Últimas indefectivações

domingo, 27 de outubro de 2013

Cárdio-sossegado !!!

Benfica 2 - 0 Nacional

Não foi uma exibição deslumbrante - como podemos e devemos fazer... -, mas pelo menos foi um jogo cárdio-sossegado !!!
Continuamos a exibir debilidades estranhas - as perdas de bola do Matic são incompreensíveis... -, mas jogámos mais do que o suficiente para merecer os 3 pontos.
O Nacional rematou quase sempre de longe, com o Artur a mostrar segurança, mas não criou uma verdadeira oportunidade, talvez 3 cruzamentos dos Madeirenses tenham sido as jogadas mais perigosas. Depois das substituições o Benfica levou algum tempo a pegar no jogo, e a fazer circulação de bola, mas nos últimos minutos lá conseguimos ganhar a posse de bola... Faltou o 3.º golo, que até merecíamos...

Individualmente dois jogadores merecem o meu destaque:
- O Enzo, é neste momento o melhor jogador do Benfica, é aquele que está mais perto perto do seu potencial máximo, corre, luta, perde a cabeça de vez enquanto, ralha, incentiva, leva a equipa para a frente, exagera às vezes no transporte de bola, mas é o nosso principal desequilibrador ofensivo... Não foi só hoje, esta época tem sido o mais esclarecido, de longe;
- O Luisão está de volta !!! Eu critiquei várias vezes o Capitão, desconfiei da sua capacidade física, principalmente da velocidade, mas nos últimos jogos tem sido o nosso melhor defesa, em melhor plano do que o Garay... o que não é fácil.

São tão poucos os jogadores da Formação a aparecer na equipa principal, que quando aparece um, todos desejam que tenha sucesso. O Ivan só tem que agradecer todos os incentivos, e continuar a trabalhar... Hoje, foi pena não ter marcado um golinho, e teve oportunidades. Tem tentado jogar simples - às vezes até exagera ao tentar jogar sempre de primeira -, e tem corrido muito... pessoalmente acho que o Cavaleiro não é um extremo, o lugar do Ivan é solto atrás do Cardozo, mas não tem comprometido nas tarefas defensivas, quando aparece na área, é sempre um perigo, hoje, teve azar já que as bolas perigosas acabaram por cair sempre para o pé esquerdo... Nos últimos minutos que esteve em campo, com mais confiança, já arriscou alguns dribles...

A entrada do Amorim, também deu para observar a provável estratégia do Benfica para Atenas, com 3 centro-campistas - Matic, Amorim (ou Fejsa), e Enzo -, foi pena o Nico fisicamente ter rebentado, o que obrigou o Enzo a ir para a direita, e o Nico para 2.º avançado... mas creio que aquele triângulo que se viu quando o Amorim entrou, vai ser usado na Grécia, com o Enzo a ser o jogador mais ofensivo, e o Cavaleiro a jogar como falso extremo, a apoiar o Cardozo (normalmente com esta estratégia, o Cardozo fica sempre muito sozinho na frente, o Ivan tem as características ideias para evitar isso...).

Além do 10.º aniversário da nova Catedral, hoje foi um dia com várias homenagens: Nuno Gomes, o primeiro marcador da nossa nova casa, aos putos Campeões do Mundo de Sub-20 de Hóquei Patins (Diogo Rodrigues, Alexandre Marques, Diogo Alves e Diogo Neves), à nossa Sofia Oliveira, Campeã do Mundo de Katás em Karaté, e ainda aos nossos Campeões Nacionais do Voleibol...

Dobrar a pontuação !!!

Galitos 48 - 96 Benfica
10-22, 20-20, 2-29, 16-25

Não conseguimos chegar aos 100 pontos, mas dobrámos a pontuação... Jogo fácil - 3.º período demolidor!!! -, que não dá para tirar grandes ilações. Destaco somente o regresso do Seth aos pontos, aparentemente totalmente recuperado da lesão...

sábado, 26 de outubro de 2013

Bom augúrio

O. Barcelos 0 - 3 Benfica

Excelente início de Campeonato, com uma vitória fora, num recinto sempre difícil, contra uma equipa que este ano parece-me mais forte, em relação às últimas épocas. O facto do Ricardo Silva, o nosso ex-guarda-redes ter sido o melhor em campo do Barcelos, não me surpreende em nada... o contrário é que seria de estranhar!!!
Creio que a nota de maior destaque tem que ser os 0 golos sofridos !!! Algo raro, nas últimas épocas!!! O Trabal esteve muito bem, como era de esperar, mas deu para notar uma forma diferente de defender da equipa do Benfica. Às vezes, até me pareceu, que o Benfica estava demasiado passivo a pressionar, mas com as novas regras do limite de faltas, é importante não dar demasiados LD's aos adversários!!! E como os apitadores foram Pinto & Pinto, o excesso de agressividade do Benfica seria logo penalizado!!!
A nota negativa, tem que ser mais uma vez, os 3 LD's falhados pelo Benfica!!! O primeiro pelo Miguel Rocha, e 2 pelo João Rodrigues...

É verdade que a tal dupla Pinto & Pinto, acabou por não ter influência no resultado - hoje -, o jogo acabou com 14-15 em faltas, até parece que houve equilibro nos apitos, mas isso não passa de uma ilusão... além de alguns cartões azuis perdoados a jogadores do Barcelos, hoje, tal como em jogos anteriores, houve inúmeras faltas não assinaladas a favor do Benfica, principalmente em situações de 'tabela': o Benfica faz muito bem o 2x1, um jogador passa a bola a um companheiro, e desmarca-se imediatamente, recebendo a bola mais à frente... qual a maneira mais fácil de travar estas jogadas?! Bloqueando ou agarrando o jogador que faz o 1.º passe!!! Isto acontece inúmeras vezes nos jogos do Hóquei do Benfica, já o ano passado era assim, e pela amostra, vai continuar a acontecer... Esta é a forma como, principalmente nos jogos fora, o Benfica tem sido travado (Valongo por exemplo...), depois arranja-se os álibis dos ambientes difíceis, da atitude, etc., etc,... A qualidade da patinagem dos jogadores no Hóquei é essencial - como é óbvio -, se os jogadores são impedidos de se desmarcarem, não é fácil marcar golos... Hoje, a diferença de valor entre as equipas foi suficientemente grande, para não existir surpresas, mas...

