Últimas indefectivações

quinta-feira, 17 de março de 2016

Fim-de-semana importante...

Benfica 100 - 54 Illiabum
36-16, 31-9, 17-15, 17-14

Obrigação cumprida... Sábado temos as Meias-finais com o Guimarães...
A ausência do Gentry, poderá ser um factor, em sentido contrário o Radic parece estar a melhorar...

No Domingo, muito provavelmente vamos ter a Final esperada... Depois das derrotas nos últimos 3 clássicos, esta Taça de Portugal, ainda é mais importante...

Já só faltam 8 finais (mas ainda faltam 8 finais)

"Contra o Zenit da Gazprom que muitos consideravam inultrapassável...

Depois de cumprida, com a tranquilidade e o empenho habituais, a nossa obrigação no jogo com o Tondela, passaram a faltar oito finais. Apenas oito finais, mas ainda oito finais. Tão perto, se continuarmos assim, com a humildade e a força de sempre; ou tão longe, se - como outros, antes - nos deslumbrarmos e deixarmos que nos queimem as asas, qual Ícaro a fugir do labirinto do Minotauro, de Creta.

Não à euforia
O próximo jogo será, por certo, o mais difícil da época. Como o próximo, ultrapassado esse, passará a ser o mais difícil e assim sucessivamente até conseguirmos o que todos queremos. Não podemos, por isso, cair em situações de uma euforia desmedida.
Antes, temos de ter os pés bem assentes na terra, ainda que isso possa coexistir com contentamento evidente e exteriorizado pelos resultados que temos vindo a alcançar nas provas que ainda disputamos. Com a certeza de que ainda não ganhámos nada. Ainda!
A nossa luta é semanal, jornada após jornada, com a capacidade de sacrifício e o esforço necessários, sem esquecer - nunca é de mais realçar - a grande humildade que, nos sendo inerente, faz os campeões. Por nós, só queremos ganhar. À Benfica!

Na Liga dos Campeões... mesmo contra a Gazprom
Na Liga dos Campeões, com um discurso realista, conseguimos eliminar o «todo poderoso» e «temível» Zenit da Gazprom.
A mesma Gazprom que outros invocaram como força inultrapassável que «impediu», no princípio da época, a eliminação do CSKA... Nem percebem o ridículo em que caem com a ânsia de justificarem tanto insucesso...
Mas, como dos fracos não reza a História, depois da passagem aos quartos de final, a sorte do sorteio poderá levar-nos a continuar a sonhar. Não sei se, esta época, para chegar a Milão. Mas haveremos de lá chegar... e ganhar! Um sonho que nem é desmedido, nem descabido. Até porque o «sonho comanda a vida».
E neste ou num dos próximos anos, com a tranquilidade de quem foi capaz de fazer esta revolução tranquila, com a capacidade de - herdando-a - a poder continuar, com pequenos ajustamentos, haverá um dia na Liga dos Campeões que, no Benfica, se poderá dizer com razão... quem vier morre! Sem medos e sem entraves, à Benfica!
Porque faltará apenas - e mais do que «cumprir-se Portugal», como diria o poeta - cumprir o sonho europeu...
Deixem-nos sonhar!
Vocês são minhas testemunhas.
Há muito que acredito ser possível ganharmos a Liga dos Campeões. Chamem-me o que quiserem, mas é a minha convicção! E um dia cumprirei, cumpriremos esse sonho.

Domingo... todos ao Bessa
No campeonato nacional, cuja conquista é, naturalmente, um objectivo definido todas as épocas, após a mais recente vitória frente ao Tondela - a tal 9.ª final - concentremo-nos, agora, na final que se segue... a oitava, frente ao Boavista.
Eu sei que, no Benfica, essa aposta no título nacional não pode significar alguma eventual abdicação de outra competição - como só os treinadores menos ambiciosos, diria, e menos crentes nas competências que dizem ter, o assumem... e, mais grave ainda, o fazem - mas esse é, claramente, o nosso primeiro objectivo (apesar de não ser o único, como o é para outros).
Por isso, máximo respeito e total empenho no jogo do Bessa. Contra um Boavista que, não obstante as dificuldades desportivas, sobretudo, que tem atravessado ao longo desta época, luta pela manutenção (merecida, pelo seu estatuto e pela sua história).
Não será um jogo certamente fácil, mas a determinação, a raça e o querer que esta equipa do Benfica, goste-se ou não, tem demonstrado, ao longo do campeonato, bem como a cada vez maior consistência do seu jogo, e da assimilação das ideias de Rui Vitória, ajudar-nos-ão a ultrapassar mais uma final. Perante um Boavista lutador, num terreno reconhecidamente difícil, mas que, também ele, será alvo de mais uma onda vermelha, ou de mais uma demonstração do inesgotável apoio de que a equipa tem tido. De facto, «inigualável massa associativa», como diria o inesquecível Bélla Guttmann, que não me canso de citar.
Seja onde for!
Com a certeza de que domingo o Porto será novamente pintado de vermelho! Relembrando também, um pouco, a última jornada do campeonato de 2004/05, em que fomos campeões, num idêntico Boavista-Benfica, em pleno Bessa (onde estive, claro, nas bancadas, fazendo parte, como tantas outras vezes, dessa onda vermelha), onze anos após a anterior conquista do título nacional, perante a nossa gente. Dessa época resta-nos apenas, no plantel, o capitão Luisão, e uma grande lição de união. Regressamos agora ao Bessa, não na última jornada, mas numa igualmente importante batalha.
Sem que nos deixemos afectar por algumas manobras dilatórias ou por mesquinhas (mas sucessivas) campanhas, que não passam de tentativas de desestabilização.
Porque, de facto, o que não nos mata torna-nos mais fortes e juntos ultrapassaremos essas manobras de diversão, em que os meios justificam os fins, numa inversão da lógica maquiavélica (os «homens» bem lêem, mas não percebem...)

Os cães ladram... e a caravana passa
Estou certo, por isso, que domingo, no Bessa, assistiremos a mais uma exibição exemplar, com mérito, dignidade, respeito pelo adversário e, acima de tudo, muita competência. Estou ainda certo de que longe vão os tempos em que as rectas finais do campeonato significavam alguma instabilidade nos resultados e que se traduziam em constantes ai Jesus.
Não ligando a campanhas inventadas, de um nível tão baixo, tão baixo, que só são comparáveis ao nível de quem as imagina e lhes dá corpo.
Contra o desespero, a falta de nível e a calúnia, responderemos com a superioridade moral de nunca termos sido protagonistas de Apitos Dourados, nem termos dirigentes com pistolas em cima da mesa em reuniões do clube.
Por isso somos diferentes!
A tudo isso, acresce - hoje - o facto de termos a vantagem de estarmos mais unidos do que nunca, numa sintoma perfeita entre jogadores e treinador.
Como eu já tinha saudades disso! Porque, isso sim, é o Benfica!
E a esse propósito, uma palavra de grande apreço para o treinador Rui Vitória que, sendo gente de bem e com muita preparação, mesmo para além do futebol («quem só sabe de futebol, não percebe nada de futebol», não é professor Manuel Sérgio?), tem um discurso à Benfica, protegendo, de forma exemplar, os seus jogadores.
Uma vitória no domingo - bem como uma vitória final - será tanto do treinador como dos jogadores, como ainda dos dirigentes e de todos e de cada um de nós sócios, adeptos e simpatizantes.
Como sempre foi suposto!
Ninguém para este Benfica, pelo que, com a união e o espírito de sacrifício exigíveis, seremos novamente felizes no Bessa, rumo ao tricampeonato! Porque, todos queremos dar voz e ver concretizado o cântico... Benfica, dá-me o 35!
Vamos a isso?"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Golos precisam-se!

