"Dois presidentes de clubes de
futebol entram num bar. O que
se diz mais abastado começa a
contar a sua história e como ali
chegou. Está hoje bem na vida,
depois de uns amigos lhe terem
emprestado dinheiro e nunca
lho ter pago de volta. Mas tudo
legalmente, defende-se. Não
tem muito jeito com as palavras,
mas lá consegue explicar,
depois de 15 minutos de banalidades, que quem pagou foram
os contribuintes. E ri-se. Como
tem excelentes relações no
campo da Justiça, puxou uns
cordelinhos e viu-se sempre
afastado de problemas judiciais,
sejam suspensões por cartões
amarelos, agressões selváticas
em campo ou manobras financeiras duvidosas. E quando me
questionam, confessa, bato muitas vezes no peito e digo que sou
diferente.
O outro presidente, moço novo e
de boas famílias, mas com a
conta no vermelho há vários
anos, escutou-o com pouca
atenção. Estava ali porque precisava de um favorzinho. No
meu caso, começou, herdei uma
dívida monstruosa, financeira e
moral, mas faço de conta que não
se passou nada. Estou à frente de
uma empresa que tem por base
um saco azul, sem fundo, mas
tenho uns assuntos para resolver
que me andam a tirar o sono:
uma condenação por roubo de e-
-mails e espionagem corporativa,
e esses teus amigos na Justiça
dar-me-iam muito jeito. É que os
meus só resolvem questões
locais, como invasões a centros
de treino de árbitros, violência em
estádios de futebol, bullying a
jogadores e treinadores, distúrbios em estações de serviço e
férias pagas no Brasil.
Fizeram um brinde com o whisky mais barato da ementa, terminaram o pires de amendoins
e seguiram os seus caminhos.
O primeiro pediu fatura – tem lá
na empresa um funcionário que
ainda vai transformar aquela
despesa num perdão fiscal.
O segundo, mal tocou na bebida
– gosta mais de fruta e café com
leite, mas naquele bar não serviam.
Qualquer semelhança com a
realidade é pura ficção."
Ricardo Santos, in O Benfica

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