Últimas indefectivações

domingo, 25 de setembro de 2011

O coro

"Minutos depois do jogo, percebi que o coro começou a funcionar: é uníssono e será o essencial das homilias das próximas semanas

1. Todos conhecemos, quer ao nível da arquitectura, quer ao nível da música, o que é o coro. Nas igrejas, é aquele espaço do altar-mor onde ficam os clérigos que cantam, em comum, os hinos religiosos. Em termos musicais, o coro é o canto simultâneo de muitas vozes. E sendo certo que, até ao aparecimento da polifonia, o coro cantava em uníssono. Muitos de nós já assistimos aos coros religiosos ou até já participámos em momentos musicais em que cantámos em uníssono. Na sexta-feira passada, assisti a um novo tipo de coro no final de um renhido Futebol Clube do Porto-Benfica. Logo após o apito derradeiro de Jorge Sousa, e naquelas que são designadas entrevistas rápidas, escutei, tão só, a apreciação dos intervenientes e, em particular, dos dois treinadores à boa primeira parte do Futebol Clube do Porto e à indiscutível capacidade do Benfica na segunda parte. E percebi, assim, que o domínio foi partilhado e que os dois treinadores, nesta matéria, estavam de acordo. Mas, alguns minutos depois, percebi que o coro começou a funcionar. Vítor Pereira, Fucile e Hulk atiraram-se ao árbitro, tendo todos visto o mesmo acto de Óscar Cardozo em relação a Fucile junto à linha lateral. Percebemos todos que Fucile, em criança, apanhou, tal como muitos de nós, algumas vezes, no traseiro. E sentiu ter necessidade de o expressar em voz alta, acompanhando alguns relatos da comunicação social que escutávamos a partir do Estádio do Dragão. O coro é uníssono. Diríamos que teocrático. Será parte integrante e essencial das homilias das próximas semanas. E, desta forma, está determinada, a partir das orientações do túnel do Dragão, a agenda comunicacional neste início de Outono. Que ajudará, como sempre nos últimos anos, na disputa pela ocupação dos lugares n futuro Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.

2. Também na passada sexta-feira, Sintra acolheu mais um aniversário da Associação de Futebol de Lisboa. Infelizmente, um fogo perturbante obrigou-me a marcar presença junto dos bombeiros e das forças de segurança que, com a competência a que já nos habituarem, combateram as chamas e garantiram total segurança às pessoas e à circulação rodoviária. Não tive nenhuma dúvida e não hesitei um segundo. Fiquei ali, em São Marcos, como era minha obrigação. Constatei, pelos relatos, que marcaram presença no jantar três anunciados pré-candidatos à Federação Portuguesa de Futebol. Como falta, ainda, um mês para a data limite da apresentação das candidaturas, vou aguardar, pelo resultado final, ou seja, aguardar pela capacidade que alguns desses pré-candidatos terão para alcançarem o número mínimo de assinaturas para uma efectiva candidatura. Mas sendo inequívoco que a eleição do Conselho de Arbitragem e do Conselho de Disciplina - entre outros - pelo método hondt vai proporcionar, porventura, uma multiplicação de listas e tais órgãos serão, no próximo mandato, quase que um verdadeiro parlamento. E é bom que o conjunto da comunidade do futebol discuta o modelo eleitoral e faça, antecipadamente, uma serena reflexão acerca da governabilidade próxima do futebol português. É que, com uma crise de tesouraria que se antecipa, uma incapacidade de governação é meio caminho andado para uma instabilidade orgânica. Algo que não se discute, nem se escuta, nestes jantares de aniversário, por mais extensos e reivindicativos que sejam os discursos neles proferidos. É que, também nesta sede, há coros que, de tão repetitivos, se tornam cansativos.

3. No espaço europeu, há uma nova disputa jurídica-desportiva que importa acompanhar com cuidado. Um tribunal suíço determina a reintegração imediata do Sion na Liga Europa. E a UEFA, obviamente, recusa aplicar tal decisão. A questão aqui é que a UEFA tem a sua sede em território suíço e algumas das facilidades que detém resultam de decisões jurídico-políticas desse Estado singular no conjunto da Europa. Singular, em termos políticos, com a sua neutralidade - bem importante noutras épocas - e singular, em termos financeiros, em razão da especificidade do seu sistema bancário. Mas, nesta sede, o mundo também é feito de mudança. Se a neutralidade suíça é hoje em dia irrelevante, o seu sistema bancário também sofre de duros revés. Se a crise chega às instâncias do futebol, seja à FIFA ou à UEFA, não há coro que lhes valha. Daí a importância de acompanhar a presença, no próxima dia 19 de Outubro, de Michel Platini junto do Procurador do Cantão de Vaud.

4. Na última jornada da Liga dos Campeões, o Real Madrid estreou uma nova camisola. A cor encarnada tem sido um êxito de vendas. Nos três dias seguintes ao jogo contra o Dínamo de Zagreb, o Real Madrid e a Adidas chegaram a vender uma camisola por minuto. Percebemos, assim, que, quer em Espanha, quer nesta aldeia global em que vivemos, deixou de haver fidelidade às cores. O que agora há é a fidelidade aos coros do momento.

