Últimas indefectivações

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Negócios de... "luvas"

"O“Sunday Times” denunciou, recentemente, um escândalo de corrupção, envolvendo membros da “respeitável” multinacional que dá pelo nome de FIFA e que, há muito, dirige com mão de ferro os destinos do futebol mundial. Desta vez a polémica centrou-se na organização do Mundial’2018, de que Portugal é candidato em parceria com a Espanha.

Fazendo-se passar por empresários que pretendiam assegurar a escolha dos Estados Unidos como sede da maior competição do futebol mundial, repórteres daquele jornal gravaram e filmaram conversas comprometedoras com membros destacados do Comité Executivo do organismo liderado pelo cérebro privilegiado de Sepp Blatter, o grande defensor da verdade desportiva, desde que... sem recurso à tecnologia.

Amos Adamu, dirigente nigeriano e principal protagonista deste caso, terá, alegadamente, exigido 750 mil euros para apoiar a candidatura dos Estados Unidos, enquanto o líder da Confederação da Oceânia e vice-presidente da FIFA, Reynald Teimarii, terá pedido 1,7 milhões de euros para construir uma academia. Dois valores “modestíssimos”, mesmo tendo em conta a crise mundial que atravessamos. Não sei se a Comissão de Ética, “sentinela vigilante” de Blatter, já terá analisado o vídeo que revela as negociações dos suspeitos, o que, a ser verdade, constituirá uma surpreendente abertura aos meios tecnológicos. O que sei é que o “Daily Telegraph” apareceu, agora, a querer envolver Portugal, noticiando que a candidatura ibérica está também sob investigação da FIFA, devido a um alegado acordo com o Qatar, candidato à edição de 2022. O que já provocou uma reação indignada de Gilberto Madaíl.

A propósito deste escândalo, não posso deixar de prestar uma justa homenagem ao velho jornalista britânico Andrew Jennings, o único do Mundo que, desde 2003, está proibido de participar nas conferências de imprensa do organismo máximo do futebol mundial. Jennings é o autor de três livros sobre o Comité Olímpico Internacional e a FIFA, em que revela alegados casos de corrupção, prometendo-nos para breve um novo livro sobre um caso em que a Justiça, ao fim de alguns anos, acabou por admitir ter havido dirigentes da FIFA que receberam “luvas”. O espantoso é que nenhum deles será punido porque – segundo Jennings – na época em que os factos ocorreram, a lei do país que é sede da FIFA até permitia o famoso “jogo do bicho”(!). Numa entrevista divulgada recentemente na Internet, Jennings esclareceu que “os figurões, que participaram no caso, apenas vão ter de pagar as custas legais do processo e que os seus nomes não serão revelados (!)”. Sem comentários.

Confesso que não me surpreenderia se aparecesse por aí qualquer outro membro do Comité Executivo a tentar vender-nos o seu voto. Mesmo sabendo que Portugal está “nas lonas” e que o que mais o preocupa, de momento, nada tem a ver com os “futebóis”. Para já, basta-nos o título de campeões da… “pelintrice” que, pelos vistos, será nosso, não por muitos anos e bons, como costuma dizer-se, mas por muitos anos e... maus!"
Tenho uma observação a fazer sobre este tema:
Então os 'Anti-Pidescos', os 'Anti-Autos de Fé', já discutem um assunto que chegou à opinião pública através de uma 'câmara escondida', gravando uma conversa sem a autorização dos participantes, gravação feita sem qualquer controle judicial?!!!
Então isto não é uma grosseira violação da privacidade dos membros da FIFA?!!!
Sinceramente...

NeoBlanc 8

Tabela Anti-NeoBlanc:

Benfica......... 15 (-9)... 24
Corruptos..... 22 (+7)... 15
Braga............ 14 (+1)... 13
Sporting........ 12 (+3)... 9


Jornada estranhamente calma em relação à arbitragem, a bonança antes da tempestade?!!! Agora que as diferenças já são expressivas, nada melhor que uma 'calmaria', antes das 'estocadas' finais...