Vitória com rotação baixa !!!

Benfica 3 - 1 Esmoriz
25-19, 24-26, 25-19, 25-17

Perder um Set, com o Esmoriz, na Luz, não é bom indicador, mas o mais importante acaba por ser os 3 pontos.
Mais uma vez, a equipa melhorou bastante com a opção de recurso: meter o Gaspar na Zona 4, e o Ché a Oposto. Cada vez acredito mais, que esta devia ser a 1.ª opção, mesmo com todos os jogadores disponíveis.

PS1: Bonita data Professor... 30 anos de camisola vestida, é uma bonita idade.

PS2: Os caloteiros voltaram a perder, por este caminho ainda descem de Divisão!!!

Suicídio nos últimos minutos !!!

Braga 6 - 3 Benfica

Não vi o jogo, para ser sincero, esqueci-me!!! Estava com os amigos que queriam ver o Barça-Madrid, e quando me lembrei do Futsal, já estávamos no último minuto!!!
Mas para não cair na critica fácil, tentei recolher as informações mais básicas sobre o que se passou. Já se sabia que este seria um jogo uito difícil, já o ano passado perdemos este jogo. Para complicar as coisas, ficámos sem os nossos dois 'criativos', tanto o Serginho como o Hemni foram convocados para as suas Selecções, e o Benfica que lhes paga os ordenados, ficou sem eles para este jogo!!! Juntando a isto, temos o Gonçalo ainda sem ritmo depois de uma longuíssima paragem, e o Ricardo Fernandes regressou hoje após quase 1 mês de fora. Se estes contratempos são inevitáveis, não compreendi a ida para o banco do Marcão e a titularidade do Bebé (que teve infeliz...), se foi por limitação física, nem sequer deveria ter ido para o banco...!!!

O jogo parece que foi equilibrado, e bem disputado por ambas as equipas, a 6 minutos do fim, com o resultado em 2-2, o Benfica sofre um golo em contra-ataque, logo de seguida tentámos atacar em 5x4, e foi o descalabro!!! Este ano já melhorámos a defender as situações de 5x4, mas a atacar continuamos uma miséria!!! A perder por 6-2, o Brandi mesmo no final ainda marcou um golo do outro mundo, mas já veio tarde...

Todos nós sabemos que este Campeonato será decidido no Play-off, todos nós sabemos que esta equipa necessita de tempo para ganhar 'automatismos', mas depois de um início muito bom, nos últimos jogos tem havido algumas desconcentrações evitáveis... este jogo, a primeira derrota oficial da época, sem o Serginho, e o Hemni pode não servir de indicador, mas é importante todos se mentalizarem que o caminho tem que ser para cima, sempre a evoluir, andar para trás é para os caranguejos, não é para as Águias!!! 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

10 anos



Cresci na antiga Catedral, não tenho nada contra o novo local de peregrinação - bem pelo contrário -, mas a primeira 'casa' tem sempre mais encanto...!!!
A vida da nova Catedral não tem sido fácil, o sofrimento hoje é maior, as vitórias acontecem com menor regularidade, a militância treme, o contexto social não ajuda, o comodismo das televisões é assustador...
Mas o Benfiquismo é imortal, e tenho a convicção absoluta que nos próximos 10 anos, vamos ter ainda mais motivos de alegria na nossa Catedral !!!

Sem medo de jogar bem

"Num jogo de muita chuva, foram vários os intervenientes a meter água. Naquele campo era impossível jogar bem, podia ser pedido muita alma, luta e entrega e isso houve por parte dos jogadores. Nos primeiros cinco minutos falhámos três golos, por outro lado, os gregos na primeira oportunidade não desperdiçaram.
Meteu água o árbitro que nos prejudicou várias vezes para nos oferecer um canto para golo, meteu água o Roberto mas meteu golo o Cardozo para evitar uma banhada. Isto dito, temos de exigir mais dos nossos.
Sabemos que podemos jogar melhor, marcar mais golos, e não permitir aos sucessivos adversários tantas oportunidades.
Não farei como a avestruz, em onze jogos oficiais não ganhámos cinco, e isso é preocupante porque sentimos que temos condições para voar mais alto. Jorge Jesus deu-nos algum do melhor futebol dos últimos anos, o plantel tem soluções de qualidade, venham agora as exibições e as vitórias.
Estamos mais perto de ganhar quando se joga bem e por isso clamo pelas boas exibições. Não se pode acabar um jogo com o Cinfães com medo de não ganhar.
Acredito que podemos conseguir na Grécia um bom resultado, mas acredito ainda mais que podemos iniciar no Campeonato e Taça uma série de vitórias rumo aos principais objectivos. Há talento, há vontade e há obrigação.
Já domingo contra o Nacional uma vitória é obrigatória, um exibição convincente era muito recomendável. Mais do que ganhar por muitos, era importante o Benfica ganhar e jogar muito bem.
O sorteio da taça dá um hiper interessante Benfica-Sporting. Quem, como o Benfica, quer chegar e vencer no Jamor, não se pode queixar de nada. Primeiro o Cinfães, depois o Sporting, e assim sucessivamente como as bolinhas quiserem."

