Últimas indefectivações

sexta-feira, 14 de março de 2025

Fever Pitch - Domingo Desportivo - O Benfica é de 8 Mil Sócios

Zero: Ataque Rápido - Extra, Europa...

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Novidades e possíveis surpresas nas escolhas de Roberto Martínez

Zero: Saudade - S03E27 - O meu pé esquerdo: quem são os melhores canhotos de sempre?

Observador: E o Campeão é... - Tragam a lupa: Álvarez tocou ou não?

Observador: Três Toques - O regresso do mergulhador Taremi

Rabona: The quarterfinals are SET as Liverpool & Atleti crash out

Mata Mata: Benfica Despede-se da Champions, Porto em Crise e Vitória Sonha na Europa

Exigência Europeia, Mentalidade de Campeão


"Ficou definido o destino, como se previa. O Barcelona segue em frente e o Benfica fica pelo caminho. Não houve espaço para milagres, nem para rasgos de genialidade que pudessem virar a eliminatória. Em dois jogos, o Barcelona mostrou-se superior, confirmou o favoritismo e foi uma equipa mais capaz. Isso deve ser reconhecido, sem que isso implique resignação.
O Benfica não pode aceitar perder. Nunca. É esse o ADN que fez do clube um gigante europeu, é essa exigência que mantém vivo o espírito do Glorioso. Mas aceitar que, neste momento, há equipas mais fortes não significa baixar os braços. Significa trabalhar para as igualar. E, neste momento, o Barcelona está num nível que estamos longe de conseguir alcançar.
Em três jogos contra os catalães esta época, apenas no primeiro o Benfica foi superior. A derrota na Luz foi frustrante, porque o Benfica teve oportunidades e até uma grande penalidade por assinalar que poderia ter mudado a história da eliminatória. Mas não mudou. E em Barcelona, as diferenças foram evidentes.
Com um plano bem montado por Flick, o Barcelona neutralizou as principais armas ofensivas do Benfica. A linha defensiva catalã funcionou na perfeição, anulando a profundidade que nos havia permitido criar perigo nos jogos anteriores. E quando se deu esse bloqueio tático, emergiu Yamal, que fez um jogo monstruoso e carregou o Barcelona para uma vantagem confortável ainda antes do intervalo. O 3-1 ao descanso foi um golpe demasiado duro para qualquer equipa, e a segunda parte já não serviu para mais do que tentar cair de pé.
Florentino nunca pareceu estar a 100%, Aursnes esgotado, Kokçu inofensivo, Akturkoglu ainda longe do que se espera. Otamendi, por outro lado, foi um verdadeiro capitão. Um guerreiro que lutou enquanto houve esperança. Mas, coletivamente, faltou intensidade e, mais uma vez, eficácia no último terço.
Mas sejamos claros: o problema não foi este jogo em Barcelona. O problema foi a primeira mão, na Luz, onde o Benfica, com um jogador a mais durante 70 minutos, não conseguiu marcar e ainda sofreu um golo. Ali foi onde a eliminatória se perdeu. Ali foi onde não tivemos a coragem e a ousadia que fazem falta para dar o salto na Europa.
A Liga dos Campeões acabou, e o saldo da participação é positivo. O Benfica trouxe prestígio, venceu em Belgrado, em Turim e no Mónaco. Encheu os cofres, mostrou qualidade e caiu contra um candidato ao título europeu. Nada disso é vergonhoso.
O que não pode acontecer é perder 3-1 com o Casa Pia. Esses três pontos pesam mais do que esta eliminação. Porque no campeonato não há desculpas. O Benfica tem de ser superior. E agora, com o foco total no título, exige-se um Benfica forte e determinado.
Três jogos até ao Dragão. Rio Ave, Gil Vicente e Farense. Três vitórias obrigatórias. Porque se queremos ser campeões, não podemos dar margem para deslizes. O Jamor já está alinhavado, mas o título de campeão nacional tem de ser uma obsessão.
Se há algo que esta eliminatória nos mostrou é que ainda há um longo caminho a percorrer para voltarmos a ser uma força temida na Europa. Mas isso constrói-se com hegemonia nacional, com uma mentalidade intransigente e com uma cultura de vitória. Porque o Benfica não pode aceitar perder. Nunca."

