Últimas indefectivações

domingo, 12 de janeiro de 2014

Justiça Divina !!!

Benfica 2 - 0 Corruptos

Grande vitória, grande ambiente, grande jogo, nem sempre bem jogado é verdade, mas com emoção, e muita raça... O Benfica, por todas as razões envolventes, foi muito superior, mas não é fácil jogar contra 14 !!! Invertendo as situações, com esta envolvência emotiva e técnica, jogando no Dragay, teríamos uma goleada histórica, com vários jogadores do Benfica expulsos...!!! Aposto...!!!

A(s) homenagen(s) ao Deusébio foram bonitas - o minuto de silêncio não foi totalmente respeitado pelos Corruptos, ao contrário do que está a ser veiculado, mas também não podemos ser muito exigentes... -, e o nosso Rei correspondeu!!! Pois, agora em novas funções, lá em cima, só pode ter sido o nosso Eusébio a dar um toquezinho - a quem tem responsabilidades no assunto... -, proporcionando um daqueles momentos de Justiça Divina: quando um penalty roubado ao Benfica (mais um...), foi transformado, na jogada imediatamente a seguir, num grande golo, após fuzilamento de cabeça, por parte do Garay!!! Lindo...!!! Deu até para gritar em jeito de desafio: anula este agora, anula...!!!
A grande dúvida era a utilização do Oblak e o joven Eslovaco não tremeu, também não teve muito trabalho, mas transmitiu segurança.
A defesa esteve implacável, a única oportunidade digna desse nome dos Corruptos, é um lance onde o Jackson está 1 metro em fora-de-jogo (mais uma vez!!!), mas desta vez a bola foi ao lado...!!!
O Matic soube responder à mentira publicada no Nojo (não sei como é que Benfiquistas continuam a comprar aquele papel higiénico!!!), até admito que o problema no joelho do Matic lhe tivesse a preocupar, agora ameaçar não jogar devido a suposto futuro contrato com o Chelsea, é absurdo. Grande jogo... Com o complemento perfeito Enzo: enorme!!!
Os alas tiveram menos participativos do que costume, as responsabilidades tácticas, equilibrando o número de jogadores no meio-campo assim obrigou... O Markovic no início andou um pouco distraído, mas com o decorrer do jogo, foi-se envolvendo mais no processo defensivo (com aquela excepção no início da 2.ª parte), e acabou por ser decisivo na ajuda ao Maxi... No golo do Rodrigo esteve fenomenal, o passe é de génio, de uma dificuldade enorme... Quando se apanha, com a bola controlada de frente para a baliza, é perigosíssimo, só tem que aprender a largar a bola no momento certo. O Nico talvez por não ter treinado durante a semana, retraiu-se um pouco ofensivamente, mas cumpriu...
O Rodrigo fez um jogo de enorme de esforço, correu, correu, correu muito, não foi só o grande golo, foi importantíssmo na marcação ao Fernando e nas subidas dos centrais dos Corruptos... O Lima continuou a demonstrar falta de confiança na finalização, mais do que qualquer outro, está a sentir a falta do 'amigo' Cardozo!!!
A arbitragem foi vergonhosa, como era esperado. O único lance que os Corruptos se podem queixar, é no erro em não ter dado a lei da vantagem, beneficiando o infractor, neste caso o Matic, mas a ânsia em mostrar um amarelo a um jogador do Benfica, cegou a visão periférica do Ladrão...!!! O fiscal-de-linha do lado do banco do Benfica, foi um grande aliado... a melhor oportunidade dos Corruptos é um fora-de-jogo escandaloso, que só por acaso não foi golo.. mas houve outros!!! Andou a perdoar amarelos, atrás de amarelos durante o jogo quase todo, é inacreditável como é que o Fernando só leva um amarelo nos descontos!!!

Campeões Nacionais... vários títulos !!!


Hoje, em Elvas, foram vários os Benfiquistas da nossa secção de atletismo, a festejar o título de Campeão Nacional de Estrada: o Rui Pedro Silva, e Dulce Félix venceram os títulos individuais, mas ambas as nossas equipas - masculinos e femininos - também se sagraram Campeões colectivos... Os Juniores masculinos também estiveram em grande, com vitória individual do André Pereira...


Vitória


Benfica 77 - 58 Algés
18-17, 23-10, 19-11, 17-20

Vitória esperada, e decidida cedo, evitando sobressaltos... Foi o regresso de vários Benfiquistas à Luz, alguns mais bem amados do que outros!!!

ADENDA: Espero que a lesão do Jobey Thomas não seja grave...

Bom jogo...


