Últimas indefectivações

domingo, 19 de janeiro de 2014

Rodrigol !!!

Benfica 2 - 0 Marítimo

Jogo tranquilo, muito por culpa dos jogadores, que entraram com confiança... mas como é óbvio, por muita competência que se tenha, se a bola não entrar na baliza, tudo o resto não conta, e assim jogadores com a inspiração do Rodrigo, são fundamentais!!!

Recordo que este Marítimo, na última Terça-feira em Alvalade, para a Taça da Liga, perdeu por 3-0, mas teve 2 penalty's claros a seu favor não assinalados, viu o Central adversário levar um amarelo, quando devia ter visto um Vermelho, e não ficou atrás nos remates à baliza...!!!
Hoje o Benfica dominou completamente o jogo,  e mesmo na 2.ª parte, quando o Marítimo quis subir mais, foi o Benfica que teve as principais oportunidades de perigo... mas mesmo assim, o Oblak lá vez finalmente 3 intervenções de qualidade (e mais uma, onde foi assinalado, bem, fora-de-jogo!!!).

O Fejsa, para este tipo de jogos é mais do que suficiente. Esteve muito bem no chão, e no ar (surpreendeu-me esta faceta!!!), não inventou na construção... Naquela 'cueca' do Danilo Dias é que ficou mal, mas recuperou bem... Nota-se a evolução do Markovic, tanto nas tarefas defensivas, como no jogo colectivo, só lhe falta acertar o tempo de passe, nas acelerações 'speedy gonzales'!!! O Rodrigo está com a moral toda, praticamente 2 anos depois do Bruto de São Petersburgo, o verdadeiro Rodrigo, está de volta...!!!
O esquema das substituições do Jesus, era sempre igual: a primeira aos 60 minutos, a outra entre os 70 e os 75 minutos, e a 3.º à entrada dos descontos. Nas últimas partidas tem retardado as substituições inexplicavelmente... Hoje, com a novela da Formação durante a semana, colocar o Cavaleiro e o André Gomes, praticamente nos descontos, é só para por mais lume na fogueira...!!!

O relvado continua em má forma, os prognósticos para os próximos dias, prometem Sol, espero bem que sim, porque, principalmente na faixa central, é muito difícil jogar... Estas condições, além de exigirem mais esforço aos nossos jogadores, a cada 15 dias, facilita o trabalho a quem defende com autocarros, ou semi-autocarros!!!

Num jogo tão fácil de dirigir, é inacreditável a quantidade de erros que o Huguinho voltou a cometer. É verdade que no 2.º golo do Benfica, existe fora-de-jogo, mas a responsabilidade é do fiscal-de-linha, além disso o lance é complicado... Agora, só na 2.ª parte, marcaram 4 lançamentos laterais ao contrário, e um canto, sempre contra o Benfica!!! É demasiada incompetência... E já na 1.ª parte, no primeiro remate do Marítimo, que ia traindo o Oblak devido ao ressalto na relva, existe fora-de-jogo no início da jogada...!!! O penalty não assinalado sobre o Markovic, é mais um exemplo, de como os árbitros em Portugal são promovidos a Internacionais (e se mantém lá!!!)...

Vitória na 'negra', permiti seguir em frente na Taça de Portugal

Sp. Espinho 2 - 3 Benfica
25-21, 22-25, 28-26, 20-25, 12-15

Depois do início de época atribulado, o dinheiro lá apareceu e o Sp. Espinho lá inscreveu os estrangeiros, mas os pontos perdidos nessa fase conturbada, vão de certeza absoluta, fazer com que os Espinhenses comecem a 2.ª fase do Campeonato, com vários pontos de atraso em relação ao Benfica e à Fonte do Bastardo, sendo improvável que os consiga recuperar... sendo assim, a única competição, que o Sp. Espinho estava em igualdade de circunstâncias com as duas equipas mais fortes, era na Taça de Portugal. E ainda por cima, o sorteio foi-lhes favorável, com o jogo em casa. Dito isto, este jogo, para o Sp. Espinho, era o jogo mais importante da época. Uma autêntica final...
Os parciais, provam, as enormes dificuldades que o Benfica foi obrigado a ultrapassar, perder o 3.º set nas vantagens deve ter sido complicado, mas equipa não abanou, reagiu, e na negra, venceu...

Liderança reforçada...

Benfica 87 - 71 Galitos
20-18, 23-14, 22-23, 22-16

Com a derrota do Guimarães na Madeira, aumentámos a distância para o 2.º classificado.
Voltámos a fugir no marcador durante o 2.º período, num jogo onde até tivemos uma boa percentagem nos lançamentos, curtos e longos... a igualdade nos ressaltos: é estranha!!!
Foi bom rever ex-capitães do Benfica: o Minhava, e o Tavares, os melhores jogadores e os melhores marcadores do Galitos neste jogo!!!

Vitória... com muita Paixão!!!

Portimonense 0 - 2 Benfica B

Mais um jogo marcado pelo árbitro: Bruno Paixão!!! Foi obrigado a expulsar um jogador da casa, logo aos 2 minutos, a partir daí, andou obsessivamente à procura de álibis para expulsar jogadores do Benfica. E conseguiu: 2 !!!

Na 1.ª parte, os nossos jovens não souberam jogar com as emoções do jogo, o Portimonense 'revoltou-se' contra a expulsão (justa, diga-se...), e mesmo a jogar com menos 1, foi a equipa mais objectiva...
Na 2.ª parte tudo mudou, o Benfica consolidou a superioridade numérica, o João Teixeira marcou um grande golo, mas logo de seguida perdeu a cabeça, e foi expulso... O Rojas entrou, roubou a bola, e marcou o golo do descanso... Antes do jogo acabar, o Fábio Cardoso  fez penalty (a falta existiu, o problema foi o segundo amarelo, já que o primeiro foi absurdo!!!), mas o Varela voltou a defender um penalty!!!

Hoje voltámos a jogar com uma equipa quase toda formada no Benfica, só o Lindelof, o Nelsinho (Semedo), e o Lolo chegaram mais tarde... E a tendência, é para este número aumentar.
Quando o João Teixeira começou a ter alguns minutos, afirmei logo, que tínhamos jogador... ainda precisa de evoluir, principalmente no tempo de passe, mas temos um box-to-box com qualidade... Gostei do Cardoso, creio que tem melhorado... o Rúben Pinto continua a confirmar credenciais a '6'... em sentido contrário tenho notado, um abaixamento de forma no Lolo...!!!
O Bernardo tem pormenores de muita classe, mas tem que ser mais constante... Esteve muitíssimo bem, na flash-interview: nem as palavras do Jesus, puseram em causa o valor dos jogadores da formação, nem os comentários dele e do Nascimento, tiveram como objectivo atingir o treinador principal...!!!