Entretidos com a derrota de Lyon, e com o apelo dos órgãos sociais do Benfica para os adeptos não marcarem presença nos jogos fora (sem 'boicote' estariam no mínimo o dobro dos Benfiquistas. Além disso os preços baixos dos bilhetes já é uma vitória do Benfica), os avençados nem sequer sentiram a necessidade de recordar que o actual treinador do Portimonense, era o treinador do Estoril no celebre jogo no mesmo Estádio do Algarve com o Benfica!!! (onde teve um comportamento vergonhoso, na minha opinião o principal instigador da 'batalha campal' em que se transformou o jogo) A confiança que o titulo não vai fugir aos Corruptos é tanta, que nem se lembraram de um famoso Estrela da Amadora-Benfica, onde Hugo Miguel marcou dois penalty's a favor do Benfica!!! (sendo que num a falta foi fora da área. Ainda marcou um penalty inexistente contra o Benfica, e decidiu bem ao não marcar outro penalty contra o Benfica, devido a uma mão involuntária do David Luís. Também se esqueceu de expulsar o Ney!!!) Nesse jogo ganhou a fama de 'amigo' do Benfica, por isso nunca mais foi nomeado para um jogo oficial do Benfica!!! Neste intervalo apitou somente o particular com o Atlético de Madrid, onde para se livrar da 'maldita' imagem de Benfiquista, esqueceu-se de marcar um penalty a favor do Benfica, e marcou um inexistente contra...!!!
O jogo de Domingo foi calmo, e não fosse o desperdício industrial dos nossos jogadores, tinha acabado em goleada. Aparentemente não houve 'grandes' casos, a acreditar nos jornaleiros 'nada' se passou, aliás para Xic os únicos casos foram as faltas do Maxi, e um suposto fora-de-jogo do Saviola no golo do Benfica!!! O 'frango' do Ventura (fez a exibição da vida dele, é raro o jogo onde não dê um peru!!!) logo no final do jogo 'ligou a cassete', queixando-se do Maxi, lançando o 'isco', que os avençados adoram 'morder'...
-Amarelos ao Maxi - Levou um amarelo bem mostrado. A primeira falta sobre o Candeias não existe(mergulho), e a segunda sobre o Ivanildo é uma falta normal.
-Amarelo ao Carlos Martins - 'Soprou' no adversário, travou um contra-ataque, mas a falta é 'mínima', não merecia cartão. Tanto o Carlos como o Maxi ficaram com 4 amarelos, juntando-se ao Javi, e ao Luisão, vamos apostar quais deles vão faltar à 'partida de golf' que se vai disputar no Dragay?!!!
-Luisão - Os centrais do Portimonense descobriram uma nova forma de defender o Luisão nas bolas paradas!!! Como são mais baixos, quando a nosso Capitão salta, metem-se debaixo do Luisão, e com sorte o árbitro ainda marca falta contra o Benfica!!! Isto aconteceu pelo menos duas vezes, na primeira o Luisão ainda conseguiu cabecear, na segunda foi completamente 'atropelado', foi no último minuto da primeira parte, foi assinalada falta contra o Benfica, e na minha opinião seria penalty!!! O André Pinto não tem qualquer intenção de jogar a bola, e não é o Luisão que salta para cima do adversário, é o emprestado Corrupto que se mete ostensivamente debaixo do Luisão.
-Aimar
- No lance em que o Maxi leva amarelo, parece existir falta sobre o Aimar dentro da área do Portimonense, mas não houve qualquer repetição...!!!
- Kardec - No lance com o Pedro Silva, gritei penalty, mas depois de ver as repetições, mudei de opinião, o ex-Lagarto 'lançador da medalha' nas horas vagas, protege a bola, tocando ainda na mesma sem querer!!!
-Benfica em vantagem - O critério na marcação de faltas foi sempre 'estranho', mas depois do golo do Benfica, foram marcadas uma série impressionante de faltas ofensivas aos avançados do Benfica, bastava o 'sopro', e era logo falta contra o Benfica. O 'recuo' do Benfica no terreno, deveu-se essencialmente a este critério, parecia que o Hugo estava com medo que o Benfica fosse para a goleada...!!!
Conclusão, ficou um penalty por marcar a favor do Benfica, o que comparando com outras arbitragens, faz desta actuação do Huguinho, uma das melhores da temporada e jogos do Benfica...!!!



Na Pedreira deu-se o regresso do Soares Dias, depois do escandaloso derby minhoto da época anterior!!! Decidiu bem ao não marcar penalty no último lance da primeira parte, por bola na mão do Maurício. Mas assim foi com as 'orelhas quentes' para o intervalo, isso pode explicar o facto de durante praticamente toda a segunda parte não marcar faltas a favor do Olhanense!!! Os avançados de Olhão, pareciam ser jogadores do Benfica, sempre que havia 'contactos', a falta era sempre deles!!! Só mudou de critério, quando o resultado já estava 'feito'.
Mesmo assim o principal erro, deu-se no primeiro golo do Braguinha. Na marcação da falta, o Alan agarra descaradamente o jogador do Olhanense que deveria pressionar o Mossoró, deixando o Brasileiro rematar à vontade. Não foi um simples bloqueio, o Alan agarrou ostensivamente o adversário, mesmo à frente do árbitro...
É impossível calcular o efeito da anulação deste golo, no resultado final, fazendo a 'soma' aritmética, o 3-1, seria 2-1.



Pensei nunca dizer isto, mas no Alvalixo o Olarápio até não esteve mal!!! Além da habitual condescendência que todos os árbitros demonstram pelos constantes mergulhos da Lagartada, não existe muito mais merecedor de referência. Até viu o pontapé do Postiga no Paulo Santos, no golo bem anulado ao Sporting...



Os Corruptos fazendo jus ao seu cognome, começaram a ganhar o jogo, ainda antes do jogo começar!!! Sem nenhuma aparente justificação o treinador do Leiria deixou 2 titulares de fora da convocatória Silas('10'), e Vinicius(defesa-direito)!!! Deixou ainda de fora o Diego Gaúcho um central que ainda o ano passado foi titular, marcando inclusive um golo no Dragay!!! A única explicação 'não corrupta' para este caso, tem a ver com a chegada do Sá Pinto para adjunto, será que já ouve murros e pontapés?!!! No jogo de hoje, do meio campo para a frente, só jogaram segundas opções!!! Não satisfeitos, ainda se apresentaram com uma táctica defensiva suicida, tentando jogar com a linha defensiva 'subida' deixando, um espaço enorme entre o guarda-redes e a defesa, e ainda com uma super passividade no meio campo deixando os 'passadores' à vontade...
O jogo foi tão fácil, e ficou decidido tão cedo, que até deu para o Vasco Santos fingir que é um árbitro imparcial. Até teve a coragem de marcar o primeiro penalty contra os Corruptos desta época!!! Já estavam a ganhar por 4-0, mas fica o registo!!! Mais, não marcou um penalty a favor dos Corruptos (já estava 2-0), o Varela foi mesmo empurrado...



