Últimas indefectivações

domingo, 23 de outubro de 2011

Mais um susto !!!




CAB Madeira 87 - 92 Benfica



Eu sei que as 'remontadas' são engraçadas, relevam o espírito ganhador da equipa, dão emoção, mas muito sinceramente esta equipa tem a obrigação de ganhar, sem percalços, com vantagens consistentes, e sem sobressaltos... hoje, mais uma vez, tivemos que sofrer, desnecessariamente!!! O 3º período e o início do 4º, foram muito maus... Só algum descontrolo emocional já nos últimos segundos dos nossos adversários, 'facilitou' a nossa vitória...

O Seth foi o melhor marcador da equipa, jogou bem, mas com um plantel tão vasto, não compreendo porque é que ele foi obrigado a jogar os 40 minutos!!! Assim como é estranho a não utilização do Carreira.

O Benfica a nível nacional, inclusive com os Corruptos, tem uma enorme vantagem no jogo interior, em altura e peso!!! Portanto, é de esperar que os nossos adversários em desespero de causa, apostem tudo no seu jogo exterior. Hoje o CAB marcou 17 triplos (uma eficácia de 43%!!!), praticamente 60% dos pontos dos Madeirenses foram triplos, não é fácil defender este tipo de estratégia ofensiva, depende muito da inspiração do adversário, mas o Benfica tem que estar preparado para este tipo de jogo.

Os regresso do Ben e a estreia do Betinho, são excelentes notícias. Estão naturalmente com falta de ritmo, mas rapidamente vão poder exibir o seu melhor jogo...

Gosto de ver equipas, agressivas, com ambição, e vontade de vencer, espero (mas não acredito!!!) que o CAB Madeira se apresente em todos os jogos com a mesma atitude de hoje, inclusive o treinador!!!

Agressividade é bem vinda, mas os árbitros devem aplicar a lei. Hoje, mais de metade das faltas do CAB não foram marcadas. Aplicando a lei, ao intervalo o CAB já teria todos os jogadores excluídos!!! Isto torna-se ainda mais irritante, quando usando um extraordinário zelo, se marca constantemente faltas ofensivas aos jogadores do Benfica. Se existe um desequilíbrio entre os planteis, não faz parte das funções dos árbitros equilibrar as partidas artificialmente...

Redes reforçadas

"O ano passado chegou a ser um suplício. O começo comprometedor de Roberto, apresentado como solução para a baliza do Benfica, deixou os adeptos sobressaltados e descrentes das potencialidades do jovem guardião. Verdade que, a página tantas, até se reabilitou, assinando alguns desempenhos auspiciosos. Só que na fase conclusiva da temporada, Roberto voltou a hipotecar objectivos, ainda que todo o colectivo tivesse responsabilidades.

Roberto entrou mal e saiu menos bem. Trata-se de um jovem que tem tudo para crescer, mas mostrou-se incapaz de dar confiança aos torcedores da causa rubra. A sua saída era uma inevitabilidade e, em matéria financeira, Luís Filipe Vieira demonstrou mestria inigualável.

Com Artur e Eduardo, esta época, o Benfica não garantiu uma solução, antes duas soluções. A dupla, pelo menos no contexto nacional, é de fazer inveja aos opositores. Trata-se de dois guarda-redes de amplos recursos, susceptíveis de conferirem serenidade e optimismo permanente, logo num posto específico da maior responsabilidade.

Num longo desfile, salpicado de vitórias e alegrias múltiplas, aqui de podem invocar, respeitantes às últimas décadas, Bastos, Costa Pereira, José Henrique, Bento, Silvino, Neno, Preud'Homme. Quanto vale um grande guarda-redes numa equipa ambiciosa? Pode valer triunfos? Pode mesmo valer títulos.

Artur e Eduardo são as chaves do castelo defensivo do Benfica. Podem, e devem ser também, as chaves de um problema que urgia resolver. As redes vermelhas estão, ao que tudo indica e já deu para ver, bem entregues, muito bem entregues. A confiança regressou e com ela a esperança em coisas bonitas."


João Malheiro, in O Benfica

Balanço negativo

"Quando se aproximam as eleições na FPF, é altura de fazer um balanço dos 15 anos que Gilberto Madaíl levou à frente dos destinos da mesma. Infelizmente, esse balanço não pode ser positivo. Admito que Gilberto Madaíl seja uma pessoa estimável (não o conheço), mas o seu trabalho em todos estes anos foi quase sempre marcado pela mediocridade, e muitas vezes pela fuga às responsabilidades.

Argumenta-se que levou a Selecção a Europeus e Mundiais. Ao contrário de um clube, onde as
direcções contratam e vendem futebolistas, não creio que um dirigente federativo tenha mérito substantivo nas vitórias desportivas da respectiva Selecção. Na minha óptica, Madaíl teve apenas a sorte do seu consulado coincidir com uma extraordinária geração de talentos (Rui Costa, Figo, João Pinto, Simão, Ronaldo, etc), que, ela sim, proporcionou os resultados que a FPF pouco fez por merecer. Acresce que, sob a sua liderança, nem só de rosas viveu a Selecção Nacional. Os Mundiais de 2002 e 2010 foram momentos de angústia colectiva, com casos de indisciplina e desorganização que saltaram à vista de todos, e dos quais não se chegaram a apurar as devidas culpas. Pelo meio, nos tempos de Scolari foi o próprio seleccionador que, assumindo tarefas que competiam aos dirigentes, disfarçou insuficiências que nunca deixaram de subsistir.
Mas nem é a Selecção o principal critério de análise a uma direcção federativa (mesmo sendo ela a sua grande fonte de financiamento). O futebol das divisões secundárias quase morreu neste período, não se tendo visto o mais pequeno esforço para o compatibilizar com os paradigmas dos novos tempos.

