Últimas indefectivações

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Factos que falam por si

"1 – O Sport Lisboa e Benfica foi vítima de roubo de toda a sua correspondência electrónica privada. Poucos dias depois da célebre reunião do Altis, entre os Directores de Comunicação do FC Porto e do Sporting Clube de Portugal, o fruto desse roubo viria a ser exibido no Porto Canal pelo Director de Comunicação do FC Porto. Nessa mesma altura, amigos de infância e universidade do hacker ontem detido passaram a ser figuras em destaque no Porto Canal, onde os emails do Sport Lisboa e Benfica eram semanalmente exibidos de forma truncada e manipulada.
2 – Posteriormente, essa difusão era, de forma organizada e criminosa, ampliada pelo blogue “Mercado de Benfica” e por blogues afectos a uma conhecida empresa de comunicação contratada pela anterior direcção do Sporting Clube de Portugal. A partir do momento em que, por decisão do Tribunal da Relação do Porto, o Porto Canal foi proibido de fazer essa divulgação, passaram a ser esses blogues a difundir em primeira mão os emails obtidos ilicitamente.
3 – O Tribunal da Relação do Porto deliberou pela proibição imediata da divulgação criminosa dos emails por parte do Porto Canal. A ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social) condenou o Porto Canal e o Director de Comunicação do FC Porto, dando como provado a deturpação e manipulação da informação constante dos emails. E no âmbito da justiça criminal, o mesmo Director de Comunicação do FC Porto foi constituído arguido pelos crimes de divulgação de correspondência privada e ofensa a pessoa colectiva, e toda a administração do FC Porto, com o seu presidente à cabeça, foram também constituídos arguidos pelo crime de ofensa a pessoa colectiva. Existindo neste momento mais de uma dezena de processos judiciais interpostos pelo Sport Lisboa e Benfica.
4 – Demonstrando estarmos perante uma rede criminosa altamente organizada e profissional, ao longo destes meses assistimos a um trabalho minucioso de divulgação de emails. Mais recentemente, outras entidades e instituições, entre elas prestadores de serviços jurídicos ao Sport Lisboa e Benfica, foram também vítimas de violação e divulgação da sua correspondência privada, eliminando em definitivo a tese de que o roubo dos emails poderia ter origem interna no nosso clube.
5 – Ontem, tomámos conhecimento, no âmbito da operação Cyberduna, da detenção do alegado responsável pelo roubo da correspondência electrónica privada do Sport Lisboa e Benfica, estando em causa, de acordo com a Procuradoria-Geral da República e com a Polícia Judiciária, factos susceptíveis de integrarem crimes de extorsão qualificada na forma tentada, acesso ilegítimo, ofensa a pessoa colectiva e violação de segredo.
6 – Na sequência da conferência de imprensa da Polícia Judiciária, também ficou claro que estava em causa a falsificação de documentos, realçando-se que, da nossa parte, alertámos desde o início para os riscos de ser assumido como fonte credível (e com divulgação feita de forma criminosa e como verdade absoluta) emails truncados, falsificados e totalmente descontextualizados.
7 – Cibercrime altamente sofisticado, implicando tanto tempo e recursos, nunca seria feito de forma graciosa. Foi dado mais um passo no sentido da descoberta da verdade e será importante perceber as motivações e quem esteve por detrás disso.
8 – O Sport Lisboa e Benfica já manifestou que acompanhará de forma intensa e atenta todo este processo reiterando total disponibilidade para colaborar no que lhe for solicitado na descoberta da verdade. O tempo é da justiça!"

Benfiquismo (MLXVII)

Camarate

Lanças... Tuguices !!!

Tempo de Justiça e Verdade: Cyberduna



"O Sport Lisboa e Benfica – Futebol SAD tomou conhecimento da detenção, no âmbito da Operação Cyberduna, de um cidadão nacional de 30 anos que, alegadamente, será o responsável pelo roubo da correspondência electrónica do Benfica.
De acordo com a informação tornada pública pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Judiciária, estão em causa factos susceptíveis de integrarem crimes de extorsão qualificada na forma tentada, acesso ilegítimo, ofensa a pessoa colectiva e violação de segredo. Este é o tempo da Justiça e da Investigação.
O Sport Lisboa e Benfica respeita e seguirá atentamente o desenvolvimento do processo. Reitera que dará todo o seu contributo – na medida em que este lhe for solicitado – para que se descubra a verdade.
O Sport Lisboa e Benfica – Futebol SAD estará, como sempre esteve, à disposição das autoridades e espera que este seja um passo importante para que se chegue à verdade e às motivações que possam ter estado por trás de um crime que tantos danos causou e continua a causar ao Sport Lisboa e Benfica."

