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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

5 Minutos: Live - Ano Novo...

Benfica está num novo Vietname?


"Com o empate em Braga, o Benfica chega ao final do ano já a dez pontos do primeiro classificado e a cinco do segundo classificado. Falemos com clareza: o Benfica está fora da luta pelo título. Todos conhecemos demasiado bem o "Tugão" para sabermos que é uma recuperação impossível de se fazer. Nem o Benfica apresenta argumentos para fazer uma segunda volta perfeita, nem principalmente os seus rivais vão perder assim tantos pontos.
Basta pensar que FC Porto e o próprio Benfica ainda se encontram invictos e o Sporting só perdeu para o rival do norte. Não é sério e é entrar quase no mundo da fantasia achar que os dois rivais vão perder mais 15 pontos que os que o Glorioso irá perder na 2ª volta.
Afastado do título, o Benfica avançará para apenas um campeonato nos últimos sete anos. E se não vencer a Taça de Portugal (e tem uma deslocação ao Dragão já a seguir) avançará para nove anos sem vencer a prova Rainha. Mesmo a Taça da Liga conquistou-a o ano passado, mas já não a vencia desde 2016. São já demasiados anos com poucas celebrações para não começar a formar-se uma suspeita ou temor na cabeça dos benfiquistas mais pessimistas (ou realistas). Estará o Benfica a viver um novo Vietname?
Para quem ainda não está familiarizado com a expressão, uma breve explicação: Entre 1994 e 2005 o Benfica esteve dez anos sem ser campeão (e apenas venceu uma Taça de Portugal), no que foi de longe a maior crise e os anos mais horríveis da História do clube. Tão traumático foi para os benfiquistas que se convencionou chamar esse período de Vietname, numa analogia aos traumas dos soldados americanos com a sua guerra nesse país.
É evidente que muito do que se vive hoje em dia não se pode comparar ao Vietname. O que se passou naqueles anos foi tão péssimo que diria que é irrepetível. Houve Damásio, Vale e Azevedo, Vigo, a dispensa do João Pinto, o sexto lugar, dois anos sem ir à Europa. É uma escala de fracassos e vergonhas ainda mais atroz do que se vive hoje em dia.
Nestes sete anos (ou vá, seis, dado que teoricamente o Benfica ainda pode ganhar tudo este ano) o clube venceu um campeonato, uma Taça da Liga e três Supertaças. Chegou duas vezes aos 1/4 de final da Liga dos Campeões e nunca desceu abaixo do terceiro lugar. E não houve vergonhas como não pagar Poborsky ao Man Utd, levar manitas do FC Porto na Luz, problemas financeiros desastrosos ou jogadores sem qualquer pingo de classe e talento a envergar o Manto Sagrado.
Mas é verdade que vamos para sete anos só com um campeonato. Não vencemos a Taça de Portugal desde 2017. Tivemos um hiato de 8 anos sem vencer a Taça da Liga. Temos o nome do clube sempre na lama e na justiça com as histórias dos emails. Um presidente do clube que foi preso pela PJ e que está sentado no banco dos réus por ter eventualmente prejudicado o próprio clube, entre outros.
