"Recordo-me de ter aderido imediata e entusiasticamente à proposta da construção de um novo estádio da Luz, apesar de partilhar, então, os mesmos anseios da generalidade dos benfiquistas, como a eventual perda de identidade ou as dificuldades financeiras prementes após anos de má gestão (e danosa em parte deles) que, eventualmente, se agudizariam face ao elevado investimento necessário. Conhecia bem o estado de degradação do velhinho estádio, colocando de lado a mais simpática, do ponto de vista afectivo, hipótese de remodelação. A propalada partilha de um estádio com o Sporting, motivada por um economicismo, para mim, incompreensível, nunca foi solução, e sempre que a questão se colocou, bati-me ferozmente com quem defendia esse ponto de vista.
O que não vislumbrei na altura é que um estádio é mais que uma mera infra-estrutura (a edificação do Caixa Futebol Campus é também um belo exemplo). Luís Filipe Vieira e Mário Dias, os homens a quem, nessa fase de indefinição, se deve a ousadia da empreitada, bem clamavam por supostos benefícios que julguei não passarem de promessas vãs. Acreditava que evitar que o Sport Lisboa e Benfica se visse, um dia, a contas com intervenções forçadas e muito onerosas que não passariam de remendos era argumento suficiente.
Mas, passados quinze anos, torna-se evidente a diferença entre sonhadores e visionários. Sonhar é fácil. Ter a capacidade para sonhar, implementar o sonho e cumpri-lo é outra conversa. O novo estádio da Luz foi, de facto, o catalisador prometido para o Benfica moderno, pujante associativa e desportivamente e viável económica e financeiramente preconizado. Sempre fomos o maior clube português, voltámos a ser o melhor."
"O fim de semana passado não correu bem. Começou logo na noite antes do jogo no Estádio Nacional, com a RTP Memória a transmitir um Belenenses - Benfica do fim da década de 1990. Deu para ver o romeno Panduru a chutar bolas para a bancada, Tahar a ser titular e os agora comentadores José Calado e José Sousa a darem uma ajuda na defesa e no meio-campo. Essa equipa era treinada por Graeme Souness e tinha ainda estrelas como Martin Pringle, Michael Thomas ou Erwin Sánchez, o Platini dos Andes. O passeio pelo passado durou pouco, tive de mudar de canal rapidamente. Não era a pobreza do futebol que me assustava, era o estado em que o SL Benfica se encontrava no fim dessa década - estado financeiro, anímico, organizativo e desportivo.
No dia seguinte, derrota com o Belenenses. E logo se agitaram lenços brancos e os oportunistas ameaçaram com uma assembleia destitutiva. Não é bem ameaçar, é comunicar que vão recolher assinaturas, como já o fizeram noutras ocasiões. Tenho pena de estas pessoas não terem visto aquele jogo da RTP Memória... se calhar caíam em si e deixavam trabalhar quem o faz.
Claro que um fim de semana mau tinha de fechar em baixo estilo. Além de mais uma VARiedade de favores nas Antas, lá veio o resultado das eleições no Brasil: um ignorante fascista no poder. Foram uns bons dias para os saudosistas.
"Sem estar com rodeios, vou directo ao assunto: não gostei de perder no Jamor. Como é óbvio. Se eu ficava arreliado quando estava na escola e perdia num duelo de jogo do Galo com o colega do lado enquanto o professor estava virado para o quadro, naturalmente fico ainda mais aborrecido com um desaire do Benfica. Há umas jornadas fui bombardeado com piadolas a respeito dos pastéis de Chaves, esta semana foram os pastéis de Belém, portanto espero que não haja mais deslocações ao terreno de clubes cuja terra seja conhecida por fabricar qualquer tipo de pastel.