Para alguns é motivo de orgulho. Para mim, é mais um título perdido!


"É verdade que (mais uma vez) fomos a equipa portuguesa a chegar mais longe na Europa, no entanto não há como me conformar com a derrota de ontem. Somos o Sport Lisboa e Benfica! A exigência faz parte! O mal do Benfica é haver quem conviva bem com o fracasso, quando um clube como o nosso, não deve perder! Seja contra quem for!
Relativamente à eliminatória frente ao Barcelona, um clube que (segundo as palavras de alguns elementos da sua estrutura) quer vencer na Europa, não se pode dar ao luxo de falhar os golos que falha, nem de cometer erros infantis a nível defensivo.
Por outro lado, temos um Barcelona, favorito a vencer a UFC esta época, que nos ensinou algumas coisas nas 2 mãos, tais como: jogar simples, aproveitar os espaços, rematar à baliza assim que surge uma oportunidade de golo, e de resto tem tudo a ver com a qualidade individual dos seus jogadores.
Agora pergunto-me: Se o Barcelona tem mais condições, em geral, que o Benfica para vencer a Champions League, e nem se dão ao luxo de facilitar naquelas coisas que referi acima; porque é que o Benfica numa situação menos favorável facilita?
Sei que não é fácil vencer uma Champions League, mas creio que um clube como o Benfica poderia aumentar a fasquia e realmente ter como objetivo vencer a competição, deixando-se de desculpas esfarrapadas do género: “Perdemos por causa da maldição de Guttmann” ou “Estivemos quase! A culpa foi da bola à barra/ da arbitragem!” ….
Já mostrámos esta época que conseguíamos vencer o Barcelona! Teríamos vencido aquele jogo na fase de grupos, caso o árbitro assinalasse o penálti (que é um penálti claro) sobre o Leandro Barreiro! Relativamente à arbitragem deixem-me que vos diga que, se formos bons o suficiente, nem a arbitragem nos impede de vencer!
Resta-nos aceitar a eliminatória e nos jogos que nos faltam! Temos um Campeonato e uma Taça de Portugal para ganhar!
Vencer o Rio Ave!"

O homem que não foi e uma flor no traseiro


"Todos os jogadores do Real Madrid foram mostrar a Taça dos Campeões a Franco. Menos Antonio Calpe