O cenário não é tão dantesco como no Vietname, mas é muito negro. E se no curto prazo às vezes nos falta a perspetiva de percebermos o que estamos a viver, no futuro é possível que este seja outro ciclo identificável na História do clube. Da mesma maneira que hoje já conseguimos perceber que vivemos um ciclo de glória desportiva entre a entrada de Jorge Jesus em 2009 e o título de Bruno Lage em 2019.
Há uma diferença óbvia entre o Vietname e os tempos atuais: o dinheiro. Se antes não havia fundos para quase nada, agora o clube parece ter fundos para tudo e mais alguma coisa. Se antes comprávamos jogadores "com bananas", como dizia Toni, agora compramos aos 20 milhões de cada vez. Se vivemos um Vietname, é na verdade um Vietname rico. Como já ouvi alguém dizer, viveremos...a Singapura da História do Benfica? Mas isso ainda torna isto pior. Porque se antes havia a desculpa da crise financeira, que desculpas há agora? Quando o Benfica todos os anos é o clube que mais dinheiro gasta em Portugal? Mas desculpas há e muitas. E essa é outra diferença para o Vietname.
No Vietname havia exigência e todo o benfiquista sabia que o clube estava em crise. Agora há muito benfiquista que se irá insurgir contra este texto e recusar liminarmente que o Benfica esteja em crise. E isso é uma reflexão sobre a mentalidade do benfiquista e como mudou nas últimas décadas. Repare-se, estamos a entrar em 2026 e o clube venceu apenas um campeonato e zero Taças de Portugal desde 2019 e mesmo assim muitos adeptos não acham que o clube esteja mal ou seja preciso mudar de rumo. Dirão que é preciso apoiar e não mandar sempre abaixo, dirão que tem-se vencido alguma coisa e não se pode vencer sempre, dirão que não há qualquer comparação ao Vietname, dirão que o Benfica é prejudicado pelo sistema e pelas arbitragens (mas se o é, está aí outra comparação ao Vietname), dirão que o clube está pujante com o estádio sempre cheio, centenas de milhares de sócios e um projeto gigantesco como o Benfica District aí à porta e dirão que se o clube tivesse mais união, ganharia mais. Dirão até para confiarmos que o futuro será risonho.
Pois lamento sentir que o futuro dará razão a quem andou e anda estes anos todos a gritar que o Rei vai nú e que estamos de facto a viver a Singapura do Benfica e isto só mudará a sério no dia em que tivermos novos e renovados dirigentes. Que inclusive essa mentalidade da maioria dos benfiquistas de tapar o sol com a peneira é a razão mais gigantesca para estes anos de insucesso.
Mas até lá.. .mesmo que tudo isto dê uma sensação de morte lenta, é continuar a ir ao estádio, continuar a amar o clube, continuar a dizer que o Rei vai nú, continuar a acreditar na Lenda que já foi o Sport Lisboa e Benfica e quem sabe um dia vejamos o Glorioso longe do sudoeste da Ásia e, sob as asas da águia, a viajar de volta ao seu lugar.
Que um dia estará de novo imperial, intocável, leal, místico e Glorioso. Não só fisicamente, mas espiritualmente de volta... a Benfica."