Na época passada, por esta altura, o Benfica contabiliza 17 pontos, o FCP tinha 22, o Sporting somava 20, e o Braga amealhava 15. Ora, estabelecendo uma comparação, verificamos que FCP e Sporting têm agora quatro pontos a menos, o Benfica está igual e o Braga trocou três derrotas por três empates. É curioso, porque a panóplia de programas 'futebolísticos' (carregar bem nas aspas) que nos rodeia já analisou o abandono de Luisão até à exaustão, examinou o rendimento dos avançados do Benfica a Raio-X, vasculhou conversas privadas de Luís Filipe Vieira a pente fino, no entanto ainda não se debruçou nem por um segundo sobre o arranque mais humilde de dois dos candidatos ao título. O interesse na quantidade de vezes que Rui Vitória coça o nariz é tanto, que depois não sobra tempo de antena - para falar de outros assuntos - menos relevantes, claro.
Durante a semana, creio que o único elemento do Benfica livre de apreciações ruins foi, deixe-me ver se me lembro, isso mesmo: o cozinheiro.
Adivinhe, caro leitor, quem é que vai tirando partido deste foco bem iluminado e contínuo em cima do Benfica? Eu sei que não tira."
"O futebol vende emoções e vive de emoções. O futebol é emoção.
Não admira pois que os adeptos reajam de forma epidérmica aos desaires, sobretudo aos mais inesperados, como foi o caso da derrota do Jamor. Alguns, principalmente os mais velhos (nos quais vou começando a incluir-me), tendo passado por muitas derrotas e vitórias, sabem relativizar os estados de espírito e manter a ponderação. Outros, sobretudo os mais jovens, com mais impaciência e porventura menos maturidade, querem este mundo e o outro no imediato, e acham que fazer rolar uma ou mais cabeças é suficiente para resolver todos os problemas. Temos o exemplo, no outro lado da rua, de até onde podem chegar esses instintos mais básicos e imediatistas. Acontece que o Benfica não é gerido de fora para dentro. Temos um presidente experiente e conhecedor do fenómeno futebolístico, que já demonstrou no passado não se deixar impressionar por estados de alma. Não é, felizmente, um presidente-adepto, mas sim um presidente-presidente. E é a ele que cabe conduzir a missão para a qual foi sufragado repetidamente por uma ampla maioria de associados.
Também eu gostaria que o Benfica tivesse ganho ao Belenenses, também eu por vezes penso que um plantel tão forte (claramente o melhor do país) deveria apresentar um futebol mais consistente e eficaz. Mas não sou eu, nem qualquer vanguarda 'esclarecida', que toma decisões no clube. Cabe-nos, enquanto sócios, apoiar incondicionalmente aqueles nos servem, sabendo que há alguém em melhores condições para avaliar o seu trabalho. Só assim estaremos a defender o clube."
"31 de Outubro de 2003. Luís Filipe Vieira vence as eleições com 90,47 por cento dos votos e inicia o processo de renascimento do Sport Lisboa e Benfica. Passados 15 anos, impressiona a forma como em tão pouco tempo teve o engenho e arte para reerguer o maior clube português. A herança era pesadíssima. Não por culpa do seu antecessor, Manuel Vilarinho, que salvou o SL Benfica do período mais negro da sua história, mas sim pelos problemas que teve de resolver - 14 milhões euros de dívidas ao fisco, 9 milhões em acordos judiciais. Simplesmente assustador! Mas Luís Filipe Vieira não se assustou. Foi decisivo na construção do maior e melhor estádio do país, construiu dois pavilhões para as modalidades, mandou erguer um centro de treinos e formação de excelência, construiu um museu de sonho e, verdadeiramente inovador no panorama do desporto nacional, criou um canal de televisão. Como se não bastasse, criou uma fundação.
Em todos estes projectos e presidente deixou a sua marca e a sua exigência - sempre o melhor. Rodeando-se de equipas e de pessoas competentes, Luís Filipe Vieira devolveu o clube aos benfiquistas. Passados 15 anos, o balanço é fácil de fazer - 20 títulos no futebol, que fazem dele o presidente mais titulado da história do clube, presença em duas finais europeias, melhor academia do mundo, conquista de centenas de títulos nas modalidades, projecto olímpico de excelência, contas sãs, internacionalização da marca e património todo do SL Benfica.