A caminho...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Vitória na Roménia...

Zalau 1 - 3 Benfica
25-23, 15-25, 19-25, 22-25

Obrigação cumprida... Após o sorteio desta competição, ficámos a saber que éramos favoritos até este momento! A partir de agora, tudo o que vier à rede é peixe!!! Vamos defrontar os Russos do Belogorie, que são claramente favoritos, mas...

A derrota no 1.º Set, acabou por fazer bem à equipa, pois nos dois seguintes, não demos a mínima hipótese aos Romenos... E no 4.º Set, mesmo com a rotação, e com a qualificação já garantida, vencemos!

Vitória tranquila...

Benfica 33 - 17 Boa-Hora
(18-7)

Jogo com pouca história, que deu para o João da Silva ir ganhando ritmo e confiança... e para o Nyokas confirmar a subida de rendimento.

Goleada... enganadora!

Benfica 4 - 0 Ac. Viseu


Estreia do Renato Paiva ao comando da equipa, com uma goleada... mas não foi tão fácil, como o marcador dá a entender!

A primeira parte não foi grande 'coisa', marcámos um golo, mas tivemos sempre muita dificuldade em controlar o jogo... Melhorámos o posicionamento na 2.ª parte, mas mesmo assim, fomos acumulando golos, a jogar em contra-ataque...

Uma das situações que mais me irrita, são as perdas de bola, em zonas proibidas, por distracções parvas! Hoje, o Ferro e o Florentino por exemplo, tiveram desconcentrações deste tipo... Fazem parte do crescimento dos jogadores?! Certo... mas...
E em relação ao Florentino, no que concerne à capacidade de recuperação de bola, mesmo ao nível dos contactos físicos, na minha opinião, já está preparado para o equipa principal!!!

Na flash-interview no final da partida, o Renato explicou tudo, mas mesmo tudo... A equipa tem princípios de jogo bem treinados, mas não anda em piloto-automático!!!

Uma nota para os 6 lesionados (a maior parte com lesões graves!) que afectam jogadores desta equipa! É muita gente...!!!

Descafeinado

"1. Os casos de violência sucedem-se no futebol português, mas está longe de ser um problema local. É, sim, civilizacional: «Vou matar-te!», disse um menino de 8 anos para uma jovem arbitra em Espanha. Ela acabou a carreira, mas o que fazemos com ele?
2. «Vieste aqui encomendado pelo Benfica!», disse Beto (team manager do Sporting) ao árbitro, em Tondela. Tenho tanta dificuldade em comentar este caso como o do ciclista de 90 anos apanhado com doping. Porque se há coisas estupidamente lógicas, também as há logicamente estúpidas.
3. O Sporting - FC Porto foi um clássico descafeinado que até parecia mais importante para os dragões. Já se fala que Marcel Keizer pode ser o realizador da sequela do filme de 1989. Querida, encolhi os miúdos.
4. Só um clube pode ter Messi, mas todos o procuram, como se pudesse haver mais espalhados por aí. O Benfica não pode ter Mourinho, pelo menos agora, mas deve continuar a procurá-lo. Talvez ele esteja em Bruno Lage e nos seus feelings, talvez não, mas a aposta faz sentido e (escrevo antes do encontro de ontem) tem sido. lufada de ar fresco na proposta de jogo e no discurso. Mas atenção: o que herda, o que lhe pedem, é tão difícil como ter um livro numa discoteca.
5. Sugestões à FPF: depois de ouvidos os treinadores (e bem), porque não os capitães de equipa?
6. Jorge Jesus e Rui Vitória outra vez juntos, agora na Arábia Saudita, a lutar pelo título, é cósmico e cómico.
7. Muito se fala em tempo útil de jogo. Há uns anos, vi um treinador da formação (no caso do Benfica) a mandar um jogador ficar no chão quando este se levantava após sofrer um falta, nos últimos minutos. A discussão pode travar-se na primeira divisão, mas o problema começa muito antes.
8. No dia em que me sentar à frente da televisão para ver o Índia - Barém ou o Quirguistão - Filipinas, da Taça da Ásia, liguem sff ao meu médico."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Duelo de equilíbrios

