Últimas indefectivações

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

VAR(iedades)


"O senhor professor-doutor Pedro Proença, quando ainda estava na Liga de Clubes, e num momento de grande lucidez, anunciou que a partir de então nenhum jogo de futebol teria início depois das 20:45. Naturalmente ficámos muito gratos. Afinal, o homem não se lembrou de estabelecer a fasquia nas 22:15, nas 23:00, ou mesmo na meia-noite. Que sorte a nossa!
Mostrando essa gratidão, quase 50 mil heróis enfrentaram a tempestade, ignoraram o resultado das eleições presidenciais e deslocaram-se à Luz na noite do passado domingo. Sobretudo quem teve de fazer viagens longas, com estradas cortadas e chuva intensa, regressando a casa a horas impróprias, ficou a dever ao agora presidente da FPF uma noite bem dormida, e pôde assim, na manhã seguinte, regressar ao trabalho fresco como uma alface.
Pelo contrário, na Cidade do Futebol, com ar condicionado, sem chuva, sem trânsito e refastelado numa cadeira ergonómica, um ilustre cidadão chamado João Casegas adormeceu mais cedo. Acordou subitamente para anular um golo a Pavlidis, mas cedeu novamente ao sono profundo dos anjos. Além desse lance, não viu mais nada do que se passou no ecrã colocado diante do seu nariz. Acontece.
De há um ano para cá, aconteceu tantas vezes que se está a tornar banal. Neste período, a arbitragem portuguesa regrediu 40 anos. O que, noutros tempos, outros protagonistas de - moraram décadas a edificar, estes conseguiram em apenas 12 meses. É obra!
A redução da diferença pontual para os lugares da frente até podia dar-nos alguma esperança de ainda lá chegar. Quando nos lembramos destes condicionalismos externos, quando vemos o que foi todo este Campeonato (e a ponta final do anterior e a Taça de Portugal…), perdemos quaisquer ilusões. Com estas arbitragens, não há Mourinhos nem Anísios que nos valham."

Luís Fialho, in O Benfica

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