Tudo isto sempre com um leitmotiv - os sócios e adeptos."
"Para a Fundação Benfica, estar em toda a parte não é uma ambição vazia mas uma obrigação levada a sério. Vale a pena revisitar a visão definida para a Fundação Benfica quando construímos o plano estratégico que nos norteia:
A Fundação Benfica é hoje e ambiciona consolidar-se como uma instituição de referência na área da inovação e responsabilidade social europeia, líder no segmento sociodesportivo, com presença transversal à sociedade portuguesa e sua diáspora, interventiva e com acção de proximidade junto dos públicos em situação de exclusão ou fragilidade social.
É reconhecidamente um parceiro social do Estado e da sociedade civil, destacando-se enquanto mobilizadora de pessoas e instituições e catalisadores de dinâmicas locais de desenvolvimento social e capacitação individual e comunitária.
Tem e quer reforçar ainda mais uma implantação verdadeiramente nacional, com uma acção de proximidade junto das pessoas e organizações do nosso território, em meio urbano e rural, nas zonas de alta e de baixa densidade, no norte como no sul, no litoral e no interior.
Tem de reforçar a sua implantação internacional, recobrindo a mancha geossociológica, cultural e étnica que caracteriza o universo Benfica e liderando processos de cooperação e desenvolvimento humano, com particular relevância para as áreas mais deprimidas do globo (países africanos de expressão portuguesa, Timor, regiões de pobreza endémica), para as suas migrações e integração nos países europeus de acolhimento.
Prosseguimos diariamente, ano após ano, neste caminho, com projectos pertinentes e úteis à sociedade portuguesa e à humanidade. Queremos continuar a crescer e chegar a toda a parte. É a nossa obrigação. Para isso nos fez o Benfica!"
"A entrevista concedida no serão de terça-feira passada por Luís Filipe Vieira a Joaquim Sousa Martins constituiu um excelente acto de comunicação do presidente. Porventura, até, terá sido a sua melhor prestação pública de sempre, nos quinze anos de presidência que agora se completam.
E tal como a entrevista foi o mais oportuno ensejo para aclarar questões e esclarecer dúvidas e inquietações que permanecessem no espírito de alguns benfiquistas, também, seguramente, não terá deixado de constituir, em simetria, uma contundente ocasião para deixar agora bem mais preocupados e inseguros ainda os agentes e os coralistas dos jurados inimigos do Benfica.
Se considerarmos o contexto alargado e geral, assim como as circunstâncias especificas em que Vieira acede ao convite da TVI, caso tivesse sido outro o convidado - oriundo de qualquer um dos outros dois clubes portugueses com desígnios mais (ou menos...) aproximados dos que o Benfica definiu em 1904 e abundantemente cumpre no primeiro quartel do séc. XXI - obviamente que o entrevistador teria ficado ali a falar sozinho, com a outra cadeira vazia e disponível... (A menos que os fosse apanhar a Vigo, ou, dependendo do artista em funções, no consultório de um quartel, ou na discoteca...)
Ora, o presidente do Benfica, que na última década tem gerido com muita sabedoria os seus actos de comunicação, não só não fugiu a se apresentar à mediação pública num momento bastante delicado como ainda patenteou grande forma pessoal e institucional. Ao longo da extensa entrevista, Luís Filipe Viera nunca se eximiu a dar resposta, firme e cabal, a todas as perguntas e temas lançados por um jornalista hábil. E sempre reagiu com muita serenidade e segurança absoluta e, mesmo, com inequívoca classe.
A destreza e fluidez de discurso reveladas pelo presidente decorrem da tranquilidade com que, passado o frémito da indignação inicial causada pela violência e dimensão da miserável campanha de conluios que se abateu e mantém sobre o nosso clube, afinal, Luís Filipe Vieira veio revelar-se cada vez mais determinado e seguro na afirmação do glorioso futuro Sport Lisboa e Benfica."