Anexos:


Benfica


1ª-Académica, Prejudicados, Com 3 pontos
2ª-Nacional, Prejudicados, Com 3 pontos
3ª-Setúbal, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Guimarães, Prejudicados, Com 3 pontos
5ª-Sporting, Nada a assinalar
6ª-Marítimo, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
7ª-Braga. Nada a assinalar
8ª-Portimonense, Prejudicados, Sem influência no resultado



Corruptos

1ª-Naval, Beneficiados, Com 3 pontos
2ª-Beira-Mar, Beneficiados, Impossível de contabilizar no resultado
3ª-Rio Ave. Beneficiados, Com 2 pontos
4ª-Braga, Beneficiados, Com 2 pontos
5ª-Nacional, Beneficiados, Impossível de contabilizar no resultado
6ª-Olhanense, Nada a assinalar
7ª-Guimarães, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8ª-Leiria, Prejudicados, Sem influência no resultado



Braga

1ª-Portimonense, Nada a assinalar
2ª-Setúbal, Nada a assinalar
3ª-Marítimo, Beneficiados, Com 2 pontos
4ª-Corruptos, Prejudicados, Com 1 ponto
5ª-Paços de Ferreira, Nada a assinalar
6ª-Naval, Nada a assinalar
7ª-Benfica, Nada a assinalar
8ª-Olhanense, Beneficiados, Sem influência no resultado



Sporting

1ª-Paços de Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Marítimo, Nada a assinalar
3ª-Naval, Beneficiados, Com 2 pontos
4ª-Olhanense, Beneficiados, Com 1 ponto
5ª-Benfica, Nada a assinalar
6ª-Nacional, Nada a assinalar
7ª-Beira-mar, Nada a assinalar
8ª-Rio Ave, Nada a assinalar

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

7 anos com História






Só estive 9 horas (das 13h às 22h) na fila para comprar o bilhete para estar presente neste grande dia na história do nosso clube!!! E valeu a pena...
Se o antigo Estádio da Luz foi inaugurado no dia 1 de Dezembro, dia da Restauração da Independência, este acabou por ser estreado no dia em que se celebra o fim do Cerco de Lisboa em 1147.
25 de Outubro de 2003, um novo começo...

Taça


Merelinense – Carregado
Portimonense – V. Guimarães
Varzim/Cova da Piedade/Gondomar – Ribeirão
Rio Ave – Feirense
Espinho – Leixões
Moreirense – FC Porto
Sporting – P. Ferreira
Atlético – Tourizense
Pinhalnovense – Tirsense
Mondinense – Torreense
Bombarrelense/Louletano – U. Madeira
Beira-Mar – Académica
Marítimo – V. Setúbal
Benfica – Sp. Braga
Olhanense – Nacional
Juventude Évora – St. Maria




O ano passado fomos eliminados em casa por uma equipa do Minho nesta eliminatória, e jogámos sem o Cardozo e o Luisão. Querem apostar que este ano também vamos ter baixas importantes?!!! A diferença é que desta vez vamos ganhar...

domingo, 24 de outubro de 2010

Triunfo merecido, e essencialmente necessário...


Primeiro desaire



Os problemas físicos continuam, desta vez foi o Minhava e o Reed, o Jordão ainda entrou na ficha de jogo mas não jogou, e o Carreira continua indisponível. Este é um problema que nos tem perseguido nas últimas épocas, este ano parece estar a afectar especialmente os bases, não me parece que seja somente 'azar'...

sábado, 23 de outubro de 2010

Estrias do Jesus

"Não tem sido um começo de época fácil para Jorge Jesus. Por exemplo, desde agosto até à presente data, o técnico do Benfica tem sido severamente criticado por ter contratado o Roberto, e largamente elogiado por ter contratado o Roberto.

Ao mesmo tempo, alguns analistas acusam-no de não estar a conseguir encontrar um discurso adequado às atuais circunstâncias da equipa – esta época, Jorge Jesus continua a falar como o Jorge Jesus, mas obtém resultados como o Quique Flores. Na verdade, é perfeitamente compreensível. É possível que, depois da época que o Benfica fez no ano passado, Jorge Jesus se tenha esquecido por completo do que se diz quando não se ganha um jogo. Porventura, ser-lhe-á mais fácil levar a cabo uma profunda revolução técnico-tática na equipa, de forma a começar a golear de novo sem dó nem piedade os adversários, do que passar a aparecer mais submisso nas conferências de imprensa.

Pessoalmente, sinto-me muito desconfortável a avaliar as decisões de Jorge Jesus. Sei, teoricamente, que é impossível ele tomar sempre a melhor opção. Mas tenho quase tanta confiança em Jorge Jesus como ele tem em si próprio (ou seja, o máximo que se pode ter).

Dito isto, dizer que Jorge Jesus de vez em quando toma uma má decisão é como dizer que a Giselle Bündchen tem estrias. É possível que sim. Mas são estrias com mais sex appeal que certos seios e nádegas; são estrias que mulheres sem estrias invejam; são estrias tão sensuais, que têm a forma de um cinto de ligas."

Não perder o vício !!!




Não quero ser desmancha prazeres, mas apesar da boa exibição, e da goleada, este jogo deixou-me pessimista!!!
A diferença de qualidade entre os atletas neste jogo foi abissal, até na básica acção de patinar, e por isso vencemos, mas quando os jogos forem mais apertados, será muito difícil ganhar jogos com 'este' critério na marcação de faltas!!! Desde da época passada, à 10ª falta dá livre directo, pois bem apesar do desnível evidente o Benfica teve quase a chegar à décima falta ainda na primeira parte!!!

Melhor, mas ainda longe do potencial. O próximo é com o líder...




PS: Alguém sabe porque é que as duas equipas equiparam de preto?!!!