Ié-ié. Tradução portuguesa meio em calão de yeah-yeah.
«She loves you, yeah, yeah, yeah
She loves you, yeah, yeah, yeah
With a love like that
You know you should be glad», cantavam os Beatles. Depois, por cá, já havia Os Babies, de José Cid, e depois Os Conchas e Daniel Bacelar, e Os Ekos, e o Conjunto Académico João Paulo, da Madeira, Os Celtas, Os Demónios Negros e Os Sheiks que começaram por ser Windsors e Black Rider, com o meu mano Carlos Mendes, o Fernando Chaby, o Jorge Barreto e o Paulo de Carvalho, mais tarde com outro dos meus amigos queridos, Fernando Tordo. Até existiu mesmo um Concurso Ié-Ié, no Teatro Monumental de Lisboa, e apareceram ainda Os Tubarões, de Viseu, Os Galãs, do Porto, Os Czares, de Aveiro, Os Jovens do Ritmo, do Seixal, Os Chinchilas, de Carcavelos, Os Demónios Negros, do Funchal, Os Diamantes Negros, de Sintra, Os Tártaros, do Porto, Os Bárbaros, de Arcos de Valdevez, e Os Sombras da Parede, inevitavelmente de Parede. Toda uma história!
Em Espanha o fenómeno cresceu em 1963. No feminino, principalmente: Pilar García de la Mata y Caballero de Rodas, Conchita Velasco, Marisol, Rosalía, Lita Torelló, Salomé, Lorella, Ana Belén, Karina, Gelu o Rocío Dúrcal. Em Madrid, por seu lado, o Real abandonava a velhice de Puskás e de Di Stéfano e construía uma equipa de jovens em redor de Paco Gento: José Araquistáin, Pachín, Pedro de Felipe, Manuel Sanchís, Pirri, Zoco, Fernando Serena, Amancio Amaro, Ramón Grosso, Manuel Velázquez e Antonio Calde. El Equipo Yé-Yé. A Marca fez uma primeira página impagável: um grupo de jogadores com cabeleiras à Beatle. Cada nome uma história. Mas é de Antonio Calpe Hernández que eu queria falar. E vou falar.
Talento, classe, caráter e compromisso, diziam dele. Nasceu em Valência, no dia 4 de fevereiro de 1940. Começou no Club Deportivo Alcoyano, que exibe o orgulhoso morcego da região valenciana. A seguir outro morcego: o do Levante Unión Deportiva. Em 1965 o clube passava por uma grave crise económica e precisava de vender. Antonio vai para o Real Madrid. No ano seguinte ganha a Taça dos Campeões. Outras palavras se destacaram no seu horizonte: paternalismo, uniformidade nacional, hierarquização. Os motos de Francisco Franco Bahamonde, o pulha de El Ferrol.
Para o Caudilho (que era viciado na Quiniela, o Totobola dos nossos vizinhos), o futebol foi apenas um instrumento para se declarar vitorioso noutra vertente da sua reles existência, para surgir impante nas fotografias com sua figura de pequeno rinoceronte agachado, para propagar a bondade da sua mensagem torpe. O Real Madrid dava-lhe jeito; o Real Madrid punha-se a jeito.
Heysel Park, Bruxelas, 11 de maio de 1966. O Real ganhou ao Partizan de Belgrado (2-1) e juntou outra Taça dos Campeões às cinco que já tinha. A defesa madrilena jogou com Manuel Sanchís, Ignacio Zoco, Pedro de Felipe ePachín. Calpe, lateral esquerdo, ficou no banco. Teria tempo de assumir o protagonismo.
O protocolo mandava que todos fossem mostrar o troféu a Franco, no Palácio de El Prado. E Zoco, o capitão, juntou os colegas no balneário para os avisar que seria a primeira coisa que fariam no regresso a Madrid. De um canto soltou-se uma voz firme: «YONOVOY!».
Filho da Guerra Civil, Antonio viveu a infância nas ruas de uma Valência destruída, ruas abertas como feridas, destroços de casas, mágoa eterna pelos mortos. A sua memória não admitia ceder perante um tirano calhorda. Não jogava apenas pelo lado esquerdo do campo, caminhava pelo lado esquerdo da vida. Não foi. De apelido era Calpe. Antonio foi-lhe dado em batismo por conta de um tio fuzilado pelos falangistas. Limitou-se a justificar: «No le podía dar ese disgusto a la familia». Viveu mais 55 anos, mesmo que muitos deles destruídos por uma doença sem escrúpulos. Miguel Muñoz, o treinador do Real, dizia dessa sua equipa: «Tengo una gran flor en el trasero…»."