José Nuno Martins, in O Benfica
PS: Com o jogo Sexta-feira à noite na Luz, não consegui publicar as crónicas desta semana d'O Benfica. Assim 'atrasadas' no tempo, aqui ficam para memória futura...
Recordo que foram escritas após o jogo do Jamor com o Belenenses e antes da derrota com o Moreirense!
Quatro golos em castelhano, com grandes assistências do Chiquinho (que parece-me finalmente com a cabeça no sítio...)!
Como acontece quase sempre estes jogos são sempre mais 'fechados' e menos espectaculares do que as expectativas... Com pouco espaços, as 'bolas paradas' acabam quase sempre por ser decisivas. Desta vez, ao contrário do que é habitual (talvez o duo de arbitragem diferente do que é costume tenha permitido isso...), até tivemos mais 'bolas paradas', mesmo com os Corruptos, mais uma vez a não chegarem à 9.ª falta!!! Nós acabámos por fazer 2/7 e os Corruptos 1/5 entre penalty's e Livres Directos...
Mas a decisão acabou por sair de uma grande jogada, mesmo no último segundo...
A má educação do habitualmente circunspecto treinador dos Corruptos, deixou-me perplexo!!! Então o homem nunca viu um roubo tão grande?!!! A sério... Não devem ter espelhos lá pelo Melão Caixa!!! É preciso ter descaramento, depois de ser treinador dos Corruptos tantas épocas, e vir fazer de virgem ofendida...
Em relação às palavras do Pedro Nunes, só as posso entender como 'fina ironia'!!!
Agora, depois deste início com 3 jogos dificilíssimos, nas primeiras 4 jornadas, não podemos perder o foco, existem muitas armadilhas espalhadas por aí...
Boa vitória, contra o adversário onde provavelmente a ausência do Xavi se sente mais, devido ao Poste do outro lado... E assim, confirmou-se hoje novamente, que temos um 'novo' Cláudio Fonseca na equipa!!! Até parece uma daquelas histórias onde se suspeita que o rapaz foi raptado por Aliens e voltou outro!!!
Estivemos a perder em vários momentos da partida, mas os jogadores reagiram bem às desvantagens, e no final até gerimos bem a vantagem...
Os 5 jogadores que têm estado bem, voltaram a confirmar o estatuto... mas o Hallman e o José Silva têm que contribuir mais... o Barroso tem estado tocado... A questão do Snider é mais complicada: o puto parece-me ter potencial, mas ainda está muito 'verde', e se calhar para os momentos decisivos precisamos de mais...
Uma nota para o aziado Soares: não gostaste da recepção?! Azar, esta coisa de andar a gozar com viagens a Espanha tem destas coisas!!!
O Esmoriz até já proporcionou esta época, algumas surpresas, mas hoje o Benfica esteve a um nível bastante razoável, não dando hipóteses... e sem as 'brancas' das últimas jornadas!!!
A lesão do Gaspar parece não ser tão grave como poderia ter sido!!! Sendo assim, deverá estar de volta a tempo das decisões, evitando a ida ao mercado... Creio que será o Rapha, o substituto do Théo em caso de necessidade...
Muitos júniores de 1.º ano (acabámos com 5!!!)... uma diferença grande em termos físicos entre as duas equipas, mesmo assim os putos tentaram, mas foram traídos no contra-ataque...
É provavelmente a grande vantagem desta nova Liga: a possibilidade de dar competição aos nossos Juniores de 1.º ano... É óbvio, que os resultados se vão ressentir, mas sem a Liga revelação, muitos destes jogadores estavam a disputar a 1.ª Fase do Nacional de Juniores, dando cabazadas com pouco interesse competitivo...
Apesar da derrota, continuamos na liderança (partilhada) e com menos um jogo...