Objectivamente (FPF)

"A demissão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e a incerteza sobre a escolha do presidente da FPF são dois acontecimentos de extrema importância para o futebol português e que não devem passar ao lado da maior instituição portuguesa que é o Sport Lisboa e Benfica.
A demissão do Conselho de Justiça, que se limitou nos últimos meses a ANULAR todas as decisões do Concelho de Disciplina, comandada pelo juiz Ricardo Costa é preocupante até pelas razões aduzidas - ilegalidade perante a FIFA por não ter sido ainda aprovada a nova regulamentação (principalmente sobre a transição dos árbitros da Liga para a FPF), como se eles não tivessem nada com isso, merece toda a atenção dos órgãos que comandam o futebol português, porque necessitamos de ter uma justiça célere e justa, que acabe com todos os indícios de corrupção - comprovados - e com a impunidade que permite tudo a determinados dirigentes há muito acomodados no futebol português sem serem castigados.
E não falo apenas de dirigentes de clubes. Refiro-me também aos presidentes das várias associações do País que se agarraram ao poder e que elegerão quem lhes prometer eternizar esses mandatos por muito mais anos.
Estas jogadas de bastidores, que não trazem inovação desde há muitos anos, têm de ser desmascaradas e denunciadas com urgência, porque corremos o risco de acordar tarde.
Por mim já não acredito nesta gente que se passeia nos corredores do poder do futebol português anos a mais.
Não dão garantias a ninguém e agora até uma esperançazinha de mudar a presidência da FPF se esvaneceu!
Para Madail ter levado todos os presidentes das associações à Islândia é porque... quer recandidatar-se.
Usam sempre os mesmos truques. Os mesmos argumentos!"
João Diogo, in O Benfica

Concertação

"1. Era esperado: desfilam nomes e levantam-se ameaças à volta da Federação. Enquanto não chegar o dia 2 de dezembro – “o dia da revelação” sobre o Mundial’2018 –, nada de relevante vai acontecer. Porque contra factos não haverá argumentos: os cenários serão os que a FIFA (indiretamente) ditar. Para já atiram-se nomes, mas sem estratégia, sem projetos e sem destino. Sem cobiçar onde se quer colocar o futebol daqui a, pelo menos, dez anos. Esta seria, aliás, uma bela oportunidade para lançar um dos outros desafios do nosso futebol (que nos tem feito refletir nas últimas semanas): a (falta de) concertação entre clubes, jogadores, treinadores e árbitros. O mesmo é dizer entre a Federação, a Liga, as Associações Distritais e as associações representativas de jogadores, treinadores e árbitros. Ou seja, falamos dos agentes que fazem girar o jogo e cujos interesses se cruzam em favor (ou em desfavor) desse mesmo jogo.

2. Disseram-me durante os últimos anos que essa concertação seria impossível de atingir. As ambições pessoais e as sedes cíclicas de protagonismo das “cabeças” dessas organizações seriam obstáculo a essa união de esforços. Julguei então e julgo agora que essa é uma inevitabilidade que necessita de melhor prova. E, na minha ótica, a Liga perdeu uma oportunidade de mudar de ciclo. De facto, desde o Regime Jurídico das Federações de 2008 que é permitido à Liga receber como associados sujeitos para além dos clubes. Cabe depois à sua autonomia estatutária adotar essa possibilidade ou não. Por outras palavras: cabe aos clubes permitir ou não que os treinadores, os jogadores e os árbitros passem a ser associados da Liga. Que, relembre-se, não se denomina “Liga de Clubes” – é Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Que, para além de defender por berço os interesses dos clubes, é uma associação que exerce poderes públicos delegados pelo Estado e pela Federação. É tempo de superar a alusão exclusiva da Liga a uma “associação patronal” – embora o também deva ser, em parte fundamental. Há muito, porém, que esse conceito deveria ter sabido evoluir para a “associação do futebol profissional” – em proveito dos clubes.

3. A revisão dos estatutos da Liga, em agosto de 2010, não acompanhou essa faculdade que a lei proporciona. Devia tê-lo ponderado. Veja um só exemplo. Faz algum sentido que sejam os clubes a decidir em exclusivo os regulamentos nos quais são previstos os castigos para os jogadores, técnicos e árbitros e nos quais se disciplina a arbitragem? Sem qualquer palavra institucional e possibilidade de atender formalmente aos interesses e à legítima vontade de intervenção desses agentes? Para mim, nenhum! Se, na Federação, essa presença assume a qualidade de “sócio ordinário”, mas, historicamente, sem benefício efetivo, na Liga poderia dar-se o passo que a elevaria a força motriz do entendimento entre quem conta para o jogo. Um laboratório de um futebol mais partilhado e transparente para todos, sediado na Rua da Constituição, no Porto. Talvez no futuro, que sempre chega… A sede continuará lá e, certamente, terá espaço para todos!"

Tempo de greve geral principalmente ao Andrade

"Uma vez pateta, pateta até morrer. O penteadinho da Foz, veio (mais uma vez) muito ridiculamente falar. Como sempre do Benfica. Entre outros despautérios, a propósito do presidente ter feito um apelo à não comparência da massa adepta do Benfica aos estádios, que não ao Estádio Sport Lisboa e Benfica (é este o nome do nosso Estádio).
Há muito, que defendo tal medida. 'Morram à fome.' Escrevi-o no nosso Jornal e disse-o na BTV, no programa 'Em Defesa do Benfica' feito em parceria com o grande benfiquista e amigo Alberto Miguéns.
Os milhões de benfiquistas, que vivem longe de Lisboa, principalmente os do Norte, se fizerem as contas dos euros gastos nos campos dos adversários, sai-lhes mais caro que vir de 15 em 15 dias a Lisboa. Por exemplo no Leixões 50 euros para ver atrás da baliza. Em Braga mais 50, Guimarães, Paços, Naval, Beira-Mar, etc., etc., dá para virem em excursão e o dinheirinho fica todo no nosso Benfica.
Mas, voltando ao penteadinho da Foz, era bom lembrar-lhe que há uma entrevista do protagonista dos filmes de corrupção do Youtube, dada ao jornal 'A Bola', em que ele diz: 'O Benfica é o único clube que me enche o estádio'. Será por isso que está aflito? É que os adeptos, do agora amigo Braga, pagaram 10 euros há umas jornadas. Não dá para o petróleo, não é? E a mama Oliveiradesportos pode acabar-se de um momento para o outro.
Que nenhum adepto do Benfica compareça no estádio do Andrade!
Em 85 inventaram o dragão, só que o animal chama-se afinal Andrade. É nome de família.
PS: Para a semana o Tavares leva com a escuta de Valentim com LVF, Porque não a põem eles no Youtube, se é a 'mais grave'?"
António Melo, in O Benfica