"Destaque para a ascensão e abrangência do jogo de João Félix, no passe, movimento e finalização

Estratégias
1. Jogo de Taça, apuramento para as meias-finais em causa e poucas alterações nas duas equipas. O Vitória em 4x3x3, com o triângulo do meio-campo aberto, Joseph e Matheus com a preocupação no fecho posicional de Fejsa e Gabriel e o Benfica no sistema de 4x4x2, com dois falsos alas, já que Pizzi e Zivkovic posicionaram-se constantemente por dentro. Estratégias idênticas em organização defensiva, não pressionando as primeiras fases de construção e com zonas/jogadores de pressão bem definidas. Do lado do Vitória fecho de jogo interior e forte pressão em Pizzi; do lado do Benfica fecho em corredor lateral, orientando quase sempre a pressão em Pedro Henrique. Na primeira parte o Benfica com mais bola, assente num jogo de apoios bem definidos em jogo interior, salientando o quadrado no meio-campo, efectuado pelo duplo pivô defensivo e os alas muito por dentro. Na segunda parte realço a capacidade do Vitória na reacção a capacidade do Vitória na reacção à perda e o ataque constante na verticalidade, procurando sair muitas vezes por fora, explorando a subida simultânea de André Almeida e de Grimaldo.

O golo
2. Em termos ofensivos, um Benfica assente num padrão posicional, com passe curto, demonstrando uma grande capacidade em jogo interior e em constantes apoios frontais (jogar de frente). João Félix é o avançado que procura mais vezes o jogo interior e exterior, com Seferovic mais em apoio frontal e no ataque a zonas de finalização. Neste ponto situa-se o momento do golo do Benfica com o movimento de João Félix nas costas do segundo central do Vitória, no espaço entre o lateral e o central (passe fantástico de Rúben Dias).

Transições
3. Em termos de transição ofensiva, destaco a clara intenção do Vitória em acelerar o jogo através do passo vertical, com canais exteriores bem definidos, através da relação lateral/ala. No momento da perda, o Benfica preocupava-se em reorganizar em termos posicionais, abdicando da primeira reacção de pressão, tentando rapidamente o equilíbrio estrutural.

Destaque
4. Uma palavra para os adeptos do Vitória, simplesmente extraordinários, pois num momento de desequilíbrio no resultado, incentivaram e deram uma energia extra de fora para dentro, capitalizada na forma como foi a reacção do Vitória na segunda parte. Termino, destacando a ascensão e a abrangência do jogo de João Félix, no passe, no movimento e acima de tudo na finalização."

Ricardo Soares, in A Bola

Jogo a jogo

"O campeonato português tem hoje um conjunto de treinadores bem preparados, actualizados e prontos a responder às mais altas exigências do futebol moderno. Há conhecimento e qualificações ao nível do melhor que existe na Europa.
Bruno Lage é o mais recente exemplo da qualidade que temos na Liga NOS. Ontem, num vibrante Vitória de Guimarães-Benfica (quartos-de-final da Taça de Portugal), o espectáculo foi prolongado para além dos 90 minutos pelas exemplares conferências de imprensa dos dois treinadores: respeito pelo adversário, vontade de explicar o jogo e enorme fair-play. Deveria ser sempre assim. Grande lição de desportivismo de Bruno Lage e Luís Castro.
O Benfica venceu mas tem já na próxima 6.ª feira novo duelo frente a esta mesma equipa, agora para o campeonato. É, como se sabe, um adversário de enorme qualidade. Trata-se de mais um teste de grande dificuldade, mas que acreditamos poder voltar a superar.
A temporada chegou a meio e o Benfica já vai com 34 jogos oficiais realizados. E continuando em todas as competições, está já garantido um mínimo de mais 22 jogos: 17 para o campeonato, 2 para a Taça de Portugal, 2 para a Liga Europa e 1 para a Taça da Liga. Ou seja, o Benfica 2018/19 fará, pelo menos, 56 jogos.
A possibilidade de atingir as finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga – e ainda a perspectiva de chegar o mais longe possível na Liga Europa – permite projectar um novo máximo nacional, talvez acima dos 60 jogos numa época.
O melhor mesmo é seguirmos todos o conselho de Bruno Lage: “Isto é jogo a jogo.” E no final fazem-se as contas."