Não fizemos um mau jogo, contra uma equipa que já tem praticamente a 'subida' assegurada!!! O Paços tem um plantel recheado de jogadores com experiência da I Liga - vários caceteiros... -, e um treinador que 'nunca' falha!!!
Sem vários titulares desta equipa (Jota, Parks...) e com mais uma daquelas arbitragens típicas do Tugão, estivemos perto do empate...
Incrível a sequência, onde num canto a nosso favor do Kalaica é totalmente agarrado quando está a tentar cabecear e ele dá canto, e na sequência do 2.º canto, murro na bola com o mão do defesa, e segue jogo!!! Já para não falar dos critérios de amarelos e faltas absurdas: o Benny levou um autêntico bodycheck ao melhor estilo da NFL e segue jogo...!!!
A sequência de faltas no final sobre o Saponjic também foram 'engraçadas'!!!
Nota-se organização nesta equipa, os jogadores mesmo com algumas alterações, sabem quais são as posições que devem ocupar, e a saída de bola é feita com preceito... Falta, alguma verticalidade nos últimos 30 metros, mas não é fácil aos nossos putos jogarem entre linhas, com tantas 'marretas' por perto... E nos processos defensivos, nota-se a intenção de pressionar logo a bola... mesmo com alguns jogadores menos agressivos, nesse tipo de jogo - Willock por exemplo - a equipa sabe compensar...
PS: Numa eventual chicotada na equipa principal, o substituto natural é claramente o Bruno Lage. Num momento onde grande parte dos treinadores desejáveis está empregado, não faz sentido outro tipo de solução. E muito sinceramente, a opção Lage, deixara-me descansado...
"Novas mudanças se anunciam no futebol. De acordo com a edição de hoje do The Telegraph, o International Football Association Board, organização dependente da FIFA que define o regulamento do futebol, está a estudar novas mudanças nas regras da modalidade.
Uma delas diz respeito à marcação de grandes-penalidades e à hipótese de anular as recargas, quando falha a marcação de um penaltie. Ou seja, o que se propõe é que após o remate inicial, se o guarda-redes o devolver, a jogada termina e consequentemente o jogo reinicia-se com pontapé de baliza.
Outra mexida nas regras diz respeito à eterna discussão em torno das grandes-penalidades assinaladas por mão na bola. Actualmente a lei 12 estabelece que um futebolista que toque “a bola deliberadamente com as mãos” será punido com a marcação de um castigo máximo.
Agora o que se pretende é que se retire a palavra “deliberadamente” e que seja substituída por uma definição do que é a posição natural e não natural do braço. Ou seja, de uma forma ou de outra, não vai acabar a discussão em torno destes lances.
Ainda uma terceira mudança diz respeito às substituições. O International Board pode propor que um jogador substituído saia de campo pela linha mais próxima, ao mesmo tempo que defende uma paragem do tempo de jogo enquanto decorre a substituição.
Estas mudanças serão estudadas na próxima reunião do International Board, terça-feira, em Londres e daí sairá a decisão de as levar, em Março, à reunião anual do organismo."
"Foi já ao pôr do sol, ainda com a respiração alterada, enquanto me deslumbrava perante a tela que se desenhava à minha frente, flutuando sobre o imenso azul, que me dei conta que passava a maior parte do meu tempo consciente, num mundo paralelo. Nesse mundo, extraordinariamente exigente, cruamente justo, perfeitamente objectivo, a magia acontecia todos os dias. Ela exprimia-se na subtileza dos tons do mar, na força da natureza mas, acima de tudo, na manifestação da necessidade intrínseca de ir mais longe, em busca da perfeição.
Na vastidão do oceano, um pé a menos e já não chegamos lá, um instante depois é já uma oportunidade perdida. Cada onda é um desafio, cada momento o mais importante. E quantas vezes falhamos! Tantas são as vezes que sentimos a água a escorrer por entre os dedos, afogados na ânsia de a reter.
