Últimas indefectivações

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Em frente...

Benfica 5 - 0 Elétrico

Vitória tranquila, com muito desperdício pelo meio e com uma folha limpa na nossa baliza!
Regresso do Diego, a ganhar ritmo para as Finais...

Estamos nas Meias-finais, onde vamos defrontar um muito complicado Leões de Porto Salvo!

O Rafa mandou-os para o cara* !!!!

Os não convocados!

A campanha começou no Euro... infelizmente alguns Benfiquistas vão atrás das patranhas!!!

Estes Ingleses são esquisitos !!!

Até o Roy fica louco!!!

Coincidências...

Mais um...

Verdade

Backstage | #SLBenficaFem 2-0 FC Porto | Final da Taça de Portugal

Benfica: nem o presente acaba, nem o futuro começa


"O final da época chegou. Mas no Benfica ninguém sente verdadeiramente que a época tenha acabado. E talvez esse seja hoje o maior problema do clube.
Há demasiado tempo que o Benfica vive preso num estado permanente de transição. Nunca fecha completamente um ciclo, nunca inicia verdadeiramente outro. Fica ali, suspenso entre a crise seguinte e a promessa da próxima solução milagrosa. E um clube desta dimensão não pode viver emocionalmente assim durante anos sem começar a pagar um preço pesado por isso.
Bruno Lage iniciou a temporada praticamente sem margem para errar. Roger Schmidt já tinha vivido exatamente o mesmo. Dois treinadores diferentes, dois contextos diferentes, mas a mesma realidade: ambos começaram a época sem verdadeira ligação à bancada. E quando isso acontece no Benfica, o tempo transforma-se rapidamente num inimigo.
Porque no Benfica pode faltar muita coisa durante algum tempo. O que nunca pode faltar durante demasiado tempo é empatia.
Nem Schmidt nem Lage conseguiam comunicar com os adeptos. E isto no futebol moderno não é detalhe nenhum. Quando os resultados aparecem, quase tudo se tolera. Quando os resultados desaparecem, cada conferência de imprensa transforma-se numa autópsia pública da liderança do treinador.
O desgaste começou muito antes das derrotas. As derrotas apenas tornaram impossível esconder aquilo que já era evidente.
Depois houve o mercado. E também aí o Benfica falhou.
Gastou muito dinheiro para construir pouco rendimento desportivo. Quem chegou raramente conseguiu fazer esquecer quem saiu.
Bruno Lage caiu como toda a gente antecipava que cairia. Dois maus resultados bastaram para tornar inevitável aquilo que já parecia apenas adiado. Rui Costa resistiu enquanto pôde, talvez porque fosse dos poucos que ainda acreditavam genuinamente no treinador. Mas havia um problema impossível de ignorar: as eleições aproximavam-se e a continuidade de Lage estava totalmente colada à imagem do presidente.
Rui Costa precisava de mudar o estado de espírito do clube. Dentro de campo e fora dele.
E então surgiu José Mourinho.
O impacto foi imediato. O Benfica voltou a sentir-se grande. Não necessariamente dentro de campo, mas seguramente fora dele. Mourinho devolveu peso, presença, centralidade mediática e até alguma arrogância competitiva a um clube que andava há demasiado tempo emocionalmente encolhido.
Até muitos adversários de Rui Costa nas eleições tiveram dificuldade em criticar a escolha. Mourinho parecia consensual no universo benfiquista. E percebe-se porquê.
Porque Mourinho trouxe uma coisa que o Benfica já não transmitia há demasiado tempo: autoridade.
Mesmo quando o futebol não encantava, existia sempre a sensação de que havia alguém suficientemente forte para suportar a pressão sem ser consumido por ela. Alguém com dimensão para impedir que cada empate parecesse o fim do mundo e cada derrota uma crise institucional.
Rui Costa ofereceu a Mourinho um contrato de dois anos com possibilidade de saída no final da primeira temporada. E convém sermos honestos: aquela cláusula tinha muito mais de contexto eleitoral do que de contexto desportivo. Era uma proteção política. Uma forma de deixar tudo em aberto até os sócios decidirem quem comandaria o clube.
Com a vitória de Rui Costa torna-se difícil perceber porque continua o Benfica mergulhado numa novela absolutamente desgastante sobre os famosos dez dias da cláusula.
Porque uma coisa é um treinador querer sair. Isso acontece em todos os grandes clubes. Outra completamente diferente é assistir ao Benfica transformado numa sucessão de silêncios, sinais contraditórios, conferências de imprensa desconfortáveis e indefinições permanentes.
E aqui Mourinho também não fica bem na fotografia.
A 1 de março garantiu publicamente que assinaria novo contrato se o Benfica quisesse. E há uma ironia quase cruel nisso tudo. Na primeira passagem pela Luz, saiu depois de pedir maior reconhecimento contratual após vencer o Sporting.
Mas a verdade é que ninguém percebe realmente o que aconteceu desde o dia 1 de março.
Foi apenas o interesse do Real Madrid? Houve desgaste interno? Quebra de confiança? Divergências com a estrutura? Problemas no planeamento da próxima época? O Benfica não esclarece. Mourinho também não. E o vazio, no futebol, é sempre ocupado pela especulação.
O problema é que o Benfica já ultrapassou há muito a fase da especulação saudável.
Chegados aqui, isto começa simplesmente a parecer indigno da dimensão do clube.
Posso compreender que um treinador queira sair para outro projeto. O que já me custa aceitar é ver o Benfica preso a uma espécie de humilhação pública lenta, onde ninguém fecha nada, ninguém decide nada e todos parecem confortáveis em prolongar um desgaste que só enfraquece ainda mais o clube.
Mourinho fica ou sai. O Benfica avança ou não avança. Mas isto não pode continuar.
Porque os benfiquistas já não estão cansados apenas de perder. Estão cansados de viver permanentemente em instabilidade. Cansados de terminar todas as épocas com a sensação de que o clube está sempre à beira de qualquer coisa. De uma rutura. De uma crise. De mais um recomeço.
Rui Costa segurou Schmidt demasiado tempo. Segurou Lage demasiado tempo. E agora arrisca-se a não conseguir segurar Mourinho quando mais precisava de estabilidade. A margem de erro desapareceu quase por completo.
O próximo treinador ficará inevitavelmente ligado ao presidente. Talvez mais do que qualquer outro até hoje. Porque o próximo treinador não decidirá apenas a equipa dentro de campo. Decidirá também, em grande parte, o futuro da liderança fora dele.
E o Benfica precisa desesperadamente de alguém que entre já com crédito junto da bancada. Que comunique bem. Que tenha personalidade. Que apresente futebol atrativo. E, sobretudo, que não chegue imediatamente condenado ao primeiro empate.
Se assim não for, o clube começará perigosamente a transmitir a sensação de que deixou de controlar o próprio destino.
E quando um clube desta dimensão perde essa capacidade, deixa de entrar em crise apenas quando perde.
Passa a viver dentro dela."