Benfica B 4 - 2 Beira-Mar

Mais um jogo agradável da equipa B, demonstrando mais uma vez as qualidades do nosso plantel, onde às vezes os jogadores se esquecem de jogar simples, complicando o fácil... parece que estão a jogar para a bancada (o Calado referiu exactamente isso...).
Defensivamente também confirmámos as nossas debilidades, e por isso o resultado esteve em aberto até aos descontos (4.º golo marcado aos 93 min.), até porque no ataque voltámos a falhar golos feitos, em catadupa, com especial destaque para o Cavaleiro!!!

sábado, 11 de janeiro de 2014

Alma

Boa entrada em 2014


Ac. Espinho 0 - 3 Benfica
20-25, 21-25, 14-25

Bom regresso ao Campeonato, com uma vitória esperada sem sobressaltos...
A notícia deste novo ano, foi a contratação do Marcel Gil, para precaver a ausência do Zelão. É um bom jogador, para o nível médio do Campeonato Português, mas para a Final do Campeonato vamos ver...!!! Vi os recentes jogos da Selecção, e o Marcel pareceu-me ter melhorado no Bloco, mas continua pouco móvel, algo natural devido à altura...

Desilusão


Oliveirense 4 - 3 Benfica

Péssima entrada na 2.ª parte, a equipa perdeu organização, começou a atacar sem cabeça, com muitas jogadas individuais, e muitos erros de passe... Juntando a isto, voltámos a falhar todas as oportunidades de bola parada...

A partir do momento que se soube qual seria a dupla de arbitragem, era óbvio que só um Benfica super-inspirado poderia ganhar, e não foi isso que se viu... Os jogadores e a equipa técnica já têm experiência suficiente para saber como é que isto funciona... Mais uma vez, o adversário do Benfica, não chegou à 10-ª falta, como acontece em quase todos os jogos, mesmo quando a principal arma defensiva contra o Benfica é o excesso de agressividade!!! Nada de novo... Agora espera-se é que a equipa do Benfica saiba reagir em campo, a isso...

Digam o que disserem, tanto nas bolas paradas, como na finalização, nota-se e muito a ausência do Luís Viana!!!
Ainda é muito cedo, mas com esta derrota (e os dois empates...) corremos o risco de ficar afastado do título ainda na 1.ª volta!!!

Má entrada em 2014


Leões de Porto Salvo 3 - 2 Benfica

Muito má primeira parte, 3-0 ao intervalo espelham bem a má exibição da equipa... E quando além de não se jogar bem, juntamos péssimas decisões na finalização, o resultado não pode ser bom...
A perder apostámos no 5x4 cedo (não fosse a absurda expulsão do Hemni, provavelmente a aposta teria sido ainda mais cedo!!!), chegámos ao golo de penalty (mas teve que ser o 2.º árbitro a marcar porque outro...), e ainda marcámos o 2.º, mas já não deu... Apesar destes dois golos, continuamos a ser muitos previsíveis a atacar o 5x4!!!
A já referida expulsão do Hemni, o amarelo ao Joel, e a capacidade do Leões em não fazer a 6.ª falta, são episódios ridículos (mesmo assim o banco do Leões passou o jogo todo a 'chorar'... pressionando os árbitros de forma nojenta), mas o Benfica tem que jogar melhor... É verdade que este Leões têm boa equipa... na semana passada estavam a vencer os Lagartos em Loures a 40 segundos do fim, e só perderam com um golo depois da buzina final... Mas repito, o Benfica tem que jogar melhor.
A paragem de Natal, parece que fez mal à equipa...

Ouviam-se em Toumba gritos contra os coronéis...

"Em 1973, o Benfica visitou pela primeira vez a Grácia. Dispoutou e venceu o Torneio de Salónica contra o Olympiakos e Aris, mas não se encontrou frente a frente com o seu adversário europeu de Fevereiro.