Naquele universo, a alegria segue de mãos dadas com a dor, quais companheiras improváveis. A dor física, no entanto, é passageira. Pode ser por um segundo, por um dia ou por uma vida, mas eventualmente também isso muda. Não há no entanto maior dor, do que aquela que o baixar dos braços carrega. E essa, essa dura para sempre, cravada que fica nas profundezas da alma.
Era um mundo muitas vezes cruel. Sem contemplações pelas fraquezas humanas ou pela inexorável passagem do tempo. Não havia nada que revertesse a frieza dos números, que a alterasse ao sabor dos caprichos do ego. Nada!
Mas era também um espaço onde os sonhos se materializavam, por mais inverosímeis que pudessem ser. É ainda ali que, aqueles que acreditam que podem e que trabalham para isso, que falham e erram e choram e riem tantas vezes, acabam por mudar o sentido da corrente. Começando de novo, a cada sopro, as peças do puzzle encaixam-se por estranhas artes, como se o universo lhes proporcionasse aquela pequeníssima ajuda para, no final, pequenos milagres acontecerem.
Tal como tudo na vida, também esse mundo um dia se extinguiu. E nada mais ficou do que a espuma de uma onda que morreu na praia. O crepúsculo já se anunciava no horizonte, traçado nas linhas da pele, nos cabelos que perdiam a cor e na cada vez mais presente consciência do passar dos anos. O capítulo final foi em Terras de Vera Cruz. Depois, o silêncio reverteu aquele mundo para o plano das memórias...
“Quando daqui saírem, a maioria, praticamente não fará uso do que aqui aprendeu. Não usarão equações diferenciais no vosso dia a dia, a física quântica continuará a ser um mistério fascinante, não precisarão de saber a composição química dos materiais que usarão... mas, mais importante, estarão aptos a aprender qualquer coisa!” Terá sido, quiçá, o ensinamento mais marcante daqueles anos passados no Técnico. Duas décadas depois, lembrei-me dessa frase quando abandonava a Cidade Maravilhosa, terminando a minha carreira Olímpica. Ser-me-ia extraordinariamente útil a partir dali, na transição de atleta para, para algo que, ainda hoje, confesso ter alguma dificuldade em definir! Mas, mesmo sabendo que a engenharia não faz parte do meu dia a dia há alguns anos, aquele período passado em Lisboa, não foi de todo perdido. Ajudou-me a construir uma estrutura mental que permitiu-me encarar os desafios da vida, com uma crença inabalável na capacidade de os ultrapassar. No entanto, para que a vida continuasse a ter significado, era necessário mudar o foco.
A Comissão de Atletas Olímpicos tem, entre outros objectivos mais formais, ajudar os atletas no incrível processo que consiste na criação de condições para que um ser humano possa exprimir todo o seu potencial, no maior palco desportivo do planeta: os Jogos Olímpicos! Composta por atletas Olímpicos, para aqueles que aspiram a sê-lo ou já o foram, a sua essência reside no trabalho voluntário e pro bono de muitos atletas Olímpicos, que encontraram nesta comissão, um meio de devolver ao movimento Olímpico e à sociedade, um pouco do que a experiência Olímpica lhes proporcionou. Para mim, mesmo sabendo que jamais conseguirei retribuir tudo aquilo que representaram sete participações Olímpicas, o meu modesto envolvimento deu um novo significado à minha vida, privilégio do qual estou profundamente honrado e agradecido!"
Não sei o que vai acontecer nas próximas horas, mas o que se passou hoje na 1.ª parte foi muito grave! Depois dos 'avisos', nada mudou, e continuámos a cometer os mesmos erros, sendo que um dos 'erros' é demasiado evidente: transições defensivas 'inexistentes'!!! Jogadores mal colocados, de forma infantil... sendo que qualquer perda de bola no ataque, se transformava numa aflição, junto da nossa área! É verdade que a má forma do Fejsa explica alguma coisa, mas não é o suficiente... E se o Fejsa está com algum problema, então não deveria jogar (mas quando mudámos para o 442 o Fejsa até jogou melhor!)...