Terceiro Anel: 3 estarolas!!!

BF: Mercado...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O que o zerozero tem para dar em 2026

Zero: Fantasy - Jornada 17 | Fim da 1ª volta com opções clássicas - Mundo Fantasy

A Era do Príncipe


"Nem mesmo Vieira tinha ido tão longe. No seu consulado, a sua versão de Estádio da Luz era — como sempre fora o verdadeiro — um templo de devoção. O centro do poder ficava noutro sítio. No Seixal. Agora é diferente. O que os cortesãos de Rui Costa pretendem é fundir o sentimento religioso, irracional e comovente, dos sócios com o poder político vigente. Pretendem Mafra

O Benfica está prestes a entrar num novo tempo. Não é força de expressão. Já não é a era pós-Vieira, essa fórmula preguiçosa, útil para conversas de café e análises sem risco. Sugere continuidade indistinta, gestão em piloto-automático: um clube a viver dos despojos de um regime semi-vivo, como um cadáver que ainda mexe. Nada disto é mentira. Mas é pouco. O que se passa hoje é outra coisa. Há mais do que inaptidão. Há vontade — e necessidade — de afirmar um projecto de poder legitimado nas urnas de Outubro. E há método. Há sempre método quando o poder se leva a sério. Rui Costa não será, então, mais um continuador. Isso seria cómodo.
Rui Costa será fundador, com nome, apelido, biografia e ambição. Um déspota por mérito próprio. Se tudo correr como previsto por esta direcção, no próximo Sábado o Benfica entrará numa nova fase da sua existência. Chamemo-lhe pelo nome, para não haver equívocos: a Era do Príncipe.
O Benfica District começou como expediente eleitoral: uma promessa grande, vaga, suficientemente mirabolante para marcar a agenda de campanha e baralhar a oposição. Era fogo-de-artifício. Hoje já não é. Transmudou-se em obra de regime. Como todas as grandes construções do poder, deixou de servir um propósito prático para cumprir funções simbólicas: fixar uma ordem, eternizar um nome. É assim desde sempre. Onde há poder absoluto, há arquitectura monumental. Há Mafra. O resto é conversa.
Ah Mafra! Mil e duzentas divisões! Mais de quatro mil e setecentas portas e janelas! Cento e cinquenta e seis escadarias! Vinte e nove pátios e saguões! O Palácio do Príncipe. A coincidência plena entre a Casa de Deus e a Casa do Rei. Cada entalhe, cada esquina, cada excesso comunica autoridade — divina ou soberana, conforme o caso. Corpo e espírito fundidos num gesto único, exuberante, próprio das monarquias de setecentos, cuja coroa seria a ponte para o mundo do invisível. Um arquétipo de arquitectura de síntese.
Nem mesmo Vieira tinha ido tão longe. No seu consulado, a sua versão de Estádio da Luz era — como sempre fora o verdadeiro — um templo de devoção. O centro do poder ficava noutro sítio. No Seixal. Agora é diferente. O que os cortesãos de Rui Costa pretendem é fundir o sentimento religioso, irracional e comovente, dos sócios com o poder político vigente. Pretendem Mafra. Mesmo mantendo o Seixal, simbolicamente é isso que acontece. E o símbolo, em política, manda.
É verdade que o Benfica District servirá também a quem prefere não olhar para o estado do futebol. Todo o palco decrépito tem sempre a sua cortina. Mas não é isso que o define. Mafra não foi construída para distrair. Foi concebida como sistema completo de representação do poder, destinado a conservar a ordem estabelecida. Também o Benfica District se apresenta assim, como arquitectura de poder.