"A regra de, em caso de empate numa eliminatória, os golos marcados em terreno alheio valerem a dobrar parece-me cada vez mais obsoleta e até contraproducente.
Reconheço que, ao longo dos seus 40 anos de vigência. cumpriu o seu objectivo até determinada altura, sobretudo no tempo em que jogar fora era, a priori, uma desvantagem logística, psicológica e contextual que tolhia e inibia as equipas de uma maneira evidente. Este critério do desempate veio até a proporcionar jogos mais equilibrados e com equipas visitantes mais afoitas na busca do desejado golo. Mas também é verdade a outra face: as equipas caseiras passaram a ter mil cuidados para não sofrer um traiçoeiro golo do adversário. Daí a abundância dos 0-0 ou 1-0.
Diz-se que o golo é o sal do futebol. Mas também é o açúcar ou a pimenta, conforme os gostos. Por isso, sejam quais forem as tácticas e filosofias do futebol, sempre é melhor um 4-3 do que 1-0. Um 2-2 do que um 0-0. São resultado semelhantes, mas 7 golos é melhor do que 1, e 4 bem melhor do que 0.
É confrangedor ver um jogo de uma primeira mão com o resultado dito como satisfatório de 0-0 (satisfatório para quem jogou em casa porque não sofreu golos e satisfatório para quem jogou fora porque não perdeu...). Vi num relatório da UEFA que, na Champions de 2012, houve 21 eliminatórias decididas pela regra dos golos fora! Hoje as condições são diferentes: as viagens mais rápidas e cómodas, relvados similares, jogadores menos condicionados pelo ambiente, maior profissionalização, etc. Em meu entender já não se justifica esta regra (e muito menos em competições domésticas)."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (XLVI)

1931 - José Maria Nicolau venceu individualmente,
e o Benfica foi o vencedor colectivamente,
na 2.ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta

Já que está na moda as camisolas 'vintage', que tal esta...
mesmo a preto e branco, é linda!!!

Extraordinário...!!!

Verona 2 - 3 Benfica
25-18, 24-26, 16-25, 25-21, 12-15


Vitória inacreditável!!! O ano passado eliminámos um Ravena, que na altura estava 'a meio' da Liga Italiana, e usámos um pouco do factor surpresa! Este ano, tenho a certeza que o Verona não estava à espera de facilidades, além disso estamos a falar de uma equipa que terminou a fase regular da Liga Italiana (uma das melhores do Mundo, a par da Russa...), no 4.º lugar, estando agora no Play-off a lutar por um lugar na Final... Se ainda não estão impressionados, revelo que o orçamento deste Verona ronda os 8 milhões de euros!!! Isto comparando com o Futebol, é como um Atlético de Madrid, defrontar um Bate Borisov...!!!

E só não foi 'melhor', porque nos dois Set's que perdemos, entrámos muito mal no Set... Foi pena, não termos fechado o jogo no 4.º Set (seria 1-3), mudava muito cenário da 2.ª mão! Mas a entrada suicida no Set, foi fatal... ainda recuperámos, mas faltou a ponta final...
Que dizer da exibição do Zelão?!!! A pontuar o no Bloco?!!! Ainda no Domingo, elogiei o nosso Central, parece que ele 'gostou'!!! Espectáculo... Acredito, que os Italianos analisaram as estatísticas do Benfica, e verificaram que o Gaspar era a nossa principal arma, assim se explica a falta de eficácia do Capitão hoje. O Bloco é uma das grandes armas do Verona, aqueles Centrais são altos e móveis, o Gaspar foi claramente 'marcado'!!! Mas assim, acabou por dar mais liberdade aos restantes...
Outro jogador importante foi o Roberto, que saltou do banco, para um excelente exibição... com 4 ases!!!
Creio que também já é altura de fazer uma referência ao Renan. O regresso do Renan foi visto com alguma desconfiança. Tanto o Vinhedo como o Perini deixaram muitas saudades. E as recordações da primeira passagem do Renan, não eram totalmente positivas... Hoje, contra o adversário mais difícil esta temporada, voltou a estar muito bem...
Domingo, na Luz, vamos ter um grande jogo. Apesar da vitória épica, nada está resolvido, nem a negra, está garantida!!! Mas acredito, que anulando as 'brancas' no início dos Set's, que podemos regressar à Final...

quarta-feira, 16 de março de 2016

Incrível...

Corruptos 31 - 32 Benfica
(15-17); (26-26)

Muito sinceramente, acho que só o Ortega e os jogadores acreditavam que o Benfica podia ganhar hoje!!!
E de facto, fomos superiores... mesmo com algumas 'brancas' (como já é costume...), fomos melhores, e se não fossem os Manos Martins (apitadeiros nos tempos livres...), até tínhamos ganho no tempo regulamentar, e não teria sido necessário ir a prolongamento...
Estivemos mal no início da 2.ª parte, e no início do Prolongamento (a jogar com mais 2...!!!), de resto, foi uma exibição bastante aceitável! Nos últimos minutos do prolongamento a ansiedade era muita... e ambas as equipas erraram... É verdade que os Corruptos, estão mais fracos, do que em anos anteriores (apesar do investimento...), mas mesmo assim esta vitória é surpreendente!

Um factor importante a nosso favor: foi ter todos os jogadores disponíveis, algo que já não acontecia à bastante tempo... Uma nota para o Borrágan, que nos momentos decisivos, não vacilou...
Infelizmente, o 2.º jogo na Luz, será só dia 30 ! Agora, vamos ter competições europeias... Era preferível, apanhar os Corruptos de ressaca na Luz! Isto é à maior de 5, portanto temos que ganhar mais dois... de preferência os próximos!!!
Sábado na Luz, vamos receber uns Russos de São Petersburgo (coincidências!!!... já no Futsal, também nos calhou os Russos nas Meias...!!!), no fim-de-semana da Páscoa, vamos à Rússia.

Finalmente...