Cadomblé do Vata

"1. Lage continua a repetir o erro de colocar João Felix a titular... a continuar assim, o LFV vende o puto antes do final do mês.
2. Jogo difícil, com adversário complicado e relvado impraticavel... para sacar uma boa exibição naquele batatal, tínhamos de ter no banco o Eng. Sousa Veloso em vez do Lage.
3. Nenhum adepto do SLB consegue disfarçar a alegria de ver a equipa sair a jogar a partir da defesa... isto até a bola chegar ao Jardel e começar tudo a gritar "chuta para a frente, mete para fora, livra-te dela".
4. Samaris voltou a ser a principal alternativa a Fejsa, mostrando que ainda sabe varrer aquele meio campo e dois ou três adversários como ninguém... o outro chama-se Alfa, mas no Glorioso o melhor comboio ainda continua a ser o grego.
5. Bela resposta de Bruno Lage à pergunta do tipo-género-mais-ou-menos jornalista da CMTV... todos os dias se discute a agressividade de Felipe e dp Rúben Dias em campo, mas a entrada a pés juntos da época foi feita pelo nosso técnico."

Príncipe...!!!

Pormenor...

"Terá passado despercebido à generalidade dos analistas de futebol mas ontem, Bruno Lage deu uma pista sobre o que o distingue como treinador e, de algum modo, essa declaração foi uma espécie de trombeta a anunciar os tempos vindouros. O novo treinador do Benfica explicou, com algum detalhe, que durante três anos tinha sido o autor de todas as observações que a equipa técnica de Carlos Carvalhal realizou aos adversários no futebol inglês.
Ou seja, foi Bruno Lage quem observou, retalhou e decifrou os planos mais escondidos de cada adversário que se atravessava no caminho das equipas treinadas por Carlos Carvalhal. Nos últimos anos, após o boom táctico que se verificou com a importância crescente que foi atribuída pelos treinadores à definição do modelo e a forma como ele se operacionaliza em treino e jogo, começou a emergir o interesse pela estratégia. E esse será, sem dúvida, o futuro.
Ou seja, caminhamos num sentido que atribui ao conhecimento do adversário pelo menos a mesma importância do que a definição de um modelo próprio de jogo. Conhecer bem o adversário tornou-se fundamental e quanto maior for esse conhecimento mais perto se estará de ter sucesso. A isso chama-se estratégia, em futebol e ela vai predominar nos próximos anos. Será factor crítico de sucesso. E se há treinador preparado para se impor nessa emergente característica de preparar uma equipa para a competição, ele é Bruno Lage."