As selecções jovens, com a honrosa excepção do último Mundial de Sub-20, eclipsaram-se. Os quadros competitivos continuam desfasados da realidade, e reféns de interesses menos claros. E embora sem responsabilidades directas no assunto, não me lembro de ouvir um pio a Madaíl quando escutas telefónicas demonstraram ao país a corrupção em que navegava o nosso futebol.
Por tudo isto, Gilberto Madaíl não irá deixar saudades."


Luís Fialho, in O Benfica

sábado, 22 de outubro de 2011

Mais uma "Final" conquistada !!!



Beira Mar 0 - 1 Benfica



Também são com estes jogos que se ganham Campeonatos. O jogo 'chato' para mim não foi surpresa, o Benfica teve um jogo bastante desgastante na Terça, com o Basileia, com lesões, expulsões, e contra uma equipa muito forte fisicamente; o Beira Mar é talvez a equipa mais 'irritante' desta Liga, portanto jogo 'chato' sem surpresa... a única excentrecidade foi a maneira como o Benfica chegou ao golo da vitória: raramente o Benfica beneficia de golos, após um erro descarado de um adversário, portanto na próxima semana não se falará de outra coisa: o Rego 'abriu-se' para o Benfica!!! Do lado dos Benfiquistas, a má língua vai ser 'lançada' ao Cardozo!!! Sim, ao Takuara, não estou enganado. Pois ele só marcou o golo, porque 'falhou' o cabeceamento, como se pode observar pela movimentação da cabeça na repetição!!!!!!!!!!!

Mais uma vez, para não destoar, Paulo Baptista tudo fez para o jogo acabar empatado, as faltas não marcadas a favor do Benfica, e as faltas completamente, e descaradamente, inventadas contra o Benfica, em zonas potencialmente perigosas, são bastante esclarecedoras das intenções do bicho...

Ao contrário dos últimos anos, o Benfica tem jogado quase sempre primeiro em relacção aos nossos principais adversários, e com estes 3 pontos muito importantes conquistados, a pressão está agora no lado deles...

Invencibilidade



Castêlo da Maia 0 - 3 Benfica

17-25, 15-25, 17-25


Só vi a segunda 'metade' do jogo, e gostei bastante, pareceu-me o melhor jogo do Benfica esta época, com o Kock a melhorar bastante, como era esperado...

O próximo jogo é nos Açores, dia 29, com o nosso principal adversário, que esta semana perdeu em Espinho!!!

Vitória...




Boavista 2 - 6 Benfica



Resultado enganador, entrámos no jogo praticamente a perder, e só no início da segunda parte conseguimos 'descansar'!!!

Liderança

Belenenses 25 - 35 Benfica



Com a derrota do Águas Santas com os Corruptos, o Benfica passa a repartir a liderança do Campeonato com os Maiatos. Desde da derrota com o Madeira SAD este Benfica mudou!!! Uma defesa muito agressiva, e uma entrada no jogo demolidora, tem sido esta a receita, hoje em Belém, voltámos a dominar...

Mau começo...

HC Braga 1 - 1 Benfica



O ano passado além das suas derrotas com os Corruptos, só empatámos nos Açores, de resto foram só vitórias, portanto, este resultado é claramente negativo... esta não é uma das piores equipas do Campeonato, bem pelo contrário, além disso, hoje tiveram o seu veterano guarda-redes em grande forma, mas o Benfica tem que render mais...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma questão de instrução

"O incrível Shrek e a sua cáfila de cafajestes acham que é de bom tom espancar um pobre pai de família que se dedica ao cumprimento do seu ofício. Vai daí, o incrível Shrek e a sua banda filarmónica de sopradores de tíbias, avançam como hordas de hunos enfurecidos destruindo tudo à sua passagem, de uma forma que faria inveja ao própria Átila, Flagelo de Deus, mas menino de coro ao pé desta corja de selvagens sem açaime. O incrível Shrek é um bom aluno da Escola Superior de Trampolinice, Dolo, Burla, Trapaça e Tratantada dirigida por D. Palhaço.

O incrível Shrek não tem culpa, vendo bem. Foi-lhe dito, a si e à sua súcia de calinos, que o País dos Homens de Cócoras se governava a golpes de funda, à custa de pedradas, pauladas e assaltos de clavina em punho na orla das florestas ou dos viadutos sem vigilância. O incrível Shrek e a sua caterva de valdevinos aprenderam depressa a regra número um dos cobardes: atacar em grupo um indivíduo sozinho, fugir depressa mal o tenham espezinhado, negar com veemência quando os acusarem do gesto.