Quando eu era miúdo, dizia-se Tissalónica. Mas a verdade é quando eu era miúdo também se dizia Glásgua, Francoforte ou Mogúncia. Assim vão as glórias do Mundo...
Em Agosto de 1973, o Benfica chegava pela primeira vez à Grécia, depois de já ter calcorreado os sete cantos do planeta. Aceite-se. A Grécia estava ainda longe de ser um país do Futebol, embora, curiosamente, tenha sido à Grécia que os holandeses foram buscar muitos dos nomes dos seus clubes, como o Ajax ou o Heracles, por exemplo. Entusiasmo havia muito; qualidade rareava.
O Benfica foi convidado então para disputar o Torneio de Salónica, como agora se diz mais prosaicamente.
Capital da Macedónia, da outra Macedónia, não da agora independente que fez parte da antiga Jugoslávia, mas a Macedónia de Alexandre o Grande, aliás, meio irmão de uma tal de Tissalónica, casada com o rei Cassandro. E assim se explica o nome da cidade que o Benfica visitará outra vez em Fevereiro de 2014, quarenta anos e alguns meses após a tal visita inaugural.
Segunda cidade da Grécia, local onde se situa a famosa Torre Branca, também ela sinal de poder de um país a seu tempo reunificado, recebeu nesse Verão ao qual já fizemos referência o tal torneio em que o Benfica participou, defrontando primeiro o Olympiakos, no dia 31 de Agosto, e em seguida o Aris de Salónica, no dia 2 de Setembro.
Duas vitórias sem espinhas, como sói dizer-se. Contra o Olympiakos, houve o episódio meio célebre de ver Humberto Coelho jogar a avançado-centro, a par de Nelinho e Moinhos, de início, e depois com Nené no lugar de Moinhos. Humberto marcou um golo. Um dos três (3-1), cabendo os outros a Nelinho e Nené.

Paladinos da resistência
Diziam as crónicas da altura que o troféu para o vencedor do Torneio de Salónica era uma belíssima taça, mas de latão. Não sei, nunca a vi. Talvez esteja hoje em dia no Museu, prometo que se estiver lhe vou dar uma olhadela atenta. Ao que se consta, igualmente, cada jogador recebeu como prémio pela vitória no torneio a verba de 19 contos de reis, soma nada dispicienda para os tempos que se viviam.
Seja, adiantei-me. Antes de meterem ao bolso a maquia, os jogadores do Benfica tiveram de bater a outra equipa grega, o Aris de Salónica que viria mais tarde a causar amargos de boca aos 'encarnados', aí já a doer, numa eliminatória europeia.
Humberto Coelho, o «capitão» voltou a jogar no ataque, desta vez com Nelinho e Artur Jorge como companhia inicial, para depois entrarem para os lugares destes Moinhos e Nené.
Os golos (2-0) foram de Messias e de Pedroto, uma estria na primeira equipa, Bernardino Pedroto, como está bem de ver, e não José Maria, de quem sempre se disse ser filho, até o próprio o assumiu em entrevista à velha «A Bola» mas sem confirmações por aí além.
Pedroto não teve grande futuro no Benfica, não tardaria a rumar a Guimarães, viria a ter um futuro interessante, isso sim, como treinador, sobretudo em Angola. O Benfica, esse, tem um passado fantástico e terá sempre o futuro que os seus adeptos quiserem. Para já, no futuro futuro imediato, vem aí o Pan-Tessalonican Athletic Club Constantinopolitans, o PAOK, herdeiro do antigo Hermes, fundado pela comunidade grega de Pera, em Istambul, em 1877. Com o advento da guerra greco-turca, os gregos da Turquia viram-se obrigados a regressar a casa. Os que se instalaram em Salónica, fundaram o AEK, que não tardou a mudar de nome para PAOK. Os que preferiram Atenas fundaram o AEK, que não em deu PAOK e se manteve orgulhosamente AEK de Atenas.
Nesse ano de 1973, no qual o Benfica visitou Salónica, mas não defrontou o PAOK, este vivia a sua fase de afirmação no Futebol grego, pondo em causa o domínio dos clubes atenienses de uma forma como os seus conterrâneos Aris e Iraklis nunca foram capazes de fazer.
E mais ainda: no tempo da ditadura da junta militar, instalada na Grécia entre 1967 e 1974, mais conhecida pelo Regime dos Coronéis, o PAOK tornou-se um paladino da resistência. O Estádio de Toumba, um bairro do leste da cidade, foi testemunha de slogans anti-regime que fizeram dos adeptos do PAOK um exemplo de força e de coragem.
Por isso, por mais fanáticos que sejam, merecem todo o respeito."