Pena, aquele período menos bom, a meio da 1.ª volta, porque tirando essa série negativa, os resultados desta equipa têm sido agradáveis, principalmente em casa... O facto desta equipa liderar, por larga margem, a classificação dos cartões Vermelho, é indicador mais do que suficiente, para se perceber o anti-benfiquismo alargado que se vive nos campeonatos profissionais!!!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Vitória, no meio de muitas ausências...

Sp. Horta 22 - 28 Benfica

Vitória fácil, com um arranque do Elledy a fazer 5-0 nos primeiros minutos!!!
É verdade que o Sp. Horta teve duas baixas, e que o seu melhor jogador tem 41 anos... mas nós estamos a jogar sem o Carneiro e sem o Pedroso, e o Tiago Pereira foi para o banco, mas não jogou...
Com o 6-16 ao intervalo, a 2.ª parte foi para cumprir calendário... relaxamos um pouquinho demais, o Álamo foi para o banco, e os apitadeiros tentaram encurtar as diferenças... mas um desconto tempo, com 16-22, chegou para devolver a concentração!!!
Nem nos Açores nos safamos dos Brother's 'Mertalha' Martins!!! Nem num jogo fácil decidido nos primeiros minutos, os rapazes conseguem passar despercebidos!!! Quando a incompetência, se junta aos ódios de estimação...!!!

Na próxima jornada vamos a Braga, nunca seria fácil, mas com este rol de lesionados, vai ser muito, mas mesmo muito complicado... Sem acidentes graves de percurso, o Campeonato será decidido na 2.ª fase, mas ultrapassar esta fase de muitos lesionados com vitórias poderá ser decisivo.

Vitória... amanhã temos Taça!!!

Benfica 3 - 0 SC Caldas
25-15, 25-17, 25-19

Vitória normal, curiosamente com uma má entrada no 1.º set...
Amanhã, temos Taça em Espinho, e hoje a gestão do plantel já foi condicionada por esse jogo!!!

Complicado...

Loures 2 - 3 Benfica

Inexplicavelmente difícil... Este jogo deveria ter terminado com uma goleada, mas em vez disso, tivemos que sofrer até ao último segundo!!! Estivemos inclusive em desvantagem...
Não acredito que o facto do treinador principal ter estado doente, seja a explicação, para esta entrada desastrosa em 2014...
Do mal ou menos, e estamos na próxima eliminatória da Taça de Portugal, mas temos que melhorar muito...

Exige-se uma reacção...

Benfica 1 - 3 Vendrell

Estamos a passar pela pior fase da época. Depois da derrota em Oliveira de Azeméis, esperava-se uma reacção positiva na Liga Europeia... mas não foi isso que aconteceu. É verdade que apesar da derrota, com este resultado 'garantimos' praticamente o 1.º lugar no grupo: como na Catalunha tínhamos por vencido 3-6, ficámos com vantagem no confronto directo, neste momento a uma jornada do fim, ambas equipas estão com 9 pontos, sendo que ambas são favoritas nas duas últimas jornadas... no caso do Benfica vamos à Suíça e recebemos os Franceses do Quevert...!!!

A grelha da Benfica TV2 no Meo, previa a transmissão do jogo, mas isso não aconteceu... oficialmente não houve explicações. Falou-se de um impedimento da Cers, não não está confirmado... Sendo assim, não posso comentar os pormenores da partida - inclusive a suposta grande exibição do guarda-redes adversário!!! -, mas voltámos a falhar todas as oportunidades de 'bola parada' (3 Livres Directos!!!), enquanto isso o Venderell marcou o 1.º golo de penalty e o 3.º de Livre Directo (100%)!!! O aproveitamento do Benfica nestas situações, está a chegar a níveis absurdos. Não sei se é trauma, incompetência, azar, ou estupidez, é inaceitável uma equipa como o Benfica, não conseguir marcar um único de golo de penalty ou Livre Directo... é um absurdo!!!

Quando Deus entrou no meu carro

"O principal é a alegria. Acho que é isso. Eusébio deu muita alegria a muita gente muitas vezes.
A propósito do que o futebol significa para o povo, J. B. Priestley escreveu, no romance The Good Companions, uma frase célebre: "Definir o futebol como 22 mercenários a correr atrás de uma bola equivale a dizer que um violino é madeira e corda de tripa, e que o Hamlet não é mais do que papel e tinta." A tradução talvez não seja das mais competentes, até porque fui eu que a fiz, mas é mais ou menos isto. Sempre que algum impertinente, como a minha mulher ao fim-de-semana, ou o Pacheco Pereira a toda a hora, trata a bola com desprezo sobranceiro, lembro-me do sr. Priestley e rio-me deles. Mais do Pacheco Pereira do que da minha mulher, que não é para brincadeiras.
Naquela manhã de Julho de 1992, eu já sabia o que o futebol era. E por isso tive dificuldade em acreditar quando vi Deus, ansioso e frágil, na berma da estrada, dedicado à tarefa muito prosaica de chamar um táxi. Havia muito movimento, nesse dia, e todos os táxis estavam ocupados. O negócio dos transportes públicos, pelo que se podia ver, não respeitava a única regra que um eventual código deontológico do taxista devia contemplar: "Quando Deus precisa de táxi, o motorista deve parar, mandar sair o cliente que segue no veículo nessa altura, e transportar a divindade gratuitamente." Eu limitei-me a fazer o que era decente: convenci os meus pais a parar para dar boleia a Deus. Naquele tempo, Deus era treinador-adjunto do Benfica, e nesse dia iria partir para o estágio de pré-época. Não foi fácil convencer Deus a entrar no carro. Habituado a ser abordado por mortais estava Ele, portanto tive de O persuadir de que não era um idiota qualquer (tive de Lhe mentir), e garantir-Lhe que aquela família teria todo o gosto em levá-Lo ao aeroporto. E então, Deus entrou no meu carro. E, sem querer blasfemar, tenho de dizer que fez um milagre muito estranho: durante toda a viagem, resolveu comportar-Se como se fosse apenas um ser humano. Conversou com os meus pais, que não eram crentes e por isso tiveram coragem para falar com Ele. Tirou um galhardete da mala e deu-me um autógrafo (os meus pais disseram-Lhe o meu nome). E, quando chegámos, agradeceu como se tivéssemos sido nós a fazer-Lhe um favor, despediu-Se e saiu.
No dia seguinte, uma notícia breve, na última página de um jornal desportivo, dizia: "A equipa do Benfica chegou com algum atraso ao aeroporto, uma vez que o autocarro que transportava a comitiva ficou retido no intenso trânsito que se fez sentir ontem em Lisboa. Eusébio [o jornal tratava Deus pelo nome], foi o único que chegou a horas, porque se deslocou por meios próprios." De acordo com a imprensa, o carro do meu pai tinha passado a ser "meios próprios" de Deus. Mesmo quem respeita acima de tudo a propriedade privada tem de admitir que não se tratava de um engano, mas simplesmente de uma evidência.
Assim que tive dinheiro para isso, comprei aquele carro ao meu pai (que, suspeito, por saber que o carro tinha valor sentimental para mim, carregou no preço). E, em 2003, quando nasceu a minha primeira filha, instalei a cadeirinha da menina no lugar em que Deus tinha viajado. Em 2005, quando nasceu a segunda, foi a vez de ela andar lá. E andei com o carro até ele parar.

