"Ao ver os vídeos que a Federação Portuguesa de Futebol e o seu presidente têm vindo a publicar por estes dias, fica-se com a nítida impressão de que a ida da seleção nacional às Américas é algo acessório, quase irrelevante; o que é verdadeiramente importante é a presença de Pedro Proença nessas geografias.
Proença é guionista, protagonista, ator principal e secundário — e, mais houvesse. Detém, literalmente, o monopólio da imagem. Aparece de frente, de costas, a andar, parado; com casaco, em mangas de camisa, a gesticular, formal ou sorridente. De vez em quando, em raros momentos, lá aparecem alguns figurantes, como jogadores ou até o selecionador nacional. Mas o que importam estes afinal?
O “Rei Sol”, Luís XIV, seria, ao dia de hoje, um tímido aprendiz ao lado de Proença. Passamos do “L’État, c’est moi” para “Le football,, c’est moi”. Esta Federação não vive nem trabalha para o futebol português, mas para o ego do seu presidente.
Em apenas um ano, Proença transformou a FPF numa estrutura fechada, centralizada, sem espírito crítico ou contraditório interno. Instalou-se um compulsivo e indecoroso culto da personalidade do seu presidente. A Cidade do Futebol assemelha-se cada vez mais a uma autocracia e Proença a uma versão de Kim Jong-un: com estética ocidental, mas com a mesma obsessão pelo controlo da imagem e da narrativa.
Em breve, quando as evidências forem impossíveis de ignorar, os presidentes dos clubes, das associações e dos sindicatos de classe terão de assumir a responsabilidade pelo que permitiram, pelo que silenciaram e, sobretudo, pelo que continuam a sustentar.
A eleição de Proença foi alicerçada em múltiplas promessas — “pratos de lentilhas” — que “compraram” os votos que o levaram para a Cidade do Futebol e que, agora, empurram a FPF para um despotismo incompetente, sustentado por egoístas conveniências.
Depois de três conferências de imprensa de Martínez em solo americano, não houve um único jornalista que questionasse o selecionador sobre o seu futuro e sobre a chegada de Jorge Jesus à seleção das quinas após o Mundial. Ou sentem receio de criar desconforto à liderança da federação, ou instalou-se na classe uma cultura de conformismo que empobrece o jornalismo. Qualquer das opções é má! Esperemos que os jornalistas queiram voltar a recuperar o seu papel!"
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