Foi-lhes ensinada como os rudimentos do abecedário dos alarves por Madaleno, o rei dos poltrões. O incrível Shrek e a sua récua de facínoras levaram à letra tudo o que lhes foi inculcado: pontapearam estoicamente as rótulas de um infeliz, insultaram-lhe pai e mão e restante família até à quinta geração, pisaram-lhe as carótidas até o verem arroxear. Depois do trabalho feito, o incrível Shrek e a sua alcateia de cáfaros fugiram a sete pés como pusilânimes que são. E recusaram a culpa. E teimaram na inocência. E fincaram pé na vergonha do silêncio. O problema do incrível Shrek, e da sua chusma de inimputáveis, não é uma abertura de instrução. É a própria instrução; ou falta dela. É o civismo ou a animalidade. Tudo aquilo, enfim, que distingue os homens das bestas."


Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (MP!!!)

"Afinal o Sport Lisboa e Benfica tem muito mais de 6 milhões de adeptos em Portugal. São 6 milhões, mais todos os procuradores do Ministério Público que, por serem fanáticos doentios do Benfica, denunciaram sem razão cinco miseráveis jogadores do FC Porto que não bateram em ninguém e estão a ser vítimas de uma cabala monumental destes analfabetos Procuradores do Ministério Público!

Na opinião de alguns defensores da Justiça portuguesa, como MS Tavares, este é o maior escândalo a que já assistiu! Uma vez que os arguidos dos casos BCP, BPN, Casa Pia, Freeport, etc, etc, etc, etc, etc, não foram, nem serão, condenados. Por isso esqueçam tudo o que estes insurrectos fizeram e, se for possível, dêem-lhes uma medalha de mérito desportivo, uma vez que o Dragão D'Oiro eles já têm garantido!

É impressionante a semelhança de discurso de MST e de Pinto da Costa. O presidente do clube das riscas dizia, durante a sua declaração à Dinamarca para apoiar a Selecção, que esta acusação é uma farsa pois ninguém acusou nem condenou Scolari quando do seu caso com um jogador adversário há uns anos atrás. Por isso nem se devia falar sobre este problema dos jogadores do FCP. É que no entender desta gente, como o primeiro prevaricador português não foi condenado há muitos anos, ninguém deverá ser mais acusado, processado ou condenado nos próximos séculos! Nem sei mesmo porque é que ainda existem tribunais...

Os argumentos deste pessoal são sempre os mesmos! Eles não desmentem as agressões. Não desmentem o que disseram nas Escutas Telefónicas! Tentam sempre rebater a coisa desculpando-se com os outros que também fizeram maldades ou, no limite, com a ilegalidade das investigações! Parecem aqueles meninos-queixinhas que, quando são apanhados a fazer asneiras, nunca têm a culpa de nada. A culpa é sempre dos outros. E mentem, se for preciso, à professora para se livrarem dos justo correctivo!...

Já não há paciência para os aturar! São sempre os mesmos a fazer asneiras. São sempre os mesmos a desculparem-se com os outros! Só é pena que ninguém lhes deite a mão! E ainda se queixam da »Justiça»!..."


João Diogo, in O Benfica

Cardozo, o melhor tranquilizante

"Bela exibição na Suíça e um excelente resultado. Liderança no grupo, dois jogos em casa e o apuramento a poder ser conseguido já no dia 2 de Novembro na recepção ao Basileia. Que mais se pode pedir a este Benfica de Jorge Jesus? Por mim, apenas para assim continuar. A única equipa portuguesa que ainda não perdeu os 15 jogos oficiais já disputados (e uma das poucas da Europa), onde apenas o empate em Barcelos se pode considerar tristonho.

Já a vitória frente ao Portimonense, no jogo da Taça, havia deixado bons indicadores sobre alguns dos jogadores menos utilizados. Rodrigo foi nos dois jogos a revelação-certeza, temos ali um avançado que em pouco tempo poderá ser titular.

Contudo, numa altura em que todos falam de Rodrigo, eu queira escrever sobre Cardozo. Digam e escrevam o que vos for na alma sobre Takuara, mas os números são irrefutáveis; 15.524 minutos, 211 jogos, 130 golos ou seja um golo a cada 119 minutos (incluindo particulares).

Há melhor? Talvez, mas não estou a ver muitos. Desta vez demorou quatro minutos a por a bola naquela espécie de galinheiro que falava o Scolari.

Cardozo entrou e, quatro minutos depois, milhões de benfiquistas ficaram descansados sobre o desfecho do jogo. Não conheço melhor tranquilizante.

Por isso, são cada vez mais a gritar: «Tenham cuidado. Ele é perigoso. Ele é o Óscar Takuara Cardozo.»

Este fim-de-semana haverá em Aveiro um jogo difícil para o Benfica, naturalmente cansado. O melhor ataque joga contra a melhor defesa do campeonato, impressionante o registo defensivo do Beira-Mar. Será preciso toda a artilharia para fazer ruir aquele castelo e continuar na frente.

Ontem desabafava um grande amigo, triste com o rumo do Pais, com as nossas perspectivas económicas e financeiras, com o desemprego e as falências: «Só não imigro porque não consigo ir viver para longe do Benfica». Como eu percebo!"