5. Hoje, dará o tiro de partida para a Meia Maratona de Portugal um dos desportistas que é um dos exemplos da determinação pessoal por um objectivo. Oscar Pistorius, o sul-africano deficiente que conquistou, através de uma decisão do Tribunal Arbitral do Desporto, o direito de participar contra atletas normais, é uma das grandes referências deste arranque de milénio. Quando o vi correr, nos recentes Mundiais de atletismo de Daegu - onde conquistou, apesar de não ter corrido a final, a medalha de prata na estafeta 4x400m -, senti que há momentos da vida que importa desafinar. Ou seja, lutar contra os coros. E a luta de Oscar Pistorius foi uma luta imensa e politicamente incorrecta. Mas, sempre com a consciência tranquila de quem, desde os onze meses de idade, sabe o que é não ter pernas a partir dos joelhos. Está de parabéns Carlos Móia, e um Maratona em reformulação para crescer, por nos proporcionar, em Lisboa, um homem e um desportista que é uma referência para todos aqueles que acreditam, de verdade, que o desporto é um verdadeiro espaço de inclusão."

Fernando Seara, in A Bola

Mais um empate com sabor a vitória !!!




Sporting 4 - 4 Benfica



Não vi o jogo, mas como tivemos a perder por 0-2, 1-3 e 2-4, o empate acaba por ser um bom resultado...

Este campeonato parece ser mais desequilibrado que os anteriores, não sei quando vale o Operário, mas as outras equipas, que normalmente retiravam pontos ao Benfica e ao Sporting, estão mais fracas, assim os confrontos directos com os Lagartos são decisivos para decidir a posição na época regular... vai ser uma época longa, com poucos objectivos intermédios, temos que manter a concentração, e preparar um Paly-Off sem lesões. O Joel mesmo debilitado é fundamental, ainda por cima sem o César...

Perfeito !!!

5 jogos, 5 vitórias, é o resultado de um excelente fim-de-semana para a nossa formação, contra algumas das melhores escolas Europeias. Benfica Youth Cup, uma boa ideia, que merece repetição...



Benfica 2 - 1 Sevilha

Jorginho, Guimarães



Benfica 2 - 1 Ajax

Gilson, Gonçalo Guedes

Derrota...



Benfica 25 - 27 Madeira SAD



Só vi alguns momentos da segunda parte, quando vi a dupla Nicolau/Caçador com o apito na boca, pensei logo que seria muito difícil dar a volta!!! Hoje, parece que se esqueceram da lei do jogo passivo, entre outras das habituais habilidades...!!!

O Benfica parece que continua a manter a 'coerência' na irregularidade!!!

sábado, 24 de setembro de 2011

Juventude de parabéns !!!

No 1.º dia do Benfica Youth Cup, três jogos, três vitórias, para o Benfica, e os adversários demonstraram bastante valia:



Benfica 2 - 1 Barcelona

Hugo Santos, Pedro Rodrigues


Excelente jogo, contra um Barça que já joga num estilo parecido com a equipa principal!!! Podíamos ter 'matado' o jogo mais cedo, com vários contra-ataques perigosos, faltou 'calma'!!! Ainda tivemos um golo mal anulado ao Benfica, por fora-de-jogo inexistente... Destaco o Pedro Rodrigues, tanto a trinco, como a central, excelente jogador. O Diogo Gonçalves hoje não marcou, mas o talento não engana...



Benfica 3 - 2 Real Madrid

João Gomes, Romário, Monte


Este foi o adversário mais forte da tarde, o filho do Zidane é jogador!!! Mas a equipa do Benfica acreditou na vitória, e esta é provavelmente a nossa melhor equipa na formação Benfiquista, esta época...



Benfica 3 - 1 Fulham

Dino, Cancelo, Hélder Costa


Contra uma equipa tipicamente britânica, com força, velocidade, muito aguerrida, mas algo limitada tecnicamente, o Benfica podia ter resolvido o jogo mais cedo, assim só no último minuto chegou o golo da tranquilidade. Numa equipa com vários Juniores de primeiro ano, depois de um início de época desastrado, parece que a equipa está a evoluir, e a ganhar confiança...

Objectivamente (descarados)

"Basta um empate do FC Porto para que os críticos do costume saiam da toca a reclamar contra tudo e contra todos e até com... árbitros, imaginem!!!

O fanático comentador tripeiro, MS Tavares diz, num dos jornais em que é comentador, que o Benfica «embalado pela arbitragem de Duarte Gomes e pelas 'minudências' de três SUPOSTOS penalties de mão na bola contra o V. Guimarães, também apostaram mais nessa táctica do que em tentar ganhar o jogo pelas vias normais».

É preciso ter muito descaramento! O que é que este sujeito quer? Provocar. Provocar, claro, todos os adeptos do Futebol que têm o mínimo de racionalidade! Ele que não pense que são todos burros e que não sabem ver o que é um penálti num jogo de Futebol!

É claro que eu sei porque é que ele fala assim. Quem anda desde 1974 a servir-se das arbitragens para ganhar títulos atrás de títulos é normal que estranhe, por vezes, que haja um ou outro árbitro que marque um penálti contra os adversários do Benfica. Ele sabe que agora a elite dos Olegários, Sousas, Batistas e Xistras têm mais dificuldades em passar despercebidos que os Garridos, Pratas, Calheiros, Silvanos, Gímaros e Silvas dos gloriosos anos 70, 80 e 90!

