recepção baixa como nas deslocações laterais do bloco. Agora, nós temos potencial para melhorar muito: a começar pelo Vinhedo desde início, no bloco (estratégia de bloco triplo, desde início), e temos que ser muito mais eficientes no serviço.
Com o apoio do público, com menos 'chouriços' para os Sérvios (hoje tiveram vários), e espero eu, com uma arbitragem menos Anti!!! Não espero uma arbitragem caseira, mas pelo menos, que cometa erros para os dois lados...
Recordo que derrotamos nesta competição o Partizan de Belgrado, equipa que venceu a época regular no Campeonato Sérvio, enquanto o Novi Sad terminou em 4.º lugar.

Nos desportos de Pavilhão, as arbitragens no Leste, são sempre extremamente caseiras, mas hoje exageraram. Como afirmei em cima, cometemos vários erros hoje, mas em vários momentos decisivos, os árbitros cometeram vários erros absurdos... sempre contra. Curiosamente os 'fiscais-de-linha' Sérvios creio eu, foram os que erraram menos....!!! Além disso ainda permitiram um comportamento intimidatório dos Sérvios, com 'bocas' desde do início, que acabou num Vermelho para as duas equipas, num momento decisivo do 4.º Set... E mesmo após o final da partida as provocações não acabaram... A juventude dos Sérvios não pode ser desculpa. Tenho a certeza, se os jogadores do Benfica tiveram o mesmo comportamento na Luz, irão ser imediatamente penalizados!!!

A época não acabou...

Benfica 17 - 26 Corruptos

Em condições normais já seria difícil, sem o Zé Costa, sem o Asier, e sem o Dario (além do Pujol do Davide...), era impossível. Dos 6 jogos que fizemos esta época com os Corruptos, este foi o único desequilibrado.

A época não acabou, temos a Challenge Cup, onde em teoria os adversários são mais acessíveis do que esta Meia-final do Campeonato.

Nestas ocasiões aparecem os cangalheiros (ratos!!!), a querer fechar a secção. O Benfica tem conseguido recuperar a competitividade de várias modalidades, acredito que o Andebol não será diferente... O Ortega trouxe métodos diferentes, temos que rectificar os problemas do plantel, e ficar mais forte na próxima época... mas essencialmente temos que ter a coragem, de mandar embora, que não dá o suficiente para vestir a camisola do Benfica... ainda por cima, quando se tem um dos ordenados mais altos do plantel...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A arte sublime de Jonas

"Está a construir na Luz um império grandioso pelo futebol que oferece mas também pelos afectos criados junto dos adeptos. É um jogador de outra dimensão, candidato a estrela maior da época 2014/15.

1. Há uma luz que o acompanha em campo, sendo que, nos melhores dias, há mesmo fogo de artifício a estrepitar à sua passagem; ao brilho do que os olhos veem junta-se então o som de plateias rendidas à surpresa dos magistrados golpes de magia e ao modo como satisfaz a inteligência com a perfeita execução do senso comum. Jonas vive segundos adiantados aos factos e, por ser um excepcional leitor de indícios, pensa cinco toques à frente; a participação no bordado, feita de tabelas e fintas que aproximam a equipa do golo, serve também para acumular veneno e descarregá-lo quando a bola lhe volta aos pés, mais à frente, a implorar por um último toque. É um génio de armas subtis, encantador por vocação, que impressiona companheiros, público, jornalistas e até verdadeiros. Toda uma construção cujo efeito mais relevante é camuflar a verdadeira natureza de assassino profissional.

2. Sem espírito nem físico para caçador solitário entregue a lutas desiguais com feras sem pudor, não tem perfil para ser efeito sem causa, isto é, decidir do nada, sem a contribuição dos outros. Mas é um atacante milagroso porque, integrado nos mecanismos instituídos da equipa, não só acrescenta soluções para todos os gostos como também multiplica a produção de quem o rodeia. No seu padrão criativo, por técnica, habilidade, influência, espontaneidade, e abrangência, há elementos que rematem para João Vieira Pinto: genial, imprevisível, intenso, tanto mais perigoso quanto a equipa for capaz de se unir para dar eficácia ao ataque posicional. Quase tudo ao contrário de Rodrigo, o seu antecessor, mortífero em deslocamentos mais amplos, que o tornam perfeito para um jogo directo e feito de transições.