O principal é a alegria. Acho que é isso. Eusébio deu muita alegria a muita gente muitas vezes. Uma alegria muito intensa, que as pessoas contam às gerações seguintes, como se faz com todas as outras coisas mesmo importantes. E fê-lo como se não fosse nada de especial, como se ninguém lhe devesse nada por isso.

No parque de estacionamento do estádio da Luz há uma zona reservada às viaturas dos dirigentes do clube. Várias placas indicam o proprietário do lugar. Uma diz "Presidente da Direcção", outra diz "Conselho Fiscal", e por aí fora. Entre estas placas, havia uma que dizia, simplesmente: "Eusébio". Nas muitas vezes em que, infelizmente, ele não podia deslocar-se no meu carro, era ali que parava o dele. No Benfica, há os cargos que existem nos outros clubes (Presidente da Assembleia-Geral, Secretário Técnico, etc.) e havia ainda um cargo único: Eusébio. É difícil imaginar a vida de um clube sem um Eusébio na estrutura dirigente. Toda a gente precisa de um Eusébio. De um símbolo que ganhou o lugar na História - e no parque de estacionamento, que também dá jeito - porque desempenha um cargo para o qual também foi eleito, mas numas eleições antigas e sem necessidade de cruzinha: foi eleito lenda.

Vestir a camisola do Benfica é uma honra para todos os jogadores. Alguns, e não são assim tantos, honram tanto a camisola como ela os honra a eles. Outros, ainda mais raros, conseguem dar mais ao Benfica do que o Benfica lhes dá. A esses, o clube ergue-lhes uma estátua à porta do estádio. É por isso que só está lá uma."

Uma tragédia

"Primeiro, não se acredita. Eusébio morto? Como é que pode ser? Depois acredita-se e amaldiçoa-se o azar de Eusébio e da família dele por ele ter morrido tão cedo.
Percebe-se que Eusébio já era um imortal há muito tempo e que, nesse sentido heróico, continua tão vivo como antes. Foi uma imortalidade que ele criou, jogada a jogada, de jogo em jogo, ano após ano, de golo em golo.
Mas Eusébio faz falta. Ele era um sábio e um benfeitor, um monumento vivo que falava com as pessoas e vivia como elas, no meio da gente. Era a última grande figura de Lisboa.
Os portugueses nem sempre trataram Eusébio com o respeito e a gratidão que ele não só merecia como tinha conquistado, apesar de ter enfrentado obstáculos formidáveis.
Eusébio era um senhor a jogar e era um senhor na vida. As grandes qualidades dele como futebolista - a inteligência, a imaginação, a solidariedade, a elegância e a audácia - nunca mais se juntaram num só jogador. Mas continuaram sempre na pessoa de Eusébio, ao lado de fraquezas que todos nós temos, provando que ele era humano.
É uma grande tristeza Eusébio não ter vivido mais anos de felicidade e de exemplo. São muitas as pessoas, de todas as idades e de todas as profissões, cujas vidas vão piorar por Eusébio já cá não estar.
A morte de Eusébio é uma tragédia. As tragédias choram-se. Não se celebram. A imortalidade já era dele. Não serve de consolação nenhuma. Era imortal e bem vivo que te queríamos, querido Eusébio.
Obrigados por tudo o que nos deste, a começar por ti."

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Revelações

"Em semana em que o treinador do FC Porto se revelou confuso, depois de perder no clássico da Luz por 2-0, os adeptos do Benfica revelaram-se assustados por poder perder vários jogadores no mercado de Inverno.
Jorge Jesus, após reconhecer que Matic era o melhor médio defensivo do mundo, revelou não se preocupar com a perda, desde que jogue com onze. Revelou ainda que «se não joga o Matic, joga o Manel», mas, nós comuns adeptos, desconhecemos o valor do Manel e ficamos mais preocupados que o técnico.
Matic era o nosso super-homem, foi um dos melhores números 6 que vi jogar, enchia o campo e devemos-lhe parte importante da liderança que detemos no campeonato. Desejo-lhe sorte, mas vejo-o partir com natural saudade. Nenhum adepto gosta de perder os seus melhores jogadores.
David Luíz revelou o seu benfiquismo ao vir assistir ao clássico e torcer pelo seu Benfica, festejando os golos, qual No Name Boy.
Paulo Fonseca, técnico muito apreciado pelos adeptos do Benfica, revelou que tem uma confiança cega que será campeão no último jogo do campeonato. Nós, adeptos benfiquistas preocupados, não revelamos, mas temos o secreto sonho de ser campeões na penúltima jornada.
FC Porto e Sporting têm uma competição renhida e directa na Taça da Liga, para poder receber o Benfica nas meias-finais. Será golo a golo, com vantagem para os dragões, mas com disputa garantida até ao fim, e com a certeza de que o Benfica já carimbou a passagem nesta importante prova.
Eu revelo aqui o meu profundo desejo de não ver sair Rodrigo, Garay ou Enzo neste mês de Janeiro. Não estou animicamente preparado para uma sangria tão generalizada, nem para perder títulos, que desejo e aspiro a ganhar. Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga.
Todos? Sim, por favor, todos seria óptimo."

