Últimas indefectivações

sexta-feira, 13 de março de 2015

Levado ao colo dos adeptos

"No passado domingo não pude ir a Arouca porque estava em Santo Tirso com a equipa de voleibol do Benfica, que aliás venceu a sua 15.ª Taça de Portugal de forma clara (e conseguiu pela primeira vez, na passada quarta-feira, umas meias-finais europeias na história do voleibol do clube). Não nego que apesar da muita simpatia pelo voleibol do Benfica, que acompanho em permanência com gosto, havia uma natural expectativa no jogo de futebol. Eram os olhos no voleibol e os ouvidos no futebol. Era mão na Taça e coração em Arouca. Era um abraço ao professor Jardim e o pensamento em Jorge Jesus. Quando o voleibol acabou, perdíamos em Arouca e, por isso, a minha alegria estava mitigada. Saí do Pavilhão em direcção a casa na ânsia de ver algo de melhor em Arouca. Foi com natural alegria que recebi os golos da reviravolta durante o trajecto.
Chegado a casa vi o jogo em diferido, sabendo o resultado. Não havia na análise, nem insegurança do desfecho, nem incerteza. O Benfica voltou a ganhar um jogo em que foi prejudicado de forma acentuada. A perder 0-1 há um penalty não assinalado, empatado 1-1 há outro penalty por marcar, foram muitos os erros e de sentido único. Foi um resultado óbvio e uma vitória indesmentível, que podia e devia ter números mais expressivos.
Sábado, com o SC Braga, vai ser ainda mais difícil. Só um Benfica de superior qualidade poderá superar o que aí vem. Sabemos que nos próximos dois jogos se joga 51 por cento do campeonato, mas os nossos adversários também sabem isso. Sábado espero ser levado ao colo pelos adeptos e não ser atirado ao tapete por ninguém. Se o Benfica jogar tão bem como no jogo da Taça de Portugal que perdeu, ganhará com tranquilidade ao Braga. Será com um estádio cheio e muito apoio que se inicia esta corrida final ao 34.º título nacional."

Sílvio Cervan, in A Bola

Lotação esgotada!

"Uma dezena de jogos é o que nos separa do fim do Campeonato. São seis em casa (SC Braga, Nacional, Académica, FC Porto, Penafiel e Marítimo) e quatro fora (Rio Ave, Belenenses, Gil Vicente e Vitória de Guimarães). E aquilo que vimos no último domingo em Arouca é o que tem de acontecer até à última jornada - estádio cheio, bandeiras ao alto, apoio sem limites. Não há desculpas! A onda vermelha tem de continuar já amanhã com o SC Braga.
O próximo adversário venceu-nos duas vezes esta época (na Pedreira para a Liga, na Catedral para a Taça de Portugal) e não vai ser fácil. Principalmente porque a equipa de Sérgio Conceição e António Salvador não vem à Luz para não acertar uma única vez na baliza, como aconteceu na semana passada contra o FC Porto. Vem para tentar tirar pontos ao líder e oferecer a possibilidade de recuperação ao segundo classificado. Por isso, os jogadores do Benfica têm que ser mais inteligente, mais rápidos, mais agressivos, mais fortes. E têm de contar com as bancadas cheias.
A onda vermelha tem que durar até à última jornada (em casa, com o Marítimo). Temos dez oportunidades para dar a estocada final numa realidade de 30 anos de corrupção baseada no medo, no tráfico de influências, nas prendas a meio da noite em quartos de hotel, na violência e na falsidade dos resultados. Amanhã podemos juntar o útil ao agradável: conquistar os três pontos, tirar ainda mais esperança aos adversários e impedir o crescimento do SC Braga enquanto herdeiro natural das artimanhas do FC Porto. Não é fácil, mas poderá sê-lo se tivermos mais de 60 mil nas bancadas da Luz. Encontramo-nos lá."

Ricardo Santos, in O Benfica

Onda vermelha em movimento

"Amanhã vai haver casa cheia na Luz para receber o SC Braga. Apesar da importância do jogo e da dificuldade que os arsenalistas representam para os encarnados, não pode dizer-se que seja normal que se juntem 65 mil pessoas para presenciar este embate. Há, de facto, outro factor que explica o aviso de lotação esgotada nas bilheteiras do anfiteatro benfiquista e que tem a ver com a onda vermelha que está em movimento, de norte a sul, para apoiar o actual campeão nacional da sua demanda pelo bi.
Olhe-se, então, para as assistências, nos jogos para a Liga, no estádio da Luz, em 2015:
V. Guimarães - 44065; Boavista - 40346; V. Setúbal - 40564; Estoril - 46712. São números que traduzem uma adesão muitíssimo significativa e que se explicam pelo crescendo de confiança dos adeptos do Benfica na conquista do bicampeonato, proeza que foge aos encarnados desde 1982/84, aquando da primeira passagem de Sven-Goran Eriksson pela velha Luz. Mas é possível identificar um outro motivo para uma mobilização tão significativa: há, de uma forma geral, a percepção de que este Benfica joga em superação constante, não se atira para fora de pé à procura de nota artística nem vive na abundância de grandes nomes. É uma equipa voluntariosa e organizada, que faz do trabalho a arma principal. Por isso, caiu no goto aos adeptos que não têm parado de apoiá-la, mesmo em situações de adversidade, como sucedeu nas desvantagens revertidas de Moreira de Cónegos e Arouca. Não é a primeira vez que este movimento popular do benfiquismo se mostra em favor de uma equipa. Em 1986/87 (época da derrota em Alvalade por 7-1), verificou-se um fenómeno semelhante. E o FC Porto, campeão europeu e com melhor equipa, não chegou ao título. Semelhanças..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Jogos especiais