A partir do momento em que esta obra for aprovada, ao templo juntar-se-ão o teatro para o divertimento mundano, a avenida para o cortejo e, claro, o palácio para a corte. Tudo no mesmo edificado monumental.
Numa palavra: a residência oficial do regime.
Vale a pena notar que algumas das críticas mais certeiras ao Benfica District não vieram daquilo que hoje se identifica como oposição. Ainda ontem Jaime Antunes apontou, no Record, a ausência de estratégia, a indefinição do projecto e a amplitude excessiva do cheque em branco (expressão do próprio) pedido aos sócios. Quando até Jaime Antunes acerta, qualquer benfiquista deveria inquietar-se, mesmo os que já desistiram de se inquietar.
Mas a questão mais intrincada é outra. E é decisiva. O verdadeiro golpe que se pretende consumar este Sábado não é arquitectónico nem financeiro. É mais grave. É político. E é subtil; por isso mais difícil de explicar, logo, mais fácil de passar em claro.
A Assembleia Geral existe num clube como o Benfica por uma razão simples: funciona segundo um modelo parlamentar. Os sócios reúnem-se no mesmo espaço, veem-se, ouvem-se, reagem uns aos outros, debatem e só depois decidem. Pode ser confuso, mas é o que temos. O melhor que temos. A deliberação não é um detalhe técnico; é a garantia moral da lisura do processo. Sem isso, sobra a aparência de democracia.
O que agora se propõe inquina esse modelo. A votação electrónica, a participação remota, a simultaneidade entre discussão e voto transformam a Assembleia num mecanismo binário. Uma pergunta. Um “sim” ou “não”. A discussão permanece, mas como uma cadeira encostada à parede. A decisão não nasce mais do saudável confronto entre pares e visões, mas da soma dispersa de cliques remotos.
Não lhe chamem modernização. Chamem-lhe pelo nome certo: mudança de regime. Onde antes vigorava E pluribus unum — da pluralidade, a unidade — passaria agora a vigorar outra coisa, talvez Ex maioritate temporaria, potestas perpetua — Da maioria momentânea, o poder permanente.
A direcção e a presidência da Mesa da Assembleia Geral insistem em apresentar qualquer crítica a este tipo de modelos como resistência antiquada ao progresso. É um truque velho, mas eficaz. Confundir tecnologia com democracia, acessibilidade com justiça. Não se trata de ser contra meios electrónicos. Trata-se de perceber que democracia parlamentar e democracia directa não são a mesma coisa. E que produzem efeitos políticos radicalmente diferentes.
Gonçalo Almeida Ribeiro chamou a atenção para isso com clareza, n’A Bola, há semanas. A legalidade e a natureza do processo são, no mínimo, discutíveis. Uma Assembleia não é um plebiscito. Quando passa a funcionar como tal, deixa de deliberar. Passa a legitimar.
O que nos faz pensar que, infelizmente, não estamos perante uma grande obra trágica, como Mafra; essa ópera ao divino paga com o ouro do Brasil. Estamos perante algo mais singelo. Talvez uma obra de medo. Medo de perder o assento.
O Benfica District ainda pode ser rejeitado. Ainda pode não existir. Mas o que se joga Sábado é mais do que isso. É a definição de um modo de governo; a passagem de um clube que discute para um clube que diz sim.
É neste ponto que a Era do Príncipe nasce.
No momento em que a deliberação morre."