Sílvio Cervan, in A Bola

Voar à chuva

"O tal jogo que Jorge Jesus considerou "importante mas não decisivo" terminou empatado. Em Atenas, logo se verá quem lucrou com a maior importância e a menor decisão, no conceito do treinador. Por ora, fica a ideia consensual nas fileiras do Benfica : a igualdade frente ao Olympiacos é um bom resultado. Mas, reconhecem os próprios, mais pela forma como as coisas decorreram do que por outra razão. No entanto, a questão que verdadeiramente deve colocar-se prende-se com um princípio : não era suposto, na Luz, serem os gregos a tentarem não perder o desafio em vez do inverso?
Diga-se desde já que, numa visão global, o resultado está certo. O Olympiacos venceu a primeira parte porque tacticamente foi melhor, o Benfica ganhou a segunda porque soube ser suficientemente combativo, num terreno com mais água que relva. Quanto às consequências que daqui derivam, já lá iremos. Primeiro, as duas componentes da partida.
Embora não entenda muito bem o que Jesus quis dizer com o "ADN ofensivo" mostrado pelos encarnados na primeira metade, fica o registo de uma entrada prometedora. Em cinco minutos, Cardozo já tinha obrigado Roberto a uma defesa difícil e Luisão cabeceado ao lado, num lance na pequena área. Simplesmente, a promessa ficou-se por aqui. Mitroglou respondeu de imediato com três (!) jogadas em que o golo rondou a baliza de Artur, o que deveria ter constituído um sinal sério para o Benfica.
A explicação residia no meio campo, porque a zona central das águias começou a ser "engolida" por um número superior de elementos gregos, deixando Matic e Enzo contra três e, ás vezes, quatro. O papel de Dominguez foi vital ao "barrar" o sérvio, notando-se ainda que os homens da casa se baralhavam com as diagonais de Weiss e, principalmente, de Fuster. Quem aproveitava - e bem - era Mitroglou. Convenhamos, o lance do golo grego até pareceu uma inevitabilidade.
Além do mais, Ola John e Gaitan (este numa noite definitivamente não) são pouco de defender, levantando outra vez a dúvida sobre se o argentino não será mais útil ao meio (o que até poderia levar a outro tipo de aproveitamento para Lima). Mais : só lá muito tarde - quase no final - é que Rúben Amorim e Rodrigo entraram. Enfim , Michel ganhou a Jesus num período do desafio em que, esperava-se, os encarnados conquistassem embalagem suficiente para controlar o resto da partida.
Acontece que "o resto" foi altamente problemático. Jesus lançou Ivan Cavaleiro na segunda metade, mas a chuva torrencial que marcou a meia hora seguinte não se compadeceu com quaisquer boas intenções do treinador encarnado. O jogo tornou-se uma autêntica bizarria (repare-se que houve dois momentos, um para cada lado, que seriam sempre golo, caso a bola não ficasse parada numa poça), com tudo dependente de lances de bola parada ou de algum erro individual, porque a tal "construção de jogo" passou a ser uma ficção. Dito e feito : Roberto falha num lance aéreo (o que nele nem é surpresa) e Cardozo não perdoa. 
Fica, contudo, o facto da equipa da Luz ter-se batido até aos limites para evitar uma derrota que, garantidamente, colocaria o Benfica numa situação de saída muito limitada.
Isto não significa que o cenário seja animador. Já sabíamos que Benfica e Olympiacos estavam a lutar pela única vaga disponível, porque a outra já era do PSG (parênteses : fiquei arrepiado com o "poker" de Ibrahimovic em Bruxelas, atenção Paulo Bento). Com este empate, Atenas vai tornar-se num inferno ainda maior do que sempre é. Os gregos sabem que um triunfo em casa lhes estende a passadeira, é só não estragarem na recepção ao Anderlecht. Portanto, calculo, desta vez Jesus vai mesmo assumir que o próximo encontro não se limita a ser importante. Se não é decisivo, é o quê?"

A lição

"Gosto muito da Taça de Portugal, quando é jogada mano-a-mano, os grandes contra os pequenos, com os futebolistas dos pequenos a terem a humildade que, por vezes, os fazem, durante 90 minutos, serem gigantes; e os futebolistas dos gigantes, por vezes, durante 90 minutos, a sofrerem de um nanismo pouco compatível com o estatuto, o ordenado e os privilégios com que se pavoneiam.
Como adepto ferrenho do Benfica (o maior dos Gigantes), espero sempre que os nossos futebolistas saibam que só serão gigantes se souberem, sempre, partir para o jogo com a humildade de um David. Recordo o primeiro jogo que vi, ao vivo, para a Taça de Portugal: foi em Castelo Branco, no “mítico” pelado do Vale do Romeiro, no dia 04 de Janeiro de 1981. O Benfica de Castelo Branco recebia o Benfica. Lajos Baroti apresentou praticamente todos os titulares (trocou o Bento pelo Botelho) e lá se apresentaram gigantes como Chalana, Humberto, Alhinho, Bastos Lopes, Carlos Manuel, João Alves, Néné, Shéu… Enfim, uma constelação que teve como oponente um Benfica de Castelo Branco que tinha em Balacó (que faria carreira na primeira divisão, no Espinho e no Portimonense) a grande figura.
O Benfica ganhou, naturalmente, com três golos (um de Reinaldo, um de Carlos Manuel e outro do inevitável Néné). Eu, do alto dos meus dez anos, saí do campo maravilhado por ter visto, ao vivo, os meus heróis, naquele simples e honrado pelado. O meu único lamento era não ter visto em campo o maior dos meus ídolos, o Bento.
Não entendia o chorrilho de críticas com que os mais velhos se despediam de uma equipa que acabara de ganhar 3-0. Diziam esses mais velhos que ao Benfica se exigia muito mais do que um mero jogo para entreter; outros acusavam os jogadores de terem lá ido brincar… e eu, puto em aprendizagem, apenas me queixava de não ter visto o Bento. Aprendi, nesse dia, a lição de que os profissionais do Benfica não se podiam satisfazer com essa coisa parca e diminutiva de “fazer os mínimos contra adversários que dão o máximo”. Nesse dia, Baroti não se vangloriou de nada, não se gabou de nada e certamente percebeu que, apesar da vitória, se exigia muito mais do que o que a sua equipa mostrara.
Há lições que nunca se esquecem."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Vitória na Maia