Sílvio Cervan, in A Bola

Eusébio (II)

"Foi emocionante ter jogado com ele. Ter percebido quanto inteligente era a jogar. Entendíamo-nos na perfeição. Eu sabia quando ele queria a bola, também sabia quando a não queria. E só eu sabia porquê. A quando da marcação de livres, o Eusébio sempre me queria junto à bola, fosse a cobrança directa ou indirecta. Era ele quem decidia se pretendia ou não o meu toque. Vezes sem conta, disse-me «Simões, não toques, vai ser golo, a barreira está mal formada». Era mesmo golo. Só eu sei, mais ninguém, neste ou noutro mundo, que era assim. Depois, vinham os festejos, coisa que eu saboreava com enorme prazer. E a pensar «como é que eu vou explicar isto»...
Eusébio era mesmo um fenómeno. A nossa cumplicidade total. Um dia, decidiu chamar-me «irmão branco», foi para mim um momento enternecedor que jamais esquecerei. Apoderado de uma emoção indescritível, respondi-lhe «então, tu és o meu irmão do coração». Coração vermelho, a cor do nosso Benfica.
Ninguém para mim, neste mundo do futebol, tem mais significado do que Eusébio. Fomos irmãos para sempre. O futebol tinha a virtude, muito menos agora, de selar compromissos únicos, de gerar cumplicidades comoventes, de suscitar nobreza nos relacionamentos, de vincar solidariedade arreigada nas acções. Eusébio e eu fomos assim. Eusébio e eu ainda somos assim. Religiosamente."

António Simões, extracto do livro 'António Simões', in O Benfica

Eusébio (I)

"O grande, o enorme Eusébio jogador é, ele mesmo, a bola, o mundo da bola. A minha vantagem reside em ter usufruído de tantos anos com ele, ter sido o seu leal companheiro, tê-lo protegido.
Falar de Eusébio é pedir silêncio, porque estamos a falar de algo raro, especial, único. É termos regalias de saber muito, do muito que se pode e deve falar. Por conhecimento directo e absoluto, não só do jogador, da estrela, mas também do homem. Falar de Eusébio é dizer coisas extraordinárias, é falar de um génio.
Falar de Eusébio e dizer bem, é elogiar, é adjectivar, é não ter receio de exagerar no reconhecimento, é sentir prazer de o ter tido como companheiro, é ter partilhado com ele tudo de bom e de mau, felicidade e tristeza, o sabor da vitória, a terrível dor da derrota. É rir, é chorar, é ser Deus, é ser amado, malquerido.
Estar com Eusébio era sinónimo de fortuna, sempre com muita gente em redor nos momentos de sucesso, beneficiar de idolatria. Em caso de infortúnio, felizmente raro era a sensação de abandono. Parece que se morria, mas logo se ressuscitava, na ressaca do famosos 'day after', já na busca da vitória quase certa que vinha a seguir. Como eram os treinos? Depois de um triunfo, não havia mazela, nada doía. Depois de um desaire, havia mazela, doía tudo.
Eusébio, ele, foi tudo. Tudo isso e muito mais. Foi ele e fomos nós, fui eu também. Foi o grande jogador, o génio, a arte, a força, a resistência, a velocidade, a espontaneidade, o requinte, excelência do remate de golo. Eusébio foi o expoente máximo na execução do passe, na finalização, no lance mais inesperado. Surpreendia o adversário na interpretação rápida encontrando a melhor decisão a tomar. Tinha o conhecimento catedrático de tudo relacionado com o jogo, esse poder de um grande líder político, esse saber de um grande escritor, essa imaginação de um actor, porque a sua cultura era a perfeição, muitas vezes a perfeição do imprevisto. O seu talento produzia fantasia e eficácia, tinha beleza estética e atlética, praticava a subtileza, tudo num combinado genial que conferia golos, vitórias e sucesso.
Vindo de Moçambique, onde nasceu jogador, não tardou a deixar o mundo espantado. Era um predestinado, só podia transformar-se numa personalidade de carácter universal. Foi e é o melhor de sempre em Portugal, um dos melhores de todos os tempos à escala planetária.
Continua connosco, vivo, vivo de mais, no seu jeito muito próprio de encarar a vida. Continuamos a vê-lo, a beneficiar do seu estatuto, a favorecer do seu prestígio. Eusébio mereceu de reconhecimento, que vão muito para além do seu valor futebolístico.
Numa sociedade na qual o deslumbramento é frequente, ele sempre o pareceu recusar. Eusébio angariou empatia, carinho, ternura. Não tem invejas sobre si, não tem inimigos que o apoquentem. Porque ele sempre foi diferente. Naturalmente, diferente.
Eusébio tem mundo, temo mundo todo, porque se deu ao mundo, deu-se todo ao mundo. Ganhou o consenso generalizado, após tanto sacrifício, tanta dedicação conclui a carreira no universo da bola. O futebol ensina, o jogador aprende, o homem cresce, a sociedade aprecia, a vida agradece."

António Simões, extracto do livro 'António Simões', in O Benfica

As duas Taças gémeas

"Vou repetidamente ao nosso Museu Cosme Damião, ao ninho das águias, para ver aquelas duas Taças dos Clubes Campeões Europeus tão parecidas, tão irmanadas e, no entanto, tão diferentes.
Para o observador incauto são as barrigudinhas gémeas, iguais e indistintas. Para o benfiquista são inconfundíveis. Olham para nós de forma idêntica, sorriem-nos ambas como marcos únicos do benfiquismo, mas não são iguais. Na segunda estão já o Eusébio e o Simões. Na primeira estão ainda o Neto e o Santana. Erguem-se ambas em cima de dois colossos europeus, mas uma com tom castelhano e outro catalão. Uma ganhou-se a um húngaro que se confundia com Barcelona e outra a um argentino que se fundiu com Madrid. Em ambas está a liderança do Coluna, a eficácia e elegância do José Águas e a categoria do Germano. Olhamo-las nos olhos e percebemos o testemunho da imagem do Águas a erguê-las aos céus como agradecimento da dádiva feita pelos deuses aos eleitos. Observamo-las atentamente e percepcionamos promessas de lutas, reveses e sucessos futuros. Sabemos que em ambas reside a garantia da renovação do benfiquismo. Carregam nelas a herança de atletas da cepa de Rogério “Pipi”, Francisco Ferreira ou Julinho, na mesma medida em que anunciam glórias como Bento, Humberto, Néné ou Chalana. Como todas as gémeas, falamos delas no plural, mas sabemo-las singulares e únicas.
Como tributo ao facto de elas nos terem dado o cognome de “Glorioso” até as denomino com os nomes das duas gémeas mais importantes da minha vida: à de 60-61 chamo Catarina e à de 61-62 chamo Maria."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Benfica matreiro