"Terminado o jogo entre o SC Braga e FC Porto, esperava-se alguma indignação por parte dos dirigentes da equipa da casa, face a um lance de grande penalidade que ficou por sancionar, e que poderia ter dado o empate.
Pelo contrário, o presidente bracarense não só ignorou esse lance, como afirmou, a despropósito, que a sua equipa teria de fazer tudo para ganhar... ao Benfica.
Independentemente da falta de oportunidade da declaração, fica por saber o que será esse 'tudo'. Mas olhando à diferença de atitude competitiva que o SC Braga tem revelado quando defronta o Benfica - jogos que disputa de faca nos dentes, com níveis de agressividade próximos do intolerável - e, quando tem pela frente o FC Porto - jogos em que normalmente é dócil e submisso -, podemos chegar a algumas pistas.
O Futebol tem coisas estranhas, que escapam ao entendimento do adepto comum. É normal que uma equipa mais pequena se agigante quando tem pela frente nomes sonantes. Mas não é normal que, ano após ano, jogo após jogo, uma mesma equipa coloque grandes dificuldades a um adversário, e apresente total passividade face a outro. Desde os tempos de Domingos Paciência que assim é.
Certamente por coincidência. Quem terá de ignorar tudo isto somos nós. E a solução para vencer é apenas uma: entrar com a mesma intensidade do adversário minhoto, sabendo que, assim, a maior capacidade técnica dos nossos jogadores fará a diferença. É também importante que o apoio dos adeptos se faça sentir, não com bolas de golfe ou intimidação (como por vezes sucede em Braga), mas com incentivos capazes para empurrar a equipa para o golo."

Luís Fialho, in O Benfica

Ecléctico e ganhador!

"As conquistas Benfiquistas na presente temporada sucedem-se a um ritmo notável. É a tendência dos últimos anos, fruto da recuperação económica e desportiva do clube, com repercussão na valia das nossas equipas.
No fim-de-semana passado foi a vez do Voleibol, na Taça de Portugal, e do Atletismo, no Campeonato Nacional de Corta-Mato Curto. O Benfica venceu nove das 12 provas já decididas esta época nas sete modalidades mais relevantes, em popularidade e investimento, do desporto português (as 'cinco de pavilhão, Atletismo e Futebol). Além das supertaças de Futebol, Basquetebol e Voleibol e dos triunfos acima referidos, ganhámos a Taça Hugo dos Santos e o Troféu António Pratas no Basquetebol e os Campeonatos Nacionais em pista coberta e estrada do Atletismo.
Para o Benfica, pelo seu historial, grandeza e ambição, o objectivo passa por vencer todas as provas em que se vê envolvido, seja qual for a modalidade. No presente, há expectativas reais de igualar ou até superar os 18 títulos da temporada passada (seniores masculinos das sete modalidades), mesmo sem disputar as taças continental e intercontinental de Hóquei em Patins, conquistadas em 2013/14. Acresça-se o bom desempenho das equipas femininas de Futsal e Hóquei em Patins e a perspectiva de mais títulos em desportos de menor notoriedade como, por exemplo, o Triatlo, a Canoagem ou o Pool. E há ainda o projecto olímpico, de Telma Monteiro, Nelson Évora e outros que honram o clube e o país porque são predestinados, trabalhadores e têm, no glorioso Sport Lisboa e Benfica, a (única) instituição que lhes providencia condições de excelência para o desenvolvimento das suas capacidades."

João Tomaz, in O Benfica

Afinal o colinho

"É caso para perguntar, afinal, onde estava o colinho de que tanto os nossos adversários falam, no passado fim-de-semana em Arouca. Dois penáltis por marcar, conclusão que, efectivamente, dispensa qualquer detalhada análise informática ou televisiva. Para além, ainda, de um conjunto de decisões estrategicamente mal tomadas que, não fora a persistente vontade do SLB, a partir do início da segunda parte, em dominar o encontra, poderiam ter tido consequências desastrosas na tabela classificativa.
É evidente que o Arouca entrou em campo - e legitimamente - para roubar pontos ao Benfica. Mais uma vez, com um ânimo, uma força e um desespero que não são comuns na equipa de Pedro Emanuel. Mas a isso o Benfica já tem de estar habituado!
O que surpreende (ou talvez não!) é que o resultado tão imbecilmente colocado em causa comentadores desportivos poderia, na verdade, ter sido muito maior. Pela mera realidade do jogo, o resultado poderia, sem grande margem de erro, cifrar-se num resultado de 1-5 a favor do Benfica. Mas disto a imprensa já não deu conta. E, curiosamente, nas horas e nos dias seguintes ao jogo disputado na bela vila de Arouca, sob a leve vigia do Douro, palavras como 'colinho' ou 'favorecimento' desapareceram das linhas da imprensa desportiva e generalista.
Fica apenas uma questão, que se levanta genuinamente no espírito de toda a nação benfiquista, e que dirijo a todos os jornais e comentadores desportivos, desde o Sr. Rui Santos ao Sr. Paulo Andrade: porque nos querem tanto tirar o mérito? Porquê?"

André Ventura, in O Benfica

Alta Fidelidade (atrasadas)!!!

quinta-feira, 12 de março de 2015

Com apoio, com convicção, sem deslumbramentos... a caminho do objectivo

Têm de fazer tudo para vencer o Benfica, e qual é a novidade?