ISMAI 28 - 36 Benfica

Vitória esperada, com demasiados golos sofridos... estes jogos após as partidas Europeias, principalmente fora - ambos -, são sempre propensos a desconcentrações, felizmente isso hoje não aconteceu. A destacar a melhoria ofensiva do Carneiro nos últimos jogos (após a novela Capitão!!!), os poucos golos do Costa hoje, e os 7 golos do Pedroso, só é pena nos jogos grandes não fazer a mesma coisa...!!!

A equipa está num bom momento, e só jogando o nosso melhor podemos ter esperança em vencer os Húngaros que nos calharam em sorte na Taça EHF...

Será que no Benfica se aperceberam?

"Os campeões fazem-se com resultados e quem disser que prefere uma derrota jogando bem a uma vitória jogando mal ou é hipócrita ou é um tonto rematado. Mas a psicologia do adepto tem outra vertente que transcende vitórias e derrotas e que é a da identificação com a equipa. Nesse aspecto o jogo de ontem foi muitíssimo curioso. Os benfiquistas não andam satisfeitos com a vida, a amargura do final da época passada não foi ultrapassada e na presente temporada não houve exibições que fizessem esquecer o Dragão, Amesterdão e o Jamor. Neste contexto difícil, com o Benfica em desvantagem e a jogar mal (primeira parte pobrezinha...), a verdade é que o Terceiro Anel percebeu a vontade dos jogadores e identificou-se com ela, vestiu a camisola e apoiou a equipa como ainda não o tinha feito em 2013/14. Quer isto dizer que há outras dimensões para além do ganhar e do perder, do jogar bem e do jogar mal. Não sei se os jogadores, técnicos e restantes responsáveis do Benfica se aperceberam do que aconteceu ontem: quando podiam ter voltado as costas, a equipa pediu e os adeptos deram-lhe a mão..."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: A pergunta do Delgado está mal feita!!! Tenho a certeza que os jogadores, os técnicos, e os dirigentes ouviram bem o apoio vindo da bancada, no meio do dilúvio... O curioso é que aparentemente mais ninguém se apercebeu (além do Delgado)!!! Não convém passar esta mensagem...!!!
Aposto que com outras equipas, em situação idêntica - a perder, e com muitas e variadas adversidades... -, no dia seguinte, as primeiras páginas, ficariam cheias de elogios à militância dos adeptos presentes... mas seria quase contra-natura publicar uma notícia com uma nota positiva sobre o Benfica. O Benfica é o Clube que vende mais jornais, e atrai mais audiências, mas só com notícias negativas, é uma daquelas tradições que é difícil quebrar!!!

Calha a todos

"Na noite de terça-feira lembrei-me do «para cá vai dando» de Jesus, vendo na Champions um ou dois jogadores do FC Porto. E pensei com os meus botões: calha a todos.

JORGE JESUS,  no fim do jogo em Cinfães para a Taça de Portugal, empurrou um jogador do Benfica! Vieram-me aborrecer com esta história - mais uma do género - alguns amigos de clubes rivais.
É verdade que empurrou. Não consegui descortinar quem foi o empurrado desta vez embora, pelas imagens, se perceba a intenção do treinador, aparentemente inocente ainda que à má-fila.
Com uma exibição sofrível, uma equipa maioritariamente composto por reservistas e jovens da equipa B conseguiu vencer o Cinfães por 1-0 e Jorge Jesus, terminado o desafio, mandou o pessoal todo agradecer  apoio prestado pela bancada pejada de benfiquistas.
Nada de anormal, até aqui. O empurrão ao dito jogador do Benfica também não foi assim tão grande anormalidade, para quem conhece as maneiras pouco diplomáticas do nosso treinador.
É apenas caso para se dizer que, fiel a si próprio, Jorge Jesus lá deu mais um encosto num dos seus pupilos. Até hoje, o empurrado não se queixou.
O árbitro do jogo foi Rui Costa, da Associação de Futebol do Porto. E este, sim, esteve muito infiel a si próprio, ao contrário do treinador do Benfica.
E porquê?
Porque o mesmo Rui Costa que validou o golo de Jackson Martínez que permitiu ao FC Porto trazer 3 pontos da viagem a Paços de Ferreira, invalidou o golo com que Steven Vitória teria aberto o marcador em Cinfães. A decisão de Cinfães seria sempre difícil de aceitar porque, na verdade, o jogador do Benfica fez um salto limpo e cabeceou com maior limpeza ainda para a baliza cinfanense.
Mas ainda mais difícil se torna de aceitar a invalidação do golo de Steven Vitória quando se recorda o golo de Jackson Martínez ao Paços de Ferreira. O colombiano empurrou descaradamente um adversário pelas costas, atirou-o ao chão e nem teve de saltar para, de cabeça, mandar com a bola para dentro da baliza pacense.
Na verdade, esteve das duas vezes mal o árbitro do Porto. Portanto, talvez seja incorrecto dizer que não foi fiel a si próprio.
Lá que foi fiel, foi. Há empurrados e empurrados, essa é que é essa.