Benfica B 2- 0 Farense


Já merecíamos uma vitória. Com alguma incompetência, vários azares, e muitos apitos pelo meio, estamos numa situação complicada, mas hoje, ganhámos! E voltou a ser muito complicado, muito por culpa do árbitro, que voltou a expulsar inacreditavelmente um jogador do Benfica, sem qualquer razão, obrigando os nossos jovens jogadores, a um esforço extra durante 75 minutos!!!

O jogo até estava repartido, com um Farense fisicamente muito forte, até que o Benfica marcou, com um remate do Guzzo! Logo a seguir a expulsão do Rúben... A partir daí foi defender, mesmo assim a melhor oportunidade até terá sido do Benfica, mas foi só uma...
Ao contrário de outros jogos, hoje, temos que reconhecer mérito ao Miguel Santos, que efectuou várias defesas decisivas, contei quatro!!!
Curiosamente, na 2.ª parte, o Farense foi menos 'perigoso', os nossos defesas estiveram muito bem, principalmente os Centrais (primeiro: Nunes/Pawel e depois: Nunes/Ferro). O Gilson, também fez um jogo de um enorme sacrifício...
Já nos descontos, num contra-ataque de 1 contra 0, o Diogo não perdoou... e fez o segundo!!!
Estes 3 pontos foram fundamentais, para não ficarmos muito para trás. Continuamos abaixo da linha de água, mas estão mais de 7 equipas separadas por pouquissimos pontos... Isto vai ser até ao fim. O ideal seria ganhar 2 ou 3 jogos de seguida, para abrir uma distância, mas creio que vai ser sofrer até ao fim...

Lideranças horárias

"Domingo, dia 12 de Março. Títulos dos três jornais diários desportivos, a propósito da vitória do Sporting contra o Estoril: Primeiro lugar à condição (A BOLA), Sporting de novo no 1.º lugar (Record), Sporting na liderança provisória (O Jogo). Assim se explicitava a classificação do SCP com um jogo a mais do que o Benfica, que é como quem diz com mais 3 pontos disputados.
Este modo de classificação em jeito de jornadas incompletas ou coxas é agora matéria-prima para manchetes. O segundo título atrás referido é, no mínimo, contra-informativo. Ou seja, para um leitor que lê as capas e não anda minuciosamente a par do que se passa, esta frase de o SCP estar de novo no 1.º lugar soa, absolutamente, a jornada completa. Provavelmente o desejo traiu o autor.
O melhor título é, sem dúvida, o terceiro: o SCP lidera provisoriamente (por 48 horas) o campeonato. O leitor - caso ande distraído - procurará a razão da provisoriedade e verá, então, que o líder ainda não havia disputado os 3 pontos em jogo.
Por fim, o título de A BOLA, que, à cautela, refere o SCP no 1.º lugar à condição. Tudo bem, excepto o português pouco canónico. Como já há muito tempo aqui escrevi, a expressão à condição é um modismo que se espalhou virulentamente no futebolês.
Nesta vaga condicional, o SLB é campeão à condição, tal como o SCP e o FCP. Com uma diferença: o Benfica só depende da sua condição (suficiente), os outros candidatos precisam da não condição do SLB (necessária). É que à condição quer dizer, em bom português, sob condição. Ou condicionalmente. Ou provisoriamente. E por aqui me fico. À condição de voltar amanhã."

Bagão Félix, in A Bola

O percurso fantástico de Rui Vitória

"Enquanto levou uma equipa desacreditada até à liderança do campeonato, valorizando o laboratório que é o treino e o sagrado espaço de intimidade que é o balneário, Rui Vitória viu a imagem degradar-se pelo modo leve e ignorante com que foi discutido como treinador - um dia, confrontado com situação semelhante, César Luis Menotti afirmou publicamente que lhe bastavam 5 minutos à mesa de um café para "desmascarar e reduzir à insignificância" os detractores que o punham em causa com argumentos sem sustentação, muitos deles infantis. A verdade é que não só sobreviveu à voragem de uma sociedade que só reconhece ganhadores, como se atreveu ainda a recusar o fracasso anunciado e a construir as bases de um percurso para o sucesso em que poucos acreditavam. Mas tão relevante quanto o trabalho diário, RV tem sido impressionante pelo discurso limpo, articulado e com ideias no lugar; rico no conteúdo, claro nas intenções e imune às polémicas para as quais foi sendo sucessivamente convocado.
É justo atribuir mérito a quem comandou a construção de uma equipa que passou a ganhar com autoridade, em permanente superação, contra todo o género de adversidades, assente no orgulho de ser profissional e representar o Benfica. O vínculo com o símbolo, a bandeira e o passado tem servido também para consolidar referências definitivas na memória colectiva. Esse é o legado pelo qual RV luta de águia ao peito, de forma a concretizar a proposta aglutinadora de várias sensibilidades. O novo líder da Liga é uma equipa com sentido de aventura (marca a um ritmo alucinante), orientado por uma ideia sedutora (vocação ofensiva clara), que valoriza os alicerces da formação (Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Lindelof, Ederson e Nélson Semedo não o deixam mentir) e travou boa parte do despesismo de tempos recentes. RV conferiu à história o rumo de uma liderança dialogante, que uniu a família e deu sentido aos valores humanistas que orientam inabaláveis convicções técnicas e tácticas.
O Benfica 2015/16 corresponde ainda ao resultado de uma ampla cadeia de apoio, que sustenta com tecnologia e domínio científico a evolução da equipa. A tão referida estrutura encontrou agora as condições e o momento ideais para revelar toda a utilidade e reclamar louros pelo bem-estar colectivo. Mesmo sabendo que a força maior da recuperação pertence aos jogadores, que têm transformado os treinos em aulas apetecíveis de aperfeiçoamento de competências e crescimento, importa dar mérito à máquina benfiquista. Só assim RV e seu exército resistiram ao início de época titubeante que agitou as hostes; às palavras nem sempre bem-educadas do principal adversário; às três derrotas com o Sporting; aos 8 pontos de atraso do primeiro lugar.
Pelo trabalho efectuado em condições desfavoráveis; pela convicção com que defendeu as suas ideias; pela cumplicidade estabelecida com jogadores e adeptos; pelo modo genuíno como se expressou, sempre com elevação, num cenário de guerrilha sem lei, RV já garantiu direito a figurar como um dos maiores protagonistas da temporada. Ultrapassado o embate da inadaptação mútua, dos bloqueios comunicacionais que entupiram a mensagem e das reservas universais que dificultaram a assimilação dos métodos e o reconhecimento exterior, tornou-se um rosto de sucesso e esperança. A perfeição do trabalho tem sido tão grande que, sem ceder um milímetro àquilo em que acredita, RV conquistou o povo, atingiu os quartos-de-final da Champions, assumiu a liderança da Liga e, a oito jornadas do fim, fez do Benfica o principal candidato ao título prova de que, mesmo quando seguia a 8 pontos do primeiro, já percorria o caminho que havia de levá-lo ao topo. Aconteça o que acontecer até ao fim da Liga, RV já é um dos grandes vencedores da época."