O meio da época no final do ano


"O ano civil está no fim, mas a procissão da bola ainda vai a meio. E é tão verdade dizer que as contas só se fazem quando acaba, como admitir que a forma como termina depende muito de como começa. É a velha ideia, que creio ter ouvido pela primeira vez a Guardiola, de que os campeonatos se perdem nas oito primeiras jornadas e se ganham nas últimas oito. Este ano em Portugal está a cumprir-se. Aparentemente, o Benfica já perdeu, enquanto FC Porto e Sporting decidirão quem ganha lá mais para diante.
O FC Porto lidera com a impressionante safra de 15 vitórias e um só empate (em casa, diante do Benfica) em 16 jogos. Os números dizem muito, porque nos recordamos bem da equipa à deriva de há uns meses apenas, na época medíocre cumprida entre a aposta tímida em Vítor Bruno e a aposta falhada em Martín Anselmi. A atual temporada provou uma vez mais que a escolha do treinador é a decisão mais crítica de qualquer direção. O novo Porto acreditou em Farioli e, por acreditar nele, foi em busca de jogadores coerentes com o seu jogar. Desta vez não facilitou na escolha para posições-chave, com as do centro da defesa (e acaba de juntar Thiago Silva à fiável dupla polaca), além de acrescentar nomes – Froholdt e Borja, também Gabri Veiga – que acrescentavam a agressividade que o futebol do italiano requer. Claro que fisicalidade não é tudo e se algo pode evoluir neste Porto é a qualidade em ataque posicional, sobretudo frente a adversários que também reivindicam a posse de bola e não a perdem em poucos segundos. Mesmo assim, a utilização crescente de William Gomes e Rodrigo Mora (sobretudo este!) torna, só por si, a equipa menos repetitiva nesse processo com bola e por conseguinte mais capaz de surpreender. Ainda nada está ganho para os dragões, mas não vai ser fácil retirá-los do topo.
E se nada está ganho para uma equipa que só cedeu dois pontos é porque logo atrás surge outro coletivo igualmente muito competente e individualmente ainda mais talentoso, o do Sporting. Aliás, o que faz a diferença pontual no cimo da tabela é principalmente o clássico de Alvalade que o Porto ganhou. Os leões vacilaram nesse jogo e empataram com Braga e Benfica, mas frente aos restantes têm também o pleno de vitórias. E depois jogam com qualidade e goleiam com facilidade, por via de um futebol com mais criatividade e variedade no momento ofensivo e mais soluções que qualquer dos rivais.
Rui Borges tem outros méritos, mas o maior será o de ter melhorado a equipa após ter perdido o jogador mais decisivo. A prova de competência do transmontano é, ao mesmo tempo, um ruidoso desmentido para tantos que insistem em ver o jogo pelo prisma individual e eram capazes de jurar – ouvi uns quantos – que íamos passar a época a falar da falta de Gyokeres e de como o Sporting já não resolveria os jogos com igual facilidade. Tem resolvido, com mais até, muitas vezes. Impressionam os 46 golos marcados, só no campeonato, mas, mais que a quantidade, é a qualidade do processo ofensivo que explica sucessiva goleadas. Um ponta de lança como Luiz Suárez, mais combinativo (mas igualmente operário e goleador), caiu como sopa no mel, porque em redor do colombiano cresceu o rendimento dos maiores talentos, como Pote e Trincão. E já havia outros de qualidade extra, como Quenda, mas ainda se juntou Ioannidis, para ter mais uma arma na zona onde os jogos de decidem. Falta aos leões, e ao seu técnico, gerir melhor os jogos, sobretudo os de exigência mais alta, onde oscila mais do que é aceitável, entre períodos de domínio e subjugação, mas de que teremos Sporting candidato até ao fim não me restam muitas dúvidas.
No Benfica surge o contraste, percebendo-se já, a meio da época, como o início irá condicionar o fim. A renovação do plantel, que foi mais uma desnecessária revolução, revelou-se desastrosa, nas más opções de cedência de jogadores nucleares como Florentino, Kokçu ou Akturkoglu, e de deficiente substituição de craques definitivos como Di María e Carreras. O plantel é menos valioso e sobretudo mais desequilibrado do que era. E, para agravar, voltou a mudar de treinador com a procissão no adro. Ao fim de um par de meses, José Mourinho já esgotou o impacto psicológico, tem a equipa a 10 pontos da liderança e vê-se que não aprecia vários dos jogadores de que dispõe. A equipa procura essencialmente recuperar para atacar e revela muita dificuldade com bola fora desse contexto. A preocupação com a pressão no momento defensivo, na promoção de duelos individuais na maioria das vezes, tem sido também uma camisa de forças da qual os jogadores só se libertam quando em desvantagem (vide os jogos com Sporting e Braga), além de que a insistência em manter o maior talento criativo, Sudakov, no ostracismo do corredor esquerdo para ter Barreiro como o 10 (ou 9,5) - o lugar que no verão esteve guardado para João Félix, imagine-se! - é toda uma declaração de princípios. Os reforços de janeiro podem ajudar, mas meia época está perdida e dificilmente 2026, pelo menos até ao verão, será um ano feliz para os adeptos das águias.
Para fechar o ano agarrado ao talento e ao que mais vale a pena no nosso jogo, deixo uma pequena lista de gente, com qualidades que me entusiasmam em particular: o nível de finalização do miúdo Zabiri do Famalicão, porque muito poucos rematam assim em Portugal (e delicio-me com avançados que sabem mesmo chutar, o que rareia); a qualidade técnica e a geometria de Alex Amorim no meio-campo do Alverca; o improviso talentoso e finalizador de Tidjany Touré, no Gil Vicente; o sentido tático, na dimensão física mas também na opção de passe seguro, de Ngom, do Estrela da Amadora; o drible e qualidade na assistência de Telmo Arcanjo do Vitória (que merece ser mais valorizado); a superior dimensão técnica e de entendimento do jogo de Pau Victor no Braga; e sempre Guitane, digam o que disserem (de defender pouco, de desequilibrar a equipa e blá, blá blá), que se houver Guitane em campo eu quero sempre ver o jogo."