"Psicologicamente, era importantíssimo para o Benfica ganhar ao FC Porto no domingo. Jorge Jesus sabia que, para ele e para o clube, era uma partida decisiva, um duelo que poderia marcar a época. Porém, teve o enorme mérito de não ficar condicionado pela importância do jogo e transmitir à equipa uma confiança que se revelou fundamental para chegar ao triunfo.
Este Benfica de Jesus já não é o mesmo dos primeiros anos. As cavalgadas, as avalanchas sucessivas de ataques, o futebol ultraofensivo, tudo isso acabou. Hoje o Benfica é uma equipa matreira que espera pacientemente pelo adversário e lhe vai dando golpes em jogadas de contra-ataque.
Isto foi muito claro no jogo com o Gil Vicente. O Benfica deixava os gilistas avançar, recuperava a bola no seu meio-campo, lançava raides rapidíssimos pelas alas e daí resultavam centros para golo. No clássico passou-se o mesmo, ainda que com menos oportunidades, evidentemente.
Após a vinda dos sérvios e a onda de lesões que varreu o plantel, Jesus demorou tempo a estabilizar uma equipa-base, mas encontrou-a. O curioso é que, no preciso momento em que o consegue, perfilam-se novas saídas. Mais: na altura em que a equipa começava a adaptar-se à ausência de Cardozo, este prepara-se para regressar.
Tem sido assim a vida do treinador do Benfica: fazer equipas e vê-las desfazerem-se pela saída dos melhores jogadores. No entanto, é também esta a sua “obrigação’’, como ele próprio reconheceu.
Não percebo por que razão os comentadores ridicularizaram a sua afirmação de que, se o Benfica não tivesse perdido tantas estrelas nos últimos anos, já teria sido campeão europeu. Se não tivessem saído Di María, David Luiz, Javi García, Witsel, Ramires e Fábio Coentrão. Se a estes juntarmos Garay, Luisão, Matic, Salvio, Maxi Pereira, Cardozo, Gaitán, Enzo Pérez e Markovic, para não referir outros como Rodrigo e Lima, o Benfica teria um plantel de luxo. E, aí sim, poderia aspirar este ano a ser finalista da Liga dos Campeões na Luz. Porque não?"

José António Saraiva, in Record

Porto que foi à Luz não era de boa reserva

"Pior do que ser derrotado por um rival directo na luta pelo título – desfecho que ditou a queda para o terceiro lugar na classificação –, o FC Porto saiu da Luz sem ser capaz de exibir um pouco que fosse do futebol que nas últimas temporadas o tem ajudado a dominar a principal competição nacional.
O desempenho portista foi tão atípico que, no final, a equipa comandada por Paulo Fonseca tinha estabelecido (ou igualado) vários dos seus recordes negativos na actual edição da Liga. Terá sido apenas um jogo menos conseguido e, como tal, para esquecer? Ou, por outro lado, esta cinzenta exibição deve ser encarada como (mais) um sinal de que algo não funciona como esperado no reino do Dragão e, assim sendo, há que recordar e analisar ao pormenor o que se passou? A resposta, claro, será dada pela própria equipa nos próximos compromissos...
Certo é que, na Luz, o FC Porto não marcou golos (só tinha ficado em branco na derrota com a Académica, em Coimbra); viu a sua baliza ser violada duas vezes (algo que somente se verificara no empate no Estoril); rematou escassas quatro vezes (o mínimo anterior era nove no embate caseiro com o Sporting);beneficiou apenas de dois pontapés de canto (apresentava como pior registo os quatro no Estoril); cometeu 25 infracções (o recorde eram 22 na deslocação à Amoreira); viu sete cartões (ostentava como máximo quatro no Estoril e na recepção ao V. Guimarães) e pela primeira vez esta época teve um jogador expulso (Danilo).
O FC Porto esteve tão longe do rendimento habitual – nem parece que estamos a falar da equipa que mais remates (233) ou cantos (121) tem na prova –, que o jovem esloveno Oblak acabou por ter uma serena estreia a titular no campeonato, já que raramente foi chamado a intervir, bastando-lhe acompanhar com atenção os lances nas imediações da sua baliza.
Mais trabalho (e menos eficácia) teve o experiente brasileiro Helton que, a exemplo do que sucedeu com os guarda-redes de todas as restantes 14 formações participantes na prova, não logrou impedir que os encarnados acertassem na sua baliza. O Benfica, saliente-se, marcou em todos os encontros da Liga, bem como nos restantes jogos referentes às competições internas.
De resto, a partida da Luz ficou também assinalada por ter sido a que mais faltas teve em toda a primeira volta da competição. O portuense Artur Soares Dias – que até se esqueceu de apitar em algumas infracções evidentes... – sancionou 44, marca que ultrapassa as 43 verificadas no V. Guimarães-Marítimo, embate respeitante à 7.ª jornada e dirigido pelo leiriense Olegário Benquerença. No futebol português, decididamente, não é fácil assistir a jogos com poucas faltas. O Estoril-Nacional, logo na ronda 1, foi o melhor nesse capítulo e mesmo assim registou 17, um exagero noutras paragens.

BOM SINAL
Emoção ajuda a águia
No primeiro jogo após o desaparecimento de Eusébio, o Benfica conseguiu o melhor resultado da época, dada a importância da vitória alcançada, em casa, diante do rival FC Porto. Com este sucesso, os encarnados instalaram-se isolados no comando e conseguiram importante vantagem no confronto directo com os dragões. Marcando golos em todos os encontros (apesar de não ter contado com o lesionado Cardozo nos últimos tempos), a formação de Jorge Jesus deu um passo decisivo para virar a prova na frente. E isto apesar dos inesperados tropeções na Luz com Belenenses (1-1) e Arouca (2-2). Recorde-se, por outro lado, que as águias só perderam (com o Marítimo) na ronda inaugural.

MAU PRENÚNCIO
Alarme regressa ao Sado
Depois de uma boa sequência aquando da entrada em funções de José Couceiro – que atirou a equipa para o meio da classificação –, o V. Setúbal vive agora um período menos positivo. Com efeito, os sadinos somaram em Olhão (no terreno de uma das equipas que se encontram em lugares de despromoção) a terceira derrota seguida (antes tinham cedido em Braga e em casa com o Benfica) e passaram a dispor de apenas 4 pontos de vantagem em relação à linha de água. Para piorar o cenário, a próxima jornada reserva uma deslocação ao Dragão, para medir forças com um FC Porto que, após o desaire na Luz, está proibido de voltar a perder pontos. O alarme voltou a tocar no Sado...