A sopa perdida de Garcia Marquez

"Bogotá, Calle 7. O dr. Jorge Eliécer Gaitán e o seu grande amigo Plinio Mendoza Niera saíram de braço dado pela porta do edifício Agustín Nieto. Estava frio nesses primeiros dias de Abril de 1948, mas havia um sol acolhedor sobre a cidade da Santa Fé. E, na véspera, Gaitán estivera brilhante na barra do tribunal. Em Viver Para Contá-la, Gabriel Garcia Marquez fala desse momento: «Gaitán era o homem do dia em todos os noticiários por ter obtido um perdão para o tenente Jesus María Cortés Poveda, acusado de ter assassinado o jornalista Eudoro Galarza Ossa. (...) No meio de toda esta atmosfera intensa, sentei-me para almoçar na sala de refeições da pensão onde morava, a menos de três quarteirões do cruzamento entre Carrera Séptima e a Avenida Jimenez de Quesada. Ainda não tinha tocado na sopa quando Wilfrido Mathieu se sentou horrorizado à minha mesa: ‘Este país está fodido! Mataram Gaitán em frente ao El Gato Negro!’».
A vitalidade anfetamínica do repórter Garcia Marquéz, do jornal El Universal, fez com que saltasse da cadeira e corresse por entre as ruas apinhadas do centro de Bogotá até ao lugar onde Gaitán estivera estendido. Só encontrou uma poça de sangue e alguns doentios curiosos que a cheiravam como chacais. Ao lado, por detrás das grades de ferro da mercearia Granada, o homem que o baleara pelas costas, suplicava a um polícia: «Por favor, não deixe que me matem!». Tinha 26 anos, sofria de esquizofrenia e parece que odiava Jorge por lhe ter recusado um emprego. A filha de Gaitán, Gloria, não tardou a apontar o dedo acusador à CIA. Outra teoria, bem menos credível, baseava-se numa ordem dada por um jovem cubano ao serviço da União Soviética. O mesmo jovem cubano que tinha um encontro marcado com o advogado, pelas três horas dessa tarde: Fidel Castro. A morte antecipou-se.
Nos dez anos que se seguiram, os mortos tomaram conta da Colômbia e transformaram o país num corso infindável de cerimónias fúnebres. Chamaram a esse período triste ‘La Violencia’. Em contas, por alto, mais de 300 mil assassinados.
1948 foi o ano em que as balas se espalharam pelas ruas das cidades colombianas e foi, também, o ano em que se disputou o primeiro campeonato profissional de futebol do país. E sim, os fenómenos foram propositadamente coincidentes. O Governo de Mariano Ospina Pérez apoiou seriamente a competição numa tentativa declarada de encontrar um entretenimento popular. O professor e escritor Guillermo Ruiz Bonilla afirma-o firmemente: «Não tenho quaisquer dúvidas de que o futebol se tornou num apelo às massas para se afastarem da violência que surgiu após o assassínio de Gaitán. Uma arma que o Governo podia dominar. Nada se lhe comparava em entusiasmo. Quanto muito as corridas de cavalos. Se Gaitán não tivesse morrido, o campeonato teria sido adiado por mais dez ou doze anos». Assim sendo, de maio a Agosto, o futebol criou raízes nos campos da Colômbia como se fosse mais uma das 130 mil espécies diferentes de flores que crescem nos cerrados que rodeiam Bogotá.
Dia 11 de Agosto, 11 horas da manhã. Precisamente 126 dias sobre a morte de Gaitán, tinha início o primeiro jogo da que ficou conhecida pela Dimayor. Todo o poder financeiro e influência política levavam a crer que o Millionarios seria campeão com uma perna às costas. Afinal tinha como presidente um empresário e advogado, Manuel Briceño Pardo, proeminente membro do Partido Conservador. Só que o futebol tem dentro de si uma irresistível alma libertária.
Chonto é uma palavra que pode ser traduzida de muitas formas. Para começar, trata-se de um tomate, assim meio em forma de ovo. Depois serve como adjectivo ou alcunha: duro, forte, resistente. 
Enquanto os rapazes do Millionarios passeavam orgulhosos as suas camisas de linho, o Independiente de Santa Fe, dos estudantes do Colegio Mayor de Nuestra Señora del Rosario, ironicamente tratados por Cardenales, dedicou-se à tarefa de ser o primeiro campeão colombiano. Na baliza, tinha Julio Gaviria Zapata, ‘El Chonto Zapata!’. E nunca ninguém como Zapata. Um absoluto dominador dos ângulos. Um passo apenas, para frente ou para o lado, fechava o espaço do golo adivinhável. Uma agilidade voadora que abria bocas de espanto; uma forma de segurar a bola que fazia com que os seus braços parecessem asas que algum deus distraído se esqueceu de acabar. E ainda por cima, um emérito contrariador de penalties. Talvez a sua presença escura debaixo da trave assustasse os adversários. Ficava calmamente à espera de os ver correr para a bola, a sua imobilidade esticava-lhes os nervos até à tensão de uma corda de violino. Depois, simplesmente, encarnava o indomável coração de Santa Fé de Bogotá. Talvez Gaitán tenha aproveitado a morte para poder vê-lo do céu."

Dos interinos e dos riscos do instantâneo

"A diferença entre um técnico assumidamente a prazo e um técnico implicitamente a prazo reside apenas no advérbio.