Golos 2025

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Parabéns, Tiago. Ganhaste!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Rastreio ocular


"Em Braga, aconteceu um desafio interessante, em ambiente de jogo grande e com períodos de domínio repartido de alta intensidade. Encontro sem dúvida difícil de dirigir, dado o ritmo e a importância do duelo, mas com a arbitragem, mais uma vez, como triste protagonista e pior equipa em campo. Desta vez, nem foi questão de intensidade, nem de interpretação, só a incompetência levada ao extremo.
Aquilo a que temos assistido justifica uma reciclagem urgente dos árbitros nacionais. Verificar a saúde ocular, rever as regras e visionar a arbitragem de outros campeonatos poderia ser útil. Ao mesmo tempo, o árbitro é o máximo responsável pelo jogo e dá a cara, não devendo ser refém da inércia ou tendência de quem avalia sentado, com meios técnicos que supostamente lhes permitem decidir melhor. Até algo ser feito, VAR à parte, a nossa arbitragem continua a arrastar o seu perfil decadente de muito apito e pouco acerto.

Futebol
Voltando ao jogo vibrante e competitivo que vimos, o que de mais saudável e verdadeiro se viu foi um par de grandes golos de bola corrida. O golo de Pau Victor é espetacular, de puro talento em pouco espaço e controle absoluto no drible até à finalização. O remate de Ausrnes também é um momento especial. De fora da área e quase sem balanço, só poderia resultar em golo se fosse muito puxado a um canto. O último instante para definir o lado para onde rematar é uma das valias que diferenciam o remate do médio do Benfica e que retardam a resposta de quem defende.
Em relação ao penálti, nada a dizer. Segue o atual critério absurdo da bola no braço, em que qualquer jogador que tenha a necessidade de saltar está sujeito a cometer falta. Ou então não se salta, porque quem já saltou sabe que a elevação normal se faz com a ajuda dos braços. Mas, neste caso, não é culpa dos nossos árbitros. O mal é de quem mudou a lei, que ainda se espera um dia poder ser revertida. 
A responsabilidade de Dahl nesse lance, que curiosamente podia ter sido atenuada pelo golo limpo que marcou, é posicional e não gestual. O jovem defesa estava demasiado aberto na altura do cruzamento, abrindo espaço exagerado entre si e Otamendi. Esse espaço foi explorado pela desmarcação de Dorgeles e pelo cruzamento perfeito de Zalazar, o melhor jogador do SC Braga.
A anulação do terceiro golo do Benfica é ridícula, envergonhando, mais uma vez, a nossa atrofiada arbitragem. Consegue ultrapassar o escândalo da final da Taça, só não foi tão violento. Não é um simples erro e fica difícil não pensar em má fé.

Critério tático
A opção pela saída a jogar curto desde a própria baliza, no futebol atual vem dividindo os observadores e percebe-se porquê... A propósito desta tendência, a designação identidade própria é algo que muitos treinadores gostam de assumir ter, com indisfarçável orgulho. Falhamos e perdemos, mas temos a nossa identidade.
A vida é bela, mesmo na derrota... Personalidade ou ingenuidade? Em caso de dúvida é insistir ou aliviar? Devemos correr o perigo de sofrer golo, ou jogar longo e poder ganhar a segunda bola? Entretanto, o maior ou menor êxito desta opção tática, dependerá sempre, e muito, da qualidade dos executantes e também da expressão do pressing contrário. É desta relação que deve resultar o critério e a decisão do possuidor da bola. Na saída de bola a gestão é feita ao momento, e muitas vezes mal medida, o que origina frequentemente verdadeiros autogolos que levam a derrotas.
Critério e medição do risco é um desafio atual para quem joga e para quem treina e procura ganhar. Definir um nível máximo de risco não é possível, por não ser mensurável, tal a diversidade e dinâmica que o jogo representa. Têm a palavra os treinadores e os portadores da bola.