E isso me envaidece


"Estive ontem mais de duas horas a conversar com um adepto do Benfica. Chama se António Lobo Antunes e é, alem de benfiquista, um grande escritor. Um dos maiores do mundo. Sempre que lhe dão um prémio literário, e já lhos deram quase todos, fica mais prestigiado o prémio do que ele. Tem diplomas, medalhas, vários quadros de grandes pintores que quiseram pintar-lhe o retrato. Creio, por isso, que os leitores não serão capazes de lhe censurar a vaidade se disser que, em casa dele, na parede do quarto, está, emoldura da, a sua ficha de inscrição como sócio do Sport Lisboa e Benfica. Cada um tem as suas honrarias, e a vontade de exibir as maiores é apenas humana. «É extraordinário», disse ele a olhar para a moldura, «como um clube fundado por órfãos da Casa Pia - ao contrário do Sporting, fundado por um Visconde, e do Porto, fundado por banqueiros - consegue...» E, entretanto, faltaram-lhe as palavras.

É extraordinário», limitou-se a repetir. Confesso que fiquei desapontado. Afinal, um grande escritor não fazia milagres: quando alguma coisa era do domínio do indizível, não havia vocabulário, nem talento, nem nada que lhe valesse. Mas, nesse mesmo segundo, Lobo Antunes desmentiu-me. Encontrou as palavras que lhe faltavam, e começou a recitá-las: «Domiciano Barrocal Gomes Cavém. José Pinto de Carvalho Santos Águas. Mário Esteves Coluna. Alberto da Costa Pereira. José Augusto Pinto de Almeida. Ângelo Gaspar Martins. António José Simões da Costa.» Assim mesmo, com os nomes completos e sem hesitações. Mais adiante, nessa mesma tarde, António Lobo Antunes haveria de declamar um poema de Dylan Thomas. Mas não voltou a ser tão poético como naquele momento, à frente de uma ficha amarelecida por mais de 60 anos.
Antes de nos despedirmos, ainda registámos uma coincidência. No dia 23 de Maio de 1990, eu tinha 16 anos e estava a chorar em minha casa; António Lobo Antunes tinha 47 e estava a chorar na dele. Claro, Lobo Antunes é um génio, e eu sou apenas, e só quando consigo, eu. Mas, ao menos naqueles minutos que sucederam à final da Taça dos Campeões (duas ou três horas, no meu caso), a minha sensibilidade foi igual à dele. Não é a primeira vez que o Benfica faz de mim uma pessoa melhor, mas nunca deixa de ser surpreendente.
Feito este curto mas importante parêntesis, para a semana voltarei a dedicar-me às grotescas incongruências de Rui Moreira e Miguel Sousa Tavares, que é para isso que cá estou."