Até já


"Na jornada final de uma época negativa, a deslocação ao Estoril era feita com alguma esperança, mas, sobretudo, com a frustração própria de quem sente que já não depende de si próprio para atingir o objetivo. Não obstante, a equipa fez uma primeira parte de alto nível, resolveu o jogo, e na segunda só o desperdício justifica o resultado escasso.
Terminada a época, há que preparar a próxima com rigor e ânimo, pois julho é já ao virar da esquina. A equipa perderá o capitão Otamendi, que merece o respeito e a gratidão de todos pelo que deu dentro e fora do campo, mas sabe que para o ano poderá estar mais forte. Num mercado global, competitivo e, para mais, em ano de Mundial, consciente do enorme risco de a realidade me desmentir, apostaria que jogadores como Aursnes e Ríos serão os líderes da equipa; Tomás Araújo e António Silva os portadores da mística; Schjelderup, Dahl e Prestianni confirmarão as boas impressões com que acabaram esta época; Dedic, Sudakov, Lukebakio e Ivanovic, mais adaptados, jogarão muito mais. Se a estes juntarmos certezas como Rafa, Barreiro ou Pavlidis e esperanças como Banjaqui, Neto ou Anísio percebemos que há uma boa base para crescer e, reforçada, cirurgicamente, fazer uma equipa que nos permita, daqui a um ano, estarmos com um estado de espírito bem diferente. Falta a confirmação do timoneiro, mas, continue ou não, Mourinho merece uma palavra de reconhecimento por tudo o quanto fez. Por isso, entre a natural frustração de uma época em que não se venceu, e a esperança própria de uma nova, é um "até já" que convém ser bem aproveitado."

Terceiro Anel: Live - Planeta Futebol #1 - Convocatória...

Quezada: Seleção...

Falar Benfica #247 - Fim da Liga, regresso L. Europa, Ota & Mou, 3 ª Taça no feminino e modalidades

Rabona: The truth about Mourinho at Benfica… and now Real Madrid?

Zero: Mercado - Médio dinamarquês na rota do Sporting

BF: Treinador...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Os pormenores sobre Diogo Costa, Jogador do Ano

Observador: E o Campeão é... - Martínez: Génio tático ou mestre da ilusão com 27 eleitos?

Observador: E o Campeão é... - Benfica precisa de um perfil ou de um nome para o banco?

Observador: Três Toques - Afinal quem são os 26 magníficos convocados para o Mundial?

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #139

3x4x3


Segunda Bola


Não concordo nada com os 26 de Martínez para o Mundial! (E ainda nem os conheço)


"A poucas horas de o selecionador revelar os eleitos para o Mundial 2026, antecipo a inevitável indignação nacional. Porque, aqui, na Seleção, todos mandam!

Já é terça-feira, mas o relógio ainda está longe de bater as 13 horas e, por isso, Roberto Martínez ainda não abriu o envelope selado na Cidade do Futebol. Mas já tenho uma certeza absoluta, daquelas que nem o VAR consegue anular: não concordo nada com os 26 convocados para o Mundial 2026. É oficial. Podem imprimir, partilhar nas redes e preparar os teclados, porque a minha indignação está em warm-up e não aceita substituições.
É fascinante a nossa genética. O português nasce, faz o teste do pezinho e recebe logo uma licença UEFA Pro invisível tatuada na alma. Mal o selecionador nacional — esse homem corajoso que decidiu trocar a tranquilidade de uma sesta em Wigan pela gestão de egos de milhões de selecionadores de café — pronunciar o primeiro nome, a sinfonia dos «Mas, porquê?!» vai começar.
Já estou a ouvir o coro. «O Cristiano? Outra vez? Com 41 anos? Já não joga nada, só quer recordes!» — como se o homem que desafia a biologia todas as manhãs fosse apenas um figurante de luxo num filme de ação. Depois, virão os defensores do sentimento. «Então e o Paulinho? O homem marca golos até de olhos fechados e fica em casa?». Ou: «E o Ricardo Horta? Aquele eterno injustiçado que parece estar sempre no banco de espera do destino.»
Martínez vai, com aquele seu português cada vez mais polido e um sorriso que desarma até o mais cético dos comentadores, explicar as dinâmicas, os triângulos, a largura e a profundidade. Mas nós não queremos triângulos, caro Roberto! Nós queremos o nosso jogador, o da nossa cor, aquele que nos faz saltar no sofá e que, por acaso, joga no clube que nos faz pagar quotas.
«O Félix? A sério? Mas ele joga ou faz poses para o Instagram?.» Ou: «O Cancelo? Muito ataque, pouca defesa!». «E o Quenda?! A sério?»
Não importa quem entre ou quem saia. Se Roberto Martínez convocasse 26 clones de Eusébio em 1966, haveria sempre alguém a dizer que faltava ali um extremo que fizesse melhor a diagonal no pelado do distrital.
E não é esta, também, a beleza (e o fado) de ser português? Somos um País de onze milhões de treinadores onde o selecionador oficial é apenas o único que, por mero acaso contratual, tem de assumir a responsabilidade. Nós, no conforto da nossa ironia, temos o poder sagrado de nunca errar uma substituição — porque a fazemos sempre depois de o jogo acabar.
Por isso, Roberto, prepara-te. Podes levar a inteligência artificial, os dados estatísticos mais avançados e a bênção de todos os deuses do futebol. No final do dia, para nós, alguns dos teus 26 serão sempre os outros.
Porque os nossos, os verdadeiros, os que ganhariam o Mundial de goleada e sem suar a camisola, esses ficaram todos aqui fora, sentados à mesa, a discutir se o selecionador percebe mesmo disto ou se só tem um bom alfaiate.
Por isso, boa sorte, caro Roberto! Vais precisar dela, não duvides. Porque a minha lista já está feita, e a tua, seja ela qual for, já está errada (mesmo sem a conhecer!)."

Neymar, o diamante que decidiu tornar-se soldado para o último Mundial


"Neymar não joga pela seleção do Brasil desde outubro de 2023, mas conseguiu convencer Carlo Ancelotti a levá-lo ao seu quarto Mundial. Na presente época, o ex-craque de Barcelona, PSG e Al Hilal soma vários golos e assistências pelo seu clube de infância, o Santos. Continua a ser um jogador tecnicamente diferenciado, daqueles que o futebol mundial produz muito raramente. O talento nunca esteve em causa. O problema tem sido o resto: ritmo competitivo, a intensidade e, sobretudo, o historial clínico.
O assunto dividiu o país nos últimos dias. Ídolos do futebol brasileiro, como Romário e Ronaldinho Gaúcho, e protagonistas da atual seleção já tinham defendido publicamente a presença de Neymar contra outra metade do país. Mas a decisão está tomada. O nome Neymar foi dito em alto e bom som no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e o atleta está oficialmente convocado para o Mundial-2026. O maior aplauso da noite num evento com muitas novidades anunciadas, antes da convocatória.
Este caminho até aqui, como todos sabem, não foi fácil. Segundo dados do site Transfermarkt, Neymar tem mais de 1500 dias de ausência por lesão, o que equivale a mais de quatro anos sem contribuir em campo. São mais de 250 jogos oficiais perdidos. Dá a ideia para quem segue de perto a carreira do jogador que podia ter feito bem mais pelas suas equipas. O compromisso podia ter sido diferente, mas o jogador canarinho foi muitas vezes o saco de boxe das equipas adversárias.
Durante o Mundial de 2014, sofreu uma das lesões mais marcantes da sua carreira. Num lance com o jogador colombiano Juan Camilo Zúñiga, o avançado brasileiro sofreu uma fratura no processo transverso da terceira vértebra lombar. Os exames de tomografia computorizada confirmaram a gravidade da lesão, obrigando Neymar a abandonar imediatamente a competição. Em conferência de imprensa, o médico responsável referiu que havia duas notícias a comunicar: uma boa, outra má. A má referia-se à ausência de Neymar no resto da prova. A boa é que podia voltar a andar e possivelmente a jogar (como veio a acontecer).
Apesar de não ter sido necessária cirurgia, o jogador teve de ficar imobilizado e seguiu um tratamento intensivo para aliviar a dor e recuperar a sua mobilidade. A lesão manteve-o afastado dos relvados durante várias semanas e constituiu uma grande baixa para a seleção brasileira, que perdeu uma das suas principais figuras numa fase decisiva do torneio. Este episódio teve um forte impacto emocional tanto nos adeptos como na equipa, tornando-se um dos momentos mais marcantes desse Campeonato do Mundo. Para quem não se lembra, o Brasil jogava em casa nos quartos de final e o jogo seguinte foi trágico. A Alemanha, frente a um Brasil a chorar pela ausência de Neymar, impôs a pior derrota de sempre aos brasileiros, os famosos 7-1.
Desde esse Mundial em casa, para além de diversos problemas musculares e várias entorses de tornozelo, em 2023 Neymar sofreu uma lesão do menisco e rotura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo durante um jogo de qualificação para o Mundial-2026, frente ao Uruguai. Neste tipo de casos de atletas profissionais, havendo a confirmação da rotura do ligamento cruzado anterior, é feita a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior, associada ou não a sutura de menisco ou meniscectomia. O regresso dos atletas à prática desportiva é frequentemente acompanhado por uma grande pressão exercida pelos diferentes intervenientes do contexto desportivo, pelo círculo mais próximo do atleta e, muitas vezes, por fatores internos relacionados com o próprio atleta.
Assim, importa salientar que o processo de reabilitação deve ser conduzido de forma rigorosa e responsável, ainda que dentro do menor período possível. Os resultados funcionais desejados a ser cumpridos envolvem a força de extensão e flexão do joelho, desempenho em saltos horizontais unilaterais e resultados semelhantes em testes de saltos repetidos, com assimetrias inferiores a 10% comparando com o lado contralateral.
É igualmente importante que o atleta apresente boa tolerância ao esforço e confiança na realização de corrida multidirecional. Nem sempre o atleta regressa aos níveis habituais, de acordo com o timing cicatricial proposto na literatura. Neymar precisou de mais tempo para atingir os seus níveis de competitividade. Não é incomum. Quando se negligencia assimetrias funcionais, o atleta está mais próximo de uma recidiva ou de outra lesão. Até porque a fase de retorno à competição não se limita à preparação física do joelho para o regresso à atividade plena, mas envolve também a preparação global do atleta. É fundamental garantir que o atleta se sente confiante e mentalmente preparado para retomar o desporto sem qualquer limitação. O processo, que deve ser sempre progressivo, nem sempre é linear.
Estes últimos anos foram difíceis para Neymar. Mas ele continua a ser dos melhores do Mundo. Tem mais experiência do que aqueles que concorriam com ele e, por outro lado, Rodrygo e Estêvão já estavam afastados por lesão. A sua presença obrigatoriamente alivia a pressão de atletas que nunca conseguiram repetir na seleção o nível de futebol nos seus clubes, casos específicos de Vinícius Júnior e Raphinha. O desafio neste momento passa por demonstrar maturidade competitiva, consistência e capacidade de liderança num palco onde cada detalhe conta. É essa dimensão que frequentemente separa grandes jogadores de verdadeiros líderes em contexto de seleção.
Há pouco tempo assistia a um podcast de um colega ortopedista e diretor médico de uma equipa profissional no Brasil acerca de Neymar. Entre outras considerações, referiu que «no futebol atual já não basta ser jogador, é preciso ser atleta» e «só se conta com soldado para a guerra se tiver condições para batalhar». Não tenho qualquer dúvida que o Dr. António Mário Valente tem razão e foi exatamente por isso que Neymar foi convocado.
Carlo Ancelotti acredita que ele pode ser um soldado na sua seleção. Finalmente, percebeu que neste momento só pode ser útil se estiver bem fisicamente. A exigência física do futebol moderno, a intensidade, a disponibilidade e a capacidade de competir ao mais alto nível, semana após semana, é cada vez mais fundamental para o rendimento do jogador.
Quando um país inteiro parou para ouvir a convocatória da sua seleção, por causa de um jogador, isso diz muito sobre o impacto que teve no futebol. No caso de Neymar, esse tipo de atenção não vem apenas do talento dentro de campo, mas também da forma como marcou uma geração de adeptos, criou expetativas constantes e o seu nome, hoje, ultrapassa o próprio jogo. Ainda assim, é importante lembrar que esses segundos de apneia quando o nome foi dito pelo treinador são mais um reflexo da paixão do público e do seu peso mediático no futebol.
A carreira de um jogador é sempre feita de altos e baixos e a admiração coletiva pode ser tão volátil quanto intensa. Neymar merece estar presente em mais um Mundial, os grandes jogadores têm de estar nos grandes palcos."

Jogo Pelo Jogo - S03E41 - Mourinho 99% no Benfica

Pre-Bet Show #184 - O RECAP DA ÉPOCA 25/26 E O QUE ESPERAR AGORA DOS 3 GRANDES 👀

BolaTV: Fora-de-Jogo - 90+3 - S03E33 - Luís Aguilar

O Resto é Bola #52 - Os 27 convocados para o Mundial, os melhores e piores da Liga 25/26 e o sucessor de Mourinho ⚽️

Zero: 5x4 - S06E35 - Playoff arranca com surpresa?

Zero: Afunda - S06E43 - As finais de conferência

SportTV: NBA - S04E32 - O Alien está à solta! 👽

SportTV: Grelha de Partida - S04E13 - Conversas de corredores

Alma #4 - Penafiel

Afonso Eulálio: a força de uma camisola


"Afonso Eulálio é um corredor de poucos rótulos. Para o definir, precisamos de pensar duas vezes e não há garantia de que fiquemos convencidos com a resposta. Talvez ele próprio esteja a passar pela fase fascinante em que os limites não existem. Sendo um ciclista em autodescoberta, começou a exploração pelo topo.
Chegado o segundo dia de descanso, há um português a liderar o Giro. Quando o figueirense se colocou em fuga na etapa 5, não sabia no que se estava a meter. Apesar de ter deixado escapar a vitória - seria a sua primeira como profissional - para Igor Arrieta, alcançou a liderança da classificação geral e abriu uma distância substancial para o grupo de favoritos.
A Bahrain-Victorious tem arredado a cortina e mostrado os bastidores da epopeia. Num dos vídeos divulgados, no interior do autocarro-hotel da equipa que o figueirense representa, o experiente colega de 38 anos, Damiano Caruso, explica-lhe que “muitos esperam uma carreira inteira por um dia” a usar a camisola rosa. Eulálio não carregou a responsabilidade durante uma corrida: já vai em quatro.
No início de 2025, Afonso Eulálio anunciou em primeira mão à Tribuna Expresso que ia participar pela primeira vez no Giro. Não era uma prova para a qual estivesse inicialmente escalado, mas os primeiros contactos com o World Tour transmitiram aos responsáveis a confiança necessária à inclusão numa corrida de três semanas. Os receios eram válidos. Até aí, a carreira tinha tido rédea curta e os melhores momentos cingiam-se aos seis dias vestido de amarelo na Volta a Portugal. Acabaria por abandonar a competição ao longo da estreia na Volta a Itália, mas não sem antes deixar a sua marca passando em primeiro lugar no alto do Mortirolo. Mais à frente na época, destacar-se-ia no Mundial do Ruanda, onde terminou no nono lugar.
Eulálio foi contratado para ter um papel secundário na Bahrain-Victorious. O próprio sempre o assumiu sem que lhe fossem detetados sinais de desmotivação. A humildade para aceitar plenamente o trabalho fê-lo evoluir até atingir o nível - ainda assim, não definitivo - em que está hoje. As oportunidades nunca são pequenas demais quando o beneficiado lhes dá o devido valor.
Mais do que ter vestido a rosa, está a defendê-la como algo que verdadeiramente lhe pertence. O apego criado para com a camisola está a fazer Afonso Eulálio superar-se, atingindo patamares competitivos aos quais nunca teria chegado se não estivesse envolvido na acérrima proteção da indumentária.
Precisaria de ganhar asas para chegar a Roma de rosa, mas o feito indelével de Afonso Eulálio deixa-o na companhia de Acácio da Silva e João Almeida na lista de portugueses que vestiram a maglia do líder da classificação geral. Embora tenha estabelecido como objetivo vencer etapas, foi surpreendido com uma conquista tão grande ou maior. A liderança do Giro até pode ser ilusória, ao contrário da realista ambição de terminar numa das posições cimeiras. “É um claro candidato ao pódio”, apontou em análise feita para a Eurosport o vencedor de sete grandes voltas, Alberto Contador.
Antes do Giro retomar com o contrarrelógio de 42 km, Afonso Eulálio tem planos que passam por “parar num bom café e comer um bom bolo”. “Espero que todos os portugueses estejam orgulhosos e, quando chegar o dia de perder a camisola, continuem a acreditar em mim e a apoiar-me.”

O que se passou
Na luta pelo segundo lugar do campeonato, o Sporting não cedeu contra o Gil Vicente e esvaziou o efeito da vitória do Benfica contra o Estoril. Menos feliz ficou o Tondela, que acabou despromovido à II Liga e vai ser rendido por outro clube do distrito, o Académico de Viseu.
O FC Porto limitou-se a cumprir calendário e festejou ainda mais o título conquistado. Lá por fora também se comemorou. O Celtic venceu a liga escocesa e destroçou o Hearts, líder durante 250 dias. Em Inglaterra, o Manchester City levantou a FA Cup.
A novela criada em torno do futuro de Mourinho continua por resolver. O Benfica fez uma proposta de renovação, mas o Real Madrid, um clube no meio do caos, parece ter levado a melhor. No entra-e-sai do futebol português, Otamedi já se despediu dos encarnados. O Sporting também disse adeus a Morita. Em sentido contrário, chegou Zalazar. Já Pizzi terminou a carreira no Estoril.
Se está com problemas em encontrar cromos da Panini, não se preocupe. Por aqui, todos os dias até ao Mundial lhe trazemos um. Na saqueta desta semana, saiu Bebé, Robert Prosinečki, Kevin-Prince Boateng, Thomas Ravelli, Johan Vonlanthen, Yaya Touré e Andy van der Meyde."

Senegal: El-Hadji Diouf, o gabarola com mais cartões amarelos do que golos


"Brilhou na histórica campanha da sua seleção em 2002, chegou como uma estrela a Liverpool. Mas, em Inglaterra, ficou mais conhecido pela indisciplina — e por uma desagradável tendência de cuspir em pessoas — do que pelo talento.

Talvez o problema sejam as métricas. O modo como avaliamos as coisas. Vejamos.
Fosse um jogador avaliado pelo seu exagero verbal, pelas pouco modestas palavras que profere, e El-Hadji Diouf, capaz de se colocar na mesma frase de Maradona, seria candidato à Bola de Ouro. Ou, por outro lado, fosse um futebolista medido pelos cartões que leva, e não pelos golos que marca, e Cristiano Ronaldo que tomasse nota deste adversário-
Bem, se quisermos ser mais específicos, caso a arte de cuspir estivesse enquadrada dentro dos talentos a levar para um relvado, e então El-Hadji Diouf seria o incontestado rei que ele acredita ser. É possível que seja o resto do mundo a medir mal a realidade.
Eis El-Hadji Diouf. Um olheiro viu-o, jovem, nas ruas de Dacar e levou-o para França, o roteiro habitual do viveiro de talento do Senegal. Após representar Sochaux, Rennes e Lens, fez as malas para Liverpool, aterrando em Anfield cheio de expectativa.
É nos reds que podemos começar a realizar uma contabilidade particular na carreira do avançado. Primeira temporada: seis golos, nove cartões amarelos. Nada mau. Segunda época: zero golos. Nenhum. Amarelos? 13. Vermelhos? Um.
“Deve ser o único número nove da história a ficar um ano inteiro em branco. Ele era sempre o último a chegar aos treinos”, acusa Jamie Carragher, um dos pesos-pesados daquele balneário. Diouf podia ter falta de pontaria em campo, mas não com as palavras, respondendo de forma curta e direta, argumentando, de forma complexa e ponderada, que Carragher é “uma merda”.
Steven Gerrard, a estrela do Liverpool, classificava-o como “egoísta”. Resposta? “Gerrard era um invejoso, porque eu tinha o mundo aos meus pés. As pessoas gostam dele em Liverpool, mas ele nunca fez nada pelo país dele. Eu sou o senhor El-Hadji Diouf, o senhor Senegal. Ele é o senhor Liverpool e o Senegal é maior que Liverpool.”
Saindo de Anfield para o Bolton galático, onde foi companheiro de Hierro, Okocha, Nakata ou Anelka, Diouf foi cimentando o hábito de marcar pouco, mas fazer grandes manchetes. No Sunderland, por exemplo, fez zero golos, mas ameaçou Anton Ferdinand, colega de equipa, de esfaqueamento, na sequência de uma discussão. No Blackburn Rovers, onde apontou quatro golos ao longo de três época — amarelos: 11, vermelhos: um —, não se apresentou para uma pré-época, sumindo, desaparecendo.
Pelo Leeds, onde marcou sete golos, o segundo valor mais alto desde que saiu de França, nunca conseguindo chegar à dezena de festejos, o CV apresenta ser detido após uma cena de pancadaria numa discoteca em Manchester e ser expulso na sequência de gestos obscenos na direção de adeptos do Brighton.
A atribulada carreira apresenta 101 golos, os quais perdem perante os 126 amarelos. A justificação? “Sou um leão, tenho mau perder e não há problema em ter mau perder.”
Ainda assim, a métrica que mais singulariza El-Hadji é mesmo a das cuspidelas. Foi havendo várias para amostra: na direção de um adepto do West Ham em 2002, contra um adepto do Celtic em 2003, forçando a polícia a intervir pelo conflito com as bancadas escocesas, para um jovem de 11 anos do Middlesbrough, para Arjan de Zeeuw, do Portsmouth.

2002 e o rugir dos leões
Claro que houve ocasiões de brilhantismo. El-Hadji Diouf venceu o prémio de jogador africano do ano duas vezes consecutivas, em 2001 e 2002, um triunfo consecutivo só imitado por Abedi Pelé, Samuel Eto'o, Yaya Touré, Mohamed Salah e Sadio Mané.
Foi em 2002, no Mundial da Coreia e do Japão, que se deu o apogeu da carreira. Com 21 anos, era pensamento comum assumir que aquilo não seria um pináculo, mas sim o começo de algo. Não foi.
No Oriente, Diouf apresentou-se veloz, agressivo, voador, com uma certa urgência em campo, levando consigo os sonhos senegaleses. Os leões de Teranga estreavam-se na prova e o primeiro encontro não poderia ser mais simbólico.
Senegal-França. Colonizado contra colonizador. Debutantes contra campeões do mundo e da Europa em título. “A maior parte da economia é gerida por franceses, derrotá-los foi brutal para nós”, recorda Diouf.
Para abrir uma competição de surpresas, um choque: triunfo dos africanos por 1-0. El-Hadji Diouf foi eleito o melhor em campo, aguçando a expectativa dos adeptos do Liverpool, já informados que, na época seguinte, aquela pérola vestiria de vermelho. Na caminhada senegalesa rumo aos quartos de final, Diouf manteve um nível alto, agitando, provocando, impressionando, ainda que, fiel ao que seria o resto da carreira, o número de amarelos tenha superado o de golos (1-0).
Seria aquele o apogeu. “Colocámos o Senegal no mapa. Antes do Mundial ninguém conhecia o Senegal, mas depois toda a gente queria saber onde ficava. O que Maradona fez pelo seu país é o que eu fiz pelo Senegal. Fui um dos grandes nomes do Mundial 2002”, lembrou à BBC.
No pós-carreira, El-Hadji manteve-se altamente influente na sociedade senegalesa. Foi conselheiro do presidente Macky Sall, no cargo entre 2012 e 2024, fundou um jornal e um ginásio. Durante a caótica final da passada CAN, a mediação de Diouf, num raro instante de razoabilidade e sangue frio, ajudou os senegaleses a regressarem ao campo.
Sem modéstias, o homem dos 126 amarelos grita: “Sou o maior atleta senegalês de todos os tempos. Quem fez melhor que eu no desporto senegalês? Quem?”

(A última polémica de El-Hadji Diouf arrisca-se sempre a passar rapidamente ao estatuto de penúltima. Horas antes da escrita deste texto, o senegalês foi condeado a um ano de prisão, com pena suspensa, por incumprir as obrigações financeiras para com a sua ex-mulher, nomeadamente a pensão de alimentos da filha.)"

Benfica até ao fim


"1. Jonas esteve na Luz e foi junto ao relvado onde fez coisas mirabolantes que falou para a BTV. “Aqui é a minha casa. Amo este clube. Tomara que o Benfica faça um grande jogo e vença”, disse o extraordinário avançado brasileiro que participou – e de que maneira – em 4 títulos de campeão nacional para o historial do nosso clube.

2. Do nosso clube e do clube dele porque Jonas nunca escondeu a marca que o Benfica nele deixou. “É uma ligação muito forte. Foram os anos mais incríveis da minha vida e vou levar sempre o Benfica no meu coração”, disse na entrevista conduzida por João Martins para o canal de televisão do Benfica.

3. Lamentavelmente não se concretizaram os votos de Jonas para o jogo com o Sporting de Braga que se seguiria dali a momentos e que foi o último jogo realizado na Luz nesta temporada, que começou bem com a conquista da Supertaça ainda no verão e que, daí em diante, se saldou por um acumular de desilusões.

4. Na segunda-feira, com Jonas a assistir – Jonas que marcou 137 golos em 183 jogos com a nossa camisola –, o Benfica não venceu o jogo e somou o seu 6.º empate em casa para a Liga. Voltemos ao brasileiro que chegou ao Benfica a 12 de setembro de 2014 dispensado pelo Valência a custo zero. “Aqui é a minha casa”, foi o que começou por dizer, tocando no coração dos benfiquistas.

5. Falou bem Jonas. A Luz é a casa dele e é a casa de todos os benfiquistas. É a casa onde nos sentimos bem e onde a equipa de futebol se sente bem. Se a equipa de futebol não se sente bem a jogar “em casa” é porque temos um problema. Os 12 pontos perdidos neste ano na Luz são muito eloquentes e alertam para uma questão real que tem de ser resolvida. O Benfica não pode perder campeonatos com os pontos desperdiçados na Luz como aconteceu nesta temporada e em temporadas anteriores.

6. A Luz foi o Inferno da Luz durante décadas a fio. As equipas adversárias temiam só a ideia de entrar em campo. Há muitos relatos sobre este tema feitos por muitos jogadores que nos visitaram. Atualmente não é bem assim que as coisas se passam. O Estádio da Luz não pode ser o Inferno da Luz para o Benfica. Tem de ser o Inferno da Luz para os outros.

7. Empatando com o Sporting de Braga, o Benfica deixou de ser dono do seu destino na luta pelo 2.º lugar e pelo acesso à Liga dos Campeões. Depois do empate em Famalicão, o treinador do Benfica disse que só um milagre permitiria chegar a essa posição. Falta agora uma jornada para o fim da prova e veremos o que acontece em Alvalade e no Estoril no sábado. Se não houver milagre, que haja Benfica até ao fim."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Fartinho disto


"Estou farto de árbitros e arbitragens no futebol português. Não foi preciso a época chegar ao fim e os objetivos do SL Benfica não terem sido alcançados para vir falar no tema e chamar os ditos pelos nomes. Não estive sentadinho à espera das contas finais para poder dizer o que penso sobre o papel decisivo dos árbitros na classificação geral. Estava na cara desde os primeiros jogos da temporada, no verão passado. E nas épocas anteriores, se quisermos ser intelectualmente honestos. A nossa equipa falhou em momentos decisivos, com desperdícios inacreditáveis em frente à baliza ou erros defensivos e táticos que resultaram em golos dos adversários, mas isso faz parte do desporto, de qualquer modalidade. Apesar da azia desses momentos, consigo entender que tudo pode acontecer na alta competição. O que não pode ser decisivo é o papel que as terceiras equipas tiveram, têm e vão continuar a ter nos resultados.
Na noite da passada segunda-feira, só ficou surpreendido quem acordou recentemente de algum coma induzido. Em caso de dúvida, os “profissionais” do apito conseguiram sempre encontrar uma artimanha para anular golos, puxar a régua para foras de jogo milimétricos, interromper jogadas para os lances não se inserirem no protocolo do VAR ou decidir por pontapés de baliza em vez de cantos. São os truques dos artistas para quebrar dinâmicas, inclinar campos, enervar equipas e mudar o sentido dos jogos. Foi desta forma que o Glorioso se viu atirado para o terceiro lugar da classificação e quem disser o contrário está a filtrar a realidade.
Tão chocante como esta postura incompetente dos árbitros é ver benfiquistas a virar o foco das críticas apenas para jogadores, treinadores e dirigentes do Clube. E até para com os benfiquistas que escolheram nas urnas os destinos do Clube. Sim, muitos erros foram cometidos: nas contratações, nas vendas, nas tomadas de posição públicas ou nas decisões institucionais (como o silêncio ou apoio tímido na corrida às presidências da Federação e da Liga), mas isso apaga todo o mal que foi feito à equipa principal de futebol? Não. Os pontos que fizeram a diferença na tabela são explicados com erros cirúrgicos de arbitragem. Basta ver a diferença de critérios das decisões de grandes penalidades, mas tudo isso parece ser esquecido em prol de ódios pessoais. Lamento essa postura, tal como lamento os erros próprios em momentos-chave. A diferença é que uns são propositados e os outros fazem parte do desporto."

Ricardo Santos, in O Benfica

Até ao fim


"Em futebol não há impossíveis. E ao Benfica cabe lutar até ao último segundo, do último jogo, pelo único objectivo que lhe resta – e que dois empates sucessivos deixaram em mãos de terceiros.
O jogo com o Braga foi um retrato fiel do Campeonato. Terminou com um empate, e foram os empates que afastaram a equipa da luta pelo título. Muitos deles, como este, permitidos depois de estarmos a vencer. Muitos deles, como este, fruto de uma preocupante ineficácia diante da baliza adversária. Muitos deles, como este, cedendo golos difíceis de tolerar. Muitos deles, como este, com dedo da arbitragem.
A frustração do adepto dispara agora em todas as direcções. É assim o futebol – ora nos apaixona e faz vibrar de euforia, ora nos deprime e revolta, quando os resultados não são os que desejamos.
Toda a época carece de uma profunda reflexão interna. Houve erros próprios, e fingir que não aconteceram não ajudará o Benfica a encontrar as soluções. Mas as coisas não são a preto e branco, e há demasiadas zonas cinzentas a contribuir para a situação a que chegámos.
A pré-temporada foi atípica, e entre Mundial de Clubes e pré-eliminatórias europeias quase não houve férias. Mudou-se de treinador. Saíram jogadores importantes. Mas nem factores internos ou de contexto podem iludir o que foi a arbitragem ao longo desta época – na sequência, aliás, do que já vinha a acontecer na anterior.
A arbitragem portuguesa bateu no fundo. O próprio VAR transformou-se num instrumento de manipulação, fruto de um protocolo em que o único critério parece ser prejudicar o Benfica. E isto não pode continuar.
Omitir a influência que as arbitragens tiveram nas competições não é justo, e também distorce qualquer análise objectiva que possamos fazer. Talvez o título tenha sido perdido apenas pelo Benfica. O 2.º lugar, não."

Luís Fialho, in O Benfica

Uma bola do tamanho do mundo


"Uma bola tem a forma e o tamanho do mundo. Não parece, porque é pequena, não parece porque é apenas um objeto, não parece porque parece um brinquedo, mas na verdade uma bola é tudo isso e muito mais. Uma bola é um poderoso meio de interação, de comunicação e de interação entre as pessoas. E não só – através de uma bola a espécie humana comunica entre si e também com outras espécies que connosco vivem em simbiose, os animais de estimação, cada vez mais conhecidos como pets. Mas não é da capacidade que esse objeto fantástico tem para nos pôr a falar com os animais de que aqui se trata. Só isso já não seria pouco, é certo, mas quando a podemos utilizar para estabelecer pontos entre os diferentes, para ajudar a pacificar relações e mesmo para reconstruir amizades entre povos, então a pequena esfera chega ao campo dos gigantes e assume verdadeiramente o tamanho e a importância do mundo. Não é por acaso que ao longo da história vimos episódios desconcertantes por entre os horrores da guerra, como por exemplo a famosa partida de futebol das trincheiras da Primeira Guerra Mundial, quando franceses e alemães sedentos de normalidade e paz, por um momento, esqueceram porque os tinham mandado para ali e foram capazes de interagir pacificamente e de lutar com lealdade no relvado sem que ninguém tivesse de morrer. Que dizer ainda da importância política a que o grande jogo pode ascender? São inúmeros os exemplos, mas não esqueçamos, porque não se podem esquecer, os heróis prisioneiros dos campos de concentração nazi que enfrentaram no campo os seus opressores e contra eles conseguiram a vantagem. Uma vantagem que lhes custaria caro, mas que, arriscando a própria vida como se viria a verificar, levantou por instantes a dignidade de um povo, e uma vez mais a bola entrou no campo dos gigantes. Hoje, em escala modesta, mas igualmente importante, cada vez mais clubes instituem fundações para que essa magia da bola possa ser convertida em ação, do combate à exclusão, do combate à xenofobia, do desenvolvimento pessoal e social dos jovens, do envelhecimento ativo, do desporto adaptado, entre um conjunto, cada vez mais difícil de enunciar, de áreas de intervenção e inovação social que ajudam a reduzir as injustiças, a transformar as injustiças sociais e a transformar o mundo para melhor. Uma vez mais, uma bola pequena nos pés de gigantes. E por falar em gigantes, compete à Fundação Benfica cumprir essa nobre missão em nome do Benfica e dos benfiquistas, e essa é a maior honra que alguém pode ter no seu trabalho. Servir o mundo e a humanidade, levantando as cores da sua paixão."

Jorge Miranda, in O Benfica