GOSTO do Simeone e não gosto do Spaletti. Na verdade, não gosto nem desgosto de nenhum porque não os conheço. Referia-me, como compreendem, ao jogo-jogado das suas respectivas equipas. Gosto do jogo do Atlético de Madrid e no que diz respeito ao do Zenit, por muito que tente, já não posso dizer a mesma coisa. Não gosto, nunca gostei.
Na noite de terça-feira no Porto, o Zenit, que é da Rússia, parecia uma equipa italiana das mais rasteiras a defender o precioso empate - sim, porque o empate também era precioso -, contra um adversário com menos um jogador em campo durante, praticamente, 90 minutos do jogo. O sul-americano Herrera foi expulso aos 6 minutos mas como o árbitro deu 6 minutos de tempo de compensação, fica ela por ela.
Spaletti sabia, como todos nós, que, perante a campanha avassaladora do Atlético de Madrid no mesmo grupo, o empate era um excelente resultado para o Zenit. Empatando anteontem no Dragão, a 6 de Novembro os russos disporiam da oportunidade de, em São Petersburgo, trocar de posição com os campeões portugueses, caso lhes ganhassem. Encantadora perspectiva para quem ao cabo das suas primeiras jornadas só levava um solitário pontinho.
E foi esse o jogo que o Zenit fez na terça-feira. Imagine-se, se possível, a carrada de nervos com que os adeptos do Zenit ficaram a ver a sua equipa a jogar descaradamente para o 0-0 perante um adversário em inferioridade numérica. Spaletti só pode ter ficado com as orelhas a arder.
Mas, pronto, acabou por ter sorte e ganhou o jogo ao Porto à beira do fim, tal como Simeone tinha feito no mesmo palco e à beira do fim com o seu Atlético de Madrid, ainda que com grande brilho.
Somada a segunda derrota em casa, fica o FC Porto, apesar de ter jogado muito bem, atrás do Zenit na tabela do grupo e vê-se obrigado a ir ganhar a São Petersburgo, isto se não contar com as ajudas dos madrilenos e dos declaradamente inaptos do Áustria de Viena.
«Para cá vão dando...», lembram-se? Foi uma frase, chocante, pois claro, com que Jorge Jesus, na temporada passada, definiu a utilidade de alguns jogadores do plantel do Benfica. Mas Jorge Jesus, impiedoso, tinha razão.
Na noite de terça-feira lembrei-me do «para cá vai dando» de Jorge Jesus vendo em acção, num jogo da Liga dos Campeões, um ou dois jogadores do actual plantel do FC Porto. E pensei com os meus botões: calha a todos.

CALHOU-NOS a Suécia. Preferia a França, por uma questão estatística. Já foram tantas as vezes que os franceses nos deram cabo da vida em Europeus e em Mundiais que, para fazer funcionar a estatística, estava na altura de os surpreendermos com uma vingança ao nosso melhor estilo. Isto é, com um final feliz para as nossas cores contra todas as apostas, incluindo as nossas.
Com a Suécia, passa-se exactamente o contrário. Em confrontos directos, temos sido nós, os portugueses, os sistematicamente felizes no historial com os suecos. E rezam as estatísticas que, por essa mesma razão, está na altura de acontecer o inverso, o que não dava jeito nenhum.
No final de Maio, parti para a final da Taça de Portugal com o Vitória de Guimarães exactamente neste estado de espírito estatístico. Precisamente por ter lido num jornal na manhã do jogo que o Vitória de Guimarães nunca tinha conquistado o troféu e que, por meia dúzia de vezes, tinha sido o finalista vencido da Taça de Portugal.
Está na altura, pensei eu. E estava mesmo.
Conclusão: todos os cuidados são poucos nos dois jogos com os suecos.
Nos seus últimos com compromissos a Selecção Nacional não esteve nada bem. Não é, propriamente, num ambiente de euforia que a equipa de Paulo Bento vai partir para este tudo ou nada. Convém que seja assim e não é por causa da maldita estatística. É por uma questão intrinsecamente nossa, mais do tipo fadista.
Explico-me melhor. Os rapazes precisam de ser espicaçados no brio ou nada feito. Em termos de brio foi zero a nossa Selecção nestes últimos jogos do torneio de qualificação para o Mundial.
O único remédio para a questão sueca é desatarmos todos a dizer mal da Selecção. Muito mal mesmo. Do treinador, dos jogadores, dos dirigentes, enfim, de todos. A ver se acordam. Eu acredito que vai ser assim que vamos eliminar a Suécia. E que estaremos presentes no Mundial do Brasil. «Contra tudo e contra todos», como dirá Paulo Bento no momento oportuno.

1-1 com o Olympiakos e muitos assobios no fim do jogo para a equipa do Benfica que, ontem, só começou a correr quando Cardozo, sempre ele, aproveitou uma má saída de Roberto, sempre ele, para empatar. Resumindo, foi um jogo sem qualquer espécie de novidade. O paraguaio marcou um golo e o espanhol ofereceu outro golo. Onde é que já vimos isto? Cardozo viria à flash interview dizer que o resultado foi positivo atendendo às circunstâncias. Concordo inteiramente. Com o empate de ontem o Benfica pode ter ficado mais longe da Liga dos Campeões mas ficou mais perto da Liga Europa, prova para a qual, atendendo às circunstâncias, estamos mais calhados. E sem drama."

Leonor Pinhão, in A Bola

PS: Hoje discordo da Leonor em alguns pontos:
- A estatística de Portugal com a Suécia, é extremamente negativa para Portugal, é uma ilusão pensar que quando jogamos com os altos, louros e toscos vencemos facilmente!!!
- Ontem, o Benfica não começou a correr com o golo do Cardozo... foi evidente que durante toda a 2.ª parte, a equipa, com pouca cabeça é verdade, deu tudo o que tinha... Aliás, acho mesmo que após o golo do Cardozo, não voltámos a criar tanto perigo... mais por falta de frieza, do que de vontade.
- Houve assobios no fim, é verdade... mas a nota de maior destaque, foi o apoio incondicional principalmente durante a 2.ª parte, de todo o público Benfiquista presente.
- A Leonor também não evitou, infelizmente, uma graça, com o Roberto. Este post do Antitripa, explica bem o como, e o porquê, da existência destas campanhas...

Oxímoros

"Um oxímoro é uma figura de estilo literário que junta duas palavras ou expressões que, em termos lógicos, se contradizem ou excluem, formando um paradoxo. Camões usou muito esta forma, sendo que o seu mais conhecido oxímoro é o contentamento descontente. Na linguagem corrente há outros exemplos interessantes. Como um ilustre desconhecido, um silêncio ensurdecedor, uma obscura claridade, uma lúcida loucura. Ou, ainda, um eterno instante, tal qual o golo de Kelvin ao minuto 92 que para uns, é eterna alegria e para outros, eterno desgosto.
Gosto desta figura literária que junta opostos para exprimir a turbulência dos paradoxos da vida. Como disse Agostinho da Silva, «não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total».
Pus-me a pensar em oximoros (ou quase oxímoros) que se possam aplicar ao futebol. E logo me lembrei do primeiro e mais provocativo jogo de duas palavras que têm dificuldade em coexistência neste meio: ética futebolística.
Há outras expressões paradoxais muito curiosas no jargão futebolístico. É o caso dos golos de bola parada, hoje tão ou mais decisivos dos que os de bola corrida. Ou a táctica de que, afinal, a melhor defesa é o ataque. Ou que aquele jogador ataca de costas para a baliza. Por vezes, ouço também dizer que se joga futebol aéreo quando não há espaço (o que dirão os pilotos de aviação?). Ou que o guarda-redes não sabe jogar fora dos postes. Ás vezes há um aparente oxímoro horário quando, à noite, se diz que foi a defesa da tarde! Finalmente, um que agora está muito na moda: descansar com a bola..."

Bagão Félix, in A Bola

Produção salivar

"Josué foi suspenso um jogo por uma alegada cuspidela num adversário. Um castigo (em função da volumetria salivar?), tal qual o que resulta de um 2.º cartão amarelo por se festejar um golo sem camisola. Josué - recorde-se - tem dois clubes, o Porto e o anti-Benfica, e duas certezas na carreira: a primeira é a de que um dia iria voltar ao FC Porto e outra é de que nunca jogaria no Benfica, «Sou do FC Porto e toda a gente que é deste clube não gosta do Benfica».
Brilhante foi a coincidência de ter sido pela primeira vez titular na Selecção Nacional na semana do castigo! O que evidencia a plenitude ética do nosso futebol. E quem sabe a diferença epistemológica entre cuspidela e salivação.
Tudo se explica por uma razão mais ou menos científica: é que 99,42% da saliva é água, pura e cristalina. O resto do fluido é formado por proteínas e sais minerais, certamente saudáveis. Além disso, a produção diária varia entre 1 e 1,5 litros pelo que há necessidade de, por vezes, a escoar mais depressa.
Também é sabido que as glândulas salivares recebem ordem do cérebro, o que para alguns faz crescer a água na boca em certas situações. Neste caso, só gostaria de saber se o cérebro actuou por excesso de zelo portista ou antibenfiquista. Como diz a adivinha: sem ser comida ou bebida, entro na digestão, sem ser dada nem pedida, cumpro a minha obrigação. E como bem diz o adágio sul-americano é tudo uma questão de tempo: el que escupe para arriba, le cae la saliva en la cara.
Afinal em que ficamos: é o futebol um jogo impróprio para cardíacos ou será mais próprio para jogadores salivosos e escolhas salivantes?"

Bagão Félix, in A Bola

No comments...


Acham que lá no fundo há mais a dizer?!?

Água azeda...!!!

Benfica 1 - 1 Olympiakos

Jogo complicado de analisar: o empate antes do jogo começar, era sempre um cenário negativo... as incidências do jogo - primeira parte frouxa, com um golo oferecido pelo Matic, e terreno quase impraticável na 2.ª parte... -, acabaram por alterar a perspectiva...
Mas penso que a segunda parte - mais 'pólo-aquático' do que futebol, principalmente no meio-campo para onde o Benfica atacava... -, feita com muito coração, merecia a remontada... que só não aconteceu porque o Mallenco (árbitro da partida), foi somente o melhor defesa dos Gregos!!! A quantidade de bolas que salvou da boca do golo, fazem com que mereça o título de MVP da partida!!! É verdade que a partir do minuto 75 (altura em que pediu calma ao banco do Benfica!!!), até ao golo do Benfica (83min), resolveu apitar a 'favor' do Benfica em alguns lances de dúvida, mas nos restantes 82 minutos...
Até posso admitir que todas as faltas ofensivas marcadas ao Benfica eram mesmo falta, mas então quando os defesas do Olympiakos fizeram a mesma coisa, ou pior, também tinha que marcar as faltas, dentro ou fora da área, e não o fez...!!!