3. Talvez por isso, por extrair o máximo de si próprio com a equipa virada quase em exclusivo para a frente, o Benfica seja tão deslumbrante e esmagador na Luz e tão susceptível de expressar-se na plenitude longe do lar. Não será por acaso que, analisando os 22 golos de águia ao peito, Jonas apontou 14 em casa (repartidos por 11 jogos) e só 8 fora (em apenas 6). O brasileiro é um futebolista de exaltação pepétua, que navega ao sabor de uma esplendorosa maturidade, precisamente porque mantém o entusiasmo juvenil de toda a vida e a impertinente convicção de ser grande naquilo que faz. A influência diferenciada exercida na produção colectiva não tem a ver com os 31 anos mas com o estilo de sempre - está ainda longe de suscitar o sentimento de injustiça quando um artista entre na recta final da carreira.

4. Jonas é um prodígio iluminado por uma auréola de inocência, que se movimenta com a malícia e trata a bola com esmero de quem guarda um tesouro nos pés. Nessas acções em que purifica sistematização e ordem com virtuosismo e magia contagiantes, revela articulação motora perfeita e o deambular enigmático que lhe permite passar por zonas de altíssimas tensões, cheias de barreiras electrificadas, com minas e armadilhas espalhadas por todo o lado, como se estivesse a passear no quintal de casa. Avançado com descaramento, convicções, talento e pontaria, deu ao Benfica versatilidade e contundência nos processos ofensivos. Por tudo quanto tem feito, está a construir na Luz um império grandioso pelo futebol que oferece mas também pelos afectos criados junto dos adeptos. É um jogador de outra dimensão, candiadato a estrela maior da época 2014/15.

(...)"

A democracia das taças

"A Taça de Portugal e a mal-amada Taça da Liga têm uma característica que as torna, futebolisticamente falando, mais democráticas. A possibilidade de equipas menos fortes atingirem a final é muito maior do que no campeonato, onde a vitória se resume aos do costume. Tratando-se de jogos a eliminar, basta um percalço de um favorito para já não haver recuperação possível. Mesmo na Taça da Liga, onde o esquema de jogos e o sorteio tende a favorecer os chamados grandes.
Atentemos aos finalistas das 14 Taças de Portugal neste século: Porto (8 vezes), Benfica (4 vezes), Sporting (3 vezes), mas também Vitória de Setúbal e de Guimarães (2 vezes cada, uma das quais vencedores), Marítimo, Belenenses, Paços de Ferreira, Académica (que venceu), União de Leiria, Rio Ave e - notável proeza - dois clubes da 2.ª divisão (Leixões e Chaves). Finais entre grandes só houve duas!
Quanto à mais jovem Taça da Liga (8 edições): Benfica (6), Sporting (2), Porto (2), a que se juntaram Braga e Vitória de Setúbal (ambos vencedores), Paços de Ferreira, Gil Vicente, Rio Ave e Marítimo. Finais entre Benfica, Sporting e Porto só duas também. Bastaria esta constatação para valorizar estas duas competições. E para que os organismos competentes fossem mais criteriosos nos respectivos calendários que, ano após ano, enfrentam datas erráticas, descoordenadas, e que fazem apelo à memória para nos recordarmos de eliminatórias perdidas no tempo. A ideia - entretanto mudada - de escolher uma data para a final da Taça da Liga num fim-de-semana coincidente com uma jornada na Liga não lembra o diabo e só serve para descaracterizar a competição."

Bagão Félix, in A Bola

Prioridade: estádios cheios

"A renovação do Estádio dos Barreiros, no Funchal, foi uma das boas notícias da época. Mesmo que apenas via TV, tem sido possível atestar que o ambiente nos jogos do Marítimo está melhor. Parece haver mais gente nas bancadas - talvez decorrente de algum entusiasmo que a conclusão da obra terá criado - e nota-se que aquelas pessoas estão bem empenhadas no apoio à equipa. Não que tenham passado a gostar mais do Marítimo, é claro, mas usufruem hoje de um espectáculo melhor, mesmo que isso não implique futebol de maior qualidade no relvado.
A psicologia explica: o empolgamento colectivo é facilmente transmissível e não é por acaso que assistir a um jogo num estádio cheio pode ser tão mais entusiasmante que fazê-lo numa bancada despida. É mais difícil resistir a aplaudir ou gritar pelo clube que se apoia quando ao lado se tem alguém a vibrar, e muito mais fácil passar ao lado do jogo quando se tem por vizinho uma cadeira vazia ou se percebe que em vez de sofrer com o jogo o homem de cachecol enrolado, lá longe, liga mais ao smartphone que aos remates à baliza.
Em Braga, durante anos, foi feito trabalho nem estruturado para chamar gente às bancadas: muitos bilhetes tiveram de ser oferecidos antes de fidelizar os clientes, é certo, mas é inegável que o crescimento do clube foi sustentado nas pessoas que o apoiam.
Também em Guimarães a força desportiva está muito associada à qualidade e empenho dos adeptos, mas o maior exemplo de como a militância chama militância não deixará de ser o Sporting, clube que nos últimos 33 anos conquistou apenas dois campeonatos, mas continua a contrariar a lógica de que só se gosta dos clubes que ganham. Dito isto, um dia um génio dirá: o futebol não existe sem pessoas. E a prioridade de quem manda passará a ser voltar a encher os estádios da Liga."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Nem um remate dá que pensar...

"O entusiasmo do futebol passa muito pela sua competitividade, claro, mas igualmente pelos resultados que nos surpreendem. Neste segundo aspecto a Liga portuguesa desta época tem correspondido. Tivemos, por exemplo, nas últimas jornadas, um Nacional que empatou o FC Porto na corrida pelo título, um Rio Ave que venceu o Benfica e um Paços de Ferreira que conseguiu também empatar o Sporting. O nosso problema está realmente no primeiro ponto e na desoladora constatação de que, num campeonato em que participam 18 equipas, tenhamos praticamente a certeza, e desde a primeira jornada, de que apenas duas equipas lutam em igualdade de condições pela conquista da prova. O Sporting vem logo a seguir, mas claramente também ainda não apresenta os mesmos argumentos que Benfica e FC Porto.
Também é verdade que esse não é um drama apenas nosso, que se passa mais ou menos em Espanha, Inglaterra, ou França, mas as diferenças creio que são mais visíveis em Portugal. Os treinadores dos clubes grandes não se cansam de dizer que nesta segunda metade da competição os pontos vão ser mais difíceis de conquistar, mas será mesmo assim? O Benfica goleou um Nacional que fez três remates à baliza de Júlio César; o FC Porto goleou um Estoril que não fez um único remate à baliza de Fabiano num jogo inteiro! Sem retirar mérito a quem consegue fazer muito com pouco, o que me parece é que resultados surpreendentes só aparecem mesmo quando os melhores fazem asneira.
O momento é terrível, de dificuldades financeiras e incapacidades dos clubes para se gerirem quanto mais para reforçarem a aposta desportiva. Por isso, mais do que nunca, e por mais do que uma razão, a redução de equipas na Liga pode ajudar a tornar a realidade menos dramática."

Nélson Feiteirona, in A Bola

Estrangeiros

"Vários comentadores, alguns com formação económica, têm escrito que FC Porto e Benfica vão ser obrigados a deixar de comprar futebolistas estrangeiros, tendo de apostar nos jogadores da formação - pois, com a crise financeira e o fim dos fundos, deixará de haver dinheiro para isso. A propósito, os ditos comentadores apresentam o exemplo do Sporting, que joga com base na prata da casa.
Ora, esta teoria está completamente errada, visto que as compras de jogadores estrangeiros não são uma despesa mas sim um investimento rentável. Ou seja, os clubes ganham dinheiro com esses jogadores, comprando-os a baixo custo, valorizando-os e vendendo-os caro. É certo que há negócios que se revelam autênticos flops, mas há outros tremendamente lucrativos, como os de Di Maria, Falcão, Hulk ou Enzo Pérez. No Benfica, o balanço de perdas e ganhos na era Jesus apresenta um saldo positivo de quase 25 milhões de euros, segundo o Record. E ainda aí não figuram jogadores como Salvio, Gaitán, Samaris ou Talisca , que vão render bom dinheiro.
Mas há mais. Esta política, além de ser financeiramente lucrativa, é desportivamente um sucesso, porque permite aos grandes clubes portugueses constituírem plantéis mais fortes, dispondo durante dois ou três anos de futebolistas de top do futebol mundial.
O Sporting representa o reverso da medalha. Investindo pouco, também lucra pouco. E não consegue com os jogadores da formação constituir equipas que lhe permitem grandes êxitos desportivos. O certo é que o clube não ganha um campeonato há 13 anos.
Aqueles que falam do 'fim de um ciclo' têm, pois, de rever a teoria."