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quarta-feira, 4 de março de 2026

O Benfica foi a Barcelos angariar fundos para a viagem ao topo da classificação virtual


"Um Benfica bipolar teve o melhor momento no final da primeira parte e passou pela pior fase no início da segunda. O Gil Vicente reagiu ao golo inaugural de António Silva, mas os encarnados reforçaram a presença no ataque. Sem uma grande quantidade de oportunidades, Schjelderup concretizou a que teve (2-1). No regresso de Prestianni ao onze inicial, existiram, como quase sempre, razões para duvidar das capacidades de sedução da equipa de José Mourinho

A mola que impulsionou o Gil Vicente para o 5º lugar da I Liga foi a coragem na aplicação da patenteada ousadia ofensiva. César Peixoto implementou uma identidade, matéria através da qual a equipa de Barcelos poderia ser reconhecida até mesmo se jogasse à paisana.
Tudo o que os gilistas têm em excesso, o Benfica tem em defeito. Tanto que, discursivamente, também existem flutuações. José Mourinho recorda o resultado quando joga mal e ganha, mas releva a exibição quando não ganha e, supostamente, joga bem. O que importam os paradoxos quando se tem uma classificação virtual feita por especialistas independentes de todas as entidades do mundo exceto do Benfica?
Não é novidade que as capacidades de sedução dos encarnados têm que ser revistas. Só ali pouco antes do intervalo, a exibição motivou algum interesse. O golo de canto de António Silva, que esteve perto de ser evitado em dois momentos por Elimbi e Buatu, deu ao Benfica uma sobranceria desajustada.
César Peixoto, inclusivamente, queixou-se da demora de Amar Dedic na execução de um lançamento junto da área técnica do Gil Vicente. Apesar do recurso a métodos deselegantes, quando a bola estava em jogo e quando não estava, o Benfica rematou à barra. Samuel Dahl, com a força do cruzamento, obrigou Pavlidis a desviá-la como se o seu peito fosse uma tábua.
Os traços de personalidade mais vincados pertenciam ao Gil Vicente. Na pujança de Ghislain Konan, os minhotos rompiam cordas. Na agilidade de Murilo, escolhiam momentos de ataque. No início da segunda parte, o Benfica foi apanhado em visita à sua realidade virtual e Luís Esteves, que tem dos pés mais respeitáveis da I Liga, fez uma reposição manual que desbloqueou o empate. O dez obreiro Santi García encontrou Héctor Hernández e a vantagem foi anulada. Trubin evitou logo de seguida o bis do espanhol.
Sem médios viris, José Mourinho montou um onze de roda baixa. Leandro Barreiro compunha a falta de centímetros com a ansiosa busca pela recuperação e tinha um viveiro de pulgas – Schjelderup, Prestianni e Rafa – nas imediações.
O tumultuoso Gianluca Prestianni praticou futebol à vista de todos pela primeira vez desde que o mundo se colocou a arrazoar quanto à culpabilidade ou inocência do argentino no caso Vinícius. A certo ponto, ignorou as incumbências que tinha à direita do ataque para interromper uma saída do Gil Vicente. Pelas medições do palmómetro, os adeptos encarnados dão razão ao jovem de 20 anos. Talvez esse tenha sido o melhor momento de um regresso discreto.
A acumulação de átomos no último terço não suscitou combinações frenéticas quando era mais necessário que elas surgissem. O Gil Vicente atolou-se no seu meio-campo, confiando no aparecimento de oportunidades para contra-atacar que não existiram. Apesar de parecerem estar a querer partir o muro com um espanador, os encarnados foram rentáveis. Dedic desencantou um cruzamento que ficou a pingar na área. Zé Carlos foi apanhado numa ilha com Schjelderup e, no um para um, o norueguês disparou para o 2-1.
Os jogos em que o Gil Vicente intervém ganham estatuto para poderem ser considerados grandes. A equipa de César Peixoto tem recursos para, frente aos candidatos ao título, dividir o encontro e apresentar-se como possível vencedor. Contra o Benfica, não foi diferente. Os períodos de domínio alternados indicaram um equilíbrio que passou despercebido ao resultado (2-1) e as águias vão para o clássico a sete pontos do FC Porto."

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