Tacticamente a eterna questão dos dois avançados, e respectiva inferioridade numérica no meio-campo, será mais uma vez recordada... a verdade é que o Benfica não tem rotinas de 3 centro-campistas, e quando tentamos, o nosso ponta-de-lança fica muito sozinho na área... e na Luz, precisamos de presença na área. Mas após estes jogos fica sempre a impressão que com mais um jogador no meio-campo a história do jogo (neste caso da 1.ª parte) seria outra... Daqui a 15 dias em Atenas, provavelmente vamos jogos com 3 jogadores do meio-campo, vamos ver como será!!!
Quando os jogos correm mal, seja lá porque razão, inclusive pelo encaixe táctico ser desfavorável ao Benfica, os adeptos automaticamente acusam os jogadores de falta de atitude. Este jogo é o perfeito exemplo, de como isso é falso. É verdade que os Gregos tiveram a bola demasiado tempo na 1.ª parte, e nós demorávamos a recuperar, mas isso deu-se essencialmente devido ao nosso posicionamento táctico, e grande parte dessa posse de bola, foi em zonas recuadas sem perigo... sendo que as jogadas de perigo do Olympiakos na 1.ª parte, foram quase sempre perdas de bola infantis (erros individuais) dos nossos jogadores, com especial relevância para o Matic.
Além da inferioridade no centro do terreno, o Benfica continua a demonstrar intranquilidade, falta de confiança, e o Matic a 8 ou 6 está a léguas do que jogou o ano passado, desequilibrando a equipa. Sendo que a ausência de um desequilibrador - Salvio - ofensivo pelas faixas mantém-se... Hoje, ainda por cima ficámos em desvantagem, contra uma equipa que está construída para o contra-ataque, não foi por acaso que venceram em Bruxelas por 0-3, e apesar dos 3 golos do Mitroglou, o melhor em campo nesse jogo foi o Roberto!!!

A desvalorização que foi feita a esta equipa do Olympiakos, desde do sorteio é vergonhosa: para qualquer pessoa minimamente atenta sabe que esta equipa é forte: internamente, na Grécia, são equivalentes aos Corruptos Tugas... frutando tudo e todos (as parecenças são tantas que aqui no Olympiakos, qualquer treinador que chega, tem sucesso. É garantido... até o extremamente mal-educado Michel, que como treinador não tem metade da classe que tinha como jogador!!!), o que lhes tem dado a oportunidade de montar um plantel fortíssimo, com muitas opções... e com o domínio interno consolidado - e seguro -, vão apostando cada vez com mais força na Europa. Todos sabíamos que a qualificação para os Oitavos iria ser decidida entre o Benfica e Olympiakos, na minha antevisão só errei ao pensar que o Anderlecht estaria mais perto...!!!

Esta noite, empurrados pelos adeptos que resolveram aparecer, o Benfica em condições muito adversas - resultado e terreno -, 'salvou' 1 ponto que soube a pouco... matematicamente está tudo em aberto, mas todos nós sabemos que não será fácil pontuar em Atenas, até porque nós não teremos nenhum Mallenco para nos ajudar!!! Bem pelo contrário...

Já me ia esquecendo... o Cardozo marcou. Mais uma vez. Neste momento na Liga dos Campeões (incluindo TCCE) só o King, o Zé Augusto, o Torres, o Águas, e o Nené têm mais golos!!!

Sorte? Calha a todos !!!

Santa Clara 0 - 2 Benfica

Como não vi o jogo, e dando como verdade as palavras daqueles que o viram, incluindo o nosso treinador, vencemos com sorte, ao Benfica de São Miguel... com um grande golo do Rúben Pinto!!!
O Futebol é muitas vezes injusto, como não somos menos que os outros, de vez enquanto, também merecemos uma ajuda divina, desde que não seja frutada, não me importo...!!!
Aqui está um resumo.

3.ª jornada - UEFA Youth League

Benfica 0 - 0 Olympiakos

Primeiros pontos perdidos nesta competição, num jogo onde dominámos praticamente todo o jogo, com algumas oportunidades perdidas verdadeiramente escandalosas... os Gregos, no final da 1.ª parte, mais por culpa nossa, subiram um pouco no terreno, ainda safámos uma bola em cima da nossa linha de golo, mas com um aproveitamento normal, teríamos vencido largamente... a chuva também não ajudou. Apesar de mau jogado em alguns momentos, houve entrega e raça de ambas equipas.
Compreendo que o João Gomes, após a lesão, não tem mostrado a mesma destreza, que anteriormente demonstrava, mas mesmo sem estar na sua melhor forma, creio ser preferível jogar com um ponta-de-lança feito, na posição 9, do que jogar com um extremo adaptado... que tecnicamente até pode ser bom, mas a arte de encostar a bola para dentro da baliza, só escolhe alguns!!!
Continuamos na liderança, e com boas perspectivas para atingirmos a qualificação.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A nossa Champions

 "Depois de uma eliminatória da Taça de Portugal diante do Cinfães, que se prevê tão tranquila quanto festiva, regressa, já na próxima semana, a sumptuosa Champions League, com todo o seu encanto, e grau de dificuldade máximo.
Com um vitória em casa, e uma derrota fora, pode dizer-se que o Benfica está perfeitamente dentro dos carris do apuramento, sendo provável que os próximos dois jogos, diante do Olympiakos, venham a determinar quem acompanha o PSG rumo à Fase seguinte da competição. Ou seja, uma vitória na Luz frente aos gregos afigura-se fundamental nesta corrida, pois qualquer outro resultado, mesmo não nos eliminando sumariamente, deixará contas demasiado complicadas por fazer.
Muito se tem discutido a hipótese de o nosso Clube apostar mais ou menos na competição, e ter mais ou menos possibilidades de atingir a respectiva Final. Muitas vozes extrapolaram palavras do nosso presidente, subvertendo-as, e transformando um sonho legítimo e saudável, numa exigência que jamais foi feita aos jogadores ou ao técnico. Há que dizer, com toda a clareza, que chegar à Final da Champions, no contexto actual do Futebol português e europeu, pode obviamente ser um sonho (quem não o tem?), mas não poderá constituir um objectivo concreto, e muito menos uma exigência. As diferenças de orçamento face a 'tubarões' como Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Chelsea, Juventus, Dortumind ou Bayern de Munique não deixam margem para grandes expectativas, seja onde for que se dispute a última partida da prova. O objectivo do Benfica para a Liga dos Campeões terá de ser, por enquanto, a passagem à Fase seguinte. Isto sim, está de acordo com o poder financeiro e desportivo de que dispomos. Em termos realistas, as nossas exigências não deverão ir muito mais além, e o que vier a mais, bem-vindo será.
É com esta humildade que devemos enfrentar os difíceis adversários que temos pela frente. E é com esta atitude que podemos, eventualmente, vir a superar aquilo que neste momento é expectável."