Significado de interino:
1) aquele que exerce funções durante o impedimento ou falta do funcionário efectivo;
2) não efectivo, provisório.
Em última análise, a segunda leitura traduz a vida de qualquer treinador de alta competição, independentemente do que estipula o contrato que assinou com a entidade patronal. Do mesmo modo, a primeira definição não descarta a eliminação, a prazo, do carácter transitório para transformar o cargo numa certeza, a certeza possível numa realidade tão dinâmica como o desporto de elite. A diferença entre um técnico assumidamente a prazo e um técnico implicitamente a prazo reside apenas no advérbio.
Olhamos para o futebol actual e facilmente percebemos que a esmagadora maioria dos treinadores tem os dias contados e que essa contabilidade é feita de resultados. Mas nem todos carregam o mesmo fardo, mais que não seja porque o capital de tolerância dos jogadores e adeptos vai sofrendo um processo de erosão em função dos anticorpos gerados num passado recente. Nesse sentido, não, por enquanto Bruno Lage não está submetido ao mesmo rolo compressor de exigências que acompanhou a primeira época de Rui Vitória ou de Jorge Jesus no Benfica, assim como Ole Gunnar Solskjaer terá, até ver, uma margem de manobra mais ampla do que tiveram José Mourinho ou Louis van Gaal no Manchester United.
Não está em causa a desaceleração da obrigatoriedade de ganhar, especialmente em clubes que lutam endemicamente por títulos, mas tão-só o contexto em que os interinos iniciam funções. Chamem-lhes bombeiros de serviço, destinados a extinguir o fogo para que um “arquitecto” possa, mais tarde, desenhar o edifício de raiz; chamem-lhes gestores de fortunas, convocados para reconduzirem as contas das competições ao verde e evitarem a desvalorização dos activos. No imediato, serão sempre uma solução de recurso, um maquinista escolhido já com a locomotiva em andamento, a quem não se pode pedir mais do que evitar o descarrilamento.
Luís Filipe Vieira não quis comprometer-se com uma janela temporal para Bruno Lage. Compreende-se. Assim como se compreende que a direcção do Manchester United tenha tornado público que Solskjaer ficava até final da temporada. Pelo menos... Porque o ainda treinador do Molde está a fazer tudo para complicar a vida aos decisores e para, à medida que vai ganhando jogos e conquistando os sócios (o recente triunfo no terreno do Tottenham contribuiu ainda mais para essa aproximação), inviabilizar o plano A de arrancar 2019-20 com um nome tão consensual quanto possível, para um projecto de médio prazo.
É este traço de transitoriedade, esta habilidade para moldar o significado das palavras, que faz do futebol um universo aliciante. Só à luz desta esquizofrenia é possível aceitar, por exemplo, que um treinador “roubado” a um Campeonato do Mundo, com um contrato milionário de três temporadas, aguente o barco do Real Madrid apenas durante dois meses e meio (estamos a falar de Julen Lopetegui, obviamente), ao mesmo tempo que um treinador interino, chamado de urgência em Março de 2012, concretize, 75 dias mais tarde, o maior sonho da história do Chelsea, ao erguer o troféu da Liga dos Campeões, em Munique (referimo-nos, claro, a Roberto Di Matteo).
É a capacidade de ganhar repetidamente que determina a duração da lua-de-mel, por muito que as direcções dos clubes mais prevenidos tenham na forja casamentos futuros. Que sentido faz puxar o tapete a quem, em situação de emergência, conseguiu levantar uma equipa do chão? Como explicar aos adeptos a decisão de abdicar de um treinador que repôs o barco a navegar contra ventos e marés, somente para obedecer a um planeamento criterioso?
Foi com este dilema que se debateu o Chelsea no arranque da época 2012-13 — e também o Liverpool um ano antes, perante a recuperação operada por Kenny Dalglish, ou o Leicester City em 2017, quando Craig Shakespeare assumiu o cargo. Em comum, muitas destas fábulas (de duração e sucesso variáveis) têm como protagonista um homem da casa, com um passado no clube que permita construir uma ponte sólida com os adeptos.
É uma espécie de fórmula instantânea para consumo imediato, mas que ultrapassa muitas vezes a condição de mero instrumento de gestão corrente das direcções. Uma solução que corre o risco de ganhar vida própria e resgatar as rédeas do próprio destino."

