quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Fazer melhor em Madrid


"1. O último reencontro entre o Benfica e o Real Madrid esteve muito longe de honrar os pergaminhos dos gigantes ibéricos por motivos que ultrapassam as circunstâncias e as ocorrências do jogo propriamente dito. Historicamente, a Europa do futebol esperou 6 décadas por um confronto deste gabarito e, por manigâncias de sorteios, “recebeu” nem mais nem menos do que 3 clássicos com estes mesmos protagonistas no espaço de um mês.

2. O primeiro desses reencontros, a 25 de janeiro, garantiu ao Benfica a qualificação para o playoff da Liga dos Campeões. Foi graças a um golo do seu guarda-redes nos instantes finais do tempo de compensação que um muito surpreendido Real Madrid se viu obrigado a disputar o playoff para prosseguir na prova de que é rei e senhor… No mês passado, a equipa espanhola entrou na Luz dando por certa a sua superioridade e sofreu uma humilhação que deu a volta ao mundo. Coisas que acontecem, mas que ao Real Madrid acontecem muito raramente.

3. O segundo reencontro aconteceu na terça-feira passada. Foi o 1.º jogo da eliminatória disputada a duas mãos que dará acesso aos oitavos da Liga dos Campeões. O desafio “acabou” quando corria o seu 50.º minuto e Vinicius Júnior fez o golo que daria a vitória ao Real Madrid. Um golo de grande categoria assinado pelo jogador internacional brasileiro, um artista de méritos incontestáveis, mas um desportista de hábitos condenáveis, como, aliás, se viu

4. Não foi a primeira vez que Vinicius Júnior se comportou incorretamente com o público adversário. Já fez o mesmo em Espanha e noutros lugares do mundo. É, aliás, a sua imagem de marca. Negar o desrespeito nos festejos do golo que marcou ao Benfica é negar uma evidência.

5. O jogo “acabou” com o golo do jogador brasileiro porque Vinicius queixou-se ao árbitro de ter sido alvo de um insulto racista – “mono” – por parte do nosso jogador argentino Prestianni. Seguiu-se o sururu inevitável e os 10 minutos de pausa no jogo. Quando o encontro foi reatado, estava marcado pelo episódio entre os 2 sul-americanos e arrastou-se penosamente até ao fim.

6. Não há prova de que Prestianni tenha insultado Vinicius Júnior. Se o fez, fez muito mal. O Benfica não é um clube de racistas e a sua maior lenda é um negro. Ter tapado a boca com a camisola não vai ajudar Prestianni nas instâncias internacionais.

7. Nas “nossas” instâncias, estamos com o jovem argentino. Não queremos que ele seja uma fonte de problemas, mas uma fonte de soluções. Na próxima semana, o Benfica vai a Madrid tentar fazer melhor do que fez na Luz na última terça-feira."

Leonor Pinhão, in O Benfica

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