Afunda: S05E46 - Deceções e surpresas

quinta-feira, 13 de março de 2025

Mais uma vez o melhor em campo


"TIRO O CHAPÉU AO OTAMENDI SEMPRE AO MAIS ALTO NÍVEL

Tudo foram razões para mandar abaixo o Otamendi. Deve ser o lado para onde o capitão dorme melhor. Mas, não obstante, tem respondido à letra dentro do campo, com exibições do mais alto nível.
Aprecio no Otamendi, para além das suas muitas qualidades futebolísticas, a atitude competitiva - vai sempre com tudo a cada lance como se fosse o último da carreira; aprecio a forma imperturbável como lida com as situações mais complicadas e difíceis - seja dentro, seja fora do campo; aprecio a forma certeira como se expressa sempre que é chamado às flash interviews ou faz publicações nas redes sociais depois dos jogos.
Ontem, do alto do seu estatuto de campeão do mundo, num jogo tremendamente difícil, em especial na primeira parte, foi o nosso melhor jogador em campo: a defender, a marcar, a assistir, em tudo.
O Otamendi está a fazer, e está a fazer de longe, a melhor época no Benfica - e já vai na quinta. Por mim, pela forma como o vejo jogar, que renove por mais uma época."

A diferença entre Benfica e Barcelona não foi (só) Yamal


"Raphinha e Yamal foram protagonistas do apuramento do Barcelona, mas o Benfica não deve ignorar uma questão central na análise ao jogo de despedida da Liga dos Campeões

Só a melhor versão do Benfica conseguiria virar a eliminatória com o Barcelona, mas o que se viu no Olímpico de Montjuic foi a pior exibição da equipa de Bruno Lage em três derrotas frente ao conjunto orientado por Hansi Flick. O golo de Otamendi — melhor jogador do lado português — ainda deu a ilusão de que a eliminatória estava em aberto, mas ao intervalo já o Barcelona tinha o apuramento para os quartos de final assegurado.
Raphinha manteve o nível dos duelos anteriores com o Benfica — cinco golos apontados às águias, só esta época —, mas Lamine Yamal esteve muito acima daquilo que fez nas duas visitas à Luz, e mais próximo, portanto, de um patamar que o colocará muitas vezes como candidato à Bola de Ouro. O campeão europeu de seleções destacou-se na ausência de Álvaro Carreras, mas não foi por causa de Samuel Dahl, o substituto, que o Benfica entregou a eliminatória, até porque as falhas defensivas foram muito mais coletivas do que individuais.
A equipa de Lage até entrou bem em Montjuic, mas após o 1-1 começou a perder referências de pressão e de posicionamento. O treinador português não abdicou da organização defensiva em 4x4x2, mesmo perante as dificuldades sentidas para incomodar a saída de bola do adversário, e consequentemente para evitar os espaços abertos dentro da estrutura.
Elogiar a definição de Yamal e Raphinha serve também para destacar o fraco rendimento de Schjelderup e Akturkoglu, mas a diferença entre Barcelona e Benfica esteve sobretudo no centro do jogo, onde Pedri,
Frenkie de Jong e Dani Olmo foram brilhantes na forma como ludibriaram a pressão benfiquista, perante a fraca oposição do tridente preferido de Lage. Fredrik Aursnes não jogou na posição 6, desta vez, e embora incansável, como sempre, esteve invulgarmente infeliz no passe, contribuindo também para a incompetência encarnada a explorar a profundidade, perante a subida linha defensiva blaugrana. Florentino teve de apagar fogos que não eram da sua responsabilidade, é certo, mas foi também apanhado fora de posição pela dinâmica de circulação de bola do Barcelona. Kokçu esteve apagado, como tantas vezes, demasiadas até para um jogador que pode vir a custar até 30 milhões de euros.
A oposição era de classe mundial, mas o meio-campo do Benfica mostrou uma fragilidade que não é assim tão esporádica, e que merece ser devidamente valorizada na preparação de 2025/26."