Irmandade
Os tempos são hoje bem diferentes daqueles que vivi no futebol profissional. A organização e o rigor são incomparáveis. O departamento clínico tem importância prioritária na saúde das equipas, na defesa dos atletas e do seu rendimento.
O conhecimento médico mais específico é algo que, naturalmente, o treinador não domina. No entanto, em relação a algumas lesões, alguns treinadores acabam por reter, pela sua experiência, algumas noções básicas do eventual estado físico de um qualquer atleta.
As lesões mais graves, quando acontecem, não deixam dúvidas, nem mesmo aos leigos, mas no restante existe uma infinidade de maleitas difíceis de avaliar por amadores. Os jogadores que passam mais tempo lesionados criam, normalmente, laços com os massagistas ou fisioterapeutas, elementos com quem passam mais tempo e em quem depositam as suas esperanças.
O acompanhamento e apoio psicológico regular desses importantes parceiros é também fundamental e algo que o atleta precisa para a sua plena recuperação. Recordo sempre as operações a que fui submetido e o apoio que recebi, passo a passo, quer no Portimonense, quer no Benfica.
Quanto às lesões mais complicadas, como as de Bah e Manu, contraídas exatamente no mesmo jogo, são exemplo de como imprevisível pode ser a respetiva recuperação. Depois de um longo processo, haver um recuo por qualquer razão é altamente frustrante para o atleta afetado. Manu já regressou, mas quanto a Bah, espera ainda por melhores dias."

Mercado, para que te quero?


"O mercado vai abrir novamente e ir às compras com fome continua a ser um erro comum, sendo que o Benfica é, dos três principais clientes, aquele que se sente mais insaciado 

Rúben Semedo, Eustáquio, Galeno, Otávio, Tomás Pérez e William Gomes. Matheus Reis, João Pereira, Paulinho, Slimani, Edwards, Tanlongo, Bellerín, Diomande, Rafael Pontelo, Koba Koindredi, Rui Silva e Biel. Lucas Veríssimo, Gonçalo Guedes, Tengstedt, Schjelderup, Carreras, Rollheiser, Prestianni, Marcos Leonardo, Belotti, Dahl, Bruma e Manu.
Estes foram os reforços de FC Porto, Sporting e Benfica, respetivamente, nas cinco janelas anteriores de inverno. Existem casos de sucesso evidente, como Galeno, Diomande ou Carreras, mas é justo dizer que, por cada contratação feliz desta lista, existe um fracasso tremendo para a troca. Basta pensar em Tomás Pérez, Rafael Pontelo ou Tengstedt.
Alguns negócios devem ser relativizados — soluções de empréstimo ou investimentos baixos —, mas as contas não devem falhar se concluir que a taxa de acerto no mercado de inverno, entre os três ricos do futebol português, não será superior a 50 por cento. Claro que as transferências não podem ser analisadas pela ditadura da folha de excel, mas os (principais) clubes portugueses caem muitas vezes no erro de ir ao supermercado com fome.
O FC Porto foi primeiro também nas compras, ao avançar para um nome de peso, Thiago Silva, que será tudo menos custo zero, mas para deixar claro que a estrutura não quer facilitar naquele que foi o grande upgrade da equipa: a solidez defensiva. Pietuszewski é nome de investimento a longo prazo, falta saber se chegará alguém para preencher o lugar de Luuk de Jong como principal alternativa a Samu, o jogador mais difícil de substituir no onze habitual.
O Sporting dá prioridade a um extremo, talvez até dois, mas nenhum rival tem tanta profundidade no plantel. Talvez a maior necessidade seja um médio, tendo em conta a situação contratual de Morita e o rendimento mediano de Kochorashvili. 
O Benfica, com Sidny Lopes Cabral já oficializado e André Luiz bem encaminhado, mostra que a aposta no mercado interno é para seguir, apesar da infelicidade com Manu e Bruma, recrutados há um ano. A estratégia faz ainda mais sentido nesta altura, mas estamos perante o cliente mais esfomeado do supermercado. A dúvida nem está propriamente na qualidade daquilo que é comprado, antes na necessidade daquilo que se leva, até porque continua a ser difícil perceber aquilo que é pretendido.
Que abra a janela novamente."