Vingar no futebol sénior: ciência ou sorte?

"Inúmeros são os atletas que, evidenciando algum nível de talento e tentando fazer o melhor ao seu alcance, nem sempre vingam na carreira profissional desejada. Em boa verdade, uma percentagem ínfima de praticantes chega ao tão desejado futebol profissional... pelo menos, ao futebol que “pinta” a imprensa e restante media.
A grande maioria, acaba por desenvolver a sua carreira em clubes de ligas menores – muitas vezes com elevados níveis de entrega e sacrifício pessoal (por serem empurrados para “carreiras duais” – trabalhando de dia e treinando de noite) mas sem o tão desejado reconhecimento e retorno financeiro.  
Aposta na Profissionalização? Nem Sempre
De facto, “futebol ciência” é um propósito vivido apenas nos grandes clubes onde, para se poder ter “futebol profissional”, se investe numa estrutura igualmente profissional – por outras palavras, o desempenho desportivo destes atletas, resulta da acção invisível de um conjunto de outros excelentes profissionais que, tendo também eles condições para se dedicar ao seu próprio trabalho, diariamente contribuem para transformar todas as acções/metas cada vez mais quantificáveis, avaliáveis, mensuráveis... logo passíveis de serem optimizadas através de processos com evidência científica. 
Curiosamente, mesmo quando um clube recebe um investimento externo (por ter sido comprado, por exemplo) a aposta passa por tentar adquirir o melhor treinador e os melhores atletas que o orçamento possa comportar (soluções a curto prazo – infelizmente, a “bandeira nacional”) e não num claro investimento na profissionalização da estrutura, essa sim, a única possível responsável pela elevação da qualidade que o Clube conseguirá “produzir” a médio/longo prazo (e que, paradoxalmente, poderá vir a garantir a subsistência do mesmo).

Soluções Para os Atletas? Foco na Tarefa!
Fruto deste enquadramento, o possível sucesso desportivo de um atleta resulta, invariavelmente, de 3 escolhas (tarefas):
- Aposta clara, durante o período de formação do Atleta (diria, pelo menos até aos 20/21 anos), em clubes que apresentem sólidos projectos de formação, assentes em boas condições desportivas e de estrutura, no que respeita aos profissionais que iram suportar a sua prática desportiva – ao invés de procurar o clube que, no imediato, “paga mais” (a curto prazo “muito apetecível”, mas a médio-prazo pode vir a revelar-se uma decisão que compromete claramente a progressão na carreira)
- Empresário – esta é uma área que, espera-se, esteja a mudar francamente em Portugal. Mais do que o “habilidoso em comunicação” que “diz” ter inúmeros contactos (infelizmente, ainda o mais usual), é importante que, na altura de se escolher, se encontre um “parceiro” – alguém com quem se partilhe valores morais e se construa um projecto comum, assente numa base de confiança e compromisso (algo que ainda não é muito comum, seja da parte do empresário ou mesmo do próprio atleta, que também precisa mudar a sua atitude neste tipo de relação). Felizmente, já começam a aparecer bons exemplos de profissionais/empresas que levam esta função também de forma profissional – cabe ao Atleta escolher um “aliado” que evidencie resultados... e não apenas que afirme que os tem.
- Por último, e o mais importante de tudo (por ser a Única coisa que o Atleta Controla), que de fato viva, desde já, a realidade que quer vir a experienciar no futuro ou, por outras palavras, não fique à espera de “ser” atleta profissional para se começar a Comportar como tal.