SABIA QUE...
Ao marcar quatro vezes diante do P. Ferreira, a Académica somou tantos golos na última partida quanto nos dez embates anteriores?
Ao sair de Arouca sem conseguir marcar, o Belenenses aumentou para seis o número de encontros que leva sem festejar um remate vitorioso?
Enquanto o Benfica marcou golos em todos os embates da primeira volta, o Marítimo foi a única equipa que não logrou terminar um jogo sem ver a sua baliza violada?
Arouca e Académica foram as únicas equipas que ainda não beneficiaram de grandes penalidades? E que Olhanense e Gil Vicente não tiveram nenhuma contra si?
Após a expulsão do portista Danilo na Luz, o Sporting passou a ser o único clube que não contabiliza expulsões na prova?
Apesar de ter terminado a primeira parte da Liga isolado no comando, o Benfica é apenas o quinto colocado no ranking de remates efectuados e o sexto na tabela de cantos?
Mesmo sendo a nona colocada na lista de faltas cometidas, a equipa do Arouca é a que mais vezes foi sancionada com cartões (57)?
O Marítimo vai numa sequência de quatro empates consecutivos? Só nos derradeiros quatro jogos, os insulares coleccionaram mais igualdades do que dez equipas em toda a primeira volta do campeonato!"

Luís Avelãs, in Record

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Mas 'penalties' para quê? Se o que está a dar agora são os pontapés de canto?

"Entre o eventual quase-golo da cabeçada de Matic e o eventual quase-golo do 'penalty', o árbitro, mais um grande benfiquista, decidiu-se pelo golo certo do 'corner'.

A discussão anda grossa e justifica-se que ande assim, grossa, porque o caso não é para menos. O país, não sendo grande em tamanho, é e sempre foi grande em cometimentos.
Foi-se o Império, foi-se a autonomia, o futebol agora é tudo para nós em termos de cometimentos.
O senhor Fernando Pessoa, empregado do comércio na cidade de Lisboa, escreveu há 100 anos isto:
«Pertenço a um género de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.»
Tem toda a razão. Depois de estar a Índia descoberta e chegados onde chegámos se não fosse o futebol isto era uma enorme pasmaceira.
O futebol fornece-nos os heróis que nos faltam noutros ramos e dá-nos trabalho, dá-nos imenso trabalho a todos, embora mais a uns do que a outros como, inevitavelmente, acaba sempre por acontecer.
O futebol paira sobre tudo e sobre todos, condiciona as agendas políticas, entra e sai na Assembleia com o à-vontade de um velho compincha, suspende cerimónias de Estado, é tema omnipresente de debates jornalísticos, filosóficos e empresariais.
O futebol é rei na república.
E um rei totalitário não por culpa própria, trata-se na sua génese de um jogo que nasceu pobre e democrático, mas porque sendo tão amado e seguido pelo novo logo se aproveitam os maiorais da sua generosidade para dele abusarem à tripa-fora quando lhes é conveniente. Ou seja, sempre.
Creio, sinceramente, não estar a exagerar.
Episódios recentes vieram dar razão aos que, gostando de futebol, entendem que este absolutismo está a passar das marcas do minimamente razoável com grandes prejuízos para o progresso do país.
E neste instante peço-vos colaboração, caros leitores.
Digam-me, com sinceridade, entre estes quatro acontecimentos da semana passada, qual deles consideram o mais benévolo e o mais chocante para o país, o mais inócuo e o mais pernicioso para a república, o mais merecedor das atenções públicas, dos renhidos debates entre os nossos cérebros nativos, das primeiras páginas dos jornais e o mais prosaico de todos eles:
1- Eusébio vai para o Panteão.
2- Vítor Gaspar vai para o FMI.
3 - José Luís Arnaut vai para a Goldman Sachs.
4 - Álvaro Santos Pereira vai para a OCDE.
Sobre este capítulo, estamos portanto elucidados.

SENDO por estatuto e por definição um jogo, o futebol é, entre muitas outras coisas, uma questão de sorte. Ora no último Benfica - FC Porto nenhuma das equipas se pode ufanar de ter sido do seu lado a sorte do jogo.
O Benfica não teve sorte nenhuma porque viu Markovic e Rodrigo falharem os respectivos remates quando se encontravam sozinhos diante de Helton, o que poderia ter dado outra expressão ao resultado, sem que isso significasse, no entanto, qualquer coisa mais de substância do que os 3 pontos conquistados ao rival quando ainda falta metade do caminho para o fim.
O FC Porto não teve a mais pequena pontinha de sorte porque o árbitro do jogo, um sabichão habilidoso, um fanático benfiquista, célebre por atirar com as meias para a última fila do Terceiro Anel sempre que visita o Estádio da Luz, decidiu prejudicá-lo em grande e à francesa.
Como?
Ao transformar, por exemplo, uma grande penalidade inócua contra o FC Porto num pontapé de canto letal que resultaria no segundo golo do Benfica, o que, praticamente, sentenciou o jogo.
Para disfarçar o seu tão acalorado benfiquismo, o árbitro não marcou penalidade quando Mangala, num perfeito bloqueio de voleibol, obstou a que a bola cabeceada por Matic se encaminhasse com sucesso para o fundo das redes do Helton.
Podia ter expulsado Mangala, que já tinha um cartão amarelo, e não o fez por manha e amor-próprio. Assim evitou que se passasse a semana a acusar mais um árbitro benfiquista de fazer o frete ao clube do coração.
Por disfarce, o árbitro usou neste lance entre Matic e Mangala de critério largo na decisão. E assim, prejudicou fortemente o FC Porto visto que Lima, certamente encarregado de converter o castigo, não menos certamente que falharia o pontapé tal a camada de nervos que tinha em cima por estar tanta gente a olhar para ele.
Entre o eventual quase-golo da cabeçada de Matic, entre o eventual quase-golo do penalty, o árbitro, chamado a decidir, optou pelo golo certo do corner.
E eis como um penalty que não valia nada se transformou num pontapé de canto mortal. Uma vergonha, há que admiti-lo.
Os benfiquistas gostaram, evidentemente. Eu própria, confesso-o sem pudor, quando vi o árbitro mandar seguir para canto e confiante a 100% de que Garay iria marcar golo, disse baixinho, muito baixinho, para os meus botões:
- Eh lá, este tipo, no que diz respeito ao benfiquismo, é muito melhor do que o Pedro Proença!
É que na temporada passada, no FC Porto - Rio Ave a contar para a Liga, também para disfarçar o seu benfiquismo congénito, o mesmo árbitro que usou de critério largo no domingo à tarde na área portista, usou de critério apertado num lance na área vila-condense e nem hesitou em apontar para a marca do castigo máximo em benefício dos donos da casa quando um defensor visitante viu a bola embater-lhe na mão.
Foi também por maldade que o árbitro se decidiu pelo penalty contra o Rio Ave. Fê-lo, consciente ou inconscientemente, para lavar a má fama dos árbitros benfiquistas quando apitam no Dragão.
Foi também por perversidade lampiona que o árbitro, já na segunda parte do jogo de domingo, interrompeu a meio campo uma jogada em velocidade do FC Porto - e logo a única jogada em velocidade do FC Porto em toda a partida - para exibir todo prazenteiro um cartão amarelo a Matic.
Foi vingança do árbitro que, na manhã do jogo, tenho lido nos escaparates que o sérvio tinha protagonizado uma chantagem genial, recusando-se a ir para estágio e a jogar contra o FC Porto, entendeu por bem castigá-lo, assim que vislumbrasse oportunidade, em nome da afronta feita a Cosme Damião, a Eusébio, a Chalana, a Toni, a Simões, a Humberto Coelho, enfim, a todos nós.
- Ah, queres ir para o Chelsea, Matic, meu sacripanta? Então toma lá este cartão amarelo e não digas que vais da minha parte!
Uma das situações pró-Benfica mais escandalosas ocorreu bem no finzinho da primeira parte e teve como intuito desmoralizar Jackson Martinez para o resto do jogo. E conseguiu o árbitro mais essa proeza de lesa-dragão.
Imagine-se só que tendo a certeza de que o colombiano falharia o golo certo na cara de Oblak, o árbitro e o seu fiscal-de-linha, outro que tal, piscaram os olhos e decidiram não assinalar a gritante posição irregular do pobre Jackson só para o avançado do FC Porto ir para a cabina, ao intervalo, profundamente amargurado com o insucesso da sua acção.
E quando os jogadores do FC Porto, em duas ocasiões na área do Benfica - as únicas duas vezes que lá foram - optaram por se atirar para o chão porque mais não conseguiram, o árbitro, coitado, com os miolos ralados, já não teve iluminação suficiente para compensar todos os desvarios por si cometidos e apontar, pelo menos, duas grandes penalidades a favor dos visitantes.
- Para quê? - disse ele aos seus assistentes no fim do jogo. Penaltys para quê se o que está a dar agora são os pontapés de canto?!
Ficou esgotado o árbitro com tanta decisão favorável aos donos da casa.
Compensar? Compensar, compensar, Kompensan. Foi isto, mais ou menos, o que se passou.

