Últimas indefectivações

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Porto mingua, Benfica cresce

"É a última tendência, sobretudo na Europa. Zenit e APOEL face a Basileia... dá ferrugem/tristeza 'versus' ritmo/convicção


TRISTE, enferrujado e nervoso FC Porto. Mantém-se na corrida à fase seguinte da Liga dos Campeões, mas muito aumentam as rugas de preocupação: empate, em casa, perante o APOEL de Chipre, de seguida a contundente derrota na Rússia. E o nível de exibição limitou-se a passar de péssimo para medíocre.

O campeão de Chipre, líder do grupo, é mesmo surpresa. Mas, caramba, o FC Porto só assim, como anda, em rodas baixas, não consegue ganhar-lhe - e até consente que a disputa da vitória se faça taco-a-taco em quase todo o tempo. Na primeira parte, chegou a ser aflitivo, apesar de cedo ter surgido o golo de Hulk com ajuda do guarda-redes. Ivan Jovanovic tem de ser muito bom treinador para conseguir tão sólidas organização e convicção - as frequentes saídas para ataque cipriota chegaram a ser espectaculares - numa equipa sem estrelas (Ailton, brasileiro, ponta-de-lança, tem muito para vir a sê-lo), onde entram Manduca (ex-V- Setúbal e ex-Benfica) e Kaká (ex-SC Braga) e cujo meio-campo é manobrado por Hélio Pinto e Nuno Morais, dois portugueses sem lugar no nosso futebol...


BENFICA: em Basileia confirmou nível de rendimento anos luz à frente do fraquíssimo Benfica dos primeiros meses da época passada (e da tão penosa ponta final...); este Benfica é mesmo potencialmente superior ao da penúltima temporada, campeão nacional. Potencialmente... - o que significa ainda lhe faltar (múltiplas) prova dos 9, ao longo da maratona até à meta final de Maio.

Jorge Jesus disse, na pré-época, não ter agora melhor onze-base do que o de há dois anos. Percebeu-se: sentia faltarem-lhe o então fantástico Di Maria (que poder de explosão em drible e velocidade nos contra-ataques!), o melhor Saviola que Portugal viu e já quase esqueceu, o superconsistente médio todo-o-terreno Ramires, David Luiz no auge de ganas para atingir galarim internacional e Fábio Coentrão que, com enorme mérito de Jorge Jesus, iniciava fulgurante transfiguração de mentalidades (acima de tudo, isso!) e de extremo talvez um dia bonzinho para defesa-esquerdo de mão cheia.

Só que, depois dessa afirmação de Jorge Jesus, chegaram Witsel e Garay, muito fazendo crescer a capacidade do meio-campo e do centro da defesa. Mais: Gaitán, não equivalente a Di Maria, tem confirmado consistente evolução competitiva do seu talento (até como extremo, para minha surpresa, pois sempre lhe vi superiores qualidades para se impor na zona central, como médio ofensivo, ou mais perto do ponta-de-lança), Nolito entrou a todo o gás e Bruno César, gradualmente, à medida que progride em condição física e ritmo, vai mostrando muito bom nível técnico, inclusive no remate.

Comparando idênticos períodos da temporada, este Benfica está melhor do que o de há dois anos. Poderá parecer que não, no campeonato, face à fulgurância daquele arranque para o título; mas os adversários desse Benfica foram apanhados de surpresa, e, para além disso, estavam débeis, mormente o FC Porto. Mas é sobretudo à escala europeia (e agora na Champions, em vez da Liga Europa...) que tem sido evidente o crescimento benfiquista, em maturidade e... consistência táctica. A grande diferença está no meio-campo. Javi Garcia tem agora dois anos de rodagem; e há a novidade Witsel, cujas capacidades e características trouxeram pujança à linha média (bem superiores ritmo e segurança nos desdobramentos ataque-defesa) e versatilidade nas opções táctico-estratégicas. O Benfica de há dois anos era trepidante, amiúde até fulgurante, na ofensiva, mas o actual fez desaparecer as então notórias debilidades na transição defensiva. Foi-se a sofreguidão de dar espectáculo, chegaram bem maior solidez, muito mais equilíbrio; logo, superior capacidade competitiva.

Finalmente, e sempre face ao último Benfica campeão, o actual plantel tem muito melhor naipe de alternativas no banco de suplentes. Atenção, porém: isso é indiscutível na força atacante; mas há debilidades nas opções: qualitativas, para o sector defensivo, e numéricas, para o meio-campo."


Santos Neves, in A Bola

Javi Poves

"Numa semana de futebol europeu, com o Benfica forte, escrevo sobre Javi Poves, até há pouco um jogador (defesa) do Gijón da 1.ª Liga de Espanha. Que, em Agosto, decidiu deixar o futebol.

Ao longo da sua carreira várias vezes quebrou a norma. Recusou a oferta de um carro pelo seu clube, ao contrário dos colegas. Fez várias declarações, umas vezes de revolta sobre «o dinheiro e corrupção no futebol», outras de uma rebeldia utópica e até inconsequente.

Javi Poves decidiu virar missionário: «Quero ajudar quem mais precisa. No futebol não era feliz. Andava iludido. Agora quero ser últil ao mundo, ajudar o próximo. No Senegal vou voltar a sentir valores perdidos como a amizade, solidariedade ou companheirismo. Numa palavra, vou tornar-me mais humano».