Sílvio Cervan, in A Bola

Em cheio

"O Benfica, que é muito mais que um Clube e mais ainda que um Clube de Futebol, venceu em todas as modalidades em que participou no passado fim-de-semana. No Futebol, seguiu em frente na Taça de Portugal, afastando um adversário que jogou apenas para adiar a derrota. Para além do jogo e da eliminatória, o Benfica ganhou atletas que, postos à prova, provaram a qualidade do plantel. O Benfica venceu também em Juniores. Igualmente venceu no Futsal, mantendo-se no cimo da tabela.

Nas outras modalidades, o Benfica continuou imperial. No Voleibol, três vitórias em outros tantos jogos, com apenas um set perdido, atesta a qualidade de uma equipa que no ano passado ganhou tudo... menos o título, perdido numa final que, de forma absurda, se decide à melhor de três jogos.

E no Basquetebol, depois da brilhante vitória no Troféu António Pratas, entrou a ganhar no Campeonato, no Barreiro, provando que com este plantel e este treinador, Carlos Lisboa, o Benfica será muito difícil de vencer em jogo limpo. No Andebol, mais uma vitória folgada, demonstrando que mora na Luz um candidato ao título. Enquanto os Juniores de Andebol lideram invictos, o respectivo campeonato. No Râguebi, a equipa somou na quarta jornada mais uma vitória ao seu pecúlio. E ainda falta que entre em cena a equipa de Hóquei em Patins, líder do ranking mundial de clubes, à frente do Reus e do Barcelona. No Judo, Telma Monteiro conquistou o bronze no Grand Prix de Abu Dhabi, apesar da lesão que a impediu de disputar a final.

Como eu, haverá muitos outros milhares de benfiquistas que se recordam do período negro da história do Clube em que as modalidades foram desmanteladas. A regeneração foi uma saga digna de um Clube Glorioso."

João Paulo Guerra, in O Benfica

A Catedral da Luz

"Para a semana, celebrar-se-á mais um aniversário do nosso estádio. 25 de Outubro de 2003 foi a data de inauguração do actual ninho das águias, oficialmente denominado como Estádio do Sport Lisboa e Benfica. No entanto, é popularmente chamado como ‘Estádio da Luz’ e é apaixonadamente denominado como ‘A Catedral’.

Luz, Catedral… as amarras do nome oficial são quebradas pela identificação nominalista da universal família benfiquista. Assim, toda a nomeação é uma espécie de sacralização de um espaço profano, uma sacralização de origem profana, de simbólica profana, mas de linguagem sagrada. A mesma linguagem que nos leva a dizer que a camisola do Benfica é o ‘manto sagrado’ ou que o Benfica é o único clube que não permite a utilização da expressão ‘velhas glórias’, pois os que são denominados como ‘glória’ do clube jamais envelhecem na memória colectiva do benfiquismo.

Deste modo, temos a sacralização do espaço, do tempo, do símbolo e dos que, de entre todos, melhor o serviram. Olhar para a nossa Catedral, com todos os adeptos, os fiéis, ritualmente levantados durante a audição do “Ser Benfiquista” (para quando o regresso do nosso hino, “Avante, Avante p’lo Benfica”, ao nosso estádio?), levantando o cachecol antes de o recolocar, qual estola, em ombros, enquanto se espera a vénia dos nossos futebolistas aos adeptos tem algo de litúrgico. É a junção do ritual ao tempo, ao espaço e ao modo.

Compreende-se que vulgarmente se diga que o Benfica é uma religião. Objectivamente, não é. No entanto, sentimos que uma ida à nossa Catedral, à nossa casa, é mais do que uma viagem – é mais do que meramente passar por cima de uma experiência – é, essencialmente, uma forma profana de peregrinação. Ou seja, ir à nossa Catedral é viver uma experiência de crença no benfiquismo, de partilha de uma ideia de clube e de comunhão de uma vontade comum."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

O futebol ideal

"1. Mais dois fins-de-semana sem Campeonato, mais uma série de notícias de jornais antecipando já o 'mercado de Janeiro', mais jogadores que podem entrar e sair deste e daquele clube - é este o Futebol que vamos tendo e que, apesar de tudo, mantém o interesse das multidões. Mas não seria muito melhor um Futebol com mais jogadores nacionais nas equipas, com jogadores mais tempo em cada clube, com campeonatos disputados de forma regular ao longo da época e não interrompidos constantemente?

Claro que o problema não é (só) português, é mundial. E é ao nível da FIFA e da UEFA (sob pressão das federações nacionais) que tem de ser resolvido. Como Luís Fialho, muito bem defendeu há duas semanas no nosso Jornal (e julgo que também eu já aqui publiquei uma vez), as fases de apuramento para os campeonatos continentais e Mundiais deveriam ser disputadas, todas, no final da época (e, já agora, antecedidas de uma fase prévia para seleccionar apenas as melhores das selecções mais fracas, tipo São Marino, Ilhas Faroé, Malta ou Liechtenstein). Nos campeonatos de cada país, os clubes deveriam apresentar em campo, pelo menos, seis jogadores nacionais. E o período de transferências deveria ser limitado a 15 dias, ou um mês por ano, no 'defeso'. Os negócios far-se-iam antes e, no final de Julho (na Europa), estava tudo resolvido e as equipas eram estáveis de início ao final das épocas. Quanto muito, admitir-se-ia um número muito limitado de transferências (uma, duas por clube) em Janeiro (mas uma semana chegava...), mas apenas de, e para, a América do Sul, atendendo ao 'defeso' deles. Claro que os empresários (e afins) não gostariam. Mas o adepto agradeceria... Tenho saudade dos tempos em que os jogadores chegavam cedo a um clube e só deixavam quando terminavam a carreira...