Benfica à grande

"E, de repente, o Benfica recebe todos os elogios do Mundo. Rui Vitória, afinal, é um grande treinador, o Benfica que joga à pequena consegue ganhar à grande, e, ainda mais surpreendente, tudo encaixa na perfeição. Bastou a vitória em Alvalade, com a sorte de quem é bicampeão nacional, e sobretudo bastou ultrapassar o Zenit, que está longe de ser um colosso europeu. Neste momento, tudo está a correr muito bem, muito melhor do que se podia esperar em face do que se viu no início da época, contribuindo tal situação para uma dinâmica empolgante que deixa os seus dois adversários directos - Sporting e FC Porto - em estado de alerta máximo.
Esta passagem do Benfica do oito-para-o-oitenta fica muito a dever-se à sua capacidade de afirmação, tendo resistido a ventos e marés, mesmo quando a crítica era severa, e por pressão exercida por Jorge Jesus, que, muitas das vezes, conseguiu condicionar e até mesmo achincalhar o trabalho de Rui Vitória. O que é certo é que o Benfica conseguiu libertar-se desse fantasma por mérito próprio, resistindo inclusive a uma derrota dura imposta por um FC Porto que era tido como acessível, e embalou até à liderança isolada, conseguindo virar o feitiço contra o feiticeiro. Afinal, é Jorge Jesus quem está agora debaixo de mais tensão. 
Esta afirmação repentina do Benfica levanta questões das quais pode depender o sucesso da época: o actual bicampeão nacional ainda nada ganhou, como Rui Vitória tantas vezes tem repetido, a vantagem é curta e não sustenta ondas de euforia, da mesma forma que os quartos-de-final da Liga dos Campeões são um pau de dois bicos, quer dizer, tanto pode abrir a porta da glória como pode muito bem desfazer os sonhos num ápice. O equilíbrio que o Benfica terá obrigatoriamente de encontrar daqui para a frente será o fiel da balança de uma equipa que está habituada a ganhar mas que, mesmo assim, não parece ter perdido a sede de conquista que faz a diferença nos momentos mais difíceis. Resta saber se Rui Vitória, o único no topo da estrutura que não tem currículo de sucesso a este nível tão alto, se mantém firme nas últimas e decisivas curvas da época."

Cristiano para o Benfica

"Permitiam-me umas divagações sobre o sorteio de sexta-feira, estimados leitores. Em primeiro lugar: espero que a cerimónia de Nyon não diga só respeito ao Benfica - também ao Braga, claro!, com licença desse treinador competente, genuíno e emotivo que é Vítor Pereira (Fenerbahçe). Vou partir do princípio que Manchester City e Atlético Madrid eliminaram ontem à noite Dínamo Kiev e PSV Eindhoven e que o Bayern Munique (recebe hoje a Juventus) e o Barcelona (recebe o Arsenal) confirmam mais logo o favoritismo que toda a gente lhes reconhece.
No momento em que escrevo, as tertúlias do sorteio - nos cafés e na rede - apontam, entre os confirmados e os prováveis, um só adversário acessível ao Benfica: os alemães do Wolfsburg, que há coisa de um ano eliminaram o Sporting da Liga Europa. Creio que nem vale a pena lembrar o resultado tradicional dos portugueses com as equipas alemãs (derrota e eliminação) para dizer que, muito sinceramente, não me parece que o Wolfsburg seja grande prenda. Se o Benfica os eliminar não será incensado por isso em nenhum lado a não ser em Portugal; se for eliminado (o mais provável, digo eu) olhem que não dará grande prestígio cair aos pés de um estreante absoluto nos quartos-de-final... onde o Benfica, velho senhor europeu, já esteve 16 vezes (!). Vejo no Wolfsburg uma equipa perfeitamente capaz de derrotar o Benfica. Tem a dinâmica infernal da Bundesliga, um treinador atrevido (Dieter Hecking), alguns executantes de topo como Julian Draxler, Andre Schürrle (acima de todos), Vieirinha, Luiz Gustavo e Caligiuri, e matadores como Max Kruse (o distraído que se esqueceu de 75 mil euros ganhos ao poker no banco de trás de um táxi...) e o maldito Niklas Bendtner (o estrangeiro que mais golos marcou ao futebol português). Vade retro, alemães! Dali nunca vem nada de bom.
Avaliando os outros, acredito que o Benfica teria mais hipótese de chegar às meias-finais se o sorteio de Nyon lhe destinasse o Manchester City, uma das equipas mais irregulares, imprevisíveis e desconcertantes do futebol actual. É certo que o City tem tudo para fazer boa figura (plantel riquíssimo, estrelas, treinador experiente) mas por alguma razão ainda não conseguiu passar da cepa torta na Champions. Falta-lhe convicção, maturidade, solidez, instinto assassino. Suspeito que o Benfica no máximo causaria um valente embaraço a Pellegrini, quiçá podendo Rui Vitória imitar a proeza de Ronald Koeman em 2006, quando deitou por terra, consecutivamente, o Man. United de Alex Ferguson e Ronaldo (2-1 na Luz, na última jornada do grupo) e o superfavorito (e campeão europeu...) Liverpool de Rafa Benitez nos oitavos. Não podendo vir o City, esqueçam Barcelona, Bayern e PSG, que são mais ou menos três catástrofes à espera de acontecerem; assim como o raçudo Atletico de Simeone, que não costuma deixar-se enganar duas vezes pelo mesmo cliente.
Sobra o Real Madrid, sempre o adversário perfeito: correndo bem, é o céu. Correndo mal, é a vida, nada a dizer. Jogar com o Real garante ao Benfica uma enchente de sonho na Luz e semana e meia de intensa exposição mediática nas televisões e nos jornais de todo o mundo. Vão por mim: para ser eliminado, pois que seja por um grande - e o Real é o maior deles todos, pelo menos nesta prova. Acresce que o Benfica tradicionalmente tem boa onda com os merengues - ganhou-lhes a célebre final dos Campeões de 1962 (Amesterdão) por 5-3, com um bis de Eusébio; e eliminou-os nos quartos-de-final de 1965 graças a um fabuloso 5-1 na Luz com novo bis de Eusébio. O bom astral encarnado voltou a fazer as suas na Eusébio Cup de 2012, na Luz: Jorge Jesus espetou 5-2 a um Real de José Mourinho... muito desfalcado, é verdade; e na meia-final da UEFA Youth League de 2014, em Nyon, a rapaziada benfiquista voltou a aviar os merengues com uma goleada e pêras: 4-0 (a desforra madridista ocorreu na semana passada). E depois há este detalhe incrível na extraordinária carreira de Cristiano Ronaldo: o Benfica é a equipa que ele defrontou mais vezes sem conseguir marcar qualquer golo - ficou a zero nos cinco jogos oficiais que fez (um com o Sporting, quatro com o Man. Utd) e nos dois particulares (com o Sporting), num total de sete confrontos - sete a zero! É claro que nada garante que Cristiano não desfaça esse tabu assim que tiver oportunidade, assim como convém lembrar que o Real tem recordações maravilhosas da nova Luz: aqui ganhou a Champions de 2013 (4-1 ao Atlético) numa noite mágica de Sergio Ramos. De Lisboa a Madrid é um pulinho: 600 km que parecerão 300 km se a coisa correr bem: são asas, senhores!