FOI bonita a homenagem a Eusébio que antecedeu o Benfica - FC Porto. Aliás, o respeitinho é sempre muito bonito.

O Benfica chega ao fim da primeira volta isolado no comando do campeonato, situação inverosímil de se imaginar no arranque da temporada quando o Benfica se viu cedo a 5 pontos de distância do FC Porto.
Inverosímil por inverosímil, faço votos para que o Benfica continue a lutar pelo título ainda que se prepare para ver partir neste mês de Janeiro os seus melhores e mais influentes jogadores, tal como vem sendo notícia na imprensa.
É uma pena.

ONTEM o Benfica voltou a ganhar por 2-0 mas desta feita ao Leixões para a Taça da Liga. Foi um prazer ver a condição, a disponibilidade e o acerto de Ruben Amorim nos 90 minutos. Temos reforço de Inverno. Finalmente, parabéns Cristiano Ronaldo! Tenho sobre si exactamente a mesma opinião do Bruno Alves, só que não a posso exprimir porque não me fica bem."

Leonor Pinhão, in A Bola

O último jogo pelo Benfica

"Estádio de Alvalade: festa de homenagem a Carlos Lopes, o medalha de prata dos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Montreal.
Estádio de Alvalade: mais de 40.000 pessoas.
Eusébio com a camisola do Benfica. Ele não o sabe ainda, mas é a última vez que vestirá a camisola do Benfica. Ele tem ainda esperança, viva, de voltar a jogar pelo Benfica nos grandes jogos do campeonato, quem sabe se na sua Taça dos Campeões...
Na cabina, antes do jogo começar, pede a Mortimore para usar da palavra. E diz:
- O futebol, para mim, nunca pode ser uma brincadeira. Eu jogo sempre a sério! E mais: não gosto de perder! Venham comigo, vamos ganhar mais este jogo!
Ganharam. Logo de entrada, o Benfica faz dois golos; faria mais mais um, contra outro do Sporting.
É o último jogo de Eusébio com a camisola do Benfica: vence em Alvalade por 3-1.
A História raramente é injusta para com os seus filhos dilectos.

A evocação de Eusébio
A memória de Eusébio.
Se isto não foi um livro, peço desculpa: senti-me à secretária com a intenção de escrever um livro. Isto é, provavelmente, apenas uma crónica, um pouco mais comprida, uma crónica sem preocupações de espaço. Tanta coisa sobre o que deveria ter falado e não falei; tantas pessoas cujos nomes deveria ter citado e não citei; tantos lugares pelos quais deveria ter passado e não passei... A falta é minha: Eusébio não teve a culpa.
Já disse e já repeti: não é fácil escrever um livro sobre Eusébio.
Pior ainda: não é fácil acabar um livro sobre Eusébio.
Poderia ficar aqui a escrever durante meses e meses e meses. Mais: poderia ficar aqui a escrever durante anos e anos e anos. Poderia ficar aqui a escrever uma vida a fio.
Às vezes a gente procura e procura a palavra certa para acabar um livro. E eu nem sei bem se isto foi um livro...
Acabo como comecei:
Eusébio, e ponto final."

Afonso de Melo, in O Benfica 

A estreia pelo Benfica

"O espectáculo foi montado para o ter como intérprete principal. Não foi à toa que Eusébio foi Eusébio antes de ser Eusébio. O árbitro, Francisco Saraiva, entrou em campo com as equipas do Atlético e a reserva do Benfica, reforçada com dois ou três dos titulares. Mas os encarnados eram apenas dez: Barroca, Mário João, Ângelo, Neto, Artur, Saraiva, Nartanga, Jorge, Mendes e Peres...
Um silêncio curto, mais curto do que o que demora a escrever.
E Eusébio.
Saiu do túnel, o braço levantado, por entre aplausos estrondosos de gente que tanto o desejara, que tanto o questionara, que tanto por ele esperara.
Onze minutos bastaram a Eusébio. Ao minuto 11, de muito longe, fora da área, remata com força e colocação: a bola sai incontrolável, impiedosa. O golo é concreto, palpável. O seu talento também.
Se calhar, era mais justo dizer que sete minutos bastaram a Eusébio. Ao minuto 7, recebe a bola de Nartanga, finta dois adversários num quadrado minúsculo de terreno e chuta como se desse pontapé dependesse a própria vida: Bastos estira-se; a bola queima-lhe as mãos e sai para lá da última linha.
O povo delira. Levanta-se satisfeito do cimento das bancadas, comenta as proezas do seu ídolo, dedica-lhe palmas e gritos de incentivo.
Voltemos ao jogo. Eusébio está lá todo. Mesmo aquilo que ainda não é já se adivinha. O executante primoroso: bom domínio de bola, tanto com o pé direito como com o esquerdo; a execução rápida, intuitiva; a bola junto à relva; o equilíbrio firme; as pancadas secas do pé; o drible simples. O estratega lúcido: calmo, esclarecido; procurando as tabelinhas; a destreza nos toques velozes; a facilidade com que já pensou no que fazer da bola antes de a receber; o altruísmo; os reflexos apurados. O rematador temível: vivaz; disparo brusco, espontâneo; potência nos pontapés tanto com o direito como com o esquerdo; força, força e mais força; corridas leves e rápidas sempre concluídas com remates bem dirigidos, pouco importando o ângulo a que se encontra da baliza.
Começa como interior-esquerdo, passaria em seguida para interior-direito, jogando com Mendes na sua frente. O público, esfomeado, exige-lhe o impossível e ele dá-lhe o impossível: aos 11 minutos apenas, três remates fulminantes, um golo fantástico. O Benfica é um conjunto desgarrado, individualista, pouco firme. O Atlético empata por Pedro Silva (15') e chega à vantagem por Angeja (36'). Mas Eusébio vai enchendo o campo com o seu estilo moderno, diferente. Aos 76 minutos, tem novo remate que daria golo ou não, ficará por saber-se: Armando Ferreira estica o braço, desvia a bola como se fosse o guarda-redes que não é. O «penalty» é de Eusébio, foi ele que  criou, os adeptos ordenam-no, o futebol também: golo. Quatro minutos depois, Inácio, que entrara para o lugar de Peres, tira um centro da esquerda: Mendes toca a bola já dentro da área e Eusébio desvia para a baliza. Três-golos-três. Mendes marcaria ainda outro, a três minutos do final.
Eusébio da Silva Ferreira: uma nova estrela brilhava na Luz. «Sou um homem feliz!»"

Afonso de Melo, in O Benfica

Nasceu uma estrela

"Em Lourenço Marques, os Janeiros eram quentes, asfixiantes, quase incómodos. Havia manhãs em que parecia que um cobertor de papa, daqueles velhos cobertores que se amontoavam nos baús dos avós, tapava a cidade, da Ponta Vermelha e do Quartel de Artilharia, entalado entre a Rua Chaimite e a Rua Coolella, até ao fim da Avenida Manuel de Arriaga, para lá da Fábrica de Sabão e do Forno Crematório, da Baixa a Malhangalene e Munhuana, e para lá ainda, nos caminhos de Xipamanine.
No bairro da Mafalda, onde viva D.ª Elisa Anissabani, era hábito as pessoas dormirem a sesta em redes estendidas entre dois coqueiros. Ou trazerem para fora das suas casas pequenas e abafadas, colchões de palha que estendiam no terreiro, à sombra de um acácia de copo achatada e flores rubras. Colchões de palha forrada a serapilheira riscada a vermelho e branco: foi assim que, bem longe de Lourenço Marques, em Madrid, os jogadores do Atletico Aviación, mais tarde conhecido por Atlético de Madrid, ganharam a alcunha de «colchoneros».
E.ª Elisa Anissabani: mãe de Eusébio. Antes dele já tivera três rapazes. Queria uma menina, agora. O dia 25 de Janeiro de 1942 não lhe fez a vontade. Nasceu-lhe outro rapaz. Chamou-se Eusébio Da Silva Ferreira. O Mundo saberia, a devido tempo, decorar-lhe o nome. E pronunciá-lo de todas as formas. Euzibiú, Ózébio, luzibiô, Ouzébiou... O Mundo não tardou a confundi-lo com Portugal.
«Chego a convencer-me de que, enquanto os outros bebés aprenderam a andar, eu aprendo a chutar», diria Eusébio, dezanove anos depois, numa entrevista concedida a Carlos Miranda. Um ano depois de chegar a Lisboa e à Metrópole, como então se dizia, Eusébio já era O Eusébio, e tinha uma história completa para contar.
Disse e repito: Eusébio conta-se a si próprio.
«Não me lembro de brinquedos, não me lembro de jogos ou de partidas. Lembro-me da bola. Sempre da bola. A trapeira, se coisa melhor não se consegue arranjar, lá nos coqueiros, em desafios sem fim, sem prazos de tempo nem balizas medidas. Jogar à bola, fosse como fosse, era tudo quanto desejávamos».
«Eu já andava numa escola, claro, e algumas vezes, bom... houve uma gazetas, a minha mãe não gostava nada que eu andasse enfronhado no futebol, apertava comigo, que me importasse com a escola e me deixasse dos pontapés na bola, mas eu não sei explicar, havia qualquer coisa que me puxava, sentia um frenesim no corpo que só se  satisfazia com bola e mais bola. O resultado de tudo isto era uns puxões de orelhas bem grandes e, uma vez por outra, umas sovas que não eram brincadeira nenhuma». De nada serviu. Os irmãos estudam, Eusébio não. Alguns chegam a completar o liceu, ele desiste no fim da 4.ª classe. Estava escrito: seria Doutor em futeobl Honoris causa!
O pai morre-lhe cedo. Angolano de nascimento trabalhava nos Caminhos-de-ferro de Lourenço Marques e jogara futebol no Ferroviário. Tinha 37 anos: o tétano não escolhia idades. Chamava-se Laurindo António da Silva Ferreira, natural de Malange. Não chegou a ver jogar o filho.
Lá, na Mafalala, Lourenço Marques, Moçambique, em 1958, D.ª Elisa Anissabani gritava por Eusébio, mas Eusébio não vinha. Ficara de ir buscar o jantar da família, agora maior: D.ª Elisa Anissabani tivera a menina que tanto queira, tivera até mais duas, e já somava seis rapazes. No regresso, faltava um. Faltava um no campo da bola de terra vermelha, estavam dez para onze, Eusébio era preciso. Esqueceu o jantar, esqueceu a família. O chamado da bola era mais forte do que a voz da mãe. E, ainda por cima, a Mafalala ganhara um clube de futebol: Futebol Clube Os Brasileiros."

Afonso de Melo, in O Benfica