E a Sorte?
Sabemos, de facto, que as oportunidades surgem, com mais frequência, a atletas que, de forma consistente, evidenciam esforço, entrega e capacidade de sacrifício, encarando cada treino como mais uma oportunidade de crescimento e progressão que não querem, de todo, perder – entrega e intensidade são, desta forma, variáveis fundamentais para poder aumentar a probabilidade de sucesso. A “sorte” é aquela “pitada de sal” com a qual o atleta não deve contar e que, se surgir, irá (momentaneamente) elevar a sensação de realização que, desde sempre, o Atleta deve estar já a ser capaz de sentir.
Afinal, é suposto ser “Bom”... é suposto querer-se esta carreira porque, acima de tudo, o atleta se sente feliz – felicidade esta que, condicionando extraordinariamente o rendimento do atleta (que tende a evidenciar os melhores resultados sob esta emoção), depende apenas do próprio e não do retorno e reconhecimento externo – aliás, como tantos casos de “aparente” sucesso e clara desmotivação/infelicidade, assim o comprovam."

Benfiquismo (MLXVI)

Força...

Vermelhão: Manter o espírito de vitória...!!!

Guimarães 0 - 1 Benfica


Estamos nas Meias-finais da Taça de Portugal, onde vamos defrontar o vencedor do Feirense-Sporting de amanhã, em dois jogos. Foi um jogo sofrido, com uma segunda parte mal jogada pelas duas equipas (praticamente não houve oportunidades), com o Benfica a tentar controlar a vantagem mínima... e a conseguirmos!!! Foi uma vitória, sobre o Vitória, sem o Vitória (não resisti)!!!

Não foi só uma questão de eficiência, como o treinador do Guimarães disse: o Svilar fez uma exibição segura, mas sem intervenções de grau de dificuldade elevada...; o Benfica na 1.ª parte marcou o golo, e criámos pelo menos mais duas excelentes oportunidades...!!! A melhor oportunidade do Guimarães durante todo o jogo, acabou por ser um lance, antecedido por um fora-de-jogo não assinalado!!!
O Gabriel já tinha feito uma exibição positiva em Ponta Delgada, e hoje foi claramente o melhor em campo, está a ganhar ritmo e confiança. Em conjunto com o Félix, foi o jogador que mais beneficiou com a mudança para o 442... está a jogar no seu sítio! O Gedson terá sido o que mais saiu prejudicado com a mudança de 'sistema'!
O Svilar também merece destaque, não pelas defesas 'impossíveis', mas pela forma tranquila como jogou, transmitindo confiança, e muito bem nas saídas pelo ar...!!!

O Fejsa não tem estado em grande forma, mas espero que a substituição ao intervalo tenha sido somente por precaução, pois neste momento todos fazem falta. A equipa está numa sequência apertada de jogos, com pouco tempo de recuperação e todos são precisos!!! Por exemplo, as ausências do Jonas e do Rafa neste momento, são preocupantes...!!!

Quem estava à espera que a mudança de treinador, mudasse tudo, vão começar provavelmente a 'atirar-se' ao Lage. Mas a realidade não se adapta aos delírios dos heróis do FM!!! O Benfica praticamente não tem tempo para treinar... Estamos a fazer uma 'quase' pré-época, a meio da época, com jogos de 4 em 4 dias (neste caso 3!!!) Muito já o Lage fez... E nesta fase, mais do que jogar bonito, é preciso manter o espírito vitorioso...
Para Sexta, o mais importante será a recuperação física, o Seferovic, o Félix terminaram o jogo de rastos... o Pizzi saiu todo roto (devia ter saído mais cedo), e mesmo os defesas começam a ressentir-se do excesso de jogos! O Guimarães também não irá rodar muito, mas todos os minutos, até ao jogo da Liga, são necessários para recarregar as baterias!!!

Que dizer do Huguinho e do seu critérios disciplinar (por exemplo o Amarelo ao Pizzi!!!) Quando depois das arbitragens do fim-de-semana em São Miguel e no Alvalixo, poucos dias depois, os mesmos apitadeiros, são nomeados para os jogos decisivos da Taça, envolvendo as principais equipas, está tudo dito...!!!



Nulo, reforça liderança!!!

Rio Ave 0 - 0 Benfica


Com a derrota do Sporting, acabámos por 'ganhar' um ponto, com este empate!
O jogo foi fraquinho, mas durante a maior parte do tempo, fomos nós que criámos mais perigo... Nos últimos 20 minutos, acabámos por baixar de rendimento, e foi o Celton (e o poste) com mais uma grande exibição, a garantir o pontinho!!!
Mais um jogo, onde os nossos jogadores foram agredidos várias vezes, e o apitadeiro, nada fez!!!