Afonso de Melo, in O Benfica

O grande clássico

"Todos esperam com enorme expectativa o clássico de domingo. Conjugou-se tudo para preparar um grande desafio: as equipas têm vindo a melhorar, estão empatadas no topo da Liga e golearam os seus adversários no último jogo.
Mas há muito mais ingredientes a apimentar o clássico. Logo à partida, as dúvidas sobre os guarda-redes: no Porto jogará Helton ou Fabiano? E no Benfica jogará Oblak ou Artur? São decisões difíceis, até porque muitos portistas gostariam de ver Fabiano na baliza – e conhecem-se as reservas de Jesus em relação a Artur (que cometeu sempre erros nos jogos contra o FC Porto).
E depois há as dúvidas que pesam sobre os dois treinadores. Paulo Fonseca ainda não convenceu os portistas mais exigentes; e Jesus perdeu a confiança dos benfiquistas mais cépticos, que dizem que o seu prazo de validade acabou.
Assim, se o Porto perder, Paulo Fonseca ficará em maus lençóis. E Jesus está obrigado a ganhar, até para não se dizer que falha sempre nos momentos decisivos. O certo é que tem sido infeliz em ocasiões capitais, e este ano continua a não ter sorte: bastava o Benfica ter Cardozo e o Porto não ter Jackson para a música ser outra.
Como condimento suplementar, este clássico acontece 15 dias depois de um Sporting-Porto em que os lisboetas vulgarizaram a equipa nortenha. Há muito que não se via o FC Porto ser dominado com tanta clareza. Portanto, ainda há essa curiosidade: o Benfica conseguirá ou não fazer melhor do que o seu vizinho da Segunda Circular?
Com tantas dúvidas e interrogações, o clássico promete imenso. O que não significa que seja um grande jogo. O medo de falhar pode inibir as duas equipas – e assistirmos a um desafio sensaborão, com grande aglomeração de jogadores a meio campo e pouca emoção junto às balizas.
Há um ano previ uma vitória do Benfica e enganei-me. Agora não faço previsões, mas digo: ao Benfica só interessa ganhar. Para ser um candidato credível ao título, tem de mostrar que é capaz de bater o Porto na Luz. Até para dedicar a vitória a Eusébio – que, onde quer que esteja, está a torcer pela sua equipa do coração."

A força do Bruno

"O Sporting e Bruno de Carvalho (BdC) deram a novidade antes de fechar 2013: a elaboração de um documento para a revisão da legislação desportiva e dos regulamentos do futebol profissional, entregue aos partidos na Assembleia da República, ao ministro da Administração Interna, ao secretário de Estado do Desporto, à FPF, à Liga e aos seus clubes. A iniciativa é de louvar, tendo em conta que BdC chegou há muito pouco tempo ao contacto directo com as “nuances” jurídicas das competições e os regimes das contratações. É ainda de louvar quando BdC assume que o documento pode ser motor de uma discussão futura: não é um produto acabado, mas um ponto de partida para construir consensos com os outros clubes e dar uma importante achega nos empreendimentos agendados pelo Governo para o regime jurídico das federações desportivas, para a profissionalização da arbitragem, para a disciplina legal do treinador e para as apostas “on line”. “Ouço dizer que falo e não apresento soluções – já o fiz”, disse BdC, com o propósito subjacente de trazer liderança ao Sporting, como “grande”, nos processos de decisão do futebol português. 
Não tive acesso ao conteúdo, o que me impede de ir mais longe para além do que BdC revela. De todo o modo, parece-me inequívoca a actualidade dos temas e das propostas: 1) regulação da intervenção dos “fundos de investimento” (muito importante a lógica de uma parceria “win-loose” e da partilha pelos fundos dos custos salariais dos jogadores); 2) modificação das regras sobre os proveitos dos “empresários” de jogadores; 3) alteração da fiscalidade para aumento da competitividade com os demais campeonatos; 4) revisão dos princípios de tutela laboral dos clubes formadores e de seguros dos atletas; 5) combate à opacidade na nomeação e classificação dos árbitros. E, sendo actuais, por que não aproveita a Liga este balanço para desafiar os clubes a completar as ideias do Sporting e a marcar a “agenda”, em especial com aqueles clubes que sempre andam com as “reformas” na boca?
BdC não gosta do “sistema” que encontrou. Afirmou: “Não posso aceitar que há 30 anos se diga que campeonatos são decididos antes de começarem! É um sistema opaco, obscuro e andamos todos contentes. É o mesmo que ir jogar Football Manager, entrar com quatro treinadores, derrubar outros três e ser campeão – é assim que está o futebol português. As novas gerações deixarão passar? Não, garanto. Primeiro muda-se o regulamento, depois as pessoas e deixa de prevalecer a cultura do medo”. BdC está com força e testa a sua força. Conseguirá? A acompanhar em 2014..."