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

As sombras tristes de Nartanga e Juju

"Depois de Eusébio, tantos Eusébios se prometeram ao Benfica. Tantos foram «o novo Eusébio»... Mas o destino não se compadece com a vontade. Ninguém se compara ao incomparável.

EUSÉBIO só houve um! Ninguém tem dúvidas desta verdade, deixada aí em cima em forma de parágrafo com ponto de exclamação. Mas a verdade é que depois de Eusébio, houve um nunca mais de esperanças de Eusébio. Chegava um jogador de África, das ex-colónias, e dizia-se: «vai ser o novo Eusébio!» E não era. É impossível ser Eusébio. Só Eusébio sabe ser Eusébio!
Lembro-me de vários. Vocês também se lembrarão, certamente. Houve o Cavungi, o Mário Wilson (filho, pois claro), o Reinaldo, o Akwá, até o Mantorras.
É demasiado pesado para os ombros de um jogador quererem compará-lo ao incomparável.
Hoje, neste espaço, vou recordar dois candidatos a Eusébio. Nomes que o Futebol esqueceu, quem sabe se injustamente.
Um era João Lopes Cardoso. Mas ninguém o conhecia por João Lopes Cardoso: era o Nartanga.
Nartanga. João Lopes Cardoso: o Nartanga. Porquê Nartanga? Segundo sei, nem ele sabia. Era Nartanga e chegava.
Quando Eusébio desembarcou em Lisboa, Nartanga foi-se introduzindo lentamente na sua sombra. Quero dizer: de Eusébio todos diziam que viria a ser um novo Matateu, mas melhor ainda; de Nartanga se dizia que podia ser outro Yaúca. Não foi.
Mas depois de Eusébio já começar a ser Eusébio, Nartanga não deveria ter-lhe ficado atrás. As suas qualidades prometiam glória e sucesso e golos e mais golos. Promessas por cumprir.
Cinco meses esteve Eusébio em Lisboa sem poder estrear-se pelo Benfica. No dia em que se estreou, a 23 de Maio de 1961, frente ao Atlético, pelas Reservas, Nartanga também já lá estava. Jogava a ponta-direita, mas já tinha sido experimentado a avançado-centro. Era como se houvesse um fio transparente de destino a ligar os dois jovens que tinham vindo de África.
Três meses esteve Nartanga em Lisboa sem poder estrear-se pelo Benfica. A burocracia ia arrasando com a carreira de Eusébio; Nartanga era alto, magro, e trouxera de Bissau um ar esfomeado: foi chumbado no Centro de Medicina Desportiva.
Enquanto Eusébio se treinava, à espera que o movimento lento do seu processo encaixasse nas rodas dentadas das expectativas, Nartanga engordava. A natureza foi mais célere do que a justiça: Eusébio, ainda que já fosse Eusébio, só marcou finalmente golos pelo Benfica nessa noite de Maio em que chovia; Nartanga, nas reservas, marcava golos na Azinhaga dos Alfinetes, ao Oriental, em Alvalade, ao Sporting, na serra, ao Guarda. Muitos golos.
Havia quem escrevesse: Eusébio e Nartanga! E ambos, juntos, sorriso cúmplice de um brilho adivinhando. Havia quem fotografasse: Nartanga e Eusébio. Com legenda: «As pérolas ultramarinas do Benfica».
Depois, na fotografia da vida, Eusébio ficou sozinho. Na memória de Nartanga, apenas a maçaneta de uma porta pela qual não chegou a entrar.

Sangue de Eusébio
MAS houve outro, e dele falo hoje também, este talvez ainda mais Eusébio, porque o sangue era o mesmo. Gilberto. Irmão de Eusébio. Aquele que também ficou ligado ao Futebol. Em Portugal a Imprensa não tardou a chamar-lhe «Eusébio n.º2».
Em Moçambique, na Mafalala, jogava n'«Os Brasileiros», a mesma equipa de pé descalço de Eusébio seu irmão. Um dia Eusébio foi de férias a Moçambique. Já era Eusébio de corpo inteiro. E trouxe consigo Gilberto. Eusébio e Gilberto; Gilberto e Eusébio: as comparações rebentaram por toda a parte. Gilberto mais cerebral do que Eusébio, talhado para outras funções, mais distribuidor de jogo, mais organizador, mais lento, menos rematador, menos possante. Gilberto tinha apenas 15 anos. «Jeito ele tem, mas é cedo para se saber o que dá!», ia Eusébio acalmando os entusiasmos.
Gilberto da Silva Ferreira: em Lourenço Marques, tinha a alcunha de Juju. No dia 9 de Agosto de 1963, no Estádio da Luz, «A Bola» fotografa Eusébio a entregar a camisola do Benfica ao irmão: «Veste-a e honra-a!... Não chega ter habilidade», vai alertando Eusébio. «Ele é muito novo. E se mesmo alguns jogadores já feitos não consenguem triunfar na Metrópole, onde tudo é diferente, que fará ele, que nem jogador é ainda? Gostava imenso que ele se transformasse num grande jogador, que pudesse atingir as mesmas coisas que eu já atingi, porque é muito bom rapazinho e um bom irmão». Gilberto dizia: «Sei marcar golos, lá em Moçambique marcava muitos, mas não quero ser avançado, quero ser médio...». Gilberto da Silva Ferreira não vingou.
Era Silva Ferreira mas não era Eusébio. Não foi capaz sequer de medrar à sombra gigantesca do irmão. Porque não basta querer ser Eusébio. Não basta sequer repartir com ele o sangue e a mãe. Eusébio é Eusébio e ponto final."

Afonso de Melo, in O Benfica