Ricardo Araújo Pereira, in A Bola

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As Vozes do Crime

"Quando a mensagem não agrada, ataca-se o mensageiro. Foi assim em tempos antigos, e no futebol português, muitos séculos depois, a máxima continua a aplicar-se.
Perante a publicação de conversas que expõem, de forma pornográfica, o clima de podridão em que muitos campeonatos nacionais de futebol decorreram, perante a revelação de obscuras manobras de influência e viciação de resultados, o que interessa a alguns puristas deste país é salientar (e castigar) a atitude de quem – decerto indignado com a impunidade que brotou dos tribunais - as trouxe aos nossos incrédulos ouvidos. Perante graves crimes de corrupção, estas virgens ofendidas preocupam-se com pequenos ilícitos processuais, pretendendo, sob as asas do acessório, abafar o essencial.
Aos Ruis Moreiras deste país, pouco importa o conteúdo das escutas. Nada interessa que elas demonstrem, passo por passo, os métodos seguidos, durante anos, pelo seu clube, e que deixem a nu o aspecto central de toda esta questão: a justiça civil portuguesa, mergulhada num mar de insuficiências e equívocos, falhou neste processo. A eles apenas interessa o silêncio. Ou antes, uma cortina de fumo que transforme culpados em vítimas, e crimes graves em coisa nenhuma. Interessa, sobretudo, manter a capa de legitimidade que muitos dos títulos conquistados pelo FC Porto se percebe não merecerem.
As escutas telefónicas não são uma prática simpática, e ninguém gostaria de viver num país em que qualquer conversa pudesse ser escutada sob qualquer pretexto. Mas muito pior do que isso é viver num país em que os crimes ficam invariavelmente impunes, e os seus autores são objectivamente convidados a reincidir, em nome de um sistema ultra-garantístico, de operacionalidade labiríntica, de isenção questionável, e de eficácia nula, que é capaz de absolver mesmo dispondo de provas óbvias diante do seu nariz, virando cinicamente as costas às evidências. Neste caso concreto, nenhum cidadão de boa fé entende como puderam ser desprezadas escutas que já existiam, e provavam claramente os actos em apreço. E quando um sistema de justiça deixa de ser entendido pelo cidadão comum, deixa de cumprir a sua missão. Deixa de ter utilidade. Não serve para nada.
É ilegal a publicação das escutas? Pois que seja. Em face de uma “justiça” entorpecida, decadente e moribunda, quase se torna moralmente legítimo que o cidadão ignore algumas das obtusas normas com que o pretendem afastar da verdade. Há muito que não acredito na justiça em Portugal. Logo, não acredito no equilíbrio ou pertinência das suas vielas processuais, que na maioria das vezes - e suspeito que seja precisamente essa a sua razão de ser – apenas conduzem a becos de impunidade. Mais do que um “Estado de Direito” de fachada, interessa ao país um “Estado de Justiça”, em que a verdade seja devidamente apurada, e o crime seja devidamente punido. O Apito Dourado, e todos os seus contornos, mostram que, lamentavelmente, vivemos muito longe dessa realidade.
De resto, não estamos aqui perante qualquer violação gratuita da privacidade de ninguém. Nenhuma das escutas publicadas revela conversas de teor familiar, ou remete para qualquer circunstância privada da vida dos indivíduos em causa. Todas as escutas tratam de esquemas de favorecimento. Todas tratam de jogos de bastidores. Todas tratam de corrupção desportiva. Todas tratam de crimes. Por isso tanto nos interessam. Por isso tanto interessam ao futebol português, e deviam interessar também aos tribunais.
É em nome da justiça, e, sobretudo, em nome da verdade, que elas devem ser ouvidas, divulgadas, debatidas e comentadas. Há quem as tente desesperadamente silenciar, mas se ainda existem alguns aspectos positivos nesta globalizada sociedade da informação, um deles é precisamente o facto de permitir aos cidadãos fazer ouvir democraticamente a sua indignação, sem que os bloqueios das forças do situacionismo, do medo, ou da subserviência, o possam impedir.
Ninguém nos vai devolver os campeonatos perdidos. Ninguém nos vai ressarcir dos danos directos e indirectos que décadas de vício nos impuseram. Se a justiça não fez o seu papel, se os prevaricadores continuam a rir-se dela, do futebol, do país e de todos nós, pouco mais nos resta do que a revolta. E perante ela, pedirem-nos para tomar em conta aspectos de ilicitude lateral não é mais do que um desprezível insulto à nossa inteligência."

Sacrifício

"Não é fácil pedir a um benfiquista de longe de Lisboa que deixe de ver e apoiar o Benfica ao vivo nas raras oportunidades que tem para o fazer: quando o Benfica joga fora de casa, enchendo estádios por esse País fora. Não é fácil pedir, como não é fácil aceitar o sacrifício. A festa do futebol não é apenas o Estádio da Luz cheio, a transbordar de vibração benfiquista. A festa é também cada visita do único clube português com implantação verdadeiramente nacional - e não só - com uma perspectiva de casa cheia pelos adeptos benfiquistas do Minho à Madeira. Cada deslocação do Benfica representa uma hipótese rara de lotação esgotada... em grande parte pelos benfiquistas, a alimentarem o negócio do futebol, das receitas de bilheteira às audiências da televisão.
Mas será justo que o Benfica, que é o motor do negócio do futebol, alimente com a dedicação dos seus adeptos as negociatas do 'sistema' que rouba a única equipa portuguesa que enche estádios por onde passa?
Não só não é justo, como é perverso. O Benfica que arrasta multidões de adeptos tem na multidão essa arma poderosa para lutar pela verdade desportiva. Custa muito aos adeptos deixarem de seguir o Benfica nos estádios, fazendo de cada jogo fora um jogo em casa. Sem dúvida. Mas ainda vai custar mais aos que directa ou indirectamente se alimentam da mentira no futebol em Portugal - porque são satélites do 'sistema', ou simplesmente porque beneficiam, simultâneamente, com resultados viciados que lhes atribuem pontos roubados ao Benfica e com receitas proporciondas pelos adeptos benfiquistas.
O sacrifício tem contas fáceis de fazer: trocar umas horas de fervor benfiquista dentro de estádios alheios, por um futuro com mais verdade no futebol em Portugal."

João Paulo Guerra, in O Benfica

"Vitórias & Património"

"Não percam, não deixem de ver. Gravem, revejam, estejam atentos à nossa grelha de programação! O apelo tem razão de ser, podem confiar. A Benfica TV exibe em diferentes horários mas com a estreia marcada para todas as terças-feiras, às 21.30, um documentário que ficará na memória de todos quantos sentem o Sport Lisboa e Benfica enquanto seu, enquanto pedaço da sua memória. A actualidade também terá direito de antena no 'Vitórias & Património', não se limitando os documentários às conquistas de décadas passadas.
O Campeonato Invicto, conquistado na temporada futebolística de 1972/1973, preencherá o segundo capítulo desta série. Nesse período, o Benfica conseguiu um feito que permanece inédito no futebol português: a conquista do nacional de futebol sem uma única derrota.
'Vitórias & Património' recria os momentos de incerteza e de alegria vividos pelos jogadores e adeptos, num episódio em que a emoção é a palavra-chave.
Jogadores do nosso contentamento como Augusto Silva, António Simões, Toni, Artur Santos e José Bastos assinaram o livro de presenças na apresentação do novo programa da Benfica TV à comunicação social.
'Vitórias & Património' insere-se nos objectivos directivos do SLB, do presidente, dos Órgãos Sociais, das figuras que fazem respeitar os interesses dos sócios, preservando e documentando com rigor e cuidado a herança benfiquista. É um programa imune a adversários e indiferente a questões menores, faz-se em nome da marca de Portugal no mundo, mesclando a existência e evolução deste Clube com a do País.
Não percam, gravem, revejam, estejam atentos à grelha da Benfica TV."

Ricardo Palacin, in O Benfica

Gostei bastante do primeiro episódio, principalmente da parte onde o Julinho conta que após um jogo, de muito sofrimento, a caminho do balneáreo, deu o melhor soco da sua vida a um adepto que o vinha congratular!!! (se quiserem saber mais, vejam)...

Mais do que um Clube

"Se dúvidas existissem sobre o carácter universal que assume o nosso clube, a recente homenagem aos 33 chilenos que durante 69 dias ficaram soterrados numa mina é a prova cabal que o Benfica é muito mais do que apenas um clube de futebol. As responsabilidades que assumimos no campo social são por demais evidentes e os nossos sócios e adeptos revêem-se nesta politica. Não falo apenas no auxilio a antigos atletas, ajuda financeira aos mais carenciados ou homenagens a título póstumo. Não, o Benfica é mais do que tudo isso. Está acima da importância de cada um, para se projectar definitivamente enquanto instituição secular que visa o auxilio à carência humana.
A Fundação Benfica, é justo aqui referenciá-la, presidida por Carlos Móia, é o exemplo mais significativo do que acabo de escrever. As recentes acções para com as populações da Madeira a todos deixaram orgulhosos e cientes do papel que esta organização representa no universo do Clube.
É pois nesta vontade em ajudar os outros, minimizando as atrocidades terrenas em que muitas vezes somos desprevenidamente apanhados, que desejamos subir mais um dregau. É com orgulho redobrado que digo que faço parte deste património desportivo mas também humano que é o Sport Lisboa e Benfica. E comparar esta realidade àquela que nos consome a cada fim-de-semana, onde costuma pontificar o erro do árbitro, a bola que bate na trave ou a falta de inspiração de determinado atleta, leva-nos a tomar consciência que há muito mais em jogo.
A homenagem que o Benfica fez aos mineiros chilenos, na pessoa do senhor embaixador chileno, foi um dos actos mais bonitos a que assisti e que certamente entrará na História deste Clube.
Nota final: Esperançado em que o Benfica consiga manter o mesmo causal de jogo ofensivo, a mesma intensidade e o mesmo acerto na finalização, de modo a que consigamos sair do Estádio do Algarve de cabeça erguida, com mais três pontos na classificação e a intensificar a pressão 'sobre' o 1.º lugar do Campeonato Nacional."
Luís Lemos, in O Benfica

O indefensável

"O futebol põe as pessoas a dizer coisas extraordinárias. Os mais inteligentes tornam-se básicos, os mais lúcidos mentecaptos, os mais equilibrados talibãs, os mais frontais cordeiros, os mais coerentes demagogos profissionais.

E um excelente exemplo foi buscá-lo recentemente Ricardo Araújo Pereira: Miguel Sousa Tavares e Rui Moreira ficaram danados com as escutas a José Sócrates no caso Face Oculta. Com razão. As escutas só podem ser públicas quando têm como função a persecução da justiça. E a justiça não se faz nos jornais ou no YouTube. Mas sobre as escutas a Sócrates, acrescentou nessa altura Miguel Sousa Tavares: “Uma vez que as conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos.” Rui Moreira explicou este raciocínio, que subscrevo: “Ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências. Diferente é o ato de divulgar e promover escutas ou tentar reabrir, na praça pública, processos já julgados em tribunal.” Mas isso deve aplicar-se aos dois casos. Devemos condenar a divulgação das escutas a Sócrates e a Pinto da Costa. Não podemos ignorar nenhuma delas. Só que quer Moreira quer Sousa Tavares condenam as duas mas decidem ignorar o conteúdo de apenas uma delas.

O que eu não posso ignorar, mesmo que quisesse, é que há um dirigente de futebol que não tem meias-medidas nas suas relações promíscuas com a arbitragem. Queria não saber. Mas sei. Ouvi. E imagino que Rui Moreira e Sousa Tavares ouviram. O problema do futebol é que, ao contrário do que acontece com a política, nunca mudamos de lado. E não mudando, ficamos sem palavras quando o nosso clube se porta mal. O problema de Rui Moreira e Miguel Sousa Tavares é que não ficaram sem palavras. Prestam-se a defender o indefensável."

Quarto poder

"Conseguirei escrever uma prosa onde não lamente uma sucessão de desonras? Nem mesmo depois de o Sporting voltar a encher as medidas, e as balizas, com golos de todos os tamanhos e feitios? É preciso estofo para insuflar esperança no futuro quando os indicadores económico-financeiros cada vez nos enterram mais para uma longa letargia. E quem tem filhos, eu três, que esperança ainda dispõe para os motivar a lutar, a acreditar numa sociedade irresponsável, apostada em deixar para os sucessores o ónus da solução dos seus devaneios?

Caio invariavelmente na recorrência das teses mais nobres. Ética, honra, normas de conduta, respeito e tolerância constam nos mais eloquentes discursos. Estão, no entanto, ausentes da prática. A humanidade focou-se no lucro, no consumo, no espetáculo sem regras, conspurcado de doping em cada poro.

Adepto confesso de ciclismo, ainda me mantenho inquieto com a lama que avilta Alberto Contador. O grande ausente da cerimónia de apresentação da edição do Tour de 2011. No nosso pelotão a epidemia atinge, há anos, indiscriminadamente. Recentemente, a alimentação ganhou estatuto de bode expiatório para as causas mais variadas que julgam desculpar valores PROIBIDOS.