José Mourinho para o Arsenal
Se me chamasse Stan Kroenke, acionista maioritário do Arsenal, não hesitava. Dispensava Arsene Wenger com elegância no final da época (os próprios adeptos haveriam de agradecer, o homem já não tem remédio) e convidava José Mourinho... para voltar a ganhar o campeonato e passar dos oitavos de final da Champions. Era o casamento perfeito. O Arsenal precisa de um treinador competitivo e exigente e Mourinho e a sua família podiam continuar a viver na sua adorada City. José voltava a trabalhar num clube à sua dimensão - de longe o maior de Londres e um dos três grandes de Inglaterra e o Chelsea, que despediu duas vezes José, ficava com um terrível fantasma a pairar sobre a cabeça. Last but not the least, a Imprensa londrina voltava a ter o seu herói/vilão favorito à mão. Era perfeito.

Paulo Fonseca para os 'quartos'
Não estou com grande feeling (acho difícil os turcos não marcarem na Pedreira...), mas espero que o Braga-Fenerbahçe termine com a qualificação dos guerreiros para os quartos de final da Liga Europa. Era óptimo para o clube, para a cidade, para a carreira de Paulo Fonseca e para a valorização dos futebolistas bracarenses. A única coisa que pode atenuar a tristeza de ver este belo Braga ficar pelo caminho é saber que Vítor Pereira (de quem sou cada vez mais fã) substitui Paulo nos quartos. Mal por mal, podia ser pior."

André Pipa, in A Bola

Joga-se muito mais do que futebol

"Está a ser uma época difícil para todos. Benfica, Sporting, FC Porto, árbitros e também para nós jornalistas. Não me lembro de clima de guerra maior entre os dois clubes de Lisboa desde o verão quente, mas na altura o poder das respectivas máquinas de propaganda não tinha nada a ver com o que é hoje. A quantidade de informação 'suja' que chega às redacções é absurda. E torna-se cada vez mais complicado fazer em tempo real o trabalho a que qualquer jornalista que se preze é obrigado: confirmar a informação com mais do que uma fonte. O trabalho é dificultado também pelo surgimento de sites mais ou menos fidedignos que nada têm a ver com jornalismo mas que escrevem tudo o que lhes vem à cabeça, ou é soprado, e assim fazem as delícias dos mais fanáticos como se de notícias confirmadas se tratasse. Pior, gente com responsabilidade e que devia ter outro comportamento diz hoje barbaridades nas televisões como se tudo fosse verdade. Uns dirigentes, outros representantes de outras profissões mas que falam de futebol e dos seus bastidores como se de tudo soubessem. O pior é que não só não sabem como a maior parte das vezes representam apenas uma das 'verdades' a que temos direito. São estas personagens que enchem hoje as TV's e a isto estamos entregues, ainda que com honrosas excepções.
No Record não estamos à venda. Não somos o jornal do Benfica, Sporting ou FC Porto. Talvez por isso sejamos diariamente acusados de trabalhar a soldo deste ou daquele. Porque aqui é possível ler várias opiniões, contrárias muitas vezes, de companheiros que trabalham juntos e se respeitam na diversidade. O respeito pelos três grandes clubes é enorme, assim como por todos os agentes do desporto português. E ninguém está imune à crítica. Nem ao elogio, acredite."


PS: Peço desculpa, mas não resisti!!! A minha consciência obrigou-me a colocar esta peça humorística aqui no blog!!!
Este suposto manifesto de independência, profissionalismo e imparcialidade, é assinado pelo director-adjunto do Rascord, homem conhecido pela troca de twet's, partilhas e comentários nas redes sociais - com a sua conta pessoal -, com dirigentes do Sporting, estilo: 'como é que vamos levantar o nosso Sporting...!!!'
Rascord, que como sabemos, todos os dias faz uma declarada campanha pró-Sporting de Bruno Carvalho, elogiando pelo menos 10 vezes por dia (em diferentes artigos), a estrutura, a motivação, o profissionalismo, de todos os Lagartos, jogadores, treinadores, roupeiros, tratadores da relva (!!!) e reis do Facebook...!!!
Além desta 'inocência' auto-proclamada, a 'revolta' contra a 'não verificação das fontes' (quando o Rascord é de longe o jornal que mais vezes publica notícias com base em rumores das redes socais) é hilariante!!!
Recomendo ao Bernardo, uma carreira no stand-up, o rapaz tem futuro...!!!
Quando um dos mais indefectíveis Lagartos, sente a obrigação de se distanciar do pau-mandado do Inácio, é porque o caso é mesmo grave...!!!

Benfiquismo (XLV)

O Glorioso foi o convidado de honra,
na inauguração do Estádio Nacional de Bagdad.
Obra projectada por Portugueses e financiada pela família Gulbenkian.
Em 6 de Novembro de 1966,
vencemos a Selecção de Bagdad, por 2-1, com golos de Torres e Cavém

Parceiros do FCP acusados

"Imprensa dá eco a investigação que associa intermediário dos dragões a narcotráfico

A imprensa mexicana deu ontem eco a investigação do site Aristegui Notícias, segundo o qual uma empresa à qual o FC Porto já pagou comissões em negócios de futebolistas no México, a Grupo Comercializador Concláve, está agora acusada de financiamento de narcotráfico com ligação ao Cartel de Juárez. A referida empresa que surge nos relatórios da SAD (a partir de 31 de Dezembro de 2012) como uma das entidades às quais foram pagos serviços de intermediação.
A investigação do Arestegui Notícias não especifica a que jogador estava o Grupo Comercializador Concláve ligado. Nessa altura, os dragões compraram os mexicanos Reyes e Herrera, bem como Jackson Martínez que jogava no México (Chiapas). Alguma imprensa mexicana defende que terá sido a transferência do colombiano a suscitar o pagamento das comissões relativas à intermediação do negócio.
Na época, esclareça-se, o FC Porto não tinha como saber que o Grupo Comercializador Concláve, estava ligado ao Cartel de Juárez. Aliás, Rodolfo Córdova foi mesmo contratado pelo governo mexicano para gerir o dinheiro de uma campanha contra a fome, num processo de fraude que motivou a investigação do site.
O tema está a ganhar proporção no México porque o FC Porto é um dos clubes mais seguidos pelos adeptos locais, por força de ter Layún, Corona e Herrera."