Benfica District: aprovar o conceito, discutir o futuro


"O Benfica District é a decisão patrimonial mais importante do clube desde a construção do Estádio da Luz. Representa uma visão de futuro para o Benfica, para o Estádio e para a sua relação com a cidade. Não é um plano fechado, nem acabado, e isso é positivo. O que os sócios são chamados a decidir é o conceito, a ambição e a direção estratégica. Essa decisão não pode ser encarada como um cheque em branco. Aprovar não significa abdicar de exigência. Significa permitir que a Direção continue a trabalhar, incorporando contributos, detalhando soluções e apresentando, no momento próprio, um modelo final e concreto, que deverá ser novamente submetido à apreciação e aprovação dos sócios.
Depois de analisados os detalhes, há dois pontos estruturais determinantes para o sucesso do projeto, com um objetivo claro: gerar mais receitas para reter talento e ganhar mais.
O primeiro é a utilização do Estádio da Luz. Um ativo desta dimensão não pode continuar a ser utilizado, em média, três vezes por mês. Um estádio moderno deve estar ativo cerca de 150 dias por ano. Para isso, são necessárias duas alterações: a cobertura do estádio e o rebaixamento do relvado, com um sistema eficaz de estrado de proteção. A cobertura permite viabilizar eventos no inverno. O estrado permite realizar eventos ao longo de todo o ano, garantindo sempre a qualidade do relvado. Em Lisboa, existe procura para um grande espaço desta natureza, mas apenas para um. Se o Benfica não for o primeiro a avançar, arrisca-se a oferecer essa oportunidade ao seu rival. Estamos a falar de cerca de 40 milhões de euros adicionais por ano em receitas de eventos.
O segundo ponto estrutural, talvez o mais decisivo, é a escolha do parceiro estratégico. O projeto só faz sentido se implicar investimento do parceiro e não do Benfica, garantindo que o risco financeiro e de execução não recai sobre o clube. A definição desse parceiro deve ser o primeiro grande passo, através de um processo claro, envolvendo entidades com provas dadas na gestão e promoção de estádios de futebol. Operadores internacionais como a Legends, a Anschutz Entertainment Group, a Oak View Group, a Live Nation, a CTS Eventim ou a Lagardère Sports devem ser convidados a apresentar propostas.
Com um parceiro definido para um horizonte longo, por exemplo 30 anos, e com um modelo de partilha de receitas, será possível discutir com rigor as restantes valências do projeto. Este modelo mitiga riscos de derrapagens financeiras e atrasos de execução, garantindo maior disciplina e responsabilização. Para estes parceiros, o racional é simples: investir entre 400 e 450 milhões de euros para explorar um ativo com um valor potencial entre mil e mil e cem milhões de euros.
Para além destes dois pontos estruturais, existem melhorias relevantes a considerar, como a integração da loja e do museu no interior do estádio. Hoje, quem visita o Estádio da Luz não é conduzido de forma natural à história do clube nem à sua principal área comercial. Integrar o museu e a loja no percurso da visita permite modernizar a experiência e aumentar o valor médio por visitante. A história e a identidade do Benfica são ativos únicos e devem estar no centro da experiência.
O Benfica precisa de evoluir, acompanhar os melhores exemplos europeus e valorizar um dos seus maiores ativos. Trata-se de um projeto com impacto para décadas. É natural que os sócios exijam rigor e garantias. Apoiar este caminho e contribuir para o seu aperfeiçoamento é, enquanto sócio, um dever de compromisso com um Benfica vencedor."

Entrevista Geno Crandall

Zero: Mercado - Leão não desiste de Yeremay

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O que mudou na I Liga em 2025?

Observador: E o Campeão é... - 2025 foi um ano positivo para o desporto?