Benfica nunca desistiu


"Está longe de ser fácil a preparação de um jogo, mesmo que caseiro, e com o 12.º classificado da nossa Liga. Vive-se entre o desgaste acumulado e as incidências de uma eliminatória da Liga dos Campeões por resolver e com a respetiva decisão no horizonte. Se acrescentarmos o nome do adversário europeu então, o estado de alerta era absoluto. A gestão era previsível e aceitável, partindo do princípio obrigatório que a vitória com o Nacional seria conseguida. O Benfica utilizava novamente com sucesso, a sua já experimentada opção tática alternativa. Os recursos existentes no plantel, mesmo diminuídos pela vaga de lesões davam mais uma vez resposta positiva, confirmando que o onze preferido pode também ser outro.
Do lado catalão, entretanto, a morte de um elemento do staff determinava a suspensão do jogo do Barça no campeonato. Uma fatalidade que acabou por originar o inoportuno descanso extra do adversário do Benfica, antes do confronto decisivo.

Segunda mão com o Barcelona
Perdida que foi ingloriamente a oportunidade caseira para ganhar vantagem, o cenário traçado para o Benfica era de extrema dificuldade.
Entre o dilema sempre presente de dividir o jogo ou esperar, o Benfica escolhia arriscar na pressão, resultando em espaço para Pedri e Yamal progredirem, criando problemas consecutivos ao 4x3x3 recuperado por Lage. Acontecia a volta de Florentino à sua posição preferida, insuficiente, no entanto, para reprimir a arte adversária. Na ausência forçada de Carreras, Dahl era outra novidade, não pela sua escolha que vem sendo consecutiva, mas pela expectativa de o ver finalmente na posição para a qual foi contratado. Correspondeu positivamente.
Com adversários superiores, já se sabe, exige-se muita atenção, poucos erros e eficácia máxima. Logo no início do jogo, um passe longo, a evitar, para o jogador mais baixo em campo (Dahl), disputar no ar com um central de origem (Koundé), viria a criar o desequilíbrio que deu em golo, ampliando as dificuldades que se previam. Embora o empate não demorasse, o Benfica raramente conseguiu discutir a evidente superioridade adversária. Amadurecer pela posse de bola as possibilidades de aproveitar o espaço traseiro adversário, pouco foi permitido pela teia catalã. Terminado o sonho, fica a atitude da equipa que nunca desistiu até final, mote importante para a dura e mais realista luta pelo campeonato.

De engate
«É um guarda redes de engate» Expressão tradicional da bola que nos habituámos a ouvir, que retrata o rendimento de um atleta, que cresce no jogo de acordo com um bom início, e com as intervenções positivas que vai somando. O exemplo de Szczesny na Luz foi só mais um, de algo que faz parte e se repete. Por vezes o estado de euforia atingido em campo eleva o jogador para um nível paranormal, próximo do invencível. Antes desvalorizado pelos erros cometidos no duelo anterior, o guardião catalão acabou por renascer e influir decisivamente na decisão da eliminatória. Quem diria.
Curiosamente, Lucas França, guarda redes do Nacional que foi figura em destaque também na Luz, iniciou o jogo com uma reposição da bola em jogo falhada, que permitiu a Amdouni inaugurar o marcador. Porém, não se descontrolou, arrancando até para uma exibição de enorme destaque. Dois casos diferentes, mas em que a solidez mental dos atletas é predominante. As defesas importantes produzem efeito positivo nos guarda-redes, mas ao mesmo tempo, provocam insegurança nos que procuram fazer golo. A cada tentativa falhada o avançado vê agigantar-se o seu pesadelo entre os postes.

Os ciclos das equipas
A dinâmica das equipas acaba por funcionar com frequência na mesma onda, ou exaltada por um par de vitórias ou acabrunhada por outros tantos deslizes.
As equipas são arrastadas no sucesso ou inibidas pelas suas oscilações.
Estoril e Moreirense são expoentes coletivos desta teoria no corrente campeonato, de um fenómeno que se repete e que tem relação com uma das referências mais frequentes do discurso futebolístico: confiança ou falta dela. Estado anímico que se reforça ou a dúvida que se instala. Voltando às duas equipas citadas, viveram trajetos opostos.
O Estoril com um começo frouxo, cujo líder parecia condenado cair, mas que foi mantido e bem, tendo em conta a recuperação entretanto conseguida.
Já o Moreirense rentabilizou a dinâmica inicial, mas ante um posterior ciclo negativo foi incapaz de o reverter, o que resultou na saída do seu treinador, num contexto clubístico onde a substituição de treinadores é frequente. Manter a aposta ou desistir, será sempre a questão."