2. Afinal, Hulk e companhia (uma companhia ainda mais alargada do que inicialmente se soube) agrediram mesmo os seguranças no túnel do nosso Estádio. Afinal, o Conselho de Disciplina da Liga tinha razão. Os agredidos queixaram-se civilmente, o processo seguiu e os (vários) jogadores do FC Porto foram, agora, formalmente acusados. Aqui d'el Rei que o Ministério Público não tem mais nada que fazer, que querem é novamente desestabilizar a equipa. Agora, já não é a existência das agressões (tantas vezes postas em causa) que está em causa, mas a intervenção do Ministério Público.

Claro que um comentário há dias aparecido na net diz tudo: 'O quê? Não me digam que - finalmente - alguém desse clube vai pagar por um crime que cometeu... Inacreditável...'. "


Arons de Carvalho, in O Benfica

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Teimosia e sentido de Estado

"O que devem, então, os portistas fazer quando André Villas Boas subir ao palco para receber o seu Dragão de Ouro? Fazer barulho? Virar as costas? Abandonar o recinto? Fazer o pino?

DEPOIS de na temporada passada ter feito uma figura tristíssima na Liga dos Campeões, o Benfica vai agora bem lançado para o apuramento e pode até encarar a perspectiva de ir a Manchester com o assunto resolvido, o que é um grande alívio, com toda a franqueza.
Anteontem, em Basileia, o Benfica fez o que lhe competia. Ganhou, somou 3 pontos e reforçou a economia do país com os euros devidos por cada vitória na competição.
Dizem os entendidos que Jorge Jesus está agora com um grande problema na linha de ataque porque tem de escolher entre Nolito ou Bruno César ou Saviola ou Cardozo ou Rodrigo ou Rodrigo ou Bruno César ou Saviola ou Nélson Oliveira para o lugar de todos os demais. É, na verdade, um problema maravilhoso de resolver e Jesus lá o tem resolvido com sucesso e perante a aprovação geral.
Do ano passado para este ano, de facto, o Benfica tem mais um problema - o tal no ataque - mas, por outro lado, tem menos um problema, o problema da baliza.
E aqui está um problema que deixou de existir porque Artur tem dado conta de recado com um tal sentido de Estado, de modo tão imperturbável que mais parece um jogador de cartas do tipo poker face, daqueles que nem pestanejam e deixam os adversários à beira de um ataque de nervos por não conseguirem adivinhar o que lhe vai na alma.
No sábado é em Aveiro. E também é para ganhar.

POR fim, a Justiça portuguesa alinhou com a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e limpou o crime de difamação do cadastro do jornalista José Manuel Mestre.
Para que este caso morresse foram precisos 15 anos e uma reprimenda do TEDH, sediado em Estrasburgo, ao Estado português por «não ter acautelado a defesa da liberdade de expressão» que consta na carta universal dos direitos do homem.
Assim sendo, os Juízos Criminais do Porto que tinham condenado José Manuel Mestre e a SIC em primeira instância, reconhecem agora que não houve da parte do jornalista intenção em difamar o presidente do FC Porto quando, em 1996, entrevistando Gerhard Aigner, à época secretário-geral da UEFA, Mestre perguntou ao dirigente estrangeiro se achava normal que Pinto da Costa, à época presidente da Liga dos Clubes, se sentasse no banco dos suplentes à frente dos árbitros quem era «por inerência de cargo» o patrão.
Com as próximas eleições na FPF e com o frenesi estratégico que por aí vai com o regresso da arbitragem ao seio da Federação, seria bom para o país - porque tempo é dinheiro - que Fernando Gomes, neste particular, não demonstre uma sensibilidade tão à flor da pele quanto exibiu Pinto da Costa quando acumulava o cargo de presidente da Liga e isto num tempo em que a arbitragem ainda estava longe, muito longe mesmo, de regressar aos poderes da Federação.
Também é verdade que não se vislumbra motivo algum para Fernando Gomes se sentar no banco do FC Porto à frente dos árbitros de quem, por inerência de cargo, vai brevemente ser o patrão, o que não constitui ofensa alguma.
Neste período pré-eleitoral, lendo transversalmente as notícias dos jornais sobre o assunto, fica-se com a ideia, provavelmente errada, de que o acto do próximo mês de Dezembro não serve para eleger um novo presidente da FPF mas sim um novo patrão dos árbitros.
E deste lamentável paradoxo nem Fernando Gomes nem nenhum dos outros concorrentes tem culpa alguma.

VOLTEMOS ao tema da liberdade de expressão a propósito da notícia de que André Villas Boas será agraciado com o Dragão de Ouro para o treinador do ano na próxima Gala de distribuição de prémios entre a nação portista.
Garantidamente que o ex-treinador do FC Porto vai ter direito à liberdade de expressão na festa do Coliseu do Porto.
Mas ainda Villas Boas nem sequer aterrou em Pedras Rubras, muito menos teve ainda tempo para alinhavar as palavras do seu discurso de agradecimento, e já a liberdade de expressão de terceiros anda a fazer das suas. É que não param, por SMS, e-mail, redes sociais e literatura vária, as sugestões para uma recepção condigna ao jovem que trocou a sua pátria cadeira de sonho por uma vida profissional, enfim, na Europa.
O que devem, então, os portistas fazer quando André Villas Boas subir ao palco nessa noite que se avizinha histórica no Coliseu?
Fazer barulho? Virar as costas? Abandonar o recinto?
Fazer manguitos? Fazer o pino?
A seu tempo se verá mas fez bem o FC Porto em atribuir o Dragão de Ouro de melhor treinador ao treinador que lhe deu a vitória em quatro celebradíssimas competições oficiais numa única época. Demonstrou sentido de Estado. Aliás, outra coisa não poderia fazer sob pena de ridículo.
Resta também saber o que vai fazer e dizer Villas Boas quando agradecer a distinção.
Vai ser humilde?
Talvez...
Ou vai, com a ironia do costume que reina na casa, dedicar o prémio a Vítor Pereira com quem aprendeu tudo?
Pouco provável...
Ou vai fazer como Danny e, sem grandes explicações, não comparecer na soirée marcada para o Porto?
Improvável...

APESAR de já ter estado marcada para a soirée, quem não vai comparecer no Estádio de Alvalade no próximo dia 15 de Novembro é a selecção nacional de futebol. Afinal, a selecção vai receber a Bósnia no Estádio da Luz, o que levou a um natural reacender de teimosias entre sportinguistas e benfiquistas.
Ouçam-nos:
-O vosso estádio dá galo e está o destino da Pátria em jogo...
-Mas foi no vosso Estádio que perdemos a final do Euro 2004 para a Grécia.
-Em Alvalade, o Paulo Bento só coleccionou desgostos.
-Isto há política aqui metida. Será por não termos apoiado o Fernando Gomes primeiro que vocês?
-O homem ainda nem sequer foi eleito. E o nosso estádio tem mais 15 mil lugares do que o vosso.
-Mas achas que há mais de 15 mil pessoas a pagarem bilhete com IVA a 23% para não verem o Bosingwa e o Ricardo Carvalho jogar...?
-Dá graças a Deus por ser na Luz. Se fosse em Alvalade e se, por acaso, vocês vissem o Hélder Postiga a marcar um golo de bicicleta à Bósnia até vos dava uma coisinha má...
-Quero lá saber do Postiga, nós agora temos o Van Wolfswinkel.
-Ai é? Então vai apoiar a selecção da Holanda e deixa a nossa selecção em paz?
-A nossa selecção? A tua selecção deve ser a da Argentina, com certeza, são tantos...
-Olha, o Djaló tem-te escrito?
Têm sido assim as conversas na 2.ª Circular desde que a FPF trocou de estádios sem avisar ninguém.

VÍTOR PEREIRA diz que «se fosse hoje» até tinha inscrito o Walter na Liga dos Campeões. Jorge Jesus diz que «se fosse hoje» não tinha mudado de opinião e que inscreveria sempre Rodrigo no lugar de Joan Capdevila na Liga dos Campeões.
Isto não é teimosia. Isto é sentido de Estado. E é por estas e por outras que eu gosto muito do treinador do meu clube.

VÍTOR PEREIRA disse no final do jogo de ontem que empatar com o APOEL não é empatar com uma equipa qualquer. E não é, não senhor. Empatar com o Apoel em casa é isso mesmo: empatar com o APOEL em casa, um resultado que até se pode considerar positivo se retivermos na memória o último lance da partida com Helton em grande atitude a roubar a vitória aos cipriotas.
O grande protagonista do jogo foi, no entanto, o árbitro que era estrangeiro. Deu 8 cartões amarelos a jogadores do FC Porto.
Um árbitro teimoso, está visto. Mas que herói!

A equipa goesa de futebol dos Churchill Brothers venceu a 124.ª edição da Taça da Índia. A final foi disputada no Ambedkar Stadium, em Nova Deli, e o adversário vencido foi o Prayag United. Depois de 120 minutos sem golos, os Churchill Brothers triunfaram no desempate por grandes penalidades.
Parabéns ao nosso professor Neca, treinador dos Churchill Brothers!"

Leonor Pinhão, in A Bola

Porto mingua, Benfica cresce

"É a última tendência, sobretudo na Europa. Zenit e APOEL face a Basileia... dá ferrugem/tristeza 'versus' ritmo/convicção


TRISTE, enferrujado e nervoso FC Porto. Mantém-se na corrida à fase seguinte da Liga dos Campeões, mas muito aumentam as rugas de preocupação: empate, em casa, perante o APOEL de Chipre, de seguida a contundente derrota na Rússia. E o nível de exibição limitou-se a passar de péssimo para medíocre.

O campeão de Chipre, líder do grupo, é mesmo surpresa. Mas, caramba, o FC Porto só assim, como anda, em rodas baixas, não consegue ganhar-lhe - e até consente que a disputa da vitória se faça taco-a-taco em quase todo o tempo. Na primeira parte, chegou a ser aflitivo, apesar de cedo ter surgido o golo de Hulk com ajuda do guarda-redes. Ivan Jovanovic tem de ser muito bom treinador para conseguir tão sólidas organização e convicção - as frequentes saídas para ataque cipriota chegaram a ser espectaculares - numa equipa sem estrelas (Ailton, brasileiro, ponta-de-lança, tem muito para vir a sê-lo), onde entram Manduca (ex-V- Setúbal e ex-Benfica) e Kaká (ex-SC Braga) e cujo meio-campo é manobrado por Hélio Pinto e Nuno Morais, dois portugueses sem lugar no nosso futebol...


BENFICA: em Basileia confirmou nível de rendimento anos luz à frente do fraquíssimo Benfica dos primeiros meses da época passada (e da tão penosa ponta final...); este Benfica é mesmo potencialmente superior ao da penúltima temporada, campeão nacional. Potencialmente... - o que significa ainda lhe faltar (múltiplas) prova dos 9, ao longo da maratona até à meta final de Maio.

Jorge Jesus disse, na pré-época, não ter agora melhor onze-base do que o de há dois anos. Percebeu-se: sentia faltarem-lhe o então fantástico Di Maria (que poder de explosão em drible e velocidade nos contra-ataques!), o melhor Saviola que Portugal viu e já quase esqueceu, o superconsistente médio todo-o-terreno Ramires, David Luiz no auge de ganas para atingir galarim internacional e Fábio Coentrão que, com enorme mérito de Jorge Jesus, iniciava fulgurante transfiguração de mentalidades (acima de tudo, isso!) e de extremo talvez um dia bonzinho para defesa-esquerdo de mão cheia.

Só que, depois dessa afirmação de Jorge Jesus, chegaram Witsel e Garay, muito fazendo crescer a capacidade do meio-campo e do centro da defesa. Mais: Gaitán, não equivalente a Di Maria, tem confirmado consistente evolução competitiva do seu talento (até como extremo, para minha surpresa, pois sempre lhe vi superiores qualidades para se impor na zona central, como médio ofensivo, ou mais perto do ponta-de-lança), Nolito entrou a todo o gás e Bruno César, gradualmente, à medida que progride em condição física e ritmo, vai mostrando muito bom nível técnico, inclusive no remate.

Comparando idênticos períodos da temporada, este Benfica está melhor do que o de há dois anos. Poderá parecer que não, no campeonato, face à fulgurância daquele arranque para o título; mas os adversários desse Benfica foram apanhados de surpresa, e, para além disso, estavam débeis, mormente o FC Porto. Mas é sobretudo à escala europeia (e agora na Champions, em vez da Liga Europa...) que tem sido evidente o crescimento benfiquista, em maturidade e... consistência táctica. A grande diferença está no meio-campo. Javi Garcia tem agora dois anos de rodagem; e há a novidade Witsel, cujas capacidades e características trouxeram pujança à linha média (bem superiores ritmo e segurança nos desdobramentos ataque-defesa) e versatilidade nas opções táctico-estratégicas. O Benfica de há dois anos era trepidante, amiúde até fulgurante, na ofensiva, mas o actual fez desaparecer as então notórias debilidades na transição defensiva. Foi-se a sofreguidão de dar espectáculo, chegaram bem maior solidez, muito mais equilíbrio; logo, superior capacidade competitiva.

Finalmente, e sempre face ao último Benfica campeão, o actual plantel tem muito melhor naipe de alternativas no banco de suplentes. Atenção, porém: isso é indiscutível na força atacante; mas há debilidades nas opções: qualitativas, para o sector defensivo, e numéricas, para o meio-campo."


Santos Neves, in A Bola

Javi Poves

"Numa semana de futebol europeu, com o Benfica forte, escrevo sobre Javi Poves, até há pouco um jogador (defesa) do Gijón da 1.ª Liga de Espanha. Que, em Agosto, decidiu deixar o futebol.

Ao longo da sua carreira várias vezes quebrou a norma. Recusou a oferta de um carro pelo seu clube, ao contrário dos colegas. Fez várias declarações, umas vezes de revolta sobre «o dinheiro e corrupção no futebol», outras de uma rebeldia utópica e até inconsequente.

Javi Poves decidiu virar missionário: «Quero ajudar quem mais precisa. No futebol não era feliz. Andava iludido. Agora quero ser últil ao mundo, ajudar o próximo. No Senegal vou voltar a sentir valores perdidos como a amizade, solidariedade ou companheirismo. Numa palavra, vou tornar-me mais humano».

Um caso que tem tanto de invulgar, como de respeitável.Perante um mundo desigual e injusto, o atleta sentiu o desassossego das incongruências que alimentam o futebol de elite.

As suas palavras e atitude têm tanto de romantismo ingénuo e sonhador, como de mal-estar perante uma actividade que se alimenta intensamente do fascínio efémero, da aparência falsa e demolidora e da busca vertiginosa do sucesso a qualquer preço.

Onde a linha de separação entre êxito e fracasso é perigosamente imperceptível. Quantas vezes, à euforia do sucesso, se seguem o drama da solidão e do esquecimento, num palco pouco ético e pejado de predadores?

Erich Fromm escreveu um dia: «A partir do momento em que o homem se sente não só como o vendedor mas também como o bem a ser vendido no mercado, a sua estima própria depende de condições que vão além do seu próprio controlo. Se ele é bem sucedido, tem valor; se não é, é inútil».

Será que Javi Poves o leu?"


Bagão Félix, in A Bola

Ferguson da Luz

"A memória dos adeptos é curta. Quando Jesus chegou ao Benfica, o clube estava de rastos: tinha ficado em 3.º lugar no campeonato e não passara da 5.ª eliminatória da Taça de Portugal e da fase de grupos da Taça UEFA.

Jesus operou o milagre de não só ganhar logo o campeonato, mas praticar um futebol como há muitos anos não se via na Luz. E na “horrível” época passada, conseguiu o 2.º lugar no campeonato, ganhou a Taça da Liga, e chegou às meias-finais da Taça de Portugal e da Liga Europa. Mas não foi assim tão mau...

Jesus iniciou no Benfica um ciclo novo: implantou um padrão de jogo, deu um estilo ao futebol encarnado e projetou o plantel, valorizando jogadores que já renderam (ou vão render) muitos milhões ao clube: Di María, David Luiz, Coentrão, Gaitán, Emerson.

Por tudo isto, o Benfica devia começar a pensar fazer de Jesus uma espécie de Ferguson da Luz. Um treinador da velha guarda, que não aderiu a modas de circunstância, que conhece muito bem os meandros do futebol, que tem pulso de ferro e garante boas exibições, mesmo quando não ganha.

Com Jesus, o Benfica valerá sempre mais – como acontece com o Manchester United de Ferguson.

Jesus devolveu a esperança aos benfiquistas, sendo em muitos anos o único treinador que o conseguiu. E o clube tem de agarrar isso com ambas as mãos, iniciando um ciclo novo que faça esquecer os tempos Jupp Heynckes, Camacho, Toni e companhia.

Se Jesus saísse, o Benfica voltaria à estaca zero, à instabilidade interna, à descrença, aos tempos em que a equipa passava um jogo inteiro sem criar uma oportunidade de golo. Seria inglório se isto acontecesse."


Zangas e arrelias

"Jorge Jesus tem razões para estar arreliado com Emerson. Não só foi o menos concentrado dos jogadores da linha defensiva como chegou a dar mostras de alguma displicência. Falhou um golo obrigatório. E, embora lhe tenha calhado em sorte o melhor jogador do Basileia (Shaqiri), o lance que vale o segundo amarelo ao brasileiro é digno de um tenrinho. Ou seja, com a retribuição à porta e a hipótese (invulgar) de conseguir de imediato o apuramento, passeando e gerindo as duas últimas partidas, Jesus tem motivos para estar zangado consigo mesmo, por se comprovar agora que daria algum jeito que um homem como Capdevila pudesse ser opção. Ainda assim, talvez haja uma saída chamada Luís Martins. É uma aventura, um risco? Que seja. Pode acontecer que o jovem português vista uma daquelas personalidades que se agigantam perante os grandes desafios. Com exceção desse pormenor, Jorge Jesus não pode zangar-se com mais ninguém: do inultrapassável Artur ao eficaz Cardoso, tudo resultou com precisão. Com sofrimento, mas também com espetáculo.

Amuados, ao que consta, ficaram os dirigentes do Sporting, com a súbita transferência do Portugal-Bósnia para o Estádio da Luz, depois de “vistorias” e documentos trocados. Alguma razão lhes assiste, sobretudo se for possível confirmar que foram os últimos a saber. Mas, ao mesmo tempo, não podem deixar de reconhecer que a diferença da lotação e que as próprias características do recinto são argumentos insofismáveis a favor da mudança. Pode dar-se o caso de ser a receita de despedida (cruzes, canhoto!) deste Europeu, o que significa que a Federação Portuguesa de Futebol já encara o minorar dos “estragos” resultantes de uma ausência da fase final. E, em matéria de apoio, todos não serão demais – se puderem ser 65 mil, deve perder-se a oportunidade?

Furiosos, vociferantes, andam alguns dos peões de brega do FC Porto para o combate mediático. Tudo por causa do Ministério Público (MP) e da conclusão a que este chegou relativamente ao comportamento de cinco jogadores portistas no túnel no Estádio da Luz. Nem Pinto da Costa se aventurou a tão iradas tiradas – limitou-se a regressar à sua pueril ironia e a comparar o incomparável (Scolari, claro). Os outros não: da palhaçada à conspiração (além dos limites da demagogia ao acusar o MP de perseguir atletas do clube por ter falhado o presidente), sucederam-se as acusações. Todas alinhadas por um nível que envergonha quem o assume e que só se entende por um bizarro nervosismo. Há remédios eficazes. E não me parece que as espumantes figuras dependam de taxas moderadoras. De resto, à falta de melhor, moderar deveria ser um dos verbos a tomar, já. Mesmo em automedicação – é por uma boa causa."