E depois, este tipo de erros, transforma-se numa bola de neve, onde a equipa começa a fazer tudo mal, até aquilo que até à pouco tempo, sabia fazer... Perca de confiança, ansiedade, frustração... etc..
Com tanta fragilidade nas transições defensivas, os jogadores começam a duvidar de tudo: de cada passe, de cada desmarcação... Sem confiança na defesa, não se pode atacar bem...
Não é coincidência o facto do Benfica, nos últimos tempos ter feito os seus melhores jogos, contra os Corruptos e contra o Ajax... Foram jogos, onde tivemos menos posse de bola, jogámos em contra-ataque, jogos onde o 433 até se adapta melhor...
Mas no Jamor e hoje com o Moreirense (já com o Sertanense... se tinha passado algo parecido) dentro de todos os outros problemas, ficou provado que o plano A, do Benfica, tem que ser sempre o 442... Contra este tipo de equipas, no Tugão com todas as outras condicionantes, o Benfica é obrigado a jogar sempre com 2 avançados, sempre...
Depois do 3.º golo, ainda na 1.ª parte, a equipa mudou logo para o 442, e melhorámos imediatamente... Depois com as substituições, ainda ficámos melhor... Mas o 'handicap' era demasiado grande, e a 'desconfiança' já estava instalada, dentro e fora do relvado.. (e depois ainda houve mais um grande empurrão...)!
Uma nota individual: pode parecer deslocado, não fez uma exibição isenta de erros (alguns passes errados), mas no meio do caos, na minha opinião foi gigante: Gedson!
Agora, aquilo que ainda me deixa mais frustrado, é que além de todos os nossos problemas (que eu não me esqueço), tudo isto foi 'preparado' para ter ainda mais impacto na classificação!
Após o Campeonato de 2010, começamos a época seguinte, com uma sequência: Cosme Machado, Proença, Vasco Santos e Benquerença... é à 4.ª jornada tínhamos menos 9 pontos!!!
Em 2012, no final de Fevereiro, início de Março, levámos com uma sequência de Sousa, Hugo Miguel, Xistra e Proença... e a vantagem que tínhamos desapareceu... e passadas algumas jornadas Capela, Soares Dias 'acabaram' com o 'serviço' (com o Benquerença a 'matar' matematicamente o campeonato)!!!
Este ano, houve uma preocupação em sabotar a época do Benfica nas primeiras jornadas (com a eliminação na Champions incluída): falharam... O Benfica manteve-se na luta... e entrou na fase de grupos da Champions! E depois com alguma 'surpresa', venceu os Corruptos na Luz... apesar do Veríssimo!!!
Consequência: Alarme...!!!
Com o Benfica a demonstrar fragilidades dentro do campo (eles cheiraram 'sangue'!!!), manda-se dois dos mais experientes Ladrões no activo, para fazerem o 'serviço'!!! O Benfica 'ingénuo' acaba por lhes facilitar o trabalho... Mas a 'encomenda' estava feita, e foi 'entregue'...
Se no Jamor, na 1.ª parte tivemos a 'não expulsão' do Keita e o 2.º golo irregular do Belém, na 2.ª parte, o nosso treinador, com as substituições, 'sabotou' a equipa... o apitadeiro praticamente não teve de fazer nada, no 2.º tempo; hoje, foi diferente... o Benfica, estava a tentar, bem ou mal, estava a tentar... (e ninguém pode acusar os jogadores de não terem corrido...), mas mesmo com 1-3, o apitadeiro sentiu a necessidade de entrar em jogo, para garantir o resultado negativo e agravar a contestação (alguns até podem dizer, ainda bem: assim ficou mais visível... mas não foi essa a intenção).