"O árbitro a quem Pinto da Costa vaticinou o fim e a quem o mesmo Pinto da Costa vaticinou um futuro brilhante, arbitrará o Benfica-SC Braga. A inconsistência não é do árbitro, é do dirigente.

A expulsão do jovem Tobias Figueiredo nos minutos iniciais do último Sporting-Penafiel não aconteceu por culpa do árbitro nem por culpa do jogador adversário directamente envolvido no lance nem, muito menos, por culpa do próprio Tobias Figueiredo.
Tobias Figueiredo foi expulso por culpa da famosa petição. E dos seus peticionários, naturalmente.
Refiro-me à petição que corre actualmente recolhendo assinaturas online exigindo ao presidente da República que force a Assembleia da República a proibir o Benfica de vencer os seus jogos quando está em superioridade numérica por expulsão de um ou mais jogadores da equipa oponente.
Para os peticionários não existem, portanto, leis do jogo que lhes valham.
Por ser muito jovem, Tobias Figueiredo acreditando na bondade cívica da petição, depreendeu que a expulsão do arouquense Hugo Basto no jogo com o Benfica foi uma ilegalidade, mais uma.
E, crente no valor da petição que se sobrepõe às leis do jogo, vendo um perigoso penafidelense escapar-se isolado para a baliza de Rui Patrício resolveu fazer-lhe aquilo que Hugo Basto fez a Lima em situação quase gémea tendo por garantida a tão ansiada impunidade parlamentar.
Vai de derrubá-lo, Tobias Figueiredo!
Mas como ainda não pertence à Assembleia de República a arbitragem de jogos de futebol, o árbitro fez o que lhe competia e aplicou a lei do jogo. Ou seja, tal como aconteceu ao arouquense, acabou da mesma maneira e pela mesma razão expulso o sportinguista.
Estes choros, estes protestos, este arrepelar de cabelos, estas petições, enfim, dão nisto.
Confundem-se mais os próprios jogadores do que a opinião pública.

«TEMOS de fazer tudo para vencer o Benfica» – disse o presidente do Sporting de Braga mal terminou o jogo com o Porto.
Houve muitos benfiquistas que logo se indignaram com esta declaração de Salvador. Viram neste seu propósito, mais do que legítimo, a confissão inexistente de que o Braga não só não tinha feito tudo para vencer o Porto como também o próprio presidente tem mais arreganho para ser o salvador do Porto do que para ser o que na verdade é, o Salvador do Braga.
Interpretações abusivas, feridas de clubite.
Quanto a mim, falou muito bem António Salvador e não só não disse mentira nenhuma como também sintetizou numa frase o que têm sido os desvelos dos rivais do actual campeão na busca pelo já entronizado Santo Graal desta turbulenta temporada de 2014/2015.
Trata-se de «fazer tudo» que impeça o Benfica de revalidar o seu título nacional, essa pequena glória que não tomba para os lados da Luz há mais de três décadas e que, não tombando para ali há tanto tempo, ganhou foros de impossibilidade por via regimental e divina.

SEGUINDO actualmente o Benfica na dianteira do campeonato com uns curtos pontos de avanço sobre o seu directo perseguidor que, neste dilatado espaço de tempo, somou tetras e pentas com «a facilidade de quem vai ao supermercado», no imortal dizer de Sir Alex Ferguson, é natural que haja uma reacção forte e concertada da Oposição.
O próximo Benfica-Sporting de Braga é já no sábado mas há muito, muito tempo que está afixado no calendário de todos os interessados como o eventual acontecimento do ano.
Outra coisa não seria de esperar tendo em conta que já por duas vezes o Braga venceu o Benfica esta temporada, uma vez para o campeonato e outra vez para a Taça de Portugal. As expectativas estão, portanto, altíssimas em todos os campos.
Em Arouca, por exemplo, até parece que o Benfica jogou mais já a pensar no jogo seguinte com o Braga do que no jogo com o Arouca propriamente dito.
Vimos por toda a primeira parte um líder a poupar-se ao choque, a poupar-se a cartões amarelos e a não poupar a paciência dos seus indefectíveis adeptos que gostam de ver as coisas resolvidas cedo, de preferência antes de o intervalo, como aconteceu no jogo com o Estoril.
Depois lá acordaram, desataram a correr e resolveram a bem a contenda.
Também em Braga, dois dias antes, até pareceu ter-se visto um Sporting de Braga a fazer precisamente a mesma coisa que o Benfica haveria de fazer em Arouca. Um Braga a pensar menos no jogo dessa noite, que era com o Porto, e já a pensar mais no jogo futuro que é o jogo de depois de amanhã na Luz.
Estão assim reunidas todas as condições para um grande espectáculo.
O Benfica tem de fazer tudo para ganhar.
E o Braga tem de fazer tudo para ganhar ao Benfica.
Com franqueza, há nisto alguma novidade?

RICARDO apresentou no início desta semana a sua candidatura à presidência da Associação de Futebol do Algarve. O antigo guarda-redes chegou agora ao fim da sua carreira e com um currículo que, certamente, o envaidece.
Ao serviço do Boavista ganhou tudo o que havia para ganhar em Portugal – 1 Campeonato, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça -, ao serviço do Sporting ganhou uma Taça de Portugal e ao serviço da selecção ganhou o estatuto de herói nacional naquela tarde em que defendeu três grandes penalidades no desempate com os ingleses a contar para o Euro 2004.
Isto é o passado de Ricardo. Agora vem aí o futuro e o retirado guarda-redes optou por concorrer a um cargo de dirigente numa Associação importante como são todas as Associações, presume-se.
Por superstição, por simpatia ou por fé em mudanças, dá-me gosto de ver antigos jogadores a ocupar cargos directivos e a saírem-se com elegância dessas missões.
No nosso futebol, já há uns poucos antigos jogadores em funções de comando que lhes ficam muito bem. 
Há também, curiosamente, antigos jogadores que jamais ocuparão cargos directivos nos seus clubes não porque não tenham demonstrado categoria para isso mas porque, em algum momento, proferiram declarações de uma racionalidade tão ampla e tão dissidente à norma que os transformou imediatamente em alienígenas perante as nomenclaturas vigentes.
Tipo Vítor Baía, por exemplo.
Voltemos a Ricardo para lhe desejar as maiores felicidades.
É bom que o futebol saiba ir buscar aos seus antigos praticantes os seus futuros dirigentes. É o progresso. 
Tal como seria péssimo se alguma vez o futebol fosse buscar aos reputados delinquentes inevitáveis entre as suas claques os seus futuros dirigentes, mentores ou filósofos.
Isto é que seria um lamentável retrocesso.

AFINAL parece que o Sporting já não vai cobrar os 40 milhões de euros exigidos à Câmara Municipal de Lisboa a título de compensação pelas benesses concedidas ao Benfica porque se veio a descobrir que, feitas as contas, as isenções camarárias concedidas ao Sporting foram bem mais generosas do que as concedidas ao rival.
A notícia saiu no Expresso, um jornal tão de referência pelo que me atrevo a citá-lo.
Perante isto, o que fazer, benfiquistas?
Um comunicado? Ou uma petição? Ou as duas coisas?

ARTUR SOARES DIAS, o árbitro a quem no ano passado Pinto da Costa vaticinou o fim da carreira e a quem este ano o mesmo Pinto da Costa vaticinou um futuro brilhante, vai ser o árbitro do Benfica-Braga de depois de amanhã.
Isto não é um problema de Artur Soares Dias que é constantemente um bom árbitro.
A inconstância não é do árbitro, é do dirigente.
Isto é um problema de Pinto da Costa que umas vezes diz uma coisa e outras vezes diz uma outra coisa completamente diferente. O que se compreende porque a ameaça é grande e o supermercado de que Sir Ferguson falava já não é o que era, queremos crer."

Leonor Pinhão, in A Bola

Estádios (quase) vazios

"Fiz uma análise com base numa estatística do site da Liga relativa às assistências aos jogos da 1.ª e 2.ª Ligas (42 clubes) e já com jornadas suficientes para ter significação. Assim:
1. No total das Ligas, a média de espectadores por jogo é de 4133. Na 1.ª Liga, de 8776 e na 2.ª Liga de 651.
2. Só 5 clubes têm mais de 10.000 por jogo: Benfica, Sporting, Porto, V. Guimarães e Braga.
3. O Benfica é o único que já ultrapassou meio milhão. O Sporting tem em média mais 1000 espectadores que o FCP.
4. A partir daqui, vai-se dos 4379 do Boavista aos 1683 do Arouca (já com o jogo do SLB).
5. O V. Guimarães B é o clube da 2.ª Liga com melhor média (1833), superando Arouca e Penafiel (da 1.ª Liga).
6. As outras equipas da B ficam bem atrás: SLB com 811, Braga com 337, FCP com 441. O SCP com 279 e o Marítimo com 197 são mesmo quem tem a mais reduzida assistência das duas Ligas.
7. Todas as outras equipas da Liga 2 não atingem um milhar, oscilando entre os 956 do U. Madeira e os 346 do Atlético.
8. Em termos de taxa de ocupação face à capacidade dos estádios, o 1.º lugar é do Sporting com 63,1%, seguido do Benfica (57,3%) e Porto (60,5%). Em rigor, o Estádio dos Barreiros tem uma percentagem superior (68,1%), mas creio que tal tem a ver com a limitação da lotação pelas obras realizadas e em curso.
9. As piores médias de ocupação são, na 1.ª Liga, o Restelo com uma percentagem de 11,5% e, na Liga 2, o Beira-Mar com um incrível 2,3% (662 pessoas) num dos estádios do Euro 2004!
Cada qual que tire as suas conclusões. Em particular, quanto à sustentabilidade e ao numero de clubes (18+24!)."

Bagão Félix, in A Bola

Juniores - 4.ª jornada - Fase Final

Gilson Costa
Benfica 2 - 0 Gil Vicente

A equipa do Gil Vicente, treinada pelo nosso ex-jogador Nandinho, chegou ao Seixal só com vitórias, e é fácil de perceber porquê. Atitude positiva, a pressionar alto, boa posse de bola, e bons jogadores. É raro encontrar equipas no Seixal a jogar de forma tão positiva, mesmo as equipas ditas 'grandes' jogam muitas vezes com os famosos 'autocarros', jogando no erro... Não foi isso que aconteceu estar tarde.
Uma primeira parte com várias oportunidades, para as duas equipas, com o André Ferreira a efectuar boas defesas... mas acabou por ser o Hildeberto a concretizar. Julgo mesmo, que o Gil teve mais posse de bola no 1.º tempo!!!
A 2.ª parte foi diferente, o Benfica conseguiu escapar à primeira zona de pressão, com melhor qualidade, o Gil tinha menos bola... e num canto, fizemos o 2-0, 'matando' o jogo. Apesar da boa atitude do Gil, a forma compacta como o Benfica estava a defender, deu-me a certeza que a vitória não iria fugir...
Não foi uma exibição fenomenal, mas não foi má... Continua-se a notar muito a ausência do Renato no meio-campo, temos dificuldade em controlar a posse de bola. Este foi o 2.º jogo do Romário após o 'castigo' e notou-se uma melhoria, será importante com o Shaktar seguramente...

Ferreira; Isaac, Dias, Lima, Yuri; Rodrigues, Gilson (Kevin, 82'), Guga; Romário (Alfa, 89'), Gonçalves (Buta, 86'), Hildeberto.

PS: Nota para a equipa de Iniciados, da geração de 2000, que venceu o Torneio de Al Dharfa de sub-14, no Abu Dhabi. Ontem vencemos o Hamburgo por 5-0, e hoje na Final, vencemos o Barcelona por 3-1... Deixo aqui alguns videos:

quarta-feira, 11 de março de 2015

Vitória na Grécia...

Ethnikos 2 - 3 Benfica
22-25, 23-25, 25-20, 28-26, 11-15

Estamos nas Meias-finais da Challenge Cup, necessitávamos de vencer somente 2 Set's, e foi isso que fizemos logo de entrada... Com o calendário muito carregado nos últimos 9 dias (este foi o 5.º jogo!!!), o professor Jardim, resolveu trocar praticamente toda a equipa no 3.º Set, só se mantiveram o Perini (não temos outro distribuidor neste momento), e o Honore. Gaspar, Flávio, Roberto, Ivo, Zelão não jogaram os últimos 3 Set's. Assim se explica a inversão na tendência do marcador após garantida a qualificação...
Mas mesmo assim na 'negra', com o Magalhães a libero, o Ché a oposto, o Oliveira e o regressado André na zona 4, o Kibinho e o Honore a Centrais e o Perini na distribuição, vencemos o 5.º Set...
Agora, nas Meias-finais vamos defrontar um fortíssimo adversário: Ravena. A Liga Italiana é uma das mais poderosas do Mundo, em teoria é a equipa mais forte das Meias-finais... A boa notícia é mesmo essa, se eliminarmos os Italianos, o adversário na Final será teoricamente mais acessível!!!

Só no prolongamento...

Benfica 29 - 28 Águas Santas

Início horrível, foi preciso 7 minutos para o Benfica marcar um golo!!! Depois do excelente jogo na Maia, esperava-se uma partida muito diferente, daquela que acabou por acontecer...!!!
Na parte final da 1.ª parte, conseguimos recuperar, e chegámos ao intervalo com um 15-15 lisonjeiro!!!
O 2.º tempo foi o inverso, tivemos sempre na frente, e quando parecia que o jogo estava decidido a favor do Benfica, o Águas Santas conseguiu o empate a 27... ainda atirámos uma bola ao poste, nos últimos segundos!!!
O prolongamento foi dos guarda-redes, que defenderam praticamente tudo...
Não me recordo do último jogo onde o Carlos Carneiro foi o nosso melhor marcador!!! É bom sinal, o Carlos está motivado... talvez por isso o Semedo tenha menos minutos, mas podiam jogar os dois!!!

Os árbitros tiveram um critério estranho, chegámos ao fim com 13 livres de 7 metros (falhámos 5!!!), e o Águas Santas com 9 !!! Mas pelo menos mantiveram-no... Pena que nas exclusões também não tenham tido o mesmo equilíbrio!!!

Agora, acabaram os jogos 'fáceis' !!! Europa, Meias-finais da Taça de Portugal e dos Play-off's, ambos com os Corruptos... Diria mesmo, que não somos favoritos para nenhum destes jogos!!! Vai ser necessário muito espírito de luta...

Dezena

Benfica 10 - 1 Carvalhos

Jogo em atraso devido aos compromissos Europeus... Vitória fácil (que até manteve um atitude positiva, dando trabalho aos nossos guarda-redes) contra um adversário que está a lutar pela manutenção, acabou por ser um bom treino... Mais uma jornada, mais 3 pontos, o objectivo está mais próximo...

Persistência

"Três casos tão distintos, mas convergentes num ponto: persistência. Falo de Nélson Évora, Jackson Martínez e João Botelho.

O consagrado atleta do Benfica Nélson Évora resistiu a um longo período de lesões e cirurgias para voltar a ouvir o hino nacional e receber uma medalha de ouro. O campeão olímpico de 2008 é o exemplo da primazia da persistência não apenas física, como psíquica e mental. Quase todos teriam desistido se sujeitos aos problemas que Évora teve que suportar. A robustez de um atleta de alta competição exige um equilíbrio, uma perseverança e uma capacidade de sacrifício que o campeão português evidenciou em todo o seu esplendor. Obrigado!
Jackson Martinez, um artilheiro de elevada qualidade, está no futebol português na sua terceira época. Até à lesão de sábado que o vai afastar umas semanas, nunca havia falhado um jogo da Liga desde a sua estreia com a camisola do Porto. 89 jogos no total. É obra. Não certamente por acaso, mas fruto da constância do seu trabalho e do modo profissional, determinado e correcto como joga.

João Botelho, guarda-redes do Operário dos Açores esteve 1211 minutos (mais de 13 jogos!) sem sofrer golos no competitivo campeonato nacional de seniores. Bateu assim o velho recorde de Vítor Baía de há 24 temporadas. Aos 29 anos, este açoriano alcança um feito que fica para a história do futebol português (e não só). Seguramente com persistência, trabalho, tenacidade.
Três exemplos, de persistência: de constância sem interrupção, de carácter e determinação, de inabalável vontade de se atingirem objectivos para os quais não existe a palavra desistência."

Bagão Félix, in A Bola

Da cabeça

"Meu caro Nélson Évora:
Porque já toda a gente o fez não vou falar de si a fugir, deslumbrante, ao inferno que se abriu a seus pés, vou falar da razão porque ganhou o que ganhou fugindo do inferno como fugiu. Talvez se lembre: no dia em que A Bola lhe entregou o troféu de Homem do Ano 2008 a Teresa e o Carlos Lopes também foram - e marcou-lhe a posição:
- Olho para o Nélson e vejo-o como eu era: nunca tive medo de nada, de ninguém. Pensava sempre: bater, não batem, ralhar, se ralharem, isso não dói. Receio só tinha das lesões. Quando sabia que estava em forma, livre de dorzinha aqui e ali e mais além, meus Deus, como era, era como o Nélson é agora, eu sei...
Depois, a Teresa contou:
- Na véspera da maratona dos Jogos de Los Angeles, o Carlos dormiu toda a noite como pedra. Eu não, andei para ali a levantar-me quase de hora a hora, em ânsias, sem pregar olho...
João Ganço riu-se, revelou:
- Em Osaka, a caminho do estádio, dei com o Nélson a dormir no autocarro, só me passava pela cabeça: incrível como alguém que vai lutar por uma medalha num Mundial consegue estar assim...
Ainda mais desconcertante a revelação que de si soltou (lembra-se?):
- Pior: o professor teve de ir buscar-me ao quarto. Estava com o Arnaldo Abrantes a fazer um jogo de estratégia, tão focado nisso que nem dei pelo tempo. Arrancámos a correr para o estádio, saí de lá campeão do mundo a pensar que um ano depois era para ser campeão olímpico. E também fui...
(Mas não foi, sabe-se porquê.) Em Praga, quando o espanhol Torrijos o ultrapassou ao terceiro ensaio, eu que o conheço bem, disse para dentro de mim:
- Picou-o, está tramado...
Dito e feito: você voou para mais longe, aterrou de novo no paraíso - e eu, notando que ao sair da areia, tocara, subtil, com o dedo na sua cabeça, pensei:
- Esta emoção que estou a sentir deve-se à cabeça mais fantástica que eu conheço. Aliás, conheço outra assim, só mais uma assim, a do Carlos Lopes..."

António Simões, in A Bola

Salvio sem jeito para truques

"Tem mais olhos para o jogo do que ouvidos para o efeito que provoca nas bancadas; e vai sempre direito ao assunto: não engana, desvia-se; não espera, acelera; não finta, atropela; não se recreia, joga futebol.

1. Decorria o Mundial de 1958 quando o seleccionador brasileiro, Vicente Feola, vendo um jogo da Suécia pela televisão, se deixou impressionar por Kurt Hamrin - caiu até na asneira de elogiá-lo em voz alta, dizendo que era preciso ter cuidado com ele. Nilton Santos, a Enciclopédia, que a FIFA considerou, em 2000, o melhor lateral-esquerdo da história, não se conteve e contrapôs irritado: 'Não dá para entender. O senhor tem aí o Pelé e o Garrincha, que jogam mil vezes mais do que esse tipo, e deixa-os sempre no banco'. Até hoje, são raros os treinadores que ultrapassaram o desfasamento entre os riscos da singularidade nas equipas que formam e o deslumbramento que ela provoca nos adversários que precisam de travar. Salvio não contribui para esse dilema. É como aquelas equipas que toda a gente sabe como jogam mas ninguém consegue vencê-las.
2. A inércia prolongada e a desinspiração afectam-lhe o raciocínio e levam-no a desaproveitar as imensas qualidades em que assenta o seu futebol concreto e rectilíneo. Nem sempre sabe esperar pela sua hora. Apesar disso, raramente se entrega a exercícios fora do contexto do jogo e dos interesses da equipa. É condutor que limpa defensores com golpes de cintura e gere a velocidade segundo a fórmula de sucessivas mudanças de ritmo e direcção. Mesmo quando concebe quadros solitários, não se inspira na teatralidade de gestos e movimentos nem age como eterno candidato e herói: na esmagadora maioria dos casos, resolve problemas quando leva a bola, toca e segue, criando condições para que seja o colectivo a descobrir e aproveitar os espaços que os seus marcadores foram deixando vazios na perseguição.
3. Por não ser um grande driblador, despoja extravagância e exibicionismo do reportório. Muitos dos que embriagam o público com soluções exclusivas levam os treinadores a loucura, sob acusação de indisciplina e individualismo - era o que Feola pensava de Pelé e Garrincha em 1958. Salvio não automatizou um drible mas a recusa dessa mecânica repetitiva não implica fazer-se à estrada empenhado apenas em inventar pelo caminho. Pode faltar-lhe a magia que faz do futebol, mais do que um jogo, um espectáculo grandioso e uma expressão de arte absoluta: mas é a estrela que, indiferente a fantasia e hipnose, releva a importância de elementos nem sempre considerados prioritários na definição de um protagonista maior: eficácia, técnica individual, coordenação motora, visão, inteligência, solidariedade e golo - já fez 12 em 2014/15.
4. Não há estilos melhores do que outros. A eternidade habita no génio universal de Figo, Robben, CR7 e Hazard mas também no requinte de Quaresma, Nani e Gaitán: na acção demolidora de Sérgio Conceição, Di Maria e Carrilo e no golo de Simão, Bale e Tello. Salvio é uma súmula de todos, caracterizado por ter mais interesse no espaço do que nos adversários e valorizar mais o senso comum do que o adorno; é um sprinter que, podendo ganhar terreno em linha recta, não se põe com serpenteados, e um realista com técnica sublime, que não perde tempo com truques. Sendo um jogador com mais olhos para o jogo do que ouvidos para o efeito que provoca nas bancadas, é um extremo em permanente estado de exaltação, que vai sempre directo ao assunto: não engana, desvia-se; não finta, acelera; não espera, atropela; não se recreia, joga futebol."