A convite do jornal “O Jogo”, há não muito tempo, foi convidado um jornalista inglês que garantiu que a corrupção ao mais alto nível enleava os delegados dos comités olímpicos nas atribuições das cidades-sede da competição das competições, entre outras corajosas revelações.

A celeuma causada pela reportagem do “Sunday Times”, do pretérito fim-de-semana, é incapaz de surpreender. A investigação britânica adiantou os nomes de um nigeriano, Amos Adamu, e de um taitiano, Reynald Temarii, cada um com o seu esquema. O africano, membro do comité executivo da FIFA, foi filmado a pedir 570 mil euros para votar favoravelmente numa candidatura. O representante da Oceânia reclamou 1,6 milhões de euros para vender o seu voto. Este último é vice-presidente da FIFA e presidente da Confederação. Joseph Blatter reagiu com a habitual indignação de circunstância e rematou com um: “Querem que feche a porta?” Talvez fosse mais digno. Portas fechadas para limpeza geral. Num momento de eleições da FPF, a cereja para a exoneração de Gilberto Madaíl surgiu pouco depois, quando a candidatura de Portugal e Espanha e a do Qatar, para o Mundial de 2018 foram envolvidas numa investigação sobre suspeitas de negociação para trocar votos.

Com tão pouco tempo para abandonar o cargo, Madaíl honraria os portugueses com uma demissão imediata até ao apuramento de toda a verdade. E, por favor, podem parar de rir. Um dia assistiremos a um ato tão digno. Talvez uns “corninhos” à Manuel Pinho lhe indicassem a porta de saída.

Por fim, gostava de enfatizar a fonte destas notícias. Os jornais ingleses que amiúde são apontados como desonrados atiraram a pedrada no charco e, exemplarmente, remeteram-nos para um dos papéis fundamentais do jornalismo: investigar sem medo dos protagonistas da notícia e dos interesses que os envolvem. Assim se expressa o quarto poder."

Taxas e tachos

"Em Portugal, os clubes deixaram de se preocupar, nalguns casos, com o objeto primacial dos seus estatutos, para dar guarida a um conjunto de pessoas que veem neles uma extraordinária hipótese de se governarem.

A elite política, em lato sensu, durante anos, encheu os bolsos à custa da ignorância/desinformação dos eleitores, alguns dos quais – no plano das elites, sempre – beneficiaram, igualmente, de um conjunto de imparidades, muito bem camufladas pelo sistema financeiro. Pela banca, por organismos estatais e por uma economia paralela transversal ao mercado de trabalho a criar a ilusão de que seria possível perpetuar a artificialidade e a mentira, recorrendo a mecanismos de controlo e fiscalização que, afinal, apenas controlaram e fiscalizaram os impulsos, sempre esporádicos e isolados, da descoberta da verdade.

E eis-nos de tanga, divididos entre a aprovação e o chumbo do Orçamento, certos de que não haverá “golos” suficientes para resolver e atenuar o impacte de uma crise a poder ter um impacte bem menor nas nossas vidas, se não houvesse tanta promessa, tanta demagogia, repito, tanta mentira e tantos truques a cavar desigualdades sociais absolutamente arrepiantes.

O futebol, à escala universal, percorreu o mesmo caminho: campeonatos comprados, árbitros corrompidos, candidaturas compradas e um sistema inimputável de tráfico de influências, a desvirtuar a Verdade Desportiva.

O futebol gastou o que não tinha, inflacionou os passes dos jogadores, proclamou um regime de intermediação que pagou comissões milionárias por jogadores-pernas-de-pau, utilizando off-shores e fugindo à tributação/taxação do Fisco.

Esgotaram-se quase todas as fórmulas receituárias de criação de riqueza. E entrámos no “vale-tudo”. Os clubes deixaram de ser “desportivos” para serem, nalguns casos, bons empregadores, cortando nos “mil euristas” para continuar a pagar altos vencimentos a um conjunto de funcionários ou contratados a prazo, aos quais é preciso juntar a lógica das pornográficas indemnizações. Sem auditorias externas. Entre as taxas e os tachos, há um mundo para regular.

NOTA – O Benfica partiu para a atual edição da Champions com grande optimismo, designadamente declarado pelo seu treinador. Nem Jorge Jesus contabilizou o impacte das saídas de Ramires e Di María e as “não entradas” de Salvio, Jara e Gaitán. Há menos David Luiz, muito menos Maxi e a equipa joga em esforço, assim a modos que “à força do chicote”. Fábio Coentrão não chega para tudo. E a equipa esforça-se mas não tem qualidade para mais. É difícil fazer o reconhecimento da realidade por quem fez um campeonato tão “excecional” na época passada. Daí talvez o nervosismo. Daí talvez a dificuldade de se aceitar que este Benfica é uma caricatura do “Benfica-campeão-nacional”...

NOTA 1 – O presidente da AG da FPF, Avelino Ribeiro, disse (em 15 do corrente) que “os estatutos não consentem eleições intercalares” (para o Conselho de Justiça da FPF). Agora acaba de convocá-las. Quem aceitar este ‘presente envenenado’ (em nome de que princípio?) ficará “marcado para a vida”. Fazem fila os “técnicos-de-Direito-de-vão-de-escada”? A crise é grande, mas..."
Apesar de ser muitíssimo improvável, ás vezes até concordo com o 'dito cujo'!!! É muito raro, mas acontece. Esta cronica é um bom exemplo, discordo da analise ao Benfica, principalmente da 'caricatura', o Benfica não está tão forte como a época passada, é verdade, na Europa a diferença nota-se mais, mas internamente em condições normais, mesmo baixando o nível, deveríamos pelo menos estar na luta pelo titulo até ao final do Campeonato!!! O resto da cronica, subscrevo totalmente...