E por isso reclama sem vergonha! Ele acha que não foram penalties os lances com o V. Guimarães? Tanta ignorância!

É que ainda ficou um por marcar contra o Vitória de Guimarães e não deve ter visto os minutos finais do jogo com o árbitro a empurrar os vimaranenses com uma série de faltas inexistentes, provavelmente para tentar agradar aos chefes!

Este MST é um provocador que não percebe rigorosamente nada de futebol. Ainda por cima deixam-no dar opiniões fanáticas e estapafúrdias em locais que deviam ser preservados... Nessas 'reservas naturais do Futebol' não deviam entrar certos bichos do mato porque não se dão com nada!!!"


João Diogo, in O Benfica

Obra de arte

"Eles já tinham ameaçado: Nicolás Gaitán, aos 13 e aos 16 minutos, com disparos de fora da área; Óscar Cardozo, aos 19 com um remate encaixado pelo guarda-redes adversário. Mas, aos 24 minutos juntaram-se para realizar uma verdadeira obra de arte, um hino à beleza dinâmica do Futebol.

Nico Gaitán recebeu a bola em cima da linha de meio-campo; Emerson conseguira fazer sobrar para ele de um despique junto à lateral com Fábio e Valencia; o argentino deu dois passos, ajeitando a bola em andamento, tirou Flectcher do caminho e cruzou, com o pé esquerdo, de trivela, para Óscar Cardozo. O paraguaio estava em posição frontal e bem perto da grande área do adversário, pelo que a bola cruzada por Gaitán terá percorrido uns 40 metros, até que Tacuara a parou no peito, de costas para a baliza e com dois adversários à ilharga. O francês Evra foi o primeiro a ficar fora da jogada, com a rotação de Cardozo, e Evans perdeu a oportunidade de chegar à bola, que o ponta-de-lança do Benfica protegeu no seu flanco direito. O defesa norte-irlandês ainda tentou pressionar Cardozo, cobrindo o lado da baliza mas perdeu em velocidade e o número 7 do Benfica atirou, com força, cruzado, a meia altura, de pé direito, às redes de Lindegaard. De nada valeu a estirada para o sítio certo do guarda-redes dinamarquês que, em diversas outras ocasiões, salvou a sua equipa.

Foi uma jogada admirável, um golo magnífico, que só uma comunicação social vesga e dominada pelo ciúme clubista e pela dependência em relação ao Sistema, não glorificou e elegeu como um monumento ao Futebol bem jogado, com arte, espectáculo e eficácia. Tenho décadas de memórias de bom Futebol não vou esquecer este golo."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Um Benfica europeu

"O resultado podia ter sido melhor e, caso tivesse sido, corresponderia à preponderância do Benfica frente ao Manchester United no início desta exigente Fase de Grupos. Porém, pode dizer-se que correspondeu ao equilíbrio entre duas grandes equipas europeias em fase de consolidação de forma e de afirmação plena nos planos nacional e internacional.

Vindo o Manchester moralizado por um fulgurante arranque de época, havia quem tivesse expectativas menos optimistas, que felizmente não se confirmaram. O Benfica mostrou estar à altura desta ou de qualquer outra equipa, por ter jogadores de grande nível, soluções tácticas eficazes e, acima de tudo, a convicção de que pode e deve vencer.

Houve, da parte do Benfica, uma intensidade atacante marcada pela criatividade e pela constância que teve na jogada de golo, envolvendo Gaitán e Cardozo, o seu momento cimeiro. E convém que se diga que foi uma jogada soberba, daquelas que são capazes de encher os olhos e o espírito do espectador mais exigente.

Mas houve, para além do relvado, um espectáculo sempre digno de registo e de congratulação de um estádio cheio a torcer pela equipa da casa, com alegria, confiança e força colectiva. É isso que faz do Futebol um poderoso espectáculo de massas que não tem paralelo. E foi bonito de ver, nunca noite quente de final de Verão, famílias inteiras e partilharem a festa, deixando de lado, momentaneamente, as angústias legítimas de um tempo marcado pela incerteza, pela austeridade e pelas dúvidas quanto ao que o futuro nos reserva em termos sociais e económicos. É sabido que o Futebol não está nem poderia estar, à margem dessa realidade inquietante, mas é também sabido que enquanto espaço de partilha e de paixão é gerador de emoções e de momentos de serena exaltação que podem ajudar a elevar o ânimo de quem sofre as dores deste tempo conturbado. Um Benfica vencedor sempre foi e será um antídoto contra o desânimo colectivo."


José Jorge Letria, in O Benfica

Claro que sim

"17 de Setembro, 9h 15, Estocolmo, Suécia. Dia de sorte, dia de feliz acaso, dia do imponderável encontro entre uma estrela de Futebol e o fã vulgar. Saía eu do meu quatro, minutos antes de descer ao piso térreo para fazer o check out no hotel onde estivera hospedado, quando dou de caras com um dos jogadores suecos do Sport Lisboa e Benfica. Pers Anders Andersson, 37 anos, natural de Tomelilla na Suécia, três épocas de 'águia ao peito', ali estava à espera do mesmo elevador que eu, ali tal e qual quando jogava pelo SLB, igualzinho. Ficou a saber que o Clube tem uma televisão quase com três anos de existência, fiquei a saber que vem a Portugal todos os anos, ficou a saber que o Clube está forte e a praticar um Futebol de encher o olho, fiquei a saber que sente falta do público e do relvado da Luz.

«Como dos o Mats (Mats Magnusson), quem joga no Benfica nunca mais esquece. Saudades?! Claro que sim?. Há dias assim, nunca antes tinha estado na Suécia e naqueles minutos especiais de despedida do país logo haveria de dar de caras com um craque de que me lembro perfeitamente de ver jogar, no Benfica e na selecção sueca. A meio da semana Andersson havia estado presente numa emissão especial num dos canais de desporto suecos, a debater o jogo da Liga Europa entre o seu Malmo (derrotado por 4-1) e o AZ Alkmaar.

Bem melhor do que o Malmo esteve o SLB que empatou frente ao Manchester United, o verdadeiro afortunado da jornada inaugural com o inesperado golo de Ryan Giggs. O Sport Lisboa e Benfica foi melhor, merecia ter triunfado e protagonizou ainda melhor exibição frente aos comandados de Pedro Emanuel, a Académica de Coimbra. 4-1, vitória sem contestação no Domingo passado. Bruno César, Pablo Aimar e Nolito foram os artilheiros de serviço e colocaram-nos no topo da classificação do Campeonato. Excelente semana esta, começada às 9h 15 em Estocolmo."


Ricardo Palacin, in O Benfica

Venha o empate

"O FC Porto venceu 85 vezes e o Benfica 82. Empataram 53. Das 101 vezes que foi ao estádio do FCP, o Benfica só venceu 14 e empatou 25. A maior vitória do Porto em casa foi em 1933, com uma goleada de oito a zero. A maior derrota foi em 1952, no dia 28 de maio, em que perdeu dois a oito. Foi na inauguração do Estádio das Antas. Gosto de estatísticas. Dão-nos a ilusão de alguma racionalidade e previsibilidade no futebol. Mas, na realidade, são um amontoado de números mais ou menos inúteis. Basta ver a importância que Carlos Queiroz sempre lhes deu e olhar para as estatísticas da sua carreira para perceber o que valem. Ainda assim, se olharmos para estas, o FCPorto vai vencer amanhã.

Tento então fazer as minhas próprias estatísticas para perceber o que quero. Não tendo feito um levantamento exaustivo, posso garantir que a maioria dos meus amigos são do Benfica, quase todos os meus familiares são do Sporting e conheço, porque sou de Lisboa, pouca gente do FC Porto. Não me cruzo com muitos portistas. Tirando quando gritam que querem ver a minha cidade em chamas e quando tentam vencer na secretaria, não me aborrecem. Nunca estou por eles, nem quando jogam no estrangeiro. Pelo menos até Pinto da Costa ser o seu presidente. Já qualquer resultado do Benfica me traz problemas. Se vencem, ninguém os atura. Se perdem, não tendo um portista à mão, viram-se para este desgraçado. Assim, consultadas as minhas estatísticas pessoais e pensando exclusivamente no meu conforto, apostava num empate. O que, sendo no Dragão, além de improvável (25 por cento de probabilidade, para ser rigoroso), não me livra da arrogância encarnada. Ainda assim, uma arrogância moderada. Se é que isto existe num benfiquista."


Ben-u-ron

"Há já vários anos que assentei a minha vida em Vila Nova de Gaia, e tenho acompanhado de perto os sucessos do Futebol Clube do Porto, e o quanto eles mobilizam os seus simpatizantes, a ponto de alguns esquecerem a noção do que é empatar ou sair derrotado de um jogo. Imaginem, portanto, a semana que passou após a igualdade com o Feirense. Incompreensível a falta de paciência para o desacerto, quiçá falta de talento, para repetir outra época com idêntico sucesso como a do ano transato. Mesmo confessando uma inusitada desconfiança, os adeptos azuis e brancos acorreram em massa a garantir o bilhete, ou a cravar os amigos mais influentes para conseguirem o tão desejado ingresso. Em contraciclo, os adeptos encarnados levantaram a crista. Estão de peito feito, ainda que o recalcamento pela goleada da época passada não lhes largue a memória. Sente-se um fervor social. Nem mesmo o facto de o campeonato só ter visto cinco jornadas disputadas retirou ao clássico o entusiasmo dos confrontos de tudo ou nada. Até os insensíveis deste fenómeno de massas estão a apurar os conhecimentos, e intrometem-se nas picardias dos fiéis de ambos os clubes.

Em conversa com um adepto VIP de um dos clubes envolvidos, discutíamos as recentes incidências do jogo. Acabámos refletindo sobre a importância terapêutica destes momentos. Com tamanhas privações a que estamos sujeitos, imaginando as que aí vêm, e nem sequer supondo o que possa advir, a descarga emocional proporcionada, e a transferência, apesar de momentânea, das preocupações para um mero jogo de futebol contribui para um equilíbrio dos estados de alma de milhões de portugueses. Dir-me-ão que este ópio nos remete para uma letargia, que acentua, após os 90 minutos, a dor a uns, e que serve de antipirético a outros. Somente alivia a dor e não cura a causa da mesma.

Por muito que custe admitir, a paixão que comove milhares de adeptos de todas as cores, jogo após jogo, ano após ano, procede a uma terapia gratuita à população, que qualquer dirigente político respeita e anseia. Mesmo que alguns vândalos persistam em comportar-se como animais, deslocados em rebanho, por não terem a mínima noção do ridículo e de urbanidade. São marionetes ao sabor de extremismos bacocos e provincianos. Felizmente ainda não chegamos às dastricíssimas medidas da federação turca de futebol, que para erradicar a violência dos estádios proibiu os homens de assistir aos jogos das equipas que tenham sido punidas devido a atos violentos dos adeptos. De acordo com o novo regulamento, apenas as mulheres e as crianças com idade inferior a 12 anos serão autorizadas a assistir, gratuitamente, aos encontros dos clubes prevaricadores.

Que o futebol permaneça um escape, com um filtro de partículas de bom senso, para manifestarmos o nosso descontentamento em local certo, longe dos estádios, dando ao mundo um exemplo civilizacional que nos distinga no mundo."


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

EU GOSTEI

Eu gostei do jogo
Eu gostei da nossa equipa
Eu gostei do nosso treinador, no jogo
Eu gostei do JJ na Conferencia de Imprensa (um senhor)
Eu gostei do resultado
Eu gostei do árbitro
Eu gostei do ambiente antes durante e depois do jogo
Eu gostei de ver o melão com que o treinador corrupto ficou
Eu gostei de ver as trombas dos escribas e pés de microfone.
Eu gostei de tudo até do que estou a escrever.

MAFARRICO


Caminho aberto...



Corruptos 2 - 2 Benfica



Tenho sentido cada vez mais dificuldades em ver jogos do Benfica na televisão!!! Hoje, voltei a ver 'pedaços', às 'escondidas'!!! Amanhã provavelmente vou rever o jogo, mesmo assim fica aqui a minha opinião:

Começo pelas más notícias!!! Sofrer dois golos de bola parada, é no mínimo, frustrante... O Benfica defende à zona estas situações, os nossos adversários conhecem bem a nossa forma de defender, é natural procurarem os nossos pontos fracos, cabe-nos precaver estas situações...

Antes do jogo, um empate seria sempre um bom resultado, ficar em desvantagem duas vezes, em casa do adversário, e recuperar, tem que ser um bom resultado... num cenário perfeito poderíamos ter chegado à vitória, mas não nos podemos queixar... aliás quem deve estar 'pressionado' neste momento, não é o Jesus. Dois empates de 'enfiada' podem provocar alguns 'problemas' ao Pereira de Espinho!!!

É verdade na primeira parte rematamos pouco (apesar de alguns cruzamentos potencialmente perigosos), mas foi difícil ter a bola (ao intervalo 14 faltas contra, e 2 a favor!!!), mas a equipa sempre acreditou, e nunca perdeu a concentração apesar das palhaçadas, constantes, de Fucile, Guárin e companhia... Aliás o suposto domínio avassalador Corrupto na partida, é desmentido na estatística: posse de bola repartida, oportunidades de golo (4-3) idênticas...

Conclusão: caminho aberto para o título, falta muito campeonato, mas após teoricamente o jogo mais difícil da época, estamos em igualdade pontual com os nossos adversários, algo que nas épocas mais recentes não tem acontecido, com o Benfica sistematicamente afastado do título muito cedo (com a óbvia excepção no ano do último título)...




PS: Na 'nova' RTP informação, no final da partida, Miguel 'copista' Guedes queixa-se da ausência de James, colocando em dúvida a justiça da expulsão, na jornada anterior!!! Sem respirar, continuou, e chegou à conclusão que Cardozo deveria ter sido expulso, poucos minutos antes do intervalo, supostamente, devido a uma agressão do Paraguaio, ao 'palhaço' do Fucile!!! Felizmente, o Juiz Rangel, presente, e habituado a debater contradições, chamou atenção para tal disparate!!!

Fim-de-semana Glorioso, no Caixa Futebol Campus



Amanhã começa a Benfica Youth Cup, celebrando o 5.º aniversário do nosso Centro de Estágio, os jogos do Benfica vão ser transmitidos na Benfica TV e prometem:

Sábado

11.15h - Benfica - Barcelona - (Iniciados A)

15.00h - Benfica - Real Madrid - (Juvenis A)

17.00h - Benfica - Fulham - (Juniores A)

Domingo

09.00h - Benfica - Sevilha - (Iniciados B1)

11.00h - Benfica - Ajax - (Juvenis B)

Excelente semana

"1. Foi uma excelente semana passada. E só se deseja que se prolongue até esta noite, no muito aguardado, FC Porto - Benfica, que se espera seja disputado sem pedradas na rua, sem bolas de golfe no estádio e sem casos no relvado... o que infelizmente não tem sido o caso de há vários anos para cá (pelo menos desde o aparecimento do célebre Guarda Abel e seus seguidores - e 'orientadores').

Pois na semana passada houve um sensacional ambiente e um excelente jogo com o Manchester United, a melhor equipa britânica da actualidade, como mais uma vez o comprovou dias depois, ao bater o Chelsea (3-1). O empate, que seria resultado a festejar nas previsões pré-jogo, acabou por saber a pouco, face às oportunidades que criámos... e que não deixámos o adversário criar. Provámos que temos equipa para a Europa.

No domingo, o difícil jogo com a Académica de Coimbra, foi melhor o resultado que a 'nota artística'. Mas ganhou-se bem e igualou-se o FC Porto no comando da classificação da Liga. As coisas começavam a 'carrilar'...