Podem dizer que o Jardel teve uma paragem cerebral, mas aquele tipo de lance existe em todos os jogos, em quase todas as 'barreiras'... (nem é preciso recordar a cotovelada do Keita ao Rúben no Jamor); agora os penalty's sobre o Rafa e o Cervi são indesculpáveis, principalmente devido à atitude de nem sequer 'pedir' a intervenção do VAR... e se o do Rafa pode deixar dúvidas a alguns (para mim é claro, porque não é carga de ombro, já que quando o Rafa faz a mudança de direcção, leva com o braço nas 'costelas'), o penalty sobre o Cervi é inacreditável...
E até podia não ter alterado o resultado do jogo... mas demonstra premeditação...!!!
Esta puta Lagarta, é especialista neste tipo de jogos na Luz: foi este cabrão que apitou o Benfica - Estoril de 2013, com uma arbitragem vergonhosa, com influência directa no resultado, mas naquela altura, apesar da qualificação para a Final da Liga Europa dias antes, a 'contestação' contra o Judas (desgaste dos dois campeonatos perdidos... a caminho do terceiro), acabou por abafar o Roubo... algo que vai novamente acontecer...!!!
O Benfica permitiu que o Crime Organizado tomasse novamente conta de todas as instituições do Tugão! O Presidente, não pode pensar que ter a melhor 'gestão', as melhores 'contas', as melhores 'infra-estruturas', até o melhor 'plantel', é suficiente para ganhar no Tugão!!! Se ele pensa mesmo assim, é porque apanhou algum 'vírus' da ingenuidade, algo que nunca pareceu ter anteriormente...
Como eu já digo à muito tempo, o Benfica para ser Campeão, tem que ser muito, mas mesmo muito melhor que todos os outros... tal com o saudoso Manuel Seabra o disse repetidamente na BTV...
E não será com alguns tweets semi-engraçados, que vamos mudar alguma coisa... Tanto o Conselho de Arbitragem, como o Conselho de Disciplina... como a comissão executiva da Liga, têm que ser denunciadas... inclusive, se for necessário, com processos cíveis contra estes corruptos...
A questão nem sequer está na qualidade de Rui Vitória, comparada com os principais adversários, muito provavelmente, se Rui Vitória fosse treinador dos Corruptos, com golos como aquele que foi validado contra o Feirense, os Corruptos seriam Campeões com 20 pontos de avanço!!!
Mas Rui Vitória, não é treinador dos Corruptos, é treinador do Benfica, e para ganhar no Benfica não se pode dar abébias...
Todas as equipas têm más sequências durante uma época (e o Benfica este ano até pode usar a desculpa do início carregadíssimo, e estar agora a sentir as consequências físicas... algo que não me parece estar a acontecer...), e normalmente a diferença no final das épocas, está exactamente na forma como se ultrapassam os maus momentos!!! Se os Corruptos, por exemplo nesta nova era do VAR, podem ter golos bem anulados, validados pelo VAR, nós não temos essa 'rede', portanto a margem de erro não existe...
Não perdemos o Campeonato hoje, mas tudo ficou muito complicado... e se somarmos a 2.ª volta com deslocações complicadíssimas... tudo fica muito difícil! Raramente sou a favor de chicotadas psicológicas, até porque no Benfica não costumam resultar... mas cada vez 'cheira' mais a isso, mesmo com a habitual intransigência do Presidente nestas situações...
Em condições normais, o jogo de Quarta até podia ser o jogo da 'recuperação' da confiança, até porque é um dos tais jogos, onde o 433 se adapta bem, porque o Ajax vai jogar da mesma forma que jogou em Amesterdão... mas como estão as coisas, é um jogo muito perigoso!
Uma nota final para o comportamento de alguns nas bancadas: Nunca assobiei uma equipa do Benfica, muito menos durante os 90 minutos... Até aceito, que no final, os adeptos podem demonstrar a sua insatisfação... Mas durante o jogo é inaceitável! Principalmente, quando foi perfeitamente visível que não foi por falta de vontade dos jogadores que as coisas não correram bem...