"WEST PALM BEACH — Hoje as rotativas param para finalmente saudar o arranque oficial do Mundial 2026. É o pontapé de saída na maior aventura planetária do futebol e esta crónica diária assume, desde já, o asfalto da ambição. Batizei este espaço de Route 66 por duas razões magnas que se cruzam na perfeição no mapa da nossa esperança.
Primeiro, pela imensa geografia mítica que molda o imaginário americano: a mais famosa e longa estrada dos Estados Unidos, a Mother Road, que rasga o continente ao longo de quase quatro mil quilómetros. É uma artéria de asfalto lendária que liga quase costa a costa, unindo Chicago a Santa Mónica, na Califórnia, atravessando oito estados americanos e dando vida a cidades como Oklahoma City, Amarillo ou Flagstaff. É o símbolo maior da travessia, do desassossego e da descoberta de um novo mundo.
Segundo, e infinitamente mais importante para a alma lusitana, o número 66 remete-nos diretamente para a nossa própria génese futebolística: o ano de 1966.
Foi o verão em que Portugal se estreou em fases finais de Mundiais e assinou, com o King Eusébio e os eternos Magriços, a melhor prestação de sempre da nossa história, conquistando um honroso e inesquecível terceiro lugar em Inglaterra.
Sessenta anos depois, a coincidência numérica serve de farol espiritual para a armada que amanhã aterra em solo norte-americano.
Esta rota que hoje iniciamos quer ligar a nostalgia romântica daquele passado glorioso à modernidade musculada de um grupo de trabalho que ambiciona, sem falsas modéstias, o topo do mundo. Cruzar a América profunda exige estofo mental, pulmão de aço e uma crença inabalável em cada quilómetro percorrido.
Do calor sufocante e húmido que encontrámos aqui na Flórida aos palcos gigantescos que se seguem no torneio, o caminho será longo e sinuoso, mas o destino final está bem traçado na mente de todos os portugueses. Que a mística dos heróis de 66 guie Cristiano Ronaldo e companhia nesta imensa autoestrada americana rumo à glória. O motor já arrancou. Vai dar Portugal!"

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