Caiu o Governo, caiu o Benfica. E que tal eleições em dia de dérbi?


"Duas derrotas do ponto de vista português e essa curiosidade de as eleições poderem realizar-se ao mesmo tempo que se conhece outra grande decisão. O futebol e política sempre de braço dado

Caiu o Benfica no mesmo dia em que caiu o Governo. Não é vulgar juntar as duas ideias numa frase, mas os tempos que vivemos são cada vez mais estranhos. Conceitos que tomávamos como surpreendentes num passado não muito distante são hoje uma espécie de «novo normal», essa expressão cunhada há exatos cinco anos quando uma pandemia emergiu para virar o mundo de pernas para o ar e cujas consequências ainda estão bem à vista – não, não ficou tudo bem.
Ao mesmo tempo que as águias sofriam no Estádio Olímpico de Barcelona, no Parlamento assistia-se a outro tipo de transições defesa-ataque, basculações ou recuos, estes de contornos bem mais difusos e até inéditos que os colocam no futuro livro de memórias coletivas, mas não pelas melhores razões.
Na perspetiva nacional, foram dois jogos com derrota: um país que avança para a quarta eleição em cinco anos e meio (nunca visto) revela sinais que roçam a esquizofrenia, ao passo que no jogo jogado na maior montra europeia mais uma vez a regra voltou a sobrepor-se à exceção: Portugal não terá representantes nos quartos de final da Champions – anda, Vitória, agora és o único embaixador de uma nação que aí viste nascer, mesmo que a única esperança lusa esteja na terceira competição da UEFA. Es lo que hay.
Muitos dirão que o que se viu na Catalunha foi muito mais belo do que em São Bento, embora com tonalidades azul grená em vez do vermelho. Porque quando está no ponto, este Barcelona é temível, que o diga o Real Madrid, goleado por duas vezes pelo grande rival nesta temporada. Lamine Yamal é um génio que merece elogios de todas as nacionalidades.
O problema é outro, quando os culés não estiveram no seu máximo nos outros jogos anteriores com os encarnados (como noutros nesta temporada), à formação de Bruno Lage faltou sempre qualquer coisa: os jogadores que não saltaram nos cantos (como bem lembrou o treinador em conversa acalorada com os adeptos) ou a incapacidade de aproveitar superioridade numérica durante 70 minutos. O que não colhe é o argumento da frescura física: recorde-se que o Benfica descansou no campeonato antes da partida da primeira mão dos oitavos de final. Não aproveitou as vantagens e pagou caro na cidade condal.
Regressa assim a velha narrativa bem conhecida neste cantinho à beira-mar: os grandes em Portugal (mas apenas classe média na Europa) voltam a olhar apenas para dentro. Agora há um campeonato e uma Taça de Portugal para disputar, dois títulos que terão os velhos rivais de Lisboa em posição de destaque, adivinhando-se, nos próximos dois meses, uma luta tão intensa quando a campanha eleitoral. Que sejam ambas dignas.
Num país onde o futebol e a política andam tantas vezes de braço dado, os atros colocaram o dia das eleições a bater com um dia de grandes decisões na bola. Marcelo Rebelo de Sousa terá muitas coisas em que pensar, mas não ficará alheio ao facto de uma das datas disponíveis (11 de maio) poder ser o do dérbi na Luz que pode determinar o próximo campeão.
Poderá ser o chamado novo teste à maturidade do povo, que há um ano deu mostras de conseguir conciliar dia de jogo com o dia de voto, esse tabu que resistiu durante tantos anos. Nem tudo é mau."

Terceiro Anel: Bola ao Centro #116 - Um banho de realidade!!!

5 minutos: Diário...