Um caso que tem tanto de invulgar, como de respeitável.Perante um mundo desigual e injusto, o atleta sentiu o desassossego das incongruências que alimentam o futebol de elite.

As suas palavras e atitude têm tanto de romantismo ingénuo e sonhador, como de mal-estar perante uma actividade que se alimenta intensamente do fascínio efémero, da aparência falsa e demolidora e da busca vertiginosa do sucesso a qualquer preço.

Onde a linha de separação entre êxito e fracasso é perigosamente imperceptível. Quantas vezes, à euforia do sucesso, se seguem o drama da solidão e do esquecimento, num palco pouco ético e pejado de predadores?

Erich Fromm escreveu um dia: «A partir do momento em que o homem se sente não só como o vendedor mas também como o bem a ser vendido no mercado, a sua estima própria depende de condições que vão além do seu próprio controlo. Se ele é bem sucedido, tem valor; se não é, é inútil».

Será que Javi Poves o leu?"


Bagão Félix, in A Bola

Ferguson da Luz

"A memória dos adeptos é curta. Quando Jesus chegou ao Benfica, o clube estava de rastos: tinha ficado em 3.º lugar no campeonato e não passara da 5.ª eliminatória da Taça de Portugal e da fase de grupos da Taça UEFA.

Jesus operou o milagre de não só ganhar logo o campeonato, mas praticar um futebol como há muitos anos não se via na Luz. E na “horrível” época passada, conseguiu o 2.º lugar no campeonato, ganhou a Taça da Liga, e chegou às meias-finais da Taça de Portugal e da Liga Europa. Mas não foi assim tão mau...

Jesus iniciou no Benfica um ciclo novo: implantou um padrão de jogo, deu um estilo ao futebol encarnado e projetou o plantel, valorizando jogadores que já renderam (ou vão render) muitos milhões ao clube: Di María, David Luiz, Coentrão, Gaitán, Emerson.

Por tudo isto, o Benfica devia começar a pensar fazer de Jesus uma espécie de Ferguson da Luz. Um treinador da velha guarda, que não aderiu a modas de circunstância, que conhece muito bem os meandros do futebol, que tem pulso de ferro e garante boas exibições, mesmo quando não ganha.

Com Jesus, o Benfica valerá sempre mais – como acontece com o Manchester United de Ferguson.

Jesus devolveu a esperança aos benfiquistas, sendo em muitos anos o único treinador que o conseguiu. E o clube tem de agarrar isso com ambas as mãos, iniciando um ciclo novo que faça esquecer os tempos Jupp Heynckes, Camacho, Toni e companhia.

Se Jesus saísse, o Benfica voltaria à estaca zero, à instabilidade interna, à descrença, aos tempos em que a equipa passava um jogo inteiro sem criar uma oportunidade de golo. Seria inglório se isto acontecesse."


Zangas e arrelias

"Jorge Jesus tem razões para estar arreliado com Emerson. Não só foi o menos concentrado dos jogadores da linha defensiva como chegou a dar mostras de alguma displicência. Falhou um golo obrigatório. E, embora lhe tenha calhado em sorte o melhor jogador do Basileia (Shaqiri), o lance que vale o segundo amarelo ao brasileiro é digno de um tenrinho. Ou seja, com a retribuição à porta e a hipótese (invulgar) de conseguir de imediato o apuramento, passeando e gerindo as duas últimas partidas, Jesus tem motivos para estar zangado consigo mesmo, por se comprovar agora que daria algum jeito que um homem como Capdevila pudesse ser opção. Ainda assim, talvez haja uma saída chamada Luís Martins. É uma aventura, um risco? Que seja. Pode acontecer que o jovem português vista uma daquelas personalidades que se agigantam perante os grandes desafios. Com exceção desse pormenor, Jorge Jesus não pode zangar-se com mais ninguém: do inultrapassável Artur ao eficaz Cardoso, tudo resultou com precisão. Com sofrimento, mas também com espetáculo.

Amuados, ao que consta, ficaram os dirigentes do Sporting, com a súbita transferência do Portugal-Bósnia para o Estádio da Luz, depois de “vistorias” e documentos trocados. Alguma razão lhes assiste, sobretudo se for possível confirmar que foram os últimos a saber. Mas, ao mesmo tempo, não podem deixar de reconhecer que a diferença da lotação e que as próprias características do recinto são argumentos insofismáveis a favor da mudança. Pode dar-se o caso de ser a receita de despedida (cruzes, canhoto!) deste Europeu, o que significa que a Federação Portuguesa de Futebol já encara o minorar dos “estragos” resultantes de uma ausência da fase final. E, em matéria de apoio, todos não serão demais – se puderem ser 65 mil, deve perder-se a oportunidade?

Furiosos, vociferantes, andam alguns dos peões de brega do FC Porto para o combate mediático. Tudo por causa do Ministério Público (MP) e da conclusão a que este chegou relativamente ao comportamento de cinco jogadores portistas no túnel no Estádio da Luz. Nem Pinto da Costa se aventurou a tão iradas tiradas – limitou-se a regressar à sua pueril ironia e a comparar o incomparável (Scolari, claro). Os outros não: da palhaçada à conspiração (além dos limites da demagogia ao acusar o MP de perseguir atletas do clube por ter falhado o presidente), sucederam-se as acusações. Todas alinhadas por um nível que envergonha quem o assume e que só se entende por um bizarro nervosismo. Há remédios eficazes. E não me parece que as espumantes figuras dependam de taxas moderadoras. De resto, à falta de melhor, moderar deveria ser um dos verbos a tomar, já. Mesmo em automedicação – é por uma boa causa."