Ataque de pólvora seca...!!!

Benfica B 0 - 1 Feirense

Parece que o Feirense no Seixal, está transformado em besta negra!!! Em três épocas de B's, nunca perderam no Seixal!!!

Voltámos a não fazer um grande jogo, mas fizemos o suficiente para vencer... O Feirense, em contra-ataque aproximou-se da nossa área, mas sem rematar à baliza, na primeira vez que acertaram na baliza foi golo (choque entre o Valente e o Semedo, e 'frango' no Miguel Santos)... a partir daí, foi autocarro do Feirense estacionado à frente da área, com algumas saídas perigosas em contra-ataque, quase sempre pelo velhinho Cafú... e o Benfica com posse de bola, em ataque continuado, mas sem conseguir marcar...
É verdade que não criámos muitas oportunidades, mas criámos as suficientes...  No final da 1.ª parte ficou um penalty claro por marcar, por derrube do Gonçalo Guedes: falta escusada, mas óbvia, menos para o Nuno Almeida!!!

A grande notícia foi o regresso do Fejsa, que jogou os primeiros 45 minutos, e foi provavelmente o nosso melhor jogador. 11 meses depois, sem ritmo, mas a qualidade está lá... Creio que saiu somente por precaução.
Tanto o Guedes, como o Jonathan têm que ser mais colectivos... sendo que o Uruguaio hoje mostrou uma característica interessante: contra uma defesa alta, e compacta, ganhou quase todas as bolas de cabeça na área, principalmente após cruzamentos do Rebocho, boa impulsão, e principalmente boa leitura do local onde a bola vai cair...
Gostei do Semedo (o choque no golo, foi 'mais' responsabilidade do Valente), gostei do Rebocho a atacar, gostei desta 'versão' do Teixeira, com menos dribles 'malucos', e mais passes (mesmo com alguns passes falhados)... Depois de alguns jogos muito bons, o Nuno Santos perdeu algum gás... o Lindelof não tem futuro como Central...

M. Santos; Semedo, Lindelof, Valente (Carvalho, 72'), Rebocho; Fejsa (Lystcov, 45'), Teixeira; N. Santos, Andrade (Sarkic, 59'), Guedes; Jonathan.

terça-feira, 10 de março de 2015

Da velha Pousada de Saramagos com notícias de Jorge Jesus

"Grupo Desportivo Riopele - dos clubes mais curiosos que passaram pela I Divisão, fundado pelos trabalhadores da fábrica de têxteis. Equipava de verde e só se manteve uma época entre os grandes - 1977/78. Um dos seus jogadores era o actual treinador do Benfica.

Pousada de Saramagos: freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão. Hoje falo do Riopele - Grupo Desportivo Riopele. Apenas uma época na I Divisão, a de 1977/78.
Era um clube empresa. Um clube empresa de outros tempos, como o foram a CUF ou o Alba, por exemplo. Foi fundado no dia 14 de Setembro de 1954 pelos trabalhadores da têxtil Riopele e assentou arraias na Pousada de Saramagos, num campo pelado que tinha uma parede atrás de uma das balizas.
Calhou ao Benfica, que fora Campeão na época anterior, defrontar o recém-promovido nas últimas jornadas, ou seja, na última jornada da primeira volta e na última jornada do Campeonato.
Já lá vamos: aos jogos, quero dizer.
Garantida a subida à divisão principal, trataram os dirigentes do Riopele de reforçar a equipa o melhor que podiam. Chegaram Matos e Padrão, guarda-redes, e outros como Garcez, Sacramento e Jesus - exactamente, Jesus, Jorge Jesus.
Não serviu de muito. O Riopele bateu-se como pôde mas acabou por voltar à II Divisão, ficando no décimo quinto lugar da classificação, só à frente do Feirense. Uma queda fatal. Alguns anos depois ver-se-ia relegado para a III Divisão e, finalmente, em Assembleia Geral, os associados decidiram extinguir o clube. Estávamos em 1985 e não tinham passado dez anos ainda sobre a maravilhosa aventura de 1977.
O Riopele equipava geralmente de verde. Recordo-me de ir ao Parque de Jogos José Dias de Oliveira. O ambiente era entusiástico. E valeu à equipa da casa vitórias interessantes - 1-0 ao Belenenses; 2-0 à Académica; 2-1 ao Vitória de Setúbal.
O povo da Pousada de Saramagos alegrava-se com as exibições de Pio, Fonseca, António Luís, Piruta e Ary.
E o futebol desse tempo era mais puro, mais limpo, mais lavado. Embora não por muito mais tempo.
Os dois jogos contra o Benfica
Os frente-a-frente entre o Riopele e os três grandes não foram felizes para os minhotos. Contra o FC Porto, duas derrotas: 0-2 em casa; 0-6 nas Antas, Contra o Sporting, outras duas: 2-4 em casa; 1-2 em Alvalade.
Acrescente-se que no Parque de Jogos José Dias de Oliveira, além de Sporting e FC Porto, só Vitória de Guimarães ganhou. Nada mal.
Calhou, por via dos inevitáveis sorteios, que o Riopele visitasse o Estádio da Luz na última jornada na primeira volta. Dia 28 de Janeiro de 1978. Estava o Benfica de malas feitas para a Arábia Saudita em mais uma daquelas digressões por todos os cantos do Mundo que fizeram dele um clube único.
John Mortimore fez jogar: Bento; Bastos Lopes, Humberto Coelho (Mário Wilson), Eurico e Alberto; Toni, Shéu; Nené, Vítor Baptista, Chalana e Cavungi (Pereirinha).
O inglês depositava grandes esperanças em Pereirinha (cujo nome prenunciava de forma bem particular) e no filho do «Velho Capitão». Infelizmente, um e outro saíram da estrada do grande futebol. Tal como Cavungi, aliás.
Eram tempos de mudança. O Benfica chegaria ao fim desse Campeonato sem derrotas, mas perderia o título para o FC Porto - empate em pontos e nos resultados entre ambos (dois empates, 0-0 e 1-1), melhor «goal-average» para os portistas.
Por seu lado, Ferreirinha fez a sua equipa jogar assim na Luz: Matos; Joca, Ederson, Vitorino e Teixeira; Piruta, Luís Pereira (Jó), Pio e Jorge Jesus; Garcez (António Luís) e Fonseca II.
Tempos esses em que ainda havia os II para distinguir jogadores do mesmo nome.
O Benfica ganhou fácil, em ritmo baixo. Nené, aos 12 minutos, fez o 1-0. Depois o Riopele jogou ao seu estilo, muito certinho, de passe e repasse, embora pouco agressivo no momento do remate, com Jesus e Piruta a darem nas vistas. Ainda assim, Fonseca (o II) atirou uma violenta bola ao poste direito de um atónito Bento. Chegara o momento de o Benfica resolver de vez a questão - um toque precioso de Shéu para a entrada da área e pontapé certeiro de Toni: 2-0. Vítor Baptista fechou a contabilidade: 3-0.
O Campeonato deu uma volta completa e o Benfica iria, pela única vez na história da prova, ao Parque de Jogos José Dias de Oliveira, na Pousada de Saramagos. Não foi. Por via de uma interdição federativa, o Riopele recebeu o Benfica em Braga, no Estádio 1.º de Maio.
Ainda havia uma ténue esperança 'encarnada' de chegar ao título. O FC Porto recebia o Braga nas Antas e o 0-0 mantinha-se. Nené aos 9 minutos já colocara o Benfica na frente. Rui Lopes fazia o 2-0 (23 minutos) com uma tremenda cabeçada, e os encarnados pairavam por momentos no topo da classificação isolados.
Eis que se esfuma o sonho. Oliveira e Octávio marcam no Porto (o jogo terminara 4-0), resta aos encarnados despedirem-se do campeonato de forma segura. Ao passar da meia-hora, António Luís reduz para 1-2. Na segunda parte, José Luís (76 minutos) e Rui Lopes (79 minutos) encerram o resultado: 4-1.
O Riopele está condenado à descida. Precisaria dos dois pontos para ultrapassar o Espinho, mas havia espinhos a mais na tarefa de defrontar um Benfica ainda crente.
Nessa tarde do dia 31 de Junho, com um calor abrasador em Braga e já com o Campeonato do Mundo de 1978 a decorrer na Argentina, as equipas subiram ao relvado com estas composições:
RIOPELE: Padrão; Joca, Vitorino, Ederson, Teixeira; Piruta, Pio, Luís Pereira (Abreu); Luís António, Jorge Jesus, Fonseca II.
BENFICA: Bento (Fidalgo); Bastos Lopes, Humberto Coelho, Eurico, Alberto; Shéu, Pietra, Toni; Chalana, Nené (José Luís), Rui Lopes.
O Grupo Desportivo Riopele despedia-se da I Divisão para sempre e nada como o Benfica para selar a despedida, esse Campeão que se despedia do seu título."

Afonso de Melo, in O Benfica

Vencer com raça

"Durante 45 minutos, em Arouca, num mini-Estádio da Luz, esteve presente um mini-Benfica. Uma equipa amorfa, sem intensidade e que pareceu ter ficado tolhida por um duplo erro defensivo de Eliseu (mais um) na mesma jogada.
Depois, ao intervalo, e com o espectro da Mata Real a pairar, tudo mudou. E, desta feita, mesmo com a entrada de Talisca, a diferença não foi de natureza táctica. O que fez a diferença foi a atitude. Repare-se, os dois golos decisivos, que viraram o jogo, resultaram de jogadas de insistência, onde, primeiro Lima e, depois, Gaitán não desistiram, forçaram o erro adversário, e revelaram o suplemento competitivo que constrói equipas campeãs.
A vitória em Arouca está aí para demonstrar que não basta o talento individual, nem sequer a organização colectiva ou uma eficácia superior nas bolas paradas (onde o Benfica, ao contrário do habitual, esteve bastante mal) para se vencer campeonatos. É também necessária uma disponibilidade competitiva capaz de ocultar insuficiências estruturais (um sector que funciona menos bem) ou azares circunstâncias (um falhanço individual).
A este propósito, é sintomático que nos últimos três jogos fora (Alvalade, Moreira de Cónegos e Arouca), o Benfica tenha sido capaz de reagir a resultados negativos, invertendo a tendência do marcador. A dez jornadas do fim, a capacidade de uma equipa vencer na raça é tão importante como os atributos colectivos e/ou individuais. Além de três pontos, o Benfica trouxe de Arouca uma atitude competitiva que importa continuar a alimentar.

P.S. - O discurso do colinho, como seria de esperar, já está a dar os seus frutos. Agora, com tantas queixinhas, antes de apitarem a favor do Benfica, os árbitros pensam duas vezes. Em Arouca ficaram por assinalar duas grandes penalidades."