2. Adivinhava-se. A arbitragem de Duarte Gomes, que marcou três grandes penalidades a favor do Benfica frente ao V. Guimarães, foi muito comentada e, claro, interpretada como tendo sido favorável ao Benfica. Miguel Sousa Tavares e Rui Moreira rejubilaram e aproveitaram para falar em favorecimentos ao Benfica.

Depois, veio a nota (negativa) do observador do árbitro, verifica-se que quem foi prejudicado, e muito, foi o Sport Lisboa e Benfica. Ficou por marcar um (claro) primeiro penálti que, enfim, pode compensar a inexistência do terceiro que foi marcado. Mas ficaram por expulsar dois jogadores do V. Guimarães, e bem cedo na partida: Alex (2.º amarelo no penálti não assinalado) e El Adoua (seria vermelho e não amarelo no 2.º penálti assinalado). Afinal..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Coragem

"Parece ser esta a palavra com que o Benfica deve encarar hoje o nosso tradicional adversário. Por isso mesmo devemos subir ao relvado do Dragão sem medo, sem receios, sem complexos. Devemos assumir uma postura competitiva que nos permita sair da Invicta com um resultado positivo. A pressão, ao contrário de outros anos, não está do nosso lado. E penso que esse pode constituir um factor decisivo para se jogar no campo todo, olhos nos olhos, perante um adversário que, apesar de desfalcado de James, tudo irá fazer para satisfazer a sua massa associativa e tentar somar uma vitória que, a não acontecer, deixará antever momentos muitos delicados para o reino do Dragão.

Estou convencido que Jesus irá saber montar uma estratégia adequada para levar de vencida o nosso opositor. Com um meio-campo que deverá ser composto por Javi Garcia, Witsel e Aimar residirá no tridente atacante - Gaitán, Nolito (ou Bruno César) e Cardozo a nossa força ofensiva e os golos que são necessários para sairmos com os três pontos no bolso.

O Benfica tem tudo para fazer um grande jogo e é precisamente isso que mais de seis milhões de portugueses esperam. Atitude, competência e, sobretudo, pragmatismo na abordagem ao jogo, respeitando o adversário mas valorizando o que melhor sabemos fazer: ter posse de bola, boas transições, desequilíbrios no ataque e muita inspiração. Na defesa, o quarteto titular oferece-nos todas as garantias para um jogo seguro. Assim saibam manter a concentração tão necessária neste tipo de clássicos.

Última nota para deixar um desejo legítimo de quem gosta muito de Futebol. Que assistamos a um jogo bonito, com respeito e fair-play por parte de todos os intervenientes na partida. E, se possível, sem bolas de golfe."


Luís Lemos, in O Benfica

Melhor Benfica

"Há ou não há qualquer coisa de diferente neste Benfica? Os últimos embates deixaram perceber um colectivo poderoso, carregado de ambição. Há qualidade defensiva? Há, mais ainda, qualidade ofensiva. Há mesmo expressões de magia, de pura sedução.

Este Benfica, no mínimo, faz aproximação ao de há dois anos, ao de Ramires, de Di Maria, de outros ainda. Inclusive, tem mais soluções. A equipa pode não ser tão forte ou eficaz em termos qualitativos, mas é quantitativamente mais poderosa. Jorge Jesus tem condições para fazer a gestão do plantel sem que o rendimento do conjunto oscile em demasia.

Na liderança da Liga, ao cabo das primeiras jornadas, a deslocação ao reduto do FC Porto, aprazada para hoje, reveste-se da maior importância. O jogo, convenhamos, vale mais do que os três pontos em discussão. Em caso de triunfo ou mesmo empate do Benfica como que vai recrudescer o alicerce emocional para o futuro imediato ou mesmo mais longínquo. A pesada derrota da pretérita temporada é um cenário que jamais se irá repetir. Este Benfica é melhor do que o Benfica da última época. Este FC Porto é pior do que o FC Porto do ano passado.

Que Benfica no Dragão? Espera-se um Benfica firme, combativo, ambicioso. Espera-se um Benfica sereno, inteligente, cativante. O antagonista, na condição de anfitrião, tem maiores responsabilidades, só a vitória lhe é sinónimo de sucesso. Tirar partido desse facto pode ser a chave para um desfecho positivo do Benfica. Ou não é mesmo o Benfica, na opinião de Jorge Jesus,uma das melhores turmas mundiais a jogar no contra-golpe? Neste caso, não apenas tacticamente, mas também emocionalmente."


João Malheiro, in O Benfica

Fiquei nervoso com a Académica

"No último fim-de-semana o Benfica voltou a encostar na liderança contra uma Académica que ficará na primeira primeira metade da tabela se mantiver esta qualidade. Antes do jogo já estava nervoso, nunca esperei que o FC Porto perdesse pontos em campo neutro, contra os recém-promovidos feirenses.

Confesso também que cheguei à Luz faltavam dez minutos para acabar em Aveiro e aí comecei a acreditar na saborosa 'fogaça'. Já na Luz os da Feira jogaram muito bem.

Assim contra a Académica a vontade de ganhar era ainda maior. Essa garra esteve sempre presente nos que jogavam e nos que sofriam no banco e nas bancadas. O terceiro de Aimar foi a tranquilidade final para um domingo feliz. Mas um campeonato é conquistado pela regularidade e Jorge Jesus sabe bem que não são euforias ou depressões momentâneas que decidem o resultado final.

Não foi dos melhores jogos do Benfica esta época, mas foi um dos que mostrou ter alternativas válidas aos jogadores mais utilizados. O plantel este ano é ainda mais completo e tem ainda mais valor e profundidade do que o das últimas épocas.

Se escrevi aqui que a recepção ao Manchester não era crucial para o apuramento, digo também que o jogo de terça-feira em Bucareste é. O Otelul corre por fora no apuramento, mas pode atirar para fora quem perder mais pontos nos jogos contra os romenos. Em condições normais Manchester United estará apurado, Benfica e Basileia discutem a segunda vaga com favoritismo para os portugueses e os romenos tentam complicar a matemática. Temos de simplificar esta matemática em Bucareste.

Não tendo muita sorte no sorteio da Taça de Portugal, quando comparado com os rivais, existe uma obrigação de não complicar e eliminar o Portimonense.

Mas Outubro é muito longe e até lá FC Porto, Otelul, Paços e Basileia podem adiantar muita coisa."


Sílvio Cervan, in A Bola

Viva Moutinho, viva Aimar!

"Dia de clássico, dia de festa. E que ninguém, tenha a desfaçatez de estragá-la! Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos jogadores, técnicos e dirigentes dos clubes intervenientes decidiram não atear fogos, deixaram-se de perigosos mind games e conseguiram criar um anormal clima de normalidade.

Que a noite de hoje, no Dragão, seja dos artistas, de João Moutinho e Pablo Aimar, de Hulk e Gaitán, de Otamendi e Garay, de Álvaro Pereira e Maxi e não dos petardos, das bolas de golfe e das cargas policiais. Só assim o bilhete para o clássico, agora que o dinheiro está cada vez mais caro, valerá o preço pago pelos adeptos. Só assim poderemos ter esperança de estarmos perante o fim de um capítulo cheio de incidentes altamente penalizadores para a indústria do futebol.

A rivalidade é saudável e no desporto é, até, motor de progresso. Mas há uma linha que separa os rivais dos inimigos, e essa linha foi, há muito, pisada. É, pois, tempo de dar o palco aos artistas e que ganhe o melhor. Ah, e que no sábado já todos tenham esquecido o nome do árbitro. Melhor sinal de bom trabalho de Jorge Sousa não haverá...

Mas, o futebol português tem (e terá até Dezembro), uma outra frente, cada vez mais visível, a da contagem de espingardas para as eleições federativas e, se o vencedor for Fernando Gomes, para a presidência da Liga (porque não faria sentido que este saísse, em caso de derrota, uma vez que a sua candidatura nasceu dos clubes da Liga...). Relativamente à Direcção e Mesa da Assembleia Geral, as negociações até não devem ser complicadas, uma vez que a eleição é em bloco. Porém, para a Disciplina e a Arbitragem, que adoptam o método proporcional de Hondt, as coisas vão ser diferentes. Vai, até, valer tudo. Vai uma aposta?"



José Manuel Delgado, in A Bola


PS: A diferença entra rivais e inimigos só poderá acabar em Portugal, com o fim do domínio do Crime Organizado, sobre os Corruptos... Até esse dia, tudo continuará na mesma, ou até pior, e o resto é conversa...!!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Fernando Gomes, do 'bibota' ao 'bipresidente'

"Rolando, com a ironia do costume, disse que «no ano passado foi extremamente difícil» bater o Benfica. Palavras de falso respeito


FERNANDO GOMES vai ser naturalmente eleito presidente da Federação Portuguesa de Futebol, cargo que passará a acumular com o de presidente da Liga de Clubes.

Boa sorte aos dois!

Está, por outro lado, resolvida aquela velha questão serôdia que vinha atormentando as consciências dos adeptos e dos desportistas: Quem é que fica com os árbitros, a Liga ou a FPF? A FPF ou a Liga?

Ficam as duas!

Entretanto, o FC Porto, que já teve um Fernando Gomes e bibota, tem agora um Fernando Gomes e bipresidente.

Um abraço aos quatro.



A conversa nos jornais na semana que antecedeu a última jornada da Liga teve um teor diferente do habitual. Mais do que bélica nas palavras, a semana foi antes de cariz alimentar e na vertente das refeições ligeiras.

Por exemplo, nas vésperas de receber o Sporting de Braga, o seu rival histórico, os dirigentes do Vitória de Guimarães fizeram saber através da comunicação social que António Salvador e demais companhia não iriam ter «direito a lanche».

Já na véspera do jogo em Aveiro com o Feirense, o treinador do FC Porto despediu-se dos jogadores com um simbólico «vemo-nos ao pequeno-almoço», visto que perante a pouca consistência do adversário os jogadores foram dispensados do habitual estágio que precede os jogos entre profissionais.

Lanches e pequenos-almoços, pequenos-almoços e lanches, mas onde é que isto vai parar?



NA semana passada, Luís Duque disse que o valor de Elias, o médio brasileiro, é muito superior aos 8,850 milhões de euros que o Sporting pagou ao Atlético de Madrid pelo seu concurso.

Esta semana o Sporting comunicou à CMVM que vendeu por 3,850 milhões de euros cinquenta por cento do passe de Elias à sociedade Quality Football Ireland.

Portanto isto quer dizer que o Sporting ainda fez um negócio muito melhor do que aquele sugerido por Luís Duque visto que, afinal, só comprou Elias ao Atlético de Madrid por 7,700 milhões de euros.

Na próxima semana, quando os dirigentes do Atlético de Madrid perceberem como venderam ao engano Elias ao Sporting vão ficar danados.




ÀS vezes custa entender como é que as pessoas experimentadas e sábias, pessoas para quem o futebol não tem segredos, se arriscam a falar antes do tempo sem se pôr a coberto de virem a ser objecto de chacota dos adversários sempre impiedosos quando se deparam com oportunidades para tal.

Refiro-me a profissionais do ofício, está claro, que têm a obrigação de não se porem a jeito para anedotas.

Eduardo Barroso, por exemplo, está desculpado e deve ser poupado porque não é um profissional da bola. É um cirurgião de top, internacionalmente respeitado.

E quando disse em Zurique, antes do jogo do seu clube para a Liga Europa, que estava tranquilo porque nenhum árbitro estrangeiro se iria lembrar de marcar livre indirecto contra o Sporting caso Rui Patrício agarrasse a bola com as mãos, Eduardo Barroso limitou-se a manifestar a sua fé nas razões que lhe assistem e não tem culpa nenhuma que Rui Patrício resolvesse desmenti-lo tão flagrantemente logo a seguir.

Mas José Mourinho é um profissional, é um treinador respeitado. E não deixa de ser incrível como é que o treinador do Real Madrid, de tão feliz que ficou com os empates do Barcelona frente à Real Sociedad e ao AC Milan, resolveu dar por garantida a vitória no terreno do Levante, afirmando na conferência de imprensa que antecedeu o jogo que «o objectivo do Real é manter-se na Primeira Divisão» e que isso só se consegue depois de ter «mais de 40 pontos».

Quis Mourinho gracejar com o potencial do Barcelona, que muitos consideram superior ao do Real, enveredando por uma piada de falsa humildade, de quem tem a certeza absoluta de que os acontecimentos não o vão amachucar dali a pouco.

E foi precisamente o que aconteceu. O Real Madrid perdeu o seu jogo com o Levante e, pior ainda, o Barcelona despachou com uma goleada de 8-0 a sua vítima seguinte na Liga espanhola. E por toda esta semana, em Espanha, Mourinho está a ter de suportar as contras-piadas sobre os 3 pontos perdidos no Levante e que tornam mais distantes os 40 pontos almejados para garantir a tal prioridade da manutenção.

Fraca graça, sem dúvida. E fraca graça também porque humilha os mais fracos, os adversários que lutam pela sobrevivência na Liga espanhola e com quem o Real Madrid vai ter de jogar ao longo da temporada.

Mais lhe valia, a José Mourinho mestre indisputado dos mind games, ter-se precavido contra um deslize na casa do Levante - e deslizes são coisas que acontecem a todos, mesmo aos maiores - e optado por não picar o Barça à custa de terceiros que, felizmente, têm sempre uma palavra a dizer.

Transpondo tudo isto para o futebol português em semana que antecede mais um clássico eléctrico entre o FC Porto e o Benfica, é caso para festejarmos o bom senso, a parcimónia, a fleuma com que os treinadores dos dois clubes têm projectado o jogo.

Jorge Jesus, muito distante daquele discurso ultra optimista da época passada que tão maus resultados deu, tem sido um diplomata de alto coturno a antever o jogo. As suas palavras são de respeito pelo adversário, sem bazófias tolas.

Vítor Pereira, por seu lado, deu um festival de civilização no final do jogo com o Feirense... quando muitos queriam ouvir protestar contra a expulsão de James, como se fizesse parte de uma conspiração pré-estabelecida para afastar o jovem talento colombiano do jogo, Vítor Pereira limitou-se a proferir sábias palavras como estas: «O resultado premeia um Feirense abnegado e penaliza um FC Porto que não esteve ao seu nível.»

Está visto que pela parte dos dois treinadores em contenda na próxima sexta-feira não há a menor vontade de transformar o ambiente do clássico numa caldeira a ferver.

Já Rolando, defesa central do FC Porto, enveredou por um discurso mais à Mourinho, no sentido em que ironizou sobre as fraquezas do adversário na última visita ao Dragão para o campeonato, dando-lhe méritos que, obviamente, não evidenciou.

Rolando, com a ironia do costume, disse no princípio da semana que «no ano passado foi extremamente difícil» bater o Benfica quando, na verdade, o resultado foi um concludente 5-0 a favor do FC Porto que não teve a menor dificuldade em construir uma goleada histórica e profundamente humilhante para os visitantes de Lisboa.

Na sexta-feira, lá pelas onze da noite, se saberá se Rolando faz bem ou se faz mal ao humilhar o adversário com palavras de falso respeito. Porque no futebol dos discursos trauliteiros, quem tem razão é sempre quem ganha. É triste mais é assim mesmo.

Por isso fazem bem Jorge Jesus e Vítor Pereira em desalinhar destas graçolas.

O grande futebol dispensa os palhacinhos da ocasião.



COM Fernando Gomes na presidência da Federação Portuguesa de Futebol, será que a sede desta instituição se vai mudar também para a cidade do Porto? Ou será que vem a sede da Liga para Lisboa? A ver vamos..."


Leonor Pinhão, in A Bola