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tour auf Basel





Esta Selecção

"O adversário do sorteio do play-off para o Euro 2012 é satisfatório: a Bósnia-Herzegovina. Partindo do principio que, em circunstâncias normais, ultrapassaremos este último (e escusado) obstáculo, a verdadeira questão da nossa Selecção será posta à prova no próximo Verão.

Para tal é necessário perceber - sem nacionalismo bacocos - que o conjunto dos prováveis seleccionados está visivelmente abaixo da média das últimas competições. Por exemplo, comparando 2004 em 2012, deixámos de ter Rui Costa, Figo, Simão, Pauleta, Fernando Couto, Ricardo Carvalho, Nuno Gomes. Hoje, para além de Cristiano Ronaldo (apesar da palidez do desempenho na Selecção), Nani e Coentrão, os restantes jogadores são de boa cepa, é certo, mas não fazem a diferença nem desequilibram.

Deixámos de ter pontas-de-lança letais, a defesa está uns furos abaixo das de anos anteriores (cenário agravado pela inusitada atitude de Ricardo Carvalho) e não temos um guarda-redes de excepção.

No fundo, estamos a pagar a factura do estrangeirismo quase totalizante dos nossos principais clubes.

Por outro lado, mais de metade dos convocados não é titular nos seus clubes ou foram até dispensados. O expediente pseudo português brasileiro não foi um bom caminho. Não se percebe como há jogadores que ficam de fora (Bosingwa é o mais flagrante exemplo). E o swing convocatório não é um bom método. O sai-e-entra não favorece a estabilidade. Por exemplo, por que razão foi Quim convocado antes do início da temporada depois de um ano parado e, agora que joga, foi desconvocado?

E melhor será que Paulo Bento não fale sempre com um ar abespinhado ou amuado! E que se deixe de falar de Mourinho sempre que Portugal perde um jogo!"


Bagão Félix, in A Bola

Semana de risco

"Porque será que o matutino generalista mais lido pelos portugueses é um quotidiano que se ocupa preferencialmente, para não dizer exclusivamente, ou quase, de futebol (muito futebol e, sobretudo, muito de um só clube), de crónica negra e de crónica rosa e que chama à primeira página, com títulos sensacionalistas e nem sempre fidedignos, notícias de interesse mais do que discutível? Porque será que um jornal assim merece a primazia de tanta gente? Eu digo qual é a razão, para mim a única: é porque o índice de cultura, de literacia, de exigência moral e de esclarecimento da realidade política, económica e social do país é ainda assustadoramente baixo. Com esta carência de qualificação humana, como será possível invertermos o rumo da crise em que estamos profundamente atolados?

Para a Liga dos Campeões, o Benfica joga hoje em Basileia e o FC Porto recebe amanhã o Apoel, que são tão-só os primeiros classificados dos respectivos grupos! Quem diria? Quando se realizou o sorteio, todos pensaram e alegaram que tanto o Basileia como o Apoel seriam as equipas a descartar e que o perigo viria, para um, do Manchester United e, para o outro, do Zenit e Shakhtar. A verdade, porém, é que, decorridas duas jornadas, suíços e cipriotas comandam as classificações. É um sintoma de que alguma coisa está a mudar no futebol europeu e de que hoje a música é outra. O Trabzonspor é outro caso. Reparem: o Basileia foi empatar a Old Trafford, consentido a igualdade mesmo ao cair do pano e o Apoel depois de bater o Zenit também foi empatar ao campo do Shakhtar. Que mais será preciso para se perceber que também eles estão na luta por um lugar nos oitavos e que os dois jogos que aí vêm serão decisivos para o futuro europeu do Benfica e do FC Porto?"


Manuel Martins de Sá, in A Bola

Língua e golos

"Em cada português há um perito de futebol e um linguista do futebolês. Por exemplo, ao contrário da maior parte dos cidadões que não gostam de futebol, todos já sabemos que Kiev se diz, na Ucrânia, Kiiv, que Witsel se lê Uitsél, na Bélgica, e que o Benfica tem um goleador chamado Cárdosso, que é, pelos vistos, bem melhor que Franco Rará.

Enquanto nos orgulhamos de dizer Rámes Rodrigués e de aprender em apenas dia e meio a dizer, sem gaguejar, Gençlerbirligi - os turcos que há uns anos jogaram com o Sporting -, nem reparamos que na língua somos de facto dos maiores craques de todo o Mundo. Olhamos para Falcao e conseguimos dizer Falcáu mas se fosse preciso diríamos Falcão. Num campeonato mundial da oralidade seríamos sempre candidatos ao título, tal a facilidade com que vamos a cada um dos sons.

Não será só por uma predisposição de alma que somos povo de dar mundos ao Mundo. E que os nossos melhores brilham em quase todo o lado. Com a crise de golos que aí anda vale a pena começarmos a olhar para um miúdo que vai conquistando o seu lugar na liga inglesa. É o número 9 do Fulham e o nome é fácil de dizer, até para um inglês: Orlando Sá.

Poucos se lembram como se diz goleador em português. Há que estar atento aos valores.

..."

Nuno Perestrelo, in A Bola

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Benfica, golos, azares e pastilhas !!!

Basileia 0 - 2 Benfica


Aqui está o Benfica 2011-2012, ganhador, pragmático, controlando o jogo, sem tantas correrias loucas como no passado recente, mas com espírito vencedor, com todos os jogadores sacrificando-se em prol da equipa...

Hoje, irritei-me com algumas oportunidades falhadas (Gaitán, Aimar, Emerson), os Suíços demonstravam que num contra-ataque, ou numa bola parada podiam criar perigo, mas felizmente os golos apareceram naturalmente, e a nossa defesa soube fechar a baliza, com mais uma vez Artur a transmitir tranquilidade e segurança...

Inesperadamente, com o resultado feito, uma série de acontecimentos infelizes manchou o final do jogo: aparentemente fadiga muscular no Gaitán, que foi obrigado a terminar o jogo, já não havia substituições; Maxi obrigado a sair com lesão aparentemente grave; Emerson expulso com mais um mergulho do Shaquiri (algo constante durante todo o jogo!!!); Expulsão do Jesus, após reacção 'energética' a uma falta sobre o Bruno César!!! Foram 15 minutos totalmente dispensáveis...!!!

Arbitragem típica: 'matou' vários contra-ataques ao Benfica, principalmente no fim da partida, em sentido contrário 'ofereceu' vários ataques aos Suíços, após faltas não assinaladas!!!

Destaco a estreia internacional do Rodrigo, o faro pelo golo do Bruno, a consistência das duas duplas centrais (Luisão/Garay e Javi/Witsel), o cool Artur, e a pastilha do Cardozo!!! Sim, quando vi o Óscar mascar a pastilha, durante a preparação do 'livre', provavelmente da marca Gorila, tive um feeling, que ia sair bomba!!!

Uma, duas, três!

"Sábado, 3 de Setembro de 2011, Portimão: vencendo o campeão nacional (Sporting), o Benfica conquistou a Supertaça de Futsal, primeiro troféu oficial da época, vingando a final do último Campeonato.

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011, Lisboa: vencendo o campeão nacional (Fonte Bastardo), o Benfica conquistou a Supertaça de Voleibol, primeiro troféu oficial da época, vingando a final do último Campeonato.

Domingo, 9 de Outubro de 2011, Vagos: vencendo o campeão nacional (FC Porto), o Benfica conquistou o Troféu António Pratas de Basquetebol, primeira prova oficial em que participou na nova época, vingando a final do último Campeonato.

Em três troféus oficiais disputados pelas modalidades de Pavilhão, o Benfica fez o pleno, erguendo as três Taças, todas elas frente aos respectivos campeões nacionais - que o haviam derrotado, meses antes, em dramáticas finais de play-off. Em poucas semanas, o nosso ecletismo deu três tiros na fatilidade, juntando-se ao Futebol no alimento a uma fé renovada, capaz de devolver os benfiquistas à glória.


Vitórias e mais vitórias

Para além destes saborosos triunfos (dois dos quais obtidos nas barbas dos rivais de sempre), diga-se, ainda, que o Benfica leva já um balanço de 18 vitórias e 2 empates, em 21 jogos disputados pelas várias modalidades, e não fosse uma inoportuna derrota caseira do Andebol diante so Madeira SAD, poderíamos estar aqui a falar de uma invencibilidade absoluta (extensiva, aliás, ao Futebol), e da consequente liderança de todos os campeonatos em curso. E seria injusto não deixar também uma palavra às meninas do Râguebi, que já consquistaram a sua Supertaça, e não irão, certamente, ficar por aqui.

Esta entrada de rompante do ecletismo 'encarnado' repõe alguma justiça face aos infortúnios da temporada passada. À semelhança do que ocorreu no Futebol (onde derrotas extraordinariamente dolorosos nos puseram fora da Taça de Portugal e da Liga Europa, depois da arbitragens grotescas nos terem afastado precocemente da luta pelo título), também as nossas modalidades sofreram os efeitos de um trimestre maldito (Abril, Maio e Junho) - que, qual vírus devastador, ceifou sonhos e ambições, e derrotou aquelas que, nalguns casos, eram claramente as melhores equipas do panorama nacional nas respectivas modalidades. Recordemos, por exemplo, a forma inglória como o nosso Voleibol viu fugir-lhe o título nacional (depois de 30 vitórias em 32 jogos das duas fases regulares); lembremos como o Hóquei em Patins (vítima de circunstâncias alheias, como o 'Candelária-gate') terminou o Campeonato com o mesmo número de pontos do injusto vencedor; ou como o Futsal, tendo concluído uma Fase Regular invicta, acabou caindo aos pés do rival Sporting, numa final do play-off que incluiu derrotas por penalties, golos sofridos nos últimos segundos, arbitragens tendenciosas, e todas as infelicidades possíveis de imaginar.


Modalidades em alta

Como aqui disse a propósito do Futebol, também a temporada de 2010/11 das modalidades não foi, de modo algum, desastrosa, mas antes, profundamente infeliz. Provam-no os quatro segundos lugares alcançados (só o Andebol destoou), os vários troféus conquistados (Supertaça e CERS no Hóquei em Patins, Supertaça e Taça da Liga no Basquetebol, Taça e Supertaça no Andebol, e Taça no Voleibol), e, sobretudo, as já aludidas circunstâncias em que vimos fugir os principais títulos.

Os primeiros sinais de 20011/12 revigoram-nos a esperança de que, ao mérito desportivo já demonstrado na época anterior, se poderá juntar a conquista dos vários campeonatos - onde, sem excepção, integramos o restrito lote de favoritos. O azar não pode durar sempre, e, como diz o ditado popular, 'depois da tempestade chega a bonança'.

Para já, ao abatermos, um por um, os nossos últimos verdugos, mostrámos que em cada um destes tabuleiros de competição, estamos ainda mais fortes e mais aptos a triunfar. Mostrámos, também, que os resultados da última época não passaram, na maioria dos casos, de meros e conjunturais acidentes, e que é na Luz que moram as melhores e mais equilibradas equipas da actualidade, falemos nós de Voleibol, falemos nós de Futsal, ou mesmo de Basquetebol.

À imagem do Futebol, as nossas principais modalidades andam, neste começo de época, a roçar a perfeição. Há muito que lutar, há muito para vencer, mas, com um início destes, não há como contornar o mais vivo optimismo e o mais prometedor entusiasmo."


Luís Fialho, in O Benfica

Temos Taça

"Parece maldição, mas se para Jorge Jesus a Taça de Portugal é uma prova com um significado muito especial, a verdade é que é precisamente nela que o Benfica tem sido menos feliz ultimamente.

No ano do título (2009/10), a única derrota caseira de toda a temporada originou a eliminação prematura aos pés do V. Guimarães. Na época passada, ninguém se esquece da forma terrível como fomos afastados pelo FC Porto, desperdiçando na Luz a vantagem que tanto havia custado a construir no Dragão.

Se recuarmos mais no tempo, veremos que em 2008/09 fomos eliminados em Matosinhos, no desempate por penalties, após uma das tradicionais arbitragens de Olegário Benquerença em nosso desfavor; e na época imediatamente anterior havíamos perdido, de forma não menos dramáticos, nas meias-finais (então a uma só mão), em Alvalade, depois de chegarmos a meio da segunda parte a vencer, por 0-2, sofrendo - então - cinco golos em cerca de vinte minutos.

Seria preciso recuar sete anos para encontrarmos o último triunfo, após o qual uma final perdida diante do V. Setúbal (na ressaca das comemorações do título 2004/05), outra eliminação em casa, outra vez com o V. Guimarães, e uma triste derrota na Póvoa do Varzim, completam um quadro de infelicidade, e, nalguns casos, também de sobranceira e facilitismo, que tem tido custos elevados para o nosso Palmarés, na mesma medida em que tem enriquecido substancialmente o dos rivais.

Nos últimos quinze anos apenas conquistámos uma Taça de Portugal, enquanto o FC Porto venceu oito e o Sporting três. Trata-se, pois, de uma competição em que o Benfica está em dívida perante os seus adeptos, sobretudo sabendo-se que é ela que encerra a temporada, e permite ao respectivo vencedor ir para férias em festa.

Hoje começa nova edição. O sorteio pôs-nos o Portimonenese por diante, o que não sendo propriamente de lamentar, também não é para grandes sorrisos - até por paralelismo com a sorte dos principais rivais, que, esses sim, parecem ter e eliminatória praticamente garantida."


Luís Fialho, in O Benfica

Bastidores

"1. Continuam animados os bastidores da luta eleitoral para os órgãos dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol. A lista de Fernando Gomes tem sido, para mim, uma surpresa agradável, juntando nomes respeitados e acima de qualquer suspeita de favorecimento a este ou aquele clube. Claro que isso não agrada a Lourenço Pinto, ponta-de-lança do presidente do FC Porto, nem a algumas outras associações regionais, que se sentem a perder protagonismo. Mas a grande questão que agora se coloca é a da arbitragem - era inevitável - e todas as manobras de algumas Associações (já não são todas...) visam isso mesmo. Curiosamente, numa das notícias sobre essas movimentações, salientava-se o facto de há já 15 anos o Conselho Arbitragem não ser liderado por alguém do Porto. Face ao triste passado e a alguns daqueles que agora se movimentam (a começar por Lourenço Pinto, que até foi um dos presidentes dos anos mais negros... ou azuis!), será bom que esse 'período de nojo' se mantenha. A arbitragem precisa de ser liderada por alguém acima de qualquer suspeita. E toda a gente tem fortes razões para suspeitar de quem seja apoiado pelos 'Pintos' do nosso Futebol...


2. Bonita a homenagem feita ao sócio n.º1, José Gonzalez Oliveira, no dia do seu 100.º aniversário, com a presença do presidente, Luís Filipe Vieira, no lar onde reside, em Torres Vedras, e bem simbólico o pequeno filme da cerimónia a passar nos painéis do nosso Estádio (aquando do jogo com o Paços de Ferreira), com o público a cantar o 'Parabéns a Você'. Não conheço o nosso mais antigo associado, mas tive o prazer de ser companheiro de equipa do filho, Mário Gonzalez Oliveira, que foi atleta internacional do Benfica (100 e 200m). E o neto foi também promissor atleta do Clube, embora tenha abandonado cedo. Uma família de ilustres benfiquistas...


3. As nossas modalidades continuam em alta. Depois de vitórias nas Supertaças de Futsal e Hóquei em Patins, foi a vez do Voleibol ganhar o troféu, desforrando-se da triste derrota da final do último Campeonato. E também foi bem saboroso, até pela forma como foi conquistado, o triunfo sobre o FC Porto na emocionante final do Troféu António Pratas em Basquetebol. Estamos a começar bem..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Futebol em tempo de crise...

"No próximo fim-de-semana regressa a Liga. E, para quem já não se lembra, FC Porto e Benfica lideram com 17 pontos e são perseguidos por SC Braga, Sporting e Marítimo, com 14. Na jornada que se segue, no que respeita ao topo, o Benfica vai a Aveiro, o FC Porto recebe o Nacional, o Gil Vicente viaja a Alvalade, o Feirense desloca-se a Braga e o Marítimo é anfitrião do V. Setúbal. Pois é. Com tanta diferença entre a sétima e a oitava jornada (um tempo exagerado, que corta o entusiasmo aos adeptos e o ritmo às equipas...), o melhor é mesmo fazer um ponto da situação e aguardar para perceber em que condição é que os clubes vão regressar.

Antes, há ainda uma ronda europeia, onde as hipóteses do quarteto luso continuam em aberto.

Mas - e esta é uma questão a rever - as próximas calendarizações (só temos 30 jornadas e não 38 como espanhóis ou ingleses!) deverão evitar estes cortes que retiram emoção à prova mais importante do nosso futebol.

E, sabendo-se que o IVA dos bilhetes para os jogos de futebol vai passar de 6 para 23 por cento, é fundamental tudo fazer para que os adeptos não desmobilizem.

Há uma filosofia que devia ser seguida e, na maior parte das vezes, não o é: mais vale ter 10 mil espectadores a pagar 10 euros do que 5 mil a pagar 20 euros. A receita directa é a mesma, mas a indirecta é muito maior se houver o dobro dos adeptos nos estádios.


FUTEBOL EM TEMPO DE CRISE

O futebol não vai resolver a crise em que o País se encontra mergulhado, não evitará os cortes nos subsídios de férias e Natal e não deve ser usado, sequer, para desviar atenções. Aliás, Portugal só sairá do buraco se os portugueses se unirem e em vez de pensarem o que Portugal pode fazer por eles, pensarem antes no que podem fazer por Portugal (JFK...).

Mas ao futebol, quer nos clubes, quer na Selecção Nacional, cabe um papel importante nesta conjuntura preocupante. O futebol pode e deve ser fonte de prazer, um espectáculo que motive e nos ajude, especialmente quando estamos nos palcos internacionais, a aumentar a auto-estima colectiva.

Esta é a contribuição possível e não é de somenos, pode ser uma suave panaceia que nos permita viver, de forma menos agreste, o dia-a-dia.

Bombardeados com notícias deprimentes do ponto de vista económico, fartos de ver a opinião pública a ser influenciada por teses catastrofistas, sem paciência para ver a escutar politólogos e quejandos que só sabem ver o copo meio vazio, o desporto - e neste caso específico o futebol - pode ajudar-nos a dar um pontapé no baixo astral, de maneira a encararmos a dura realidade com mais e melhor ânimo. O futebol não pode servir para nele escondermos a cabeça, qual avestruz, abstraindo-nos da realidade. Mas pode e deve ajudar-nos, fornecendo-nos ânimo para darmos a volta por cima.




'O FC Porto tem uma posição bem clara, não vai tomar parte em lutas eleitorais (na FPF) e vetará e votará contra qualquer político que venha a ser candidato seja ele qual for!'


PC é para levar sempre muito a sério, não é?

Está dito, está dito. O que é verdade hoje não vai ser mentira amanhã. O presidente do FC Porto assumiu um compromisso que irá resistir, seguramente, às cambalhotas da vida. Aliás, as eleições para a FPF, já têm slogan: «Assim se vê a coerência do PC». E até à entrega das listas não vão faltar surpresas, algumas inimagináveis, até para guionistas de Hollywood...


(...)"


José Manuel Delgado, in A Bola

Nova realidade

"Não é uma, não são duas, não são três. São muitas vezes. A pergunta é recorrente, vejo-me confrontado com ela amiudadas vezes e nas mais diferentes paragens. 'Por que é que o Benfica não tem mais jogadores portugueses?'. O povo vermelho recorda com saudade a longa época em que as míticas camisolas berrante só eram vestidas por futebolistas nacionais. Ademais, o povo vermelho recorda com saudade esses que foram tempos de pujança, de hegemonia, de glória.

Mas, afinal, por que é que o Benfica não tem mais jogadores portugueses? Tão-só porque a realidade é outra. No Futebol, como noutros segmentos da vida. Acaso seria possível, na paisagem da actualidade, reeditar velhos tempos por mais empolgantes que tenham sido?

E será que qualquer jogador português encaixaria no quadro profissional do Benfica? Cristiano Ronaldo, Nani, outros mais, não podem estar nas cogitações financeiras ou emocionais do Clube. Da mesma forma que resgastar Fábio Coentrão, por exemplo, não passa de um exercício de ficção.

A realidade mudou. Mudou de forma inexorável. E não apenas no atinente do nosso Benfica. Quantos espanhóis tem o Real Madrid? Quantos italianos tem o Inter Milão? Quantos ingleses tem o Arsenal? Até clubes com recursos económicos incomensuravelmente superiores ao Benfica tiveram que se adaptar aos novos tempos no universo da bola.

Há muitos estrangeiros no Benfica? Há, na verdade. Mas o Benfica não está descaracterizado. Estrangeiros são os outros, não são os nossos. E mais: importam as nacionalidades quanto importam mais ainda as vitórias e a sanidade financeira? O Benfica até pode falar uma grande amálgama de línguas, tem sempre é que falar a língua do sucesso."


João Malheiro, in O Benfica

A arte na ciência

"A expressão não fez parangonas, não deu para grandes comentários, nem deu azo a que os pasquineiros tentassem criar uma crise artificial no seio do Benfica. A expressão era simples, Jorge Jesus disse que Aimar tinha a capacidade de transformar, no futebol, a ciência em arte.

Esta capacidade referida por Jorge Jesus vai ao encontro da ideia do professor Manuel Sérgio de que não há ciência sem imaginação. Ou seja, para que a sublimação se verifique é necessário esse arrojo de transformar os postulados científicos em algo que os transcenda: em arte. Interpretar dinamicamente os conceitos e os princípios de jogo defendidos por um treinador não está ao alcance de qualquer futebolista. Acrescentar, com qualidade, a essa dinâmica a tal imaginação está apenas ao alcance dos predestinados.

Temos, ao longo dos anos e mesmo após a geração de Eusébio, tido a felicidade de ver com o nosso emblema alguns desses predestinados. Chalana acima de todos, porque era o mais desconcertante, o mais imprevisível, o que conseguia, pela técnica e velocidade de execução, desequilibrar o adversário, empolgar a sua equipa e maravilhar plateias. Conheço muitos que, não sendo benfiquistas, iam à Luz para apreciar a arte de Chalana.

Actualmente é Aimar quem melhor sublima o futebol no nosso Benfica. Estranhamente, não tem o perfil dos que costumam empolgar as plateias. Não corre desenfreadamente pelas alas, não finta sucessivamente adversários, não surge com aquela irreverência de quem rejeita amarras tácticas e cria arte como solista. Não, o futebol em Aimar é arte na medida em que tem a imaginação para obrigar a que todos os que o rodeiam joguem com mais arte do que a que pensavam ter. Ou seja, Aimar tem a arte de potenciar a arte nos companheiros de equipa. E isto é uma ciência que poucos têm."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Glorioso

"Agora que o Campeonato sofreu a primeira de muitas paragens que vão prejudicar o ritmo competitivo das equipas - o que é igual ao litro para quem resolve jogos fora das quatro linhas - é tempo de um primeiro balanço. E, para os benfiquistas, é significativo que o Benfica seja equipa que lidera mais itens no relatório acumulado das estatísticas oficiais da Liga relativas às primeiras sete jornadas. O Benfica está no topo das tabelas estatísticas, nomeadamente, as relativas a posse de bola no meio-campo do adversário, cruzamentos em bola corrida, cantos, remates à baliza, finalização (golos marcados) e rácio de golos por remates efectuados. Para além destes dados estatísticos, o Benfica tem dois entre os três melhores ex-aequo marcadores do campeonato - Cardozo e Nolito -e outros dois entre os dez melhores finalizadores - Bruno César e Saviola.

O Benfica é, também, das equipas com menos faltas cometidas e menos cartões e ninguém, no seu juízo, dirá que o Glorioso é, de algum modo, beneficiado pelas arbitragens. Muito pelo contrário. Estes dados configuram o futebol que o Benfica está a praticar: aberto, atacante, dominador, eficaz. E bonito de se ver.

E, para além do Futebol e demais modalidades, há outros dados que exibem a grandeza do Sport Lisboa e Benfica: o Clube não tem passivo bancário e a marca Benfica é uma das 30 mais valiosas do Futebol Europeu. E é também por dados assim que este é o Clube Glorioso.

A tempo - grande vitória do Benfica, treinado por Carlos Lisboa, no Troféu António Pratas. A perder por 11 pontos e com jogadores excluídos a dedo - Sérgio Ramos, Ted Scott, Heshimu -, o Benfica deu a volta e conquistou, com grande atitude, o seu primeiro troféu da época de Basquetebol."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Paragem inoportuna

"Tenho para mim que devia haver Futebol (do Campeonato) todos os fins-de-semana. Não se percebe esta paragem prolongada a meio de uma prova que exige regularidade. O Benfica, como temos vindo a testemunhar, está a fazer um primeiro terço de prova muito positivo. Pese embora o arranque titubeante em Barcelos, frente ao Gil Vicente, os jogos seguintes demonstraram que esta equipa 'encarnada' tem alma, magia, pragmatismo e, acima de tudo, espírito de sacrifício, predicados que lhe permitem acalentar os mais altos voos. Independentemente de muitos poderem julgar o contrário, bem sei que há sempre os casos dos jogadores lesionados, as equipas que estão a praticar um futebol medíocre e que aproveitam estas alturas para recuperar fôlego, energia, etc... etc... não concordo, nem gosto destas paragens. Tiram ritmo competitivo, esfriam as emoções, apagam muito de entusiasmo que se vive em volta desta poderosa industria que está sequiosa de espectáculo e receitas.
Espero que o Benfica não saia prejudicado destes dias pasmacentos, faço votos para que jogadores de forma, como os casos de Gaitán, Witsel, Javi, Luisão, Nolito e Cardozo, não percam os índices competitivos que têm vindo a apresentar e que a equipa não deixe de praticar o futebol bonito e objectivo com que nos tem prendado, quer na Liga nacional, quer na Liga dos Campeões.
Nota final para desejar sorte a mais um novo talento que acaba de chegar à Luz pelas mãos de um antigo jogador, digo, antigo excelente jogador, de seu nome Carlos Gamarra - quem não se lembra daquele paraguaio? - que raramente fazia uma falta e que sabia travar os adversários como poucos. Pois bem, Gamarra, que agora preside a um pequeno clube, trouxe para o Benfica Derlis González, mais uma pérola sul americana, oriunda do Paraguai. Embora só venha no início da próxima época e só atinja a maioridade a 23 de Março de 2012, Derlis já só pensa em mostrar serviço pelo Benfica."

Luís Lemos, in O Benfica

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Início do Campeonato...



Barreirense 62 - 83 Benfica

14-22, 21-18, 15-22, 12-21



Bom começo, num jogo sempre controlado...


PS: A Telma Monteiro, na etapa da Taça do Mundo do Abu Dhabi, lesionou-se na Meia-final, ficando assim impedida de lutar pelo Ouro... a Telma não queria desistir, mas não deu para continuar... os gritos de dor da Telma foram bem audíveis na televisão, todos esperamos uma recuperação rápida...





domingo, 16 de outubro de 2011

65/63

"Não são as medidas de nenhuma super modelo, nem tão pouco anos ou datas, é apenas a pontuação verificada na final do Troféu António Pratas. O Benfica venceu o FC Porto, por dois pontos, naquele que foi o primeiro grande jogo da temporada de 2011/2012 do Basquetebol português. Acabou por ser, também, a primeira grande vitória do ciclo de Carlos Lisboa enquanto treinador do Benfica. 'Um jogo de Basquetebol tem 40 minutos e faltavam ainda 12 quando perdíamos por 11 pontos. Rectificámos algumas coisas, mas tivemos uma coisa muito boa que foi o espírito dos jogadores, daqueles que jogaram, que não jogaram e os que fizeram faltas e foram para o banco. É este espírito que quero', afirmou o técnico e basquetebolista multicampeão de 'águia ao peito'.
Com Ben Reed lesionado e vários jogadores «tapados« por faltas, a equipa enfrentou dificuldades para bater o seu maior rival. Estou certo de que houve telespectadores e adeptos presentes no pavilhão que vaticinaram a derrota, pelo menos até se atingirem os derradeiros 10 minutos da partida. Mas o Desporto de alta competição não é só táctica e preparação física, o Desporto de alta competição é psicologia, inteligência e força emocional. É crer, é querer vencer. Nesse campo não deverá haver maior motivação do que ver Carlos Lisboa junto ao banco a incentivar os seus atletas. É o campeão dos campeões, um homem com um currículo invejável, uma figura ímpar do Desporto Nacional, um benfiquista que escreveu inúmeras páginas de glória da história do nosso Clube, é um líder que sabe levar os craques, os habituais e os novos, à vitória que se deseja. Sérgio Ramos disse, ao 'Todos Por Um', da Benfica TV, que era necessário agradecer aos benfiquistas que acompanharam o Basquetebol do Benfica a Vagos. Enquanto tivermos homens destes na nossa alta competição saberemos que estaremos bem entregues, bem representados tanto em casa como fora. Com eles, Benfica sempre!"

Ricardo Palacin, in O Benfica

O Convidado leva o champanhe

"Naquele início de Julho, havia tanta gente triste em Portugal, mas O Convidado não. Vi miúdos e homens feitos chorando de amargura sincera, e O Convidado ria. Gente deu de si o melhor; gente foi até ao fim do seu esforço possível; gente ultrapassou as fronteiras da alma para contrariar o destino. Gente séria; gente honesta; gente boa. O Convidado desprezou a crença de todos eles; O Convidado sujou a honra de todos eles; O Convidado foi o canalha que nenhum de nós precisa de ter a seu lado, e muito menos numa altura como aquela. Foram milhares. E milhares e milhares e milhares. Saíram para a rua com orgulho, apesar da derrota. Orgulho próprio de quem dá o que tem e vai até para além do que pensava ter para dar. O Convidado olhou a multidão com um sorriso escarninho, fechou a janela para não ouvir o ruído que subia dos passeios, e abriu o jornal na página da necrologia.

Depois riu-se sozinho da piada sem graça. Foi, de alguma forma, 'a dor azul de Portugal'. A dor de todos aqueles que souberam unir-se e ser felizes contra a maldição das desgraças. Que deitaram para trás das costas as lamentações e disseram não a tantos ais. E foram vogando a onda das vitórias até ao momento em que ela se desfez na praia da derrota. O Convidado, absorto na sua teia de aranha peçonhenta, esperou pelo momento das lágrimas para se rir à gargalhada. Alguns dos que choravam até eram seus conhecidos, seus subalternos. Pouco importou para O Convidado. Limpou a cera de um ouvido com a unha comprida do mindinho e abriu a garrafa de champanhe. O Convidado é assim: velhaco! A queda dos outros é o seu gáudio. Continuou a rir-se pela noite fora como um labrego à medida que as pessoas regressavam a casa, condoídas. O Convidado está de volta: convidaram-no. Resta saber se levou a garrafa de champanhe..."


Afonso de Melo, in O Benfica