in A Bola

"O Grupo Comercializador Concláve, empresa à qual o FC Porto já pagou comissões em negócios de futebolistas no México, está a ser acusa de financiamento de narcotráfico.
Na base da investigação do site Aristegui Noticias está um período de seis que terminou a 31 de Dezembro 2012, altura em que o referido grupo era representado por Rodolfo David Dávila Córdoba que, segundo a mesma fonte, era ao mesmo tempo operador financeiro da Carrillo Fuentes, a família que controla o Cartel de Juárez.
Durante esse mesmo período, recorda o referido site, o FC Porto contratou Diego Reyes ao América e ainda os colombianos Jackson Martínez ao Jaguares e Héctor Quiñones ao Deportivo Cali.
A investigação do Aristegui Noticias não especifica a que jogador estava o Grupo Comercializador Concláve ligado mas alguma imprensa mexicana defende que terá sido a transferência de Jackson a suscitar o pagamento das comissões relativas à intermediação do negócio devido à participação do agente Guillermo Lara, associado a operações de narcotráfico.
Na época, esclareça-se, o FC Porto não tinha como saber que o Grupo Comercializador Concláve, empresa que surge nos relatórios da SAD a partir de 31 de Dezembro de 2012, estava ligado ao Cartel de Juárez. Aliás, Rodolfo Córdova foi mesmo contratado pelo governo mexicano para gerir o dinheiro de uma campanha contra a fome, num processo de fraude que motivou a investigação do site."

PS: Estes dois artigos do jornal A Bola, um da versão de papel, o outro da versão online, não devem ser surpresa para ninguém. As ligações do Banco BMG, aos cartéis de droga Colombianos e Mexicanos são conhecidas... e até a famosa visita do Pintinho à Colômbia...onde falou directamente para 'os grandes amigos Colombianos', só não teve mais destaque, porque por cá, os jornaleiros ou são avençados, ou são mansos...!!!
Mesmo assim destaco, uma frase nos artigos de hoje: o jornaleiro da Bolha, tem a certeza absoluta que o FC Porto, não tinha conhecimento da ligação dos intermediários aos Cartéis de Droga!!!! Realmente, as certezas que esta gente tem, são esclarecedoras do seu nível de independência...!!!

O que Jonas faz não é normal

"Rui Vitória transformou mesmo o Benfica numa máquina de fazer golos. Já são 94 no total da temporada, sendo que 70 foram apontados no campeonato. São números extraordinários! E ainda mais se recordarmos que a equipa só no final de Outubro foi capaz de encontrar o equilíbrio que hoje lhe conhecemos. Sem esse 'atraso', quantos golos já poderia ter hoje o Benfica?
Mais de 100, possivelmente, e estaria assim a caminho de registos estratosféricos. É muito golo.
Há vários méritos a distribuir neste 'novo Benfica' que não se cansa de marcar. Se um treinador será sempre, em qualquer circunstância, o pensador de tudo o que uma equipa faz em campo (para o bem e para o mal), há casos em que o rendimento de um jogador consegue potenciar as boas fórmulas até níveis que se poderiam julgar inalcançáveis. O que Jonas está a fazer esta temporada, por exemplo, não é normal. Desde 2000 para cá, só por uma vez um jogador conseguiu terminar um campeonato com mais do que os 28 golos que Jonas já leva neste. Foi Jardel, em 2001/02, com esses 'impossíveis' 42 golos. Depois de Super Mário, este brasileiro que os encarnados foram buscar a Valencia, há duas épocas, é o mais extraordinário goleador que o futebol português conheceu.
Jonas é um artista em permanente estado de superação. um jogador 'finíssimo' que só por acaso é um goleador. O futebol que produz, o jogo que tem na cabeça e a capacidade de execução que demonstra poderiam tê-lo levado a ser, se quisesse, um 10 à moda antiga. Jonas, na verdade, podia ter sido tudo e mais alguma coisa. Mas viciou-se nessa relação com as balizas. E quem chega a esta altura da época com mais golos do que Cristiano Ronaldo, Ibrahimovic, Higuaín, Messi, Neymar ou Luis Suárez, só pode ser alguém muito especial."

Perder cansa

"Um amigo meu, que foi desportista de alta competição numa modalidade individual repete sempre que o que o levou a abandonar o circuito mundial foi já não aguentar perder. Isso mesmo, um cansaço mental que derrotava qualquer esperança. A questão não era física ou técnica. Era de outra natureza.
Lembro-me sempre desta lição quando ouço uma ideia peregrina que tem feito o seu caminho nos últimos tempos: um clube pode ter vantagens caso seja eliminado prematuramente das competições europeias. Perder é benéfico porque, assim como assim, em algum momento é-se eliminado, logo quanto mais cedo melhor. Os defensores desta tese foram ao ponto de sugerir que uma vitória do Benfica contra o Zenit seria vantajosa para Sporting e Porto, pois os encarnados ficariam desgastados fisicamente e sofreriam nos jogos domésticos.
Ontem, na Luz. contra o Tondela, ficou de novo demonstrado o absurdo da teoria. Ganhar é sempre um suplemento de alma que compensa qualquer cansaço. E em fases avançadas de uma competição europeia a asserção é ainda mais verdadeira. Perder é que cansa.
Estar em várias competições ao mesmo tempo tem, contudo, um efeito: complica a vida aos treinadores. Não tanto pelo desgaste provocado nos atletas - para quem as vitórias são um factor de motivação -, mas porque para um técnico é bem mais exigente ter microciclos de treino, em lugar do conforto dos ciclos semanais. Mas essa é também uma diferença entre um clube grande e um pequeno. Nos grandes joga-se sempre para ganhar e as opções competitivas não são condicionadas pelas idiossincrasias dos treinadores."

A lista de Bruno

"Andamos distraídos com a poeirada que nos turva a lucidez, espalhada por desaforos e comportamentos pouco recomendáveis de quem elege o vale tudo como princípio básico de vida e que é esgrimido com a necessária subtileza de forma a iludir pessoas menos avisadas.
Como ensina a sabedoria popular, olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço. No essencial, é isto o que se pretende: transmitir imagem deturpada do futebol com o objectivo de baralhar, agitar e manipular. Promover, em suma, um ambiente de dúvida e desconfiança, como convém.
Se a verdade incomoda, a independência incomoda muito mais, o que me leva a supor que o presidente leonino lida mal com quem não o venera. Mas não venerá-lo não significa, nem pode significar nunca, menos respeito pela história e pelo prestígio da instituição Sporting, a qual merecia alguém na liderança que compreendesse melhor a sua grandeza. Isso não sucede com quem lá está. De aí, talvez, a fuga para a intimidação através da elaboração de uma lista de inimigos, publicada nas redes sociais e depois confirmada por assalariado diligente. Agradar ao chefe sempre deu jeito. Em concreto, e porque o meu nome está referido nessa lista, quero clarificar dois pontos:
1. não confundo o presidente com o emblema que ele representa.
2. nada me deve o senhor Bruno Miguel de Carvalho e eu nada lhe devo.
Estamos entendidos, portanto: cada qual com os seus deveres e as suas responsabilidades.
(...)"

Fernando Guerra, in A Bola

terça-feira, 15 de março de 2016

E o Mundo era cada vez mais pequeno...

"O Benfica visitou Tóquio uma vez no ano de 1970. Três jogos contra a selecção do Japão e outras tantas vitórias, com uma goleada no jogo derradeiro (6-1) que encantou o público japonês e mereceu o entusiasmo dos seus aplausos.

Em 1970, o Japão recebia a Expo-70 e Portugal estava representado com um pavilhão em Osaka, inaugurado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da época, Rui Patrício.
O Benfica também tem de estar presente. E, facto inédito, eis que uma equipa portuguesa de Futebol se desloca ao extremo-oriente.
O Futebol português está de luto pela morte do jovem Nene, prometedor jogador da Académica. No dia seguinte a comitiva encarnada deixa Lisboa em direcção a Macau, primeira paragem desta nova deslocação 'encarnada', quase directamente de África, onde uma semana antes defrontara em Luanda e Lourenço Marques uma Selecção de Luanda e o V. Setúbal, por duas vezes, para o mais distante de todos os orientes.
Borges Coutinho comanda o grupo, o treinador é Jimmy Hagan, os jogadores são - José Henrique, Fonseca, Malta da Silva, Barros, Humberto Coelho, Zeca, Adolfo, Jaime Graça, Matine, Vítor Martins, Simões, Nené, Eusébio, Artur Jorge, Raúl Águas, Messias e Praia. Dois jogos em Macau para aquecer os motores, e quilómetros e mais quilómetros.
Um jogo em Kobe, no dia 25 de Agosto - frente à selecção do Japão (1-0), único adversário em terras nipónicas - viagem de comboio para Tóquio, por entre as montanhas em cujos topos se espreita o branco da neve.
Tóquio: não sei se é possível amá-la, mas sei que é impossível ficar-lhe indiferente. Há nela uma feiura terna à mistura com a obsessão do pormenor. E o encanto do som dos bairros: Ginza, Asakusa, Yoshiwara, Shinjuku, Harajuku, Ikeburu, Shubuya, Akasaka e Roppongi, sobretudo Roppongi...
A primeira vez que estive em Tóquio, instalei-me em Roppongi. Roppongi é a noite e eu gosto da noite e dos fantasmas que a povoam. Vinicius de Moraes é da mesma opinião. Se não, leiam: «De manhã escureço; dia dia tardo; de tarde anoiteço; de noite ardo».
O reino do néon, os ciprestes do cemitério de Ayoama, o movimento perpétuo, as mãos enluvadas de branco dos condutores de táxi, personagens etéreas de um romance de Murakami. Os prédios escondem outros prédios que matam os horizontes. A bruma. As brumas da memória.
Tóquio não se esquece.
Aqueles incríveis seis minutos
Portanto, nesse Verão de 1970, o Benfica estava em Tóquio.
E a surpresa geral. A televisão japonesa transmite os jogos a cores! Uma sensação! O Benfica faz golos e mais golos e todos eles vão de casa em casa, a cores, para alegria de toda a gente.
No primeiro jogo disputado na capital do Japão, bate a selecção por 4-1. Partida a partida acentua-se as diferenças.
No terceiro e último jogo da aventura japonesa, a vitória é ainda mais gorda, mais redonda: 6-1.
Curiosamente, são os japoneses a marcar primeiro para histérica satisfação de todos quantos enchiam o estádio. O golo é do herói Koji Mori.
Por mera curiosidade, apontem-se os protagonistas da compita:
Selecção do Japão - Yokoyama; Kikugawa, Hara, Yamagushi e Ogi; Mori e Kimura; Yoshimura, Yamamoto, Miyamolo e Suguyama.
Benfica - José Henrique; Malta da Silva, Humberto Coelho, Zeca e Barros; Matine e Jaime Graça; Nené, Eusébio, Torres e Simões.
O empate foi obra de Torres (aos 34'), e reviravolta teve a assinatura de Eusébio a dois minutos do intervalo.
Na segunda parte, uns alucinantes sete minutos chegaram para que o Benfica marcasse quatro golos - Nené, Jaime Graça Matine e  Eusébio. Fim! Desorientados (e que cai a palavra em gentes do Oriente), os japoneses abandonam-se à sua sorte. Os 'encarnados' gozam o triunfo e os aplausos da multidão. Não mais esquecerão Tóquio e Tóquio não esquecerá o Benfica. Não voltarão a encontrar-se.
Depois é a partida para a Coreia do Sul, registando-se em Seul o único empate da digressão. Só à sua conta, Eusébio marca 13 golos. Um número que lhe dá sorte. E duro, o regresso, estende-se por escalas e mais escalas: Seul-Osaka-Tóquio-Hong Kong-Bangkok-Bombaim-Teerão-Roma-Lisboa.
O mundo é pequeno; o mundo é cada vez mais pequeno para o Benfica."

Afonso de Melo, in O Benfica

Lixívia 26

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 64 (-5) = 69
Sporting........ 62 (+15) = 47
Corruptos.......58 (+13) = 45

Jornada exemplar: Corruptos e Sporting a ganharem com erros grosseiros da arbitragem, e qual é a consequência mediática: SILÊNCIO ABSOLUTO!!!

Os Lagartos foram prejudicados em 2 foras-de-jogo, um deles prometedor... mas a 10 minutos do fim, ficou um penalty claro por marcar, por agarrão do Coates, ao avançado Estorilista (o remate que bateu no braço do Aquilani não é falta), incrível como é que este penalty foi omitido por quase toda a gente, por incrível que pareça só o Rascord falou do 'assunto'!!!
Ainda tivemos uma falta do Schelloto, muito parecida com a falta do Renato em Alvalade, mas desta vez, não temos 'arraial'!!!

No Dragay, o sócio dos Corruptos Manuel Oliveira ainda tem a minha 'boa-fé' na jogada aos 12 minutos, quando o novo Central Corrupto, meteu o braço à frente do avançado do União... mas no golo da vitória dos Corruptos é indesculpável. A jogada é clara, o lançamento lateral é para o União... e na sequência, DIRECTA, do lançamento, os Corruptos fazem o 3-2...

Na Luz, Luís Ferreira espalhou incompetência, mas nos lances potencialmente mais complicados decidiu bem!!!
Como expliquei na crónica do jogo, deixou no bolso vários cartões para os Tondelenses, permitiu constantes agarrões... mas os jogadores não complicaram!
Os Fiscais-de-linha tiveram várias jogadas 'em linha', mas acabaram por estar quase sempre bem, nem que fosse milimetricamente!!! Por exemplo: o Mitro logo no 1.º minuto... e já na 2.ª parte, o critério foi o mesmo num ataque do Tondela...
Por incrível que pareça, os expert's tentaram arranjar 'confusão' na área do Benfica!!! No primeiro lance com o Lindelof, até posso admitir que não houve falta sobre o Sueco, mas havia Fora-de-jogo não assinalado ao ataque do Tondela; no segundo lance com o Lindelof, a falta é evidente, o jogador do Tondela, não olha para a bola, e empurra o nosso Central...


Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
8.ª-Sporting(c), D(0-3), Xistra, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
7.ª-União(f), E(0-0), Cosme, Nada a assinalar
9.ª-Tondela(f), V(0-4), Veríssimo, Nada a assinalar
10.ª-Boavista(c), V(2-0), Esteves, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
11.ª-Braga(f), V(0-2), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
12.ª-Académica(c), V(3-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
13.ª-Setúbal(f), V(2-4), Manuel Mota, Prejudicados, (2-5), Sem influência no resultado
14.ª-Rio Ave(c), V(3-1), Manuel Oliveira, Prejudicados, (5-1), Sem influência no resultado
15.ª-Guimarães(f), V(0-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível de contabilizar
16.ª-Marítimo(c), V(6-0), Veríssimo, Nada a assinalar
17.ª-Nacional(f), V(1-4), Tiago Martins, Nada a assinalar
18.ª-Estoril(f), V(1-2), Vasco Santos, Prejudicados, (1-3), Sem influência no resultado
19.ª-Arouca(c), V(3-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
20.ª-Moreirense(f), V(1-4), Manuel Oliveira, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
21.ª-Belenenses(f), V(0-5), Nuno Almeida, Nada a assinalar
22.ª-Corruptos(c), D(1-2), Soares Dias, Nada a assinalar
23.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Jorge Ferreira, Prejudicados, (0-4), Sem influência no resultado
24.ª-União(c), V(2-0), Cosme, Nada a assinalar
25.ª-Sporting(f), V(0-1), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
26.ª-Tondela(c), V(4-1), Luís Ferreira, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
8.ª-Braga(c), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-União(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
10.ª-Setúbal(c), V(2-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
11.ª-Tondela(f), V(0-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
12.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
13.ª-Nacional(f), V(1-2), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-2), (+3 pontos)
14.ª-Académica(c), V(3-1), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
15.ª-Sporting(f), D(2-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
17.ª-Boavista(f), V(0-5), Veríssimo, Beneficiados, (1-5), Sem influência no resultado
18.ª-Guimarães(f), D(1-0), Manuel Oliveira, Prejudicados, Sem influência no resultado
19.ª-Marítimo(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
20.ª-Estoril(f), V(1-3), Tiago Martins, Nada a assinalar
21.ª-Arouca(c), D(1-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (2-3), Impossível contabilizar
22.ª-Benfica(f), V(1-2), Soares Dias, Nada a assinalar
23.ª-Moreirense(c), V(3-2), Luís Ferreira, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
24.ª-Belenenses(f), V(1-2), Capela, Nada a assinalar
25.ª-Braga(f), D(3-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
26.ª-União da Madeira(c), V(3-2), Manuel Oliveira, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
8.ª-Benfica(f), V(0-3), Xistra, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
9.ª-Estoril(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
10.ª-Arouca(f), V(0-1), Cosme, Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
11.ª-Belenenses(c), V(1-0), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Marítimo(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Moreirense(c), V(3-1), Paulo Baptista, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-União(f), D(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Setúbal(f), V(0-6), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
17.ª-Braga(c), V(3-2), Sousa, Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
18.ª-Tondela(c), E(2-2), Luís Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
20.ª-Académica(c), V(3-2), Cosme, Prejudicados, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
21.ª-Rio Ave(c), E(0-0), Xistra, Beneficiados, Sem influência no resultado
22.ª-Nacional(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Sem influência no resultado
23.ª-Boavista(c), V(2-0), Rui Costa, Nada a assinalar
24.ª-Guimarães(f), E(0-0), Tiago Martins, Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
25.ª-Benfica(c), D(0-1), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
26.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Prejudicados, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada
5.ª jornada
6.ª jornada
7.ª jornada
8.ª jornada
9.ª jornada
10.ª jornada
11.ª jornada
12.ª jornada
13.ª jornada
14.ª jornada
15.ª jornada
16.ª jornada
17.ª jornada
18.ª jornada
19.ª jornada
20.ª jornada
21.ª jornada
22.ª jornada
23.ª jornada
24.ª jornada
25.ª jornada

Épocas anteriores:

"Pouco menos que fantasmagórico"

"Chuva e choro num dos clássicos mais trágicos da história do futebol português.

Na tarde de 22 de Janeiro de 1979, acorreram ao Estádio da Luz setenta mil pessoas. Uma enchente total para assistir a mais um clássico do futebol nacional: o desafio Benfica - Futebol Clube do Porto, a contar para a 17.ª jornada do Campeonato Nacional 1978/79. Porém, o domingo de bom futebol por que todos aguardavam não se concretizou. Equipas e adeptos enfrentaram uma invernia rigorosa e o jogo realizou-se, a custo, sob uma 'chuva inclemente'. Apesar dos esforços de ambas as partes, de futebol houve muito pouco, como relata a imprensa da época.
A chuva caía intensa e ininterrupta. Após os primeiros dez minutos de jogo, o relvado transformou-se num autêntico 'pântano verde', 'revolto e pastoro'. 'Jogar «bonitinho» não era para aquele terreno'. Cada toque ou drible transformavam-se 'em lances perigosos', 'com a bola aqui e além a parar ingloriamente num charco de água'. Ao longo dos noventa minutos, as condições climatéricas adversas insistiam em prejudicar o rendimento das equipas. O 'relvado parecia manteiga' e os jogadores viam-se forçados a efectuar 'as mais diferentes piruetas na tentativa de colocar o esférico jogável'. Entre um lance e outro, lá 'resvalavam em acrobacias quase grotescas por sobre aquele vastíssimo lençol de água'.
Mas não ficou por aqui. Como se não lhe bastasse ter sido 'disputado sobre um mar de lama e sob quilolitros de água, num «ambiente» meteorológico pouco menos que fantasmagórico', o semblante do clássico carregou-se ainda mais. A cerca de dez minutos do fim, o pior aconteceu: o portista Marco Aurélio, 'ao disputar ardorosamente a bola com Toni, sofreu uma grave lesão: fractura exposta da tíbia e do perónio'. Aí, não foi só o céu que desabou na Luz. Toni, o capitão 'encarnado', ao aperceber-se da lesão do adversário, '«explodiu» num colapso nervoso e pediu a sua rendição chorando copiosamente'. O infeliz incidente a todos impressionou e, ainda hoje, vários dos jogadores presentes afirmam ter sido a pior lesão a que assistiram em toda a sua carreira.
No Museu Benfica - Cosme Damião, na área 22. De águia ao peito, encontra informações sobre Toni e os outros jogadores que representaram o Benfica neste clássico."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica