Últimas indefectivações

domingo, 3 de julho de 2016

O carácter de Renato

"Disse que o Renato Sanches tinha condições incríveis logo que o vi jogar. Primeiro com o Astana, a 25 de Novembro de 2015, para a Liga dos Campeões, cinco dias mais tarde em Braga, e, a 4 de dezembro, frente à Académica, onde assinou um golo monumental.
Agora, neste Europeu, e depois do que ele fez contra a Hungria, pedi para que fosse titular o mais depressa possível, tal como aconteceu com milhões de portugueses. Com ele em campo, a dinâmica ofensiva da equipa é outra. A velocidade aumenta e a Selecção joga melhor, pelo que não me surpreendeu que tenha sido considerado o melhor em campo pela UEFA nos jogos com a Croácia e Polónia.
O que me surpreendeu, isso sim, foi a resposta que deu depois do jogo com a Polónia: "O míster, perguntou quem queria bater os penáltis. O Ronaldo disse que batia o primeiro e eu que batia o segundo. Fui para a bola e fiz aquilo que costumo fazer nos treinos: escolho um lado e meto na baliza!" Estas afirmações surgiram com uma tranquilidade tal que até parecia que as grandes penalidades em causa referiam-se a um qualquer torneio de pré-temporada.
Hoje, 33 anos depois, continuo a ser o estreante mais jovem com a camisola das quinas. Tinha 17 anos. Ainda assim, tento colocar-me na mente do Renato e entro em pânico. Os outros que iam marcar as penalidades eram Cristiano, Moutinho, Nani e Quaresma, quatro glórias que sabiam o que estava em causa. Um falhanço naquele momento era uma cruz para toda a vida...
O país estava 'dependente' daqueles malditos penáltis e muitos craques fugiriam se pudessem. O Renato tem 18 anos, era o seu primeiro jogo a titular pela Selecção A e fácil seria dizer ao míster que não estava preparado para aquela responsabilidade.
Mas ele é de outra fibra, não fugiu à responsabilidade e revelou uma coragem incrível. Sete meses depois de vê-lo jogar pela primeira vez, digo que o Renato é um craque, com carácter de ferro e de autêntico campeão. Com a sua personalidade ganhadora será o líder e o capitão da Selecção assim que o Cristiano se retire.

Positivo
Dois jogadores portugueses teriam merecido nota máxima no jogo com a Polónia. Rui Patrício, pela defesa espectacular no penálti, e Pepe. Foi, talvez, o melhor jogo que vi dele.

Negativo
Parece que os árbitros têm medo de marcar penáltis e Portugal está a ser a mais prejudicada de todas as selecções. Foi assim com Nani, frente à Croácia, e com Ronaldo diante da Polónia."

Pepe deve gostar de couratos

"Pepe. Não o José Manuel Soares, mas o Képler Laveran Lima Ferreira. Não o do Belenenses, sim o do Real Madrid. Não o português, antes o brasileiro. Erro grave: brasileiro? Não. Quanto muito, luso-brasileiro. Pepe (o Képler) já é tão português como Ronaldo. Canta o hino e beija as quinas. Até deve gostar de couratos e de caracóis. E de passar férias no Algarve. Tem paragens cerebrais durante os jogos? Claro. Como um bom português. A mais famosa aconteceu a 21 de abril de 2009, quando teve entrada duríssima sobre Casquero (Getafe) e depois pontapeou-o diversas vezes no chão. Por vezes, como na final da Liga dos Campeões, repete a graça, embora de forma diferente. Mas no intervalo destas paragens, é um central extraordinário. Que está a fazer um assombroso Campeonato da Europa, aparecendo em França numa forma física esplendorosa, varrendo a área de Rui Patrício com facilidade impressionante. Está ao nível de Eurico (1984), Fernando Couto (1996 e 2000) ou Ricardo Carvalho (2004 e 2008). Sublime.

Ronaldo. Não o Ronaldo Luís Nazário de Lima, sim o Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Não o de Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Milan e Corinthians, antes o do Sporting, Manchester United e Real Madrid. Não o brasileiro, mas o português. Ronaldo canta o hino como Pepe, beija as quinas como Pepe, não se sabe se gosta de couratos, caracóis ou de passar férias no Algarve como Pepe deve gostar. Não está a fazer um Europeu ao nível de Pepe. Está dois degraus abaixo. Corre, luta, sua? Sim. Mas está ainda muito longe do Ronaldo a que nos habituámos. As imagens divulgadas referentes ao pré e pós-penalties com a Polónia são fantásticas e prova-se que Ronaldo merece cada centímetro da braçadeira que usa. Está ao nível de Mário Coluna (1966), Fernando Couto (2000 e 2004) ou de Luís Figo (2006).

Patrício. Não os do Euro-1984, antes o do Euro-2016. Não o Bento, o Damas ou o Jorge Martins, antes o Rui. Tem feito um Campeonato da Europa muitíssimo bom. À guarda-redes de equipa grande. Sem grande volume de jogo, não registando alta sequência de intervenções, Rui Patrício tem defendido o que tem defesa e algumas bolas quase sem defesa. E a grande penalidade detida frente à Polónia é soberba: esticou-se até ficar quase com dois metros e tocou com a ponta dos dedos na bola. Tão importante como os cinco remates certeiros dos 11 metros. Não está ainda ao nível de Bento (1984) ou Vítor Baía (1996 e 2000), mas está já bem ao nível de Ricardo (2004 e 2006). Falta-lhe apenas, um dia destes, marcar um penalty. Sem luvas, claro. E já depois de ter defendido um. Talvez de Bale, quem sabe. Em Lyon.

Renato Sanches só tem três velocidades
Renato isto, Renato aquilo, Renato outra coisa qualquer. O jovem médio é, depois de Cristiano Ronaldo, o jogador mais falado da Seleção portuguesa. Se Patrício é o homem dos penalties, se Pepe se tornou num paredão atrás da linha média e se Ronaldo é o craque mundial, Renato Sanches é o homem do momento. Há quem pense para o lado e quem pense para trás: Renato só pensa para a frente. Há quem tenha cinco velocidades. Renato tem apenas três: a quarta, a quinta e a sexta. Há quem veja duas balizas. Renato vê, sobretudo, uma: a do adversário."

Rogério Azevedo, in A Bola

Benfiquismo (CLIII)

Outro ângulo... em relação ao Benfiquismo de ontem...!!!

Redirectas XLV - Renato Sanches: O Farol


Entra em campo e tudo ilumina o miúdo da Musgueira. Sua alma irradia. E todas as atenções atrai em seu redor com o seu extraordinário magnetismo. É uma luz que se espraia em campo qual farol anunciando terra firme. 
Poucos jogadores na história do futebol tiveram o condão de trazer a este desporto rei aquilo que Renato Sanches trás. Na realidade, do meu ponto de vista, Renato Sanches é único nesse particular. Dos jogadores que eu tive a sorte de ver jogar talvez Maradona possa comparar-se em termos desse magnetismo. Mas Maradona deixou-se perder pelos jogos da vida. Renato Sanches ainda está a começar. Acredito que saberá escolher os melhores caminhos. Essa luminosidade não se apagará. Continuará pelos anos a dentro. Nunca vi jogar Eusébio mas acredito que fizesse o mesmo quando entrava em campo. O magnetismo da genialidade. A personalidade do gigante que se ergue a cima do comum dos mortais.
Todos os relatos sobre Renato Sanches falam da sua extraordinária personalidade. Uma personalidade que não está acente na loucura inconsequente de um jovem imaturo. Uma personalidade que está sustentada na firme convicção de que ninguém está a cima dele, porque ele sabe das suas capacidades e quer mostrá-las à saciedade.
Chegou, viu e venceu. Foi assim no Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Está a ser assim na selecção nacional. Está a ser assim no Euro 2016. Irá ser assim no Bayern de Munique. E sim sr. presidente tenha a mesma convicção que o senhor. Renato Sanches irá vencer a bola de ouro. Irá ser considerado o melhor jogador do mundo. Simplesmente porque não existe ninguém como ele.

Podem rir-se à vontade. Esta a minha convicção. E não é de agora como os meus artigos antigos o demonstram. Escrevi que o contrato deveria ser renovado. Escrevi que menos de 150 milhões de euros era a baixo do seu valor. E aí está todo o mundo de boca aberta com a sua prestação no Euro. Eu escrevi que era inevitável que tal acontecesse. Uma vez a porta aberta ele ía tomar de conta. É assim Renato Sanches, bastam-lhe uns minutos para não mais ser esquecido. Apenas um lunático pode menosprezá-lo. Mas sabemos que em Portugal existem muitos.

Primeiro os treinos onde conquista o respeito dos colegas. Depois os minutos em campo onde conquista o público. Depois o inevitável. A qualidade mostra-se e impõe-se. E o treinador não tem outro remédio a não ser aproveitar-se dessa dádiva dos céus que tem em mãos. Mesmo assim faz toda a gente que ama o futebol barafustar por encostar o miúdo à linha. Van Hoojdonk simplesmente letal para com o Fernando Santos. Veremos se contra Gales o vai encostar de novo à linha e sujeitar-se a perder o jogo.

Escrevem que teve a sorte de "... estar no lugar certo à hora certa...". Shame on you Delgado! No Renato Sanches nada se deve à sorte. Talento puro do princípio ao fim. Ele que foi o português mais maltratado desde que me lembro como gente. Simplesmente ignóbil. E não vi ninguém defendê-lo. Favor de se abesterem de fazer comentários a constatar o que já não conseguem empurrar para debaixo do tapete.

Portugal está vergado ao peso da grandeza de Renato Sanches. E quantos, quantos, quantos com amendôas do tamanho de melões entravadas na garganta!

Para ti Renato, daqui do Reino Unido quero enviar-te um abraço do tamanho do mundo e muita saúde que é o mais importante principalmente no mundo do futebol. Continua com essa alma e lembra-te do nossso Benfica enquanto estiveres nas terras bávaras. És enorme. Um farol. São jogadores como tu que fazem do futebol algo de único no mundo.

Espero um dia voltar a ver-te de manto sagrado vestido. Muito triste com a tua partida mas feliz por ti.

E Pluribus Unum

sábado, 2 de julho de 2016

Para os lados e para trás

"Fãs de Portugal e fãs ou Bayern Munique, o que têm em comum? Um grande sorriso, naturalmente. De um lado e do outro não houve quem não rejubilasse com o Polónia-Portugal. Os portugueses porque viram a equipa nacional qualificar-se para as meias-finais do Europeu ao cabo de 5 empates nos 90 minutos regulamentares - é obra! Os adeptos do Bayern Munique porque viram um jogo abrilhantado com dois lindos golos de jogadores dos seus quadros, - Lewandowski e Renato Sanches, o que também não deixa de ser obra. Mas obra do poder financeiro, convirá acrescentar. Os opulentos, no mesmo jogo, ainda voltaram a ver os mesmos contratados acertar com distinção nas redes quando chegou o momento do desempate através de grandes penalidades.
Ficaram os portugueses encantados com a boa fortuna que os vem acompanhando neste torneio - oxalá se venha a dizer que este foi um Campeonato da Europa atípico...- e ficaram os adeptos bávaros com a soberba reforçada tendo em conta o contributo efectivos das suas duas estrelas. No Portugal ideal, onde a clubite mete férias quando joga a Selecção Nacional, o voo triunfal de Rui Patrício bem poderia ter relançado o arraial de bandeiras às janelas no centro de Lisboa se no centro de Lisboa, no lugar de forasteiros. ainda vivessem portugueses.
Na Alemanha, no entanto, talvez por ser um país mais industrializado, a clubite nunca mete folga. Por isso, mesmo os adeptos do rival Borussia Dortmund ficaram destroçados com os golos de Lewandowski - um cepo de todo o tamanho - e de Renato Sanches - que só joga para os lados e para trás. Onde é que já se viu uma coisa destas?"

'There's a new kid in town'

"Massy - Quem não conhece a canção dos Eagles (não têm nada a ver com o Benfica), do álbum Hotel California, There's a New Kid In Town (que pode traduzir-se como Há Um Miúdo Novo Na Cidade)? Ora é precisamente essa a sensação que se tem quando se passa os olhos pela Imprensa internacional a propósito de Renato Sanches. Se em vez de uma referência discográfica tivesse ido à procura de uma analogia cinematográfica, A Star is Born (Nasceu Uma Estrela), de George Cukor, também serviria. Mas o que tem Renato Sanches para, de forma tão estrondosa, entrar pela porta grande na galeria dos protagonistas do Euro-2016? Além do talento que Deus lhe deu e de tudo o que trabalhou e aprendeu no Benfica, o novo jogador do Bayern esteve, esta época, no sítio certo à hora certa.
A começar pelo dia 25 de novembro de 2015, 40 anos depois de uma data importante para a democracia portuguesa, quando Renato foi titular pelo Benfica na Champions, frente ao Astana, um mês e quatro dias depois de ter estado na vitória dos encarnados, em Istambul, sobre o Galatasary, por 11-1, na Youth League. Na montra da Champions League Renato deu nas vistas e foi, sobretudo, graças ao que aí fez que fundamentou o interesse do Bayern (convencido a abrir os cordões à bolsa depois dos dois jogos com o Benfica, em que viu o que o Bulo da Musgueira podia fazer). Já depois de ter assinado pelos bávaros, Fernando Santos convocou-o para o Euro-2016, quiçá na sequência da lesão que impediu o excelente Bernardo Silva de estar em França. E novamente num palco de luxo Renato abriu o livro e revelou-se, de forma exuberante, ao planeta do futebol, como uma das maiores promessas da próxima década, sem perder nada para Martial, Dier ou o seu novo companheiro Kimmich.
O futuro pertence a Renato Sanches, assim não lhe falte cabeça para concretizar um processo de crescimento conseguido. Mas, até para isso, parece-me que está no clube certo...

Gales - O conto de fadas do País de Gales continua. Mesmo sem Leigh Halfpenny, Sam Warburton e George North, a turma galesa arrasou a Bélgica e vai medir forças com Portugal na meia-final. Pelo sim, pelo não, antes do jogo de Lille fui jantar a um restaurante belga e tratei de ganhar de goleada às moules e as frites, como a imagem mostra. É verdade, não queria os belgas. Venham os Bales..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Celis

Guilhermo Celis assinou por 5 anos com o Benfica.
Tenho muitas dúvidas sobre a qualidade deste reforço. Os jogos que vi, e os vídeos que visionei deixaram-me de pé atrás! Ainda por cima, com Fejsa, Samaris,como 'primeiras opções' ainda temos o André Almeida... e o Dawidowicz (tenho muitas esperanças no Polaco para esta época!).
Mas vamos ter que dar o benefício da dúvida... vai chegar com ritmo de jogo, esteve na Copa América, mesmo sendo pouco utilizado!

Esta inflação de extremos e 'trincos' pode indicar uma alteração do Modelo de jogo do Benfica, com um duplo Pivot defensivo no meio-campo, e extremos com mais liberdade ofensiva... pessoalmente, prefiro um '6' declarado com um '8'... mas até agora, 'substituto' do Renato, nem vê-lo!!!!!! E na minha opinião precisamos de dois...

Benfiquismo (CLII)

Mítica...

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O puto é fantástico

"O plantel (em parte) do Benfica regressou ao trabalho com a ambição de uma nova época de êxitos. Se a história do clube e a exigência dos adeptos a isso obrigam, nos últimos anos acrescentamos uma habituação muito saborosa a uma overdose de conquistas.
Assim, venham os amigáveis de pré-época, para preparar o organismo dos adeptos para novos títulos. Agora é a altura da comunicação social descobrir novos Chalanas, novos Humbertos, novos Rui Costas ao dobrar de cada esquina. Para mim basta-me um Lindelof afinadinho, um Jonas motivado ou um Raúl Jiménez cheio de ambição.
Terminou a Copa América com o Chile a bater a Argentina e Messi a falhar um penalty. Como consequência o astro do Barcelona prometeu abandonar a selecção celeste. Messi é um futebolista fantástico mas é um argentino fraquinho.
O Europeu prosseguiu e nos oitavos de final só a vitória de Portugal sobre a Croácia e a da Islândia sobre Inglaterra podem ter algo de surpreendente. Portugal fez o Europeu que podia e muitas das críticas são eivadas de má-fé, mesquinhez e ignorância. No jogo contra os polacos, uma boa equipa que ainda não perdera um jogo (nem com a Alemanha) Portugal chegou à lotaria dos penalties. Sorte ou azar é pormenor. Um treinador de excelência que fez de uma equipa cheia de limitações uma das quatro melhores da Europa. Ontem, como contra a Croácia, substituiu sempre bem e foi decisivo. Já fizemos um Europeu muito bom, agora é manter sangue-frio e defrontar uma Bélgica (de certeza) que é para mim a melhor da Europa.
Quem não gostar de Renato Sanches fique calado e não seja 'Inácio', o puto é fantástico. Estamos nas meias-finais, onde ainda mais ninguém chegou..."

Sílvio Cervan, in A Bola

Pauta no Manto... com Maestro!!!

À portuguesa

"À hora a que este jornal chegar às mãos do estimado leitor, já se conhecerá o desfecho do Portugal-Polónia. Antes dessa partida, é-me difícil fazer uma análise profunda ao desempenho do conjunto luso no Europeu de França: chegar às meias-finais será uma coisa, ser eliminado pelos polacos será outra bem diferente.
Além do mais, esta selecção tem viajado da terra ao céu, e do céu à terra, a uma velocidade que nem o proverbial oito-oitentismo português consegue acompanhar. Uma fase de grupos muito modesta levou à depressão generalizada dos adeptos portugueses. Mas logo uma vitória sofrida, e bastante feliz, sobre a Croácia, mergulhou o país nas ondas da euforia. No momento em que escrevo, já vamos outra vez ser campeões.
O seleccionador Fernando Santos é soberano nas suas escolhas. E, se chegar à final, todos os que o criticaram nas últimas semanas terão de meter as violas no saco. Também eu - um dos dez milhões de seleccionadores de bancada -, que não só teria feito outras opções desde o início da prova (Renato Sanches, Quaresma...), ou até antes dela (André Almeida, Pizzi, André Silva...), como teria adoptado um discurso bem mais prudente face às limitações de uma equipa que depende em demasia de um só jogador, e que tem alguns pontos fracos... bastante fracos (o jeito que faria um ponta-de-lança a sério...). O que me parece inegável é que, até aqui, temos tido a sorte do nosso lado: na fase de qualificação, no grupo que nos calhou, nos enquadramentos desta fase eliminatória, e, pelo menos, no jogo com a Croácia. Que os deuses nos tenham continuado a proteger na partida de quinta-feira."

Luís Fialho, in O Benfica

Roland

"Foi com enorme satisfação que visitei a exposição de Roland Oliveira na antiga secretaria da Jardim do Regedor. Desde logo pelo local, outrora um baluarte do benfiquismo, do qual quase só ouvi falar. Também pela recuperação do espaço, abandonado que parecia estar há muitos anos. Ademais, a exposição, cuja receita reverte integralmente para a Fundação Benfica, é muito interessante, não fosse o espólio fotográfico de Roland Oliveira uma autêntica história, em imagens, de grande parte da vida do SLB. Finalmente, por se tratar de uma homenagem a um homem que tive o prazer de conhecer e a quem sempre admirei a paixão pelo Benfica e pela fotografia.
Não sei precisar no tempo o momento em que o conheci, mas creio que terá sido no final dos anos oitenta, por volta dos meus dez anos de idade. Sempre acompanhado pela máquina fotográfica, cada instante poderia ser eternizado pela arte do "Sr. Rólando", como eu lhe chamava. Dos muitos exemplos que poderia referir, recordo uma das minhas fotografias preferidas de Carlos Lisboa, cuja produção presenciei. Empoleirado. por trás da tabela de basquetebol, num escadote instável, mas seguro por um assistente de ocasião, no caso o Sr. Albano, roupeiro do Basquetebol, Roland Oliveira elevou-se a uns quatro metros de altura para daí poder fotografar o astro do Basquetebol português de um ângulo nunca visto.
Morreu aos 87 anos, em 2007, debilitado por uma queda de um muro perto do Colombo, em 2003, que o limitou na arte que tanto amava. Caiu enquanto tentava fotografar o novo Estádio da Luz, ainda em construção. E foram certamente inúmeras as magníficas fotografias que ficaram por tirar..."

João Tomaz, in O Benfica

João Gabriel, benfiquista, competente e amigo

"Acabo de ser surpreendido com o anúncio de que João Gabriel deixaria as funções de Director de Comunicação do Sport Lisboa e Benfica.
Nesta circunstância, é inteiramente justo prestar ao João uma homenagem sentida pelo elevado registo de competência técnica, de sagacidade e de empenho profissional com que definiu o rumo, levantou a arquitectura e geriu as crises, neste ambiente sui generis.
O cenário comunicacional de um grande clube desportivo e, por maioria de razão, tratando-se do Benfica - o maior de todos, constitui um edifício especial onde o dia-a-dia se vive em regime de grande intensidade e no qual, a quem dirige, é absolutamente indispensável manter 'cabeça fria'.
A cada momento, a argúcia é imprescindível para saber ler os sinais, para interpretar a simbologia que cada ocasião específica suscita e para antecipar ou empreender, as reacções mais adequadas.
Hoje na comunicação, usamos máquinas, aparelhos, dispositivos de toda a natureza e até meros gadgets tecnológicos servem para passar uma mensagem. Os últimos oito anos, então, em que João Gabriel dirigiu este sector do universo benfiquista, foram tempos de fantástica evolução nas técnicas e nas tecnologias da comunicação.
Mas na verdade, aqui, o 'equipamento' essencial, as verdadeiras 'ferramentas' da comunicação, são as pessoas. E com a sua objectividade, com o seu temperamento positivo e a sua inteligência rápida, João soube ser o líder perspicaz que tanto conseguia acrescentar 'boa onda' nos momentos mais difíceis, como garantir a serenidade de análise necessária nas ocasiões mais esfuziantes.
Com as dificuldades e desencontros que a intensidade dos casos e a exaltação dos tempos muito naturalmente trazem ao nosso trabalho, até pode ter acontecido que nem sempre coincidíssemos nas soluções que defendíamos. Eu tenho pena que, por exemplo, não nos tivesse sido possível levantarmos juntos o último grande projecto de comunicação que ainda faz falta à galáxia benfiquista - a Rádio Mundial do Benfica... Mas em três pontos estivémos e havemos de continuar a estar sempre de acordo:
no nosso profundo Benfiquismo comum;
no respeito pela competência profissional;
no significado e no valor que ambos atribuímos à Amizade.
João Gabriel merece, sem dúvida, a sincera gratidão do Benfica e dos benfiquistas."

José Nuno Martins, in O Benfica

Vontade de arranjar problemas

"(...)
Vontade de arranjar problemas, ou, meter-se na boca do lobo, são tudo sinónimos.
A maior virtude de quem sabe o que quer, é saber que por vezes também se cometem erros. A seguir, resolvê-los.
Vivemos actualmente numa sociedade completamente dominada pela imagem e pela influência que é vendida como inerente a essa mesma imagem. É impossível criar uma convicção contra a mesma convicção criada pela designada psicologia de massas.
A verdade, essa é cada vez mais postergada e esmagada pela força das redes sociais. Deixou de ser justo, a repartição equitativa das realidades. Várias guerras surdas e mudas, mas com muito impacto oratório e visual, acabam por dominar a agenda quotidiana, limitando o subjacente e ampliando o aparente.
A demagogia acabou por imperar na sociedade da comunicação e tudo, por tudo, é válido para fazer valer as intenções malévolas, que presidem aos intentos dos homens de malícia."

Pragal Colaço, in O Benfica

Portugal voltou a ser Portugal

"Depois de andarmos a engonhar durante a primeira fase, com desempenhos pouco entusiasmantes, o terceiro lugar em grupo acessível, além de gerar natural constrangimento, nada indiciou de prometedor para as etapas seguintes. Mesmo subindo pela esquerda do calendário (a escalada mais acessível), a Croácia foi adversário que tivemos de ultrapassar e que, tal como nós, alimentava justificadas expectativas, em resultado do excelente grupo de futebolistas que apresentou em França. Passámos com a sorte que geralmente protege quem faz por merecê-la. A mesma sorte que ontem, em obediência à verdade, não saiu do nosso lado no primeiro jogo deste Europeu em que Portugal voltou a ser Portugal. Renato Sanches marcou o golo luso, converteu o penalty logo a seguir a Cristiano Ronaldo e pela segunda vez foi eleito o homem do jogo pela UEFA. Curioso, quando ainda há meia dúzia de dias treinador conceituado cá do burgo o considerou impreparado para ser titular. Felizmente que Fernando Santos, com os defeitos que lhe quiserem assacar, não foi na conversa. Pensou pela sua cabeça. A Secreção e o País agradecem-lhe."

Fernando Guerra, in A Bola

Carrillo

Finalmente, Carrillo no Benfica.
Depois de mais uma novela longuíssima, com muitos episódios cómico-trágicos, André Carrillo está finalmente livre da incompetência/arrogância/malvadez do Babalu...!!!

Já se falou de uma possível venda do Carrillo ainda antes de jogar pelo Benfica! Pessoalmente, espero que isso não aconteça! Mesmo com uma aparente inflação de jogadores para a Ala direita do nosso meio-campo espero que o Carrillo fique.
Sabendo que este ano sem competição vai fazer mossa... dificilmente o Carrillo vai regressar em grande forma, vamos ter que esperar... mas mesmo assim, espero que ele fique!

Não sei se a intenção do Rui Vitória, é manter o mesmo Modelo de jogo, mas independentemente do Modelo o Carrillo em boa forma, será sempre uma opção válida! Mesmo com altos e baixos na sua carreira no Sporting, é um jogador com um enorme potencial, um daqueles que 'queima linhas' como agora está na moda escrever... sendo um Ala, e não um médio-centro, nesse aspecto, é parecido com o Renato...
E por acaso o ano passado, apesar do nosso festival ofensivo, nos jogadores mais utilizados, nenhum deles era especialmente rápido...

Benfiquismo (CLI)

Vamos a eles...!!!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Redirectas XLIV - Renato Sanches de Norte a Sul


Este é o dia que marca o antes e o depois.
O antes do Renato Sanches benfiquista para o Renato Sanches português.
Eu avisei que não havia a miníma dúvida que nesta selecção era Renato Sanches mais 10.
E é assim que vai ser daqui para a frente.
Mais uma vez reitero a minha tristeza por termos vendido um jogador desta dimensão.
O Benfica merece mais! Mas compreendo as palavras de Luís Filipe Vieira. Um dia o Benfica poderá manter estes jogadores por mais tempo.
Mas eu mantenho que na actual situação o Renato Sanches ficaria pelo menos mais uma época no Glorioso se fosse eu que mandasse!
Hoje estou feliz com a vitória da nossa selecção porque mostrou-se uma equipa. E finalmente se vê o respeito que dão a quem o merece. É para nunca mais saír da equipa.
E é um jogador de tal dimensão que foi marcar o penalti. O segundo! Sem palavras.
E como não podia deixar de ser: 'Homem do jogo' pela segunda vez consecutiva.
E o golo fez dele o jogador mais jovem alguma vez a marcar pela selecção portuguesa num campeonato da Europa ou algo assim.
E o treinador dele que diz que ele é o melhor jogador do Europeu.
É só elogios de todos os que escuto nestes streams manhosos do EUA, UK e afins.
Tudo deliciado com ele.
Balack, Kompani, McManaman
Enfim.
Que pena não termos mais uma época de sonho com ele de manto sagrado vestido.
E não, não vou ver jogos do Bayern.
Eu sou do Glorioso Sport Lisboa e Benfica!
Tudo o resto passa-me ao lado.

Ficarão as saudades e talvez alguns jogos da selecção para disfrutar da excelência do seu futebol.

P.S.

O Fernando Santos diz que o Renato Santos lhe faz lembrar o Coluna no seu início. Eu nunca vi jogar o grande Mário Coluna mas olhava para o Renato Sanches de manto sagrado e vinha-me à mente o Coluna. Por isso escrevi este artigo: http://oindefectivel.blogspot.co.uk/2016/02/redirectas-xxvii-nunca-mais-e-sexta.html.
Foi em Fevereiro. Já aí está feita a comparação entre Renato Sanches e Mário Coluna.
Não tenho grandes dúvidas que Renato Sanches estará entre os melhores do Mundo dentro de alguns anos como um dia esteve Mário Coluna.

Oficial... 2016/17