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Eusébio

"Passamos grande parte da nossa vida a desejar ser mais novos. Eu na passada segunda-feira, ao ouvir os relatos dos jogadores que jogaram com ou contra Eusébio, desejei ser mais velho. Como devia ser bom ir ao estádio e ver aquilo, ou talvez daquilo.
Percebi que para muitos era desporto, para outros era poesia, para outros era ballet mais para todos era arte. Eusébio já era imortal, mas nós comuns mortais gostávamos muito de com ele conviver, e por isso foi com tristeza que nos despedimos dele.
A decisão de trasladar o corpo de Eusébio para o Panteão Nacional foi recheada de polémica sem sentido. De facto, tal justifica-se numa tentativa de dar prestígio ao Panteão Nacional, que ganhará universalidade.
O arrepiante minuto silêncio de Old Trafford, com a bandeira das quinas a meia haste comoveu-me. A evocação em Santiago Bernabéu, mais esperada pela forte ligação dos dois clubes, e de Eusébio a Di Stéfano foi bonita.
Real e Man. United não são os maiores clubes do Mundo só porque ganham mais vezes, são também porque respeitam de forma singular aqueles que fizeram este desporto rei.
Muitos temos histórias, razões e sentimentos partilhados com Eusébio. Eu que não vi o monstro do futebol, deixo a minha sincera lembrança de homem afável e gentil, de como se pode ser tão grande e tão simples, de como se pode amar um clube, amar um País, e amar um desporto, sem odiar ninguém. O Benfica homenageou Eusébio com amor, tanto como ele tinha pelo clube.
Portugal viu partir Eusébio com irrepreensível respeito, tanto como ele tinha pelo País. O mundo do futebol despediu-se de Eusébio com paixão, tanta como ele tinha pelo seu desporto. Estaríamos empatados não fosse esta arreliadora e eterna saudade de ti Eusébio.
Este fim-de-semana há futebol mas morreu Eusébio..."

Sílvio Cervan, in A Bola

Quatro homens, uma paixão

"Quando tantos falam de Eusébio e alguns como se fossem os seus melhores amigos, recordo homens simples de tão simples amizades.

Eusébio morreu e como morreu, morreu também um bocadinho de todos nós, porque Eusébio foi o português do século XX que mais tocou transversalmente os portugueses, o que mais disse respeito a todos, como fica amplamente confirmado pela onda de consternação e admiração que a sua morte provocou. Nesse sentido, Eusébio foi e é um português culturalmente marcante. Eusébio era dos portugueses e ra como era, não era como alguém queria que fosse ou como alguém o queria fazer.
Eusébio não se deixou moldar nem seguiu estratégias; nunca se aproveitou da grandeza que teve e viveu com a intensidade com que jogou e viveu com a simplicidade com que jogou. Nunca foi mais nem menos do que ele próprio.
Às vezes duro e tantas vezes meigo, às vezes azedo e tantas vezes terno e gentil, às vezes com o rosto meio fechado de antipatia e quase sempre verdadeiro, amável e simples. Eusébio foi tão enorme que a Eusébio tudo se perdoava, mesmo quando não era fácil a relação com ele.
Como singelamente declarou esse brasileiro tão português que é Carlos Mozer, a única verdade que a maioria de nós pode testemunhar é que Eusébio sempre teve tudo o que esperamos de um ídolo. Foi tocante e admirável.
Mas nesta hora em que todos falam de Eusébio como se fossem os seus melhores amigos, sinto apenas vontade de recordar quatro homens, quatro homens simples que fizeram parte da vida simples de Eusébio.

Emílio Augusto Andrade Júnior é mais conhecido por Ti Emílio. Nasceu em Lisboa a 2 de Abril de 1921, é o proprietário dos restaurante Tia Matilde, na capital, e terá sido verdadeiramente o pai que Eusébio quase não teve.
Ti Emílio é um grande benfiquista no sentido da devoção mas sempre recusou fazer parte de qualquer direcção do clube. Foi sempre um benfiquista de ajudar e não de aparecer nas fotografias. Acompanhou a equipa encarnada anos e anos por todo o mundo e deu-lhe tantas vezes de comer que se tornou inseparável do emblema.
É de homem destes que se fazem os grandes clubes.
Ti Emílio vai fazer 93 anos, e desses anos todos muita da sua energia da sua generosidade e do saber foram dedicados a Eusébio.
Ti Emílio não precisa de dizer uma palavra sobre o seu filho negro. Todas as palavras do mundo seriam poucas para falar de tanta coisa.

É com o auxílio de um artigo do PORTUGUESE TIMES  de New Bedford, cidade próxima de Boston, no estado norte-americano do Massachusetts, região de muitos portugueses, que aqui recordo a figura de Vítor Baptista, o homem que ofereceu a Eusébio e ao Benfica a estátua que permanece no Estádio da Luz e que por estes dias se transformou no santuário à memória do 'pantera negra'.
Vítor Baptista é, pois, um emigrante português nos Estados Unidos, natural de Angra do Heroísmo, da açoriana ilha da Terceira, um emigrante de Boston, desde 1973, aonde chegou aos 18 anos, e foi ele o primeiro a lembrar-se de uma grande homenagem pública, e em vida, ao grande Eusébio. Não foi o Benfica, como por aí se ouviu.
O amor de Vítor Baptista pelo futebol, pelo Benfica e, em particular, a sua paixão por Eusébio, levou-o a tomar a iniciativa de mandar construir a estátua do maior jogador português do século XX, para deixar a figura às gerações seguintes.
«Recordo as grandes alegrias que Eusébio deu ao meu pai (precocemente falecido aos 40 anos), quando o Benfica na segunda Taça dos Clubes Campeões Europeus e de tantas outras tardes de glória nas décadas  de 60 e 70 tornou mais feliz a vida dos portugueses», disse, um dia, àquele jornal, Vítor Baptista, que explicou que a estátua que mandou erguer não deixou, também, de ser «uma homenagem a meu pai e a todos os portugueses que se identificam com os valores que Eusébio representava quando envergou a camisola do Benfica e da Selecção».
Dizia Vítor Baptista que Eusébio «era naquele tempo a única nota positiva do País, e o único que nos dava orgulho de sermos portugueses, com tantas e tantas alegrias que nos proporcionou atravás das vitórias que conseguia para Portugal no estrangeiro».
Confessou ainda que o facto de ser benfiquista teve pouca importância no projecto da estátua. «Admirava Eusébio pelas suas qualidades de atleta. Segui muito de perto a sua carreira. Vi-o jogar várias vezes e pelos contactos que tive com ele posse testemunhar que é um homem excepcional. Admiro-o pelas suas qualidades de carácter e pela sua honestidade como atleta. Eusébio mostrou sempre uma conduta irrepreensível dentro das quatro linhas, portando-se sempre correctamente com companheiros e adversários, raramente discutindo as decisões dos árbitros».
Foi este homem, que tão deliciosamente descrevia Eusébio, como se vê, que cumpriu em Janeiro de 1992 o sonho de oferecer ao 'pantera negra' e ao Benfica a estátua agora transformada em santuário. A 25 daquele mês daquele ano Eusébio fez 50 anos e Vítor Baptista quis apenas o que sempre quiseram muitos de nós: admirá-lo!

O nome de José Morais dirá menos aos portugueses do que os Ti Emílio ou Vítor Baptista, porque por uma ou outra razão, Ti Emílio e Vítor Baptista estão ligados a aspectos mais conhecidos da vida de Eusébio.
Amigo e confidente, companheiro, assessor e secretário, amparo e motorista, paciente e sempre presente, íntimo e permanente, quase da família e para sempre, José Morais é talvez o homem que, conhecendo há muito o 'pantera negra', mais de perto - tão perto, tão perto... - o acompanhou nos últimos dez ou quinze anos, se não estou em erro, para todos os cantinhos, mas mesmo todos os cantinhos do mundo.
Fosse Eusébio chamado a uma festa na África do Sul, ou convidado para homenagem na Polónia ou a uma palestra nos Estados Unidos ou a inauguração benfiquista no Canadá ou a um jogo de beneficência na Coreia do Sul, ia, sim, mas não ia sem José Morais.
E José Morais tudo fez para manter gigante a dignidade que o carácter, a figura e a dimensão de Eusébio mereciam.

Por último, lembro ainda o nome de Alcino António, provavelmente o maior e mais pessoal amigo que Eusébio teve nas direcções do Benfica desde o final da década de 80.
Como eu os admiro."

João Bonzinho, in A Bola

Está a ser difícil o adeus a Eusébio

"Eu sei que a vida continua e a actualidade pede que se virem, desde já, os holofotes para a Luz, palco do clássico entre Benfica e FC Porto no próximo domingo. Mas não me está a ser fácil deixar de falar de Eusébio da Silva Ferreira nem parar de reflectir sobre o seu legado.
A uma conclusão, nestes dias tão intensos emocionalmente, terei chegado: quem é celebrado pelos portugueses, que provoca consenso entre os que estão habitualmente desavindos e aproxima ricos e pobres, etnias e religiões, não é apenas o genial futebolista que encantou o Mundo. Se Eusébio tivesse somente como atributo uma extraordinária capacidade para o futebol não seria merecedor de um reconhecimento tão abrangente. Eusébio era mais do que isso, tinha a simplicidade daqueles que são verdadeiramente grandes.
Diz-se que o Estado Novo se aproveitou da imagem de Eusébio. É verdade. E o regime saído do 25 de Abril, também. Na medida em que a figura de Eusébio era indissociável da sociedade portuguesa. É curiosa a ideia feita de que a política nunca deve misturar-se com o desporto. E falaciosa. O desporto é o desporto, as causas é que diferem. Senão vejamos: acha-se mal que o ditador norte-coreano esteja a usar, neste momento, a figura de Dennis Rodman e vice-versa; mas toda a gente acha bem que Nelson Mandela tenha usado os Springboks como instrumento unificador da África do Sul na versão do País do Arco-Íris. Num caso e noutro é a política a utilizar o desporto como meio para atingir os seus fins. O que torna um dos casos odioso e o outro louvável é a natureza da causa, porque num e noutro as águas de política e desporto misturam-se
PS - Obviamente, silêncio durante o minuto de silêncio..."

José Manuel Delgado, in A Bola 

Eusébio e o poder

"O futebol tem sido objecto de um tratamento interesseiro, por parte do poder político, ao longo dos mais de cem anos da sua História em Portugal.
Não precisamos de recuar muito no tempo, basta analisarmos a segunda metade do século passado. A trilogia dos 3 F's - Fado, Futebol e Fátima - foi uma arma política de enorme importância na estratégia do anterior regime.
Mais recentemente, e porque não vivemos num regime ditatorial, a conduta tem sido mais de colagem aos grandes acontecimentos desportivos e às suas maiores referências.
Eusébio foi, e é, uma das maiores referências que Portugal tem no desporto, interna e externamente.
A sua dimensão levou a que se falasse de Portugal, e da situação portuguesa de então.
Por isso mesmo a sua imagem foi utilizada com objectivos políticos, sociais e económicos. Inclusivamente nestes últimos dias.
Todos os que tiveram a possibilidade de conhecer o King, sabem que a sua simplicidade era verdadeira. O seu talento reconhecido mundialmente. Nunca contabilizou em proveito próprio a rela dimensão que atingiu. Sempre disponível para colaborar com uma boa causa. Aliás, a sua postura em capo é bem demonstrativa da sua grandeza.
Mas a importância do futebol, e das suas referências, como Eusébio, teve grande influência na assimilação da língua portuguesa e na união criada entre povos com culturas distintas.
A rádio levava a palavra, fundamentalmente através dos relatos dos jogos de futebol, e nesse sentido fez mais que muitos institutos que consomem milhões de euros aos contribuintes portugueses.
A História será escrita e rescrita mas as grandes figuras nunca serão esquecidas."

José Couceiro, in A Bola

Obra indiscutível

"Como vejo Eusébio? Das inúmeras histórias que ouvi em casa, do que li e das imagens que fui vendo: Eusébio era um craque! Mesmo sem o conhecer pessoalmente admirava-o, não só por tudo o que foi como jogador, mas pela forma como ao longo dos anos serviu o país e o Benfica, como embaixador do futebol português e imagem de marca do seu clube do coração. A sua humildade, respeito, sentido de partilha, educação, paixão, entre muitas outras qualidades que decerto tinha, foram as que mais me ressaltaram.
A proximidade da Selecção Nacional nos jogos das grandes competições mostrou a importância da transversalidade de carisma dos grandes heróis, como ele é! Todos os jogadores precisam de conselhos, carinho, conhecimento e conforto quando estão sob stress competitivo, nomeadamente daqueles que mais admiram, reconhecem capacidade e talento fora do normal. Lembro-me da forma como no Euro-2004 acompanhou a equipa, do abraço que deu a Ricardo depois deste ter defendido sem luvas e marcado o penalti à Inglaterra, que permitiu o apuramento para a final.
Mas foi ontem ao ver a transmissão integral do Portugal x Coreia, superiormente comentada por três ex companheiros de Eusébio (Hilário, José Carlos e José Augusto) no Mundial de 66, que percebi a diferença que Eusébio fazia! Apoiado por uma geração de talento muito especial, que teve a grande vantagem de jogar regularmente as finais das competições europeias de clubes, o que lhes conferiu um à vontade e instinto para lidar com o stress competitivo, tomada de decisão, aproveitamento dos momentos chave dos jogos e que impulsionou indubitavelmente os resultados de excelência. Aquele jogo evidência muito do que as selecções precisam para funcionar eficazmente: um heróis bem secundado por jogadores experientes, habituados a jogar ao mais alto nível, com capacidade adaptativa para variar sistemas tácticos sem perderem a direcionalidade e estrutura colectiva. Virar um resultado de 3-0, num jogo de tudo ou nada, é obra indiscutível! A sua visualização é, com certeza, uma boa motivação externa à equipa que Paulo Bento está a trabalhar para levar ao mundial do Brasil!"

Tomaz Morais, in A Bola

Elesébio

"Hoje vou contar uma estória. Que começa como todas as outras. Era uma vez. Era uma vez um menino. Desse menino se dizia ter nascido pobre e de cor. Assim mesmo. Como se fossem dois defeitos juntos. Mas afinal o defeito era de quem tal dizia. Porque o menino era tanto de cor como branco, isto é, não era uma coisa nem outra. Era só um menino. E os meninos não têm cor.  São só meninos. Também não era pobre. Pertencia era a uma família com pouco dinheiro. O que é muito diferente. De resto, era rico, muito rico, até, absurda e incrivelmente rico no que mais importa.. E o que mais importa é aquilo que, de tão preciso, não se pode comprar. Por fortuna nenhuma. Porque não tem preço. Como é o caso de um dom. E este menino nascera com um talento ímpar. Alguns, vesgos de alma, diziam que era o de dar pontapés na bola. Coitados. Reféns da sua própria soberba, julgaram-se naturalmente superiores por falarem com desdém destas coisas. Pressupondo-as como menores, próprias do povo que no fundo desprezam e incompatíveis com o alto intelecto e superior cultura de que se presumem portadores. Certo é que à medida que o menino crescia aumentava também em todo o mundo o espanto e admiração pelos seus feitos. O maior dos quais foi o de conseguir unir na alegria e na dor as gentes a que pertencia. E foi tão forte o vinco feito no coração daqueles que gozaram da graça de o testemunhar que ele passou primeiro para o coração dos seus filhos e depois para os filhos destes. Foi por isso que, quando o menino se retirou de cena, muito, muito tempo depois de se fazer homem feito, mas antes ainda de se arrastar pelo terreno da vida, todo o povo, a maior parte do qual nunca o vira, venerou com lágrimas a sua partida. E agora recordá-lo-á para sempre apenas como Ele, o Eusébio."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Bola de Ouro Negra

"Um amigo meu espanhol, o jornalista Eduardo Torrico, dizia-me um dia: "Eusébio era único. Quando jogava com o Real Madrid metia medo. Nunca senti isto com outro jogador." Devo dizer que Eusébio foi o melhor jogador que vi jogar, ou melhor dito, o mais forte. Messi, Ronaldo, Figo, Maradona, Pelé, Cruijff eram ou são todos enormíssimos jogadores, mas nenhum tinha aquela força instintiva que distinguia o moçambicano. Era o talento mais puro e intratável e fisicamente era um portento de velocidade, força, capacidade de remate e, mais importante do que tudo para um futebolista, coordenação de movimentos.
Era a felicidade dos adeptos do seu clube ou da sua selecção, mas aos outros, aos adversários, metia medo. Era capaz de qualquer coisa, de marcar um golo de qualquer lado, porque tinha um tiro de canhão. E parecia indestrutível, apesar das seis operações que enfrentou ao longo da carreira. Eusébio apareceu num tempo de ditadura latina na Taça dos Campeões Europeus - Real Madrid, Benfica, Milan, Inter, 11 vitórias consecutivas até à vitória do Celtic, curiosamente em Lisboa, no Estádio Nacional. Eram anos do Portugal colonial, não deste Portugal aberto e europeu que produziu Figo e Ronaldo que são personagens globais beneficiando de uma máquina - televisão e redes sociais - que nem se imaginava nos anos 1960. Eusébio foi o primeiro negro a ganhar a Bola de Ouro (1965), mas a partir dali o domínio anglo-saxão tornou impossível regressar aos grandes êxitos, no clube e na selecção."

Humildade

O Rei

"Os grandes reis ficam na História pelo cognome. No entanto, há um que difere de todos os outros ao ponto de se lhe substituir o nome pelo cognome. Para nós, Rei é Eusébio e Eusébio é um outro nome de Benfica, cujo cognome é Glorioso. É assim que no nosso imaginário o Rei é o Glorioso. É assim que no Benfica se edifica História. Mas este Rei é único, na medida em que não é herdeiro da coroa que ostenta nem deixou herdeiros para a sua coroa. Ele é o Rei único e insubstituível numa corte de vários príncipes e milhões de súbditos. Este Rei não nasceu herói, construiu-se herói ao longo da sua vida e nessa construção ajudou determinantemente o Benfica a transformar-se num Clube de dimensão universal e intemporal. É assim com os que são enormes entre os grandes: edificam-se, edificando um edifício maior do que a dimensão do sonho.
Ao vivenciarmos Eusébio deveremos perceber que, muito esporadicamente, a História dá-nos o privilégio de assistir à metamorfose do homem que transcende da sua condição ao ponto de se tornar um mito. Um dia, o homem parte e fica o mito. Quando o que restava de humano partiu no domingo passado, ficou a herança e a responsabilidade dos seus súbditos perceberem que houve uma fase em que Eusébio jogou e ganhou para o Benfica. Fê-lo durante anos, golos, vitórias, lesões e sacrifícios a fio. Agora, é chegada a hora de o Benfica jogar e ganhar pelo Eusébio. Apenas assim os súbditos do Rei continuarão a construir o Glorioso."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica